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Concurso de Redação 2012

A verdadeira rede social

caderno do professor

Realização:

Nonononono | 1


A verdadeira rede social caderno do professor maio/2012

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Sumário

Créditos (Expediente) Realização e Execução Fundação ARYMAX

Concepção do projeto Liane Muniz

Gestora Executiva Ruth Goldberg

Concepção Pedagógica e redação do Caderno do Professor Mário César Costaz

Analista de Projeto Sênior Miranda Tonarelli Gonçalves Analista de Projeto Junior Stephanie Lili Shahini

Pesquisa Ana Luiza Cabral Revisão de texto Dulce Maria Fernandes Carvalho projeto gráfico de capa e miolo Prata Design ilustração de capa e aberturas Juliana Russo

1. A verdadeira rede social 7 2. Agir e intervir – ações urgentes para o século 21 8 3. Explorando significados 10 4. Um exemplo de ativismo social 12 5. Enredando o tema – referências 13 6. Festival de ideias 17 7. Escrever por quê? Escrever para quem? 18 8. A rede ativista 20 9. Rede de poesia 22 10. Belas iniciativas, grandes peixes 25 11. Todo mundo pode mudar o mundo 31 12. Diálogo em rede – painel de embates e discussõess 32 13. Empoderamento 35 14. Regulamento 38 15. Bibliografia 42


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A verdadeira rede social

Nesta edição do Concurso de Redação, nosso diálogo será sobre “A verdadeira Rede Social”, e a ideia principal é discutir a verdadeira participação do homem na sociedade, suas responsabilidades e ações práticas que possam ser geradoras de um mundo mais justo e melhor para todos. E essa discussão começa na escola. Formar um cidadão que pode usar suas habilidades e conhecimentos adquiridos para um fim social e coletivo. Muitos autores enveredaram por temáticas semelhantes e lançaram suas redes num mar de ideias com o intuito de fisgar leitores e desvendar seu mais profundo e submerso interior. Ernest Hemingway (1899-1961), que no seu tempo, além de escritor e caçador, também foi adepto da pescaria. Nos seus contos, a pesca não é apenas representação da vida masculina e aventureira, da inserção viril do homem na natureza, que o autor tanto prezava e com que procurou ser identificado publicamente. Ela é a metáfora que os define. A pesca depende de um grau de suposição por parte do pescador que os contos de Hemingway também exigem do leitor. É preciso acreditar que, no fundo, algo esteja acontecendo por trás da aparente inação, a despeito da placidez da superfície: “A sensação de vida na ponta da linha”. O Concurso de Redação 2012, promovido pela Fundação ARYMAX, lança sua rede nesse mar de ideias, buscando fisgar mais do que belos textos, mas, sobretudo, ações consequentes expressas nessas redações, ações que revelem possíveis iniciativas de intervenções sociais e culturais, compromissos herdados do casal Antonietta e Leon Feffer que deixou um legado de atuação social e comunitária, sendo ainda hoje exemplo e inspiração para muitos. Ativismo, reciprocidade, atitude, empreendedorismo, transformação, ação, justiça social, cidadania, redes verdadeiramente sociais, mãos por uma obra.

Enquanto não dermos pão e um teto a todos os homens, como também a possibilidade de aperfeiçoar-se espiritualmente, não nos enganemos a este respeito, não mereceremos o nome de sociedade humana

Janusz Korczak

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Agir e intervir

ações urgentes para o século 21

Cocriação Nenhuma pessoa concebe uma ideia a partir do zero. Uma ideia é sempre um clone de outras ideias. Elas são frutos da interação (e cloning é um fenômeno da interação). O conhecimento vivo, ou seja, a configuração sempre móvel de ideias sobre alguma coisa, concebidas e modificadas, continuamente, pela relação com outras ideias, é uma relação social. Quanto maior a liberdade para que as ideias possam ser buscadas, concebidas, clonadas e modificadas na interação entre os sujeitos, maior é a capacidade dos sujeitos interagentes de produzir ideias inovadoras. A rigor todas elas são inovadoras na medida em que expressam configurações de fluxos que nunca são exatamente iguais às configurações que geraram ideias semelhantes, ou seja, nenhuma ideia pode ser rigorosamente igual à outra em um universo criativo e que se cria ao avançar.

A mesma esquizofrênica humanidade, capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que ao nosso próprio semelhante.

José Saramago Discurso de recebimento do Prêmio Nobel de Literatura

Portanto, quanto mais liberdade, mais criação. Quanto mais abertura à interação – sobretudo à interação com o outro-imprevisível – mais liberdade criadora terá o criador-coletivo. Sim, o criador-coletivo é a rede social que cria e é este o significado mais profundo da cocriação. É um fenômeno de rede, quer dizer, da pessoa conectada, não do indivíduo isolado.

sugestão de atividade Microfone, câmera, ação

O esforço necessário para escrever bem não deve ser usado para escrever bem. Deve dirigir-se antes à aquisição da força intelectual, imaginativa e afetiva que, esta sim, fará a pessoa capaz de transformar a linguagem de todos, a língua de um país patrimônio verbal comum, em idioma pessoal, em estilo próprio.

Gabriel Perissé

Discutir questões contemporâneas urgentes e, a partir dessa discussão, buscar caminhos possíveis para uma vida significativa é o objetivo desse concurso que busca motivar jovens adolescentes a refletirem acerca de sua participação social e sobre as ações empreendedoras que, também, podem ser frutos de ações sociais. Este caderno estabelece um diálogo com vários autores, artistas, pensadores, filósofos que se relacionam de alguma forma com essa temática. Bernardo Toro, Portinari, Janusz Korczak. Bernardo Kliksberg, Edgard Morin, Zygmnunt Bauman, Chico Buarque de Hollanda, Willian Shakespeare, Augusto Franco, serão alguns dos porta-vozes dessa busca por uma atitude de libertação da escrita e de um pensamento transformador. Se o Ativismo caracteriza-se como a doutrina ou o conjunto de princípios segundo os quais se deve buscar a transformação da realidade por meio da ação, da prática efetiva, em lugar de se dedicar à mera especulação teórica, o momento de transformar a teoria em prática é o AGORA, o HOJE. É o momento de falar sobre o outro, de ouvi-lo, de agir, de alegrar-se com o outro, pois nada é tão triste quanto o silêncio, como disse Leo Baeck.

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De onde nasce uma ideia? Como fazer dela “a grande ideia”? Exemplos, referências podem ser um princípio de busca. Fazer nascer uma ideia de exemplos não é copiar, é se espelhar, resgatar e repaginar belas referências em ações necessárias e urgentes. Neste caderno apresentaremos ao professor e, consequentemente, ao aluno algumas referências de ativismo social: personalidades, educadores, pensadores e escritores que com sua obra, procuraram incentivar a sociedade em que viviam a um olhar mais cuidadoso e solidário para com o próximo. No entanto, este caderno não seria suficiente à quantidade de referências cabíveis para o tema, e por isso o conteúdo será explorado via blog, criado para dar apoio suplementar estendendo o conteúdo de cada capítulo. A função deste material é gerar discussões entre alunos e professores, com o propósito de resgatar referências e possibilidades de encaminhamento das ideias, para o projeto de texto de cada um. Além desse debate em sala de aula, o aluno poderá ser incentivado a fazer entrevistas e pesquisas suplementares que ampliem a discussão promovida a partir deste caderno. Dessa forma, o tema será visto de forma mais clara e próxima à realidade do aluno, e sua produção se encaminhará, certamente, mais verdadeira e visceral.

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Explorando significados

sugestão de atividade Imagens são textos, que aos olhos de um ser imaginativo pode virar história. Tirânicas são as sociedades que fiscalizam, pedem, exigem, obtêm, legalizam, legislam, puncionam, retêm, subtraem, impõem, taxam, quando não perseguem, param, constrangem e prendem para, depois, se declararem incapazes de oferecer o mínimo ao cidadão que terão despojado, roubado, despido, desnudado.

Um único fio com poucos pontos

transforma-se em vários pontos e une-se a outros fios

Aprender a reler e a recriar uma imagem supõe um desafio para nossos sentidos, nos faz sair de nosso papel passivo de observador para o papel ativo de protagonista. O professor pode trazer ou pedir para que os alunos tragam imagens que na concepção deles se reportem ao tema. A busca é livre, conforme o referencial de cada um, permitindo, inclusive, a possibilidade de que a imagem seja o próprio desenho do aluno. O resultado dessa pesquisa pode gerar o mais variado rol de atividades, a busca dessas imagens pode ser apenas o princípio de um produto maior. Após a exposição de todas as imagens impressas, o professor deve instigar os mesmos alunos a trazerem, para a próxima aula, músicas que ampliem a leitura dessas imagens. A partir daí, a evolução da atividade pode ser estendida à confecção de videoclipes, instalações, videopoemas ou poemas visuais, e outras tantas atividades.

Depende de nós / Se esse mundo ainda tem jeito / Apesar do que o homem tem feito / Se a vida sobreviverá

Ivan Lins e Victor Martins

• Onde está o homem? que se enredam com outros mais,

enredando-se mais ainda em um tecido tramado e único.

anotações

Michel Onfray

Rede: grupo de pessoas que trabalham juntas em ações em prol do bem coletivo, entrelaçadas por um mesmo objetivo, enredadas a um propósito único, desenredando diferenças e intolerâncias.

