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• CULTURA • EDUCAÇÃO • QUALIDADE DE VIDA • Ano 2 • Número 2 • Julho - 2009 • Rio de Janeiro • CIRCULAÇÃO DIRIGIDA • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Do preto e branco aos dias de hoje: a Magia do Cinema E AINDA...

•40 anos do homem na Lua •Coluna Assunto Central: o espaço dedicado ao Edifício Avenida Central •Homenagem a Michael Jackson e Clara Nunes

Cultura no Centro da Cidade


Nosso EditoriaL Cinema e pipoca, duas coisas tão distintas e que ficaram tão próximas assim. Tão inseparáveis! Quem será que inventou essa combinação? Segundo a lenda, os vendedores de pipoca norte-americanos iam com suas carrocinhas de pipoca para parques e feiras. Com a invenção do Cinema e a criação das salas de projeção, eles começaram a vender na porta para quem estava na fila comprando ingresso. As crianças e adolescentes das cidades do interior nos EUA adoravam pipoca. Então o costume de se assistir filmes comendo a “popcorn” se espalhou. O lucro era enorme, e os donos de Cinema começaram a sacar que era maior que o do próprio filme. A dobradinha pipoca e refrigerante multiplicou esse lucro, tanto que, até hoje, os Cinemas ganham mais com isso do que com os ingressos. Essa coisa prazerosa, que a ida ao Cinema com uma pipoquinha proporciona, é uma experiência única. Lá dentro, compartilhamos com o público risadas, sustos e todo tipo de emoção que os filmes produzem. Até desenhos animados, cada vez mais sofisticados, nos fazem rir e chorar. Walt Disney foi o pioneiro em fazer desenho animado virar longa-metragem e as pessoas se sentiram como se estivessem vendo um filme com atores de carne e osso. O longa-metragem em desenho animado “Branca de Neve e os Sete Anões” revolucionou o Cinema de Animação e ganhou sete Oscars em miniatura, representando os anões. Enfim, Cinema ainda é a maior diversão, seja com atores ou desenhos. Para homenagear essa tradição, que nunca vai morrer a exemplo do Teatro, fizemos este Balaco Cultural dedicado a Sétima Arte. Namorados gostam de Cinema e de Lua também. E ela, que já inspirou tantas cenas de filmes e poesias, foi vista de perto pelo homem, que chegou a pousar lá. É o que nos conta Jorge Luiz Calife, em seu texto sobre os 40 anos do primeiro pouso lunar. Calife também faz uma crítica ao filme espacial de ficção científica “Jornada Nas Estrelas”, comentando alguns furos dessa nova versão da série clássica criada por Gene Rodenberry nos anos 60. Isso vai dar o que falar... rs. Falando em estrelas, o Balaco Cultural faz uma homenagem póstuma a Clara Nunes e ao astro pop Michael Jackson, com textos informativos e emocionantes de Vitor Durão e Chico Carlos. E para finalizar, Glória Rogers nos fala de Georges Charbel. Sabe quem é? Se ainda não, corra e comece sua leitura. Balaco Cultural tá aí de novo com você!

EXPEDIENTE Direção Geral: Mário Azevedo Editora Responsável: Sylvia Carvalho (Mtb/ 25668/RJ) Diagramação: Daniel Sant’Anna Repórteres: Mário Azevedo e Vitor Durão Consultor de Marketing: Gabriel Machado Consultora Estratégica de Vendas: Glória Rogers Revisão: Equipe ARWTV Fotos: Mário Azevedo e Vitor Durão. Tiragem: 10.000 exemplares Distribuição: Município do Rio de Janeiro Telefones: (21) 2533-7265 / 2533-6956 e-mail: contato@arwtv.com.br Versão do Balaco Cultural na Internet: www.arwtv.com.br © 2009 - O Balaco Cultural pertence a ARWTV Multimídia. Os artigos e colunas assinados são de responsabilidade de seus autores. Proibida a reprodução do conteúdo, em qualquer meio eletrônico, impresso ou digital, sem prévia autorização. 2 • BALACO CULTURAL

Carta do leitor Olá, amigos do Balaco Cultural. Meu nome é Marina, sou uma fã incondicional de Cinema. Gostaria de saber se vocês irão fazer alguma reportagem sobre a admirável Sétima Arte? Aproveitando a oportunidade, gostaria de tirar uma dúvida. Se o Cinema é a Sétima Arte, quais são as outras seis? Desde já, agradeço! Muito obrigada! Marina Kershnner Rio de Janeiro, RJ Resposta da Redação: Dito e feito, Marina! Você nos deu uma grande idéia. Esta edição do Balaco foi feita especialmente para você e os diversos leitores que admiram e gostam de Cinema. Em relação a dúvida levantada, a explicação é que, até o início do Século XX, existia a seguinte distinção entre as Artes: Arquitetura, Dança, Escultura, Declamação (que inclui Teatro e Literatura), Música e Pintura. A inclusão do Cinema nessa relação se deu em 1912, quando o italiano Ricciotto Canuto criou a expressão “Sétima Arte” para denominar a nova forma de expressão que começava a se desenvolver, graças às iniciativas pioneiras de Georges Méliès, David Griffith e Edwin Porter. Obrigado pela sua mensagem!

BALACO DE EXPRESSÃO Se você produz conteúdo cultural ligado a área da Fotografia, Literatura, Pintura, este é seu espaço. Fique à vontade. É o lugar certo para mostrar a sua criatividade. Envie seu material para o Balaco Cultural, através do e-mail: contato@arwtv.com.br As criações que estiverem alinhadas com a proposta do jornal serão publicadas.


A HISTÓRIA DO CINEMA Da Lanterna Mágica até a Nouvelle Vague

Primeira edição da revista “Cahiers du Cinema”, fundada em 1951.

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omo o tema desta edição do Balaco Cultural é sobre Cinema, não poderíamos deixar de falar da Nouvelle Vague e de lembrar a grande mostra realizada, no último mês de Maio em São Paulo, pela Cinemateca Brasileira. Foi um ciclo de filmes especial em homenagem aos 50 anos do movimento mais importante do cinema francês. A instituição organizou uma retrospectiva que foi inédita no Brasil e exibiu os principais títulos do estilo, desde seus precursores até a transformação posterior para gêneros mais comerciais. O ciclo foi realizado em etapas, e dividido em três grandes grupos: •“Primeiros Filmes”, onde foram exibidas as produções de estréia dos principais cineastas da Nouvelle Vague; •“Cinefilia”, com os longas-metragens que influenciaram o movimento de vanguarda, e filmes que procuram refletir sobre a maneira de se fazer Cinema e; •“Romance”, com as mais expressivas produções do tema mais recorrente nos trabalhos destes diretores. Foram exibidos cerca de 60 títulos, incluindo filmes raros pertencentes ao acervo da instituição, além dos títulos mais marcantes do movimento. A mais abrangente mostra já realizada no país sobre a Nouvelle Vague. Uma novidade dessa mostra, além de seu tamanho, foi justamente o fato de incluir nomes exteriores a Nouvelle Vague, mas fundamentais para a sua formação, como os filmes de Jean Renoir e Jean Vigo, cujos personagens remetem diretamente aos anti-heróis típicos dos filmes da Nouvelle Vague.

