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03/02/2011


01 o globo - p. 12 - 03.02.2011


02 o tempo - 1 ÂŞ p. - 03.02.2011


03 O TEMPO - p. 5 - 03.02.2011


04 cont.... O TEMPO - p. 5 - 03.02.2011


05 HOJE EM DIA - p. 25 - 03.02.2011

Compra de monografia via Internet é rotina em Minas

Mesmo configurando crime, as fraudes e plágios em trabalhos acadêmicos quase nunca viram processos judiciais

Carolina Coutinho - Repórter Monografias vendidas em até 18 vezes no cartão de crédito. Seja por falta de tempo, interesse, capacidade ou por pura malandragem e falta de caráter, cada dia mais universitários recorrem à compra do trabalho para concluir o curso de graduação. Educadores afirmam que esse tipo de fraude se tornou comum nas salas de aula das instituições de Ensino Superior de Minas Gerais. E que essa tática criminosa é posta em prática por aqueles alunos que precisam do diploma, mas que não querem se esforçar para conquistá-lo. A principal fonte dos trabalhos prontos é a Internet, onde há milhares de sites que oferecem o produto, como o conhecido zemoleza.com.br. Mesmo configurando crime de falsidade ideológica e ou violação de direito autoral, as fraudes e plágios em trabalhos acadêmicos quase nunca viram processos judiciais. A maioria das instituições de Ensino Superior prefere resolver o problema internamente, com advertência, reprovação e até mesmo a expulsão do aluno infrator. O advogado e professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Manoel Galdino da Paixão Júnior, disse que esses crimes só não vão parar na esfera judicial porque não interessa à faculdade divulgar esse tipo de conduta. “Ter alunos imorais e criminosos matriculados em sua instituição denigre a imagem da faculdade. É por isso que elas não denunciam os fraudadores”. A vice-reitora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), Patrícia Bernardes, disse que cabe à universidade aplicar as punições. “Damos zero no trabalho, reprovamos o infrator e até o expulsamos da instituição, dependendo da gravidade da fraude. Nossas sanções são acadêmicas”. Patrícia Bernardes confirma o aumento da incidência de casos dessa natureza e afirma que ter o diploma nas mãos é o que mais importa para os alunos que adotam essa postura. “Infelizmente, as fraudes têm se tornado frequentes no meio acadêmico. Eles só querem saber do diploma”.A linha de atuação é a mesma na UFMG, segundo o pró-reitor adjunto de graduação, André Cabral. “Em caso de fraude, a banca examinadora pode reprovar o estudante. E se for plágio a gente pode abrir sindicância. Se o plágio for confirmado, é aberto um processo administrativo disciplinar. É dado amplo direito de defesa ao aluno, mas ele fica sem poder colar grau durante o processo”. Professora e coordenadora do Centro Universitário UNA, Patrícia de Alvarenga, disse que já descobriu plágios e compras de trabalhos por seus alunos. “Uma vez, descobri que dois alunos de turmas diferentes compraram um trabalho do mesmo fornecedor. Os textos estavam praticamente idênticos. Dei nota zero nos dois trabalhos”, contou. O problema não é específico de Minas e não se restringe às vendas pela Internet. Em outras cidades do país, como Brasília (DF), a cara de pau desses vendedores é tão grande que faixas com anúncio do serviço podem ser encontradas instaladas ao ar livre nas ruas. Nelas, pode-se ler “Monografia – verificamos plágio”, “Monografia – consultoria” ou ainda “Auxílio monográfico”, com os telefones de contato.

MEC , Ministério Público e universidades lavam as mãos

O Ministério da Educação (MEC) se exime de qualquer responsabilidade no sentido de coibir a fraude da compra de monografias. A única orientação da Secretaria de Educação Superior do MEC às universidades, segundo a assessora de Imprensa do