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Um exemplo

Enredando o tema

Antonietta e Leon Feffer

As três lições de Janusz Korczak

Um dos principais patriarcas da colônia judaica no Brasil, Leon Feffer financiou escolas e hospitais. No dizer de todos os seus amigos, era de uma ousadia beirando a temeridade na vida empresarial, e de uma generosidade sem limites com seu tempo e sua energia. Casado com Antonietta Teperman, o casal ficou conhecido como exemplo de bom entendimento, não apenas na vida familiar, mas também na ação diplomática e comunitária. Antonietta e sua filha Fanny iam, regularmente, ao porto de Santos para receber crianças, sozinhas, de dois e três anos de idade, de famílias vítimas do nazismo que chegavam em navios, levando-as à Congregação Israelita Paulista. Leon Feffer dedicou-se a várias atividades comunitárias, em instituições como a Casa de Cultura de Israel, a Federação Israelita do Estado de São Paulo, o Hospital Albert Einstein, entre outras, sendo, ainda, um dos fundadores da Hebraica. O prestígio conquistado por todas as suas atividades comunitárias levou Feffer a se tornar cônsul honorário de Israel em São Paulo Várias páginas poderiam ser preenchidas com a relação das iniciativas comunitárias desse homem de visão, que parecia sempre tomado por uma ânsia irresistível de transformar ideias em realidades, qualidade típica do empreendedor nato, muito menos ligado à ambição de ganhos materiais do que à de realizar. Não há instituição dessa comunidade que não tenha tido, em algum momento, contribuição do casal Feffer. Quando perguntavam a Leon qual o segredo de seu sucesso, ele às vezes sorria e tirava do bolso uma caneta Parker 51 de estimação. Era com ela que assinava promissórias, fonte aparentemente inesgotável de dinheiro novo. Com esse dinheiro, ampliava suas fábricas, pagava parte das dívidas e reinvestia o resto. Então assinava novas promissórias. E, assim, reiniciava a espiral de um ponto sempre elevado. Leon Feffer faleceu em 1999 e deixou, além de sua marca na história do desenvolvimento do setor de papel e celulose no Brasil, o exemplo de como um empresário pode aliar o sucesso nos negócios a uma consistente ação social.*

Já ficou claro que a lembrança que um mestre traz aos seus discípulos não é tanto pela didática de suas aulas, pelo brilhantismo de seu saber, ou pela empatia que causa. A lembrança é na maioria das vezes pela sutileza que consegue transmitir na sua mensagem educativa, uma filosofia de vida. Alguns mestres percebem que seus alunos não estão aptos, num determinado instante, a vislumbrarem grandes horizontes que lhes abrem certas ideias e comportamentos. Só o futuro poderá mostrar que a mensagem de certos educadores foi mais do que a sua própria existência. Nesse aspecto, acho que Janusz Korczak, que li quando adolescente, transmitiu-me três lições, que foram além de sua obra educativa já consagrada. A primeira lição foi a inerência da fé do educador. No meio das atrocidades cometidas pelos nazistas, numa região delimitada da cidade de Varsóvia onde fuzilavam pessoas, também deixando-as morrer de fome e de doenças, onde não havia esperança de escapar-se com vida, Janusz Korczak não deixou o desespero e a angústia dominá-lo. Superou-se pela ação social de reunir os órfãos que perambulavam pelas ruas. Só esse fato, já teria sido suficiente para consagrar a memória do pediatra polonês, como um ato de misericórdia. Mas ele fez mais: depois de reunir esses órfãos, dar-lhes comida, apoio, carinho, teve a coragem, nessa adversidade toda, de permitir florir sua vocação de educador. Ensinava-lhes não simplesmente o be-a-bá, canções e meios de sobreviver. Mostrava como ser gente. Nada de raiva, nem de pessimismo ou de apelos para o sobrenatural. Nada de sorriso barato, nem de otimismo banal ou de recompensa no outro mundo. Aquelas crianças órfãs foram educadas para raciocinarem e se localizarem naquele mundo atribulado.

de ativismo social

Da leitura de um livro ao uso de um bilhete de metrô, da redação de um recado ao manuseio de um guardanapo da lanchonete, nada nessa vida se faz sem papel

Leon Feffer

Referências

Não posso traçar-te limites dentro dos quais deves atuar, mas posso oferecer-te o espaço necessário para cresceres.

Jose Luis Borges

*Fonte: Marcovitch, Jacques. Pioneiros e Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil. Volume 1. Edusp e Editora Saraiva.

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5 (...)Não posso viver confortavelmente. Sinto vergonha de ter o que comer quando sei que existem crianças que têm fome.

Janusz Korczak

A segunda lição foi a presença ética de Janusz Korczak. Ele poderia almejar para si a sua salvação física. Poderia aceitar para sua glória futura a permanência no orfanato local e continuar cuidando de outras crianças. Não aceitou, preferiu morrer nos fornos crematórios do campo de concentração com seus jovens filhos adotivos, a ganhar o beneplácito duvidoso de viver sem seus discípulos. Eticamente, tinha que praticar o que ensinou, e a aula de responsabilidade coletiva que deu, serviu de exemplo, não para os alunos, mas para os educadores além do contexto da realidade educativa. A terceira lição foi de humildade do mestre. Muitos têm condição de ensinar pelo exemplo, pela história contada ou pela realização executada, e já deixam a lista pronta para os seus seguidores. O enunciado pedagógico de Janusz Korczak não ficou codificado em um método acabado de ensino para os jovens que, por modéstia, não queria impor aos outros educadores. Ficou, isso sim, a ideia de que a individualidade e a liberdade de ousar passam pelo limite não determinado pelo arbítrio do Estado e suas leis pelo domínio da vontade do poder de um ser sobre o outro, mas pela vivência comunitária com seu irmão. “Minhas necessidades, e seus anseios, irmãozinho, têm que caber na praça da liberdade, que juntos vamos construir no mundo de amanhã”. Tais lições desse médico-educador, ficaram como guia seguro para todos aqueles que entram em contato com a criança, que é a única esperança de um mundo mais feliz.

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A Visão Social da Bíbllia

Se se reunisse todos os sorrisos de crianças, os sorrisos das flores e os dos pássaros, o sorriso do poeta e o do doutor, compor-se-ia um poema sobre Janusz Korczak. Um poema sobre um homem que na hora das trevas, num mundo louco de ódio, conservou um coração puro e um pensamento lúcido, um poema sobre um homem que adorou as crianças.

O Antigo Testamento, a Torá, ocupa-se ativamente dos grandes temas econômicos e sociais do gênero humano. Concentra o foco de sua atenção em questões como a pobreza, a exclusão social, as desigualdades, as responsabilidades da sociedade diante desses temas, bem como as do indivíduo e as ações moralmente corretas.(...) a Divindade expressa a sua vontade e a transcendência que atribui a essa visão, por meio de figuras humanas concretas, os Profetas, os quais, em meio às circunstâncias mais adversas,demonstrando enorme coragem e integridade total, chamam a atenção dos poderosos, e do próprio povo, para a imprescindibilidade de que sejam cumpridas as normas éticas prescritas pela Divindade e para a certeza dos males que acontecerão, em caso de desobediência. Moisés, Isaías, Jeremias, Amós, Oséas, Ezequiel, além de

muitos outros, foram além da transmissão da ideia, com a entrega de suas próprias vidas, convertendo-se assim em referências centrais de seu tempo, e de apreciável parte do gênero humano. Entre as visões fundamentais suscitadas pelo texto bíblico ao gênero humano, acham-se as seguintes: 1. A ideia da responsabilidade de um pelo outro; 2. A pobreza deve ser erradicada; 3. A dignidade do pobre deve ser preservada por todos os meios; 4. Evitar as grandes desigualdades (A ideia de igualdade é essencial ao texto bíblico); 5. A sociedade deve organizar-se para combater a pobreza e abrir oportunidades; 6. O voluntariado constitui uma obrigação ética.

Stefania Ney Extraído da poesia “Sobre

Códigos da Modernidade

Janusz Korczak”, publicado

Esses são os códigos da modernidade:

na coleção “As crianças do gueto”, Varsóvia, 1949.

Bernardo Kliksberg Bernardo Kliksberg é argentino, doutor em economia e considerado um dos chefes mundiais na luta contra a pobreza. Autor de 50 livros e centenas de artigos em desenvolvimento, responsabilidade social coorporativa, capital social, luta contra pobreza, ética e economia. É visto como o criador da disciplina Gestão Social (a dimensão ética do ser humano é prioridade para erradicar a pobreza), am-

plamente conhecida na América Latina e aplicada na luta contra pobreza e, também, fundador do programa da ONU de treinamento de gestão social. As religiões não só estão presentes na vida cotidiana dos pobres como, em diversos casos, se incorporaram ativamente à discussão mundial sobre a globalização e seus impactos econômicos e sociais, bem como sobre o modelo de desenvolvimento desejável. (...)Torna-se imprescindível que tais temas sejam estudados de modo cada vez mais profundo. É sabido que as grandes visões religiosas não só mobilizam grande parte da população mundial, como se mostram decisivas nas deliberações diárias de milhões e milhões de pessoas e de famílias.

(...)A visão do judaísmo e do cristianismo, à semelhança do que ocorre com outras religiões, une integralmente a visão com a ação. A vivência religiosa integral conduz naturalmente à necessidade interna de ajudar o próximo, de mostrar-se coerente com a mensagem de amor transmitida pela Divindade. O texto talmúdico acentua: “Quem salva uma vida é como se salvasse toda a humanidade” (Talmud Ierushalmi, Sanhedrin, cap. 4, 22a).

