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• CULTURA • EDUCAÇÃO • QUALIDADE DE VIDA • Ano 1 • Nº 1 • Junho - 2008 • Rio de Janeiro • CIRCULAÇÃO DIRIGIDA • DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

TRIBUTO A 2001E ARTHUR C. CLARKE

HOMENAGEM A RÁDIO CIDADE NA INTERNET! TRIBUTO A FEDERICO GARCIA LORCA! BALACO CULTURAL •


Nossos EDITORIAIS

O

E nós estamos de volta!

ano era 1998, trabalhava na rádio Búzios FM. Cleófas Uchôa, dono da emissora na época, tinha um observatório astronômico em casa, com telescópio e uma ante-sala com uma decoração peculiar no estilo renascentista. Parecia o próprio gabinete de Galileu, com uma biblioteca tentadora.

Nova edição, novo estilo. Mais maduro? Talvez! Embalando o mesmo sonho que amadureceu nas Faculdades Pinheiro Guimarães e FACHA, com ligeira passagem pela Unicarioca. Este ambiente acadêmico, tão cheio de esperanças e desejos, nos motivou a continuar sonhando. Vencendo as dificuldades e aceitando os desafios, para apostar naquilo que acreditamos:

Uchôa fazia palestras para estudantes, falando sobre o Universo e, assim como o falecido astrônomo Carl Sagan, se referia ao Cosmos de uma forma poética. Dizia que, inserido nele, no nosso diminuto lar planetário estava o ser humano, detentor da capacidade de aprender e construir seu próprio caminho, deixando para as próximas gerações um legado cultural.

Na cultura e na educação. Parafraseando Arnaldo Antunes: “ A gente não quer só comida...”.

Essas palestras e conversas com ele sempre foram fascinantes. Passei algumas noites lá no observatório, olhando as estrelas, os planetas e a Lua enquanto pensava em um dia criar uma espécie de jornal que falasse de ciência e cultura.

Caro leitor.

Estamos tentando resgatar o “charme”dos tablóides. Proporcionando ao leitor algumas horas de prazer na leitura. Queremos experimentar o jornalismo literário abandonado pelo “new journalism”, cheio de padrões impostos nas grandes redações. Amamos esta liberdade literal e esperamos que você goste. Neste número de retorno, contamos com a participação especial de Jorge Luiz Calife que, além de outras coisas, discorre sobre a vida sexual dos super-heróis. No filme dos Quatro Fantásticos, o roteiro sugere o porquê dos heróis e heroínas custarem a encontrar seus parceiros. Relacionamentos são difíceis até para quem é “super”! Com um editorial mais flexível, incluiremos, ao longo dos próximos números, outros temas também de interesse geral, como educação, qualidade de vida, além do cinema, livros, quadrinhos e música. Nossa proposta é dar o devido valor aos novos. É isso, leitor! Ao menos neste momento só seu, Hakuna Matata, deguste, sonhe, contemple, seja feliz! Sylvia Carvalho

EXPEDIENTE Direção Geral: Mário Azevedo Editor Responsável: Sylvia Carvalho (Mtb/ 25668/RJ) Diagramação: Daniel Sant’Anna Repórteres: Sylvia Carvalho, Mário Azevedo, Graziela Vivas e Ernani Motta Fotos: Gabriele Gomes, Sylvia Carvalho e Mário Azevedo Edição Nacional: Distribuição Rio de Janeiro Para anunciar: 2533-6956 / 2533-7265 As opiniões em artigos assinados são de responsabilidade dos autores. Proibida a reprodução do conteúdo, em qualquer meio eletrônico ou impresso, sem prévia autorização.

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O tempo passou, a idéia ficou guardada. Até que decidi, mais de vinte anos depois, colocá-la em prática. Uma espera longa....rs. E para a gente comemorar, nada melhor que textos de Jorge Luiz Calife. Sua inteligência sensibilizou o escritor Arthur C. Clarke, que utilizou um conto de Calife como espinha dorsal para a continuação do clássico 2001, Uma Odisséia no Espaço. Falecido recentemente, Clarke é homenageado por Calife. Também lembramos de datas, pessoas importantes, temas polêmicos e até rádio, particularmente a Rádio Cidade, emissora precursora no estilo FM no Brasil. A proposta é falar do que acontece. Coisas atuais e outras nem tanto. O mundo segue...em transição, o que é antigo se recicla. E assim vamos....seguindo, aprendendo, mudando. Como dizia Cleófas Uchôa: “a transição é eterna”.