O CINEMA A história humana está documentada através de escritos e linguagem visual. Na segunda forma, se expressa o desejo antigo do homem, comprovado por evidências arqueológicas, em registrar o movimento. Na Época das Cavernas e em outras, desenhos e pinturas produziram narrativas sobre a vida, natureza e fatos importantes. Estas representações foram se transformando e evoluindo, passando pela fotografia até chegar ao Cinema que nos é tão comum. O Jogo de Sombras do Teatro de Marionetes Oriental foi o precursor da vontade humana em registrar o movimento. Logo em seguida, Câmara Escura e a Lanterna Mágica, uma geringonça baseada na óptica. Primeiras tentativas de levar ao público o movimento das imagens. Jogo de Sombra surgiu na China, por volta de 5 mil antes de Cristo e é a projeção de objetos recortados, figuras humanas e materiais manipulados sobre uma tela de linho. Já a Câmara Escura se baseia no princípio de Leonardo da Vinci, no século XV, onde há uma caixa fechada com um pequeno orifício coberto por uma lente. Por esse orifício, os raios de luz refletidos em objetos formam uma imagem. É a câmera fotográfica primitiva. A Lanterna Mágica é o inverso da Câmara Escura e foi criada pelo alemão Athanasius Kirchner, na metade do século VII. Possui uma caixa cilíndrica iluminada à vela, que projeta imagens desenhadas em uma lâmina de vidro. Nessa tentativa de captar o movimento, surgiram vários aparelhos baseados na persistência retiniana, uma espécie de defeito na visão dos seres humanos em que, por uma fração de segundo, uma imagem permanece na retina. Então, a sucessão de imagens cria a ilusão de movimento. Aproveitando esse fato, surgiram vários aparelhos ao longo da história, até a chegada do Cinema em si. Foram eles: Fenascitoscópio, Praxinoscópio, Fuzil Fotográfico, Cronofotografia, Cinetoscópio e, finalmente, o Cinematógrafo, inventado por Thomas Edison e que proporciona aos irmãos Lumière a experiência definitiva mais próxima do que conhecemos hoje como Cinema. August e Louis Lumière realizaram uma série de estudos sobre o processo fotográfico e fizeram documentários curtos. Esses são os primeiros gêneros do Cinema. Então, a linguagem cinematográfica vai se desenvolvendo, criando a estrutura narrativa. Na França, na primeira década do século XX, são filmadas peças de Teatro. Em 1913, surge um tipo de comédia filmada com Max Linder, que inspira Charles Chaplin. A produção de comédias, épicos e documentários se espalha pelo mundo. A narração e montagem são desenvolvidos pelo americano Edwin Porter, em 1902. Com o surgimento do gênero Western, a Indústria Cinematográfica ganha força e dois nomes despontam: Georges Méliès e David Griffith. Méliès, diretor, ator, produtor, fotógrafo e figurinista, é considerado o pai do Cinema e Griffith, o criador da linguagem cinematográfica. Durante a Primeira Guerra Mundial, há um re-

cesso na produção cinematográfica na Europa, e a produção de filmes começa a se concentrar em Hollywood, na Califórnia. Lá surgem os primeiros grandes estúdios, bem como grandes astros, produções e a consolidação dos gêneros. Na década de 30, com aparecimento do Cinema Falado e o fim da Segunda Guerra em 1945, surgem novos recursos e movimentos cinematográficos. Nessa safra, iniciam-se produções de outros países e novas linguagens cinematográficas. Entre elas movimentos que denunciavam as barbáries da guerra. Era o neorealismo italiano, que se tornou a principal expressão da crise social européia no Cinema por cerca de uma década. As manifestações populares acontecem por toda parte, particularmente na França. Demagogicamente, o governo concede certas aberturas, a fim de conter um pouco as manifestações. Nesse momento, há abertura de novos mercados e a criação de novos empregos e setores industriais estagnados desde os anos 30. Juntamente com uma política armamentista sustentada pelos estados nacionais, forma-se a base para um crescimento econômico na década de 1950 nos principais países imperialistas do globo: Estados Unidos, Inglaterra, França, Itália e Alemanha Ocidental. Conquistas sociais na França, ainda que sob um conformismo crônico e artificial , como em outros países. Este seria o último grande período de crescimento da economia capitalista até o dias de hoje. Uma situação política e social permitiu aos governos contornarem e reverterem, temporariamente, a crise sem fim que o capitalismo vivia, desde o colapso da bolsa de Nova York em 1929.

Georges Méliès, Le voyage dans la lune.

O período entre 1948 a 1967, ficou conhecido como os anos dourados do capitalismo. O American Way of Life – “jeito americano de viver” – foi a definição criada pelos EUA, país onde essa política teve mais alcance e sucesso. Na França, havia otimismo dentro de suas fronteiras similar ao dos norte-americanos, mas o governo vivia um momento de permanente instabilidade. A artificialidade desse clima de otimismo era nítida na situação exterior do colonialismo francês. A partir de 1954, além de ser derrotado na Guerra da Indochina, perde praticamente todas as suas colônias na África

e Ásia. Marrocos, Tunísia, Guiné, Camarões, Togo, Senegal, Madagascar, Costa do Marfim, Congo e Argélia, entre diversos outros se tornam independentes.

O CINEMA FRANCÊS RETRATA A CRISE A contradição política do período, onde externamente o país explodia e internamente o governo e a imprensa mostravam uma imagem otimista, gerava um clima de inquietação e angústia em diversos setores da classe operária e da pequena burguesia. Surge a Filosofia Existencialista de Jean PaulSartre, o Teatro do Absurdo de Samuel Beckett, e o Noveau Roman de Alain Robbe-Grillet, movimento literário que buscava um anti-romance, que fosse abstrato no conteúdo. No Cinema, essa crise se manifestou no movimento que ficaria conhecido como Nouvelle Vague, a “nova onda”, iniciado por jovens críticos e cinéfilos frustrados com o vazio dos filmes produzidos naquele período. A crítica era contra as superproduções milionárias hollywoodianas e os filmes comerciais e industrializados. Os jovens franceses os viam como meras repetições banais e realizados unicamente para serem vendidos ao público com o objetivo de fazer dinheiro. Algo conservador do pós-guerra. Em 1951, é lançada a revista de crítica cinematográfica Cahiers du Cinema. A idéia era levar o Cinema ao seu status de arte novamente. Os fundadores da revista, os críticos André Bazin, Jacques Doniol-Valcroze e Joseph-Marie Lo Duca formaram um time de craques, que com a exceção de André Bazin, seriam os precursores do novo cinema francês: François Truffaut, Claude Chabrol, Jean-Luc Godard, Jacques Rivette, Éric Rohmer e Maurice Scherer produziam a Cahiers du Cinema. A revista fazia uma brilhante crítica em relação ao Cinema. Mais tarde isso serviria de base para o Cinema de Autor, havia ênfase não mais no conteúdo do filme , mas na sua forma. Idéia expressa no manifesto de François Truffaut e utilizado a pela Nouvelle Vague. Cada obra cinematográfica ganhava uma relevância no todo, esclarecendo sempre a visão artística de seu autor. A Cahiers du Cinema resgatou uma série de nomes, como Charles Chaplin, Fritz Lang, Alfred Hitchcock, Nicholas Ray e Howard Hawks, entre outros. No final da década de 50, depois de muitas críticas e discussões contra as produções cinematográficas de sua época, os críticos da Cahiers Du Cinema iniciam a Nouvelle Vague. Eram filmes feitos com orçamento barato. O primeiro filme é de François Truffaut: “Os Incompreendidos”, de 1959. No mesmo ano, Godard lançaria também seu primeiro trabalho, “Acossado”, com roteiro de Truffaut. Os dois filmes rapidamente se tornariam os grandes modelos dos conceitos que os críticos enfatizavam. Nos anos seguintes, a Nouvelle Vague, na França, se tornaria a principal voz da juventude francesa, contra aquele estado de coisas. Mário Azevedo

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OS GRANDES CLÁSSICOS DO CINEMA, em ordem cronológica até 1939 O ANJO AZUL, 1930

O GALANTE MR. DEEDS, 1936

Der Blaue Engel, Alemanha. De Josef von Sterberg. Com Marlene Dietrich, Emil Jannigs e Kurt Gerron.

