Page 1

XIX

86

13/05/2011


01 hoje em dia - 1ÂŞ P. E P. 3 - 13.05.2011

Procuradora admite esquema de fraude no IEF


02 CONT... HOJE EM DIA - p.3 - 13.05.2011

HOJE EM DIA - p.3 - 13.05.2011


03 O TEMPO - p. 3 - 13.05.2011


04 hoje em dia - P. 2 - 13.05.2011


05 estado de minas - P. 9 - 13.05.2011

Visita-surpresa

Ninguém quer o ‘homem-bomba’

Ex-vereador Sérgio Balbino, que denunciou esquema de propina na Câmara, busca partido para se candidatar novamente em 2012 Ezequiel Fagundes lações, o ex-vereador nega ter presenO ex-vereador Sérgio Balbino, ciado qualquer proposta de extorsão que ficou conhecido como o homem- em troca de uma vaga na chapa. “Isso bomba da Câmara Municipal de Belo não existe senão eu contava tudo”, Horizonte, por ter delatado ao Minis- ameaçou. tério Público Estadual (MPE) um esquema de propina envolvendo 10 E contar tudo é com ele mesmo. vereadores para aprovação do proje- Em 2009, ele causou estardalhaço na to de construção do Boulevard Sho- Câmara ao acusar um grupo de 10 pping, conforme revelou há dois anos vereadores que teria recebido propina o Estado de Minas, quer conquistar de R$ 500 mil para votar a favor do outro mandato de vereador em 2012. projeto que liberou a toque de caixa Alegando que está desempregado e a construção do shopping. Na época, com grandes dificuldades financeiras ele prestou três depoimentos ao MPE, desde que foi derrotado na campanha sendo que em um deles entregou uma de 2008, ele fez ontem uma aparição fita contendo as gravações de parte da surpresa na Câmara em busca de es- negociata. Em seu conteúdo, o ex-vepaço num partido político para entrar reador demonstra a compra da votana disputa eleitoral do ano que vem. ção ao registrar a devolução da parte “Ninguém me quer, acho que é por que recebeu – uma propina de R$ 30 causa da minha honestidade e porque mil supostamente distribuída pelos falo a verdade sem medo”, gabou-se, responsáveis pelo empreendimento. em entrevista, depois de ter dado uma “Me infiltrei nesse grupo de vereadovolta pelo plenário para cumprimen- res para comprovar a corrupção. Não tar com apertos de mão e tapas nas concordo com isso, o que me fez decostas os poucos colegas que lhe res- volver os valores”, afirmou à época. tam. Questionado ontem se o episódio Balbino das Ambulâncias con- não havia lhe causado um excessivo tou que já procurou as direções do desgaste político, demonstrou estar PTdoB, PSL, PT, PSDB, PR, PTC, bem mais comedido com as palavras. PHS, mas saiu de todas as reuniões “Isso são águas passadas”, diz. Mescom uma resposta negativa. Recla- mo alardeando que ficou mais pomando que foi jogado para escanteio, bre desde quando entrou na política, ele tentou ontem dar as últimas carta- Balbino não para de se movimentar das sondando o PSB em conversas ao politicamente. Tanto que fundou uma pé do ouvido com o vereador vetera- ONG na área da saúde e convênio no Alexandre Gomes, que atualmente com uma farmácia de um “empreé primeiro vice-presidente da Câma- sário amigo”. “A vida não está fácil ra. “Se não conseguir, vou procurar o para mim. Estou fazendo freela de PSD, do Kassap (sic)”, anunciou. motoboy para pagar o meu aluguel. Gastei tudo com as ambulâncias, não Oficialmente, Balbino ainda está tenho carro, casa, nada. Minha declafiliado ao PTdoB, cujo líder maior é ração de bens já está até pronta para o deputado federal Luis Tibé, que já entregar para a Justiça eleitoral. Teadiantou que não aceita sua candida- nho zero real a declarar”, contou. tura de vereador. Apesar das especu-


