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Editorial

Recomeço. Este foi o tema escolhido para inspirar a 45ª edição da nossa publicação, que reescreve a sua história. Não é à toa que o slogan escolhido para a revista foi “Let’s Go Bahia – A sua revista de sempre, agora, de um jeito diferente”, isso nos traduz e traduz, acima de tudo, o nosso momento e a nossa trajetória. Mas o que significa realmente recomeçar? Não desistir? Ir adiante? Fazer de novo? Nós, da Let’s Go Bahia, acreditamos que recomeçar é compreender que na vida tudo tem o seu tempo! Recomeçar é não ficar parado à espera de um milagre. É muito mais que isso: é transformar-se no verdadeiro milagre. Recomeçar é não desanimar. É acreditar, seguir a reta, em frente, sempre! Nesta edição, preparamos para você, leitor, uma série de matérias, artigos e colunas dos mais variados assuntos inspirados no tema “Recomeço”. Entre as novidades desta edição, trazemos a coluna #sósevênabahia, assinada pelo renomado fotógrafo Bel Saffe, que com o seu olhar apurado buscará capturar belas imagens e cenas inusitadas que só se vê na Bahia. Esta coluna é um presente da Let’s Go para os seus leitores. Chegando com força total, estreamos também a coluna Let’s Go Party, assinada pelo famoso promoter Rodrigo Palhares, que retorna à Let’s Go com uma parceria de sucesso, apoiando os seus eventos. Confira os clicks da festa Disco, realizada no dia 21 de julho no pátio da Mercedez-Bens, na Av. Paralela, em Salvador. Foi um sucesso! Boa leitura!

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Recomeçar é não ficar parado à espera de um milagre. É muito mais que isso: é transformar-se no verdadeiro milagre. Recomeçar é não desanimar. É acreditar, seguir a reta, em frente, sempre!


Índice

Expediente

Organizações exponenciais

12

Homens na cozinha

22

PUBLISHER

CONSELHO EDITORIAL

Verônica Villas Bôas

DIRETORA - Monique Melo

veronica.villasboas@letsgobahia.com.br

CONSELHEIROS

REDAÇÃO DIRETORA - Monique Melo

monique.melo@letsgobahia.com.br

Vinho

25

EDITORA - Aleile Moura Araújo

Decoração de mesas

38

JORNALISTAS

Singularity University

44

aleile@letsgobahia.com.br

48

Hospitais em Salvador

52

Seuilsom de volta à cena

68

DIRETORA - Mani Monteiro mani.monteiro@letsgobahia.com.br

Cia. Baiana de Patifaria

70

Cabelos grisalhos

78

Homens vaidosos

82

Editorial de Moda

86

Moda gestante

102

Autos: o estilo retrô do Mini

120

Pesca

128

Andréa Castro Daniel Oliveira Laís Matos Pedro Hijo Marília Simões Roberto Nunes Ana Virgínia Vilalva

COMERCIAL DIRETORA - Verônica Villas Bôas veronica.villasboas@letsgobahia. com.br comercial@letsgobahia.com.br

PUBLICIDADE Rocha Comunicação www.rochacomunicacao.com.br

COLUNISTAS Andrea Castro Adriana Cravo Aline Hermida Claudia Giudice Diego Oliveira Fernando Machado Gabriela Ponce Ildazio Tavares Leonardo Salgado Luciana Accioly Marcelo Sampaio Márcia Damasceno Renata Dias Renata Rangel Roberto Nunes Stefano Dias Tereza Paim Priscila Reis Patrícia Zanotti Fabiano Lacerda Karla Borges Bel Saffe Rodrigo Palhares

Claudia Giudice Diego Oliveira Fabio Lima Waleska Rochaat Tereza Paim

MKT & MÍDIAS DIGITAIS

Matheus Pastori de Araújo Luciana Accioly redacao@letsgobahia.com.br

JORNALISTAS CONVIDADOS

Pet

monique.melo@letsgobahia.com.br

Decoracao Life Style Jardinagem Plano B Spot Reflexões Sessão Pipoca Conectados Saúde De olho nas telas Garimpando Beleza Entrelinhas Moda Autos & Motos Social & Eventos Gastrô Direito & Inovaçao Luxo Life Coach VIP #sósevênabahia Let’s Go Party

ARTICULISTAS CONVIDADOS

ASSESSORIA DE IMPRENSA & RP Texto & Cia Assessoria www.textoecia.com.br

ASSESSORIA JURÍDICA Kruschewsky & Nunes Ribeiro Advogados Associados

IMPRESSÃO Gráfica Nywgraf www.nywgraf.com.br

DISTRIBUIÇÃO JR Logística www.jrlogisticaserv.com.br

Renata Cangussú Rodrigo Brito Marcos Zanella Erik Salles

FOTOGRAFIA

A magia do Vale do Capão

136

Especial Patrimônio

149

Itapuã

152

Capa: Marcos Motta Fotojornalismo: Studio Jotta contato@jottafotografia.com.br

REVISÃO

V2M EDITORA LTDA

Gabriela Ponce

Av. Tancredo Neves, 909 Edf. Andre Guimarães Business, sala 1.213 Caminho das Árvores Salvador/BA Tel.: 071 3599-7258

DEP. DE EDITORAÇÃO E ARTE Luiz Artur de Sá Menezes artur@letsgobahia.com.br

www.letsgobahia.com.br

Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 5


Conectados

Restartar,

redefinir! Novos tempos, novos dias, e nada me convence de que temos que passar esse tão pouco tempo na face da terra a fazer as mesmas coisas, viver as mesmas experiências, ser enquadrado em um establishment recusando-se ao novo, ao contemporâneo e a não se repaginar. A felicidade, para um viver bem, exige, de tempos em tempos, fazer as catracas girarem, viver outros amores, criar outros bichos, fazer novos amigos (não falo dos amigos “imexíveis”), morar em outros bairros ou até em outras cidades, tentar outro emprego, talvez outra faculdade, empreender aos 60 anos, enfim. Temos que dar novos significados às nossas vidas, afinal de contas, hoje está tudo tão na palma da mão e de tão fácil acesso, que cair no campo da burrice é bobagem. Os padrões impostos como “socialmente certos” são um saco! Por que não ter o corpo atlético e coberto de tatuagens aos 50 anos de idade? Cuidar da saúde, não ter excessos, não ser preguiçoso, glutão ou fanfarrão é errado? Quem entende o texto: “Homem que não tem barriga aos 40 é gay”? A geração dos nossos pais, com 55, já tinha pendurado a chuteira e prontos estavam para se aposentar e morrer, em sua grande maioria, aos 65, por adotarem 6 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

péssimos hábitos como estilo de vida, como ingerir muito álcool, comer “porcaria” e ainda se regozijar como um cara “homem”! As mulheres ainda sofrem mais, pois, além dos pré-conceitos clássicos relacionados à sexualidade, têm que quebrar mazelas culturais em meio à disputa para ganhar o seu espaço em um cenário de inúmeras violências, que vão desde as diferenças salariais, assédios diversos, agressões físicas a até os famigerados feminicídios diariamente relatados na mídia, que, em sua grande maioria, são passionais! Puxado!

Para uma felicidade geral, penso que todos devem, em algum momento que parecer sem saída, em qualquer situação, apertar o botão do restart em suas vidas para, assim, acharem novos caminhos. Por estes deletérios motivos relatados e, sem dúvida, para uma felicidade geral, penso que todos devem, em algum momento que parecer sem saída, em qualquer situação,

Ildazio Tavares Jr. Administrador de empresas e radialista

apertar o botão do restart em suas vidas para, assim, acharem novos caminhos, novas vias, novas posturas que sejam mais brandas e, acima de tudo, mais compreensivas e tolerantes! Daí, cada um fazendo a sua parte, o mundo tende a mudar para melhor. Eu, como quero é chegar aos 90, já dei esse restart em minha vida pessoal, por uma série de motivos aos quais, de certo modo, agradeço por terem acontecido, pois serviram de sinais do que já tinha dado e que já era hora de girar outra catraca em minha vida se desejasse ser feliz. Cajueiro não dá abacate, isso todos nós sabemos, e, absolutamente, não falo disso. Apenas pare e repense toda a sua vida; juro que entenderá que pode ir escalar o Aconcágua, fazer teatro, vender brigadeiro fit e, assim, ter o seu retorno de felicidade pessoal vivendo outras dimensões, outros recortes de uma mesma vida e sendo e fazendo gente melhor!


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Plano B

Apenas o

essencial Quando soube que esta edição seria dedicada à reinvenção e ao recomeço, confesso que travei. “Vou escrever o quê?”, pensei com os meus botões. Desde que morri executiva, em agosto de 2014, e reencarnei dias depois na versão sem crachá, tenho escrito exageradamente sobre esse assunto. Será que ainda tenho algo a dizer?

Enrolei, enrolei até chegar aqui. Cheguei à conclusão de que nunca é demais repetir sobre a inexorável urgência de todos os imigrantes digitais (gente como eu, que nasceu antes da década de 1980) terem um plano B e beberem a mudança no café da manhã. Por que tanta urgência? Simples, porque, queiramos ou não, o mundo no qual respiramos está passando pela maior e mais acelerada revolução, desde que viramos os reis entre os animais. Não dá para dizer que é ruim. A tecnologia promete vida longa a todos nós. Por isso mesmo, todos os dias, sem qualquer exagero, temos que acordar dispostos a fazer diferente e a recomeçar. Pode ser uma guinada geral na vida. Pode ser uma simples mudança de hábito, como, por exemplo, trocar o carro pela bicicleta, deixar de chupar suco e caipirosca com canudinho ou iniciar pela enésima vez a corrida contra a morte na esteira da academia. 8 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

A revolução digital, a inteligência artificial e a era da informação esfarelaram, sorrateiramente, boa parte do mundo que conhecíamos e navegávamos com relativa confiança. O futuro é hoje. E, conforme a lente, pode ser fascinante e também assustador. É tudo junto e misturado. É tudo rápido e silencioso. Enfrentar a obsolescência é o desafio diário de quem não é nativo digital. As novas tecnologias, presentes nas menores atividades do dia a dia, exigem aprendizado constante. Perdeu um capítulo, corre o risco de, em breve, não saber mais ligar a TV da sala.

Seremos (somos) todos Sísifos de um eterno recomeço se quisermos estar em dia com a última atualização do sistema operacional global. Encontrar um modo de sobrevivência para a vida que se alonga em um mercado de trabalho em transformação é outro desafio. A era do pós-emprego acabou com a estabilidade. A garantia de remuneração para toda a vida não é mais privilégio nem dos melhores profissionais. Os postos de trabalho estão sendo extintos porque o modo de produção está mudando. A inteligência artificial e os algoritmos estão povoan-

Claudia Giudice Jornalista, escritora e mãe de Chico do territórios antes reservados aos doutos, como, por exemplo, a Medicina, o Direito, a Administração, a Comunicação e até as Artes. A “uberização” do mercado de trabalho é o novo modelo de gestão das grandes e pequenas companhias. Prepare-se, portanto, para recomeçar, reinventar e reaprender. Todos os dias. De novo, de novo e de novo. Seremos (somos) todos Sísifos de um eterno recomeço se quisermos estar em dia com a última atualização do sistema operacional global. Está sentindo preguiça? Estão apertando a sua mente? Tem dias que eu me sinto como quem partiu ou morreu. Quer saber? É tão bom quanto quando acordo disposta a aprender tudo sobre Blockchain. Desligo o smartphone e vou olhar o mar. Respiro. Limpo a tela da mente. Sossego. Silencio. Respiro de novo. Deixo para lá tudo o que é supérfluo e foco apenas no essencial. A vida. Uma dica: se o futuro é um assunto que te interessa, recomendo a leitura do livro “Homo Deus – Uma Breve História do Amanhã”, do historiador Yuval Noah Harari (Companhia das Letras), que é sensacional.


Life Coach

Viver e

ressignificar Quantas vezes você se viu em uma situação em que sentiu que era preciso dar um novo rumo à sua jornada? Algumas circunstâncias nos levam a isso e temos sempre a oportunidade de nos redescobrir e criar um significado diferente para a nossa própria história. Mas ressignificar nem sempre é fácil, pois é um processo que envolve escolhas. As verdadeiras mudanças acontecem de dentro para fora; é quando a pessoa se olha no espelho e percebe que aquele “personagem” não lhe serve mais, e que é preciso encontrar uma nova persona. A ressignificação começa com uma profunda e verdadeira autoanálise, e é a partir daí que um indivíduo transformado nasce. Recomeçar pode ser desafiador, principalmente para direcionar os pensamentos. Isso acontece porque aquele indivíduo cai sempre na armadilha das crenças limitantes, que são interpretações negativas que se assumem como verdadeiras, mas que, na verdade, são falsas ou não são verdades absolutas como se acredita. As crenças limitantes impedem o pleno desenvolvimento e fazem com que habilidades sejam desperdiçadas, pois a pessoa duvida o tempo todo do seu potencial. É nessa hora que o coaching se torna uma ferramenta fundamental para derrubar as crenças limitantes e fazer com que o

indivíduo explore por completo as suas habilidades, sem o receio de deixar para trás aquele papel que não lhe serve mais. O coach acelera o processo de redescoberta e guia o indivíduo em sua mudança, tornando cada passo mais impactante.

A ressignificação começa com uma profunda e verdadeira autoanálise. Existem formas de “driblar” o medo de recomeçar. Listei aqui 5 passos: - Acredite em si mesmo. Parece clichê, mas é a mais pura verdade: se você não tiver fé em você mesmo, quem terá? Aposte em você e saiba que todo o esforço será recompensado. Você terá orgulho de ter seguido em frente, mesmo com os obstáculos, e de ter alcançado o seu objetivo. - Assuma a mudança. Muitas vezes, temos vontade de mudar, mas nos falta determinação. Queremos promover a mudança, mas, ao mesmo tempo, nos esquivamos dela, cultivando desculpas e falando com pouca segurança da transformação que promoveremos. Isso enfraquece o nosso objetivo e diminui a nossa motivação. Para que o processo de ressignificação, que é muito individual, dê certo,

Fabiano Lacerda

Coach de vida, palestrante e influenciador digital

é preciso ter fé cega nele. Por isso, acredite e “abrace” a mudança desde o início, dentro de você mesmo. - Crie novos hábitos. É impossível mudar de vida sem mudar de hábitos. Afinal, a nossa vida é feita deles, já que todos os dias, ao menos em alguns momentos, seguimos um “ritual”: acordamos, tomamos café, nos dirigimos ao trabalho etc. Planeje a nova rotina que você manterá. - Mude as palavras. Crie um discurso positivo sobre si mesmo, dizendo o quanto você quer ressignificar a sua vida e descrevendo o que está fazendo para alcançar esse objetivo. Se possível, repita frases positivas diante do espelho, isso ajuda a aumentar a autoconfiança e a motivação. - Tome uma atitude. De nada adianta traçar planos se não colocá-los em ação. Você tem potencial para chegar aonde quiser, só precisa saber quais são os seus objetivos e as suas habilidades e identificar como alocar a sua energia na direção correta. E, para isso, o suporte de um coach de vida faz toda a diferença. Invista em você e ressignifique a sua vida, você pode! Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 9


Reflexões

Que tal ir mais além?

Renovação! O tema lançado por esta edição da Revista Let’s Go é a renovação. Nada mais atual e significativo. Estamos todos condenados pela inexorável flecha do tempo a nos renovar. Até o último buraco negro sumir, o amanhã sempre será diferente do hoje e a falha em nos renovar limita a nossa capacidade de adaptação à vida. Mas inovar o quê?

Entre outros, Buda, os hologramas e os astronautas nos ensinam que o um contém o todo e o todo contém o um. O conhecimento da natureza revela que tudo neste planeta tem a mesma origem, formatada a partir dos elementos lançados no universo pelas supernovas. Estamos todos interconectados com tudo no planeta Terra. Na humanidade, isso se verifica claramente na Neurobiologia interpessoal, a qual demonstra o peso das relações sociais no desenvolvimento de nossas capacidades e comportamentos ao longo da vida, a começar pela vida intrauterina. As características da sociedade em que vivemos nos conformam tanto ou mais que a nossa herança genética. Na realidade, interagem com ela para, de forma positiva ou negativa, expressar certos genes cuja ação condiciona, por sua vez, a vida social de cada um. A visão da humanidade de hoje nos leva à inescapável conclusão de que estamos no limiar de uma enorme transição na vida humana, a qual 10 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

exigirá uma massiva inovação a nível global. Existem sinais crescentes de colapso nos sistemas organizacionais das sociedades e nos próprios sistemas de sustentação da vida. O sistema global atual lembra uma cena do Woody Allen, na qual um irmão leva o outro ao médico e diz: “Doutor, meu irmão aqui pensa que é uma galinha”. O médico responde: “Que ele tome esta pílula e isso termina”. “Um momento, doutor”, diz o irmão são: “Nós não podemos prescindir dos ovos”. Loucura geral!

A visão da humanidade de hoje nos leva à inescapável conclusão de que estamos no limiar de uma enorme transição na vida humana. Por um lado, as democracias bamboleiam, a competência e a ética dos governantes rareiam. As políticas macroeconômicas e, em particular, as políticas fiscais e monetárias falham em materializar a promessa do crescimento econômico-social contínuo – pois desconhecem a importância central da inovação nesse processo. E a crescente desigualdade, potenciada pelo, cada vez maior, desemprego, eleva a insegurança e a violência a níveis insuportáveis.

Fernando Machado

Consultor Internacional inovação e competitividade

Por outro, a falta da devida consideração ao uso racional de recursos para a vida, pelo sistema vigente de mercado, tem produzido uma dependência energética dos combustíveis fósseis que se mostra insustentável, tanto por disponibilidade quanto por efeitos ambientais. Os elementos vitais, como água e alimentos, se encontram, a nível global, em estágio crítico. Em 2030, a manutenção do consumo da humanidade nos níveis atuais demandará recursos equivalentes a dois planetas Terra. Finalmente, o avanço exponencial das tecnologias e das inovações correspondentes transforma radicalmente todos os negócios, as relações interpessoais e a própria constituição física e mental do ser humano. As inovações da Robótica, da Nanotecnologia, da Inteligência Artificial, da Engenharia Genética e de outras tantas tecnologias de impacto sistêmico exigem também, a gritos, inovações nos sistemas de organização econômica, social, política e de gestão


Reflexões dos recursos naturais do planeta. Inclusive nas leis, normas, valores e condutas atuais. A macroinovação desses sistemas demanda uma fundação gravitacional propícia aos requerimentos evolutivos críticos para criar e manter a saúde e o bem-estar, tanto a nível individual quanto social, que faça avançar a humanidade. Considerando os reincidentes fracassos do sistema político, isso exigiria abandonar a política como meio de solução dos problemas sociais, em favor da aplicação da ciência, de tecnologias e da gestão adequada das inovações. Em outras palavras, da aplicação do conhecimento, existente ou novo, gerado por pesquisas científicas, tecnológicas e inovações, mais resistentes a egos, propinas e tendências ideológicas obsoletas. Projetos como o de Jacque Fresco (projeto Vênus) detalham os distintos sistemas estratégicos requeridos para tal fim. Os novos sistemas teriam que combater a desigualdade, a qual é a base do estresse psicossocial da pobreza, a grande fonte da violência comportamental e dos custos sociais da saúde. Como disse Gandhi, a forma de violência mais letal é a pobreza. Assim, muito além da edição genética, a Neurobiologia interpessoal que nos conforma a todos tomaria rumo oposto ao atual e poderia aportar as suas soluções para a insegurança e a violência social que nos afligem. Frente a tudo isso, fica a pergunta: dentro do seu processo de inovação individual, coletivo, empresarial, onde estarão as prioridades que tenham relação com a imprescindível macroinovação radical aqui descrita, que é requerida para a sobrevivência e o avanço da humanidade? Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 11


Business

Acima do

COMUM Modelos de negócios no formato de organizações exponenciais têm grande perspectiva de crescimento Por Matheus Pastori de Araújo

De acordo com o Aurélio, exponencial é tudo aquilo que é considerado acima do comum; que tem grande ritmo ou variação. No dia a dia, no entanto, é comum que usemos o termo quando nos encontramos diante de uma situação, de uma pessoa ou de algo em que identificamos um grande potencial de desenvolvimento, de talento ou do que é chamado “sucesso meteórico”. Já expoente é, ora, nada mais do que uma apropriação da linguagem matemática que todos aprendemos no Ensino Fundamental: tanto elevado a tanto é igual a tanto. Não que este repórter tenha sido um exímio estudante de álgebra, mas esta é, salvo engano, uma das principais operações em que se chega a números astronômicos em poucos segundos. 12 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

A sociedade em que vivemos tem gerado nas pessoas um senso de urgência cada vez maior; as pessoas valorizam tudo o que seja rápido e que gere convergência

Mateus Sant’ana, professor da UNIFACS

Não é difícil, portanto, entender o conceito de um dos termos em voga no mercado corporativo. Cunhadas por Salim Ismail, embaixador mundial da Singularity University, as ditas organizações exponenciais são aquelas que cumprem, digamos, o sonho de consumo de todo empresário – fazer sucesso fatu-

rando muito, mais rápido, com baixo custo, processos simples e sem estar necessariamente atrelado às implicações trabalhistas e de recursos humanos de uma extensa mão de obra. A descrição, que beira ao idealismo, é justamente o que fazem algumas das principais empresas do mundo moderno: Google, Amazon, Facebook, YouTube, WhatsApp, Netflix e os seus afins. São organizações que, em menos de 10 anos, alcançaram a casa dos bilhões de dólares nos principais mercados mundiais, oferecendo ao consumidor um serviço de maneira simples e direta. Seja vendendo a curadoria das informações disponíveis on-line, facilitando e intermediando a compra e venda de produtos, armazenando e divulgando ví-


Chatham House/Divulgação

Business As organizações exponenciais baseiam a sua viabilidade econômica em seu acesso e sua capacidade de interpretar, influenciar e decodificar outro termo que não deve ser estranho ao leitor: o Big Data. Viktor Mayer-Schönberger, autor do livro “Big Data”, que apresenta uma análise reveladora da maior tendência na tecnologia

deos, trocando mensagens e mídias ou disponibilizando filmes on demand. Todos os produtos descritos usam uma única e, atualmente, mais valiosa matéria-prima desta era: a informação. Porque até mesmo a riqueza se digitalizou. O dinheiro venal – a cédula, o cheque, o cartão – não é mais a principal contrapartida do consumidor. Pare para pensar: dos serviços on-line, muitos são ou parecem ser “de graça”. Você não paga nada a Mark Zuckerberg para criar uma conta no Facebook, e nem mesmo para navegar pela rede social. “É gratuito e sempre será”, diz a página principal do site. Mas isso não é bem verdade. As organizações exponenciais baseiam a sua viabilidade econômica em seu acesso e sua capacidade de interpretar, influenciar e decodificar outro termo que não deve ser estranho ao leitor: o Big Data. Assim se convencionou chamar nossos rastros, nossos registros, preferências e características que são, constantemente, absorvidas por essas plataformas.

Existe, portanto, um acordo tácito no capitalismo moderno: em troca de determinado serviço, autorizamos as organizações exponenciais a terem acesso aos nossos perfis enquanto consumidores para que, assim, a mágica aconteça e o anúncio daquele seu desejado relógio curiosamente te persiga em todo e qualquer site por um período de tempo. Para o professor titular de Comportamento do Consumidor, da Universidade Salvador (UNIFACS), Mateus Sant’ana, modelos de negócios nesse formato têm grande perspectiva de crescimento. “A sociedade em que vivemos tem gerado nas pessoas um senso de urgência cada vez maior; as pessoas valorizam tudo o que seja rápido e que gere convergência. Com isso, empresas da área de tecnologia vêm ganhando espaço, permitindo agilidade e conveniência de serviços: em um único espaço, eu me informo, me divirto e me relaciono com amigos”, avalia o acadêmico. Mateus explica, ainda, o papel estratégico das informações obtidas através do Big Data.

“Nos negócios, a tomada de decisão é pautada a partir de informações, - utilizar dados para mapear comportamentos e prever tendências tem um grande valor para as decisões futuras a serem tomadas. Isso tem gerado muito lucro também para empresas que detêm essas informações, mas precisamos estar atentos à dimensão ética que isso impacta”, alerta. Para os interessados, no entanto, é preciso ficar atento ao que torna uma corporação, efetivamente, uma organização exponencial. “O modelo pauta que, para desenvolver um negócio com essas características, é preciso analisar a organização a partir de alguns conceitos: Digitalização, Disrupção, Desmonetização e Democratização. Estruturar a empresa de forma que as informações circulem com agilidade e que elas sejam corretas, relevantes e suficientes para a atuação organizacional no mercado”, conclui o professor. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 13


Business

Por Verônica Villas Boas

A vontade de abrir um negócio próprio e a criatividade foram os ingredientes necessários para que André Argolo e mais quatro amigos da Universidade Federal da Bahia (UFBA) criassem, em 2015, a StartOnApp. A startup de tecnologia, que desenvolve projetos em Tecnologia da Informação e apoia outras startups, é apenas uma entre as cerca de 200 mapeadas pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) do Governo na Bahia. Empreendedores e apoiadores são unânimes em afirmar que o ecossistema baiano para fomentar o surgimento de empresas com perfil de startups, que buscam oferecer produtos e serviços inovadores, vem melhorando, mas ainda há desafios a serem superados. “O atual momento é de crescimento. Temos nos fortificado e muitas startups de Salvador ficam aqui e vendem para todo 14 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

O ecossistema baiano para fomentar o surgimento de empresas com perfil de startups, que buscam oferecer produtos e serviços inovadores, vem melhorando, mas ainda há desafios a serem superados.

o Brasil”, avalia o fundador e presidente da Associação Baiana de Startups (ABAS), Eduardo Fiuza. Na Bahia, vários segmentos têm registrado o surgimento de startups, mas a Tecnologia da Informação ainda é o mais forte. “Alguns itens ajudam a entender bem este novo momento: as redes so-

ciais; a popularização dos smartphones; a computação em nuvem; o acesso irrestrito a informações, com o advento da internet e do Google; e de tecnologias mais recentes, como a IoT (Internet das Coisas), que busca a integração do mundo físico/real com o virtual”, explica o gestor do projeto de startups do SEBRAE, José Soares. Ainda segundo ele, a Bahia se destaca por soluções em games e entretenimento, além do varejo, agronegócio e serviços financeiros. A simplificação, a desburocratização e a inovação fazem parte do DNA de um negócio estruturado como uma startup, sendo essencial o seu ganho em escala, muitas vezes, de modo veloz. No entanto, os empreendedores relatam que ainda há uma série de barreiras culturais em torno desse modelo de negócio.


Business “Operadores estão dispersos” Para o presidente do Instituto Campus Party, Francesco Farruggia, estamos no início de algumas iniciativas que visam ao fortalecimento das startups, mas ainda há um longo caminho a ser trilhado aqui na Bahia. “As startups surgem com esforços próprios. Todos os operadores aqui estão dispersos, enquanto lá fora eles estão mais integrados”, ressalta Farruggia, que defende um movimento único que una todo o ecossistema de inovação. De acordo com Flavio Marinho, gerente de Serviços Tecnológicos e Empreendedorismo do SENAI-Cimatec, é com inúmeras dificuldades que os novos empreendedores buscam o Acelera Cimatec, uma aceleradora de startups que já apoiou mais de 200 projetos desde 2012. “Os principais pontos, após a identificação e validação de oportunidades, são as questões burocráticas, carga fiscal e tributária e o custo do capital (devido aos juros muito elevados)”, resume.

As startups surgem com esforços próprios. Todos os operadores aqui estão dispersos, enquanto lá fora eles estão mais integrados

Francesco Farruggia, presidente do Instituto Campus Party

A Prefeitura de Salvador recebeu até o mês de abril projetos de startups para integrar o Hub Salvador, localizado no Terminal Marítimo do Comércio, na Cidade Baixa. A ação, que integra o eixo Cidade Inteligente do programa Salvador 360, visa promover o desenvolvimento do potencial de jovens empresas de tecnologia em busca de soluções voltadas para a gestão pública. A capacidade do Hub é de receber 100 startups em um espaço colaborativo.

O Pitch Salvador, iniciativa que também é mantida pela prefeitura, desafia startups a apresentarem soluções inovadoras para as áreas de Educação, Saúde e Assistência Social. O Governo do Estado tem investido na Áity, uma incubadora de empresas concentradas no Parque Tecnológico que já atendeu a cerca de 40 empresas em cinco anos. Elas têm isenção de ISS, taxa zero de ICMS para a importação de equipamentos e não pagam energia elétrica e internet, além de pagarem menores taxas de aluguel. A partir de um edital de chamamento público, as empresas são selecionadas na incubadora. O programa Startup Bahia, a Lei de Inovação do Estado da Bahia, o projeto Conecta Bahia e os editais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Governo da Bahia (FAPESB) são outras ações do Estado para fomentar o empreendimento e a modelagem de negócios de startups.

Para a modelagem do próprio negócio, André Argolo e seus sócios tiveram como maior apoio a UFBA, através do IHACLAB-i, Espaço Aberto de Criação e Inovação. Outro exemplo de aproximação entre uma instituição de ensino e empreendedores é o programa Acelera Cimatec, que oferece soluções desde a pré-incubação, prototipagem e desenvolvimento tecnológico, incubação, aceleração, educação empreendedora e integração de startups com grandes corporações.

Valter Pontes/ SECOM

Onde buscar apoio

HUB Salvador Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 15


Business

Entrevista:

Ricardo Alban, presidente da FIEB

Qual a sua avaliação do atual momento econômico do Brasil? O pior da crise cíclica começa a ser superado, embora persistam problemas de monta. A economia parou de cair, a inflação está controlada e os juros básicos estão em um patamar aceitável. Mas não podemos ignorar que o ambiente é, ainda, refratário aos negócios. O Brasil precisa de reformas estruturais, que desonerem a produção e melhorem o ambiente de negócios.

são imensos. Temos que estar preparados para essa nova realidade, baseada na conectividade e que propõe grandes saltos na competitividade.

Qual é a atual situação do setor na Bahia? A indústria de transformação baiana começa a dar sinais de recuperação. Entretanto os resultados ainda são bem tímidos frente à indústria de transformação brasileira. No acumulado de 12 meses, até fevereiro de 2018, a produção física da indústria de transformação brasileira alcançou um aumento de 3%, frente ao acanhado crescimento de 0,2% da indústria local. A Bahia progride em um ritmo menor devido aos impactos negativos oriundos do segmento de Refino de Petróleo e Biocombustíveis, com grande representatividade no Valor de Transformação Industrial. É importante destacar, no entanto, que esta é a primeira vez, desde maio de 2014, que a indústria de transformação baiana apresentou um resultado positivo em termos anualizados.

Qual é o papel da FIEB neste momento?

Quais são as perspectivas da indústria baiana para O Sistema FIEB acredita que o este segundo semestre? momento é de repensar estratégias, prover novas soluções e ajudar a indústria a se conectar ao futuro. O futuro não espera e os desafios da indústria 4.0 16 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Divulgação

Empossado pela segunda vez como presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Ricardo Alban defende uma mudança na política industrial brasileira para devolver ao Norte e Nordeste um maior dinamismo no setor. Alban é também presidente do Centro das Indústrias do Estado da Bahia (CIEB) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na entrevista concedida ao repórter Pedro Hijo, Ricardo Alban fala sobre o atual momento do setor e se mostra otimista.

Os resultados positivos da indústria de transformação baiana estão sendo puxados pelo setor de Veículos Automotores

e, em menor grau, pelos segmentos de Alimentos, Bebidas, Borracha e Plástico, Celulose e Papel. A retomada da produção de automóveis, com o gradual reaquecimento do mercado interno, e o bom nível das exportações estão sendo motores da economia baiana este ano, e a expectativa é de continuidade deste cenário. Em relação ao setor de Refino, a indústria local tem sofrido os impactos da concorrência com os importadores de combustíveis. O cenário desse segmento ainda é bastante incerto.

Na gestão anterior, uma de suas bandeiras era a interiorização da indústria no Estado. Acredita que essa meta foi concluída? Mesmo com a crise que afetou a nossa arrecadação, no período de 2014-2017, o Sistema FIEB investiu quase R$ 308 milhões na ampliação e qualificação de seus serviços e produtos, em Salvador e no interior da Bahia. Com isso, atingimos as principais regiões do Estado. Mas isso não significa que vamos parar de investir.

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Advocacia: profissão do futuro

ou sem futuro? Das mais tradicionais profissões que cuidam das relações humanas, notadamente nos Estados Democráticos de Direito, onde o advogado é indispensável à administração da Justiça (Art. 133 da Carta Magna), o futuro da Advocacia, se não pode ser taxado de sombrio, permite, ao menos, o predicativo de “indecifrável”. Os empolgados com os avanços das inteligências artificiais verberam o fim dos tempos para a prática, pelo ser humano, da Advocacia, profetizando o domínio das máquinas. Atestam que os homens serão substituídos por instrumentos muito mais capazes, aptos a fazerem o mesmo trabalho, com mais eficiência. Esta história, que parece ter saído de um filme de ficção, assumiu contornos mais nítidos e assustadoramente reais a partir de uma revolucionária criação da Universidade de Toronto, no Canadá: o robô-advogado ROSS, que pôs perplexo o mundo do Direito e em alerta as corporações de advogados. ROSS compreende significados e faz correlações. Além de analisar milhões de documentos em segundos, ele sugere decisões a serem tomadas. Lê e apreende em um segundo o que advogados humanos não conseguem em toda uma vida dedicada à profissão. É essa a ferramenta que está posta para concorrer com os humanos na Advocacia, a princípio, participando do dia a dia dos escritórios, mas com pretensões mais ousadas. Um am-

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Rodrigo Britto

biente tecnológico que subjuga a inteligência humana, preocupando o mercado de trabalho. Ele já extinguiu mais de 31 mil empregos na área do Direito nos Estados Unidos, e se espera que outros se tornem obsoletos.

