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Informativo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco | Edição 72 | Outubro 2016

Feminismo e Agroecologia Autonomia, empoderamento e sustentabilidade são questões trabalhadas em projeto de extensão que está abrindo novas possibilidades para agricultoras da Mata Sul Pág. 6 e 7

INOVAÇÃO Pesquisa busca apefeiçoar técnica de monitoramento dos metrôs no Recife Pág. 8 e 9 Expansão Obras da sede definitiva do Campus Cabo avançam e serão concluídas em 2017 Pág. 4 pesquisa Projeto desenvolve nova forma para produção de biodiesel reaproveitando óleo de cozinha Pág. 3


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Paulo Romão

Palavra da reitora

Anália Ribeiro Reitora do IFPE gabinete@reitoria.ifpe.edu.br

O IFPE existe, do ponto de vista das políticas públicas, para contribuir com a sociedade, garantindo os direitos à educação, no sentido de ter profissionais formados, qualificados para o trabalho, para a produção, para o conhecimento que essa sociedade precisa e demanda, mas também para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Em decorrência disso, é extremamente necessário que possamos expandir o Instituto, não apenas em número de vagas, mas na perspectiva do conhecimento, do conceito de pessoas, de inclusão, na perspectiva da diversidade, a fim de incluir cada vez mais pessoas nesse processo. A sociedade é formada por pessoas diversas, diferentes e cada uma delas é essencial, para que a sociedade seja mais democrática, autônoma e plena. Essa plenitude é o que buscamos captar em termos da di-

Por uma instituição plena

mensão laboral, científica, cultural, social e psicológica e até da espiritual do ser humano. Por isso nossa formação no IFPE é integral e integrada. Ela busca ser uma formação que vê no ser humano não os rótulos, mas a sua essência enquanto ser pensante. Com base nesse entendimento, nossos vários programas e projetos buscam atender as necessidades dos iguais, dos menos iguais, dos diferentes e assim por diante, porque todos nós, cada um do seu jeito, somos diferentes. Então, nós precisamos incluir as minorias, as maiorias, enfim, todos e todas: tod@s. Nessa perspectiva, nós acre-

ditamos, como pressuposto, que a escola não prepara para a vida, ela faz parte da vida em sociedade, de cada cidadão e cidadã. Por isso ela precisa construir, constituir, amparar e apoiar a cidadania. Todos os nossos esforços de inclusão, de expansão das vagas, de cursos e da territorialidade vão nessa direção, na direção da inclusão que realmente inclua e democratize a sociedade. Para isso nós trazemos o conceito de plenitude. E o que é uma instituição plena? É aquela que, fazendo parte da vida, fazendo parte da sociedade, reflita todas

as cores, nuances, tons, amplitude do que a sociedade compõe e daquilo que é composta. Uma instituição de educação precisa ter essa pluralidade, essa diversidade, para abraçar, amparar, colher e frutificar toda a beleza e todos as matizes postas na sociedade. Ela é plena enquanto a sociedade for plena e, ao mesmo tempo, ajuda na plenitude da sociedade. É nessa busca da democracia que constituímos um IFPE inclusivo.

Expediente Reitora: Anália Ribeiro | Assessor de Comunicação: Carlos Augusto Domingos | Textos: Alline Lima, Carol Falcão, Denise Galvani, Gil Aciolly, Henrique Asevedo, Rafela Vasconcellos | Foto capa: Rafaela Vasconcellos | Diagramação: Natasha Bezerra | Edição e Jornalista Responsável: Débora Duque (DRT: 5002/PE) | Reprodução: Gráfica e Editora A Única | Tiragem: 6.200 mil exemplares IFPE | Instituto Federal de Pernambuco | Reitoria | Assessoria de Comunicação | Av. Professor Luiz Freire, 500 - Cidade Universitária | Recife/PE | CEP: 50740-545 | Fone: 55 81 2125.1760 | acontece@reitoria.ifpe.edu.br


