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Figura 1: O Muro


UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO SEMINÁRIO DE DIPLOMAÇÃO

além dos muros: esporte e cultura transpondo barreiras.

ACADÊMICO: ARTHUR CANHADA DE ALBUQUERQUE ORIENTADOR: GUSTAVO GARCIA DE OLIVEIRA PELOTAS, 2016/02


SUMÁRIO I

II

III

INTRODUÇÃO

CULTURA DE RUA

apresentação tema e objetivo justificativa caracterização do público caracterização da gestão

fundamentos função social esporte, cultura e lazer na cidade noções básicas

página 06

IV

página 32

ÁREA DE ESTUDO página 16

a cidade de pelotas lugar: as microregiões lugar: infraestrutura urbana lugar: densidade demográfica escolha do terreno legislação urbanística

LUGAR

página 44

o sítio de implantação análise do entorno análise técnica


V

VI

VII

PROJETOS DE REFERÊNCIA

CONSIDERAÇÕES FINAIS

streetmekka viborg streetmekka esbjerg escola gavina the city school lemvig skatepark referenciais pontuais

considerações finais encaminhamentos

página 58

VIII

página 116

PROPOSTA página 82

conceito programa de necessidades organização espacial diagrama funcional processo projetual estudo preliminar intenções de projeto intervenção urbana

LISTA DE FIGURAS E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS página 122 lista de figuras referências


A L É M D OS M U R OS :

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I

INTRODUÇÃO apresentação (p.9) tema e objetivo (p.11) justificativa (p.12) caracterização do público (p.14) caracterização da gestão (p.15)


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A L É M D OS M UR O S:

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1.introdução

apresentação Streetscape, de acordo com a Universidade de Delaware, nos E.U.A., é um termo usado para descrever o tecido natural e construído da rua. Podese definir como a qualidade de um design da rua, seus efeitos. Este conceito reconhece que a rua é um lugar público onde as pessoas são capazes de participar de diversas atividades, experienciar. Streetscapes, ou as paisagens da rua, juntamente com suas experiências, influenciam amplamente no local onde as pessoas interagem, interferindo, sobretudo, na própria existência da comunidade. Partindo deste conceito, a rua, em muitos aspectos, é espelho do seu envoltório. Representa diretamente as experiências vividas naquela região, as práticas urbanas, o cotidiano de quem ali vive. Assim sendo, a rua é a representação mais espontânea da realidade estabelecida. A cidade de Pelotas, onde o trabalho será desenvolvido, carece de espaços que, assim como as ruas, representem e abriguem todos os cotidianos. Localidades mais carentes, onde o último suspiro de esperança em uma vida no mínimo decente pode ser levado à qualquer minuto pelas barreiras sociais impostas, fica mais evidente a necessidade de um espaço de inclusão que, como a rua, não subjugue as multifacetadas experiências culturais e físicas que são o cotidiano dessas comunidades.

A cultura de rua atrai o jovem e encanta quem se descobre nela. Ela entra livremente em presídios, chega aos ouvidos e olhos do menor que rouba no farol. Se espalha, tem o poder de gerar e alterar comportamento.. (LÊ MAESTRO, 2014)

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figura 2: Basquete de rua (Michael Jordan Playground Poster)

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figura 08.1


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1.introdução

tema e objetivo Este trabalho de seminário de diplomação tem como objetivo apresentar um projeto para um espaço com intenção de integrar duas comunidades existentes na cidade de Pelotas, pertencentes ao Bairro São Gonçalo. A proposta inicial pretende romper com as barreiras entre as duas microrregiões e a cidade, trazendo a cultura local e das ruas para dentro de si. O poder de transformação está ao abraçar todas as formas de manifestação, sejam elas esportivas, artísticas ou performáticas. A estruturação do projeto será fundamentada a partir da realidade presente nas duas comunidades, as microrregiões Fátima e Navegantes, de modo que a identidade local transforme-se num “sentir” responsável para com a edificação e com a sociedade. Porém, para inserção e concepção deste, sugerese e considera-se a criação de um projeto social para que o mesmo não sirva apenas como infraestrutura, mas um suporte social que acolha o público alvo e dê condições estruturais e profissionais, contando com o apoio, incentivo das faculdades de Educação Física presentes na cidade. O objetivo principal, quanto ao tema, é promover a inclusão do esporte e da cultura no cotidiano da população para tornar-se, assim, parte integrante na formação da sociedade, disseminando a cultura do esporte, abrindo portas para todas as formas de expressão, transformando vidas e quebrando as barreiras excludentes dessas comunidades.

Sabemos que educação de qualidade é fundamental para o crescimento do país, redução da violência, criminalidade.. mas como educar quem não quer ser educado? Como formar uma geração que pensa além da ostentação? Como fazer alguém se dedicar aos estudos, se sua maior referencia é o traficante? (Lê MAESTRO, 2014)

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1.introdução

justificativa Os habitantes das microrregiões em estudo, Navegantes e Fátima, estão inseridos em um cotidiano que não corresponde à realidade vivenciada em outras regiões da cidade. Seu espaço é a rua, que, entre os muros que os fecham, mesmo que poeticamente falando, tornam-se refém de um ambiente que é reflexo da exclusão sócio-cultural que está presente na região. A falta de espaços público, ou até mesmo privados, com infraestrutura capaz de oferecer uma porta de saída do cotidiano afirma a referida exclusão, uma marginalização interna gerada por falta de oportunidades.

Unir cultura e esporte é fundamental para que haja disseminação de valores da forma mais abrangente possível. Lê Maestro (2014) comenta em seu artigo, Cultura de rua e seu poder de transformação, que inserir atividades educativas, culturais, como forma de motivação e compromisso, de maneira conectada ao esporte, muda comportamentos, abre portas e transforma vidas. Potencializar o esporte como ferramenta de educação é oportunidade única dentro de um ambiente como o em estudo, é uma forma de canalizar energia e frustrações. O resultado é simples: acaba-se com a invisibilidade social e retoma-se a cidade, o cidadão.

Quando o assunto é o esporte, a estrutura pública é fundamental dentro da sociedade, é determinante na configuração dos padrões sócio-culturais e de qualidade de vida. Grande parte da população não têm condições financeiras de pagar para usufruir de espaços privados, tendo como sua única ferramenta ativa as escolas e universidades e/ou espaços públicos. No entanto, a primeira limita-se a uma faixa etária restrita e à uma estrutura usualmente precária; já a segunda, depende do incentivo público ou privado.

