Cartilha Mulheres, suas Revoluções e Conquistas - Piquete Chama Nativa da ASERGHC

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CONVITE

Patroa: Kálarran Regina Andrades Saturnino; 1ª Capataz: Vitor Hugo Recova Santana; 2ª Capataz: Adriana Martins Guimarães; Sota Capataz: Leandro Fonseca de Oliveira; Agregado das Pilchas: Ricardo Sarmanho; Xirua das Falas: Márcia Barcelos Leal Recova; Departamento Cultural: Márcio Escalante de Barros; Departamento de Campeiro: Roberto Carlos Neres Oliveira; Departamento de Divulgação: Paloma Dias Pereira da Rocha; CONSELHO DE VAQUEANOS TITULAR João Paulo Naibert Medeiros; Valmor Almeida Guedes; Márcio Viebrants; CONSELHO DE VAQUEANOS SUPLENTES Tais Monteiro Pereira; Leide Lamara; Ludmila Marques Silva.

Convidam Vossa Senhoria e sua Exm.ª família para participarem da Semana Farroupilha do Piquete Chama Nativa. Siga nossas redes sociais: Face /PiqueteChamaNativaOficial Insta /PiqueteChamaNativa

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BREVE HISTÓRICO DO PIQUETE CHAMA NATIVA O Piquete Chama Nativa foi fundado aos Dez dias do mês de agosto de 2005, por um grupo de trabalhadores do GHC, admiradores da cultura gaúcha, com a finalidade de criar uma entidade cultural tradicionalista para participar do Acampamento Farroupilha, promovendo interação e convívio de amizade e coleguismo com os demais funcionários da instituição. O nome do piquete foi escolhido por representar a chama da sociedade, que norteia o trabalho desenvolvido pelos profissionais da saúde nos hospitais do GHC. O símbolo escolhido foi o de uma cuia, adornado por uma chama estilizada, nas cores do Rio Grande do Sul. O lema do piquete reflete sua origem: “Com saúde e dedicação, mantendo acessa a chama da tradição”. Desde a sua origem o piquete Chama Nativa participa ativamente do Acampamento Farroupilha, obedecendo ao regulamento previsto anualmente para o evento e a todas as regras de boa convivência com as demais entidades coirmãs, desenvolvendo atividades comuns de confraternização, integração, realização de projeto cultural, desfile e promoção de ações sociais ao público visitante. A atuação do Piquete no Acampamento Farroupilha sempre foi diferenciada por divulgar as ações desenvolvidas na área da saúde, recebendo o reconhecimento e admiração de outras entidades e da organização do evento. No ano de 2023, o Piquete Chama Nativa, foi incluído na pasta Cultural da ASERGHC, uma conquista que durante há alguns anos era pleiteada pela entidade, visando representar os associados do Grupo Hospitalar Conceição no Acampamento do Parque da Harmonia, durantes os Festejos Farroupilhas e futuramente receber a todos em seu galpão na Sede Campestre da ASERGHC em Viamão.

Foto: Assembleia que aprovou o Piquete na pasta Cultural da ASERGHC, em 1º/06/2023.

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GALERIA DS PATRÕES

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HOMENAGEM ESPECIAL DO PIQUETE CHAMA NATIVA ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DO GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO Quem Somos A Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição é uma entidade sem fins lucrativos que congrega e organiza os funcionários do GHC em defesa de seus direitos e que trabalha para facilitar a vida dos servidores. Para isso, articula anualmente os interesses das diversas categorias de trabalhadores do GHC na elaboração de uma pauta comum que serve de base para a assinatura de um Acordo Interno com a gestão. Além disso, acolhe denúncias de irregularidades e reivindicações de categorias. Cumpre, neste sentido, um papel político de defesa dos direitos de todos e todas. Além disso, oferece diversos convênios a seus associados. Assim, os sócios podem aproveitar vários planos de saúde, de acordo com suas necessidades, e ainda vantagens e descontos junto a uma rede conveniada de comércio e serviços, bem como feiras itinerantes instaladas nos próprios hospitais. A ASERGHC conta também com uma ampla infraestrutura de cultura, esporte e lazer. Cantar no Coral, praticar atividades esportivas, desfrutar da piscina no verão e festejar as datas importantes nos espaços da ASERGHC é um privilégio dos associados. Uma associação completa, feita pelos servidores para os servidores com o objetivo de melhor servir aqueles e aquelas que trabalham para prestar um dos mais fundamentais direitos à população: uma saúde pública de qualidade.

Reivindicações - Foto Comunicação ASERGHC

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HOMENAGEM ESPECIAL DO PIQUETE CHAMA NATIVA ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DO GRUPO HOSPITALAR CONCEIÇÃO História - Nossa tradição é estar ao teu lado Em 1976, um grupo de funcionários, a partir da necessidade de maior união e integração entre os trabalhadores, e para suprir as carências na área assistencial, decidiu fundar a associação. No dia 29 de maio nascia então a Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição. Nesse período, inúmeras atividades na área cultural e esportiva foram realizadas. Assim, a associação proporcionou a maior integração esperada entre os trabalhadores do GHC. Já em 1986 estava formado o espírito de categoria entre todos os funcionários. Independentemente da associação, mas impulsionados por ela, os servidores começaram a se organizar por setores em defesa de condições dignas de trabalho e por melhores salários. Iniciava-se um ciclo de independência e autonomia da ASERGHC em relação ao GHC. Devido à omissão do sindicato majoritário, em 1987, a ASERGHC assumiu corajosamente o papel de levar adiante as reivindicações dos trabalhadores. Desde a sua fundação, foram inúmeras as dificuldades, dentre elas, o surgimento de uma associação alternativa, com a nítida intenção de dividir os trabalhadores. Nos anos 2000 iniciou-se o processo de unificação das duas associações, e hoje contamos com uma única associação forte e representativa, que mantém vivo o espírito de união e luta. Assim, a ASERGHC têm realizado atividades de integração, protestos e assembleias em defesa dos interesses dos trabalhadores do GHC. Sem nunca perder de vista a qualidade da saúde, sua gratuidade e o caráter público. Este é o nosso maior compromisso! Se você tem esse mesmo objetivo, e quiser atuar na defesa dos seus direitos e dos seus colegas de trabalho, além de usufruir os vários benefícios, atividades sociais e esportivas, associe-se já à ASERGHC, contamos contigo!

Foto: Atividades culturais sede campestre - Fonte: https://aserghc.com.br - Foto Comunicação ASERGHC

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HISTÓRIA DA CHAMA CRIOULA DO RIO GRANDE DO SUL No fim da II Guerra Mundial, o mundo ocidental, encontrava-se com grande influência exercida pela posição dos Estados Unidos. Com isso, perdia-se o sentimento de culto às tradições; nossas raízes estavam relegadas ao esquecimento, adormecidas, reflexo da proibição de demonstrações de amor ao regional. Bandeiras e Hinos dos estados foram, simbolicamente, queimados em cerimônia no Rio de Janeiro e, diante de tudo isso, os gaúchos estavam acomodados àquela situação, apáticos, sem iniciativa. Em agosto de 1947, em Porto Alegre, eclodiu forte uma proposta de esperança, onde a liberdade e o amor à terra tinham vez e lugar. Jovens estudantes, oriundos do meio rural, de todas as classes sociais, liderados por Paixão Cortes, criam um Departamento de Tradições Gaúchas no Colégio Júlio de Castilhos, com a finalidade de preservar as tradições gaúchas, mas também desenvolver e proporcionar uma revitalização da cultura rio-grandense, interligando-se e valorizando-a no contexto da cultura brasileira. Dentro deste espírito é que surge a criação da Ronda Crioula, estendendo-se do dia 7 ao dia 20 de setembro, as datas mais significativas para os gaúchos. Entusiasmados com a ideia procuraram a Liga de Defesa Nacional, e contataram o então Major Darcy Vignolli, responsável pela organização das festividades da "Semana da Pátria, e lhe expressaram o desejo do grupo de se associarem aos festejos, propondo a possibilidade de ser retirada uma centelha do “Fogo Simbólico da Pátria" para transformála em "Chama Crioula", como símbolo da união indissolúvel do Rio Grande à Pátria Mãe, e do desejo de que a mesma aquecesse o coração de todos os gaúchos e brasileiros durante até o dia 20 de setembro, data magna estadual. Nessa oportunidade, Paixão recebeu o convite para montar uma guarda de gaúchos pilchados em honra ao herói farrapo, David Canabarro, que seria transladado de Santana do Livramento para Porto Alegre. Paixão Cortes, para atender o honroso convite, reuniu um piquete de oito gaúchos bem pilchados e, no dia 5 de setembro de 1947, prestaram a homenagem a Canabarro. Esse piquete é hoje conhecido como o Grupo dos Oito, ou Piquete da Tradição. Primeira semente que seria semeada no ano seguinte, na criação do 35º CTG. Antônio João de Sá Siqueira, Fernando Machado Vieira, João Machado Vieira, Cilso Araújo Campos, Ciro Dias da Costa, Orlando Jorge Degrazia, Cyro Dutra Ferreira e João Carlos Paixão Cortes, seu líder. Durante o cortejo, o "grupo dos Oito", os jovens estudantes, conduziam as bandeiras do Brasil, do Rio Grande e do Colégio Júlio de Castilhos. Fonte: MTG/RS – Foto: Márcio Barros

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OS PIONEIROS - "PIQUETE DA TRADIÇAO" O "Piquete da Tradição", em 1947, integrando o Departamento de Tradições Gaúchas do Grêmio Estudantil do Colégio Júlio de Castilhos (POA), montou guarda a cavalo, aos despojos do General David Canabarro para o Panteão Rio-Grandense, por ocasião da 1ª Ronda Crioula do tradicionalismo gaúcho. O "Grupo-dos-8" tinha na Campanha raízes atávicas de sua ancestralidade. Seus integrantes são considerados fundadores do 35º Centro de Tradições Gaúchas.

Os acontecimentos equestres que deram início a Ronda Crioula do “Julinho”, em 1948, contavam não só com a presença de dois pioneiros do “histórico” ato do ano anterior – Paixão Cortes e Curo Ferreira, mas com um piquete de gaúchos que, a cavalo, disseram presente ao acendimento da Chama Crioula. Na foto, tomada à frente do antigo prédio do Colégio Júlio de Castilhos (Rua João Pessoa nº 52) vê-se, da esquerda para a direita, Luís Carlos Barbosa Lessa, Flavio Xavier Krebs, Antônio Candido da Silva Neto, Wilmar Wink de Souza, Cyro Dutra Ferreira, João Carlos Paixão Cortês, José Laerte Vieira Simch e Luiz Carlos Correa da Silva.