Mário Azevedo


RÁDIO CIDADE FAZ 31 ANOS E FÃS COMEMORAM, EM GRANDE ESTILO, COM SITE NA INTERNET! Mário Azevedo Rádio Cidade 31 anos!! “E de repente, nada mais que de repente passarinho está deglutindo seres humanos.É o que meu filho? É o que minha filha? Legal, chegando por aqui...” Era assim que Eládio Sandoval entrava no ar e alegrava as tardes de FM na Rádio Cidade há 31 anos. Quem lembrou também não esquece a saudação de Fernando Mansur em cima de uma vinheta da rádio “ A alegria de estar aqui com você!Diga me lá, conte-me tudo e não me escondas nada” Estas frases fazem parte da memória afetiva de uma legião de ouvintes que as citam com saudades a cada conversa, encontro ou música, lembrando da rádio que mudou a vida de todo mundo. A Cidade foi ao ar pela primeira vez num domingo, no primeiro de maio de 1977. Depois desse dia a rotina do carioca jamais seria a mesma. Assim como a história do FM no Brasil. Na orelha do livro “ O Sucesso da Cidade” de Fernando Mansur, Scarlet Moon disse que o rádio é uma espécie de “ chiclete de ouvido”, uma mania, um vício...está em todo lugar. E foi justamente isso que aconteceu com a Cidade ,que foi chamada de “Eco do Rio”, já que em lojas, carros e casas lá estava ela e o seu timaço de locutores! A Rádio Cidade inovou, modificou hábitos e abriu caminho para bandas e cantores. Mudou completamente o mercado da publicidade,revolucionou todos os padrões com uma linguagem inovadora e uma programação musical contemporânea. É importante conhecer o início de tudo. O que existe hoje no FM e até em alguns

programas de TV foi deflagrado com a Rádio Cidade. O papo descontraído, a informação e a identificação do público com a personalidade do apresentador, hoje comum nas emissoras de rádio e canais a cabo é fruto da revolução iniciada pela Cidade no final dos anos 70. Era época da Ditadura. Em meio a censura e ao novo ritmo, chamado “Disco Music, surge a Cidade. Além de sucessos,que incluíam a MPB a programação da rádio tinha ,flashbacks, e Beatles. Nos anos 70 Big Boy era o grande ídolo da juventude no AM, na Rádio Mundial tocando os lançamentos da paradas norte americana e inglesa. Nesta época surgiu a “ Revista POP”, que trazia em suas páginas tudo que acontecia na música, praias e no cenário cultural. Cada número era devorado pelos adolescentes, que não tinham Internet e a quantidade de informações disponíveis hoje. A Rádio Cidade chega no meio deste cenário com o dinamismo do AM, uma linguagem informal , qualidade de som superior e informações que só eram encontradas em revista como a POP. Dicas de lazer, cultura e notícias. Programação musical contemporânea e aquele contato com o ouvinte como se o locutor fosse um velho amigo. O time da Cidade escolhido por Carlos Towsend primeiro coordenador, era criativo e se tornou lendário. Até hoje Eládio Sandoval, Fernando , Mansur, Romílson Luis, Paulo Roberto, Ivan Romero, Jaguar e Sérgio Luis são lembrados com reverência. No segundo time Marco Antonio e Paulo Martins (que chegaram 2 anos depois), Barbosinha (O Francisco Barbosa), Maurí-

Primeiro time da Cidade, em 1980. Da esquerda para a direita Paulo Martins, Fernando Mansur, Sérgio Luis, Eládio Sandoval, Paulo Roberto, Romilson Luis e Ivan Romero.

