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FAHIMTB

O MONTE CASTELLO

AHIMTB / RJ ACADEMIA MARECHAL JOÃO BAPTISTA DE MATTOS

ÓRGÃO DE DIVULGAÇÃO DAS ATIVIDADES DA ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL / RJ

68 anos da Vitória de Monte Castello - 1945 - 2013 Ano II - 2013

21 de FEVEREIRO

Nº 01

Nesta Edição: Monte Castelo: A Vitória de um Povo, Profa. Carmen Lúcia Rigoni Participação de Acadêmicos da AHIMTB/RIO no Centenário de Frei Orlando – Patrono do SAREx

Missa de Um Ano do Acadêmico Cel PM/RJ Vidal da Silveira Barros Acadêmicos da AHIMTB irão a Barueri para os 68 Anos do Ultimo Tiro da Artilharia Brasileira na 2ª. Guerra Mundial

Monte Castelo: A Vitória de um Povo Na data de hoje, em que comemoramos a Vitória de Monte Castello, trazemos o discurso pronunciado na cerimonia promovida pela 5ª RM, nas dependências do Museu do Expedicionário, em Curitiba, pela Profa. Carmen Lúcia Rigoni, Dra. História Cultural (UFSC), da AHIMTB e ANVFEB – Seção Curitiba Curitiba 21 de fevereiro de 2013

Lembrar O 21 de fevereiro de 1945 é manter aceso um alerta em nossas consciências.É, portanto lembrar a vitória de um povo. Há 68 anos, os brasileiros subiram um monte gelado enfrentando todo o tipo de armadilhas e derrubaram com determinação o poderio nazifascista incrustrado naquela fortaleza. Muitos ficaram no campo de luta, caíram sob o fogo germânico, 1


desapareceram do convívio de seus companheiros, mas surgiram como heróis na memória de um povo. Os que voltaram para o Brasil assumiram a grandiosa missão de manter acesa a chama daquele mesmo ideal que os fez embarcar para a Europa. A guerra que já acontecia na Europa, estendeu-se ao Continente Americano e surpreendeu dolorosamente aos brasileiros com o traiçoeiro afundamento dos navios mercantes ao longo das nossas costas. Participar efetivamente do esforço de guerra aliado, já não se constituía num gesto de solidariedade continental, mas acima de tudo, num imperativo de consciência nacional: um dever para o qual a Pátria, a todos convocava. Há que se evidenciar os fatos: Na ânsia que estava o 5º Exército Americano em tomar de assalto a cidade de Bolonha, ultimo baluarte alemão na Itália, criava-se uma expectativa junto ao comando brasileiro, pois as tropas aliadas estavam impedidas de avançar. Era necessário desviar o foco do comando alemão. Do mês de novembro de 1944 em diante, atacar o Monte Castello tornou-se missão de honra da FEB, no sentido de minar as forças de outras tropas inimigas. Para entender os acontecimentos ocorridos nesta região, os registros históricos e a memória dos soldados constituem fontes obrigatórias. Os brasileiros não eram mais iniciantes na missão de guerra, as batalhas ocorridas no vale do rio Sercchio, haviam transformado esses homens em verdadeiros combatentes, mas mal empregados nos ataques ao Monte Castelo, pela Task Force 45 sob o comando americano, encerrando o ano de 1944 com grandes decepções e infortúnios. No Brasil, as noticias que vinham do front brasileiro na Itália, chegavam por meio dos correspondentes brasileiros e estrangeiros. Nesta fase, o Monte Castello tornou-se uma imagem negativa para os soldados da FEB, chegando a ser denominado como “ Monte Maldito” ou “Monte Fantasma” como escreveu Egydio Squeff de O Globo em janeiro de 1945. O Monte Castello, protegido por várias outras elevações, dominava toda a extensão do Vale do Reno. Sua conquista era de real importância para as tropas aliadas. Do alto de sua crista, mais de uma divisão germânica tinha os olhos sobre os soldados brasileiros.Não fosse ele conquistado, seria impossível prosseguirem em seu avanço. As primeiras operações no Reno, resumiram-se em quatro ataques mal sucedidos contra este baluarte.O primeiro e o segundo realizados a 24 e 25de novembro de 1944.O terceiro ataque fora planejado para o dia 29 de novembro, muitos deles realizados sob condições de extrema dificuldade, seja pelo clima apeninico ou pela topografia montanhosa. O ataque frustrado realizado no dia 12 de dezembro de 1944 veio demonstrar que eram necessárias novas estratégias para a conquista do objetivo. O que estava em jogo era um frente de 15 quilômetros disputada pelos alemães e aliados. No dia 19 de fevereiro de 1945, a agitação em torno do Monte Castello foi crescendo com a movimentação dos soldados que iam galgando as posições inimigas. O ambiente era de confiança e seguido atentamente pelos correspondentes de guerra. 2


