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Universidade do Algarve

Cenรกrios de Desenvolvimento Documento de Trabalho

Estudo sobre o Golfe no Algarve Dezembro de 2003


Estudo sobre

o Golfe no Algarve

CENĂ RIOS DE DESENVOLVIMENTO

Documento de Trabalho

Dezembro 2003


Universidade do Algarve COORDENADOR GERAL DO ESTUDO Manuel Victor Martins COORDENAÇÃO DAS ÁREAS Economia Regional Antónia Correia Fernando Perna Ambiente Nuno Videira Gestão Agro-ambiental José Beltrão Eugénio Faria Negócio Antónia Correia Recursos Hídricos José Paulo Monteiro COLABORADORES Ambiente Inês Alves Renato Martins Catarina Ramires Rui Subtil Gestão Agro-ambiental Manuel Costa Diamantino Trindade Negócio José Alberto Mendes Pedro Pintassilgo Paulo Rodrigues Edição Gráfica Ricardo Baptista

COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO AHETA - Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve Algarve Golfe - Associação Regional de Golfe do Sul Almargem - Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental AMAL - Associação de Municípios do Algarve APPEV - F. Sousa Neto, Ldª. AREAL - Agência Regional de Energia e Ambiente do Algarve CCDR Algarve - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve CEAM - Centro de Educação Ambiental de Marim DRAA - Direcção Regional de Agricultura do Algarve DRAOT - Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território do Algarve DREA - Direcção Regional de Economia do Algarve DREAlg - Direcção Regional de Educação do Algarve FETESE - Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores de Serviços FPG - Federação Portuguesa de Golfe Globalgarve - Cooperação e Desenvolvimento SA ICN - Instituto de Conservação da Natureza IEFP - Instituto de Emprego e Formação Profissional PNCV - Parque Natural da Costa Vicentina QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza RTA - Região de Turismo do Algarve

Ualg - Universidade do Algarve

4


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

AGRADECIMENTOS

A Universidade do Algarve e a Equipa de Projecto reconhecem e agradecem a colaboração das várias entidades que tornaram possível a realização do Estudo, em particular à Comissão de Coordenação da Região do Algarve; Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve; Região de Turismo do Algarve; Algarve Golfe - Associação Regional de Golfe do Sul. Igualmente, reconhecem o papel que a Comissão de Acompanhamento desempenhou como interlocutora e crítica dos relatórios que vão sendo produzidos. Finalmente agradecem às pessoas que se prestaram a responder aos longos questionários e a participar nas entrevistas com membros ou colaboradores da Equipa.

5


Universidade do Algarve

GLOSSÁRIO AAT

Área de Aptidão Turística

AHETA

Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve

AMAL

Associação de Municípios do Algarve

AutoCADMap

Programa informático de desenho

BENCHMARKING Análise comparada de vários destinos em termos competitivos BUGGIES

Veículos de transporte de dois jogadores de golfe e respectivo equipamento

CAD

Computer Aided Drawing

CAMPO EQUIVALENTE Campo de 18 buracos, um campo de 9 buracos representa 0,5 campos equivalentes e um campo com 27 buracos representa 1,5 campos CASH FLOW

Excedente líquido gerado pela actividade da empresa

CCRA

Comissão de Coordenação da Região do Algarve

CCDR

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional

CEE

Comunidade Económica Europeia

CLUSTER

Método de classificação de objectos e pessoas

COI

Comité Olímpico Internacional

DGA

Direcção Geral do Ambiente

DGT

Direcção Geral de Turismo

DIA

Declaração de Impacte Ambiental

DRAOT

Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território

EGA

European Golf Association

EIA

Estudo de Impacte Ambiental

ETAR

Estação de tratamento de águas residuais

EUA

Estados Unidos da América

FAIRWAYS

Espaço do campo de golfe que liga o local de saída (tee) ao buraco (green)

GOLFISTA

Jogador de golfe que viajou em férias ou em negócios e que jogou pelo menos uma vez durante essa deslocação

GREEN

Zona do campo onde estão implantados os buracos

GREEN KEEPERS Responsáveis pela manutenção das condições do terreno de jogo (relva) ICEP

6

Instituto Comércio Externo Português


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

INE

Instituto Nacional de Estatística

INDICADOR

Parâmetro seleccionado com o objectivo de reflectir determinadas condições do sistema em análise. Os indicadores são normalmente definidos com recurso a um tratamento dos dados (parâmetros) originais, tais como médias, percentis, medianas, máximos, mínimos, entre outros. Neste estudo definiram-se indicadores para as áreas do negócio, sócio-economia regional, agroambiental e ambiental

INPUTS

Dados originais que entram num processo de transformação

LAYOUT

Desenho do campo

MERCHANDISING Forma de comercialização MIX

Conjunto

NORMA ISO 14001 Norma da série ISO 14000, publicada pela International Standardization Organization, relativa à implementação e certificação de Sistemas de Gestão Ambiental. Tem por finalidade a prevenção da poluição e a melhoria contínua do desempenho ambiental das organizações NUTS

Nomenclatura das Unidades Territoriais para fins Estatísticos equivalentes às 7 regiões: Norte, Centro, Lisboa e Vale Tejo, Alentejo, Algarve, RA Madeira e RA Açores

OPPORTUNITIES Oportunidades OVERBOOKING

Sobre ocupação

PACKAGE

Combinação de dois ou mais elementos de serviços turísticos, vendidos como um único produto por um único preço, não sendo identificáveis os preços individuais dos componentes

PDM

Plano Director Municipal

PGA

Professional Golfers Association

PIB

Produto Interno Bruto

PP

Plano de Pormenor

PRAXIS

Actividade ordenada para um resultado

PRIME

Programa de Incentivos e Modernização à Economia

PROTAL

Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve

PRTA

Plano Regional de Turismo do Algarve

PU

Plano de Urbanização

RAN

Reserva Agrícola Nacional

REN

Reserva Ecológica Nacional

RESORTS

Locais de férias

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Universidade do Algarve

ROUGHS

Zona de relva mais comprida que a do fairway

RTA

Região de Turismo do Algarve

SCE

Sistema Cartográfico do Exército

SHAPE FILE

Formato dos ficheiros cartográficos

SIG

Sistema de Informação Geográfica

SIVETUR

Sistemas de Incentivos a Produtos Turísticos de Vocação Estratégica

STAKEHOLDERS Grupo de entidades com interesse, envolvimento ou tendo investido directamente em determinada actividade, por exemplo, empregados, accionistas, fornecedores e clientes STRENGHTS

Forças

SWOT

Técnica de estudo da competitividade de uma organização segundo quatro variáveis: strengths (forças), weaknesses (fraquezas), opportunities (oportunidades) e threats (ameaças)

SHORT HAUL

Viagens de curto curso

TEE

Zona onde se inicia o jogo em cada um dos 18 buracos

TIR

Taxa Interna de Rendibilidade

THREATS

Ameaças

UALG

Universidade do Algarve

UNEP

United Nations Environment Program

UOPG

Unidade Operativa de Planeamento e Gestão

USGA

United States Golf Association

VAB

Valor Acrescentado Bruto

VAL

Valor Actual Líquido

VRSA

Vila Real de Santo António

WEAKNESSES

Fraquezas

WTTC

World Travel Tourism Council

WWF

World Wide Fund for Nature International

ZOT

Zonas de Ocupação Turística

ZEC

Zona Especial de Conservação

ZPE

Zona de Protecção Especial

8


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

ÍNDICE AGRADECIMENTOS

5

Glossário

6

Índice de Quadros, Gráficos e Figuras

11

Capítulo I

Introdução

13

Capítulo II

Breve Caracterização da Situação de Partida

17

II.1

O Golfe e a Economia Regional

17

II.2

O Negócio

21

II.3

As Condições Ambientais

24

II.4

As Expectativas dos Stakeholders quanto ao Futuro do Golfe no Algarve

26

A Competitividade do Golfe no Algarve

29

II.5.1

Matriz SWOT

30

II.5.2

Vantagens Competitivas

32

Metodologia Geral

35

III.1

A Construção dos Cenários

36

III.2

A Análise Estratégica da Sustentabilidade

37

As Variáveis dos Cenários

43

Análise e Projecção da Procura

44

IV.1.1

Análise da Procura

44

IV.1.2

Projecção da Procura 2003-2020

53

O Quadro Institucional e Legal

55

IV.2.1

Enquadramento

55

IV.2.2

Metodologia

56

IV.2.3

Mapa Síntese de Condicionantes ao Licenciamento

58

Oferta de Novos Campos

59

Elaboração dos Cenários e Variantes

65

V.1

Cenário de Referência

65

V.2

Cenário Moderado

71

V.3

Cenário de Massificação

74

II.5

Capítulo III

Capítulo IV IV.1

IV.2

IV.3 Capítulo V

9


Universidade do Algarve

Capítulo VI

Avaliação dos Cenários Ensaiados

81

Impactes Sobre a Competitividade Empresarial

82

O Plano de Exploração do Campo Tipo

83

Impactos Económicos e Sociais

88

Vi.2.1

Gastos Atribuídos ao Golfe

88

VI.2.2

Investimentos Directos

93

VI.2.3

Conta Económica do Sector

96

Vi.2.4

Emprego Gerado Pelo Golfe

99

VI.2.5

Indicadores de Impacto Social

100

VI.2.6

Estimação das Necessidades de Alojamento

102

VI.3

Impactes Sobre o Ambiente

104

VI.4

Comparação dos Cenários

111

VI.1 VI.1.1 VI.2

Capítulo VII O Golfe e os Recursos da Região VII.1 VII.1.1 VII.1.2 VII.1.3 VII.2

119

Desenvolvimento do Golfe e Recursos Hídricos do Algarve

120

Potencialidades e Limitações Associadas às Diferentes Origens da Água

121

Impactes no Balanço Hídrico à Escala Individual dos Sistemas Aquíferos

124

Síntese dos Resultados

130

A Actividade do Golfe no Contexto do Desenvolvimento Regional

136

Capítulo VIII Conclusão e Perspectivas de Desenvolvimento Futuro

147

VIII.1

Conclusões Gerais

147

VIII.2

Conclusões Sobre as Áreas de Sustentabilidade

149

VIII.3

Considerações Finais

152

Referências Bibliográficas

159

Bibliografia

163

Anexo I

Quadros de Apoio

171

Anexo II

Indicadores

185

10


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

ÍNDICE DE QUADROS, GRÁFICOS E FIGURAS Quadro II.1 Quadro II.2 Quadro II.3 Quadro II.4 Quadro IV.1 Quadro V.1 Quadro V.2 Quadro V.3 Quadro VI.1 Quadro VI.2 Quadro VI.3 Quadro VI.4 Quadro VI.5 Quadro VI.6 Quadro VI.7 Quadro VI.8 Quadro VI.9 Quadro VI.10 Quadro VI.11 Quadro Quadro Quadro Quadro Quadro Quadro Quadro Quadro

VI.12 VI.13 VI.14 VII.1 VII.2 VII.3 VII.4 VII.5

Gráfico II.1 Gráfico IV.1 Gráfico IV.2 Gráfico IV.3 Gráfico IV.4 Gráfico IV.5 Gráfico IV.6 Gráfico IV.7 Gráfico IV.8

Dados Gerais de Partida Gastos de Golfe versus Gastos Atribuídos ao Turismo na NUT II Algarve Matriz SWOT (Strenghs, Weaknesses, Opportunities and Threats) Vantagens Competitivas e Estratégias Concorrenciais Evolução dos Preços do Golfe e das Dormidas na Hotelaria Distribuição da Oferta e da Procura de Golfe, no Cenário de Referência por Zonas Oferta e Procura de Golfe no Cenário Moderado por Zonas Oferta e Procura de Golfe no Cenário Massificado por Zonas Indicadores de Caracterização Indicadores Económicos e Financeiros Confronto de Indicadores por Cenário no Horizonte 2020 Principais Rubricas de Investimento Investimento Directo e Induzido Investimento Directo e Induzido em 2020 a preços de 2003 Indicadores de Emprego Directo Indicadores de Impacto social Necessidades de Alojamento Área Ocupada por Empreendimentos com Campos de Golfe, nas 3 Zonas do Algarve, em cada Cenário Distribuição da Área Total de Campos de Golfe pelas três Classes do Mapa Síntese de Condicionantes Simulação dos Consumos de Água (por Origem) e Custos Associados Simulação dos Indicadores de Gestão Ambiental e Agro-ambiental Posicionamento de cada cenário em relação à sustentabilidade Actualização do Balanço Hídrico II Actualização do Balanço Hídrico II Extracções e Recarga I Extracções e Recarga II Matriz de Cooperação Institucional para a Competitividade -/Gasto Médio Diário por Turista em Portugal e no Algarve Motivo Golfe, 2001 Evolução da Procura (Voltas/Ano) Preço Médio por Volta no Algarve e nos Destinos Concorrentes, 2002 Índice de Sazonalidade Evolução Mensal da Procura em 2002 Quantidade de Voltas por Zonas Distribuição do Número de Campos em Funcionamento por Zonas do Algarve, para a Primeira Hipótese Extrema Distribuição do Número de Campos em Funcionamento por zonas do Algarve, para a Segunda Hipótese Extrema Distribuição do Número de Campos em Funcionamento por Zonas do Algarve, para a Hipótese Intermédia

19 19 31 33 45 68 72 77 85 87 90 94 95 96 100 101 103 105 106 107 108 112 128 129 132 133 143 20 45 46 50 51 53 61 62 63

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Universidade do Algarve

Gráfico V.1 Gráfico V.2 Gráfico Gráfico Gráfico Gráfico Gráfico Gráfico

V.3 V.4 V.5 V.6 V.7 V.8

Gráfico V.9 Gráfico VI.1 Gráfico VI.2 Gráfico VI.3 Gráfico VI.4 Gráfico VI.5 Gráfico VI.6 Gráfico VI.7 Figura III.1 Figura III.2 Figura III.3 Figura IV.1 Figura IV.2 Figura IV.3 Figura IV.4 Figura Figura Figura Figura

VI.1 VI.2 VI.3 VI.4

Figura Figura Figura Figura

VI.5 VII.1 VII.2 VII.3

Figura VII.4 Figura VII.5 Figura VII.6

12

Evolução da Oferta e da Procura no Cenário de Referência Distribuição Mensal da Procura em 2020, no Algarve no Cenário de Referência Evolução do Gasto Médio, no Cenário de Referência Evolução da Oferta e da Procura no Cenário Moderado Distribuição Mensal da Procura em 2020, no Algarve, no Cenário Moderado Evolução dos Gastos Médios, no Cenário Moderado Evolução da Oferta e da Procura no Cenário de Massificação Distribuição Mensal da Procura em 2020, no Algarve, no Cenário de Massificação Evolução dos Gastos Médios, no Cenário de Massificação Estrutura do Plano de Exploração Limiar de Rendibilidade e Encerramento para os Diferentes Cenários, 2020 Défice de Jogadores por Cenário Gastos Totais do Golfe (directos e indirectos) por Cenário Despesa Total por Jogador/Dia por Cenário Evolução do VAB Gerado pela Actividade de Golfe nos três Cenários Conta Económica do Sector -/Diagrama de Construção e Avaliação de Cenários Diagrama de Impactos O "Triângulo" da Sustentabilidade Localização do Alojamento dos Golfistas relativamente aos Campos de Golfe Distribuição dos Campos por Zonas, 1996 e 2002 Classes Genéricas do Mapa de Condicionantes ao Licenciamento de Campos de Golfe no Algarve Localização dos Campos de Golfe Existentes e das Pretensões no Mapa Síntese de Condicionantes ao Licenciamento de Campos de Golfe no Algarve Pirâmide de Sustentabilidade Posicionamento dos Cenários na Pirâmide de Sustentabilidade - Variante 1 Posicionamento dos Cenários na Pirâmide de Sustentabilidade - Variante 2 Área de Expansão Sustentável do Golfe, na Óptica da Empresa, da Economia Regional e do Ambiente Área de Expansão Sustentável do Golfe – Variantes 1 e 2 Localização de Furos e Poços Cartografados no Algarve. Identificação dos 17 Sistemas Aquíferos com Expressão Regional. Localização dos Campos de Golfe Existentes e Previstos Relativamente aos Sistemas Aquíferos Classificação dos Sistemas Aquíferos em Termos de Risco I (*) Classificação dos Sistemas Aquíferos em Termos de Risco II (*) Sub-Sistemas Territoriais do Algarve

67 69 70 71 73 74 76 78 79 84 86 91 92 93 97 98 37 40 41 49 52 56 59 112 113 114 115 117 126 126 127 134 135 140


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

CAPÍTULO I

INTRODUÇÃO

O Relatório Preliminar do Estudo sobre o Golfe no Algarve - Diagnóstico e Áreas Problema - apresentado em sessão pública na Universidade do Algarve em Abril de 2003, teve como objectivo elaborar um diagnóstico sobre a actividade do golfe na Região incidindo sobre três aspectos essenciais: §

Por um lado, avaliar, sob diferentes ópticas, os benefícios que a actividade produz para as empresas e para a Região;

§

Por outro lado, avaliar o desempenho ambiental da actividade bem como as incidências sobre o uso dos recursos;

§

Finalmente, detectar áreas críticas existentes, em particular, as condições de exploração dos campos que podem trazer conflitos ao uso inadequado dos recursos naturais e à protecção do ambiente.

Uma tarefa importante, cometida à Equipa, consistia na proposta de um conjunto de indicadores cobrindo os principais aspectos da actividade nas suas diferentes perspectivas. Esse trabalho foi executado e já utilizado na elaboração do Relatório Preliminar e, sobretudo, no presente Relatório. As principais conclusões do Estudo Preliminar apontavam para o seguinte: §

Em primeiro lugar, é reconhecido um impacto muito importante da actividade do golfe sobre a Economia Regional, afirmando-se como um sub-sector do turismo com nível de qualidade elevado e com condições de competitividade muito favoráveis;

§

Em segundo lugar, foram identificadas as áreas problema em todos os domínios: desde a gestão da procura ao ordenamento do território, passando pela legislação que enquadra a actividade até aos problemas de gestão dos recursos naturais, reconhecendo-se que todos os intervenientes podem melhorar significativamente o seu desempenho nas diferentes áreas com benefício para a actividade;

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Universidade do Algarve

§

Finalmente, dado que é reconhecido um elevado potencial de desenvolvimento para a actividade do golfe no Algarve, seria de todo oportuno elaborar um quadro estratégico que permitisse aos stakeholders reflectir sobre os cenários de expansão possíveis do golfe e comparar os benefícios e os custos sociais, correspondentes a cada um desses cenários.

Este último ponto passou a constituir o objectivo principal deste Relatório. Para a realização de uma tarefa tão exigente, a Equipa de Projecto teve de recorrer a conceitos e a metodologias que são novas e ainda pouco utilizadas em situações similares, tanto em Portugal como no Estrangeiro. A opção foi de situar o Estudo no contexto do desenvolvimento sustentável da actividade e utilizar uma abordagem multidisciplinar. Esta opção encontra a sua plena justificação nos Termos de Referência do Estudo, mas corresponde, igualmente, a um esforço conducente a uma praxis do planeamento estratégico para actividades que, pela sua natureza, se baseiam no uso extensivo do território e no consumo de bens ambientais. O golfe é um exemplo paradigmático de uma actividade cujo capital mais valioso é o capital natural, por consequência a conservação e a gestão desse activo devem constituir a base da sua exploração e crescimento. Neste sentido, a análise prospectiva que é feita neste Estudo inspira-se no conceito de sustentabilidade que, no momento actual, é reivindicada pelas mais importantes associações internacionais da modalidade. Em 8 de Novembro de 1999 os dirigentes das mais importantes Associações de Golfe dos Estados Unidos (USGA) e da Europa (EGA) em conjunto com Representantes do Comité Olímpico Internacional ( COI) da Comissão Europeia (DG do Ambiente), do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) e da WWF (World Wide Fund for Nature Internacional) assinaram um importante documento, conhecido por Declaração de Valderrama (EGA, 1999). Nessa Declaração são definidos os princípios e o compromisso da comunidade do Golfe para com a sustentabilidade. Os princípios consistem em desenvolver a actividade do golfe com base na responsabilidade social, na protecção ambiental e na eficiência económica, subscrevendo o conteúdo e as práticas que são recomendadas pelos programas “Audubon

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Cooperative Sanctuary Program (EUA)” e por “Commited to Green” (Europa). Como compromissos operacionais, a declaração recomenda a adopção de procedimentos, baseados no conhecimento científico e na educação, favoráveis à conservação dos habitats naturais, à racionalização dos consumos de água e ao uso adequado de pesticidas e de fertilizantes. Além disso, exorta a comunidade do golfe a desenvolver o diálogo com as organizações de defesa do ambiente com a finalidade de encontrar formas de cooperação e de partenariado favoráveis aos objectivos da sustentabilidade. O problema da sustentabilidade coloca o desafio da abordagem multidisciplinar, isto é, os problemas da actividade do golfe não são analisados numa só perspectiva científica, por exemplo, a óptica de negócio, mas também e, no mesmo plano, do ponto de vista da ciência regional, da engenharia dos recursos naturais e do ambiente e, evidentemente, da economia. Os resultados desta abordagem são ponderados por diferentes ópticas disciplinares que têm conteúdos normativos diferentes, permitindo, assim, chegar a conclusões mais compatíveis e mais próximas da convergência de interesses. Por isso, o conteúdo do relatório foi orientado, no essencial, para alimentar um debate sobre o futuro do golfe no Algarve, que seja iniciado e seguidamente encerrado, se possível com posições consensuais do conjunto dos stakeholders. No plano concreto, a utilidade do relatório exprimir-se-á nas seguintes funções: §

Fornecer aos agentes económicos, aos decisores públicos, às instituições e às organizações de defesa do ambiente e do património, um quadro da situação da actividade do golfe na Região onde podem ver-se confrontados com as suas e outras ideias e opiniões sobre a matéria;

§

Contribuir para a medição dos efeitos da actividade em várias áreas, empresarial, económica e social e ambiental, através de indicadores quantificados, por forma a avaliar desempenhos, monitorar processos e estabelecer metas;

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Universidade do Algarve

§

Desmistificar ideias pré-concebidas sobre a actividade, tanto no que concerne os seus aspectos invariavelmente positivos, como também os seus aspectos invariavelmente negativos;

§

Fornecer um conjunto de cenários alternativos para a discussão e definição de uma estratégia de desenvolvimento para o golfe no Algarve onde os critérios de sustentabilidade possam ser aplicados às empresas, ao ambiente e à economia da Região.

O relatório contém, além da Introdução e das Conclusões, os seguintes capítulos: O Capítulo II - Breve Caracterização da Situação de Partida - apresenta uma análise resumida do diagnóstico elaborado no Relatório Preliminar; O Capítulo III - Metodologia Geral - descreve a abordagem metodológica para a construção dos cenários; O Capítulo IV - As Variáveis dos Cenários - apresenta as projecções da procura e as perspectivas de expansão da oferta de campos de golfe na Região; O Capítulo V - Elaboração dos Cenários e Variantes - é dedicado à apresentação dos cenários propostos para o futuro do golfe no Algarve; O Capítulo VI - Avaliação dos Cenários Ensaiados - discute as vantagens e desvantagens de cada cenário, numa perspectiva de análise estratégica da sustentabilidade; O Capítulo VII - O Golfe e os Recursos da Região - aborda dois temas de importância fundamental para a análise estratégica da sustentabilidade do golfe: os recursos hídricos no contexto dos cenários propostos e as relações do golfe com o desenvolvimento regional. As Conclusões do Relatório são seguidas de Considerações Finais sobre algumas das áreas de impacte, podendo ser entendidas como recomendações para promover, desde já, elementos de sustentabilidade na exploração da actividade. Os vários pontos do relatório são apoiados por ANEXOS, onde são desenvolvidos os temas de forma mais detalhada e justificadas algumas das opções retidas no texto do Relatório.

16


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

CAPÍTULO II

BREVE CARACTERIZAÇÃO DA SITUAÇÃO DE PARTIDA

O diagnóstico da actividade do golfe no Algarve foi feito de forma aprofundada no Relatório Preliminar do Estudo. Neste capítulo, são abordados, de forma muito breve, os principais traços que caracterizam a situação actual nas diferentes ópticas que foram objecto de análise: os impactos económicos e sociais na economia regional, a competitividade do negócio e, por fim, as incidências ambientais da actividade. Em relação ao Relatório Preliminar esta síntese procura actualizar alguma informação, que na altura da sua redacção estava a ser coligida, em especial, os inquéritos, e também os dados definitivos, relativos ao ano 2002. Destaca-se a análise de benchmarking que, embora limitada, permite posicionar os campos algarvios em termos competitivos. Foi inserido um ponto específico contendo os resultados de uma consulta feita aos vários stakeholders em que se auscultaram opiniões não só sobre a situação actual do golfe no Algarve, mas também sobre a sua eventual expansão. A partir do diagnóstico realizado pela Equipa e da consulta aos stakeholders foi elaborado o quadro competitivo da indústria do golfe no Algarve, sintetizado na conhecida matriz SWOT, apresentada e comentada no último ponto.

II.1

O GOLFE E A ECONOMIA REGIONAL

O turismo representa hoje o quarto maior sector à escala mundial quando quantificado através do indicador exportações (receitas por chegadas internacionais), sendo apenas ultrapassado pelas indústrias automóvel, química e agroalimentar. De acordo com a Organização Mundial de Turismo (WTO, 2002), as chegadas internacionais de turistas geraram em 2002 receitas totais no valor de 501,5 milhões de dólares norte-americanos. Neste universo, Portugal assegura 1,8% da quota de mercado em volume de chegadas mas apenas 1,1% em volume de receitas, não surgindo entre a tabela dos 15 maiores destinos mundiais. No entanto, focando a análise no produto golfe turístico no âmbito do mercado europeu, verifica-se que entre os países com maior procura potencial aferida pelo número de jogadores residentes (Inglaterra, Suécia e Alemanha), o destino Portugal

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Universidade do Algarve

surge sempre entre os primeiros 8 locais de preferência, demonstrando a importância deste produto para o turismo em Portugal, quer em termos absolutos quer em termos de diferenciação do destino. No caso específico do Algarve, esta atractividade é ainda mais evidente, dado que os 27,5 campos de golfe equivalentes que a região possuía em Dezembro de 2002 representam cerca de 42% do total da oferta de campos em Portugal, acrescendo que, com regularidade, posiciona 6 campos entre os 50 melhores do mundo. De fenómeno relativamente recente na economia regional (o campo de golfe da Penina foi inaugurado em 1966), tem hoje uma importância reconhecida pela generalidade dos planos estratégicos de desenvolvimento da região, quer de âmbito global (CCRA 2000, AMAL 1999) quer sectoriais como o Plano Regional de Turismo do Algarve (PRTA 2001). Em termos estratégicos, o golfe é consensualmente apresentado como um produto de atenuação do efeito de sazonalidade do turismo no Algarve, ao qual as unidades hoteleiras têm prestado uma atenção particular na rentabilização das suas infra-estruturas fora da época balnear. Os 27,5 campos de golfe existentes (Dezembro de 2002) e as mais de 900.000 voltas vendidas nesse mesmo ano, reflectem um significativo valor económico quantificado no presente estudo e traduzem um ritmo de contraciclo face à sazonalidade do produto sol e praia. Por exemplo, no ano de 2002, enquanto nos estabelecimentos hoteleiros classificados 42% das cerca de 13,2 milhões de dormidas no Algarve são vendidas durante os meses de Junho, Julho e Agosto (INE 2003), regista-se, em clara oposição temporal, que 43% das voltas vendidas nos campos de golfe do Algarve são realizadas nos meses de Fevereiro, Março, Outubro e Novembro (AHETA 2002). Os dados e conclusões sobre a caracterização do turista de golfe no Algarve, permitem disponibilizar informação de base para as posteriores agregações económicas, nomeadamente em termos do total de gastos directos e indirectos gerados por este produto turístico na região.

18


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro II.1

Dados Gerais de Partida 1999

2000

2001

2002

Fonte

19,5

21

21

24

(a)

Nº potencial de voltas

780.000

840.000

840.000

960.000

(b)

Nº desejado de voltas

585.000

630.000

630.000

720.000

(c)

Nº de voltas efectuadas

834.810

898.904

904.769

913.090

(a)

4,5

4,5

4,5

4,5

(d)

185.513

199.756

201.060

202.909

(b)/(d)

Nº total de campos (equiv. 18 buracos em 01/01)

Nº médio de voltas por jogador Nº total de jogadores Nº de dias de estada média do golfista

9,5

(d)

Fontes: (a) Algarve Golfe, campos equivalentes a 18 buracos em funcionamento desde o início do ano; (b) Potencial máximo teórico de voltas = nº de campos x 40.000 voltas/ano; (c) Número desejado de voltas = nº de campos x 30.000 voltas/ano; (d) Universidade do Algarve, 2003 qp. 13. Em itálico: dados estimados.

A monitorização e agregação do conjunto dos gastos dos cerca de 200.000 turistas de golfe no Algarve, quer os realizados dentro do campo de golfe (directos), quer os gastos fora do campo do golfe (indirectos) mas essenciais para a composição da estada como é o caso da alimentação e transportes internos, entre outros, conduzem a valores que de uma forma objectiva demonstram a importância que o golfe turístico tem para a economia regional e para o sector do turismo em particular.

Quadro II.2

Gastos de Golfe versus Gastos Atribuídos ao Turismo na NUT II Algarve 2001 euros

Gastos Totais Atribuídos ao Turismo (a)

%

2002 euros

%

3.739.000.000

100,0%

3.949.718.081

100,0%

79.344.450

2,1%

86.706.144

2,2%

Gastos Golfe Indirectos

234.529.109

6,3%

250.576.237

6,3%

Total Gastos Golfe (directos + indirectos)

313.873.559

8,4%

337.282.381

8,5%

Gastos Golfe Directos

Fontes: (a) DGT, Boletim de Conjuntura nº54, Dezembro 2002 para os Gastos Totais dos Turistas em 2001 de acordo com a metodologia da DGT, os Gastos Totais de 2002 são estimados pela Universidade do Algarve, 2003.

A indústria do golfe, em conjunto com a fileira do consumo turístico associada à presença destes turistas na região, representa cerca de 8,5% dos gastos totais atribuídos ao turismo no Algarve, isto é 337 milhões de euros em 2002. Não presente no quadro, mas merecedor de destaque pelos efeitos multiplicadores que induz na economia regional, é o facto

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Universidade do Algarve

de apenas cerca de 25% desta despesa ser realizada dentro dos campos de golfe, logo as restantes 75% são efectuadas fora e direccionadas para actividades como o alojamento, restauração, transportes internos, entre outros. Em termos unitários, é também importante realçar a componente do gasto médio diário do turista de golfe versus o turista genérico que visita o Algarve. Tomando como referência o ano de 2001 (uma vez que ainda não existem dados publicados pela Direcção-Geral do Turismo por NUT II para 2002 sobre este indicador) verifica-se que na NUT II Algarve o gasto médio por turista/dia se situa nos 91,78 euros, abaixo da média nacional que é de 98,76 euros no mesmo ano. Tendo presente os valores obtidos pela Universidade do Algarve para o turista de golfe, verifica-se que em 2001 o gasto médio diário total (directo e indirecto) atinge os 164,13 euros (175,36 euros para as estimativas de 2002), logo cerca de 1,7 vezes superior ao gasto médio do turista genérico no Algarve e sempre superior à média nacional. A importância destes números para a economia do turismo regional é por demais evidente.

Gráfico II.1

Gasto Médio Diário por Turista em Portugal e no Algarve Motivo Golfe, 2001 180 160 140

euros

120 100 164,13

80 60 40

98,76

91,78

Portugal

Algarve

20 0 Algarve (golfe)

Fonte: DGT, Universidade do Algarve 2003

Resumindo, tem-se que a indústria do golfe contribui com 8,5% dos gastos totais do turismo na região, sendo que estes gastos ocorrem maioritariamente fora da época alta de

20


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

veraneio e através de um segmento de turistas cujo gasto diário é pelo menos 1,7 vezes superior à média regional. Trata-se de um produto cujos efeitos de comercialização não são fechados sobre si próprio, pois apenas cerca de 1/4 das despesas são directamente afectas ao campo de golfe, resultando os restantes 3/4 em despesas indirectas sobre os restantes domínios da actividade turística. O peso económico do produto golfe é claramente demonstrado por estes números, cuja importância para o Algarve importa preservar e potenciar de forma sustentável.