cio Figueiredo, Luciano Durso, Cacá, Mário Lúcio, Jorge Márcio e em 1984 a primeira locutora da Cidade RJ, Monika Venerabile. Uma soma de experiências e talento. Monika foi pioneira, já que apenas a Cidade de SP havia tido uma voz feminina com Celene Araújo. Também em 1984, tivemos a volta de Eládio Sandoval à Cidade após ter passado um período na Antena 1. O retorno de Sandoval foi muito comemorado pelos fãs e trazia um pouco do início da Cidade e da formação original com Paulo Roberto e Mansur. Uma superfesta no Maracanãzinho com direito a Michael Jackson cover e a mensagem de aniversário “A Vida Pede Bis”, letra de Sandoval que marcou o ano de 1984 para os ouvintes da Cidade. O carinho e fidelidade dos ouvintes era a maior prova do quanto a rádio estava presente e era importante no dia a dia das pessoas. Quem não se lembra do “Sapo Eustáquio”, bichinho de estimação do Sandoval? Ou do “ Como é que é gente Boa”, na voz do Romílson Luis?, “Marcianito e o “Galo” do saudoso Paulo Martins? Paulo acabou ganhando este apelido após colocar a gravação de um có có ri có , tirado

de uma faixa de um disco dos Beatles. Logo de manhãzinha... Fernando Mansur. Sinônimo de Rádio Cidade, com seu “Jornal do Ouvinte”. Verdadeiro “poeta da locução” que entrevistava as estrelas com inteligência, simpatia e bom astral. Orquestrando tudo Cléver Pereira, coordenador da Cidade e responsável por um momento ímpar e inesquecível. A criação da mensagem de fim de ano “Trenzinho Caipira-Novos Tempos”- feita a partir de um dos quatro movimentos de uma Bachiana de Villa Lobos, com arranjo de Eduardo Souto Neto e a participação do grupo Roupa Nova. Aqui nossa homenagem aos ouvintes, fãs, radialistas, DJs, amigos e a todos do Jornal do Brasil que nos anos 70 e 80 tornaram nossas vidas mais alegres e nosso mundo melhor! Música,talento, criatividade, profissionalismo e acima de tudo amor a profissão e a ... Rádio Cidade. Já está na Internet um Site e uma comunidade no Orkut em homenagem a Cidade nos endereços eletrônicos: www.radiocidadefazendoescolafm.com.br http://www.orkut.com.br/ Community.aspx?cmm=56378381

As Revistas de Domingo de 1980 e 1982 com os dois times lendários da Rádio Cidade.

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RAPIDINHAS CCBB • Até 13 de julho, o Centro Cultural Banco do Brasil abriga a mostra “NipponCem anos de integração Brasil-Japão”. É uma exposição em comemoração ao centenário da imigração japonesa para o Brasil, apresentando a cultura nipônica em diversas manifestações artísticas e culturais, desde os seus aspectos tradicionais até nossos dias. É composta por cerca de 300 peças, entre cerâmicas, pipas, vestuário, telas, gravuras, ikebanas, cartazes de animes, aramaduras de samurais, espadas e outros objetos. A mostra contempla, também, oficinas e apresentações de expressões tradicionais e contemporâneas da cultura japonesa. Há, ainda, performances na rotunda do dia 14 ao 24: Artes Marciais, Kimonos, Chado (Cerimônia do Chá), Origami, Ikebana, Shodo, Oshie, Manga, Teatro, Dança e Palestras. A curadoria é de Denise Mattar.

Um Tesouro no MAM Além da bela vista, a ótima programação da cinemateca e as exposições temporárias que sempre valem a pena, o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio também abriga uma coleção que, apesar de pouco divulgada, merece uma visita. Depois de praticamente extinta, com um incêndio no final dos anos 70, grande parte das obras foi perdida, inclusive preciosidades de Picasso, Salvador Dali e René Magritte. Felizmente, um quadro de Pollock e uma gigantesca tela de Georges Matthieu conseguiram escapar do fogo na época. Depois do trágico acidente, o Museu começou a reerguer seu acervo com dezenas de doações de coleções particulares, mas foi na década de 90 que deu um grande salto, ao receber a Coleção Gilberto Chateaubriand, ainda que em regime de comodato. A coleção é uma das mais prestigiadas coleções de arte moderna brasileira e internacional e reúne cerca de quatro mil volumes, entre modernistas (Lasar Segall, Di Cavalcati, Ismael Nery) e ícones da uma geração mais nova (Ivan Serpa, Antônio Dias, Rubens Gerchman, Carlos Vergara). Um tesouro nem sempre lembrado.