Bernardo Kliksberg em O impacto das religiões sobre a agenda atual

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• Domínio da leitura e da escrita; • Capacidade de fazer cálculos e resolver problemas; • Capacidade de analisar, sintetizar e interpretar dados, fatos e situações; • Capacidade de compreender e atuar em seu entorno social; • Receber criticamente os meios de comunicação; • Capacidade de localizar, acessar e usar melhor a informação acumulada; • Capacidade de planejar, trabalhar e decidir em grupo.

Bernardo Toro O colombiano Bernardo Toro é filósofo, educador e assessor da Presidência da Fundação AVINA. Ao contrário do que se poderia supor por seu currículo, ele não acredita que a Educação por si só seja a saída para os problemas do mundo, como tantos políticos, especialistas e o próprio senso comum costumam afirmar. Toro diz que nossa contradição está no fato de que, ao mesmo tempo em que começamos a nos reconhecer como uma mesma espécie, também criamos todas as condições para o nosso próprio desaparecimento e estamos conscientes – pela primeira vez em nossa história – de que po-

demos, mesmo, ser banidos da superfície do planeta. Para o educador, só poderemos superar esse paradoxo com o desenvolvimento de três valores: aprender a cuidar, a estabelecer relações ‘ganha-ganha’ e a respeitar. “Ou aprendemos a cuidar, ou pereceremos”, diz Toro. Ele afirma que o cuidado é o paradigma central dos novos valores e perpassa não apenas questões emotivas ou relacionadas à espiritualidade, mas também à segurança pública, à saúde, à comunicação e à educação. O mundo atual também não comporta mais as relações em que apenas um lado ganha. A opinião de Toro é a de que é possível aumentar a riqueza e a igualdade em termos políticos, econômicos, sociais e culturais. Para isso, deveríamos produzir apenas “bens úteis, que contribuam para a dignidade humana, com alta qualidade e durabilidade, para não desperdiçar energia nem gerar tanto lixo”.

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Por respeito, Toro entende “o reconhecimento do outro como um legítimo outro. Não é suficiente tolerar”. Ele diz ainda que, qualquer pretensão de verdade é o que conduz o ser humano à violência e que a hospitalidade é fundamental em um mundo onde 360 milhões de pessoas vivem fora do país em que nasceram. Para Bernardo Toro, está na hora de aprendermos a aproveitar as oportunidades de encontro e aprender a escutar.

Presidente da Fundação Social, entidade civil que se propõe a combater a pobreza no país, foi consultor de reformas educativas em Minas Gerais e no Chile. Elaborou uma lista na qual identifica as sete competências que considera necessárias desenvolver nas crianças e jovens para que eles tenham uma participação mais produtiva no século XXI.

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Festival de ideias

O mundo não é humano só por ser feito de humanos, e não se torna humano só por nele se fazer ouvir a voz humana, mas sim quando se torna objeto de diálogo.

Augusto Franco Augusto de Franco é escritor e consultor. Desenvolve o Nan Daí, um país imaginário, o “local” onde projeta as coisas que faz ou quer fazer. É também o criador da Escola-de-Redes. Seu projeto mais recente é a DOJO Nave, uma iniciativa aberta de pessoas para instalar campos de cocriação, ensaiar processos de multiversidade e realizar programas de aprendizagem sobre redes sociais e temas desse campo.

Escola-de-Redes Augusto Franco Escola-de-Redes é uma rede não hierárquica de pessoas ou nodos (Os nodos da Escola-de-Redes são os grupos locais de pessoas conectadas que constituem a escola. A escola é cada nodo e todos os nodos.) que integram comunidades de projeto e de prática, de aprendizagem e de pesquisa dedicadas à investigação teórica e à disseminação de conhecimentos sobre redes sociais e à criação e transferência de tecnologias de netweaving. Em última instância, são “apenas” pessoas, conectadas em rede, que cooperam entre si para desenvolver os temas, compartilham voluntariamente seus conhecimentos, divulgam e aplicam os produtos que desenvolveram. Suas poucas regras consistem em: ser apartidária; defender liberdade de opinião desde que não firam direitos humanos, ou promovam exclusão, deslegitimação, intolerância, preconceito ou discriminação; promover

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Hannah Arendt

debates; não fazer parte de qualquer tipo de propaganda; não possui formalização jurídica; não tem endereço físico, patrimônio e conta bancária, não tem empregados formais ou informais, nem pode firmar contratos de qualquer natureza ou celebrar convênios.

Sobre o que são (e o que não são) as redes sociais Redes sociais são pessoas interagindo segundo um padrão de organização de rede distribuída. Redes distribuídas são redes mais distribuídas do que centralizadas. Redes mais centralizadas do que distribuídas são hierarquias. Redes sociais são padrões de organização em que há abundância de caminhos. O oposto de Hierarquias: um campo onde se gerou (artificialmente) escassez de caminhos. Redes sociais são ambientes de interação, não de participação. Redes sociais não são sites de relacionamento. Como o nome está dizendo, elas são sociais mesmo, não digitais ou virtuais. Fractal: pessoa já é rede! (“Cada ser humano é uma pequena sociedade” - Novalis). Organizações hierárquicas de seres humanos geram seres não-humanos. Tal como democracia é um movimento de desconstituição de autocracia, as redes devem ser vistas como movimentos de desconstituição de hierarquia. Redes sociais distribuídas são sempre redes de cooperação: tal como a liberdade, a cooperação é um atributo do modo como os seres humanos se organizam e nada mais. Nas democracias vale um conceito político de verdade: verdade é tudo o que nos faz mais livres. Analogamente, nas redes, verdade é tudo o que nos faz mais cooperativos.

Festival de Ideias Pensar de forma coletiva é um processo que pode ser estimulante para o grupo e vem ao encontro com as referências apresentadas no caderno. A composição individual pode partir de uma ideia coletiva, isso também evidencia um trabalho em rede. Há várias dinâmicas de criação coletiva, histórias que vão se ampliando coletivamente, dentro de uma corrente de ideias. Ampliar a pesquisa do tema em grupo antes da criação individual do texto amplia a possibilidade criativa. Fazendo uso da sala de informática, cada aluno pode registrar seu projeto inicial no sistema, e qualquer um do grupo poderá editar a ideia, fazer comentários, sugerir melhorias e, se for o caso, dar novos rumos à ideia inicial. Lembre-se: uma ideia é sempre mais criativa quando partilhada e desenvolvida em rede. O que vale é a cocriação e o trabalho em rede! Após esse momento de troca coletiva, o aluno faz a triagem das sugestões e decide o que incorpora ou descarta para a construção final de seu projeto.

ideias • Um país imaginário o “local” onde projeta as coisas que faz ou quer fazer. • Aprender a cuidar, a estabelecer relações. • A ideia da responsabilidade de um pelo outro.

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Escrever por quê? Escrever para quem?

Durante séculos e séculos, escrever era equivalente a pensar, refletir, imaginar, conceber. Ora, se a gente deve dar três voltas na língua antes de falar, deveria, então, dar dez vezes mais voltas na mão com a caneta ou com o mouse do computador antes de escrever. Nada contra isso, de jeito nenhum. O que é bem concebido é claramente enunciado.

Escrevo porque para mim não existe diferença entre a literatura e a vida. A literatura foi o caminho que eu encontrei para enfrentar essa bela tarefa de viver.

O impulso inicial é o de sempre. Aquela ânsia de se encarar no espelho com todas as luzes acesas, sem piedade, e cutucar os buracos do rosto. Aquela vontade de registrar os medos e os fantasmas para assassinálos ou, ao menos, pregar-lhes um belo susto! Todas essas necessidades – e outras menos confessáveis, como o desejo de imortalidade ou a fúria de xingar o mundo – deram base aos (poucos) trabalhos de ficção que tenho feito até hoje.

Ariano Suassuna

Chico Buarque de Hollanda

Maria Betânia Ferreira e Dora Carrasse

A palavra sonora

A Palavra Pablo Neruda ...Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que

que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparên-

cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas...

cia, peso, plumas, pelos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de

Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo

tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser

tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente

raízes ... São antiquíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro es-

espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ...

condido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu,

Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são

que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes an-

espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São

davam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .Amé-

tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as

ricas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, ta-

no voo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as,

baco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que

preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúr-

nunca. mais,se viu no mundo ... Tragavam tudo: religiões, pirâmi-

neas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas,

des, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes

como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as,

bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam

trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em

das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras.

meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão,

Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui

como restos de naufrágio, presentes da onda ... Tudo está na pala-

resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhan-

vra ... Uma ideia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar

do... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos

ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase

deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.

Milton Nascimento e Chico Buarque Debulhar o trigo Recolher cada bago do trigo Forjar no trigo o milagre do pão E se fartar de pão. Decepar a cana Recolher a garapa da cana Roubar da cana a doçura do mel

“Canta, canta uma esperança / Canta, dando uma alegria, canta mais / Revirando a noite, revelando o dia Noite, dia, noite, dia / Canta a canção do homem / Canta a canção da vida, canta mais”.

Se lambuzar de mel Afagar a terra Conhecer os desejos da terra Cio da terra, propícia estação

Chico Buarque de Hollanda

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O Cio da Terra

Utilizar-se da música como um recurso didático aproxima o jovem da expressão escrita, pois ela, muitas vezes, valoriza um discurso, quebra a monotonia estática de uma aula, traz a palavra de forma mais acessível aos ouvidos. Buscar relações entre músicas, imagens e texto é um recurso que estimula o aluno a pesquisar e gera autonomia de pensamento. Comparar o universo musical de cada geração pode trazer à tona discussões interessantes e enriquecedoras. O que canta o professor, normalmente, é o que encanta o aluno, mas um ouvindo atentamente a canção do outro, criarão eles,quem sabe, criar um enredo incomum. O professor, juntamente com os alunos poderão elaborar uma trilha sonora relacionada ao tema, e a partir dessas referências transformá-las em projetos de textos,projetos musicais ou visuais.