II.2

O NEGÓCIO

A análise do negócio do golfe no Algarve constituiu uma parte significativa do diagnóstico realizado no Relatório Preliminar. Esta dimensão do estudo pretende definir uma matriz de avaliação do golfe enquanto actividade produtiva geradora de riqueza. No primeiro relatório apresentava-se um conjunto de evidências sobre a situação de referência da actividade na região, identificando-se, ainda, as áreas problema da actividade sinalizadas pelos empresários e pelos próprios golfistas. Neste documento completa-se o diagnóstico com dados suplementares recolhidos em fases subsequentes de inquéritos e entrevistas, tratados nos Anexos IV - Procura e V - Oferta. A análise do negócio do golfe pretende identificar e avaliar a actividade numa dupla perspectiva: na óptica do consumidor, enquanto praticante e na do empresário, enquanto investidor e gestor. A análise do golfista é conduzida de forma suficientemente lata para se tentar definir no universo dos 200 mil jogadores perfis-tipo de consumidor. Dum modo geral, o turista do golfe tem um perfil característico. Trata-se de um turismo de nível socio-económico superior à média. A proporção do montante do rendimento familiar gasto em actividades desportivas ronda 7,13% /ano, contra 6,45% para o turista em geral. Outra das características relevantes desta actividade é o facto dos turistas de golfe se hospedarem maioritariamente em hotéis, aparthotéis e aldeamentos turísticos de 4 e 5 estrelas. Em função das motivações/atributos percebidos pelo visitante identificaram-se três segmentos de mercado: o turista de golfe (cluster 1), cujas preocupações se centram, em termos comparativos, nas condições do campo e do jogo; o turista familiar (cluster 2) que valoriza o alojamento, a gastronomia, a paisagem, o clima, o preço e as acessibilida-

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Universidade do Algarve

des; e, finalmente, o turista sol e praia (cluster 3) que, naturalmente, se preocupa com a animação turística (eventos, animação e praias). Em termos de proveniência, o maior fluxo é europeu, sendo que os residentes no Reino Unido e na Irlanda originam mais de 74% da procura, seguidos da Alemanha que, apesar do forte decréscimo de turistas desta nacionalidade registado na região, ainda é responsável por 7,3% dos jogadores. O golfe no Algarve sendo uma actividade predominantemente masculina (77% dos jogadores) constitui uma prática corrente para os golfistas que utilizam os campos de golfe algarvios – praticam-no em média há cerca de 16 anos e jogam pelo menos, cinco vezes por mês. Em média o jogador de golfe permanece no Algarve 9,5 dias, joga 4,5 voltas e faz-se acompanhar no jogo por 3 pessoas. O golfista manifesta-se satisfeito com os serviços prestados, na medida em que 79% pretendem voltar e na sua esmagadora maioria recomendam os campos de golfe algarvios aos seus amigos e família (85%). Enquanto negócio, o golfe surge como uma actividade rentável, quer como âncora do desenvolvimento turístico, quer como actividade desportiva de per si. De facto, o golfe iniciou o seu desenvolvimento na região ancorado nos resorts turísticos, mas rapidamente provou ser uma actividade, cujo potencial económico justificava a sua exploração dissociada do turismo. A empresa que se propõe iniciar um negócio deste género necessita de uma situação financeira consolidada quer pelo avultado investimento, quer pelo prazo elevado de recuperação do investimento. Esta situação pode constituir uma barreira à entrada no mercado e tendencialmente conduzir à concentração, que poderá derivar numa situação de monopólio em algumas zonas do Algarve. No Algarve, o golfe organiza-se quer à volta de clusters de campos, quer de campos isolados. A geografia do desenvolvimento da actividade tem sido a de crescer por zona. Consideraram-se três zonas: ocidental, central e oriental, cada uma delas, assumindo, desde o início, um modelo de desenvolvimento diferente. Enquanto na zona Ocidental o golfe sur-

22


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

ge como actividade complementar à hotelaria, na zona central o golfe assume-se já como uma actividade consolidada onde a procura é muito superior à capacidade instalada, criando uma pressão da procura que conduz necessariamente a um aumento dos preços. A zona Oriental é um destino que se pode caracterizar como emergente onde a procura fica muito aquém da oferta instalada. Um mercado onde as condições determinantes da escolha assentam nas condições da região e dos campos justifica que as estratégias competitivas adoptadas pelos empresários se centrem no binómio qualidade/economias de escala. A proximidade do golfista com o turista tradicional reforça a necessidade de desenvolver sinergias entre as duas actividades que se propõem complementares, o turismo e o golfe. O diagnóstico realizado identifica os principais eixos estratégicos para a dinamização da actividade na região mantendo a sua competitividade e qualidade. Avalia-se o modelo de desenvolvimento do golfe na perspectiva da procura, do empresário, da concorrência e das entidades reguladoras do turismo no Algarve. Conclui-se que muito há a fazer ao nível das infra-estruturas de apoio regionais, em particular, nos transportes, na promoção e no processo de licenciamento dos campos. Adoptando um modelo de avaliação, sustentado nos impactos da actividade na procura, na oferta, no mercado, na região e na concorrência estruturou-se uma matriz de indicadores que simultaneamente caracterizam o equilíbrio do mercado e permitem medir a viabilidade e a sensibilidade do negócio a variações da oferta e da procura. De acordo com a informação recolhida calcularam-se indicadores, organizados por área de impacto. Do diagnóstico surgem um conjunto de áreas críticas relacionadas com a procura e com a oferta, nomeadamente, a saturação dos campos, a dependência do mercado britânico alemão, o binómio preço/qualidade e a localização/acessibilidades. Os problemas identificados constituem uma base de reflexão para o desenvolvimento de um modelo em que a consideração de medidas mitigadoras destes efeitos concorra para o desenvolvimento sustentável do golfe no Algarve.

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Universidade do Algarve

II.3

AS CONDIÇÕES AMBIENTAIS

A análise das incidências ambientais do golfe constituiu uma das áreas mais relevantes de avaliação do “Estudo Sobre o Golfe no Algarve”. Durante a primeira fase do Estudo realizou-se um diagnóstico ambiental da situação de referência do golfe no Algarve, identificando-se as principais áreas problema. Nesta análise procurou-se identificar e avaliar, de forma integrada, as interacções entre o ambiente e o golfe, enquanto que a avaliação sectorial de aspectos ambientais específicos, tais como a hidrogeologia ou a gestão das práticas agro-ambientais, foram alvo de análise complementar por outras equipas envolvidas no Estudo. O reconhecimento inequívoco da existência de impactes potenciais da actividade no ambiente tem motivado, nos últimos anos, uma resposta das entidades reguladoras e dos empresários do golfe. O diagnóstico realizado permitiu identificar as principais categorias de impacte ambiental associadas às fases de construção, exploração e desactivação dos campos de golfe, cujos projectos estão em regra sujeitos a um processo de Avaliação de Impacte Ambiental no contexto actual da legislação nacional. Verificou-se que a tipologia de impactes ambientais considerada, em regra geral, nos Estudos de Impacte Ambiental de um campo de golfe inclui os seguintes descritores: clima, geologia, solos, topografia, hidrogeologia, recursos hídricos superficiais, resíduos, qualidade do ar, ruído, ecologia, paisagem, património construído e arqueológico, ordenamento do território e uso do solo e sócio-economia. Com base no reconhecimento da tipologia de impactes ambientais de um campo de golfe, procedeu-se à identificação das actividades que durante o seu funcionamento podem interagir com o ambiente. Esta tarefa está intimamente ligada com o reconhecimento dos denominados “aspectos ambientais” da gestão do golfe. Uma vez que nem todos os aspectos possuem a mesma significância, desenvolveu-se uma matriz de indicadores ambientais, por forma a avaliar a situação dos campos actualmente em funcionamento no Algarve. De acordo com a informação fornecida pelos inquéritos realizados junto dos gestores dos campos, e utilizando o modelo Pressão-Estado-Resposta, o sistema de indicadores ambientais que foi desenvolvido considera diferentes factores de normalização (área de empreendimento, área de campo e números de voltas) e funções de tratamento dos valo-

24


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

res (mínimo, média, máximo, mediana). Alguns dos principais indicadores desenvolvidos incluem: §

Indicadores de Pressão (Consumo de fitofármacos; Consumo de fertilizantes; Consumo de combustíveis; Consumo de electricidade; Consumo total de água superficial para rega dos campos de golfe; Consumo total de água subterrânea para rega dos campos de golfe; Consumo total de água de abastecimento público para rega dos campos de golfe; Consumo total de água residual tratada para rega dos campos de golfe; Produção total de resíduos; Produção de resíduos verdes; Área dos concelhos do Algarve a ocupar por empreendimentos com campos de golfe);

§

Indicadores de Estado (Campos de golfe com buggies eléctricos; Campos de golfe com buggies a combustível; Campos de golfe com captação própria; Campos que utilizam água residual para rega; Área dos concelhos do Algarve ocupada por empreendimentos com campo de golfe; Situação dos campos face aos instrumentos de gestão territorial);

§

Indicadores de Resposta (Campos de golfe com sistema de gestão ambiental certificado; Campos de golfe com política ambiental; Campos de golfe com programas ambientais; Campos de golfe que implementaram medidas de gestão ambiental).

Os resultados obtidos indicam que os aspectos ambientais significativos directos que deverão ser alvo de uma gestão efectiva por parte dos campos de golfe do Algarve incluem: o consumo de água para rega, o consumo de energia, o consumo de fertilizantes e fitofármacos e a produção de resíduos. Deverão considerar-se ainda os aspectos indirectos, que incluem, de uma forma genérica, a contaminação do solo, a contaminação das águas superficiais e subterrâneas, a alteração da paisagem, fauna e flora e o tratamento de resíduos. Nesta análise, procedeu-se também a um diagnóstico da localização dos campos existentes e das pretensões conhecidas de novos campos, face a um conjunto de condicionantes de ordenamento do território e uso do solo. Nesta análise, o levantamento da cartografia

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disponível permitiu construir 5 mapas temáticos através da sobreposição dos campos com as áreas de aptidão turística, sistemas aquíferos, áreas críticas à extracção de águas subterrâneas, reserva ecológica nacional e áreas de conservação da natureza. Através da revisão dos critérios de localização que suportam o processo de licenciamento de campos de golfe no Algarve (cf. Anexo III – Ambiente), foi também produzido um mapa síntese das condicionantes à sua localização. O tratamento desta informação utilizando um Sistema de Informação Geográfica, permitiu desenvolver um conjunto de indicadores ambientais, de natureza estruturante, que mede a sobreposição dos campos existentes e previstos com as referidas condicionantes. Os resultados obtidos, avaliados para o conjunto dos campos existentes no Algarve, foram complementados com a opinião recolhida junto de empresários do sector e outros stakeholders. As áreas-problema identificadas dividem-se em áreas críticas relacionadas com a gestão interna dos aspectos ambientais (e.g. consumo de água para rega, consumo de fertilizantes, produção de resíduos e monitorização dos solos, ar, água e ruído) e problemas estruturantes relacionados com o posicionamento externo do golfe em relação aos instrumentos de gestão do território (e.g. licenciamento da actividade, localização dos campos em zonas de protecção e conservação dos recursos e integração dos aspectos ambientais desde a fase de concepção dos campos). No sentido de contribuir para a mitigação dos problemas identificados, nomeadamente ao nível do desempenho ambiental, recomendou-se a implementação de algumas medidas de gestão ambiental, cuja eficácia poderá ser continuamente melhorada, através da adesão dos campos de golfe a sistemas e programas de gestão ambiental.

II.4

AS EXPECTATIVAS DOS S TAKEHOLDERS QUANTO AO FUTURO DO GOLFE NO ALGARVE

No sentido de introduzir neste Estudo um dos pilares da governação sustentável - a consulta e participação dos interessados nos processos de planeamento e gestão – realizou-se um conjunto de entrevistas junto dos empresários do sector e outros agentes relacionados, de alguma forma, com a actividade do golfe.

26


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Foram contactadas cerca de 50 entidades, incluindo empresas nacionais e internacionais do sector, administração regional, autarquias, agências de desenvolvimento local, associações de defesa do ambiente e associações nacionais ligadas ao golfe. Apresentam-se em seguida, uma síntese das ideias-chave recolhidas, na perspectiva da economia regional, do negócio e do ambiente. O número de campos de golfe passíveis de instalação na região, na óptica dos stakeholders, seria de 20 sem restrições ambientais e de 40 com restrições ambientais. Como justificações principais, são apontadas razões de ordem comercial, reforço do posicionamento internacional da região e de ordem promocional da modalidade. Os novos empreendimentos necessitariam de manter elevados níveis de qualidade bem como de hotéis de 4 e 5 estrelas associados, em média seriam necessários mais 20 hotéis. Quanto à perspectiva de instalação de campos municipais, existe uma clara divisão de opiniões entre os entrevistados. Os defensores desta opção defendem que este seria um veículo para promover a prática da modalidade junto das populações. Para tal, sugerem a criação de campos essencialmente de treino, distribuídos pelas zonas ocidental, central e oriental do Algarve, que não impliquem custos elevados para as autarquias nem criem situações de desvantagem competitiva face às restantes empresas do sector. Os entrevistados com opinião contrária à implementação de campos municipais referiram que não cabe às autarquias a criação e gestão deste tipo de infra-estruturas, que existem outras carências prioritárias de equipamentos desportivos na região, que poder-se-ia observar um decréscimo da qualidade da oferta e que o mercado do golfe é suficientemente competitivo para que seja necessária uma intervenção do Estado e das autarquias na disseminação e desenvolvimento da actividade. A análise das respostas obtidas junto da concorrência espanhola permitem concluir que é expectável uma tendência expansionista na região da Andaluzia. No entanto, é interessante realçar que o mercado de golfe Algarvio é entendido como sendo de elevada qualidade, situação que já não se verifica na globalidade desta região vizinha. Esta situação foi considerada como uma vantagem competitiva para o Algarve. Foi ainda referido que é esperado um contínuo aumento da procura, motivado pelo aumento de jogadores dos mercados emissores, em especial do Norte da Europa. No que respeita ao processo de licenciamento

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em Espanha, este é considerado excessivamente burocrático, segue a reboque do desenvolvimento urbanístico, registando-se uma forte necessidade de um planeamento integrado para a região. Na opinião de metade dos empresários entrevistados no Algarve, o consumo elevado de água e as más práticas de gestão associadas ao uso excessivo de fertilizantes e fitofármacos, são apontados como os principais impactes ambientais negativos de um campo de golfe. Em termos de impactes positivos, todos os empresários referiram a criação de novos ecossistemas e a conservação de espécies. Dos restantes stakeholders entrevistados, cerca de 10% refere que as actividades associadas aos campos de golfe só representam impactes positivos no ambiente (e.g. requalificação de zonas degradadas, menores necessidades de água, pesticidas e fertilizantes comparativamente à agricultura), enquanto que 90% considera que a sua implementação e exploração, gera impactes negativos (e.g. o elevado consumo de água, a localização geográfica dos campos e os aspectos estruturantes associados à sua implementação, a alteração e artificialização da paisagem e a transformação do uso do solo). Quanto a um possível efeito cumulativo destes impactes ambientais negativos com a implementação de novos campos de golfe, 20% dos stakeholders considerou que existirá um agravamento da qualidade ambiental, nomeadamente no que se refere à exploração dos recursos naturais (e.g. pressão sobre os recursos hídricos), sendo que 15 % considerou que esse agravamento será dependente do número de campos a implementar. Os restantes inquiridos consideraram que a qualidade ambiental não diminuirá se for considerado um conjunto de pressupostos, nomeadamente, o uso conjunto de diferentes fontes de água, nomeadamente residual e superficial, a distribuição uniforme dos campos por todos os concelhos da região e a realização de estudos de carácter ambiental que possibilitem o conhecimento dos impactes, a implementação de medidas de monitorização e a existência de entidades fiscalizadoras do cumprimento dessas medidas. Relativamente aos processos de implantação e licenciamento dos campos, os empresários referiram como principais dificuldades sentidas, a burocracia associada ao elevado número de entidades envolvidas, a falta de informação destas entidades sobre o modo de estruturar todo o processo, emitindo muitas vezes informações contraditórias e os períodos de

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

tempo muito alargados para emissão de pareceres. Neste sentido, reforçaram a necessidade de criar uma entidade coordenadora, que facilite o controlo e acompanhamento dos processos, desde a fase de projecto à fase de implementação e exploração de um campo de golfe. Em contrapartida, a maioria dos restantes stakeholders entrevistados considerou que os recursos ambientais são actualmente salvaguardados pela existência de várias entidades responsáveis pela emissão de pareceres e pela existência de legislação rigorosa. Alguns referiram no entanto que as pressões económicas bem como a ausência de monitorização e de alternativas de localização nos projectos sujeitos a Estudo de Impacte Ambiental contribuem para a não salvaguarda dos recursos. Refira-se ainda que dois dos empresários inquiridos sugeriram a definição de zonas específicas para implementação de campos de golfe nos diferentes instrumentos de ordenamento do território, de modo a possibilitar um conhecimento prévio das zonas possíveis de implementação, por parte dos investidores e facilitar a emissão dos pareceres, por parte das entidades envolvidas. A este respeito, a opinião dos restantes stakeholders permite acrescentar que os critérios ambientais condicionantes à implementação de um campo de golfe deveriam incluir, essencialmente, a localização dos campos, o consumo de água e a conservação da natureza. A implementação preferencial dos campos de golfe deveria ser próxima de áreas urbanas (de modo a expandir o “verde urbano” e a valorizar áreas suburbanas) e deveria permitir a descentralização dos campos para o sotavento e barlavento algarvio. Acrescentou-se ainda que a revisão do Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve (PROTAL) e dos Planos Directores Municipais (PDM) deveriam estabelecer critérios de localização das Áreas de Aptidão Turística (AAT) de modo a salvaguardar os interesses económicos, sociais e ambientais e a minimizar as assimetrias entre o litoral e o interior.

II.5

A COMPETITIVIDADE DO GOLFE NO ALGARVE

A competitividade do produto golfe resulta das suas vantagens e desvantagens competitivas no ambiente externo e interno. No sentido de identificar claramente, o posicionamento competitivo do Algarve, enquanto destino de golfe apresenta-se neste ponto a já conheci-

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Universidade do Algarve

da matriz SWOT, seguida de uma análise de benchmarking que, ainda que limitada permitiu concluir sobre as vantagens competitivas do destino.

II.5.1

MATRIZ SWOT

A partir da informação acima apresentada, que sintetiza os principais resultados do diagnóstico realizado na primeira fase do Estudo, bem como as opiniões dos empresários e outros stakeholders sobre os principais problemas e desafios para o futuro, foi possível elaborar uma “Matriz SWOT” que integra as forças (Strengths), fraquezas (Weakenesses), oportunidades (Opportunities) e ameaças (Threats) para o golfe no Algarve, sob a perspectiva da oferta, procura, enquadramento regional e ambiente. Nesta análise, as “forças” e as “fraquezas” são entendidas como atributos internos da actividade que podem contribuir, respectivamente, para o reforço ou enfraquecimento da vantagem competitiva sustentável do golfe. As “ameaças” e as “oportunidades” constituem características com implicações externas que, no primeiro caso, ameaçam o desenvolvimento sustentável desta actividade e, no segundo, apresentam uma janela de oportunidade para incrementar a vantagem competitiva do golfe.

30


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro II.3

Matriz SWOT (Strenghs, Weaknesses, Opportunities and Threats)

Oferta

Procura

Região

Ambiente Desporto de contacto com a natureza § Reflorestação das áreas dos campos § Criação de lagos §

Qualidade dos campos § Atendimento § Diversidade

§

Forças

§

§

§

Sazonalidade

Notoriedade § Short haul §

Gastronomia

Acessibilidades

Clima § Hospitalidade §

Estabilidade político/social § Localização §

§ § §

Criação de zonas corta-fogos Protecção da fauna e flora Requalificação das áreas envolventes

§

Consumo de água § Consumo de fertilizantes e fitofármacos

Comércio § Promoção

Alteração do uso do solo § Alteração dos habitats § Produção de resíduos

Fraquezas

§

Alojamento § Formação § Animação §

§

Massificação da oferta

Concentração nos mercados ingleses e alemães § Mercado Nacional §

§

Preços

Ligações aéreas Ordenamento § Sinalética §

§

§

§

Planeamento ambiental

Localização em áreas protegidas e/ou sensíveis § Risco de contaminação de aquíferos e solos

Ameaças

§

§

§

Crescimento da oferta em destinos alternativos Deterioração da qualidade

Dependência do mercado Europeu § Concorrência Espanhola §

Pressão urbanística

§ §

Depleção dos recursos Escassez de água

Degradação da qualidade ambiental § Pressão urbanística §

§

Oportunidades

§

Procura de destinos integrados

Emergência do mercado do Norte da Europa § Desenvolver no Algarve a “Florida” § Redução europeia progressiva da duração das viagens § Penetração no mercado nacional §

§

Localização em zonas ambientalmente degradadas

Uso de águas residuais tratadas § Reciclagem e compostagem de resíduos § Complementaridade com o produto § Monitorização ambiental sol e praia § Certificação ambiental § Desenvolvimento urbanístico controlado §

Facilidade de acesso

§

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

A leitura da matriz SWOT permite tirar ilações importantes sobre a forma como deve ser encarado o desenvolvimento do golfe no Algarve e perspectivado o seu futuro. Com efeito: As “forças”, entendidas como condições vantajosas para o incremento da actividade do golfe, residem fundamentalmente nos recursos naturais e ambientais e humanos da Região e no seu adequado aproveitamento como factor de qualidade e de diferenciação;

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As “fraquezas”, entendidas como factores que podem degradar a qualidade do produto, residem fundamentalmente na falta de capacidade organizativa dos vários agentes envolvidos, na ausência de planeamento e ordenamento do espaço e em comportamentos menos sustentáveis de curto prazo; As “ameaças” são de dois tipos: por um lado, a possibilidade de uma gestão inadequada dos recursos naturais com consequências muito graves para o futuro da actividade e, por outro lado, a concentração da procura num reduzido número de Países o que a torna muito vulnerável dificultando um crescimento sustentável da actividade; As “oportunidades” traduzem a capacidade de transformar as ameaças e as fraquezas em factores competitivos da actividade do golfe na Região, através de políticas sustentáveis aos vários níveis: de desenvolvimento regional, de ordenamento do espaço e de eficácia nas decisões sobre o futuro do golfe que são tarefas dos poderes públicos, enquanto do lado das empresas se esperam estratégias voltadas para a sustentabilidade ambiental, para a qualidade do produto e para a afirmação da Região como destino de golfe. A análise que se segue inspira-se também na leitura desta matriz.

II.5.2

VANTAGENS COMPETITIVAS

As comparações estabelecidas entre o Algarve e as Ilhas Baleares, (cf. Relatório Preliminar, pág. 59) mostram um crescimento quase homogéneo ao nível da oferta. Embora o ritmo de aumento do número de voltas vendidas (procura) seja superior nas Ilhas Baleares, o número médio de voltas por campo estabiliza nas 28 800 voltas, enquanto que no Algarve a pressão da procura permite vender, em média, mais 10 000 voltas por campo. Se esta situação for sinónimo de capacidade de instalação de mais campos, então a questão que se coloca é de saber se os outros destinos concorrentes vão acompanhar este crescimento. Um indicador da qualidade dos campos é o número de voltas/ano realizadas. Tomando como base a média de voltas no mercado relevante para o Algarve, fixámos um valor de 30.000 voltas/ano. Este indicador sugere, de forma indirecta, a capacidade económica do turista traduzida nos gastos: o gasto médio diário do turista de golfe, nas Ilhas Baleares, é

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

superior ao verificado no Algarve, respectivamente 200,20 euros/dia e 164,13 euros/dia, enquanto o número médio de voltas é muito superior na Região do Algarve ao das Ilhas Baleares.

Quadro II.4

Vantagens Competitivas e Estratégias Concorrenciais

Vantagens Competitivas da concorrência

Acessibilidades

Estratégias da Concorrência Estratégias dos Campos de golfe do Algarve

Comércio e Serviços

Preços

Economias de escala Qualidade

Redução de custos

Imagem

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Os principais concorrentes dos campos da Região localizam-se no próprio Distrito e no estrangeiro. A concorrência de outros países provém principalmente da Espanha e em menor escala da Turquia. As estratégias da concorrência e as vantagens competitivas são essencialmente factores alheios à exploração do próprio campo: Acessibilidades e Comércio e Serviços. O preço e as instalações constituem também factores de atracção relevantes para a concorrência. As vantagens competitivas no mercado, recaem sobre as economias de escala – redução de custos

e a imagem que já possuem no mercado.

As estratégias prosseguidas pelos directores dos empreendimentos algarvios centram-se na manutenção da qualidade do campo e na redução de custos. Note-se que apesar de uma das vantagens competitivas da concorrência ser o preço, não parece ser essa a política no Algarve. O facto da qualidade surgir como primeira prioridade indicia uma vontade de competir não pelo preço, mas pela diferenciação do produto. As vantagens competitivas dos campos não dependem apenas das estratégias prosseguidas pelos gestores, mas também da sua localização. Inerente à localização surgem como principais factores de atractividade a Envolvente do Campo, a Proximidade da Praia e as Acessibilidades.

33


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Os principais eixos estratégicos onde o Algarve surge numa posição de vantagem em relação à concorrência estão relacionados com a qualidade e a fidelização de clientes, nomeadamente: - Diversificação de produtos, Controlo de qualidade, Controlo de custos, Capacidade de inovação, Qualidade de atendimento dos clientes, Taxa de ocupação e fidelização. Uma posição menos favorável surge relacionada com a promoção, formação profissional, estratégia de comunicação e promoção conjunta, acessibilidades e infra-estrutura hoteleira e turística.

34


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

CAPÍTULO III

METODOLOGIA GERAL

O exercício de análise prospectiva sobre a indústria do Golfe no Algarve, para um período longo (2003-2020), requer um método de abordagem transparente e que possa ser apreendido por um público não especializado. Esse método baseia-se na construção de cenários que permitam apresentar várias evoluções coerentes para a actividade do golfe, num horizonte futuro, evoluções que resultam não só da aplicação de técnicas de projecção de variáveis económicas mas também das intenções/expectativas dos vários stakeholders. A construção de cenários não constitui um fim em si, o que interessa conhecer são as consequências particulares de cada um, os seus efeitos diferenciados no tecido económico, empresarial e regional e, também, na conservação dos recursos naturais e na qualidade de vida. O horizonte escolhido é o ano de 2020. Pode parecer exagerado fixar um período tão longo, mais de 15 anos, para estudar cenários de desenvolvimento do golfe, quando é notório que, para a maioria dos sectores da economia regional, não existem quaisquer estudos de prospectiva, nem tão pouco previsões de médio prazo. No entanto, o longo prazo justifica-se quer pela natureza estruturante da actividade, quer pelo prazo que medeia entre a decisão de investimento e a sua realização que pode ser de 6 a 8 anos, dependendo do processo de licenciamento. O exercício de cenarização mais não é do que a apresentação de um conjunto de escolhas possíveis para o futuro do Golfe, baseadas em pressupostos sobre os factores do seu desenvolvimento: uns tendenciais com grande probabilidade de acontecerem, enquanto outros eventualmente mais sujeitos à relação de forças entre os vários stakeholders. A ideia-chave deste exercício é apresentar o desenvolvimento da actividade do golfe enquadrada por vários domínios (cf. Relatório Preliminar, pág. 41 a 119): a rendibilidade do negócio, o impacto económico e social na região e, finalmente, as incidências ambientais resultantes da implantação de novos campos e da prática do golfe.

35


Universidade do Algarve

A comparação dos resultados esperados de cada um dos cenários é feita através da análise estratégica da sustentabilidade, isto é, da avaliação dos impactos (positivos e negativos) que o aumento de actividade poderá ter nos domínios já referidos. A apresentação da metodologia consistirá, por conseguinte, de dois pontos: a construção de cenários e a avaliação estratégica da sustentabilidade de cada um dos cenários.

III.1

A CONSTRUÇÃO DOS CENÁRIOS

O cenário, tal como foi acima definido, constitui uma evolução provável da actividade do Golfe no Algarve, condicionada por três tipos de dados de entrada: §

Uma evolução da procura por parte de praticantes da modalidade;

§

Um perfil de oferta de novos campos, ao longo do período em análise;

§

Um quadro legal de partida, constituído por regulamentos que condicionam a localização dos campos e as condições de exercício da actividade.

O conjunto destes dados fornece várias evoluções possíveis para o golfe, dependendo das projecções das variáveis económicas, procura e oferta, e também da evolução do quadro legal. A principal tendência "pesada" que, neste momento, se detecta como invariante é a permanência do quadro legal para todo o período, não só porque alguns dos regulamentos têm uma abrangência europeia, mas também porque se considera que, em domínios como o ambiente, a tendência aponta para regulamentos ainda mais restritivos. A análise da procura, entendida como a quantidade de voltas, e a justificação para a evolução da oferta, entendida como o número de campos, são apresentadas no capítulo seguinte. O exercício foi concebido para reduzir ao mínimo os julgamentos de valor que pudessem retirar transpar��ncia aos resultados: assim os indicadores que foram utilizados na avaliação da sustentabilidade são os indicadores calculados a partir do diagnóstico (cf. Relatório Preliminar, pág. 80) enquanto as hipóteses sobre a evolução da oferta e localização dos futuros campos resultam da consulta dos processos, que se encontram em fase de licenciamento, quando existentes nos organismos oficiais.

36


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

O esquema que se apresenta na Figura III.1 procura ilustrar as duas etapas de construção e de avaliação estratégica dos cenários.

Figura III.1

Diagrama de Construção e Avaliação de Cenários Custo do Capital

Oferta

Regulamentação

Cenários

Indicadores

Matriz de Impactos

Procura Políticas Públicas

Construção de Cenários

Análise Estratégica da Sustentabilidade

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

A primeira etapa "construção dos cenários" combina três factores essenciais ao crescimento da actividade no período em análise: a evolução da procura de jogadores, a oferta de novos campos e de infra-estruturas e o enquadramento legal que condiciona a sua implantação. A análise detalhada das variáveis económicas e do enquadramento legal será feita em detalhe no capítulo seguinte. A análise da sustentabilidade dos cenários que inclui a avaliação dos impactos e a comparação dos resultados será desenvolvida no ponto seguinte.

III.2

A ANÁLISE ESTRATÉGICA DA SUSTENTABILIDADE

A análise estratégica da sustentabilidade do golfe na Região do Algarve implica, antes de mais, que se defina o conceito de "indústria sustentável".

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Uma indústria é sustentável se, simultaneamente, for: §

Competitiva

A capacidade competitiva de uma indústria, neste caso do golfe, é medida pela sua capacidade de se manter num mercado, gerando lucros no médio e longo prazo, oferecendo serviços e produtos de elevada qualidade. §

Ambientalmente responsável

O golfe é uma indústria consumidora de recursos naturais, quer sob a forma de terrenos quer sobre a forma de bens como a água, quer ainda como serviços intangíveis tais como a paisagem, a biodiversidade e o clima. A protecção destes recursos é vital para o golfe uma vez que a sua qualidade e quantidade constituem vantagens competitivas insubstituíveis. §

Geradora de impactos sociais e económicos positivos

O golfe é turismo e como tal insere-se no principal sector de actividade da região do Algarve. Nesse sentido o seu desenvolvimento equilibrado pode contribuir para gerar impactos significativos no Produto regional, no emprego e nas actividades de hotelaria, restauração e cultura, tanto mais que o período de mais intensa actividade se situa na época baixa dos fluxos turísticos. §

Integrada no desenvolvimento regional

A actividade do golfe é consumidora extensiva de solo, por conseguinte a localização dos campos condiciona e é condicionada pelo ordenamento físico do território, pelos seus usos e aptidões. Acresce ainda o facto da actividade induzir investimentos no sector imobiliário e necessitar de acessibilidades compatíveis. A definição de sustentabilidade de um sector económico não é suficiente para efeitos práticos. Por isso, há que construir uma abordagem que permita avaliar e, se possível, medir, através dos seus impactos, a contribuição para cada um dos domínios acima referidos: negócio, economia regional e ambiente. Quando uma indústria tem efeitos positivos

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

(não-negativos) sobre todos os domínios, então pode afirmar-se que o seu desenvolvimento é sustentável. Os objectivos gerais da análise estratégica da sustentabilidade são pois os seguintes: §

Proporcionar um quadro de decisão estratégico mais amplo para as entidades públicas que o actualmente existente, já que todas as dimensões do desenvolvimento sustentável são tomadas em conta;

§

Fornecer informação para outras políticas de desenvolvimento regional, em particular as que se dirigem para os recursos naturais e para os recursos humanos;

§

Criar uma plataforma de discussão para todos os stakeholders acerca das alternativas de desenvolvimento da indústria do golfe tendo em conta as diferentes implicações de cada uma.

Do ponto de vista metodológico torna-se necessário medir os efeitos de cada cenário nos diversos domínios, em termos práticos: §

Construir a cadeia de impactos da actividade no médio e longo prazos,

§

Estimar com base em indicadores a dimensão potencial dos impactos quer de forma quantitativa, quer de forma qualitativa.

A análise e a quantificação dos impactos supõe uma cadeia de relações que, simplificadamente, se apresenta na Figura III.2.

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Figura III.2

Diagrama de Impactos Cenário de Referência Cenário Moderado Cenário Massificado

Decisões de Investimento

Política Pública

Condições da Indústria (procura, oferta, rendibilidade, externalidades) Indicadores Impactos de curto/médio prazo Indicadores Impactos de longo prazo Competitividade Empresarial

Económico-sociais

Ambientais

Desenvolvimento Regional

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Os objectivos gerais da análise estratégica da sustentabilidade são orientados para produzirem efeitos práticos. Assim, do ponto de vista metodológico torna-se necessário medir os efeitos de cada cenário nos diversos domínios, mediante os seguintes passos: §

Construir a cadeia de impactos associada a cada cenário,

§

Estimar com base em indicadores a dimensão potencial desses impactos quer de forma quantitativa, quer de forma qualitativa,

§

Estabelecer comparações entre resultados de cenários.

A construção da cadeia de impactos potenciais da indústria obedece ao esquema geral acima apresentado e será feita para as diversas áreas: da competitividade empresarial, área económica e social e áreas regional e ambiental. Os indicadores a aplicar irão medir a magnitude desses impactos através de multiplicadores de consumo e de emprego para as áreas económica e regional e através da análise da rendibilidade média empresarial e dos indicadores ambientais para as respectivas áreas.