Devido à falta de estrutura na região em estudo, as atividades desenvolvidas, sejam elas de cunho físico ou cultural, acontecem de forma informal e espontânea, uma apropriação dos espaços ociosos, mesmo que raros, dentro da comunidade. Esse tipo de atividade, acontece nas ruas, sem suporte ou estrutura. O cotidiano da rua, os esportes informais, o grafite, o skate, serão a base para o projeto. Abriremos as portas para que a experiência das ruas seja exposta. A única forma de aceitação desse trabalho, para que haja apropriação do espaço, é tomar partido do cotidiano, das necessidades de ambas as comunidades, assim abrigando a todos, que por entre os muros, estão isolados, confinados e sem conexão com a cidade. A proposta serve, também, como estrutura auxiliar às atividades da CUFA Pelotas (Central Única das Favelas), muito presente na região, desenvolvendo diversos projetos e com sede no Navegantes.

No Brasil, segundo o Ministério do Esporte, cerca de 46% da população é sedentária, aumentando a porcentagem proporcionalmente ao aumento da faixa etária. No entanto, a maior taxa de abandono à prática de qualquer atividade física localiza-sena faixa entre os 16 e 24 anos. A presença de espaços públicos com infraestrutura regular destinados ao incentivo à prática de atividade física, dentro da cidade de pelotas, é muito pequena quando relacionada com a sua população. Reduzindo a área de análise aos bairros mais carentes da cidade, essa infraestrutura é quase inexistente se excluídas as estruturas pertencentes às escolas municipais e estaduais.

Este trabalho tem como intenção, além de criar espaço para todos, quebrar as barreiras, servindo como ponte além dos muros, conectando a comunidade com a cidade. É importante lembrar que a microrregião Navegantes é alvo de diversos projetos sociais, que abraçam a comunidade da melhor forma possível e carecem de estrutura.

O esporte, além de aumentar a qualidade de vida, tem como objetivo a valorização do ser humano, no contexto geral, e o comprometimento com os seus deveres dentro da sociedade. É uma excelente ferramenta anti-stress, sendo uma atividade que contribui para autoconhecimento e o conhecimento da ética que envolvem os esportes, mostrando que as oportunidades dentro do esporte sobrepõe o estímulo à violência resultante das segregações.

Dessa forma, fica evidente a necessidade da implementação de um espaço de incentivo às práticas coletivas, à integração e às relações interpessoais, de modo a exercer impacto relevante sobre os hábitos e comportamentos perante à sociedade, introduzindo uma forma de “educação ativa”, direta e indiretamente.

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figura 3: campeonato de skate

O esporte é um fenômeno sócio-cultural que transmite valores de acordo com o sentido dado à prática, exercendo influência sobre hábitos e comportamentos em nossa sociedade. Toda manifestação cultural carrega um significado formativo que é compartilhado por determinada comunidade ou grupo (HABERMAS, 1987). 13


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1.introdução

caracterização do público De acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2010, a cidade de Pelotas conta com 328.275 habitantes, 306.193 na zona urbana e 22.082 na zona rural.

na região Sul do país, o início da prática esportiva acontece, predominantemente, entre os 06 e 14 anos, representando 81,5% da população dessa região.

A despeito de dados demográficos, a população total da região em estudo é de 18.442, sendo que, desta parcela, 9.965 é composta por pessoas que se consideram do sexo feminino e 8.477 de pessoas que se consideram do sexo masculino. A região apresenta uma faixa etária equilibrada entre jovens e adultos, sendo 5.730 pessoas entre 07 e 24 anos e 5.600 pessoas entre 25 e 44 anos. Ao olharmos a faixa etária mais populosa, é possível notar que a predominância está dentro dos 07 à 15 anos, com 2.895 pessoas.

Conhecendo o trabalho desenvolvido pela CUFA, que é a Central Única das Favelas, presente em quase todo o Rio Grande do Sul e que age diretamente nas regiões em estudo, é possível notar que são os jovens o principal alvo do trabalho. São eles que mais carecem de oportunidades e que mais necessitam de suporte para que encontrem espaço dentro sociedade. Estes jovens buscam um ambiente em que possam expressar suas atitudes, questionamentos ou simplesmente sua vontade de viver, da forma mais honesta e pura, sem que sejam discriminados.

Levando em consideração os dados do Diagnóstico Nacional do Esporte, do Ministério do Esporte, o Brasil apresenta uma taxa de abandono de qualquer atividade física de 45%, entre 16 e 24 anos, e de 26,8%, até os 15 anos. Essa característica está relacionada com o fato de ser a faixa de transição, entre o período escolar/ acadêmico e o período do mercado de trabalho, excluindo as questões sociais e de necessidade, que, muito presente na região, afastam jovens das escolas não por escolha, mas por necessidade. Dentro desse mesmo diagnóstico, é apresentado, ainda, que,

Portanto, com base nos dados apresentados sobre o tema e a área de estudo, a proposta será voltada à faixa etária mais presente na região, que seria a maior influenciada e beneficiada diante da realidade do local. O projeto visa atender toda a população da região em estudo, porém toma como ponto de partida e base as atividades relacionadas à faixa etária dos 07 aos 24 anos, não excluindo, em seu princípio fundamental e realista, as demais faixas, que dentro de programas sociais e dos turnos disponíveis poderiam usufruir da mesma estrutura.

Gráfico da população (Pelotas x área de Gráfico da população masculina e feminina estudo). na área de estudo.

350000

Pelotas

Área de Estudo

10000

328.275

Homens

Mulheres

9.965

8.477

300000

8000

250000

6000

0-6 anos

7-24 anos 5.730

25-44 anos 5.600

45-xx anos

5.431

5000 4000

6000

200000

Gráfico da população por idade na área de estudo.

3000

150000

4000 2000

100000 50000

2000

1.681

1000

18.442

0

0

0

Figura 4: fonte dos dados: Censo 2010, IBGE.

Figura 5: fonte dos dados: Censo 2010, IBGE.

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Figura 6: fonte dos dados: Censo 2010, IBGE.