E fecundar o chão.

Escrever por quê? Escrever para quem? | 19


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A rede ativista

É preciso se valer de estrutura de redes. Informação é matéria prima de inclusão social. É preciso ter idoneidade, credibilidade e saber como divulgar da melhor forma a sua opinião. Quando você passa adiante uma informação errada, não checada ou incompleta, você está prestando um desserviço a tudo aquilo que está sendo construído a muito custo na internet.

Leonardo Sakamoto

O ano de 2011 marcou um verdadeiro renascimento dos levantes e passeatas ao redor do mundo. A onda começou na Tunísia e Egito, que depuseram seus ditadores, e chegou à Europa com milhões nas ruas da Espanha protestando contra a situação do país. E não parou por aí. O movimento auto-organizado e apartidário, no melhor estilo de política faça-você-mesmo, se replicou na Grécia e chegou aos EUA, com o Occupy Wall Street. Esses movimentos todos — que usaram canais como YouTube, Twitter e Facebook para se articular e ganhar massa — mostram uma nova forma de ativismo. Ele não se baseia no instinto de combate e rebeldia das passeatas contra a Ditadura ou a Guerra do Vietnã, nos anos 60, mas em se sentir parte de um todo. A internet e as redes sociais fortaleceram nossa necessidade de compartilhar ideias e colaborar uns com os outros. Se, antes, revolução significava uma multidão nas ruas em defesa de uma causa única, hoje esta imagem se fragmentou: são vários pequenos grupos que defendem várias pequenas causas. Nem por isso, elas têm menos força. “Estamos acostumados com a palavra global significando ‘realmente grande’. Mas hoje, graças à internet, é possível termos uma organização global minúscula”, afirma o professor do Programa de Telecomunicações Interativas da Universidade de Nova York Clay Shirky, autor do livro A Cultura da Participação. Sendo assim, se você tem uma causa para lançar, chegou a hora. Há uma multidão aí fora disposta a se engajar em movimentos, colaborar com projetos e ações. Você há de encontrar a parte interessada e levantar sua bandeira.

anotações

Defensora de que metrópoles devem ser locais agradáveis para se viver, a jornalista Natália Garcia, 28 anos, decidiu percorrer 12 cidades pelo mundo, morando um mês em cada, para buscar iniciativas urbanas bacanas. Lançou, assim, o projeto Cidades para Pessoas. Como precisava de R$ 25 mil para colocá-lo em prática, decidiu inscrevê-lo no então novíssimo site Catarse, de crowdfunding, o financiando coletivo, em que várias pessoas doam diferentes quantidades de dinheiro até se alcançar a verba necessária a um projeto. Ela recebeu várias pequenas doações, que variaram de R$ 30 a R$ 50. Boa parte dos que contribuíram eram amigos, mas teve quem participou somente por compartilhar a causa. “Muitos me escreveram para contar que tinham o desejo de viver em uma cidade melhor.”

Revista Galileu Galilei – fevereiro de 2012

Ajude as Crianças da África O documentarista Vinícius Zanotti quer construir uma escola na África. Para arrecadar os R$ 337 mil necessários, ele filmou a realidade das crianças locais e postou na web.

Pelo Twitter, por exemplo, quando se utiliza o Virou.gr cada caractere se transforma em uma grama doada para a Cruz Vermelha. O Verd.in tem trabalho semelhante: a cada 1000 URLs encurtadas, a equipe do site plantará uma árvore. Há também sites de organizações mundiais como a ASHOKA, sem fins lucrativos, pioneira no campo da inovação social, trabalho e apoio aos empreendedores sociais – pessoas com ideias criativas e inovadoras capazes de provocar transformações com amplo impacto social. Criada em 1980, pelo norte americano Bill Drayton, a Ashoka teve seu primeiro foco de atuação na Índia. Para aqueles que têm vontade de ajudar ou estão à frente de uma organização precisando de apoio, mas ainda sem verba, o Planeta Voluntários é uma ponte entre as ONGs procurando voluntários e os que querem auxiliar, ainda que sem remuneração. Como também a V2V, na qual instituições sem fins lucrativos podem divulgar seus projetos e conseguir apoio de outras pessoas, tanto de doações quanto de trabalho voluntário. Há ainda o site do Greenpeace Brasil em que também é possível ser um ativista das causas ambientais e ecológicas.

vídeos

Alguns sites que promovem ajudas em um clique cliquealimentos.com.br – Para doação de alimentos cancerdemama.com.br – Na luta preventiva contra o câncer cliquesemiarido.org.br – Auxílio às pessoas do sertão eco4planet.com – Planta um árvore a cada 5 000 acessos avaaz.org/po – Para participar de abaixo-assinados planetasustentavel.abril.com.br coletivoverde.com.br/web-ativismo/ coletivodigital.org.br/index.php/cursos-e-oficinas/73-ativismo-digital

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A rede ativista | 21


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Rede de poesia A Palavra Carlos Felipe Moisés De que serve, afinal, essa Poesia, ou simplesmente a poesia? Manoel de Barros não se cansa de lembrar que “o poema antes de tudo um inutensílio, é uma coisa que serve de nada”. Mas nós insistimos em esquecer, e vamos acumulando, no almoxarifado da memória, frases retumbantes, como “decifra-me ou devoro-te” ou “A poesia deve ser feita por todos, não por um”. Concentremos a atenção nesta última, que pode ser de algum interesse, no momento: a poesia deve ser feita por todos. O entomologista diria: frase banal é só a descrição fiel do método de criação literária desenvolvido pelo menino Isidore Ducasse, conde de Lautréamont, que se trancava na biblioteca para copiar, com ligeiras alterações, frases alheias, depois apresentadas como suas, dele, isto é, “de todos”. Paródia, paráfrase, apropriação indébita; plágio, em suma. Mas Breton viu de outro modo. O poeta é um indivíduo excêntrico, lunático, doido varrido – verdade insofismável e ao mesmo tempo deslavada mentira. Mas isso não é um juízo definitivo. O poeta, hoje, é o homem comum de amanhã. Quando todos estivermos na posse da plena liberdade, todos seremos poetas, “com os olhos e pelos ouvidos”, conforme anuncia Alberto Caeiro. Lautréamont está certo: dia virá em que a poesia será feita por todos, e já nem teremos lembranças do tempo em que alguns de nós atravessavam os dias, olhar perdido, produzindo seus símbolos, as suas imagens aproximadas – os inutensílios que diziam: “A poesia deve ser feita por todos, não por um”.

anotações

Saber viver Cora Coralina Não sei... Se a vida é curta Ou longa demais pra nós, Mas sei que nada do que vivemos Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: Colo que acolhe, Braço que envolve, Palavra que conforta, Silêncio que respeita, Alegria que contagia, Lágrima que corre, Olhar que acaricia, Desejo que sacia, Amor que promove.

Kahlil Gibran

E isso não é coisa de outro mundo, É o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela Não seja nem curta, Nem longa demais, Mas que seja intensa, Verdadeira, pura... Enquanto durar

Dai do vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço.

É urgente Eugénio de Andrade

Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão. Que haja, antes, um mar ondulante entre as praias de vossa alma. Enchei a taça um do outro, mas não bebais da mesma taça.

Cantai e dançai juntos, e sede alegres, mas deixai cada um de vós estar sozinho. Assim como as cordas da lira são separadas e, no entanto, vibram na mesma harmonia.

É urgente o amor. É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras, ódio,solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas.

Dai vosso coração, mas não o confieis à guarda um do outro.

É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras.

E vivei juntos, mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. 22 | Concurso de redação 2012 | fundação arymax

Amai-vos

Pois somente a mão da Vida pode conter vosso coração.

Pois as colunas do templo erguem-se separadamente. E o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro.

Rede de poesia | 23


Tecendo a manhã João Cabral de Melo Neto

1

2

Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão.

Desencontrário

Acordai

Paulo Leminski

José Gomes Ferreira

Mandei a palavra rimar, ela não me obedeceu. Falou em mar, em céu, em rosa, em grego, em silêncio, em prosa. Parecia fora de si, a sílaba silenciosa.

Acordai! Acordai, homens que dormis A embalar a dor Dos silêncios vis! Vinde, no clamor Das almas viris, Arrancar a flor Que dorme na raiz!

Mandei a frase sonhar, e ela se foi num labirinto. Fazer poesia, eu sinto, apenas isso. Dar ordens a um exército, para conquistar um império extinto.

Para ser grande, sê inteiro Ricardo Reis Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive. - -

Acordai! Acordai, raios e tufões Que dormis no ar E nas multidões! Vinde incendiar De astros e canções As pedras e o mar, O mundo e os corações... Acordai! Acendei, de almas e de sóis, Este mar sem cais, Nem luz de faróis! E acordai, depois Das lutas finais, Os nossos heróis Que dormem nos covais. ACORDAI!

Caminhos não há Mas os pés na grama os inventarão.

Ferreira Gullar

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Belas iniciativas, grandes peixes

As palavras mágicas da infância, o primeiro exercício do ativismo social Explorar contos infantis que desde cedo influenciaram a educação desses jovens adolescentes, resgatar o princípio desse ativismo em obras da literatura infantil que ensinaram por meio de histórias fundo ético moral que “por favor”, “obrigado”, “com licença”, eram palavras mágicas. Autoras como Rosa Rios, Ruth Rocha e Tatiana Belinky podem ser resgatadas para esse fim.