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

A comparação dos cenários será feita de forma qualitativa, já que a agregação dos efeitos se torna inviável pela natureza diferenciada das variáveis. Uma vez que o indicador sintético que se pretende é o grau de sustentabilidade de cada cenário, a forma mais simples, mas também a mais elucidativa, é situar cada cenário no chamado "triângulo" da sustentabilidade, apresentado no esquema seguinte:

Figura III.3

O "Triângulo" da Sustentabilidade Economia Regional

Ambiente

Empresas

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Um cenário é considerado mais sustentável na medida em que se situar mais no centro do triângulo o que significa um maior grau de complementaridade e não de conflitualidade entre a competitividade empresarial, a protecção do ambiente e o desenvolvimento regional.

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42


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

CAPÍTULO IV

AS VARIÁVEIS DOS CENÁRIOS

A construção dos cenários para o golfe fundamenta-se na lógica económica de funcionamento da actividade que, tal como qualquer indústria, se insere num mercado competitivo que se caracteriza por uma procura e uma oferta. Dadas as condições específicas desta actividade os Anexos IV - Procura e V - Oferta apresentam o modelo económico que explica de forma detalhada o funcionamento do mercado do golfe. A variável que permite caracterizar tanto a procura como a oferta é o número de voltas/ano, entendido tanto ao nível da região, ou sub-região, como ao nível de um campo. O número de voltas pode ser transformado em número de jogadores se admitirmos que cada jogador, em média, joga um determinado número de voltas por cada período de estadia na Região. A procura dirigida à Região não é uniforme, pelo que se considerou mais correcto realizar uma partição em três sub-regiões que tivesse em conta a especificidade própria de cada uma. O preço que caracteriza este mercado é o preço médio por volta. No entanto, dadas as condições em que se realiza a actividade esse preço não corresponde ao preço no balcão, diferente de campo para campo, mas a uma média ponderada em que são tidos em conta esses preços e os preços implícitos nos packages. Uma outra variável relacionada com o preço, determinante para a explicação do funcionamento do mercado, é o gasto médio do golfista dentro do campo. Para a formação desta variável concorrem os preços médios por volta, os gastos em aluguer de equipamento, merchadising e alimentação e bebidas. A oferta de voltas/anos depende do número de campos - a capacidade instalada - e de um certo número de parâmetros que permitem definir uma oferta máxima de voltas/ano. A oferta máxima de voltas/ano depende da ponderação da capacidade teórica estimada (cf. Anexo V - Oferta) com a capacidade económica dos campos. Por capacidade económica do campo entende-se o número máximo de voltas que é possível oferecer sem pôr em

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causa critérios de qualidade do campo e congestionamento dos mesmos, garantido a rendibilidade do negócio. O valor obtido, denominado oferta económica potencial, está de acordo com a análise de benchmarking realizada junto da concorrência. O crescimento da oferta depende do preço que pode ser praticado no mercado, da pressão da procura, mas também e, em grande medida, das condições legais de implantação e localização de novos campos. Esta restrição é suficientemente importante para podermos entender a oferta como condicionada, sendo por isso decisivo para a construção dos cenários a sua consideração devidamente enquadrada no contexto legal como elemento tendencial "pesado".

IV.1

ANÁLISE E PROJECÇÃO DA PROCURA

A evolução prevista da procura efectiva de voltas/ano para o período 2003-2020 baseou-se num modelo econométrico (cf. Anexo IV - Procura). Antes de apresentar essa evolução convém analisar algumas das características que vão permitir tornar mais consistente a projecção. São essas: a evolução da procura nos últimos anos, o preço médio por volta, a origem e o perfil dos jogadores, a sazonalidade da actividade e a distribuição das voltas/ano, efectivamente vendidas na Região e nas suas sub-regiões.

IV.1.1 ANÁLISE DA PROCURA I. EVOLUÇÃO DA PROCURA NO PERÍODO 1996-2002 Portugal pela localização e pelas suas condições climatéricas apresenta-se como um destino de golfe privilegiado na Europa. No final de 2002 existiam em Portugal 59 campos, com uma média de 18 buracos cada, dos quais 27,5 localizam-se no Algarve. Os 27,5 campos existentes foram responsáveis, em 2002, por mais de 900 mil voltas o que corresponde a um número de jogadores superior a 200 000. A procura de voltas/ano revelou a seguinte evolução nos últimos sete anos:

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Gráfico IV.1

Evolução da Procura (Voltas/Ano)

(x1000)

1000 900 800 700 600 500 400 1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

Fonte: Algarve Golfe, 2003

O crescimento médio do número de voltas/ano, ao longo deste período é de cerca de 4,1% ao ano, podendo ser distinguidos três períodos com ritmos de crescimento claramente distintos. Entre 1996 e 1998, a procura cresce a uma taxa média de 6,3%. Entre 1998 e 2000 o mercado cresce a uma taxa de 1,9% e estabiliza num crescimento médio de 1,4% até 2002.

II. O PREÇO MÉDIO Os preços médios por volta, praticados nos últimos anos são apresentados no Quadro IV.1. Também e para efeitos de comparação são apresentados os preços médios por dormida na hotelaria.

Quadro IV.1

Evolução dos Preços do Golfe e das Dormidas na Hotelaria valores em euros

1999

2000

2001

2002

Preço médio de uma volta

37,50

41,18

44,12

47,94

Preço médio por dormida na hotelaria1

24,77

26,95

28,63

33,58

Fonte: INE - Estatísticas do turismo, Universidade do Algarve, 2003 1 Calculado com base no rácio entre os proveitos totais e o total de dormidas na região.

O crescimento médio entre 1999 e 2002 foi de 6,3% ao ano, a preços correntes. Admitindo uma taxa de inflação média de 3% ao ano, estima-se que este crescimento se situe em

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termos reais nos 3,2%, abaixo do crescimento dos preços na hotelaria que se situaram em igual período nos 4,8% em termos reais. A tabela permite ainda concluir que custa mais jogar uma partida de golfe do que dormir uma noite no Algarve. De facto, o custo médio de uma volta situa-se 40% acima do preço médio por dormida. O preço médio de uma volta no Algarve comparada com o preço médio em regiões concorrentes, no ano 2002 surge no gráfico seguinte:

Gráfico IV.2

Preço Médio por Volta no Algarve e nos Destinos Concorrentes, 2002

55,29€ €

Baleares

45,86€ €

46,12€ €

47,94€ €

Canárias

Andaluzia

Algarve

Fonte: Internet, Universidade do Algarve, 2003

Nas regiões referidas o preço médio de uma volta é muito semelhante, pelo que se pode considerar que todos estes destinos são substitutos próximos.

III. PERFIL DO TURISTA A análise do perfil do golfista (cf. Anexo IV - Procura) resultou de uma análise em que foram privilegiados: a segmentação do mercado, a identificação dos factores de escolha do destino, a que se seguiu uma caracterização geográfica, demográfica e económica. Dum modo geral, o turista do golfe tem um perfil característico. Trata-se de um turismo de nível socio-económico superior à média. A proporção do montante do rendimento familiar gasto em actividades desportivas ronda 7,13% /ano, contra 6,45% para o turista em

46


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

geral. Outra das suas características relevantes é que se hospedam maioritariamente em hotéis, aparthotéis e aldeamentos turísticos de 4 e 5 estrelas. Os dados amostrais revelam que os residentes no Reino Unido e na Irlanda originam mais de 74% da procura, seguidos da Alemanha que, apesar do forte decréscimo de turistas desta nacionalidade registado na região, ainda é responsável por 7,3% dos jogadores. Em relação aos dados demográficos, os resultados amostrais permitem-nos concluir que o golfe no Algarve é, predominantemente, uma actividade masculina (77% dos jogadores) e que a idade média dos jogadores é elevada (a proporção de inquiridos com mais de 45 anos de idade é de cerca de 63%). Importa, ainda, destacar que a idade média dos jogadores do segmento turista de golfe é inferior à dos outros segmentos. O golfista pertence maioritariamente (68%) às classes média (B) e alta (A). De salientar que o segmento turista de golfe apresenta, em termos relativos, uma menor proporção de indivíduos da classe operária (C). O golfe constitui uma prática corrente para os golfistas que utilizam os campos de golfe algarvios – praticam-no em média há cerca de 16 anos e jogam pelo menos, cinco vezes por mês. Em média o jogador de golfe permanece no Algarve 9,5 dias, joga 4,5 voltas e faz-se acompanhar no jogo por 3 pessoas. Relativamente aos segmentos de mercado, é de salientar que, tal como seria de esperar, o turista de golfe joga um número superior de voltas. Quanto aos dias de permanência no Algarve, o valor máximo corresponde ao turista sol e praia. No que se refere ao número de anos de prática de golfe, o valor mínimo é assumido pelo segmento turista de golfe - o que, certamente, está associado ao facto deste segmento apresentar uma idade média inferior aos restantes. No que se refere ao alojamento os turistas que nos visitam para jogar golfe instalam-se, sobretudo, em hotéis (41%), vilas (23%), apartamentos (21%) e em casas próprias (10%). É de destacar que cerca de 21% dos jogadores de golfe com residência na Alema-

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nha utilizam casa própria, proporção apenas superada pelos jogadores de nacionalidade portuguesa (50%). Em termos de segmentos de mercado, é de realçar que o turista de golfe utiliza menos os hotéis e mais apartamentos e vilas que os outros dois segmentos. Em termos comparativos realce, ainda, para o facto do turista familiar apresentar a maior proporção de utilização de casa própria e o turista sol e praia apresentar a maior proporção de alojamento em casas de familiares e amigos. O regime de alojamento que inclui apenas o pequeno almoço é o mais frequente para os praticantes de golfe no Algarve. Segue-se, a grande distância, o regime de meia-pensão, pequeno-almoço e uma refeição (habitualmente o jantar), utilizado, sobretudo, por jogadores provenientes do Reino Unido. O regime de pensão completa é muito pouco utilizado. Os golfistas instalam-se, maioritariamente, no Concelho de Loulé, nas suas zonas de excelência para esta actividade: Vale do Lobo, Vilamoura e Quinta do Lago. Apesar da existência de 4 campos em funcionamento na zona ocidental da região, regista-se que apenas 6 jogadores declararam estar alojados nesta zona - Olhão e Manta Rota. De um modo geral os golfistas utilizam mais do que um campo durante a sua estada - a uma distância média de 12,3 km do alojamento.

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Figura IV.1

Localização do Alojamento dos Golfistas relativamente aos Campos de Golfe

Concelhos Localização dos campos de golfe em funcionamento Localização do Alojamento

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O conhecimento pessoal, as brochuras e as referências de familiares e amigos constituem as fontes privilegiadas na recolha de informação. No que se refere aos segmentos de mercado, não existem diferenças significativas entre os mesmos. No entanto, há a realçar que o turista familiar é aquele para o qual a obtenção de informação através de familiares e amigos assume maior relevo. As reservas de alojamento e do campo são, maioritariamente, realizadas em agências de viagens ou directamente. Esta característica verifica-se nos três segmentos de mercado. Os turistas para além do golfe preferem a gastronomia e actividades ao ar livre e desportos. A animação nocturna não surge no quadro de prioridades deste tipo de mercado.

IV. A SAZONALIDADE A sazonalidade é uma das características do golfe e assume especial relevância no Algarve, onde o factor climático introduz variações significativas que inviabilizam o jogo nos meses de Verão, a partir de uma determinada hora. No Algarve, a prática de golfe estrutura-se em duas temporadas: a alta, que vai de Outubro a Abril e a baixa, que vai de Novembro a Dezembro e de Maio a Setembro. O padrão sazonal do golfe é, pois, oposto ao turismo de verão tradicional. Desta forma, o golfe

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compensa a sazonalidade do turismo "sol-praia", contribuindo para maiores níveis de ocupação do alojamento turístico, dado que origina um aumento da procura nas estações em que a percentagem de ocupação é, habitualmente, mais baixa. Com base na estatística das voltas vendidas por meses, no período de 1996 a 2002, calculou-se o índice de sazonalidade da procura de golfe. Para o efeito utilizou-se o método das médias móveis com um desfasamento bi-mensal, apresentado no Gráfico IV.3.

Gráfico IV.3

Índice de Sazonalidade 160

150,6

145,7

140 120 100 80 77,3

60 40

58,6

47,3

20 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun

Jul Ago Set Out Nov Dez

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O Gráfico IV.3 revela que o maior padrão sazonal ocorre nos meses de Fevereiro a Maio e Outubro a Novembro. Este padrão de consumo pode ser explicado pela forte competição dos países europeus do norte durante os meses de Verão, altura em que os seus campos de golfe detêm taxas de utilização elevadas. Os preços mais elevados dos pacotes turísticos durante o Verão, aliados às condições atmosféricas, resultam numa perda de atractividade pelo golfe no Algarve. A sazonalidade é importante para definir a oferta potencial de voltas/ano do campo de golfe, que não poderá corresponder à utilização a 100%, durante todo o seu período de funcionamento, pois nem todas as horas são desejáveis. Um campo saturado, em qualquer dos ciclos, determina condições de jogo menos desejáveis para o turista e, necessa-

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

riamente, um produto pior. Dum modo geral, o golfista prefere começar a jogar o mais cedo possível. A sazonalidade constitui um problema na medida em que a capacidade instalada não poderá ser efectivamente utilizada durante todo o ano, o que se traduz em dificuldades para a rentabilização máxima do investimento. O gráfico seguinte identifica, claramente, o excesso de capacidade fora dos designados meses de grande procura, no Algarve, no ano 2002.

Gráfico IV.4

Evolução Mensal da Procura em 2002

(x1000)

140 120 100 80 60 40 20 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Fonte: Algarve Golfe, Universidade do Algarve, 2003

O "sobredimensionamento" dos campos, em particular, nos meses de Verão (Junho a Setembro) constitui um problema incontornável nas actuais condições do mercado. A mitigação dos efeitos menos positivos desta sub-utilização não é fácil e só pode ser atenuada com esforço conjugado das empresas e das autoridades públicas no sentido de aumentar a procura nas épocas baixas. No entanto, como alguns autores referem, a diminuição progressiva do período morto associado à excessiva capacidade de carga da época alta, constitui um grave custo ecológico, pois o período morto não é suficiente para a recuperação dos efeitos da sobrecarga dos campos.

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V. A DISTRIBUIÇÃO DA PROCURA PELAS ZONAS (CENTRAL, OCIDENTAL E ORIENTAL) Uma região pode ser considerada um destino de golfe se reunir na sua superfície um número mínimo entre 5 e 10 campos, designado como massa crítica. A capacidade de atracção de um volume significativo de golfistas resulta da existência desse quantitativo num raio de distância relativamente curto. O interesse do jogador em utilizar campos diferentes durante a sua estadia aliado ao número médio de voltas por estada estimado em 4,5 voltas, permite identificar claramente 3 zonas como potenciais sub-destinos de golfe, ainda que com níveis de desenvolvimento diferentes. As zonas identificadas são: A zona Ocidental que compreende toda a linha litoral entre Loulé e Vila do Bispo; a zona central compreende o concelho de Loulé e a zona Oriental que vai de Faro a Vila Real de Santo António.

Figura IV.2

Distribuição dos Campos por Zonas, 1996 e 2002 10km

11,5

10,5

9,5

8

4 P D

A

B

C

E

F G

N

I H

O

J L

M

n.º de campos* em 1996 n.º de campos* em 2002 *Campos equivalentes a 18 buracos

Zona Ocidental: A – Parque da Floresta; B - Boavista; C – Penina (Resort, Academy e Championship); D - Morgado do Reguengo I; E – Quinta do Gramacho; F - Vale da Pinta; G – Salgados; H – Pine Cliffs; Zona Central: I – Lusotur Golfes (Old Course, Millenium; Laguna e Pinhal); J – Vila Sol; L – Vale de Lobo (Royal e Ocean); M – Quinta do Lago (Quinta do Lago, Ria Formosa, Pinheiros Altos e San Lorenzo); Zona Oriental: N – Benamor; O – Quinta da Ria e Quinta de Cima; P – Castro Marim Fonte: DRAOT, Universidade do Algarve, 2003

A concentração de campos por zonas determina a formação de clusters de campos fechados, que se desenvolvem em torno de um conceito de concentração do negócio/diversificação dos campos. A afirmação de cada zona como sub-destino de golfe cons-

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

titui, nesta lógica de clusters, uma barreira à entrada no mercado e tendencialmente a uma situação de monopólio presumido. O número de voltas vendidas distribui-se da seguinte forma, no espaço:

Gráfico IV.5

Quantidade de Voltas por Zonas (x1000)

600 500 400 300 200 100 0 1996

1997

1998

Zona Ocidental

1999

2000

Zona Central

2001

2002

Zona Oriental

Fonte: Algarve Golfe, 2003

A zona Ocidental registou um crescimento médio anual de 7,3% no período considerado, enquanto que a zona Central ficou-se pelos 1,0%. A afirmação da zona Oriental enquanto destino turístico é notória entre 2000 e 2002, a procura cresce a uma taxa média anual de 48,7% enquanto que em período homólogo a zona ocidental estabiliza num crescimento médio de 1,5% e a central regista um decréscimo da procura de 1%.

IV.1.2 PROJECÇÃO DA PROCURA 2003-2020 A projecção da procura para um período tão longo não pode abstrair da consideração dos factores mais relevantes e que são: §

o efeito de tendência que incorpora elementos de inércia e de fidelização dos jogadores;

§

o efeito oferta de novos campos que permite a diversificação do mercado, induzindo novos consumidores;

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o efeito preço que resulta do aumento da oferta induzindo a atracção de novos

§

jogadores e também o desvio de jogadores, habituais consumidores de campos próximos. Para além destes factores foram assumidos pressupostos de natureza qualitativa e que se traduzem nos seguintes: a qualidade da oferta (campos actuais e futuros) continuará a exibir um padrão

§

médio de qualidade equivalente à actual; o perfil de novos jogadores continuará a ser aquele que foi definido a partir do

§

Inquérito, isto é: as mesmas exigências de qualidade e também o mesmo poder de compra. Tendo em conta estes factores foi estimada uma evolução da procura (número de voltas/ano) através do modelo econométrico (cf. Anexo IV - Procura) que conduziu aos seguintes resultados: Projecção sem efeito significativo da oferta §

Crescimento da procura a uma taxa média de 1,55% ao ano entre 2003 e 2020

Projecção com aumento de oferta §

Crescimento da procura a uma taxa média de 1,77% ao ano entre 2003 e 2020

O perfil de sazonalidade estimado para o período não sofrerá alteração significativa. A evolução do preço médio por volta resulta da interacção da procura e da oferta, esperando-se, como é óbvio, que o aumento da oferta não seja favorável a um crescimento real do preço. De qualquer forma, a manutenção da qualidade permitirá a manutenção de um preço elevado em alguns dos segmentos do mercado, sempre sensível à diferenciação e à permanência de características únicas em alguns dos campos da Região.

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IV.2

O QUADRO INSTITUCIONAL E LEGAL

Um dos elementos base dos cenários de sustentabilidade para o Golfe no Algarve consiste no quadro institucional e legal que regulamenta a actividade, nomeadamente a sua integração nos instrumentos de ordenamento do território. A identificação, à escala regional, de algumas das principais condicionantes ao licenciamento da actividade foi realizada com o objectivo de complementar as variáveis ligadas com a oferta e procura.

IV.2.1 ENQUADRAMENTO De acordo com o Decreto-Lei n.º 317/97, de 25 de Novembro, é da responsabilidade da Direcção Regional do Ambiente e do Ordenamento do Território do Algarve (DRAOT-Algarve) a emissão de pareceres relativos à autorização prévia de localização de campos de golfe nesta região do país. Neste contexto, a emissão actual dos pareceres, enquanto se aguarda que a revisão do Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve (PROTAL) possa contribuir para a definição de uma visão estratégica e integrada para a região, baseia-se nos seguintes critérios de localização (DRAOT, 2003): §

Enquadramento das pretensões de novos campos em áreas específicas, previstas nos Planos Directores Municipais (PDM);

§

Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável.

A análise dos processos mais recentes avaliados pela DRAOT – Algarve permitiu concluir que a emissão de parecer favorável está fortemente condicionada, sem prejuízo de outros critérios ambientais, à: §

Localização das pretensões em áreas destinadas à conservação da natureza, nomeadamente Áreas Protegidas e sítios da Rede Natura 2000;

§

Localização das pretensões em zonas de protecção dos recursos naturais, nomeadamente áreas de protecção de aquíferos e áreas da Reserva Ecológica Nacional (REN).

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IV.2.2 METODOLOGIA Considerando os critérios acima expostos, procedeu-se à definição de uma classificação de restrições ao licenciamento, que permitisse visualizar de forma expedita, os diferentes níveis de condicionantes à localização de novos campos de golfe no Algarve. A metodologia utilizada para a elaboração do mapa de condicionantes baseou-se na sobreposição da informação cartográfica disponível para cada um dos temas (Figura IV.3). A informação cartográfica utilizada, foi fornecida pela DRAOT-Algarve, em formato digital, georefenciada no Sistema Cartográfico do Exército (SCE), e continha bases de dados indexadas (*.dbf). Estes ficheiros cartográficos, Shape File (*.shp), foram importados para o programa informático AutoCAD Map que possui um poderoso grupo de ferramentas CAD (Computer Aided Drawing) e adicionais capacidades dos Sistemas de Informação Geográfica (SIG). Este software permitiu relacionar a informação espacial disponível, de forma quantitativa e qualitativa.

Figura IV.3

Classes Genéricas do Mapa de Condicionantes ao Licenciamento de Campos de Golfe no Algarve

Classe A - Conservação da natureza: e.g. Áreas protegidas, Rede Natura 2000 Classe B - Protecção de recursos : e.g. Áreas de protecção de águas subterrâneas; REN; RAN Classe C - Enquadramento nos PDM: e.g. Áreas de Aptidão Turística; PP, PU

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Classe A – As pretensões de campos de golfe inseridas nesta classe sobrepõem-se com áreas dos sítios classificados na Rede Natura 2000 e/ou na Rede Nacional de Áreas Protegidas (10 Sítios da Rede Natura 2000, 5 Áreas Protegidas e 4 Zonas de Protecção Especial). Esta localização, por si só, constitui uma forte restrição que tem suportado a emissão

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

de um parecer negativo, sem prejuízo da necessidade de considerar outras condicionantes tais como o enquadramento da proposta nos PDM. De acordo com Decreto-Lei n.° 226/97 de 27 de Agosto, que transpõe para o direito interno a Directiva n.° 92/43/CEE, do Conselho, de 21 de Maio, relativa à conservação dos habitats naturais e da flora e fauna selvagens (prevendo a criação da Rede Natura 2000), quaisquer acções, planos ou projectos, individualmente ou em conjunto com outras acções, planos ou projectos, susceptíveis de afectar significativamente um sítio de importância comunitária - Zonas Especiais de Conservação (ZEC) e Zonas de Protecção Especial (ZPE) - podem estar sujeitos a uma formalidade de autorização que passa pela avaliação dos impactes e incidências ambientais, sendo que: “(...) Quando, através da realização da avaliação de impacte ambiental ou análise de incidências ambientais, se conclua que a acção ou projecto implica impactes negativos para um sitio de importância comunitária para uma ZEC ou para uma ZPE, o mesmo só pode ser autorizado quando se verifica a ausência de solução alternativa e ocorram razões imperativas de interesse público, reconhecidas mediante despacho conjunto do Ministro do Ambiente e do Ministro competente em razão da matéria...Verificando-se que os impactes negativos da acção do projecto incidem sobre um tipo de habitat prioritário ou sobre uma espécie prioritária, o reconhecimento a que se refere o número anterior só poderá ocorrer quando: a) estejam em causa razões de saúde ou segurança pública; b) a realização da acção do projecto implique consequências benéficas para o ambiente; c) ocorram outras razões de interesse público, reconhecidas pelas instâncias competentes nacionais e da União Europeia… (Artigo 7º)”. Classe B – As pretensões de campos de golfe inseridas nesta classe sobrepõem-se com áreas de REN e/ou áreas críticas à extracção de águas subterrâneas (definida pela DRAOT-Algarve). Esta localização, por si só, constitui uma forte restrição que tem suportado a emissão de um parecer negativo (especialmente se ocorrer em zonas de infiltração máxima), sem prejuízo da necessidade de considerar outras condicionantes tais como o enquadramento da proposta nos PDM.

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Classe C – As pretensões de campos de golfe inseridas nesta classe estão sujeitas essencialmente a um enquadramento com os PDM. Não se sobrepõem com áreas de conservação da natureza incluídas na Rede Natura 2000 e Rede Nacional de Áreas Protegidas, nem com áreas de REN e áreas críticas à extracção de águas subterrâneas. Relativamente ao seu enquadramento nos PDM, se estiverem sobrepostas com áreas previstas em Planos de Urbanização (PU), Planos de Pormenor (PP) ou alvará de loteamento, dispensam autorização prévia de localização por parte da DRAOT-Algarve. Nos restantes casos a pretensão poderá obter parecer favorável se a sua localização ocorrer em áreas destinadas a equipamentos desportivos ou de lazer, Zonas de Ocupação Turística (ZOT), Áreas de Aptidão Turística (AAT), ou Unidades Operativas de Planeamento e Gestão (UOPG) para fins turísticos (DRAOT, 2003).

IV.2.3 MAPA SÍNTESE DE CONDICIONANTES AO LICENCIAMENTO Considerando a metodologia proposta, a informação cartográfica disponível, a localização dos campos de golfe existentes e das pretensões de novos campos, apresenta-se na Figura IV.4 o mapa síntese de condicionantes ao licenciamento desta actividade no Algarve.

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Figura IV.4

Localização dos Campos de Golfe Existentes e das Pretensões no Mapa Síntese de Condicionantes ao Licenciamento de Campos de Golfe no Algarve

10km

Classe A

Sobreposição de A com B

Classe B

Sobreposição de A com C

Classe C Sobreposição de B com C Empreendimentos de golfe previstos Empreendimentos de golfe em funcionamento

Campos de golfe existentes: A – Parque da Floresta; B - Boavista; C – Penina (Resort, Academy e Championship); D – Morgado do Reguengo I; E – Quinta do Gramacho; F - Vale da Pinta; G – Salgados; H – Pine Cliffs; I – Lusotur Golfes (Old Course, Millenium; Laguna e Pinhal); J – Vila Sol; L – Vale de Lobo (Royal e Ocean); M – Quinta do Lago (Quinta do Lago, Ria Formosa, Pinheiros Altos e San Lorenzo); N – Benamor; O – Quinta da Ria e Quinta de Cima; P – Castro Marim Campos de golfe previstos: KA – Sinceira; KB – Espiche; KC - Montinhos da Luz; KD - Mexilhoeira Grande; KE - Morgado do Reguengo; KF - Quinta da Lameira; KG - Praia Grande; KH - Dunas Douradas; KI – Garrão; KJ - Quinta da Ombria; KL – Muro do Ludo - Pinheiros Altos; KM – Laranjal; KN - Muro do Ludo; KO - Parque das Cidades; KP - Quinta das Navalhas; KQ – Pontal I- UOP 6; KR - Pontal II- UOP 8; KS - Colina da Rosa; KT - Herdade Finca Rodilhas; KU – Sesmarias; KV - Ponta da Areia; KX – Verdelago; KZ - Almada de Ouro; KW - Quinta do Vale Fonte: DRAOT-Algarve, Direcção Regional de Ordenamento do Território do Algarve, 1992-2003

IV.3

OFERTA DE NOVOS CAMPOS

A projecção da variável oferta em termos de voltas/ano, ou em termos de novos campos, não pode ser desligada da condicionante ambiental, tal como foi demonstrado no ponto anterior. Por isso, face às manifestações de intenção para a construção de novos campos, em que alguns processos de licenciamento se encontram em fase adiantada de avaliação por parte das entidades públicas, a projecção da oferta obedeceu ao seguinte procedimento:

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a) Consideração dos casos extremos: por um lado projectar uma oferta com o número de campos licenciados até ao fim de 2003, por outro lado prever a possibilidade de todos os pedidos efectuados e pretensões conhecidas serem aprovados a tempo de entrarem em funcionamento até 2020; b) Consideração de uma situação intermédia que consiste em admitir o licenciamento de um número de pedidos que ainda estão em apreciação e que poderiam constituir uma solução sustentável do ponto de vista ambiental, económico e financeiro. Face às localizações existentes e aos pedidos para os quais existe uma localização concreta (Ver Figura IV.4 acima) elaboraram-se três hipóteses de trabalho que constituem outras tantas projecções da oferta. A oferta é medida em campos equivalentes (18 buracos). O período médio considerado desde o pedido inicial de licenciamento de um campo de golfe até à sua entrada em pleno funcionamento, situa-se entre os três e os quatro anos, numa situação processual típica.

PRIMEIRA HIPÓTESE EXTREMA: Total de 32 campos (equivalente a 29 campos de 18 buracos) – Inclui os campos actualmente em funcionamento, os campos em construção e aqueles cujo processo de licenciamento se prevê concluído com parecer positivo até ao final de 2003. Constitui uma hipótese extrema que considera um limite de expansão da actividade.

60


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No Gráfico IV.6, apresenta-se a distribuição da oferta de campos considerada nesta hipótese pelas três zonas definidas anteriormente.

Distribuição do Número de Campos em Funcionamento por Zonas do Algarve, para a Primeira Hipótese Extrema Nº de campos (equivalentes de 18 buracos)

Gráfico IV.6

35 30 25 20 15

4,5

4,5

4,5

11,5

13

13

13

11,5

11,5

11,5

11,5

11,5

2003

2005

2010

2015

2020

4,5

4,5

11,5

10 5 0 Zona Ocidental

Zona Central

Zona Oriental

Fonte: DRAOT, Universidade do Algarve 2003

SEGUNDA HIPÓTESE EXTREMA: Total de 91 campos (equivalentes a 88 campos de 18 buracos)

neste cenário conside-

ra-se que, para além dos campos em funcionamento, todas as pretensões conhecidas serão aprovadas e entrarão em funcionamento até 2020. Constitui uma hipótese extrema para a liberalização total da implantação de campos de golfe.

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No Gráfico IV. 7 apresenta-se a distribuição da oferta de campos considerada nesta hipótese pelas zonas Ocidental, Central e Oriental do Algarve.

Distribuição do Número de Campos em Funcionamento por zonas do Algarve, para a Segunda Hipótese Extrema Nº de campos (equivalentes de 18 buracos)

Gráfico IV.7

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0

22,5 13,5 8,5

4,5

4,5

11,5

11,5

11,5

11,5

15,5

2003

2005

2010

Zona Ocidental

27

21

15

Zona Central

38,5

24,5

2015

2020

Zona Oriental

Fonte: DRAOT, Universidade do Algarve, 2003

TERCEIRA HIPÓTESE: Máximo de 44 campos (equivalente a 41 campos de 18 buracos) – Inclui os campos actualmente em funcionamento, os campos em construção, aqueles cuja consulta do processo de licenciamento revela elevada probabilidade de aprovação da localização e ainda as pretensões com localização conhecida que respeitam as classes de condicionantes apresentadas no mapa síntese (Figura IV.4).

62


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No Gráfico IV. 8 apresenta-se a distribuição da oferta de campos considerada nesta hipótese pelas três zonas consideradas.

Nº de campos (equivalentes de 18 buracos)

Gráfico IV.8

Distribuição do Número de Campos em Funcionamento por Zonas do Algarve, para a Hipótese Intermédia

45 40 35 30 25 20 15 10 5 0

8,5

8,5

17

18

7,5 4,5

4,5 15

11,5

11,5

11,5

11,5

12,5

14,5

14,5

2003

2005

2010

2015

2020

Zona Ocidental

Zona Central

Zona Oriental

Fonte: DRAOT, Universidade do Algarve, 2003

Registe-se que esta hipótese não define um número óptimo de campos para a Região do Algarve, mas tão somente o número máximo de campos que, do ponto de vista da regulamentação existente, poderia ser construído tendo em conta determinadas condicionantes. O número óptimo de campos tem a ver com um conjunto de critérios em que se incluem, para além da minimização das externalidades ambientais negativas, a rentabilidade empresarial, o benefício para a região e as condições do mercado internacional. Será, por conseguinte, uma solução que se situará entre a hipótese extrema mais conservadora e a hipótese intermédia.

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CAPÍTULO V

ELABORAÇÃO DOS CENÁRIOS E VARIANTES

O exercício de projecção da procura e da oferta realizado no capítulo anterior possibilita construir cenários para o futuro do Golfe no Algarve. Optou-se por construir somente três cenários : um cenário de referência, um cenário de massificação e um cenário moderado. Para cada cenário vai ser possível analisar as seguintes variáveis: §

A oferta económica potencial que resulta da aplicação de uma taxa de utilização máxima do campo em condições de jogo com qualidade e sem congestionamento. O número de voltas/ano resultante traduz as expectativas dos empresários e já foi objecto de definição no Capítulo anterior. Neste sentido, a oferta económica potencial confunde-se com a procura desejada;

§

A procura efectiva em número de voltas/ano que é a procura projectada para 2003-2020 e que, como anteriormente se disse, resulta da tendência do passado e das condições de oferta e preço vigentes num determinado momento.

A oferta económica potencial varia com o tipo de campo, com a época do ano e com parâmetros de qualidade do serviço como, por exemplo, o intervalo de tempo entre saídas. Do ponto de vista do empresário a rentabilização do negócio é maior quando a procura realizada é igual ou excede a oferta económica. Dada a diversidade de situações existentes no Algarve, admitiu-se que, em média, a oferta económica potencial de um campo de 18 buracos equivaleria a 30.000 voltas/ano (cf. Anexo V - Oferta). A afectação da procura efectiva é feita pelas três zonas da Região e é apresentado o perfil da sazonalidade, calculado pelo modelo econométrico e feita a avaliação em termos de equilíbrio de mercado.