06 estado de minas - P. 8 - 13.05.2011

Fora da Lei Ficha Limpa

Duplamente ficha-suja

Além do Tribunal de Justiça, TCU rejeitou as contas do diretor-geral do Ipem, Tadeu José Mendonça, quando prefeito de Três Pontas, e o colocou na lista dos inelegíveis Alessandra Mello gibilidade previstos na Lei da Ficha O líder da maioria, deputado O nome do diretor-geral do Insti- Limpa aprovada pela Assembleia no Gustavo Valadares (DEM), disse ter tuto de Metrologia e Qualidade do Es- ano passado. sido informado pelo governo que o tado de Minas Gerais (Ipem), Tadeu de A condenação do diretor do Ipem caso do ex-prefeito de Três Pontas José Mendonça, faz parte da relação na Justiça e no Tribunal de Contas foi não se enquadra na Lei da Ficha Limdo Tribunal de Contas da União dos causada pela não prestação de contas pa mineira. Ele negou que a retirada gestores públicos inelegíveis porque de um convênio firmado com a Funa- da votação de sua indicação da pauta tiveram suas contas dos últimos anos sa para a reforma do Pronto Socorro tivesse alguma ligação com as denúnrejeitadas por mau uso do dinheiro Municipal durante sua gestão. O advo- cias de que ele teria a ficha suja. da União em convênios de estados e gado de Mendonça, Alexandre Lúcio O autor da proposta da Ficha municípios com entidades federais. da Costa, confirma a condenação pelo Limpa mineira, deputado estadual Mesmo assim, Tadeu de Mendonça, TCU e pelo TJMG, mas informou que Alencar da Silveira Júnior (PDT), disex-prefeito de Três Pontas, no Sul de pretende entrar com uma contestação se que vai exigir o levantamento da Minas, na década de 1990, teve seu na Justiça, pois teria havido apenas ficha de todos os indicados para evitar nome indicado pelo governador An- erro formal na prestação de contas. constrangimentos como a aprovação, tonio Anastasia (PSDB) para ocupar Em 2008, o ex-prefeito recorreu pelos próprios deputados, de nomes a autarquia. da condenação do TCU, mas não ob- de pessoas que tenham impedimenMendonça comanda o Ipem des- teve sucesso. A relação dos inelegí- tos para ocupar cargos de confiança. de a gestão de Aécio Neves (PSDB), veis por contas irregulares foi entre- “Vamos ter de passar um pente fino mas sua manutenção no cargo depen- gue pelo TCU à Justiça Eleitoral em em todas as nomeações que chegam de da aprovação da Assembleia Le- junho do ano passado. Essa lista é pú- na Casa antes de aprovar a indicação gislativa. Ele já foi sabatinado e teve blica e pode ser consultada no site do para evitar erros.” Ele adiantou ainda sua indicação aprovada pela comissão órgão de contas da União. que vai apresentar proposta de projeto especial que analisa todas as designa- ESTRATÉGIA de lei exigindo também que o indicações do governador Anastasia. A voA Lei da Ficha Limpa mineira do para cargos de confiança não tenha tação da indicação de Tadeu de Men- segue a legislação nacional no que diz nome sujo nas instituições financeidonça para o cargo estava na pauta de respeito aos casos de impedimento ras. A aprovação dessa proposta imanteontem. Ontem, no entanto, ela foi para disputar cargos eletivos, esten- pediria, por exemplo, a nomeação do retirada da ordem do dia. dendo essas restrições aos ocupantes ex-deputado Edmar Moreira, que não Desde que a Lei da Ficha Lim- de cargos do primeiro e segundo es- foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa mineira entrou em vigor, o estado calões do governo decretados inelegí- pa mineira, mas tinha débitos de suas já teve de exonerar dois integrantes veis pela Justiça Eleitoral ou que te- empresas de segurança pendentes nomeados para cargos de direção: o nham cometido crimes graves contra com a União e chegou a ter o salário ex-deputado federal Edmar Moreira a vida. O texto da lei mineira não cita de parlamentar retido pela Justiça para (PRB) e o ex-vereador Wellington especificamente a Lei da Ficha Limpa pagamento de dívidas trabalhistas. A lei mineira Magalhães (PMN). aprovada em junho do ano passado A Lei da Ficha Limpa mineira Ontem, o Estado de Minas reve- (Lei Complementar 135/2010). lou que o ex-prefeito foi condenado O secretário da Mesa Diretora da proíbe a nomeação daqueles inelepelo Tribunal de Justiça a devolver Assembleia, José Geraldo do Prado, gíveis em razão de atos ilícitos, nos aos cofres de Três Pontas recursos de disse que essa estratégia foi adotada termos da legislação federal, para carum convênio firmado com a Funda- para evitar a necessidade de mudan- gos de secretário, secretário-adjunto, ção Nacional da Saúde (Funasa) , por ça na Constituição mineira toda vez diretores de autarquias e fundações e causa de irregularidades na aplicação que a legislação sobre inelegibilidade todos os outros cargos de direção do do dinheiro. Ele recorreu ao Supe- sofrer alguma alteração no Congres- primeiro e segundo escalões do gorior Tribunal de Justiça (STJ), mas a so Nacional ou por determinação da verno. É mais abrangente que a lei fecondenação foi mantida pela corte. Justiça. Segundo ele, qualquer pessoa deral, pois engloba todos os casos de Segundo o governo do estado, essa decretada inelegível pela Justiça Elei- inelegibilidade previstos pela legislacondenação não o impede de ocupar toral ou condenada por crimes graves ção nacional não incluídos na Ficha um cargo de confiança, pois não es- contra a vida está sujeita à legislação Limpa sancionada em junho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. taria enquadrada nos casos de inele- mineira.