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1.introdução

caracterização da gestão O caráter do projeto é baseado na tentativa de integração das comunidades Navegantes e Fátima, e na intenção de introdução do esporte e da cultura de rua como ferramenta de incentivo, educação e socialização, visto o caráter da população. Considerando essas premissas, é clara a necessidade da criação de um projeto social abrangente que inclua o público alvo de forma direta, e que apoie ou seja integrante das atividades desenvolvidas pela Central Única das Favelas (CUFA), que está presente nas comunidades e desenvolve diversos projetos, oferecendo oportunidade de inclusão social.

certos espaços. Dentro do programa de necessidades será previsto um ambiente para refeições (lanchonete). A ideia inicial é que seja um espaço de locação à comunidade ou de uso para oficinas, para que, de alguma forma, gere alguma “renda”, mesmo que simbólica, assim servindo como uma plataforma de promoção dos serviços presentes na comunidade, que carecem de espaço, e/ou aprendizado para a própria comunidade. É interessante avaliar os dados apresentados, abaixo, pelo Ministério do Esporte, uma vez que podemos notar que as instituições públicas, com orientação profissional, são a principal ferramenta de ligação com o esporte, seja qual for. E, em 83% dos espaços públicos não há presença de nenhuma forma de orientação. Portanto, levando em consideração que a faixa etária do público alvo possui uma grande taxa de evasão nos esportes, relacionado com as taxas de abandono escolar ou questões sociais, é importante que esse espaço seja atrativo ao público, gratuito e apresente uma forma de orientação, para que os jovens possam ser integrantes de um grupo ativo, sem perder as questões educacionais entranhadas no movimento, e, de alguma forma, apropriem-se do espaço em questão.

Desta forma, fica evidente a necessidade de partir de uma gestão pública ou institucional (como a CUFA), que possibilite o uso de forma gratuita e inclusiva. As instituições de Ensino Superior (de Ed. Física, tendo em vista a prática, mesmo que informal, de diversos esportes, incluíndo os alternativos), juntamente com as organizações não governamentais e instituições da cidade, poderiam entrar com suporte profissional, que, em parceria com o poder público, atenderiam de forma regular os projetos sociais, oferencendo oficinas e supervisionando das atividades. O projeto considera que seja uma edificação de uso público e livre, porém com acesso controlado em Gráfico do local de prática esportiva na região sul do Brasil.

Escola/Universidade com orientação Escola/Universidade sem orientação Instituição Privada, Clube, com orientação Instituição Privada, Clube, sem orientação Em espaço público aberto com estrutura Em espaço público e/ou privado aberto sem estrutura Em seu condomínio ou casa Não foi citado

Gráfico da presença de orientação em espaços públicos para prática de esportes na região Sul do Brasil.

80 70

100

69,9%

Sempre 80

60 50

Ocasionalmente Não há 83,0%

60

40 40

30 20 10 0

5,0%

9,0% 2,8% 1,5%

20 7,8%

6,1% 5,3% 0,4%

Figura 7: fonte dos dados: Diagnósitico Nacional do Esporte, 2015, Ministério do Esporte.

9,2%

0

Figura 8: fonte dos dados: Diagnósitico Nacional do Esporte, 2015, Ministério do Esporte.

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II

ÁREA DE ESTUDO a cidade de pelotas (p.18) lugar: as microregiões (p.20) lugar: infraestrutura urbana (p.22) lugar: densidade demográfica (p.24) escolha do terreno (p.26) legislação urbanística (p.30)


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Localização no brasil

no rio grande do sul

na cidade de pelotas

Figura 9-13: Localização - do Brasil à ára de estudo

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2.área de estudo

a cidade de pelotas A cidade de Pelotas, com área total de 1.610,084 km2, localiza-se na região sul do Rio Grande do Sul, no encontro das rodovias BR 116, BR 392 e BR 471, que juntas fazem conexão com países do Mercosul e demais capitais e portos do Brasil. Está a 250 km da capital do Estado (Porto Alegre). Tem como limites cidades como Turuçu, São Lourenço do Sul, Rio Grande, Capão do Leão, Canguçu e Morro Redondo, e, também, tem a Lagoa dos Patos como limite à Leste do município. Com uma população total de 328.275, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE, onde, dentro desses, 22.082 habitam a zona rural, Pelotas é a terceira cidade mais populosa do Estado. No contexto geral, o município está às margens do Canal São Gonçalo, ligação com a Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim. Possuí conexão ferroviária ao Porto de Rio Grande, às fronteiras da Argentina e Uruguai, e à outros estados do país na conexão com Santa Maria. Possui, também, porto, hidrovias e aeroporto. A cidade de Pelotas é um forte pólo comercial no sul do Brasil, possui 7.507 estabelecimentos. Muito influente na Agro Indústria do estado e do país, reponde por aproximadamente 28% da produção de arroz do Estado, 10% da produção de grãos, 16% do rebanho bovino de corte, e detém a maior bacia leiteira, com a produção de 30 milhões de litro/ano, além de possuir expressiva criação de cavalos e ovelhas. O município apresenta forte competitividade no setor da indústria de montagem de estruturas e logística, e uma matriz econômica variada com presença, também, da indústria têxtil, curtimento de couro e de pele, e muitas outras. Apresenta, também, grande importância na história e desenvolvimento do estado e da região sul. Desta forma, a crescente ocupação urbana, causada pela prosperidade econômica, mudanças sociais e culturais, influenciou de forma direta a organização espacial, gerando uma identidade urbana própria. Essa identidade é evidenciada pelo grande sítio arquitetônico histórico tombado dentro da cidade. Os grandes casarões, as charqueadas e sua conexão com a Lagoa dos Patos são alguns dos principais atrativos que a cidade oferece, juntamente com sua fama referente aos doces, que possui sua própria feira anual atraindo milhares de pessoas para a cidade. Outro aspecto importante é dado pelo fato de Pelotas possuir um centro universitário de grande influência e importância para o desenvolvimento da região, que se soma à lista de atrativos. Algumas das principais instituições são: Universidade Federal de Pelotas, Universidade Católica de Pelotas, Instituto Federal Sul-Riograndense. da área de estudo

do terreno

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2.área de estudo

lugar: as microregiões A região administrativa do bairro São Gonçalo, do qual as microrregiões fazem parte, foi criada a partir do III Plano Diretor de 2008. A região tem sido muito valorizada nos últimos anos, talvez pela proximidade da zona central da cidade, de outros bairros, além de ser caminho para os balneários da cidade. A consolidação do bairro, ao longo dos últimos anos, é consequência do crescimento no número de moradores e empreendimentos ali instalados. Estão localizados no bairro, muito próximos às microrregiões em destaque, serviços como o Fórum, o Cartório Eleitoral, a Defensoria Pública, o Hipermercado BIG e o Shopping Pelotas. As microrregiões Fátima e Navegantes e Village (III P.D. de 2008) estão dentro de um grande cinturão viário, envolvidas em seu perímetro por vias arteriais de extrema importância estrutural no sistema público da cidade de Pelotas. São elas: Av. Bento Gonçalves, ao norte; Av. Cidade de Rio grande, ao sul; e Av. Juscelino K. de Oliveira, à oeste. De acordo, também, com o III Plano Diretor da cidade, a área dessas comunidades é de, aproximadamente, 1.416.000,00 m2, representando 21% da área do bairro São Gonçalo. Sua população total é de 18.442, predominantemente composta por pessoas que se consideram do sexo feminino. É uma população jovem, são 5.730 pessoas entre 7 e 24 anos, e 5.600 entre 25 e 44 anos. O loteamento Navegantes é, na verdade, subdividido em Navegantes I, II e III. Navegantes I e II, juntamente com o loteamento Fátima apresentam melhor infraestrutura, esgoto canalizado na maioria das ruas, assim como o fornecimento de água e energia elétrica