V.1

CENÁRIO DE REFERÊNCIA

O cenário de referência combina um crescimento tendencial simples da procura (taxa de crescimento anual de 1,55%/ano), que constituirá a procura efectiva e um crescimento da oferta, correspondente à primeira hipótese extrema, isto é, ao aumento da oferta associa-

65


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da à implantação dos campos que estão autorizados, neste caso, à entrada em funcionamento do campo em construção na zona central e na manutenção dos existentes.

A) EVOLUÇÃO DA PROCURA Neste ponto e para cada cenário, convém confrontar a evolução de duas grandezas: por um lado a oferta económica do conjunto dos campos que traduz, naturalmente, a procura desejada pelas empresas e, por outro lado, a procura efectiva que é equivalente às projecções realizadas. Neste cenário de referência, um total de 29 campos vai gerar uma oferta económica de 870 mil voltas/ano, a partir de 2010 a que corresponderiam 193 mil jogadores. No entanto, as projecções da procura efectiva indicam que seria possível vender 1 043 mil voltas/ ano, a partir dessa data, o que equivale, aproximadamente, a 232 mil jogadores. Em 2020 a oferta terá aumentado a uma taxa de crescimento médio anual de 0,31% e a procura 1,55%. O Gráfico V.1 demonstra a existência de um excesso de procura efectiva, já observado em 2003, mas que se vai agravando durante todo o período até atingir cerca de 75 mil jogadores em 2020. Do ponto de vista económico uma situação deste tipo não é susceptível de se manter por um período longo. Várias estratégias são possíveis por parte das empresas: ou aumentam os preços para equilibrar a procura com a oferta ou aplicam esquemas de racionamento da procura ou, ainda, combinam estes dois processos. Estas estratégias poderão ter êxito a curto prazo para algumas das empresas, mas não constituem uma solução favorável à manutenção e desenvolvimento da actividade. Um diferencial de 337 mil voltas/ano face à oferta económica potencial em 2020 resultaria numa situação insustentável de sobreocupação dos campos em aproximadamente 11 600 voltas/ano por campo, em termos médios. Se analisarmos o Gráfico V.1 verificamos que em 2003 existe já um excesso de procura efectiva face à "norma" das 30.000 voltas/ano, o que significa que, neste momento, existem campos que vendem um número de voltas muito acima da oferta económica, estabelecida e compatível com o benchmarking.

66


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

A situação de desequilíbrio que se verifica à partida só é explicável porque o produto que é oferecido é altamente diferenciado e a diferença de preços praticados nos vários campos não é ainda suficientemente importante para provocar desvios de procura.

Gráfico V.1

Evolução da Oferta e da Procura no Cenário de Referência (x1000)

1.300 1.200 1.100 1.000 900 800 700 600 2003

2005

2010

Procura desejada

2015

2020

Procura efectiva

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

A análise pode ser ainda refinada a nível das três sub-zonas que foram consideradas e que, pela sua heterogeneidade, pode ajudar a melhor compreender o fenómeno da existência consolidada de clusters de campos em algumas dessas sub-zonas. As características da oferta e a forma como se distribui não são aspectos isolados e, conjuntamente com as dinâmicas próprias de uma procura estabilizada, exercem efeitos determinantes/estruturantes no mercado. A distribuição da oferta e da procura pelas diferentes zonas no cenário de referência surge no Quadro V.1.

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Quadro V.1

Distribuição da Oferta e da Procura de Golfe, no Cenário de Referência por Zonas 2003

2005

2010

2015

2020

Procura desejada

824.993

824.993

869.993

869.993

869.993

Ocidental

344.997

344.997

344.997

344.997

344.997

Central

344.997

344.997

389.997

389.997

389.997

Oriental

134.999

134.999

134.999

134.999

134.999

Procura efectiva

929.375

961.944

Ocidental

364.315

377.082

409.000

440.919

472.837

Central

500.004

517.526

561.332

605.138

648.944

Oriental

65.056

67.336

73.036

78.735

84.435

1.043.368 1.124.792

1.206.216

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Para as zonas Ocidental e Central é possível identificar um padrão de evolução semelhante. A tendência de pressão da procura mantém-se nas duas zonas ainda que a ritmos diferentes, interessante é o facto de que com o mesmo número de campos estas duas áreas de desenvolvimento gerarem excedentes de procura, que forçam a uma utilização do campo com ordens de grandeza completamente diferentes. Na zona Ocidental o nível de utilização médio dos campos é de 41 mil voltas/ano enquanto que a zona Central regista 50 mil voltas/ano. A zona oriental encontra-se ainda numa fase de introdução no mercado, mantendo-se a procura efectiva em quantitativos muito inferiores aos valores esperados.

B) SAZONALIDADE O modelo econométrico que permitiu prever a procura assentava nas variações inter anuais para cada um dos meses do ano. Mantendo o padrão de sazonalidade identificado (cf. Cap. IV ponto IV.1.1.III, pág. 50) obtém-se a seguinte distribuição da procura pelos meses do ano.

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Gráfico V.2

Distribuição Mensal da Procura em 2020, no Algarve no Cenário de Referência 180.000 160.000 140.000 120.000 100.000 80.000 60.000 40.000 20.000 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

No Algarve a manterem-se as actuais condições, em 2020, os campos existentes estarão a trabalhar acima da sua capacidade nos meses de pico e muito próximos da taxa de ocupação de 100% nos meses restantes. Identificam-se claramente três estações no golfe, uma primeira entre Fevereiro e Maio, a que corresponde o maior fluxo de jogadores (em 2020 a região albergaria nestes meses 114 mil jogadores), uma segunda também considerada época alta mas com uma menor intensidade entre Setembro e Novembro (com um quantitativo de jogadores estimados para 2020 de 77 mil), a terceira designada como época baixa, regista-se nos extremos do ano civil (Dezembro e Janeiro) e nos meses de Verão, funcionando como contraciclo do turismo sol e praia, confirma a não complementariedade dos produtos, sol e praia e golfe.

C) ANÁLISE DO EQUILÍBRIO O diferencial entre a oferta e a procura que se verifica neste cenário - uma situação de mercado onde a procura cresce a uma taxa média anual de 1,55% e a oferta a uma taxa de 0,31% - pode conduzir a dois tipos de ajustamento: um aumento significativo dos preços para a prática de golfe, ainda que a ritmos diferentes nas diferentes zonas identificadas, ou a situações de congestionamento, já perceptíveis pelos números, que conduzem a perdas de qualidade do serviço.

69


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Admitindo que o segundo tipo de ajustamento não é desejável numa perspectiva de médio prazo, o cenário de ajustamento real dos preços (entendidos como gastos médios) poderia apresentar o perfil que é apresentado no Gráfico V.3.

Gráfico V.3

Evolução do Gasto Médio, no Cenário de Referência 300

259

250

215

200 150 100 50

213 139 108

97

101 46

0 2003 Algarve

2005

2010

Ocidental

2015 Central

2020 Oriental

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Para as três zonas é possível identificar um padrão de evolução bastante nítido (cf. Gráfico V.3). O sentido geral é o do aumento dos preços. Nas duas zonas onde a pressão da procura determina níveis de utilização dos campos acima da capacidade máxima instalada, este aumento é mais proeminente. A persistência de excedentes de procura ao longo de todo o período é responsável pelo aumento muito rápido dos preços (leia-se gastos), sobretudo se nos abstrairmos de critérios de valorização do produto golfe que não dependem exclusivamente do preço. A manterem-se as actuais condições de exploração dos campos, uma volta de golfe no Algarve pode custar, no máximo 259 euros (156 euros a preços constantes) e no mínimo 97 (59 euros a preços constantes). O que comparativamente a 2003 significa um crescimento de 4,5%, na hipótese máxima e 3,8% na hipótese mínima. A importância deste intervalo é ainda sublinhada pela inevitável concorrência entre zonas, no mesmo espaço regional – o Algarve.

70


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

V.2

CENÁRIO MODERADO

O cenário moderado assume uma oferta correspondente à terceira hipótese extrema, isto é que inclui os campos em funcionamento, os aprovados e aqueles que respeitam as classes de condicionantes ambientais, num total de 41 campos de 18 buracos, e uma procura efectiva que associa o crescimento tendencial simples da procura com o efeito aumento do número de campos (taxa de crescimento anual de 1,77%/ano).

A) EVOLUÇÃO DA PROCURA Neste cenário foram estimados os efeitos no mercado de uma oferta de 41 campos em 2020, que comparativamente a 2003 significa uma variação média anual de 2,38%. Combinando este efeito com uma cadência de crescimento da procura (1,77% ao ano), mais elevado que no cenário de referência, verifica-se a convergência para uma situação de equilíbrio do mercado golfista no Algarve em 2020, respeitando os padrões de excelência definidos (uma média de 30 000 voltas/ano por campo). (cf. Gráfico V.4).

Gráfico V.4

Evolução da Oferta e da Procura no Cenário Moderado (x1000)

1.300 1.200 1.100 1.000 900 800 700 600 2003

2005

2010

Procura desejada

2015

2020

Procura efectiva

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Outro aspecto a realçar é a forma como o excesso de procura verificado no cenário de referência se dilui neste cenário. O ajustamento ocorre em função de dois movimentos simultâneos: a implantação de novos campos nas sub-regiões menos congestionadas, o

71


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que permite um aumento da oferta mais distribuído por todo o espaço regional e um segundo movimento, induzido pela deslocação da procura para esses novos campos, em função quer do grau de atractividade que cada zona exerce, quer também do preço, naturalmente menos elevado que nos novos campos. A ilustração da distribuição da procura pelas diferentes zonas no cenário moderado é feita no Quadro V.2

Quadro V.2

Oferta e Procura de Golfe no Cenário Moderado por Zonas 2003

2005

2010

2015

Procura desejada

824.993

824.993

Ocidental

344.997

344.997

374.997

434.996

434.996

Central

344.997

344.997

449.996

509.996

539.996

Oriental

134.999

134.999

224.998

254.998

254.998

Procura efectiva

929.375

962.527

Ocidental

364.315

377.311

367.736

401.413

438.174

Central

500.004

452.388

462.297

504.634

550.848

Oriental

65.056

132.829

220.642

240.848

262.905

1.049.991 1.199.990

1.050.675 1.146.895

2020 1.229.990

1.251.926

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Na zona Ocidental, o crescimento da oferta até aos 15 campos, elimina o excedente de procura verificado pela deslocação da procura para os novos campos, resultando numa situação de equilíbrio entre a oferta e a procura. Na zona Central a instalação de mais 6 campos permitiria absorver o excesso de jogadores que pressionavam a oferta existente, resultando igualmente numa situação de equilíbrio. Na zona Oriental um aumento significativo da oferta quase duplicaria os campos existentes. Contudo, não se verificando nessa zona, neste momento, uma pressão de procura, o equilíbrio resultaria quer do desvio do excesso de jogadores verificado nas zonas central e ocidental, quer do crescimento admitido de novos golfistas.

72


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

B)

SAZONALIDADE

Mantendo o padrão sazonal estimado através do modelo autoregressivo, verifica-se a seguinte distribuição da procura pelos meses do ano.

Gráfico V.5

Distribuição Mensal da Procura em 2020, no Algarve, no Cenário Moderado 180.000 160.000 140.000 120.000 100.000 80.000 60.000 40.000 20.000 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O padrão sazonal mantêm uma ocupação dos campos nos meses de Março e Novembro, próximo dos 100% e na ordem dos 50 % nos meses restantes. Uma melhor repartição mensal da procura poderá ser conseguida através da penetração no mercado nacional. Neste caso para equilibrar a procura com a oferta nos meses, designados como época baixa, seriam necessários mais 31 000 jogadores.

C) EQUILÍBRIO ENTRE OFERTA E A PROCURA Conhecer como as expectativas dos empresários se ajustam à procura efectiva pretende ser uma forma possível para descrever e indirectamente determinar a elasticidade preço. Esta sistematização fornece indicações interessantes, na ausência de outros indicadores, para a estruturação da oferta comercial, promovendo a sua segmentação espacial ajustada ao tipo de procura identificada.

73


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Gráfico V.6

Evolução dos Gastos Médios, no Cenário Moderado 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0

161160 158 157

139 108 101 46

2003 Algarve

2005

2010

Ocidental

2015 Central

2020 Oriental

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O destaque vai para a convergência de preços em todas as zonas, em 2020 o gasto médio por volta situar-se-á nos 160 euros (96,8 euros a preços constantes). É interessante ainda notar o diferencial entre o preço médio praticado no Algarve em 2003 (108 euros) face aos preços verificados nas zonas Oriental e Central: o primeiro é metade do preço de referência, enquanto que o segundo se situa 40% acima do preço algarvio. Em termos de evolução, o gasto médio cresce a uma taxa média de 2,4% (-0,6% em termos reais) na região, o que indica a tendência para a estabilização do mercado do golfe. Ainda que a ritmos diferentes todas as zonas convergem para o equilíbrio: na zona Ocidental pode esperar-se um crescimento idêntico ao registado para o Algarve, já a zona Central cresce a uma taxa de 0,8% e a zona Oriental 7,6%, reflexo do seu posicionamento actual no mercado.

V.3

CENÁRIO DE MASSIFICAÇÃO

O cenário de massificação assume a implantação de todos os campos que se encontram propostos ou identificados como intenção, combinando-a com a hipótese de um crescimento máximo da procura (1,77% ao ano).

74


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

A) EVOLUÇÃO DA PROCURA Um cenário de liberalização total (88 campos equivalente 18 buracos) significaria a oferta de 2 milhões e 600 mil voltas/ano em 2020 o que corresponderia a um fluxo esperado de 586 mil jogadores. Perante este quadro, admitindo que a questão ambiental poderia ser ultrapassada, há tentar responder naturalmente a algumas questões de natureza económica. Assim: §

Face à projecção da procura, mesmo a mais favorável, como se distribuiria a procura efectiva pelas sub-regiões?

§

Como se verificaria a evolução dos preços médios a praticar?

§

Como se estabeleceria a rentabilidade média das empresas ?

§

Que processos de ajustamento seriam previsíveis e qual o efeito global para a indústria do golfe no Algarve em termos estritamente económico-financeiros?

Uma primeira análise, de natureza global, resulta dos pressupostos que foram admitidos para os restantes cenários e que permitem uma resposta à primeira interrogação. Admitindo que o crescimento da procura, mesmo o mais favorável, seja de 1,77%/ano atingindo um número de 278 mil jogadores no ano de 2020, resulta um excesso de oferta que inevitavelmente se irá reflectir nos preços e na quota de mercado de cada campo. Observando no Gráfico V.7 a evolução no período 2003-2020 das curvas de procura e de oferta, verifica-se que a partir de 2010 o diferencial entre a capacidade instalada e as vendas de voltas aumentaria por forma a tornar economicamente insustentável a actividade.

75


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Gráfico V.7

Evolução da Oferta e da Procura no Cenário de Massificação (x1000)

3.100 2.600 2.100 1.600 1.100 600 2003

2005

2010

Procura desejada

2015

2020

Procura efectiva

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Como elementos caracterizadores deste cenário destaca-se: O equilíbrio provisório em 2005, com 39 campos em funcionamento, o aumento progressivo do excesso de oferta, que em 2020 será de um milhão e oitocentas mil voltas, motivado por uma taxa de crescimento médio anual de 7,4%, quedando-se a procura nos 1,77%. A distribuição da oferta e da procura de golfe, no cenário de massificação, por zonas, ilustra um fenómeno esperado: as zonas que hoje gozam de uma situação privilegiada perderiam o seu estatuto, enquanto as novas zonas não sairiam, a prazo, beneficiadas. Como adiante se verá a repercussão na baixa de preços/gastos seria fatal para a sustentabilidade financeira das empresas. O resultado da implantação dos 88 campos, em termos de procura numa lógica de distribuição espacial surgem no Quadro V.3.

76


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro V.3

Oferta e Procura de Golfe no Cenário Massificado por Zonas 2003

2005

2010

2015

Procura desejada

824.993

824.993

Ocidental

344.997

344.997

434.996

734.994

1.154.990

Central

344.997

344.997

479.996

629.995

809.993

Oriental

134.999

134.999

254.998

404.997

674.994

Procura efectiva

929.375

962.527

Ocidental

364.315

377.311

367.736

401.413

438.174

Central

500.004

452.388

462.297

504.634

550.848

Oriental

65.056

132.829

220.642

240.848

262.905

1.169.990 1.769.985

1.050.675 1.146.895

2020 2.639.978

1.251.926

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Na zona Ocidental um crescimento médio anual da oferta de 7,2%, sem equivalente do lado da procura ocasiona um excesso de oferta da ordem das 716 mil voltas ano, aproximadamente 159 mil jogadores. Na zona Central a oferta cresce a um ritmo de 4,88% ao ano. Esta zona onde o golfe surge numa situação de estabilidade e consolidação, chega a 2020 com um excedente de oferta muito próximo dos 60 000 jogadores/ano. A zona Oriental será aquela que registará um maior crescimento da oferta, 9,4%. O excedente de oferta resultante do crescimento do número de campos cifra-se nos 92 mil jogadores.

B) INCIDÊNCIA MENSAL O elevado crescimento da oferta verificado não permite que a procura se aproxime da capacidade instalada nem nos meses considerados época alta.

77


Universidade do Algarve

Gráfico V.8

Distribuição Mensal da Procura em 2020, no Algarve, no Cenário de Massificação 180.000 160.000 140.000 120.000 100.000 80.000 60.000 40.000 20.000 0 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

C) EQUILÍBRIO ENTRE A OFERTA E A PROCURA O elevado aumento da oferta e a estabilização da procura têm efeitos nefastos no preço e na quota de mercado de cada um dos campos. Ao nível da quota de mercado vender 14 226 voltas significa trabalhar no limiar de encerramento e, a muito curto prazo, o encerramento de empresas. No gráfico V. 9 analisa-se o ajustamento dos gastos médios nos campos face ao aumento da oferta.

78


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Gráfico V.9

Evolução dos Gastos Médios, no Cenário de Massificação 160 140 120 100

139 108

106

101

80

74 61

60 40

46

59

20 0 2003 Algarve

2005

2010

Ocidental

2015 Central

2020 Oriental

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

A quebra generalizada dos preços é mais acentuada na zona Ocidental e na Região do Algarve. Na zona Oriental assiste-se a uma subida dos preços até 2005, secundado por um período de estabilização até 2010, decorrente da absorção dos excessos de procura verificados na zona Central. A zona Central confirma a situação de consolidação e estabilidade do mercado pelas quebras muito pouco acentuadas de preços. Dum modo geral neste cenário os preços caem a uma taxa média de 2,22% (0,17% em termos reais). Este cenário caracteriza-se por um funcionamento no limiar de encerramento com preços muito baixos. As estimativas realizadas para cada uma das zonas foram remetidas para o Anexo I Quadros de Apoio, (cf. Anexo I, quadro I.18).

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Universidade do Algarve

80


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

CAPÍTULO VI

AVALIAÇÃO DOS CENÁRIOS ENSAIADOS

Os cenários elaborados no Capítulo anterior apresentam configurações para o desenvolvimento do golfe muito diversas pelo que seus impactes também serão muito diferentes. Tendo em conta a metodologia que foi proposta no Capítulo III a avaliação de cada cenário será feita com base em indicadores, propostos para cada domínio de avaliação enquanto que, para a comparação qualitativa dos três cenários, recorrer-se-á à "pirâmide" de sustentabilidade, igualmente proposta como instrumento metodológico. Na sequência da primeira fase do “Estudo sobre o Golfe no Algarve" foram calculados vários tipos de indicadores por domínio de avaliação que reflectem as relações observadas entre as variáveis em presença. Os indicadores caracterizam situações médias, resultantes da agregação dos dados de cada empreendimento de golfe. Estes indicadores, calculados com base na observação de dados reais, assumem um carácter positivo, informando-nos da intensidade e direcção do impacte entre duas variáveis com base numa relação causa-efeito. A aplicação directa destes indicadores aos resultados dos cenários permite estimar os impactes empresariais, económicos, sociais e ambientais de cada cenário para períodos concretos do horizonte de cenarização. É esta a tradução prática do esquema da Figura III.2 do Capítulo III. Podemos, no entanto, entender alguns desses indicadores, não como o resultado de relações agora observadas, mas numa óptica normativa, isto é: como poderiam ou deveriam ser essas relações. Neste sentido, podemos simular alguns dos impactes substituindo o indicador médio observado por um indicador associado a uma situação onde o desempenho possa ser considerado mais eficiente ou eficaz. Como exemplo, podemos considerar que os futuros campos de golfe e também os actualmente existentes não irão ter um consumo anual médio de água para rega igual a 11 000 m³/ha que foi o resultado observado, mas sim um consumo futuro de 4 210 m³/ha que é

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equivalente à media observada para os 5 campos com menores consumos, por conseguinte verificar-se-ía uma poupança anual de 6 750 m³/ha por campo. Este procedimento será aplicado ao domínio das incidências ambientais já que se considerou no Relatório Preliminar que existia uma ampla margem de melhoria do desempenho ambiental das operações e actividades de gestão dos campos de golfe, recorrendo à adopção de boas práticas e das melhores tecnologias disponíveis (cf. Relatório Preliminar, pág. 122 e ss.). Para além deste aspecto que permite criar situações em que os impactes do mesmo cenário podem ser diferentes, também será feita, na medida do possível, a distinção entre indicadores de gestão e indicadores estruturais, a que podemos associar impactes de médio prazo e de longo prazo, respectivamente. Como exemplo desta distinção podemos classificar o indicador relativo à “área ocupada por campos de golfe” como um indicador estruturante do espaço da região, e o indicador “consumo de água para rega” (medido em m³/ha) como um indicador de gestão.

VI.1

IMPACTES SOBRE A COMPETITIVIDADE EMPRESARIAL

O desenvolvimento do golfe tem sido entendido pelas autoridades locais e regionais como uma das estratégias de posicionamento da região, enquanto destino de qualidade, procurando realizar esforços para a captação de segmentos de turistas com maior valor acrescentado que os consignados ao tradicional produto sol e praia. O objectivo de complementar e diversificar a actividade turística, com uma especial incidência na atenuação da sazonalidade e dos respectivos efeitos negativos, lidera a actuação de todas as regiões turísticas onde existe golfe, no entanto, as estratégias regionais surgem, quase sempre, na continuidade da actividade empresarial. Os indicadores de impacte empresarial foram calculados em função dos custos e proveitos determinados no plano de exploração estimado para um campo de golfe médio de 18 buracos, com padrões de alta qualidade.

82


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

VI.1.1 O PLANO DE EXPLORAÇÃO DO CAMPO TIPO O plano de exploração da actividade consolida a informação recolhida nas demonstrações de resultados de 14 campos de golfe, com os indicadores apurados nos inquéritos à oferta, à procura e aos stakeholders. O plano refere-se a um campo de 18 buracos, chamado campo-tipo, com padrões de elevada qualidade na manutenção e nos serviços. A)

PREMISSAS GERAIS

A avaliação da propriedade foi realizada admitindo que serão as empresas existentes a desenvolverem os novos projectos, não sendo considerados, encargos financeiros. Admitiu-se que os meios libertos gerados pela operação são suficientes para garantir o seu autofinanciamento. Os valores são considerados a preços correntes (com uma taxa de actualização de 3%), os custos foram calculados com base em elementos históricos e tendo em conta uma evolução normal. Os fluxos financeiros foram faseados ao longo de 10 anos, tempo assumido como suficiente para recuperar o investimento. A taxa de utilização do campo foi determinada pela análise da procura realizada no ponto IV.1.2 (Pág. 53). As amortizações foram calculadas assumindo um custo de 2% sobre o investimento. A estrutura de custos e proveitos derivada do Plano de exploração surgem no Gráfico VI.1.

83


Universidade do Algarve

Gráfico VI.1

Estrutura do Plano de Exploração 100% 80% 60% 40% 20% 0% Proveitos Greenfees Aluguer Merchandising A&Bebidas Outros

Cash-flow de Exploração Resultados Antes de Impostos Amortizações

Custos FSE Pessoal Outros Enc. Estrutura

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Expressas as principais variáveis do plano de exploração, no Gráfico VI.1, é possível identificar as principais fontes de receita (50% green fees, 23% aluguer e 12% compras) e os principais custos (95% são fornecimento e serviços externos e pessoal). Os custos de exploração representam 60% dos proveitos. Com uma margem de 40%, o Estado absorve 12% dos resultados em impostos sobre lucros, quedando-se os dividendos da empresa pelos 28%, dividendos estes que lhe permitem gerar um excedente financeiro igual a 43% dos proveitos.

INDICADORES DE CARACTERIZAÇÃO No Quadro VI.1 apresentam-se os valores para o ano 2020, resultantes da simulação dos indicadores de caracterização da actividade de golfe no Algarve, para os diferentes cenários.

84


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro VI.1

Indicadores de Caracterização

Designação

Unidades

Indicadores médios para um campo de 18 buracos

Nº de campos

Unidades

1

29,00

41,00

88,00

Gasto médio por volta

Euros

121

120

101

87

Preço médio por volta

Euros

61

60

51

43

Receita média directa ano por campo de golfe

Euros

3.721.521

4.432.845

2.661.617

1.047.639

Custo variável médio por campo de golfe

Euros

722.626

886.569

798.485

523.860

Cenário de referência

Cenário moderado

Cenário de massificação

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O crescimento da oferta, não sendo acompanhado em igual proporção pela procura, reflecte-se negativamente no preço e consequentemente nas receitas. A tentativa de manter os actuais padrões de qualidade conduzirá a uma quebra substancial nas receitas que, no cenário massificado, descem para menos de metade.

INDICADORES ECONÓMICO FINANCEIROS A análise da rendibilidade económica e financeira consubstancia-se em dois pontos fundamentais: a sustentabilidade da rendibilidade económica e financeira e a rendibilidade do cenário. A sustentabilidade do negócio resulta da margem de segurança que as empresas dispõem para permanecer no mercado. Uma análise comparada do limiar de rendibilidade e encerramento com o ponto de venda obtido para cada campo, permite verificar qual o cenário onde a saída de empresas do mercado é mais provável.

85


Universidade do Algarve

Gráfico VI.2

Limiar de Rendibilidade e Encerramento para os Diferentes Cenários, 2020

(x1000)

45

Cenário de Referência

40

Cenário Moderado

30

Cenário de Massificação

Voltas

30 25 20

Vendas Vendas

Limiar de rendibilidade

15

Vendas

10 5

Limiar de encerramento

0

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O cenário de referência naturalmente é aquele que, teoricamente, apresenta maior margem de segurança. Os campos vendem em média 41 mil voltas e poderiam vender somente 17 mil voltas. No entanto esta margem de segurança é baseada numa sobreutilização dos campos existentes, embora não conduzindo à saída de empresas do mercado, pode significar a saída de clientes por insatisfação. No cenário moderado as empresas venderão em média 30 535 voltas/ano e o limiar de rendibilidade situa-se nas 17 609 voltas, o que significa que mesmo diminuindo a taxa de utilização dos campos, estas estão a trabalhar 73% acima do ponto onde o lucro é nulo. No cenário de massificação as empresas trabalharão no limiar de encerramento, situação que é economicamente insustentável a menos que, o golfe surja como uma actividade subsidiária de outra como, por exemplo, o alojamento. No quadro seguinte sistematiza-se um conjunto de indicadores económicos e financeiros em que são comparados os campos médios de cada cenário com o campo-tipo. O objectivo desta análise é caracterizar, de forma numérica, os diferenciais de valor e de sugerir uma análise da rentabilidade do negócio baseada em função de quatro indicadores: Valor Actual Líquido (VAL), Taxa Interna de Rendibilidade (TIR), Prazo Médio de Recuperação do Investimento e Rácio Custo Benefício.

86


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro VI.2

Indicadores Económicos e Financeiros

Unidades

Indicadores médios para um campo de 18 buracos

Cenário de referência

Cenário moderado

Cenário de massificação

nº de voltas

17.502

17.332

17.609

17.344

Euros

42

44

52

57

nº de voltas

7.796

10.398

13.086

14.226

%

12%

33%

14%

-

VAL ( Valor Actual Líquido)

Euros

652.446

1.622.868

138.989

-584.176

Prazo Médio Recuperação do Investimento

Anos

8 anos e 3 meses

8 anos e 5 meses

12 anos e 4 meses

30 anos e 1 mês

Unidades

0,92

0,99

1,00

1,00

%

37%

44%

18%

-20%

Investimento médio por campo de golfe

Euros

7.500.000

7.500.000

7.500.000

7.500.000

Cash flow de exploração médio por campo

Euros

1.380.602

2.064.045

580.165

-147.234

Designação Limiar de rendibilidade Gasto médio mínimo Limiar de encerramento TIR ( Taxa Interna de Rendibilidade)

Rácio Custo Benefício Rendibilidade das vendas

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O cash flow líquido de exploração mostra que as empresas obtêm, em todos os cenários, excedentes de meios líquidos sobre os gastos inerentes à sua actividade, com excepção do cenário de massificação. Verifica-se que o cash flow gerado atinge os 2 milhões de euros/ano, valor equivalente a 47% das receitas no cenário de referência. A capacidade das empresas em operação gerarem excedentes financeiros diminui com o aumento do número de campos. A análise da viabilidade económica revela uma situação francamente favorável, no cenário de referência, com uma taxa interna de rendibilidade de 33%, líquida de impostos e um valor actual ao custo de oportunidade de 5%, aproximadamente de 1,6 milhões de euros. Na óptica da rentabilidade empresarial a manutenção da situação de excesso de procura é favorável no curto prazo. No entanto, se o objectivo for de manter o nível de qualidade da procura, diminuindo o índice de utilização dos campos, isso implicará, naturalmente, que as receitas diminuam e, consequentemente, que a rendibilidade económica se altere. Mas este é o preço de um negócio sustentável.

87


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O cenário moderado gera um cash flow de exploração da ordem dos 500 mil euros ano, aproximadamente 22% da receita média gerada. Com uma taxa interna de rendibilidade de 14%, líquida de impostos e um VAL de 138 mil euros à taxa de 5%, continua a ser um projecto economicamente viável e mais sustentável. Não gerando ganhos tão elevados o cenário moderado aponta para uma utilização dos campos em torno das 30 000 voltas/ano, que permite uma maior satisfação da procura, na medida em que o campo não entra em saturação. O cenário de massificação no prazo de 17 anos é economicamente inviável, seriam necessários 30 anos para que as receitas geradas pelo projecto permitissem recuperar o investimento. Só a partir dos 30 anos poder-se-ía esperar alguma rentabilidade dos 88 campos.

VI.2

IMPACTOS ECONÓMICOS E SOCIAIS

A análise dos impactos económicos e sociais do projecto é efectuada através do Valor Acrescentado Bruto (VAB), gerado pela actividade, e tem por finalidade medir o impacte do projecto sobre o crescimento do PIB, sobre o emprego e sobre o investimento. Os principais critérios primários de avaliação económica e social dos efeitos seleccionados pretendem medir: §

O efeito económico => Gastos e Investimentos

§

O efeito em termos de valor acrescentado => Conta económica do sector

§

O efeito em termos de emprego => Emprego

§

O efeito social => avaliação custo - benefício

§

O efeito no desenvolvimento regional => Necessidades de alojamento.

VI.2.1 GASTOS ATRIBUÍDOS AO GOLFE A análise dos impactes dos gastos atribuídos ao golfe sobre a economia do turismo no Algarve, assume como ponto de partida os desafios e problemas económicos com que o produto é hoje confrontado na região, nomeadamente em termos de preços, volume de oferta e procura.

88


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Relativamente aos preços por volta verifica-se uma evolução positiva nos preços médios praticados nos anos mais recentes (1999 a 2002), com um crescimento nominal na ordem dos 7% a 9% ao ano para os preços médios por volta ao balcão e operadores. Claramente acima da taxa de inflação e num período que já incorpora a tendência de valorização do euro face à libra (moeda dominante da procura), esta evolução positiva traduz uma valorização económica do recurso golfe que importa ter presente nos cenários de desenvolvimento futuro. Simultaneamente, deve-se questionar a tendência dos últimos anos de forte acréscimo da oferta instalada, onde por exemplo em 2002 face a 2001 o crescimento do número de voltas potenciais no Algarve atinge valores acima dos 14% de variação. Nesse mesmo período, embora a procura em valores absolutos continue a crescer, esta regista uma taxa de crescimento anual claramente inferior, apenas cerca de 3%. Contrapondo com uma estruturação assente numa base de compromisso com a qualidade, quantificada através de um número médio de voltas anuais por campo que não ultrapasse as 30.000, tal significa que o Algarve está, em média, numa fase onde existe pressão pelo lado da procura (a evolução dos preços é disso indicador), o que tem motivado a devida resposta pelo lado da oferta. Até onde este comportamento se manterá é a questão de sustentabilidade económica que se coloca. O contributo para a resposta a esta área problema é agora explicitado pelo confronto dos diferentes cenários em termos do seu desempenho económico regional, aferido através dos indicadores expressos das despesas directas e indirectas geradas pela presença do turista de golfe no Algarve, bem como da respectiva interpretação em termos de mercado, qualidade e níveis de optimização económica. Neste domínio assume-se o confronto com base nos valores globais dos indicadores no horizonte do ano 2020, sendo que o Anexo I reflecte detalhadamente o comportamento destes indicadores e dos respectivos valores intermédios nos anos de 2003, 2005, 2010, 2015 e 2020, (cf. Anexo I, Quadros I.21,I.22,I.23)

89


Universidade do Algarve

Quadro VI.3

Confronto de Indicadores por Cenário no Horizonte 2020

Indicadores: 2020

Referência

Moderado

Massificado

Procura estimada de golfistas (nº de jogadores)

268.048

278.206

278.206

Variação necessária de golfistas face à capacidade óptima instalada (30.000 voltas)

-74.715

5.285

318.619

Despesa total dos golfistas no campo de golfe (directa)

196.364.499

199.238.592

130.434.480

Despesa total dos golfistas fora do campo de golfe (indirecta)

576.515.448

579.695.751

365.846.645

Despesa total com origem na estada de golfe (directa + indirecta)

772.879.947

778.934.343

496.281.126

Despesa média por golfista/dia no campo de golfe

76,55

74,83

48,99

Despesa média por golfista/dia fora do campo de golfe

224,74

217,73

137,41

Despesa média por golfista/dia durante a estada

301,29

292,57

186,40

Percentagem da despesa total de golfe face ao PIB atribuído ao turismo (WTTC) [2013]

11,1%

11,1%

7,9%

n.º de jogadores, euros a preços correntes Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Destacando alguns dos principais resultados, note-se que em termos do número de jogadores necessários para optimizar uma ocupação de 30.000 voltas anuais por campo, os cenários revelam comportamentos claramente diferenciados. De facto, em 2020 o cenário de referência apresenta um excesso de procura face à oferta disponibilizada dentro dos parâmetros de qualidade assumidos pelo estudo, o cenário moderado está próximo de uma situação de equilíbrio (ligeira pressão da procura) e o massificado revela um preocupante défice de procura face à oferta.