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Pesquisa

Transformando óleo de cozinha em biocombustível

Fotos: Denise Galvani

No Campus Ipojuca, pesquisadores desenvolvem nova técnica para a obtenção de biodiesel e incentivam a coleta de óleo de cozinha

Produção do biodiesel é uma forma de evitar o descarte incorreto do óleo de cozinha, despejado normalmente na terra ou em pias

Denise Galvani denise.galvani@ipojuca.ifpe.edu.br

Muita gente sabe que o descarte incorreto do óleo de cozinha – na terra ou na pia – provoca danos irreparáveis ao meio ambiente. No entanto, são menos conhecidos os possíveis destinos para o óleo usado: coletado em potes de vidro ou plástico e encaminhado ao lugar certo, o óleo pode virar sabão, detergente, insumo para várias indústrias e também biodiesel. Ao longo do último ano, o grupo de pesquisa Sustentabilidade e Produção, ligado ao IFPE, dedicou-se a desenvolver e divulgar uma técnica para produção de biodiesel a partir de óleo residual de fritura. Segundo a coordenadora do projeto, professora Juliana Yanaguizawa Lucena, foram necessários vários testes para a reprodução da metodologia em laboratório e o aprimoramento da qualidade e rendimento do biodiesel obtido. “Muitos artigos científicos não contém a descrição detalhada do procedimento experimental para a produção do biodiesel, então começamos a testar novos caminhos até que conseguimos desenvolver nosso próprio método. Esse foi um grande aprendizado”, disse Lucena. Entre as etapas necessárias para a produção de biodiesel, estão a eliminação das impurezas e dos restos de alimentos do óleo coletado; a remoção da umidade contida em alguns insumos do óleo; e a escolha dos reagentes a serem empregados no processo químico de transesterificação, que produz o biodiesel. Para completar esse percurso, os três estudantes do Campus Ipojuca envolvidos na pesquisa cumpriram um plano de trabalho de 12 meses no marco do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para estudan-

tes do nível técnico (PIBIC-Técnico) do IFPE. O grupo também realizou uma campanha de coleta, que arrecadou cerca de 60 litros de óleo residual, e uma oficina para divulgar a técnica, oferecida a estudantes de Química e Petroquímica durante a Semana do Meio Ambiente do IFPE-Campus Ipojuca, em junho passado. “O que aprendi vai ficar para o resto da vida, e tive oportunidades de demonstrar isso”, diz o estudante de Química Ewerton Ribeiro. “Com a pesquisa também estou ajudando a comunidade acadêmica e alertando sobre os pontos negativos que o projeto busca resolver”, completa. INICIAÇÃO CIENTÍFICA – Do ponto de

vista do coordenador, orientar um projeto de pesquisa como o do PIBIC-Técnico envolve desafios extras. “É preciso dedicar parte do tempo da orientação inserindo o estudante no mundo da pesquisa, apresentando-os ao currículo Lattes, a bases de dados confiáveis e à escrita científica”, diz Juliana Lucena. “Considero muito importante e necessário um maior envolvimento dos servidores com a iniciação científica, para que a pesquisa se fortaleça e se consolide em nossa instituição”. Para Gilberto Ferreira, também bolsista do projeto, aprender a linguagem científica foi parte do aprendizado. “Foi um pouco difícil organizar os resultados em um relatório, e mais difícil ainda apresentar esses resultados para uma banca avaliadora”, disse. “Sobre a experiência de participar de um projeto de iniciação cientifica, só tenho a dizer que é a melhor da minha vida. É ótimo ter a oportunidade de analisar, produzir ou aperfeiçoar algo, como é o caso do nosso projeto”.