Enquanto o mundo for dos homens, a fantástica Advocacia, humanamente exercida, jamais poderá ser dele alijada. Ao contrário, formar-se-ão talentos incríveis, desafiados a conviver com um “colega” de escritório desconcertantemente capaz. E ele não é uma ameaça. Será uma arma! É neste contexto futurista insólito que a Advocacia está inserida, sem a possibilidade de prognósticos precisos. Mas é no cenário visto como devastador pelos pessimistas que os otimistas enxergam oportunidades. Os entusiastas do “robô-advogado” acham que a máquina irá, na verdade, otimizar o trabalho do advogado, enriquecendo-o de estratégias e informações, em menor tempo. A Advocacia humanamente exercida está longe de ser extinta. Induvidosamente, o natural fator humano, o “sentimento” de justiça, dificilmente poderá ser “ensinado” a um robô. E o Direito lida com isto. Não é apenas a arte do certo e do errado. É, antes de tudo, do justo e do injus-

advogado

to (“Luta. Teu dever é lutar pelo Direito. Mas no dia em que encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça”, Eduardo J. Couture, “Decálogo do Advogado”). De outra parte, a atuação de máquinas nas tarefas comezinhas da Advocacia encontra óbices legais. Somente pode exercê-la quem ostente a condição humana e seja bacharel em Direito, o que exige o esforço de frequentar faculdades por, pelo menos, cinco anos. Mas uma coisa é fato: resistir à automação e à tecnologia pode custar caro ao advogado. No mercado ávido por soluções, deixar a agilidade e a eficiência para depois pode significar fechar as portas. É imutável a realidade de que os advogados precisarão adequar-se e servir-se desses avanços tecnológicos. Enquanto o mundo for dos homens, a fantástica Advocacia, humanamente exercida, jamais poderá ser dele alijada. Ao contrário, formar-se-ão talentos incríveis, desafiados a conviver com um “colega” de escritório desconcertantemente capaz. E ele não é uma ameaça. Será uma arma! O citado texto do art. 133 da CF/88 jamais será piegas. O advogado, homem, dotado de sensações, emoções e valores impassíveis de robotização, é e sempre será indispensável à administração de qualquer sociedade democrática. Enfim, em tempos de copo pela metade, é sempre melhor olhá-lo meio cheio. Salve o dia 11 de agosto!


Direito e Inovação

Creator:

a nova bola da vez Todo mundo quer ser influenciador digital. Mas será que basta inserir no perfil o rótulo digital influencer para ter o poder real de influenciar? Quanto tempo isso durará? O que fazer, então? Recentemente, após uma palestra de Bia Granja, cofundadora da YOUPIX, sobre “Como encontrar o seu valor como criador de conteúdo digital”, ficou muito claro que os influenciadores de uma única plataforma precisam diversificar o seu conteúdo para se perpetuarem na web. Quem foca todo o seu trabalho em uma única plataforma pode estar correndo o sério risco de ser esquecido em um piscar de olhos, considerando que aquela plataforma de trabalho pode até deixar de existir. Lembra-se do Orkut? Essa já foi a plataforma mais acessada por brasileiros e acabou sendo ultrapassada pelo Facebook, até vir a óbito... assim como podem acabar ou perder a relevância quaisquer das mídias sociais que estão na crista da onda hoje. E você aí achando que o Instagram será, para sempre, a melhor mídia social do mundo! Mas, afinal, qual a importância disso? Lembrar que aquela determinada aplicação pode se tornar obsoleta serve como um alerta tanto para os próprios

influenciadores quanto para as empresas que estão apostando todas as fichas fazendo marketing digital em uma única plataforma.

Sempre recomendo que se faça um planejamento para ter bom posicionamento na web, que é o coração de qualquer negócio on-line, aplicando técnicas de Search Engine Optimization (SEO) quando for produzir conteúdo escrito, para que tenha relevância e possa ser encontrado organicamente. Isso vale tanto para os próprios influenciadores que pretendem se perpetuar na rede quanto para as empresas que ofertam produtos e serviços.

Quem foca todo o seu trabalho em uma única plataforma pode estar correndo o sério risco de ser esquecido em um piscar de olhos. Em seguida, para gerar aquele buzz, sugiro definir o leque de redes sociais ou plataformas que tenham a ver com o negócio, que despertam o interesse do seu público, buscando influenciar pessoas pelo conteúdo que se oferece, pela qualidade daquilo que se posta,

Priscila Reis

Advogada especialista em Direito Digital e consultora de Negócios On-line. @advocaciadofuturo

servindo de exemplo, recomendando, sendo testado e aprovado pelos seguidores. Isso sim é influenciar! Inspirar, ser fonte de educação, passar confiabilidade, admiração e ter o poder de reverter conteúdo em vendas. Quando isso acontece e a sua imagem ou a da sua empresa estão pulverizadas em diversas plataformas da web, dificilmente cairão no esquecimento. Você é influenciador e escreve bem? Monte um blog! É uma empresa que já tem um Instagram que deu certo, com muitos seguidores e bastante interação? Que tal um canal do YouTube para dar dicas de como usar o seu produto ou responder às perguntas que os clientes possam ter? Não curte aparecer em vídeos? Poderia, então, fazê-los utilizando fotos já existentes, investindo na edição. O interesse das pessoas em vídeos só faz crescer! Pense em como tirar proveito disso. As possibilidades são inúmeras! Seja um creator! Crie. Diversifique. Explore novos terrenos. Esta é a nova onda. Você não vai deixar de surfar nela, não é mesmo? Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 19


O poder transformador

da PNL

OK, mas o que é a Programação Neurolinguística? Programação: A habilidade de organizar a nossa comunicação e o nosso sistema neurológico para conquistar objetivos e resultados desejados específicos. Neuro: Sistema nervoso através do qual a experiência é recebida e processada com os cinco sentidos (visão, audição, tato, olfato e paladar). Linguística: Sistema de comunicação verbal e não verbal através do qual cada representação neural é codificada e ordenada, recebendo um significado. A PNL é baseada na pressuposição de que todo comportamento possui uma estrutura que pode ser modelada, aprendida, ensinada e modificada (reprogramada). A maneira para saber o que será útil e eficaz é por meio das habilidades de percepção. É como se o nosso cérebro fosse um computador e, sendo assim, todos nós temos uma “máquina” igual, com o mesmo “hardware”, e o que nos difere é como pensamos e agimos, ou seja, o nosso “software”. A PNL oferece as ferramentas para alterar, copiar e instalar os seus novos “softwares”, promover um update em seu sistema, maximizando todos os seus re-

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Marcos Zanella Fundador e Head Trainer do The Next Level Institute

sultados. A maneira de nos comunicarmos pode nos colocar em apuros caso escolhamos as palavras erradas, o momento errado, como também pode nos dar o que realmente queremos, se assertivos formos.

A verdadeira transformação começa de dentro para fora e a escolha é sua, afinal, onde você coloca o foco expande!

Nosso cérebro é literal, não diferencia o real do imaginário. Por isso, livros, filmes e novelas, muitas vezes, despertam em nós muitas emoções, como se estivéssemos vivendo, de fato, aquelas histórias. E, sabendo disso, é importante ressaltar que quanto mais específica for a nossa comunicação, menor o risco de uma interpretação errônea. Trata-se do bom e velho “não foi isso que eu quis dizer...”. Muitas vezes, é o que dizemos de fato que fica, afinal, nem sempre temos a chance de nos explicarmos a fim de elucidar a comunicação.

Com uma comunicação precisa, é possível desconstruir crenças limitantes que nos acompanham por toda uma vida. É possível e rápido nos livrarmos de um medo ou até mesmo de uma fobia. O quanto vale para um pai, com uma técnica simples de PNL, auxiliar a filha a perder o medo do escuro? E para um executivo deixar para trás as amarras de falar em público? Sem falar nos benefícios impulsionadores e libertadores de simplesmente termos mais autoconfiança, afinal, nós só confiamos plenamente naquilo que conhecemos. Como seria conhecer-se a fundo, a ponto de não apenas restaurar a confiança em si mesmo e na vida, mas também amar o que encontrou? Ter a oportunidade de programar ou reprogramar seu mindset para algo mais positivo e vencedor. A verdadeira transformação começa de dentro para fora e a escolha é sua, afinal, onde você coloca o foco expande! Participei de diversos cursos de desenvolvimento humano, coaching, hipnose, e, é claro, PNL, área na qual fui treinar e aprender com o criador do método, o Dr. Richard Bandler. A PNL transformou a minha vida e a da minha família, e hoje vivemos oferecendo essa oportunidade às pessoas de conhecerem a Programação Neurolinguística e de se transformarem, se essa for a sua escolha.


Business

Mercado em movimento Fotos: Divulgação

Diffe chega ao Shopping Bela Vista A marca baiana Diffe, de moda e lifestyle, abre a sua segunda loja na capital baiana, desta vez no segundo piso do Shopping Bela Vista. Os empresários Alan Del Rei e Alex Albergaria trazem a ginga e a leveza do povo brasileiro como conceito para as peças da Diffe. A

marca promove e fortalece, ainda, o movimento do futebol como arte e conecta a moda a esse universo. As frases e os conceitos são traduzidos em suas t-shirts, bonés, sandálias, bermudas e um mix variado de produtos que alia conforto e personalidade.

Prefeitura de Salvador assina contrato com o Banco Mundial O prefeito de Salvador, ACM Neto, esteve, em julho, na sede do Banco Mundial (BIRD), em Brasília, e assinou o contrato de financiamento de US$ 125 milhões, equivalente a R$ 484 milhões em valores atuais, para a aplicação nas áreas de Saúde, Educação e Assistência Social. Esses recursos correspondem à primeira etapa do programa negociado com o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, no total de US$ 250 milhões. Esse é o primeiro contrato assinado com o Banco Mundial na história de Salvador e o terceiro empréstimo externo já firmado.

Ateliê de fotografia é aberto em Salvador O ME Ateliê da Fotografia, espaço que abrigará exposições, mostras e instalações de arte, foi inaugurado no histórico bairro do Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador.  Sob os cuidados do fotógrafo e artista plástico Mário Edson, o ateliê - instalado em uma casa secular do ano 1908 - é composto por três galerias e duas varandas que foram batizadas com os nomes de Juarez Paraíso  (Galeria 1),  Tati Moreno  (Galeria 2),  Viga Gordilho  (Galeria 3),  Frida Khalo (Varanda 1) e Cantinho da Leitura Ariano Suassuna (Varanda 2).

Braskem tem novo diretor de Inovação e Tecnologia A Braskem nomeou o engenheiro químico Gilfranque Leite como o seu novo diretor global de Inovação e Tecnologia. O executivo vai comandar o Centro de Tecnologia e Inovação (CTI), localizado no Polo Petroquímico de Triunfo, e o Centro de Pittsburgh, nos Estados Unidos, além de núcleos técnicos de pesquisa no Brasil, EUA, Alemanha e México. O novo diretor assume a área com o desafio de consolidar a integração mundial das iniciativas  em inovação e tecnologia da Braskem para que atuem de forma ainda mais global, sem fronteiras.  Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 21


Gastrô

Cresce a participação do público masculino em cursos de culinária e, consequentemente, na preparação dos alimentos para a família Por Daniel Oliveira 22 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018


Divulgação

Gastrô Gastrô

No Atelier Gourmet, a maioria dos alunos procura o curso apenas por hobby

Confrarias e reuniões caseiras têm sido atividades cada vez mais comuns no cotidiano. Com o crescimento da violência urbana e as dificuldades de estacionamento na cidade, muita gente tem preferido organizar encontros nas próprias casas. Junto a isso aumentou o interesse em cursos de culinária nos últimos anos, inclusive do público masculino. Receber os amigos e preparar um bom prato é, muitas vezes, o principal desejo, além, claro, de conhecer pessoas e socializar nas aulas e confraternizações. A professora de culinária Mari’Stela Cardoso, sócia de Cristiana Guerra no Atelier Gourmet, diz que o curso, embora a maior parte do público ainda seja composta de mulheres, tem tido muitas turmas masculinas. “Os alunos chegam aqui superinteressados. Nas turmas mistas e nas turmas apenas de homens. Vão fazer compras depois, chegam em casa e vão direto para a cozinha”, conta. Por outro lado,

Durante muitas décadas, falavase que a cozinha era um lugar de obrigação das mulheres e não dos homens. Uma tarefa cotidiana que, apesar de ter também um prazer envolvido, tem um lado desgastante. Fruto do machismo, essa compreensão tem mudado. Mari’Stela explica que a maior parte dos alunos procura o curso apenas como um hobby, um momento de descontração dentro da semana corrida. Segundo ela, essa ampliação do interesse existe há algum tempo, mas percebe uma intensificação no Atelier Gourmet nos últimos anos. “Fiz um curso de oito anos em Belo

Horizonte e lá já tinha uma turma mista com muitos homens. Mas em Salvador não tinha muito isso”, afirma a professora e empresária. Durante muitas décadas, falava-se que a cozinha era um lugar de obrigação das mulheres e não dos homens. Uma tarefa cotidiana que, apesar de ter também um prazer envolvido, tem um lado desgastante. Fruto do machismo, essa compreensão tem mudado. Um dos primeiros alunos de Mari’Stela, o engenheiro Glauber Chagas, 52, diz que foram três anos de treino no curso, mas que antes, no ambiente caseiro, já era o responsável por fazer os “pratos da família”. “Minha mãe cozinha muito bem e herdei dela o interesse pela cozinha. A cozinha era vista como um espaço de mulheres, mas acredito que isso está ficando para trás. Meu pai já participava da cozinha quando eu era criança e lá em casa Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 23


Gastrô Gastrô ocorre em ocasiões especiais, ou então a partir das ocupações de chef, as mulheres continuam ficando responsáveis pela parte mais cansativa. Helio Tourinho, 54, publicitário, teve um processo de aprendizado parecido. Embora também tenha feito dezenas de cursos com chefs, foi em casa que começou a tomar gosto pela cozinha. “Tive a sorte de nascer em uma família que gosta muito de cozinhar. Acabei aprendendo na prática”, fala. Ele é um dos fundadores da Confraria Gastronômica Prestige, que existe há mais de 15 anos. O slogan desse espaço de encontro é “Lugar de homem é na cozinha”.

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A professora Mari’Stela também aproveita para contestar a ideia de que as mulheres têm mais aptidão para cozinhar. “Isso é uma grande besteira, não existe essa diferença que falam, depende mais do interesse e da vontade de cada um”.

O engenheiro Glauber Chagas é responsável por fazer os pratos da família

eu me identifico mais com a cozinha do que a minha esposa”, diz. Atualmente, ele também se dedica a estudar as técnicas de cozimento a vácuo “sous-vide”, com o objetivo de alcançar um melhor ponto e textura para os alimentos, principalmente as carnes. Apesar de a sua experiência ser diferente, Glauber percebe que, nesse âmbito cotidiano, a cozinha ainda é um espaço majoritariamente feminino: “Vejo os homens na cozinha mais em eventos e confraternizações”, fala. Ou seja, enquanto para os homens, hoje, a ida à cozinha 24 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Tive a sorte de nascer em uma família que gosta muito de cozinhar. Acabei aprendendo na prática Hélio Tourinho, publicitário

Já nas palavras do publicitário: “Quem gosta de cozinhar já nasce com esse dom, dizemos na confraria que o fundamental é ter talento e gostar”. Com bom humor, ele fala que entre os pratos que mais prefere preparar estão o bacalhau dos deuses, premiado na confraria, filet au poivre e risoto de Parma com damasco. A tentativa de mudança dentro da rotina, na visão de Mari’Stela, também tem estimulado a busca geral de homens e mulheres pela prática de cozinha, pelos cursos de culinária e organização de confrarias. “Com isso de não poder beber, além da rotina cansativa de trabalho, de trânsito, violência, celular, as pessoas têm procurado ficar mais em casa, fazer comida e tomar um bom vinho”.


Gastrô

VINHO:

Mais que consumir uma bebida, tomar vinho é uma experiência para elevar o estado de espírito. Bebida “dos deuses” – Diógenes em especial, ou Baco, o Deus do Vinho, combina bem tanto com momentos de intensa boemia quanto em encontros mais intimistas, seja com o ser amado ou com amigos confidentes. O fato é que caiu no gosto dos baianos, de todas as idades e bolsos, e o segmento tem registrado um crescimento de dois dígitos a cada ano.

uma bebida para aquecer a alma Saboroso, charmoso e saudável, um parceiro para todas as ocasiões. Entenda por que o vinho tem se tornado, cada vez mais, uma das bebidas preferidas entre os baianos

“Status, glamour, curiosidade, aumento do nível de escolaridade, maior nível de informação do consumidor e o autêntico prazer pela bebida são os fatores impulsionadores do incremento de consumo”, afirma Flávio Pedrett, diretor da Sost, uma das principais distribuidoras de food service  da Bahia. Na empresa, as vendas de vinho cresceram 40% em volume entre 2015 e 2017.

Por Andréa Castro

Franca expansão

Jotta

O vinho caiu no gosto dos baianos, de todas as idades e bolsos, e o segmento tem registrado um crescimento de dois dígitos a cada ano.

O mercado baiano de vinhos (autosserviço), segundo dados da empresa Nielsen, especializada em pesquisa de mercado, cresceu 14,20% entre 2016 e 2017. Mas um fenômeno interessante observado no segmento local foi a substituição de rótulos mais caros por produtos mais baratos. “Em função da queda no poder aquisitivo da classe média, aumentou a quantidade e caiu a qualidade do que foi consumido”, afirma Flávio Pedrett. Dentro deste cenário, o perfil de consumo consolida-se predominantemente nos vinhos jovens e na faixa de preço de até R$ 40. Os principais países exportadores para o nosso mercado são Chile, Portugal e Argentina, com destaque para o rápido cresciMai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 25


Gastrô Turismo enológico

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A Rio Sol é uma empresa certificada pela norma ISO 9001, tendo no seu portfólio cerca de 15 tipos de vinhos. Quase todos os rótulos já foram reconhecidos com medalhas em concursos nacionais ou internacionais.  Os vinhos seguem  os padrões de produção da Global Wines - renomada produtora da Europa e da qual a Rio Sol faz parte.

Na Chez Cohen é possível encontrar uma variedade com mais de 500 rótulos de diversas uvas e partes do planeta

mento dos vinhos portugueses, devido à acessibilidade de preços e à oferta crescente. Mas a produção local também tem revelado grande potencial.

Sabores do Velho Chico A Bahia produz na região do Vale do São Francisco espumantes premiados no mundo inteiro. “Também produzimos vinhos tintos, brancos e rosés maravilhosos, que são apreciados em outras localidades, mas pouco conhecidos do público baiano. O melhor representante dessa categoria é o Testard Syrah, da Vinícola Miolo, sem dúvida, uma bebida surpreendente”, garante Pedrett. Outra vinícola da região do São Francisco que tem recebido premiações nacionais e internacionais é a Rio Sol, sediada em Lagoa Grande, Pernambuco. De acordo com o seu enólogo, Ricardo Henriques, as vendas vêm crescendo 15% ao ano e esse é um mercado em expansão. “Os produtores têm 26 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

O vinho, há alguns anos, passou a ser uma paixão. Do ano passado para cá, nossas vendas aumentaram em 18% MICHEL COHEN, SÓCIO DA CHEZ COHEN

aumentado a produção e existem novas empresas se instalando na área”, revela. O preferido na Bahia é o espumante Moscatel. “É um produto mais leve, bastante aromático e fresco, tendo açúcar residual da fruta na sua composição final, ideal para as praias, clima e alegria do baiano”, declara Henriques. Segundo ele, os vinhos produzidos na região são mais concentrados, tanto em cor quanto em aromas, predominando os da fruta e não do envelhecimento.

Dando vazão ao turismo enológico, que tem crescido exponencialmente, a vinícola promove na região o “Wine Day – Rota dos Vinhos”. No passeio guiado, é possível realizar uma visita ao parreiral, com a degustação da uva e a visualização dos ciclos de desenvolvimento; visita à adega e a todo o processo; passeio de barco pelo Rio São Francisco, com a degustação de espumantes e aperitivos; além de paradas nas ilhas para se banhar e almoçar junto ao rio, com direito a harmonização e degustação de vinhos.

Entre aromas e texturas Foi fazendo turismo, em uma viagem pela Itália, que o médico-cirurgião vascular Ricardo Ferraz teve a oportunidade de entrar em contato com vinhos bem distintos em cada região visitada. Esse detalhe aguçou a sua curiosidade e o levou a estudar sobre o assunto. “Foi na busca do aprendizado que veio o meu fascínio por essa bebida milenar”, declara. Para Ricardo, a variedade é tão grande que existem vinhos adequados para qualquer ocasião. “Desde vinhos e espumantes para serem consumidos mais gelados (Champagne Ice ou vinhos rosés da Côtes de Provence) no verão, quanto os para ajudar a aquecer no inverno. Vinhos


Gastrô para harmonizar com entradas, pratos principais e sobremesas, para serem coadjuvantes em determinadas refeições ou para serem a estrela da festa”, defende.

espumantes e os brancos. “Os rótulos argentinos, chilenos e portugueses ainda são os carros-chefes da loja. Mas a busca por novidades tem crescido muito”, pondera Cohen.

Uma paixão em comum

Para quem deseja ter uma boa experiência com vinhos, ele dá algumas dicas. “Hoje em dia, não existem mais regras rígidas para a harmonização do vinho. O que importa é o prazer de cada um. Para o meu gosto pessoal, um belo corte de carne eu prefiro acompanhar com um Malbec (Luigi Bosca Terroir Los Miradores) ou um Tannat (Ombu)”. Já para uma tarde na piscina com amigos, ele sugere um vinho verde bem gelado (Vincada) e para um jantar romântico, o Primitivo di Manduria.

As opções são tantas e tão boas que difícil mesmo para Ricardo é definir qual o seu tipo de vinho preferido. “Gosto de vários, tudo depende da ocasião. Normalmente, prefiro os mais encorpados, como os produzidos com as uvas Shiraz, Cabernet Sauvignon e Malbec. Esses vinhos harmonizam bem com carnes vermelhas”, revela. No caso dos brancos, ele gosta bastante das uvas Chardonnay e Riesling, que harmonizam bem com peixe.

Mais que prazer Jotta

Para compartilhar essas experiências gastronômicas regadas a bebida do Baco já existem em Salvador várias confrarias compostas por amigos que se reúnem periodicamente. O médico participa de duas que se encontram mensalmente (Confraria Paralela e a Quinta Gourmet). Existe também a Associação Brasileira de Sommeliers - regional Bahia (ABS-BA), que promove reuniões e cursos para quem quer começar ou se aperfeiçoar nesse fascinante mundo.

Foi aprendendo um pouco mais sobre os vinhos que veio o fascínio por essa bebida milenar

RICARDO FERRAZ, MÉDICOCIRURGIÃO VASCULAR

Sax and wine Seguindo a tendência de ampliação do público apreciador, o segmento de casas especializadas em vinhos vem sendo aquecido em Salvador. “Há alguns anos, passou a ser realmente uma paixão. Do ano passado para cá, nossas vendas aumentaram em 18%”, afirma Michel Cohen, sócio da Chez Cohen, uma das melhores  opções para comprar e degustar vinhos na cidade. E para tornar a experiência ainda mais incrível, a casa promove o evento Wine Bar. Todas as quintas e

sextas-feiras, há um buffet de frios e o cliente pode se servir à vontade e escolher na prateleira o que quer beber. Para acompanhar, há sempre um saxofonista animando a noite. O ambiente inspirado na década de 1950 contempla mais de 500 rótulos. Vinhos de diversas uvas e de diferentes regiões do planeta. Todos os que estão expostos podem ser consumidos na loja, sendo os tintos os mais pedidos, seguidos pelos

Outro aspecto que podemos considerar em torno dos vinhos é o benefício além do prazer. Segundo Ricardo Ferraz, que é médico, os efeitos de proteção cardiovascular dessa bebida ganharam mais evidência após a publicação de um artigo na revista científica Lancet. Pesquisadores observaram uma diminuição da incidência de doença coronária isquêmica (infarto) na população francesa, apesar de terem um hábito alimentar com alta ingestão de gordura saturada, passando esse evento a ser conhecido como Paradoxo Francês. Entretanto, do ponto de vista científico, ainda é controverso afirmar se realmente existe a eficácia na prevenção das doenças cardiovasculares de algumas substâncias presentes nos vinhos, como o Resveratrol. Para o médico, o importante é que, como toda bebida alcoólica, deve ser consumido com moderação. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 27


Gastrô

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Gastrô

A pizza

reinventada Conheça a história e a diversidade da iguaria e as principais pizzarias da cidade Por Ana Virgínia Vilalva

Uma iguaria criada há mais de seis mil anos e que agrada a todos os paladares – até os mais exigentes. Há quem diga que a pizza surgiu como uma invenção dos egípcios, mas existem aqueles que afirmam que os gregos têm uma parcela de culpa na criação. Na verdade, venhamos e convenhamos, a pizza se tornou conhecida mesmo com os italianos de Nápoles, que espalharam a novidade pelo mundo. Diz-se que a primeira pizza redonda foi preparada em 1889 para a rainha Margherita, da Itália, e enfeitada com ingredientes nas cores da bandeira italiana (queijo branco, manjericão e tomate). Assim, a pizza com esse recheio foi batizada em sua homenagem. Aqui no Brasil, o prato era comum de se encontrar nas colônias italianas até se tornar um dos mais pedidos no país – e no mundo.

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Em Salvador, há estabelecimentos que servem desde as tradicionais redondas, pizzas cone, de metro e até com massas funcionais, feitas com ingredientes naturais como a beterraba, cenoura, e até abóbora. Os recheios também são um atrativo a mais a cada fatia: hoje, existe no mercado até pizza de abará e de acarajé. São muitas novidades, mas um item já conhecido das pizzas não pode ficar de fora: a borda recheada, que vai desde o tradicional sabor catupiry até o queijo cheddar. Hoje, existem pizzarias que servem entradinhas que lembram a massa das bordas, e até bordas diferenciadas, a exemplo da cheesy pop, que nada mais é do que a massa da borda em forma de enroladinho e recheada com queijo, para comer como um finger food. Pesquisas informais dão conta que a pizza mais consumida pelo baiano é a Portuguesa, seguida do Frango com Catupiry, Margherita e Calabresa. As tradicionais são seguidas de sabores praianos, como camarão e frutos do mar. Entre as exóticas, destacam-se as pizzas de bacalhau com coentro e ovo e a pizza de acarajé, que leva mozarela, vatapá e camarão. Em algumas casas, os sabores vão desde a combinação tradicional do queijo e molho de tomate até a excentricidade do strogonoff, nos sabores carne ou frango, e servido com batata palha. No conceito das funcionais, é possível encontrar em Stella Maris as pizzas da Pizzalinha, que têm o sumo dos vegetais como a base de sua massa. São mais de dez tipos de massas funcionais como: beterraba, espinafre, cenoura, abóbora, aipim, batata-do30 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

dos carrosA Pizza Quatro Estações é um a Cas em ta chefes da Forneria Pas

Em Salvador, há estabelecimentos que servem desde as tradicionais redondas, pizzas cone, de metro e até com massas funcionais, feitas com ingredientes naturais como a beterraba, cenoura e até abóbora.

ce, cevada, gergelim, linhaça e chia, com recheios que vão do gosto de cada cliente. O menu tem opções veganas e vegetarianas, como a pizza de cogumelos e também a de berinjela, além das pizzas tradicionais, como a de pepperoni e até a soteropolitana: calabresa picada e mix de pimentas. No quesito inovação, a gastrônoma Cris Santos usou da crise para criar a pizza de abará, com recheio a gosto do cliente. “A ideia veio da venda de abará com recheio, mas quis

fazer alguma coisa diferente e nasceu a proposta da pizza”, disse a criadora da Pizzará. Nada foi planejado, e logo em seguida Cris bolou a  Pizzajé, feita com massa de acarajé. Hoje, o carro-chefe é o recheio de siri catado, além de contar com a opção vegetariana no menu. A pizza, que também atende o público vegano, é preparada com um refogado de legumes e vegetais, e não leva camarão no preparo da massa, um diferencial, já que a massa comum das iguarias baianas leva camarão. No boêmio bairro do Rio Vermelho, o chef Celso Vieira decidiu colocar a mão na massa no início de 2017, com a inauguração da Forneria Pasta em Casa, que serve desde pizzetas a pizzas, todas preparadas com massa fina e borda grossa, como se vê tradicionalmente na Itália. O menu se manteve fiel à tradição com a pizza Margherita e foi além com a Pizzeta de Burrata e as pizzas Quatro Estações (Quattro Stagioni), de mozarela (primavera), cogumelos (outono), presunto Parma (inverno) e

Ana Virgínia Vilalva

Gastrô


Cris Santos/Divulgação

A entrada Pizzeta de Burrata é uma das mais pedidas da For neria

A Pizza de abará, com recheio a gosto do cliente, é uma ideia da gastrônoma Cris Santos

alcachofra (verão), que representam as estações do ano, e a Calabreza Artesanal, homenageando a Pizzaria Brás, de São Paulo. Com pouco mais de um ano de funcionamento, o espaço celebrou o seu primeiro aniversário com chefs convidados e a

Ana Virgínia Vilalva

Cantina Cheiro de Pizza: Avenida Vasco da Gama, S/N - Dique do Tororó. Tel. (71) 3389-0448 /  Rua Borges dos Reis, 14 - Rio Vermelho. Tel.: (71) 3335-5777 / Rua Minas Gerais, 254 – Pituba. Tel. (71) 2109-0909 / Instagram @cheirodepizza

criação do chef José Morchon, bem aceita pelos clientes, foi incorporada ao cardápio. A “Cítrica do Morchon” leva cogumelos frescos, queijo de cabra e raspas de limão siciliano. E chegam mais novidades para os paladares mais exigentes. Mais uma homenagem com  a pizza a Brás, com mozarela de búfala, tomate-caqui e tapenade de azeitonas, e um canelone de ricota de búfala gratinado; e quem sabe não vem mais coisa por aí? “Estamos supersatisfeitos com os resultados que temos conseguido e continuamos nos esmerando para atender com bons produtos e serviços”, disse Vieira. Ah, e os vegetarianos e veganos podem ir tranquilos: a casa tem uma pizza de caponata de berinjela com base de tomate, para atender até aos mais criteriosos paladares. Independentemente do recheio, da massa ou de onde ela veio, uma coisa é certa: todos amam pizza! Por isso, preparamos uma lista especial para você não passar vontade e saboreá-las quando quiser. Escolha a sua favorita:

Domino’s Pizza: Rua Alexandre Herculano, 90 – Pituba. Tel. (71) 30140809 / Av. Almirante Marques de Leão, 465 – Barra. Tel.  (71) 3037-1111 / Av. Santa Luzia, 656 - Horto Florestal. Tel.  (71) 2105-0005 / Instagram@ dominospizzabrasil Forneria Pasta em Casa: Rua Professora Almerinda Dutra, 67, Rio Vermelho. Tel.: (71) 3334-7232 / Instagram @pastaemcasa Pasta em Casa:  Rua Professora Almerinda Dultra, 67 - Rio Vermelho. Tel.: (71) 3334-7232 / Instagram@pastaemcasa Pizzalinha:  Alameda Dilson Jatahy Fonseca, 1307 - Stella Maris. Tel.: (71) 33749157 / Instagram@pizzalinha Pizza da Chapada:  Rua Érico Veríssimo, 77 – Itaigara. Tel. (71) 3012-7202 / Instagram@pizzadachapada Pizzará Bahia:  Pedidos via WhatsApp (71) 98799-2725 / Facebook https:// goo.gl/ZLvxEv Quattro Amicci Pizzeria: Rua Dom Marcos Teixeira, 35 – Barra. Tel. 3264 5999 Pizza Hut: Rua Doutor Osvaldo Ribeiro, 45 – Ondina. Lojas: Caminho das Árvores, Salvador Shopping, shoppings Bela Vista, Barra e da Bahia. www.pizzahut.com.br@ pizzahut.salvador ou app Pizza Hut Brasil Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 31


Gastrô

Surfista de alma e cozinheiro de sangue

Lucius Gaudenzi Por Aleile Moura Araújo

A arte da gastronomia é a sua paixão. Segundo Lucius, a cozinha lhe traz lembranças afetivas da família. “Na infância, minha mãe fazia marmitas para sustentar a nossa casa e eu sempre a ajudava, seja fazendo as compras, cortando os temperos, finalizando os pratos, entregando as marmitas ou cobrando aos clientes”, disse. Para se especializar na atividade que pratica desde a infância, ele obteve o Le Grand Diplôme de Cuisine pela renomada escola Le Cordon Bleu, de Paris, viajou por muitos países e, no Brasil, passou por São Paulo, e então chegou a Salvador, onde, juntamente com sua esposa e sócia, a sommelier Roberta Gaudenzi, abriu o Restaurante Du Chef Arte e Gastronomia. 32 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Fotos: Jotta

Depois de ter viajado o mundo estudando, pegando onda e trabalhando em restaurantes premiados e ao lado de renomados chefs, Lucius Gaudenzi, 46 anos, voltou à capital baiana, sua terra natal, trazendo uma gastronomia de fusão, na qual imprime a sua sensibilidade singular com influências e receitas diversas, sempre focado em técnicas francesas, que são a sua base.