órgão, Rúbia Baptista, é que elas procurem a polícia para resolver o caso. “As universidades são autônomas e o MEC não pode intervir. Isso é caso de polícia e as universidades devem decidir qual o melhor procedimento aplicar”, disse Rúbia Baptista por telefone. Com a mesma posição passiva diante do problema, o Ministério Público do Estado de Minas Gerais explicou, via assessoria de Comunicação, que as denúncias contra os sites que vendem as monografias não são da esfera pública, mas sim do direito privado. Desta forma, esses sites continuam online, sem qualquer interferência. O advogado especialista em direito autoral e professor da disciplina Propriedade Intelectual na Faculdade Milton Campos (BH), Hildebrando Pontes, disse que os casos não viram processos judiciais porque as faculdades tentam contemporizar a situação. “Acho que as universidades deveriam caçar o título do fraudador porque isso é crime. Mas elas não podem ser obrigadas a denunciar seus alunos à Justiça. Só recorrem à Justiça mesmo aquele autor que foi plagiado. E isso quando ele fica sabendo que sofreu o crime”, afirmou. Como professor, Hildebrando Pontes alega que é “absolutamente imoral e antiético” uma atitude dessas por parte de um estudante. “Qual futuro profissional uma pessoa dessas pode ter depois de cometer um ato antiético, imoral e indecente como este? Já flagrei um aluno que apresentou um trabalho que não tinha sido feito por ele. Foi uma situação muito ruim. Para qualquer professor isso gera uma tristeza ímpar”, lamentou.

Comercialização é fácil e o preço sempre negociável

Com o pretexto de encomendar uma monografia de um tema da Psicologia, a reportagem entrou em contato por telefone com duas comerciantes de trabalhos de conclusão de curso de Belo Horizonte. As ofertantes foram facilmente localizadas pelo Google, site de busca na Internet, onde disponibilizam seus contatos telefônicos, e-mails e informações sobre preços, formas de pagamento e um histórico da “empresa”. Na primeira investida, quem atendeu à demanda foi uma mulher que se identificou como Penha Faria. Ela informou que faz trabalhos de qualquer tema e que seus clientes nunca tiveram problemas com seus professores. Penha disse ser formada em Arquitetura, e que há mais de 20 anos trabalha na confecção de monografias. O preço cobrado para uma monografia é de R$ 1.500, que pode ser parcelado em até três vezes sem juros com cheques pré-datados. Caso o cliente queira pagar à vista, ela dá um desconto. Apesar de ser claro o tipo de atividade realizada por ela, a vendedora afirma que não faz o trabalho sozinha. “O estudante tem que antes me repassar todas as orientações de seu orientador, para eu ter noção do que ele quer”. A segunda vendedora tem prática diferente. “Oriento todos os meus clientes a escolherem temas comuns, para facilitar a obtenção de fontes de consulta e agilizar a pesquisa”, explicou Kelli Xavier. Ela disse ser formada em Letras, Jornalismo e pós-graduada em Administração. Ambas comerciantes, disseram trabalhar em parceria com outros graduados. E que, se for necessário, têm encontros presenciais com seus clientes para avaliar e revisar o conteúdo produzido. Kelli Xavier disse ainda que prefere estabelecer valores individualizados aos seus produtos. “O valor é negociável, depende do tema e do tamanho”.


06 hoje em dia - P. 27 - MINAS - 03.02.2011


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ESTADO DE MINAS - p. 8 02.02.2011 CARTAS à redação

Poluição visual

Prefeitura afirma que lei será cumprida

Alcione Lara Assessoria de Comunicação Social da PBH Belo Horizonte “Em resposta à carta da leitora Maria Fonseca (18/1) sobre visual da cidade, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informa que, diferentemente do que afirma a missivista, a capital tem, sim, lei que regulamenta o uso do espaço público. Sancionada em 2010, ela controla a instalação de outdoors, estando inserida no novo Código de Posturas. Não há novos engenhos de publicidade irregularmente instalados na Avenida Raja Gabaglia, apenas alguns permaneceram sem licença, cuja ação de apreensão está programada para o próximo mês. Outros estão devidamente licenciados porque atendem à legislação em vigor. Em relação à pichação, o ato é considerado crime ambiental e, portanto, como contravenção penal, cabe à Polícia Militar coibi-la. A prefeitura tem buscado contribuir para a conscientização da população por meio de programas contra a pichação, para o que tem apoio das polícias Militar e Civil e do Ministério Público.”