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Fotos: Arquivo DOPE

Expansão

Obras a todo vapor Em setembro, Campus recebeu um aporte de R$ 10 milhões do Ministério da Educação para conclusão das obras

Nova sede do IFPE – Campus Cabo de Santo Agostinho está sendo construída na primeira cidade planejada do Nordeste Patrícia Rocha patriciarocha@reitoria.ifpe.edu.br

Após um ano como cenário de obras, ambientada por tijolos, cimento, brita, engenheiros, pedreiros e serventes, a nova sede do IFPE - Campus Cabo de Santo Agostinho começa a ganhar corpo, ou melhor, paredes e telhados. Iniciada em abril de 2015, a obra está com quase metade dos trabalhos concluídos e tem conclusão prevista para o segundo semestre do próximo ano. No início de setembro, o empreendimento recebeu um aporte de R$ 10 milhões do Ministério da Educação. O Campus Cabo é fruto da terceira fase da expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica. A unidade, que funciona na sede provisória desde outubro de 2013, oferece, atualmente, cursos técnicos subsequentes regulares e cursos de qualificação no turno da manhã e tarde, contando com um efetivo de 30 docentes, 20 técnicos-administrativos e cerca de 600 estudantes. Em sua sede definitiva, a previsão é de que, além da oferta de cursos noturnos, sejam implantados três cursos superiores e dois de pós-graduação nos eixos tecnológicos de Ambiente e Saúde, Gestão e

Serão mais de 12 mil m² de área construída com 30 salas de aula, biblioteca, 24 laboratórios e um auditório para 400 pessoas

Negócios e Turismo, Hospitalidade e Lazer. “Os cursos já oferecidos e as perspectivas de ampliação estão relacionados diretamente com dois grandes pilares da região: o Complexo Industrial e Portuário de Suape e o litoral sul do Estado”, explica o diretor-geral da unidade, Daniel Assunção. A localização é, de fato, um ponto a favor da nova sede. O campus está sendo instalado numa área bastante estratégica para os arranjos produtivos da região, integrando a primeira cidade planejada do Nordeste, o Convida Suape, localizada entre as principais rotas de entrada e saída do Estado, as rodovias BR-101 Sul e PE-60. O megaempreendimento deve abrigar em torno de 100 mil pessoas e integrará também outras instituições de ensino. Em frente ao canteiro de obras do campus, estão as futuras instalações da Unidade Acadêmica do Cabo de Santo Agostinho da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). De acordo com Assunção, ao entregar a sede do Campus Cabo concluída, o Instituto oferecerá à comunidade local e de cidades circunvizinhas um equipamento educacional completo para o desenvolvimento da Educação Profissional e Tecnológica na região. “Vamos possibilitar a essa população o acesso à educação gratuita e de qualidade bem mais próximo de suas residências, contribuindo para o desenvolvimento da região em eixos formativos que coadunam com o turismo, a indústria e o meio ambiente”, destacou. Estrutura – Segundo o Departamento de Obras do IFPE (DOPE), setor responsável pela fiscalização do empreendimento, a área construída do campus será de 12.650 m², de um total de 13,7 hectares, que é a dimensão de todo o terreno. O projeto é composto por 30 Salas de Aula, 24 Laboratórios, Biblioteca, Auditório com capacidade para 400 pessoas, duas áreas de convivência, dois blocos administrativos, ginásio e campo de futebol, o que possibilitará o atendimento a aproximadamente 1500 estudantes. Além de toda essa estrutura, a unidade ainda vai contar com uma creche, que, mediante futura parceria com a prefeitura, será o grande diferencial do campus, permitindo o atendimento de crianças da comunidade, bem como filhos de estudantes e servidores.


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Foto: Henrique Asevedo

Acessibilidade

Acessibilidade como missão A chegada da primeira tradutora de Braille do IFPE busca facilitar o acesso e a permanência de estudantes com deficiência visual Com 14 anos de experiência, Andreza Araújo fará um trabalho pioneiro no IFPE Henrique Asevedo henriqueasevedo@reitoria.ifpe.edu.br

Com a experiência de 14 anos na Educação Básica, tendo sido 11 dedicados à Educação Inclusiva, a profissional Andreza Araújo chega ao IFPE para construir, como ela mesma define, pontes que ligam alunos a professores. Na tarefa de dar suporte ao atendimento especializado de estudantes com deficiência visual dos campi Caruaru, Igarassu e Afogados da Ingazeira, ela é a primeira tradutora de Braille da Instituição. A nomeação da servidora reitera o emprego de políticas que visam fortalecer o ingresso e a permanência de pessoas com necessidades especiais no Instituto. Transcrição, adaptações de materiais didáticos e o auxílio a professores em atividades desenvolvidas nas salas de aula são as principais funções de Andreza.

