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ciceradceusp2013.blogspot.com.br

Cícera foi uma jovem mulher negra, trabalhadora terceirizada da Faculdade de Educação da USP, moradora da São Remo, assassinada pela PM na sua casa. Seu assassino foi inocentado por seus colegas de farda, depois que a bala sumiu dos arquivos da polícia. Foi vítima, duas vezes, de bala “perdida”. O nome de nossa chapa é uma homenagem a ela, e a todas as vítimas, uma maioria de jovens negros, do genocídio que a polícia, herdeira da ditadura, pratica nas favelas e bairros de periferia do país, a mando do Poder Público com forte ofensiva hoje em São Paulo; e a todas as vítimas, uma maioria de mulheres negras, da semiescravidão do trabalho precário. Formamos essa chapa para expressar a luta política que viemos travando por um DCE a serviço de construir uma forte mobilização contra a PM e os processos contra os que lutam – estudantes e trabalhadores -,em aliança com os trabalhadores de dentro e de fora da USP, contra os ataques de Rodas à universidade, organizado pela democracia direta e de base e com total independência dos governos. É preciso construir na prática uma alternativa política ao imobilismo das campanhas políticas rotineiras da gestão “Não Vou Me Adaptar”, e ao governismo da chapa “Universidade em Movimento”! Por um DCE que SE mobilize contra a repressão de dentro e de fora da universidade, VOTE E APOIE CHAPA CÍCERA!

remo e a violÊnCia PoliCial! abaixo a oCuPação militar da são da são remo! abaixo a “reurbanização”-desPejo

dos oito estudantes eliminados o çã ra eG int re e s so es oC Pr os s Fim de todo ento disCiPlinar de 1972! e de brandão! revoGação do reGim C.o. e do reitorado e do ão luç so dis r! ula tib ves do Fim de: demoCratização de verda Com maioria estudantil! es or set 3 s do no ver Go um r Po a! an estatuinte livre e sober

o da FFlCh

do CamPus, a divisã Contra o desmonte da PreFeitura e o Projeto “nova eCa”!

ProPorCional ão st Ge , ão aç niz Ga -or to au , eta dir demoCraCia aos Governos! e indePendÊnCia do dCe em relação


Com a crise internacional, ataques à juventude e aos trabalhadores!

Estamos entrando no quinto ano da maior crise econômica desde 1929. Os governos e empresários internacionalmente tentam descarregar os efeitos da crise sobre os trabalhadores e o povo pobre, o que vem sendo respondido com lutas históricas. Um bom exemplo foram as jornadas de luta do dia 14 de novembro (“14N”), primeira resposta coordenada entre vários países da Europa às investidas dos governos, levando a greves gerais simultâneas. Ao mesmo tempo, segue a intervenção imperialista no Oriente Médio, e nesse momento vemos mais uma ofensiva do massacre genocida de Israel contra a Palestina, deixando centenas de mortos, entre eles mulheres e crianças.

Em meio a esse cenário, o Brasil não está imune à crise, e seus primeiros efeitos já podem ser sentidos. Por isso, o governo federal já prepara a reforma da previdência e a flexibilização da legislação trabalhista – como o Acordo Coletivo Especial, com o apoio da burocracia sindical – como medidas preparatórias, aprofunda o trabalho precário e a terceirização, realiza a maior privatização desde FHC nas estradas, aeroportos e ferrovias, enquanto reprime qualquer tentativa de luta dos trabalhadores, como o corte de ponto na greve dos servidores federais, a prisão dos estudantes da UNIFESP, ou a militarização dos canteiros das obras do PAC. Evidencia-se cada vez mais como os governos de Dilma e Lula - que deixou de lado a reforma agrária, atacando indígenas como os Guarani-Kaiowa, o direito ao aborto, ou a busca por verdade e justiça sobre a ditadura - são os representantes dos empresários e multinacionais frente à crise. A USP também está situada nesse contexto de chegada de crise econômica, e não podemos esquecer que seu orçamento vem, principalmente, do ICMS, vulnerável à queda que haverá no consumo.