90


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Gráfico VI.3

Défice de Jogadores por Cenário 2006

2010

2020

100.000 50.000

Jogadores

0 -50.000 -100.000 -150.000 -200.000 -250.000 -300.000 -350.000

Cenário de Referência Cenário Moderado Cenário de Massificação

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Desta situação decorre imediatamente que os três cenários têm impactes distintos sobre o equilíbrio do mercado e perfil do turista de golfe. No primeiro (referência) a pressão está do lado da procura, o que motiva preços elevados mas abre espaço à saturação dos campos e consequente risco de degradação do produto; no segundo (referência) encontrar-seá uma situação próxima do ideal, isto é, existe praticamente um equilíbrio entre procura e oferta para os parâmetros exigidos, o perfil de qualidade da oferta é preenchido com igual representação qualitativa pelos turistas de golfe; o terceiro (massificação) é neste domínio um cenário delicado em termos de rentabilidade económica e social, dada a perspectiva de uma enorme pressão pelo lado da oferta em níveis onde a taxa ocupação já se encontra muito reduzida, com a consequente quebra de preços e menor capacidade de investir em padrões de oferta de qualidade. A análise do indicador referente aos gastos totais gerados pela estada dos turistas de golfe na região (gastos directos no campo mais indirectos fora deste), revela que os comportamentos entre os cenários de referência e moderado são semelhantes, com alguma vantagem para o segundo no horizonte 2020, fruto de um ligeiro acréscimo da quantidade de jogadores mas suficiente para compensar o ligeiro desacelerar dos preços que este cenário compreende. Este cenário moderado consegue traduzir uma situação de mais jogadores e crescimento da despesa agregada, situação que é extremamente importante para

91


Universidade do Algarve

garantir a sustentabilidade dos multiplicadores económicos gerados pela presença destes turistas no Algarve, isto é, deve-se ter presente que cerca de 3/4 da despesa destes turistas no Algarve é realizada fora do campo, em gastos de estada complementares à actividade do golfe.

Gastos Totais do Golfe (directos e indirectos) por Cenário

milhões de euros

Gráfico VI.4

200 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0

Cenário de Referência Cenário Moderado Cenário de Massificação

2006

2010

2020

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Já o cenário de massificação traduz uma situação onde mais jogadores não significa em termos proporcionais mais receitas para a região. A já referida pressão pelo lado da oferta resultante da disponibilização de 88 campos assim implica, isto é, será esperada forte concorrência intra-regional, degradação dos preços do golfe que em limite poderão não cobrir os custos, alteração do perfil de oferta e correspondente da procura, degradação das despesas em alojamento e outras complementares à estada. A efectuar-se este é um ciclo crítico para a economia regional. Por último, a análise do indicador referente à despesa diária por jogador/dia durante a sua estada no Algarve, permite reforçar a ideia da maior valência dos dois primeiros cenários face à hipótese de massificação. No ano de 2020 quer no cenário de referência quer no de crescimento moderado, este indicador ultrapassa os 300 euros/dia, facto assinalável perante as limitações de qualidade impostas à ocupação dos campos. No cenário de massificação, as tendências anteriormente descritas implicam uma forte alteração do perfil eco-

92


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

nómico da procura, situando-se este indicador em apenas 208 euros/dia no horizonte de 2020, colocando assim nessa data o turista de golfe em padrões tipo de consumidores de produtos turísticos já massificados e de menor valor acrescentado.

Gráfico VI.5

Despesa Total por Jogador/Dia por Cenário

350 300

euros

250

Cenário de Referência Cenário Moderado Cenário de Massificação

200 150 100 50 0

2006

2010

2020

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Refira-se a terminar que também nos dois primeiros cenários se prevê que o golfe aumente o seu peso relativo na economia do turismo da região, sendo que em ambos esta actividade e despesas complementares assumirem um valor equivalente a cerca de 12,1% do PIB turístico de 2013 estimado para a região pelo WTTC (2003), enquanto na massificação este crescimento relativo é reduzido em 3.9 pontos percentuais face aos primeiros cenários. O desenvolvimento do golfe turístico no Algarve passa desta forma por uma situação de compromisso de sustentabilidade entre os cenários de referência e moderado, com maior ponderação para este último, elegendo-se o número de 41 campos como o limite por excesso e não por defeito, sendo que na optimização da melhor situação económica esta deve ter ainda em consideração os desempenhos ambientais, sociais e institucionais do golfe.

VI.2.2 INVESTIMENTOS DIRECTOS O investimento para a construção de um campo de golfe é proporcionalmente pequeno face ao investimento necessário em urbanizações e hotéis.

93


Universidade do Algarve

Um campo de 18 buracos necessita para a sua construção de um mínimo de 50 ha. O preço do solo é normalmente a parte principal do custo. Partes também significativas são o desenho e a construção do campo, que habitualmente requerem um mínimo de 2,5 milhões de euros, custo que varia em função das características do solo e custo dos desenhadores e construtores. O custo do solo, a construção bem como todos os gastos necessários em licenças, infraestruturas, edificação, equipamento e instalações complementares determina um investimento mínimo de 7,5 milhões de euros. No caso dos campos instalados no Algarve pode estimar-se que o investimento realizado cifra-se já em 195 milhões de euros, do qual os terrenos e o desenho e construção do campo representam mais de 83%.

Quadro VI.4

Principais Rubricas de Investimento % Terreno Campo

11,17

Terreno Instalações

0,31

Licenças

0,04

Alteração e Consolidação de Solos

0,80

Infra-Estruturas de Rega

6,96

Acessos

0,44

Edificações

4,41

Maquinaria

3,37

Desenho e Construção do Campo Outros Investimentos

72,18 0,33

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Este investimento tem um efeito induzido nos sectores a montante e a jusante, sendo de particular relevo a construção e obras públicas, em particular, nas infraestruturas e na componente urbanística.

94


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

O efeito urbanístico que nos interessa é o alojamento em hotéis por ser o alojamento tipo que a maioria dos jogadores que se deslocam ao Algarve utiliza. Este ponto será desenvolvido mais à frente. Os investimentos induzidos de maior relevância são os custos associados à construção turística e às infraestruturas. Admitindo que um campo de golfe pode gerar em média 150 novas camas, num hotel de cinco estrelas. Estima-se que o valor do investimento directo possa ascender a 11 milhões de euros.

Quadro VI.5

Investimento Directo e Induzido

Investimentos

Fórmula de cálculo

Campo de golfe Infraestruturas/arranjos exteriores Hotel Encargos administrativos e com projecto Total

Valor final 7.500.000

10 000m² x 10 euros 150 camas x 35m²/cama x 600 euros/m² 18% x (infraestruturas + hotel)

100.000 3.150.000 585.000 11.335.000

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Admitindo que em torno do campo o investimento se resume a um hotel de 5 estrelas de 150 camas, o hotel e as infraestruturas associadas significam 34% do investimento directo. No quadro seguinte apresenta-se o investimento directo no campo de golfe e induzido, admitindo o número de campos previstos em cada cenário com padrões de qualidade elevados.

95


Universidade do Algarve

Quadro VI.6

Investimento Directo e Induzido em 2020 a preços de 2003 2020

Cenário de Referência

Cenário Moderado

Cenário de Massificação

N.º de hotéis

n.º

3

13

21

N.º de campos

n.º

29

41

88

11.250

101.250

453.750

300

1.300

2.100

10.711

40.950

66.150

1.982

7.605

12.285

12.993

49.855

80.535

24.243

151.105

534.285

Investimento directo

10³ Euros

Campos de golfe Investimento Induzido

10³ Euros

Infraestruturas/ arranjos exteriores Hotel 5 estrelas Encargos administrativos e com projecto Total Inv. Directo + Induzido

10³ Euros

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O investimento marginal decorrente da instalação de mais um campo de golfe situa-se entre os 10 571 mil euros (do cenário de referência para o moderado) e de 8 152 mil euros (do cenário moderado para o massificado). Um cenário de 88 campos pode gerar uma receita de 534 milhões de euros na região, em termos de edificado e a manterem-se os actuais padrões significaria uma área de construção de aproximadamente 110 ha, excluindo a área ocupada pelos campos que poderá ascender a 4400 ha.

VI.2.3 CONTA ECONÓMICA DO SECTOR O VAB gerado pela actividade permite medir a importância relativa dos campos no crescimento económico da região. Na medida em que o crescimento potencial do sector do golfe é equivalente à taxa de crescimento do VAB. O valor acrescentado previsional calcula-se pela diferença entre o valor da produção das empresas e o valor dos bens e serviços recebidos de outras entidades exteriores ao sector. O gráfico seguinte mostra a evolução do VAB nos três cenários.

96


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Gráfico VI.6

Evolução do VAB Gerado pela Actividade de Golfe nos três Cenários 250

milhões de euros

200 150 100 50 0 -50 -100 2003

2005

2010

2015

2020

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O VAB cresce a uma taxa de 4,5% no cenário de referência, muito superior ao crescimento previsto para a procura e a uma taxa de 1,18% no cenário moderado, abaixo da taxa de crescimento da procura. No cenário massificado o valor acrescentado é nulo em 2010, data a partir da qual o VAB assume valores negativos crescentes até 2020. O VAB traduz-se no somatório das remunerações aos factores de produção, trabalho, capital, empresário e fiscalidade. A distribuição do VAB pelos principais agentes económicos, em termos brutos reflecte a conta económica do sector. A Conta Económica apresentada desagregada por agentes económicos, apenas se refere aos efeitos primários directos, isto é àqueles que têm expressão imediata na contabilidade do sector.

97


Universidade do Algarve

Gráfico VI.7

Conta Económica do Sector

200

Estado Famílias

150

Empresas

50 2020

2015

2010

2005

2003

2020

2015

2010

2005

2003

2020

2015

2010

-50

2005

0 2003

milhões de euros

100

-100 -150 -200 unidade: milhões de euros

-250

2003 2005 2010 2015 2020

21 23 28 32 36

26 20 24 37 55

48 34 41 67 107

95 76 93 136 198

21 22 33 43 51

25 20 14 15 29

48 35 14 10 36

94 77 61 68 116

21 22 36 64 107

25 20 11 20 34

Empresas

Estado

VAB

Cenário de Massificação Famílias

Empresas

Estado

VAB

Cenário Moderado Famílias

Empresas

Estado

Famílias

Cenário de Referência

48 34 -9 -105 -235

VAB 94 75 39 -21 -94

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Uma análise por cenário permite identificar os seguintes traços: No cenário de referência: §

Pode observar-se que mais de 50% do VAB gerado pelo golfe será absorvido pelas empresas. As famílias e o Estado absorvem respectivamente 18 e 28%;

§

É interessante notar que as famílias perdem peso ao longo do período, fundamentalmente porque os lucros das empresas crescem a uma taxa de 4,8%, diluindo assim o efeito dos custos com o pessoal na estrutura de custos da empresa.

No cenário moderado: §

A distribuição do VAB por agentes inverte em 2020, fruto da diminuição gradual de lucros gerados pelas empresas, à medida que aumenta o número de campos

98


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

(em 2003 as empresas existentes absorvem 51% do VAB e em 2020 absorverão 31%); §

O Estado mantêm a sua posição em torno dos 25%, são claramente as famílias as grandes responsáveis pela absorção do VAB no ano 2020 (44% em 2020, contra 22% em 2003), facto a que não é alheio a premissa de manutenção dos actuais padrões de qualidade.

No cenário de massificação §

O VAB em 2020 é negativo, reflexo duma política de funcionamento das empresas no limiar de encerramento com prejuízos iguais aos custos fixos;

§

Manter padrões de qualidade elevados significa distribuir às famílias, um Valor Acrescentado de 107 milhões de euros, quando o VAB gerado é -94 milhões de euros;

§

As receitas do Estado referem-se apenas às retenções referentes à Segurança Social dos funcionários;

§

Em termos de empresas, aquilo que podemos designar por “sinal vermelho” (ponto em que o VAB passa a negativo) surge no ano 2010 (com 39 campos).

VI.2.4 EMPREGO GERADO PELO GOLFE A criação de emprego directo pelo golfe surge das seguintes actividades: instalações próprias, restaurantes e bares anexos ao golfe, comercialização de equipamento desportivo, dormidas dos turistas de golfe nos resorts turísticos e manutenção do campo de golfe. Um campo médio de 18 buracos emprega 30 pessoas. Ao nível regional o golfe representa cerca de 6% do volume de emprego gerado no sector turístico. Ao nível do emprego e, a manterem-se as actuais condições de exploração, com o mesmo padrão de qualidade, quanto maior for o número de campos maior é o impacto do golfe na geração de emprego.

99


Universidade do Algarve

Quadro VI.7

Indicadores de Emprego Directo

Unidades

Indicadores médios para um campo de 18 buracos

Cenário de referência

Cenário moderado

Cenário de massificação

Emprego

30

870

1230

2640

Participação do emprego na região

%

0,22%

6,5%

9,1%

19,6%

Custo médio empregado/campo/mês

Euros

1.532

1.557

1.541

1.544

Designação

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Para além destas actividades, o golfe gera emprego directo e indirecto de mais difícil quantificação em outras actividades, como sejam: agências imobiliárias, actividades turísticas não hoteleiras, tais como intermediários turísticos, restaurantes e bares, táxis, agências de aluguer de automóveis sem condutor e comércio, construção de urbanizações e hotéis. O emprego gerado por outras actividades é de valor superior, na medida em que movimenta quase toda a estrutura económica da região. Devido às boas condições atmosféricas é possível manter abertos os campos durante todo o ano, garante da estabilidade dos empregos gerados. A criação de emprego associada à relativa estabilidade do mesmo, constituem valor acrescentado do golfe para o desenvolvimento económico e social da região. No Algarve o custo médio por empregado, no turismo de golfe é de 900 euros/mês. Na actividade de golfe um empregado custa em média 1500 euros, o que significa uma remuneração superior à média em cerca de 50%. Facto que indicia melhores condições de exploração e menor rotatividade dos funcionários.

VI.2.5 INDICADORES DE IMPACTO SOCIAL A grandeza absoluta do valor acrescentado constitui uma medida da importância deste. No entanto é possível relacionar-se o valor acrescentado com outras grandezas, como medidas de impacto económico, nomeadamente: intensidade de capital, intensidade de mãode-obra e efeito distributivo do rendimento.

100


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro VI.8

Indicadores de Impacto social

Unidades

Indicadores médios para um campo de 18 buracos

Cenário de referência

Cenário moderado

Cenário de massificação

Peso dos campos no VAB da região1

%

0,07%

2,8%

1,9%

1,1%

Coeficiente capital/produto

0,3

0,41

0,2

0,05

Taxa Interna Social

%

22%

63%

58%

6%

Coeficiente capital/emprego

Euros

250.000

250.000

250.000

250.000

Produtividade Média

Euros

75.318

103.206

83.036

47.045

%

44%

32%

59%

27%

Designação

Efeito Distributivo

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O cenário de referência é o que origina maior crescimento regional, com um VAB anual de 3 milhões de euros, contribui para a formação do produto regional em 2,8%. O coeficiente médio capital produto mostra que por cada unidade de capital investida o produto social associado ao projecto cresce 41% no cenário de referência e 20% no moderado. No cenário massificado este crescimento fica-se pelos 5%. O que significa que o beneficio social é 0,41 vezes superior ao custo social, no caso da implantação de 29 campos; 0,2 vezes superior no caso de serem 41 campos e 0,05 vezes para os 88 campos. A produtividade social do investimento no projecto é medida pela taxa interna social e permite aferir uma rendibilidade social do projecto da ordem dos 63% no cenário de referência, 58% no moderado e muito próximo de zero (6%) no cenário massificado. Em termos sociais a implantação de 29 ou 41 campos é relativamente indiferente, nos dois casos os benefícios sociais são bastante superiores aos custos sociais. No caso dos 88 campos, o custo social está muito próximo do proveito social. A produtividade média situa-se entre os 83 mil euros e 100 mil euros, com um número de campos que varia entre 29 e 41, caindo para mais de metade quando o número de campos sobe para 88. 1 PIB gerado por turismo (WTTC - 103 euros) 3.190.380

101


Universidade do Algarve

Dum modo geral o capital investido em qualquer dos cenários gera 250 mil euros de mãode-obra necessária, revelando o interesse social do investimento golfe na região. O efeito distributivo do rendimento revela-nos o impacto de distribuição do rendimento gerado pelas famílias, Estado e empresas. O cenário moderado apresenta um efeito distributivo de 59%, quase o dobro do efeito difusor verificado no cenário de referência.

VI.2.6 ESTIMAÇÃO DAS NECESSIDADES DE ALOJAMENTO A falta de alojamento em hotéis de qualidade pode constituir-se como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do golfe na região. Por esta razão, entendeu-se que, a cada cenário, deveria ser associado uma componente de desenvolvimento hoteleiro. A metodologia adoptada permitiu quantificar as necessidades efectivas deste tipo de alojamento. Não foram estimadas outras variantes de alojamento, porque implicariam a consideração de hipóteses muito pouco realistas quanto à localização. No quadro seguinte resumem-se as necessidades de alojamento estimadas na região por cenário, particularizando cada uma das zonas de per si.

102


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro VI.9

Necessidades de Alojamento 2003

2005

2010

2015

2020

camas hotéis camas hotéis camas hotéis camas hotéis camas hotéis Cenário de referência Ocidental

90

1

90

1

90

1

90

1

90

1

0

0

0

0

179

1

179

1

179

1

Oriental

186

1

192

1

208

1

225

1

241

2

Algarve

276

2

282

2

478

3

494

3

510

3

90

1

90

1

171

1

489

3

489

3

0

0

0

0

329

2

668

4

752

5

Oriental

186

1

379

3

629

4

687

5

750

5

Algarve

276

2

469

3

1130

8

1844

12

1990

13

90

1

90

1

314

2

781

5

1236

8

0

0

0

0

399

3

742

5

1091

7

Oriental

186

1

379

3

629

4

687

5

750

5

Algarve

276

2

469

3

1342

9

2210

15

3077

21

Central

Cenário moderado Ocidental Central

Cenário de massificação Ocidental Central

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O resultado obtido indica um défice de alojamento em hotéis em todas as zonas, muito embora seja a zona Oriental que concentra a maior necessidade de infraestruturas deste tipo. Dos resultados obtidos consegue estimar-se o efeito multiplicador do aumento da oferta face às necessidades de aumento do número de camas. Um novo campo de golfe médio de 18 buracos necessita de um mínimo de 150 “camas” novas. O cenário moderado prevê um crescimento médio anual da oferta que se cifra em 2,7%, que conduz a uma situação de sobreutilização dos hotéis existentes na zona Central e à carência de infraestruturas de 4 e 5 estrelas na zona Oriental. No cenário de massificação, um crescimento da oferta de 7,4% ao ano, significa a instalação de mais 60,5 campos equivalentes a 18 buracos e 21 hotéis com uma dimensão média de 150 camas por hotel. Curiosamente é a zona Ocidental que concentra a maior necessidade de infraestruturas hoteleiras.

103


Universidade do Algarve

VI.3

IMPACTES SOBRE O AMBIENTE

Neste capítulo serão apresentados os resultados da simulação dos indicadores ambientais e agro-ambientais desenvolvidos no Relatório Preliminar, para os três cenários apresentados anteriormente, para o final do horizonte de estudo (ano 2020). Nesta análise considerou-se uma selecção actualizada dos indicadores mais relevantes à escala regional (Anexo III - Ambiente), tendo sido utilizados os valores médios do leque de indicadores desenvolvidos, normalizados, na maioria dos casos, por área de campo. Tal como foi anteriormente referido, procurou-se determinar, para cada um destes indicadores, o valor correspondente a uma variante alternativa, que considerasse uma melhoria dos níveis médios de desempenho ambiental e agro-ambiental dos campos de golfe no Algarve. Deste modo, sempre que possível, os impactes de cada cenário sobre o ambiente serão analisados face a duas variantes: Variante 1 – Gestão ambiental e agro-ambiental correspondente à média dos valores dos indicadores detectados no Relatório Preliminar (cf. Relatório Preliminar, pág. 80 e seguintes); Variante 2 – Gestão ambiental e agro-ambiental de elevada qualidade, equivalente a valores normativos (quando aplicável) ou à média dos indicadores para os 5 campos com melhor desempenho ambiental de acordo com a informação do Relatório Preliminar.

A) SIMULAÇÃO DOS INDICADORES ESTRUTURANTES Os indicadores ambientais e agro-ambientais de natureza estruturante que foi possível analisar nesta fase prendem-se com duas questões essenciais que foram previamente identificadas como problemas estruturantes do golfe: a integração dos campos nos instrumentos de gestão do território e a existência/custos das infra-estruturas associadas ao consumo de água para rega dos campos. No Quadro VI.10 apresentam-se os valores da simulação dos indicadores relativos à área ocupada por empreendimentos com campo de golfe associado, em cada uma das 3 zonas consideradas.

104


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro VI.10 Área Ocupada por Empreendimentos com Campos de Golfe, nas 3 Zonas do Algarve, em cada Cenário Unidade

Cenário de referência

Cenário moderado

Cenário de massificação

Área ocupada por campos de golfe – Zona Ocidental

%

0,78

0,99

2,62

Área ocupada por campos de golfe – Zona Central

%

2,25

3,53

5,29

Área ocupada por campos de golfe – Zona Oriental

%

0,33

0,63

1,66

Indicador

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

O objectivo desta análise da ocupação “física” do território por empreendimentos com campos de golfe, seria constituir o ponto de partida para a avaliação das implicações de cada cenário sobre a área ocupada em cada uma das classes do mapa síntese de condicionantes de ordenamento do território, apresentado no Capítulo IV. No entanto, tal não foi possível uma vez que não existe informação cartográfica disponível para todos os campos existentes nem para todas as pretensões conhecidas. Ainda assim, é apresentada no Quadro VI.11, a título ilustrativo, uma simulação que compara uma situação próxima do cenário de referência (29 campos equivalentes) com uma situação intermédia entre os cenários moderado (41 campos equivalentes) e de massificação (88 campos equivalentes). Para este efeito considerou-se a informação relativa à área das classes A, B e C do mapa de condicionantes, e a sua sobreposição com a informação cartográfica disponível para 24 campos equivalentes em funcionamento e para 24 campos equivalentes de pretensões conhecidas.

105


Universidade do Algarve

Quadro VI.11 Distribuição da Área Total de Campos de Golfe pelas três Classes do Mapa Síntese de Condicionantes Unidade

24 campos equivalentes

48 campos equivalentes

Área de campos de golfe situada na classe A

%

22,9

22,1

Área de campos de golfe situada na classe B

%

96,9

73,8

Área de campos de golfe situada na classe C

%

24

34

Indicador

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Pode observar-se que 22,9 % da área de 24 campos equivalentes em funcionamento se situa em áreas de interesse para a conservação da natureza (Classe A), sendo que cerca de 97% da área total desses campos se sobrepõe igualmente com áreas de protecção de recursos (Classe B; e.g. Reserva Ecológica Nacional). Esta situação, que se pode considerar próxima da do cenário de referência, poderá ser alterada com a hipotética aprovação das referidas pretensões de campos de golfe. Em particular, seria expectável uma diminuição da área relativa de campos situados na Classe B e uma ligeira diminuição dos campos que se sobrepõem com a Classe A. No entanto, deve realçar-se que, podendo um mesmo campo sobrepor-se com mais do que uma das classes de condicionantes, esta análise não pretende inferir sobre os aspectos ligados ao licenciamento dos campos, mas sim reflectir uma tendência necessária a qualquer cenário de expansão da actividade. No que respeita à simulação dos consumos de água por origem e custos associados, obtiveram-se os resultados expressos no Quadro VI.12. Os valores considerados dependem naturalmente das medidas de gestão adoptadas pelos campos de golfe, mas são aqui considerados uma vez que se encontram intimamente ligados com a criação de opções estruturais de longo prazo. Neste sentido, refira-se como exemplo a necessidade de viabilizar infra-estruturas e soluções técnicas que permitam o aumento efectivo do consumo de água residual tratada, tal como sugere a variante 2 dos cenários apresentados.

106


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

É de salientar que os custos totais do consumo de água em cada cenário/variante, são o resultado do produto dos custos unitários pelos valores da simulação dos consumos de água de cada origem (Anexo III - Ambiente).

Quadro VI.12 Simulação dos Consumos de Água (por Origem) e Custos Associados Simulação dos Indicadores Ambientais e Agro-ambientais

Cenário de Referência

Cenário Moderado

Cenário de Massificação

Unidades Variante 1 Variante 2 Variante 1 Variante 2 Variante 1 Variante 2

Consumo de água superficial para rega dos campos de golfe

hm³

1,54

0,24

2,18

0,33

4,69

0,72

Consumo de água subterrânea para rega dos campos de golfe

hm³

9,99

3,65

14,1

5,17

30,3

11,10

Consumo de água residual tratada para rega dos campos de golfe

hm³

0,48

0,99

0,67

1,40

1,45

3,00

Consumo de água de abastecimento público para rega dos campos de golfe

hm³

0,69

0

0,98

0

2,10

0

Custo da água de origem subterrânea

10³ €

2400

877

3390

1240

7280

2660

Custo da água de origem superficial

10³ €

309

47,10

437

66,60

937

143

Custo da água de abastecimento público

10³ €

152

0

216

0

463

0

Custo da água residual tratada

10³ €

95,30

198

135

280

289

600

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

B) SIMULAÇÃO DOS INDICADORES DE GESTÃO Na simulação dos indicadores ambientais e agro-ambientais apresentados no Quadro VI.13, para além dos dados de base associados aos indicadores de cada variante, considerou-se uma área média de 40 hectares para um campo de golfe no Algarve (resultado do

107


Universidade do Algarve

inquérito realizado aos campos de golfe), sendo que, em média, 5 % deste valor corresponde a greens, 10 % a tees, 60 % a fairways e 25 % a roughs.

Quadro VI.13 Simulação dos Indicadores de Gestão Ambiental e Agro-ambiental Simulação dos Indicadores Ambientais e Agro-ambientais

Cenário de Referência

Cenário Moderado

Cenário de Massificação

Unidades Variante 1 Variante 2 Variante 1 Variante 2 Variante 1 Variante 2

Consumo total de água para rega dos campos de golfe

hm³

12,7

4,88

18,0

6,90

38,60

14,80

Consumo de electricidade

GWh

6,66

1,61

9,41

2,28

20,20

4,89

Consumo de Fitofármacos

t

9

3,62

12,70

5,11

27,30

11

Consumo total de Fertilizantes

t

711

185

1000

261

2160

560

Azoto (N)

t

41,80

43,50

59

61,50

127

132

Fósforo (P2O5)

t

13,90

17,40

19,70

24,60

42,20

52,80

Potássio (K2O)

t

43,50

34,80

61,50

49,20

132

106

Azoto (N)

t

197

148

279

209

598

449

Fósforo (P2O5)

t

59,20

98,60

83,60

139

180

299

Potássio (K2O)

t

128

148

181

209

389

449

Produção total de resíduos

t

2640

1310

3730

1860

8010

3990

Produção de resíduos verdes

t

2100

633

2970

894

6370

1920

Consumo de adubos nos Greens/Tees:

Consumo de adubos nos Fairways/Roughs:

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

108


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

A análise dos resultados apresentados no Quadro VI.13. pode ser efectuada através da comparação das duas variantes dentro do mesmo cenário, ou entre cenários distintos. Neste sentido, será importante salientar que: §

Em cada um dos cenários, a variante 2 representa, face à respectiva variante 1, um potencial de poupança de cerca de 60 % de água para rega, 75 % de electricidade consumida, 60 % do consumo de fitofármacos, 74 % do consumo total de fertilizantes, 50 % da produção total de resíduos e 70 % da produção de resíduos verdes;

§

Para os indicadores “Consumo total de água para rega dos campos de golfe”, “Consumo de electricidade”, “Consumo de fitofármacos”, “Consumo total de fertilizantes”, “Produção total de resíduos” e “Produção de resíduos verdes”, a variante 2 do cenário de referência constitui a situação que reflecte o melhor desempenho ambiental de todas as opções analisadas;

§

Para os indicadores “Consumo total de água para rega dos campos de golfe”, “Consumo de electricidade”, “Consumo de fitofármacos”, “Consumo total de fertilizantes”, “Produção total de resíduos” e “Produção de resíduos verdes”, a variante 2 do cenário moderado reflecte uma situação mais favorável do que a variante 1 do cenário de referência;

§

Para os indicadores “Consumo de electricidade”, “Consumo total de fertilizantes”, e “Produção de resíduos verdes”, a variante 2 do cenário de massificação ainda reflecte uma situação preferencial face à variante 1 do cenário de referência.

Os resultados apresentados permitem concluir que a variante 2 do cenário de referência configura a melhor situação possível em termos da análise regional das pressões ambientais geradas pelo conjunto dos campos de golfe do Algarve. Isto significa que, nesta perspectiva, a situação ideal implica estabilizar o número de campos existentes na região próximo dos 29 campos equivalentes e implementar um conjunto de medidas que visem aproximar a média do desempenho ambiental dos campos aos valores obtidos para a variante 2 neste cenário.

109


Universidade do Algarve

Por outro lado, a análise efectuada revelou que é possível, em termos teóricos, aumentar o número de campos em funcionamento sem que as pressões induzidas sobre o sistema ambiental se agravem face à situação actual (que é próxima da verificada na variante 1 do cenário de referência). Para tal, é imperativo que se proceda a um investimento na melhoria do desempenho ambiental da generalidade dos campos. Por exemplo, com 41 campos equivalentes a funcionar com elevada qualidade seria possível obter um desempenho ambiental superior ao de 29 campos equivalentes que produzissem resíduos e consumissem água, electricidade, fertilizantes e fitofármacos à taxa média actual. É importante realçar que a variante 2 que foi apresentada deve ser encarada numa perspectiva proactiva. Uma vez que a sua definição é suportada por valores de indicadores relativos a consumos e produções revelados num inquérito aos próprios campos e não em valores normativos, a sua aceitação tem um carácter voluntário que é, no entanto, uma premissa base de qualquer filosofia integrada de abordagem aos problemas ambientais. Para além disso, verifica-se ainda que nalguns casos as soluções preconizadas por esta variante (tal como o aumento do consumo de água residual tratada) implicam o suporte de infra-estruturas adequadas que necessitam ser analisadas à escala local (tal como será descrito no Capítulo VII). Verificou-se também que alguns dos indicadores que estão na base da simulação da variante 2, se aproximam do desempenho ambiental de campos que implementaram sistemas ou programas de gestão ambiental. Neste sentido, os valores obtidos para a simulação dos indicadores nesta variante (em qualquer dos cenários) representam elevados benefícios face à variante 1. Este facto deve oferecer um incentivo à melhoria contínua do desempenho ambiental dos campos em funcionamento, tanto mais que à redução dos consumos estão normalmente associadas vantagens económicas. De acordo com o acima exposto, considera-se que os resultados da simulação dos cenários em estudo permitem alertar para a necessidade de estabelecer uma política integrada para a região, através da qual se estabeleçam objectivos e metas quantitativas que visem uma progressiva redução das pressões ambientais geradas pela actividade global dos campos de golfe no Algarve.

110


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Finalmente, refira-se ainda que é estritamente necessário enquadrar esta análise num contexto local, em conformidade com os instrumentos de protecção e ordenamento do território. A análise global para a região que aqui foi apresentada encontra-se, necessariamente, a jusante da avaliação dos aspectos de localização e licenciamento dos campos. Por outro lado, tal como descrito no Capítulo IV, na elaboração dos cenários em estudo procurou-se incluir a informação disponível para as pretensões conhecidas. Este facto permite concluir que um cenário de massificação, onde se incluam todas as pretensões actualmente

conhecidas,

implicaria

elevados

custos

ambientais

em

termos

de

(des)afectação de áreas de conservação da natureza e protecção dos recursos.

