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RURAL SEMANAL Informativo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

1910 a 2010

EDITORIAL A estabilidade como princípio

Memória da Reforma Agrária (Leia a parte 2 na pág. 3)

Adicional por serviço extraordinário Esclarecimentos sobre pedidos do adicional por serviço extraordinário. 1. Prazo: A solicitação ocorrerá com antecedência da realização das atividades extraordinárias. Lembrando que a autorização é prévia conforme determina o Decreto 948/93, art. 2, e Orientação Normativa/SRH nº 02/2008 em seu art. 3º. 2. Justifcativa: Deve explicitar o atendimento à situação excepcional e temporária por imperiosa necessidade. Sendo situação excepcional aquela que foge à normalidade, ou seja, que não está incluída nas atividades diárias do servidor; e temporária aquela que ocorre por um contingente inesperado e excessivo de trabalho em determinada data/período. Faz-se necessário, conforme preconiza a ON/SRH nº 02/2008, em seu art. 2º, que a justificativa deixe claro que o não atendimento ao pedido causará prejuízo manifesto para o serviço. Dessa forma, o objetivo do art. 74 da lei nº 8.112 é, em virtude da obrigatoriedade constitucional, remunerar o serviço extraordinário, no mínimo 50% superior à hora normal, e que o administrador só permita, sob pena de responsabilidade, a execução de “serviço extraordinário para atender a situações excepcionais e temporárias, respeitado o limite máximo de duas horas por jornada”, bem como que o servidor só desempenhe serviço extraordinário em tais hipóteses, sob pena de infração a dever funcional (arts. 129 e inciso III e/ou IV do art. 116), punível com advertência ou, se reincidente, com suspensão (arts. 129 e 130). 3. Comprovação do trabalho: Cabe à chefia imediata, conforme determina a ON/SRH nº 02/2008 em seu art. 3º, a supervisão e controle do serviço extraordinário. Convém citar que o mesmo dispositivo legal dispõe que o pedido deverá conter a identificação do horário e data do serviço a ser executado. 4. Relatório parcial/final: O controle da prestação de serviços extraordinários é responsabilidade da chefia imediata, a qual deverá fazê-la via emissão de relatório parcial e/ou final. Sendo esse requisito amparado no item “outras informações pertinentes à realização do serviço elencado no art. 3º, parágrafo 2, da ON/SRH nº 02/2008”. Na falta do relatório, conclui-se que não houve a realização do serviço extraordinário e, portanto, o pagamento estará condicionado à apresentação desse documento. Em caso de pagamentos em andamento que não venham a ter a execução do serviço extraordinário (comprovada, conforme justificativa) será feito o desconto correspondente no mês subsequente. Pedro Paulo de Oliveira Silva, decano de Assuntos Administrativos. (Documento encaminhado aos gestores da UFRRJ em 31/3/2011).

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CALENDÁRIO ACADÊMICO a8/4- Término do prazo para renovação do trancamento de matrícula na UFRRJ no Quiosque Alunos. a15/4- Prazo final para cancelar a matrícula em uma ou mais disciplinas. a15/4- Data final para solicitação de movimentação interna (mudança de Campus, turno, modalidade - no mesmo curso de graduação). a21/4- Feriado Nacional (Tiradentes) a22/4- Feriado Nacional (Paixão) a23/4- Feriado Estadual (São Jorge) a1/5- Feriado Nacional (Dia do Trabalhador) a13/5- Prazo final para solicitação de reingresso interno para nova modalidade/habilitação de graduação da UFRRJ. a11/6- Prazo final para trancamento de matrícula no Curso de Graduação no 1º período letivo de 2011. Veja a íntegra do calendário em www.ufrrj.br/portal/ modulo/reitoria/getCalendario.php?arqui vo=39.pdf

Webmail UFRRJ Comunicado aos usuários Solicitamos a limpeza da pasta ‘Lixeira’, na lista de diretórios do webmail, através da ferramenta ‘Limpar Lixeira’ (localizada à esquerda e acima de ‘Minhas Pastas’). Para tanto, basta um clique sobre essa ferramenta. Informamos que, a partir de 11/4, a Coordenadoria de Informática (CoInfo/UFRRJ) realizará esta operação automaticamente todas as segundas-feiras. Administração Superior da UFRRJ, em nome do Comitê Gestor de Tecnologia da Informação e Comunicação (CGTIC/UFRRJ)

