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05/10/2011

2ª Edição * Após transtornos, prefeitura estuda limitar público em eventos gratuitos- p.02 * Liberação de presos gera insegurança - p. 04


01 O TEMPO - p. 6 - 05.10.2011


02 O TEMPO - p. 27 - 05.10.2011

Gargalo

Após transtornos, prefeitura estuda limitar público em eventos gratuitos

JOANA SUAREZ O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, admitiu ontem a falta de espaços públicos na capital para a realização de grandes eventos. Lacerda disse que, até novembro, serão feitas mudanças no processo de licenciamento. Uma das alterações em estudo é a definição e limitação de público. Ainda segundo o prefeito, será criada uma central única com órgãos da prefeitura, do Estado e do Ministério Público para que os promotores dos eventos tenham informações centralizadas na hora de fazerem o licenciamento. Atualmente, o processo é feito nas regionais. As declarações do prefeito vieram um dia depois da repercussão negativa O TEMPO - p. 29 - 05.10.2011

da Red Bull Soapbox, na praça do Papa, no Mangabeiras, na região Centro-Sul. O evento, também conhecido como Corrida Maluca, mostrou o despreparo da cidade para receber eventos de grande porte. Como O TEMPO mostrou, trânsito caótico nas proximidades do evento foi o campeão de reclamações. Reunião. Nesta semana, a regional Centro-Sul vai se reunir com os moradores do bairro para avaliar os problemas da corrida. “Os eventos vêm se multiplicando na cidade. Estamos fazendo um diagnóstico de todos os problemas e ouvindo as propostas apresentadas pelos organizadores e associações de bairros”, explicou Lacerda. (Com Natália Oliveira)

Poços de Caldas

Pai tenta reaver filho entregue para adoção DA REDAÇÃO Um pai briga na Justiça para ter de volta o filho retirado da família na maternidade, em Poços de Caldas, em Minas Gerais. A própria mãe do bebê assinou um documento autorizando a adoção da criança, mas o marido dela alegou que ela estaria sofrendo depressão pós-parto. Agora, o pai luta para revogar o documento assinado pela mulher. O casal já tem sete filhos. A filha caçula nasceu no mês passado. Logo que deu a luz, a mulher decidiu dar a filha para adoção e, ainda na Santa Casa de Poços de Caldas, assinou um termo confirmando o interesse. Mas o marido não concordou e disse que nem sabia que a mulher tinha tomado uma medida tão séria.

Para ele, a depressão influenciou na decisão. Três dias após o nascimento, a criança foi levada para a casa da avó paterna, mas a permanência durou apenas um fim de semana, já que, em seguida, a Justiça tirou a recém-nascida da guarda da família. Segundo a Promotoria da Vara da Infância e da Juventude, um processo foi aberto para apurar o caso. Um inquérito policial vai apontar se houve ou não irregularidades na retirada do bebê da guarda dos pais. Por enquanto, a Justiça ainda não autorizou que a criança volte para a casa da família. A menina vai ficar provisoriamente na casa de uma outra família ou em um abrigo até que a situação seja resolvida.


03 O TEMPO - p. 28 - 05.10.2011

Fraude.Trio comprava material de construção com documentos falsos

Estelionatários que deram golpe até em juiz são presos Grupo tinha acesso a uma espécie de “kit” com identidades e cheques adulterados

