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RURAL SEMANAL

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UNIVERSIDADE

4 a 10/4/2011

Memória da Reforma Agrária

Nota de falecimento

Ao reconstituir o congresso camponês, o livro mostra como as áreas mais mobilizadas daquele tempo (o PCB, Julião e militantes radicalizados) se posicionavam na cena pública da época. O novo da circunstância brasileira era a existência de um arco de forças “nacional-democráticas” (de fora e de dentro do governo Goulart) mobilizadas em busca de rumos para o país mediante “reformas de estrutura” ou “reformas de base”, como se dizia no governo Jango. Nas páginas da coletânea é posFonte:www.debatesculturais.com.br

O rural de hoje, de vida cada vez mais complexa e secularizada, com tantas imensões a serem mobilizadas em seu favor, requer, como as cidades, políticas públicas contínuas, múltiplas e de resultados progressivos. À vista dessa circunstância mais contemporânea, já não haveria lugar para proposição de reforma do mundo rural concebida unicamente com base em mobilizações camponesas, ao menos em ambiente político e intelectual que se possa considerar influente nos dias atuais. Para a atual conjuntura do nosso mundo rural, o que traz de útil uma volta ao passado como a que nos conduz este volume? Um volume, aliás, que foi lançado na Universidade Rural do Rio de Janeiro, em 1993, em um evento com a presença de Lyndolfo Silva (quadro comunista e primeiro presidente da CONTAG) e de Francisco Julião, o líder das Ligas camponesas, convidados como símbolos das mobilizações agrárias que rapidamente cresceram de meados dos anos 1950 até o fim do governo de João Goulart, em 1964. Com esta segunda edição revista e aumentada, sob o selo das editoras Mauad e EDUR, o Congresso Nacional Camponês, vem pôr nas mãos de um número agora certamente maior de leitores o retrato de um emblemático momento da história do nosso agrorreformismo. Pelas páginas deste volume o evento realizado em Belo Horizonte em 1961 aparece colorido por ativos protagonistas daquele breve tempo de “revolução democrático-burguesa”. Hoje inusual, esta noção sugere bem a imagem do ambiente político do decênio 1964-64, do governo Jango e da militância da reforma agrária reunida no congresso camponês. Aquela velha fórmula de origem marxista e leninista dividia o campo dos partidários da revolução no Brasil – para uns, “pré-revolução brasileira”, como à época dizia Celso Furtado, a se concretizar mediante reformas parciais do capitalismo brasileiro em moldes progressistas 1 e democráticos (como queria o PCB e por certo pensava o presidente Goulart, para citar apenas dois dos atores reunidos em Belo Horizonte); e para outros grupos de esquerda, revolução com ruptura da ordem que levaria o país ao socialismo por meio de um processo sob hegemonia popular.

sível ver como já havia chegado àquele congresso a controvérsia entre os comunistas e Julião sobre qual classe portava energias para dirigir a revolução – se os operários (PCB) ou os camponeses (Julião) 2. Ainda se pode perceber sinais da oposição de esquerda ao presidente Goulart (pela sua “conciliação”, como se dizia, com as forças tradicionais), cujo governo, no entanto, promulga o Estatuto do Trabalhador Rural em 1963, por sinal, o mesmo ano em que se forma a central sindical agrária sob influência comunista, a CONTAG. Os documentos novamente trazidos a lume por Luiz Flávio de Carvalho Costa exibem a diversidade dos pontos de vista do campo dos defensores ativistas da reforma agrária no qual se poderia divisar – aludindo às acepções de revolução aci-

Projeto Pedala Rural

É com pesar que registramos o falecimento do professor aposentado Ernesto Sá Pinheiro (Depto. Física/UFRRJ), em 21/3/10.

Combate à dengue: faça sua parte Com medidas simples, como eliminar todos os locais com água parada (tampar a caixa d’água, colocar o lixo em saco plástico ou limpar as calhas do telhado), podemos ajudar a combater a dengue. É preciso agir, cuidando da própria casa, conversando com os vizinhos e, quando necessário, acionando a prefeitura. Precisamos de todos na campanha e envolvidos na luta.

