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01 estado de minas - 1ª E P. 8 - 25.02.2011

MORADIA

MP investigará auxílio pago a deputados

Promotores de Defesa do Patrimônio Público vão analisar a legalidade do benefício concedido pela Assembleia até a parlamentares que têm casa em BH, conforme denunciou o ESTADO DE MINAS. PÁGINA 8 Legislativo

Auxílio-moradia será investigado

Ministério Público vai analisar a legalidade da verba extra e se ela é aplicável aos parlamentares que têm casa em BH Juliana Cipriani Vítor Xavier (PRP), João Leite (PSDB), ções constitucionais, incluindo a fixaFred Costa (PHS), André Quintão (PT) ção do subsídio único. Vamos fazer uma O auxílio-moradia de R$ 2.250 e Délio Malheiros (PV). Mesmo os que nova interpretação de acordo com essas pago aos deputados estaduais mineiros, renunciam têm pela atual regra a possibi- movimentações”, afirmou. Segundo o independentemente de eles terem ou não lidade de se arrepender e pedir depois os promotor, será analisada a legalidade do residência fixa em Belo Horizonte, será valores retroativos. auxílio-moradia e especificamente se ele alvo de uma investigação do Ministério Os deputados estaduais não preten- é aplicável aos que têm casas em BH. Público de Minas Gerais. A partir das dem, pelo menos por enquanto, rever os O auxílio-moradia, equivalente a matérias feitas pelo Estado de Minas, critérios. A única mudança, segundo o quatro salários mínimos e o salário de que mostraram que pelo menos 25 dos primeiro-secretário da Casa, deputado R$ 20 mil não são os únicos pagamentos 77 parlamentares têm, conforme decla- Dilzon Melo (PTB), será acabar com a dos deputados. Eles também podem enração à Justiça Eleitoral, um ou mais retroatividade do pagamento. Uma das gordar a cifra com até R$ 8 mil em hora imóveis registrados em seus nomes, os alegações para deixar tudo como está é extra, pagos pelo comparecimento nas promotores da área de Defesa do Pa- justamente um termo de ajustamento de oito sessões extraordinárias de plenário trimônio Público vão averiguar se há conduta (TAC) feito com o Ministério permitidas por mês. Há ainda a cota de ilegalidade no pagamento, que era feito Público em 2001, quando o Legislativo R$ 20 mil de verba indenizatória para até de maneira retroativa. acertou todas as parcelas remuneratórias custar o mandato e o auxílio paletó, que Conforme mostrou o EM, resolução dos parlamentares, depois de denúncias lhes dá mais dois salários, um em feveda Assembleia Legislativa prevê para to- do EM segundo as quais eles chegavam reiro e outro em dezembro. dos o pagamento de R$ 2.250 além dos a receber entre R$ 60 mil e R$ 90 mil. Mesmo com todos esses valores, alR$ 20.042,35 de salário, valor já com o De acordo com o promotor Eduardo guns deputados dizem que a ajuda para aumento de 61,8% que tiveram os par- Nepomuceno, o TAC não exclui a pos- custear a moradia é insuficiente para palamentares no início do ano. Não é exi- sibilidade de investigação. “Realmente gar aluguéis em Belo Horizonte. O peegido que o deputado não tenha moradia houve esse TAC, mas ele não vincula a medebista Antônio Júlio e o primeiro-sena capital e só não ganha o adicional atuação da promotoria no sentido de ver cretário da Casa, Dilzon Melo, estão enquem abrir mão formalmente dele – nes- se é legal ou não o pagamento, porque tre os que entendem que a verba deveria ta legislatura foram apenas cinco: João depois dele houve uma série de altera- ter um reajuste por estar defasada. Jorge Gontijo/EM/D.A Press - 9/3/09

“O fato de existir um termo de ajustamento de conduta não exclui a possibilidade de investigação” - Eduardo Nepomuceno, promotor


