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UNIVERSIDADE E SOCIEDADE

4 a 10/4/2011

Geterra uma breve leitura sobre a Questão Agrária Memória daeReforma Agrária Quarenta por cento de toda terra agricultável do Brasil está nas mãos de apenas 1% dos proprietários! Entre 1985 e 2009, 63 pessoas foram assassinadas e outras 422 foram presas na luta por um pedaço de terra. Nos últimos anos, mais de 2.709 famílias foram expulsas de suas terras. Em 2008, o Brasil tornou-se o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, deixando para trás EUA e Canadá. No planeta, 775 milhões de pessoas morrem devido à pobreza – a maioria, crianças menores de 5 anos. E por que está assim? A história geral de dominações dos povos sempre esteve atrelada, de certa forma, à relação de dominação da terra. Na Idade Média, por exemplo, a relação entre o servo e o senhor feudal era que este possuía o domínio sobre a terra. A lógica era a seguinte: quanto mais terra, mais poder. Este princípio perdurou por anos, determinando as relações sociais deste período. O Brasil nasceu e se construiu seguindo o princípio de dominação da terra. Basta olharmos a nossa história e percebermos que, no processo histórico brasileiro, sempre prevaleceu a lógica de domínio sobre a terra – além, é claro, da exploração dos povos que nela habitavam. Ao longo desse processo, vários mecanismos de perpetuação deste imperioso objetivo foram expressos para que estas relações permanecessem até os dias atuais. Com isso, vimos um país com dimensões continentais ter suas terras concentradas na mão de poucos. E isso, com o passar dos anos, intensifica-se cada vez mais. Hoje, quando se fala em terras no Brasil, necessariamente fala-se de enormes concentrações, onde há muita terra para poucos e pouca terra para muitos. Ou seja: o Brasil é o pais onde existe mais latifúndios no mundo; é o país onde não se realizou a Reforma Agrária! E o mais impressionante é que toda essa terra é utilizada apenas para monocultivos voltados para exportação, como cana-deaçúcar e soja, com o uso intenso de agrotóxicos e tecnologias. Além disso, cabe destacar o que tudo isso implica dentro da nossa realidade: a) desemprego estrutural; b) milhões de pessoas passando fome; c) mais concentrações de terra; d) pessoas sendo expulsas de suas terras e indo morar em condições precárias nas favelas, provocando um inchaço nas cidades, e, sobretudo, os conflitos pela terra. E o que tudo isso tem a ver com a gente? Ao falar da questão agrária brasileira convém necessariamente mencionar uma série de conflitos no campo, assassinatos, prisões e trabalho escravo. Tudo isso tem a ver com a correlação de forças da nossa sociedade, fazendo com que essa estrutura fundiária permaneça. Evidentemente que

CFMV solicita inclusão de veterinários no Nasf O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) solicitou ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a alteração da portaria de 2008 que criou o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), mas não inseriu os médicos veterinários entre os profissionais que atuariam nos núcleos. Ao receber o ofício, o ministro mos trou-se receptivo e reconheceu o pleito, pois entende a importância do veterinário para a saúde pública. Padilha comprometeu-se a encaminhar o documento à Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério. O CFMV foi representado na reunião pela Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária, cujo presidente é o Prof. Paulo César Augusto de Souza (UFRRJ). Com informações do CFMV

isso interessa mais aos grandes grupos econômicos gestores do grande capital, que lucram com toda essa ordem. Para tanto, esses mesmos grupos utilizam-se de ferramentas que escamoteiam o que realmente está por trás da questão agrária brasileira, reproduzindo, ao mesmo tempo, outro olhar – o seu olhar – ou seja, uma (re)produção ideológica para a sociedade que inverte os papéis. Como diria o velho Marx, “cria-se um mundo a sua imagem e semelhança”. Os principais mecanismos utilizados pelos grupos econômicos dominantes são a educação, a mídia e outros setores conversadores da Igreja. Também a universidade mostrase um eficaz mecanismo de manutenção e reprodução ideológica. Diante disso, o que fazer? Para o Grupo de Estudos Trabalho e Ensino em Reforma Agrária (Geterra/UFRRJ), organizarse é a melhor pedagogia para enfrentar, resistir e, sobretudo, lutar contra essa lógica hegemônica e perversa que cada vez mais solapa nossa sociedade. Pois não há como enfrentar os grandes interesses do capital sem uma proposta coletiva. Não adianta pensar numa organização sem pautar uma construção conjunta, além de constituir uma unidade dentro da diversidade. Como um grupo formado por estudantes de vários cursos, pautamos nossa luta principalmente dentro da universidade, fazendo uma aproximação com os movimentos sociais populares. Acreditamos que o modelo de universidade atual tem um propósito dentro do sistema, fazendo com que suas abordagens estejam de acordo com os interesses de um determinado grupo. No caso da Reforma Agrária, o papel da universidade é perpetuar toda lógica estrutural existente. Diante disso é que o Geterra busca trazer para dentro da universidade, junto com outros movimentos, um outro debate sobre a Reforma Agrária na qual a gente acredita. Uma Reforma Agrária com produção agroecológica, defendendo a soberania alimentar e respeitando a vida, isto é, produção de alimentos para abastecer nosso povo (70% dos alimentos que consumimos vêm da agricultura camponesa); que gere emprego pleno para as famílias do campo, garantindo assim uma renda sólida e sua permanência no meio rural; que agregue outro modelo de educação, negando todo o tradicional vigente (com isso, a única forma de romper com essa educação é praticar a Educação Popular); que funcione como viés para transformação social – nesse sentido, já não falamos mais em ‘Reforma Agrária’, mas sim em ‘Revolução Agrária’! Thiago Sardinha é estudante de Geografia e membro do Geterra