Mr. Deeds Goes to Washington, EUA. De Frank Capra. Com Gary Cooper, Jean Arthur, George Bancroft, Lionel Stander e Douglas Drumbrille.

SEM NOVIDADES NO FRONT, 1930 All Quiet on the Western Front, EUA. De Lewis Milestone. Com Lew Ayris, John Wray, Louis Wolheim, John Wray, Raymond Griffith e Slim Summerville. LUZES DA CIDADE, 1931 City Lights, EUA. De Charles Chaplin. Com Charles Chaplin, Virginia Cherril e Harry Myers. TABU, 1931 Tabu, EUA. De F. W. Murnau. Com Anna Chevalier, Bill Bandridge, Matahi, Jean, Hitu, Jules e Kong Ah. GRANDE HOTEL, 1931 Grand Hotel, EUA. De Edmund Goulding. Com Greta Garbo, John Barrymore, Wallace Beery, Joan Crawford, Lionel Barrymore e Lewis Stone. DRÁCULA, 1931 Dracula, EUA. De Tod Browning. Com Bela Lugosi, David Manners, Helen Chandler e Pamela Brown.

BECO SEM SAÍDA, 1937 Dead End, EUA. De William Wyler. Com Joel McCrea, Sylvia Sydney, Humphrey Bogart e Claire Trevor. A DAMA DAS CAMÉLIAS, 1937 Camille, EUA. De George Cukor. Com Greta Garbo, Robert Taylor, Lionel Barrymore, Elizabeth Allan e Laura Hope Crews. A GRANDE ILUSÃO, 1937 La Grande Illusion, França. De Jean Renoir. Com Jean Gabin, Pierre Fresnay, Erich von Stroheim, Marcel Dalio, Julien Carette. NASCE UMA ESTRELA, 1937 A Star is Born, EUA. De William Wellman. Com Fredrich March, Janet Gaynor, Adolphe Menjou, Andy Divine e May Robson.

M, O VAMPIRO DE DUSSEDORF, 1931

DO MUNDO NADA SE LEVA, 1938

M, Alemanha. De Fritz Lang. Com Peter Lorre, Gustav Grundgens, Otto Wernicke, Ellen Widmann e Inge Landgut.

You Can’t Take It With You, EUA. De Frank Capra. Com James Stewart, Jean Arthur, Lionel Barrymore, Edward Arnold, Mischa Auer e Ann Miller.

O MÉDICO E O MONSTRO, 1931

JEZEBEL, 1938

Dr. Jekyll and Mr. Hyde, EUA. De Rouben Mamoulian. Com Friedrich March, Miriam Hopkins e Rose Hobart

Jezebel, EUA. De William Wyler. Com Bette Davis, Henry Fonda, George Brent, Maragareth Lindsay, Fay Bainter e Donald Cris.

FRANKENSTEIN, 1931 Frankenstein, EUA. De James Whale. Com Boris Karloff, Colen Clive, Mae Clarke, Frederic Kern e John Boles. SCARFACE, A VERGONHA DE UMA NAÇÃO, 1932 Scarface - The Shame of the Nation, EUA. De Howard Hawks. Com Paul Muni, Ann Dvorak, Karen Morley, Osgood Perkins, George Raft e Boris Karloff. RAINHA CRISTINA, 1933 Queen Christina, EUA. De Rouben Mamoulian. Com Greta Garbo, John Gilbert, Lewis Stone, Ian Keith, C. Aubrey Smith e Reginald Owen. KING KONG, 1933 King Kong, EUA. De Merian C. Cooper e Ernest B. Shoedsack. Com Fay Wray, Robert Armstrong, Bruce Cabot, Frank Reicher e Sam Hardy. ACONTECEU NAQUELA NOITE, 1934

AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD, 1938 The Adventures of Robin Hood, EUA. De Michael Curtiz. Com Errol Flynn, Olivia De Havilland, Claude Rains, Basil Rathbone, Ian Hunter, Alan Halle e Eugene Pallete. O MORRO DOS VENTOS UIVANTES, 1939 Wuthering Heights, EUA. de William Wyler. Com Laurence Olivier, Merle Oberon, David Niven, Flora Robson, Donald Crisp, Hugh Williams. E O VENTO LEVOU, 1939 Gone With The Wind, EUA. De Victor Fleming. Com Clark Gable, Vivien Leigh, Olivia de Havilland, Leslie Howard, Hattie MacDaniel, Thomas Mitchell, George Reeves e Barbara O’Neil. O MÁGICO DE OZ, 1939

It Happened One Night, EUA. De Frank Capra. Com Clark Gable, Claudette Colbert, Walter Connoly, Roscoe Karns, Alan Hale e Jameson Thomas.

The Wizard of Oz, EUA. De Victor Fleming. Com Judy Garland, Ray Bolger, Frank Morgan, Bert Lahr, Jack Haley, Billie Burke e Margareth Hamilton.

ANNA KARENINA, 1935

A MULHER FAZ O HOMEM, 1939

Anna Karenina, EUA. De Clarence Brown. Com Greta Garbo, FriedricMarch, Freddie Bartholomew, Maureen O’Sullivan, May Robson e Basil Rathbone.

Mr. Smith Goes to Washington, EUA. De Frank Capra. Com James Stewart, Jean Arthur, Claude Rains, Harry Carey, Thomas Mitchell e Guy Kibbee.

O PICOLINO, 1935

NINOTCHKA, 1939

Top Hat, EUA. De Mark Sandrich. Com Fred Astaire, Ginger Rogers, Edward Everett Horton, Erik Rhodes e Eric Blore.

Ninotchka, EUA. De Ernst Lubitsch. Com Greta Garbo, Melvin Douglas, Ina Claire, Bela Lugosi, Sig Romann, Felix Bressart e Alexander Granach.

O GRANDE MOTIM, 1935

NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS, 1939

Mutiny at the Bounty, EUA. De Frank Lloyd. Com Clark Gable, Charles Laughton, Franchot Tone e Eddie Quinlan.

Stagecoach, EUA. De John Ford. Com John Wayne, Thomas Mitchell, George Bancroft, Claire Trevor, Andy Devine e John Carradine.

TEMPOS MODERNOS, 1936

A REGRA DO JOGO, 1939

Modern Times, EUA. De Charles Chaplin. Com Charles Chaplin, Paulette Goddard, Henry Bergman, Chester Conklin e Allan Garcia.

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La Regle du Jeu, França. De Jean Renoir. Com Marcel Dalio, Nora Gregor, Roland Toutain, Jean Renoir e Mila Parely.

VIVA O CINEMA!!!