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03 HOJE EM DIa - p. 21 - 25.02.2011

hoje em dia - P. 21 - 25.02.2011

Museu de Pitangui corre risco de desabar

Tombado pelo Iphan em 1959, casarão do Século XVIII abriga acervo de quase 250 mil peças e documentos Da Sucursal do Centro-Oeste de Minas PITANGUI – Trezentos anos da história e da cultura de Pitangui, cidade considerada berço do Centro-Oeste mineiro, ameaçam se perder no tempo com desgaste do museu histórico do município.O casarão do Século XVIII, onde hoje funciona o museu, já foi sede da Câmara Municipal, cadeia pública e prefeitura, sendo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1959. Porém, a edificação, fechada há 20 anos, corre risco de desabar. O acervo, com quase 250 mil peças e documentos, foi retirado do local. “A negligência de administrações passadas, a falta de investimentos e a ingerência de institutos históricos são os responsáveis pelo descaso em que o Museu de Pitangui se encontra hoje”, afirma o presidente do Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural, Ronan Ivaldo da Silva Souza. Ele diz ainda que, para manter a estrutura do imóvel, foi necessário realizar obras emergenciais.O museu começou a funcionar no fim da década de 1960

e fechou as portas no fim dos anos 1980 por desinteresse e falta de investimentos dos órgãos responsáveis. Depois de fechado, o acervo, com peças de cidades da região, como Divinópolis, Camacho e Conceição do Pará, foi depositado em uma agência do Banco do Brasil. São cerca de 70 imagens sacras e outros 220 mil documentos, com os mais antigos datando de 1714. Além disso, o Museu Histórico de Pitangui guarda o maior acervo do país em documentos do Século XVIII conhecidos como “ações de alma”. Neles, a pessoa assinava um acordo ou uma negociação comercial e colocava a alma como garantia. Ronan Souza explica que o conselho municipal já apresentou um projeto de recuperação do casarão histórico junto ao Iphan, e aguardando aprovação para ser incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas, com orçamento de R$ 900 mil. A previsão é que as reformas comecem ainda neste ano. A restauração completa terá duração de 12 a 15 meses.


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06 Jornal da Manhã - MG - conamp - 25.02.2011

Ministério Público interdita dois estádios O Ministério Público, através do promotor Edson Antenor Lima de Paula, proibiu a realização de jogos com qualquer público em dois estádios que recebem duelos do Campeonato Mineiro Módulo I. São eles: o Estádio Mammoud Abbas, em Governador Valadares, e o José Maria Melo, em Montes Claros. Os estádios proibidos pelo MP não apresentaram os laudos de vistoria e certidão de conformidade do Crea-MG. Por

esse motivo, a partida da quinta rodada pelo Campeonato Mineiro Módulo I, entre Funorte e Caldense, agendada para amanhã, no Estádio José Maria Melo, será realizada de portões fechados. Desta forma, Democrata e Funorte devem mandar seus próximos jogos em Ipatinga, no estádio Ipatingão, apontado pelos dois clubes como segunda opção para mandar seus jogos. Por outro lado, o Estádio Municipal Engenheiro João Guido

(Uberabão), teve sua capacidade liberada para 11.300, pois apresentou em tempo hábil a documentação solicitada. Pelo Módulo II, o Estádio Bernardo Rubinger de Queiroz (Patos de Minas) também teve sua capacidade máxima liberada para 10.000 pessoas. Já os estádios José Flávio de Carvalho (Itaúna), Astrogildo Duarte (Nova Serrana) e Juca Pedro (Formiga) mandam suas partidas com capacidade reduzida pela metade.

REVISTA VOX OBJETIVA - P. 24 A 26 - fEVEREIRO/2011

CARTÃO VERMELHO

Torcedores da Galoucura são acusados de matar um membro da torcida rival, mas o juiz entende que eles podem responder processo em liberdade NEY RUBENS


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09 HOJE EM DIA - p. 19 - 25.02.2011