07 HOJE EM DIA - p. 17 - minas - 13.05.2011

Justiça encarcera 688 mulheres por tráfico

Número aumenta 17% de 2009 para 2010; maioria assume “negócio” após prisão ou morte do parceiro criminoso Celso Martins - Repórter O número de mulheres presas envolvidas com o tráfico de drogas em Minas Gerais aumentou 17% no ano passado em relação a 2009. No país, o crescimento foi de apenas 3,8%. Até dezembro de 2010, elas totalizavam 688 nas cadeias e penitenciárias do Estado, contra 588 no período anterior. Os dados são do Ministério da Justiça, que semestralmente divulga o perfil da população carcerária brasileira. Dos 46.293 detentos de Minas, 2.901 são do sexo feminino. A quantidade de homens encarcerados no Estado por venda de entorpecentes aumentou 11,9% em 2010, enquanto em território nacional subiu 4,2%. Especialistas na área criminal ouvidos pelo Hoje Em Dia revelam que as prisões são cada vez mais frequentes em função das metas definidas pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) para as polícias Civil e Militar. Envolvidos em homicídios em Minas são 3.537, quase 8% a mais em relação a dezembro de 2009, quando o número era de 3.292. Suspeitos de estupro somavam 713 até o fim de 2010, contra 678 do período anterior. Segundo o Ministério da Justiça, Minas Gerais tem 34 estrangeiros atrás das grades, a maioria por tráfico de drogas. O levantamento mostra que a quantidade total de detentos diminuiu, na comparação entre 2009 e 2010, 6,1%. A queda é justificada pelo mutirão carcerário do Conselho Nacional de Justiça realizado no ano passado, quando 5 mil presidiários foram soltos. Depois de livrar a cara dos maridos, o abandono “Com o aumento das prisões e assassinatos dos traficantes, as mulheres assumem a venda de drogas para sustentar os filhos”, analisa o advogado Enir Lemos, especialista na área criminal. Segundo o bacharel em Direito, há casos em Minas – principalmente em Contagem, onde ele atua – de esposas que afirmam ser donas dos entorpecentes para livrar o marido de ir para trás das grades. “O mais grave é que 90% delas acabam abandonadas nas cadeias”, diz. Outra constatação do Ministério da Justiça é que 48% dos presos que estão nas penitenciárias mineiras são provisórios. “É preciso aumentar o número de juízes para agilizar o julgamento dos processos. Muitos dos homens e mulheres que estão na cadeia poderiam ser inocentados”, analisa Enir Lemos. A quantidade de detentos em unidades da Polícia Civil de Minas Gerais caiu de 11.113, em 2009, para 8.978, em junho de 2010. De acordo com o balanço, 80% da população carcerária no Estado cumpre pena em cidades do interior. Droga: causa de 51% das prisões em BH Na Penitenciária Estêvão Pinto, no Bairro Horto, Região Leste de Belo Horizonte, 51,9% das mulheres estão presas por tráfico de drogas. A unidade