Gastrô

A DICA DO CHEF Fazendo jus à sua influência francesa, o prato preparado especialmente para a Revista Let’s Go Bahia foi o La Rochelle, ragu de pato confitado ao jus de chocolate com frutas vermelhas. Segundo Lucius, pato com chocolate é um clássico da cozinha francesa e o método de confitar, um dos mais tradicionais, requer técnica apurada e amor. “Para criar esse prato me inspirei na família, pois o sabor marcante e a doçura me remetem a ela”, afirmou o chef. Como acompanhamento, Lucius Gaudenzi indica legumes ou salada e até um risoto de alho-poró. Como bebida, um vinho Bordeaux francês ou uma cerveja escura são boas opções, e, ainda, um bom uísque cairá bem se o chocolate for mais amargo. A seguir, o passo a passo de como fazer esse prato que mistura sabores e desperta em nós curiosidade para apreciá-lo.

1 Em uma frigideira bem

quente, selar a coxa de pato com um pouco de azeite e deixar que solte bastante a sua gordura.

2 Prepare um mirapoix - cebola, salsão, alho-poró e cenoura em pedaços pequenos, de um centímetro.

3 Em uma panela média, dourar o

mirapoix com azeite, acrescentar manteiga e, em seguida, a coxa de pato. Depois de glacear a panela com o vinho tinto, deixar que o álcool evapore, completar a panela com o caldo de legumes e deixar cozinhar em fogo bem baixo por, pelo menos, três horas, ou até que a carne esteja soltando do osso. (Este é um método para se preparar em casa e com quantidades menores. Em restaurante, utilizam-se outras técnicas, que requerem mais habilidades e equipamentos).

4 Desfiar o pato em pedaços bem pequenos e, em uma panela, dourar um pouco de cebola com alho picado, acrescentar uma calda de frutas vermelhas e cubos de chocolate. Ajustar o sabor ao paladar e na hora de servir enformar com um aro.

5 Em outra frigideira pré-aquecida,

dourar um pouco de cebola, acrescentar as frutas vermelhas inteiras e um pouco de vinho do Porto. Quando evaporar, acrescente um pouco do caldo de legumes e deixe reduzir por dois terços. Sirva-o ao lado do pato com raspas de chocolate meio amargo e folhinhas de brotos de rúcula.

O Du Chef, localizado na Rua Afonso Celso, no bairro da Barra, conta com três ambientes: um lounge externo; um restaurante-bistrô, com um menu contemporâneo e criações exclusivas; e um chef table, no segundo andar, que recebe eventos e encontros e tem como vitrine a cozinha aberta, comandada pelo chef Lucius. Seus pratos, executados com muito requinte, são cuidadosamente pensados e trazem inspirações de lugares especiais. “Penso em meu paladar, no que as pessoas que irão comer vão sentir, em lugares especiais e até nas ondas do mar. Inclusive, no menu do meu restaurante, os pratos têm nomes de praias por onde passei pelo mundo”, afirma o chef e também ex-surfista profissional, que, além do restaurante, realiza jantares particulares, eventos de todos os portes e, em breve, lançará mais dois empreendimentos. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 33


Gastrô

Gastronomia verde e amarela:

uma forma de reinventar o Brasil O Brasil, grande celeiro gastronômico do mundo, tem a maior diversidade de frutas entre todos os países, mas ainda é desconhecido pelos próprios brasileiros. Nosso país tem sete biomas: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Manguezal, Pampa e Pantanal, além do bioma marinho, que oferece muita diversidade em toda a costa brasileira. A Bahia é o único Estado brasileiro que tem cinco biomas. Chefs de cozinha de vários cantos do mundo chegam por aqui em busca de conhecer e explorar os nossos sabores, que lá fora são considerados exóticos e únicos. A contemporaneidade da sociedade e a globalização invadem as cozinhas levando os mestres mundiais desse setor a uma busca incessante por uma cozinha de raiz, com uma apresentação moderna, utilizando os saberes do mundo com os sabores locais. Neste cenário, um grande número de chefs de cozinha brasileiros iniciou esse movimento que se trata de um resgate à tradição e a manutenção de uma identidade cultural através da comida de raiz - aquela que é elaborada com os saberes e os sabores do nosso Brasil. 34 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Eu, como boa baiana que sou, defendo que os nossos cozinheiros devem investir tempo em reconhecer um bom dendê, um bom camarão seco e um bom leite de coco, bases da cozinha tradicional baiana, pois aqui nascemos cheirando dendê, já que pelas ruas onde passamos tem sempre uma baiana linda com o seu tabuleiro recheado de quitutes que fazem parte da nossa memória gastronômica. Dessa forma, acredito que manipular um bom dendê tem a mesma nobreza para um cozinheiro baiano como tem o foie gras para um cozinheiro francês.

Tereza Paim Cozinheira, pesquisadora e apaixonada pela cozinha baiana

A contemporaneidade da sociedade e a globalização invadem as cozinhas levando os mestres mundiais desse setor a uma busca incessante por uma cozinha de raiz.

respeitadas. O processo de defumação verdadeiro deixa esses ingredientes pouco salgados e cheirosos, mas tanto o camarão quanto a carne de fumeiro perdem muita água, e na hora de vendê-los o produtor ganha menos. Logo, eles pintam e salgam esses produtos para que se conservem pelo sal e percam menos água para pesarem mais na hora da venda. Mas a contrapartida do consumidor é muito alta, além de estar comprando um produto muito ruim em sabor, cor e textura, ele ingerirá corante que faz mal à saúde. Por isso, clamo à população da Bahia que não comprem camarão pintado de anilina, que são aqueles vermelhos, nem carne de fumeiro igualmente pintada. Reclamem na feira, não os comprem e os feirantes também não mais aceitarão esses produtos ruins.

Temos que unir forças para salvaguardar as nossas iguarias, pois a industrialização e a gana de alguns produtores têm modificado para muito pior alguns dos nossos ingredientes nobres, como é o caso do camarão defumado e da carne de fumeiro, que são iguarias baianas e devem ser

Com o dendê e o coco podemos ter mais que nossas maravilhosas moquecas; temos que criar sem perder as referências da nossa cultura e tradição. Aqui, apresento a vocês o nosso pudim de siri, que é uma repaginação da famosa casquinha de siri tão conhecida mundo afora.


Gastrô

PUDIM DE SIRI Ingredientes 1 kg de siri catado 3 ovos 150 g de tomates sem pele picadinhos 150 g de cebola picadinha 50 g de coentro picadinho 50 g de cebolinha picadinha 2 dentes de alho socado 200 ml de leite de vaca 100 ml de leite de coco 100 ml de azeite de oliva 4 pimentas doces picadas sem sementes 1 pimenta dedo-de-moça picadinha sem sementes 2 limões 200 g de queijo meia-cura ralado Sal e pimenta branca o quanto bastar Modo de preparo Lave o siri catado com os limões, escorra e reserve. Leve todos os temperos picadinhos e a pimenta-decheiro ao fogo com azeite de oliva; quando dourar, adicione o siri e deixe ferver até secar. Reserve para esfriar. Misture com o batedor os ovos, os leites e o queijo. Adicione o siri e corrija o sal. Coloque em forminhas de pudim untadas. Leve ao forno (180ºC) em banho-maria até dourar, por, mais ou menos, 20 minutos. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 35


Decoração

Começar

DE NOVO te e funcionalidade”, destaca Rita. O banheiro foi ampliado para atender às demandas do casal, criando dois espaços independentes com uma banheira ao centro. A mudança dos materiais, piso e revestimento foi fundamental para impor um toque de sofisticação.

Renovar as energias, dar um novo início ou um novo fim a algo que nos envolve. É assim que percebemos as transformações nos ambientes em que vivemos. Mais que isso, é também uma necessidade e vontade da humanidade de ressignificar e reaproveitar o já existente, uma prática sustentável. Para isso, nada mais estimulante do que mudarmos os espaços com uma boa reforma. Precisamos mudar de forma criativa e flexível, adaptando, reparando ou, simplesmente, aprimorando. Reformar é preciso!

“Detalhes no forro e na iluminação, além da substituição de revestimento, fazem toda a diferença nesse apartamento debruçado na Baía de Todos-os-Santos, trazendo requin36 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Frederico Lanat

Arquiteta especializada em reformas e construção, Rita Magnavita tem um olhar mais cuidadoso e apurado sobre essas interferências em ambientes comerciais ou residenciais. “Boas reformas exigem planejamento e organização para realizar os sonhos do cliente”, destaca. Em um dos apartamentos reformados com projeto de Sidney Quintela, a arquiteta executou a integração da varanda com o living, proporcionando mais amplitude e versatilidade ao espaço.

ANTES

No apartamento reformado, a arquiteta Rita Magnavita executou a integração da varanda com o living, proporcionando mais amplitude e versatilidade ao espaço

DEPOIS

Rodrigo Melo

Planejar é o primeiro passo

Andréa Castro Jornalista e apaixonada por decoração dea_castro4@hotmail.com


Decoração vez mais focadas no design e na inovação”, ressalta Jefferson Divino, coordenador de Desenvolvimento da Incenor e Tecnogres, marcas produzidas na Bahia. Segundo a arquiteta e urbanista Laís Penha, são revestimentos que permitem preencher e dar vivacidade ao local, gerando uma nova roupagem. “Além disso, podem contribuir como peças fundamentais para as sensações que o decorador queira emitir no ambiente, sejam de amplitude, redução ou aconchego”.

Divulgação

ANTES

No apartamento projetado pela designer de interiores Simone Selem, foram substituídos o papel de parede da TV por um painel em lâmina de madeira e o rack antigo por um em vidro e laca branca

Repaginar Uma das linhas de atuação do escritório Simone Selem Arquitetura e Design de Interiores é o projeto Repaginar. “Trazer novos ares, novas funções, mantendo as estruturas arquitetônicas e originais, é o objetivo dessa proposta. Para isso, contamos com muitos recursos, como papéis de parede, revestimentos, adornos, a reforma de móveis, a troca de tecidos, entre outros”, afirma Simone. No apartamento projetado pela designer de interiores, foram substituídos o papel de parede da TV por um painel em lâmina de madeira e o rack

Divulgação

Ivan Machado

DEPOIS

antigo por um em vidro e laca branca. Os móveis foram trocados por outros com conceito contemporâneo e formas leves. “Demos uma nova função ao espaço de poltronas, projetando cristaleiras. As fotografias foram substituídas por uma arte em madeira e a iluminação foi projetada para o novo layout e acabamentos”, relata.

“Camaleando” Quando se fala em renovar o ambiente, um dos elementos de grande contribuição é o revestimento. “Os cerâmicos e porcelanatos se destacam por fatores como fácil limpeza, economia e coleções cada

Entre as tendências dos revestimentos estão as texturas e impressões que se assemelham à madeira, estampas que remetem aos mosaicos coloridos ou ladrilhos inspirados no estilo português colonial

As tendências desse segmento estão em revestimentos com juntas menos espessas, em especial naqueles em alto-relevo (3D) e os geométricos, gerando uma visualização mais contínua. Há, ainda, texturas e impressões que se assemelham à madeira, assim como estampas que remetem aos mosaicos coloridos ou ladrilhos inspirados no estilo português colonial. Opções não faltam! No mais, é deixar a imaginação fluir e dar aquele toque especial que te deixará de alma renovada. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 37


Aos pais, com amor

38 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Decoração E quem disse que os homens não reparam nos detalhes? Ah! Os detalhes... Montamos três mesas caprichadas para inspirar os nossos leitores no Dia dos Pais Por Andréa Castro Não é porque a próxima data comemorativa de peso é voltada para o público masculino que deixaríamos de mostrar com todo carinho e delicadeza três superproduções de mesas postas para o Dia dos Pais. Afinal, os homens estão cada vez mais atentos e conectados com a gastronomia e com tudo o que cerca essa atmosfera. A empresária da decoração Larissa Bicalho, proprietária da LB Home (@lbhome), montou uma mesa mais clássica, mas com um toque casual, dado pelos limões sicilianos e o verde - uma plantinha simples e charmosa, que deu todo um charme à produção. “Montei uma mesa prática, rápida e fácil de fazer, mas com todo o requinte merecido ao Dia dos Pais”, declara. Ivan Machado

Os homens estão cada vez mais atentos e conectados com a gastronomia e com tudo o que cerca essa atmosfera


Ivan Machado

Decoração

A personal organizer Raquel Widmer escolheu as cores azul e amarelo para compor a mesa por serem as preferidas do seu pai

A mesa posta, que serviria tanto para o almoço quanto para o jantar, contou com uma linha nova de louças, chamada Oriente, nas cores verde e azul, inspirada no Dia dos Pais. “Usamos também copos de cristal em tons de verde de uma linha exclusiva da LB, desenvolvida junto com a fábrica, copos de vinho branco e tinto, mais finos, para caber bem em uma mesa”, explicou Larissa.

Jotta

Memória afetiva

A mesa produzida pela bióloga Yves Dethyere traduz harmonia e frescor; foram utilizadas louças brancas e detalhes em bambu, jogo americano e guardanapo em linho, predominando a cor verde

Bióloga e apaixonada por mesas postas, Yves Dethyere (@ nacasadayvesarteira) idealizou uma mesa para o Dia dos Pais pensando na escolha de elementos que remetessem ao emocional das pessoas. “Essa Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 39


Ivan Machado

Decoração

Larissa Bicalho, da LB Home, montou uma mesa mais clássica, mas com um toque casual, dado pelos limões sicilianos e o verde das plantas

mesa, para mim, traduz harmonia e frescor. A cor verde foi o start por ter também forte correspondência emocional com a segurança. Associei o significado com o que sinto quando penso em meu pai”, declara. Para dar ainda mais vida à produção, Yves escolheu antúrios brancos. “Flor em formato de coração, forte, duradoura e imponente, além de significar hospitalidade e autoridade”, ressalta. A harmonia da decoração, além de descontraída, ficou elegante, utilizando louças brancas e detalhes em bambu, jogo americano e guardanapo em linho. A cor prata para as demais peças de mesa foi a escolhida. Yves contou com a parceria da 40 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

loja Decor in Home (@decorinhome), que possui um projeto social pelo qual designam um percentual de suas vendas ao Hospital Aristides Maltez.

Tudo em seu lugar! Para a personal organizer e decoradora Raquel Widmer (@ gourmetdacasa), outro aspecto que deve ser lembrado é a funcionalidade da composição. “Ter os objetos organizados facilita a vida. O ideal é ter tudo por perto para qualquer ocasião, para podermos sempre usar o que temos disponível”, deu a dica. Raquel, que também dá aulas de culinária, da mesma maneira que ama cozinhar, ama preparar uma mesa bonita. Na mesa feita para a

Let´s Go, a escolha das cores azul e amarela foi feita por serem as preferidas do seu pai. “O estilo é o dele, mais sóbrio, clássico, porém com o toque de alegria do amarelo!”, revela. Outra dica dada por Raquel é sempre colocar as flores em harmonia com algum tom que foi usado na mesa, pode ser o do guardanapo, dos copos ou da própria louça. No arranjo, as flores alstroemerias, cravinas, pinóquio, orquídeas, chuva-de-ouro e sementes de ligustro deram um toque todo especial à decoração. Itens a postos, não esqueçamos também que o mais importante é o amor sempre presente, dando vida e alegria a cada momento.


Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 41


Jardinagem

A beleza

das trepadeiras Sabe aquelas sacadinhas com jardineira que vemos espalhadas pelos prédios da cidade? Que tristeza de vê-las abandonadas, concreto puro, esperando uma alma dedicada que lhes guarneça com plantinhas. Não nos damos conta da beleza que isso proporcionaria para a nossa cidade. Imagine tê-las como referência do nosso apartamento? Nossa varanda definida pelas flores ou folhagens que exibimos dali? “Minha varanda é a das flores amarelas ou azuis!”.

ras rústicas e de crescimento rápido, que não assustariam nem um jardineiro preguiçoso ou principiante. Além de ser uma pequena compensação para aqueles que têm a varanda no poente e, com isso, muito sol à disposição. Esse é um sonho muito realizável. Algumas cidades na Europa fazem concursos das sacadas mais belas e floridas. Às vezes, os moradores simplesmente seguem o fluxo natural ou são estimulados pela beleza da varanda dos vizinhos.

Começo falando dessas jardineiras porque já me peguei com vontade de invadir a minha vizinhança encorajando espécies simples de trepadei-

Além dessa utilidade coletiva e pessoal, as trepadeiras cumprem com muita maestria a função de jardim vertical. Com ou sem suportes, dependendo da espécie, cobrimos uma parede com apenas uma muda em um grande vaso. Ou seja, podemos nos permitir, por poucos reais, aquela impressão de jardim particular sem perder espaço.

Espaços internos ou de sombra Para quem não dispõe de iluminação direta, vamos de folhagens ou hoya carnosa (flor-de-cera). Essa última é espetacular, mas necessita de um pouco de tempo de crescimento. Mas se queremos flores, a flor-de-cera produz cachos que

42 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Aline Hermida Paisagista @deco__green

parecem artificiais e exalam um agradável perfume. Dentro de casa ou em uma varanda pouco ensolarada, elas serão boas opções para cobrir as suas paredes. Folhagens muito comuns que voltaram à moda: singônio, jiboia e costela-de-adão compõem um visual tropical e um microclima dentro de casa. Atenção aos tutores necessários para elas. Existem no mercado as típicas grades de madeira, mas também suportes em ferro pintados muito mais discretos e polivalentes.

Para uma varanda ensolarada Minha preferida para os debutantes é a suzana-dos-olhosnegros ou thumbergia alata. Apesar de ser considerada quase invasora em grandes jardins, não vejo riscos se a plantamos em vasos. Ela cresce rápido e pode cobrir estruturas indesejadas no jardim com as suas flores laranjas com centro escuro. A ipomeia grandiflora ou glória da manhã é um curinga também. Resultado rápido e muitas flores que variam de um azul pálido a mais escuro. Suas


Jardinagem Amor agarradinho (antigonum leptopus)

Shutterstock

Uma planta de avó! Mas daquelas que fazem a gente voltar para a infância. Elas são fáceis de cultivar, mas as suas inflorescências são tão delicadas que, apesar do tropicalismo da Bahia, conseguimos um ar bucólico que lembra as glicínias, típicas de lugares mais frios. Contraste perfeito. Entre a rosa e a branca, escolho a rosinha, mesmo não sendo de caráter muito romântico. Ipomeia grandiflora ou glória da manhã

Finalmente, são tantas variedades adaptadas ao nosso clima que até as plantas consideradas anuais em lugares frios são perenes nas nossas latitudes. Acho que não vou me conformar com uma única edição da coluna sobre as trepadeiras.

Trepadeiras em tons de rosa e vermelho: A sete-léguas (podranea ricasoliana) é a rainha da resistência, porém, como é muito vigorosa, ela não deve ser plantada ao lado de telhados ou estruturas mais vulneráveis. Seus galhos podem causar problemas. Mas, para mim, controlar o crescimento com uma poda é muito mais fácil que fazer vingar espécies mais exigentes. Ela só precisa de sol e aguenta bem esquecimentos nas regas. Deve ser guiada por tutores.

Dipladênia (mandevilla)

Dipladênia (mandevilla) É uma trepadeira volúvel que cresce de dois a três metros e tem a vantagem de florescer tanto a sol pleno como a meiasombra. Existe em várias cores, mas predominam os tons de rosa e vermelho. Rústica e precoce na floração, presente garantido desde o começo.

Pxhere/ Creative Commons CC0.

Seguindo nos tons de azul, gostaria de apresentar uma planta não muito comum, cheia de curiosidades, a começar pelo seu nome científico: clitorea ternatea. Suas flores lembram o órgão sexual feminino, com um azul índigo muito vivo. Elas servem de corantes naturais para infusões e alimentos. Além de terem múltiplas qualidades fitoterápicas.

Pxhere/ Creative Commons CC0.

flores duram somente um dia, mas ela é muito generosa, e no dia seguinte te oferece dezenas de novas flores. Pode subir até 3 metros e quanto mais sol e calor, mais azul na sua vida.

Antigonum leptopus Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 43


Educação

Singularity University:

a mina de ouro da inovação no Vale do Silício A instituição já atraiu 500 brasileiros ávidos pelo desenvolvimento de inovações Por Verônica Villas Boas Gerar inovações disruptivas capazes de educar e inspirar líderes globais para resolver os grandes desafios da humanidade faz parte dos objetivos da Singularity University (SU). Localizada no Vale do Silício, nos EUA, maior ecossistema de inovações do mundo, a instituição, que tem a NASA e o Google como colaboradores, se apresenta como uma comunidade global que atrai as mentes mais brilhantes da atualidade para construir um futuro melhor para todos. Entre os brasileiros, 500 alunos já passaram pelos programas da instituição e outros 7.716 fazem parte da comunidade SU, que vai crescer ainda mais com a abertura de uma unidade em São Paulo, em 2019. Todos eles vislumbram se reinventarem e ser líderes de processos baseados no uso de tecnologias para gerar mudanças positivas. 44 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Entendo que inovação não é algo que fazemos e está resolvido. Ela precisa fazer parte da rotina e, hoje, esta é uma diretriz do nosso grupo Ana Coelho, CEO da TV Aratu

CEO da TV Aratu, a baiana Ana Coelho participou de um dos programas da Singularity University, em 2017. Durante quatro dos quinze dias em que ela passou no Vale do Silício, a executiva fez parte de um grupo de 40 pessoas que estiveram imersas no mundo de tecnologias exponenciais no Global Summit. Meses depois da experiência, ela percebe que a forma como encara transformações e novidades mudou. “Entendo que inova-

ção não é algo que fazemos e está resolvido. Ela precisa fazer parte da rotina e, hoje, esta é uma diretriz do nosso grupo”, avalia Ana. O Global Summit é apenas um dos programas oferecidos pela instituição que, desde a sua fundação, em 2008, já recebeu 1600 pessoas, 108 apresentadores e 37 companhias. O evento anual reúne líderes de diversas áreas para permitir o compartilhamento de experiências que podem se converter em tecnologias exponenciais no futuro. “Você fazia a sua agenda e escolhia aonde queria ir. Diversas aulas aconteciam simultaneamente”, relata Ana. Entre os palestrantes da edição de 2018, que acontece de 20 a 22 de agosto, está o inventor britânico Richard Browning, mundialmente conhecido como o “Homem


Educação

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seus negócios. Mas por que há tantas pessoas interessadas em passar pela experiência na SU?

Escritório principal da Singularity University

Arquivo pessoal

de Ferro” por criar um terno de propulsão que o permite voar; além de Marco Annunziata, responsável pelas estratégias de inovação e negócios da General Electric; Alex Gladstein, estrategista da Fundação Human Rights; entre outros. As taxas variam entre U$ 1.995 (esgotada) e U$ 9.995.

Tiago Correia e Swani Ananda

Os participantes costumam relatar que cada momento na SU é repleto de informação e disrupção – a palavra mais ouvida no campus. “Diversos temas foram abordados e o conceito e exemplos de disrupção foram amplamente discutidos e incentivados”,

relembra o vereador de Salvador Tiago Correia (PSDB), que também participou de um Global Summit, em 2017. Segundo ele, a experiência que teve no Vale do Silício impactou de “maneira brutal” a sua rotina como agente público da cidade. “Devemos pensar a administração pública promovendo inovações e aplicando novas tecnologias para melhorar a qualidade de vida das pessoas”, defende Tiago, que, além de vereador, é médico veterinário e atua na iniciativa privada no ramo da Agropecuária.

Por que ir para a Singularity University? Com programas que variam entre U$ 5 mil e U$ 18 mil, a depender do tipo e da quantidade de tempo que o aluno vai permanecer no campus, a Singularity University está sempre com vagas esgotadas e listas de espera. Empresas do mundo inteiro que investem na formação continuada dos seus líderes os enviam para programas específicos para executivos e empreendedores que vão atrás da incubação de startups para impulsionarem os

Para Ana Coelho, o bom profissional precisa perceber as mudanças rápidas do mundo. Inquieta, ela já fez outros cursos em São Paulo, como o da Escola Perestroika - conhecida como uma escola de atividades criativas – e os cursos on-line da SU. “Encantei-me e resolvi conciliar um curso de Gestão, que já faria na Stanford University, na Califórnia, com o Global Summit”, justifica. O público diverso, formado por líderes de grandes empresas, estudantes, investidores e profissionais liberais interessados em se manter atualizados com que há de mais inovador no mundo, chamou a atenção do vereador Tiago Correia. “Entendi que a Singularity reúne alguns dos maiores pensadores da atualidade e estava debatendo temas relacionados à inovação aliados ao que existe de mais moderno na tecnologia, antecipando o futuro aos dias de hoje”, explica. Até para quem apenas visita o campus da SU a atmosfera de inovação atrai. A publicitária Maíra Holtz estava em San José, no Vale do Silício e, por curiosidade, resolveu visitar uma feira de robôs que acontecia na instituição no ano passado. “Achei tudo sensacional. Havia diversos stands com produtos feitos até por alunos que tinham acabado de começar lá e eram muito avançados. Eram óculos de realidade virtual, robôs para pets e enfermeiros e protótipos de pílulas que nos farão viver 150 anos”, conta. Um concurso premiava as melhores ideias e investidores poderiam se interessar pelo projeto e desenvolvê-lo junto com o criador. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 45


A SU está localizada em um dos maiores polos de inovação do mundo, vizinha às sedes de gigantes da tecnologia como o Facebook, Apple, Google, NASA, e de universidades como a Stanford. Por conta disto, os olhos de investidores estão voltados para esse espaço a fim de encontrar novas soluções que possam ajudar a resolver problemas e gerar oportunidades. Ao mesmo tempo, os jovens inventores e criadores de startups estão prontos para modelar os seus negócios, encontrar um investidor e colocar os seus produtos e serviços no mercado.

A estrutura A SU também se apresenta como uma faculdade, com mentores, cientistas e pensadores de diversas áreas, como Inteligência Artificial, Nanotecnologia, Biologia Digital, Robótica, Empreendedorismo, entre outras. São mais de 150 líderes que são responsáveis pelas aulas. A estrutura do campus é bastante informal. Espaços a céu aberto, cores e salas de aula sem mesas e cadeiras tradicionais ajudam a quebrar com formatos tradicionais de ensino. Em alguns espaços, os alunos se sentam no chão em frente a mesas mais baixas. No entanto, é possível encontrar também salas mais próximas ao ambiente tradicional, segundo Maíra. Às 7h, todos já estão prontos para a primeira sessão. Ana Coelho lembra que a abertura das atividades do dia era marcada sempre por uma atividade de meditação. Após esse momento inicial, o aluno buscava o tema de seu maior interesse e bastava entrar na sala. “Os professores são extremamente acessíveis, inclusive quando acabava a ses46 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

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Educação

O histórico edifício Hangar One localizado no Moffett Field

são, eles se disponibilizavam e continuavam trocando conhecimento e tirando dúvidas”, destaca a executiva. Para Tiago Correia, encontros que intercalavam grandes plenárias e debates mais intimistas, com grupos com menor número de alunos, foram pontos fortes na rotina do Global Summit. “Com turmas reduzidas, o palestrante tinha um contato pessoal com cada participante e realizava dinâmicas de integração”, avalia.

Singularity Brasil Summit A comunidade global da SU não realiza os seus programas e eventos apenas no Vale do Silício. Existem unidades na Dinamarca e Holanda, além da previsão de novos campi na Alemanha, Nova Zelândia e Brasil. Parceiros em vários países, entre eles Austrália, África do Sul, República Tcheca, Portugal, Tailândia e Brasil, realizam as sessões internacionais com o objetivo de aproximar líderes locais para entender e criar uma mudança positiva para o crescimento econômico de suas regiões. São dois dias de conferências anuais.

A edição brasileira, realizada pela HSM – uma plataforma de educação executiva -, em abril de 2018, trouxe nomes como a Divya Chander, médica e neurocientista treinada em Harvard; Yvonne Cagle, astronauta da NASA; Raymond McCauley, cientista, engenheiro e empresário; Vivienne Ming, neurocientista, tecnóloga e empresária; entre outros atores considerados os maiores pensadores e especialistas em inovação no mundo. “Quando embarcamos no projeto de trazer o Singularity Summit ao Brasil imaginamos que seria um sucesso, principalmente porque o nosso momento político e econômico tem desafiado às lideranças a estar sempre um passo à frente”, explica Guilherme Soárez, CEO da HSM. Em dois meses, os ingressos se esgotaram e a realizadora precisou mudar o espaço e abrir mais vagas, inclusive com a venda da transmissão em streaming. Isto é sinal que a abertura de uma unidade em São Paulo em 2019 tem o potencial de atrair um grande volume de pensadores, cientistas e empreendedores ávidos por produzir inovação no Brasil.


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Pets

Meu pet

ficou velhinho Quando o velho companheiro, aquele pet veterano de guerra, alcança uma idade mais avançada é hora de acender a lanterninha para alguns cuidados especiais Por Andréa Castro

Quanto mais tempo de convivência, mais considerado da família passa a ser o bichinho de estimação. É justamente nesse momento que os cuidados com os pets que tanto amamos devem ser reforçados. Com o avançar da idade, assim como os humanos, os animais também podem passar a apresentar algumas limitações. O estilo de vida, os cuidados preventivos, a genética, assim como as enfermidades pelas quais o bichinho passou na vida irão influenciar diretamente nas possíveis necessidades de cada um. “Os animais mais idosos poderão apresentar um decréscimo das funções renais, hepáticas, cardíacas, neurológicas, intestinais e hormonais, podendo ser de origem patológica ou não”, pondera Marcus Fróes, coordenador médico da HPet Hospital Veterinário. Para o especialista, em se tratando de animais idosos saudáveis, podemos fazer uma adequação na parte nutricional e suplementação com medicamentos promotores de uma melhor condição óssea/articular, assim como vitaminas e minerais que ajudarão no funcionamento dos diferentes órgãos e sistemas.

Hora do check-up

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De acordo com a médica veterinária Juliana Menezes, da Clivepa Hospital Veterinário, tem-se observado um grande aumento na expectativa de vida dos cães e gatos na última década. “Essa longevidade se deve a grandes avanços na Medicina Veterinária, na indústria de alimentos e produtos farmacêuticos específicos, associados à mudança no status do animal dentro da família, que passou a ser um membro dela”, afirma.

48 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

O envelhecimento reduz a capacidade regenerativa e de compensação orgânica, tornando o animal idoso predisposto a doenças. Por isso a visita ao veterinário e a realização de check-up periódico é de


Pets

Segundo Marcus Fróes, os pets devem visitar o veterinário duas vezes ao ano, sendo uma para a vacinação - que já envolve uma avaliação clínica básica, e outra para uma consulta de rotina. Nesse momento, podem ser solicitados exames laboratoriais como hemograma, parasitológico de fezes, urinálise e exames bioquímicos. Os exames de imagem são solicitados a depender de cada situação, a exemplo de fraturas ósseas, ingestão de corpo estranho, doenças cardíacas, entre outros aspectos apresentados.

De olho nos sintomas Cães idosos e com algum problema de saúde podem apresentar alguns sinais, a exemplo de tosse, cansaço fácil e alteração do período do sono. “Outros sintomas também podem estar presentes e merecem atenção, a exemplo de apatia, falta de apetite, vômito e diarreia”, destaca Marcus.  Outros aspectos que devem ser observados são: a dificuldade em levantar-se, subir escadas, pular, urinar ou defecar, a perda de peso, o aumento no volume abdominal, o aumento na ingestão de água e o aumento no volume urinário. “Algumas vezes, os animais passam a urinar em locais inadequados por estar produzindo um volume urinário maior”, explica Juliana Menezes. Também deve ser visto pelo veterinário o animal que começa a

Freepik

grande importância. Manter as vacinas em dia e o controle de parasitas externos e internos é essencial. “O ideal é que, a partir dos sete anos, cães e gatos façam consultas e exames semestralmente. Muitas doenças são silenciosas e a sua detecção precoce permite uma maior eficácia no tratamento”, ressalta Juliana.

O envelhecimento reduz a capacidade regenerativa e de compensação orgânica, tornando o animal idoso predisposto a doenças. andar em círculos ou a comprimir a cabeça contra a parede. As principais doenças que acometem os animais geriatras são: doença periodontal, artrose, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, câncer, diabetes, catarata, obesidade e até distúrbios neurológicos (síndrome vestibular e disfunção cognitiva). Com frequência, os cães machos não castrados também podem apresentar hiperplasia prostática benigna. Já as cadelas podem sofrer com a piometra, que é uma grave infecção uterina, e tumores mamários.