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pelas companhias de abastecimento da cidade. A estrutura urbana pública dessa região vem sendo instalada e melhorada a cada ano, assim como os loteamentos irregulares vêm sendo regularizados. Grande parte da população dessa área era, especialmente na microrregião Navegantes, de posseiros, que, aos poucos, estão tornando-se proprietários de suas terras. Possuem, dentro da sua área, posto de saúde, uma Unidade Básica de Atendimento I, que atende a população diariamente até as 23 horas, uma Unidade Básica de Saúde, da UCPel, escolas municipais e estaduais de ensino fundamental e médio, o Centro de Convivência do Programa de Prevenção da Violência do Bairro Navegantes, que dispõe de uma quadra poliesportiva, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), que tem como objetivo previnir situações de risco por meio de potencialidades, assim como fortalecer os vínculos familiares e comunitários através de atividades de socialização. É uma zona predominantemente residencial e conta com alguns condomínios fechados, como o Village Center I e o Condomínio Edifício Jardim das Acácias. Pode-se dizer, também, que conta um número considerável de comércios locais e habitações de uso misto, características que expressam claramente a população que ali vive, relacionando suas práticas urbanas com questões do cotidiano. São, em sua maioria, pessoas que passam a maior parte de seu tempo fora da zona em que vivem, cumprindo expedientes, e necessitam, ao retornar à comunidade, de serviços básicos dentro dela.


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A área do bairro até meados dos anos 80 era praticamente um vazio urbano usado principalmente para criação de gado, era um lugar de passagem que fazia a ligação do centro da cidade com os bairros do Areal e Laranjal, mas pós anos 80 intensificaram as ocupações do bairro principalmente por loteamentos irregulares. (RAMOS, 2013, p. 57)

figura 14: AS MICRORREGIÕES

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2.área de estudo

lugar: infraestrutura urbana Água O fornecimento de água potável à população pelotense é dada através do SANEP, o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas, que trabalha desde a captação, tratamento, até a distribuição. Esse atendimento é feito através de três estações de tratamento (ETA), a ETA Moreira, ETA Sinnott e a ETA Santa Bárbara, esta que faz o abastecimento da região estudada. Esgoto O sistema de esgoto sanitário, que são as instalações destinadas e propícias à coleta, condução, condicionamento e tratamento do esgoto cloacal das edificações, é de responsabilidade do SANEP. A microrregião Navegantes não possui rede de coleta de esgoto cloacal, sendo utilizado o sistema de fossa, filtro e sumidouro, onde há separação da fração sólida ou líquida, acumulando sólidos e digerindo limitadamente a matéria orgânica. Os efluentes juntam-se as demais águas servidas e são despejados em águas de rios de pequena capacidade que desembocam no São Gonçalo. Já a microrregião Fátima é contemplada pelo coletor de esgoto. Ambas possuem Estações Elevatórias de Esgoto (ELE), ELE Fátima e ELE Navegantes 1 e 2. Drenagem Urbana Os esgotos pluviais são formados pelas águas acumuladas das chuvas, lavagens dos pátios, ruas e etc, e em 2002 o SANEP tornou-se responsável pela drenagem urbana da cidade. O sistema de drenagem é um sistema independente, ou seja, as águas pluviais têm cursos diferentes do esgoto cloacal. O sistema de drenagem urbana é composto por macro e micro drenagem. A macro drenagem se compõe dos canais e grandes galerias. Essas se dirigem para uma estação elevatória, de onde a água da chuva é bombeada para o Canal Sao Gonçalo. Sete casas de bombas compõem o sistema de drenagem urbana. A micro drenagem é composta por valetas, bueiros, galerias e travessias, que se dirigem para um canal. O canal Dr. Mário Meneghetti, localizado na divisa entre Navegantes e Fátima faz parte do sistema de macro drenagem. A região em estudo é atendida pelo sistema de drenagem urbana.

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Energia Elétrica A distribuição de energia elétrica é feita através da CEE, Companhia Estadual de Energia Elétrica. No local, é disponibilizado rede de baixa tensão de forma aérea, através de postes. Vias e Calçadas A situação atual da região é extremamente plural. Grande parte da Fátima é pavimentada e possui meio-fios. Já na área da Navegantes, especialmente Navegante III, é quase inexistente a presença de meio-fios e de vias pavimentadas. Coleta de Lixo A coleta de resíduos sólidos, também de responsabilidade do SANEP, abrange toda a totalidade do município via Coleta Domiciliar. Na zona em estudo, a coleta acontece Segunda, Quarta e Sexta-feira, no período da manhã. A Coleta Conteinerizada acontece nas zonas de grande fluxo, no período da noite, porém não contempla a região em estudo. Já a Coleta Seletiva, ainda em expansão no município, dentro da área em estudo só ocorre na região da vila Fátima, toda Terça e Sexta-feira no período da tarde. O destino final dos resíduos sólidos produzidos no município é o Aterro Sanitário Metade Sul, localizado no município de Candiota. Tem capacidade de receber 1000 toneladas/dia de resíduos e tem vida útil estimada de 15 anos. É administrado pela empresa Meio Oeste Ambiental, proprietária da área.

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2.área de estudo

lugar: densidade demográfica Densidade demográfica, é a medida expressada pela relação entre a população e a superfície do território, geralmente em habitantes por quilômetro quadrado, sendo o grau de concentração de uma população. De acordo com o IBGE, Sinopse por Setores do Censo 2010, nota-se na figura 15, o alto índice dentro das microrregiões Fátima e Navegantes. Já na figura xx, ao comparar com o entorno e o restante da cidade, fica ainda mais evidenciado o fato de que se trata de uma área com alta densidade. Conhecendo a área que está sendo trabalhada, fica mais fácil identificar tal densificação. Predominantemente residencial, é uma zona onde as habitações raramente excedem dois pavimentos, quando, ainda, ultrapassem o pavimento térreo. Com isso, pode-se concluir que o número de moradores por habitação é extremamente alto quando comparado com o restante da cidade, o que reafirma as questões sociais ali vividas e já discutidas neste trabalho.