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O POETA MELANCÓLICO O

poeta espanhol mais traduzido de todos os tempos, Federico Del Sagrado Corazón de Jesús García Lorca ou simplesmente García Lorca, era melancólico, obcecado pelo trabalho e pela criação poética e teatral. Não aliava-se a qualquer partido político e levava seu grupo de teatro formado por estudantes, o La Barraca, a um povo oprimido. Socialista, era contrário a direita e terminantemente a favor do povo, maltratado pela elite espanhola. Ao mesmo tempo, não queria estar à mercê do cerco comunista. Achava que a arte deveria servir de ferramenta para as mudanças sociais, fazendo avançar as classes menos favorecidas. Isso, na época do crescimento artístico de seu país e em um mundo próximo a Segunda Guerra Mundial. Federico Garcia Lorca nasceu em 5 de junho de 1898, na pequena cidade de Fuente Vaqueros, no sul da Espanha, onde passou seus primeiros 11 anos de vida. O lugar jamais sairia da mente dele. Em 1909, seus pais decidem ir para Granada, que naquele momento crescia com o cultivo da beterraba para a fabricação de açúcar. Dono de um talento musical herdado da família, passa a estudar piano incentivado

pelos pais. Com a morte do seu professor, eles passam a se opor a sua carreira musical. Acaba cursando Letras, Direito e Filosofia. Vai surgindo, então, o Lorca poeta, dramaturgo e ensaísta, deixando seus colegas admirados. Lorca produz intensamente, expressando erotismo de uma forma inquieta. Demonstra, com suas palavras, o pessimismo diante da possibilidade de ser feliz. Cria poemas e prosa, enquanto diz estar obcecado por um amor perdido. Seus textos surgem com temas opostos ao nacionalismo pátrio e a Igreja como instituição. Mas se identifica com Jesus Cristo, que está junto aos mais fracos. Em 1919, vai para Madri com o consentimento de seus pais, onde conhece Salvador Dali, Luis Buñuel e José (Pepín) Bello. Sua personalidade chama a atenção e com a ajuda de Gregório Martinez Sierra, estréia El Malefício dela Mariposa. Um fracasso. Sem ganhar dinheiro escrevendo, acaba sustentado pelo pai e isso gera problemas. Sua homossexualidade é fator de discriminação. Uma figura melancólica surge em meio a um Lorca sorridente, que

se identifica com aqueles que são perseguidos pela sociedade e os desvalidos. Tem como amores nesse período Salvador Dalí e o escultor Emílio Aladrén. A colônia hispânica em Nova Iorque o recebe bem. O ritmo alucinado de Manhattan o deixa espantado. Isso aumenta sua afinidade pelos mais fracos, especialmente os negros, que julga semelhantes aos ciganos de sua terra. Esses sentimentos são expressados em seus poemas americanos. Conhece o teatro moderno em Nova Iorque e conclui que o teatro espanhol está acabado. Seus esforços para remediar o problema resultam na peça intitulada El Público. Lorca transferia suas angústias para as personagens femininas de seu teatro. Em 1930, está em Cuba, onde conquista o público través de suas palestras. Lá, seu homossexualismo é menos reprimido. Na volta a Espanha, encontra um país mudado com a proclamação da Segunda República, que lhe possibilita entrar em acordo com o governo e dirigir o grupo de teatro estudantil La Barraca, levando textos clássicos até o interior. Mas a direita ataca com força , tendo Lorca como alvo. O sucesso de Lá Zapatera Prodigiosa (1930) e Bodas de sangue (1933) proporcionam amadurecimento e dinheiro. É um momento de grande sucesso e preocupações, já que a direita vence as eleições espanholas. Cada vez mais popular, se torna inimigo da Espanha tradicional e durante a campanha eleitoral apóia a frente popular assinando nos meses seguintes diversos manifestos antifacistas. As eleições são anuladas por causa das irregularidades e, com a nova votação, a direita perde. O ódio do fascismo se torna mais forte. No dia 10 de junho de 1936, aos 38 anos, Lorca dá uma entrevista que selaria seu destino. Ao afirmar que em Granada agitava-se naquele momento “a pior burguesia da Espanha”, fez crescer o ódio em relação à sua figura. Os dias se tornavam cada vez mais violentos. A atriz Margarita Xirgu pede para que se junte a ela no México. Mas Lorca queria ficar próximo ao jovem Rafael Rodríguez Rapún por quem havia se apaixonado. A guerra civil se aproximava. Acontece o golpe militar. O poeta se esconde na casa do amigo Luis Rosales, cujos irmãos ocupam altos cargos na falange (grupo paramilitar fascista). Lorca é facilmente encontrado. O poeta então é preso e assassinado em agosto, junto com o professor da cidade de Pulianas e dois toureiros anarquistas. O crime foi cometido próximo a Fuente Grande, ao lado de uma árvore...