Viver bem Como os animais idosos perdem massa magra e, frequentemente, têm doenças articulares, o piso liso pode lesionar as suas articulações e agravar a doença articular degenerativa. Uma solução para esse problema pode ser o uso de placas de EVA nos locais

onde eles têm acesso. Muitas vezes, os animais geriatras também perdem ou têm importante redução na visão. Não mudar os móveis de lugar, não permitir o acesso a escadas ou a locais altos pode evitar acidentes. Com o envelhecimento, os animais também passam a se exercitar menos e o seu metabolismo se torna mais lento, o que pode levar a um sobrepeso que tende a agravar ou precipitar doenças. Por isso, a alimentação do pet geriatra deve ser balanceada, ter proteína de alta qualidade,  quantidade reduzida de energia, quantidade reduzida de sódio e adição de nutrientes com propriedades antioxidantes. Hoje em dia, as rações comerciais são formuladas de acordo com as necessidades de cada etapa da vida dos cães e também já é possível realizar a formulação de dietas naturais atendendo às necessidades de cada indivíduo. Outro fator importante é a saúde bucal do pet, que também passa pela escolha da alimentação. Além disso, manter o animal ativo, estimulando-o a brincar e a se movimentar, pode retardar o processo de senilidade. Bem-estar e saúde andam juntos! Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 49


Saúde

Judicialização da Saúde, que fenômeno é esse? Quando duas partes em uma relação contratual encontram um ponto de divergência que não é tratado adequadamente, o caminho da Justiça passa a ser a opção encontrada para resolver o conflito e a solução quase nunca agrada as duas partes. Até aí ok, faz parte do jogo, tudo previsto no Direito Civil. Mas o que está acontecendo com a saúde suplementar? Por que as divergências entre usuários de planos de saúde e as operadoras desses planos estão se tornando ações judiciais, em um número tão grande a ponto de ser considerado um fenômeno que ameaça o sistema de saúde suplementar? Para entender esse fenômeno precisamos conhecer melhor como funciona o sistema de saúde suplementar. Em 1988, com a nova Constituição brasileira, o acesso à saúde passou a ser um direito do cidadão e a garantia desse acesso um dever do Estado. Como o Estado se mostrava incapacitado de cumprir esse dever, a população, que financeiramente podia, passou a procurar a iniciativa privada que passou a atuar como assistente suplementar da saúde através de operadoras de planos de saúde. Essas empresas privadas, através de uma relação contratual, recebem prêmios (pagamentos) e, em contrapartida, oferecem serviços de saúde em rede credenciada para atender às necessidades dos seus usuários. Em 1998, a saúde suplementar foi regulamentada por uma lei específica. Para regularizar, normatizar e fiscalizar a atuação das operadoras de planos de saúde foi criada, no ano de 2000, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 50 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

que funciona no ambiente da saúde suplementar como Legislativo e Judiciário. Com relação às ações por exclusão de cobertura, eu acredito que ocorram com frequência por alguns fatores: o primeiro é um desconhecimento das regras contratuais e do papel da ANS por parte do usuário. É comum quando vamos escolher um plano de saúde observarmos o valor e a rede credenciada. A maioria dos usuários desconhece a existência da ANS e também não se atenta para as regras de reajustes e os serviços cobertos. Muitas ações que pararam na Justiça comum poderiam ter sido evitadas se o usuário tivesse acionado a ANS. A ANS, no seu papel

Para regularizar, normatizar e fiscalizar a atuação das operadoras de planos de saúde foi criada, no ano de 2000, a ANS, que funciona no ambiente da saúde suplementar como Legislativo e Judiciário. regulador, criou um rol de procedimentos obrigatórios, no qual estão todos os serviços básicos que as operadoras de planos de saúde devem oferecer aos seus beneficiários. Elas podem oferecer mais serviços além dos que estão listados nesse rol, mas nunca menos. Aí temos outro grande motivo de judicialização, não que os planos de saúde estejam negando os procedimentos presentes no rol da ANS, mas esse rol de procedimentos é atualizado de maneira muito lenta e novos

Dr. Leonardo Salgado Médico geriatra, gerontólogo e clínico médico tratamentos ficam sem cobertura obrigatória. Quando o médico assistente solicita um tratamento ou um exame que não faz parte do rol da ANS, pode acontecer de não haver cobertura contratual e o pedido ser negado, neste caso é quase certo o caminho da judicialização. Cito o exemplo do Home Care, área em que já trabalho há 16 anos e até hoje não faz parte desse rol. Por outro lado, há uma reclamação pertinente por parte dos planos de saúde, que quando são obrigados pela Justiça a fornecer exames e tratamentos de alto custo não cobertos pelo contrato a análise dos custos fica comprometida, impedindo a operadora de poder precificar adequadamente o seu produto. Pensando na judicialização ampla como está acontecendo, muitos planos passarão por uma situação de não conseguir permanecer atuando devido à insolvência financeira. Para ter coberturas mais amplas, o preço do plano de saúde precisa ser maior, e então voltamos com a judicialização por não entender as bases dos reajustes. Agora, te convido a refletir: você conhece o seu plano de saúde e sabe qual a cobertura oferecida por ele?


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Saúde

Inovação nos hospitais baianos:

o que eles têm a nos oferecer? Hospitais baianos têm empreendido diferentes esforços na tentativa de se manterem atualizados com as constantes mutações na área da Saúde Por Verônica Villas Boas Vaner Casaes/Ag. Bapress

Em algum momento da sua vida, você ou um ente querido já tiveram dúvidas sobre em qual hospital privado deveriam buscar um atendimento. Nesses casos, queremos sempre o melhor tratamento, o mais moderno e eficiente. Os hospitais baianos têm empreendido diferentes esforços na tentativa de se manterem atualizados com as constantes mutações na área de Saúde, com novas pesquisas, equipamentos e procedimentos para aprimorarem o cuidado aos pacientes. A Let’s Go entrou em contato com os maiores hospitais privados de Salvador e questionou sobre a preocupação deles com a inovação e o que eles têm a nos oferecer.

52 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018


Embora o cenário de crise econômica não seja o mais propício para investimentos em inovação, o centenário Hospital Santa Izabel decidiu apostar na reforma e ampliação da sua estrutura de atendimento. Em 2017, novos consultórios foram inaugurados em diversas especialidades médicas no Centro Médico Professor Celso Figueirôa. Além disso, foi implantado o Serviço de Odontologia Hospitalar para pacientes da Oncologia e Cardiologia. “Ampliamos a visão multidisciplinar com foco na segurança assistencial com o serviço que é pioneiro na Bahia”, afirma o provedor da Santa Casa da Bahia, Roberto Sá Menezes. Os pacientes da Oncologia e Onco-Hematologia do Hospital São Rafael passaram a contar com o Edifício D. Luigi Verzè, que também aprimorou o serviço de Emergência. Com consultórios de múltiplas especialidades, ambientação humanizada, UTIs, unidades semi-intensivas e equipamentos de última geração, o hospital se sustenta como um Centro de Excelência na Assistência Integral à Saúde em Média e Alta Complexidade. Outro destaque do hospital é o fato de ser o único particular na Bahia a realizar transplante de medula óssea. O aprimoramento da gestão hospitalar tem sido o caminho adotado pelo Hospital Português. “Esse avanço assistencial, em prol do melhor desempenho do corpo clínico, consequentemente, gerou uma elevação da segurança do paciente, qualidade assistencial diferenciada e melhor eficiência operacional”, declara Vicente Araújo, superintendente médico da instituição, que já tem mais de 160 anos. Segundo ele, com o Modelo de Prontuário Eletrônico do Pa-

Vaner Casaes/Ag. Bapress

Saúde

O Hospital Santa Izabel apostou na reforma e ampliação da sua estrutura de atendimento. Novos consultórios foram inaugurados e foi implantado o Serviço de Odontologia Hospitalar.

ciente, a segurança, a eficiência e a rentabilidade foram ampliadas. Além disso, o hospital está na elite global da saúde brasileira e internacional ao não utilizar o papel no registro médico.

Emergência Novos leitos e a ampliação da capacidade de atendimento do número de pacientes por dia de 150 para 250 foram alguns dos resultados da ampla reforma na Emergência do Hospital Aeroporto. O novo espaço mantém uma ligação com o Centro de Diagnóstico, onde são realizados exames de imagem, o que acelera todo o processo de atendimento.

A nova Emergência do Hospital São Rafael no Edifício D. Luigi Verzè aposta no aprimoramento dos processos assistenciais e na facilitação do fluxo e agilidade do atendimento para oferecer bem-estar aos pacientes. “O paciente pode acompanhar todas as etapas do seu atendimento e gerenciar os seus tempos”, explica a médica infectologista e gerente médica da unidade, Ana Verena Mendes. Para facilitar o atendimento de pacientes com suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC), um neurologista está sempre presente na UTI Neurológica, além disso, uma equipe multidisciplinar especializada auxilia na recuperação do paciente. No Santa Izabel, a estratégia foi reorganizar internamente os seus processos no setor de Emergência e no Centro Cirúrgico, mantendo os mesmos recursos, infraestrutura e mão de obra. Tudo isso aconteceu a partir da aplicação da metodologia Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 53


Saúde

Lean que ampliou a eficiência da instituição com o projeto Giro de Leitos. De acordo com o diretor técnico assistencial do Hospital Santa Izabel, Ricardo Madureira, os principais resultados da iniciativa se refletem na redução do tempo de liberação dos leitos cirúrgicos em 30%, além da diminuição do tempo entre o atendimento de pacientes de emergência e a tomada de decisões em 70 minutos.

Inovações tecnológicas A aquisição de novos equipamentos para diagnósticos de doenças também é um esforço empreendido pelos gestores dos hospitais. No Hospital Aeroporto, um novo aparelho de ultrassom de última geração, o Voluson E10, é capaz de realizar imagens 3D/4D, com precisão, velocidade e excelente resolução. Com o equipamento, é possível identificar endometriose profunda, o tipo mais grave da doença, além de captar imagens tridimensionais e em tempo real de bebês, o que permite ver detalhadamente a fisionomia e estruturas de formação do feto, como coração, coluna e membros. Outro investimento da unidade foi no OCT Triton Plus, um equipamento para o serviço de Oftalmologia que facilita a avaliação precoce de doenças na retina e lesões no nervo ótico causadas pelo glaucoma. Para pacientes com quadros infecciosos, o Hospital São Rafael adquiriu um aparelho de microbiologia, o MALDI-TOF, 54 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Divulgação

O aprimoramento da gestão hospitalar tem sido o caminho adotado pelo Hospital Português.

GUIA DE HOSPITAIS PRIVADOS EM SALVADOR BAIRRO CARACTERÍSTICAS E INOVAÇÕES INSTITUIÇÃO São 87 leitos e mais de 20 especialidades. Atende aos principais planos de saúde. Nova Emergência, consultórios, centro cirúrgico e equipamentos de exame por imagem e do serviço de Oftalmologia.

Hospital Aeroporto

Aeroporto

Hospital Agenor Paiva

Bonfim

Hospital Aliança

Rio Vermelho

Recentemente conquistou a certificação máxima da ONA e QMentum Internacional (Diamante). Atende aos maiores planos de saúde.

Hospital da Cidade

Caixa d’Água

São 110 leitos de internação e capacidade de realização de cirurgias em todas as capacidades. É um dos referenciados do plano Promédica.

Hospital COT

Canela

Especializado em politraumatizados. São 66 leitos entre quartos, enfermarias e UTIs. Atende a diversos planos de saúde.

Hospital da Bahia

Pituba

Novo prédio de 19 andares e 230 leitos, totalizando 570 leitos de internação. Novo centro cirúrgico, Emergência, novos equipamentos e um heliponto 24h. Atende aos principais planos de saúde.

Hospital Evangélico da Bahia

Brotas

Atende aos principais planos de saúde e realiza atendimento e cirurgias em diversas especialidades e complexidades.

Hospital Jorge Valente

Rio Vermelho

São dois centros médicos e uma unidade hospitalar com 130 leitos. Atende aos principais planos de saúde.

Possui 144 leitos. Atende ao plano Promédica. Oferece serviços em diferentes especialidades.


Saúde

Divulgação

Novos leitos e a ampliação da capacidade de atendimento do número de pacientes por dia, de 150 para 250, foram alguns dos resultados da ampla reforma na Emergência do Hospital Aeroporto.

INSTITUIÇÃO

BAIRRO

CARACTERÍSTICAS E INOVAÇÕES

Hospital Português

Barra

São 163 apartamentos e 98 enfermarias, além de 10 salas cirúrgicas. O hospital possui um Manual de Ética e Compliance. Atende aos principais planos de saúde e oferece o serviço Ambulatório Vida Saudável, para o acompanhamento preventivo e atendimentos de baixa complexidade a preços populares para clientes cadastrados no programa da instituição e que não possuem plano de saúde.

Hospital Prohope

Cajazeiras

Oferece um clube de vantagens que possibilita descontos nos serviços oferecidos pelo hospital. São 132 leitos e atendimento em diversas especialidades. Atende aos principais convênios.

Hospital da Sagrada Família

Monte Serrat

Hospital Salvador

Federação

Hospital Santa Izabel

Nazaré

Hospital Santo Amaro

Federação

Atende a vários planos de saúde e várias especialidades. São 139 leitos e atendimentos em diversas especialidades. Atende aos principais planos de saúde. Novos consultórios e certificações nacional e internacional. Uso do WhatsApp para a marcação de consultas e exames, além de novos aplicativos para facilitar o acesso à informação pelos pacientes e por médicos. Oferece atendimento em diversas especialidades e complexidades nos principais planos de saúde. Atende aos principais planos de saúde e várias especialidades.

Hospital São Rafael

São Marcos

Novas estruturas, equipamentos, certificação ONA, uso do Whatsapp para agendar consultas e exames e para a entrada na pré-internação. Realiza transplante de medula óssea e pesquisas com células-tronco. Atende aos principais planos de saúde.

Hospital Teresa de Lisieux

Itaigara

Atende exclusivamente os beneficiários do plano Hapvida.

que permite a identificação de micro-organismos em culturas com o máximo de precisão. “O equipamento permite o ganho em tempo de até 48h, favorecendo a resolutividade do tempo de internação e o resultado assistencial dos pacientes”, calcula Ana Verena. As ferramentas digitais também têm sido exploradas pelos hospitais para facilitar a comunicação com os seus pacientes. O São Rafael passou a utilizar o aplicativo WhatsApp e agora os pacientes podem usar a ferramenta para a marcação de consultas e exames, bem como para a realização de pré-internação hospitalar, assim como quem busca atendimento no Santa Izabel e tem convênio. No hospital administrado pela Santa Casa, aplicativos exclusivos foram adotados para melhorar a rotina hospitalar. O “Mobile Care”, voltado para os médicos e o “Meu Santa Izabel” têm várias funcionalidades como o acesso ao resultado de exames, tempo médio de espera na Emergência, histórico de atendimento, entre outros. Além destes, o Medt, concebido em 2017, vem sendo usado por médicos do centro cirúrgico para facilitar a comunicação com a equipe e melhorar a rotina de trabalho e fluxos de serviços. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 55


Saúde

Divulgação

O Hospital São Rafael se destaca pela certificação Nível 3 da ONA, além de ser o único no Norte-Nordeste com distinção no Protocolo de TEV e certificado de qualidade pela Sociedade Europeia de Medicina Nuclear.

Novos processos e certificações Nem somente com novas tecnologias um hospital pode inovar em seu atendimento e melhorar a assistência ao paciente. Em tempos de crise ética, não apenas na política, mas em vários âmbitos da sociedade brasileira, investir em programas de compliance também é uma decisão importante para aprimorar práticas. No Hospital Português, o Manual de Ética e Compliance cataloga recomendações de conduta para os seus funcionários no dia a dia e em casos excepcionais. Entre os temas estão o relacionamento com os pacientes, familiares e acompanhantes, com colegas de trabalho e instituições externas, com fornecedores, parceiros e com a própria instituição, além do uso adequado e seguro da internet, de 56 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

e-mail e mídias sociais. O São Rafael se destaca pela certificação Nível 3 da Organização Nacional de Acreditação (ONA), além de ser o único no Norte-Nordeste com distinção no Protocolo de Tromboembolismo Venoso (TEV) e certificado de qualidade pela Sociedade Europeia de Medicina Nuclear. Mas o que significam estas certificações? Segundo Ana Verena, elas indicam um aprimoramento, a inovação em gestão e a qualidade assistencial por parte de processos executados pelos funcionários, de modo estratégico e planejados com foco na qualidade, segurança, sustentabilidade e experiência do paciente. O novo superintendente de Saúde da Santa Casa da Bahia, Robério Almeida, destaca a reacreditação da instituição em nível máximo de excelência pela ONA – menos de 3% das unidades de Saúde no Brasil possuem esse

selo – e a busca pela certificação internacional da QMentum Internacional, do Canadá. “Ela orienta e monitora os padrões de alta performance em qualidade e segurança; além de utilizar critérios validados mundialmente”, explica Robério. O processo dura até dois anos. O Português já conquistou a certificação internacional QMentum e agora comemora as melhorias nas rotinas e metodologias de trabalho. Além disso, a instituição tem o selo da ONA, e é o primeiro hospital digital da Bahia Nível 6 da certificação EMRAM pela adoção do Prontuário Eletrônico do Paciente. Os desafios impostos às instituições de Saúde por uma sociedade cada vez mais conectada e com cidadãos cientes dos seus direitos não param por aí. Além de inovações na estrutura física, recursos humanos, tecnologia e processos, é preciso pensar adiante. Os hospitais precisam estar preparados para o perfil de pacientes do século XXI, com mais acesso à informação, mais questionadores e que acionam até o judiciário por situações que antes passavam despercebidas. Algumas instituições de Saúde já estão prontas para esse novo paciente. Outras precisam correr e inovar.


Saúde

Instituto Sócrates Guanaes: formando gente para cuidar de gente Promover saúde por meio da educação - é este o propósito do ISG Por Marília Simões A data era 13 de julho de 2000. Século novo. O desejo de mudanças e de inovações pairava nas mentes. O médico André Mansur Guanaes, visionário, incansável empreendedor e inovador quando se trata de servir à população, por meio da Medicina, criava o Centro de Estudos e Pesquisa Sócrates Guanaes. O Centro nasceu independente, funcionando inicialmente nas dependências do Hospital da Cidade, o seu primeiro parceiro, que funcionava na Caixa d’Água, bairro de baixa renda, em Salvador. Também criado por ele, com a ideia de levar qualidade e eficiência na área de Saúde para uma comunidade menos favorecida. O Centro cresceu e ganhou vida própria, tornando-se o Instituto Sócrates Guanaes. Uma Organização Social de Saúde, reconhecida como de utilidade pública, que tem a educação 58 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

como a sua mola propulsora. O ensino e a pesquisa são as suas ferramentas. E a sua gestão, em unidades públicas da área médica, é o meio para promover saúde com eficiência, do jeito que a população precisa e merece. Assim, o ISG realiza a sua parcela de contribuição para a tentativa de melhoria em um sistema de saúde caótico, em um Brasil que está um caos! Atuando em nove Estados brasileiros, como Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás, e trabalhando para atuar em mais seis, o ISG disponibiliza às unidades onde assume a gestão algumas frentes de trabalho. São elas: programa de atenção básica à saúde, ensino e desenvolvimento profissional, consultoria, treinamento e simulação em saúde. Nas suas atuais gestões, o ISG está gerindo R$ 43 milhões/ mês de recursos de terceiros, 3.046 colaboradores, 507 leitos e sete unidades de saúde.

A criação e o criador Formado em Medicina, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1986, e com um currículo rico de especializações em grandes centros de referência médica, nacionais e internacionais, André Guanaes tem vasta experiência nas áreas de Saúde Pública e Privada e no 3º Setor. “Eu sempre acreditei que a educação é a base para a qualidade, e mais do que isso, é um elemento de eficiência. Fazer mais com menos é responsabilidade social. Todos nós temos a obrigação de ser eficientes. Sou um entusiasta. Apaixonei-me por esta causa e isto me faz lutar pela saúde pública, levando agilidade à área”, explica Guanaes. Educação, paixão, luta, saúde, trabalho, qualidade, eficiência, agilidade, parceria, meritocracia e transparência são ingredientes que fazem do Instituto Sócrates Guanaes um case de


Saúde sucesso em Gestão Privada, na área de Saúde Pública.

Sócrates Guanaes O Instituto leva o nome de Sócrates Guanaes, pai de André, em uma justíssima e merecida homenagem ao médico baiano, renomado, respeitado, muito querido e reconhecido internacionalmente. Décimo dos 11 filhos do vaqueiro Joaquim Gomes da Silva e de D. Sofia, Sócrates nasceu em 1933, na região de Remanso, do Rio São Francisco. “A origem do nome de meu pai foi em função das leituras que meu avô Joaquim fazia. Apesar de ser um homem de origem humilde, ele gostava de Filosofia e lia muito Sócrates”, conta André Guanaes. E continua ele, narrando o conselho dado de pai para filho: “Sócrates era um ‘paridor’ de ideias. Meu filho, vá lá e cultue a sabedoria, cultue parir ideias”. Filosofava “Seu” Joaquim, incentivando o filho. E Sócrates foi lá e o fez. Chegou à capital, Salvador, aos 24 anos. Aos 30, es-

tava formado em Medicina, casado com a engenheira Esmeralda Mansur, uma das primeiras engenheiras da Bahia, sua companheira de toda uma vida, e já era pai de três filhos: Nizan, Joaquim e André. Depois veio Joca, o caçula. Entre Nizan e Joaquim, nasceu Sócrates Filho que, infelizmente, veio a falecer. Dr. Sócrates foi um homem que viveu para a família. Ele e a esposa nunca mediram esforços para investir na boa educação dos filhos, proporcionando-lhes uma excelente escola, oportunidade de fazer intercâmbio, de frequentar boas universidades e cursos de especialização. Ética, união e crença em Deus foi um tripé passado para os quatro irmãos Guanaes pelos seus pais, que tinham o trabalho como elemento dignificador do homem. Os exemplos de sucesso profissional, vistos em casa, foram suficientes para cada um escolher a sua profissão, com paixão e decisão própria. A liberdade de escolha dos filhos, quanto às suas

carreiras, era respeitada pelo casal Guanaes. E deu certo! André Guanaes conviveu apenas 17 anos de sua vida com o pai, que faleceu de forma muito precoce, aos 45. Mas o suficiente para ser um grande mestre. “Ele faleceu no ano em que eu faria vestibular. Não teve o prazer de me ver entrar na faculdade de Medicina. Nem eu tive o prazer de tê-lo como professor na UFBA, mas o tive como o meu primeiro mestre na vida”, revela André Guanaes, filho e colega de profissão de Dr. Sócrates.

Maioridade do ISG No último dia 13 de julho, o Instituto Sócrates Guanaes completou 18 anos. Tempo suficiente para somar números positivos na prestação de serviços médicos na saúde pública. Um simpósio foi organizado para celebrar a data. “Tem homens que sonham. Tem homens que agem. Quando eles conseguem conciliar as duas coisas, a história avança”, cita André, frase do primogênito Nizan, que, para ele, melhor sintetiza o médico Sócrates.

Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 59


Oncologia Integrativa:

o paciente como protagonista do seu tratamento O câncer é uma das doenças que mais acomete a sociedade atualmente e é considerada a principal causa de morte em 10% das cidades brasileiras. Com o avanço da Medicina na área da Oncologia, as chances de cura estão cada vez maiores e o tratamento vem sendo mais ameno e individualizado. Apesar de comum, ainda é uma doença muito temida. Grande parte da população tem alguém na família, amigos ou conhecidos próximos que já vivenciaram algum tipo de câncer. É importante que percebamos que as pessoas que têm o diagnóstico da doença retomam as suas vidas e, muitas vezes, aprendem, após a doença, a se enxergarem de uma maneira diferente. Dar um novo significado à vida é uma grande oportunidade quando se passa por um momento difícil como o do diagnóstico de um câncer. Isso é possível a partir do momento em que a pessoa deixa de se questionar o porquê aquilo está acontecendo com ela e se pergunta “para quê”? Talvez uma “parada” na vida sirva para uma grande e necessária reflexão. Assim, vemos, na prática, como muitas pessoas que estavam se deixando levar pela vida, sem parar para olhar para si mesmas, de repente conseguem ver o momento da dificuldade como um aprendizado. Aprende-se a dar valor às coisas que realmente importam, aprende-se a dar valor àquelas 60 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Dra. Renata Cangussú Médica oncologista e membro da American Society of Clinical Oncology (ASCO)

pessoas que estiveram ao seu lado naquele momento. Essa reflexão certamente mostrará que o amor-próprio é a chave para poder ser feliz, independente de qualquer doença que tenha aparecido no seu caminho. Por isso é importante fazer a sua parte ao decidir por mudar antigos hábitos, que, hoje, estão claramente relacionados com a qualidade de vida.

“Movimentar-se regularmente é essencial e deve ser feito sempre em conjunto com bons hábitos alimentares

Separe uma hora de seu dia para se exercitar. Além de prevenir doenças crônicas, regular o sono e aumentar a imunidade, os exercícios trazem mais energia, mais disposição e a melhora do humor. O ideal é que o exercício físico seja praticado, pelo menos, cinco vezes e 150 minutos por semana, uma combinação de exercícios aeróbicos e exercícios de força. Mas o mais importante é encontrar uma atividade que

te traga prazer, tornando possível a sua assiduidade. Para quem já teve câncer, recentemente foi apresentado um estudo científico que confirmou os benefícios da atividade física, que não apenas reduz os efeitos colaterais induzidos pelos tratamentos oncológicos, mas também é capaz de diminuir a mortalidade por todas as causas e evitar a recidiva da doença em 40%. Movimentar-se regularmente é essencial e deve ser feito sempre em conjunto com bons hábitos alimentares. Nós somos, cada vez mais, as escolhas alimentares que fazemos todos os dias. Ter uma alimentação equilibrada, evitar alimentos industrializados, reduzir a ingesta de álcool e carnes vermelhas e aumentar o consumo de frutas, fibras, verduras e legumes são as principais recomendações e devem ser incentivadas. Ao pensar em qualidade de vida para quem está vivendo esse turbilhão de emoções ou já superou tudo isso é de extrema importância que se foque em aprender alguma técnica para o controle das emoções, como yoga, meditação ou atenção plena. Assuma as rédeas da sua vida, ser paciente não significa ser passivo, boa parte de como a vida seguirá após o câncer dependerá de como você vai se reinventar após essa fase. Ame-se, reinvente-se!


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Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 61


Spot

De que lado

você está? A história das civilizações é marcada por divisões. Divisão de raça, classe social, religião, gênero. O Brasil sempre notou, reconheceu e potencializou os extremos. No período mais recente, especialmente com o último impeachment presidencial, a nação ficou dividida em dois polos: os do contra e os a favor. Faz sentido ter só o homem e a mulher, o pobre e o rico, o novo e o velho? Há pouco mais de um ano, a Revista ISTOÉ trazia a reportagem especial “Um país de contrastes”. O texto abordava paradoxos: “O Brasil tem um dos piores índices de desenvolvimento humano da América Latina, mas ocupa uma posição de destaque entre as nações mais felizes do mundo”. Se vivemos em uma nação repleta de contradições, será um equívoco não ter uma opinião formada? Por que temos que ter um só lado? Por que não podemos estar na coluna do meio? Tais reflexões servem para a nossa vida pessoal e convívio em sociedade, em comunidade. Mas também são importantes para o ambiente da mídia e o mundo dos negócios. É claro que os denominados “nichos de mercado” continuam existindo, no entanto, agora, no mundo moderno, eles se ampliaram, 62 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

assim como também deve ser ampliado o nosso olhar. Há alguns anos, a classificação de gênero se resumia a masculino e feminino. Em 2014, o Facebook passou a oferecer aos seus usuários nos EUA um leque muito mais amplo de opções com as quais alguém pode marcar o seu gênero em seu perfil – das duas que estavam disponíveis nos últimos dez anos agora há 56!

A velocidade dos acontecimentos traz uma pluralidade sem precedentes a todos os nossos sentidos e à nossa inteligência (que não é artificial!). Antes falávamos em apenas três setores: o Estado, como primeiro setor; o Mercado, como segundo setor; e a Sociedade Civil, como terceiro setor. Já há algum tempo, alunos da faculdade de Jornalismo ouvem professores defendendo que a imprensa é um quarto poder; nos cursos de

Diego Oliveira CEO da Youpper

Comunicação mais recentes já se adota o conceito de que a tecnologia é o poder do futuro. E no mundo do ecossistema de impacto social, terceiro setor divide espaço agora com o setor 2.5, no qual aspectos sociais se somam a objetivos econômicos, pois se trata do setor da economia que interliga as atividades sociais e ambientais com a lucratividade, de forma inclusiva. Ele é considerado um intermediário entre o segundo e terceiro setores, sendo formado, portanto, por empresas que, em sua constituição jurídica, têm, ao mesmo tempo, fins lucrativos e objetivos sociais inclusivos. Ou seja, é o setor privado movido pela consciência social e ambiental, cujos novos empreendimentos são chamamos de Startups 2.5. Enfim, são tantas as transformações, tantas informações, tantas repercussões; a velocidade dos acontecimentos traz uma pluralidade sem precedentes a todos os nossos sentidos e à nossa inteligência (que não é artificial!). Com tantas opções, será que eu realmente tenho que escolher apenas uma? E você, de que lado está?


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Fotografia e tecnologia:

“Hay que cambiar, pero sin perder la ternura jamás!” Quando o homem foi à Lua pela primeira vez, os astronautas norte-americanos contavam com um computador que, em capacidade de processamento, equivalia a uma calculadora científica e, dentro desse contexto, a tecnologia daquela época era capaz de um feito extraordinário. Vejo, hoje, os adolescentes trocando de smartphone a cada seis meses e reclamando que os mesmos estão obsoletos. Mal sabem eles que, com muito menos, se pôde mudar o mundo e que eles têm nas palmas das mãos milhares de vezes a capacidade de processamento do Apollo Guidance Computer (AGC), o computador da nave que conduziu aqueles astronautas. Começo falando da tecnologia e não sobre fotografia por um motivo simples: nos últimos 20 anos, eu pude ver a tecnologia dominar a luz, o som, a imagem, a vida, em muito pouco tempo, e de forma irreversível. Testemunhei a mudança do filme para o processo digital e por estar dentro dessa mudança eu ouvia muitos mestres da fotografia dizerem que jamais seria possível ter um arquivo digital com a qualidade de um cromo. Bem, não demorou muito a mudarem essa ideia. Penso até que foi preciso eu mesmo me convencer de que era urgente, mas, de certa forma, eu sabia que era uma mudança perigosa e pouco poética. Mesmo assim, defendia a nova tecnologia e seguia com 64 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Erik Salles Administrador e publicitário de formação e fotógrafo de coração

o discurso de que ainda seria preciso ter atrás das câmeras a sensibilidade e a capacidade de observar, a agilidade do instante perfeito e a habilidade para manipular o equipamento para conseguir registrar uma boa foto.

É preciso estar atento para o poder das imagens, são elas que emocionam, dividem opiniões, que vendem; são elas que guardam o passado e ditam a tendência do futuro

De certa forma, eu estava “completamente certo” ou “em parte” ou “talvez não”. No ano 2000, foram produzidas 86 bilhões de fotos em todo o mundo, sendo digitais apenas 1% desse montante, já em 2011 o número passou de 400 bilhões e apenas 1% era de fotos analógicas. Hoje, se produz, a cada minuto, mais fotos do que todas as imagens produzidas no século XIX. São mais de 80 milhões de fotos postadas por dia em apenas uma das inúmeras redes sociais disponíveis na web, com mais de 2 trilhões de imagens compartilhadas a cada 12 meses, por smartphones.

A tecnologia tornou a fotografia fácil, rápida, acessível e ilimitada. As pessoas fotografam de tudo e postam em suas redes sociais, mas só uma pequena parte dessas fotos é realmente utilizável, foi feita com controle da luz, tirada de forma consciente, com sensibilidade. A grande maioria é lixo digital, e isso não vai parar. No contexto da comunicação, rápida e precisa, a boa imagem é o ponto de partida para a leitura de um artigo, matéria, comentário ou o que seja. Ela é que abrirá o apetite do leitor para a busca da informação complementar. É preciso estar atento para o poder das imagens, são elas que emocionam, dividem opiniões, que mantêm amigos unidos, que vendem; são elas que guardam o passado e ditam a tendência do futuro. A tecnologia floresceu, deu frutos, mudou o mundo, a comunicação, as pessoas, a forma de trabalhar, de se relacionar, de viver. “Hay que cambiar, pero sin perder la ternura jamás”. Sim, a mudança é bem-vinda, é útil se bem coordenada, não há como voltar atrás, temos que nos adaptar a ela. Pense quando for fazer a sua próxima foto. O que ela significa para você? Quais pessoas ela atingirá? Que consequências acarretaria a sua postagem em uma rede social? Talvez nunca ter pensado nessas questões te faz apenas ver a foto e não olhar a imagem.


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Life Style

Viver Fluido O mercado imobiliário internacional está superaquecido com a entrada de milhares de brasileiros que, há cerca de 10 anos, têm se tornado um dos públicos-alvo de empreendimentos nos Estados Unidos e na Europa. O fato interessante é que muitos têm se deparado com o padrão de planejamento que em nada se parece com os lançamentos semelhantes em termos de padrão no seu país de origem.

“Histórias afroatlânticas”, no MASP e no Instituto Tomie Ohtake (SP) “Histórias afro-atlânticas” dá o tom do programa de exposições do Museu de Arte de São Paulo (MASP), que explora, ao longo de 2018, narrativas relacionadas ao continente africano e às suas raízes nas Américas – trazendo trabalhos de artistas como Maria Auxiliadora, Sonia Gomes e Melvin Edwards. A coletiva, que também acontece no Instituto Tomie Ohtake, reúne mais de 400 obras, cobrindo cinco séculos, com cerca de 210 artistas nacionais e internacionais, de períodos e contextos diversos. De 29 de junho a 21 de outubro, no MASP, e de 30 de junho a 21 de outubro, no Tomie Ohtake.

Divulgação

O viver do homem do século XXI exige que o mesmo esteja habilitado a cuidar da própria vida com mais versatilidade, aproveitando cada metro quadrado da sua moradia, sem desperdiçar espaços com funções restritas e obsoletas. Espaços dedicados à exclusividade funcional estão fadados a desaparecer. Um exemplo disso é o que a televisão representou e, atualmente, representa para a vida contemporânea. Os espaços integrados, em que a área social assume diversos “papéis”, são a nova ordem. O viver inteligente, fluido e bem vivido!