QUEM SÃO OS OITO CAVALARIANOS DO PIQUETE DA TRADIÇÃO Antônio João Sá de Siqueira - Nasceu em Bagé, em 09/02/1928. Foi estudante do Colégio Júlio de Castilhos. Formou-se como Médico-Veterinário em 1951. Assumiu em Itaqui a Inspetoria Veterinária da Secretaria de Agricultura. Desenvolveu atividades no setor de Bioquímica das UFRGS, PR, SP, MG e nos EUA. Lecionou na Faculdade Federal de Ciências Médicas e na PUC/RS. Participou de inúmeras bancas examinadoras de faculdades brasileiras. Siqueira foi o ultimo integrante a falecer do 'Grupo dos Oito'. Com 91 anos, teve uma parada cardíaca no dia 28 de setembro de 2019. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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Cilço Araújo Campos - Natural de Alegrete, nasceu em 17/08/1924. Foi convocado pelo Exército em razão da 2ª Guerra Mundial. Formou-se Cirurgião-Dentista na Faculdade de Pelotas. Ocupou a presidência da Federação Acadêmica Pelotense. Montou gabinete dentário em Santa Cruz do Sul. Ingressou na carreira militar, como Tenente Cirurgião-Dentista no 5ª Batalhão Policial Militar, em Montenegro, onde participou ativamente da vida social e cultural. Reformou-se da Brigada Militar no posto de Major, transferindo residência para Pelotas, aonde faleceu em 6 de junho de 2000. Ciro Dias da Costa - Nasceu em Pelotas, em 06/02/28, mas cresceu em Cruz Alta. Estudou no Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre. Formou-se como Engenheiro Agrônomo na UFRGS, em 1951. Desenvolveu atividade profissional agrícola e foi Presidente da Cooperativa Tritícola de Cruz Alta. Ocupou a Vice-Presidência da Fecotrigo (78-81) e a Presidência da OCERGS (81-84). Na década de 80 transferiu-se para o Mato Grosso, onde ocupou o cargo de Presidente do Banco Primacred, da cidade de Primavera do Leste. Foi integrante do CTG Querência Distante (MT), e faleceu em junho de 2000. Cyro Dutra Ferreira - Nascido em Porto Alegre, em 10/01/27. Foi Patrão do 35CTG em 55/56 e em 63/64. Participou de quase todos os cargos de Diretoria e Conselho de Vaqueanos, em aproximadamente 30 gestões. É Conselheiro Honorário do MTG. Escreveu o livro "O 35-CTG - O Pioneiro do MTG", além de inúmeras crônicas sobre tradicionalismo em muitos jornais. Foi Capataz de estância. Trabalhou como Escriturário na FARSUL. Foi Chefe de Escritório e Gerente da Comercial de Explosivos Ltda. (Comercial Luce S.A.). Antes de deixar esta fase da vida, no dia 9 de agosto de 2005, viveu entre sua fazenda, em General Câmara/RS, e atividades tradicionalistas. Fernando Machado Vieira - Nasceu em Porto Alegre, em 28/01/1929 (Já falecido). Presidiu a Associação Rural de Cruz Alta e ocupou a Vice-Presidência da FARSUL. Fundou a Cooperativa Agro-Pastoril de Cruz Alta e promoveu e presidiu a 1ª Festa Nacional do Trigo de Cruz Alta. Foi Vice-Prefeito de Cruz Alta, quando, em eventual exercício de prefeito, decretou o município como "Capital do Tradicionalismo Gaúcho", de 19 a 23 de abril de 1973. Após 1983, se instalou em Dourados/MS, onde, hoje, administrou suas fazendas. Integrou-se na fundação do CTG Querência da Serra (C. Alta) e CTG Querência do Sul (Mato Grosso) e participou de eventos campeiros e culturais no Brasil Central. João Machado Vieira - Natural de Porto Alegre, nasceu em 20/10/1927. Concluiu a Faculdade de Direito da UFRGS em 1954. Foi pecuarista, agricultor e advogado no Município de Júlio de Castilhos. Admirado como grande expert na compra de gado. Radicou-se por algum tempo em Mato Grosso como fazendeiro Carismático, bonachão e de espírito humanístico. De retorno ao Rio Grande do Sul, veio a falecer no Município de Cruz Alta, aos 65 anos, no dia 24 de dezembro de 1992.

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João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes - Nasceu em 12 de julho de 1927, em Santana do Livramento. Em 1947, como estudante do Colégio Júlio de Castilhos, criou a 1ª Ronda Crioula (Gaúcha) e fez nascer a "Chama" e o "Candeeiro" Crioulos, e que deu origem a ideia da Semana Farroupilha. Formou-se Engenheiro Agrônomo e foi diretor do Serviço de Ovinotecnia da Secretaria da Agricultura, onde se aposentou. Comunicador no rádio, TV, cinema, disco e shows artísticos. Dirigiu por 10 anos a Ordem dos Músicos do RS e foi Vice-Presidente Nacional. Divulgou o folclore gaúcho por oito vezes na Europa. Publicou 28 livros. Foi modelo para o Laçador, do artista Antônio Caringi, hoje eleita estátua símbolo de Porto Alegre. Paixão Côrtes faleceu aos 91 anos, em 27 de agosto de 2018. Orlando Jorge Degrazia - Natural de Itaquí, nasceu em 08/02/1929. Estudou no Colégio Júlio de Castilhos. Formou-se em Direito em 1953. Foi Consul Privativo do Brasil, em Alvear, na Argentina por 21 anos. No RS assumiu a função de Procurador Adjunto do Tribunal de Contas, onde se aposentou. Fundou o CTG Bento Gonçalves em sua terra. Presidiu o Congresso Tradicionalista em Palmeira das Missões. Foi Governador do Distrito 4680 do Rotary Internacional (78/79). Como pecuarista em Itaquí, em 1990, nas Comemorações do Ano Farroupilha do município, foi guardião da "Chama Crioula" em sua estância Terras de Araã. Exerceu advocacia em Porto Alegre, falecendo em 9 de abril de 2006, com 77 anos. Foto montagem do “Piquete da Tradição” que veio se tornar “histórica” em razão de registrar, por completo, o “Grupo dos Oito”, que antecipou a abertura da “Ronda Gaúcha” (Crioula) de 1947, dentro das festividades programadas pelo Departamento de Tradições Gaúchas, do Grêmio Estudantil do Colégio Júlio de Castilhos.

Da esquerda para direita: Cyro Dutra Ferreira, Antônio João De Sá Siqueira, Orlando Jorge Degrazia, Fernando Machado Vieira, João Carlos Paixão Cortes, Ciro Dias da Costa, Cilço Araújo Campos e João Machado Vieira. Fonte: Barros, Marcio Escalante de - Chama da Tradição 2021.

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HOMENAGEM ESPECIAL DO PIQUETE CHAMA NATIVA ESTÂNCIA DA HARMONIA Inaugurado em 1982, o parque ganhou o nome de Maurício Sirotsky Sobrinho cinco anos depois. Localizado as margens do rio Guaíba, próximo do Centro de Porto Alegre, está a Estância da Harmonia ou Parque da Harmonia, nome usado por grande parte dos que conhecem este belo recanto da capital gaúcha.

Por sua estrutura estritamente vinculada a tradição gaúcha, possuindo cancha reta, galpões e espaço suficiente para abrigar vários piquetes, CTGs e grupos tradicionalistas, se necessário, a Estância do Harmonia vem se transformando, no pouco tempo transcorrido desde sua inauguração, em setembro do ano passado, numa boa opção de lazer do cidadão porto-alegrense, e principalmente daqueles que cultivam de forma mais intensa as tradições nativistas de nosso Estado. NOTA: * O estuário é uma zona alagada caracterizada como um ambiente de transição, sendo o local onde o fluxo de água dos rios encontra a água salgada do mar.

PORTO ALEGRE CAMPEIRO E isso é facilmente constatado quando sabemos que um número bastante grande de eventos tradicionalistas têm tido lugar no Parque. Entre eles a programação Porto Alegre Campeiro, que encerrou as comemorações da Semana de Porto Alegre. Durante dois dias, desenvolveram-se ali, e com todas as condições para isso, as provas e demonstrações campeiras, bem como números artísticos de todo o tipo, que fizeram da ocasião uma das melhores oportunidades que tivemos para assistir um bom espetáculo com infraestrutura invejável. Não bastasse o sucesso de Porto Alegre Campeiro, tivemos a comemoração dos 35 anos do 35º Centro de Tradições, que se deu em grande parte nas instalações da Estância da Harmonia. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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Na oportunidade, quando se realizaram varias atividades comemorativas, que foram desde churrasqueada livre ao almoço, por conta de cada um, tertúlias crioulas, ficou ainda mais evidente a aceitação por parte do público porto-alegrense pelo local. 2º PASSEIO DE BOMBACHAS Tivemos ainda, como um dos maiores sucessos dentro das promoções tradicionalistas, o 2ª Passeio de Bombachas, realizado no dia nove de abril passado. O passeio teve início no Parque Farroupilha, com chimarrão, gaita, violão e muita prosa, seguindo a caminhada então até o Parque Harmonia. Neste local grande número de tradicionalistas e pessoas em geral pôde assistir a um belo espetáculo proporcionado pelos integrantes dos CTGs de Gramado, Canoas, Capão da Canoa, São Jerônimo, Charqueadas, entre outros. A Festa, com muito churrasco, musica e dança, mais uma vez demonstrou as ótimas condições do Parque como um local para promoções de alto nível e com participação de grande público. A Estância da Harmonia é, sem sombra de dúvidas, um das iniciativas de maior sucesso dentro do mundo tradicionalista de Porto Alegre, e vai assim tomando seu lugar como por centralizador das atividades e promoções nativistas da capital. Fonte: Revista: CAMPEIRO Revista Gaúcha nº1 Maio 1983 – Escrita preservada da época

Porto Alegre, RS - 14/09/2019 - Movimentação no Parque Harmonia - Acampamento Farroupilha 2019 - Foto: Joel Vargas / PMPA