Lançamento de livro no ICHS Combatendo a Desigualdade Social - O MST e a reforma agrária no Brasil é o título do livro organizado pelo professor Miguel Carter, da School of International Service (American Univer sity, Washington/ DC). A obra será lançada em 19/4, às 14h, no Auditório Paulo Freire/ ICHS. Os participantes receberão certificado.

www.submarino.com.br

O artigo 207 da Constituição, promulgada pela Assembleia Constituinte em 5/10/1988, define que as “universidades gozam de autonomia didático-cientí fica, administrativa e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. No Decreto 8.319, de 20/10/1910, assinado por Rodolfo Nogueira da Rocha Miranda e Nilo Peçanha – respectivamente, ministro da Agricultura e presidente da República – criando a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (ESAMV), que nos deu origem institucional, já estava previsto um ensino articulado com as atividades de pesquisa. Portanto, 78 anos antes da aprovação de nossa Constituição, a indissociabilidade antes referida já havia se consolidado como prática histórica em nossa instituição. Fiel a esse processo histórico, a UFRRJ continua sua caminhada no cenário da educação superior pública e de qualidade. E, para manter esse objetivo, tem aproveitado as oportunidades abertas pelas instâncias de fomento à pesquisa e criado políticas de indução de discentes, técnicos e docentes, visando a aprofundar o envolvimento de cada membro da comunidade universitária com ações de ensino, pesquisa e extensão. Nessa direção, o Decanato de Pesquisa e PósGraduação (DPPG), após processo de discus são com as diretorias das unidades acadêmicas e com as coordenações dos programas de pós, elaborou e encaminhou à Finep/MCT o projeto ‘Fortalecimento da Infraestrutura de Pesquisa na UFRRJ’. Com valor de R$ 10.906.022,95, o projeto é constituído dos seguintes subprojetos: 1) Recuperação e Modernização de Rede Elétrica para Pesquisa na UFRRJ; 2) Aproveitamento de Resíduos Agroindustriais; 3) Implementação da Rede de Biotecnologia Aplicada às Ciências Agrárias na UFRRJ; 4) Conservação e Sustentabilidade de Sistemas Agrícolas e Florestais no Estado do Rio de Janeiro; e 5) Modernização do Acesso Informatizado às Atividades dos Laboratórios de Pesquisa da UFRRJ. O projeto (submetido para avaliação conforme o edital ‘Chamada Pública MCT/Finep/CT-Infra – Proinfra 02/2010’), visa à revitalização da infraestrutura de suporte às atividades de pesquisa, a fim de ampliar a capacidade de formação em nível de pós-gradução e de inovação das investigações e tecnologias geradas. A coordenação de tais projetos pelo DPPG, desde 2005, tem apontado que a manutenção desse fluxo anual de recursos, de forma ininterrupta e crescente, é de importância fundamental para o desenvolvimento de nossos campi. Paralelamente, desde a criação do Instituto Multidisciplinar (Nova Iguaçu), o por meio da deliberação n 32 do ConsU (20/6/05), os editais específicos do MCT para o fortalecimento da pesquisa nos novos campi têm recebido o mesmo tratamento e obtido recursos para a consolidação dessa nova fase de expansão da UFRRJ e de sua característica primordial, baseada na estabilidade necessária para o cumprimento de nosso princípio constitucional.

ANO XVIII - 2011

Tese de professor da Rural entre as melhores da UPV-Espanha A tese ‘El Pintor José Pancetti y su Proyección en el Arte Social’, do Prof. Fabio de Macedo, coordenador do curso de Belas Artes da UFRRJ, foi selecionada entre os trabalhos com excelência acadêmica da

Qualidade do mel é tema de workshop no IZ/UFRRJ (Leia na pág. 4)

Universidad Politécnica de Valencia, na Espanha. A Comissão de Doutorado da UPV examinou as teses defendidas entre os anos 2008 e 2010 em todas as áreas. Detalhes em http://migre.me/48Mhm

Proext 2011 interno Propostas até 5/4 (Leia na pág. 4)