09 ESTADO DE MINAS - p. 8 - 03.02.2011


10 hoje em dia - P. 3 - 03.02.2011


11 HOJE EM DIA - P. 2 - 03.02.2011


12 ESTADO DE MINAS - p. 21 e 22 - 03.02.2011


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MATÉRIA DE CAPA

Carretas desafiam perigo


14 ESTADO DE MINAS - p. 32 - 03.02.2011


15 O ESTADO DE SP - p. a8 - 03.02.2011


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17 ESTADO DE MINAS - p. 6 - 03.02.2011


18 HOJE EM DIA - p. 12 - 03.02.2011

Policiais Militares e Civis se enfrentam em Contagem Briga começou durante a prisão de sete suspeitos de participação no crime do sapatinho

Augusto Franco - Repórter Policiais civis e militares se enfrentaram nesta quartafeira (2), em frente a uma oficina mecânica nas esquinas das ruas Japurá e Macapá, no Bairro Amazonas, em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A confusão começou às 19 horas, depois que sete suspeitos foram presos por agentes da Polícia Civil na Multipointer Oficina. Os suspeitos teriam participado de um sequestro, seguido de roubo, de um gerente do Santander em Betim. Segundo testemunhas, os policiais civis chegaram ao local em carros descaracterizados e prenderam os suspeitos dentro da oficina. No momento em que os presos estavam sendo colocados nos veículos - um Astra azul e um Palio Weekend preto - uma viatura da Polícia Militar (PM) passou pelo local. Uma testemunha que estava dentro da oficina afirmou que no momento das prisões, um tenente da PM exigiu a identificação dos agentes, entre eles, um delegado. Em seguida, os policiais se desentenderam e houve agressividade dos dois lados. Os três PMs e os sete civis envolvidos sacaram as armas e pediram reforços praticamente ao mesmo tempo. O tenente da PM foi imobilizado, agredido a socos e chutes e terminou a noite preso por desacato. Durante o trajeto até Contagem, pela Avenida Amazonas, a reportagem do HOJE EM DIA contou 25 viaturas da Polícia Civil e cinco da Polícia Militar. Todas estavam com as sirenes ligadas e retornavam do local do confronto. No Bairro Amazonas, um micro-ônibus lotado de policiais militares deixava a cena da briga no momento em que a reportagem chegou ao local. Também na quarta-feira (2), pela manhã, outro incidente parecido aconteceu no Bairro Tropical, em Contagem. Na ocasião, dois agentes da PC prenderam dois suspeitos de participação no mesmo crime, conhecido como golpe do sapatinho, e também foram parados pela PM. Porém, dessa vez, houve apenas uma discussão. De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol), Antônio Marcos Pereira, o fato demonstra o clima de tensão entre as duas polícias nas ações diárias. “Estamos sentados sobre um barril de pólvora. Um disparo neste incidente de hoje poderia tornar aquilo em uma carnificina. A integração entre as polícias só é real dentro dos gabinetes”, disparou. O sindicato participa nesta quinta-feira (3), às 15 horas, de uma reunião entre os altos comandos das polícias Militar e Civil com o secretário de Defesa Social, Jaime Lélis, na Cidade Administrativa, para discutir o assunto. A assessoria de imprensa do Governo de Minas Gerais anunciou que as corregedorias das polícias vão investigar separadamente o que aconteceu. Golpe do Sapatinho estava sendo investigado pela Polícia Civil O crime que estava sendo investigado foi o golpe do sapatinho realizado contra a família de um gerente do banco Santander. O sequestro e o assalto tiveram início na

noite dessa terça-feira (1º) quando o gerente da agência localizada no Bairro Tropical, em Betim, próximo à Refinaria Gabriel Passos, foi feito refém. Os bandidos abordaram o funcionário quando ele chegava em casa, no Bairro Castelo, região Nordeste de Belo Horizonte. A esposa da vítima também passou a noite sob a mira de armas e ameaças. Por volta das 9 horas da manhã desta quarta-feira, os bandidos seguiram com o gerente rumo à agência. Após pegarem o dinheiro, cujo valor não foi divulgado, o funcionário do banco e a esposa foram liberados pelos bandidos às margens da BR-040, próximo à Ceasa. Eles foram deixados no local por volta da 10 horas da manhã. Meia hora depois dois envolvidos no crime foram presos no carro do gerente, no Bairro Petrolândia, vizinho ao Tropical. Eles foram abordados pela equipe da Divisão de Operações Especiais (Deoesp). Com eles foram apreendidos três revólveres calibre 38 e R$ 53 mil em dinheiro. Os dois foram conduzidos ao Deoesp, no Bairro Gameleira, região Oeste da capital, onde confessaram a participação no crime. De acordo com o delegado Islande Batista, chefe do Departamento de Investigações de Crimes Contra o Patrimônio, os nomes dos suspeitos e detalhes do crime não foram divulgados para não atrapalhar as investigações. Segundo o chefe do Deoesp, Márcio Nabak, a principal característica destas quadrilhas é a mudança no modo de operação. “Cada golpe é diferente. Eles mudam para não serem identificados”. Segundo Nabak, 80% dos crimes do sapatinho em 2010 foram desvendados e seus responsáveis presos. Funcionários e gerentes de banco com acesso aos cofres das empresas são os principais alvos de quadrilhas que aplicam esse golpe. No ano passado, mais de 25 pessoas envolvidas em ações deste tipo foram presas. Entre elas, três homens suspeitos de terem participado do roubo a outra agência do Santander, no fim de 2010, em Santa Luzia, na Grande BH. Na ocasião, pelo menos R$ 260 mil foram levados. Reprodução / Rede Record