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ão é à toa que o Cinema é considerado a Sétima Arte. Ele nos faz rir, chorar, sonhar, sofrer, fantasiar e, por alguns momentos, sair da nossa realidade. No início, os filmes eram mudos e em preto e branco, mas nem por isso deixavam de ser fascinantes. Vejam, por exemplo, os filmes do genial Charles Chaplin... até hoje tão atuais!!! Falando em Cinema Mudo, abrimos aqui um parênteses para indicar “A Última Loucura de Mel Brooks” (Silent Movie) com o sensacional diretor Mel Brooks e os saudosos Marty Feldman e Dom de Louise. Esse filme, que aliás é muito engraçado, foi produzido em 1975 e é totamente mudo, fazendo uma justa homenagem ao início do Cinema. Com o Cinema Falado, vieram os grandes clássicos que arrastaram multidões aos cinemas: “E o Vento Levou”, “Cantando na Chuva”, “Casablanca”. Apareceram os filmes de mistério com destaque para Alfred Hitchcock, os filmes de terror (Vincent Price), as comédias inesquecíveis (“O Gordo e o Magro”, “Os Três Patetas”, Jerry Lewis). No início dos anos 60, surge um personagem que ficaria para sempre imortalizado no cinema: James Bond! Sean Connery, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan... não importa... O Agente 007 é a verdadeira sensação! Não podemos nos esquecer dos grandes faroestes (John Ford, John Wayne etc.), dos filmes sobre a Máfia (“O Poderoso Chefão”, dos “Rat Packers” (Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr. e Peter Lawford), dos filmes canções (Elvis Presley), das sensacionais comédias italianas, da “Nouvelle Vague” (o cinema francês intelectual), os filmes catástrofe tão comuns nos anos 70 (“O Destino do Poseidon”, “Terremoto”, “Tubarão”, “Infer-

Woody Allen

no na Torre”), das comédias românticas dos anos 80 (“Tootsie”, “A Dama de Vermelho”, “Arthur, o Milionário” etc.), os filmes inteligentes (Woody Allen) e não podemos deixar de nos orgulhar do nosso Cinema Brasileiro (quem não gosta de “Bye, Bye, Brazil”, “Dona Flor e Seus Dois Maridos” e mais atualmente dos verdadeiros blockbusters: “Se Eu Fosse Você”, “O Divã” e “A Mulher Invisível”? Nessa nossa conversa, passaram-se praticamente 100 anos e o Cinema continua tão extasiante quanto antes!!! Que bom... Então, que tal um “cineminha” logo mais? ANTÔNIO OLÍMPIO é Químico Industrial, Gerente Comercial de uma tradicional fábrica de cosméticos, mas é também um apaixonado pelo Cinema, chegando a assistir em média cinco filmes semanalmente.


Assunto Central A COLUNA DO EDIFÍCIO AVENIDA CENTRAL

Vitor Durão

LITERATURA

ARTES PLÁSTICAS

Livraria Camões

Chancafe Estúdio de Arte

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Livraria Camões é uma livraria da Imprensa Nacional Casa da Moeda de Lisboa, divulgando, desde 1972, no Brasil, o livro e a cultura portuguesa. Colada ao metrô da Carioca e localizada na parte exterior do Edifício Avenida Central (Rua Bittencourt da Silva, 12-C), ela faz uma ponte cultural entre Portugal e Brasil. É uma visita obrigatória para quem gosta de cultura. Nela, você encontra os mais diversos assuntos, tais como: História, Filosofia, Literatura, Sociologia, Antropologia, Direito, Crítica Literária e assuntos gerais. Está, também, sempre realizando lançamentos, encontros culturais e difusão de livros de novos autores. A Livraria Camões é comandada por José Manuel Estrela, livreiro e poeta português. Ele nos cedeu, generosamente, um poema de sua autoria, homenageando um de seus melhores amigos, Vicente, que faleceu recentemente. É emocionante.

VICENTE, MEU AMIGO A roda do tempo voltou a rodar o amigo irmão a roda o levou para outro lugar Deus o chamou A roda do tempo está a rondar cada vez mais perto do nosso lugar A roda do tempo nos leva a voar quando Deus nos chama para outro lugar (Estrela) Entre em contato com a coluna, através do e-mail: vitor.durao@arwtv.com.br

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a sala 729, fica localizado o estúdio de arte do peruano Ricardo Chancafe. Radicado no Brasil desde 1990, Chancafe é pintor, escultor e fotógrafo. Nascido em Chiclayo no Peru e formado pela Escuela Superior Autonôma de Bellas Artes Del Peru, o talentoso artista plástico está instalado no Edifício Avenida Central desde 1999. Para ele, “é interessante estar localizado em um prédio tão importante para a história do Rio de Janeiro”. O artista coleciona premiações, dentre as quais podemos destacar a medalha de ouro no “Salão do Meio Ambiente”, realizado no Forte de Copacabana (neste ano), o prêmio de melhor obra no “54° Salão de Artes Plásticas do Clube Militar do Rio de Janeiro (em 2006) e o primeiro lugar no “Prêmio Maimeri Latino-americano”, no Memorial da América Latina em São Paulo (no ano de 2001).

Além dos prêmios e reconhecimento, Ricardo Chancafe já realizou quatro exposições individuais, sendo que a última foi “O Avesso do Avesso” no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno em Icaraí, Niterói. Ele ministra, também, no seu próprio ateliê, um curso de “Técnicas de Desenho e Pintura”. Vale a pena conferir. Chancafe Estúdio de Arte (Sala 729 do Edifício Avenida Central) Informações sobre o Curso de Desenho e Pintura Uma vez por semana – 3 horas de duração. Mensalidade: R$ 220,00 Horários: Terças: 17h às 20h Quartas: 15h às 18h Quintas: 9h às 12h Telefones: (21) 2532-0549, (21) 8829-9909 e (21) 9134-9945 Site: www.chancafeart.blogspot.com e-mail: rchancafe@gmail.com

É demais!

Para não deixar a menor sombra de dúvida, a caixa d’água do Edifício Avenida Central faz circular diariamente 700 mil litros de água por dia. Quantidade que permite abastecer uma cidade de 25 mil habitantes. Que potencial! BALACO CULTURAL • 5


CIÊNCIA A máquina substitui o homem nos 40 anos do pouso lunar Astronautas hoje moram no espaço a bordo da Estação Espacial Internacional Jorge Luiz Calife

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homem pisou pela primeira vez na superfície da Lua numa madrugada de segunda-feira, depois que o módulo Eagle, da nave Apollo 11, pousou no “Mar da Tranquilidade” num entardecer de Domingo. O rádio transmitia um jogo de futebol no Maracanã, e o locutor interrompeu a transmissão para anunciar a descida bem sucedida dos astronautas americanos Neil Armstrong e Edwin Aldrin. Que tinham decolado no dia 16 de julho de 1969, depois de dez anos de uma corrida tecnológica que mobilizara todos os recursos das duas maiores potências mundiais, os Estados Unidos e a União Soviética. Para celebrar a vitória sobre os russos, o Consulado dos Estados Unidos montou uma exposição no MAM, o Museu de Arte Moderna ali no aterro do Flamengo, com maquetes de foguetes e um telão de onde as pessoas poderiam assistir a primeira caminhada dos astronautas pelo deserto poeirento da Lua. Sim, porque Mar da Tranquilidade era apenas um nome equivocado dado pelos antigos astrônomos, já que no vácuo da superfície lunar não pode existir água líquida. Muita gente foi até o MAM, a meia noite, para assistir aos primeiros passos de Armstrong e Aldrin no novo mundo. Eu preferi assistir em casa, na transmissão ao vivo pela televisão. Não fazia diferença e na imagem ruim das primeiras cãmeras, só dava para ver dois vultos brancos saltando em baixa gravidade sobre a superfície falsamente plana da planície lunar. Os russos tentaram roubar um pouco da glória dos americanos, enviando uma sonda robô Luna, para tentar recolher amostras das pedras e da poeira lunar e trazê-las para a Terra antes dos astronautas. Mas a tecnologia dos 6 • BALACO CULTURAL