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1968 JAMAIS ESQUECIDO O

ano de 1968 foi marcado por uma revolucionária onda de protestos em todo o mundo. Jovens, artistas, pessoas do povo e intelectuais contestavam os padrões impostos a sua sociedade. O movimento fascina pela importância e idéias deflagradas em forma de discurso, arte, música e atitude. Em maio, a França se agita com a greve dos operários. Aqui no Rio, acontece a lendária passeata dos 100 mil contra a ditadura, o que culmina na criação do AI-5 e o início da luta armada. Com as idéias do filósofo Herbert Marcuse na cabeça e coragemno coração, as pessoas buscavam uma sociedade com maior liberdade. Naquele período tão conturbado, os artistas levavam sua arte as ruas rompendo com museus e galerias. O que ficou do ano de 68 é o que somos hoje. E o que resta compreender, só o tempo poderá explicar. Arte e violência lado a lado. Havia guerras como a do Vietnã, assassinatos de Martin Luther King e Bob Kennedy, o fim da era Gaulle na França.

Foi também o tempo dos presidentes democratas americanos, do comunismo liberal na Europa Central. Instante também da contracultura, liberação sexual, racial, das artes, cultural e política, através de movimentos, passeatas estudantis em todos os países, conquista do espaço pelo homem, ditadura militar, Beatles, Janis Joplin, Bob Dylan, Jimi Hendrix, The Doors, Tropicalismo, Geraldo Vandré, os hippies, drogas, Roberto Carlos, Caetano ,Gil e Chico com Roda Viva, José Celso Martinez, no teatro. Filmes clássicos Barbarella, Planeta dos Macacos e 2001 de Stanley Kubrick, mostrando o futuro promissor para a humanidade. Lembrar de 68 é querer entender os acontecimentos e constatar as conquistas e mudanças.

“1968 – O que fizemos de nós”, lançado em abril deste ano pela Editora Planeta, é mais um balanço do que aconteceu há quatro décadas. Neste livro, o autor remonta sua visão sobre os fatos e costumes atuais, que têm base nos fatos de 1968. Em entrevista ao site Ultimo Segundo, Zuenir avalia que os jovens de 68 queriam mudar o mundo. Achavam que fariam uma revolução política e fizeram evolução de costumes, a revolução sexual, fizeram realmente uma revolução comportamental, a liberação sexual, freada pelo advento da Aids. E que a condição feminina avançou muito. A mudança do comportamento ético nas relações políticas. A ética – um valor sagrado de 68 – foi ultrapassada, transgredida. Para Zuenir, nada justifica em vez de acordos políticos, parcerias em função do bem público sem limites.

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Uma das heranças da época seria a utopia ingênua das drogas, que se esperava ser um caminho para a ampliação do conhecimento, de autoconhecimento, de expansão da consciência, e que hoje alimenta uma enorme multinacional de crimes e violência. Avalia que este foi o pior legado de 68. O autor destaca, sobretudo, “um olhar positivo nas novas formas de manifestação em comparação as grandes passeatas e que hoje só quem faz passeata é gay. Existem hoje outras formas de expressão, como a internet, o celular. Que por estes meios existem novas formas de manifestação. Não podemos achar que as únicas formas de manifestação são as passeatas. A forma de participação popular é uma coisa que é muito própria da democracia, mas você tem de adaptar essas formas ao mundo moderno”.