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UNIVERSIDADE E SOCIEDADE

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Geterra uma breve leitura sobre a Questão Agrária Memória daeReforma Agrária Quarenta por cento de toda terra agricultável do Brasil está nas mãos de apenas 1% dos proprietários! Entre 1985 e 2009, 63 pessoas foram assassinadas e outras 422 foram presas na luta por um pedaço de terra. Nos últimos anos, mais de 2.709 famílias foram expulsas de suas terras. Em 2008, o Brasil tornou-se o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, deixando para trás EUA e Canadá. No planeta, 775 milhões de pessoas morrem devido à pobreza – a maioria, crianças menores de 5 anos. E por que está assim? A história geral de dominações dos povos sempre esteve atrelada, de certa forma, à relação de dominação da terra. Na Idade Média, por exemplo, a relação entre o servo e o senhor feudal era que este possuía o domínio sobre a terra. A lógica era a seguinte: quanto mais terra, mais poder. Este princípio perdurou por anos, determinando as relações sociais deste período. O Brasil nasceu e se construiu seguindo o princípio de dominação da terra. Basta olharmos a nossa história e percebermos que, no processo histórico brasileiro, sempre prevaleceu a lógica de domínio sobre a terra – além, é claro, da exploração dos povos que nela habitavam. Ao longo desse processo, vários mecanismos de perpetuação deste imperioso objetivo foram expressos para que estas relações permanecessem até os dias atuais. Com isso, vimos um país com dimensões continentais ter suas terras concentradas na mão de poucos. E isso, com o passar dos anos, intensifica-se cada vez mais. Hoje, quando se fala em terras no Brasil, necessariamente fala-se de enormes concentrações, onde há muita terra para poucos e pouca terra para muitos. Ou seja: o Brasil é o pais onde existe mais latifúndios no mundo; é o país onde não se realizou a Reforma Agrária! E o mais impressionante é que toda essa terra é utilizada apenas para monocultivos voltados para exportação, como cana-deaçúcar e soja, com o uso intenso de agrotóxicos e tecnologias. Além disso, cabe destacar o que tudo isso implica dentro da nossa realidade: a) desemprego estrutural; b) milhões de pessoas passando fome; c) mais concentrações de terra; d) pessoas sendo expulsas de suas terras e indo morar em condições precárias nas favelas, provocando um inchaço nas cidades, e, sobretudo, os conflitos pela terra. E o que tudo isso tem a ver com a gente? Ao falar da questão agrária brasileira convém necessariamente mencionar uma série de conflitos no campo, assassinatos, prisões e trabalho escravo. Tudo isso tem a ver com a correlação de forças da nossa sociedade, fazendo com que essa estrutura fundiária permaneça. Evidentemente que

CFMV solicita inclusão de veterinários no Nasf O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) solicitou ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a alteração da portaria de 2008 que criou o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf), mas não inseriu os médicos veterinários entre os profissionais que atuariam nos núcleos. Ao receber o ofício, o ministro mos trou-se receptivo e reconheceu o pleito, pois entende a importância do veterinário para a saúde pública. Padilha comprometeu-se a encaminhar o documento à Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério. O CFMV foi representado na reunião pela Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária, cujo presidente é o Prof. Paulo César Augusto de Souza (UFRRJ). Com informações do CFMV

isso interessa mais aos grandes grupos econômicos gestores do grande capital, que lucram com toda essa ordem. Para tanto, esses mesmos grupos utilizam-se de ferramentas que escamoteiam o que realmente está por trás da questão agrária brasileira, reproduzindo, ao mesmo tempo, outro olhar – o seu olhar – ou seja, uma (re)produção ideológica para a sociedade que inverte os papéis. Como diria o velho Marx, “cria-se um mundo a sua imagem e semelhança”. Os principais mecanismos utilizados pelos grupos econômicos dominantes são a educação, a mídia e outros setores conversadores da Igreja. Também a universidade mostrase um eficaz mecanismo de manutenção e reprodução ideológica. Diante disso, o que fazer? Para o Grupo de Estudos Trabalho e Ensino em Reforma Agrária (Geterra/UFRRJ), organizarse é a melhor pedagogia para enfrentar, resistir e, sobretudo, lutar contra essa lógica hegemônica e perversa que cada vez mais solapa nossa sociedade. Pois não há como enfrentar os grandes interesses do capital sem uma proposta coletiva. Não adianta pensar numa organização sem pautar uma construção conjunta, além de constituir uma unidade dentro da diversidade. Como um grupo formado por estudantes de vários cursos, pautamos nossa luta principalmente dentro da universidade, fazendo uma aproximação com os movimentos sociais populares. Acreditamos que o modelo de universidade atual tem um propósito dentro do sistema, fazendo com que suas abordagens estejam de acordo com os interesses de um determinado grupo. No caso da Reforma Agrária, o papel da universidade é perpetuar toda lógica estrutural existente. Diante disso é que o Geterra busca trazer para dentro da universidade, junto com outros movimentos, um outro debate sobre a Reforma Agrária na qual a gente acredita. Uma Reforma Agrária com produção agroecológica, defendendo a soberania alimentar e respeitando a vida, isto é, produção de alimentos para abastecer nosso povo (70% dos alimentos que consumimos vêm da agricultura camponesa); que gere emprego pleno para as famílias do campo, garantindo assim uma renda sólida e sua permanência no meio rural; que agregue outro modelo de educação, negando todo o tradicional vigente (com isso, a única forma de romper com essa educação é praticar a Educação Popular); que funcione como viés para transformação social – nesse sentido, já não falamos mais em ‘Reforma Agrária’, mas sim em ‘Revolução Agrária’! Thiago Sardinha é estudante de Geografia e membro do Geterra