robôs ainda engatinhava naquele 21 de julho de 1969 e a Luna 15 russa se espatifou tentando pousar. Esse também teria sido o destino do Eagle (Águia) se não houvesse um ótimo piloto a bordo. Nos momentos finais do pouso Neil Armstrong percebeu que o computador estava levando a nave para uma cratera cheia de pedras, assumiu o comando manual e pousou com combustível suficiente para mais alguns segundos de vôo, nos tanques do estágio de descida. Se o combustível acabasse, o astronauta teria que abortar o pouso ejetando a parte inferior do módulo e subindo para se encontrar com a nave mãe Colúmbia. Depois da Apollo 11, a agência espacial americana Nasa ainda mandou mais seis missões para a Lua, terminando com a Apollo 17 em 1972. Só a Apollo 13 não conseguiu pousar devido a uma explosão no módulo de serviço. Cada missão levou equipamentos mais sofisticados para a Lua, incluindo câmeras de TV coloridas de alta definição e o buggy, um jipe movido a baterias elétricas que os astronautas usaram para percorrer as regiões montanhosas dos Apeninos lunares durante as missões Apollo 15, 16 e 17, em 1971 e 1972. Não era mais novidade e a televisão nem transmitia mais ao vivo os passeios lunares dos astronautas. Os russos tentaram mandar cosmonautas para a Lua com suas naves Soyuz e seu foguete N-1. Mas o programa fracassou e todas as tentativas de lançar o N-1 terminaram em enormes explosões. O N-1 não tinha a tecnologia dos combustíveis criogênicos, que garantiu o sucesso do enorme foguete Saturno 5 americano. Uma máquina de 35 andares de altura que arremessava as naves Apollo na trajetória lunar. Hoje, 40 anos depois, os antigos rivais estão unidos na construção de uma estação espacial e na retomada da exploração da Lua. O 40o aniversário da Apollo 11 foi marcado com o envio da sonda robô americana Lunar Reconnaissence Orbiter, LRO, lançada no dia 18 de junho. Detalhe, o foguete Atlas que enviou a LRO para a Lua é impulsionado por um motor russo RD-180. A LRO é um robô do século 21, muito mais sofisticado do que a fracassada Luna 15 de 1969. Ele vai lançar uma sonda perfu-

radora no pólo sul da Lua, para verificar se existe água congelada no fundo de crateras mergulhadas na escuridão eterna. A descoberta de água seria importante para os planos de uma futura base lunar. A parte orbital da sonda vai girar ao redor da Lua, fotografando sua superfície com câmeras de alta definição capazes de revelar objetos com até 50 centímetros de largura. Um dos objetivos da missão é obter imagens dos locais de pouso das Apollos, para verificar o estado dos equipamentos deixados lá pelos astronautas há 40 anos. A LRO também vai tentar descobrir o que aconteceu com o robô russo Lunokhod, que sumiu por lá na década de 1970. Três anos antes do homem pisar na Lua, o escritor Arthur C.Clarke previu que em 2001 estaríamos mandando astronautas para Saturno. Mas os avanços na robótica tornaram esse tipo de missão tripulada desnecessária. Todo o reconhecimento do sistema de luas do planeta Saturno foi feito em 2004, pela sonda robô Cassini, um projeto conjunto da Nasa e da agência espacial européia Esa. É mais barato explorar os planetas com robôs, que não precisam de comida nem de ar, e resistem melhor ao frio e as radiações. Se algum dia o homem viajar para mundos distantes, será em missões de colonização. Pelos planos da Nasa as missões tripuladas para a Lua devem ser retomadas em 2020, usando a nova espaçonave Orion. Mas antes disso os robôs farão todo o reconhecimento. Em 1972, com o fim do programa Apollo, russos e americanos se concentraram na construção de estações espaciais em órbita da Terra. No início eram rivais, os americanos com seu Skylab e os russos com suas Salyuts. Nesse campo tambem houve uma união de esforços e a Estação Espacial Internacional,

ISS, atualmente em órbita é um projeto de 12 países que inclui Japão, Rússia, Estados Unidos, Canadá e os países da União Européia. A ISS tem a largura de um campo de futebol, mais de 90 metros de uma extremidade a outra e pode ser vista como uma estrela brilhante no céu do cair da tarde. É o posto avançado da humanidade no espaço e seis pessoas moram lá em turnos de seis meses, de modo que a estação fique tripulada permanentemente. Elas também participarão das comemorações dos 40 anos da Apollo 11 acrescentando mais um módulo ao seu apartamento sideral, no mês que vem. Em 1969, os americanos conquistaram a Lua com as naves Apollo e o foguete Saturno 5, de 120 metros de altura. Depois abandonaram esta tecnologia para construir o ônibus espacial, mistura de foguete e avião, usado para construir a estação espacial. Concluída a estação espacial, em 2010, a Nasa planejava seguir um caminho inverso. Atualmente só existem verbas para mais sete missões com as naves Discovery, Atlantis e Endeavour, o suficiente para concluir a montagem da ISS. Então elas serão aposentadas e levadas para museus. O próximo projeto é o Constellation, que previa a construção do foguete Ares 5, e da nave espacial Orion, para a retomada das missões tripuladas para a Lua, e também aos asteróides mais próximos. Esses eram os planos da NASA durante o governo George Bush. Com Barack Obama, a agência espacial perdeu 3 bilhões de dólares em verbas e não sabe mais se terá dinheiro para construir o Ares 5. Obama também pediu que o projeto Constellation seja revisado e reavaliado. A nave Orion deve ser mantida, mas é possível que o Ares 5 seja substituído por um foguete já existente, como o Delta Heavy ou o Atlas. Uma coisa é certa, os americanos não vão deixar o espaço sideral para os russos, os europeus e os chineses. Mesmo com a crise a aventura espacial vai continuar.


CURIOSIDADES QUANTAS PESSOAS PODERIAM VIVER NA LUA SE ELA FOSSE HABITÁVEL? R. Se a superfície da Lua fosse povoada na mesma proporção que os continentes da Terra nos dias de hoje, calcularíamos o número de habitantes comparando sua área total com a área de nossos continentes e sua densidade demográfica. Considerando que o Planeta tem superfície 13,5% maior que a Lua, que apenas 27% dele é composto de continentes e que hoje vivem aqui cerca de 6 bilhões de pessoas, podemos calcular que, se a Lua fosse habitada na medida, ela teria aproximadamente 1,64 bilhão de pessoas. QUAL FOI A PRIMEIRA PALAVRA PRONUNCIADA NA LUA? R. “OK” foi a primeira palavra dita na Lua. O astronauta BUZZ ALDRIN a pronunciou quando a espaçonave pousou na Lua.