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figura 15; DENSIDADE DEMOGRÁFICA

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Legenda (hab/km2): 0 - 2560

6921 - 11275

2561 - 6920

11276 - 209900

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2.área de estudo

escolha do terreno A escolha do terreno, primeiramente, leva em consideração a área em estudo, onde a demanda de implantação de um espaço como o proposto pelo projeto em questão é crescente. As microrregiões Fátima, Village e Navegantes são de caráter residencial, com população predominantemente de baixa renda e com densidade média/alta. Portanto, procura-se um espaço que comporte as atividades propostas e acessível a todos. Deve ter proximidade ao transporte público e estar centralizado em relação à zona abordada, mas, principalmente, admitir o programa de modo a atender com qualidade os usuários e as demandas da região. Por tratar-se de uma zona de alta densidade, a primeira barreira é encontrar um espaço disponível, pois não há intenção em desalojar nenhum habitante. Ao percorrer a região apresentada no mapa (figura 16), partindo das áreas visivelmente ociosas, a carência de um espaço apropriado às atividades físicas é enfatizada pelo grande número de espaços espontâneos, os “campinhos de futebol”. Estes, sem estrutura ou regularização, servem de única saída aos moradores locais, que, ainda assim, estão vulneráveis às condições climáticas. Ao visitar o local e analisar o mapa ao lado (figura 16), o primeiro terreno que se destaca, corresponde à todas as

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necessidades, tanto em área quanto em centralidade, porém, trata-se de uma área verde de acordo com o III Plano Diretor de Pelotas (Praça São Jorge). Devido à alta densidade destes bairros e a falta de espaços de lazer, é extremamente importante que a praça seja mantida, protegida e valorizada. Portanto, esta primeira consideração deve ser alvo de uma proposta urbanística com maior potencial de valorização. Alguns outros terrenos disponíveis que podem ser vistos no mapa, não apresentam condições de suportar o programa e as demandas que vêm junto com a proposta. Acesso, dimensão, localização e infraestrutura são extremamente importantes para a funcionalidade do projeto. É grande a limitação dentro da região adotada. Nota-se que na parte superior esquerda do mapa existe um aglomerado de condomínios (figura 16 e 17) fechados, barreiras físicas, sociais e culturais que não conseguimos ignorar. No meio, entre os muros, existe uma área residual que corresponde à todos as demandas iniciais. Partindo da intenção e do esforço em integrar as microrregiões à sociedade, acreditase que, ao adotá-lo, romperíamos esta barreira, um passo crucial e efetivo. Trata-se de uma área suprimida pelos muros, recusada pela comunidade e esquecida por todos.


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figura 16: recorte ĂĄrea em estudo

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figura 17: recorte do entorno imediato Do terreno

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Ao visitar o local, notou-se a presença de um grande vazio entre os muros, como citado anteriormente, com grande potencial de projeto. Acreditase que em um local suprimido como este, seria de grande excelência e capacidade de abrangência instalar uma estrutura como a proposta por este projeto. Tendo em vista a separação causada pelos muros, um local público que promova a integração entre todos os habitantes da área seria uma das opções mais adequadas para revitalizar um local hostil, esquecido e propício à violência. Um centro esportivo, em um local como este, seria a ponte, ou melhor, a escada para um olhar além do muro. A transformação que seria instaurada cruzaria os muros e ligaria todos ao redor. O terreno tem área total de 13.135 m2, localizado na Rua Dona Darcy Vargas, próximo das linhas do transporte público, está próxima de grandes avenidas (Av. Bento Gonçalves, Av. Juscelino K. de Oliveira e Av. Arthur de Souza Costa). Segundo o III Plano de Diretor da cidade de Pelotas, existe para a Rua Dona Darcy Vargas, na faixa onde o terreno está inserido, uma proposta de continuidade de uma via coletora, reforçando o potencial da localidade e da rua em questão. Podemos considerar o terreno como centralizado, uma vez que é facilmente

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acessado e conta com transporte público nas suas proximidades. Essa centralidade representa uma distância máxima, até o ponto mais distante dentro da área de estudo (marcado com um ponto azul no mapa - figura 17), de 18 minutos de caminhada, espaço pouco maior que um quilometro. Deverá ser levado em consideração as futuras mudanças que aconteceriam com a estrutura viária e urbana, como previstas pelo III Plano Diretor da cidade de Pelotas, que proporcionaria acréscimo na qualidade local e de acesso. Acredita-se, então, que o terreno seja apropriado. Apresenta área suficiente para inserção do programa de necessidade, ainda com capacidade de incluir um espaço de lazer comunitário e público. Encontra-se em um ambiente onde antes não haveria perspectiva de mudança, incorporando um significado positivo e de apropriação junto à comunidade, diminuindo a sensação de desconforto, abandono e separação causada pelos muros. O maior defeito está na presença de uma única via de acesso, reduzindo as visuais do futuro projeto. Agora deve-se enfrentar os desafios. Como lidar com os muros? Qual a melhor implantação? Como tomar partido dentro um espaço amplo e suprimido ao mesmo tempo? Como tirar proveito tendo apenas uma via de acesso e tão poucas visuais?

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2.área de estudo

legislação urbanística De acordo com o III Plano Diretor de Pelotas, 2008, a área em estudo está classificada como uma zona de expansão da centralidade. O terreno, de acordo com o mapa U-02 (Sistemas de Territórios-III PD), do mesmo Plano Diretor, está localizado na microrregião Village e não está inserido em uma AEIS (Área Especial de Interesse Social), mesmo estando muito próxima da AEIS tipo 2, presentes no Navegantes I e II. Das regras gerais, o regime urbanístico é estabelecido considerando o limite máximo de altura das edificações, taxa de ocupação, configurações e tamanho do lote, bem como os recuos.