ESTADO DE MINAS - portal wai - 25.02.2011

MORTE NA CADEIA

Advogado de militar morto diz que cliente estava “tranquilo” na noite de quinta Pedro Ferreira Os advogados do cabo Fábio Oliveira, encontrado morto na manhã desta sexta-feira em uma cela do 1º Batalhão da Polícia Militar, no Bairro Santa Efigênia, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, disseram ter sido pegos de surpresa com a informação. Um dos defensores do militar, Ricardo Guimarães, contou que se encontrou com o cliente na noite de quinta-feira. Segundo o criminalista, o encontro foi em uma sala reservada dentro do batalhão e Fábio parecia “tranquilo”. Guimarães disse ao cliente que já tinha cópias do inquérito e estudaria o material para ver qual medida judicial poderia ser tomada nesta sexta. O cabo teria conversado com familiares por telefone ainda na quinta à noite.” Segundo o tenente-coronel Alberto Luís, Fábio era o comandante de guarnição envolvida nos assassinatos de Renilson Veriano da Silva, que completaria 40 anos nessa segunda-feira, e Jeferson Coelho da Silva, o Jefinho, de 17, no Aglomerado da Serra, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ele e mais três militares estavam presos desde quarta-feira. A movimentação no entorno do batalhão é intensa. Uma equipe do Instituto de Criminalística chegou ao local por volta das 9h20. Também estão no local o delegado Fernando Miranda, que preside as investigações sobre as mortes no aglomerado e o coronel Antônio de Carvalho Pereira, do Comando Especializado da Polícia Militar.


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Laudo indica execução


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14 cont... ESTADO DE MINAS - p. 21 a 23 - 25.02.2011

ENTENDA O CASO


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18 CONT... hoje em dia - P. 18 - 25.02.2011

Advogado de PMs presos pede revogação


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20 o tempo - P. 25 E 26 - 25.02.2011


21 cont...o tempo - P. 25 E 26 - 25.02.2011

ATROCIDADES -

Jason, o “matador” do morro


22 cont...o tempo - P. 25 E 26 - 25.02.2011


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Cadeia tem 149 presos em espaço para 30

Setenta detentos estão sendo transferidos para outras unidades prisionais do Alto Paranaíba Da Redação Sessenta detentos da Cadeia Pública de Monte Carmelo, no Alto Paranaíba, estão sendo transferidos para outras unidades prisionais da região, com o intuito de diminuir a superlotação. Com capacidade para 30 presos, a cadeia abriga cinco vezes mais. Há 149 pessoas no local. A Secretaria Estadual de Defesa Social informou que os detentos estão sendo levados para presídios onde há vagas e que não há o risco de superlotar outras unidades prisionais. A transferência decorre de acordo firmado entre o município, a Polícia Civil e o Estado para evitar a interdição da unidade prisional. O exigência partiu do Ministério Público. Vinte detentos foram transferidos para o presídio de Patrocínio na última quarta-feira (14). A previsão é de que a Secretaria de Defesa Social realoque cinco presos por semana até março, completando 60. De acordo com o juiz Abenias de Oliveira, os detentos julgados e condenados deveriam ser encaminhados para presídios, mas faltam vagas.

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Mortes. Na faixa etĂĄria entre 15 e 24 naos, percentual no Estado sobe para 227,5%


28 CONT... hoje em dia - P. 27 - 25.02.2011


29 estado de minas - P. 25 - 25.02.2011


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Pelo exercício de cargos

MINISTÉRIO PÚBLICO - CNMP quer alterar resolução que proíbe promotores e procuradores de ocupar cargos fora da instituição e de se candidatarem em eleições; meta é manter proibição apenas de atividade político-partidária GIZELLA RODRIGUES OConselho Nacional do Ministério Público (CNMP) vai reiniciar um debate que, em 2006, foi concluído com a proibição para os membros do Ministério Público de se candidatarem a cargos eletivos e de exercer cargos no Executivo. Os conselheiros Claudia Chagas e Cláudio Barros apresentaram propostas ao plenário do CNMP para alterar a Resolução nº5/2006, que proíbe promotores e procuradores de Justiça de ocupar cargos fora da instituição e de se candidatarem. A ideia é permitir o exercício de cargos, mas manter a proibição ao exercício da atividade político partidária. Os dois conselheiros deverão chegar a um entendimento conjunto e apresentar um texto único ao plenário do CNMP, no fim de março ou no começo de abril. De acordo com a Resolução nº 5, os integrantes do MP estão proibidos de exercer qualquer outra função pública, salvo o magistério. A vedação só não atinge quem chegou à instituição antes de 1988. Segundo a resolução, as leis estaduais que autorizam o afastamento de membros do MP para ocuparem cargos, empregos ou funções públicas contrariam expressa disposição constitucional, o que desautoriza sua aplicação, conforme reiteradas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo com a norma, um levantamento da Comissão de Controle Administrativo e Financeiro do CNMP constatou que dez unidades do MP têm hoje membros afastados para ocupar cargos em outras instituições: Os MPs estaduais do Pará, Tocantins, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Maranhão, Ministério Público Militar e Ministério Público do Trabalho estão nesta condição. Os promotores afastados podem ter entrado antes de 1988 e, por isso, a comissão agora vai analisar a legalidade de cada um dos afastamentos. CORRESPONDÊNCIA A comissão enviou correspondência para todos os MPs do País pedindo informações sobre o assunto em 24 de janeiro, com prazo de cinco dias para resposta, a contar da confirmação de recebimento da comunicação. Quatro unidades não responderam ao ofício enviado pela comissão: Amazonas, Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal. Os procuradores-gerais receberão novo ofício, reiterando o pedido das informações, e estarão sujeitos às penas da lei caso não respondam no prazo de cinco dias. Procuradores-gerais de 16 unidades do Ministério Público declararam não ter integrantes afastados para exercício de cargos fora da instituição. Estão nessa situação os MPs do Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e o Ministério Público Federal. Paralelamente ao trabalho da comissão, os dois conselheiros querem mudar a resolução e permitir que os membros do MP exerçam cargos no Executivo. Cláudio Barros pretende autorizar que os membros do Ministério Público assumam outras funções compatíveis com a fi-