tem 339 detentas, sendo 176 envolvidas com a venda de entorpecentes. A doméstica Edna Aparecida de Freitas, 48 anos, é uma delas. Depois de cumprir pena de seis anos pelo crime, Edna foi solta em março do ano passado. Mas após uma semana em casa, recebeu um ofício da Justiça informando que teria que retornar à prisão – onde está, agora, há um ano. “Eu poderia não ter voltado para a pe-

nitenciária. Mas achei melhor terminar a minha sentença, mais 5 anos. Devido ao bom comportamento, tenho o direito de trabalhar de dia. À noite, volto para a cela”, conta. Se dizendo arrependida, a doméstica revela que traficava para ajudar no sustento da família. “Na prisão, aconselho minhas colegas a nunca mais se envolverem com a droga, o maior mal da humanidade”.


08 CONT... HOJE EM DIA - p. 17 - minas - 13.05.2011


09 ESTADO DE MINAS - p. 23 - 13.05.2011


10 O tempo - P. 24 - 13.05.2011

Depósito.Condenados que trabalham terão conta no Banco do Brasil

Cartão vai diminuir dinheiro em prisões

MAGALI SIMONE Pelo menos 1.500 condenados que trabalham enquanto cumprem pena em regime fechado ou semiaberto em Minas vão ganhar, a partir de julho, um cartão magnético do Banco do Brasil. O cartão vai permitir o depósito em conta dos R$ 520 que os detentos recebem mensalmente pelos serviços prestados enquanto cumprem pena. O secretário de Estado de Defesa Social, Lafayette Andrada, afirmou que o cartão Trabalhando a Cidadania vai ajudar a reduzir a circulação de dinheiro dentro do sistema prisional. “Esse é um dos principais objetivos do programa: acabar com a circulação de dinheiro que, muitas vezes, não é bem usado. Atualmente, os pagamentos aos presos que trabalham são creditados em uma HOJE EM DIA - p. 19 - minas - 13.05.2011

única conta e distribuídos por servidores. Com o novo método, o pagamento será creditado na conta de todos que trabalharem”, explicou. Ainda conforme Lafayette Andrada, os detentos do sistema semiaberto poderão fazer as retiradas que desejarem. Já quem está em regime fechado passará para um familiar o cartão e a senha para que possam ser feitos saques ou compras por débito. Até 2014, todos os presidiários que trabalham deverão ter o cartão. Condenado por homicídio, Claudinei dos Santos Teófilo, 30, cumpre pena em regime semiaberto e trabalha na confecção de blocos de papel. Ele recebeu do governador Antonio Anastasia o primeiro cartão. “Tive um passado triste. Hoje, meu presente é cheio de sonhos”, comemorou.


11 MINAS GERAIS - on line - 13.05.2011

Pará de Minas cria conselho

Foi criado, em 26 de abril, o Conselho da Comunidade da comarca de Pará de Minas. A criação do conselho, que atende determinação da Lei de Execução Penal e recomendação da Corregedoria-Geral de Justiça, tem como objetivo promover políticas criminais inovadoras e intermediar o relacionamento entre a população, pessoas que estão cumprindo penas, egressos (pessoas que acabaram de deixar o sistema prisional) e a Vara de Execuções Criminais da comarca. Na abertura, o juiz da Vara de Execuções Criminais de Pará de Minas, Carlos Donizetti Ferreira da Silva, ministrou palestra sobre a importância e as atividades do Conselho da Comunidade. De acordo com o magistrado, o órgão atua como representante da sociedade. “Sua missão é fiscalizar a correta aplicação das normas de execução penal, seja em relação ao presídio seja em relação ao efetivo cumprimento das penas impostas aos sentenciados”, esclarece. Segundo o promotor de Justiça André Luiz Machado Arantes, o conselho será de suma importância para o Ministério Público, no que se refere às necessidades dos condenados. O promotor afirma que, muitas vezes, o Ministério Público não consegue acompanhar de forma individual a situação de cada condenado como deveria, devido hoje em dia - P. 21 - 13.05.2011