RURAL SEMANAL Parabéns

A coordenação, docentes e discentes do curso de Geografia (campus Seropédica) parabenizam a aluna Jéssica Gonçalves Fontes por ganhar a publicação do seu texto literário ‘Agradecimento’ no concurso promovido pela Petrobras/Sindipetro-RJ (1° concurso nacional de trabalhos universitários da campanha ‘O Petróleo tem que ser nosso’).

Conhecendo a história

É perfeitamente compreensível o entusiasmo demonstrado por nosso ex-aluno, na carta publicada no RS 6, de 21 a 27/3/2011, com os resultados obtidos no Enade 2009 pelo curso de Turismo do IM/UFRRJ – que, sem sombra de dúvidas, foram fruto da competência dos docentes, somada à dedicação dos alunos, ambos apoiados por ações da atual Administração Superior. Entretanto, alguns fatos fundadores da decisão de implantação de uma unidade de ensino da UFRRJ na cidade de Nova Iguaçu necessitam ser resgatados, para que sejamos fiéis ao nosso compromisso com a história institucional e, principalmente, com a verdade, impres cindível em uma instituição de ensino e pesquisa. Quando a gestão Novo Tempo assumiu a Administração Superior, em março de 2005, as bases para a expansão de nossa Universidade e, mais exatamente, de construção do Instituto Multidisciplinar (IM) já estavam lançadas. A Universidade Rural, que vinha participando de um “consórcio universitário” com a UFF e o CEFET, oferecia, nas cidades de Nova Iguaçu e Volta Redonda, turmas do curso de Administração. Em sucessivas reuniões realizadas a partir do mês de julho de 2004, com representantes da UFF e do CEFET e a participação inicial do representante do MEC no Rio de Janeiro, Prof. William Campos e, posteriormente, da SESu/MEC, na pessoa do Prof. Manuel Palácios, a UFRRJ assumiu para si a incumbência de implantar na cidade de Nova Iguaçu uma Unidade de Ensino, inicialmente com os cursos de Administração e de Economia. Este último curso, em Nova Iguaçu, era oferecido pela UFF, que na negociação realizada assumiu igual incumbência para a cidade de Volta Redonda. Desta forma, todas as bases negociadas, inclusive a previsão de contratação de docentes especificamente para aquele campus, foram devidamente explicitadas e repassadas quando da transição para a nova administração. Regina Célia Lopes Araujo, professora do Depto. de Arquitetura e Urbanismo/IT e decana de Assuntos Administrativos da UFRRJ na gestão Florescer (2001/2005).

Vegetais mais saudáveis e saborosos Num cenário em que a busca pela alta produtividade acaba comprometendo a qualidade dos alimentos, o cultivo de variedades antigas de sementes – conhecidas, no Brasil, como ‘crioulas’ – desperta interesse em vários países. Segundo o diretor do Instituto de Agronomia da UFRRJ, Prof. Antonio Carlos de Souza Abboud, o cultivo desse tipo de planta é voltado para a alta gastronomia. “É entre as pessoas mais preocupadas com o sabor que esse grupo de alimentos é mais conhecido”, disse Abboud, em matéria publicada no site Cada Minuto. Leia em http://migre.me/45sW3

Governo prepara plano para aumentar intercâmbio de alunos Os ministérios da Educação (MEC) e da Ciência e Tecnologia (MCT) preparam um plano para aumentar o intercâmbio de estudantes brasileiros, segundo matéria publicada na Folha de São Paulo (23/3). O ministro Fernando Haddad (Educação) disse que as duas pastas estão mapeando áreas prioritárias e a escala possível do projeto. Durante visita do presidente norte-americano Barack Obama, a presidente Dilma Rousseff assinou acordo de cooperação que prevê o intercâmbio de alunos e professores universitários entre Brasil e Estados Unidos.

Rural Semanal 8 (4 a 10 de abril de 2011)  

Informativo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Rural Semanal 8 (4 a 10 de abril de 2011)  

Informativo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

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