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MENSAGEM DA PRESIDENTE DA COMISSÃO DOS FESTEJOS FARROUPILHAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Ao longo do tempo, a passagem do 20 de Setembro – que assinala o início da Revolução Farroupilha (1835-1845) – tornou-se uma oportunidade de tributo à história, à memória e às tradições do povo gaúcho, com celebrações que mobilizam pessoas e instituições em todos os rincões do Rio Grande do Sul. Com o objetivo de integrar essas comemorações em uma ampla programação de caráter cultural, em 2020 o Governo do Estado instituiu a Comissão Especial dos Festejos Farroupilhas, coordenada pela Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) e formada por 18 entidades parceiras. Desde então, entidades governamentais e não governamentais, articuladas com gestores de municípios de todas as regiões do território gaúcho, têm trabalhado em conjunto, com muita dedicação, na preparação dos Festejos. Ano a ano, surgem novas ideias para tornar esse grande evento mais significativo e atraente para o público. Nesta edição, que propõe reflexões sobre o tema do Centenário da Revolução de 1923-período marcado por antagonismos e rivalidades políticas –, a escolha da identidade visual com os lenços branco e vermelho entrelaçados é bastante significativa. Ela simboliza a possibilidade de união de polos opostos, independentemente de diferenças políticas, econômicas, culturais, sociais, religiosas, raciais ou de gênero. O respeito à diversidade, às pessoas e aos seus ideais é um pilar essencial para a construção de uma sociedade democrática mais justa e inclusiva. A aproximação simbolizada pelos lenços de chimangos e maragatos representa o desejo de convivência pacífica do povo gaúcho e o estreitamento dos laços de solidariedade e de cooperação entre diferentes grupos étnicos e sociais, muitos deles invisibilizados ou apagados dos registros históricos, como as mulheres, os negros e os povos originários. Diante da complexidade do tema e da multiplicidade de abordagens possíveis, a contribuição deste e-book é um ponto de partida para despertar o interesse por um conhecimento mais aprofundado dos personagens e dos acontecimentos em seu contexto de época. Até que ponto avançamos, de fato, em relação à polarização extrema, ao sectarismo e à falta de consideração e empatia com os outros? Acreditamos que esse olhar crítico para o passado pode nos proporcionar o amadurecimento indispensável para compreendermos melhor o presente e projetarmos o futuro que queremos construir juntos. Boa leitura! Gabriella Meindrad - Secretária Adjunta da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul Foto: Foto: Anderson Hartmann - O e-book está disponível no link: https://cultura.rs.gov.br/e-book

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FESTEJOS FARROUPILHAS 2023 TEMA ANUAL “Centenário da Revolução de 1923” Os confrontos entre sul-rio-grandenses começaram em 1835, com a Revolução Farroupilha, que se estendeu até 1845. Depois veio a Revolução Federalista, em 1893, conhecida por sua violência. A última guerra entre povos do Rio Grande do Sul foi a Revolução de 1923, em alusão ao ano em que ela começou e terminou. Nessa época, o Estado estava dividido entre os aliados de Borges de Medeiros, que foi reeleito presidente do Rio Grande do Sul em 1923, e os aliados de Assis Brasil, seu opositor. Os correligionários de Borges de Medeiros usavam lenços brancos no pescoço e tinham o apelido de “chimangos”. Eles eram centralizadores e defendiam a permanência vitalícia do então presidente no poder. Já os correligionários de Assis Brasil usavam lenços vermelhos, eram os “maragatos”, e lutavam por uma oposição organizada e pela descentralização política. A Revolução de 1923, que começou no fim de janeiro daquele ano, depois do anúncio do resultado da eleição, terminou em dezembro, com o Pacto de Pedras Altas. Pelo acordo entre chimangos e maragatos, Borges de Medeiros pôde permanecer na presidência até o fim do seu mandato, em 1928. Em contrapartida, numa vitória da oposição, a Constituição de 1891 foi reformada, impedindo a partir de então a reeleição, a indicação de intendentes (prefeitos) e do vice-presidente do Estado. O sucessor de Borges no governo gaúcho foi Getúlio Vargas, lenço branco, chimango. Em 1930, a Frente Única Rio-grandense, sob sua liderança, assumiu o governo do País, na Revolução de 1930. Fonte: https://cultura.rs.gov.br/tema-anual

Foto: Forças borgistas em Passo Fundo. Crédito da imagem: O tempo e o Rio Grande nas imagens do Arquivo Histórico do RS.org. Rejane Penna, Porto Alegre, IEL, Arquivo Histórico do RS, 2011.

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FESTEJOS FARROUPILHAS 2023 IDENTIDADE VISUAL A identidade visual desenvolvida para esta edição dos Festejos Farroupilhas representa o Centenário da Revolução de 1923. Os lenços, branco e vermelho, simbolizam um período da história do nosso Estado em que houve antagonismos e rivalidades políticas. O lenço de pescoço é um dos símbolos mais fortes do gaúcho, seu orgulho e sua honra. Nessa época, os Chimangos, que apoiavam o governo central, usavam o lenço branco, e os Maragatos, contrários à política exercida pelo governo federal, exibiam o lenço vermelho. Na identidade visual escolhida, por unanimidade, pelos membros da Comissão dos Festejos Farroupilhas 2023, os lenços estão entrelaçados, representando o simbolismo de pacificação dessa revolução. Indica que apesar de todas as divergências políticas da época, nós gaúchos estamos unidos. Entrelaçados, os lenços nos mostram a relevância da inclusão e do respeito à diversidade de pessoas e ideais, pilares fundamentais na construção de um mundo melhor. A aproximação, simbolizada pelos lenços, é o meio pelo qual o povo gaúcho lida com as diferenças, sejam elas políticas, culturais, econômicas, sociais, raciais ou de gênero. Os lenços foram um símbolo de um momento histórico e, ainda hoje, as cores predominantes são o branco e o vermelho, que são usados como adornos, representando a tradição, a cultura e o folclore gaúchos desde a sua colonização.

A arte foi produzida por Cintia Matte Ruschel, nascida em Porto Alegre e formada em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela UFRGS. Especializou-se em Design Visual e Computação Gráfica nos Estados Unidos, onde trabalhou em estúdio de animação para cinema em Hollywood. Desde então, trabalha com artes gráficas, logotipos, identidade visual, multimídia, animação, design de sites, entre outros. Concursada da TVE, atualmente trabalha na Assessoria de Comunicação do InstitutoGeral de Perícias e é membro da Comissão dos Festejos Farroupilhas. Cíntia utilizou como referência os lenços branco e vermelho para simbolizar o estreitamento dos laços entre as etnias, as forças políticas, que naquela época, divergiam ferrenhamente, e os muitos significados do que é ser gaúcho. A ideia, de acordo com Cintia, era representar, em uma imagem, a união sem distinção, usando símbolos representativos e simples, mas expressivos. Fonte: https://cultura.rs.gov.br/identidade - Foto: Solange Brum - Ascom Sedac

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FESTEJOS FARROUPILHAS 2023 PATRONA DOS FESTEJOS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Conheça Malu Benitez, a quinta mulher patrona dos Festejos Farroupilhas Dona de uma voz potente, Maria Luiza Benitez não se faz ouvir apenas pelo seu canto. Sua trajetória também tem muito a dizer. Intérprete da música latinoamericana, consagrada nos Festivais do Rio Grande do Sul, foi uma das precursoras do Movimento Nativista. Soma mais de 50 anos de carreira. Neste ano, em março, foi eleita patrona dos Festejos Farroupilhas, em votação da comissão do evento, que é presidida pela secretária adjunta de Estado da Cultura, Gabriella Meindrad. Desde que começou a ser feita essa escolha, em 2005, ela é a quinta mulher a representar os festejos. Antes dela, receberam o título: Nilza Lessa (2012), Elma Sant’Anna (2017), Alessandra Motta (2020) e Liliana Cardoso (2021). Maria Luiza, mais conhecida como Malu, tem 71 anos. Neta de argentinos e filha de uruguaios nasceu em Bagé. Foi lá que despertou sua paixão pelo jornalismo e se tornou a primeira repórter esportiva no RS. Mas foi em Porto Alegre que consolidou sua vida profissional na comunicação e na música. A patrona dos Festejos Farroupilhas 2023 é formada em Direito e em História, com especialização em História do RS. É cantora, compositora, atriz, mestre de cerimônias, radialista e apresentadora de TV. Em 2008, foi agraciada com o troféu “Mulher Farroupilha”, instituído pelo governo do Estado por sua contribuição, através da música, para a arte e a cultura do RS. Em 2010, recebeu a medalha do “Mérito Farroupilha” - honraria máxima concedida pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. No currículo, três edições do “Prêmio Press”, como locutora e apresentadora de notícias do ano. Atualmente, concilia a agenda de shows com a rotina diária de locutora e apresentadora na Rádio Guaíba. Uma vez por semana, comanda o programa Fronteira Aberta, no estúdio do POA Streaming, no Shopping Total. À frente dos microfones também desenvolve um trabalho social, com a realização de campanhas, que informalmente ela chama de “Rede do Bem”. Em família, está entre dois Júlios - o marido, com quem é casada há 43 anos, e o filho, que tem 41. Para Malu é um orgulho muito grande ser patrona dos festejos do Estado. Ainda mais por ter sido escolhida por unanimidade. “É como se fosse uma premiação, um troféu em reconhecimento ao meu trabalho, à minha estrada. Não sou uma frequentadora assídua de CTGs, mas sempre prestigiei. E sempre dei voz e espaço ao movimento, como estou dando agora, no programa Fronteira Aberta”, revelou a patrona. Fonte: https://cultura.rs.gov.br/patrono - Foto: arquivo pessoal

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CANÇÃO TEMA DOS FESTEJOS FARROUPILHAS 2023 “Nos tempos de 23” foi a canção escolhida por meio de seleção organizada pela Comissão Organizadora dos Festejos Farroupilhas 2023. A música cumpriu todos os requisitos propostos na chamada para seleção e foi escolhida, por unanimidade, pelos membros da comissão. A música é de autoria dos músicos Fernando Espindola (vocalista) e Thomas Facco (acordeonista), integrantes do grupo Alma Gaudéria. “Nos Tempos de 23” Letra: Fernando Espindola Música: Thomas Facco Um século se passou Da última revolução Assisistas e borgistas Em guerra por uma eleição Um estado polarizado Se foi às vias de fato Por interesses pessoais De Chimangos e maragatos

E essa revolução De Borges e Assis Brasil Mudou a história do Rio Grande Mudaria a do Brasil O tratado de Pedras Altas Acomodou interesses E o caudilhismo surgiu Pra que o país conhecesse

Todos recordam os nomes Dos que empunhavam bandeiras Mas pouco se reverencia Os da frente nas fileiras Quem vai à luta por ordens Destes se fala pouco Homens com lanças e negros E a mulher "Cabo Toco"

Personagens da história Que vemos em ruas e livros E os feitos de lado a lado Até hoje seguem vivos Quem lê, compreende a história Dos que aguentaram o repuxo Pois luta e revolução Estão na alma do gaúcho