Fora PM da São Remo, dos bairros e da USP! A luta contra a PM na USP, que completou um ano, ganha ainda mais importância num momento em que vários bairros e favelas de São Paulo estão militarizados, e particularmente a favela da São Remo, ao lado da USP, onde moram centenas de trabalhadores terceirizados e efetivos da própria universidade, está ocupada pela PM numa “operação” supostamente contra o “narcotráfico”. Está também a serviço da especulação e de um projeto de “reurbanização” da reitoria junto ao governo – e que a partir de janeiro será conduzido também por Haddad – que já despejou centenas de famílias, e quer remover outros milhares. É preciso construir uma ampla e democrática campanha contra a violência policial dentro e fora da USP, pelo fim imediato da ocupação na São Remo, e contra a “reurbanização-despejo”! Ao mesmo tempo, é preciso acabar com o Apartheid elitista da USP, derrubando seus muros para circulação; lutando pela democratização radical do acesso; pela efetivação dos terceirizados, sem necessidade de concurso público! Por uma universidade a serviço dos trabalhadores e do povo pobre, que é quem financia de fato esta universidade, para que, por exemplo, os estudantes de Arquitetura e Engenharia possam contribuir na elaboração de verdadeiros planos de obras públicas, e não dessa “reurbanização”, como está ocorrendo! Nesse sentido, nosso combate não é somente nas lutas e por demandas políticas, mas nas salas de aula contra o conhecimento a serviço dos lucros e patentes, contra as teorias da ideologia dominante que servem pra perpetuar a exploração e a opressão, e as ideias reformistas que lhe dão uma cara mais “humana”. Da USP saem os grandes empresários e governantes - como os 4 professores que vão integrar a gestão de Haddad-Maluf. Partimos do questionamento da universidade de classe ao questionamento da sociedade de classe, por uma produção de conhecimento a serviço dos trabalhadores e de suas lutas!


Abaixo a repressão e os ataques de Rodas!

Ao mesmo tempo, na USP, são cerca de cem estudantes ameaçados de expulsão, além dos oito que já foram “eliminados” – entre eles uma jovem mãe, ameaçada de despejo do CRUSP – e outros seis suspensos recentemente. Tudo isso se formaliza através de processos conduzidos por comissões “inquisitoriais”, em que a mesma reitoria acusa, julga e pune, apoiando-se no regimento disciplinar instituído por decreto em 1972,em pleno AI-5. Hoje, há diversos funcionários ameaçados de demissão, entre eles a Diretoria do SINTUSP; além da demissão inconstitucional de Brandão, dirigente sindical, que completa 4 anos e das ameaças à ADUSP. Tudo em base a métodos de espionagem, escutas e câmeras escondidas, como as recém-encontradas no bandejão e o sistema de vigilância permanente no CRUSP. O novo diretor da FFLCH-USP, de mãos dadas com Rodas, quer dividir a faculdade, para retirar recursos de cursos sem interesse do mercado, e desarticular a vanguarda do movimento. O projeto “Nova ECA” vai no mesmo sentido, fragmentando essa unidade. Assim, o projeto de privatização da universidade avança com o desmonte do sistema de Circulares (privatizados, agora, com empresas municipais de ônibus) bem como da Prefeitura do Campus, unidade que concentra a linha de frente das lutas dos trabalhadores, preparando demissões em massa substituindo efetivos pela terceirização que semiescraviza principalmente as mulheres e os negros; é hoje o principal, entre outros ataques aos trabalhadores efetivos, que têm no PROADE – programa que institucionaliza o assedio e prepara milhares de demissões – a maior ameaça. Rodas também prepara um projeto de autorreforma do Regime Universitário, com a possibilidade de restringir ainda mais a democracia na universidade e abrir a possibilidade de sua reeleição.

Democratização radical da estrutura de poder e do acesso!