ROUPA SOB MEDIDA Paulo Sergio Goulart Narrador: Alberto gostava de se vestir bem. Tropical inglês, casimira, linho e panamá eram seus tecidos preferidos. O inverno se avizinhava: noites mais longas e mais frescas. A idade chegando sem pedir licença. Tudo mais frio. Comprou um corte de tropical e mandou fazer um terno. Não que estivesse precisando: seu guarda-roupas estava cheio, mas a cerimônia ia exigir algo especial. Ficaria exposto à admiração de muita gente e não podia fazer má figura. Um terno clássico, azul-marinho, cairia muito bem. Nunca ficou tão ansioso para ver uma roupa pronta. Na última ida dele à alfaiataria: Alberto: Como é seu Kalil, o terno está pronto? Kalil: Faltam ainda alguns arremates, Seu Alberto. Se o senhor estiver com pressa, eu mando o menino levar na sua casa amanhã cedo. Fique tranquilo. Kalil apressou-se em fazer a bainha na calça e pregar os botões no paletó. No dia seguinte, logo pela manhã. Kalil: Dorival, vai à casa do Seu Alberto e leve esta roupa pra ele. Dorival: Sim, senhor. Narrador: Dorival pegou a roupa, pendurou nas costas, subiu na bicicleta e saiu para a casa do Seu Alberto que ficava não muito longe da alfaiataria. Quando chegou, o homem havia acabado de falecer. Dorival nada entendeu: Afinal os mistérios da vida não são mesmo para entender. Voltou apavorado para a alfaiataria pensando: “Aquela roupa era ideal para a ocasião: confortável e quente. A viagem do Seu Alberto ia ser longa, e o tempo estava mudando.”


Os ídolos não morrem, viram lenda

T

Chico Carlos

entar resumir Michael Jackson, resgatá-lo em 50 anos de vida, de inesquecíveis shows pelo mundo afora, de mitos, lendas e rumores, é como tentar aprisionar a fumaça que flutua no ar. Em algum lugar, nas névoas de nossas lembranças coletivas, nesse cenário mutante do universo pop, a figura talentosa, polêmica e carismática de Michael Jackson vai ficar pra sempre. As vaias dos embriagados pela inveja e pelo rancor são desprezíveis. Ao lado dos irmãos mais velhos, formou o grupo Jackson Five no fim dos anos 60, conseguindo emplacar sucessos de forma estrondosa, tornando-se os maiores da história da indústria fonográfica, com 13 canções no topo das paradas dos Estados Unidos. Mas, o menino Michael teve uma infância roubada e viciada em trabalho, marcada pela violência do pai. Deixou de brincar, de curtir e viver uma fase mágica da vida. Juventude, loucuras e o tilintar das máquinas registradoras em curto espaço de tempo, graças ao olho clínico do maestro Quincy Jones. Seu disco “Thriller” de 1982 é considerado o mais vendido de todos os tempos, com aproximadamente 104 milhões de cópias. Além disso, Michael inovou, com clipes revolucionários, nesta nova forma de cantar e ser único na linguagem corporal. Jackson acelerou os passos para ser o Rei do Pop, o artista mais célebre do mundo. Quem não se lembra da música “We Are The World”, que compôs com Lionel Ritchie? Ele era idolo e a personificação da própria música. Os críticos morderam o pé da mesa, torceram o nariz ou quebraram a cara? Coisas inevitáveis. Respeitáveis avós de hoje, em seus dias de adolescente, só precisavam vê-lo para ficarem histéricas. A voz e a dança de Michael tornaram-se símbolo de uma geração, e continuam sendo uma trilha sonora emocional para o mundo. Custe o que custar. Todo esse caminho foi feito de seu jeito próprio, às vezes sofrido, atravessando caminhos e descaminhos que a vida lhe ofereceu. Conquistou fama, sucesso, dinheiro, menos a felicidade. Essa tal felicidade que ele tentou comprar quando era adulto. Engano e desilusão. Em verdade, cada um de nós carrega a fama que tem e merece. Mas, muita gente não sabe distinguir o que é fama de ser bem sucedido. Nos anos 90, Jackson mergulhou em esquisitices crescentes. Operações plásticas, mudança de cor, casamentos frustrados, nascimento dos filhos e acusações de pedofilia. Mídia e opinião pública divididas? O sucesso de suas músicas deu espaço a escândalos e crises sobre sua vida pessoal. Onde estão as provas cabais dessas acusações? O que veio depois é menos importante, até amargo para todos seus milhares de fãs. Em alguns casos, a mídia informa, deforma e conforma. Faz parte do show do circo armado pelos oportunistas de plantão. Sua influência musical é maior do que conseguimos entender. Com sua morte aos 50 anos, fica a história de um ícone dos mais adorados, completos e polêmicos que minha geração viu, aplaudiu e se emocionou. Agora, tenha certeza, não é mais um slogan vazio: Michael Jackson será sempre o Rei do Pop. Quem duvida, que vá ouvir o CD “Thriller”, do começo ao fim. Nem que seja pela primeira vez. Ou quem sabe pela última. Portanto, ligue o som e sinta a energia de cada música, sem preconceitos. Os ídolos não morrem, viram lenda. O extraordinário Stevie Wonder foi certeiro sobre a morte de Michael Jackson: “Devemos lembrá-lo e não chorá-lo. Não devemos cair no pessimismo. Se as pessoas não podem dizer coisas boas, então devem ficar caladas”. A festa lá no céu vai durar alguns dias e sem hora pra acabar, com as presenças de Elvis Presley, Bob Marley, John Lennon, Fred Mercury, James Brown, além das participações especiais de Tim Maia (será que ele vai?), Raul Seixas e dos Mamonas Assassinas. Alguém duvida?

Chico Carlos é jornalista em Olinda, Pernambuco

Música do Balaco

Vitor Durão

Clara Luz

É

com satisfação e alegria, de quem tem o coração como guia, que esta coluna inicia! Nada melhor do que inaugurar este espaço com minha cantora predileta, figura marcante da Música Popular Brasileira: a inesquecível Clara Nunes! Ela se foi no ano de 1983, prestes a completar 40 anos, devido a complicações ocasionadas por uma anestesia em uma cirurgia de varizes, mas deixou um incrível legado para nossa música. Com uma voz suave, macia e naturalmente afinada, somada a uma personalidade determinada e uma beleza genuínamente brasileira, Clara conseguiu quebrar a lenda de que “mulher não vendia discos”. Vendeu milhares de cópias, liderou as paradas de sucesso com suas canções e encantou o público. Um verdadeiro raio, uma luz que, até hoje, permanece. Essa mineira de origem humilde, guerreira, filha de Ogum com Iansã, como ela mesma costumava dizer e cantar, tinha um lado místico e religioso bastante presente. Possuía ligações estreitas com a umbanda e o candomblé. Resgatava as raízes brasileiras, hipnotizava com seu carisma, força, figurino característico (branco, com colares e missangas de origem africana), presença de palco e, principalmente, magnetismo. Clara tinha adoração pela Escola de Samba Portela, a tradicional azul e branco de Oswaldo Cruz, tendo inclusive participado de vários desfiles. Nada mais natural, então, ela ficar marcada como cantora de samba, mas ela foi muito além disso. Interpretava divinamente todos os gêneros. De Chico Buarque a Sivuca, de Paulinho da Viola a Carlos Imperial. Foi casada com Paulo César Pinheiro, compositor de inúmeras ótimas canções, tais como “Lapinha”, em parceria com Baden Powell, e ”As Forças da Natureza”, em parceria com João Nogueira. Essa última foi belíssimamente interpretada por Clara, no disco homônimo de 1977. Lançou 16 discos em 16 anos de carreira. O primeiro foi “A adorável voz de Clara Nunes”, de 1966, e o último “Nação”, de 1982. Termino aqui, dizendo que Clara Nunes foi muito mais que uma artista. Foi uma estrela, um brilho intenso, uma claridade que toma conta da nossa alma. Como não se encantar por essa mulher?