Refrão 100 anos já se passaram Da última revolução Mas depois de tanto tempo Será que temos união? Parece que as diferenças Persistem nos dias atuais E seguimos separados Por ideias e ideais Parte declamada E mesmo após 100 anos Nos tempos de 23 atuais Mulheres, negros e indígenas Ainda buscam direitos iguais Liberdade, igualdade e humanidade Estão na nossa bandeira Que não esqueçamos jamais Que estes sim são ideais Pra buscar a vida inteira! Baixe o arquivo em MP3 - https://admin.cultura.rs.gov.br/upload/arquivos/202305/16180925-master-nostempos-de-23.mp3

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FESTEJOS FARROUPILHAS 2023 HISTÓRICO DA ACAMPARH ACAMPARH - ASSOCIAÇÃO DOS ACAMPADOS DA ESTANCIA DA HARMONIA Criada em 2010 com a intenção de atender aos piquetes e CTG que anualmente participam do Acamamento Farroupilha de Porto Alegre no Parque Harmonia, no centro da Cidade, veio ano a ano se destacado e representando estes piquetes e CTG’s junto a órgão públicos, e principalmente fazendo parte da comissão municipal dos Festejos Farroupilhas, onde defende e organiza junto a Prefeitura de porto Alegre a distribuição dos lotes e o credenciamento dos piquetes e CTG’s. No ano de 2021, durante a pandemia do COVID-19, onde não houve acampamento Farroupilha, participou como curador de atrações culturais junto à programação que aconteceu no parque Harmonia, porém com restrições de público. Já em 2022 teve uma participação mais atuante na Programação dos Festejos Farroupilhas de Porto Alegre, onde foi o organizador das Cirandas escolares, recebendo no acampamento mais de 15 mil crianças em idade escolar para que estas tivessem contato com a cultura gaúcha, as visitações e atividade sócio educativas sobre a cultura do Gaúcho, aconteceram em todos os dias do acampamento, que foram de 07 a 20 de setembro de 2022. Também assumiu a organização dos concursos culturais, uma atividade obrigatória que cada Piquete ou CTG acampado no parque tem que apresentar como contrapartida cultural. Foram mais de 300 apresentações avaliadas pelos jurados, e seus vencedores premiados.

Foto: 5º Edição do Baile ACAMPARH, em 05∕08∕2023, no CTG Sentinela dos Pampas.

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FESTEJOS FARROUPILHAS 2023 HISTÓRICO DA COORDENADORA DOS FESTEJOS FARROUPILHAS DE PORTO ALEGRE Liliana Cardoso - Declamadora, radialista, apresentadora, mestre de cerimônias e ativista cultural. Sobre mim - Sou natural de Porto Alegre, declamadora, radialista, apresentadora, cerimonialista, mestre de cerimônias e ativista cultural. Graduada em Gestão Superior de Eventos com especialização em cerimonial e protocolo. Fui Vice-Presidente do Conselho Estadual de Cultura do RS e Patrona dos Festejos Farroupilhas do RS e de Porto Alegre 2021. Atualmente sou assessora de cultura na Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre e a Primeira Mulher a presidir a Comissão dos Festejos Farroupilhas de Porto Alegre. Casada com Solon Duarte, mãe do Andres Montemuro e Pérola Duarte e avó do Andres Nicolás. Experiências Profissionais e Artísticas - Mestre de cerimônias da Assembleia Legislativa do RS por 10 anos. Organizadora e autora da obra pioneira: “A Matriz da Cultura Negra no Gauchismo” com 22 co-autores(as) lançado em setembro de 2021 como ação de seu patronato. Premiada em diversos Rodeios Nacionais e Internacionais: Bicampeã do Rodeio Internacional da Vacaria; Pentacampeã do FEGART-ENART; Pentacampeã dos Campeões Internacional de Osório; Tricampeã de Tramandaí; Tricampeão do Rodeio Internacional de Capão da Canoa; Tetracampeão do Rodeio Internacional de Passo Fundo; Bicampeã da Semana Internacional de Bagé, entre mais de 300 troféus. Como Apresentadora e Mestre de cerimônias, sou requisitada nos mais destacados Eventos e Festivais do RS: Esteio da Poesia, Sesmaria da Poesia Gaúcha, Bivaque da Poesia Gaúcha, Acampamento da Musica Nativa de Campo Bom, Carijo da Canção, Tertúlia de Santa Maria, Canto de Luz de Ijuí, Canto Missioneiro, Califórnia da Canção, Reponte da Canção, O Rio Grande Canta o Cooperativismo, Unimed da Canção, por diversas edições em mais de 20 festivais. Desenvolvo o projeto “A arte de declamar” juntamente como meu pai José Luiz Rodrigues dos Santos, com o qual percorreram o Brasil de bombacha fazendo palestras e oficinas de declamação; Mais de 40 fonografias gravadas em sua voz, destacando-se o CD “Tributo a Aparício Silva Rillo”, em parceria com o saudoso declamador Patrocínio Vaz Ávila. Também o CD “Gerações”, com Pedro Junior da Fontoura, Romeu Weber, Luiza Barbosa e Guilherme Sumann. Premiações - Fui condecorada com a maior Honraria do Estado do RS, a Medalha do Mérito Farroupilha, pela Assembleia Legislativa. Três vezes escolhida cinco vezes como Melhor Declamadora do Ano com o Prêmio Vitor Mateus Teixeira. Troféu Guri, do Grupo RBS TV e Rádio Gaúcha. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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FESTEJOS FARROUPILHAS 2023 PATRONA DOS FESTEJOS DE PORTO ALEGRE CURRÍCULO CULTURAL DE TELMA REJANE DOS SANTOS – “GRINGA” CTG PORTEIRA DA RESTINGA – 1ª RT – MTG/RS Telma Rejane dos Santos, natural de Santo Antônio das Missões, nascida em 09 de maio de mil novecentos e sessenta e nove. Reside em Porto Alegre há quase trinta anos, na zona sul. Mãe de quatro filhos, sendo duas meninas e um casal de gêmeos. Além de mãe, também é avó de duas lindas gurias. Atua no Movimento Tradicionalista GaúchoMTGRS por mais de 15 anos. Iniciou sua trajetória no CTG Piquete da Amizade, exercendo a função de Diretora Cultural em 2008, além de ser mãe de prenda. Em 2010, ainda no mesmo CTG Piquete da Amizade, foi coordenadora da Gincana Cultural no Acampamento Farroupilha de Porto Alegre. Já nos anos de 2011 e 2012 exerceu a função de Diretora Cultural do CTG Descendência Farrapa. Antes do início dos festejos farroupilhas do município de Porto Alegre, Gringa foi responsável pela guarnição da Chama Crioula na sede da Primeira Região Tradicionalista. No ano de 2013 frequentou o Curso de Formação Tradicionalista Básico – CFOR Básico. Ainda em 2013 teve a grata oportunidade de participar da criação das Anitas Galponeiras da Primeira Região Tradicionalista. Grupo este que passou a ser responsável pela guarnição da Chama Crioula na sede da RT. De 2013 à 2018 e 2022 atuou na coordenação da Chama Crioula no Acampamento Farroupilha de Porto Alegre, foram sete anos a frente desta guarnição, oportunidade pela qual fez muitos amigos, gaúchos sem fronteiras, tais como os Tropeiros da Chama do CTG Vinte de Setembro da cidade de Curitiba/PR, sempre auxiliando as entidades acampadas e a organização do evento. Ainda em 2013 passou a integrar a equipe de avaliadores culturais do Acampamento Farroupilha da Capital. Já em 2014 auxiliou na criação do grupo de truco cego no CTG Inhanduí. Tem se dedicado a ações sociais e costuma sempre se voluntariar para atender a cozinha em eventos. É cozinheira de mão cheia, reconhecimento tal, que esteve à frente da cozinha da Primeira Região na sede e no Enart em algumas oportunidades. Participa ativamente em grupos de estudo das comissões de avaliação, já concluiu com êxito diversos cursos de formação de avaliadores culturais, seminários e palestras. São incontáveis as participações de Telma Rejane dos Santos – Gringa – em concursos de prendas e peões e atividades regionais e estaduais, bem como em ações de fomento da cultura gaúcha no município de Porto Alegre. No Acampamento Farroupilha de Porto Alegre é unanimidade quanto ao seu carisma e auxilio incondicional aos acampados. Por oportuno, se define apenas como: Amiga da cultura. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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MAPA DO PARQUE – FESTEJOS FARROUPILHAS 2023 O Piquete Chama Nativa está localizado no lote 30, no Parque da Harmonia. O Acampamento Farroupilha é o maior evento alusivo à cultura tradicionalista gaúcha, para comemorar a Revolução Farroupilha. É realizado no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, mais conhecido como Parque da Harmonia, durante o mês de setembro. Em 2023, vai receber 232 Piquetes que irão apresentar seus projetos culturais sobre o tema: “Centenário, Revolução de 1923".

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MAPA DO PARQUE - FESTEJOS FARROUPILHAS 2023 A Estância da Harmonia é réplica de uma estância tipicamente gaúcha. Contornado pelas avenidas Loureiro da Silva (Av. Perimetral), Augusto de Carvalho e Edvaldo Pereira Paiva (Av. Beira-Rio), o parque foi inicialmente chamado de Porto dos Casais e, depois, passou a denominar-se, pela lei municipal nº 5066 de 1981, Parque da Harmonia. Em 25 de março de 1987, pela lei municipal nº 5885, passou a chamar-se Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, em homenagem ao fundador do grupo de comunicação Rede Brasil Sul (RBS).