Fórum de Extensão, Arte e Cultura O Fórum de Extensão, Arte e Cultura (FEAC/DExt/ UFRRJ) vai promover uma série de palestras e exibições de vídeo, começando no dia 6/4, às 14h, na Sala Multimídia (P1), com a palestra ‘Algumas observações sobre o sistema brasileiro e alemão de ensino’, do Prof. Vitor Luis Bastos de Jesus (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro – IFRJ). Programação completa em http://www.ufrrj.br/eventos2/pdf/2011/per2011.pdf

Já está disponível no site da UFRRJ (www. ufrrj.br) a consulta aos ciclistas do campus Seropédica da UFRRJ. A pesquisa faz parte do Projeto Pedala Rural, um convênio entre a Rural e a Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro. Em virtude da reforma para implantação do bicicletário do Projeto, as bicicletas estacionadas no Pórtico da Universidade foram recolhidas, entre os dias 28/3 e 1/4, ao depósito no Setor de Conservação de Edifícios da Prefeitura Universitária. Para recuperar a bicicleta, o interessado deve se dirigir ao local dentro de 30 dias, levando documentação comprobatória. Após o prazo, a Rural adotará as medidas necessárias.

Parte 2 ma referidas – as duas grandes militâncias que se defrontaram no congresso de 1961. De um lado, estavam os comunistas do sindicalismo camponês (fundar sindicatos para alcançar uma massa camponesa dispersa e mobilizá-la) e, de outro, as vertentes que poderíamos chamar de “partido agrário” (usando expressão já referida às Ligas, cf. Azevedo, 1980) do qual Julião era a principal liderança. Este campo seria, por assim dizer, o campo do movimentalismo agrário daquela época considerada pela bibliografia como o tempo da emergência dos nossos modernos movimentos sociais agrários, sendo inclusive as Ligas de Julião vistas como a expressão mais avançada a que havia chegado a “revolução camponesa” no Brasil (Martins, 1981). Referências bibliográficas AZEVEDO, Fernando. As Ligas camponesas – campesinato e política – 1955-64, dissertação de mestrado, PIFP, Recife, 1980. CARVALHO COSTA, Luiz Flávio de. Sindicalismo rural em construção. Rio de Janeiro: Forense Universitária-EDUR, 1996. LÊNIN, W. I. ‘Dos tácticas de la socialdemocracia rusa (1905)’. In: Obras Escojidas en doce tomos, v. 2. Moscou: Editorial Progresso, 1975. MARTINS, José de Souza. Os camponeses e a política no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1981. 1 A respeito desse tema, ver a tese leninista sobre as vantagens do capitalismo “ocidental” para a classe operária e o campo popular exposta no seu livro Duas táticas da social-democracia russa (Lênin, 1905; 1975). 2 Essa controvérsia de época (do marxismoleninismo dos Partidos Comunistas e da influência da Revolução cubana) se acentua ainda mais logo depois do congresso camponês aumentando a distância entre os sindicatos comunistas e as ligas camponesas. A propósito, ver Carvalho Costa (1996). Raimundo Santos é professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e autor do livro Agraristas Políticos Brasileiros, Brasília: NEADFundação A. Pereira, 2007.

Dissertações e teses Aconteceu em 31/3, às 10h, no IT, defesa de dissertação de mestrado em Tecnologia de Alimentos Intitulada ‘Elaboração e Caracterização Nutricional, Físico-Química e Sensorial de Polpa de Tomate Cultivados em Sistema Orgânico’, de Cintia Letícia da Silva Rosa, sob a orientação da Profa. Daniela de Grandi Castro Freitas. Aconteceu em 31/3, às 10h, no IT, defesa de dissertação de mestrado em Tecnologia de Alimentos, intitulada ‘Alimentos de origem suína como fonte para veículação de Salmonella spp, resistentes aos antimicrobianos ’, de Aloizio Lemos de Lima, sob a orientação da Profa. Norma Santos Lázaro. Dia 4/4, às 13h, no Anfiteatro do DPA/IV, defesa de tese de doutorado em Ciências Veterinárias, intitulada ‘Ração aditivada com Piperina: Avaliação da Capacidade Protetora Contra os Efeitos Tóxicos da Aflatoxina B1 em Frangos de Corte Experimentalmente Intoxicados’, de Verônica da Silva Cardoso, sob a orientação da Profa. Maria das Graças Miranda Danelli.

Trote na UFRRJ Delib. n.º 2 de 8/1/1996 que resolve ‘proibir, terminantemente, a prática de qualquer tipo de trote universitário no âmbito desta universidade’.

Rural Semanal 8 (4 a 10 de abril de 2011)  

Informativo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Rural Semanal 8 (4 a 10 de abril de 2011)  

Informativo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

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