Exposições imperdíveis para os meses mais frios

Obra de Cândido Portinari que estará exposta na mostra “Histórias afro-atlânticas”, a mais ambiciosa já feita pelo MASP 66 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Adriana Cravo Relações Públicas

Jordi Burch, na Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre) Para comemorar os 10 anos de construção do edifício onde funciona, em Porto Alegre, a Fundação Iberê Camargo inaugurou a exposição “As Durações do Rastro”, do fotógrafo espanhol radicado em Portugal Jordi Burch. Na mostra, o artista exibe imagens de conjuntos habitacionais em diversas cidades da Europa projetados pelo arquiteto Álvaro Siza – homenageado na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2016. De 16 de junho a 5 de agosto.

Julia Kater, no Museu Oscar Niemeyer (Curitiba) Após expor na sede paulistana da SIM Galeria, a artista Julia Kater ganha agora uma exposição individual no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Com curadoria de Paulo Miyada, “Breu” apresenta obras que propõem pautas baseadas na pesquisa de Kater enquanto artista e pedagoga – como a instalação “Desenhos Livres sobre Temas Impostos” e o vídeo “Breu”, que dá nome à exposição. De 7 de junho a 16 de setembro.


Christian Cravo, na Caixa Cultural (Salvador) O fotógrafo brasileiro Christian Cravo, com inúmeras exposições fotográficas, abrirá a exposição “Mariana”, com lançamento do livro homônimo no dia 14 de agosto, no Conjunto Cultural da Caixa. Em novembro de 2015, Cravo partiu para Minas Gerais para ver e sentir o que aconteceu em Mariana. Partindo de Belo Horizonte, uma estrada de terra o levou para o distrito de Bento Rodrigues, o epicentro do desastre, a fim de fotografar as suas ruínas e registrar um importante movimento na documentação da dor e do descaso. A mostra e a publicação do livro, na visão do artista, “são uma maneira de dizer aos que perderam entes queridos que a vida deles tem valor. Vale o esforço da memória e do luto de uma nação inteira”. De 14 de agosto a 22 de outubro.

A Paulo Darzé galeria de arte, referência nas artes na capital baiana, apresenta a exposição “Orixás”, do antropólogo e fotógrafo Pierre Verger, que documentou como poucos a cultura baiana e as suas matrizes africanas. Verger, nascido na França, adotou a Bahia como sua terra após viajar o mundo registrando diferentes culturas. A mostra conta com 55 fotografias e tem como tema central o candomblé. Quem assina a curadoria é Thais Darzé. De 17 de julho a 18 de agosto. Divulgação

Fotos: Christian Cravo

Pierre Verger, na Paulo Darzé Galeria (Salvador)

Felippe Moraes, na Caixa Cultural Fortaleza (Fortaleza) Expoente na produção contemporânea, o artista carioca Felippe Moraes apresenta a mostra “Imensurável”, na Caixa Cultural Fortaleza. A exposição é um panorama da produção de Moraes e traz, aproximadamente, 40 obras que se utilizam da Engenharia, Matemática, Química, Geometria e Alquimia para discutir questões poéticas sobre a existência e a transcendência da matéria. De 9 de junho a 12 de agosto. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 67


Destaque

Seuilsom volta ao cenário musical em grande estilo Por Luciana Accioly

A irreverente Bandha Ah, sob o comando do vocalista Kleber Wilson, composta pelos músicos da banda Acadêmicas, foi sucesso na década de 1990, sendo destaque nos carnavais e micaretas de Salvador à frente do bloco homônimo, que durante anos foi o 68 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Fotos: Jotta

Inspirada no mote desta edição, a Let’s Go Bahia traz nesta seção uma figura emblemática do cenário musical da Bahia, Seuilsom, que, mais uma vez, está se reinventando e retorna aos holofotes em grande estilo.


Destaque primeiro a entrar na avenida e a agitar a galera, e que, agora, com um projeto totalmente inovador e repaginado, volta ao cenário da música baiana com força total. No Carnaval deste ano, a banda fez a festa de milhares de foliões em diversos camarotes no circuito carnavalesco, como Harém, Oceania e Nana, e se prepara para subir ao trio novamente em 2019, reativando o Bloco Acadêmicas terça e sábado de Carnaval. “Seuilsom é um personagem vestido de música. Eu acredito muito na força da música e isto é o mais importante; a qualidade musical, os arranjos são o diferencial do projeto”, definiu o vocalista. Com Seuilsom é sempre festa, música para todos os gostos, e a banda possui um repertório eclético, cantando desde grandes sucessos da Bahia ao forró, como o CD recentemente lançado chamado “Forró de Seuilsom”, e, é claro, com músicas autorais, como “Coração que Bate”, que já tem mais de quarenta mil visualizações no YouTube. “O trabalho só tem personalidade se tivermos as nossas próprias músicas”, conclui o músico. A reinvenção proposta pela música de Seuilsom inclui modernidade e adequação, com elementos musicais como mashups, samplers e recursos tecnológicos utilizados por DJs, o que não se via há anos. “Com isso, a ideia é trazer para o nosso som esses elementos e fazer com que essa tecnologia nos sirva, para que possamos levar para o público um som mais limpo, atual, com qualidade e sem ruídos”, afirma o vocalista.

Segredo do Sol Recentemente, Seuilsom lançou o projeto “Segredo do Sol”, uma festa com o repertório inspirado nas músicas da novela da Globo

Parceria com Durval Lelys Seuilsom conta que a música “Entre a Lua e o Mar”, de sua autoria, foi criada após o Carnaval, em um momento de descontração em casa. Compôs o hit em dez minutos e, segundo ele, foi “uma inspiração divina”. No dia seguinte, fez o arranjo juntamente com o produtor musical Rafael Gruetzmacher e, então, procurou Durval Lelys para gravá-la no estúdio. Foi aí que nasceu essa parceria. Quando Durval ouviu a música ficou “amarradão” e quis participar da gravação junto com Seuilsom. “Descalço eu caminhava na areia e percebi o seu brilho lá no céu A sua luz aqui tudo clareia e a sua cor se espalha por todo ar E foi assim que o mar te conheceu e ele então compreendeu que era longe demais e entendeu que não podia te tocar só podia te admirar Essa é a lenda do amor entre a lua e o mar!”

ambientada na Bahia, “Segundo Sol”, e grandes sucessos da música baiana nos carnavais de Salvador. A Duo Machine esquentou a pista na abertura do evento, apoiado pela Let’s Go Bahia, só para convidados. Para completar a festa, Seuilsom contou com convidados especiais como o cantor e compositor Durval Lelys, ex-vocalista da banda Asa de Águia; André Macedo, do trio Amandinho, Dodô e Osmar, entre outros. O evento aconteceu no dia 15 de junho, na Mundi Music Bar, e o músico já mandou avisar que a agenda está bombando e que o “Segredo do Sol” continua como uma aposta para o verão de Salvador, que contará sempre com convidados importantes do cenário musical. QUER SABER O QUE SEUILSOM ANDA APRONTANDO POR AÍ? É SÓ FICAR LIGADO: www.seuilsom.com.br www.facebook.com/seuilsom www.instagram.com/seuilsom

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Capa O teatro nada mais é do que a sinceridade, por mais paradoxal que isto possa soar. A emoção de cada um determina a mais alta das cadências. Textos, cenário, iluminação e figurino se tornam coadjuvantes diante da complexidade do universo de sentimentos do ser humano. Sonhos, ambições, medos, gozos e a gentil arte de servir ao público se misturam ao distinto som da terceira campainha. Há trinta anos em cartaz, a Companhia Baiana de Patifaria é um celeiro de talentos que atravessou e atravessa gerações - a sua, a minha e a de milhares de famílias pela Bahia e pelo Brasil. Por três décadas, então, esses mais de 18 rapazes têm se mantido, elegantemente, em cima do salto, trazendo à vida o cotidiano da cidade e do Estado, sob rostos que nos fazem acreditar, nem que seja pelo perdurar do espetáculo, na esperança do riso e na honestidade dos aplausos. Ao longo dos anos, a companhia vem tornando as nossas mentes mais abertas.

Há 30 anos, a Companhia Baiana de Patifaria não se cansa de se reinventar Por Matheus Pastori de Araújo

Fanta e Pandora, a icônica dupla eternizada por Lelo Filho e Frank Menezes, inauguraram no teatro baiano moderno alguns dos mais reconhecidos locais de fala da cultura deste Estado. Ao leitor que possa acreditar que exagero, desafio: encontre em sua família ou em seu grupo de amigos um sequer que não tenha visto “A Bofetada”. Da esquerda para a direita estão: Marcos Barretto, Lelo Filho, Rodrigo Villa, e Mário Bezerra

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Diney Araujo/Divulgação

Da esquerda para a direita estão: Lelo Filho (Fanta Maria), Mário Bezerra (Eleonora), Marcos Barretto (Vânia Leão) e Rodrigo Villa (Dirce Mendonça)

Ela é a nossa cara! É a nossa cara não só pelos jargões, pelos bordões, pelas referências diversas aos bairros folclóricos de Salvador, tampouco apenas por se tratar de atores baianos. “A Bofetada” tem em si o espírito inquieto e debochado, com a quentura e a picardia da terra de Gregório de Mattos. Com a obra que nasceu com a companhia, a Bahia se reflete nos sotaques, na irreverência, na audácia e na displicência. Não que sejamos audaciosos e displicentes ao ponto de nos desabonarmos, mas sim de vivermos no que se pode ter como felicidade plena: livres de amarras. Foi em 24 de novembro de 1988, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves. Naquele dia, estreava o que viria a ser um dos maiores sucessos do teatro baiano moderno, com mais de dois milhões de espectadores em todo o território nacional. “Não tínhamos plateia na sala de ensaio e, faltando duas semanas para a estreia,

Não faço teatro para mim ou para os meus. O poder do que fazemos em equipe é gigante. Nas entrelinhas de cada fala de nossos personagens há algo importante sendo dito. Os nossos espetáculos acompanham a mudança dos tempos LELO FILHO

o esquete quase foi cortado. Praticamente, imploramos a Fernando Guerreiro para estrearmos e ver o que aconteceria. Todo esse empenho e construção minuciosa dos personagens e, claro, o maravilhoso texto de Miguel Magno e Ricardo de Almeida nos deram a chance de entrar em cena. Percebemos que Fanta e Pandora já eram um sucesso

em seu primeiro contato com a plateia”, relembra Lelo Filho, ator e diretor de “A Bofetada”. A Let’s Go Bahia acompanhou o último dos espetáculos da primeira temporada de A Bofetada, em 2018, no Teatro ISBA. Marcos Motta, o produtor-executivo da peça, nos levou aos camarins. Lá, sob o curioso reger do silêncio da concentração do elenco, acompanhamos desde a maquiagem ao último aplauso daquele domingo à noite. Muitos perguntariam, então, qual é o segredo por trás dos cenários e da fantasia. Eu responderia que não há segredo algum, senão a habilidade e a técnica de uma equipe harmonizada e compassada nos mais precisos segundos e momentos. A troca de figurinos e a movimentação do elenco de um lado a outro do palco são feitas com a espontaneidade da experiência e do talento. Um salto daqui, um alongamento de lá, um aquecimento de voz – isso era o máximo que se via Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 71


Capa

Diney Araujo/Divulgação

Nome: Rodrigo Villa Idade: 31 Anos Interpreta Dirce Mendonça, Camilinha e Pandora, em “A Bofetada”

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Divulgação

MINIPERFIL DOS ATORES

Hoje, além de Lelo – atual dono da companhia –, “A Bofetada” é composta por Rodrigo Villa, Mário Bezerra e Marcos Barreto; a maioria deles na faixa dos 30 anos. São, literalmente, crias do espetáculo. “Acredito que para uma companhia de comédia, especialmente uma companhia baiana 72 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

“Lelo é um profissional estupendo e, ao longo desses anos, nós conseguimos agregar pessoas muito qualificadas a todos os cargos. Os profissionais que estão na companhia e os que passaram por ela agregam

Nome: Mário Bezerra Idade: 40 Anos Interpreta Eleonora e Marivaldo (o Ponto) em “A Bofetada”

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Sobre a responsabilidade de estar na pele da personagem que, junto a Fanta Maria, deu sucesso e visibilidade à peça quando no seu auge, Villa diz se inspirar principalmente na atuação de Frank Menezes. “É difícil, porque você quer deixar os seus colegas orgulhosos, né? Eu trago um humor diferente do dele [de Frank], mas acredito que com o formato que já existia, atrelado à minha forma de atuação, eu consegui dar conta”, disse.

Nome: Lelo Filho Idade: 55 Anos Interpreta Fanta Maria e a Rainha Boba em “A Bofetada”

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Escolhidos a dedo, três jovens rapazes promissores ocupam os lugares antes mantidos por conhecidos nomes da arte cênica do Estado como Wilson de Santos, Diogo Lopes Filho, o já citado Frank Menezes, Jarbas Oliver e Igor Epifânio, que compõem, respectivamente, três das já passadas gerações do elenco da peça.

Nome: Marcos Barreto Idade: 33 Anos Interpreta Vânia Leão, Helena, Aracy e Paloma em “A Bofetada”

Edgard Chaves

Entre décadas

de comédia, estar em cartaz há tanto tempo se deve muito ao trabalho primoroso de Lelo, que é um mestre para mim, sobretudo no sentido de tratar o teatro como trabalho e não como uma forma lírica de viver, que é como muitos o pensam”, apontou Rodrigo Villa, intérprete da versão mais atual de Pandora, única personagem que contracena exclusivamente com o dono da companhia.

Divulgação

e ouvia além da atuação sob os holofotes. Posso dizer que entendi, afinal, por que todo ator considera o palco uma espécie de altar. Há, ali, entorno daquelas performances, uma energia diferente e que, por mais esforço que se fizesse, não chegaria a ser descrita em palavras. É tenso, mas delicioso.

Divulgação

Da esq. para a direita estão: Rodrigo Villa (Pandora Luzia) e Lelo Filho (Fanta Maria)


Capa Daniel Algusto/Divulgação

“A Bofetada” tem em si o espírito inquieto e debochado, com a quentura e a picardia da terra de Gregório de Mattos. qualidade às personagens, no sentido de renovar a comédia, renovar os textos, trazer as suas próprias nuances, ser um frescor ao espetáculo”, afirmou Marcos Barreto, intérprete de nada menos do que quatro personagens na peça.

Fanta e Araci

Diz resumir a sua carreira em duas palavras: resistência e perseverança. Nisto, diz ter passado por tempos difíceis e pela inevitável necessidade de adaptação de “A Bofetada”: “Vivemos eras bem distintas nesses 30 anos, entre presidentes, visões de política, economia, crises, escândalos, coisas ruins, mas coisas boas também. Poder alterar uma cena em que, originalmente, uma personagem mulher apanhava do marido (e continuava com ele no final) e hoje termos a Lei Maria da Penha para enquadrá-lo é muito positivo, só para citar um exemplo de como a peça se renova”.

Já Mário Bezzera acredita que o segredo da apresentação é o seu texto “extremamente flexível”. “Os textos originais datam de meados dos anos 1980, e o trabalho de adaptação que a companhia fez e faz até hoje tornam eles superfluidos, comunicando muito bem”, conclui.

Olha Lelo, lá! Ele é o fio condutor, a força motriz, a espinha dorsal, o dono da bola. E, de acordo com ele próprio, um homem de teatro. Nascido na Península de Itapagipe, Lelo se considera “um cidadão do mundo que luta através da arte”. Euclides Valério Filho, ou Lelo Filho, se preferir, faz questão de dizer que tem o mesmo nome do pai e respondeu gentil e prontamente às muitas perguntas deste repórter curioso. O ator não chegou a se formar na faculdade de Ciências Sociais, mas, convenhamos, desempenha esse papel muito bem. Direto nas respostas, ele tem nas palavras a certeza e a mesma precisão e altivez com que sobe ao palco. Palco que conheceu ainda na escola, quando de um trabalho que tinha como atividade

Inovar é preciso reencenar uma apresentação à época censurada pela ditadura militar. Jovem, o dono da mais famosa companhia de teatro baiana recebeu do professor a dica de que fazia aquilo muito bem. “Em 1982, me inscrevi e passei no teste para o IV Curso Livre do Teatro Castro Alves. No final daquele ano, sob a direção de Luiz Marfuz, entrei em cena em “Decamerão” e, em 1983, a peça foi convidada para uma temporada no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro. De lá para cá, não parei desde que criamos a Cia. Baiana de Patifaria”, relembra.

“A Bofetada” e a Companhia Baiana de Patifaria são um exemplo não apenas de sucesso, como também de inovação e, de certa maneira, de empreendedorismo. Vista a concorrência das multiplataformas de entretenimento on demand, questiono se o teatro tem, hoje, o poder disruptivo que tinha anos atrás, e se a companhia ainda acredita alcançar jovens e crianças. Lelo é taxativo: “Se eu não acreditasse, já teria desistido há muito tempo. Não faço teatro para mim ou para os meus. O poder do que fazemos em equipe é gigante, mesmo que, em tempos como o que estamos vivendo, Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 73


Capa

“Nossas oito peças do repertório são obras abertas. É muito bom vivenciar essa liberdade e possibilidade de atualizarmos, de escolhermos sobre o que iremos falar dentro dos textos maravilhosos que selecionamos para montar. Os autores têm sido generosos em relação a isso”, diz Lelo, completando: “A Bofetada percorreu praticamente todas as regiões deste Brasil imenso, são 56 cidades de Norte a Sul, falando sobre o que cada plateia sugere, vivencia. Isso nos aproxima, a comunicação é direta. A receptividade é enorme”.

“Adoro, adoro, chega choro!” O bordão da intransigente crítica de teatro Vânia Leão, estrela da abertura de “A Bofetada”, resume bem o clima que a reportagem da Let’s Go Bahia flagrou nos bastidores do espetáculo. Há, além do profissionalismo, uma interação singular entre os próprios membros do elenco, que, sabendo cada linha das falas, brincam livremente entre eles mesmos. No esquete “O Ponto e a Atriz”, em que é resgatada a figura daquele que “soprava” as falas para as gran74 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Da esquerda para a direita estão: Marcos Barretto (Vânia Leão), Lelo Filho (Fanta Maria), Mário Bezerra (Eleonora) e, à frente, Rodrigo Villa (Camila)

Dalmo Peres/Divulgação

A flexibilidade do texto de “A Bofetada” volta a vir à tona diante da questão de como um espetáculo há tantos anos em cartaz consegue, efetivamente, se manter atualizado e palatável ao público que, a cada nova sessão, tem contato com a peça de uma maneira diferente.

Mercury/Divulgação

os conservadores estejam tentando desmoralizar as artes e os artistas. Nas entrelinhas de cada fala de nossos personagens há algo importante sendo dito. E os nossos espetáculos acompanham a mudança dos tempos”.

“A Bofetada” e Hebe, em 1993

des damas do teatro antigo, isto se torna ainda mais perceptível. Interpretado por Mário Bezerra, Ponto contracena com todos os demais atores, um por um. Como em um bem-humorado desafio de infância, Bezerra, posto de frente para a plateia, se via prendendo o riso diante das mais variadas provocações. Caretas, falas fora do script e até um beijo imprevisto. Tudo valia para tirar, do próprio ator, as gargalhadas e o gostoso constrangimento que ele mesmo deveria causar. Rir de si e não levar-se tão a sério. Não é isso que devemos

fazer? Pois a Companhia Baiana de Patifaria não é meramente uma produtora de conteúdo, mas uma instigadora de emoções; das mais genuínas que temos guardadas não sei onde, nem direito por quê. Afinal, o que nos leva ao teatro não é apenas o brilhantismo do texto, a criatividade do roteiro ou mesmo uma atuação fora de série. Vamos também ali para admirar e aplaudir de pé a coragem desses artistas em tornar público e notório os sentimentos que a maioria de nós esconde lá no fundo. Fica, então, a saudação que se consagrou nesses séculos de teatro pelo mundo: Bravo! Bravíssimo!


Um bate-papo sobre empoderamento feminino, carreira, relacionamentos, família, moda, negócios, tecnologia, música, e muito mais. É isso que faz do Band Mulher um programa especial. Assista as entrevistas, par�cipe das promoções e informe-se sobre os temas que estão bombando nas redes sociais. Tudo isso ao vivo, contando com uma par�cipação especial: A SUA.

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Beleza

Manifesto da beleza sustentável

A pele é o maior órgão do corpo humano e absorve muito do que entra em contato com ela, como maquiagens, cremes, shampoos e produtos de limpeza. Muitas das substâncias químicas desses produtos são absorvidas por nossa pele, podendo nos trazer efeitos deletérios, além de que ao serem despejadas na água estão ainda poluindo o mundo em que vivemos. E é por todos estes motivos que muitas marcas de beleza levantam a bandeira dos cosméticos naturais, orgânicos e veganos. Em um mundo onde tudo é industrializado, artificial e, muitas vezes, nocivo à saúde, esses itens surgem como uma alternativa para quem quer levar uma vida com menos produtos químicos. Os cosméticos orgânicos são produzidos sem o uso de substâncias químicas e sintéticas. As matérias-primas orgânicas são naturais, cultivadas sem adubos ou fertilizantes químicos e agrotóxicos. São mais saudáveis 76 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

porque são naturais, promovem o mínimo impacto ao ambiente, respeitando a vida.

Mas antes de falar sobre marcas e produtos é fundamental esclarecer a diferença entre as três definições:

Márcia Damasceno

Empresária e relações públicas

O produto natural deve conter, no mínimo, 95% de ingredientes naturais e 5% de ingredientes orgânicos. Para ser orgânico, ele deve possuir, no mínimo, 95% de matérias-primas orgânicas em relação à quantidade total de matérias-primas naturais utilizadas na sua formulação. E para ser vegano ele não deve possuir ingredientes de origem animal e nem ser testado em animais.

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Fotos: Divulgação

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Beleza 4. Linha masculina For Him, tratamento orgânico elaborado com ativos vegetais e um poderoso complexo de hidratação, proporcionando uma pele mais jovem e macia.

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6. O sérum facial Simple Organic tem um alto poder de nutrição com a combinação de óleos poderosos para a hidratação da pele.

MOTIVOS PARA OPTAR POR COSMÉTICOS ORGÂNICOS: 1. Têm menor chance de irritar a pele, causando menos processos irritativos ou alérgicos. 2. São mais saudáveis e não obstruem os poros da pele. Ajudam a melhorar a acne, têm propriedades regenerativas e cicatrizantes. 3. Costumam ser atóxicos. É muito fácil substituir os produtos à base de substâncias sintéticas por naturais, porque os resultados têm maior eficácia e não têm efeitos tóxicos. 4. Respeitam o meio ambiente. As matérias-primas dos cosméticos naturais são biodegradáveis e pouco poluentes. Todo o processo de produção dos produtos deve ser sustentável. Além disso, os fabricantes assumem o compromisso de não realizarem testes em animais, tampouco usar espécies de frutas ou flores em extinção. 5. Inclusão social da cadeia produtiva, utilizando métodos do sistema orgânico de pro-

dução, ou seja, com o controle desde a sua origem. Todo o processo de produção é sustentável, beneficiando todos os envolvidos através da inclusão social, do comércio e de práticas ambientais. 6. O plantio da matéria-prima reduz a erosão do solo. Através das técnicas orgânicas e do plantio consorciado o solo se mantém fértil e permanece produtivo ano após ano. Partindo desses princípios, pesquisei 30 marcas que defendem esses ideais para você conhecer, ficar por dentro do que está rolando nessa área e, se quiser, começar a adotar essa nova filosofia de vida: Acqua di Aloe; Alva, Almanati; Arte dos Aromas; BioArt; Bio Vegan; Cativa Natureza; Caudalie; Cheiro Vivo; Cris Dios; Daqui di Casa Ateliê; Emile Vegan; Escolha Natural; Feito Brasil; Herbia; Korres; Livealoe; Lush; Mimos; Nação Verde; Odylique; Origens do Banho; Phyto Elements Brasil; Preserva Mundi; Simple Organic; Surya Brasil; Souvie; Une Vie; Viventium Cosméticos; Weleda. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 77


Beleza

Grisalhos:

uma verdadeira revolução no mundo fashion

A revolução grisalha que invadiu o mundo da moda chegou à Europa vinda dos Estados Unidos e se popularizou há alguns anos. Além das cinquentonas, muitas mulheres entre 30 e 40 anos de idade vêm assumindo as suas madeixas naturalmente prateadas ou mesmo brancas e estão se libertando da escravidão das convenções estéticas baseadas no culto à eterna juventude. A revolução das grisalhas no mundo fashion é tão forte que cada vez mais mulheres vêm optando por este visual que virou referência de beleza. Novos cortes, novos produtos e, acima de tudo, muita personalidade e atitude são o segredo para assumir os cabelos grisalhos ou mesmo optar por descolori-los para brancos, como muitas atrizes e modelos estão fazendo. Por Laís Matos Shutterstock

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Beleza

Na contracorrente das convenções estéticas, a tendência de assumir os fios brancos se tornou sinônimo de atitude e personalidade, consagrado pelas cabeças de grandes celebridades femininas como Jamie Lee Curtis, Diane Keaton, Helen Mirren e a icônica Miranda, personagem interpretada por Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada”. No Brasil, várias artistas também desfilam toda a beleza dos cabelos brancos e grisalhos: Cassia Kiss, Vera Holtz, Betty Faria, entre outras. O charme dos brancos já é moda, inclusive, para algumas jovens que, em busca de se reinventarem, descolorem os cabelos, a exemplo de Lady Gaga, Rihanna e Kate Moss, e da editora de moda da Vogue UK, Sarah Harris, que começou cedo a ter os primeiros fios brancos e, hoje, é completamente grisalha.

Shutterstock

Apesar de toda a força da idade, homens e mulheres aprendem cedo que em uma sociedade que preza pelo estilo de vida da juventude, quem escolhe assumir as marcas do tempo no próprio corpo se distancia da curva dos padrões estéticos.

A elegância dos brancos já é moda, inclusive para algumas jovens que descolorem os cabelos, a exemplo de Lady Gaga

Na contracorrente das convenções estéticas, a tendência de assumir os fios brancos se tornou um traço de charme e personalidade, consagrado pelas cabeças de grandes celebridades femininas.

Esse foi o caso da publicitária, produtora cultural e sócia da agência de Comunicação Objectiva, Marta Dorea. Para ela, os cabelos brancos sempre foram uma característica familiar. “Minha família materna toda os teve muito cedo. Minha avó pintava os cabelos e, quando eu era criança, havia uma discussão entre ela e minha mãe porque minha mãe não os pintava. Ela reclamava: ‘Como é que eu não tenho cabelo branco e você o tem?’”. Mesmo com a pressão, a mãe de Marta nunca pintou as madeixas. “Cresci vendo isso e sempre achei bonito o cabelo branco de minha mãe”.

Divulgação

Mulher de atiude

Os cabelos brancos e o corte elegante da icônica Miranda Priestly, interpretada pela atriz Meryl Streep em “O Diabo Veste Prada”, reforçaram o luxo da personagem e abriram as portas para a revolução grisalha no mundo fashion

Para quem começou a ter os primeiros grisalhos aos 23 anos, Marta sempre encarou o visual com naturalidade. Seu filho mais velho repetiu o mesmo padrão. “Hoje, ele tem 36, mas começaram a aparecer os primeiros fios brancos aos 17 anos”, destaca. E, por isso, pintar nunca foi uma opção para a publicitária. “Acho que coincidiu também com um pouco da discussão que veio na década de 1990 sobre a química no cabelo e a própria falta de tempo. A questão de passar horas no salão cuidando do cabelo”. Depois de experimentar a henna, um produto natural, e não se adaptar, Marta decidiu manter os fios prateados. “Nunca tive paciência para salão, ficar sentada por 40 minutos com alguma coisa na cabeça. E meu processo foi sempre muito tranquilo. Adoro ter o cabelo branco”. Diferentemente de Marta, a maior parte das mulheres procura um cabeleireiro para dar um jeito nos primeiros fios acinzentados. De acordo com Cícero Allouza, do salão Ricardois Beauty Studio, grande parte do público feminino passa a aceitá-los apenas depois que o cabelo cresce branco por alguns anos e após pintá-los seguidas vezes. “O problema é que assim fica mais difícil. Se a pessoa já pinta, tem que passar pelo processo de transição e usar produtos que removam a coloração, fazer a decapagem. Dá um pouco de trabalho, porque é um procedimento lento e mais agressivo, dependendo do que tiver no cabelo”, explica. Além disso, a estrutura do cabelo branco pode ser um pouco mais grossa por conta da ausência de nutrientes e melanina, explica Ricardo, proprietário do salão de beleza. “Isso faz com que os fios se tornem mais amarelados e cinzentos”. Por isso, para quem tem tinta nos cabelos e quer assumir Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 79


Beleza de vez os grisalhos ir clareando aos poucos é a melhor opção. “A transição dos cabelos tingidos para assumir os brancos seria o corte para amenizar ou esperar o tempo para que toda a cor do cabelo saia”, esclarece o cabeleireiro.

Pensados especialmente para as necessidades dos fios descoloridos, produtos voltados para cabelos brancos, cinzas e grisalhos vêm surgindo cada vez mais no mercado. São shampoos anti-idade, tonalizantes, máscaras e componentes ativos que quebram o amarelado e devolvem a elasticidade e a emoliência aos fios, como a linha Silver e o spray Hair Touch Up, que retoca as raízes e esconde os cabelos brancos, ambos da L’Oréal,   e a máscara iluminadora para grisalhos e loiros da Aneethun. Além dos produtos, o corte de cabelo pode ser um aliado  durante o processo de transição e aceitação dos grisalhos. Avaliado individualmente, o corte entra na parte de visagismo e deve 80 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Jotta

Já para quem decide manter os cabelos naturais ao longo do processo é importante entender que o cabelo não fica branco de imediato. “O cabelo envelhece, vai agrisalhando, perdendo elasticidade, estrutura e movimento até ficar branco de vez. Apesar de ser mais resistente, a estrutura do fio branco varia de cliente para cliente. Tem uns que ficam lisinhos e sedosos e outros que ficam mais rígidos. A melhor opção é evitar as tinturas e deixar o grisalho aparecer naturalmente. O indicado seria usar algo mais suave, os tonalizantes sem amônia são uma boa pedida, mas, antes, é importante consultar um profissional de beleza para melhor avaliar”, explica Ricardo.

Os cabelos sempre curtinhos e prateados de Marta Dorea refletem a personalidade dinâmica e libertária dos seus 53 anos

se adequar às especificidades de cada cliente. “O corte dos cabelos é um grande receio das mulheres, porém, ao assumir os cabelos brancos, eu ‘super’ indico um corte mais moderno e jovial. Realçar a beleza é melhor ainda nesse tipo de situação”, comenta Ricardo. Desde 1985, Ricardo’s Beauty recebe um grande público feminino em busca de ajuda para cobrir os cabelos brancos. “As mulheres sempre se sentem mais incomodadas por conta da aparência e logo vêm ao salão para dar uma solução. Já os homens acham mais charmoso realçar os cabelos grisalhos, com um corte ou apenas dar brilho aos cabelos”, destaca o profissional. Apesar disso, cada vez mais, mulheres de todas as idades têm adotado o visual. “Elas estão se livrando dessas amarras, estão mais empoderadas e abrindo

mão da beleza enlatadinha. Vejo jovens belíssimas com cabelos brancos. O segredo está na aceitação”, avalia Cícero.

Revolução da beleza A atual transição da beleza feminina, mesmo que ainda tímida em determinados espaços, tem dado cada vez mais às mulheres a oportunidade de escolher o que lhes cai melhor sem o compromisso de atender a certos padrões patriarcais. “Acho que é uma questão cultural”, destaca Marta Dorea. “Você tem várias prerrogativas. O homem tem muito mais liberdade e não sofre com esses julgamentos. Além disso, há, ainda, a expectativa de que a mulher seja eternamente jovem”. Os cabelos sempre curtinhos e prateados de Marta refletem a personalidade dinâmica e liber-


Beleza

tária dos seus 53 anos. “Acho que a propaganda de shampoo milagroso nunca funcionou para mim, claro que isso influencia algumas pessoas, mas no meu caso não. Nunca fui da ditadura do cabelo longo, nem da opinião de que mulher tem que pintar os cabelos para se arrumar. Apenas acho bonito quem o faz”, diz. Por esse mesmo motivo, a publicitária afirma que não possui uma rotina de cuidados, somente lava os cabelos com shampoo natural todos os dias. “Se eu tomar cinco banhos, lavo cinco vezes os cabelos”. A possibilidade de escolha é o primeiro passo para a liberdade capilar. Pintar ou não pintar os cabelos, assim como cortar, alisar ou fazer qualquer procedimento estético, deve ser uma opção, nunca uma imposição. Para Marta, o mais importante

Por ser um país consideravelmente novo, o Brasil sempre teve uma população de maioria jovem e, apenas agora, tem apresentado os reflexos de uma parcela que está envelhecendo e vivendo cada vez mais. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando ano a ano. Em 2015, chegou aos 75 anos, 5 meses e 26 dias. Em 1940, era de pouco mais de 45 anos de idade. E, em 2050, a estimativa é de que cerca de 30% da população brasileira terá mais de 65 anos. Para Marta, esses dados acabam por interferir também na autoimagem das pessoas, sobretudo das mulheres. “A autoimagem dos brasileiros é uma imagem jovem”. Mesmo sendo um dos países com maior diversidade capilar do mundo, o culto à juventude acaba por uniformizar alguns estereótipos de imagem, principalmente para as mulheres, e isso reflete diretamente em como a gente se apresenta e como nos vemos. “Meus cabelos foram mudando e acho que faz parte da construção. É a prova viva, material, de tudo o que vivi. As mudanças acontecem na vida da gente e as marcas estão aí para mostrar as transformações. O cabelo é também um pouco disso”.