“O objetivo é mobilizar todos na busca por alternativas para atender com qualidade, buscando aprendizagem e sucesso”, explica. Neste primeiro momento, a prioridade será acompanhar Lenilson da Silva, estudante do curso Técnico Subsequente de Informática para Internet do Campus Igarassu. Para esta tarefa, foram disponibilizados um computador com softwares leitores de tela, e uma impressora, que mostra, em Braille, todo o conteúdo apresentado na tela dos dispositivos eletrônicos. Ao integrar a Coordenadoria de Políticas Inclusivas, Andreza também desenvolverá ações do Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais (NAPNE/ IFPE). Com relação aos futuros desafios, a tradutora revela que pretende contribuir para a ampliação de resultados que, segundo ela, já são positivos. “É uma

satisfação contribuir em um processo que conta com uma equipe comprometida e competente, iniciando uma jornada que florescerá”, descreve. Para a coordenadora de Políticas Inclusivas da PróReitoria de Extensão (Proext), Alaíde Calvancanti, esse é o começo de uma série de ações que serão implementadas. Entre elas, está a construção de uma Política Institucional para direcionar as ações sistêmicas nessa área, envolvendo, inclusive, questões relacionadas a pessoas com deficiência. No mês de agosto, já houve a convocação de um novo revisor de Braille, que deve começar a atuar no instituto ainda em setembro. “Isso sinaliza um trabalho para garantir acessibilidade plena. Assim como as primeiras admissões dos tradutores e Intérpretes de Libras, essas contratações

abrem caminho para o ingresso de um quantitativo maior de estudantes com necessidades especiais”, disse Alaíde. Criado em 1825 na França, o Sistema Braille é utilizado universalmente na escrita e na leitura por pessoas cegas. Foi adotado no Brasil por meio da Lei Nº 4.169/62, que oficializa, no país, as convenções do método e seu Código de Contrações e Abreviaturas. Para a revisora Andreza Araújo, os projetos de inclusão são fundamentais na área do ensino. “Aos profissionais que trabalham com educação inclusiva, é dada a possibilidade de ultrapassar, junto com o estudante, problemas historicamente construídos. O IFPE está no caminho correto, buscando apoio nos profissionais qualificados, pensando uma forma de fazer diferente com responsabilidade e respeito às diversidades”, avalia a tradutora.


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Fotos: Rafaela Vasconcellos

Capa

Flores de Ximenes Projeto de extensão sobre feminismo e agroecologia tem transformado a realidade de agricultoras de assentamento na Mata Sul

Para Bárbara Lima, a agroecologia não é só uma técnica, mas uma forma de resistência Rafaela Vasconcellos rafaela.vasconcellos@barreiros.ifpe.edu.br

Apenas em cinco meses, já foram plantadas cerca de 1.200 mudas de espécies frutíferas

Na Zona da Mata Sul de Pernambuco, um grupo de mulheres agricultoras tem subvertido a lógica e a paisagem da monocultura da cana-de-açúcar. Através da Agroecologia, elas estão, pouco a pouco, plantando miniflorestas em meio a canaviais e transformando a realidade do Assentamento Ximenes, situado na área dos antigos engenhos Bombarda e Roncador em Barreiros. “Aqui, o hábito das pessoas é jogar veneno, tocar fogo, depois plantar e usar adubo químico. Eu e outras mulheres queremos um outro jeito de viver. Então, a gente começou a fazer diferente. Enquanto eles pagam para arar a terra e depois para plantar uma coisa só numa área enorme, eu estou fazendo os canteiros, que têm árvore, fruta, macaxeira, milho, feijão”, conta Bárbara Lima, uma das camponesas. Oriundas, em sua maioria, do assentamento Jurissaca e de outras localidades do Cabo de Santo Agostinho, a aproximadamente 76 quilômetros de distância, essas mulheres chegaram em Barreiros entre 2013 e 2014, após serem removidas de suas