RURAL SEMANAL Parabéns

A coordenação, docentes e discentes do curso de Geografia (campus Seropédica) parabenizam a aluna Jéssica Gonçalves Fontes por ganhar a publicação do seu texto literário ‘Agradecimento’ no concurso promovido pela Petrobras/Sindipetro-RJ (1° concurso nacional de trabalhos universitários da campanha ‘O Petróleo tem que ser nosso’).

Conhecendo a história

É perfeitamente compreensível o entusiasmo demonstrado por nosso ex-aluno, na carta publicada no RS 6, de 21 a 27/3/2011, com os resultados obtidos no Enade 2009 pelo curso de Turismo do IM/UFRRJ – que, sem sombra de dúvidas, foram fruto da competência dos docentes, somada à dedicação dos alunos, ambos apoiados por ações da atual Administração Superior. Entretanto, alguns fatos fundadores da decisão de implantação de uma unidade de ensino da UFRRJ na cidade de Nova Iguaçu necessitam ser resgatados, para que sejamos fiéis ao nosso compromisso com a história institucional e, principalmente, com a verdade, impres cindível em uma instituição de ensino e pesquisa. Quando a gestão Novo Tempo assumiu a Administração Superior, em março de 2005, as bases para a expansão de nossa Universidade e, mais exatamente, de construção do Instituto Multidisciplinar (IM) já estavam lançadas. A Universidade Rural, que vinha participando de um “consórcio universitário” com a UFF e o CEFET, oferecia, nas cidades de Nova Iguaçu e Volta Redonda, turmas do curso de Administração. Em sucessivas reuniões realizadas a partir do mês de julho de 2004, com representantes da UFF e do CEFET e a participação inicial do representante do MEC no Rio de Janeiro, Prof. William Campos e, posteriormente, da SESu/MEC, na pessoa do Prof. Manuel Palácios, a UFRRJ assumiu para si a incumbência de implantar na cidade de Nova Iguaçu uma Unidade de Ensino, inicialmente com os cursos de Administração e de Economia. Este último curso, em Nova Iguaçu, era oferecido pela UFF, que na negociação realizada assumiu igual incumbência para a cidade de Volta Redonda. Desta forma, todas as bases negociadas, inclusive a previsão de contratação de docentes especificamente para aquele campus, foram devidamente explicitadas e repassadas quando da transição para a nova administração. Regina Célia Lopes Araujo, professora do Depto. de Arquitetura e Urbanismo/IT e decana de Assuntos Administrativos da UFRRJ na gestão Florescer (2001/2005).

Vegetais mais saudáveis e saborosos Num cenário em que a busca pela alta produtividade acaba comprometendo a qualidade dos alimentos, o cultivo de variedades antigas de sementes – conhecidas, no Brasil, como ‘crioulas’ – desperta interesse em vários países. Segundo o diretor do Instituto de Agronomia da UFRRJ, Prof. Antonio Carlos de Souza Abboud, o cultivo desse tipo de planta é voltado para a alta gastronomia. “É entre as pessoas mais preocupadas com o sabor que esse grupo de alimentos é mais conhecido”, disse Abboud, em matéria publicada no site Cada Minuto. Leia em http://migre.me/45sW3

Governo prepara plano para aumentar intercâmbio de alunos Os ministérios da Educação (MEC) e da Ciência e Tecnologia (MCT) preparam um plano para aumentar o intercâmbio de estudantes brasileiros, segundo matéria publicada na Folha de São Paulo (23/3). O ministro Fernando Haddad (Educação) disse que as duas pastas estão mapeando áreas prioritárias e a escala possível do projeto. Durante visita do presidente norte-americano Barack Obama, a presidente Dilma Rousseff assinou acordo de cooperação que prevê o intercâmbio de alunos e professores universitários entre Brasil e Estados Unidos.