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Sobre o hábito de leitura

anotações

Tatiana Belinky

Pra mãe, na realidade,ele é a filhicidade

O que adianta a criança ir à escola se ela não sabe ler uma sílaba? Não sabe, não aprende, não foi ensinada tá tudo errado. Agora, você imagina. Eu com cinco anos já lia livros. E como é que eu aprendi a ler mesmo? Meu pai, ele contava histórias, ele lia pra mim, lia poesias. Um dia ele me trouxe, quando eu fiz quatro anos, uma caixa de blocos com letras, nas seis faces. Não disse nem o que era, ele disse: Olha, é pra brincar, pra construir coisas, torres, pontes, casas.... E ele sabia muito bem que criança não é boba, de boba não tem nada, vai perguntar o que é aquilo. E funcionou! Logo eu perguntei O que é isso, papa?. Ele disse: Isso é um B, e fazia o som do B. Ah. E isso, o que que é? Isso é um U! Você sabe que juntando fica BU? O velho beabá, né? Em poucas semanas eu estava formando pequenas palavras de duas sílabas. Aos quatro anos e meio eu estava lendo.

Eu fico com a pureza da resposta das crianças. É bonita, é bonita, é bonita.

Tatiana Belinky

Passou muito tempo e quando o meu primeiro neto fez quatro anos eu quis fazer essa brincadeira com ele. Aconteceu a mesma coisa, aqui, no chão da minha sala. Dei os tais bloquinhos pra ele. Ele começou a brincar, em poucas semanas ele lia papá, mamã, nenê... aí eu pensei: bom, agora eu vou fazer uma experiência radical. Sentei no chão com ele e formei no chão: T A T I A N A, tudo. Eu disse, Como é, você consegue ler uma palavra comprida assim?. Aí ele olhou pra aquilo, olhou... apontou com o dedinho e leu: VO-VÓ. Meu queixo caiu, eu não fiz isso. Ele leu e traduziu! Interpretou o texto.

O concurso ALEF pode ir além de produção de textos e ideias: pode ser um pontapé inicial para a criação de rodas de leituras e ações que envolvam construção e discussão literária entre jovens de diversas idades.

Gonzaguinha

Chega de Mágoa Nós não vamos nos dispersar Juntos, é tão bom saber Que passado o tormento Será nosso esse chão Água, dona da vida Ouve essa prece tão comovida Chega, brinca na fonte Desce do monte, vem como amiga Te quero água de beber Um copo d’água Marola mansa da maré Mulher amada Te quero orvalho toda manhã Terra, olha essa terra Raça valente, gente sofrida Chama, tem que ter feira Tem que ter festa, vamos pra vida Te quero terra pra plantar, ah Te quero verde Te quero casa pra morar, ah

Te quero rede Depois da chuva o Sol da manhã Chega de mágoa Chega de tanto penar Canto e o nosso canto Joga no tempo uma semente Gente, olha essa gente Olha essa gente, olha essa gente Te quero água de beber Um copo d’água Marola mansa da maré Mulher amada Te quero terra pra plantar Te quero verde, hum Te quero casa pra morar Te quero rede Depois da chuva o Sol da manhã Canto (eu canto) e o nosso canto (canto) Joga no tempo (joga no tempo) uma

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semente (ye ye ye ye ye) Gente (quero te ver crescer bonita) Olha essa gente (quero te ver crescer feliz) Olha essa gente (olha essa terra, olha essa gente) Olha essa gente (Gente pra ser feliz, feliz) Te quero água de beber (me dê um copo) Um copo d’água Marola mansa da maré (ye ye ye ye ye) Mulher amada (mulher amada) Te quero terra pra plantar (plantar) Te quero verde (te quer verde) Te quero casa pra morar Te quero rede Depois da chuva o Sol da manhã Chega de mágoa Chega de tanto penar

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Uma canção para a solidariedade mundial “We Are The World”, uma canção composta por Michael Jackson e Lionel Richie e gravada em janeiro de 1985 por 45 dos maiores nomes da música norte-americana, no projeto conhecido como USA for Africa, tinha como objetivo arrecadar fundos para o combate à fome no continente africano. Inspirados pelo Band Aid, festival organizado pelo músico irlandês Bob Geldof, que reuniu dezenas de astros da música mundial, Michael e Lionel convocaram 45 dos maiores nomes da música norte- americana em torno do projeto. O single, o LP e o clipe renderam cerca de 55 milhões de dólares. We Are the World apresentava 44 vocalistas diferentes, incluindo Michael Jackson, Lionel Richie, Tina Turner, Bruce Springsteen, Billy Joel, Kenny Rogers, Bob Dylan, Cyndi Lauper, Diana Ross,Ray Charles e Stevie Wonder. Foi produzido pelo maestro Quincy Jones, que também regente do grupo vocal. A vendagem atingiu 7 milhões de cópias só nos Estados Unidos, tornando-se um dos singles mais vendidos de todos os tempos. A iniciativa desencadeou no Brasil a campanha Nordeste já, que seguiu a idéia original. Em 1987 a Rede Globo, no programa Fantástico, lançou o clipe da música “Viver outra Vez” em benefício da campanha em combate à AIDS, da qual participaram vários cantores como Adriana, Jerry Adriani, Márcio Greyck, Erasmo Carlos, Marcelo, Elza Soares, Dalto, Guilherme Arantes, Sylvinho, 14 Bis e a modelo Monique Evans. Este clipe foi feito nos moldes da campanha americana. “We Are the World 25 for Haiti” é a nova versão da música “We Are the World” elaborada com o objetivo de ajudar as vítimas dos terremotos no Haiti, também comemora os 25 anos da versão originalmente lançada em 1985. O lançamento da música aconteceu no dia 12 de Fevereiro de 2010, na abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010, em Vancouver no Canadá. “Um gesto para o Haiti”. Na França, dezenas de artistas e personalidades de outras áreas, entre eles Charles Aznavour, Zazie, Thuram, Passi, Roselmack, Stmoy Bugsy e Cesaria Evora, também gravaram um clipe para recolher fundos destinados a financiar a ajuda humanitária às vítimas do terremoto no Haiti.

A Arte é a vereda, o pequeno caminho marginal que nos permite respirar, nos sentir criativos. E nessa margem vamos juntando mais gente que quer respirar e sonhar, de dentro e de fora. Poderia dizer que “no devagar depressa dos tempos”

VÍDEOS

Quem conta uma história, inventa uma esperança.

Iniciativas Chega de mágoa – (Nordeste já) http://www.youtube.com/watch?v=BKeZaaVmT3E&feature=related

Monólogo de Hamlet William Shakespeare

Ser ou não ser, eis a questão. O que é mais nobre? Sofrer na alma As flechas da fortuna ultrajante Ou pegar em armas contra um mar de dores Pondo-lhes um fim? Morrer, dormir Nada mais; e por via do sono pôr ponto final Aos males do coração e aos mil acidentes naturais De que a carne é herdeira, num desenlace Devotadamente desejado. Morrer! Dormir; dormir Dormir, sonhar talvez: mas aqui está o ponto de interrogação; Porque no sono da morte, que sonhos podem assaltar-nos Uma vez fora da confusão da vida? É isso que nos obriga a refletir: é esse respeito Que nos faz suportar por tanto tempo uma vida de agruras. Pois quem suportaria as chicotadas e o escárnio do tempo As injustiças do opressor, as afrontas dos orgulhosos, A tortura do amor desprezado, as demoras da lei,

A insolência do oficial e os pontapés Que o paciente mérito recebe do incompetente Quando o próprio poderia gozar da quietude Dada pela ponta de um punhal? Quem tais fardos suportaria Preferindo gemer e suar sob o peso de uma vida fatigante A não pelo medo de algo depois da morte Esse país desconhecido de cujos campos Nenhum viajante retornou, e que nos baralha a vontade E nos faz suportar os males que temos Em vez de voar para o que não conhecemos? Assim a consciência nos faz a todos cobardes E assim as cores nascentes da resolução Empalidecem perante o frouxo clarão do pensamento E os planos de grande alcance e atualidade Por via desta perspectiva mudam de sentido E saem do reino da ação.

Não há idade limite para se gostar de ouvir uma boa história. Uma boa narrativa arrebata o homem, e não há fábula que não possa ser reinventada. Quem conta um conto sempre aumenta um ponto e outro ponto e assim a agulha vai tecendo verões, andorinhas e corações.

We Are The World http://www.youtube.com/watch?v=k2W4-0qUdHY We Are The World for Haiti http://www.youtube.com/watch?v=Glny4jSciVI Um gesto para o Haiti http://www.youtube.com/watch?v=IyU795Xt6iU&feature=related Viver outra vez http://www.youtube.com/watch?v=8tqGzXusvko

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Todo mundo pode mudar o mundo Era uma vez um menininho... Helen Buckley

Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande. Uma manhã, a professora disse: - Hoje nós iremos fazer um desenho. “Que bom!”- pensou o menininho. Ele gostava de desenhar leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos... Pegou a sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar. A professora então disse: - Esperem, ainda não é hora de começar! Ela esperou até que todos estivessem prontos. - Agora, disse a professora, nós iremos desenhar flores. E o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul. A professora disse: - Esperem! Vou mostrar como fazer. E a flor era vermelha com caule verde. - Assim, disse a professora, agora vocês podem começar. O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso... Virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com caule verde. Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora disse: - Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro. - “Que bom!”!!!. Pensou o menininho. Ele gostava de trabalhar com barro. Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar a sua bola de barro. Então, a professora disse: - Esperem! Não é hora de começar! Ela esperou até que todos estivessem prontos. - Agora, disse a professora, nós iremos fazer um prato. “Que bom!” - pensou o menininho.

Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos. A professora disse: - Esperem! Vou mostrar como se faz. Assim, agora vocês podem começar. E o prato era um prato fundo. O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso. Amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo, igual ao da professora. E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora. E muito cedo ele não fazia mais coisas por si próprio. Então aconteceu que o menininho teve que mudar de escola. Essa escola era ainda maior que a primeira. Um dia a professora disse: - Hoje nós vamos fazer um desenho. “Que bom!”- pensou o menininho e esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala. Então veio até o menininho e disse: - Você não quer desenhar? - Sim, e o que é que nós vamos fazer? - Eu não sei, até que você o faça. - Como eu posso fazê-lo? - Da maneira que você gostar. - E de que cor? - Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber o que cada um gosta de desenhar? - Eu não sei . . . E então o menininho começou a desenhar uma flor vermelha com o caule verde...

em cartaz “Quem se importa” Documentário longa-metragem de Mara Mourão sobre empreendedores sociais no Brasil e ao redor do mundo. Pessoas brilhantes, que criaram, cada qual, uma organização inovadora capaz de não só mudar a sociedade ao seu redor, mas também causar impacto social suficiente para que essas ideias possam virar políticas públicas aplicadas em várias partes do mundo. Um filme que, por meio de cada um de seus personagens, vasculha o mundo à procura de pessoas magníficas que oferecem simples soluções para as mais graves questões que nos afetam profundamente. O filme, com narração de Rodrigo Santoto, conta com grandes nomes internacionais do Empreendedorismo Social como Muhammad Yunus (Nobel Paz 2006), Bill Drayton, Mary Gordon, entre outros. http://www.quemseimporta.com.br/

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Para se inspirar O Media That Matters Film Festival destaca curtas-metragens sobre os temas mais importantes do dia para comunidades locais, globais e online com o objetivo de envolver o público, inspirando-os a agir. Agora em sua 11 ª edição, todas e quaisquer questões foram consideradas. Este ano, porém, os organizadores estão especialmente interessados ​​em filmes focando os direitos dos deficientes, o diálogo inter-religioso e a tolerância religiosa, “bullying”, a igualdade de gênero e o ativismo juvenil. O concurso foi aberto a documentários, narrativas, animações, vídeos, música, anúncios de serviço público, dramas, comédias e outros tipos híbridos de filmes. Você pode assistir aos vencedores aqui. http://www.mediathatmattersfest.org/watch/11/

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Diálogo em rede

painel de embates e discussões

Sobre a dificuldade de amar o próximo

O circuito indivíduo /sociedade/espécie

Zigmunt Bauman

A invocação de “amar o próximo como a si mesmo”, diz Freud em O mal-estar na civilização, é um dos preceitos fundamentais da vida civilizada. É também o que mais contraria o tipo de razão que a civilização promove: a razão do interesse próprio e da busca da felicidade. O preceito fundador da civilização só pode ser aceito como algo que “faz sentido” e adotado e praticado se nos rendermos à exortação teológica credere quia absurdum — acredite porque é absurdo. Com efeito, é suficiente perguntar “por que devo fazer isso? Que benefício me trará?” para sentir o absurdo da exigência de amar o próximo — qualquer próximo — simplesmente por ser um próximo. Se eu amo alguém, ela ou ele deve ter merecido de alguma forma... “Eles o merecem se são tão parecidos comigo de tantas maneiras importantes que neles posso amar a mim mesmo; e se são tão mais perfeitos do que eu que posso amar neles o ideal de mim mesmo... Mas, se ele é um estranho para mim e se não pode me atrair por qualquer valor próprio ou significação que possa ter adquirido para a minha vida emocional, será difícil amá-lo.” Essa exigência parece ainda mais incômoda e vazia pelo fato de que, com muita frequência, não me é possível encontrar evidências suficientes de que o estranho a quem devo amar me ama ou demonstra por mim “a mínima consideração. Se lhe convier, não hesitará em me injuriar, zombar de mim, caluniar-me e demonstrar seu poder superior...” Assim, indaga Freud, “qual é o objetivo de um pre-

Edgard Morin

ceito enunciado de modo tão solene se seu cumprimento não pode ser recomendado como algo razoável?” Somos tentados a concluir, contra o bom senso, que o “amor ao próximo” é “um mandamento que na verdade se justifica pelo fato de que nada mais contraria tão fortemente a natureza original do homem”. Quanto menor a probabilidade de uma norma ser obedecida, maior a obstinação com que tenderá a ser reafirmada. E a obrigação de amar o próximo talvez tenha menos probabilidade de ser obedecida do que qualquer outra. Quando o filósofo talmúdico Rabi Hillel foi desafiado por um possível convertido a explicar o ensinamento de Deus enquanto pudesse se sustentar numa perna só, ele ofereceu o “amar o próximo como a si mesmo” como a única resposta, embora completa, que encerra a totalidade dos mandamentos divinos. Aceitar esse preceito é um ato de fé; um ato decisivo, pelo qual o ser humano rompe a couraça dos impulsos, ímpetos e predileções “naturais”, assume uma posição que se afasta da natureza, que é contrária a esta, e se torna o ser “não-natural” que, diferentemente das feras (e, na realidade, dos anjos, como apontou Aristóteles), os seres humanos são. Aceitar o preceito do amor ao próximo é o ato de origem da humanidade. Todas as outras rotinas da coabitação humana, assim como suas ordens pré-estabelecidas ou retrospectivamente descobertas, são apenas uma lista (sempre incompleta) de notas de rodapé a esse preceito. Se ele fosse ignorado ou abandonado, não haveria ninguém para fazer essa lista ou refletir sobre sua incompletude.

Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega, mas se juntar o bicho foge

Mário Sérgio Cortella

Tudo já foi dito uma vez, mas como ninguém escuta é preciso dizer de novo

Os indivíduos são produtos do processo reprodutor da espécie humana, mas esse processo deve ser ele próprio realizado por dois indivíduos. As interações entre indivíduos produzem a sociedade, que testemunha o surgimento da cultura, e que retroage sobre os indivíduos pela cultura. Não se pode tornar o indivíduo absoluto e fazer dele o fim supremo desse circuito; tampouco se pode fazê-lo com a sociedade ou a espécie. No nível antropológico, a sociedade vive para o indivíduo, o qual vive para a sociedade; a sociedade e o indivíduo vivem para a espécie, que vive para o indivíduo e para a sociedade. Cada um desses termos é ao mesmo tempo meio e fim; é a cultura e a sociedade que garantem a realização dos indivíduos, e são as interações entre indivíduos que permitem a perpetuação da cultura e a auto-organização da sociedade. Entretanto, podemos considerar que a plenitude e a livre expressão dos indivíduos-sujeitos constituem nosso propósito ético e político, sem, entretanto, pensarmos que constituem

a própria finalidade da tríade indivíduo/sociedade/espécie. A complexidade humana não poderia ser compreendida dissociada dos elementos que a constituem: todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana. Cabe à educação do futuro cuidar para que a ideia de unidade da espécie humana não apague a ideia de diversidade e que a da sua diversidade não apague a da unidade. Há uma unidade humana. Há uma diversidade humana. A unidade não está apenas nos traços biológicos da espécie Homo sapiens. A diversidade não está apenas nos traços psicológicos, culturais, sociais do ser humano. É a unidade humana que traz em si os princípios de suas múltiplas diversidades. Compreender o humano é compreender sua unidade na diversidade, sua diversidade na unidade. É preciso conceber a unidade do múltiplo, a multiplicidade do uno.

André Gide

Diálogo em rede | 33


Empoderamento

Qual é a tua obra? Jogos, dinâmicas, sugestões e caminhos.

“A Escola poderia converter-se em um grande laboratório estimulante e surpreendente de aprendizagem criativa, em um espaço de expressão total, para gerar conhecimentos e criar uma nova cultura e ciência, um espaço e tempo privilegiado para inventar e desenvolver um novo ser humano criador total”.