O ataque final e decisivo ao Castello iniciou às 5 da manhã do dia 21 de fevereiro. As tropas em ofensiva constituíam o Primeiro Regimento de Infantaria, o Sampaio. Três batalhões seguiam na seguinte ordem: O 1º comandado pelo major Olivio Gondim de Uzeda, seguiu pela esquerda; o 2º,comandado pelo major Sizeno Sarmento, foi pelo centro e o 3º comandado pelo tenente coronel Emilio Rodrigues Franklin, partiu à direita. Os silvos das granadas explodiram sobre todos, formando uma cortina de fumaça, que caiu sobre o Castello como uma auréola de chumbo. Á esquerda do morro, posições norte americanas estavam ao lado do Belvedere. Cinco ou seis Thunderbolts desceram em picada, rápidos como um peso despencado de cima, metralhando impiedosamente os nazistas em defensiva. Um dos momentos mais delicados do combate, talvez o mais expressivo aconteceu às 16h e 20 minutos, quando toda a Artilharia Divisionária concentrou seus fogos sobre o Castello. As faldas do monte estavam cavadas e lá em cima o cume ficou transformado numa cratera de vulcão. O general Cordeiro de Farias, acompanhando com um binóculo, num fiapo de voz disse: “ O Monte Castello caiu.” Quando o capelão da Força Expedicionária Brasileira João Soren, saiu a procura dos soldados desaparecidos em ação nos combates anteriores, não tinha certeza se iria encontrá-los. As buscas estavam centradas nas vizinhanças da comune de Gaggio Montano ao sul de Bolonha. No cume do morro, persistiam as buscas. Os soldados foram encontrados entre os destroços dos casarios, todos juntos, quase em formação de combate.Os corpos insepultos por dois meses tinham sido preservados pela neve e causaram profunda comoção entre os presentes. Nos anais da FEB ficaram conhecidos como os 17 de Abetaia. Entre os dias 21 e 23 de fevereiro de 1945, o correspondente Joel Silveira escreveu : “Os caminhos estavam inteiramente intransitáveis, havia muitas armadilhas, campos e estradas estavam minados”. Estas foram as ultimas noticias sobre a presença de brasileiros, nesta frente italiana , congeladas pelo tempo nas palavras do cel. Olívio Gondim Uzeda. Tudo isto aqui era terra deles. É um dos locais mais belos da frente. No momento em que aquele cume foi valentemente conquistado a Bandeira Brasileira foi desfraldada. O intrépido gesto não significou apenas vitória militar de um pais humilde e pacifista, mas assegurou um lugar de honra na história daqueles dias que impulsionado pelo espírito iluminado buscou encontrar o seu futuro. Hoje, os locais que cortam o Monte Castello foram demarcados por números registrados nos troncos das castanheiras, indicando os caminhos a serem seguidos por um visitante curioso, como a lembrar aos pósteros, que naquele local, um dia soldados da FEB se bateram pelos ideais democráticos que ajudaram a moldar o mundo. Tal conquista para a história do Exército Brasileiro, demarcou um tempo, os dias da Linha Gótica, nas batalhas de vida e morte durante a 2ª Guerra Mundial.

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Participação de Acadêmicos da AHIMTB/RIO no