RURAL SEMANAL

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UNIVERSIDADE

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Memória da Reforma Agrária

Nota de falecimento

Ao reconstituir o congresso camponês, o livro mostra como as áreas mais mobilizadas daquele tempo (o PCB, Julião e militantes radicalizados) se posicionavam na cena pública da época. O novo da circunstância brasileira era a existência de um arco de forças “nacional-democráticas” (de fora e de dentro do governo Goulart) mobilizadas em busca de rumos para o país mediante “reformas de estrutura” ou “reformas de base”, como se dizia no governo Jango. Nas páginas da coletânea é posFonte:www.debatesculturais.com.br

O rural de hoje, de vida cada vez mais complexa e secularizada, com tantas imensões a serem mobilizadas em seu favor, requer, como as cidades, políticas públicas contínuas, múltiplas e de resultados progressivos. À vista dessa circunstância mais contemporânea, já não haveria lugar para proposição de reforma do mundo rural concebida unicamente com base em mobilizações camponesas, ao menos em ambiente político e intelectual que se possa considerar influente nos dias atuais. Para a atual conjuntura do nosso mundo rural, o que traz de útil uma volta ao passado como a que nos conduz este volume? Um volume, aliás, que foi lançado na Universidade Rural do Rio de Janeiro, em 1993, em um evento com a presença de Lyndolfo Silva (quadro comunista e primeiro presidente da CONTAG) e de Francisco Julião, o líder das Ligas camponesas, convidados como símbolos das mobilizações agrárias que rapidamente cresceram de meados dos anos 1950 até o fim do governo de João Goulart, em 1964. Com esta segunda edição revista e aumentada, sob o selo das editoras Mauad e EDUR, o Congresso Nacional Camponês, vem pôr nas mãos de um número agora certamente maior de leitores o retrato de um emblemático momento da história do nosso agrorreformismo. Pelas páginas deste volume o evento realizado em Belo Horizonte em 1961 aparece colorido por ativos protagonistas daquele breve tempo de “revolução democrático-burguesa”. Hoje inusual, esta noção sugere bem a imagem do ambiente político do decênio 1964-64, do governo Jango e da militância da reforma agrária reunida no congresso camponês. Aquela velha fórmula de origem marxista e leninista dividia o campo dos partidários da revolução no Brasil – para uns, “pré-revolução brasileira”, como à época dizia Celso Furtado, a se concretizar mediante reformas parciais do capitalismo brasileiro em moldes progressistas 1 e democráticos (como queria o PCB e por certo pensava o presidente Goulart, para citar apenas dois dos atores reunidos em Belo Horizonte); e para outros grupos de esquerda, revolução com ruptura da ordem que levaria o país ao socialismo por meio de um processo sob hegemonia popular.

sível ver como já havia chegado àquele congresso a controvérsia entre os comunistas e Julião sobre qual classe portava energias para dirigir a revolução – se os operários (PCB) ou os camponeses (Julião) 2. Ainda se pode perceber sinais da oposição de esquerda ao presidente Goulart (pela sua “conciliação”, como se dizia, com as forças tradicionais), cujo governo, no entanto, promulga o Estatuto do Trabalhador Rural em 1963, por sinal, o mesmo ano em que se forma a central sindical agrária sob influência comunista, a CONTAG. Os documentos novamente trazidos a lume por Luiz Flávio de Carvalho Costa exibem a diversidade dos pontos de vista do campo dos defensores ativistas da reforma agrária no qual se poderia divisar – aludindo às acepções de revolução aci-

Projeto Pedala Rural

É com pesar que registramos o falecimento do professor aposentado Ernesto Sá Pinheiro (Depto. Física/UFRRJ), em 21/3/10.

Combate à dengue: faça sua parte Com medidas simples, como eliminar todos os locais com água parada (tampar a caixa d’água, colocar o lixo em saco plástico ou limpar as calhas do telhado), podemos ajudar a combater a dengue. É preciso agir, cuidando da própria casa, conversando com os vizinhos e, quando necessário, acionando a prefeitura. Precisamos de todos na campanha e envolvidos na luta.