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Acampamento da Estância da Harmonia Porto Alegre/RS

PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas”

Foto: www.portaldasmissoes.com.br

Elaboração: Departamento Cultural – Piquete Chama Nativa Os dados a seguir fazem parte do Projeto entregue a Comissão dos Festejos Farroupilhas, no dia 5 de julho de 2023, com as justificativas do trabalho realizado pelo nosso Departamento Cultural do Piquete Chama Nativa. OBJETO Neste Projeto Cultural, desenvolvido pelo Departamento Cultural do Piquete Chama Nativa, respaldado pelo Tema Estadual 2023, iremos abordar a importância e participação da figura feminina revolucionaria e suas conquistas, para construção da sociedade gaúcha. A sua participação marcante, antes, durante e após a revolução de 1923, revelou personagens importantes para a nossa história, não excluindo: mães, filhas e esposas, que mesmo sem receber créditos ou visibilidade, também merecem todo o respeito e reconhecimento, por tudo que superaram ao longo dos anos em que tivemos em conflito. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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OBJETIVO Objetivo do projeto presente é pesquisar personagens femininas, para trazer ao público visitante do acampamento, a biografia, suas trajetórias e conquistas durante os conflitos de 1923. Temos como motivação, a transformação da mulher gaúcha ao longo da história, mesmo vivendo e enfrentando literalmente uma revolução a cada dia, tem nos dias atuais, os seus reflexos, pois as suas lutas do passado, estão representadas hoje no presente, em plena efervescência em nossa sociedade. As armas são outras, mais seus ideais permanecem vivos e altivos, mesmo em um Estado conservador, mas que a cada dia tem que reconhecer o papel e a importância não somente das mulheres, mas das classes minoritárias que precisam ser respeitadas e valorizadas, de forma igualitária, jamais de forma pejorativa e discriminativa. JUSTIFICATIVA A finalidade deste projeto é chegar ao conhecimento da comunidade, que o estado Rio Grande do Sul é caracterizado pela fibra de suas mulheres que, durante as revoluções que dividiram o Estado, muitas dessas ocorrendo de forma autoritária e sangrenta, fez com que a mulher gaúcha tivesse um papel preponderante e de destaque, mesmo vivendo em uma época que elas, não tinham o direito de estudar, trabalhar e votar. Para contextualizar essa pesquisa, é importante ressaltar, que a mulher estava sempre ao lado do homem, e que suas ações e astucias em meio aos conflitos fizeram das mesmas não só guardiãs do lar, quando os maridos e filhos deixavam suas casas, mas que em meio aos conflitos que abalavam a estrutura familiar em todas as planícies rio-grandenses, e que forjava a cada conflito, a cada revolução, uma mulher cada vez mais forte e decidida a defender a sua causa e a sua família, como uma verdadeira heroína, que na necessidade, prontamente pegava em armas para defender seus ideais de liberdade, na esperança que a paz retornaria. AÇOES DE INCLUSÃO SOCIAL A pesquisa do Projeto Cultural 2023 nos brindou a conhecer um dos ambientes que uma de nossas homenageadas D. Luizinha Aranha ajudou a fundar em 1938, o "AMPARO SANTA CRUZ", que servia para atender os filhos sãos dos leprosos, na sequencia virou orfanato e atualmente é um centro de assistência a jovens e idosos por meio de ações e projetos socioeducativos e além de ir conhecer esse espaço no Belém Velho, convidamos as crianças e idosos, para uma ação social, cidadã e de inclusão com elas, durante o dia 12 de setembro. Uma valorosa confraternização visando estimular as crianças a conhecer um pouco da historia de sua benfeitora, e também promover um aprendizado valiosíssimo para todos os alunos, que é o respeito às diferenças e a importância da filantropia. No dia 13 de setembro, foi à vez de receber os idosos do instituto, de forma fraterna, respeitosa e acolhedor desenvolvemos da mesma forma, que com as crianças uma atividade cultural de integração e de troca de conhecimentos e muito carinho. Nas duas oportunidades, servimos um lanche e contamos o histórico do Piquete Chama Nativa e a nossa preocupação com as ações sociais e bem estar de todos. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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METODOLOGIA Este Projeto tem por finalidade dar enfoque de maneira clara e objetiva e utilizando técnicas e recursos, necessários, buscando conhecimentos básicos para a execução de um bom trabalho. Será apresentado na modalidade Dissertativo, de forma oral, para compartilhar informações ao publico visitante, com o objetivo de expor memoriais da época (fotos e banners), explicar as consequências positivas da Revolução em relação as mulheres, apresentar conceitos e/ou informações atuais com um olhar voltado para o passado retrógado. Foi elaborado pelo Departamento Cultural esse documentário e-book, contendo a biografia, trajetórias e conquistas, de algumas personagens, antes, durante e após a Revolução de 1923. Onde será sendo abordado com mais riqueza a importância e participação da figura feminina revolucionaria para construção da sociedade gaúcha. SEJAM BEM VINDOS A APRESENTAÇÃO DO PROJETO CULTURAL 2023 Durante o evento, no dia 8 de agosto do corrente ano, em que o Governo do RS lançou a programação dos Festejos Farroupilha de 2023, ocorreu uma fala do Governador Eduardo Leite, que resume nosso sentimento e o que nos moveu a criar esse tema “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas”, sendo que as justificativas que apresentamos em julho, praticamente um mês antes, parecem que atualmente ecoou no Palácio Piratini, tamanho o alinhamento da fala e o contexto de como gostaríamos de abordar esse tema tão importante, para a sociedade gaúcha. “Essas são as lutas travadas no passado e que eventualmente nos dividiram. Hoje, é uma luta diferente. Se há cem anos se passou uma revolução, hoje nós temos uma revolução por dia. Não para pegar em armas, mas para ocupar espaços. É uma luta que transforma a palavra, a caneta e outras ferramentas em arma. Isso está acontecendo com as mulheres que ocupam seus espaços e com as pessoas – independentemente da raça, da crença religiosa, da orientação sexual – que ocupam seus lugares na sociedade. Tudo isso é revolução”, salientou o Leite. A partir desse contexto, que tão bem nosso governador destacou em sua fala, vamos apresentar primeiramente, a causas e os lideres da Revolução de 1923, quem foram seus personagens e suas ideologias que fez o Estado novamente pegar em armas, e entrar no seu terceiro grande conflito armado, como já ocorrerá em 1835 e 1893. Na sequência iremos abordar as mulheres, quem são elas, o que estariam fazendo em plena revolução, qual o seu papel e legado para a sociedade gaúcha. Onde estão seus rostos, seus nomes, suas ações, porque elas continuam após 100 anos ainda de certa forma na clandestinidade. Por isso iremos aproveitar e trazer as imagens de algumas mulheres, para bem representar esse período revolucionário do RS. E por fim, queremos contextualizar com todos os presentes, os reflexos dessa revolução, quem são os personagens atuais que estão fazendo uma nova revolução no Estado, uma revolução de pensamento, de atitude e de cultura, quem são os revolucionários de hoje. Uma boa leitura a todos! Pesquisador e Prod. Cultural: Márcio Barros - Departamento Cultural do Piquete Chama Nativa

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PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas” CENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO DE 1923 A revolução gaúcha de 1923 foi o terceiro movimento revolucionário no Rio Grande de Sul, encerando o ciclo de uma trindade de grandes guerras civis: a Farroupilha (18351845), a Federalista (1893-1895) e por fim, a revolução de 1923, deixando um saldo de mais de mil mortes sob a liderança de Joaquim Francisco de Assis Brasil, em reação à reeleição de Antônio Augusto Borges de Medeiros para o quinto mandato como presidente do estado. Borges de Medeiros ganhou com 106.360 votos, venceu pela 5o vez em seu mandato, inscreveram-se 267.690, faltaram 129.092, mas Borges estava respaldado, pela constituição de 1891. - Constituição de 1891, artigo 9º: “O Presidente exercerá a presidência por cinco anos, não podendo ser reeleito para o período seguinte, salvo se merecer o sufrágio de três quartas partes do eleitorado”. Porém, não era só uma disputa pelo poder político e sim por questões econômicas, sociais e com os inúmeros descontentamentos durante o período Borgista. A revolução de 1923 prolongou-se até dezembro do mesmo ano, chegando a sua máxima, pois os maragatos não tinham armamento à disposição, já os governistas, ´´Ximangos`` adeptos de Borges de Medeiros, contavam com a Brigada Militar e dispuseram do melhor armamento. Logo, com a derrota dos rebeldes, pacificou-se a revolução no Pacto de Pedras Altas, na sala de estar, do famoso castelo de Pedras Altas e residência de Assis Brasil. A revolução de 1923, não teve vencedores, os opositores ao governo tiverem por apenas um objetivo alcançado pelo acordo, e Borges pôde permanecer até o final do mandato em 1928, mas a Constituição de 1891 foi reformada em fevereiro de 1924: - O presidente e o vice-presidente seriam eleitos para um mandato de quatro anos, sem o direito de reeleição, estendendose para as eleições estaduais e municipais da legislação eleitoral federal. Terminando com possibilidade de reeleição. Assim, os grupos políticos, federalistas e republicanos, poderiam se revezar no poder. Após o pacto, na eleição seguinte venceu um candidato lenço branco, o sucessor de Borges no governo foi Getúlio Vargas. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas” CHIMANGOS E MARAGATOS ORIGEM DOS TERMOS MARAGATO O termo tinha uma conotação de deboche, ironia, pejorativa, atribuída pelos imperialistas e legalistas aos revoltosos liderados por Gaspar Silveira Martins, que deixaram o exílio, no Uruguai, e entraram no RS à frente de um exército. Como o exílio havia ocorrido no Uruguai numa região colonizada por pessoas originárias da Maragateria (na Espanha), os republicanos apelidaram-nos de "maragatos", buscando caracterizar uma identidade "estrangeira" aos federalistas.Com o tempo, o apelido assumiu significado positivo, aceito e defendido pelos federalistas e seus companheiros. O lenço vermelho identificava o maragato. CHIMANGO A grafia pode ser ximango. Ave de rapina muito comum na campanha riograndense, falconídea, pessoal rapineiro, oportunista, caçador que é da terra. Alcunha depreciativa dada aos liberais moderados pelos conservadores, no início da monarquia brasileira. No RS, nos anos de 1920, foi o codinome dado pelos federalistas aos governistas do PRR. Honório Lemes Maragato contra Flores da Cunha Chimango (picapau). O lenço de cor branca identificava os chimangos. O lenço de pescoço é um dos símbolos mais fortes do gaúcho, seu orgulho e sua honra. Muitas vezes foi também símbolo político. Em 1893 foram "maragatos" contra "pica-paus" (lenço vermelho contra lenço branco) e em 1923 foram "maragatos" contra "chimangos" (novamente o embate das duas cores tradicionais) e em 1930 o líder e estrategista Getúlio Vargas uniu brancos e colorados, maragatos e chimangos e literalmente "invadiu" o Brasil.

Fonte e foto: www.portaldasmissoes.com.br

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PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas” Lideranças gaúchas que com seus ideais, dividiram o Estado, em confrontos envolvendo as elites rurais do Rio Grande do Sul. Os resquícios da revolução de 1893 a 1895, poucos anos após Proclamação da República, originaram na crise política gerada pelos Federalistas, grupo opositor liderado pelo liberal monarquista Gaspar Silveira Martins. Grupo que era opositor ao governo de Júlio de Castilhos, então presidente do Rio Grande do Sul, que buscava conquistar maior autonomia e descentralizar o poder da recém-instalada da República.