nalidade da instituição, vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas. As funções consideradas compatíveis são aquelas relacionadas à promoção da Justiça, dos direitos humanos, da cidadania e da segurança pública, e as referentes à fiscalização e ao controle da gestão administrativa e financeira do Estado, exercidas nas esferas federal e estadual, em cargo de status equivalente ao de membro do MP. Já Cláudia Chagas quer revogar os artigos da resolução, com exceção daquele que veda a atividade político partidária, e permitir que cada MP examine o caso e decida individualmente quem pode e quem não pode se afastar da função para assumir cargo público. “Há fortes argumentos dos dois lados e não acho conveniente que o conselho regulamente uma assunto controverso”, diz. CONSTITUIÇÃO De acordo com a alínea D do inciso II do parágrafo 5º do Artigo 128 da Constituição Federal, “leis complementares da União e dos estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos procuradoresgerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros, a vedação a exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério”. Por outro lado, o inciso IX do Artigo 129 dá entendimento contrário ao estabelecer que é função do MP “exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas”. “São duas interpretações possíveis da Constituição. Esse tema é muito polêmico. Em 2006, quando a resolução foi estabelecida, houve muita discussão e chegou a acontecer empate na contagem dos votos dos conselheiros”, conta Cláudia Chagas. Na opinião dela, o exercício de um cargo no Executivo, como o de secretário de Justiça, é perfeitamente compatível com as atividades do MP. Ela mesmo atuou por quatro anos como secretária nacional de Justiça do Ministério da Justiça. “É muito comum que um promotor de Justiça seja convidado a exercer um cargo relacionado à Justiça no governo, até pela característica do nosso trabalho no MP”, diz. “Quem se afasta do cargo é o membro, a instituição continua trabalhando. Acho que um promotor ou um procurador pode levar uma boa experiência para o Executivo. A visão que ele tem no MP pode contribuir, por exemplo, para a elaboração de políticas públicas bem sucedidas”, afirma. Conamp. A mudança tem o apoio da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), que também defende o exercício da atividade político partidária pelos promotores e procuradores. De acordo com o presidente da entidade, César Mattar Junior, a atividade fim da instituição já é estreitamente ligada a atividades do Poder Executivo, como a manutenção do sistema carcerário e da segurança. Mattar diz que a proibição decidida em 2006 foi “equivocada e deve ser corrigida”. “Precisamos de regras claras e rigorosas. Os cargos a serem exercidos devem guardar identidade com as funções do MP. Um promotor pode ser secretário de Justiça ou de Segurança Pública”, exemplifica.