Esses ataques só são possíveis devido à estrutura de poder autoritária da Universidade. O Conselho Universitário (C.O.) possui uma ínfima representação estudantil e de trabalhadores (efetivos) e serve apenas como um desdobramento dos interesses dos empresários dentro da Universidade, como fica explícito quando vemos entre seus membros representantes de entidades como a FIESP, e uma casta de professores ligados a grandes empresas que atuam fora e dentro da universidade, com suas fundações privadas. É preciso democratizar radicalmente a Universidade! É preciso, por um lado, ir por muito mais do que “eleições diretas” para o cargo de reitor ou por “paritárias”, sem sequer um voto por cabeça, distorcendo a real composição da Universidade (de maioria, em primeiro, estudantil e, segundo, de trabalhadores, efetivos e terceirizados), como propõem as chapas “Não vou me Adaptar” e “Universidade em Movimento”. Só construindo uma Estatuinte livre e soberana, com representantes dos trabalhadores efetivos e terceirizados, estudantes e professores, eleitos por “um voto por cabeça” e, assim, com maioria estudantil, que vise a dissolução do C.O. e da reitoria e, construa uma gestão dos 3 setores, é que faremos uma proposta profunda contra a estrutura antidemocrática da USP. Por outro lado, é preciso avançar na democratização radical do acesso e das politicas de permanência estudantil (como moradia, creches e bolsas) a toda a população pobre e negra. As cotas raciais são combatidas com argumentos reacionários, dos representantes dos setores mais racistas da sociedade, que precisam ser combatidos. Ao mesmo tempo, o projeto do governo Dilma – em que inclusive a porcentagem de cotas incide sobre somente metade das vagas somente mascara o racismo da universidade e a enorme falta de acesso ao ensino superior, para esfriar a indignação contra esse problema e se prevenir contra mobilizações.. É preciso travar uma luta que enxergue as cotas como um passo insuficiente, e a necessidade do fim do filtro social que é o vestibular, através da estatização do ensino privado, sem indenização!

Por uma entidade democrática para lutar!

Um DCE combativo, capaz de organizar uma forte luta contra a repressão e os ataques da reitoria e por um programa radicalmente democrático, precisa construir também um Movimento Estudantil que seja, de fato, democrático. Para isso, defendemos métodos de organização dos estudantes através da democracia direta, tendo as Assembleias como espaço de discussão e decisão política e, nos momentos em que houver luta, a auto-organização dos estudantes nos comandos de mobilização e de greve com delegados eleitos nas assembleias de curso, com participação direta das bases dos cursos e do conjunto dos estudantes. Defendemos também gestões proporcionais nas entidades estudantis. Que se expressem todas as posições políticas que chegam a conformar chapas, proporcionalmente à votação que recebam nas eleições, de forma a garantir a representação de todas, para que as entidades não sejam um veículo de transmissão dos projetos de um único setor.

Contra a opressão às mulheres e à população LGBT

Defendemos um DCE que lute contra a opressão às mulheres, junto à secretaria de mulheres do SINTUSP, e contra a violência contra a população LGBT, e pela liberdade de orientação sexual, ligando essa luta à dos trabalhadores. Na luta contra a opressão, nossos aliados estão na classe trabalhadora, e não na polícia que além de reprimir assedia e estupra, como propõem os coletivos feministas, compostos por outras chapas, que colocam em seus programas as delegacias de mulheres. Só assim é possível a necessária luta pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito, contra a violência contra as mulheres, e por uma universidade que não esconda, nos seus currículos, as mulheres que fizeram história, sua luta contra a opressão e a exploração, e nem a história de milhões de trabalhadoras negras como Cícera!

Discuta este programa conosco!!!


Construir uma alternativa Para suPerar o imobilismo e o Governismo!

um debate Com as outras ChaPas

Nestas eleições os representantes da reitoria, do PSDB e da extrema direita no movimento estudantil e contra ele, por trás das chapas “Evolução” e “USP Então” estão, eleitoralmente, fracos. A “Universidade em movimento” (PT/CP/APS-PSOL) esteve no congresso dos estudantes defendendo apoio ao governo, e em seguida em campanha por Haddad-Maluf, e defenderam, contra a mobilização estudantil, o processo de eleição de diretor da FFLCH e a proposta de sua divisão! Falam contra o decreto de 1972 defendendo o Código de Ética, usado para eliminar oito estudantes! Por sua vez, a chapa “Não vou me adaptar” (MES-PSOL/CSOL-PSOL/PSTU), continuidade da atual gestão, não construiu nenhuma mobilização séria, e sim um plebiscito que sequer mencionava processos, eliminações, nem muito menos a São Remo, assim como seu programa de chapa, cuja proposta para o ano que vem é participar das eleições para reitor, se adaptando ao regime universitário atual! Nesta chapa está o coletivo “Pr’além dos muros” (PSTU e Independentes), que no discurso defende a luta contra a repressão e o ataque à São Remo. Assim como nós, defendem a construção da ANEL como alternativa nacional ao governismo da UNE, mas ao invés de fortalece-la, e discutir conosco a possibilidade de uma chapa em comum partindo da luta contra os ataques de Rodas, preferiram abrir mão de tudo isso para seguir o PSOL no DCE. As chapas “Território Livre” (MNN) e “27 de Outubro”(PCO/POR) – esta última que usa de forma oportunista o nome da chapa de frente única da luta do ano passado, da qual participamos, apesar de esse setor ter sido uma pequena minoria dela – aparecem como oposição à esquerda do DCE, “radicalizada”, mas têm programas restritos à universidade e ao longo do ano não foram capazes de construir nenhuma alternativa política à gestão do DCE.