Centenário de Frei Orlando – Patrono do SAREx Significativos eventos, com a presença de ilustres convidados, marcaram as comemorações do Centenário do Nascimento de Frei Orlando (13 fev), e de seu falecimento durante operações da FEB na Itália, em 20 de fevereiro de 1945. Participaram do planejamento e execução dos trabalhos os Acadêmicos Gen Eduardo José Barbosa, Diretor da DPHCEx e 2º. Presidente de Honra da AHIMTB/RIO, Gen Marcio Tadeu Bettega Bergo, Chefe do CEPHIMEx e Cel Claudio Skora Rosty, Chefe da Seção de Pesquisa Histórica do CEPHIMEx, que com uma equipe multidisciplinar realizou relevante trabalho de pesquisa em diversas cidades de Minas, e posterior organização do Seminário realizado no Museu Militar Conde de Linhares na terça-feira 19 de fevereiro de 2013. O seminário constou de palestras, exibição de documentários e exposição alusiva, com a presença de familiares do Patrono do Serviço de Assistência Religiosa do Exercito. O Cel Rosty pronunciou circunstanciada palestra, “Frei Orlando: Soldado da Fé”, cujo texto e apresentação, bem como programa e cartaz do evento podem ser baixados da pagina www.dphcex.ensino.eb.br/frei-orlando/action-dphcex.html O Seminário contou com expressiva presença de diversos Capelães Militares integrantes do SAREx, dentre os quais podemos citar o Chefe do SAREx, Cel Cpl Mil Pe. Vanderlei Valentim da Silva (DGP-Brasília-DF), TC Ivan Xavier (Pastor) Chefe do SAREx/Cmdo CML Rio de Janeiro – RJ, Cap Daniel Pedro da Silva (Pastor) Cmdo CMNE Recife – PE, Cap Rogério de Carvalho Lima (Pastor) Cmdo AD/1 Niterói – RJ, 1º Ten Vinicius Rodrigues Gonçalves (Pastor) 1ª. RM e HCE, Rio de Janeiro – RJ, 1º Ten Marcelo Creton de Almeida (Padre) ECEME Rio de Janeiro – RJ, Asp Of Adriano Correa da Silva (Padre) CMRJ Rio de Janeiro – RJ, entre outros. No dia seguinte, 20 fev, foi realizada a Missa em Ação de Graças pelo Centenário do Nascimento de Frei Orlando, no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial. A Missa foi oficiada por Dom OSVINO JOSÉ BOTH - Arcebispo Militar do Brasil.

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Alexandre (Porta-Bandeira), o artista Jorge Cunha, autor do quadro de Fei Orlando e Ten Rosenthal

Ten Rosenthal e Dom OSVINO JOSÉ BOTH - Arcebispo Militar do Brasil.

Ten Rosenthal junto à lápide – Ten Marones de Gusmão

Gen Eduardo (Dir DPHCEx) e Cel Rosty com parentes de Frei Orlando

Balé ao som de Aleluia de Haendel

Lápide – Frei Orlando 5


Vale notar que em Copacabana existem 2 ruas com nomes de FEBianos falecidos nas operações de guerra na Itália, ambos por motivo acidental. Uma delas é a Capelão Álvares da Silva, pequena rua no Bairro Peixoto, próxima à estação Siqueira Campos do Metrô. Talvez a denominação mais apropriada seria Rua Frei Orlando, uma mudança que poderia ser gestionada junto a Prefeitura, neste ano do centenário. Nesta rua existem apenas 4 ou 5 prédios, um dos quais a Sinagoga de Copacabana. A outra, também no Bairro Peixoto é a Tenente Marones de Gusmão, em homenagem ao oficial vitimado por um disparo acidental de outro tenente seu companheiro, já mais de 3 meses após terminada a guerra. A propósito, encontrava-se na Missa o Tenente Israel Rosenthal, Presidente do Conselho Deliberativo da Casa da FEB, o qual foi colega do Tenente Marones no CPOR/RJ. Um de seus sobrinhos é o atual Diretor de Saúde da Aeronáutica, Brigadeiro Medico Dr Marones de Gusmão. Missa de Um Ano Acadêmico Cel PM/RJ Vidal da Silveira Barros Realizou-se em 21 fev 2013 na Igreja N. S. do Líbano, Rua Conde Bonfim 638 – Tijuca, a Missa do saudoso Confrade Cel VIDAL, com a presença da família, amigos e Prof. Israel Blajberg representando a Academia.

Acadêmicos da AHIMTB irão a Barueri para os 68 Anos do Ultimo Tiro da Artilharia Brasileira na 2ª. Guerra Mundial Como ocorre anualmente, nossos Confrades Gen Geraldo NERY, Secretário da Ordem dos Velhos Artilheiros, e Cel Amerino Raposo, comandante da Linha de Fogo na época, irão a Barueri para mais uma comemoração do Último Tiro, no próximo 26 de abril de 2013. Os interessados em participar da cerimonia podem entrar em contato por e-mail, a fim de obter maiores detalhes sobre a passagem aérea. Em principio a ida e o retorno serão no mesmo dia. Com apoio do histórico Grupo Bandeirante - III Grupo 105 da FEB, atual 20º. GAC Leve – Aeromóvel, no transporte de Congonhas para a Unidade. Informações: ahimtb.rio@hotmail.com Editor: Eng Israel Blajberg Presidente AHIMTB / RJ iblaj@telecom.uff.br Rio de Janeiro – RJ 20 fev 2013

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O monte castello ano ii numero 1 fev 2013