JAQUELINE ARAÚJO Foram presos Adilson de Jesus, 35, que se passava por comTrês suspeitos de cometerem estelionato em cidades da região prador, Usiel Vieira Gonçalves, 26, responsável por transportar as metropolitana foram apresentados ontem pela Polícia Civil. Pelo mercadorias compradas, e Mércia Cristina Santos, 33, que empresmenos dez vítimas registraram ocorrência de golpes aplicados pe- tava sua casa para servir de depósito dos produtos comprados. los dois homens e uma mulher. O trio usava cheques e documentos Outras três pessoas já foram identificadas pela polícia e estão falsos para fazer compras em lojas de materiais de construção. De sendo investigadas. Entre elas, está o responsável por vender os acordo com a polícia, os acusados lucraram mais de R$ 300 mil “kits” com identidades e cheques falsificados. “Ele confecciona com as fraudes. os cheques a partir de um banco de dados de juízes e servidores Um juiz de direito que foi vítima do esquema denunciou os públicos em geral”, afirmou Batista. estelionatários. Ele foi procurado por uma loja de revenda de maOs três acusados foram presos no bairro PTB, em Betim, no deiras, localizada no bairro Castelo, na região da Pampulha, por último dia 27. Eles estavam na casa de Mércia, onde foram enconcausa de três cheques de R$ 300, que estavam em seu nome e trados vários materiais de construção. Para capturá-los, a polícia foram devolvidos pelo banco, com a justificativa de que eram frau- seguiu um caminhão que foi carregado em uma loja em Pedro Ledados. Segundo o delegado Islande Batista, o magistrado procurou opoldo, na região metropolitana. a polícia há quase um mês para relatar o golpe. Punidos Com documentos falsos e cheques adulterados, o grupo fazia Detenção. Os dois homens presos foram levados para o Cencompras principalmente em lojas de materiais de construção. De- tro de Remanejamento de Presos (Ceresp) Gameleira. Já a mulher pois, os produtos eram revendidos na região metropolitana. foi encaminhada para o Ceresp Centro-Sul De acordo com a polícia, o trio comprava um “kit” com doPenas. Os três vão responder por estelionato e uso de docucumentos de identidade falsos e dez folhas de cheque por R$ 150. mento falso. A pena por estelionato varia de um a cinco anos de Com os documentos adulterados na mão, os criminosos faziam as detenção e multa. Por uso de documento falso, são de dois a seis compras. anos de prisão. O TEMPO -on line - 05.10.2011 Galoucura

Advogado entra hoje com pedido de liberdade

RICARDO VASCONCELOS das, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Miraglia afirO advogado Dino Miraglia, que defende oito de 11 in- mou que os suspeitos, procurados pela Polícia Civil, podem tegrantes da Galoucura foragidos da Justiça, vai entrar hoje se entregar a qualquer momento. no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com um pedido de Ainda hoje, o advogado vai pedir ao Tribunal de Justiça [/TEXTO_NORMAL]habeas corpus para que seus clientes de Minas a nulidade da prisão preventiva dos envolvidos. respondam em liberdade pelo assassinato do cruzeirense Segundo ele, a lei determina que entre a intimação e a auOtávio Fernandes, 19 diência deve haver um prazo de 48 horas, o que não teria O jovem foi morto em dezembro do ano passado, após sido respeitado. Caso alguma das medidas tenha efeito, os um evento de luta livre com representantes das duas torci- suspeitos terão a prisão revogada. ADIN DIÁRIO DO COMÉRCIO - 25 - 05.10.2011

Discusão sobre CNJ na segunda quizena


04 cont... DIÁRIO DO COMÉRCIO - 25 - 05.10.2011

hoje em dia - P. 21 - MINAS - 05.10.2011

Norte de Minas

Liberação de presos gera insegurança

Nos últimos três meses, 255 dedentos voltaram às ruas de Montes Claros por determinação da Justiça


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Pioneiro.Teste voluntário começa a ser feito em novembro; aparelho será implantado por cirurgia

