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Máquinas que conversam A propósito da quarta revolução industrial, assunto controverso no Fórum de Davos, parece que resta muito a fazer e a dizer. Em nossas cabeças, o tema, também conhecido pelo nome de indústria 4.0, remete à automação e ainda é nebuloso para muitos dentro e fora dos muros da ati vidade econômica. Quando falamos de automação, pensamos logo em robôs com cabeça, tronco e membros, à nossa imagem e semelhança. Essa imagem vem se propagando por diversas gerações. A palavra robô tem origem na checa robota, que signifi ca trabalho compulsório, forçado ou escravo, e nasceu da peça R.U.R., do dramaturgo Karel Capek, datada de 1921, em que um robô humanizado faz um mundo de coisas em lugar do homem. No cinema, os robôs se imortalizaram em Metropolis, fi cção cientí fi ca impressionista alemã de 1927, dirigida por Fritz Lang, uma distopia que se passa em 2026 e revela Maria, um robô com formas femininas. Quando o foco é produção, a manufatura 4.0 não é tão românti ca. Mas, a julgar pelas profundas mudanças que poderá causar no modelo de negócios que conhecemos até aqui, vale a pena tentar entendê-la. As tecnologias que já habitam o chão de fábrica não são tão simpáti cas quanto Maria, porém são extremamente funcionais. Os robôs vêm sendo substi tuídos por sensores que enviam sinais pela

internet, delegando pequenas decisões a circuitos integrados de computadores cada vez mais cogniti vos. Vale reforçar que, como é tí pico nas revoluções, a manufatura 4.0 também nasceu na sociedade, a parti r de mudanças de comportamento geradas nas crises. Hoje se propaga por toda a cadeia de valor eliminando desperdícios, reduzindo o tempo de produção e melhorando a qualidade, resultando no que chamamos hoje de economia de comparti lhamento. Diametralmente oposta ao conceito de sociedade de consumo, essa economia reforça o P2P (do inglês person-to -person), em que pessoas se relacionam diretamente eliminando intermediários, evitando desperdícios e reduzindo custos. Um bom exemplo dessa práti ca é o aplicati vo Airbnb, que permite aos viajantes reservas de quartos diretamente com proprietários em busca de renda adicional. Outro exemplo, ainda polêmico, é o UBER, espécie de carona remunerada. Senhoras e senhores, estamos falando aqui da tal inovação disrupti va, em pleno curso no lado do consumidor. Assim, enquanto a economia caminha pelo o P2P, a indústria corre para garanti r que máquinas conversem com máquinas, dispositi vos de inspeção conversem com máquinas e com outros dispositi vos de inspeção, e peças troquem informações com outras peças.

Por Mauro Andreassa*

A peça teve um processo errado? Um dispositi vo inspeciona, enxerga o problema e avisa a próxima máquina, que por sua vez a rejeita. É a Internet das Coisas (do inglês, IoT – Internet of Things). Em analogia com a nossa casa, seria como se o microondas conversasse com a geladeira e ambos decidissem sobre o nosso hambúrguer congelado. É a visão de Peter Drucker se materializando diante de nossos olhos. Em seu livro Sociedade Pós-capitalista, lançado em 1993, ele previu a transição da era Industrial para o pós-capitalismo quando a internet ainda estava na infância. Drucker enxergou o conhecimento genérico se deslocando para o especializado, fazendo com que a inovação acontecesse não de forma casual, mas organizada. Ao que parece, é mesmo no ambiente disrupti vo que a manufatura caminhará nos próximos anos, povoando o chão de fábrica de tecnologia, ciência e empreendedorismo. Uma revolução, de fato, liderada por “máquinas” que conversam.

Entidades que forneceram apoio institucional e operacional ao projeto de Manufatura Avançada na FEIMEC 2016 • Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial - ABDI • Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos - ABIMAQ / IPDMAQ • Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha – VDI • Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES • Insti tuto Mauá de Tecnologia - IMT • Insti tuto Senai de Inovação Metalmecânica

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Mauro Andreassa é membro do Comitê de Manufatura, Logística e Qualidade do Congresso SAE BRASIL 2016, South America STA Senior Manager Site da Ford, e professor no Instituto Mauá de Tecnologia.

Ed 002  

Revista Maquinatual Ed 002

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