ao grande volume de processos ou à repetida demanda nos autos de execução. “Com a criação do conselho, essa situação poderá ser mais bem acompanhada”, diz. Diretoria Durante o encontro, também foi eleita a primeira diretoria e o conselho fiscal e foi aprovado o estatuto da entidade. A presidência ficou a cargo do advogado Antônio Carlos Lucas, representando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Pará de Minas), e a vice-presidência coube a Maurício França, representante da Faculdade de Pará de Minas (Fapam). A diretoria é composta, ainda, por representantes da Prefeitura e da Defensoria Pública de Pará de Minas, da Associação Empresarial de Pará de Minas (Ascipam), do Conselho de Ética Pública de Minas Gerais (Consep), da Penitenciária Pio Canedo, do Rotary Clube Pará de Minas e Bariri, da Pastoral Carcerária e da Loja Maçônica. Antônio Carlos Lucas garantiu que o conselho vai atuar de forma a promover melhor adaptação do preso à comunidade. “Essa reinserção nos dias de hoje é muito complicada, pois, muitas vezes, o ex-presidiário encontra enorme dificuldade para conseguir emprego com carteira assinada, além de enfrentar rejeição de grande parte da sociedade”, afirma.

VALE DO AÇO

Assembleia apura assédio a PMs


12 ESTADO DE MINAS - p. 12 - 13.05.2011

ESTUDO

Agressão mata mais negros

Enquanto homens brancos jovens são vítimas mais frequentes de acidentes de trânsito (35,3%), metade dos da raça negra com idade entre 15 e 29 anos costumam ser mortos em homicídios

Débora Álvares Brasília – No dia em que a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, apresentou em São Paulo a campanha Igualdade Racial é Pra Valer, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou dados preocupantes no levantamento Dinâmica Demográfica da População Negra Brasileira. Segundo o estudo, apesar de representarem a maior parte dos brasileiros – o último Censo Demográfico apontou que 97 milhões de pessoas se autodeclararam negras, contra 91 milhões, que se disseram brancas – os negros, especialmente os homens, ainda sofrem com desigualdades. Quase 10% dos homens negros mortos por ano têm idades entre 15 e 29 anos, número que não chega a 4% entre os jovens brancos. Causas externas como agressões (homicídios, espancamentos, etc), acidentes de trânsito, afogamentos, suicídios e quedas ficaram em segundo lugar na lista dos principais motivos de mortes entre a população negra e representam 24,3% do total, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares. Entre os brancos, as causas externas (14,1%) aparecem apenas em terceiro lugar das principais formas de óbitos, atrás de enfermidades do aparelho circulatório (28%) e neoplasias (17,3%). Ao analisar separadamente as causas externas, os números do Ipea apontaram as agressões como o motivo que mais matou negros no país (48%), seguida por acidente de trânsito (24%). A análise dos óbitos de homens brancos pela mesma causa mostra uma realidade inversa: acidentes de trânsito (35,3%) matam mais que agressões (31%). Para o secretário Executivo da Secretaria de Promoção à Igualdade Social, Mário Lisboa Theodoro, que participou do lançamento do estudo, a quantidade mais elevada de homicídios entre negros se explica pela maior exposição à violência, derivada do preconceito e da discriminação. “O Brasil ainda vive com racismo. São estatísticas com dimensões de um quase extermínio”. Para o também professor de Serviço Social da Universidade de Brasília (UnB), os números do