Policial testa chip que só deixa que dono dispare arma

Equipamento faz leitura de informações da arma;usuário também terá um leitor implantado na mão RAFAEL ROCHA Um teste pioneiro que começa a ser feito no próximo mês em Minas pretende reduzir as ocorrências de acidentes com armas envolvendo, principalmente, crianças e adolescentes. Desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP), o chip que só permite ao dono disparar o armamento será implantado no corpo de um policial civil mineiro. Os testes serão feitos por iniciativa do escrivão Gabriel Vidigal, que aceitou implantar o equipamento criado pelo físico Mário Gazziro, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC) da USP. O aparelho, um pouco maior que um grão de arroz, será implantado a partir de uma pequena cirurgia. Na arma usada pelo policial - uma pistola modelo 889 - será colocado um receptor que recolhe os dados e impede que a trava de segurança seja liberada caso outra pessoa tente fazer os disparos. O equipamento tem o número de identificação e conta ainda com uma bobina e um dispositivo que proporciona a conferência das informações contidas no chip através do sistema de radiofrequência. Esse é o primeiro teste do tipo do Brasil. “É algo tão simples que não sei como ninguém teve essa ideia antes”, brincou o físico, que também implantou um chip na mão, em agosto do ano passado, um mês depois do início da pesquisa. Os testes, feitos com uma arma de brinquedo, garantiram 100% de precisão, de acordo com Gazziro. “A eletrônica usada no projeto é a mesma de sistemas de aviões. É impossível a arma funcionar acionada por alguém que não tenha o chip implantado”. O objetivo do invento, segundo o professor, não é ganhar dinheiro e, sim, reduzir os riscos de que pessoas inabilitadas façam uso de armas. No Brasil, dados do Ministério da Saúde, de 2008, mostraram que acidentes com armas de fogo mataram 36 crianças naquele ano. Outros 271 menores foram hospitalizados pelo mesmo motivo. No último dia 22, um garoto de 10 anos atirou contra a própria cabeça depois de balear uma professora numa escola pública de São Caetano do Sul (SP). A arma usada pelo menino era do pai dele, um guarda civil. A professora sobreviveu. Na pesquisa, o físico Mário Gazziro contou com acompanhamento médico que definiu o local e a maneira corretos de instalar o chip, sem risco de rejeição. O aparelho será colocado logo abaixo do dedo mínimo, com uso de anestesia local. “É um local sem veia e com gorduras. O chip é introduzido por meio de uma injeção. Ele vem esterilizado dentro de uma agulha”. Inspiração A ideia de criar o chip teve como inspiração o filme “Distrito 9”, um roteiro de ficção científica em que armas usadas por alienígenas não funcionavam nas mãos de humano. “Vi o filme com alunos e pedi a eles que tentássemos

fazer o mesmo numa pistola comum, usando tecnologia de identificação por radiofrequência”.

No varejo, kit deverá custar até R$ 250

O objetivo do professor Mário Gazziro é montar kits do experimento e firmar parcerias com a indústria de armamento. “Queremos lançar um site, em fevereiro, para divulgar o projeto, definir o procedimento cirúrgico ideal e lançar a ideia sem patente nem royaltes”. Segundo o pesquisador, no varejo o kit deve atingir o valor máximo de R$ 250. No entanto, o uso do chip ainda é restrito ao ambiente científico. Gazziro conta com apoio do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para a fase posterior de testes oficiais, e também da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para autorizar o implante em seres humanos, o que ainda não é permitido no Brasil. (RRo) Mini entrevista com Mário Gazziro “Meu objetivo é apenas social” Qual a intenção do senhor em desenvolver esse projeto que permite que armas de fogo sejam acionadas apenas por seus donos? Meu objetivo é apenas social: reduzir o número de acidentes com armas envolvendo crianças e adolescentes. Se isso acontecer, meu retorno já está garantido. Como foi possível viabilizar a construção desse chip? Eu já trabalhei no desenvolvimento de chips para animais silvestres. E o uso de chips em humanos é autorizado nos Estados Unidos. Lá, algumas pessoas usam chips para abrir a porta de casa e ligar o computador. O chip será comercializado? Sim, o chip e os componentes necessários ao funcionamento completo do circuito. E qual será o preço médio? Acredito que varie entre R$ 100 e R$ 250. Mas não vou ganhar nada com isso, pois cedi o projeto para domínio público. Publiquei num congresso na Espanha e quero apenas diminuir a violência.(RRo)

Saiba mais

Disparo. No futuro, a invenção também pretende identificar o momento exato do disparo.< Em Minas. Sobre a possibilidade de policiais usarem o chip, a Polícia Civil e a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) informaram que não comentam pesquisas em andamento. O uso do dispositivo em policiais depende de lei. Nos EUA. O uso de chips similares é liberado nos Estados Unidos desde 2004.