terras pelo Complexo Industrial Portuário de Suape. Como indenização, cada uma recebeu um lote em Ximenes, que foi criado pelo Instituto de Terras e Reforma Agrária de Pernambuco (Iterpe) em parceria com Suape com o intuito de assentar 126 famílias. “Lá, eu tinha um hectare e pouco, mas eu tinha tudo, não precisava esperar 20 anos para colher os frutos. Tinha jaca, manga, banana. E quando a gente veio pra cá, a gente pegou seis hectares, mas só com cana. E sem energia, sem água e sem moradia”, denuncia Bárbara. Preocupada, então, em garantir uma melhor qualidade de vida e construir uma nova fonte de renda, ela e outras agricultoras pediram apoio ao IFPE-Campus Barreiros e, juntas com a professora de agroecologia Vivian Motta, elaboraram um projeto de extensão intitulado Agroecologia e Feminismo: emponderamento das mulheres camponesas da Mata Sul, contemplado no edital Pibex 2015. Baseado na construção de conhecimento conjunto através de rodas de diálogo, cursos e capacitações, aliados a atividades produtivas nos lotes das agricultoras desde março de 2016, o processo já gerou mudanças concretas, como a formação do grupo de mulheres.


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Antigas moradoras do Cabo de Santo Agostinho, agricultoras se unem para implantar Sistemas Agroflorestais no novo território e ressignificar a relação com a terra

“Nós escolhemos juntas. Cada qual sugeriu um nome. Todas as mulheres votaram e escolhemos Flores de Ximenes”, conta Elizângela Marinho orgulhosa. “Tinha vários nomes, mas não foi margaridas, nem rosas de Ximenes, porque a gente é diferente, tem várias flores. Eu sou uma flor de um jeito, mas tem outras flores mais delicadas, outras mais brutas. Somos mulheres, mas com diversidade. E o sentido das Flores de Ximenes é de florescer mesmo, de nascer, de ficar bonito, inclusive nas nossas parcelas”, completa Bárbara sorridente. Para a coordenadora do projeto, o surgimento do grupo é um instrumento poderoso de articulação das camponesas dentro e fora do assentamento. “Hoje, o Flores de Ximenes já existe como uma organização reconhecida não só pela associação dos moradores, mas pelo Fórum de Mulheres de Pernambuco, pelo Movimento de Pequenos Agricultores e pelo Movimento Sem Terra. Então, elas estão inseridas numa discussão maior, no espaço público”, pontua. Vivian ainda destaca que, desde a formação do grupo, as atividades têm sido re-

alizadas de forma solidária e cooperativa, principalmente durante a organização do processo produtivo. “A gente busca, na agroecologia, essa perspectiva de desenvolvimento econômico e sustentável do assentamento. Então, nós estamos implantando vários tipos de Sistemas Agroflorestais (SAFs) nos lotes das agricultoras, que vão desde a produção de sementes até a de madeiras. Elas participam de todo processo de gestão, de pensar, de fazer, porque a nossa perspectiva lá não é ficar fazendo assistência técnica. É fazer com que elas tenham contato com a informação, aprendam a fazer e passem a gerir a atividade”, ressalta Vivian. É nesse sentido que, toda quinta-feira, as agricultoras fazem um mutirão no lote de uma das integrantes do grupo a partir de um planejamento prévio. Em cinco meses, já foram implantados seis SAFs, com o plantio de cerca de

1.200 mudas de espécies frutíferas (bananeira, açaí, cupuaçu, sapoti, nim indiano, coco, cacau) e florestais, como o guanandi, além de feijão, hortaliças e mandioca. “Enquanto a gente espera a árvore crescer, está aproveitando em volta e cultivando outras coisas, de tempo mais curto, que dão um retorno melhor financeiramente”, explica Elizângela. A ideia é que uma parte desses produtos seja voltada para alimentação e outra para comercialização, visando uma geração de renda coletiva entre as mulheres e uma melhoria na qualidade de vida da comunidade como um todo. “O maior fruto dessa experiência é ver as mulheres trabalhando de forma autônoma, organizada e empoderadas. Hoje, as camponesas não são mais beneficiárias do projeto e sim parceiras atuantes na realização de ações que visem melhorar as suas vidas e as de suas famílias”, avalia Vivian.