Fórum de Extensão, Arte e Cultura O Fórum de Extensão, Arte e Cultura (FEAC/DExt/ UFRRJ) vai promover uma série de palestras e exibições de vídeo, começando no dia 6/4, às 14h, na Sala Multimídia (P1), com a palestra ‘Algumas observações sobre o sistema brasileiro e alemão de ensino’, do Prof. Vitor Luis Bastos de Jesus (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro – IFRJ). Programação completa em http://www.ufrrj.br/eventos2/pdf/2011/per2011.pdf

Já está disponível no site da UFRRJ (www. ufrrj.br) a consulta aos ciclistas do campus Seropédica da UFRRJ. A pesquisa faz parte do Projeto Pedala Rural, um convênio entre a Rural e a Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro. Em virtude da reforma para implantação do bicicletário do Projeto, as bicicletas estacionadas no Pórtico da Universidade foram recolhidas, entre os dias 28/3 e 1/4, ao depósito no Setor de Conservação de Edifícios da Prefeitura Universitária. Para recuperar a bicicleta, o interessado deve se dirigir ao local dentro de 30 dias, levando documentação comprobatória. Após o prazo, a Rural adotará as medidas necessárias.

Parte 2 ma referidas – as duas grandes militâncias que se defrontaram no congresso de 1961. De um lado, estavam os comunistas do sindicalismo camponês (fundar sindicatos para alcançar uma massa camponesa dispersa e mobilizá-la) e, de outro, as vertentes que poderíamos chamar de “partido agrário” (usando expressão já referida às Ligas, cf. Azevedo, 1980) do qual Julião era a principal liderança. Este campo seria, por assim dizer, o campo do movimentalismo agrário daquela época considerada pela bibliografia como o tempo da emergência dos nossos modernos movimentos sociais agrários, sendo inclusive as Ligas de Julião vistas como a expressão mais avançada a que havia chegado a “revolução camponesa” no Brasil (Martins, 1981). Referências bibliográficas AZEVEDO, Fernando. As Ligas camponesas – campesinato e política – 1955-64, dissertação de mestrado, PIFP, Recife, 1980. CARVALHO COSTA, Luiz Flávio de. Sindicalismo rural em construção. Rio de Janeiro: Forense Universitária-EDUR, 1996. LÊNIN, W. I. ‘Dos tácticas de la socialdemocracia rusa (1905)’. In: Obras Escojidas en doce tomos, v. 2. Moscou: Editorial Progresso, 1975. MARTINS, José de Souza. Os camponeses e a política no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1981. 1 A respeito desse tema, ver a tese leninista sobre as vantagens do capitalismo “ocidental” para a classe operária e o campo popular exposta no seu livro Duas táticas da social-democracia russa (Lênin, 1905; 1975). 2 Essa controvérsia de época (do marxismoleninismo dos Partidos Comunistas e da influência da Revolução cubana) se acentua ainda mais logo depois do congresso camponês aumentando a distância entre os sindicatos comunistas e as ligas camponesas. A propósito, ver Carvalho Costa (1996). Raimundo Santos é professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e autor do livro Agraristas Políticos Brasileiros, Brasília: NEADFundação A. Pereira, 2007.

Dissertações e teses Aconteceu em 31/3, às 10h, no IT, defesa de dissertação de mestrado em Tecnologia de Alimentos Intitulada ‘Elaboração e Caracterização Nutricional, Físico-Química e Sensorial de Polpa de Tomate Cultivados em Sistema Orgânico’, de Cintia Letícia da Silva Rosa, sob a orientação da Profa. Daniela de Grandi Castro Freitas. Aconteceu em 31/3, às 10h, no IT, defesa de dissertação de mestrado em Tecnologia de Alimentos, intitulada ‘Alimentos de origem suína como fonte para veículação de Salmonella spp, resistentes aos antimicrobianos ’, de Aloizio Lemos de Lima, sob a orientação da Profa. Norma Santos Lázaro. Dia 4/4, às 13h, no Anfiteatro do DPA/IV, defesa de tese de doutorado em Ciências Veterinárias, intitulada ‘Ração aditivada com Piperina: Avaliação da Capacidade Protetora Contra os Efeitos Tóxicos da Aflatoxina B1 em Frangos de Corte Experimentalmente Intoxicados’, de Verônica da Silva Cardoso, sob a orientação da Profa. Maria das Graças Miranda Danelli.