Por um dCe que mobilize Contra a rePressão de dentro e de Fora da universidade vote e aPoie ChaPa CÍCera!

Construo a chapa Cícera, como outros estudantes processados, para lutar também nas eleições pelo fim dos processos, a reintegração dos estudantes eliminados e de Brandão, e todos os perseguidos por lutar contra a PM e por uma universidade radicalmente democrática” FERNANDO PARDAL, ESTUDANTE PROCESSADO PELA OCUPAÇÃO DA REITORIA “Apoiamos a chapa Cícera, pela unidade entre estudantes e trabalhadores, em lutas como contra o desmonte privatista da Prefeitura do Campus e as ameaças de demissões, na luta contra a violência e a opressão às mulheres, e no combate contra a reitoria e os governos” BRANDÃO, DEMITIDO POLÍTICO, E DIANA ASSUNÇÃO, DA SECRETARIA DE MULHERES, DIRETORES DO SINTUSP “Eu perdi minha filha de uma maneira brutal. Foi um polícia. O julgamento foi uma tortura pra mim. Não espero nada da justiça. Hoje, há 5 anos da morte da minha filha, sinto como se fosse ontem. Vejo as mães chorando na TV, e choro também. Queria dizer que acho maravilhoso ter um grupo de estudantes relembrando a minha Cícera. Fico emocionada e agradeço aos estudantes da Chapa Cícera (...)” “CIDA”, MÃE DE CÍCERA, TERCEIRIZADA DA FE-USP E MORADORA DA SÃO REMO “A Façon, empresa que foi montada a serviço da Alstom, que presta serviços ao Metrô e é uma das sócias da Linha 4-Amarela, de uma hora pra outra fechou as portas não pagando nem o ultimo salário a seus trabalhadores (...). Recebemos apoio da Juventude às ruas dos estudantes da USP. O que foi essencial em nossa luta, como fundo de greve, apoio moral e solidário. (...) Nosso apoio à chapa que homenageia a companheira Cícera (...).” GIVANILDO, “QUARTERIZADO” DA FAÇON “Estive no Brasil a convite da Juventude Às Ruas, que organizou atividades apoiando e buscando extrair lições da luta dos milhões de estudantes chilenos que estiveram, e agora voltam, às ruas por educação gratuita pra todos já, e enfrentando uma enorme repressão do regime herdeiro de Pinochet. Envio meu apoio à chapa Cícera nas eleições da USP, por um movimento estudantil internacionalista!” ZONIKO, RAPPER E MILITANTE CHILENO DA AGRUPAÇÃO COMBATIVA REVOLUCIONÁRIA

COMPÕEM ESSA CHAPA Juventude Às Ruas e independentes - Integrantes: Letras – Letícia Parks, Fernando Pardal (pós), Eduardo Goes, Guilherme Kranz, Natália Viskov, Vanessa Dias, Flávio Ramos, Guilherme Maia, Luisa Manso, Camila Farão, Luiza Marini, Thais França, Isabela Mariotto, Maressa Machado, Pablo Alfonso, Santhiago Maribondo. Ciências Sociais – Bruno Gilga, André Bof, Gabriela Miranda, Fernando Xu, Alexandre Sukadolnik, Ravena Veiga, Alberto Silva, Daniel Alfonso. História – Leandro Souza, Matheus Pastrello, Gabriel Lima, Ariane Reis, Julia Bittencourt, Juliana Alguma, Gustavo Carneiro. Geografia – Camila Pivato. Licenciatura – Luciana Machado. Ed. Física - Marcela Darido. Veterinária - Izabel Gogone. Pedagogia - Karoline Vagliengo. Direito - Paulo Henrique Marçaioli. Física –Samuel Silva (pós) APOIADORES: Letras – Débora Soares, André Arruda, Aminah Haman, Lígia. Ciências Sociais – Pedro Chaves, Wilson Cabral. História – Rafael Delomo, Olivia, Daniel, Gabriel Birú. Geografia - Marília Rocha. Ed. Física - Gabriel Dolce. Física – Rafael Gameiro

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Chapa Cícera - Programa DCE 2013