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BREVE HISTÓRICO DE LIDERANÇAS DA REVOLUÇÃO DE 1923 Quando se anunciou o resultado das urnas, com a previsível vitória de Borges de Medeiros, a revolta foi geral. A comissão apuradora de votos, formada por pessoas fiéis ao governo, foi acusada de fraude eleitoral pela oposição. A disputa nas urnas transformou-se em disputa pelas armas. Por isso, apresentamos um breve histórico que inicia com as figuras de Júlio de Castilhos e Gaspar Silveira Martins, porque é a partir deles, que jovens lideranças vão escolher um lado, e “defender suas causas, a lances de adaga e bala”. Júlio Prates de Castilhos - Nasc. 29/06/1860, Cruz Alta – F. 24/10/1903, Porto Alegre Considerado o "patriarca do Rio Grande do Sul" pelos seus conterrâneos. Foi presidente do Rio Grande do Sul por duas vezes e principal autor da Constituição Estadual de 1891. Disseminou o ideário positivista no Brasil. Gaspar da Silveira Martins - Nasc. 05/08/1835, Departamento de Cerro Largo - 23/07/1901, Montevidéu Advogado e político, iniciou sua vida pública como juiz municipal no Rio de Janeiro, de 1858 a 1859. Depois, foi deputado (provincial e geral), senador, ministro da Fazenda, presidente da Província do Rio Grande do Sul e também conselheiro de Estado. Antônio Augusto Borges de Medeiros - Nasc. 19/11/1863, Caçapava do Sul – F. 25/04/1961, Porto Alegre Foi um advogado e político brasileiro, tendo sido presidente do estado do Rio Grande do Sul por 25 anos, durante a República Velha e marcado pela defesa de valores positivistas. Joaquim Francisco de Assis Brasil - Nasc. 29/07/1857, São Gabriel - 24/12/1938, Pinheiro Machado Foi um advogado, político, orador, escritor, poeta, prosador, diplomata e estadista brasileiro; propagandista da República. Foi fundador do Partido Libertador, deputado e membro da junta governativa gaúcha de 1891. Osvaldo Euclides de Sousa Aranha - Nasc. 15/02/1894 – Alegrete – F. 27/01/1960 - Rio de Janeiro Em 1923, quando explodiu a luta fratricida entre "chimangos" (aliados de Borges de Medeiros — presidente do estado) e "maragatos" (opositores à sua quinta reeleição), chegou a pegar em armas e lutou a favor do sistema republicano de Borges de Medeiros. Foi um político, diplomata e advogado brasileiro, que ganhou destaque nacional em 1930 sob o governo de Getúlio Vargas. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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BREVE HISTÓRICO DE LIDERANÇAS DA REVOLUÇÃO DE 1923 José Antônio Netto - Nasc. 24/06/1854, Bagé – F. 22/05/1948, Camaquã Conhecido como General de Guerra Zeca Netto, foi um líder maragato da Revolução de 1923. Irrompe a revolução de 1923, Netto alia-se ao movimento sendo o primeiro chefe a levantar-se em armas no sul rompendo-se do PRR - Partido Republicano Riograndense. Foi um dos maiores líderes maragatos. José Antônio Flores da Cunha Nasc. 05/03/1880, Santana do Livramento – F. 04/11/1959, Porto Alegre Em 1923 destacou-se como chefe militar legalista na luta que conflagrou o Rio Grande do Sul, opondo os partidários do governador Borges de Medeiros aos oposicionistas liderados por Joaquim Francisco de Assis Brasil. Renovou seu mandato de deputado federal em 1924. Em 8 de outubro de 1925 prendeu Honório Lemes e garantiu sua integridade quando populares quiseram linchá-lo. Coronel Claudino Nunes Pereira - Nasc. 06/ 01/1872, São Luiz Gonzaga - F. 17/06/1945, Porto Alegre. Foi comandante da Brigada Militar em 1923. Entre as virtudes que caracterizam a sua individualidade, a nobreza do caráter e a generosidade do coração fazem dele o homem estimadíssimo na sociedade, sem distinção de credos políticos. São tradicionais os seus sentimentos de humanidade, para os prisioneiros ou feridos, na guerra, e o seu cavalheirismo, na paz. Honório Lemes da Silva - Nasc. 23/09/1864, Cachoeira do Sul – F. 30/09/1930, Rosário do Sul Conhecido como "O Leão do Caverá", em 1923 (59 anos)pegou em armas, dessa vez para lutar contra a posse de Borges de Medeiros, que havia sido reeleito para o quinto mandato consecutivo no governo gaúcho. Em novembro do ano seguinte voltou a rebelar-se, dessa vez em apoio aos jovens oficiais militares que, liderados por Luís Carlos Prestes, sublevaram unidades do Exército no interior gaúcho contra o governo do presidente Artur Bernardes. Felipe Nery Portinho - Nasc. Nasceu em 1865 - Cruz Alta - Faleceu em 1947. Conhecido como o Barão Maragato, na Revolução de 1923, não mais morando no Estado, volta para o Rio Grande do Sul para lutar. Sua participação inicial foi marcada enquanto deslocava-se de Santa Catarina com uma tropa com cerca de 800 homens, em direção a Lagoa Vermelha quando teve seu primeiro combate com as tropas do Coronel Firmino Paim Filho. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas” MULHERES E SUAS REVOLUÇÕES A coragem e a fibra das mulheres gaúchas após as inúmeras revoluções que foram enfrentadas forjou essa mulher sulina, com característica genuinamente campesina e aguerrida, prontas para lutar e defender as suas causas. Seu histórico percorre uma linha do tempo, desde o inicio da ocupação do nosso estado, iniciando pelos índios, na sequencia pela chegada dos jesuítas, passando pelo período dos tropeiros, estancieiros, revoluções, imigrações até chegar à mulher gaúcha da atualidade. A primeira mulher gaúcha era tupi-guarani. Nômade, cuidava dos filhos e acompanhava os índios. Com a chegada jesuítica, nas primeiras Missões, elas aprimoraram suas técnicas no artesanato, trabalhavam nas lavouras e foram sendo catequizadas. Os bandeirantes vieram, e durante um bom período essas mulheres ficaram desprotegidas, com seus maridos e filhos sendo escravizadas, elas também padeceram e ficaram refém dos abusos e dos maus tratos da época, em uma terra sem lei e sem proteção de coroas ou governos. Com o retorno dos Jesuítas ao Estado, e sob o comando do Padre Roque Gonzáles a criação do gado começa a tomar um novo rumo, e um grande comércio surge, com a venda especialmente do couro que era bem visado, assim surge as tropeadas até Sorocaba (São Paulo). Os homens responsáveis por essa atividade campeira eram chamados de tropeiros. Esses tropeiros com o passar do tempo, ao retornar ao Estado, com dinheiro na guaiaca, começam a adquirir terras e formar as Estâncias para a pastagem do seu próprio gado. Como essas mudanças a mulher agora se torna chefe do lar com um papel importante dentro do contexto familiar, recebendo novas tarefas, como o cuidado da educação dos filhos e dos afazeres domésticos. Porém esse tempo de paz, não é duradouro e logo chega às revoluções, os homens da casa, vão para o campo de batalha e elas ficam a defender seus lares. Neste período, a esperança de paz e o fim dos conflitos era a notícia mais aguardada, embora as baixas fossem inevitável tamanha era a brutalidade dos confrontos entre forças governistas e revolucionarias. A República é uma realidade no final do século XVIII, e assim com ela, vamos ver em nossos portos a chegada dos imigrantes açorianos, alemães, italianos e assim por diante, trazendo em suas bagagens novas culturas, trabalho e prosperidade e a mulher e a sociedade gaúcha, vai absorver com astucia essas mudanças e novamente se adaptar. Com essas mudanças, a mulher rio-grandense também continuava em processo de transformação, e aproveitando essa escrita, dando sequencia ao nosso projeto, propomos o seguinte questionamento: quem são essas gaúchas? PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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SE ELAS SÃO REAIS, ONDE ELAS ESTÃO? Com esse proposito apresentamos algumas dessas iluminadas gaúchas, que durante a Revolução de 1923, estavam presentes, atuando na linha de frente, e também nos bastidores, conservando seu anonimato e ao mesmo com galhardia e astucia estavam contribuindo conforme suas ideologias, sejam eles de situação ou oposição, conseguiram impor seus ideais de liberdade, igualdade, humanidade, fraternidade e família. Dentro da dinâmica de Inovação e Originalidade, buscamos uma formula, mesmo estando entre os recursos digitais atuais, uma forma simples de interagir com o público e simpatizante de nossa entidade, visando à criatividade dentro do tema escolhido e a sua Relevância, e assim desde a abertura do nosso acampamento, colocamos esse banner, com essa pergunta, para ver a reação das pessoas, e aguçar o pensamento e a reflexão, para que as pessoas de fato pudessem revelar dentro de seus conhecimentos, quem seriam essas mulheres rio-grandenses que fazem parte da nossa história de luta e de transformação social de nosso Estado. Com um espaço, para sugestões de nomes e qual iremos apresentar o resultado desta atividade, durante a dissertação de nosso Projeto Cultural, abordando os nomes e feitos de algumas dessas mulheres sejam pelo lado governista ou revolucionário.