Músicas essenciais (na minha singela opinião): 1. Conto de Areia (Romildo / Toninho) 2. O Mar Serenou (Candeia) 3. Morena de Angola (Chico Buarque) 4. Tristeza, pé no Chão (Armando Fernandes) 5. Na Linha do Mar (Paulinho da Viola) 6. Juízo Final (Nelson Cavaquinho / Elcio Soares) 7. Ê Baiana (Fabricio da Silva / Baianinho / Enio Santos Ribeiro / Miguel Pancracio) 8. Guerreira (João Nogueira / Paulo Cesar Pinheiro) 9. Coração Leviano (Paulinho da Viola) 10. As Forças da Natureza (João Nogueira / Paulo César Pinheiro) 11. Feira de Mangaio (Sivuca / Glorinha Gadelha) 12. Sofrimento de Quem Ama (Alberto Lonato) 13. Obsessão (Milton de Oliveira / Mirabeau) 14. Menino Deus (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro) 15. Meu Sapato Já Furou (Elton Medeiros/Mauro Duarte) 16. Portela na Avenida (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro) 17. A Deusa dos Orixás (Romildo/Toninho) 18. Canto das Três Raças (Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro) 19. Macunaíma (David Correa / Norival Reis) 20. Nação (João Bosco / Aldir Blanc / Paulo Emílio)

Entre em contato comigo pelo e-mail: vitor.durao@arwtv.com.br. Será um prazer trocar idéias musicais com todos vocês!


CULTURA Espaço de Memória Bernardo Monteverde Exposição permanente com guia

A

história da construção civil e da terceirização de serviços no Brasil tem vários capítulos e num deles certamente se insere a obra do empresário Bernardo Monteverde. Empreendedor que sempre agregou valores humanitários na sua carreira empresarial, Monteverde vivenciou uma rica experiência ao longo do seu percurso e que pode ser conhecida através de objetos, documentos, fotos e arquivos expostos no Espaço de Memória Bernardo Monteverde, no Centro. Este vasto acervo narra uma parte significativa da trajetória da construção civil no país, bem como a carreira deste pioneiro.

EM OBRA Produção dos estudantes da disciplina “Tópicos Especiais sobre Arte Contemporânea”

A

disciplina “Tópicos Especiais sobre Arte Contemporânea” da EBA/UFRJ é fundamentada no ensino, pesquisa e extensão, tendo por finalidade a construção e desenvolvimento de uma linguagem

O difícil inicio de Bernardo Monteverde foi marcado por viagens pelo país afora como mascate. Apesar das dificuldades, a perseverança sempre foi um traço forte no descendente de imigrantes europeus, nascido em Santa Catarina no ano de 1908 e falecido em 1997. Movido pela persistência e determinação, ele foi obtendo conquistas no setor da construção civil, manutenção, conservação e desinfecção hospitalar. Ao mesmo tempo em que construiu edificações pelo Brasil afora, como por exemplo o prédio da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, abrigos e pontes do Parque Nacional de Itatiaia (RJ) e o aeroporto de Cuiabá (MT), agências do Banco do Brasil em diversas cidades como: Itabuna (Bahia) e Conselheiro Lafaiete (MG) foram algumas das realizações da Monteverde Engenharia, fundada há 70 anos. Outra forte característica do empresário foi a preocupação com a inclusão social: perto do Natal de 1940, Bernardo premiou seus funcionários com uma caderneta de poupança. A força da idéia deu origem a proposta do 13º salário, implantado posteriormente pelo presidente Getulio Vargas. Em outra etapa, o pioneirismo de Bernardo Monteverde levou o empresário a se envolver em diversas construções na então nascente capital federal Brasília, convocado pelo então presidente Juscelino Kubitschek. Alem disso,

pessoal, voltada para as questões artísticas/sociais da atualidade. A mostra é o olhar de cada artista sobre sua própria produção e suas possíveis interações com a sociedade. Vários artistas convidados. Visite a mostra, no Espaço Imaginário, Av. Gomes Freire, 453/457, na Lapa. De 9 até 31 de julho.

Mário Azevedo

sua empresa preparou com toque de classe outros edifícios públicos da cidade para a inauguração. Incansável, Bernardo Monteverde extrapolava a atividade empresarial e teve olhos para desenvolver vários projetos humanistas (de filantropia) tendo se tornado um mecenas que patrocinou vários projetos culturais que resultaram em títulos de reconhecimento, como os de cidadão benemérito do Rio de Janeiro e de Brasília.

Exposição permanente Local: Rua Evaristo da Veiga, 55/5º Centro – CEP: 20031-040 Funcionamento: de 2ª feira a 6ª feira, das 8h às 11h e de 13h até 17h Tel: (21) 2533-2000 Entrada franca Visite o site: www.monteverde.srv.br e-mail: monteverde@monteverde.srv.br

Visite o site em homenagem a Rádio Cidade FM Rio de Janeiro, a precursora da nova linguagem do FM no Brasil. www.radiocidadefazendoescolafm.com.br

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BALACO PAPO Eu conheço Georges Charbel, e você? Glória Rogers Caro Leitor, Sabe aqueles dias que resolvemos andar, sem saber bem para onde ir? Que ficamos meio sem rumo, sem preocupação de horário? Aqueles dias cujo único propósito é o de colocar os pensamentos em ordem, organizar a cachola... Pois é! Foi num desses dias, caminhando pelas arborizadas ruas do famoso bairro Grajaú, que entrei na Rua Mearim. Lá pela altura do número cento e pouco, e me deparei com uma singela placa que dizia: RADIESTESISTA, CROMOTERAPIA. A casa era simples, havia até uma entrada com algumas rachaduras no chão, o que me fez pensar que tratava-se de algum curioso do assunto que resolveu por questões que a mim não caberia julgar, colocar aquela plaquinha. Resolvi, então, arriscar em chamá-lo, certa de que o que iria encontrar viria ao encontro dos meus pensamentos. Pura ilusão! Ao tocar a campainha, um homem de, mais ou menos, 1,70m de altura, cabelos grisalhos, aparentando uns 48 anos no máximo, apareceu na porta. O olhar transmitia uma paz e a voz era como o falar de um anjo (nunca consegui falar com um anjo, mas imagino uma fala suave e envolvente). Me apresentei, falei do Jornal Balaco Cultural e levantei a possibilidade de entrevistá-lo. Muito delicado, ele convidou-me a entrar desculpandose pela bagunça e justificando com o fato da sua casa estar em obras. Entrei e logo fui convidada a sentar numa cadeira em frente a uma mesa, onde começamos um longo e gratificante bate-papo. A conversa deslizava leve, com uma profundidade de conhecimento tão grande, que fiquei ali parada ouvindo, onde de entrevistadora passei para posição de entrevistada, sem a menor resistência. O nome dele é GEORGES CHARBEL FARAH, um doutor na arte da cura, conhecedor das mais diversificadas técnicas que não caberiam numa página inteira do nosso jornal. Uma pessoa que, por alguma razão, recebeu do Todo Poderoso a permissão de atuar na área. E posso garantir a vocês que ele não desperdiçou o que a ele foi denominado. Em sua sala, pude testemunhar uma série de diplomas, participação em grandes congressos e um verdadeiro acervo de livros dos mais ilustres escritores. Fica aqui registrado que, por muitas vezes, julgamos os outros pelas aparências e acabamos assim deixando de conhecer pessoas maravilhosas!