Art. 123 - Em todo o perímetro urbano será permitida a edificação de até 10,00m (dez metros) de altura, observadas as seguintes disposições, conforme mapa U-14 em anexo à presente lei: I- Recuo de ajardinamento de 4,00m (quatro metros), o qual poderá ser dispensado através de estudo prévio do entorno imediato no caso de evidenciar-se, no raio de 100,00m (cem metros), a partir do centro da testada do lote, a existência de mais de 60% (sessenta por cento) das edificações no alinhamento predial; II- Recuo de ajardinamento secundário, nos terrenos de esquina, nas condições estabelecidas no inciso anterior, o qual se fará na testada do lote em que não se faça o recuo de ajardinamento principal com, no mínimo, 2,50m (dois metros e cinqüenta centímetros); III- Isenção de recuos laterais; IV- Taxa de ocupação máxima de 70% (setenta por cento); V- Recuo de fundos mínimo de 3,00m (três metros). Porém, de acordo com a localização do lote, suas dimensões e o mapa U-14 (Alturas-III PD) do mesmo Plano Diretor em questão, a edificação pode atingir 13 metros de altura, respeitando, assim, o Art. 124:

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Art. 124 - Em logradouros com gabarito igual ou superior a 16,00m (dezesseis metros) será permitida edificação de até 13,00m (treze metros) de altura, desde que o terreno possua testada igual ou superior a 12,00m (doze metros). § 1o. Para a aplicação do disposto neste artigo, será exigida a observância de recuo lateral, em ambos os lados, e recuo de fundos, nos seguintes termos: a) Com medida definida mediante a aplicação da seguinte fórmula: R = (0.4 x H)/2, onde R se refere a parcela do recuo mínimo a ser adotado em ambos os lados e nos fundos, e H à altura final da edificação. b) Será admitido o fracionamento de uma das medidas do recuo lateral, que permita afastamento diferenciado em relação às divisas do lote, desde que a menor parcela observe as condições aplicáveis para os referidos afastamentos da edificação, consignadas nos critérios estabelecidos para as áreas principais e secundárias. c) A medida equivalente à diferença entre o recuo R, apurado a partir da aplicação da fórmula prevista na alínea “a” e aquele oriundo do critério acima, será computada adicionalmente à parcela original a ser adotada para o outro afastamento. Quanto à R. Dona Darcy Vargas, uma vez que o trecho em que se localiza o terreno está em fase de previsão, a via coletora deve responder ao Art. 108 do III Plano Diretor, tendo dezoito metros de gabarito mínimo da via, dez metros de pista de rolamento e quatro metros de passeios. No caso da presença de ciclovia, atendendo ao Art. 110, adiciona-se um metro e meio (no caso de sentido único) ou dois metros e meio (no caso de dois sentidos). Segundo o mesmo documento, é sabido que, para que edificação seja concretizada, um estudo de impacto de vizinhança (EIV) deverá ser realizado respeitando o imposto pelo III P.D. de Pelotas.

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III

CULTURA DE RUA fundamentos (p.34) função social (p.36) esporte, cultura e lazer na cidade (p.38) noções básicas (p.42)


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3.a cultura de rua

fundamentos

A cultura de rua é aberta, pública, de todos para todos. É a cultura da ocupação dos espaços, da apropriação da cidade. É também a cultura do respeito e, acima de tudo, da resistência. (Vilela, 2014) Tendo a rua como plataforma expositora, a cultura que nela desenvolve-se é inspirada nas experiências cotidianas, nas errâncias urbanas, nas oportunidades ou falta delas. É o espelho da sociedade, da sua gente, das ocorrências, das lutas, nunca para, sempre transformando-se. Como disse Vieira, é experiência de todos para todos. Abrange todas as classes, raças, gêneros, estilos. É esporte, é arte, é música, é tudo o que quiser ser. A rua, cada vez mais um espaço de passagem, do não-pertencimento, deve ser democrática, abandonar o individualismo. Um espaço como esse, onde a apropriação é livre, onde todos somos integrantes, sem hierarquia ou preconceito, é pilar de qualquer comunidade. Para alguns, o único espaço de expressão. No modelo atual de cidade, nem todos tem acesso ao teatro, ao cinema, ao clube, ou até mesmo ao show que vai acontecer em algum espaço privado. Assim, a cultura de rua é, muitas vezes, a única saída de certas realidades. As experiências vividas na cidade, sejam elas corporais, táteis,, compreendem, talvez denunciem, a vida urbana e o que, muitas vezes, está excluído. A identidade que se forma nessa cultura, é proveniente da identidade daqueles que, marginalizados dentro da sociedade, não “cabem” na cidade. São as apropriações e improvisações, segundo Jacques (2014), que legitimam ou não tudo aquilo que não foi projetado, os espaços e experiências geridas pelos habitantes, passantes ou errantes, que transformam lugares dentro do seu cotidiano. De Ceraeau (1994) ainda escreveu: “o espaço é o lugar praticado.” Talvez essa frase exemplifique um pouco dessa cultura, que transforma e é transformada pelo espaço praticado, baseado e baseando as experiências de todos que à ela se entregam.

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3.a cultura de rua

função social Talvez por ser elemento constituinte de comunidades marginalizadas, a cultura de rua desempenha um papel intrínseco na sociedade. Difundida nela, valores, princípios morais, conceitos e opiniões são disseminadas à grande parcela dos habitantes, de forma muito mais direta e abrangente, resultando, ainda, num sentimento de comunidade e responsabilidade social eminente. Tanto a prefeitura, quanto ONGs e movimentos sociais estão sempre promovendo oficinas e atividades, com os mais diversos temas e objetivos. Por exemplo, na cidade do Rio de Janeiro, em 2011, a coordenações de Políticas e Ações Intersetoriais e de Educação em Saúde da Superintendência de Promoção de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC–RJ), reuniu mais de 30 jovens, em três encontros, para uma Oficina de Graffiti para Prevenção da Dengue e Promoção da Saúde, ministrada por grafiteiros da região. O instituto Gerando Falcões, por exemplo, que atende 70 crianças e adolescentes, todos os sábados, em Poá, promove uma oficina de Skate com literatura. Lê Maestro (2014) ainda conta:

“Um garoto de 12 anos que não sabia ler começou a freqüentar a oficina de skate. Antes da atividade com o skate, temos aula de leitura. Com muito esforço, ele começou a ler suas primeiras palavras usando uma revista em quadrinho. A sua motivação? Andar de skate depois da leitura.” Atividades como essa, são de extrema importância e rompem barreiras e limites, muitas vezes impostos pelo próprio cotidiano. São crianças e jovens que estão prestes à aderir um processo que podemos chamar de “autodestruição”. Este mesmo instituto já alcançou mais de 200 mil jovens, oferecendo, ainda, oficinas de rap, teatro, dança de rua e grafite. Oportunidades como essas, abriram portas e salvaram vidas, impulsionando diversas personalidades conhecidas hoje. Pessoas como o rapper Emicida, ou o próprio Lê Maestro, nomeado pelo Fórum Econômico Mundial como um dos 15 jovens brasileiros que podem mudar o mundo. Fica claro que a maior parte dos projetos e trabalhos desenvolvidos ocorre dentro de comunidades, de certa forma, excluídas do padrão social. Existem diversas oficinas encabeçadas por múltiplos movimentos que promovem e oferecem espaço à pluralidade da cultura de rua, envolvendo questões de saúde pública, responsabilidade social e diversas outras questões. A cidade de Pelotas também é palco de inúmeros deles, levando esporte, arte, música e lazer para dentro das comunidades, principalmente na região em estudo, porém, ainda carece de espaços para que as instituições, como a CUFA e a ASP (Associação dos Skatistas de Pelotas), possam abrigar tais atividades.