Trote na UFRRJ Delib. n.º 2 de 8/1/1996 que resolve ‘proibir, terminantemente, a prática de qualquer tipo de trote universitário no âmbito desta universidade’.


Informes Gerais Qualidade do mel é tema de workshop no IZ/UFRRJ No dia 5/4, o Instituto de Zootecnia da UFRRJ vai sediar o III Workshop Controle de Qualidade do Mel e Pólen. Com o lema ‘Temos que aumentar a qualidade dos produtos apícolas’, o evento vai reunir cientistas e técnicos do setor. Mais informações: susilinhares@hotmail.com

Segurança no campus Faça a sua parte para que não haja violência no campus. Qualquer ocorrência, comunique-secom a DGV, ramal 4645 e tel. 2682-1871. Tenha sempre um documento de identidade, especialmente o que ateste seu vínculo com a UFRRJ.

Cursos de Extensão

Vagas de estágio 1- O CAIC Paulo Dacorso Filho oferece cinco vagas de estágio para alunos contemplados com a bolsa alimentação. Inscrições na Secretaria. 2- A Seção de Especificação e Pesquisa de Preço/ DMSA recebe inscrições para estágio até às 0h do dia 6/4. Informações em www.ufrrj.br/portal/ modulo/home/pdf/estagio-dmsa.pdf

1- Oficina de Dinâmica de Grupo, inscrições de 4 a 8/4, Prêmios Proext 2011 interno na sala 29 do IE. O curso acontece de 12/4 a 5/7. Propostas até 5/4 Antonio Meneghetti 2- Relações Interpessoais, inscrições de 1º a 6/4, O Decanato de Extensão (DExt), através de sua na sala 29/IE. O curso acontece de 7/4 a 30/6. A Fondazione di Ricerca Scientifica ed Umanistica Comissão de Avaliação da Divisão de Programas Antonio Meneghetti, instituto suíço, vai premiar pesCoordenação: Ana Chiquieri, IE/DTPE e Projetos (DPPEX), informa aos docentes que o quisas nas áreas de economia, medicina e física, prazo para o envio de propostas para o Edital nº 04 Monitorias na Rural relacionadas ao tema ‘ontopsicologia’ – ciência conProext 2011 vai até às 16h do dia 5/4. A divulgação 1) Didática Geral - Inscrições na Secretaria do temporânea que estuda a atividade psíquica do de resultados e entrega das propostas para corre- DTPE/IE (sala 21), até 4/4, das 9h às 11h; e das ser humano. Para participar é preciso ter doutorado ção acontece em 7/4. Já o prazo final para entrega 13h30 às 16h. Confira o edital nº 1, de 15/3/11, em ou publicação sobre o tema em revista científica. Dodas propostas corrigidas e recebimento da carta de www.ufrrj.br (seção ‘Editais’). cumentação e a publicação devem ser envidas até aprovação, até às 16h do dia 8/4. 2) O Depto. de Genética/IB recebe inscrições para 29/4. Detalhes em awards@fondazionemeneghetti.ch as áreas de Genética e de Melhoramento Gené- 6º Prêmio L’Oréal/Unesco para tico Animal. Edital 01/2011 – Genética Básica e Mulheres na Ciência Geral 04/201 – Introdução à Genética do Melhora- As inscrições para o Prêmio, realizado em parceria mento Animal e Bases Genéticas do Melhoramento com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), Animal). Inscrições até 15/4, das 8h30 às 16h30. foram abertas em 8/3, data em que se comemora 3) No IZ - ‘Forragicultura, Pastagens, Nutrição Animal o Dia Internacional da Mulher. Podem se inscrever e Nutrição Animal Aplicada’ (monitoria remunerada); cientistas das áreas de Ciências Biomédicas, Bioe ‘Reconhecimento de Forrageiras e Plantas Forra- lógicas e da Saúde; Ciências Físicas; Ciências DEG lança blog geiras’ (monitoria voluntária) . Inscrições, até 11/4, Matemáticas; e Ciências Químicas. Cada profissioMais um meio de comunicação está no ar para agi- na secretaria do DNAP/IZ, de 8h às 11h e de 13h às nal vencedora recebe bolsa-auxílio de US$ 20 mil. lizar a circulação das informações na comunidade 16h. Confira os editais no Quiosque do Aluno. Inscrição até 13/5. Confiram em http://loreal.abc.org.br acadêmica da UFRRJ. No Blog do Decanato de Ensino de Graduação - DEG (http://blogdodeg.blogs Rural Semanal Curtas pot.com), é possível conferir as últimas notícias do Uma construção coletiva da comunidade universitária 1ª Feira Virtual de Intercâmbio - Até 10/4, em http:/ que acontece na Rural, a agenda de eventos, perfis, Os conceitos, opiniões, declarações, comunicados, resenhas e cartas são de total responsabilidade /feiradeintercambioef.universia.com.br além das colunas para alunos e professores. Ascom/UFRRJ, com informações da Assessoria dos autores. Colabore enviando artigos, cartas e Apresentação do Coral da UFRRJ - Dia 6/4, às 12h17, no hall do P1. notas até 3ª para ascom@ufrrj.br de Comunicação do DEG Clipping Rural - Disponível no site da UFRRJ, ao CODEP oferece cursos para servidores lado esquerdo da tela, na seção ‘Comunicação’ A Coordenação de Desenvolvimento de Pessoas (CODEP-DP/DAA/UFRRJ) está com inscrições (www.ufrrj.br/portal/ modulo/home/clippins. php) abertas em http://www.ufrrj.br/codep/cursos.php para os cursos abaixo. Feira de Artesanato do P1 - Dias 5, 6 e 7/4. Mais informações em http://www.ufrrj.br/codep/ ou tels. 2681-4739/4740. Ouvidoria na Rural - Reclamações, elogios, críCurso Módulo Inscrição ticas e sugestões, das 8h às 17h, na sala 131 do P1 (2682-2915) ou ouvidoria@ufrrj.br Gramática no trabalho até 22/4 Reuniões do Geterra/UFRRJ - todas as terçasT01 até 25/4 Básico de língua brasileira de sinais para comunicação feiras, às 19h30, na sala do GAE, ao lado do no trabalho T02 até 17/8 Erva Doce. Comunicação

