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NÚCLEO HOSPITALAR DE EPIDEMIOLOGIA

Boletim informativo

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Setembro de 2010 - nº 5

SÍFILIS CONGÊNITA

Sífilis: é importante investigar e notificar Dra. Linda Adélia Pedrosa (Médica neonatologista do HUPAA)

A sífilis é uma doença causada pelo T.pallidum e conhecida pela humanidade há mais de 500 anos. Desde a década de 1940, com o advento da penicilina, acreditou-se na sua provável erradicação definitiva, tendo em vista a excelente resposta do agente a essa terapêutica. Entretanto, na prática, não é essa a realidade. Apesar de seu agente ainda se manter sensível à penicilina, a doença persiste em níveis elevados em todo o mundo, atrelada a práticas sexuais sem proteção, uso de drogas e promiscuidade. O acometimento da gestante é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das formas mais graves da doença. O adoecimento do concepto depende do estágio da sífilis materna, idade gestacional do feto, adequado tratamento e resposta imunológica materna. Até a 22ª semana de gestação, a imaturidade imunológica do feto o torna incapaz de uma resposta consistente frente à infecção e a agressão pelo treponema, podendo resultar em diversas manifestações clínicas, desde a morte fetal intra-útero até ao acometimento multissistêmico do recém-nascido, traduzido pelo quadro conhecido de sífilis congênita. Cerca de 70% dos recém-nascidos com sífilis são assintomáticos, transformando a forma congênita da doença em um desafio ao médico neonatologista. A investigação de um neonato de mãe com sorologia positiva inclui, além do exame físico detalhado, coleta de Liquor Cefalo-raquidiano (LCR), a realização de Rx de ossos longos, sorologia para

sífilis e é mandatória para o fechamento dos casos, fazendo parte do protocolo do Ministério da Saúde do Brasil. A eliminação da sífilis congênita é parte do plano “Saúde para todos no ano 2000”, da OMS e da Organização Pan Americana da Saúde (OPAS), acolhido pelo Fórum de Ministros de Saúde das Américas e pela Coordenação Nacional de DST/AIDS do MS, no Brasil. Estudo recente, financiado pelo PPSUS/CNPq/Ministério da Saúde (MS) e realizado em maternidades da região metropolitana de Maceió/Alagoas, demonstrou que a sífilis continua sendo um grave problema em nosso estado. A doença se mantém com incidência elevada e vem acometendo mulheres jovens, com baixo nível de escolaridade e residentes nas periferias. O estudo mostrou ainda que a ausência de exames no pré-natal aumenta o risco do adoecimento da gestante. A não realização dos exames preconizados pelos critérios diagnósticos do MS, para o diagnóstico de sífilis congênita, dificulta a confirmação ou a exclusão dos casos prováveis da doença. Também nos neonatos a sorologia muitas vezes não facilita a elucidação diagnóstica, pela imaturidade de sua resposta imunológica. A ausência dos exames compromete e desqualifica as informações enviadas ao MS pelo serviço de notificação. É importante que os profissionais de saúde estejam atentos, uma vez que a notificação dos casos de sífilis congênita tem sua confiabilidade dependente da capacidade dos profissionais em diagnosticarem corretamente o evento.

INTERESSES ESPECIAIS » A importância de notificar e investigar a sífilis. » Alerta para as formas de transmissão. » Último estudo realizado

no Estado sobre a doença. » Alerta aos profissionais de saúde sobre a notificação. » Pequeno retrato desse agravo no HUPAA.

Durante

a gravidez, você pode

passar amor e carinho para o

seu filho. Só não pode passar sífilis.


Série histórica dos casos de Sífilis Congênita notificados no HUPAA, 2007 a 2010 Desde o ano de 2007, O Núcleo Hospitalar de Epidemiologia do HUPAA vem recebendo dados para notificação. A notificação é realizada através de fichas padronizadas de notificação e investigação do SINAN (Sistema Nacional de Agravos de Notificação). O gráfico mostra que a frequência da doença em recém-nascidos, se mantêm, com uma média de 30 casos novos ao ano.

Fonte: SinanNet/HUPAA

Notificação por faixa etária da mãe 91 % das mães portadoras de sífilis estão nas faixas entre 15 a 34 anos. Espera-se nesta faixa de idade, que as mulheres sejam acompanhadas durante o pré-natal , ressaltando-se a alta incidência de casos antes dos 20 anos.

Fonte: SinanNet/HUPAA

Notificações por município de realização do pré-natal (Fq)

Notificações por município de nascimento (Fq)

Fonte: SinanNet/HUPAA

Fonte: SinanNet/HUPAA

Os gráficos mostram que no município de Maceió, predomina a origem da maioria dos casos, podendo-se inferir falhas na condução do pré-natal mesmo na capital do estado, onde o acesso à consultas e exames poderia ser facilitado pela ampla rede de atendimento.

Notificações por diagnóstico final O resultado final de avaliação dos casos, no gráfico ao lado, mostra que 21 % dos casos tiveram um desfecho negativo, sendo tratados 2/3 dos recém nascidos (RN), gerando sofrimento para os RN, ocupação de leitos hospitalares, com tempo de permanência média de 14 dias, e uso de antimicrobianos por todo este período .

Fonte: SinanNet/HUPAA

EXPEDIENTE Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes—HUPAA Av. Lourival Melo Mota, s/n. Tab. do Martins. Maceió AL Cep: 57072-970

Fone: (82) 3202-3746 E-mail: nhehupaa@gmail.com, nhe@hu.ufal.br Boletim informativo NHE Tema: Sífilis Congênita

Diretor-geral do HUPAA: Paulo Luiz Teixeira Cavalcante Equipe: Dra. Maria Raquel, Augusto Pimenta, Maria Edna, Dra. Ana Katharina, Leila Moraes. Apoio: Assessoria de Comunicação do HUPAA


05 - Boletim Informativo NHE