Ipea revelam o desafio do governo em desenvolver políticas públicas mais eficientes entre os negros. “Se a população negra aumentar e esse tratamento destinado a ela for mantido, teremos ainda maior desigualdade. O estado terá que focar cada vez mais nessas pessoas para evitar um abismo social”, avaliou o pesquisador. Alberto Júnior José Martins, de 24 anos, integra as estatísticas e ajuda a fortalecer a tese de vulnerabilidade da população negra. O atraso ao voltar para casa depois de buscar a irmã no colégio foi o estopim para as diversas agressões sofridas por ele e pela família. O jovem, que nunca acreditou nas ameaças de morte desferidas pelo pai, embora fosse vítima de agressões verbais e físicas, assim como a mãe e os dois irmãos – uma de 17 anos, outro de 20 –, acabou sendo vítima da fúria que tomava conta do progenitor quando algo o tirava do sério. A mãe do rapaz, Elízia José Martins, de 49, mesmo dois meses depois da morte do filho ainda não sabe explicar o que pode ter motivado o marido a cumprir o que dizia. “Ele sempre nos ameaçava, mas pensávamos que era só para nos fazer medo, para impor respeito”. O rapaz, atingido com um golpe de faca de cozinha no abdômen, abaixo do umbigo, chegou a caminhar para fora de casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no colo da irmã, que acompanhou tudo. “Às vezes, fico pensando que poderia ter evitado. Falei com o pai dele por telefone antes e ele já estava muito alterado. Não devia ter deixado meu filho entrar lá sozinho”, desabafou Elízia. NASCIMENTOS O Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), trouxe uma novidade não vista desde o primeiro levantamento realizado, em 1872: o número de negros ultrapassou o de brancos no país – 97 milhões de pessoas se autodeclararam negras, contra 91 milhões, que se disseram brancas. Para o Ipea, o principal fator para isso é a maior fecundidade entre as mulheres negras, na comparação com as brancas. “Observando a pirâmide etária, notamos que a negras são responsáveis por praticamente todos os nascimentos no país”, destacou a técnica

em pesquisas do Ipea, Ana Amélia Camarano, responsável pela pesquisa. Embora sigam a tendência de diminuição da quantidade de filhos, a taxa de fecundidade total – filhos por mulher ao final da vida reprodutiva – da população negra permanece superior à branca. Enquanto entre as negras esse número fique na média de 2,1 filhos por mulher, entre a brancas é de 1,6. Em 1999, essa média era de 2,7 entre as negras e 2,2, entre as brancas.Além da fecundidade da população negra, a maior porcentagem de negros na população brasileira se deve a uma realidade social, de conscientização para a autoafirmação dos pretos e pardos. “Houve um trabalho muito intenso, desde os anos 70, para que as pessoas se auto assumissem negras e as pessoas, com o tempo, passaram a não ter mais vergonha disso”, ressaltou Ana Amélia.

Números que machucam

Os dados da pesquisa divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foram sentidos na pele por duas famílias mineiras. O sofrimento com a perda não aparece nas estatísticas, mas acompanha o dia-a-dia dos parentes próximos, que ainda buscam explicações para a morte dos jovens. Um homicídio que até hoje não foi totalmente explicado e um acidente por causa de imprudência e excesso de velocidade mudaram a vida dos pais de Jeferson e Lucas. Seu Petríneo Veriano da Silva, de 71 anos, ainda não se esqueceu dos detalhes na cena do crime, quando encontrou o corpo do filho e do neto estendidos na rua. Depois de dois meses da morte de Renilson Veriando da Silva, de 40, e Jefferson Coelho da Silva, de 17, familiares e vizinhos sentem diariamente a falta da dupla. “Não esqueço das pessoas mais próximas tentando acordar meu filho, sem entender o que tinha acontecido. Lembro também das marcas de tiro, duas na barriga do meu Renilson e um bem nas costas do meu neto. São detalhes que ninguém gosta de lembrar, mas não dá para esquecer facilmente não. Estragou a nossa vida de forma brutal”, lamenta seu Petríneo.