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São Thomé das Letras.Militares teriam dado socos, chutes e golpes de cassetete na vítima

Policiais são presos suspeitos de espancar e matar motorista Nilson bebeu e causou confusão em bar; irmão disse que ele tomava remédios controlados CLÁUDIA GIÚZA A Polícia Civil de Três Corações, no Sul de Minas, abriu um inquérito para investigar a morte do motorista Nilson Fonseca, 42, no último domingo. A suspeita é que quatro policiais militares o tenham espancado até a morte. Dois suspeitos, que não tiveram os nomes revelados, foram detidos e estão à disposição da Justiça Militar. Segundo relatos de testemunhas, o crime aconteceu em uma lanchonete no centro de São Thomé das Letras, cidade vizinha a Três Corações, depois de uma confusão. Após beber, o motorista teria quebrado mesas do local. A polícia foi acionada e, diante da resistência do motorista à prisão, eles o teriam espancado. Fonseca teria morrido no local, mas, para despistar as testemunhas, os policiais teriam colocado a vítima em uma viatura. Doença. O irmão da vítima, Pedro Fabrício Fonseca, 32, confirma que Nilson havia bebido e se descontrolou no bar. Mas ele disse que o motorista sofria de transtornos de humor e depressão e fazia uso de medicamentos neurológicos. O consumo de bebida teria “deixado o motorista muito agressivo”. Pedro conta que amigos que estavam na lanchonete disseram que os quatro policiais algemaram e amarraram as pernas do motorista para tentar contê-lo. Ainda segundo as testemunhas, os policiais chutaram Fonseca, deram murros em seu rosto e vários golpes de cassetetes. “O sargento disse que ele o havia ameaçado. Como alguém algemado e amarrado pode ter tentado matar o outro?”, questionou Pedro. Segundo Pedro, Nilson morreu antes de ser socorrido. Os policiais teriam levado o corpo para o hospital da cidade, mas o atendimento foi recusado porque ele estaria morto. Os militares seguiram, então, para Três Corações, a 44 km de São Thomé das Letras. “Meu

irmão já estava morto e eles tiraram o corpo do bar”. Na certidão de óbito, consta que a morte foi provocada por traumatismos craniano e torácico. “Ele tinha cortes e hematomas por todo o corpo. No IML (Instituo Médico Legal), eles disseram que era bem provável que meu irmão foi espancado”, contou Pedro. O laudo do IML sairá no fim do mês. Pedro desconfia ainda de que a reação dos militares pode ter sido provocada por uma vingança, já que, no mesmo dia, ele havia sido preso por quebrar um caixa eletrônico. “Ele brigou com o sargento que estava à noite na lanchonete”. Defesa

Sargento diz que vítima bateu a cabeça no chão

A Polícia Militar de São Thomé das Letras desmente a versão das testemunhas e conta que Nilson reagiu à prisão e teria caído e batido com a cabeça no chão. Segundo a sargento Elizabete Dias Valério, Fonseca teria ameaçado verbalmente algumas pessoas e tentado agredir dois PMs que estavam no local. “Os policiais tentaram apenas conter o homem e precisaram usar de força física para isso”, afirmou a policial. Ainda segundo sargento Elizabete, Fonseca foi encaminhado inconsciente ao pronto-atendimento de São Thomé das Letras, mas morreu enquanto era transferido para o hospital de Três Corações. Segundo a assessoria da PM, os policiais estão presos na 16ª Companhia de Três Corações, por medida de praxe, já que houve uma morte envolvendo militares. “Ainda não há confirmação da causa da morte nem se a responsabilidade foi dos militares. Mas sabemos que a vítima tropeçou e bateu a cabeça durante a confusão”, acrescentou a sargento Elizabete. (CG)

05 Out 2011  

Clipping 2ª Edição Digital

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