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PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas” OLMIRA LEAL DE OLIVEIRA, CABO TOCO. Cabo Toco: Uma enfermeira que se tornou combatente Olmira Leal de Oliveira, é a patrona da primeira turma de Policiais Militares Femininas do Estado do Rio Grande do Sul. Nasceu em Camaquã Caçapava do Sul, em 18 de junho de 1902. Passou por movimentos revolucionários em 1923, 1924 e 1926, com destaque de bravura, deixou a corporação em 1932. Foi a primeira mulher gaúcha a ostentar a farda da Brigada Militar, quando Borges de Medeiros lutava pela sua reeleição ao governo do estado do Rio Grande do Sul. Durante a revolução de 1923. Foi graduada a Cabo e devido a sua baixa estatura, atendia por “Cabo Toco”. Sendo recrutada aos 21 anos de idade para servir como enfermeira voluntária, tornou-se combatente no ataque armado a suas tropas no Passo das Pitangueiras (Caçapava do Sul). Sendo questionada do porque Gel. Zeca Netto sempre vencia suas batalhas, ela sem de longas ia logo respondendo – As tropas do Gel. Netto eram uma “gurizada” sem experiência de combate, mas venciam pela coragem, por isso todos tinham medo deles. Em 1924: Realistou-se como Cabo Olmiro, infiltrando-se como espiã nas tropas de Comandante José Antônio Netto, conhecido como General Zeca Netto, que foi um dos líderes maragato da Revolução. Um dia ela foi ao acampamento do Zeca Netto, pessoa que ela dizia odiar, mas ao mesmo tempo ela relatava que ele tinha tido um caso com a sua mãe, uma quase controvérsia já que ele era o motivo dela ir para guerra, para combater o general que fazia muita maldade na época, conforme ela mesma o descrevia. Um dia ela foi lá ao acampamento deles e se fez que ia mudar de lado, dai os homens do Netto, pegaram ela e amarram pelos pés num cavalo, e aquele cavalo a arrastou por dias mato os fora, fatos narrados por sua enfermeira que lhe atendia em 1985. Olmira Leal de Oliveira faleceu em 21 de outubro de 1989, em Cachoeira do Sul, quando faleceu, recebia pensão vitalícia especial, correspondente ao cargo de 2º Sargento da Brigada Militar concedida havia poucos anos, por parte do Governo do Estado. Em 1987: Olmira Leal de Oliveira ficou conhecida ainda em vida pela música “Cabo Toco”, letra e composição de Nilo Brum e Heleno Gimenez, interpretada pela cantora Fatima Gimenez, que ganhou o primeiro lugar na V Vigília do Canto Gaúcho. Em seu túmulo possui uma frase que faz parte da letra da música “Cabo Toco”: ”Entrei de frente na história e, acredite quem quiser, em vinte e três fui soldado sem deixar de ser mulher”. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas” DONA LUIZINHA ARANHA A “MÃE DOS ARANHA” Luiza de Freitas Valle, conhecida futuramente como Dona Luizinha Aranha, nasceu na cidade de Alegrete, RS, vivendo muito tempo em Itaqui e Porto Alegre (RS), depois Rio de Janeiro. Figura de projeção na sociedade brasileira. Da província de São Paulo, especificamente da localidade de São Sebastião, veio seu pai, Manuel de Freitas Valle casado com Luiza Jacques de Freitas Valle, primos-irmãos, para o Rio Grande do Sul, fixando-se em Alegrete. Ali nascia a 2 de fevereiro de 1872, Luiza, que viria a casar com Euclides Egydio de Sousa Aranha, de São Paulo. Casaram em Alegrete, dia 12 de outubro de 1887. Luiza teria nesta data apenas 15 anos. Por ocasião de seu falecimento, aos 76 anos de idade, em 31 de Maio de 1948, ocorrido no Rio de Janeiro, a viúva deixou 9 dos seus 21 filhos (Embaixador Osvaldo Aranha, Cneu Aranha, Cyro Aranha, Luiz Aranha, Manuel Aranha, Euclides Aranha filho, José Antonio Aranha, D. Elóa Maciel Aranha e D. Lais Taunay Aranha). Em 1893, junto com o esposo, esteve exilada na Argentina por conta dos efeitos da Revolução Federalista, a “Revolução da Degola”, um dos mais sangrentos episódios bélicos de natureza política do estado. Regressa em 1894, aonde vai residir em Itaqui, na recém-adquirida Estância do Alto Uruguai, ano que nasce o filho, futuro chanceler e presidente da ONU, ministro de Estado – Osvaldo Aranha. Em Itaqui, preocupada com a educação católica de seus filhos/as, participou ativamente do movimento que solicitava a presença das Irmãs Teresianas para a fundação de um colégio católico na Cidade. Assim, entraram em contato com a Irmã Provincial Dolores do Coração de Jesus Folch em Montevidéu. Essa fundação se concretizou no dia 16 de julho de 1911, festa de Nossa Senhora do Carmo. Por meio de relatos das irmãs teresianas, até a década de 60 o colégio funcionava como internato, onde as jovens eram ensinadas a bordar, tocar piano, costurar entre outras disciplinas. No ano de 1923 – Dona Luiza e o Coronel Euclides Aranha tiveram oito de seus filhos engajados na luta, juntamente com o pai. Além disso, a distinta senhora teve atuação destacada, socorrendo feridos, abrigando famílias e essa assistência ocorria sem distinção de cores partidárias. Em 1930 organizou um serviço destinado a socorrer e amparar os combatentes e familiares desse movimento, ou seja, a Revolução de 30. Já em 1931 aceitou a presidência da Cruzada Feminina Deus e Paz, no Rio Grande do Sul, que defendia os princípios básicos da família brasileira. Nesse período, uma das vitórias da cruzada foi o decreto presidencial instituindo o ensino religioso nas escolas. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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Em 1934 organizou um manifesto, com 250 mil assinaturas, para que na Constituição Federal fossem aceitas as emendas de caráter religioso. Decorrente desse trabalho na defesa das ideias católicas, o Papa Pio XII concedeu-lhe a Cruz “Pro-Eclesia et Pontifice”, considerado um dos mais altos diplomas da Igreja. Estava também envolvida na Campanha do Bom Cinema. Neste mesmo ano, lidera outro memorial assinado por mais de 14 mil senhoras. Ano de 1934 – um dos mais relevantes serviços de Dona Luiza foi a criação do “Amparo Santa Cruz”, no bairro Belém Novo, em Porto Alegre, levantado para os filhos sãos dos leprosos. Para construção e levantamento da pedra fundamental dessa sede, em 1938, fez campanhas poderosas, conseguindo muito dinheiro. Gerenciado pelas Irmãs Franciscanas, as crianças recebiam educação voltada para o trabalho. E mais – os jornais acentuam que Dona Luiza gastou a maior parte de sua fortuna ali. O local inaugura em 1940 oferecia atendimento a 150 crianças. Ano de 1940 – foi conferida a Ordem Militar de São Lázaro de Jerusalém à Dona Luiza Aranha pelos profícuos trabalhos comunitários e beneméritos. O Jornal o Globo, do Rio de Janeiro, em 01 de junho de 1948, destacava que D. Luizinha Aranha, passou pelo mundo incutindo em todos os seus filhos energia para a luta, resistência para o mal e esperanças para a grandeza de sua terra! Vários órgãos da imprensa nacional noticiaram o seu falecimento, e vários artigos sobre o legado deixado por D. Luizinha, foram publicados, justificando a importância do seu trabalho social, seu engajamento em ações de filantropia e dotada das mais peregrinas virtudes. Senhora de aprimoradas virtudes de caráter e de coração. O Diário da Noite, de São Paulo, edição n.º 87205, de 1948, página 1, trazia a seguinte e dolorosa notícia: Falece a “Mãe dos Aranha”. Gastou sua fortuna em obras de caridade. Protegeu os pobres e sempre ajudou a construir hospitais, escolas e igrejas. Hoje o sepultamento da Sr.ª Luiza Freitas Valle Aranha no Cemitério de São João Batista. Rio, 1. Perdeu ontem o Brasil uma das suas mais ilustres matronas, digna por todos os títulos da administração, não só da Sociedade em que viveu, mas também a nação inteira, aquela que no Rio Grande, em São Paulo, no Rio e no próprio norte era chamada carinhosamente a “mãe dos Aranha”.

Foto: Amparo Santa Cruz - Departamento Nacional 1948 - Álbum das organizações anti-leprosas e da Escola Santa Teresa de Jesus em Itaqui – Jorge Marty e Virginia Bastos

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PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas” NORMELIA PEIXOTO - (Bebela) Ao longo dos seus quase 102 anos Bebela guardou na memória os acontecimentos da “Revolução Gaúcha de 1923”, da qual ela participou ao lado do pai Sebastião de Oliveira e do marido João Peixoto, farmacêutico, considerado um médico oficial, e tinha imunidade por ser do serviço de saúde, em Cruz Alta, sua cidade natal. Durante mais de 10 anos, sua neta Clarice Peixoto, registrou os relatos da sua avó sobre a importante participação feminina nesta revolta, revelando a singular atuação das mulheres nos episódios políticos brasileiros. Um documentário foi produzido, com muitas fotografias e recortes de jornais que animaram essas conversas, entrelaçando assim os fragmentos de sua memória. Ela tinha um diário, aonde fez inúmeras anotações, uma delas sobre seus pais, Sebastião de Oliveira, líder politico do partido libertador do lenço encarnado, e que teve o cuidado de fundar o Núcleo da Cruz Vermelha Brasileira e sua esposa Glória, que foi nomeada presidente. Na revolução 1923 ela ficou de responsável pela dieta dos feridos, preparada na sua casa, e depois remetida para a enfermaria, ela relata do cheiro que tomava conta do ambiente, vindo daqueles valentes, com ferimentos infeccionados, sujos, mau alimentados, sofrendo corajosamente. Outra função importante foi a arrecadação de valores, remédios, comidas e roupas e isso somente foi possível, porque ela tinha acesso as mulheres, que agiam na clandestinidade, solicitando ajuda inclusive para as esposas dos oficiais governistas, que colaboravam e ajudavam na arrecadação desses recursos. Durante os conflitos de 1923, Bebela, relatou que escondeu alguns revolucionários em sua casa, que ficava em diagonal com a Prefeitura de Cruz Alta, sede governista e que nunca essas lideranças desconfiaram de algum ato contrario. Ela lembra que a seu pai tinha um comércio junto a sua casa, na esquina da rua Gen. Osorio, que servia de base, para abastecer e alimentar os grupos revolucionários, tudo bem de baixo do nariz do líder governista Fermino de Paula que comandava uma das brigadas governistas na região. Quando lideres revolucionário cruzaram por fora de Cruz Alta, em direção a Passo Fundo, houve um encontro com lideranças locais, aonde ocorreu a entrega de alguns Buques de Flores aos caudilhos Zeca Netto, Cel. Portinho e Honório Lemes, que além de serem respeitados ainda arcavam com as custas de fardamento, munição e alguma ajuda aos rebeldes e seus familiares, esse fato poderia passar até despercebido, mas é um sinal de afirmação, que as mulheres estavam presentes e lutando lado a lado, fazendo a sua própria revolução. Fonte: Documentário de Clarice Peixoto: Bebela e a Revolução gaúcha de 1923.