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Policiais civis e militares se “estranham” e sacam armas durante uma ação da PC


19 hoje em dia - P. 8 - 03.02.2011


20 HOJE EM DIA - p. 15 - 03.02.2011


21 O GLOBO - P. 34 - 03.02.2011


22 O ESTADO DE SP - p. a18 - 03.02.1011

Desmate volta a crescer na Amazônia

Satélites do Inpe indicam aumento de 11% entre agosto e dezembro, revertendo tendência Nos cinco meses que se seguiram à menor taxa de desmatamento da Amazônia em 22 anos, o ritmo das motosserras na floresta voltou a crescer. Os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicaram aumento de 11% no abate de árvores entre agosto e dezembro de 2010, comparado ao mesmo período do ano anterior. Captado pelos satélites do sistema Deter, mais rápido e menos preciso, os números não permitem afirmar, por ora, que houve reversão na tendência de queda do desmatamento, registrada por dois anos consecutivos. Mas os dados já deixam a área ambiental do governo em alerta. “Onde há fumaça, há fogo, mas vamos ter de esperar um pouco mais para ver se houve reversão da tendência de queda do desmatamento”, avalia Mauro Pires, diretor de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente. A preocupação maior é com os meses de seca na Amazônia, quando o ritmo das motosserras costuma, tradicionalmente, crescer: “A partir de março, a situação fica mais complicada e o Deter já sinaliza a preocupação”. Entre agosto e dezembro do ano passado,

os satélites registraram o abate de 1.267 km2 de floresta, o equivalente a 85% da área da cidade de São Paulo. No mesmo período de 2009, o mesmo sistema havia captado o desmatamento de 1.144 km2. “Houve um aumento, mas a base de comparação ainda é prematura e a diferença é pequena”, disse o diretor do Inpe, Gilberto Câmara. Ele acredita que há motivo para preocupação porque estima-se que o Deter tenha se limitado a captar apenas uma parcela pequena, de cerca de 20%, do desmatamento real. Isso porque os satélites mais rápidos não alcançam o corte de árvores em áreas menores, que, somadas, concentram cada vez mais o maior volume da devastação. Além disso, os dados referem-se ao período em que a Amazônia costuma estar coberta por nuvens, obstáculos às imagens de satélites. A maioria das áreas desmatadas captadas pelos satélites no final do ano tem mais de 10 km2 e sofreu corte raso, a forma mais radical de degradação. Nos meses de novembro e dezembro, os Estados de Mato Grosso e do Pará registraram as maiores áreas de degradação da floresta.

Em Mato Grosso, mais de metade da área estava coberta por nuvens e, portanto, invisíveis aos satélites. No Pará, a cobertura de nuvens ficou próxima de 80% da área do Estado. A eventual interrupção na queda do desmatamento da Amazônia, depois de dois anos consecutivos, poria em xeque compromissos de corte das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. A meta fixada em lei prevê a redução em 80% do ritmo de desmatamento da Amazônia até 2020, para cerca de 5 mil km2 de devastação da floresta por ano. Meta. Em 2009, o País atingiu antecipadamente a meta prevista para 2015, ao registrar 6.451 km2 de abate de árvores. Mas uma nova redução é esperada pelas autoridades na taxa anual, que será medida até julho. O desmatamento é responsável pela maior parcela das emissões de gases de efeito estufa. Preocupação

O desmate no Amazonas, Acre e Tocantins é o que mais deixa o governo em alerta. “A devastação se aproxima do coração da floresta”, diz Mauro Pires, do Ministério do Meio Ambiente.