PXHere

Marta Dorea, publicitária

é ter um equilíbrio entre a imagem e a autoimagem. “No meu caso, elas sempre caminharam de braços dados, juntas. Sou uma mulher de 53 anos e nunca tive problemas com isso, acho que a minha idade está em outro lugar, e isso para mim é um luxo: ter os cabelos que tenho e a maturidade que tenho, afinal de contas, eu marchei nesta vida até agora para isso, não é?”.

Ao assumir os cabelos brancos, profissionais de Beleza indicam cortes mais modernos e joviais.

Freepik

Sou uma mulher de 53 anos e nunca tive problemas com isso, acho que a minha idade está em outro lugar, e isso para mim é um luxo: ter os cabelos que tenho e a maturidade que tenho, afinal de contas, eu marchei nesta vida até agora para isso, não é?

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Fotos: Shutterstock

Beleza

Eles

estão cada vez mais

vaidosos O público masculino está cada vez mais moderno, se reinventa e vem aderindo aos tratamentos estéticos Por Luciana Accioly 82 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Foi-se o tempo em que salão de beleza era coisa de mulher. Os homens de hoje estão cada vez mais arrojados, antenados com as principias tendências e se reinventando, principalmente quando o assunto é estilo e beleza. Ter uma boa aparência vai além de simples vaidade, trata-se de autoestima. O homem moderno costuma ser mais confiante, seja no instante de uma conquista afetiva ou na sua inserção no mercado de trabalho. É cada vez mais comum perceber esse novo perfil, acompanhando uma semana de moda ou ligados nos cosméticos feitos exclusivamente para eles. Antigamente, os produtos de beleza voltados para esse nicho eram muito limitados, hoje, existe uma infinidade de marcas e produtos especificamente masculinos.


Beleza Aquele velho conceito de barbearia estilo “cara de vovô” foi repaginado, trazendo para o público masculino um ambiente moderno e serviços diferenciados. A @barbearialafirma, de Rafael Schleier, é ideal para homens arrojados que buscam um lugar para chamar de seu. Com sinuca, bar e até araras de roupas de marcas parceiras à venda, a La Firma, além de trabalhar com produtos específicos nacionais e internacionais, possui a sua própria linha de cosméticos de mesmo nome, com pomada para cabelo (de efeito mate e brilho), cera de bigode para fixação, balm e óleo para barba. O estabelecimento também possui um aplicativo disponível para aparelhos com sistema iOS.

Os homens de hoje estão cada vez mais arrojados e antenados com as principais tendências e se reinventando, principalmente quando o assunto é estilo e beleza

Rodrigo Pereira, da franquia Confraria da Barba, conta que a ideia de abrir o negócio em Alphaville surgiu da percepção da falta de serviços especializados naquela região e que a barbearia foi projetada para os homens modernos, com direito a Dia do Noivo e bar com cervejas artesanais. “Existe o despertar da consciência do próprio homem de que precisa se cuidar, além da experiência de estar em um ambiente como este, no qual ele se identifica”, afirmou o empresário. Cícero Allouza, do Ricardois, revela um aumento de cerca de 50% de adesão dos homens no salão. “Com essa onda de celebridades e jogadores de futebol, eles usam maquiagem, pintam e escovam o cabelo, usam creme anti-idade, protetor solar, máscara hidratante, fazem limpeza de pele, unha, colocam até cílios”, atribui Cícero. Quanto ao corte de cabelo preferido é o undercurt, um VO estilizado. Já a barba virou um acessório e a do momento é aquela cheia e desenhada, estilo lenhador, o que há anos era símbolo de desleixo.

Uma tendência que se mantém, como afirma Sandra Gallis, gerente do Viaparis: “É difícil um cliente pedir para tirar a barba, normalmente eles vêm apará-la, desenhá-la, mas nunca tirá-la”. Sandra conta também que praticamente todos os serviços ofertados às mulheres estão disponíveis para os homens, inclusive a microblanding, uma técnica de pigmentação fio a fio para cobrir falhas das sobrancelhas. E por falar em homens modernos, a Copa do Mundo trouxe

um time de “responsa” com jogadores gatos. Quando o assunto é beleza e modernidade, listamos, em primeiro lugar, Neymar (Brasil), cabelos descoloridos e um corte diferente a cada jogo, sem falar das roupas de grifes usadas em premiações; seguido de Cristiano Ronaldo (Portugal), sempre impecável, alguns até o chamam de metrossexual por ser tão vaidoso; e em terceiro lugar, Gerard Piquè (Espanha), com a barba sempre benfeita e o cabelo arrumado. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 83


Moda

Maxicintos: o investimento perfeito

para atualizar os seus looks em qualquer estação Renata Rangel

Advogada, digital influencer e apaixonada por moda

Dia dos Pais O Dia dos Pais está chegando e, pensando nisso, eis aqui algumas sugestões de presentes para todos os tipos de pais: executivos, esportistas, jovens, mais velhos, enfim, opções para todos os gostos e bolsos:

Chanel Fotos: Divulgação

Muito mais do que um simples acessório utilitário, o cinto pode ser um grande aliado quando se fala em criar um styling moderno e com personalidade, nos seus mais variados tamanhos, formatos e texturas. A tendência de marcar a cintura em diferentes proporções é ultrafeminina e as opções de cintos mais largos trazem grande interferência da moda dos anos 1970. Marcas diversas apostaram na estética, variando de cintos largos em couro por cima de vestidos fluidos e românticos, outras optaram por complementar uma estética mais casual e urbana, mas a verdade é que você pode e deve se sentir livre para atualizar peças do seu closet, usando os cintos por cima de vestidos de festa, saias, macacões, blazers, camisas sociais ou t-shirts, seja com o acessório no mesmo tom ou material ou contrastando totalmente, criando um visual color blocking. A regra é afinar a silhueta com esse truque de styling que pode transformar totalmente aquela peça que está esquecida no seu armário. Experimente misturar texturas, cores e detalhes. Afinal, não há regras na moda!

Lacoste Tod’s Rimowa

Persol Tod’s

Le Labo

Salvatore Ferragamo

Dior Lacoste

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Adidas


Moda Beleza: a sua vez de brilhar

7. Holographic Stick (Milk Makeup): iluminador em bastão holográfico multiuso, vegano, à base de pó de meteorito, manteiga de manga e óleo de abacate, que garante brilho e hidratação.

Deixando um pouco a moda de lado, vale trazer outra fascinação das fashionistas: a beleza. A expressão “glow” virou uma verdadeira obsessão quando se fala em itens de beleza, seja de cuidados com a pele ou mesmo maquiagens, inspirando linhas específicas para garantir esse efeito de pele “saudável”. Pensando nesse efeito tão cobiçado, os produtos a seguir prometem uma pele brilhante e iluminada:

8. Backstage Glow Face Palette (Dior): inspirada nas técnicas de iluminação usadas pelos maquiadores do backstage dos desfiles da marca, essa paleta de iluminadores contém 4 cores diferentes com textura e brilhos únicos, altamente concentradas com pigmentos cintilantes, sendo possível misturá-las entre si. 9. Fix Plus Goldlite e Pinklite (MAC): spray que refresca, tonifica e hidrata a pele, conferindo um ótimo acabamento. Pode ser usado antes, durante e após a maquiagem, inclusive para aumentar a pigmentação de outros produtos, como sombras e iluminadores. O produto já é um campeão de vendas e a MAC lançou três novas versões, sendo que duas delas (Goldlite e Pinklite) possuem partículas com brilho dourado ou rosé, garantindo um efeito iluminado para a pele.

1. The Renewal Oil (La Mer): elixir bifásico que proporciona nutrição, firmeza e um “glow” saudável à pele. 2. Strobe Cream (Mac): hidratante composto por antioxidantes e partículas de pérola iridescentes que promete acalmar, hidratar e refrescar a pele, tirando aquele aspecto de cansaço e acrescentando um brilho sutil. 3. Dew Drops Coconut Gel Highlighter (Marc Jacobs): iluminador em gel com textura leve à base de coco e provitamina B5 que pode ser aplicado diretamente na pele ou adicionado à base ou primer para um brilho radiante.

5. Glitter Drops (Cover Fx): brilho ultraconcentrado e personalizável, podendo ser usado sozinho, sob ou sobre a maquiagem, ou ainda misturado ao seu produto de beleza favorito para um efeito incrivelmente luxuoso e brilhante nas bochechas, olhos, lábios e corpo.

4. Sheer Highlighting Duo (Tom Ford): dois tons de iluminadores (um rosado e outro dourado) com alta pigmentação que garantem um acabamento iluminado, natural e com efeito bronzeado.

6. Hollywood Beauty Light Wand Highlighter (Charlotte Tilbury): iluminador com textura que mistura óleo e gel, proporcionando um efeito destacado brilhante, sem reflexos visíveis.

Patchwork Técnica handmade preferida pelos hippies nos anos 1970, o patchwork é outra grande aposta da temporada, e consiste na união de tecidos com gramaturas, cores e estampas diversas, garantindo um ar moderno e urbano ao mix de retalhos. Na coleção de inverno da Dior, a sua diretora criativa Maria Grazia Chiuri optou pelas formas luxuosas e jovens de vestir a tendência, apostando no contraste de peças em patchwork misturadas com camisas em tecidos nobres, delicados, femininos e românticos para alcançar um resultado incrível. Os reta-

10. Shimmering Skin Perfector® Pressed Highlighte (Becca): iluminador com textura em pó com fórmula única que combina pigmentos com líquidos, se funde com a pele e cria uma sensação cremosa, com acabamento elegante e de alto impacto. 11. Killawatt Freestyle Highlighter (Fenty Beauty By Rihanna): a linha de make da popstar trouxe uma nova fórmula de iluminadores híbridos (mistura entre textura em creme e em pó), com efeito natural, longa duração e com um brilho superfino e poderoso. 12. Radiance Primer SPF 35 (Nars): primer com proteção solar que garante uma pele hidratada e com um efeito radiante.

lhos das peças desfiladas foram confeccionados através de reproduções de gravuras arquivadas na Dior, que também apostou no mix de diferentes tipos e lavagens de jeans, criando um contraste de várias tonalidades desse material tão versátil.Outras marcas apostaram no tom setentista com a mistura de estampas e cores, formatos geométricos, tecidos diferentes com estampas múltiplas e modelagens diversas, garantindo um resultado com riqueza de materiais, padronagens, cores e texturas. Os trabalhos manuais são o tom da estação, e inclusive poderão resultar em peças sofisticadas para serem usadas não apenas no dia a dia, mas também em looks noturnos. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 85


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Começou a cantar aos 17 e de lá para cá já passou pelas bandas Funk n’ Roll, Yow e Massa Sonora. Sua última experiência foi no programa The Voice Brasil, da Rede Globo. Além disso, Tiago faz trabalhos publicitários veiculados em rádios da Bahia, mas a sua ocupação maior é ser pai de Marina. Atualmente, os dois têm realizado projetos juntos e passam o dia fazendo músicas e gravações.

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É aspirante a cantora. Desde muito pequena, ela mostra que “leva jeito” para a coisa. Aos sete anos, já cantava músicas internacionais com uma pronúncia quase perfeita e uma afinação de se admirar, sem nunca ter estudado línguas. Marina sempre foi livre para fazer as escolhas dela e não houve um “empurrãozinho” para que ela se interessasse pela música, porém o exemplo estava dentro de casa, através de Tiago compondo e cantando diariamente. E a pequena não quer ser somente cantora, ela quer ser “veterinária até às 4h e cantora após o expediente”. Hoje, Marina já demonstra a preferência musical pelo pop internacional e nacional, mas ouve muita música popular brasileira e já arrisca composições simples. Está estudando música e violão e sempre que vai aos shows do pai ela sobe ao palco para dar uma “canja”.

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FICHA TÉCNICA LOOKS Ele: Bilbao Ela: Lilica & Tiger LOCAÇÃO Agência California MAKE Cícero Allouza HAIR Mailen Saadia FOTOS Jotta Fotografia TEXTO Verônica Villas Boas DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA Verônica Villas Boas DIREÇÃO GERAL Verônica Villas Boas


Moda para

grávidas Como se vestir bem nesse momento tão especial Por Luciana Accioly Ser mãe é o sonho de muitas mulheres e, sem dúvida, ter um bebê implica em mudanças em sua rotina, traz mais responsabilidades, mas, no aspecto da moda, o que muda no seu guarda-roupa nessa fase tão especial? A moda para grávidas mudou muito nos últimos anos. Hoje, o mercado abriu espaço para esse nicho, antes, um pouco esquecido. Existem diversas marcas especializadas nesse segmento, provando que é possível se vestir bem, estar na moda, mostrando a nova silhueta com sofisticação, sendo fiel ao seu estilo. E quem disse que toda grávida precisa usar roupas superfolgadas ou números maiores que o seu? É um momento da vida (talvez o único, não é?) em que as mulheres sentem orgulho de ostentar um barrigão, e a modelagem certa e o corte da peça são essenciais, tudo sem perder a feminilidade. Seja no estilo clássico, fashion, casual, esporte ou social, a moda para grávidas está aí para atender aos mais diferentes universos. Você tem um estilo definido? Mantenha-o, continue usando, ousando e abusando da sua criatividade na hora de montar os looks.

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Dinamara Ribeiro, empresária, proprietária da loja Maternalle, conta que no começo comprava produtos para revender, mas estava insatisfeita com as poucas opções para esse público; ela sentia a necessidade de ofertar peças mais modernas. Hoje, a loja que

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Moda


Moda

A tatuadora Luana Dórea é um exemplo de mãe moderna e cheia de personalidade na hora de se vestir. Em um bate-papo bem descontraído, ela falou sobre a sua vida, o seu estilo e como foi a descoberta de sua segunda gravidez. Filha de peixe, Luana cresceu vendo o seu pai trabalhar. Ela é filha do tatuador Bingha, um dos principais artistas da área na Bahia. Ela, que sempre desenhou, conta que no começo existia certa pressão para que seguisse os passos do pai, mas que não estava convicta de que era isso que ela queria. A tatuadora chegou a ter uma loja, mas depois as coisas acabaram fluindo naturalmente, começou tatuando desenhos menores e foi se aperfeiçoando. Hoje, atuando profissionalmente há mais de cinco anos, tem o seu próprio estúdio, o @revolutiontattooondina, em parceria com Beatriz Nery. Luana é casada, mãe de um menino de um ano e meio e está grávida de sete meses. Ela conta que a segunda gestação veio em um momento em que os seus projetos profissionais estavam a todo vapor, nos preparativos finais para abrir o estúdio, e quando soube da gravidez pensou: “Meu Deus, o que eu vou fazer com o meu trabalho?”. Já adaptada à ideia, ela se em-

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existe há quinze anos, uma das primeiras do mercado especializado, conta com um estilista que desenvolve suas roupas e cerca de 90% do que é vendido na loja são de fabricação própria. O estereótipo “cara de mãe” sempre a incomodou: “Antes de ser grávida, ela é mulher e precisa se olhar no espelho e, mesmo com aquele barrigão, se sentir atraente. É importante entender que a mulher continua sendo mulher, então por que não usar peças de acordo com o seu estilo, tamanho e idade?”.

A tatuadora Luana Dórea é um exemplo de mãe moderna e cheia de personalidade na hora de se vestir

polgou quando descobriu que estava esperando uma menina e começou a comprar várias roupinhas e acessórios para a filha a caminho: “Eu adoro rosa, o estúdio é todo rosa (risos)”. Durante a sua primeira gravidez, ela não se achava bonita, evitava as fotos; bem diferente dessa segunda gestação. No dia a dia, ela usa muito short de cintura alta, botas e camisetas, e na gravidez aderiu aos vestidos longos, legging para trabalhar, vestidinho com short de malha por baixo,

sempre algo mais confortável, mas sem abrir mão das suas botinhas. Para sair, opta por um vestido mais justinho, com um cardigan ou kimono para compor o look. “Geralmente, não uso vestido muito justo, mas agora que a barriga cresceu eu passei a querer mostrá-la mesmo”. Para ela, gravidez é uma fase de altos e baixos, um turbilhão de hormônios e o mais importante é se sentir bonita e confortável. “Vale a pena valorizar a barriga. Gravidez é uma coisa única. EsMai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 103


Moda tou aproveitando este momento para usar roupas mais justas, para exibir o corpo mesmo, deixar de lado a insegurança e botar a barriga para fora”, brincou.

@vilamamae, por Ana Luiza Luedy Seleção, qualidade das peças e um atendimento personalizado é o segredo do negócio, destaca a proprietária.

Aninha Varjão

Karina Araujo, mãe, jornalista e idealizadora do @canaldonamamae explica que a gestação é dividida em três fases, três trimestres. O seu corpo vai mudar, é inevitável, mas as mudanças são gradativas e, no início, a barriguinha é bem sutil, então não se apavore. Não precisa sair correndo e comprando um mundo de coisas se você pode aproveitar as peças que já tem no armário nesse primeiro período. “A moda, principalmente nessa fase, tem muito a ver com o conforto e o bem-estar. No segundo trimestre, o corpo já começa a mudar, a barriga dá um salto e é uma fase em que a mulher se sente plena, bonita, é o melhor momento para começar a expor a sua barriga com roupas mais justinhas que modelem o seu corpo”, explica a jornalista.

CONFIRA A SEGUIR OUTRAS SUGESTÕES DE LOJAS ESPECIALIZADAS EM MODA GESTANTE:

Dica máster: Invista em peças que possam ser usadas depois da gravidez. 104 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Divulgação

Os seios também crescem, então, a dica de Karina é investir em peças que os valorizem ao invés de os esconderem. Já nos três últimos meses, com a barriga bem crescida, pode usar um modelinho justo, mas sem se esquecer do conforto. “É brincar com a moda, experimentar. Faça desenhos em sua barriga (quem gosta), use calças ajustáveis na cintura, leggings, sapatilhas, um salto baixinho estilo Anabela, evite usar o salto alto”. Ela conta que quando engravidou as suas peças favoritas eram a saia longa, abaixo da barriga, e o cropped, e a peça “mais prática” era o short.

@gravidinhachic, por Melina de Andrade O diferencial é fornecer uma moda gestante atual, com peças contemporâneas, diferenciadas e funcionais que a futura mamãe possa usar na gravidez e no pós-parto, unindo conforto, beleza e qualidade.

@mammachic2, por Geise Wannya Silva “Toda grávida merece estar bem vestida”, afirma a empresária. Em sua loja, ela busca atingir um público diferenciado, com variedade em roupas e fornecedores especializados. Hoje, ela também confecciona algumas das peças omercializadas na loja.


Eventos

Vou me casar

e agora?

Hora de descomplicar os preparativos para o dia do sim

Moda e etiqueta

Por Luciana Accioly De repente, você está noiva e se pergunta por onde começar. Ser noiva envolve milhões de detalhes e expectativas. Um bom planejamento, cronogramas e reuniões quase que diárias são inevitáveis até chegar o tão sonhado dia. Segundo Marina Novaes, influenciadora digital do universo de noivas, do blog @amarinanovaes, o mais importante no início é que haja um diálogo entre os noivos. “Alinhar as expectativas, como imaginam a sua festa, quanto têm para investir e de que forma o casal pode dividir as tarefas”.

Outro fator importante é trazer os seus sonhos para a sua realidade. Ela conta que enquanto planejava o seu casamento postava em seu Instagram referências locais, porque naquele momento grande parte das referências que ela encontrava era de fora e não tinham a ver com a realidade da Bahia. “Não adiantava sonhar com aquele cenário se não ia poder reproduzi-lo. Uma das primeiras coisas que a gente tem que fazer é esse filtro e mostrar que a realidade delas também pode ser muito boa”, afirma Mari Novaes.

Assessoria de casamento O trabalho de assessoria de casamento é um elemento para a tranquilidade no evento. “Esse é o momento de tirar dúvidas e planejar de acordo com o perfil dos nubentes, sem descaracterizar os seus sonhos”, afirma Indira Marrul, da @indiramarrulassessoria. Depois, entra em ação a equipe de agendamento e orçamento para o casamento. Mas é ela quem acompanha todas as reuniões com os fornecedores, alinhando e auxiliando no fechamento dos contratos, além de ver de perto todos os detalhes no dia da festa. Indira aconselha que a lista de convidados seja feita com precisão, para evitar surpresas nas vésperas, já que interfere em toda a estrutura do evento.

O casamento do príncipe Harry com a atriz Meghan Markle foi marcado pela quebra de uma série de protocolos e tradições da realeza britânica, uma reinvenção, ou melhor, o início de uma nova era. A começar pela própria figura da agora Duquesa de Sussex, uma feminista assumida, afrodescendente, norte-americana e divorciada. Meghan fez questão de dividir o carro que a levou para a capela de Windsor com a sua mãe, Doria Ragland, e entrou sozinha na capela até encontrar o príncipe Charles, que a conduziu até o altar, devido à ausência do seu pai por motivo de doença. A noiva também omitiu a palavra “obedecerei” dos seus votos matrimoniais. O buquê foi confeccionado com as flores colhidas pelo próprio príncipe Harry, nos jardins do Palácio de Kensington, entre elas, a miosótis, preferida da sua mãe, a princesa Diana, como forma de homenageá-la. Outro momento marcante do casamento real e que retrata essa quebra de paradigmas foi a apresentação do coral gospel The Kingdom Choir, formado por cantores negros, que cantou, além do repertório gospel, uma versão da canção “Stand by Me”. E já que o assunto é moda, como não falar do vestido de Meghan Markle? Um modelo minimalista Givenchy, liso, de ombro a ombro, sem detalhes, mas nem por isso menos imponente. Alguém tem dúvida de que ele será (ou já virou) tendência? Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 105


Eventos O vestido da noiva

A estilista Cristina Luna, da Club Premiere Luna, diz que o ponto de partida para as suas criações é ouvir a cliente, conhecer o perfil da noiva, o tipo de festa, o horário e o local. Ela sugere o que as noivinhas podem usar: “De manhã, se a cerimônia for na praia, por exemplo, usar um tecido mais leve, sem brilho, uma renda renascença, guipir e evitar tecidos muito estruturados”. Cristina está trazendo um novo conceito através de uma coleção que trabalha somente com o linho, que é elegante e ideal para ser usado em um casamento durante o dia. Para um evento no fim de tarde, Cristina indica um brilho bem sutil do próprio tecido, como a seda. Para um 106 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Thiago Mohallem/Divulgação

Escolher o vestido ideal talvez seja aquele momento em que a noiva se olhe no espelho e diga: “Agora, sim, eu vou me casar!”. Juliana Santos, empresária da Un-Reve Cymbeline, está constantemente renovando as coleções e trazendo tendências de fora do país, mas sempre as adaptando à realidade local. “O vestido nunca foge muito do padrão das noivas, é sereia, um modelo evasê, semissereia; eu filtro o que pode ter adesão aqui e estes são os estilos mais procurados, além dos rendados, que nunca saem de moda”, afirma.

Moda para madrinhas

Vestido Cristina Luna para a noiva Thaiany Lobo Blanquet Ribeiro

casamento à noite, um vestido clássico, feito de um tecido mais nobre como o zibeline e a renda francesa, estilo princesa, bem estruturado, é sempre bem-vindo e nunca sai de moda. Ela pensa no véu depois da criação do vestido. Em um mais estruturado, liso, cai bem uma man-

A maioria das noivas dá uma paleta de cores que deve ser seguida na hora de escolher o vestido das madrinhas. O ideal é perguntar qual é o dress code, para evitar gafes. É o que afirma Thaís Godinho, sócia de Camilla Raupp na loja @yourclosetoficial. Para a moda madrinhas, ela conta que os mais buscados são vestidos em tons pastéis, candy colors, marsala, tons de verde, azul royal e o rosè (o queridinho da temporada). Para ela, as madrinhas devem evitar decotes excessivos e fendas muito abertas. À noite, dependendo do local, um vestido com pedraria, um bordado mais elaborado. De dia, vestidos mais leves, fluidos, lisos. “Não existe uma regra, tem que ter bom senso. A sofisticação vem da qualidade do vestido, do tecido, um bom corte é o que torna a produção mais sofisticada”, afirmou a empresária.

Reprodução @yourclosetoficial

Carol Sales, que se casou com um modelo Cymbeline, inspirado no vestido de casamento da princesa Kate Middleton, é uma noivinha de sorte. Já na segunda prova, encontrou o seu vestido ideal e ganhou boa parte dos seus fornecedores através de sorteios no Instagram, como: assessoria de casamento, ensaio dos noivos, cobertura do dia do casamento, Dia de Noiva, kit toalete e bem-casados. Quanta sorte!

tilha de renda. Quando o modelo tem muito brilho, recomenda-se um véu longo, com camada dupla, liso, com um corte francês.

Os tons pastéis são os mais buscados para as madrinhas


Erik Salles/Divulgação

Eventos

“Pode e não pode” no casamento, por Maria Medeiros, consultora de etiqueta e comportamento:

PODE: Usar cores, evitando o branco ou a cor do vestido da noiva. Usar preto, mas mesclado com outro tom, assim não abre espaço para críticas. Respeitar as preferências da noiva sobre as cores dos vestidos. Se ela decidir que quer todas as madrinhas de branco, atenda ao pedido da noiva. Simples assim!

NÃO PODE: Organizar chá de panela, de lingerie e outros eventos relacionados ao casamento sem consultar os familiares e, claro, a protagonista da festa. Exagerar nos decotes, nas fendas e nos acessórios. Vista-se para ficar bonita e não para chamar a atenção. É a noiva quem tem que brilhar. Insistir em participar da organização do casamento e acompanhar a noiva em todos os compromissos, como a prova de roupa. Se ela quiser privilegiar o elemento surpresa da festa, há que respeitar a vontade dela. Ficar chateada porque o namorado, noivo ou marido não foram convidados para ser padrinhos. Exagerar na bebida. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 107


Social & Eventos

O mar como testemunha

Fotos: Gaston Garcia/Divulgação

Paula Mendonça e Ryan Griffin se casaram de frente para o mar, na Praia de Bávaro, em Punta Cana

A história da jornalista baiana Paula Mendonça e do administrador de empresas norte-americano Ryan Griffin começa onde os corações e pensamentos deles sempre estão: na paixão por viajar! A primeira conversa foi sobre lugares que haviam visitados e sobre as mais loucas aventuras vividas por cada um. Descobriram que tinham um destino favorito em comum e muitos itens similares nas suas “bucket lists”. Este foi, definitivamente, o primeiro de muitos sinais de que aquela era uma combinação perfeita. Depois de dois meses de muita conversa e conhecendo um ao outro, finalmente se encontra-

108 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

ram em Boston para um jantar bem romântico. Desde então a vida do casal tem sido preenchida por muitas risadas, brincadeiras, viagens maravilhosas, desafios e muito amor. “Eu estava morando em Montreal, no Canadá, e Ryan em Boston, nos EUA. Namoramos à distância por dois anos, atravessando a fronteira desses países para nos encontrarmos. Depois de muitos quilômetros percorridos, decidimos que a distância não fazia mais sentido. Ficamos noivos e depois de exatos nove meses, no dia 24 de junho de 2018, o nosso grande dia chegou. E foi exatamente como nós sonhamos! Fizemos uma cerimônia na

areia, em frente ao mar, na belíssima Praia de Bávaro, em Punta Cana, na República Dominicana. Reunimos 50 seletos convidados, entre amigos e familiares, e passamos cinco dias juntos, curtindo cada segundo e construindo momentos que jamais sairão da nossa memória”, conta Paula. Eles realmente conseguiram reunir a simpatia do norte-americano com a alegria do brasileiro e, assim, começaram a sua família. Em um momento especial, rodeados de pessoas queridas, em um lugar paradisíaco, com a bênção dos pais e a alegria contagiante dos amigos. Começaram, sem dúvida, com o pé direito.


Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 109


Social & Eventos

Coluna Social

VIP

Karla Borges

Moema Medrado Pitanga está em contagem regressiva para o casamento de Luma com Felipe Pinto no dia 24 de novembro, em Salvador, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. A recepção será no Cerimonial Cunha Guedes, com buffet de Flavia Sampaio. Na foto, Moema está entre as filhas Luma e Bruna Pitanga.

Fotos: Divulgação

Casamento à vista

Administradora de empresas, bacharela em Direito e professora

Puro glamour! A estilista mais famosa da Bahia, Cristina Luna, comemorou o seu aniversário com um almoço, cercada de parentes e amigos no salão de festas da Mansão Top Life, no Horto Florestal. Na foto, Cristina com a colunista alagoana Aninha Monteiro.

Posse na FIEB Antonio Ricardo Alban, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), continua recebendo felicitações pela concorrida festa que brindou a sua posse e os 70 anos da entidade, sempre acompanhado da sua bela esposa Maria Clara Alban. 110 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018


Social & Eventos Premiação O empresário José Azevedo Filho está radiante com o prêmio recebido por sua empresa RE/MAX no World Trade Center, em São Paulo, quando foi considerada a melhor franquia imobiliária do Brasil.

HISTÓRIA VIP Hormônio é vitalidade!

Tudo joia! Adriana Mota é a querida do high society quando o assunto é joia. Nove em cada dez baianas são suas clientes e não abrem mão do atendimento ultrapersonalizado. Peças que não podem faltar no cofre de uma mulher elegante para a joalheira: brinco solitário, aliança e riviera de brilhantes.

Big Apple Cilly Cavalcanti passou uma temporada em New York acompanhando a filha Alana que lá reside e trabalha. Recomenda aos brasileiros um passeio no final da tarde pelo High Line Park, o novo point da metrópole.

Dois grandes médicos! Duas vidas que se entrelaçam! Quem disse que hormônio dá câncer? Dr. Elsimar Coutinho, considerado um dos maiores nomes do mundo em reprodução humana, garante que é o extremo oposto. A sua tese abalou a abertura de um congresso de médicos em São Paulo. Se a mamografia é recomendável a partir dos 50 anos, quando o risco de contrair a doença aumenta, conclui-se que é justamente pela falta da produção de hormônios que a doença surge, pois, enquanto eles existem, o percentual de incidência do câncer é ínfimo. O Dr. Luiz Carlos Calmon é o seu maior seguidor e disseminador, viaja pelo Brasil proferindo palestras, prestando consultas e desmistificando tabus. Uma coisa é certa: linda e disposta é a mulher que faz reposição hormonal, imprescindível para a manutenção de uma vida sexual saudável com o parceiro após a menopausa! Hormônio não é doença! Hormônio é solução!

90 anos com vigor Cledes Raw comemorou os seus 90 anos do jeito que mais gosta: cercada dos grandes amigos com um prestigiado almoço no Alfredo di Roma. Dentre os convidados estavam Ivana Sá Santos, Kissinha Borges e Adriano Grangeon. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 111


Social & Eventos

Coluna

Social Stefano Diaz Arquiteto e jornalista

Paulo Sousa/Divulgação

Tidelli Inaugura nova loja

Lon Menezes, Roberta Mandelli e Luciano Mandelli

A Tidelli inaugurou uma nova loja no Caminho das Árvores com um coquetel badalado para profissionais e clientes, com o painel de debates “Design sem Fronteiras”, que contou com a participação de Sami Hayek, Cesar Giraldo e os baianos Manuel Bandeira e Ana Paula Magalhães. A nova loja, com dois pisos, teve o seu projeto assinado pelo arquiteto Fred Azevedo e o paisagismo de Marcos Malamut e Fernando Rocha foi inspirado nas casas de alto padrão da Praia do Forte. Luxo!

Concurso Beleza Black

Luciano Macêdo/Divulgação

A 20ª edição do Concurso Beleza Black 2018, realizado no Teatro Jorge Amado, trouxe o tema “20 Anos de Resistência”, com um desfile coreografado por Pepê Santos e apresentado por Augusto Rocha. O concurso acontece há 20 anos e surgiu como parte de ações afirmativas para a comunidade negra. A One Models Bahia deu premiações individuais e contrato de um ano para trabalhos futuros para os vencedores Rafael Costa e Adriele Peixoto. O evento tem como objetivo ajudar a instituição Lar Vida. Rafael Costa e Adriele Peixoto

Dário Gabriel/Divulgação

Geraldo Azevedo é destaque no Dia Dos Namorados

Geraldo Azevedo 112 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

O Dia dos Namorados passou e nada melhor do que ter curtido uma noite especial ao som de Geraldo Azevedo. O artista preparou um repertório de sucessos dos 50 anos de sua carreira, além de músicas do novo álbum, “Salve São Francisco”, e canções inéditas. O evento foi realizado no Cerimonial Rainha Leonor – Pupileira, com a assinatura de Licia Fabio. Metade da renda arrecadada com a venda dos ingressos do show foi revertida para as atividades de assistência social da Santa Casa da Bahia. Foi show!


Social & Eventos Workshop lota a ALBA

Barrettes Accessory chega ao Barra Chegaram ao Shopping Barra a sofisticação e a elegância da Barrettes Accessory. O quiosque, com exclusivos acessórios para cabelo, está localizado no Piso L4 do centro de compras.

Ivo Xavier/Divulgação

O I Workshop de Direito Eleitoral & Criminal reuniu nomes da Justiça nacional em evento gratuito e aberto ao público e lotou o auditório da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O evento, realizado pelo Centro de Estudos Jurídicos Vivaldo Amaral, debateu temas de interesse dos eleitores. Entre os palestrantes estiveram Dr. Vivaldo Amaral, advogado criminalista e presidente do CEJVA; Angelo Coronel, deputado estadual, Dr. Luiz Viana e Dr. Cláudio Gusmão.