David de Prado diretor do Master de Criatividade Total e Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela

Já basta que a vida seja curta, não podemos torná-la pequena

Mario Sérgio Cortella

Letras de macarrão fazem poema concreto

Chico Buarque de Hollanda

Para David de Prado, a criatividade representa uma revolução mental, uma nova forma de conhecer o pensar, que põe em ênfase não a reprodução do sabido, mas sim uma construção de novos conhecimentos na dimensão inventiva e fantástica da mente humana que apenas se amplia. É a busca e invenção de novos caminhos e metas, novos estilos de trabalho e relação de uma dinâmica ativa e comunicativa de convivência e de prazer, um novo estilo de liderança e de organização que impulsiona a ilusão coletiva para autorrealizar-se liberando o ser humano das opressões e repressões, das dominações sutis e das imposições manipulativas que o impedem de ser ele mesmo, autônomo e livre. É uma visão de futuro idealizado para uma sociedade mais justa. Criatividade é pensar com todo o cérebro e expressar-se com todo o ser. Ser e vencer, esta é a questão. Ser – existir é exercer o seu poder de atuar sobre o seu meio. A liberdade não só de pensamento, como também de expressão, não deve ser apenas um sonho, mas deve favorecer uma possibilidade real de ação. O que se quer hoje para formar cidadãos cada vez mais conscientes é que tenham aceso a um poder real, ou seja, ao poder de CRIAÇÃO, ao poder da decisão, ao poder da gestação e da responsabilidade. A missão do educador é estimular o processo de desenvolvimento pessoal para que cada um, em pleno e responsável direito de LIBERDADE, encontre sua maneira de crescer e tome parte do seu grupo social. Terezinha Araújo

anotações

34 | Concurso de redação 2012 | fundação arymax

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A ideia de empoderamento representa importante papel na mobilização social em torno de contextos específicos, como o de desenvolvimento sustentável local, orientado não só para a emergência de projetos e ações de fortalecimento de grupos sociais tradicionalmente negligenciados dos processos políticos, mas também significativo espaço institucional de articulação e emergência de novos agentes/atores políticos envolvidos na transformação democrática da relação Estado-sociedade. O empoderamento acontece na medida em que se conquista e se distribui entre muitos o poder de realizar ações. Porém, não é a mera realização de tarefas que define o empoderamento e sim a ação conectada a um senso de responsabilidade pelo trabalho, pela aquisição de conhecimento e pela capacidade de produzir mudanças a partir dele, como um propósito para atender objetivos. Neste projeto, fornecerá aos jovens trabalhos significativos que deem sentido à sua realização, ajudando-os a organizar o trabalho e a si mesmos. Em uma visão sociológica são três os componentes importantes no empoderamento: 1. Entender-se a si próprio em relação ao contexto no qual se opera, significa entender como os objetivos dos jovens estão relacionados ao contexto no qual se inserem, identificando qual o impacto que esse contexto provoca no comportamento de cada um e como age para estar de acordo com o mesmo. Acredita-se que os jovens serão motivados a provocar mudanças, na medida em que tais mudanças lhe tragam benefícios substanciais para suas vidas. 2. Para se obter sucesso no projeto é preciso que os atores envolvidos tenham o conhecimento das partes e do todo e, para tal, é necessário que os jovens percebam a visão geral do contexto e o seu funcionamento. 3. A conquista de mudanças e incrementos em uma dada realidade e até mesmo na execução do projeto exige que os jovens possuam destrezas e habilidades além daquelas tecnicamente necessárias, como por exemplo, processamento em grupo, soluções de problemas, influência e comunicação que possam levá-los a atingir os objetivos pessoais e organizacionais em um contexto complexo.

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sugestão de atividade Explorando significados – uma dinâmica Às vezes uma dinâmica que aparenta ser tão simples, pode trazer resultado nada simplista. A partir das imagens do caderno você, professor, pode propor uma dinâmica ativista com seus alunos. O material é tão simples quanto a proposta: cabos de vassouras ou bastões de madeira.

Criatividade é uma maneira especial de pensar, sentir e atuar, que conduz a um resultado, ou a um produto original funcional ou estético, seja para o próprio sujeito, seja para o grupo social ao qual pertence.

Graciela Aldama

• Dinâmica 1

• Dinâmica 2

Um dos alunos apoia o cabo de vassoura e, ao sinal do professor, o aluno solta e a dupla alterna suas posições, sendo que o outro aluno, dessa vez será responsável pelo equilíbrio do bastão. O jogo vai avançando à medida que o bastão de madeira não caia. Quanto mais distante a dupla conseguir ficar, mais ampla será sua vitória.

O jogo se assemelha ao anterior, só que agora a dupla convida outros três amigos para a formação de um grupo que deve estabelecer táticas para todos conseguirem mudar de posição ao comando do professor, sem que nenhum bastão caia no chão. Vence o grupo que conseguir maior número de variações sem queda.

IMAGEM 1 - Quando um não quer, o outro também não brinca..., mas quando os dois se disponibilizam a brincadeira é certa!

IMAGEM 2 - Uma andorinha não faz verão, mas cinco delas podem começar um bando. Uma comunidade que voa mais alto e com mais segurança.

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• Dinâmica 3

• Dinâmica 4

Nessa nova etapa do jogo, a cooperação ainda é mais evidente. Um quadrado se forma com os componentes do grupo, um deles assume o centro do quadrado. Ao comando, os alunos devem mudar de cantos e abandonar o bastão, que será pego pelo amigo (exemplo: A, assume posição de B que assume de C que ocupa casa de D, que vai para o lugar de A), a função do aluno que está no meio é salvar uma possível queda de bastão durante a locomoção dos companheiros. O objetivo da dinâmica será alcançado quando todos os componentes voltarem a seus lugares originais.

O grupo agora não mais se divide. Com a sala toda reunida, o desafio se torna maior, e o sucesso de um agora não depende mais só de seu melhor amigo ou de seu seleto grupo, todos fazem parte do mesmo grupo e a vitória só acontecerá se for coletiva. A estratégia tem que ser clara e objetiva, para que eu vença, não basta apenas que fixe meus olhos no bastão que me aguarda, mas é importante a forma como vou entregá-lo para o próximo. Essa última dinâmica também pode ser feita em roda, propiciando que todos se olhem em um círculo. O professor pode aumentar a velocidade das palmas de comando, maximizando, assim, o grau de dificuldade e de adrenalina do grupo.

IMAGEM 3 - Como se fora a brincadeira de roda, jogo do trabalho na dança das mãos. O suor dos corpos, na canção da vida, o suor da vida no calor de irmãos.

IMAGEM 4 - Rede: símbolo dos vínculos estreitos, mas, sobretudo do apanhar e do recolher.

Para ilustrar simbolicamente: Roda: Imagem solar do momento cósmico, símbolo do poder e do domínio, ligada ao progresso da humanidade. Rede: Também pode ser interpretada com símbolo de captura e ajuntamento. Na psicologia junguiana, pescar com uma rede pode significar conectar-se com o inconsciente. Roda final: O final da dinâmica vale uma boa conversa com os participantes, pontuando a questão evolutiva da brincadeira que teve como sentido principal a formação de uma cadeia colaborativa, afinal, como já bem disse João Cabral de Mello Neto: “Um galo sozinho não faz verão”.

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Regulamento

Concurso de Redação 2012

TEMA PARA OS TRABALHOS: “A VERDADEIRA REDE SOCIAL” O CONCURSO DE REDAÇÃO 2012, promovido pela Fundação ARYMAX tem como objetivo incentivar os alunos, educadores e professores das escolas judaicas de São Paulo e do Rio de Janeiro e promover a reflexão e a expressão sobre o tema Ativismo Comunitário, semeando o despertar de um futuro engajamento social dos jovens, envolvendo os adultos educadores próximos a eles na mesma abordagem de conceito e ação. O projeto deve contribuir para despertar nos jovens consciência e ações que possam promover melhorias relevantes e positivas no mundo, transformando a qualidade e a condição de vida das pessoas, construindo um mundo mais justo, um lugar melhor para se viver.

I - ORGANIZAÇÃO PROMOTORA DO CONCURSO FUNDAÇÃO ARYMAX CNPJ nº. 65.031.361/0001-40 C.C.M: 9.829.458-0 Estabelecida na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 1355 – 10º andar CEP: 01452-919 Bairro: Pinheiros - São Paulo/SP

II - QUEM PARTICIPA Estão elegíveis a participar os alunos e alunas de 8º e 9º anos do Ensino Fundamental ciclo II, das dez escolas convidadas pela Promotora do Con-

curso, sendo seis delas localizadas no Estado de São Paulo e quatro no Estado do Rio de Janeiro, a saber: 1. Sociedade Hebraico Brasileiro Renascença (SP) 2. Colégio Bialik (SP) 3. Colégio I.L. Peretz (SP) 4. Colégio Iavne-Beith Chinuch (SP) 5. Associação Beneficente Cultural Lubavitch (Gani/Lubavitch/ Yeshivá) (SP) 6. Colégio Beit Yaacov (SP) 7. Colégio Eliezer Steinbarg – Max Nordau (RJ) 8. Colégio Israelita Brasileiro A. Liessin – Sholem Aleichem (RJ) 9. Colégio TTH Bar Ilan (RJ) 10. Instituto de Tecnologia ORT (RJ)

III - COMO PARTICIPAR Confirmada a adesão da escola: 1. Definição de representantes da escola a. “Curador” – A escola deverá eleger um representante para assumir a função de “Curador” do projeto. O mesmo se responsabilizará em estabelecer comunicação entre a escola e a organização do Concurso (a Promotora). Sua função será a de coletar e enviar trabalhos, receber material de apoio, filtrar dúvidas de professores/ gestores dando à escola o suporte necessário para a participação no Concurso. b. “Gestor” – A escola e/ou