DOCUMENTÁRIO A história dessas mulheres foi transformada no documentário “Flores de Ximenes”, produzido pela Assessoria de Comunicação do IFPE. O lançamento do vídeo ocorreu no início de outubro no assentamento e no Campus Barreiros. Em breve, estará disponível na web.


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Foto: George Antony

Inovação

Tecnologia nos trilhos Pesquisa busca aprimorar sistema de monitoramento de metrôs da Região Metropolitana do Recife

Carol Falcão carolfalcao@recife.ifpe.edu.br

Imagine a tarefa de controlar o tráfego ferroviário que abrange três linhas, quase 70 quilômetros de extensão, 35 estações, quatro municípios e transporta cerca de 300 mil passageiros por dia. Segundo dados da Companhia Brasileira de Trens Urbanos do Recife (CBTU-Metrorec), esse é o atual cenário do transporte ferroviário na capital pernambucana. Pensando nesse contexto, e num futuro em que esse tipo de transporte se tornará ainda mais popular, o professor de Eletrônica e Telecomunicações Rômulo Araújo vem desenvolvendo pesquisas que buscam aprimorar o RailBee, sistema de monitoramento de veículos sobre trilhos. Atualmente o professor conduz um grupo de extensão tecnológica, em parceria com a CBTU-Metrorec e a UFPB. “Basicamente o que desenvolvemos com o RailBee é uma ferramenta que permite o fornecimento de informações confiáveis e em tempo real para que o controle operacional do sistema de transporte possa tomar decisões cada vez

mais rápidas e eficientes”, resume o pesquisador. Na prática, o que se vê é que os métodos convencionais de manutenção e monitoramento de trens se baseiam em inspeções periódicas, que já demonstraram não ser suficientes para prevenir falhas de funcionamento. O que o RailBee proporciona é uma avaliação em tempo real das condições e do desempenho dos veículos que estão em operação. Ou seja, dados tão diversos como velocidade dos trens ou pressão nas bolsas de ar da suspensão são atualizados e analisados continuamente, o que previne de maneira mais eficiente a degradação parcial ou total dos serviços. Essa instantaneidade só é possível, explica Rômulo, por conta da telemetria, a tecnologia que dá suporte ao RailBee. “Trata-se de um sistema que permite a aquisição de dados de equipamentos a distância”, explica. Sistemas telemétricos geram uma Rede de Sensores Sem Fio (RSSF), que nada mais é do que uma rede dispositivos fixos ou móveis (chamados de nós ou nodos). Esses nós se comunicam enviando dados a um nó sorvedouro (controlado ou monitor). A principal

função da RSSF é monitorar e controlar um determinado ambiente e sua aplicabilidade pode ser observada não só nos transportes, mas em áreas como medicina, agricultura, robótica e automação industrial. “O RailBee permite a visualização online da posição, velocidade e estimativa de passageiros de qualquer veículo, em qualquer instante”, diz Rômulo. Mas a capacidade de gerar informações atuais, confiáveis e em tempo real não é uma exclusividade da RSSF. Outras tecnologias também são capazes de atuar de forma semelhante, porém o que também diferencia o RailBee é fato de que ele é um sistema de baixo custo. Isso porque os métodos de monitoramento e controle de grandes malhas ferroviárias do mundo, como as de Nova Iorque e Tóquio por exemplo, operam com tecnologias como o GPS (Global Position System), GSM (Global System for Mobile Communication) e transmissão por satélite. “Por ser uma técnica inovadora, o RailBee gera um impacto significativamente menor no custo dos dispositivos e no consumo de energia”, calcula Araújo.