Na madrugada de 20 de fevereiro, Jeferson e seu tio, Renilson, voltavam de uma festa quando foram assassinados a tiros por policiais militares, no Aglomerado da Serra, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O caso ganhou repercussão depois de provado que a versão apresentada pelo policiais militares que participaram da ação – de que a dupla foi morta em uma troca de tiros – era inventada. “Vi o Jeferson crescendo e ele nunca se envolveu com qualquer tipo de confusão. O Renilson também era trabalhador e responsável, a morte deles foi uma grande decepção para todos os moradores do bairro. Até hoje, meus filhos, que eram como irmãos, sentem a falta do garoto”, diz Waltecir Barbosa Miranda, vizinho de Jeferson e Renilson. ACIDENTE Lucas Emanuel, de 16, voltava com a família das férias e se apresentaria na semana seguinte para iniciar a preparação para um torneio internacional, nas categorias de base do América. A expectativa para a viagem internacional pelo clube e o sonho de se tornar jogador de futebol profissional acabaram no fim do ano passado, quando ele morreu em um acidente na BR-040, na altura do município de Nova Lima, sentido Belo Horizonte/Rio de Janeiro. Lutando para superar a ausência do filho, Luiz Carlos Pereira prefere lembrar das conquistas que Lucas teve na infância e do exemplo como jovem alegre e cheio de sonhos. “Como pai, ainda é muito difícil entender porque tamanha tragédia aconteceu na nossa família. Tudo o que vivemos fica marcado, não é fácil vencer a saudade”, afirma. Luiz lamenta também o grande número de vítimas do trânsito e acredita que uma mudança é possível, mas deve partir dos próprios motoristas. “Hoje, as pessoas têm muita dificuldade para entender até onde vão seus direitos, por isso acabam desrespeitando os outros sem pensar nas consequências. A correria para chegar na hora, o egoísmo de sempre querer levar vantagem em cima do outro podem destruir a vida de famílias inteiras e isso não pode ser recuperado. Acho que ainda teremos muitas perdas com o trânsito, infelizmente”, pondera.


13 cont... ESTADO DE MINAS - p.13 - 13.05.2011


14 ESTADO DE MINAS - p. 22 - 13.05.2011

NOVO ENTORPECENTE

Polícia Civil acredita que droga, resultado da mistura de rejeitos do refino de cocaína com substância como água de bateria e querosene, já esteja sendo vendida na capital

BH enfrenta fantasma do óxi

Clica Brasília - DF - conamp - 13.05.2011

DF tem 640 casos de homicídio não solucionados

Uma pesquisa feita pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) mostra que, desde 31 de dezembro de 2007, o Distrito Federal tem 640 inquéritos de homicídio sem conclusão. O valor consta na ferramenta lançada nesta semana conhecida como “Inqueritômetro”, que contém dados de todos inquérito que não foram resolvidos.

A ferramenta também mostra o andamento da meta que pretende concluir todos os inquéritos relacionados a homicídios determinadas até 31 de dezembro de 2007 que continuam em aberto. A meta no DF é que todos os inquéritos de homicídios no DF sejam solucionados até o dia 1º de julho deste ano. Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br


15 ESTADO DE MINAS - 1ª P. E 21 - 13.05.2011

POLÍCIA INVESTIGA ESQUEMA DE DESVIO DE LACRES NO DETRAN

A fraude foi descoberta quando um motorista que comprou a peça de um despachante procurou o próprio Detran para ajudá-lo na instalação. O lacre na placa traseira legaliza e identifica o veículo. E era vendido para evitar que carros em situação irregular (clonados ou modificados) passassem pela vistoria obrigatória no emplacamneto. Um delegado da Corregedoria da Polícia Civil ficou dois anos investigando o serviço. Policiais suspeitos de envolvimento e servidores terceirizados foram afastados. PÁGINA 21


16 cont... ESTADO DE MINAS - p. 21 - 13.05.2011


17 O GLOBO - P. 25 - 13.05.2011


18 O Tempo - MG - CONAMP - 13.05.2011

MPF recomenda que UFOP elabore projeto de acessibilidade a deficientes nos prédios da instituição O Ministério Público Federal (MPF) fez recomendação para que a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) elabore um projeto em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico a Artístico Nacional (Iphan) para garantir acesso às unidades de ensino às pessoas portadores de deficiência. Conforme o MPF, uma ação pública tramita desde 2004 na Justiça Federal para obrigar a UFOP a garantir acessibilidade nos prédios da instituição. Os alunos pedem na ação prioridade para

o globo - p. 27 - 13.05.2011

os quatro prédios mais frequentados por eles. No último dia 2 de março, o juiz da 18ª Vara Federal de Belo Horizonte fixou prazo de 90 dias para que a universidade apresente, após discussão com alunos e professores, um projeto de acessibilidade para as instalações físicas. O fato de parte dos imóveis ocupados pela UFOP terem sido tombados pelo patrimônio histórico tornou-se um complicador, tendo em vista as reformas ficam sujeitas a uma série de restrições. HOJE EM DIA - p. 3 esportes 13.05.2011