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Ministério Público apura benefícios de promotores e procuradores Pagamentos de auxílio-moradia, auxílio-transporte, auxílio-alimentação e conversão de férias ou licença-prêmio em pecúnia serão rastreados em todo País

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decidiu instaurar Procedimentos de Controle Administrativo para apurar a legalidade dos pagamentos de auxílio-moradia, auxílio-transporte, auxílio-alimentação e conversão de férias ou licença-prêmio em pecúnia a promotores e procuradores. Serão abertos quatro procedimentos para rastrear casos no Ministério Público em todo o País. A decisão foi tomada por maioria de votos - 11 a 2 - na sessão de quarta-feira, durante a análise de três processos relativos ao pagamento de auxílio-moradia no âmbito do Ministério Público do Rio Grande do Norte. Os conselheiros julgaram improcedentes três pedidos de concessão do auxílio apresentados por dois promotores e um ex-promotor de Justiça do Rio Grande do Norte, que hoje é juiz federal no Ceará. Eles solicitavam pagamento do benefício no valor de 10% da remuneração, com juros e correção, com base no artigo 168 da Lei Orgânica do Ministério Público do Rio Grande do Norte - Lei Complementar Estadual 141/96. Segundo essa norma, têm direito a auxílio-moradia os integrantes do Ministério Público que atuam em comarca onde não haja residência oficial da instituição. Em seu voto, o relator dos três processos, conselheiro Achiles Siquara, lembrou que o auxílio-moradia deve ser pago como verba de caráter indenizatório e transitório. No entanto, caso fosse pago conforme pleiteado, ganharia caráter permanente e remuneratório.Os pedidos foram negados.Denúncia levada ao Conselho Nacional do Minis-

tério Público indica que em pelo menos seis Estados essas gratificações e vantagens se transformaram em um segundo salário. Diante da decisão do Conselho que concluiu pela ilegalidade dos pagamentos para os promotores do Rio Grande do Norte, o conselheiro Almino Afonso observou. “A medida tem que valer para todos os promotores, em todo o País.” Almino Afonso recomendou levantamento em todas as unidades da instituição. A Comissão de Controle Administrativo e Financeiro do Conselho Nacional do Ministério Público vai dar um prazo para que todos os Ministérios Públicos informem sobre pagamentos desses auxílios, quem os recebe, desde quando isso ocorre e os fundamentos. “O Ministério Público tem que fiscalizar os excessos da administração pública, mas precisa fazer o dever de casa”, afirma o conselheiro. Almino Afonso destaca que tais pagamentos só podem ocorrer em situações excepcionais. “Estavam transformando verba de caráter indenizatório, que é transitória, em verba permanente.” Até mesmo em capitais de alguns Estados a vantagem estaria sendo paga, favorecendo inclusive inativos. “É um plus de salário, que brasileiro tem isso?”, questiona o conselheiro Almino Afonso. “É extremamente grave. Cabe ao Conselho impedir essa prática altamente prejudicial ao patrimônio e à moralidade pública.” Para Afonso, “o Ministério Público tem que ser republicano da porta para fora e também da porta para dentro”. “O Ministério Público não pode adotar as mesmas práticas de política partidária que tem provocado tantos escândalos no País”, adverte o conselheiro.

ESTADO DE SP - p. a8 - 25.02.2011

Governo rejeita dar aumento aos juízes federais neste ano

Categoria ameaça entrar em greve, mas Planalto se recusa a conceder reajuste e quer usar caso para criar ‘’exemplo’’ Felipe Recondo - O Estado de S.Paulo A pressão dos juízes federais por aumento salarial pode servir ao governo para dar exemplo às demais categorias de como vai reagir às demandas por reajuste neste momento de cortes de despesas e da aprovação do salário mínimo. A ameaça de greve e a criação de uma possível crise institucional são vistas por integrantes do governo como agressivas e exageradas e o aumento não deve ser concedido agora. Reajustar os rendimentos de todo o Judiciário neste momento seria um desvio nos planos da presidente Dilma Rousseff de promover um ajuste nas contas públicas, dizem integrantes do governo. Além disso, o pedido de reajuste para ministros e servidores do Supremo Tribunal Federal (STF) já havia sido negado pelo governo. Os magistrados abriram três frentes para pressionar o governo. No Congresso, negociam a aprovação do projeto que reajusta em 14,79% o salário dos ministros do STF e, por consequência, aumenta os vencimentos dos demais magistrados. A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) entrou com um processo no STF para obrigar os presidentes da Câmara e do Senado a colocar o projeto do aumento em votação. Autoridade. Ainda no tribunal, o presidente da Ajufe, Gabriel