ARTHUR C. CLARKE, o profeta da era espacial O

escritor britânico Arthur Charles Clarke, falecido em março, já foi chamado de “o profeta da era espacial”. Na literatura futurista, o único nome comparável é o do francês Júlio Verne, que imaginou como seria uma viagem a Lua, com todos os detalhes, um século antes dela acontecer. Mas Clarke teve uma vantagem sobre Júlio Verne. Ele viveu numa época em que a ciência e a tecnologia já tinham evoluído o suficiente para realizar seus sonhos. Formado em física e matemática pelo King’s College de Londres, ele serviu na Força Aérea Britânica durante a Segunda Guerra Mundial e trabalhou na construção dos primeiros sistemas de pouso de aviões sob orientação do radar, tema de seu livro “Glyde Path” (Rota de Aproximação). O GCA não chegou a ser usado na Grande Guerra, mas foi vital para a ponte aérea de Berlim durante a Guerra Fria dos anos 50. Quando a guerra terminou, a televisão era a grande novidade e Clarke escreveu um

O futuro faz 40 anos “2001: Uma odisséia no espaço” Confundiu o público e dividiu os críticos. Mas hoje é um clássico Jorge Luiz Calife

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m abril de 1968, o mundo assistiu confuso a estréia do filme “2001: uma odisséia no espaço, do diretor Stanley Kubrick. Os críticos se dividiram, alguns acharam o filme vazio e pretensioso, outros viram nele um marco da história do cinema. Quarenta anos depois, prevalece a Segunda opinião. A odisséia espacial está na lista dos “10 melhores filmes de todos os tempos” da revista Sight and Sound, foi considerada “cultural, estética e historicamente significativa pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e selecionada para preservação. “2001” também entrou na lista dos 10 melhores filme selecionados pelo crítico Roger Ebert, dos 100 melhores filmes do século 20 da revista Village Voyce e do

Jorge Luiz Calife

artigo para a revista Wireless World, propondo o uso de estações espaciais como postos de retransmissão. Naquela época, era impossível transmitir sinais de televisão além do horizonte e as emissoras começavam a instalar antenas no topo de montanhas para ampliar a área de cobertura. Clarke deduziu que um satélite ou estação espacial, que orbitasse a Terra a 36 mil quilômetros de altura, ficaria imóvel em relação ao hemisfério abaixo. Com uma rede de três satélites, seria possível transmitir programas de televisão para o mundo inteiro. Pelo resto de sua vida, Clarke lamentou não ter patenteado a idéia, que rendeu uma fortuna para empresas como a Intelsat. Em 1962, dezessete anos depois da publicação do artigo, o primeiro satélite de comunicações, o Telstar, entrava em órbita e as Olimpíadas de Tóquio, em 1964, já contaram com transmissão via satélite. Em reconhecimento, a União Astronômica Internacional batizou com o nome de “órbita de Clarke” esta região onde ficam estacionados os satélites de telefonia e televisão. Em 1945, a eletrônica ainda não estava tão desenvolvida e todos os aparelhos de rádio e TV eram enormes engenhocas movidas a válvulas. Por isso, Clarke achou

que os primeiros satélites de comunicações teriam que ser grandes estações tripuladas por astronautas. Em 1952, ele descreveu como seria a construção e a vida em uma dessas “estações espaciais” no livro “Islands in the Sky” (Ilhas no céu). Foi outra ficção que virou realidade. Em seus últimos anos de vida, a partir de 1998, Clarke acompanhou a construção da Estação Espacial Internacional nos noticiários de TV por satélite. (Sua casa em Colombo, no Ceilão, foi uma das primeiras no mundo a Ter uma antena parabólica). Na semana em que ele morreu, uma equipe de astronautas montava o robô. Dentre em órbita, a 400 quilômetros de altura. A função do Dextre é ajudar a equipe na manutenção externa da base orbital, como o robô Hugo, descrito por Clarke em seu livro “Os mundos perdidos de 2001”. Em sua obra mais famosa, “2001: uma odisséia no espaço”, que foi adaptada para filme por Stanley Kubrick e para história em quadrinhos por Jack Kirby, Clarke previu também a era do turismo espacial. No filme de 1968, aparece um hotel orbital e uma nave comercial. Na vida real, a empresa aérea Virgin Atlantic, do milionário Richard Bramson, está financiando a construção de uma nave