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figura 18: Oficina de Graffiti para Prevenção da Dengue e Promoção da Saúde

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3.a cultura de rua

esporte, cultura e lazer na cidade A cidade de Pelotas tem grande ligação com as atividades esportivas. Só na cidade, destacam-se três clubes de futebol profissionais: Grêmio Esportivo Brasil, Esporte Clube Pelotas e Grêmio Atlético Farroupilha. Esses clubes têm grande influência sócio-cultural dentro do município, até mesmo dentro da região. Por tratar-se de uma cidade pólo na região, é nela que se concentram grande parte de competições regionais e até mesmo estaduais.

Segundo os dados coletados no site da Prefeitura do município (Fonte: SMED, 2012), a cidade de pelotas conta com algumas opções de esporte e lazer:

03 estádios esportivos de clubes profIssionais de futebol; 49 ginásios cobertos, sendo 23 deles pertencentes à escolas e os demais à clubes ou locação; 15 quadras poliesportivas, sendo 10 delas pertencentes à escolas e os demais à clubes ou locação; 03 piscinas para competição pertencentes à clubes ou locação; 02 pistas atéticas, sendo 01 pertencente à uma escola e 01 à clube ou locação; 04 clubes naúticos; 57 estabelecimentos de ginástica e estética; 19 estabelecimentos de defesa pessoal e destreza.

De acordo com a Superintendência de Esporte e Lazer da Secretaria Municipal de Educação, a cidade possui seleções permanentes até 14 anos em diversas modalidades, para ambos os sexos. Além disso, há um grande incentivo através de eventos e torneios municipais que colaboram com o desenvolvimento do esporte no município. É possível citar alguns deles: Torneios Municipais na Fenadoce, Fase I Jogos Abertos, Fase II - Jogos da Integração, JEPEL (programa de jogos escolares de Pelotas) e o JIRGS e JIRGUINHOS (jogos intermunicipais do Rio Grande do Sul, o primeiro na categoria adulto e o segundo, até 14 anos). Outra modalidade de incentivo que é aplicado na cidade fazem parte dos programas sociais de lazer e esporte, muitas vezes programas do Ministério do Esporte, que visam suprir a carência de políticas públicas e sociais, no âmbito do esporte recreativo, de modo que atendam as crescentes demandas da população, principalmente daquelas que se encontram em situação de vulnerabilidade econômica e social, reforçando ainda mais as condições excludentes em que são submetidas. Alguns dos programas desenvolvidos pela Prefeitura Municipal de Pelotas são: Brincando na Comunidade, Esporte e Lazer na Comunidade e 2º Tempo. Os dois últimos programas são idealizados pelo Ministério do Esporte, e são destinados à democratização do esporte.

Além dos espaços citados, a cidade oferece, ainda, outras opções de lazer e esporte: centro de hipismo clássico, equipe de Rugby (Antiqua Rugby), espaços para prática do skate, associação pelotense de automobilismo, etc. Os dados mostram que o predomínio está em estabelecimentos de ginástica e estética, e há grande quantidade de ginásios cobertos. Porém, nota-se que, na maioria dos casos, estes espaços são pagos ou de uso exclusivo de instituições e/ou associados, tornando evidente a carência de um ginásio que esteja aberto à população, incentivando e contribuindo na qualidade de vida da população. De fato, alguns estabelecimentos estão disponíveis a todo e qualquer integrante da sociedade perante colaboração simbólica ou, até mesmo, simples agendamento, porém, sabemos que, com a realidade de certos bairros, não é possível ser, ou sentir-se, acolhido no sistema, seja pelo simples fato de encontrar-se fora de seu ambiente de conforto, um claro exemplo da discriminação a qual estamos,erroneamente, acostumados e aceitamos como parte integrando do nosso usual.

Os programas idealizados e praticados pelo poder público são grandes ferramentas na democratização do lazer e esporte recreativo. Eles estimulam gestões participativas entre todos os envolvidos, desde a administração até os participantes, e ainda fortalecem a cultura local na apropriação do direito à prática de atividades físicas.

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figura 19: corrida no ambiente externo

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Já no âmbito do lazer recreativo em estruturas públicas, há um estudo feito pela Escola Superior de Educação Física da UFPel, onde foram estudadas 63 praças/parques na cidade de Pelotas. Esse estudo conclui que, dos 63 locais estudados, 95,2% delas não apresentam quadras específicas para prática de esporte. Sendo assim, em apenas 03 delas encontrase local específico, porém, dois deles são descobertos e somente um com estrutura apropriada de cobertura. As três mencionadas são externas e apenas duas são poliesportivas, encontram-se todas em estado irregular, com estruturas danificadas e sem iluminação adequada ao uso.

tornam-se limitantes formadores de grandes barreiras excludentes a serem vencidas, que dificultam a interação daqueles que não se encontram em situações sociais e econômicas favoráveis. Essa população sofre com a falta de estímulo e o grande descaso que é ocasionado pelo simples fato de não existir um local adequado que possa ser apropriado social e culturalmente, tornandoos dependentes de si mesmos para atingir um mínimo de acréscimo à qualidade de vida local. Sabemos que, infelizmente, locais como os citados, por mais espalhados que estejam, tendem a ser agrupados em locais economicamente mais favoráveis à venda do esporte como mercadoria. Claramente, as escolas e algumas instituições quebram a regra ao serem incluídas de forma mais ampla dentro do território municipal, porém, são muitas as limitações dessas estruturas, que, ainda assim, contam com um grande potencial de abrangência e influência na difusão de atividades sociais e esportivas.

Percebe-se que Pelotas têm uma grande gama de espaços disponíveis e apropriados à qualquer prática esportiva, no entanto, esse fato reduz-se apenas ao panorama geral da cidade. Espalhados pela cidade, esses locais atendem, em sua maioria, apenas à uma parcela da população, imediata ao seu entorno. Não é regra, mas são raras as exceções que são de fácil acesso à qualquer morador da cidade via transporte público.