23 HOJE EM DIA - p. 4 - 03.02.2011

Torcidas organizadas Antônio Álvares da um saldo de 38 mortos e Silva 450 feridos. Mas a reação pronTodos assistiram ta e coordenada das aupela televisão e leram toridades europeias pôs nos jornais o bárba- obstáculo a essa tendênro crime recentemente cia e hoje já não há mais ocorrido em Belo Hori- a força da criminalidade zonte. organizada e coletiva O menor Otávio nos estádios da União Fernandes teve sua ca- Europeia. beça esmagada por caÉ isso que precisa valetes de trânsito. E ser feito no Brasil, onde depois de caído, ainda o problema adquire profoi chutado. porções trágicas e, pelo A cena foi cruel e acontecido em BH, proindigna de uma socieda- mete propagar-se caso de civilizada. Tem razão não haja dura e pronta o promotor Francis- repressão das autoridaco de Assis Santiago, des competentes. Polícompetente e atuante, cia, Ministério Público que considerou o crime e Judiciário devem dar a como um dos mais bru- lição que lhes compete. tais que até hoje viu em Está na hora de agir com sua carreira. rigor, isenção e severiE poderia ter acres- dade. Temos que cortar centado, dos mais revol- o mal pela raiz. tantes. Os supostos autoEste fato mostra res estão soltos. Não se que as torcidas organi- vai analisar aqui o ato zadas, que deveriam ser do juiz que os livrou da pacíficas e divulgar um prisão. esporte sadio e popular, Os magistrados são estão se transformando livres e graças a esta liem grupos violentos e berdade é que os juízes criminosos. são independentes para O fenômeno não decidir e julgar. ocorre apenas em Minas Muito menos se vai ou no Brasil, mas vem se avaliar o inquérito politornando uma constante cial que os incriminou. mundial. Em 1985, fiO que se pretende é cou tristemente famoso conscientizar as pessoo episódio em que se en- as numa visão maior do volveram os hooligans fato. Os acontecimentos ingleses contra italianos que culminaram na morno Estádio de Heysel, te do menor estavam em na Bélgica, deixando gestação há muito tem-

po.

Por diversas vezes houve quebra-quebra após jogos no Mineirão. Agressões individualizadas e mortes já se verificaram, mas a organização criminosa e coletiva para matar e destruir somente agora se manifestou. Está certo que nenhum juiz pode agir movido pela paixão e pelo clamor popular. Mas também não pode deixar de ser intérprete dos sentimentos de justiça da sociedade da qual é um representante e um servidor pago para fazer justiça em seu nome. Os juízes alemães começam suas sentenças com a expressão “In Namens des Volkes”, a significarem que em nome do povo é que decidem. O juiz é a voz do cidadão, que fala através da lei. Temos razão para confiar em nossas autoridades públicas. Esperemos, então, que fique estabelecido que estádios de futebol são palcos para o entretenimento sadio e a confraternização entre os torcedores, nunca uma arena bárbara para a promoção da crueldade e da violência praticada contra os cidadãos.


24 O ESTADO DE SP - p. a2 - 03.02.1011

Congresso - ‘’salários’’ como num assalto

O abusivo aumento de 61,83%(!) da parcela que os congressistas se dão como “salário”, ampliada para R$ 26.723,13, veio em 15/12/2010. Deixei o assunto para este início de legislatura, esperando contribuir para que não caia em esquecimento, como querem os que mais uma vez legislaram em causa própria e à custa alheia. E que custos! A ação lembrou um assalto, premeditada para o apagar da sessão legislativa e coincidente com o fim de ano, época de recesso universal. Isso minimizou ainda mais a reação de um povo traído por maus representantes que no Congresso Nacional, templo de cultivo da fé na democracia e na República, nessa e noutras causas ficam do lado dos que abusam e debocham dos que mantêm a crença. Buscou-se, também, reduzir a reação da imprensa. A ação veio como numa noite em local mal iluminado e carente de vigilância. Rapidíssima, coisa de minutos, e tomada por encapuzados, pela ausência de votação nominal. Ao comando da capital, foi logo seguida por arrastões nas Assembleias estaduais e Câmaras Municipais, com o mesmo objetivo. Assim, em poucos dias o cidadão comum foi vítima três vezes de uma (des)apropriação de dinheiro sem seu consentimento. Este alguém acha que houve? Que tal um plebiscito? Onde a ação foi percebida, poucos e abafados gritos. Com nitidez só ouvi os do miniminoritário PSOL, que também protocolou ação contestadora na 5.ª Vara Federal de Brasília. Suspeitos foram entrevistados, inclusive um novo ocupante do Congresso, de alcunha Tiririca. Viu na ação uma bênção, mas está superada sua pregação usual de que pior do que estava não ficaria. No Congresso já ficou. Quanto aos demais, ressalvadas poucas exceções, empenharam-se em dar à ação um sentido de justiça, mas lembrando justiceiros. Passemos ao injustificável. Nossa Constituição diz que, nos cargos, funções e empregos da administração pública não organizada sob a forma de empresas, os ganhos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem ser os mais elevados. Ou seja, há esse teto. Mas a destemida ação viu no teto um piso, indicando que no Congresso o regime é um de pernas para o ar. Para confundir as coisas, houve porcentuais ainda maiores para os até então de fato irrisórios salários do presidente da República e de seus ministros, trazendo sua remuneração para o mesmo valor citado, que também chegou ao vice-presidente. Ora, o trabalho dos parlamentares não tem as mesmas responsabilidades e os mesmos requisitos de qualificação e de carreira dos ministros do STF, nem o mesmo regime de dedicação exclusiva, que também alcança o presidente da República e seus ministros. Parlamentares costumam manter outras ocupações, num espectro que varia de trabalhadores sindicalistas a empresários empregadores, passando por agropecuaristas, profissionais liberais e outras, e não há nem acompanhamento nem fiscalização do tempo que gastam e do que ganham nessas atividades, direta ou indiretamente. Aliás, pesquisa recente do Departamento Intersindical de