Wedy, cobrou um posicionamento do presidente do STF, Cezar Peluso, que encaminhou o pedido de reajuste ao Congresso. “Está na hora de o Supremo mostrar a sua autoridade. O Supremo precisa cumprir o seu papel como poder do Estado e fazer essa cobrança”, afirmou Wedy. Na terceira dessas frentes, os juízes conseguiram no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) garantir a ampliação de seus benefícios, como a possibilidade de aumentar seus rendimentos com a venda de 20 dias dos seus dois meses de férias anuais. O governo escalou o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, para negociar uma solução com a categoria. Mas ele também se tornou alvo das pressões dos juízes federais. Contrário à decisão do CNJ que ampliou os benefícios dos juízes, Adams avisou aos magistrados que vai recorrer assim que o acórdão do julgamento for publicado. Ao ser informada sobre o assunto, a Ajufe ameaçou abrir uma crise institucional. “Eventuais embargos de declaração da AGU nos autos do processo administrativo que corre no CNJ, e que concedeu a simetria constitucional aos juízes federais, vão repercutir negativamente na carreira e podem causar uma grave crise institucional”, afirmou Wedy em nota encaminhada aos juízes federais.


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Purificação necessária

A revelação de indícios de mais um lamentável desvio de comportamento policial, que vem se somar à covarde execução de dois moradores do Aglomerado da Serra no sábado, afasta qualquer dúvida que o comando da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) possa ter de que é chegada a hora de uma rigorosa operação de saneamento interno. Reportagem do Estado de Minas revela hoje que, na madrugada do mesmo dia 19, sete policiais militares teriam provocado a morte por espancamento de um homem ainda não identificado. Ele estaria, segundo testemunhas, portando grande quantidade de dinheiro e, perseguido pelos militares, tentou se esconder num motel no Centro, onde foi detido e algemado, como mostram imagens do circuito interno de TV do estabelecimento. Mais tarde, uma viatura da PM levou o desconhecido ao Hospital Galba Veloso (especializado na triagem de casos psiquiátricos), como se tratasse de um doente mental. Com várias escoriações e sem o dinheiro que teria sido visto com ele, o homem faleceu, logo depois, de parada cardiorrespiratória. O major designado pelo comando do 1º Batalhão da PM, ao qual pertencem os sete militares, para presidir o inquérito trabalha com a versão de que o homem era viciado. Ele teria se envolvido numa briga no interior de um ônibus e foi jogado para fora do veículo em movimento. O jornal teve acesso a essas informações poucas horas depois de a Polícia Civil divulgar o laudo de necropsia dos dois mortos no Aglomerado da Serra. O documento conclui que as vítimas, dois trabalhadores conhecidos no morro como pacíficos e não envolvidos com qualquer atividade ilegal, receberam cada um dois tiros de grosso calibre no peito, disparados à queimaroupa. Quatro militares acusados do crime, um sargento e três soldados do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam), foram presos quarta-feira e sete armas usadas por eles serão examinadas. A conclusão da perícia derruba a frágil versão dos militares do Rotam de que os dois mortos no aglomerado teriam participado de ação criminosa como falsos policiais e que, além de armados, estariam com fardas embrulhadas debaixo dos braços. As investigações ainda não foram concluídas, mas parecem indicar que se tratou de mais um caso de

execução por engano, o que fortalece as suspeitas de desvio de comportamento dos militares levantadas por moradores do lugar. E, a esta altura, não há como evitar o temor de que investigações mais aprofundadas também desnudem comportamento reprovável e prática de crimes pelos militares que internaram o homem com sinais de espancamento no hospital psiquiátrico em que faleceu horas depois. Nem é preciso que o comando espere a conclusão dos inquéritos para agir. É sabido que em toda HOJE EM DIA - p. 4 - 25.02.2011

classe ou corporação há os bons e os maus. Também é público o reconhecimento de que na PM mineira os desviados dos ideais de servir com correção a sociedade e proteger com coragem as pessoas de bem não passam de minoria. Mas, como todo mal, também esse compromete e põe em risco a confiança da sociedade. Em nome dessa confiança e em respeito à maioria da tropa, da qual Minas se orgulha, urge enérgica purificação.


25 Fev 2011