VI.4

COMPARAÇÃO DOS CENÁRIOS

O conceito de sustentabilidade assenta na compatibilização de 3 vectores do desenvolvimento: o ambiente, ambiente (variante 2), a empresa e a economia regional. Tal como apresentado no Capítulo III (Metodologia Geral), o exercício de análise prospectiva sobre o futuro da indústria do Golfe no Algarve, baseou-se na denominada “pirâmide” de sustentabilidade (Figura III.3). A cadeia de impactes potenciais do Golfe nas áreas empresarial, socio-económica e ambiental, determinada a partir dos indicadores desenvolvidos, permitiu situar cada um dos cenários em estudo nesta pirâmide. De forma qualitativa, pode analisar-se a distância de cada cenário (triângulo a cinzento na Figura III.3) ao vértice superior da pirâmide (ou centro do triângulo na vista de topo), que representa a situação ideal em termos de sustentabilidade. No quadro seguinte apresentam-se as ponderações atribuídas por domínio de análise que permitiram localizar cada cenário na pirâmide.

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Quadro VI.14 Posicionamento de cada cenário em relação à sustentabilidade Cenário de referência

Cenário moderado

Cenário de massificação

Ambiente

⊗⊗⊗

⊗⊗

Empresa

⊗⊗⊗

⊗⊗

⊗⊗⊗

⊗⊗

Domínios de análise

Economia Regional

Escala: ⊗ afastado; ⊗⊗ próximo; ⊗⊗⊗ muito próximo Fonte: Universidade do Algarve, 2003

A ponderação qualitativa da sustentabilidade identificada no quadro anterior surge representada na pirâmide de sustentabilidade (cf. figura VI.2).

Figura VI.1

Pirâmide de Sustentabilidade

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Um cenário é considerado mais sustentável à medida em que se situar mais próximo do centro do triângulo o que equivale ao nível qualitativo máximo de complementaridade entre a competitividade empresarial, a protecção do ambiente e o desenvolvimento regional. Na Figura VI.2 apresenta-se o posicionamento dos cenários analisados: cenário de referência, moderado e de massificação. Nesta primeira análise, consideraram-se apenas os impactes ambientais da variante 1 (desempenho ambiental dos campos igual à média dos indicadores calculados). Pode observar-se que as áreas correspondentes aos triângulos

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

desenhados para o cenário de referência e moderado são bastante inferiores à área do cenário de massificação. Nesta análise figurativa, isto significa que o cenário de massificação é o que se distancia mais do ponto central de sustentabilidade. No confronto directo entre o cenário de referência e moderado, pode constatar-se que existe um trade-off entre os vértices de impacte. O cenário de referência possui um menor impacte ambiental negativo, no entanto, embora seja o cenário que gera maiores ganhos na competitividade empresarial, estes surgem associados a uma situação de sobrelotação dos campos. Uma análise comparada com o cenário moderado revela que a amplitude do intervalo de variação dos ganhos empresariais não são significativos se comparados com a situação de excelência conseguida ao nível da ocupação dos campos. O cenário de massificação obtém o pior desempenho (afastamento do centro) em termos dos impactes ambiental e empresarial. A nível da economia regional os ganhos decorrentes deste cenário crescem a uma taxa decrescente, colocando-o numa situação de quase indiferença com o cenário moderado.

Figura VI.2

Posicionamento dos Cenários na Pirâmide de Sustentabilidade Variante 1

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

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Ao considerar a representação da variante ambiental de melhor qualidade, pode observarse na Figura VI.3 que as áreas de impacte de cada triângulo/cenário, se reduzem substancialmente. A situação ambiental ideal, de entre todas as opções analisadas, é verificada no cenário de referência através da variante 2. Por outro lado, a variante 2 do cenário moderado, representaria uma melhoria em termos de desempenho ambiental global dos campos de golfe do Algarve, não apenas relativamente à variante 1 do cenário moderado, mas também face à variante 1 do cenário de referência. Para tal, seria necessário implementar um conjunto de medidas que aproximassem a média do desempenho ambiental dos campos aos valores obtidos para a variante 2, sem esquecer a necessidade prévia de acautelar a localização e a avaliação de impacte ambiental dos novos campos previstos neste cenário.

Figura VI.3

Posicionamento dos Cenários na Pirâmide de Sustentabilidade Variante 2

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

A Figura VI.4 combina as diferentes fronteiras de possibilidades de expansão sustentável do golfe, na óptica da empresa, da economia regional e do ambiente.

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Figura VI.4

Área de Expansão Sustentável do Golfe, na Óptica da Empresa, da Economia Regional e do Ambiente

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Conclui-se que as primeiras opções de planeamento e desenvolvimento sustentável do golfe no Algarve devem recair sobre os cenários de referência e moderado (respectivamente 29 e 41 campos de golfe equivalentes a 18 buracos em 2020). O cenário moderado apresenta um maior benefício económico agregado (despesas totais), facto que não deve ser negligenciado dados os efeitos multiplicadores que o golfe gera sobre os restantes sectores integrados na fileira de produção turística. Ao nível da empresa é também o cenário moderado que se afigura como o mais sustentável. Embora o cenário de referência permita obter lucros maiores no curto prazo, estes dividendos resultam de uma situação de excesso de procura, situação que não pode ser mantida no longo prazo. Por sua vez, a amplitude de variação dos ganhos resultantes da situação de referência quando comparados com os ganhos decorrentes duma situação de excelência ao nível da procura (cenário moderado), não justificam o risco. Cumulativamente, como é o cenário moderado que permite em termos físicos uma maior proximidade entre procura e oferta para os níveis de ocupação eleitos, sugerindo uma relação de preços óptima para ambos os lados da equação, garante a não existência de um excesso de pressão pelo lado da procura (logo a não indução da oferta em ultrapassar níveis óptimos de ocupação) e garante também o não excesso de pressão pelo lado da oferta (perigo de degradação de preços e qualidade).

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Daqui resulta que face ao superior desempenho económico e tendência de convergência para o equilíbrio em níveis de qualidade optimizados, o cenário moderado é aquele que deve constar na economia como primeira opção no desenvolvimento do produto turístico golfe no Algarve. Por último, face aos aspectos críticos evidenciados no cenário de massificação, defende-se que a existirem desvios na evolução sugerida para 41 campos em 2020, é preferível no domínio dos resultados económicos de âmbito regional que estes desvios de percurso sejam sempre balizados pelo cenário de referência, isto é, o planeamento e desenvolvimento económico do golfe no Algarve deve assumir o número de 41 campos como o limite por excesso e não por defeito. Num quadro de expansão do número de campos até este limite, tal como foi referido anteriormente, seria necessário adoptar um conjunto de medidas que permitissem aproximar a média do desempenho ambiental dos campos aos valores obtidos para a variante 2, de modo a que o cenário moderado não implicasse um aumento das pressões ambientais geradas pelo funcionamento dos novos campos de golfe que, por sua vez, produzem impactes no capital natural da região. Na Figura VI.5 apresenta-se a área de expansão sustentável do golfe, destacando a importância que o desempenho ambiental tem na expansão do golfe. As implicações das duas variantes analisadas traduzem-se no facto de a variante 2 permitir aumentar a área de expansão sustentável da actividade, o que se traduz num posicionamento global de cada cenário a um nível mais próximo do vértice superior da pirâmide de sustentabilidade considerada. Pode verificar-se ainda que a partir dos 41 campos equivalentes, pelo menos uma das áreas de impacte não permite a expansão sustentável do golfe no Algarve.

116


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Figura VI.5

Área de Expansão Sustentável do Golfe – Variantes 1 e 2

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Conclui-se que o número de campos económica, empresarial e ambientalmente sustentável deve situar-se entre os 29 e os 41 campos.

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

CAPÍTULO VII

O GOLFE E OS RECURSOS DA REGIÃO

O desenvolvimento de uma Região depende de um conjunto de actividades que usam recursos naturais, recursos humanos e tecnologias. O desenvolvimento será tanto mais elevado e tanto mais sustentável quanto maior for o grau de competitividade das suas actividades e das suas indústrias, quanto maior for o valor criado para a região e quanto mais compatível for a actividade com o uso adequado dos recursos naturais. A actividade do golfe desenvolvida em grande escala, tal como é o caso na Região, implica, como resulta dos cenários estudados no Capítulo anterior, grandes impactes económicos, sociais e ambientais. Considerar que o Golfe deve ser e afirmar-se como uma actividade estratégica para o Algarve implica ir mais além do que a discussão sobre cenários alternativos de desenvolvimento da actividade e questionar a lógica económica e territorial que sustenta actividade, o que equivale a responder a algumas das seguintes questões: §

Como é perspectivado o uso dos recursos escassos da região como a água?

§

Qual o impacto concreto da localização de novos campos sobre as acessibilidades e sobre o ordenamento físico do território?

§

Que efeito de arrastamento tem a construção de novos campos sobre o sector imobiliário, para além do que foi considerado no capítulo anterior?

§

Qual o grau de complementaridade com outras actividades estratégicas da Região?

O capítulo anterior procurou dar algumas das respostas que são necessárias para se afirmar que o desenvolvimento gradual e controlado da actividade pode trazer benefícios líquidos à Região. Neste capítulo e num primeiro ponto, será abordada a questão da água, que é provavelmente um dos pontos mais sensíveis do desenvolvimento da actividade enquanto, num segundo ponto, se irá colocar o problema do desenvolvimento do golfe, enquanto sector económico e estratégico para a economia da Região.

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VII.1 DESENVOLVIMENTO DO GOLFE E RECURSOS HÍDRICOS DO ALGARVE Neste capítulo do relatório são sintetizados os resultados dos trabalhos efectuados com o objectivo de caracterizar o impacte do desenvolvimento da actividade do golfe nos recursos hídricos do Algarve. De forma a não tornar o texto demasiado extenso, não são aqui discutidos em detalhe todos os dados tratados nem as metodologias empregues para a sua análise. Deste modo, remetemos o leitor interessado em aprofundar a informação aqui fornecida para o Anexo VI – Recursos Hídricos, no qual são facultados os elementos necessários para chegar aos resultados apresentados neste capítulo e, adicionalmente, as referências bibliográficas respeitantes a esta temática. Neste anexo mostra-se que os volumes de água envolvidos nas diferentes componentes do ramo terrestre do ciclo hidrológico (superficial e subterrânea) são razoavelmente conhecidos, tanto para a totalidade da região como individualmente, considerando cada um dos sistemas aquíferos com expressão regional actualmente identificados no Algarve. A análise efectuada para o desenvolvimento do golfe baseia-se em três cenários: (1) um cenário de referência baseado em 32 campos de golfe em actividade, cujo impacto ambiental é analisado em termos da carga produzida por 29 campos equivalentes (com 18 buracos); (2) um cenário moderado, que pressupõe a futura existência de 44 campos (41 campos equivalentes) e, finalmente, (3) um cenário de massificação, para o qual se admite a futura existência de 91 campos (88 campos equivalentes). A possibilidade de analisar o impacte dos cenários 2 e 3 nos recursos hídricos do Algarve é muito limitada pois depende fortemente das origens da água a utilizar pelos golfes que venham a ser construídos o que por sua vez, está condicionado, entre outros factores, pela sua localização. Deste modo, a análise cruzada da informação existente ao nível dos balanços hídricos, juntamente com os consumos de água associados a cada um dos cenários referenciados, permite uma primeira análise dos impactos qualitativos que são de prever para cada uma destas situações, apenas nos casos em que existe informação acerca da localização geográfica dos novos golfes a implantar. Por consequência, a caracterização dos impactos nos recursos hídricos que pode ser efectuada, tendo em conta hipotéticos cenários futuros, é muito genérica e limitada. A possibilidade de aprofundar a previ-

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

são destes impactos passa necessariamente, como veremos mais adiante, pela análise de projecções que, por vezes se afastam consideravelmente dos cenários definidos. No entanto, antes de efectuar esta análise torna-se necessário decidir como estimar a carga destes campos de golfe, em termos das previsíveis origens da água que poderão suportar a sua actividade. Como veremos na secção seguinte, tudo indica que, à semelhança do que se passa com os actuais golfes, o desenvolvimento futuro desta actividade seja sustentado predominantemente pelos recursos hídricos subterrâneos existentes nos aquíferos do Algarve.

VII.1.1 POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES ASSOCIADAS ÀS DIFERENTES ORIGENS DA ÁGUA No Relatório Preliminar do presente projecto foi efectuada uma caracterização geral dos padrões de consumo de água nos campos de golfe actualmente existentes no Algarve. De acordo com as estimativas apresentadas naquele relatório (cf. Relatório preliminar, pág. 91, Quadro 2.17) as águas subterrâneas suportam cerca de 90% do volume anual médio dos consumos. Adicionalmente, os campos de golfe são abastecidos por águas de superfície (cerca de 7%) e por águas residuais provenientes de uso doméstico (cerca de 3%), após tratadas numa Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). O valor de base usado na presente secção do relatório para estimar o impacte dos diferentes cenários estabelecidos considera que o consumo anual médio para um campo de golfe equivalente é de meio milhão de metros cúbicos (0.5×106 m3/ano). Este valor baseia-se nas estimativas apontadas no Anexo VI – Recursos Hídricos e é ligeiramente superior ao resultante do tratamento de dados provenientes de um inquérito efectuado a 22 campos de golfe (cf. Anexo III – Ambiente). Os valores apontados neste segundo caso conduziram à inferência de uma estimativa de 0.45×106 m3/ano, também para um campo de golfe equivalente. De acordo com estes valores e os cenários definidos para a situação actual e futuro desenvolvimento do golfe, efectuou-se a seguinte estimativa global dos consumos de água: §

Cenário de referência, 29x0.5×106 m3/ano = 14.5×106 m3/ano que corresponde ao consumo actual dos golfes existentes;

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§

Cenário de desenvolvimento moderado, 41x0.5×106 m3/ano = 20.5×106m3/ano;

§

Cenário de massificação 88x0.5×106 m3/ano = 44.0×106 m3/ano

A primeira questão que se coloca ao nível da análise destes valores é a definição das possíveis origens da água que poderá satisfazer estes consumos. Sob o ponto de vista ambiental seria desejável que se incrementasse a proporção do volume de água utilizado com origem em ETAR’s. Tendo em conta o caudal máximo teórico disponível de água residual no Algarve (cerca de 18x106 m3/ano) e os cerca de 15x106 m3 anuais consumidos pelos campos de golfe actualmente em actividade, seria tentador dimensionar objectivos muito ambiciosos a este nível. No entanto, tal como acontece para as águas de superfície, a possibilidade de usar águas residuais para suportar os consumos associados aos actuais ou futuros campos de golfe, depende fortemente da sua proximidade geográfica às infraestruturas instaladas. De facto, não é realista prever consumos de água com este tipo de origens, a não ser nas proximidades de ETAR’s ou de áreas cobertas por perímetros de rega e/ou das redes primárias de abastecimento urbano de água actualmente existentes. Por outro lado, tendo em conta os volumes de armazenamento das grandes barragens do Algarve, de acordo com os valores apontados no relatório preliminar do presente projecto, os excedentes médios anuais são da ordem dos 27x106 m3/ano. Tendo em conta a variabilidade climática característica do Algarve este valor é demasiado baixo para suportar consumos muito maiores do que os actuais. No caso das águas subterrâneas existem actualmente diferenças entre a recarga e o volume de exploração actual na ordem dos 138x106 m3/ano para os 17 sistemas aquíferos com importância à escala regional para os quais existem balanços mais detalhados (cuja área é de cerca de 1074 km2). Se adicionalmente considerarmos o volume máximo de recarga admitido para os 1700 km2 ocupados pelas rochas mesocenozóicas no Algarve (340×106 m3/ano) e o volume total de consumo de águas subterrâneas no Algarve (182×106 m3/ano), pode considerar-se inevitável que a concretização de qualquer dos cenários delineados para o desenvolvimento do golfe terá de passar por uma forte dependência das águas subterrâneas.

122


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Para além dos problemas práticos que condicionam a exequibilidade do uso das águas, de acordo com as suas origens (sistemas aquíferos, albufeiras ou ETAR), é ainda necessário ter em consideração a existência dos aspectos normativos relacionado com o licenciamento necessário para a sua captação e uso. Em termos do licenciamento do domínio hídrico e dependendo das especificidades de cada campo de golfe, terão que ser requeridas licenças de pesquisa e captação de águas subterrâneas e/ou licenças de captação de águas superficiais, de acordo com o estipulado no Decreto-Lei n.º 46/94, de 22 de Fevereiro. No caso de existirem condições para utilizar água residual tratada proveniente de uma ETAR é necessário estabelecer um contrato prévio entre os responsáveis pela sua gestão e a empresa que gere o golfe. Neste caso, a qualidade da água a utilizar será da responsabilidade dos campos de golfe, tendo esta que cumprir os requisitos necessários para o seu uso (Decreto-Lei n.º 236/98, de 1 de Agosto). Por outro lado, a legislação actual das albufeiras de águas públicas considera como usos prioritários para a água o consumo humano, a rega e a produção hidroeléctrica. Os restantes usos da água têm carácter secundário, nomeadamente, a pesca, a navegação recreativa, banhos e natação, e competições desportivas com barcos a motor (Decreto Regulamentar nº 2/88, de 20 de Janeiro, alterado pelo Decreto Regulamentar nº 33/92, de 2 de Dezembro). Note-se que na listagem das actividades desportivas mencionadas não é feita referência explícita à actividade do golfe. No que respeita às condicionantes relativas às origens de abastecimento, é referido no Plano de Bacia Hidrográfica das Ribeiras do Algarve que, face às características morfológicas e hidrodinâmicas e de menor vulnerabilidade dos aquíferos, os recursos subterrâneos são considerados como estratégicos em situações de acidentes de poluição de origens superficiais ou de seca anormal, devendo ser utilizados preferencialmente no abastecimento de pequenos sistemas e como reserva em situações de emergência. Por consequência, o dimensionamento dos sistemas de abastecimento de águas para suprir as necessidades das redes de abastecimento público urbano é actualmente sustentado preferencialmente (e quando possível exclusivamente) a partir de águas de superfície, captadas em albufeiras. Deste modo, o uso de águas subterrâneas para outros fins (como a sustentação do

123


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golfe) não é concorrencial com o dimensionamento dos sistemas de abastecimento das actuais redes públicas de abastecimento urbano. Tendo em conta os aspectos práticos e normativos atrás enunciados, é de prever que o desenvolvimento do Golfe no Algarve seja no futuro, tal como actualmente, sustentado predominantemente pela exploração dos aquíferos da região. Naturalmente que também neste caso existem restrições, sendo a mais importante, à escala regional, a existência de zonas críticas sob o ponto de vista da qualidade dos recursos hídricos subterrâneos que condicionam a possibilidade da sua exploração em áreas mais sensíveis. Os problemas conhecidos neste domínio dizem respeito a situações identificadas em que se verifica a ocorrência de contaminação com origem agrícola, associada à rega, e a situações em que os volumes de extracção, junto à costa, provocam o recuo da interface entre a água do mar e a água doce para o interior com a consequente degradação da qualidade da água.

VII.1.2 IMPACTES NO BALANÇO HÍDRICO À ESCALA INDIVIDUAL DOS SISTEMAS AQUÍFEROS A avaliação dos impactos previsíveis nos recursos hídricos subterrâneos dos futuros campos de golfe, não pode ser feito de forma rigorosa sem que se conheçam as origens da água e os locais onde serão efectuadas as extracções. De facto, os efeitos indesejáveis de degradação da quantidade e qualidade da água associados a uma incorrecta exploração dos recursos hídricos subterrâneos é fortemente dependente das condições hidrogeológicas locais e não apenas ao balanço de entradas e saídas à escala de todo o sistema aquífero em causa. A visualização das figuras VII.1, VII.2 e VII.3 permite uma análise geral da distribuição espacial dos factores mais relevantes para a análise do impacto dos cenários definidos nos recursos hídricos subterrâneos do Algarve. A densidade de captações de água subterrânea inventariadas pela DRAOT, mostrada na Figura VII.1, permite que se avalie a intensidade de exploração de cada um dos 17 sistemas aquíferos, cuja denominação é fornecida na Figura VII.2. Por seu lado, o balanço para cada um destes sistemas aquíferos, registado no Quadro VII.1, permite que se avalie a relação entre as entradas naturais por recarga e os consumos verificados à data da análise efectuada neste trabalho. Finalmente, na Figura

124


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

VII.3 é mostrada a posição dos actuais golfes e pode verificar-se em que sistemas aquíferos existem intenções manifestadas de implantar novos campos. Por consequência, é possível recalcular os balanços tendo em conta os volumes de extracção efectuados pelos golfes e assim avaliar a sua influência no balanço de entradas e saídas. Obtém-se assim um novo balanço para cada sistema aquífero que pode ser calculado tendo em conta a influência do número de campos equivalentes actuais ou o número de campos equivalentes que corresponde às intenções manifestadas de construção nesse mesmo sistema aquífero. Deste modo, a possibilidade de realizar este exercício é dependente do conhecimento da localização dos futuros campos de golfe, o que inviabiliza a avaliação dos cenários 2 e 3 usando esta metodologia. Naturalmente que, para o cenário de referência esta limitação não existe. No entanto apenas existe informação cartográfica digital para 22 golfes equivalentes dos 29 existentes. Como 4 destes estão implantados fora da área destes sistemas aquíferos (sendo no entanto maioritariamente abastecidos a partir de águas subterrâneas), restam apenas 18. Uma vez que deste último número se tem ainda de subtrair 2,5 golfes equivalentes, abastecidos por águas residuais e de superfície, chega-se aos 15,5 campos equivalentes para os quais esta análise pode ser efectuada. As considerações tecidas acerca da distribuição dos campos de golfe existentes no Algarve revelam uma realidade algo surpreendente: apesar da grande predominância do uso da água subterrânea para suportar esta actividade, apenas 15,5 dos 22 golfes equivalentes actualmente em actividade usados nesta análise utilizam águas captadas nos 17 sistemas aquíferos mais importantes da região. Por outro lado, é igualmente interessante notar que os valores registados no Quadro VII.1 apontam para excedentes na ordem dos 154x106 m3/ano para o conjunto dos 17 sistemas aquíferos analisados. A desagregação deste valor por sistema aquífero mostra que a paragem das extracções associadas ao consumo das redes de abastecimento público, juntamente com as estimativas de recarga calculadas por Vieira & Monteiro (2003) apontam para a existência de apenas um sistema aquífero em situação actual de défice hídrico. Trata-se da Campina de Faro que, para além de tudo indica ter um balanço de recarga directa deficitário, é também um sistema aquífero afectado por graves problemas de contaminação. Por outro lado, o problema anteriormente detectado de défice para o sistema aquífero de Ferragudo-Albufeira parece, segundo estes dados, ter deixado de existir (ver Anexo VI – Recursos Hídricos). No entanto, dada a in-

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certeza associada a estes valores só uma monitorização detalhada destes sistemas pode confirmar as tendências reveladas por estes balanços.

Figura VII.1 Localização de Furos e Poços Cartografados no Algarve. 10km

Fonte: Base de dados de águas subterrâneas da DRAOT, 2003.

Figura VII.2 Identificação dos 17 Sistemas Aquíferos com Expressão Regional.

Fonte: Almeida et al., 2000 (adaptado)

126


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Figura VII.3 Localização dos Campos de Golfe Existentes e Previstos Relativamente aos Sistemas Aquíferos 10km

KT

KZ KD

KU

D KB

KA

A

KC

B

C

P KW

KJ

E

F

KF

KS

G KG

KV

I H

Sistemas aquíferos Empreendimentos de golfe previstos

J

N

O

KX

KM KO KQ KR KH KI M KNKP

L KL

Empreendimentos de golfe em funcionamento

Campos de golfe existentes: A - Parque da Floresta; B - Boavista; C - Penina (Resort, Academy e Championship); D - Morgado do Reguengo I; E - Quinta do Gramacho; F - Vale da Pinta; G - Salgados; H - Pine Cliffs; I - Lusotur Golfes (Old Course, Millenium; Laguna e Pinhal); J - Vila Sol; L - Vale de Lobo (Royal e Ocean); M - Quinta do Lago (Quinta do Lago, Ria Formosa, Pinheiros Altos e San Lorenzo); N - Benamor; O - Quinta da Ria e Quinta de Cima; P - Castro Marim. Campos de golfe previstos: KA - Sinceira; KB - Espiche; KC - Montinhos da Luz; KD - Mexilhoeira Grande; KF - Quinta da Lameira; KG - Praia Grande; KH - Dunas Douradas; KI - Garrão; KJ - Quinta da Ombria; KL - Muro do Ludo - Pinheiros Altos; KM - Laranjal; KN - Muro do Ludo; KO - Parque das Cidades; KP - Quinta das Navalhas; KQ - Pontal I- UOP 6; KR - Pontal II- UOP 8; KS - Colina da Rosa; KT - Herdade Finca Rodilhas; KU - Sesmarias; KV - Ponta da Areia; KX - Verdelago; KZ - Almada de Ouro; KW - Quinta do Vale. Fonte: DRAOT, 2003

127


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Quadro VII.1 Actualização do Balanço Hídrico II (*) Sistema Aquífero

Área

Recarga

Rega

(km2)

(106 m3/ano) (106 m3/ano)

Golfe Equiv.

Golfe

Balanço

(nº)

(106 m3/ano)

(106 m3/ano)

Covões

23

6,0

1,0

-

5,0

Almádena - Odeáxere

64

17

2,6

-

14

Mexilhoeira Grande - Portimão

52

10

2,5

1,0

0,5

7,5

Ferragudo - Albufeira

117

10

7,3

2,0

1,0

2,8

Querença - Silves

317

93

12

-

Albufeira - Ribeira de Quarteira

55

10

3,5

1,0

0,5

6,9

Quarteira

81

15

9,5

5,5

2,8

5,8

S. Brás de Alportel

34

5,5

1,0

-

4,5

Almansil - Medronhal

23

6,5

1,0

-

5,5

S. João da Venda - Quelfes

113

9,0

3,0

-

6,0

5

2,0

1,0

-

1,0

Campina de Faro

86

8,3

12

6,0

Peral - Moncarapacho

44

10

1,5

-

8,5

Malhão

12

3,0

0,5

-

2,5

Luz - Tavira

28

4,8

3,0

-

1,8

S. Bartolomeu de Messines

11

3,0

1,0

-

2,0

Monte Gordo

10

3,0

-

-

3,0

1074

220

63

15,5

C. Cevada - Qtª J. de Ourém

Totais

81

3,0

7,8

-3,7

154

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (*)Apresentado por Almeida et al.(2000), para 17 sistemas aquíferos do Algarve, tendo em conta a actualização dos valores de recarga de Vieira & Monteiro (2003) e as extracções efectuadas para abastecimento de 15.5 campos de golfe equivalentes que usam estas águas subterrâneas.

Os balanços apresentados no Quadro VII.1 podem ser ainda efectuados, tendo em conta a localização de parte dos campos de golfe que poderão vir a existir, caso se concretizem as intenções de instalação para as quais já é conhecida a respectiva localização geográfica. Este exercício foi igualmente efectuado e apresenta-se no Quadro VII.2. As intenções de construir novos campos de golfe, contando apenas com os casos em que a respectiva localização já é conhecida correspondem a 25 golfes equivalentes. No entanto, como pode verificar-se no Quadro VII.2 apenas foram adicionados 16 aos que já existiam na área dos sistemas aquíferos mais importantes. A diferença entre estes valores,

128


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

correspondente a 9 golfes equivalentes, deve-se mais uma vez ao facto dos locais definidos destes não estarem na área dos sistemas aquíferos mais importantes.

Quadro VII.2 Actualização do Balanço Hídrico II (*) Sistema Aquífero

Área

Recarga

Rega

(km2)

(106 m3/ano) (106 m3/ano)

Golfe Equiv.

Golfe

Balanço

(nº)

(106 m3/ano)

(106 m3/ano)

Covões

23

6,0

1,0

-

Almádena – Odeáxere

64

17

3,1

1

0,5

14

Mexilhoeira Grande - Portimão

52

10

2,5

1

0,5

7,5

Ferragudo – Albufeira

117

10

8,3

4

2,0

1,7

Querença – Silves

317

93

13

1

0,5

81

Albufeira - Ribeira de Quarteira

55

10

3,5

1

0,5

6,5

Quarteira

81

15

9,5

5,5

2,8

5,5

S. Brás de Alportel

34

5,5

1,0

-

4,5

Almansil – Medronhal

23

6,5

1,0

-

5,5

S. João da Venda - Quelfes

113

9,0

3,5

1

5

2,0

1,0

-

Campina de Faro

86

8,3

16

14

7,0

-7,7

Peral – Moncarapacho

44

10

2,0

1

0,5

8,0

Malhão

12

3,0

0,5

-

2,5

Luz – Tavira

28

4,8

3,0

-

1,8

S. Bartolomeu de Messines

11

3,0

1,5

1

0,5

1,5

Monte Gordo

10

3,0

0,5

1

0,5

2,5

1075

220

710

31,5

16

145

C. Cevada – Qtª J. De Ourém

Totais

5,0

0,5

5,5 1,0

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (*) Apresentado por Almeida et al.(2000), para 17 sistemas aquíferos do Algarve, tendo em conta a actualização dos valores de recarga de Vieira & Monteiro (2003) e as extracções efectuadas para abastecimento de 31.5 campos de golfe equivalentes, correspondentes aos 15.5 actualmente existentes que usam água destes aquíferos acrescidos de 16 correspondentes às intenções de implantação com localização geográfica conhecida.

O facto de alguns dos campos de golfe previstos não se encontrarem na área dos 17 sistemas aquíferos com maior importância à escala regional não significa que seja inviável dimensionar um abastecimento sustentado por águas subterrâneas nestes casos. A observação da Figura VII.1 mostra que existe um número elevadíssimo de captações de água subterrânea exteriormente à área destes aquíferos mais importantes. Como já foi referido,

129


Universidade do Algarve

existem vários golfes em funcionamento integralmente sustentados por águas subterrâneas na zona que actualmente é denominada por “aquíferos indiferenciados”. Faz-se notar no entanto que esses casos correspondem a golfes cujas captações de água subterrânea estão implantadas em rochas sedimentares mesocenozóicas que correspondem ao Litoral e Barrocal. Por outro lado, os caudais de exploração que podem ser obtidos nas rochas paleozóicas que constituem o subsolo da Serra Algarvia são muito provavelmente insuficientes para suportar os consumos associados à sustentação de um campo de golfe. De facto, o caudal de extracção necessário para suportar um campo de golfe equivalente (cerca de 0.5 milhões de metros cúbicos por ano) corresponde a um caudal instantâneo de cerca de 16 litros por segundo. É sabido no entanto que, no tipo de rochas existentes na Serra Algarvia os caudais que podem obter-se a partir de um poço ou furo são quase sempre inferiores a menos de um terço deste valor. Além disso, estes 16 litros por segundo são um caudal instantâneo médio, calculado com base nas necessidades anuais de água. Sendo assim, os caudais instantâneos necessários nos meses em que a rega é necessária são muito superiores aos indicados por aquele número. Por outro lado, apenas a título ilustrativo refere-se que existem numerosos casos de captações nos aquíferos sedimentares da zona costeira onde são ou foram extraídos caudais muito superiores a 50 litros por segundo, sendo muito frequentes as captações das quais é possível obter caudais de extracção superiores a 10 litros por segundo. Muito provavelmente os investidores interessados em implantar campos de golfe na área da serra algarvia estão conscientes deste problema e, por consequência é natural que nestes casos esteja prevista a utilização de águas de superfície ou residuais o que, no entanto terá de obedecer a restrições de ordem prática e normativa que já foram referidas neste capítulo do relatório.

VII.1.3 SÍNTESE DOS RESULTADOS A análise quantitativa do impacto golfes no balanço hídrico à escala individual dos sistemas aquíferos que acabou de apresentar-se exigiu que se analisassem cenários algo afastados dos que podem ser feitos para avaliar outras vertentes dos problemas relacionados com a actividade do golfe. No entanto pôde fazer-se este exercício para os casos em que toda a informação necessária existe ou está disponível. Salvaguarda-se desde já o facto desta análise poder identificar, com grande probabilidade de sucesso, algumas áreas onde

130


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

haverá problemas, caso se venham a instalar novos campos de golfe sustentados pelos sistemas aquíferos subjacentes. No entanto, o contrário, infelizmente, não é verdade. Ou seja, não é pelo facto de eventuais novos campos de golfe se situarem sobre sistemas aquíferos com balanços excedentários que se pode garantir, com base numa análise deste tipo, que não venham a causar-se graves problemas quantitativos e/ ou qualitativos nos recursos hídricos subterrâneos como consequência dos volumes de extracção associados à sua sustentação. Em alguns casos poderá mesmo ser impossível obter caudais da ordem de grandeza dos necessários, devido às propriedades hidrogeológicas locais das rochas que suportam alguns sectores menos produtivos que podem existir, mesmo nos sistemas aquíferos mais importantes. As relações entre os usos e a recarga dos 17 sistemas aquíferos mais importantes do Algarve, expressas em percentagem, estão registadas nos Quadro VII.3 e Quadro VII.4 Como se pode verificar a partir destes valores, existem cargas muito variáveis para os diferentes aquíferos. A apreciação destes números deve ser feita tendo presente que aos consumos tratados nestes quadros se acrescentam os abastecimentos urbanos domésticos e colectivos existentes nos locais de habitação essencialmente dispersa onde não existe rede pública de abastecimento de água. No entanto, como já foi referido anteriormente, este tipo de uso é pouco importante, relativamente aos considerados na presente análise.