suborbital de passageiros, a Spaceship 2. Outra empresa, a Bigelow Aerospace, de Las Vegas, já testou os módulos do primeiro hotel espacial, o Náutilo, que deve ser montado em 2015. Na década de 1980, eu tive a honra de ver meu nome citado por Clarke em dois livros. Nos agradecimentos de “2010: A odisséia II” e no diário de produção “The Odyssey file” (New American Library, 1985). No primeiro, Clarke agradece uma carta que enviei para ele em 1978, sugerindo uma seqüência para sua obra mais famosa. No segundo livro, Arthur comenta com o diretor Peter Hyams (2010, O Som do Trovão) uma observação que fiz sobre a cena de abordagem da nave Discovery. Havia um erro de continuidade no livro, que acabou sendo corrigido no filme, graças as minhas sugestões. E foi com a ajuda dessas citações que consegui publicar meus primeiros livros. Durante vinte anos, tivemos contatos esporádicos, por carta e depois por e-mail. Clarke pertenceu a uma geração de arquitetos do futuro. Homens que viam além da civilização atual e apontavam caminhos alternativos para a humanidade. O homem se vai, mas a obra fica para servir de guia aos desbravadores do terceiro milênio.

livro “50 filmes para ver antes de morrer”. Até o Vaticano considera “2001”um dos melhores filmes de todos os tempos. A criação deste marco na história do cinema foi difícil e complexa. Em 1964, o diretor Stanley Kubrick já era um nome consagrado por filmes como Spartacus e Doutor Fantástico. Impressionado com o avanço da corrida espacial, ele decidiu que seu próximo projeto seria “um bom filme de ficção científica”. A idéia inicial era criar uma versão futurista do épico “A conquista do Oeste”, exibido nos cinemas no ano

colonização da Lua, a chegada dos homens nos planetas Marte, Venus e Júpiter e o filme terminaria com o encontro dos astronautas com os extraterrestres na fronteira do Sistema Solar. Tudo filmado em Cinerama super-panorâmico. Kubrick adquiriu os direitos de vários contos de Clarke, mas no final o roteiro acabou se desenvolvendo a partir de duas histórias: “A Sentinela” e “Júpiter 5”. No primeiro astronautas encontram um artefato na Lua, um alarme deixado por extraterrestres que visitaram a Terra há milhões de anos. Em “Jupiter 5” uma expedição as fronteiras do sistema solar descobre que uma das luas de Júpiter é artificial. Uma imensa nave esférica abandonada por antigos visitantes vindos das estrelas. As duas idéias foram unidas no primeiro roteiro de 2001, chamado de “Jornada além das estrelas”: colonizadores lunares encontram um antigo artefato alienígena na Lua. O objeto emite um sinal de rádio na direção de Júpiter. Uma expedição é montada e a nave nuclear Orion parte para investigar com cinco astronautas e o robô Hugo. Ao chegar em Júpiter, eles encontram um túnel na superfície de uma das luas. O túnel é uma passagem para outro universo onde alienígenas imortais, que visitaram a Terra há dois milhões de anos, aguardam os astronautas para um encontro. Durante dois anos, esse roteiro foi reescrito e modificado inúmeras vezes. O robô Hugo virou um computador com voz e personalidade feminina chamado Atena, depois mudou de sexo e tornou-se Hal. A nave Orion, movida a explosões atômicas, transformou-se na Discovery, de propulsão a plasma. O túnel para as estrelas, agora chamado de Stargate (Portão estelar) mudou-se para as luas de Saturno, depois voltou para Júpiter. E a versão final do roteiro foi rebatizada de “2001: uma odisséia no espaço”.