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PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas” NATÉRCIA DA CUNHA SILVEIRA Natércia nasceu em Itaqui, em 14 de junho de 1903. Em 04 de março de 1921, matricula-se na Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre. Foi a primeira mulher a conquistar o diploma de advogada do Rio Grande do Sul, em 1926. Após sua formatura Natércia mudou-se para o Rio de Janeiro e deu inicio a sua carreira profissional. Envolveu-se com a política, muito provavelmente por influência de seu pai, Manoel da Cunha Silveira, membro do Partido Libertador do Rio Grande do Sul. Em sua trajetória, foi líder feminista e pioneira na luta pelo direito das mulheres ao voto. Na Revolução de 1923, atuou na com apenas 18 anos, aderindo à causa libertadora, com os discursos em nome das mulheres gaúchas. Foi um acontecimento para a vida dos Pampas, a sua fala na recepção que acolheu os generais Zeca Netto e Honório Lemes na sua chegada a Porto Alegre. (Correio da Manhã, 31 de janeiro de 1932, quarta coluna) e sobre Honório Lemes, escreveu, anos depois, o artigo O Leão do Caverá, publicado no jornal A Esquerda de 3 de outubro de 1931. Em 1926: Deu uma entrevista ao jornal O Paiz, falando sobre feminismo, direito de votos e educação. Em 1929: Foi uma das fundadoras da União Universitária Feminina, no Rio de Janeiro, que congregava mulheres com ensino superior em prol da defesa dos direitos femininos; Em 1931: Participou de encontros no Rio de Janeiro, para pleitear apoio à causa do voto feminino, no ano mesmo ano Fundou, a Aliança Nacional de Mulheres, com objetivo principal de proporcionar proteção à mulher que trabalhava, com a fiscalização das condições de trabalho, serviço de assistência jurídica e uma caixa de auxílio à mulher desamparada. Em 1932: Foi nomeada segunda adjunta do procurador do Conselho Nacional do Trabalho. O Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932 instituiu o Código Eleitoral Provisório e reconheceu o direito de voto às mulheres. Natércia e Bertha Lutz foram as únicas mulheres nomeadas para integrar a comissão para elaborar o anteprojeto da nova Constituição; Em 1934: Concorreu a vereadora pela Frente Única do Distrito Federal, quando se elegeu suplente; Em 1945: Em 1950 foi candidata a deputada pelo Partido Libertador, integrante da coligação democrática que apoiava a União Democrática Nacional (UDN); Em 1964: Foi a primeira mulher a ocupar a direção geral do Departamento Nacional do Trabalho (DNT); Em 1971: Aposentou-se da ProcuradoriaGeral do Trabalho. Ela casou em 1933 com Paulo Artur Pinto da Rocha e tiveram uma filha Velleda Maria, em 07 de dezembro de 1993. Faleceu no Rio de Janeiro. O Legado de Natércia se destaca como algo muito positivo para a história do Brasil. PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas” CRUZ VERMELHA LIBERTADORA E AS ENFERMEIRAS. Em 1923, surgiu a “Cruz Vermelha Libertadora” que, segundo DAL FORNO (2015), “foi composta por homens e mulheres, jovens e adultos que colaboraram em diversas atividades nos hospitais improvisados, acolhendo e tratando os soldados feridos”. A Cruz Vermelha simboliza a importância da área da saúde, para a sociedade gaúcha.

Fonte: álbum dos Bandoleiros, Porto Alegre, 1924, 8ªed., p.13

A Cruz Vermelha Libertadora começou a ser organizada em maio de 1923, por um grupo de senhoras das elites sociais e politicas, preocupadas em prestar auxílio para aqueles que lutavam na guerra pelo interior do estado, atuavam de forma voluntaria e outras, por um lado político, dando seu assistencialismo para sociedade.

Fonte: álbum dos Bandoleiros, Barreto Araújo, 1924, 1ªed., p.23

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- Foto 02:, 1ªed., p.21

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PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas” A FAMÍLIA DE SENTINELA DO SUL Em plena Revolução de 1923, Narciso Fernandes Barbosa, enfrentou com sua família uma tropa de Maragatos, cercado em sua casa, contou apenas com a ajuda das filhas mais velhas. Em 25 de junho de 1923, a família do patriarca Narciso Fernandes Barbosa, o viceintendente de Dores de Camaquã, tem sua casa cercada pela tropa composta por Maragatos, fortemente armados, a mando de Zeca Neto, e liderada por Manoel Batista Gomes Martins, chegaram com a incumbência de impedirem a realização das eleições livres para a intendência municipal. A família era composta por 14 filhos, onde a mais velha tinha 22 anos e a mais nova não havia completado um ano, cercado em sua casa, contou apenas com a ajuda das filhas mais velhas. Enquanto duas das filhas carregavam as armas, ele e a filha mais velha atiravam, esses quatro defenderam a família, por longas horas de tiroteio.

Quando as balas estavam prestes a acabar, apareceu o Capitão da Brigada Militar, Ramon Vera Valiente, ele encarou a tropa e intermediou a retirada da família do tiroteio, Ramon com diplomacia conseguiu intermediar inclusive a saída da família da casa, a tropa maragata fez um corredor polonês retirando da casa os componentes da família, um por um passando por este corredor, Elpídio o filho mais velho (14 anos na época) numa estratégia para não ser morto, teve que sair vestido de mulher, por sorte deu certo! Ao perceber que sua família já havia sido retirada com segurança viu ali sua oportunidade de fuga. Narciso ficou foragido e por 15 dias, nem sua família sabia de seu paradeiro, sua família foi acolhida por parentes. Antes e após este combate de 1923, famílias entraram, famílias saíram, foi um doce ou talvez nem tão doce lar para muitos! A verdade é que ali foi um grande CAMPO DE BATALHAS, foram pessoas batalhando: pela felicidade, pelo amor, por dinheiro, por um ideal, pela sobrevivência e principalmente batalhando pela vida! Fonte:.facebook.com/937442613017167/photos/a.937479179680177/937479109680184

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PROJETO CULTURAL 2023 “Mulheres, suas Revoluções e Conquistas” CONSIDERAÇÕES FINAIS Concluímos que, em 1923 houve muitos combates, eram as metralhadoras contra lanças, cidades foram tomadas, mortes e famílias destruídas, e esses conflitos durante a revolução, começavam não só em campos de batalhas, mas também dentro dos lares, prejudicando famílias inteiras, situações ao quais maridos e filhos deixavam suas casas, e que mulheres, mães, filhas e esposas, ficavam sozinhas, herdando e empunhando as armas, transformando-se em heroínas do lar, mesmo dentro de uma sociedade onde os tempos eram difíceis, ao qual, não as favorecias de direitos, e que mesmo assim, sempre foram atuantes dentro e fora dos seus lares, ensinando que todos sem exceção, viveram, sofreram e sobreviveram a revolução, deixando grandes exemplos para os dias atuais. Desconhecidas pela maioria, o Departamento Cultural do PQT. Chama Nativa, buscou pesquisar e estudar sobre a trajetória dessas “figuras revolucionárias”, registrando nesse projeto não somente as mulheres, mas toda uma geração que sempre esteve presente na historia e que caminharam lado a lado na transformação do Rio Grande do Sul, para que o público possa compreender e refletir através de um breve resumo de sua biografia e seus feitos durante a revolução de 1923. Contudo, não queremos distorcer a história da revolução, mas acrescentar que suas ações trouxeram consequências positivas para os dias atuais, e para isso devemos desmistificar as personagens tirando-os da fragilidade imposta pela sociedade e trazendo seus exemplos, que de certa forma também fizeram diferença para nossa cultura. A revolução transcendeu para sociedade o papel fundamental para compreensão de que mesmo em meio a tantas perdas, tivemos nossas conquistas refletidas em grandes exemplos para sociedade de hoje. Contudo, convidamos a todos a refletir sobre a inclusão social em toda sua problemática, que ainda vem sendo um obstáculo, mas que, vem ganhando espaço cada vez mais na sociedade gaúcha dentro da nossa cultura. O Piquete Chama Nativa tem como um dos objetivos, sempre lembrar do passado com ênfase nas mudanças do nosso futuro, buscando associar o passado e o presente como formas de reflexão e reconhecimento. Concluímos nosso trabalho, trazendo uma ultima e importante reflexão: "Não estamos mais em uma revolução, pois nos tornamos a revolução". Sendo assim queremos saber em sua opinião, quem são hoje os grandes exemplos dessa transformação, ficando esse exercício para cada um refletir e descobrir quem seriam essas personagens com o intuito de valorizar a presença da mulher gaucha, em todas as classes sociais de nossa sociedade. Desejamos a todos, uma ótima Semana Farroupilha e uma boa leitura e reflexão. Texto: Departamento de Divulgação - Paloma Dias Pereira da Rocha.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AITA, Carmem - 1923 Rio Grande do Sul – Diário da Revolução - 2013 BARRETO, Araujo - O “Álbum dos Bandoleiros” da Revolução de 1923 - 1924 BARROS, Marcio Escalante de - Chama da Tradição, Itaqui um berço do tradicionalismo – 2021 RITZEL, Ricardo - As cinco tumbas de Gumersindo Saraiva e outras histórias de guerras gaúchas –– 2021 JUVENAL, Amaro - Antônio Chimango. Porto Alegre - Martins Livreiro, 1982. SILVA, Renata Colbeich da. “Sou guerreira, sou valente, do primeiro regimento, enfermeira e combatente”: narrativas sobre a Cabo Toco em Cachoeira do Sul. Santa Maria, 2017. O’DONELL, F. Talaia – Osvaldo Aranha – Editora Sulina – 1980 FAGUNDES, Antônio Augusto - Combate da Ponte do Ibarapuitã. Revolução de 1923 1982 Memórias Do General Zeca Netto - Martins Livreiro - 2003 Enciclopédia Personagens Tradicionalistas Brasil Sul – RD Editora - 2007 Museu Júlio De Castilhos - Cartas De Júlio De Castilhos - 1993 PÁGINAS www.mtg.org.br https://aserghc.com.br https://cultura.rs.gov.br https://www.correiodopovo.com.br https://cultura.rs.gov.br/e-book - E-book dos Festejos Farroupilhas 2023 RS Youtube: Documentário de Clarice Peixoto: Bebela e a Revolução gaúcha de 1923 Youtube: Homenagem do Jurisperita à Natércia da Cunha Silveira Youtube: A REVOLUÇÃO DE 1923 - EDUARDO BUENO Youtube: 1923 - A Guerra civil gaúcha .100 anos da Revolução da lança contra a metralhadora Youtube: Filme Documentário O Leão do Caverá - Gen. Honório Lemes Youtube: Adão Latorre: O degolador federalista. Youtube: Album dos Bandoleiros. Os retratos da Revolução de 1923. Youtube: Nos Caminhos da História 40 - Revolução de 1923 REVISTAS Campeiro – Revista Gaucha 1983 Semana Farroupilha de Itaqui 2021

Revista Piquete Chama Nativa – Edição I – Ano 2023 Pesquisa, elaboração, diagramação e apresentação do Projeto Cultural 2023: Dep. de Divulgação: Paloma Dias Pereira da Rocha – Pesquisa e apresentação; Xirua das Falas: Marcia Leal – Pesquisa e apresentação; Dep. Cultural: Márcio Escalante de Barros – Pesquisa, conclusão e apresentação; Agradecimentos: Patronagem do Piquete Chama Nativa, Diretoria da ASERGHC, ACAMPARH, BPERS, Instituto Amparo Santa Cruz, Escola Estadual de Ensino Fundamental Dona Luiza F Vale Aranha, Liliana Cardoso, Ricardo Ritzel, Telma Rejane dos Santos. Siga as nossas Redes Social: Facebook/PiqueteChamaNativaOficial e Instagram.com/Piquetechamanativa PIQUETE CHAMA NATIVA 2023

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