19 O Globo - RJ - p. 6 - 13.05.2011

Crimes sem solução comprometem segurança

A impunidade só faz aumentar o estímulo à bandidagem Aconstatação de que municípios. Mesmo nos inquéritos. dos 50 mil homicídios estados onde os prograA estas, apontam esregistrados por ano nas mas de segurança têm pecialistas em segurança delegacias brasileiras contribuído para melho- pública, se juntam quesapenas 8% são elucida- rar o perfil da segurança tões pontuais, como alta dos é grave contencioso pública, como Rio de rotatividade de policiais espetado pelas polícias Janeiro e São Paulo, a entre as delegacias, e de estaduais na conta da se- rubrica de assassinatos princípio, caso da opção gurança pública do país. sem autores conhecidos pela investigação com Segundo levantamento vai mal. base em depoimentos divulgado esta semana No Rio, o governo de testemunhas, método pelo Conselho Nacional criou ano passado uma defasado que se baseia do Ministério Público Divisão de Homicídios na confissão em lugar da (CNMP), somente os as- para ajudar a esclarecer busca de provas técnisassinatos não resolvidos esse tipo de crime, e os cas. até dezembro de 2007 números até melhoraA demanda é preochegam a quase 160 mil. ram: antes da criação cupante, pois comproEsse quadro ajuda a da DH, o percentual de mete quaisquer políticas explicar por que são al- assassinatos elucidados de segurança. tos os indicadores nacio- variava de 3% a 8%, seNão por outra razão nais de violência. gundo dados do Tribunal o CNMP criou, em parCaso, por exemplo, de Justiça e do MP. ceria com o Ministério da taxa de mortalidade Hoje, os casos re- da Justiça, um programa por homicídio, que beira solvidos chegam a 30%. para tentar concluir até o 30 óbitos por cem mil ha- Mas ainda assim a situ- fim do ano os quase 160 bitantes (a Organização ação está longe do ideal, mil inquéritos abertos até Mundial de Saúde consi- pois, de acordo com o dezembro de 2007. dera aceitáveis relações CNMP, o estado regisTambém o governo até a faixa de 10/100 mil, tra o maior crescimento fluminense, ao criar a e trata o problema como no país (de 8 mil para 60 DH, anunciou um esforepidêmico nos países mil) de homicídios não ço para evitar que o bolo com taxas superiores a solucionados até dezem- de processos abertos e este patamar). bro de 2007. não concluídos ao menos A sensação de imExistem razões que pare de crescer. punidade implícita no explicam a tibieza poliSão iniciativas signiacúmulo de assassinatos cial nos processos, co- ficativas. Mas a elas desem conclusão é óbvio mum à maioria das cor- vem se adicionar outras, estímulo a assassinos. porações do país. Entre de caráter permanente, Há casos extremos elas, o sucateamento das que visem a acabar com nessa realidade de crimes delegacias, o desapare- a leniente opção por insem castigo. Em Alagoas lhamento das polícias quéritos anêmicos. Não o índice de solução de técnicas, essenciais para há programa de seguranhomicídios não chega a a obtenção de provas, o ça pública, por melhor 2%. déficit de investigadores, que seja, que sobreviva Em Goiás, os orga- a burocracia e a falta de à não elucidação de crinismos policiais dispõem integração entre dele- mes, com o devido ende apenas 150 papilosco- gados, promotores e a carceramento dos condepistas para atender 246 Justiça no andamento de nados pela Justiça.

13 Maio 2011  

Clippping Digital

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you