MARIANNA LEPORACE CONVIDA

E

m seu novo projeto, a cantora Marianna Leporace se cerca de sua formação jornalística para dar vida a um sonho antigo: levar para o palco um talk show, onde, além de cantar, realiza uma entrevista com um compositor, mostrando ao público sua história musical e seu processo criativo. O projeto, de relevância cultural, convida compositores de canções conhecidas e outros ainda não tão difundidos pela mídia, mas não menos excelentes, cuja obra, na maioria das vezes, é confundida com os intérpretes que dão vida às composições. O projeto tem também como objetivo contribuir para a chamada “formação de platéia” já que ele tem, por base, a longa temporada. A idéia é apresentar ao público a identidade do compositor, seu rosto, suas idéias, o processo criativo e as histórias das canções. O projeto “Marianna Leporace Convida” valoriza esse importante e fundamental personagem da cadeia musical: o criador das canções. Assim, a cantora e seu convidado vão construindo, a cada apresentação, o panorama da produção musical brasileira. Sem limite de geração ou estilo, Marianna vai conversando e ilustrando o bate-papo com as músicas que fazem parte da obra do autor. O público pode participar fazendo perguntas, criando assim um show dinâmico e interativo. A cada dia um show diferente, uma emoção nova, uma viagem para o deleite de quem faz e de quem assiste!

HISTÓRICO

A primeira etapa do projeto “Marianna Leporace Convida” foi realizada semanalmente na Livraria Letras e Expressões de Ipanema, entre 03 de novembro de 2008 e 05 de Janeiro de 2009. A cantora recebeu os compositores: Rodrigo Maranhão, Edu Krieger, Fernando Leporace, Rodrigo Lessa, Alexandre Lemos, Claudio Lins, Edu Kneip e Cacala Carvalho. De 12 de Janeiro até 16 de Março de 2009, as apresentações passaram a se realizar quinzenalmente no charmoso café do espaço de arte e decoração ARTELÚRICA em Ipanema, onde a cantora entrevistou: Célia Vaz, Suely Mesquita e Eugênio Dale, Felipe Radicetti, Claudio Nucci, Paulo Malaguti, Luhli e Tony Pelosi. De 23 de Março até 20 de Abril, o “Marianna Leporace Convida” foi realizado no Conversa Afinada de Ipanema. Os convidados foram: Bena Lobo, Daniel Gonzaga e Lucina. O projeto estreou também uma edição em São Paulo e a cantora entrevistou o compositor paulista Celso Viáfora no Villagio Café, no dia 26 de Março. Em Maio, o “Marianna Leporace Convida” iniciou uma nova etapa no Espaço Rio Carioca (Casas Casadas), em Laranjeiras. Os convidados de Maio foram Julio Dain e Fred Martins.

Visite e ouça: www.myspace.com/mariannaleporace 10 • BALACO CULTURAL


Star Trek - A Ira do Fã Jorge Luiz Calife

U

m leitor me escreveu, defendendo o novo filme de Jornada nas Estre-

las. Ele acha que está tudo explicado na história em quadrinhos “Star Trek Countdown” e que só os fãs xiitas não gostaram do filme do J.J.Abrams. Se for verdade, tem um monte de fãs xiitas por aí e seus comentários são mais inteligentes do que os da turma que se deixou arrebatar pela exibição de efeitos especiais. Tudo bem que Jornada nas Estrelas nunca foi um exemplo de originalidade, mas será que uma série que começou em 1965 e tem 40 anos de história, precisava copiar a Guerra nas Estrelas do George Lucas para fazer sucesso? Um fã americano de Boulder, no Colorado, se deu ao trabalho de enumerar no Internet Movie Database, as semelhanças entre o roteiro de Roberto Orci e Alex Kurtzman e o roteiro de George Lucas para Star Wars - uma nova esperança de 1977. Vejam só, leitores, se ele não tem razão: “Darth Vader, aah, Darth Maul, quero dizer Nero, tem uma gigantesca Estrela da Morte que

pode destruir planetas inteiros. Assim, Nero explode Aldeeran (Vulcano), matando o pai da princesa Léa (quero dizer a mãe do Spock). Depois, a Estrela da Morte ruma para o quartel general rebelde (ou o Quartel General da Frota Estelar na Terra). Só Luke Skywalker (ou o seu clone, o jovem James T. Kirk) pode detê-la, desligando o computador e confiando em seus instintos. Que bom que o velho Ben Kenobi (Capitão Pike) estava lá para aconselhá-lo. Assim, no final há uma grande celebração, onde Luke (Kirk) ganha uma medalha e é feito comandante.” Perfeito, tudo isso está no filme e só não vê quem não quer. As semelhanças com Star Wars também aparecem na sequência em que Spock, supostamente um dos heróis da história, tenta assassinar covardemente seu futuro melhor amigo, James Kirk, no meio de uma guerra espacial. Ele joga Jim no planeta gelado de Hoth (O Império Contra-ataca) no meio de um monte de wampas carnívoros sem nem um sabre de luz (phaser) para se defender. Qualquer comandante de qualquer organização militar, pas-

sada ou futura, que fizesse isso com um dos seus subordinados certamente iria a Corte Marcial. Felizmente para Kirk, o vilão malvado Nero (Darth Maul) tinha feito a mesma coisa com o Spock do futuro. Ou seja, como diz o fã americano do Colorado, temos um filme onde o herói e o vilão são moralmente equivalentes e costumam banir seus inimigos para desertos gelados cheios de monstros carnívoros. O gentil leitor informa que os interiores da Enterprise foram filmados na fábrica da Budweiser. Quer dizer que um épico espacial futurista foi rodado em uma fábrica de cerveja?! Isso explica porque todos os personagens parecem bêbados ou drogados no filme. O Spock do futuro só precisa de algumas gotas da tal “matéria vermelha” para implodir uma supernova e transformá-la num buraco negro. E carrega uns cinquenta galões da coisa em sua pequenina nave. Ninguém pensou no risco que isso acarretaria se a nave fosse capturada por terroristas, piratas de Orion ou o Darth Maul do Eric Bana? Na verdade, parece que a galáxia inteira tomou um porre de Budweiser ou cerveja romulana neste filme. A Terra, sede da Federação dos Planetas e Vulcano, seu centro intelectual, não tem qualquer sistema de defesa contra um ataque vindo do espaço. Qualquer um

pode estacionar uma Estrela da Morte por lá e fazer a festa. Imagine o que os Klingons ou os Borgs não fariam nesse novo “universo Trek”?? Pessoalmente, gostei mais da refilmagem da Montanha Enfeitiçada, que não tem tantos furos e faz uma sátira divertida ao mundo da ufologia e das convenções de ficção científica. Ano passado estive em São Paulo, em uma convenção bem parecida com a mostrada no filme. Tinha até aqueles sujeitos fantasiados de Stormtroopers com aquelas armaduras de plástico branco. Só não apareceram uns E.T.s de verdade, mas quem sabe uma daquelas meninas em roupas medievais podia ser a Sarah. Vida Longa e Prosperidade, ou devo dizer que a força esteja com vocês? Jorge Luiz Calife é jornalista e escritor de ficção científica

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Jornal Balaco Cultural - edição nº 03  

Cultura, Educação e Qualidade de Vida Ano 02 - Julho de 2009 - Distribuição Gratuita

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