131


Universidade do Algarve

Quadro VII.3 Extracções e Recarga I (*) Área

Recarga

Extracções (rega+golfe)

Balanço

Extracções/ Recarga

(km2)

(106 m3/ano)

(106 m3/ano)

(106 m3/ano)

(%)

Covões

23

6,0

1,0

5,0

16,7

Almádena - Odeáxere

64

17

2,6

14

15,3

Mexilhoeira Grande - Portimão

52

10

2,5

7,5

25,0

Ferragudo - Albufeira

117

10

7,3

2,8

73,0

Querença - Silves

317

93

12

81

12,9

Albufeira - Ribeira de Quarteira

55

10

3,5

6,9

35,0

Quarteira

81

15

9,5

5,8

63,3

S. Brás de Alportel

34

5,5

1,0

4,5

18,2

Almansil - Medronhal

23

6,5

1,0

5,5

15,4

S. João da Venda - Quelfes

113

9,0

3,0

6,0

33,3

5

2,0

1,0

1,0

50,0

Campina de Faro

86

8,3

12

-3,7

144,6

Peral - Moncarapacho

44

10

1,5

8,5

15,0

Malhão

12

3,0

0,5

2,5

16,7

Luz - Tavira

28

4,8

3,0

1,8

62,5

S. Bartolomeu de Messines

11

3,0

1,0

2,0

33,3

Monte Gordo

10

3,0

-

3,0

0

1075

220

63

154

28,6

Sistema Aquífero

C. Cevada - Qtª J. de Ourém

Totais

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (*) Expressão da relação entre a recarga anual média e o actual volume de exploração dos sistemas aquíferos mais importantes do Algarve para uma carga correspondente ao número de golfes equivalentes actualmente em actividade que usam as suas águas.

Os balanços calculados para estes dois cenários mostram que a diferença entre os balanços somados para todos os aquíferos é inferior a 4%. Estes resultados ilustram de forma muito clara a relevância quase nula de se avaliarem cenários globais para campos de golfe equivalentes para os quais não é conhecido o local de implantação. Tal facto deve-se a que, no caso destas solicitações se concentrarem num sistema aquífero particular se poderem verificar alterações muito significativas que não podem ser reveladas pelas estimativas globais de balanço à escala regional.

132


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro VII.4 Extracções e Recarga II (*) Área

Recarga

Extracções (rega+golfe)

Balanço

Extracções/ Recarga

(km2)

(106 m3/ano)

(106 m3/ano)

(106 m3/ano)

(%)

Covões

23

6,0

1,0

5,0

16,7

Almádena - Odeáxere

64

17

3,1

14

18,2

Mexilhoeira Grande - Portimão

52

10

2,5

7,5

25,0

Ferragudo - Albufeira

117

10

8,3

1,7

83,0

Querença - Silves

317

93

13

81

14,0

Albufeira - Ribeira de Quarteira

55

10

3,5

6,5

35,0

Quarteira

81

15

9,5

5,5

63,3

S. Brás de Alportel

34

5,5

1,0

4,5

18,2

Almansil - Medronhal

23

6,5

1,0

5,5

15,4

S. João da Venda - Quelfes

113

9,0

3,5

5,5

38,9

5

2,0

1,0

1,0

50,0

Campina de Faro

86

8,3

16

-7,7

192,8

Peral - Moncarapacho

44

10

2,0

8,0

20,0

Malhão

12

3,0

0,5

2,5

16,7

Luz – Tavira

28

4,8

3,0

1,8

62,5

S. Bartolomeu de Messines

11

3,0

1,5

1,5

50,0

Monte Gordo

10

3,0

0,5

2,5

16,7

1075

220

71

145

32,3

Sistema Aquífero

C. Cevada - Qtª J. de Ourém

Totais

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (*)Expressão da relação entre a recarga anual média e o actual volume de exploração dos sistemas aquíferos mais importantes do Algarve para uma carga correspondente a 31.5 campos de golfe equivalentes, correspondentes aos 15.5 actualmente existentes que usam água destes aquíferos, acrescidos de 16 correspondentes às intenções de implantação com localização geográfica conhecida.

Por outro lado, verifica-se que alguns sistemas aquíferos são actualmente sujeitos a cargas muito elevadas, mesmo para as condições actualmente vigentes. São marcados a negrito nos Quadro VII.3 e Quadro VII.4 as situações em que o volume de exploração ultrapassa 80% da recarga. Para o caso da Campina de Faro, mesmo tendo em conta o facto de serem conhecidas transferências a partir de outras unidades hidrogeológicas que contribuem para alimentação deste sistema aquífero (que não foram ainda quantificadas de forma rigorosa), o cenário de desenvolvimento analisado aponta para valores que sugerem fortemente uma situação insustentável, caso os golfes a implantar nesta área não

133


Universidade do Algarve

tenham alternativas à exploração deste sistema aquífero. Apresenta-se uma síntese gráfica dos resultados apresentados nos Quadro VII.3 e Quadro VII.4 e nas Figura VII.4 e Figura VII.5.

Figura VII.4 Classificação dos Sistemas Aquíferos em Termos de Risco I (*) 10km

Alto Médio Baixo

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (*) Grau de ocorrência de riscos de degradação quantitativa e qualitativa da água tendo em conta o actual regime de exploração dos aquíferos (correspondente ao cenário expresso no Quadro VII.3).

134


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Figura VII.5 Classificação dos Sistemas Aquíferos em Termos de Risco II (*) 10km

Alto Médio Baixo

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (*) Grau de ocorrência de riscos de degradação quantitativa e qualitativa da água tendo em conta o regime de exploração dos aquíferos associado ao cenário estabelecido no Quadro VII.4.

A síntese dos resultados ilustrada nas Figura VII.4 e Figura VII.5 é uma forma simplista de representar a análise efectuada mas permite sintetizar de forma qualitativa alguns aspectos que foram discutidos no texto. O critério na base da definição das três classes é o seguinte: os sistemas cujo volume de exploração anual médio ultrapasse 80% da renovação anual média por recarga consideram-se em risco por razões óbvias relacionadas com as variações climáticas características do Algarve. Os sistemas aquíferos junto à costa estão em conexão hidráulica com o mar. Sendo assim, os riscos de sobre exploração podem existir para volumes de bombagem muito inferiores aos do balanço de entradas anuais médias, pois devem-se às condições locais de bombagem junto à costa e não a um simples balanço de entradas e saídas à escala de todo o sistema. Note-se que, mesmo tendo em conta este facto se considera que os riscos deste tipo associados ao cenário expresso na Figura VII.4 e no Quadro VII.3 são baixos para o aquífero de Monte Gordo. Tal facto deve-se a que, apesar deste sistema aquífero estar na faixa costeira não ter neste cenário qualquer extracção para uso em golfes. Como esta situação se altera para o cenário da Figura VII.5, este passa a ser considerado sujeito a um risco intermédio. O sistema aquífero de Ferragudo Albufeira muda de classificação nos dois cenários pois, para a segunda

135


Universidade do Algarve

análise efectuada são ultrapassados os 80% de relação entre volume de bombagens e entradas por recarga. A análise dos resultados apresentados e sintetizados correspondentes aos cenários discutidos deve efectuar-se tendo presente, pelas numerosas razões apontadas, que as estimativas referenciadas só têm validade à escala sub-regional dos sistemas aquíferos indicados e não podem, em nenhum caso, ser consideradas válidas para um golfe em particular. O aumento de detalhe requerido para uma análise à escala local só pode ser efectuada a partir de estudos hidrogeológicos de detalhe, conduzidos especificamente com esse fim.

VII.2 A ACTIVIDADE DO GOLFE NO CONTEXTO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL O Estudo sobre o Golfe no Algarve não se esgota na análise da situação actual da actividade nem na construção dos cenários. A sua inserção na dinâmica das transformações da economia da Região é fundamental para podermos responder a algumas das questões que foram colocadas na introdução a este capítulo. Para isso, o desenvolvimento do golfe foi confrontado com alguns dos critérios que devem presidir a uma política de desenvolvimento sustentável da actividade nas suas múltiplas dimensões: integração sectorial, acessibilidades, recursos naturais, coesão espacial, empreendedorismo, cooperação institucional e, finalmente, como síntese de todos estes atributos, a sustentabilidade.

INTEGRAÇÃO SECTORIAL A gestão do desenvolvimento do produto golfe no Algarve exige uma óptica de integração entre as diferentes políticas de desenvolvimento sectorial com incidência sobre a ocupação do território. O Relatório Preliminar de Caracterização e Diagnóstico elaborado no âmbito do processo de revisão do Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve (DRAOT, 2003) é explicito ao situar, como objectivo estratégico para a região (entre outros), a articulação entre as políticas de desenvolvimento sectorial com incidência espacial, com destaque para as políticas do turismo, da agricultura, das acessibilidades e transportes, das cidades, da salvaguarda e valorização do património arquitectónico e arqueológico e do ambiente.

136


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

O golfe é uma actividade com incidências espaciais muito significativas: Em primeiro lugar, a localização de um campo ou de um cluster de campos corresponde à ocupação, a longo prazo, de uma parcela do território, inibindo a sua função actual, embora não de forma irreversível. Em segundo lugar, à actividade do golfe estão associadas outras actividades com implicações espaciais: uma componente imobiliária sob a forma de hotéis ou de área urbanizada de apartamentos ou vivendas e uma área comercial e de serviços. Em terceiro lugar esta actividade tem interfaces importantes com as acessibilidades à Região e, no seu interior, com as ligações a aglomerados urbanos localizados nas proximidades. Em quarto lugar a implantação do campo tem incidências ambientais quer na sua fase de construção, quer na sua fase de exploração. Em matéria de ordenamento do território, uma das consequências da implantação de novos campos de golfe manifesta-se, em regra, na criação de novos espaços urbanos. As características que estes espaços adquiriram não são diferentes do padrão que é habitual na Região, no entanto, nada impede que o "plano de pormenor" seja mais inovador que no passado.

ACESSIBILIDADES No domínio das acessibilidades à Região, a oferta das infra-estruturas existentes, aeroporto e estrutura viária, não só satisfaz a actual procura, como a sua dimensão encerra um potencial de crescimento não negligenciável. Com efeito, para os visitantes que utilizam o meio aéreo, as alterações recentemente introduzidas nas infra-estruturas aeroportuárias de Faro permitem acolher, em termos globais, o dobro das actuais chegadas. Sabendo que a distribuição das chegadas ao longo do ano tem um comportamento desigual, acusando uma forte concentração nos meses de Junho a Setembro, pode admitir-se que, na época alta do golfe, o Aeroporto de Faro pode proporcionar uma oferta potencial muito acima dos actuais fluxos, sem saturação na próxima década.

137


Universidade do Algarve

Para os turistas que se deslocam de outras regiões as principais acessibilidades rodoviárias existem e, no interior da Região, estão lançadas outras, aproveitando a ligação da Via Longitudinal do Algarve. No entanto, existem deficiências nos acessos a Faro e QuarteiraVilamoura que serão solucionadas com prazos variáveis.

RECURSOS NATURAIS A dimensão espacial da actividade tem implicações também no ambiente, quer na fase de construção dos novos campos quer na sua futura utilização. Em termos de conclusão o Relatório Preliminar do Estudo sobre o Golfe no Algarve demonstra que existe um potencial de melhoria não negligenciável entre o campo de golfe e os impactes ambientais associados à sua produção. Cumulativamente, idêntica conclusão é demonstrada em termos da relação do campo de golfe com os seus inputs de produção, não só para os de função clássica como recursos humanos, capitais e tecnologia, mas sobretudo para os territorialmente localizados e partilhados, como é o caso particular da água nas suas utilizações entre os diferentes sectores de actividade concorrentes num mesmo espaço limitado em área e recursos. Para um território que tem na competitividade uma das suas ideias mobilizadoras, a exploração de um dos principais recursos naturais - a água - implica um esforço de desenvolvimento e parcerias de actuação entre as instituições de domínio público com responsabilidades na gestão do recurso e equilíbrio do território versus a missão dos agentes económicos privados de gerar produto, emprego e mais valias para e na região. No ponto anterior deste Capítulo demonstra-se que para um cenário moderado de desenvolvimento do golfe no Algarve, a água pode não constituir, no horizonte 2020, uma restrição quantitativa se as fontes de abastecimento para consumo doméstico e de serviços continuarem a ser asseguradas por águas superficiais. Mas a água continuará a ser um recurso escasso, embora renovável, e como tal o seu consumo deve ter um preço, reflectindo o seu custo de oportunidade social, qualquer que seja a sua origem: superficial ou subterrânea, tal como é recomendado pela Directiva Quadro da Água. Só, desta forma, é possível optimizar o uso dos recursos, cumprir a legis-

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

lação e manter níveis de gestão dos negócios que sejam compatíveis, simultaneamente, com o lucro individual e com o benefício social.

COESÃO ESPACIAL Aumentar as potencialidades territoriais em termos do produto golfe implica a utilização acrescida dos recursos naturais de input à sua produção (não só a água mas também o próprio espaço por exemplo). No entanto, a produção destas potencialidades económicas (para todos) só serão sustentadas no tempo se enquadradas numa política de ordenamento do território consciente da necessidade de equilíbrio e coesão entre os espaços. Ao invés de uma situação de conflito, esta perspectiva integradora constitui um verdadeiro paradigma para o desenvolvimento do golfe no Algarve, onde a eficiência da produção (económica e ambiental) é a chave para a prossecução do sucesso do golfe na óptica da oferta. A título de exemplo, note-se a habitual referência como ponto forte do Algarve a sua projecção externa de destino turístico, ponto forte este onde o golfe assume progressivamente uma imagem de excelência, a qual na perspectiva desenvolvida pelo Relatório da UAlg não é compatível com a massificação da oferta. Porém, a manutenção deste ponto forte (mesmo para o turismo), tem a sua função inversa no risco de especialização sectorial excessiva no produto turístico e mercados, situação hoje bem visível nos efeitos de um modelo de desenvolvimento regional muito centrado no aproveitamento dos recursos da faixa litoral. Na análise da organização territorial do Algarve, expressa no referido documento preliminar de revisão do PROTAL DRAOT (2003), são identificados quatro sub-sistemas regionais de acordo com as respectivas qualificações e especializações. Destes, o sub-sistema Litoral, entre Lagos e Tavira, intensamente urbanizado, é aquele onde se considera que os limiares de sustentabilidade se encontram mais ameaçados pela pressão demográfica, imobiliária e turística. Cumulativamente, é também neste espaço litoral que a actividade golfe se localiza preferencialmente, quer na situação actual (25,5 campos equivalentes a 18 buracos, ou 28 reais) quer em termos de desenvolvimento do próprio cenário moderado (35 campos equivalentes em 2020, 38 em termos reais).

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Universidade do Algarve

Figura VII.6 Sub-Sistemas Territoriais do Algarve

Sub-sistema Litoral 1 - Sub-sistema Costa Vicentina 2 - Sub-sistema Guadiana Sub-sistema Serra / Barrocal Áreas Protegidas

Fonte: Direcção Regional do Ordenamento e Planeamento do Território (2002)

Sendo este espaço limitado e as actividades económicas concorrenciais na sua ocupação, o desenvolvimento do golfe será tanto mais competitivo e eficiente em termos territoriais quanto mais se assumir não como um “predador” de território, mas sim como uma actividade económica geradora de economias externas e efeitos multiplicadores positivos para o território onde se insere. O golfe é territorialmente uma indústria competitiva se garantir a expansão da sua cadeia de valor, articular as suas actividades com os restantes sectores de implantação regional (agricultura, pesca, indústria e serviços, património, todo o cluster do turismo e lazer) e assumir uma acção global de promoção baseada na capacidade empresarial, qualidade global da oferta e suporte ao valor acrescentado. Nesta óptica, a qualidade de construção dos campos, a qualidade da componente urbanística associada e a política de promoção do produto têm um papel central no desenvolvimento e nos benefícios sobre o território, sendo necessário garantir a colocação, nos mercados e segmentos alvo, de um produto que se deseja identificado com padrões de excelência.

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Estudo Sobre o Golfe no Algarve

EMPREENDEDORISMO O esforço de investimento efectuado nos últimos anos tem beneficiado de uma significativa componente de apoio público. Note-se que, por exemplo, no âmbito do actual Programa de Incentivos e Modernização à Economia - PRIME (ex-Programa Operacional da Economia), o turismo representou no período 2000-2003 a título nacional 12,4% do esforço de investimento global dos oito sectores envolvidos no Programa. Dentro do sector cerca de 39% do investimento apoiado até Outubro de 2003 está concentrado na Acção 2.1.A - Sistemas de Incentivos a Produtos Turísticos de Vocação Estratégica - SIVETUR e, por sua vez, no interior deste sistema de incentivo, as acções sobre a tipologia de projecto “estabelecimentos de animação turística”, na qual se enquadram os campos de golfe (Decreto-Lei nº 108/02 de 16 de Abril), representam 10,3% (195,8 milhões de euros de investimento e 45,9 milhões de incentivo). Nesta tipologia de projecto, exceptuando as marinas e parques temáticos, a construção e requalificação dos campos de golfe assumem uma parcela largamente maioritária do investimento efectuado (Ministério da Economia, 2003). A existência de um quadro de incentivos financeiros à indústria do golfe pode ser considerada uma questão polémica. Com efeito, o Relatório Preliminar do Estudo sobre o Golfe no Algarve concluiu, pela análise às contas que foram disponibilizadas à Equipa, que a viabilidade empresarial da actividade do Golfe no Algarve é muito positiva na medida em que o negócio considerado na sua forma mais estrita - só o campo - se revelou mais rentável que outras actividades da área do turismo. Também, neste Relatório, a análise da rendibilidade de um projecto, baseado no campo-tipo, com as características médias do conjunto de nove campos, se revelou francamente rentável, sem qualquer incentivo público. Neste contexto, a política de ajuda pública à actividade do golfe não encontra uma justificação clara, pelo que a afectação dos fundos públicos encontraria uma maior rendibilidade social nas áreas de promoção externa e interna da actividade, no uso de recursos ainda não competitivos (águas residuais) e na requalificação do seu enquadramento competitivo: acessibilidades e oferta de serviços públicos. A análise dos inquéritos feita à procura e às entrevistas realizadas junto dos stakeholders demonstra que há espaço para melhorias do contexto competitivo do golfe.

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Universidade do Algarve

COOPERAÇÃO INSTITUCIONAL Garantida a qualidade do território receptor e do produto a oferecer, é necessário congregar esforços em torno da marca Golfe no Algarve, como produto de diferenciação do Algarve pela excelência, numa óptica de complementaridade com a oferta instalada (diversificação de produtos, atenuação da sazonalidade) e numa óptica de substituição com os principais destinos concorrentes (privilégio da aposta na identidade e qualidade). O sucesso da gestão da procura do território na óptica da comercialização do produto golfe desportivo passa, sem dúvida, por esta convergência de interesses. Neste quadro, coloca-se uma dimensão de natureza institucional que o Estudo sobre o Golfe no Algarve procurou introduzir: a participação dos vários actores do desenvolvimento regional na discussão e definição do desenvolvimento da actividade do golfe. Este processo não tem por finalidade eliminar a concorrência entre as empresas do golfe que é absolutamente necessária ao mercado, nem concorrenciar outras actividades, também indispensáveis à economia regional, mas tão somente racionalizar um esforço que deve incidir, em diferentes momentos, sobre os vários aspectos da actividade: o quadro estratégico de desenvolvimento, a regulamentação, a promoção comercial, etc.. No caso concreto do golfe, este esforço implica explorar o potencial duma matriz de actuação institucional na região do Algarve (Quadro VII.5). Esta matriz, por exemplo na dimensão comercial da actividade, deveria garantir a articulação e concertação de acções entre as empresas de golfe proprietárias e/ou gestoras dos campos de golfe, a associação Algarve Golfe, a Região de Turismo do Algarve, a Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), o ICEP e a Direcção-Geral do Turismo, nomeadamente pela execução de Planos de Acção Específica no âmbito da promoção do golfe que garantam o seguimento do Plano de Promoção Conjunta do Golfe que se encerra no final do corrente ano de 2003. Simultaneamente, uma segunda dimensão da matriz, ordenamento e planeamento, garantiria a participação de um outro conjunto de agentes, designadamente, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, o Instituto da Conservação da Natureza, as Comissões de Reserva Agrícola, as Câmaras Municipais e demais entidades intervenientes na gestão do território.

142


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro VII.5 Matriz de Cooperação Institucional para a Competitividade Empresas e Sector (produção / promoção) Associação Algarve Golfe

Região de Turismo do Algarve

Associação de Turismo do Algarve

ICEP

Dir. Geral do Turismo

(...)

Ordenamento do Território

CCDR

Instituto de Conservação da Natureza Comissões de Reserva Agrícola

COOPERAÇÃO

Câmaras Municipais do Algarve (...)

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

A garantia de existência de um denominador comum de entendimento nesta matriz e o potencial de competitividade que a sua articulação permite, constitui um instrumento regional de gestão do produto golfe, territorial e sectorialmente integrado, onde o sucesso da comercialização do produto depende da garantia de valorização e conservação do território receptor e, simultaneamente, da existência de um produto competitivo e gerador de efeitos multiplicadores positivos. Esta articulação institucional deve também promover a permanente monitorização do produto nas diferentes fases de planeamento, construção, oferta, promoção e procura, constituindo um elemento crítico para criar e aproveitar as oportunidades inerentes ao golfe. A multiplicidade de agentes envolvidos beneficia de um potencial proveniente de uma imagem de identidade regional, cuja sinergia de esforços é condição necessária para a competitividade do produto e do território, num cenário de desenvolvimento onde a qualidade e cadeias de valor geradas pelo golfe são elas próprias dependentes de uma política de ordenamento do território consciente da necessidade de equilíbrio e coesão entre os espaços.

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Universidade do Algarve

SUSTENTABILIDADE O desenvolvimento da actividade do golfe tem implicações com outras actividades económicas que usam o território como base produtiva ou como factor de localização privilegiado. Mesmo num cenário moderado, o crescimento da actividade utiliza recursos naturais e humanos que devem ser valorizados ao seu custo de oportunidade social, face a actividades alternativas que disputam o mesmo território, como sejam as culturas, extensivas ou intensivas, do sector agrícola ou as actividades industriais ou de serviços. Neste sentido, o critério a reter deve ser o da sustentabilidade, na medida em que incorpora todos as incidências económicas, sociais e ambientais, numa perspectiva de longo prazo. A actividade do golfe gera efeitos multiplicadores muito importantes, tal como foi amplamente demonstrado neste Estudo, com repercussões positivas directas nos tradicionais sub-sectores do turismo: hotelaria, restauração, aluguer de viaturas e agência de viagens. Outros domínios podem beneficiar potencialmente com o desenvolvimento do golfe: serviços especializados de apoio ao golfe, serviços pessoais, instalações desportivas e oferta em áreas relacionadas com o património, com a natureza e com a cultura. No domínio do saber, é já significativa a participação da Universidade do Algarve como centro de competências dedicadas à formação de técnicos de gestão e de Green Keepers, para além da investigação em curso sobre a actividade do golfe. A economia do golfe deve ser considerada para além do seu aspecto estrito de turismo de golfe por forma a constituir-se como um dos elementos estruturantes, a par de outros, no desenvolvimento regional. A participação das populações locais na modalidade não deve limitar-se à mera “ exploração” da actividade de tal forma que esta possa ser entendida como exclusivamente destinada ao consumo da população visitante estrangeira. O dualismo na oferta, que existiu no Algarve nos finais dos anos 70 e início dos anos 80, não é um factor de desenvolvimento no sentido territorial deste conceito. Por isso, o fomento da prática do golfe, no País, através de clubes nacionais de jogadores, a promoção de campos com vocação pública, onde se verificar ser mais apropriado, e a organização de campeonatos são importantes para esbater eventuais diferenciações e para associar à dinâmica da actividade uma participação nacional e regional.

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Os primeiros campos de golfe eram formados unicamente por elementos naturais. Hoje, como em muitos outros desportos, o golfe evoluiu e defronta-se com desafios em vários domínios: localização, desenho e construção dos campos, gestão das relvas e dos recursos naturais. A paisagem natural já não é nem pode ser o local de prática do golfe. A sua transformação numa paisagem humanizada pode ter impactes negativos sobre os bens ambientais, nos quais se inclui o território, no caso de não existir um enquadramento regulamentar adequado e, sobretudo, se os vários participantes na actividade não forem movidos por um sentido de responsabilidade e uma atitude ética face ao património natural. Desenvolver o golfe no Algarve implica transformar paisagens, das quais uma parte, senão todas, já não podem ser consideradas naturais, porque sofreram ao longo dos tempos transformações culturais várias. O problema é saber se a implantação da actividade cria efeitos irreversíveis nos ecossistemas e se não consegue assegurar a sustentabilidade ambiental do território em que se localiza. As conclusões do Relatório Preliminar sobre os impactes ambientais da actividade do golfe em termos absolutos - não foram considerados em termos relativos a outras actividades da Região - apontam, no geral, para a existência de procedimentos e de consumo de recursos naturais que não põem em causa o equilíbrio ecológico. No entanto, verificou-se que é possível atingir, nesses domínios, patamares mais sustentáveis, em particular, no consumo de água e na gestão ambiental dos campos.

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CAPÍTULO VIII CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS DE DESENVOLVIMENTO FUTURO O objectivo geral do Estudo sobre o Golfe no Algarve consistiu na definição de um conjunto de critérios e de indicadores de avaliação que servissem como instrumento para elaborar um diagnóstico integrado dos vectores de sustentabilidade do golfe na Região e que pudesse servir, também, para a análise estratégica da actividade. Os indicadores que foram definidos e que constam do Anexo II devem constituir uma ferramenta de análise e um instrumento de ajuda à monitorização da actividade do golfe, bem como um quadro de referência para a definição do futuro da actividade na Região. A utilização que deles foi feita na primeira fase do Estudo na construção e avaliação dos cenários é um exemplo da sua viabilidade prática. Na primeira fase do Estudo, efectuou-se uma caracterização da situação actual e foram identificadas as principais áreas-problema numa perspectiva sócio-económica, ambiental e agro-ambiental e do negócio do golfe. No presente relatório, os resultados do diagnóstico constituíram o ponto de partida para uma avaliação integrada de cenários de desenvolvimento futuro da actividade. Na sequência do exercício de cenarização é possível tirar duas ordens de conclusões: mais gerais, sobre as várias configurações de desenvolvimento estudadas e mais específicas, sobre cada uma das áreas da sustentabilidade. Para além disso são feitas algumas considerações finais com o objectivo de contribuir para a promoção de práticas sustentáveis.

VIII.1 CONCLUSÕES GERAIS Dos cenários de desenvolvimento estudados: cenário de referência, cenário moderado e cenário de massificação, pode concluir-se que a estratégia de desenvolvimento sustentável para o golfe no Algarve, nos próximos 15 anos, deve pautar-se por um crescimento moderado da oferta em que o número de campos se poderá situar num intervalo entre 29 e 41 campos ( equivalente 18 buracos).

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O número de 41 campos deve ser entendido como o limite máximo da oferta, o que não significa que seja o mais favorável quer para as empresas, quer para o ambiente. Com efeito os índices de rentabilidade média observados na proximidade deste número começam a ter valores muito próximos de zero. Na óptica de um desenvolvimento sustentável da actividade, este intervalo sugere que é possível compatibilizar as ópticas empresarial, sócio-económica e ambiental num sentido positivo e que será nesse intervalo que serão maximizados os benefícios: o crescimento de uma procura de qualidade será satisfeito, o nível médio de preços praticados poderá ser mantido, a rendibilidade das empresas assegurada enquanto os efeitos sobre a economia da Região crescerão proporcionalmente à actividade. Também, neste intervalo, os impactes ambientais da gestão da actividade não constituirão uma área problema, se houver uma introdução sistemática de boas práticas e de sistemas adequados de gestão dos recursos naturais, capazes de melhorar os níveis de incidência equivalentes aos que foram calculados para o ano de 2002. O crescimento da oferta deverá obedecer aos parâmetros de qualidade de serviço que corresponde, no momento actual, a um padrão mais elevado do que os concorrentes naturais (Andaluzia e Baleares) o que implica estratégias de diferenciação do produto, acompanhadas da manutenção de um nível de preços mais elevado. Em termos de uso dos recursos naturais, em particular, a água, não foram detectadas, para este intervalo, futuras restrições de natureza quantitativa, face ao actual padrão das origens do abastecimento. No entanto, tem de haver consciência que a política da água na Região pode sofrer alterações significativas no sentido de maior racionalização nos consumos não domésticos e de diversificação das origens de abastecimento para os vários usos. A introdução de elementos desta natureza pode levar os campos de golfe a optar por um mix de origens que optimize a factura da água. O Estudo não considerou um custo para o consumo de água superior à média actual o que pode não ser muito realista, nem economicamente justificável, mas dado o momento em que se encontra a discussão sobre o preço da água, optou-se por não introduzir hipóteses que poderiam ser mal interpretadas. É, no entanto, altamente provável que, num

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futuro próximo, a parte do custo da água na estrutura de custos do campo de golfe possa sofrer alterações no sentido do aumento. A localização de novos campos de golfe é uma questão crucial para o desenvolvimento do golfe, dadas as restrições legais existentes, mas também o modelo de ordenamento ainda insuficientemente estabilizado. Ao intervalo 29-41 campos estão subjacentes localizações, que foram inspiradas dos processos em análise e condicionadas aos critérios ambientais resultantes da regulamentação existente. Este exercício de cenarização é meramente ilustrativo e não constitui um estudo de impacte ambiental focalizado nos diferentes projectos, pelo que a identificação que possa ser feita não constitui uma referência com implicações legais. Do ponto de vista do desenvolvimento regional, o golfe pode constituir um segmento da actividade turística com implicações positivas em diversas áreas da economia regional. Os dados da situação actual, como também as incidências do cenário moderado, demonstram o potencial de efeitos externos pecuniários e outros que podem advir do crescimento gradual da oferta, dentro de limites de sustentabilidade empresarial, económica e ambiental.

VIII.2 CONCLUSÕES SOBRE AS ÁREAS DE SUSTENTABILIDADE DO PONTO DE VISTA EMPRESARIAL: Um elemento importante que ressalta do exercício de cenarização é a existência de uma procura de qualidade sustentada. No entanto, a sua concentração geográfica pode constituir um elemento com variações conjunturais significativas, cujos efeitos se farão sentir nos campos onde o nível de fidelização é mais baixo. O negócio do golfe no Algarve apresenta-se como uma actividade rentável, com níveis superiores a outras actividades do sector turístico. Essa rentabilidade é considerada no sentido estrito e não resulta da componente urbanística associada. Contudo, este aspecto não deve ser escamoteado na medida em que o turista de golfe "compra" um produto compósito que engloba o alojamento e a possibilidade de jogar em vários campos de proximidade.

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A óptica empresarial da actividade económica do golfe não pode ser, na maioria dos casos, dissociada dessa realidade complementar, a componente urbanística, o que pode condicionar decisivamente a localização dos campos. Nesse sentido , é realista associar ao cenário moderado o desenvolvimento de uma área de construção adjacente ao campo sob a forma de um hotel - versão minimalista - eventualmente sob a forma de um conjunto imobiliário com dimensões e importância muito variáveis. Este aspecto não deve, contudo, colidir com as condições suficientes para a afirmação do golfe como sub-sector importante e com qualidade da indústria turística da Região. Existe um potencial de turistas-jogadores no mercado nacional que necessita de ser explorado e, por razões que foram desenvolvidas no Estudo, poderá constituir uma procura para atenuar a sazonalidade, nas épocas do ano em que a procura estrangeira não se dirige para fora dos Países de origem. Não será possível, contudo, por razões que são óbvias, manter a actividade durante todo o ano próxima da oferta potencial. Os campos municipais constituem uma condição importante para a formação de uma procura de origem nacional, mas seguindo uma lógica económica e uma localização regional diferentes das que estiveram presentes neste Estudo. Aqui, tem todo o sentido usar fundos públicos para criar infra-estruturas e actividades que desempenham uma função social e que não colidam com o mercado do golfe, que foi objecto deste Estudo. Os cenários estudados pressupõem que as empresas vão assumir uma atitude ambiental responsável quer para o momento actual, quer para o futuro. Os indicadores ambientais que foram calculados indicam que o panorama actual no que concerne a gestão ambiental não é homogéneo: existe um grupo de campos com níveis de gestão muito apurada, existe outro grupo com níveis médios, enquanto um terceiro grupo apresenta deficiências significativas. É importante que as empresas tenham consciência que a protecção do ambiente é a primeira condição de qualidade e que essa protecção é economicamente custoeficaz.

DO PONTO DE VISTA AMBIENTAL: A avaliação dos impactes dos cenários sobre o ambiente considerou a simulação global para a região de indicadores estruturais e de gestão. A avaliação destas duas vertentes é

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complementar, ainda que a primeira se revista de maior complexidade e incerteza, não só pela dependência das decisões das autoridades competentes relativamente à localização e licenciamento dos campos, como também pela necessidade de aprofundar esta análise a escalas sub-regionais ou locais. Neste sentido, os resultados obtidos revelaram que: §

Numa perspectiva estrutural, a hipótese extrema que considera a implementação de 88 campos equivalentes (cenário de massificação) implicará fortes pressões sobre os valores naturais da região, a serem aprovadas algumas das pretensões conhecidas, ou quaisquer novas pretensões que se localizem sobre áreas de conservação da natureza e protecção dos recursos;

§

Numa perspectiva de gestão ambiental, qualquer dos cenários simulados a partir da média das condições actuais (isto é, a variante 1 de cada cenário) implicará um agravamento proporcional das pressões ambientais geradas pelos consumos e emissões ambientais associadas ao golfe, que poderá conduzir a impactes cumulativos sobre o sistema ambiental;

§

No entanto, ao proceder-se à simulação de cada cenário para uma variante alternativa (que considera a média dos cinco campos com melhor desempenho ambiental à luz dos indicadores calculados), pôde constatar-se que existe uma ampla margem de melhoria da gestão ambiental global dos campos. Esta situação permitiu projectar, sobretudo para os cenários de referência e moderado, uma “imagem futura” alternativa (sendo 2020 o extremo superior do horizonte de análise), em que é possível aumentar o número de campos actual sem que isso implique, necessariamente, um aumento das pressões ambientais geradas pela sua gestão. Para tal seria preciso que os campos implementassem boas práticas e as melhores tecnologias disponíveis no sentido de aproximarem o seu desempenho à média dos valores produzidos pela variante 2.