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o grupo participante da Oficina deverá identificar um representante “Gestor” do projeto, que poderá, por meio de sua interação com os alunos e demais professores, ser mediador de ideias e gerador de inquietações para o desenvolvimento do Concurso. Observação: a escola poderá identificar uma só pessoa para assumir os papéis de ‘Curador’ e ‘Gestor’. c. “Professor Orientador” – É o professor que acompanha de forma mais próxima e direta a produção do aluno para participação no Concurso. 2. Realização de Oficina na escola Cada escola participará da “Oficina de Sensibilização” do grupo de professores dos 8º e 9º anos do ensino fundamental ciclo II da escola com duração de 3 a 4 horas, ministradas pelo consultor pedagógico da equipe da Promotora. Nessa Oficina serão apresentadas referências sobre o tema definido e suas diferentes possibilidades de caminhos e linhas de trabalho. 3. Materiais de Comunicação disponibilizados para as escolas a. Caderno de Professor – o material para o professor objetiva provocar reflexões a partir de diversas referências que abrem caminhos sobre o tema proposto e que serão

apresentados ao professor para estimulá-lo a pensar no tema e trabalhá-lo junto a seus alunos, de maneira inspiradora e criativa. b. Cartazes para a escola – tem por objetivo divulgar de maneira mais ampla o projeto, e incentivar alunos e professores à participação. c. Filipetas para os alunos a fim de convidá-los ao ambiente virtual onde estarão referências, para aproximar os jovens do tema em questão e inspirá-los, com intuito de sensibilizá-los a participar mais e ‘ir além’ em seu próprio projeto. d. Blog concursoderedacaoalef. blogspot.com.br com as referências para alunos e professores sobre o tema do projeto e. Plataforma Digital ARYMAX para os professores arymax.org.br manifestarem dúvidas, experiências do desenvolvimento do projeto e do tema em sua escola, entrar em contato com a organização do Concurso. 4. Categorias a. Categoria TEXTO – O aluno deverá escrever uma redação individual, com o limite de 25 linhas, escolhendo o gênero que preferir. O texto deverá

ser digitado com fonte Arial, tamanho 12, espaçamento entre linhas de ‘1,5’, em página de tela referente a tamanho A4 de impressão. Cada participante poderá concorrer com apenas um texto. b. Categoria AÇÃO – O aluno, a partir de múltiplas possibilidades de expressão, deverá gravar sua produção final em arquivo de imagem que não ultrapasse a capacidade de uma mídia eletrônica como CD ou DVD. Para a criação desse projeto o participante poderá mesclar diversas linguagens: música, imagem, vídeo, narração, instalação artística (obra de arte ou uma composição de artes plásticas), desde que documente seu trabalho e possa enviá-lo por email. A duração da gravação não poderá ultrapassar 7 minutos. O objetivo dessa nova possibilidade de entrega de trabalhos vem ao encontro da temática do Concurso – “A VERDADEIRA REDE SOCIAL” – que visa a estimular ações transformadoras de caráter ativista. Além disso, procura contemplar criatividades

múltiplas que podem ir além de palavras impressas em papel. Cada participante poderá concorrer com apenas um trabalho nessa categoria. Cada aluno poderá participar nas duas categorias, simultaneamente, com até um projeto em cada uma delas. 5. Forma de entrega dos trabalhos a. Categoria Texto – Todas as redações deverão ser enviadas pelo “Curador” para o email concursoredacaoalef@ gmail.com As redações deverão estar identificadas apenas com a data de nascimento e ano escolar do aluno-autor, sem quaisquer dados pessoais ou da escola. O Curador deverá numerar todas as redações, sequencialmente. No mesmo email, mas em arquivo à parte o “Curador” deverá enviar à organização do Concurso uma listagem com: - nome da escola; - relação dos nomes completos dos alunos-autores das redações com seu respectivo ano escolar, data de nascimento e nome do professor orientador e numeração da redação;

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- descrever a quantidade total de redações enviadas por ano escolar. a. Categoria Ação – Todos os trabalhos deverão ser enviados pelo “Curador” para o email concursoredacaoalef@ gmail.com O nome do arquivo de cada trabalho deverá conter numeração sequencial que o Curador aplicará a cada trabalho. Em documento à parte, e enviado pelo email concursoredacaoalef@ gmail.com, o “Curador” deverá listar: - nome da escola; - relação dos nomes completos dos alunos-autores dos trabalhos com seu respectivo ano escolar, data de nascimento, nome do professor orientador e numeração do trabalho (idêntico ao nome do arquivo gravado); - descrever a quantidade total de trabalhos enviados por ano escolar. Vale lembrar que na Categoria Ação, apenas um aluno deverá receber o crédito pelo trabalho, mesmo que ele tenha sido concebido em grupo. Outros integrantes poderão constar na ficha técnica como

colaboradores nos créditos finais do trabalho (um vídeo, por exemplo), mas não serão contemplados no caso do projeto ser selecionado como vencedor, já que apenas o idealizador do mesmo será considerado o “autor”. 6. Prazos Prazo para a realização das oficinas – junho de 2012. O prazo de entrega das redações e dos trabalhos à Organização do Concurso está fixado em 14/setembro/2012. Este é o prazo máximo de entrega para as duas categorias. Não serão aceitos quaisquer trabalhos após esta data. A divulgação dos vencedores será até 23/novembro/2012, por email enviado aos “Curadores” do projeto nas escolas, bem como anúncio no Blog e na Plataforma Digital ARYMAX.

IV - AVALIAÇÃO E SELEÇÃO DOS TRABALHOS Serão selecionados até 10 trabalhos vencedores: • 5 da categoria Texto • 5 da categoria Ação Os trabalhos serão selecionados por Comissão Julgadora multidisciplinar, constituída por educadores, personalidades destacadas no meio literário e de ação social, universitários, integrantes do Programa Jovens Talentos da Fundação ARYMAX, e profissionais

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ligados a segmentos que se norteiam pelo princípio do ativismo e do empreendedorismo social. A Comissão Julgadora selecionará os textos com base nos seguintes critérios: a. qualidade textual; b. originalidade; c. criatividade; d. coerência com a temática; e. contribuição à sociedade.

V - PREMIAÇÃO Serão premiados: 1. Os alunos autores dos trabalhos vencedores com uma visita monitorada para o Parque das Neblinas, um verdadeiro campo escola de práticas sustentáveis que fortalece a aproximação do homem com a natureza, na região do Parque Estadual da Serra do Mar, com direito a dois acompanhantes; 2. Os “Professores Orientadores” dos alunos vencedores na participação do Concurso com uma bolsa de estudos no valor de R$500,00 (quinhentos reais) para curso na Casa do Saber, unidade São Paulo ou Rio de Janeiro. Ou no Centro de Cultura Judaica, em São Paulo. 3. Três (03) Escolas Destaque com um certificado de Honra, por se destacarem no Concurso, conforme os critérios: engajamento da equipe gestora da escola, do corpo docente e dos alunos.

Os prêmios não poderão ser trocados ou convertidos em dinheiro e serão entregues em local e data a serem definidos pela Promotora do Concurso, que enviará comunicado às escolas. Será realizado evento de premiação em 5/dezembro/2012 em São Paulo, em local e horário a ser definido pela Promotora do Concurso, podendo o mesmo ser alterado em sua data e informado aos convidados, conforme necessidade da Promotora. Alunos e professores vencedores de escolas do Rio de Janeiro terão custeados pela Promotora do Concurso o transporte aéreo RJ-SP-RJ e o terrestre na cidade de SP para o dia da premiação. “Professores Orientadores” que tiverem mais de um trabalho premiado não acumularão os prêmios. O valor referente à bolsa de estudo será pago diretamente para a instituição de ensino escolhida pelo educador, conforme o item (V.2).

e reproduzir o todo ou parte do texto enviado, por meio de revistas, jornais e periódicos, impressos ou eletrônicos, televisão, rádio ou internet, respeitando a propriedade da autoria do texto que é do participante. A participação das escolas e alunos no Concurso implica a aceitação das cláusulas e disposições deste Regulamento, que consta do Caderno de Professor, e dos ambientes em internet (Plataforma Digital e blog/ hotsite) a serem disponibilizados com informações sobre o Concurso. Casos omissos serão resolvidos pela Promotora do Concurso.

VI - CONSIDERAÇÕES GERAIS Os alunos que aderirem a participar do Concurso deverão inscrever trabalhos como produções inéditas, de autoria própria, em língua portuguesa e em arquivo eletrônico. Não serão aceitos trabalhos previamente inscritos e premiados ou classificados em outros Concursos ou Projetos. Ao participar, o autor do trabalho autoriza automaticamente a Promotora do Concurso a utilizar, publicar

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Bibliografia

ABRAHAM, Ben. Coletânea de pensamentos Janusz Korczak. São Paulo: Associação Janusz Korczak do Brasil, 1986. ARAÚJO, Terezinha. Criatividade na Educação. 1ª. Edição. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010. BAUMAN, Zigmunt. O amor líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos. 1ª. Edição. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2004. BORNSTEIN, David. Como Mudar o Mundo – Empreendedores Sociais e o Poder das Novas Ideias. Editora Record: Rio de Janeiro. 2005. Marcovitch, Jacques. Pioneiros & empreendedores – A saga do desenvolvimento no Brasil – volume 1 – 1ª edição – Edusp, 2003. McKINSEY & Company; ASHOKA. Empreendedores Sociais Empreendimentos Sociais Sustentáveis: Como elaborar planos de negócios para organizações sociais. São Paulo: Editora Peirópolis, 2001. McKINSEY & Company; ASHOKA. Negócios Sociais Sustentáveis: estratégias inovadoras para o desenvolvimento social. São Paulo: Editora Peirópolis, 2006. MORIN, Edgar. Os Setes Saberes necessários à Educação do Futuro. 2ª. Edição. São Paulo: Editora Cortez, 2011. O’CONNELL, Mark; AYREY, Raje. Almanaque Ilustrado de Símbolos. 5ª. Edição. São Paulo: Editora Scala, 2011. YUNUS, Muhammad. Um Mundo sem pobreza: A empresa social e o futuro do capitalismo. São Paulo: Editora Ática, 2008.

Plataforma Digital ARYMAX com o Fórum de Professores: arymax.org.br Blog do Concurso: concursoderedacaoalef.blogspot.com.br

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Nonononono | 43


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www.arymax.org.br

Caderno do Professor  

Este é um material de apoio aos professores participantes do ciclo Fundamental II, das escolas judaicas de SP e do RJ, participantes do II C...

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