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Parceria e reconhecimento – Redes de Sensores Sem Fio já fazem parte da realidade de Rômulo pelo menos desde 2006, quando começou a desenvolver o RailBee em sua pesquisa de doutorado. Em 2009, ano de apresentação da tese, o projeto foi vencedor do VI Prêmio Alstom de Tecnologia Metroferroviária pela aplicação prática do sistema. Em 2014, em parceria com a CBTU/ Metrorec e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o professor aprovou um projeto no edital de extensão tecnológica do CNPq-Setec. O valor total do financiamento é de R$ 80 mil, sendo que R$ 30 mil já foram liberados em maio para despesas de custeio. O projeto consiste na implementação do RailBee na Linha Sul da CBTU-Metrorec, que abriga 12 estações, 25 trens do tipo TUE (Trem Unidade Elétrica), dois municípios (Recife e Jaboatão dos Guararapes) e extensão de pouco mais de 13 quilômetros. “Um dos grandes diferenciais do RailBee é que a implantação não requer modificações na estrutura já existente e, por conta de sua arquitetura modular, estamos abertos à incorporação de novas tecnologias de medições e controles”, prevê o pesquisador. Atualmente, o sistema já opera em duas estações, cinco trens e um roteador entre estações. O próximo objetivo do projeto é a expansão da cobertura da rede em toda Linha Sul, fato que depende da liberação, pelo CNPq, da segunda fase do recurso, que é de R$ 50 mil. Foto: Carol Falcão

Projeto de extensão tecnológica é desenvolvido em parceria com a CBTU-Metroec e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Um dos diferenciais da tecnologia do Railbee em relação a outras técnicas de monitoramento em tempo real, como o GPS e o GSM, é o baixo custo financeiro e a redução do consumo de energia


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Cultura

Arquivo Pessoal

A história de uma jovem escritora Estudante do curso de Enfermagem do IFPE - Campus Pesqueira, Paula Jackson, terá livro lançado na 24ª Bienal do Livro de São Paulo Alline Lima alline.lima@caruaru.ifpe.edu.br

Há sete anos, a estudante começou sua carreira postando suas obras numa plataforma digital

A estudante Paula Jackson divide sua rotina entre duas paixões: escrever histórias e frequentar as aulas do curso de Enfermagem do Campus Pesqueira, onde atualmente cursa o 5º período. Há sete anos ela produzia as primeiras linhas de sua autoria e hoje já conta com 33 livros, cinco contos e uma série de escritos. Seu primeiro lançamento está marcado para a 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, quando a escritora apresenta em formato físico e digital o romance Dançando sobre Destroços, pela editora Tribo das Letras. O livro conta a história de Savannah, uma garota solitária que perdeu todos os seus parentes próximos quando ainda era jovem. Desde então, ela precisa trabalhar, cuidar do irmão mais novo e dançar balé, pois prometeu a mãe que seria uma bailarina de renome. Outro lançamento da autora está programado para outubro, desta vez da obra Dominados, através da Editorial Hope. De acordo com Paula, desde o momento em que servidores do IFPE conheceram seu talento para a escrita, ela recebe incentivo para continuar seu trabalho. “Me senti muito acolhida por toda a equipe e sou muito grata por tudo que o IFPE Pesqueira vem fazendo por mim”, afirmou. O campus está apoiando a viagem da discente para a Bienal através da política de assistência estudantil. Paula começou a carreira postando suas obras numa plataforma de livros digitais, chamada Wattpad. “Vi muita gente talentosa saindo de lá e indo para as editoras, então resolvi tentar”, conta. Dominados foi o primeiro livro publicado através desse canal, em formato de série, contabilizando cerca de 361 mil visualizações. A autora também disponibiliza outras obras no mesmo ambiente digital, onde é possível ler comentários de leitores a respeito das publicações. “Um escritor nada seria sem seus leitores, eles são tudo”, afirmou. Ainda é possível ter acesso à divulgação de capítulos, novidades sobre os livros e interagir com a autora através de grupo no facebook intitulado Romanceando – Paula L. Jackson, além da página Paula L. Jackson, na mesma rede social. Sobre conciliar a futura carreira de enfermeira e sua paixão pelas letras, Paula defende que dará continuidade a ambas. “São sonhos de infância que quero muito concretizar, não quero abrir mão de nenhum dos dois”.