Vivaldo Amaral, advogado criminalista

Festival de Lençóis encerra com show de Jau e mistura de ritmos

Vanessa Brunt lança “Depois Daquilo”

Divulgação

Jau transformou a Praça Horácio de Matos em uma grande festa, no encerramento da 19ª edição do Festival de Lençóis, na Chapada Diamantina. A noite de sábado também foi contagiada pela banda Spectro, Zion e Família Grãos de Luz e Griô. Durante três dias, o Festival de Lençóis atraiu milhares de pessoas; destaque para os shows de Saulo, Maria Rita e Àttooxxá. Em toda a extensão do palco, projeções de vídeos do VJ Gabiru encantaram o público com imagens da Chapada Diamantina e desenhos coloridos. Sucesso!

Grupo formado por Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown, inauguraram a sua primeira turnê internacional em Salvador, no último dia 28 de julho, na Arena Fonte Nova. Hinos como “Já Sei Namorar”, “Água Também É Mar” e “Velha Infância” animaram o público que esperou por 16 anos por um show do trio. Música brasileira de primeira!

Divulgação

Jau

Thiago Del Rey/Divulgação

Os Tribalistas

A jornalista e escritora Vanessa Brunt lançou o seu mais novo livro “Depois Daquilo” (Chiado Editora), no final do mês de julho, na Livraria Cultura, em Salvador. A obra, com crônicas, frases e poesias intercaladas, reflete sobre ética, sucesso e relacionamentos atuais. Na ocasião, a  mamãe orgulhosa, Rita Brandão, apresentadora do programa “No Paladar”, da TV Salvador, distribuiu deliciosos cupcakes personalizados.  Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 113


O balanço das

“redes sociais”

Fernando Farias

Escritor, palestrante & articulista www.blog.fernandofarias.com.br fernando.farias@fernandofarias.com.br

A humanidade começou a se preocupar com a privacidade, que se refere ao direito à reserva de informação pessoal, entre os séculos XVII e XVIII. Daí, então, o homem passou a controlar a exposição de sua imagem e as informações acerca de si mesmo, bem como a quantidade de contatos em sua vida, a chamada, hoje, rede de relacionamentos. Com a evolução dos tempos, o zelo e a cautela sobre a intimidade foram ficando cada vez mais abertos, atravessando um processo de metamorfose, chegando ao século XX, na “sociedade da imagem” e da estética, potencializados pela mídia. Assim, diferentemente do passado, as pessoas espontaneamente revelam a sua privacidade, motivadas pelo desejo de status, visibilidade e reconhecimento público de suas vidas. E tudo isso ocorre dentro da veloz realidade do século XXI, com a evolução tecnológica e digital, que possibilita a conexão em rede, através das redes sociais, que estimulam a visibilidade das pessoas, marcas e produtos, ampliando a noção de beleza, multiplicidade de contemplações, miragens de progresso, sonhos, magnetismo e até ideais inatingíveis. O ambiente on-line passou a ser o campo visual dos superlativos, gerando novas tendências, mudando as leis de mercado; sendo impossível ignorar essa nova realidade, em um cenário de novos conceitos, inovação e 114 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

referências para ler o mundo, explicando a humanidade, os novos valores e instituições. Assim, transformando a realidade social, invadindo a intimidade humana, já que a internet, com o desenvolvimento das novas tecnologias, alterou a visão de como cada pessoa, na atualidade, vê a privacidade. Principalmente, no ambiente on-line, extravasando os conceitos de isolamento e tranquilidade.

A privacidade está morta: a rede social a matou Pete Cashmore

O impacto da socialização digital é brutal em nossa sociedade. Nas redes sociais, os usuários mais descontrolados estão sendo levados ao vício, estando presentes os seus acessos não só nas casas ou no trabalho. Ou ainda nos ambientes públicos, a olhos vistos. E, em sua maioria, deslumbrados com os efeitos e as facilidades de aplicativos, em tempo real, por todo o planeta, começam a se expor das mais variadas formas, inclusive com “nudes”, tornando o mundo exageradamente ilustrado, escancarando toda a sua intimidade, sem gerenciar os riscos. Ignorando as orientações de política de privacidade, muitas vezes, abrindo flancos aos mal-intencionados.

Pela divulgação direta e indireta de dados pessoais, a partir das redes sociais e de sites de relacionamentos, as empresas capturam informações sobre os usuários, oferecendo produtos e serviços, em conformidade com o perfil de cada um. Estamos todos sendo observados! Os últimos acontecimentos que abalaram o mundo tecnológico e digital já revelaram que dados pessoais e detalhes sobre atividades on-line foram coletados e utilizados sem que os usuários tivessem dado autorização, em uma trama mirabolante que ainda está sendo investigada com rigor. A privacidade é, de fato, um tema de muita seriedade! Que, como vimos, agora, tem novos contornos no mundo contemporâneo e que não está sendo ignorada pelas políticas legislativas e públicas, já dispondo de legislação específica e órgãos de repressão dos crimes cibernéticos. Destarte, em face desta nova realidade, o comportamento humano vem oferecendo a sua intimidade em rede; as pessoas são influenciadas pela mídia, que expõe a vida e o glamour dos artistas de novela, modelos e jogadores de futebol, entre outros, para, também, ganhar visibilidade e reconhecimento. Fica claro que a privacidade acabou. Agora, é necessário fazermos uma releitura dos nossos comportamentos e das novas garantias de segurança, repensando o mundo pós-privacidade.


Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 115


Party

Rodrigo Palhares e João Eça

Solar Cunha Guedes

Vina Calmon

116 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Maria Caroline Correia

Michele Nolasco, Tamara Palhares, Ananda Lage e Fernanda Palhares


Party

Dani Brugni

Érika Martins e Ana Carolina Andrade

Clara Lisboa e Rodrigo Palhares

Fernanda Drummond

Gustavo Costa Lino, Flavia Rey, Ramey Raja e amigo

Enio Jr. e Thalita Petitinga

Alexandre Franco, Natalia Marchesini e Eduardo Schnitman

Guilherme Caldas e acompanhante

TANQUERAY Team

Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 117


Party DISCO Mercedes-Benz Em parceria com a Rodobens e a agência Caminho das Pedras, criamos a festa DISCO Mercedes-Benz, primeiro evento nominativo da marca alemã no Nordeste, que aconteceu dentro do showroom Mercedes-Benz na Av. Paralela, em Salvador, para 600 convidados privilegiados. E, claro, teve o apoio e a cobertura da Revista Let’s Go!

Live de Filipe Evans

Rodrigo Palhares e Ana Paula Lima

Dj Cris Proença (Residente Bagatelle-SP)

Herbert Junior, Catarina Dias, Guto Corrêa e amigos

Zao Sampaio, Rodrigo Palhares e amigo

118 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Herbert Junior, Verônica Villas Boas e Hugo Farias

Dj Hugo Haus

Gabriella Rocha

Nenel Rebouças

Marcelo Zollinger Filho e acompanhante


T I V O L I

H O T E L S

&

R E S O R T S

F O R T I M E L E S S

T R A V E L L E R S

M ais que um re sort, um paraĂ­so esculp id o p e la nature za

T ivo li Ecoresort Praia do Fort e www.tivoli hotels.co m | T: +5 5 71 3 676 4 000 | Ba h ia , Bra s il

Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 119


Autos

Mini une visual retrĂ´ ao mundo da

modernidade

120 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018


Autos As linhas em estilo retrô e a tecnologia embarcada são alguns dos predicados do carrinho inglês

Charmoso, o Mini Cooper encanta por onde passa. Linhas ao estilo retrô e muita tecnologia embarcada são alguns dos predicados das versões de três portas e cinco portas do carrinho inglês. A nova geração do Mini Cooper enaltece hoje a modernidade com toques de acabamento premium, pacote de conforto e de conectividade e opções de motor.

Por Roberto Nunes

O modelo de três portas chega nas versões Cooper Exclusive, Cooper S e Cooper Top. Já o cinco portas tem as configurações Cooper e Cooper S. A versão mais cara é a John Cooper Works.

Fotos: Divulgação

O novo Mini surgiu em janeiro no Salão do Automóvel de Detroit e tem preços que chegam a R$ 180 mil

Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 121


Autos

Ao visual do carro foram incorporadas lanternas com luzes de LED que formam o desenho da bandeira do Reino Unido

O novo Mini surgiu em janeiro no Salão do Automóvel de Detroit e tem preços que chegam a R$ 180 mil. O mais básico sai por R$ 120 mil. O carrinho vem equipado com  propulsor menor 1.5 TwinPower Turbo de 3 cilindros e 136 cavalos e 220 Nm de torque, nas configurações Cooper Exclusive 3P, MINI Cooper Top 3P e MINI Cooper 5P. Mas há também o Mini com motor 2.0 TwinPower Turbo de 4 cilindros e 231 cavalos e 320 Nm de toque, no badalado John Cooper Works 3P.  O hatch tem dimensões compactas e é valorizado pelo pacote mecânico, com três novos tipos de transmissão: automática Steptronic de sete velocidades com dupla embreagem para os carros equipados com a motorização “Cooper”; automática Steptronic esportiva 122 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

A nova geração do Mini Cooper enaltece hoje a modernidade com toques de acabamento premium, pacote de conforto e de conectividade e opções de motor. de sete velocidades com dupla embreagem para os carros equipados com a motorização “Cooper S”; e automática Steptronic esportiva de oito velocidades para os carros equipados com a motorização “John Cooper Works”.  O novo Mini ganhou novidades pontuais no seu visual. Incorporou lanternas com luzes de LED que formam o desenho da bandeira do Reino Unido. Seu habitáculo tem uma nova ilu-

minação que forma a bandeira da terra natal do Mini. O hatch possui uma central multimídia com sistemas Apple CarPlay e Android Auto. Como todo carro moderninho, o dispositivo pode ser emparelhado pelo smartphone e todos os apps são desfrutados na tela. A fabricante inglesa oferece o hatch em 13 opções de cores e outras três opções de pintura de teto. Entre as cores de carroceria, existem seis tons considerados clássicos (azul, branco, preto, verde, vermelho e cinza), cinco modernos (azul, cinza melting, cinza thunder, laranja e prata), um especial (azul lapisluxury) e apenas um sólido que não encarece o valor final do carro (cinza moonwalk). Já o teto pode ser pintado na mesma cor da carroceria, de preto ou branco.


Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 123


Autos e Motos

Luxuoso Audi Q8 será destaque no Salão do Automóvel em novembro

O Salão Internacional do Automóvel de São Paulo já tem data e local. Agende aí: será entre os dias 8 e 18 de novembro, no São Paulo Expo, na capital paulista. Há boas e más notícias para o mercado brasileiro. Já está confirmada a ausência de, pelo menos, cinco marcas (Peugeot, Citroën, Jaguar, Land Rover e JAC) na feira, a maior do gênero automotivo na América Latina. Mas a 30ª edição do Salão do Automóvel reserva, também, lançamentos e apresentações bombásticas.

Fotos: Divulgação

A Audi promete trazer o luxuoso Q8 para o seu estande. Desvendado para o mundo, o novíssimo Q8 é o suprassumo do luxo no mundo dos SUVs. O modelo tem formas de cupê e qualidades de utilitário. São quase cinco metros de comprimento, três metros de distância de entre-eixos, dois metros de largura e 1,71 metro de altura. O veículo avança em espaço e na mais moderna tecnologia embarcada. Se comparado com o irmão menor Q7, o Audi Q8 é mais confortável e cheio de detalhes inovadores. A Audi aposta na grade singleframe com design octogonal, spoiler pronunciado e grandes entradas de ar na parte dianteira. O teto é inclinado e termina em colunas D suavemente inclinadas. Suas rodas são de 22 polegadas e há acabamentos nos arcos das rodas e nas portas. Os faróis são de LED e há tecnologia HD Matrix LED disponível como opcional. Ainda não há definição de preços e mecânica para o carro que chega no ano que vem ao Brasil.

Roberto Nunes

Jornalista automotivo mr.robertonunes@autosemotos.com

Golf e Variant ganham melhorias A Volkswagen apresentou a dupla renovada Golf e Variant no Brasil. Se é para mudar, que seja para melhor. O hatch Golf, ícone da indústria automotiva em todo o mundo, ganhou alterações na mecânica e no pacote de itens ofertados no país. Produzido em São José dos Pinhais (Paraná), o hatch médio da VW chega com preços entre R$ 91.790 e R$ 143.790 nas três versões – Comfortline, Highline e GTI. Detalhe é a oferta da transmissão automática de seis marchas para a versão Comfortline, combinada ao motor 200 TSI Total Flex, de 128 cavalos. O esportivo GTI é mais nervosinho com o motor 350 TSI de 230 cavalos. Já o Golf Variant vem da planta de Puebla (México) nas versões Comfortline e Highline, ambas equipadas com o motor 250 TSI Total Flex, de 150 cv, e transmissão automática de seis marchas.

124 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018


Autos e Motos Chegou a nova Fireblade

ACELERADAS

A Honda tem motos para todos os gostos. A marca japonesa apresentou a versão atualizada da superesportiva Fireblade. Com visual renovado e pegada ainda mais forte, a CBR 1000 RR Fireblade é de tirar o fôlego. A nova geração da Fireblade ganha versão especial SP limitada em apenas 25 unidades.

GUEBOR E SEUS 50 ANOS NA BAHIA A Guebor, revenda exclusiva Toyota, iniciou as comemorações dos 50 anos de serviços prestados ao consumidor da Bahia. No mês passado, aconteceu a festa de inauguração da nova concessionária da Pituba. Totalmente reestilizada e dentro dos padrões globais da Toyota, a Guebor Pituba está com um showroom maior, oficina com maquinário renovado e profissionais amplamente qualificados na venda e no pós-venda de modelos como o Etios, RAV4 e SW4.

O modelo está mais leve e mais potente – com 11 cavalos a mais no seu motor de 4 tempos e sistema de arrefecimento a líquido projetado para gerar 192 cavalos de potência a 13.000 rpm. Se é para acelerar, a Fireblade é uma máquina de performance. Despeja rapidamente seus 11,82 kgf.m de torque a 11.000 rpm (gasolina) e seus 192 cv fazem parte do au-

mento de 14% da relação peso/ potência. A Honda caprichou e usa agora um novo quadro em alumínio tipo Diamond de dupla trave, remodelado para garantir mais eficiência na pilotagem. A Fireblade sai por R$ 69.900, disponível na cor vermelha, e R$ 79.900 na versão CBR 1000RR Fireblade SP.

Yaris é o novo carro da Toyota Reconhecida pela mecânica confiável, a Toyota quer ir além. Com modelos bem posicionados (Corolla e Hilux), a marca japonesa faz mais uma ofensiva para conquistar o mercado brasileiro. Lançou o Yaris, nas carrocerias hatch e sedã, para entrar na briga com o Polo e o Argo no segmento dos hatches compactos-médios, e com o Virtus e o Cronos entre os sedãs. O novo Yaris vem equipado com a opção dos motores 1.3 e 1.5 (ambos flex) e a transmissão manual de seis velocidades

ou câmbio automático do tipo CVT, o mesmo conjunto motriz do já consolidado Etios no Brasil. São cinco versões do hatch e mais cinco do sedã. O Yaris é vendido na faixa dos R$ 60 mil. O Yaris sedã tem só o motor 1.5 com preços que partem de R$ 63.990 (XL manual) e vai até R$ 79.990 no topo da gama XLS CVT (R$ 79.990). Entre os diferenciais estão o visual, o pacote de itens de segurança e o espaço. O porta-malas do sedã comporta 473 litros. Destaque para a oferta do teto solar, exclusivo entre os hatches médios.

CHAPADA DIAMANTINA Seabra foi a sede do II Encontro de Carros Antigos da Chapada, nos dias 4 e 5 de agosto. O movimento do antigomobilismo - os apaixonados por modelos fora de série - cresce em todo o mundo e também no Brasil. Na Bahia, há grandes colecionadores como o empresário Jorge Cirne, dono do Fusca alemão de 1949, o mais antigo do Brasil. CHINÊS OCIDENTALIZADO O empresário Thiago Bonina, da Bahia Vip, garante que o lançamento do SUV X80 vai mudar radicalmente o conceito dos carros “Made in China” no país. Produzido no Uruguai, o X80 é um SUV de sete lugares e entra no universo premium. Tem frente imponente, multimídia com tela de 8” e espelhamento de smartphones, assistentes de partida em rampas e de descida, controles de tração e estabilidade e seis airbags. Tem motor 2.0 turbo (com injeção direta de gasolina), de 184 cv, e câmbio automático de seis marchas. Sai por R$ 129.777. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 125


Náutica

Atravessando o

Oceano Índico

Por Aleixo Belov Fotos: Leonardo Papini

Essa aventura será contada em capítulos. Neste, contextualizo um pouco a viagem, na qual eu e a minha tripulação resolvemos atravessar as 5 mil milhas do Oceano Índico - de Bali, na Indonésia, até Durban, na Áfri-

ca do Sul - de uma só vez a bordo do veleiro-escola Fraternidade. Na realidade, tínhamos três ilhas pelo caminho: Christmas, Maurítius e La Réunion. Mas resolvemos não parar. Foram 42 dias de pura água.

Aleixo Belov cruzou o Oceano Índico a bordo do veleiro-escola Fraternidade 126 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Christmas, por ser uma ilha pequena, é atendida apenas por aviões pequenos e não seria possível receber a nossa vela grande nova, por ela ser muito pesada. Além disso, é uma ilha australiana, é necessário o visto para entrar, e estaríamos sujeitos a muita burocracia. Desviamos também de Maurítius e La Réunion por estarem em uma latitude onde, entre os meses de março e abril, desenvolvem-se ciclones. Já desde a saída de Bali fomos avançando rapidamente mais para o sul, nos antecipando, apesar dos ciclones serem mais frequentes já perto de Maurítius, estendendo-se até onde fica Madagascar. Observando a previsão de tempo, percebemos que uma forte depressão estava indo ao nosso encontro, enquanto a pressão baixava bruscamente. Mudamos o rumo e fizemos


Náutica as nuvens, os ventos e, às vezes, à noite, com as estrelas. As poucas aves que surgiam, cansadas, se desesperavam para pousar na ponta dos mastros, arriscando quebrar o indicador de vento.

Aleixo Belov: “Eu guardo essa carta com muito carinho, ela é cheia de nostalgia”

tudo para nos afastar dela. Deu certo. Repetimos essa manobra outras vezes com sucesso. Ou, pelo menos, não pegamos a depressão em cheio, somente o aguaceiro que despencava do céu e uma parte de seu vento. No veleiro Três Marias, eu não tinha previsão de tempo, pelo menos não sofria por antecipação. Mas também não conseguia me programar. Com a previsão, consegui controlar a velocidade do avanço e chegar em uma janela de vento brando, entre dois ventos fortes, um de nordeste e outro de sueste. Ia marcando na carta bastante surrada e ensebada os pontos de nossa posição diária e me lembrando de quantas vezes havia passado por ali. A primeira vez foi em 1981, na primeira volta ao mundo, a bordo do veleiro Três Marias, solitário e em plena estação de ciclones. Observava as retas de posição do sol e das estrelas marcadas na carta, ainda no tempo do sextante. A segunda vez foi em 2001, na terceira volta ao mundo, ainda com o veleiro Três Marias, marcando os pontos já pelo GPS. E agora, pela terceira vez, em 2018, a bordo do velei-

ro-escola Fraternidade, novamente durante uma estação de ciclones, mas por uma rota bem mais ao sul, para fugir deles. Eu guardo essa carta náutica com muito carinho, ela é cheia de nostalgia, faz parte da minha história e da história da minha navegação pelo nosso planeta. Às vezes, eu sentia o quanto estava distante de qualquer terra mais próxima, pois até as aves marinas tinham desaparecido, deixando-nos a sós, apenas com

Apesar da neblina, os prédios altos da beira da praia foram aparecendo. Não parecia uma cidade africana, lembrava a Europa. Pelo rádio, pedi licença para avançar pelo canal entre dois quebra-mares e depois de estar em área abrigada contatei a Durban Marina, que mandou um barquinho com dois funcionários me guiar até a vaga e ajudar a encaixar o Fraternidade em um lugar apertado. O barco parecia ter o dobro do tamanho dos outros e ficava com a metade do corpo fora da vaga. Foram 42 dias de mar sem escala, fora da boa estação. Nunca em uma travessia tive que rizar os panos tantas vezes. Vocês não podem imaginar como eu gostei de ter chegado a Durban no dia 9 de maio de 2018. Estava, mais uma vez, de volta à África. Na próxima edição, contarei um pouco mais dessa aventura para vocês. Aguardem!

Aleixo e a sua tripulação partiram de Bali, na Indonésia, chegando a Durban, na África do Sul, depois de 42 dias de viagem Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 127


Esportes

Causos de

pescador Amantes da pesca contam as suas experiências em alto-mar e mostram como o hobby tem se profissionalizado Por Andréa Castro

Encarar longos momentos de solidão ou horas a fio lutando contra um peixe gigante em alto-mar, nada disso é motivo de tormenta para quem tem a pesca como a sua mais prazerosa forma de lazer. O hobby tem se profissionalizado cada vez mais, mas a essência continua a mesma: a busca por algo mais que só a natureza é capaz de proporcionar. Nem mesmo um câncer de pele ainda em tratamento foi capaz de fisgar Seu Manolo quando a paixão pela pesca o convocava. Recém-operado, ele deixou as recomendações médicas de lado para participar de um campeonato. “Eu não me lembrava de nada quando ia para o mar! Em terra, tudo doía, ficava mal, mas quando eu saía para a pesca parecia que todos os meus problemas desapareciam”, garante Manolo Fernandez, um veterano da pesca na Bahia, no auge dos seus 70 anos de idade. 128 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Foi veraneando em Mar Grande, na Ilha de Itaparica, que Manolo, ainda criança, ia pescar de vara acompanhado da mãe. Ele lembra como a força da maré de março arrebentava as vidraças das casas próximas ao cais. “Com 13 anos, eu já pegava carona com os saveiristas, que me deixavam nos recifes sozinho durante horas pescando e enfrentando alguns ‘perrengues’”, conta. Manolo relata que nessa época fazia pesca de

mergulho com arpão de mão, mas difícil mesmo era encarar uma barracuda. “Dava medo, pareciam dentes de cachorro”, afirma referindo-se ao peixe sphyraena. Ainda na ativa quando o assunto é pesca, Manolo fala com um entusiasmo de menino ao contar as suas aventuras pela Bahia e pelo mundo. As histórias são muitas, mas, para não parecer “causos” de pescador, ele garante que só


Ganhando o mundo Outro veterano na pesca, da turma, é Ângelo Sá. Ele começou um pouco mais tarde, aos 20 anos, quando o seu irmão mais velho já participava de torneios internacionais. Eles compraram uma lancha e passaram a participar de eventos também fora do país, como na Venezuela e no Panamá. “O Panamá é o melhor lugar do mundo para se pescar. Lá, além da quantidade, a variedade de peixes é impressionante”, afirma. No Panamá há uma série de resorts ao lado do Pacífico, com as suas águas calmas, como o próprio nome sugere. E um dos ícones desse cenário é o Tropic Star Lodge, um renomado resort no âmbito da pesca, localizado na Baía Piñas. O Lodge está em uma encosta na montanha da selva do Darien e só se pode chegar lá a barco ou em voo charter. A remota zona do Pacífico brinda os seus visitantes com marlins pretos, azuis, listrados e o atum amarelo, entre outros. No Panamá, na Venezuela ou no Brasil, a sensação de pescar é uma experiência única. “Tiro todos os problemas da minha cabeça e os coloco na cabeça do peixe”, brinca Ângelo. Segundo ele, a pescaria é um esporte de muito relaxamento, além da ale-

Equipe Maria Mar levantando muitos peixes. Torneio de Fundo 2012

Jotta

conta o que pode provar. Especializado em pesca oceânica, em Salvador, ele e os amigos teriam passado já 12 horas lutando para pegar um marlim azul enorme. Outro momento que o marcou foi quando, na Austrália, um tubarão-martelo comeu um marlim preto, bem à sua frente, deixando apenas a cabeça.

Xande Cunha Guedes/Divulgação

Esportes

Orlando Amaral e Manolo Fernandez têm a pesca como o seu passatempo preferido

É na agitação e na calmaria dos oceanos que os amantes da pesca encontram um refúgio para esquecer os problemas e buscar a verdadeira felicidade. gria de compartilhar momentos com os amigos. “Fica aquela expectativa para não perder o peixe, tem o fator surpresa, e é prazeroso quando a gente pega

algum”, conta, fazendo questão de lembrar-se de outros companheiros como Francisco Gordilho, Fernando Barros e Lucas Abud - este é de uma geração mais nova, mas com muitos títulos acumulados. Ângelo também angariou recordes. Um deles foi com um marlim de 350 kg que ele levou três horas e meia para capturar, um feito inédito naquele tempo.

É água do mar, é maré cheia, mareia... Que a pesca dá muito prazer ninguém duvida. Mas acostumar-se ao balanço do mar é um desafio que precisa ser enfrentado pelo marinheiro Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 129


Xande Cunha Guedes/Divulgação

Esportes

Equipe Mahi Mahi recebendo premiação do Torneio de Santo André

A relação de Antônio Couto com a pesca começou desde os seus 11 anos. Nascido no bairro do Santo Antônio Além do Carmo, ele veraneava nas praias de Itapuã quando criança. Com os nativos, aprendeu a pescar com vara e um arpão artesanal. Recorda-se rindo do monte de chicharros (Trachurus trachurus) e siris que pegava lá e na Ilha de Itaparica. Peixes muito mais fáceis de encontrar em relação aos que ele pesca atualmente em Morro de São Paulo, onde possui uma pousada.

as técnicas e os equipamentos de pesca têm evoluído, mesmo para aqueles que lidam com a pesca como hobby. “A evolução é brutal. A pescaria de fundo era manual e só conseguia descer até 60 ou 70 m, no máximo. Depois, surgiram as carretilhas elétricas, que permitem atingir até 800 m. Você segura a linha e quando ferra o peixe aciona o motor e a carretilha o traz”, explica.

Arquivo pessoal

iniciante. “É necessário acostumar o labirinto, a parte interna do ouvido”, afirma Antônio Couto, mais um marujo da trupe, referindo-se aos enjoos comuns no início da atividade.

Ângelo Calmon já pescou um marlim de 350 kg, que levou 3 horas e meia para ser capturado

Evolução da pesca O engenheiro civil Orlando Amaral conta que se encantou com a pesca quando, ainda menino, seu pai tinha um barco e eles saíam para passear. “Meu pai colocava uma linha no toldo do barco com uma colher e o arrastávamos. Sempre vinha uma cavala, aquilo me marcou”, relata. Hoje, ele mexe com todo tipo de pesca – desde a de arrasto ou corrico, com a lancha devagar, as linhas na água com 130 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

as carretilhas, até a pesca parada, manual ou com a carretilha elétrica. “Temos muitos peixes bons de fundo, badejo, vermelho; uma pesca interessante seguindo as paredes para o norte ou sul da Bahia”, garante. Orlando, que também tem uma vasta experiência fora do país, pescando em locais como Haiti, México, Bahamas, Jamaica e Ilhas Virgens, explica como

Mais recentemente, o pescador conta que houve a evolução para o jigging, pedaço de ferro vertical inventado pelos japoneses. “Você tem o equipamento certo da vara elétrica ou manual, com movimentos adequados de levantar e baixar. No mundo todo há muitos adeptos, faz muito sucesso”, afirma Orlando. Já sobre a pesca de arrasto, a grande evolução seria o anzol circle hook. “O circle hook não ferra o peixe, porque o peixe de bico é proibido de ser embarcado. Desta forma, os peixes são todos liberados, pois a peça é circular, de linha fina, leve, não machuca o animal”, garante. De acordo com ele, todos os torneios são filmados e os peixes são devolvidos à água para garantir a sua preservação. “É a pescaria mais emocionante”, declara.


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Luxo

Review

de inverno

Uma seleção com os grandes lançamentos que movimentaram o mercado de luxo no primeiro semestre do ano. Que tal aproveitar a temporada de férias para conferir de perto o que há de mais especial por aqui? Aprecie o roteiro a seguir sem moderação!

Ainda na capital paulista, o Palácio Tangará comemora o seu primeiro ano de funcionamento. O antigo casarão, transformado em um verdadeiro oásis urbano, é rodeado pela paisagem verde do Parque Burle Max. Antigo palácio do empresário Baby Pignatari e de sua esposa Ira Von Furstenberg, a Chácara Tangará, como era chamada na época, teve a sua revitalização arquitetônica e além das luxuosas acomodações oferece um impecável lobby, bar, restaurante, SPA e 11 salões de festas.

A Louis Vuitton, em parceria com a FIFA, apresentou uma coleção para acompanhar a Copa do Mundo. Além de duas versões exclusivas das bolsas Apollo e Keepall, uma seleção de peças menores em couro, feitas com o inovador acabamento em marca d’água, em uma versão do clássico couro Epi da Maison. Disponível para venda no site da marca ou no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. 132 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Fotos: divulgação

Ainda falando sobre destinos, para quem consegue ter um tempo maior na agenda, uma novidade diretamente de Florença, na Itália. Construído há 125 anos, em 1893, o Hotel Savoy anuncia a sua reabertura

Patricia Zanotti Jornalista

após seis meses de uma extensiva reforma. O novo projeto procurou criar um ambiente único, buscando levar ao cenário atemporal toda a essência do designer italiano Emilio Pucci. Além dos espaços públicos, os quartos e as suítes, reduzidos de 102 para 80, foram completamente reestruturados e aumentaram de tamanho para oferecer aos hóspedes uma experiência mais luxuosa e mais espaçosa. Todos os quartos e suítes foram concebidos para dar uma sensação de calma e


Luxo

Por fim, para quem preferir passar o mês de julho em casa e renovar a decoração dos ambientes, a Tiffany & Co. acaba de lançar a sua coleção Home & Accessories no Brasil. Com a ideia de que as peças não devem ser limitadas a ocasiões especiais, essa nova coleção mostra uma visão da marca sobre a vida moderna, em que criatividade e inteligência se encontram com os melhores materiais. Feitos à mão em prata de lei, produtos como régua, canudo, caixa de primeiros socorros e copo de papel se tornam peças extraordinárias nas mãos dos artesãos da Tiffany & Co. Esses cobiçados acessórios possuem um charme que é por excelência uma característica da marca. A casa de luxo é conhecida por sua abordagem irreverente ao design, e o seu histórico serve como fonte de inspiração para uma série de objetos nessa coleção, muitos dos quais podem ser gravados para que se tornem únicos.

tranquilidade e os tons tranquilos foram combinados com os tecidos luxuosos, criando uma sensação predominantemente italiana, refletindo a essência da marca Rocco Forte. Além disso, no 5º andar encontra-se a suíte única de dois andares, com uma vista panorâmica dos telhados de Florença. Por falar em moda, a Prada desfilou a sua coleção primavera/ verão 2019, masculina. Uma configuração sofisticada que traz a moda para o primeiro plano, questionando a prática recente de que o showspace é um esforço esclarecedor para contextualizar as coleções. O visual rústico do espaço na Via Fogazzaro, em Milão, contrasta com a precisão cartesiana do set, ampliando a elegância industrial do showspace. O ambiente é tratado como um campo arquitetônico, que controla a dinâmica do desfile: uma grade define as áreas dos espectadores, enquanto quatro diferentes trajetos são deixados livres para que os modelos caminhem longitudinalmente, impondo um rigoroso layout.

Para o público feminino, uma novidade de beleza: o novo Terracotta Cushion, da Guerlain, chega em edição especial e limitada, na versão cushion. Assim como todos os produtos da família, ele cria um bronze natural. Com fator de proteção solar 20, realça a pele, a deixa radiante e cheia de vitalidade, fresca e leve. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 133


Garimpando

México, entre o céu e o mar A menos de uma hora de carro de Puerto Vallarta está Punta Mita, um dos pontos mais sofisticados do litoral mexicano. O local é uma incrível área particular de 6 km2 onde estão presentes dois luxuosos hotéis: o Four Seasons e o St. Regis, além das mais fantásticas e sofisticadas villas administradas pela Trip Wix, casas particulares alugadas para turistas com toda a infraestrutura de serviços e conforto. Punta Mita recebe o turista que busca muita exclusividade, além de exuberantes praias, paraísos repletos de baleias e golfinhos. Está ali o único campo de golfe do mundo a ter o “green” em uma ilha natural (que recebe o nome de Rabo da Baleia) e para chegar ao buraco é preciso pegar um veículo anfíbio. Uau!

Ir ao México é o mesmo que ir ao encontro da mais intensa alegria e beleza resumidas em um destino. Há anos, fui à costa oeste do México e à Cidade do México e me encantei com o que vivi por lá. Agora, repeti essas experiências agregando ao roteiro Guadalajara. Foram dias sensacionais. Puerto Vallarta e Punta Mita, na Riviera Nayarit, são, hoje, destinos dos hypes internacionais. Tomei o voo no Dream Liner, da Aeroméxico, entre São Paulo e a Cidade do México. Cheguei inteiro e descansado, pois essa aeronave consome menos gás carbônico e oxigena muito mais a cabine, dando-nos uma sensação plus de conforto. De lá, voei para Puerto Vallarta, uma cidade alegre, colorida e com um mar de um azul infinito. Hotéis de luxo sensacionais como o Hilton e o Mousai são perfeitos para dias com quem amamos.