Este resultado vem reforçar a necessidade de uma gestão ambiental estratégica do golfe, suportada por políticas, objectivos e metas operacionais, que visem a melhoria progressiva das áreas ambientais críticas identificadas ao longo do Estudo. Neste sentido, a adopção dos indicadores propostos afigura-se como um instrumento fundamental para a avaliação e comunicação do desempenho ambiental dos campos de golfe.

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NA ÓPTICA DA ECONOMIA REGIONAL: As primeiras opções de planeamento e desenvolvimento económico do golfe no Algarve devem recair sobre os cenários de referência e moderado (respectivamente 29 e 41 campos de golfe equivalentes a 18 buracos em 2020). Por sua vez, entre estes, o cenário moderado apresenta um maior benefício económico agregado (despesas totais), facto que não deve ser negligenciado dados os efeitos multiplicadores que o golfe gera sobre os restantes sectores integrados na fileira de produção turística. Cumulativamente, como é o cenário moderado que permite em termos físicos uma maior proximidade entre procura e oferta, sugerindo uma relação de preços óptima para ambos os lados da equação, garante a não existência de um excesso de pressão pelo lado da procura (logo a não indução da oferta em ultrapassar níveis óptimos de ocupação) e garante também o não excesso de pressão pelo lado da procura (perigo de degradação de preços e qualidade). Daqui resulta que face ao superior desempenho económico e tendência de convergência para o equilíbrio em níveis de qualidade optimizados, o cenário moderado é aquele que deve constar na economia como primeira opção no desenvolvimento do produto turístico golfe no Algarve. Por último, face aos aspectos críticos evidenciados no cenário de massificação, defende-se que a existirem desvios na evolução sugerida para 41 campos em 2020, é preferível no domínio dos resultados económicos de âmbito regional que estes desvios de percurso sejam sempre balizados pelo cenário de referência, isto é, o planeamento e desenvolvimento económico do golfe no Algarve deve assumir o número de 41 campos como o limite por excesso e não por defeito.

VIII.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Em face do acima exposto, são apresentadas algumas medidas prospectivas que visam mitigar os problemas identificados e potenciar as oportunidades que foram apresentadas ao longo da apresentação e discussão dos cenários de desenvolvimento da actividade.

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DE NATUREZA ECONÓMICA E SOCIAL Na óptica da procura podem identificar-se claramente três áreas críticas: a saturação dos campos; o binómio preço/qualidade e a diversificação e promoção. A preocupação existente com o preço e com o overbooking dos campos existentes, sugere a necessidade de mais campos, quer para forçar a diminuição do preço, quer para aliviar a sobrecarga dos existentes. As grandes áreas problema percebidas pelos empresários centram-se em três grandes domínios: localização e acessibilidades (estradas); problemas de rentabilização do negócio, (a imobiliária associada e o seu impacto em termos de paisagem) e o design dos campos, dum modo geral os campos de golfe apresentam um layout conivente com campos de alta competição, afastando assim, o turista comum que utiliza o golfe como actividade complementar ao lazer. Os principais obstáculos ao investimento surgem relacionados com a legislação ambiental portuguesa e os planos de ordenamento do território. Nas preocupações dos investidores surgem ainda os sistemas de incentivo, que se encontram desadequados, o elevado período de recuperação do investimento e a estratégia promocional do país e em particular da região. A dinamização da actividade do golfe na região pressupõe: §

Uma maior dinâmica ao nível das infraestruturas de apoio regionais e, em particular, dos transportes internos;

§

Programas de promoção conjunta do Algarve em mercados diversificados, por forma a aligeirar a concentração da quota de mercado nos países habituais;

§

A flexibilização burocrática dos programas de incentivos e dos processos de licenciamento dos campos;

§

A diversificação de mercados para captar novos segmentos que, de alguma forma, aliviem a sazonalidade do golfe e permitam utilizar o campo nas horas e dias de menor saturação;

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§

Manter o binómio qualidade/preço;

§

Rentabilizar o negócio do golfe de per si, o golfe pode sobreviver enquanto negócio sem se ancorar no alojamento.

DE NATUREZA AGRO-AMBIENTAL Para os aspectos relacionados com a gestão agro-ambiental dos campos, sugerem-se as seguintes medidas: §

Utilização de águas superficiais nomeadamente das barragens preferencialmente às águas subterrâneas;

§

Utilização de águas residuais depuradas na rega, como fonte de água e fertilizantes. Nestas condições, os campos de golfe poderiam contribuir para a melhoria das condições ambientais, através de depuração adicional de infiltração-percolação na zona radicular, contribuindo ainda para a produção da biomassa;

§

Utilização de relvas menos exigentes no consumo de água – menos água de rega – menor quantidade de sal adicionada ao solo; Utilização de relvas com potencial capacidade de absorção de iões em solos salinos;

§

Utilização de quantidades mínimas de água de rega para que seja atingida a qualidade necessária – menos água, menos produção, menos energia menos adubos e menos sal;

§

Só será conveniente aumentar as áreas regadas a partir das águas superficiais (incluindo as residuais tratadas) de preferência a águas subterrâneas, nas condições em que o consumo destas não colocar em causa a sua produtividade;

§

Através da rega gota a gota subterrânea poderá haver a poupança de 50 % de água e de 30 % de adubo em relação à convencional rega por aspersão;

§

Aplicação preferencial da fertilização através da fertirrega em alternativa à fertilização convencional;

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Caso se aplique a fertilização convencional, para que não haja contaminação ambiental, aplicação da fertilização distribuída por um mínimo 45 práticas ao longo do ano, sendo os adubos de libertação lenta não inferior a 30 %;

§

Reforço do conhecimento sobre as pragas e patogéneos presentes recorrendo a serviços de diagnóstico adequados;

§

Manutenção de registos de pragas e patogéneos identificados;

§

O emprego de medidas culturais e produtos fitofarmacêuticos homologados adequados ao controlo das espécies de pragas e patogéneos identificados;

§

A solicitação à Direcção Geral de Protecção de Culturas o alargamento do espectro de utilização daquelas substâncias para culturas menores nos termos dos n.ºs 2 e 3 do Art.º 9 do Dec. Lei 94/98.

DE NATUREZA AMBIENTAL (GESTÃO INTEGRADA) Para além das medidas relacionadas com o consumo de água, fertilizantes e fitofármacos acima apresentadas, uma gestão ambiental integrada da actividade do golfe não deve descurar as oportunidades de controlo dos outros consumos e emissões ambientais analisados, tais como: §

A redução dos consumos energéticos verificados, nomeadamente, através da utilização de sistemas de iluminação de baixo consumo energético (Commited to Green Foundation & PGA European Tour and Ryder Cup, 2002), do carregamento dos buggies nas “horas vazias” de consumo, do recurso a outras fontes de energia, nomeadamente a solar (e.g. no carregamento dos buggies) e da manutenção e verificação regular de equipamento e das máquinas, de modo a permitir um consumo energético mais eficiente (Stubbs, 1997);

§

A optimização da gestão dos resíduos e a minimização da sua produção, através da definição de um plano de acção de redução de resíduos na fonte (Commited to Green Foundation & PGA European Tour and Ryder Cup, 2002), da implementação de uma política de reciclagem na gestão do campo (Stubbs, 1997) e de separação de resíduos de embalagem e outros resíduos valorizáveis 155


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de separação de resíduos de embalagem e outros resíduos valorizáveis pelas características dos materiais (USGA, 1996; ECOSSISTEMA, 2001), da manutenção de um registo de todos os resíduos perigosos produzidos (Commited to Green Foundation & PGA European Tour and Ryder Cup, 2002), da criação de áreas de armazenamento de resíduos e respectivo acondicionamento em zonas impermeabilizadas, isoladas e seladas e da compostagem das aparas de relva, que constituem o tipo de resíduos produzido em maior quantidade nos campos de golfe. Através do diagnóstico efectuado, constatou-se que para muitos dos indicadores calculados o valor mínimo corresponde a campos com sistemas ou programas de gestão ambiental implementados. Desta forma, existe ainda um elevado potencial de melhoria para os campos de golfe do Algarve que não aderiram a estes sistemas e programas. Desde que encarados como um ponto de partida para um processo de melhoria contínua, a adesão a estes instrumentos por parte da totalidade dos campos de golfe existentes poderá favorecer a colmatação de diversas áreas-problema identificadas. Sugere-se ainda que os gestores dos campos de golfe procedam à elaboração de relatórios ambientais anuais que permitam a actualização dos indicadores propostos e a sua comunicação ao público e restantes stakeholders. Devem ser igualmente equacionadas medidas que visem a conservação da fauna e da flora, a sensibilização e a educação ambiental e a integração dos aspectos ambientais desde a fase de concepção dos campos (cf. Anexo III - Ambiente). Importa ainda referir que muitas destas medidas vão de encontro às recomendações sugeridas pelos empresários e stakeholders entrevistados. De facto, todas as entidades contactadas consideraram que a existência de boas práticas e medidas ambientais, complementadas com o uso de tecnologias adequadas, garantem a melhoria efectiva do desempenho ambiental dos campos de golfe e mitigam os impactes ambientais negativos resultantes da sua actividade. Foram referidas como medidas prioritárias a gestão dos relvados (em função da maior resistência ao clima), a poupança de água, a utilização de águas residuais, a manutenção do sistema de drenagem superficial dos terrenos, o uso de produtos menos nocivos para o ambiente e a existência de bacias de retenção das águas de drenagem. Foi também mencionado que a integração da componente ambiental na fase

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de projecto, facilitaria a gestão dos campos, assegurando um melhor desempenho ambiental. Finalmente, foi sugerido que deveria haver um envolvimento de todas as entidades competentes no sentido de exercer um acompanhamento e fiscalização eficazes da execução dos trabalhos associados à construção do campo e das infra-estruturas associadas.

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Universidade do Algarve

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Universidade do Algarve

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170


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

ANEXO I Quadro I.1

QUADROS DE APOIO Gasto Médio Diário por Turista em Portugal e no Algarve Motivo Golfe, 2001 Euros

(1)

Portugal

98,76€

Algarve

91,78€

Algarve (golfe)

164,13€

Fonte: DGT, Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico II.1

Quadro I.2

Evolução da Procura (Voltas/Ano) Nº de Voltas

Voltas vendidas

(1)

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

690.461

670.725

828.287

837.853

877.007

904.623

913.090

Fonte: Associação de Golfe, 2003 (1) Gráfico IV.1

Quadro I.3

Preço Médio por Volta no Algarve e nos Destinos Concorrentes, 2002 Euros

(1)

Baleares

55,29€

Canárias

45,86€

Andaluzia

46,12€

Algarve

47,94€

Fonte: Internet, Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico IV.2

Quadro I.4

Índice de Sazonalidade Índice de Sazonalidade

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

(1)

Ago

Set

Out

Nov

Dez

58,62 103,28 150,56 119,29 118,87 86,12 77,26 84,48 104,07 145,72 104,43 47,32 Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico IV.3

171


Universidade do Algarve

Quadro I.5

Evolução Mensal da Procura em 2002 Nº de Voltas

Jan 44 602

Fev

Mar

Abr

Mai

78 588 114 559 90 768

Jun

(1)

Jul

90 452 65 526

Ago

58 788

Set

Out

Nov

Dez

64 278 79 186 110 880 79 459 36 004

Fonte: Associação de Golfe, Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico IV.4

Quadro I.6

Quantidade de Voltas por Zonas Nº de Voltas

(1)

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

Zona Ocidental

218 919

246 876

337 804

334 819

342 597

350 237

358 255

Zona Central

471 542

423 849

490 483

503 034

518 887

534 757

503 822

Zona Oriental Total

690 461

670 725

828 287

837 853

877 007

904 623

51 013 913 090

Fonte: Algarve Golfe, 2003 (1) Gráfico IV.5 ; - Segredo estatístico

Quadro I.7

Distribuição do Número de Campos em Funcionamento por Zonas do Algarve Primeira Hipótese Extrema Número de Campos Equivalentes

(1)

2003

2005

2010

2015

2020

Zona Ocidental

11,5

11,5

11,5

11,5

11,5

Zona Central

11,5

11,5

13,0

13,0

13,0

Zona Oriental

4,5

4,5

4,5

4,5

4,5

Fonte: DRAOT, Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico IV.6

172


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro I.8

Distribuição do Número de Campos em Funcionamento por Zonas do Algarve Segunda Hipótese Extrema Número de Campos Equivalentes

(1)

2003

2005

2010

2015

2020

Zona Ocidental

11,5

11,5

15,5

24,5

38,5

Zona Central

11,5

11,5

15,0

21,0

27,0

Zona Oriental

4,5

4,5

8,5

13,5

22,5

Fonte: DRAOT, Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico IV.7

Quadro I.9

Distribuição do Número de Campos em Funcionamento por Zonas do Algarve Hipótese Intermédia Número de Campos Equivalentes

(1)

2003

2005

2010

2015

2020

Zona Ocidental

11,5

11,5

12,5

14,5

14,5

Zona Central

11,5

11,5

15,0

17,0

18,0

Zona Oriental

4,5

4,5

7,5

8,5

8,5

Fonte: DRAOT, Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico IV.8

Quadro I.10

Evolução da Oferta e da Procura no Cenário de Referência Nº de Voltas

(1)

2003

2005

2010

2015

2020

Procura desejada

824 993

824 993

869 993

869 993

869 993

Procura efectiva

929 375

961 944

1 043 368

1 124 792

1 206 216

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico V.1

Quadro I.11

Distribuição Mensal da Procura em 2020, no Algarve no Cenário de Referência Nº de Voltas

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

74 246 121 436 164 102 115 682 111 568 82 998

Jul

(1)

Ago

75 134 72 215

Set

Out

Nov

Dez

99 823 143 558 105 045 40 408

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico V.2

173


Universidade do Algarve

Quadro I.12

Evolução do Gasto Médio, no Cenário de Referência Euros

(1)

2003

2005

2010

2015

2020

Zona Ocidental

101,2

109,0

137,1

171,3

212,9

Zona Central

138,9

149,6

166,4

208,0

258,5

Zona Oriental

46,2

49,7

62,5

78,2

97,2

108,0

116,3

138,6

173,3

215,4

Algarve

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico V.3

Quadro I.13

Evolução da Oferta e da Procura no Cenário Moderado Nº de Voltas

(1)

2003

2005

2010

2015

2020

Procura desejada

824 993

824 993

1 049 991

1 199 990

1 229 990

Procura efectiva

929 375

962 527

1 050 675

1 146 895

1 251 926

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico V.4

Quadro I.14

Distribuição Mensal da Procura em 2020, no Algarve no Cenário Moderado Nº de voltas

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

(1)

Ago

Set

Out

Nov

Dez

77 059 126 038 170 320 120 066 115 796 86 143 77 982 74 952 103 606 148 998 109 026 41 940 Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico V.5

Quadro I.15

Evolução do Gasto Médio, no Cenário Moderado Euros

(1)

2003

2005

2010

2015

2020

Zona Ocidental

101,2

109,1

113,4

123,7

156,5

Zona Central

138,9

130,8

118,8

132,6

158,5

Zona Oriental

46,2

98,1

113,4

126,6

160,2

108,0

118,7

118,0

130,6

161,3

Algarve

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico V.6

174


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro I.16

Evolução da Oferta e da Procura no Cenário de Massificação Nº de Voltas

(1)

2003

2005

2010

2015

2020

Procura desejada

824 993

824 993

1 169 990

1 769 985

2 639 978

Procura efectiva

929 375

962 527

1 050 675

1 146 895

1 251 926

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico V.7

Quadro I.17

Distribuição Mensal da Procura em 2020, no Algarve no Cenário de Massificação

Distribuição Mensal da Procura em 2020, no Algarve no Cenário de Massificação Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

77 059 126 038 170 320 120 066 115 796 86 143

Ago

Set

Out

Nov

Dez

77 982 74 958 10 3606 148 998 109 026 41 940

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico V.8

Quadro I.19

Evolução do Gasto Médio, no Cenário de Massificação Euros

(1)

2003

2005

2010

2015

2020

Zona Ocidental

101,2

109,1

97,7

73,2

58,9

Zona Central

138,9

130,8

111,3

107,4

105,7

Zona Oriental

46,2

98,1

100,0

79,7

60,5

108,0

116,3

103,8

86,8

73,7

Algarve

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico V.9

175


Universidade do Algarve

Quadro I.20

Estimativas da Oferta, da Procura e do Gasto Médio por Zonas Cenário de Referência 2003

2005

2010

2015

2020

Nº de campos

28

28

29

29

29

Ocidental Central Oriental

12 12 5

12 12 5

12 13 5

12 13 5

12 13 5

Oferta Ocidental Central Oriental

1 512 500 1 512 500 1 595 000 1 595 000 1 595 000 632 500 632 500 247 500

632 500 632 500 247 500

632 500 715 000 247 500

632 500 715 000 247 500

632 500 715 000 247 500

30 000

30 000

30 000

30 000

30 000

Procura desejada

824 993

824 993

869 993

869 993

869 993

Ocidental Central Oriental

344 997 344 997 134 999

344 997 344 997 134 999

344 997 389 997 134 999

344 997 389 997 134 999

344 997 389 997 134 999

Procura efectiva

929 375

961 944 1 043 368 1 124 792 1 206 216

Ocidental Central Oriental

364 315 512 736 52 324

377 082 530 705 54 157

409 000 575 626 58 742

440 919 620 548 63 326

472 837 665 469 67 910

Potencial por campo

33 795

34 388

34 980

34 324

34 294

Ocidental Central Oriental

31 680 44 586 11 628

32 790 46 148 12 035

35 565 44 279 13 054

38 341 47 734 14 072

41 116 51 190 15 091

Gasto Médio Corrigido

108

111

116

118

121

Ocidental Central Oriental

101 142 37

109 153 40

137 171 50

171 213 63

213 265 78

Excesso de Oferta (nº de Voltas)

-104 382

-136 951

-173 376

-254 799

-336 223

Ocidental Central Oriental

-19 318 -167 739 82 675

-32 085 -185 708 80 841

-64 003 -185 630 76 257

-95 921 -230 551 71 673

-127 840 -275 473 67 089

Excesso de Oferta (nº de Jogadores)

-23 196

-30 434

-38 528

-56 622

-74 716

Ocidental Central Oriental

-4 293 -37 275 18 372

-7 130 -41 268 17 965

-14 223 -41 251 16 946

-21 316 -51 234 15 927

-28 409 -61 216 14 909

Ocupação por Campo

176


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro I.20

Estimativas da Oferta, da Procura e do Gasto Médio por Zonas (continuação) Cenário Moderado 2003

2005

2010

2015

2020

Nº de Campos

28

28

35

40

41

Ocidental Central Oriental

12 12 5

12 12 5

13 15 8

15 17 9

15 18 9

Oferta Ocidental Central Oriental Ocupação por Campo

1 512 500 1 512 500 1 925 000 2 200 000 2 255 000 632 500 632 500 247 500

632 500 632 500 247 500

687 500 825 000 412 500

797 500 935 000 467 500

797 500 990 000 467 500

30 000

30 000

30 000

30 000

30 000

Procura Desejada

824 993

824 993 1 049 991 1 199 990 1 229 990

Ocidental Central Oriental

344 997 344 997 134 999

344 997 344 997 134 999

Procura Efectiva

929 375

962 527 1 050 675 1 146 895 1 251 926

Ocidental Central Oriental

364 315 512 736 52 324

377 311 452 388 132 829

367 736 462 297 220 642

401 413 504 634 240 848

438 174 550 848 262 905

Potencial por Campo

33 795

35 001

30 019

28 672

30 535

Ocidental Central Oriental

31 680 44 586 11 628

32 810 39 338 29 517

29 419 30 820 29 419

27 684 29 684 28 335

30 219 30 603 30 930

Gasto Médio Corrigido

108

119

118

131

161

Ocidental Central Oriental

101 142 37

109 131 98

113 119 113

124 133 127

157 158 160

Excesso de Oferta (nº de Voltas)

-104 382

-137 534

-683

53 095

-21 937

Ocidental Central Oriental

-19 318 -167 739 82 675

-32 314 -107 391 2 170

7 261 -12 301 4 356

33 583 5 362 14 150

-3 178 -10 852 -7 907

Excesso de Oferta (nº de Jogadores)

-23 196

-30 563

-152

11 799

-4 875

Ocidental Central Oriental

-4 293 -37 275 18 372

-7 181 -23 865 482

1 613 -2 733 968

7 463 1 192 3 144

-706 -2 412 -1 757

374 997 449 996 224 998

434 996 509 996 254 998

434 996 539 996 254 998

177


Universidade do Algarve

Quadro I.20

Estimativas da Oferta, da Procura e do Gasto Médio por Zonas (continuação) Cenário de Massificação 2003

2005

2010

2015

2020

Nº de campos

28

28

39

59

88

Ocidental Central Oriental

12 12 5

12 12 5

15 16 9

25 21 14

39 27 23

Oferta Ocidental Central Oriental Ocupação por Campo

1 512 500 1 512 500 2 145 000 3 245 000 4 840 000 632 500 632 500 247 500

632 500 632 500 247 500

30 000

30 000

797 500 1 347 500 2 117 500 880 000 1 155 000 1 485 000 467 500 742 500 1 237 500 30 000

30 000

30 000

Procura Desejada

824 993

824 993 1 169 990 1 769 985 2 639 978

Ocidental Central Oriental

344 997 344 997 134 999

344 997 344 997 134 999

Procura Efectiva

929 375

962 527 1 050 675 1 146 895 1 251 926

Ocidental Central Oriental

364 315 512 736 52 324

377 311 452 388 132 829

367 736 462 297 220 642

401 413 504 634 240 848

438 174 550 848 262 905

Potencial por Campo

33 795

35 001

26 940

19 439

14 226

Ocidental Central Oriental

31 680 44 586 11 628

32 810 39 338 29 517

25 361 28 894 25 958

16 384 24 030 17 841

11 381 20 402 11 685

Gasto Médio Corrigido

108

116

104

87

74

Ocidental Central Oriental

101 142 37

109 131 98

98 111 100

73 107 80

59 106 61

Excesso de Oferta (nº de Voltas)

-104 382

-137 534

119 316

Ocidental Central Oriental

-19 318 -167 739 82 675

-32 314 -107 391 2 170

67 260 17 699 34 356

333 581 125 361 164 149

716 816 259 146 412 090

Excesso de Oferta (nº de Jogadores)

-23 196

-30 563

26 515

138 465

308 456

Ocidental Central Oriental

-4 293 -37 275 18 372

-7 181 -23 865 482

14 947 3 933 7 635

74 129 27 858 36 478

159 292 57 588 91 576

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

178

434 996 479 996 254 998

734 994 1 154 990 629 995 809 993 404 997 674 994

623 091 1 388 052


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro I.21

Estrutura do Plano de Exploração Percentagem

(1)

PROVEITOS Greenfees Aluguer Merchandising A&Bebidas Outros

100% 50% 23% 12% 7% 8%

CUSTOS FSE Pessoal Outros Encargos de Estrutura

60% 32% 25% 3%

Amortizações Resultados Antes de Impostos Prov. p/ impostos RESULTADO LÍQUIDO

3% 40% 12% 28%

CASH-FLOW DE EXPLORAÇÃO

43%

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico VI.1

Quadro I.22

Limiar de Rendibilidade e Encerramento para os Diferentes Cenários, 2020 Nº de Voltas Referência

(1)

Moderado

Massificação

Limiar de rendibilidade

17 332

17 609

17 344

Limiar de encerramento

10 398

13 086

14 226

Vendas

41 594

30 535

14 226

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico VI.2

179


Universidade do Algarve

Quadro I.23

Indicadores de Impacte Económico Vertente Gastos, Cenário de Referência

Indicadores

2003

2005

2010

2015

2020

Procura estimada de golfistas (nº de jogadores)

206.528

213.765

231.860

249.954

268.048

Variação necessária de golfistas face à capacidade óptima instalada (30.000 voltas)

-23.194

-30.432

-38.526

-56.620

-74.715

Despesa total dos golfistas no campo de golfe (directa) (1)

86.977.842

96.084.296 122.645.579 155.595.954 196.364.499

Despesa total dos golfistas fora do campo de golfe (indirecta) (1)

255.362.195 282.098.248 360.080.723 456.821.226 576.515.448

Despesa total com origem na estada 342.340.036 378.182.544 482.726.302 612.417.180 772.879.947 de golfe (directa + indirecta) (1) Despesa média por golfista/dia no campo de golfe (1)

44,01

46,97

55,27

65,05

76,55

Despesa média por golfista/dia fora do campo de golfe (1)

129,20

137,90

162,28

190,97

224,74

Despesa média por golfista/dia durante a estada (1)

173,21

184,86

217,55

256,02

301,29

Percentagem da despesa total de golfe face ao PIB atribuído ao turismo (WTTC) [2013]

5,7%

(1)

euros a preços correntes

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

180

11,1%


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro I.24

Indicadores de Impacte Económico Vertente Gastos, Cenário Moderado

Indicadores

2003

2005

2010

2015

2020

Procura estimada de golfistas (nº de jogadores)

206.528

213.895

233.483

254.866

278.206

Variação necessária de golfistas face à capacidade óptima instalada (30.000 voltas)

-23.194

-30.432

1.474

16.713

5.285

Despesa total dos golfistas no campo de golfe (directa) (1)

86.868.393

95.780.024 122.266.598 156.077.696 199.238.592

Despesa total dos golfistas fora do campo de golfe (indirecta) (1)

251.497.007 277.297.513 355.741.458 454.116.728 579.695.751

Despesa total com origem na estada 338.365.400 373.077.537 478.008.056 610.194.425 778.934.343 de golfe (directa + indirecta) (1) Despesa média por golfista/dia no campo de golfe (1)

43,95

46,79

54,72

63,99

74,83

Despesa média por golfista/dia fora do campo de golfe (1)

127,25

135,47

159,21

186,18

217,73

Despesa média por golfista/dia durante a estada (1)

171,20

182,26

213,93

250,18

292,57

Percentagem da despesa total de golfe face ao PIB atribuído ao turismo (WTTC) [2013]

5,7%

(1)

11,1%

euros a preços correntes

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

181


Universidade do Algarve

Quadro I.23 Indicadores de Impacte Económico Vertente Gastos, Cenário de Massificação Indicadores

2003

2005

2010

2015

2020

Procura estimada de golfistas (nº de jogadores)

206.528

213.895

233.483

254.866

278.206

Variação necessária de golfistas face à capacidade óptima instalada (30.000 voltas)

-23.194

-30.432

28.140

143.380

318.619

Despesa total dos golfistas no campo de golfe (directa) (1)

84.847.807

89.250.660 101.283.446 114.938.531 130.434.480

Despesa total dos golfistas fora do campo de golfe (indirecta) (1)

239.762.168 252.203.710 287.412.025 322.383.130 365.846.645

Despesa total com origem na estada 324.609.974 341.454.370 388.695.471 437.321.661 496.281.126 de golfe (directa + indirecta) (1) Despesa média por golfista/dia no campo de golfe (1)

42,93

43,60

45,33

47,12

48,99

Despesa média por golfista/dia fora do campo de golfe (1)

121,31

123,21

128,63

132,17

137,41

Despesa média por golfista/dia durante a estada (1)

164,24

166,81

173,96

179,30

186,40

Percentagem da despesa total de golfe face ao PIB atribuído ao turismo (WTTC) [2013]

5,7%

(1)

7,9%

euros a preços correntes

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

Quadro I.24 Défice de Jogadores por Cenário Nº de Jogadores

(1)

2005

2010

2020

Cenário de Referência

27.384

27.384

27.384

Cenário Moderado

38.526

-1.474

-28.140

Cenário de Massificação

74.715

-5.285

-318.619

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico VI.3

182


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Quadro I.25 Gastos Totais do Golfe (directos e indirectos) por Cenário Milhões de euros (1) 2005

2010

2020

Cenário de Referência

397.314.564

391.746.998

350.201.565

Cenário Moderado

482.726.302

478.008.056

388.695.471

Cenário de Massificação

772.879.947

778.934.343

496.281.126

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico VI.4

Quadro I.26 Despesa Total por Jogador/Dia por Cenário Euros

(1)

(euros)

2005

2010

2020

Cenário de Referência

190,98

188,05

168,11

Cenário Moderado

217,55

213,93

179,30

Cenário de Massificação

301,29

292,57

186,40

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico VI.5

Quadro I.27 Evolução do VAB Gerado pela Actividade do Golfe nos três Cenários Milhões de Euros

(1)

2003

2005

2010

2015

2020

Cenário de Referência

95,0

75,7

92,9

135,8

198,0

Cenário Moderado

94,4

77,4

60,7

67,5

115,6

Cenário de Massificação

94,4

75,2

38,7

-20,9

-94,1

Fonte: Universidade do Algarve, 2003 (1) Gráfico VI.6

183


Universidade do Algarve

184


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

ANEXO II Domínio de Análise

INDICADORES Indicadores

Competitividade Caracterização Empresarial

EconómicoFinanceiros

Designação N.º de campos

Unidade de medida Unidades

Gasto médio por volta

Euros

Preço médio por volta

Euros

Receita média directa ano por campo de golfe

Euros

Custo variável médio por campo de golfe

Euros

Limiar de rendibilidade Gasto médio mínimo Limiar de encerramento TIR (Taxa Interna de Rendibilidade)

nº de voltas Euros nº de voltas %

VAL (Valor Actual Líquido)

Euros

Prazo Médio Recuperação do Investimento

Anos

Rácio Custo Benefício Rendibilidade das vendas

Unidades %

185


Universidade do Algarve

Domínio de Análise EconómicoSocial

Indicadores Efeito económico Gastos

Designação Procura estimada de golfistas (nº de jogadores)

Nº de jogadores

Variação necessária de golfistas face à capacidade óptima instalada

Nº de jogadores

Despesa total dos golfistas no campo de golfe (directa)

Euros

Despesa total dos golfistas fora do campo de golfe (indirecta)

Euros

Despesa total com origem na estada de golfe (directa + indirecta)

Euros

Despesa média por golfista/dia no campo de golfe

Euros

Despesa média por golfista/dia fora do campo de golfe

Euros

Despesa média por golfista/dia durante a estada

Euros

Percentagem da despesa total de golfe face ao PIB atribuído ao turismo (WTTC) [2013]

Euros

Efeitos económicos - Investimento

Investimentos directos

Euros

Investimentos Induzidos

Euros

Efeitos em termos de valor acrescentado

VAB

106 Euros

VAB por agentes

106 Euros

Efeito em termos de Emprego emprego Participação do emprego na região Custo médio empregado/campo/mês

Efeito Social

Efeito no desenvolvimento regional

Nº % Euros

Peso dos campos no VAB da região

%

Coeficiente capital/produto

Taxa Interna Social

%

Coeficiente capital/emprego

Euros

Produtividade Média

Euros

Efeito Distributivo

186

Unidade de medida

Necessidades de alojamento

% Camas

Hotéis


Estudo Sobre o Golfe no Algarve

Domínio de Análise Ambientais e AgroAmbientais

Indicadores Estruturantes

Designação

Unidade de medida

Área ocupada por campos de golfe – Zona Ocidental

%

Área ocupada por campos de golfe – Zona Central

%

Área ocupada por campos de golfe – Zona Oriental

%

Área de campos de golfe situada na classe A do mapa de condicionantes

%

Área de campos de golfe situada na classe B do mapa de condicionantes

%

Área de campos de golfe situada na classe C do mapa de condicionantes

%

Consumo de água superficial para rega dos campos de golfe

m³/ ha

Consumo de água subterrânea para rega dos campos de golfe

m³/ ha

Consumo de água residual tratada para rega dos campos de golfe

m³/ ha

Consumo de água de abastecimento público para rega dos campos de golfe

m³/ ha

Custo da água de origem subterrânea

Euros / m³

Custo da água de origem superficial

Euros / m³

Custo da água de abastecimento público

Euros / m³

Custo da água residual tratada

Euros / m³

187


Universidade do Algarve

Domínio de Análise Ambientais e AgroAmbientais

Indicadores Gestão

Designação Consumo total de água para rega dos campos de golfe

Unidade de medida m³/ ha

Consumo de electricidade

kWh / ha

Consumo de Fitofármacos

kg / ha

Consumo total de Fertilizantes

kg / ha

Consumo de adubos nos Greens/Tees: Azoto (N)

kg / ha

Fósforo (P2O5)

kg / ha

Potássio (K2O)

kg / ha

Consumo de adubos nos Fairways/Roughs: Azoto (N)

kg / ha

Fósforo (P2O5)

kg / ha

Potássio (K2O)

kg / ha

Produção total de resíduos

t / ha

Produção de resíduos verdes

t / ha

Fonte: Universidade do Algarve, 2003

188


Estudo cofinanciado por: INOVAlgarve


Estudo sobre o Golfe no Algarve – Documento de Trabalho