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Fotos: Gil Aciolly

Sustentabilidade

Mais do que uma horta Projeto de extensão do IFPE – Campus Olinda reutiliza a água do ar-condicionado para irrigar horta orgânica e estimular consumo sustentável Gil Aciolly gilaciolly@olinda.ifpe.edu.br

Uma horta onde brotam plantas, amizades e muitas ideias. O que começou como um cultivo de hortaliças por quatro amigos transformou-se em um projeto de extensão que está dando uma cara nova ao Campus Olinda e já até ultrapassa seus muros. Com 16 membros, entre servidores, estudantes, terceirizados e até vizinhos da instituição, o “Plantando sementes, colhendo amizades” trabalha o reuso da água, o estímulo a novos hábitos alimentares e um relacionamento mais sustentável com o meio ambiente. Uma das ideias que surgiu com o projeto foi a de reutilizar a água dos condicionadores de ar para regar a plantação. “Com o reuso, não oneramos o Campus. A água do ar-condicionado não é rica em nutrientes e não pode ser colocada diretamente na planta, por conta da temperatura”, explica a coordenadora do projeto, Juliana das Oliveiras. O problema, entretanto, pode ser facilmente resolvido com a adição de novos nutrientes. Por enquanto, a água é recolhida em garrafas de

PET instaladas diretamente nos equipamentos, mas a ideia é construir um sistema que canalize a água e facilite a irrigação. Outra ideia é a “Carta da Muda”. O objetivo é estimular o cultivo de plantas em casa. “A gente doa uma muda com a cartinha, informando os cuidados necessários para seu bom desenvolvimento e explicando suas funções, sejam nutritivas ou medicinais”, explica a servidora, Catarina Lacerda, que integra o projeto. Para ela, as horas que passa trabalhando na horta são, na verdade, momentos de lazer. O projeto tem transformado o cenário do Campus Olinda, utilizando espaços antes ociosos. Já há vasos espalhados pelos corredores com bromélias e até orquídeas nas árvores. Foram plantados ainda espécies como pau-brasil e neem. Tudo doado pelos próprios servidores. Graças a uma parceria com a FIAT, o grupo recebeu materiais como pallets para construção da horta vertical ou horizontal. O espaço foi projetado para estimular o trabalho em duplas e promover a integração dos participantes. A empresa automotiva ainda disponibilizou a engenheira

Iniciativa inclui ainda doação de mudas para estudantes e servidores

agrônoma, Yana Alencar, para prestar consultoria técnica. A estudante de Artes Visuais, Mar Estrela de Lima, é responsável por regar as plantas, diariamente. Nos finais de semana, o trabalho é executado por outros membros do projeto ou voluntários. O cuidado diário permite a colheita de pepino, pimenta, macaxeira, coentro, tomate cereja, babosa, cebolinha, hortelã, boldo da índia e até frutas como mamão, limão, pitanga. A produção da horta é consumida ou distribuída no próprio Campus. “Com o projeto, passei a estudar mais sobre botânica, profissão que imaginava seguir quando era criança. Agora, virou hobby”, empolga-se a estudante.  “Cada momento, aprendemos coisas novas”, explica a servidora Camilla Andrade. O “Plantando sementes, colhendo amizades” já atingiu oitos dos dez objetivos propostos. O grupo busca novas parcerias ou doações de materiais de jardinagem, como enxada, ciscador e composteira. Interessados em colaborar devem procurar a direção do Campus Olinda.


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IFPE Acontece Edição 72 | Outubro 2016  
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