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Os seringueiros que resistiram e lutaram pela permanência nas terras continuaram a produzir borracha, mas em escala reduzida, e como alternativa para complementação da sua subsistência passaram a cultivar roçados. Antes da implantação da pecuária, os seringueiros lutaram por liberdade nas relações semi-escravistas nos seringais, agora, pois, a luta era pela posse de terra, manutenção da floresta e na resistência de se tornarem favelados nas periferias urbanas. A quantidade de ex-seringueiros que eram obrigados a migrarem para os centros urbanos era grande e a forma que se propõe adotar o extrativismo não é muito compatível ao grande número de pessoas, pois o extrativismo precisa de pouca área desmatada e muita área em floresta. Sutilmente, os seringueiros começaram a se organizar em sindicatos na busca por seus direitos como trabalhadores rurais. Segundo Chico Mendes - um grande líder sindical e defensor da floresta, assassinado bruscamente lutando pela a conservação da Floresta Amazônica - a reforma agrária do INCRA era desfavorável ao seringueiro. Baseado no Estatuto da Terra a posse era assegurada ao trabalhador que tivesse trabalhado na terra mais de um ano e um dia. No entanto, a justiça só assegurava a parte da terra que era cultivada e havia benfeitorias, isso representava uma área de aproximadamente 100 hectares, porém o seringueiro necessitava de mais de 300 hectares. (CAVALCANTE, 1993) Nesse sentido, o líder Chico Mendes defendia a criação de Reservas Extrativistas (RESEX), na qual estaria assegurada ao extrativista a posse da terra e a continuidade de suas atividades produtivas tradicionais. Segundo ele, através do adequado uso dos recursos naturais, as RESEX seriam economicamente viáveis, viabilizando a exploração de outros produtos florestais além da borracha (Hevea brasiliense) (BATISTA, 1995). De acordo com Cunha (2003), as Reservas Extrativistas (RESEX’s) enquanto política ambiental do governo federal, implementada pelo IBAMA por meio do Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais (CNPT), foram criadas em 1990 pelo Decreto 98.897 e passaram a integrar o Programa Nacional de Meio Ambiente. As Reservas Extrativistas são espaços de floresta que se destinam à exploração sustentada e à conservação dos recursos naturais. As áreas são de propriedade da União, destinada ao uso pela população tradicional extrativista por meio de uma concessão de uso.

PAGAMENTOS PELOS SERVIÇOS AMBIENTAIS NA RESERVA EXTRATIVISTA CHICO MENDES.  

abe-se que o processo de ocupação econômica, pós-1970, foi extremamente prejudicial ao meio ambiente e às populações tradicionais da região...

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