Assessoria Parlamentar (Diap) mostrou que empresários representam 47,9% dos deputados federais e 33,3% dos senadores da nova legislatura. Em geral os parlamentares ficam três dias por semana em Brasília e não sei de um rígido controle de ausências e de seus descontos. E há recessos e folgas de montão, inclusive para cuidar de reeleições. Ademais, salários autênticos não são determinados pelos próprios assalariados. Também por não corresponder a uma clara contraprestação por trabalho prestado, sujeito ao comando de um empregador, esse nome não cabe a rendimentos de parlamentares, daí as aspas colocadas. Honorário tampouco serve. Sugiro excelenciário, pois no Congresso todos são excelências, e nem mesmo os petistas se tratam como companheiros, trabalhadores ou assalariados. E há as demais verbas auto-outorgadas pelos congressistas, de maiores valores (até R$ 98,3 mil mensais para deputados federais e R$ 119,8 mil para senadores), e distorções. Em larga medida custeiam mordomias e equivalem ao financiamento público de campanhas permanentes, ao qual não têm acesso candidatos sem mandato. Para esse adicional proponho excrescêncio. O que fazer? Na imprensa tradicional, o assunto sumiu neste início de ano. Uma razão é ela ser muito voltada para novidades, relativamente às notícias passadas. A opinião não é só minha. A jornalista Arianna Huffington, cofundadora e chefe de redação do jornal digital Huffington Post, e referência nesse tipo de jornal, disse à Folha de S.Paulo (23/12/2010): “A mídia tradicional introduz uma notícia e depois a abandona.” Adicionou que para gerar impacto na web o jornalismo digital precisa “manter os assuntos vivos de forma obsessiva”. De fato, o digital também oferece notícias estocadas, permitindo que recebam novos aportes, o tal “follow-up”, e facilita a interação com leitores. Portanto, que esses e outros assuntos gravíssimos, mas moribundos no noticiário, recebam essa atenção da mídia digital, com a contribuição das redes sociais, e sem prejuízo do enorme e indispensável papel da tradicional. Também usando a web se pode inundar com e-mails de protesto os gabinetes parlamentares. As conexões são: www2.camara.gov.br/participe/fale-com-o-deputado e www.senado.gov.br/noticias/opiniaopublica/fale_senado. asp. Cuidado com a primeira, pois se abre com a opção de elogiar, a inicial, já marcada com uma bolinha. A de protestar é a última. De “seu lado”, em geral a “oposição” ficou calada. Quanto ao PSOL, merece cumprimentos, mas espera-se que seja coerente e que seus parlamentares devolvam mensalmente o que veem como excedente, num procedimento a que os demais inconformados deveriam aderir. Ficando hoje apenas no excelenciário, e contando os referidos três dias por semana, um valor de 3/5 (R$ 16.033,88) do teto estaria de bom tamanho para não gazeteiros. ECONOMISTA (UFMG, USP E HARVARD), PROFESSOR ASSOCIADO À FAAP, É VICE-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO


03 Fev 2011