134 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Fotos: Arquivo pessoal

Gastronomia fantástica próxima ao malecón, a mais descolada Orla pela qual já caminhei em minha vida. Vale ressaltar os dois restaurantes que mais gostei: o Tintoque, fusion cuisine, e o Vista Grill, especializado em peixes e frutos do mar. O centro histórico é puro charme e mantém todas as características do antigo vilarejo, entregando-nos a pura alma mexicana com música, alegria e sabores. Passeios fantásticos de barco, curtindo Los Arcos e Las Animas, são obrigatórios, verdadeiros deleites.

Em frente à praia do Hotel St. Regis estão as Ilhas Marietas, um complexo de pequenas ilhotas que formam um deslumbrante

Marcelo Sampaio

Apresentador e influenciador digital @garimpandolife

visual no meio do mar. De lá seguimos de carro para Guadalajara, capital do Estado de Jalisco, a oeste do México. Chegamos à cidade dos mariachis e também na região das tequilas. Visitamos em Tequila, a 40 minutos de Guadalajara, uma das mais importantes destilarias, chamada La Cofradía, um escândalo de lugar! Comprei até uma garrafa com a assinatura do famoso guitarrista mexicano Carlos Santana. Em Guadalajara, um bairro de nome Tlaquepaque é puro charme, onde estão os mais animados e deliciosos restaurantes com a apresentação dos mais importantes grupos de maria-

A pintora Isabelle Tuchband se encanta com a diversidade artística do Museu Dolores Olmedo


Garimpando Hospedar-se em uma excelente localização é fundamental, e dessa vez ficamos no boutique e confortável Hotel Le Meridien, na Avenida de La Reforma, uma das mais conhecidas e sofisticadas da capital. Indico também o Hotel Four Seasons, um ícone local com alta qualidade.

Praia de areia branca de Puerto Vallarta. Ao fundo, o luxuoso Hilton Puerto Vallarta Resort

chis. Ainda no bairro concentram-se galerias de arte, lojas de coloridos artesanatos, além de cafés e bares superdescolados. No centro histórico visitamos o Palácio do Governo e o Hospício Cabañas, antigo orfanato, com painéis do muralista José Orozco retratando momentos alucinantes da Revolução.

Os garimpeiros Marcelo Sampaio, Isabelle Tuchband, Verena Matzen, Paulo José Benevides e Rafael Cortez diante do grande painel de José Orozco no Palácio do Governo, em Guadalajara

Ficamos hospedados no Westin Hotel que apresenta um estilo contemporâneo e sofisticado, com alta qualidade em serviços em uma cidade que mantém as suas raízes. Por fim, a maravilhosa capital do país, que é o máximo o ano inteiro. A Cidade do México não para, respira alta gastronomia, alta hotelaria e cultura premium o tempo todo. Lá estão fantásticos museus como o de Antropologia, o de Frida Kahlo e Dolores Olmedo, imperdíveis! A arquitetura junto à arte espalhada por todos os cantos arrasa corações. Diego Rivera, o maior representante da arte mexicana no mundo, tem as suas impressões em diversos pontos da cidade. A capital é intensa. Curtir horas no histórico sítio arqueológico de Teotihuacán, entendendo as antigas civilizações e as suas surpreendentes pirâmides é de tirar o fôlego, assim como visitar a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira de todos os mexicanos. Caminhar pelo belíssimo centro histórico com a Plaza Central diante da catedral é encantador. Um país que sabe valorizar o que possui.

Um cantinho pitoresco da cidade é chamado de Xochimilco; trata-se de uma extensa rede de canais e é onde os locais se divertem dançando e cantando ao ar livre utilizando as trajineras (barcos enfeitados). Recebemos um banho de verdades mexicanas com o excelente receptivo Sat México Corporation, especialista em realizar inesquecíveis experiências. Vivemos um garimpo em que o tempo inteiro a alma mexicana esteve explícita, de braços abertos, com carinhos e alegrias. Conhecemos um vivo país de um exuberante povo, um destino recheado de paraísos e cultura.

O apresentador no Rabo da Baleia, principal buraco à beira-mar dos campos de golf de Punta Mita Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 135


Turismo

A magia do

Vale do Capão O local abriga uma paisagem impactante pela sua beleza natural, com serras, rochas e muito verde, e se caracteriza, principalmente, pelo turismo ecológico, gastronômico e espiritual Por Daniel Oliveira

Gleidson Santos/MTUR

As belezas da região da Chapada Diamantina, no interior da Bahia, são conhecidas nos quatro cantos do país. As suas grutas, rios, cachoeiras, sítios arqueológicos e cidadezinhas atraem visitantes do Brasil inteiro. Um turismo que cresce cada vez mais. Segundo informações do Ministério do Turismo, divulgadas em 2018, as cidades de Mucugê e Palmeiras são os lugares da região que apresentaram maior expansão, mudando, inclusive, de categoria enquanto polos de turismo. O aumento desse segundo

município se deve, sobretudo, ao Vale do Capão, que fica no distrito de Caetê-Açu. Com uma charmosa vilazinha cercada pela Serra do Sincorá, o Capão, como é chamado, está localizado dentro dos limites do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Já no caminho para chegar ao vale é possível enxergar a paisagem impactante pela sua beleza natural, com serras, rochas e mui-

to verde. Foi espaço de garimpo, no período de exploração de diamantes e outras pedras preciosas na região durante o século passado e, atualmente, se caracteriza, principalmente, pelo turismo ecológico, gastronômico e espiritual. Dos anos 1990 para cá, vem aumentando significativamente a quantidade de visitantes anualmente. Lá, acontece, há quase uma década, o famoso Festival de Jazz do Capão, organizado por Rowney Scott (músico, professor da Univer-

Morro do Camelo - Palmeiras 136 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018


João Ramos/GOVBA

Turismo

Poço Águas Claras, no Capão, em Palmeiras

sidade Federal da Bahia que acompanhou artistas como Caetano Veloso e Ivete Sangalo). O evento já levou ao Vale do Capão espetáculos dos jazzistas Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal. O Capão é um daqueles lugares que quem vai não se arrepende. Pelo contrário, deseja voltar o quanto antes. As suas cachoeiras, como a da Purificação, Rio de Preto, Angélicas e Riachinho, têm belíssimas quedas d’água. Tanto a trilha até chegar aos mirantes quanto o seu próprio atrativo têm os seus encantos. Durante o verão, as cachoeiras se tornam melhor para o banho, por conta da temperatura da água, que durante o inverno fica gelada. Os passeios são realizados com guias da Associação de Condutores de Visitantes do Vale do Capão (ACV-VC), que estão por toda parte. Um dos lugares também imperdíveis do Capão é a Cachoeira da Fumaça, atrativo fundamen-

Com uma charmosa vilazinha cercada pela Serra do Sincorá, o Capão, como é chamado, está localizado dentro dos limites do Parque Nacional da Chapada Diamantina. tal da Chapada. Até quem vai para Lençóis, Mucugê, Andaraí, geralmente, dedica um tempo para conhecê-la. A oferta de hospedagem também é ampla e variada. Atualmente, o vale tem mais de cinquenta pousadas. Há opções afastadas da vila, para quem deseja ficar com conforto dentro da mata e em contato íntimo com a natureza, como a Pousada do Capão e a Pousada Villa Lagoa das Cores, e outras mais próximas do centro da vila, como a Pousada Pé no Mato e a Pousada do Gordo.

Gastronomia cosmopolita A gastronomia também é um ponto forte do lugar, que tem se tornado cada vez mais cosmopolita com a chegada de moradores dos mais diversos países. É comum ouvir, andando pela vila, diferentes línguas sendo faladas ao mesmo tempo. Chefs de diferentes lugares do mundo ancoraram a vida por lá. Também não faltam opções. A Pizzaria Capão Grande, com apenas dois sabores vegetarianos (um salgado, cuja base é pesto e cenoura, e um doce com banana e canela), se destaca, junto com o Bistrô Pachamama e o Restaurante Mediterrâneo. Já o melhor café da manhã é, sem dúvida, o d’O Galpão, do argentino Diego, com comidas caseiras saborosas, entre elas cuscuz, iogurte natural e bolo de cenoura com chocolate, que garantem a energia para as longas caminhadas pelo vale ao longo Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 137


Turismo

Jota Freitas/Divulgação

também é muito procurado por quem busca equilíbrio espiritual, renovação de energia e autoconhecimento. São inúmeros os espaços de massagem, meditação e outros tratamentos holísticos, além de vilas alternativas, a exemplo do conhecido Lothlorien e da Fazenda Riachinho. Para quem vai com esse intuito, recomenda-se os períodos de baixa estação, nos quais o vale está mais vazio.

Chapada Diamantina

do dia. À noite, um lugar muito agradável é o Taverna, de Fabio Gonzalez, uma espécie de pub com grande variedade de bebidas, inclusive cervejas artesanais, como a Cavalo do Cão, produzida pelo proprietário. O delicioso pastel de palmito de jaca, iguaria local, é encontrado em diversos lugares e fica melhor ainda quando acompanhado pelo caldo de cana.

Lugares imperdíveis: - Circo do Capão - Cachoeira da Fumaça - Cachoeira da Purificação - Riachinho - Rio Preto - Coreto da Vila do Capão - Pizzaria Capão Grande - Café O Galpão - Taverna

Pastel de Jaca

Vale do Capão 138 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Caiã Pires/Divulgação

Silvana Sepúlveda/Divulgação

Açony Santos/Divulgação

Além da experiência mais próxima da natureza e os prazeres da boa gastronomia, o Capão

Riachinho, Vale do Capão

Os feriados mais animados, com festas no coreto central da vila, são os de Carnaval, São João e Réveillon. No início do ano, em janeiro, acontece também a tradicional festa do padroeiro, São Sebastião, com mais de uma semana de forró e música. Um momento especial no vale, quando os moradores confraternizam nas ruas, se divertem e pedem ao padroeiro para que o ano seja muito bom. Embora cada momento do ano tenha a sua singularidade, em qualquer época vale conhecer esse paraíso que é o Vale do Capão.


Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 139


Sessão Pipoca

Gabriela Ponce Tradutora, revisora e apaixonada por cinema

O Lado Bom da Vida

Recomeçar, reinventar-se. ressignificar, readaptar-se, readequar-se, reestruturar-se, planejar mudanças; verbos não nos faltam. O tema desta edição da Revista Let’s Go já foi abordado diversas vezes em obras da sétima arte; muitas delas encantaram plateias mudo afora e serviram de motivação para muita gente. São filmes que nos contam histórias de superação, de “virada de jogo” na vida, de guinadas e mudanças em destinos. Com oito indicações ao Oscar, o filme que trago como inspiração e exemplo de readaptação e de mudança de rumos é “O Lado Bom da Vida” (Silver Linings Playbook, 2012), sucesso de crítica - 92% de aprovação no Rotten Tomatoes - e de bilheteria ao redor do mundo e com o título (melhor) traduzido em Portugal como “O Guia para um Final Feliz”. Quem de nós não deseja um final feliz para as nossas vidas? O longa narra a história do personagem Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper), que, devido ao seu comportamento complicado e errôneo, teve a sua vida completamente desestruturada: perdeu o emprego, o seu casamento e a sua casa. Bi-

140 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018


Sessão Pipoca “O Lado Bom da Vida” é uma comédia dramática que inspira mudanças de rumos e, sobretudo, nos motiva a sermos otimistas, até nas situações mais adversas da vida. polar e excêntrico, Pat vai parar em uma instituição psiquiátrica para se cuidar após a separação; depois da internação, ele volta a morar com os pais, tendo que readaptar-se e enfrentar essa nova fase conturbada da vida. Ainda apaixonado pela ex-mulher e reconhecendo os seus erros, ele está disposto a reconquistá-la e a reconstruir a sua vida, porém acaba conhecendo a também problemática Tiffany, interpretada brilhantemente por Jennifer Lawrence - no papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz em 2013. Esse encontro provocará severas mudanças na vida de Pat e um redirecionamento em seus planos futuros. O filme de 2012 é uma adaptação do livro homônimo do escritor estadunidense Matthew Quick; foi o primeiro romance do autor, lançado em 2008. Com uma atuação fantástica de seus protagonistas, além do genial Robert De Niro no elenco, uma trilha sonora bem eclética, indo de Bob Dylan e Steven Wonder a Alabama Shakes, o premiado e bem criticado “O Lado Bom da Vida” é uma comédia dramática que inspira mudanças de rumos, além da prática da gentileza, a valorização da família e o amor aos entes queridos apesar de suas imperfeições - e, sobretudo, nos motiva a sermos otimistas, até nas situações mais adversas da vida. Coragem e ânimo a todos os que podemos reescrever e reconstruir as nossas histórias. Vivamos as mudanças! Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 141


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De olho nas Telas

Com o controle

na mão O perfil de consumo do espectador mudou, principalmente depois da internet, e o mercado precisou acompanhar essa revolução da indústria midiática e se reinventar. O melhor exemplo nas telinhas é a oferta de conteúdo em streaming nas superplataformas digitais através das quais - diferente dos veículos tradicionais, na versão on demand - o consumidor tem acesso a um conteúdo específico, de sua escolha, na hora em que quiser, sem interrupções de anúncios ou intervalos. Uma democratização na oferta de novas experiências através da diversidade de títulos disponíveis de séries, filmes, novelas, trazida por esse novo formato, a exemplo das gigantes do streaming Netflix, Hulu e Amazon, que também passaram a fazer as suas próprias produções. E não por mera coincidência esta edição trará uma dessas produções originais como a mais comentada (e por mérito).

A mais comentada

“The Handmaid’s Tale – O Conto da Aia” é um produto Hulu; uma série criada por Bruce Miller, baseada no romance homônimo de 1985 da escritora canadense Margaret Atwood. Sucesso de críticas, “The Handmaid’s Tale”, ainda durante a sua primeira temporada, com dois Globos de Ouro e oito Emmys, tornou-se a estreante da internet mais premiada e relevante dos últimos tempos. A série retrata uma época em que as mulheres, ao perderem os seus direitos, são mantidas como escravas sexuais sob o domínio e a vigilância de um rígido sistema religioso. O momento era de uma guerra civil, um governo autoritário e castrador, momento em que a taxa de fertilidade das mulheres caiu em função de doenças sexualmente transmissíveis, entre outros fatores, e diante desse cenário de infertilidade restaram poucas mulheres fecundas na República de Gileade.

Luciana Accioly Jornalista e louca por séries deolhonastelas@letsgobahia.com.br @louaccioly

A partir de então, essas mulheres, as “servas”, começam a ser subjugadas e submetidas a rituais de estupro pelos “seus donos” a fim de procriarem. A personagem protagonista, interpretada por Elizabeth Moss (vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz de Série Dramática), antes se chamava June Osborne, era casada e tinha uma filha, agora, ela é designada à casa da família do Comandante Fred Waterford, interpretado por Joseph Fiennes, recebe o nome de Offred e, assim como todas as handmaids, tem a sua nova identidade relacionada ao nome do seu então detentor. A sua luta é para poder um dia ter a sua liberdade de volta e recuperar a sua filha. Não se trata de mais uma série feminista; é uma história sobre humanidade e sobrevivência. Uma série intensa, um roteiro surpreendente, diálogos inteligentes e um figurino impecável. Vale a pena assistir e se emocionar com a bravura dessas mulheres. No Brasil, a série é exibida pelo Paramount Channel Brasil e mal estreou a segunda temporada lá fora e já foi renovada, mas ainda sem data de estreia por aqui.

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De olho nas Telas Essa foi por pouco Os fãs da série “Lucifer” foram pegos desprevenidos pela notícia do seu cancelamento na FOX, protagonizada pelos atores Tom Ellis (Lucifer) e Lauren German (detetive Chloe Decker), e desde então iniciaram uma campanha com a hashtag #savelucifer nas redes sociais na tentativa de “salvá-la”, ou que outras emissoras passem a produzi-la. Fato é que, mesmo depois de ter ido ao ar o episódio que marca oficialmente o fim da série, dois outros capítulos “bônus” foram exibidos pelo canal. Seria um sinal dos deuses? Presente nas constantes marcações, a Netflix acaba de resgatar a série e anunciar a produção da quarta temporada, porém, ainda sem data de estreia. Feliz com a notícia? No Brasil, a terceira e última temporada de “Lucifer” você acompanha pelo canal Universal.

Vamos às boas notícias?

Confiram a seguir a lista de algumas das séries renovadas recentemente: Westworld Temporada 3 La Casa de Papel Temporada 3 Riverdale Temporada 3 Grey’s Anatomy Temporada 15 Mindhunter Temporada 2 Homeland Temporada 8 (Final) Santa Clarita Diet Temporada 3 Suits Temporada 8 The Good Place Temporada 3 Young Sheldon Temporada 2 The Good Doctor Temporada 2 Outlander Temporada 6 Dinastia Temporada 2 Siren Temporada 2 The Sinner Temporada 2 The Big Bang Theory Temporada 12 How to Get Away With Murder Temporada 5 The Crown Temporada 3 Killing Eve Temporada 2 Narcos Temporada 4 Demolidor Temporada 3 Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 145


Entrelinhas

Eureca! Penso que, nos dias de hoje, em que temos milhares de distrações, mais importante do que alcançar um objetivo é reconhecer que, muitas vezes, precisamos dar uma pausa para redesenhar as rotas que nos levam a ele. Nesse caso, quando falamos da reconstrução de nós mesmos, como em muitos outros, os meios é que justificam os fins. Somos reféns de julgamentos íntimos e isso acontece porque, nas mais diversas situações, ouvimos que uma derrota nasce da incapacidade de levar à frente os planos traçados. Mas será que esse tipo de imposição não nos obriga a “suar até a última gota”, empregando esforços onde sabemos que já não mais existem perspectivas válidas, enraizando a crença da incompetência, do desvalor e muitas outras que podem surgir a partir desse mesmo gatilho, limitandonos e impedindo-nos de galgar novos sonhos? Ouso afirmar que existe uma grande distância que separa um fracasso de um recomeço. Ouso ainda mais em dizer que o fracasso é algo ilusório, já que todas as escolhas nos trazem aprendizados e nos guiam rumo a outras possibilidades de êxito. Houve uma época em que eu tive medo de me tornar uma especialista em recomeços, medo esse criado pelo ego e por uma mente que estava 146 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

mais ocupada buscando justificativas para legitimar as próprias escolhas do que permitindo que eu me entregasse ao fluxo natural da vida, no qual cabem todas as experiências, principalmente o tal recomeço. O universo me levou a extremos para que eu pudesse me dar conta que precisava parar, discernir e me reinventar e, então, Eureca! Entendi que é esse o movimento que reforça a nossa coragem, a fé em Deus, na vida e na nossa capacidade de nos reerguer após uma adversidade. Abraçando essa lição, desistir não será jamais uma opção, e com base nessa experiência é que decidi indicar, nesta edição, algumas histórias verídicas de mulheres que se redescobriram, alcançaram a realização pessoal e foram muito além daquilo que imaginavam que alcançariam na vida: Em “A Teoria do Bambu”, acompanhamos parte da vida de Ping Fu. Nascida em 1958, às vésperas da Revolução Cultural Chinesa, vítima do Comunismo, aos 8 anos se tornou presa política e sofreu todos os tipos de humilhação e abusos somente por ter instrução e ser de família rica. Ainda criança, trabalhou como operária de fábricas para poder se sustentar e a sua irmã mais nova. Aos 25 anos, falando apenas três palavras em inglês, foi deportada para os Estados Unidos sem dinheiro, sem família

Renata Dias Escritora, terapeuta e DJ

ou amigos. Lá, iniciou a vida trabalhando como faxineira e garçonete, estudou Computação e se tornou CEO de uma grande empresa de tecnologia onde foi reconhecida como Empresária do Ano; hoje, é palestrante e atuou como conselheira do governo de Obama. O livro é recheado de lições de força, dignidade e resiliência.


Entrelinhas “Livre - A Jornada de uma Mulher em Busca de um Recomeço”, de Cheryl Strayed, conta a trajetória da autora após a morte da sua mãe e o divórcio, uma fase de negação sustentada pelo vício em sexo e drogas. Por 94 dias ela percorreu sozinha, sem jamais ter feito uma caminhada, uma trilha pela Costa Oeste dos Estados Unidos, pois acreditava que precisava daquela experiência para extinguir todas as lembranças de um passado falido e sem esperança. Foram os primeiros passos rumo a um recomeço que a permitiram enfrentar os seus maiores medos e alcançar o melhor de si mesma.

Renata Quintella, paulistana, filha de uma professora da FEBEM e de um vendedor que chegou a ser morador de rua, já foi babá, recepcionista, vendedora, monitora de festas infantis, quase professora, quase biomédica, se formou em Artes Cênicas e atuou em peças e novelas com muita gente famosa. Casou-se e se separou três vezes e, depois de inúmeras tentativas de encontrar o seu papel no universo, mesmo tendo que escolher as contas que conseguiria pagar a cada mês,

decidiu ir às ruas perguntar para desconhecidos: “O que Eu Posso Fazer por Você Agora?”. Título do seu livro e que se tornou algo muito maior, o Instituto A Nossa Jornada, que já ajudou milhares de pessoas e faz a autora e palestrante resgatar pedaços de si mesma que se perderam ao longo da vida. A obra fala de amor, gratidão e fraternidade universal, alguns dos principais pilares neste momento em que todos os seres buscam por algum novo caminho transformador.

Que venham muitos outros recomeços! Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 147


Coluna #sósevênabahia

Poesia em imagens Nesta primeira edição da minha coluna, apresento-me: sou um fotógrafo baiano contemporâneo, pioneiro no Brasil na fotografia HDR (técnica americana). Expus três vezes no Louvre, na França, em Portugal, no Principado De Liechtenstein, na Alemanha e no Brasil. Minhas fotos ilustraram o livro “Brasil em Cena”, lançado no Salão do Livro, em Paris. Fui convidado por Nizan Guanaes para fotografar as melhorias de Salvador e, em seguida, expor em São Paulo e em Nova Ior-

que. Meus trabalhos ganharam repercussão nas redes sociais, vencendo quase todos os concursos. Em Nova Iorque, recebi o prêmio Brazilian Awards, no Castelo de Caras. Hoje, atuo no mercado de fotos decorativas para ambientes. Fui convidado pela Revista Let’s Go Bahia para assinar esta coluna, que tem como objetivo presentear os leitores com imagens que retratem as maravilhas do nosso Estado. Até as próximas edições!

Título da foto: “O balé das garças” I Local: Conceição de Salinas – BA 148 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Por Bel Saffe /bel.saffe @belsaffe100


Especial Patrimônios

Largo 2 de Julho Palco dos combates durante os eventos que precederam as lutas pela Independência da Bahia, o local abriga o Monumento ao Caboclo, uma homenagem aos heróis das batalhas Por Matheus Pastori de Araújo

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Especial Patrimônios De luvas, trajes finos e elegantemente cortados, os namorados iam do cinema na Rua Chile até as arborizadas ruas do Largo 2 de Julho, onde, sob a estátua da Caboclo, eram clientes fiéis dos carrinhos de pipoca e algodão-doce que iluminavam parcialmente pedestres e carros no ir e vir do fim do expediente.

Construção do monumento ao 2 de Julho, no centro da praça, no Campo Grande

“A Avenida Sete de Setembro abre-se em um grande parque - o Parque 2 de Julho ou a Praça 2 de Julho, conhecida por Campo Grande. Para perpetuar a memória dos combatentes na guerra pela nossa independência, foi levantado no centro dessa praça, em 1895, uma imponente coluna com a figura de um índio, representando a bravura brasileira, esmagando a tirania com o seu arco e flecha”, pontua Maria Conceição, pesquisadora do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). Testemunha da história, o local está delimitado pelo Largo dos Aflitos, por onde condenados à morte passavam em direção à forca na Piedade, e pela praça que homenageia um de seus 150 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

Acervo do IGHB

Esta é uma história que, a depender da idade de quem nos lê, faz parte dos contos de nossos avós e mesmo de nossos pais. Por aquele canto de Salvador, marcharam os membros da Revolução dos Alfaiates de 1798, sedentos pelo fim da escravidão, pela proclamação da República e pela abertura das fronteiras comerciais daquele Brasil ainda tão jovem. A praça que leva no nome a data da Independência da Bahia foi o então Centro de Salvador até as décadas de 1940 e 1950, quando houve a expansão da capital para muito além de suas cidades alta e baixa.

frequentes visitantes. Como é habitual dos poetas, diz-se que Castro Alves tinha costume de observar a movimentação daqueles lados, a qual, certamente, foi causa de inspiração. “Quero morrer assistindo ao infinito azul”, conta-se que proclamou o poeta dos escravos pouco antes de sua morte, em 1871, referindo-

se à deslumbrante vista da Baía de Todos-os-Santos, hoje delineada pela Avenida Contorno e pelos barcos da Marina. Morada de famílias tradicionais de classe média e média alta, não é, então, por acaso que a Praça Dois de Julho abriga o Teatro Castro Alves, o mais importante


Jefferson Vieira

Especial Patrimônios

O monumento 2 de Julho traz uma imponente coluna com a figura de um índio, representando a bravura brasileira

e ativo de Salvador, inaugurado em 1967. Há, ainda, o Museu de Arte Sacra, considerado um dos maiores da América Latina; em uma passada por lá, vê-se o belo acervo das peças datadas de épocas ainda da colônia imperial. Não muito distante do Palácio Rio Branco, onde se hospedou e de onde despachou Thomé de Sousa, primeiro governadorgeral da Bahia, o Largo continua não estando muito longe do poder. Estão ali perto a Câmara de Vereadores e o palácio que abriga o prefeito desta primeira capital do Brasil. Assim, solenes, as bandeiras brasileira e baiana são hasteadas especialmente nas duas

“Nasce o sol a 2 de julho, brilha mais que no primeiro É sinal que neste dia até o sol, até o sol é brasileiro” datas que percorrem aquelas paredes. Todo o poderio da Independência da Bahia e do Brasil é lembrado nos anuais desfiles cívicos-militares a 2 de julho e a 7 de setembro, encantando crianças com as cores da pátria e lembrando aos crescidos o quanto lutamos para chegarmos até aqui. Mai/Jun 2018 Let’s Go Bahia | 151


Especial Bairros

Itapuã:

bucólico e inspirador Imortalizado por Vinicius de Moraes e Toquinho, o bairro de Itapuã é um verdadeiro cartão-postal

Márcio Filho/MTUR

Por Matheus Pastori de Araújo

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Especial Bairros Passar uma tarde em Itapuã e não imergir no burburinho de um dos universos alternativos da quarta maior metrópole brasileira é quase uma tarefa impossível. Ao redor do farol vermelho e branco, datado de 1873, a população desse que hoje é um dos bairros mais populosos de Salvador mantém o costume de movimentar as suas ruas entrecortadas pela história; e se não fosse por elas, o local não teria tanta graça assim. Morada de nomes ilustres das diversas artes como Calazans Neto, tal como as demais regiões com esse ar bucólico, foi aquele lindo mar que inspirou Mário Cravo a criar a famosa escultura da Sereia de Itapuã, em homenagem aos pescadores e peixeiros que são os protagonistas e desbravadores daquelas imediações. Lá, na fronteira entre a capital e a sua Região Metropolitana, foi a simplicidade do contato humano que inspirou poesia, prosa e melodia. Outro cartão-postal do bairro é a Praça Vinicius de Moraes, que conta com uma escultura em tamanho natural feita em bronze do poeta que viveu durante seis anos por lá. A Igreja de Nossa Senhora da Conceição está posta ao centro da então vila de pesca, outra

Me traga boas notícias daquela terra toda manhã e joga uma flor no colo de uma morena de Itapuã

(Dorival Caymmi)

característica intrínseca à cultura popular do Estado e que está presente até hoje por aqueles lados. O Malê DeBalê, um dos mais conceituados blocos de cultura afro de Salvador, nasceu lá, à beira da Lagoa do Abaeté, diante da necessidade secular do sincretismo religioso. Itapuã, nome em tupi que significa Pedra da Ponta, reúne, então, as nossas descendências indígenas, africanas e portuguesas em um único largo, em uma única esquina, onde cruzam Octávio Mangabeira e Dorival Caymmi, e por onde seguem milhares de adeptos das mais diversas crenças para todo ano, desde 1906, lavar os degraus do templo dedicado à padroeira da Bahia. É claro que falar de amor em Itapuã em 2018 não é o mesmo que em 1971, quando foi composta a canção icônica “Tarde em Itapuã”, de Toquinho e Vinicius de Moraes, que tornou o bairro soteropolitano conhecido mundialmente. Vítima do crescimento populacional, construções legais e ilegais foram tomando conta do entorno daquela que, um dia, já foi uma região encantadoramente familiar, onde as portas de casa ficavam abertas e as conversas se tinham à beira da calçada. Toda maneira, o sol que arde sobre esse canto da primeira capital brasileira ainda deixa saudades de Itapuã. Seja pelo acarajé servido direto da bandeja de dendê quente, seja pelos ventos que, a despeito de toda a arrogância da modernidade, teimam em ser os mesmos a fraquejar os coqueiros das praias eternizadas. E você, já foi à Bahia? Não? Então vá! E fique com o olhar esquecido no encontro de céu e mar.

ONDE FICAR, COMER E BEBER BEM Mar Brisa Hotel Rua Flamengo, 44, Farol de Itapuã www.marbrasilhotel.com.br Hotel Deville Prime Rua Passárgada, S/N, Itapuã www.deville.com.br/hotel/ deville-prime-salvador/ Hotel Praia da Sereia Av. Dorival Caymmi, 14, Itapuã www.praiadasereia.com.br/ Casa di Vina Rua Flamengo, 44, Itapuã casadivinabahia.com.br Ki-Mukeka Rua do Vento Sul, QD 3, lote 5, Itapuã www.kimukeka.com.br Restaurante Mistura Rua Professor Souza Brito, 41, Itapuã restaurantemistura.com.br Posto 12 Avenida Aristides Milton, 33, Itapuã restauranteposto12.com.br Pedra Puã Restaurante Rua Hílton Fontes de Lacerda, S/N, QD. 02, lote 12, Itapuã (71) 99941-2953 Restaurante Sabores de Itapuã Alameda Passárgada, S/N, Hotel Deville Prime Salvador www.deville.com.br/hotel/ deville-prime-salvador/

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Crônica

Pais geneticamente modificados...

Marcelo Veras Psicanalista da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise

e os seus filhos “ imperfeitos As novas técnicas de reprodução causaram um abalo nas ideias religiosas milenares, não é mais unanimidade a aceitação de que o homem é a semelhança de Deus. Como disse Voltaire de forma inspirada: “Se Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, o homem pagou na mesma moeda”. Esse é um fato constatado na clínica de nossos dias, cada vez mais é o homem quem busca “se criar” tomando os ideais da estética da época como modelo. Assim, o homem contemporâneo passou a conviver com a alegoria de que as famílias do futuro serão programadas, eliminadas ou modificadas a partir de características genéticas. É o que Bauman chamou de “sonho de pureza” da pós-modernidade. Temos, então, o retorno de um velho fantasma guardado no fundo do armário: depurar a nova família de todos os erros, inclusive os genéticos. Porém qual a fronteira entre o desejo de ter filhos de olhos azuis e ter filhos livres da esclerose múltipla? Qual a fronteira entre cuidar do futuro dos filhos e um simples capricho genético para ter um filho mais alto, mais branco, mais bonito? 154 | Let’s Go Bahia Mai/Jun 2018

A paternidade perfeita, aquela que busca evitar o imprevisível e programar um filho todo certinho, não é mais que um delírio contemporâneo que traduz o medo de todo pai de ter que se haver com os desafios da paternidade

Acontece que os avanços da Biologia não são mais exclusivos dos cientistas, eles são presenças constantes no grande espetáculo da mídia. Assim, a fronteira cada vez menor entre os progressos científicos e a “purificação” genética da descendência ganhou assento na sala de estar da família contemporânea. Nesse sentido, a clonagem, a seleção de embriões e muitos outros procedimentos nos permitem sonhar com a alegoria de uma “paternidade perfeita”, uma vez que ela não transmite a função paterna em sua relação com os pecados do pai, e sim em sua relação com os ideais da época. Nesse sonho, busca-se a transmissão sem restos, uma transmissão dos ideais de pai para filho, sem defeitos.

Ou seja, com a alegoria da clonagem, as figuras do pai e da mãe se tornaram indistintas, uma vez que a transmissão não se funda na confusão da relação entre pai e mãe, mas, exatamente, na soma dos ideais. É um pouco, forçando a barra de meu raciocínio, como se o filho pudesse ser escolhido no cardápio. Antes, dizíamos “mãe certa, pai incerto”. Hoje, com as novas técnicas de adoção de embriões, de doação de esperma e de clonagem, podemos dizer que tudo é incerto. O avanço científico fez do exame de DNA a resposta contemporânea à pergunta sobre o que é um pai. Ou seja, a paternidade sucumbiu aos imperativos de quantificação e verificação, próprios à descrença atual. “Amanhã, não mais pediremos a um pai que ele reconheça os seus filhos. Eles simplesmente passarão por uma máquina que vai validá-los ou não”, comenta o psicanalista Jacques-Alain Miller. Contudo ser pai é muito mais do que ser um espermatozoide. A paternidade perfeita, aquela que busca evitar o imprevisível e programar um filho todo certinho, não é mais que um delírio contemporâneo que traduz o medo de todo pai de ter que se haver com os desafios da paternidade. O verdadeiro amor paterno é aceitar os seus filhos imperfeitos. Está difícil para você? Lembre-se que você foi filho um dia.


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No trânsito, a vida vem primeiro.

Mai/Jun 2018 Let’s Go MercedesBenzBrasil Bahia | 156

Profile for LUIZ ARTUR

Revista Lets Go Bahia - Edição 45 - Agosto de 2018  

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