Inglês instrumental – Leitura Arquivos e gestão de documentos Relações interpessoais no trabalho e na vida

até 8/4 até 28/4 T01 até 20/4 T02 até 24/8

Operação de ceifadeiras costais e laterais motorizadas Operação e manutenção de máquinas, motores e veículos condutores.

Noções básicas de motores diesel Relaçõe s interpessoais no trabalho e na vida

até 25/4 até 27/5 T01 até 27/5 T02 até 7/10

Apresenta, em 6/4, às 19h, no Gustavão, o filme ‘Casablanca’ (EUA/1942, drama, 103 min). Diretor: Michael Curtiz; com Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Paul Henreid, Claude Rains. Sinopse: Casablanca é a rota para quem está fugindo dos nazistas. É lá que Rick (Humphrey Bogart) encontra Ilsa (Ingrid Bergman) anos depois de se apaixonarem e se perderem em Paris.

RURAL SEMANAL: Informativo da Reitoria da UFRRJ fundado em 26/9/1994 Reitor: Ricardo Motta Miranda Vice-reitora: Ana Maria Dantas Soares Decano de Assuntos

Rural Semanal Ano XVIII número 08/2011 - 4 a 10/4/2011

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

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Administrativos: Pedro Paulo de Oliveira Silva Assuntos Financeiros: Eduardo Mendes Callado Assuntos Estudantis: Carlos Luiz Massard Ensino de Graduação: Nídia Majerowicz Extensão: José Claudio Souza Alves Pesquisa e Pós-graduação: Aurea Echevarria Assessoria de Informação e Comunicação: Teresinha Sena Pacielo Editor colaborador: Valdomiro Neves Lima Colaboradora: Aline Lemos. Revisão: João Henrique Oliveira (jornalista - Mtb 2432-5) Diagramação: Elcy Rodrigues de Moraes Carvalho Distribuição: Aline da Silveira Figueroa Impressão: Imprensa Universitária Tiragem: 5000 Redação: Assessoria de Informação e Comunicação -BR 465 - Km7, Pavilhão Central, sala 131, CEP 23890-000 Seropédica/ RJ, tel.: (21)2682-2915 e 2682-1080/1090 fax: (21)2682-1120 - ascom@ufrrj.br - http://www.ufrrj.br/. ‘A exatidão dos dados dos eventos é de responsabilidade de seus organizadores’.


Rural Semanal 8 (4 a 10 de abril de 2011)