Até o final de 1965, Kubrick ainda queria terminar o filme mostrando um encontro dos astronautas com os E.T.s. Mas as tentativas de criar os alienígenas não deram certo e Kubrick decidiu que a inteligência extraterrestre seria representada apenas por um misterioso cubo negro. O cubo não passou nos testes de fotografia e foi transformado em uma laje negra que aparece para um grupo de macacos, há dois milhões e depois reencontra os astronautas na Lua e em Júpiter. Kubrick queria que o filme fosse o mais realista possível. As espaçonaves foram desenhadas por Frederick Ordway, e Harry Lange que trabalhavam para o Centro Espacial Marshall da Nasa, o mesmo que construiu o Saturno 5, o foguete que levou os primeiros homens na Lua. A centrifuga no interior da Discovery foi montada pela empresa de aviação Vickers Armstrong. Os computadores e artefatos usados pelos astronautas foram baseados nas pesquisas da IBM e dos Laboratórios Bell. O diretor de fotografia, Geoffrey Unsworth usou técnicas meticulosas, de exposição multipla para conseguir o máximo de nitidez nas cenas espaciais. Efeitos totalmente novos, como a máquina slit scan foram criados para mostrar a viagem através do Universo, no final do filme. Na vida real 2001 virou passado, mas no mundo mágico do cinema, “2001” será sempre o futuro. As legendas nos cartazes do filme prometiam que ele levaria o espectador numa odisséia através da Lua, dos planetas, das estrelas mas distantes, indo além do infinito e do tempo. Quatro décadas depois, a promessa continua a ser cumprida graças as novas edições em DVD. “2001”continua um filme único e insuperável.

anterior. Filmado em cinerama “A conquista do Oeste” é um filme dividido em episódios, mostrando as várias fases da colonização do oeste americano. A viagem dos colonos em carroças, o encontro com os índios, a corrida do ouro e a construção das primeiras ferrovias. O ponto de partida seriam os contos do escritor inglês Arthur C. Clarke sobre o futuro da exploração espacial. Kubrick ouvira falar que Clarke tinha se tornado um eremita, era um maluco, vivendo em cima de uma árvore no Ceilão, mas acabou convencido a contatar o escritor pelo executivo Roger Caras, da Columbia Pictures. A resposta foi positiva. Clarke viajou para Nova Iorque e começou a trabalhar no roteiro do filme, alojado num quarto do hotel Chelsea, em Manhattan. A produção começou no dia 29 de dezembro de 1965, nos estúdios da MGM em Shepperton, na Inglaterra, mas o filme ainda não tinha um nome nem um roteiro. Devido a analogia com “A conquista do oeste”, Clarke costumava chamá-lo de “A conquista do sistema solar”. A idéia era dividir o filme em sequências, mostrando a futura

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CRYSTAL DANCING DAYS, FERNANDO BORGES E A GOOD TIMES FESTA NO CENTRO DO RIO!

Música de qualidade não tem idade. Permanece no tempo. Por isso, a Crystal Dancing Days convida, todas as sextasfeiras, para a festa que vai reviver o melhor do flashback dos anos 70, 80 e 90: GOOD TIMES FESTA! Uma seleção musical de alto nível, num local agradável, elegante e de fácil acesso. Os seus embalos de sexta-feira à noite já têm hora e lugar: a partir das 18 horas no Restaurante Crystal. Venha comemorar seu aniversário com a gente! Traga 20 amigos e ganhe uma deliciosa torta! Além disso, você e seus convidados terão descontos especiais na entrada!

Detonando na pista: DJ Fernando Borges, DJ Daniel Sant’Anna e convidados! Coordenação: Mário Azevedo, Waldyr Tavares, Vitor Durão, Leo Silva e Rosângela Martins

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Preços: Homens R$ 20,00 (bônus-bar de R$ 10,00) Mulheres R$ 15,00 (bônus-bar de R$ 7,00) Classificação etária: 18 anos

Rua da Assembléia, 11 Subsolo • Centro Rio de Janeiro Se beber, não dirija! Informações e reservas: ARWTV Multimídia Tels.: 2533-6956 • 2533-7265 8

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Jornal Balaco Cultural - edição nº 01  

Cultura, Educação e Qualidade de Vida Ano 01 - Junho de 2008 - Distribuição Gratuita

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