Ao falarmos em cultura, a pluralidade cultural e étnica da população pelotense enriquece o cenário cultural e político da cidade. Pelotas é berço de inúmeras personalidades da cultura nacional, como também apresenta um rico sítio histórico de valor nacional,

Esse tipo de relação entre localização e entrono, e a necessidade do uso de qualquer meio de transporte,

figura 20: grafite nas ruas de pelotas – gordo17

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com diversas edificações e monumentos tombados, o que torna a cidade um patrimônio histórico e artístico nacional e patrimônio cultural do Estado do Rio Grande do Sul.

03 teatros (Sete de abril, guarani e cop); 02 cinemas; 43 bares e casas noturnas (sendo 02 espaços tradicionalistas); 06 clubes étnicos (afro-brasileira, italiana, libanesa, etc.); 05 clubes sociais.

Pelotas é palco de uma gama muito grande de eventos. Desde 2011, anualmente é realizado o Festival Internacional SESC de Música, que em 2017 realiza sua 7a edição. Outros eventos como o Sofá na Rua, o Sete ao Entardecer, a Semana do Hip Hop, o Chefs na Rua, a Feira do Livro, são alguns exemplos do potencial multicultural presente na cidade. A diversidade de oferta é um reflexo da profusa população, da multiplicidade e da variedade de estilos, gostos e experiências que se fazem presentes na essência da cidade.

Sem contar no maior espaço de expressão sóciocultural, as ruas. Outro fator importante e válido de ressaltar, é o quão dissipado estes eventos e oficinas acontecem na cidade. Dentro da região em estudo, são diversas as atividades relacionadas à cultura, ao hip hop, à dança de rua, que são levadas através de ONGs ou grupos relacionados, à toda população. Uma das grandes portas de entrada para tais atividades é a escola. Porém, como já comentado, a rua é a maior plataforma de comunicação e expressão, aceitando todas as formas, gêneros, cores, raças e, inclusive, sabores. Cada ano que passa, as atividades realizadas externamente ganham mais público, potencializando as múltiplas culturas, acolhendo as diversas experiências urbanas e humanizando e unindo toda sociedade.

Conta com diversos museus, teatros, cinemas e espaços onde a diversidade cultural presente pode reafirmar-se a cada dia. Movimentos sociais, artísticos, musicais, seja qual for o cunho, sempre estarão presentes no cotidiano urbano. Como citado, de acordo com os dados coletados no site da Prefeitura do município (Fonte: SMED, 2012), a cidade de pelotas conta com algumas opções de espaços de cultura:

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3.a cultura de rua

noções básicas Como já tratado anteriormente, a cultura de rua é informal e flexível, partindo de um uso mínimo de recursos. É o próprio espaço sendo apropriada de forma bruta, expressiva. Tais atividades, se edificadas, necessitam de um ambiente que, assim como a rua, seja fluído, flexível e integrado. Afinal, o objetivo desse movimento não é segregar grupos, mas unificar e associar todos. Assim dito, aqui serão explicados, um pouco, de algumas das atividades, tendo como base algumas das que são desenvolvidas pela Central Única das Favelas e outros movimentos, para exemplificar um pouco do que é a cultura de rua. Grafite (Graffiti) O grafite, com origem na década de 1970 em Nova Iorque, surgiu em paralelo com o movimento Hip Hop, quando alguns jovens desse movimento começaram a deixar marcas nas paredes da cidade. Aos poucos, as técnicas foram sendo evoluídas, utilizando desde as latas de spray, até o látex. Boscatto (2016) fala: o grafite ainda mantém em algumas intervenções urbanas o viés contestador que a música massificada perdeu. Break Break, ou dança de rua, também teve origem nos Estados Unidos, mas em 1929. Os dançarinos e bailarinos desempregados, por ocasião da quebra da bolsa de Nova Iorque, começaram a usar as ruas como palco das suas performances. Sua característica é a batida forte, influenciada por vários ritmos, associada, em seu princípio, à identidade e cultura negra. É uma dança com passos marcados, movimentos de pernas e braços, podendo ocorrer saltos e piruetas de solo. Muito ligada ao Rap e ao Disco, essa forma de expressão se estendeu para outras manifestações artísticas, como pintura, poesia e grafite, até mesmo o modo de se vestir. Skate Surgido na California, na década de 1960, tinha como intenção imitar as manobras do surf no asfalto. Já nos anos 80, aparece uma nova modalidade, conhecida como Street Skate, que utilizava elementos presentes nas vias públicas, como corrimãos, paredes e escadas, sob grande influência da cultura Punk e Hip Hop. Outro aspecto interessante do Skate, 40% dos interessados na atividade são do gênero feminino. Parkour Pouco reconhecido, o Parkour está entre o esporte e a arte. Assim como Street Skate, tem a rua como sua plataforma. É uma técnica adaptada na década de 1980, pelo francês David Belle, praticante de artes marciais. Não é considerado um esporte de competição devido aos riscos físicos envolvidos. Exige muita disciplina, pois é uma arte do deslocamento onde os participantes, chamados de “traceurs” ou “traceuse”, treinam o corpo e a mente e os usam para passar obstáculos e forma rápida e fluente. Embora semelhante, não se trata de acrobacia. É uma prática pessoal e não serve para impressionar ninguém. A técnica chegou ao Brasil por volta de 2004.

Assim como esses, a cultura de rua, que inclui a cultura Hip Hop, reconhece ainda esportes informais, como basquete de rua; o rap, estilo musical que se inspira no cotidiano das periferias; literatura, como forma de educação e expressão das realidades pessoais através da escrita; e diversas outras atividades, como as lutas, o audiovisual, a escalada, etc.

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Desde 1998, a CUFA funciona como um pólo de produção cultural e através de parcerias, apoios e patrocínios forma e informa jovens de comunidades, oferecendo perspectivas de inclusão social. Promove atividades nas áreas da educação, lazer, esportes, cultura e cidadania – contribuindo para o desenvolvimento humano – e trabalha com oito elementos do hip hop: graffiti (movimento organizado nas artes plásticas em que o artista aproveita espaços públicos, criando uma nova identidade visual em territórios urbanos); DJ (artista que alia a técnica à performance, utilizando pick-ups e discos de vinil); break (estilo de dança de rua originário do movimento hip hop); rap (‘ritmo e poesia’, estilo musical culturalmente herdado das populações latinas e negras e cujas letras retratam o cotidiano das periferias); audiovisual (valorização da imagem como instrumento de mobilização social); basquete de rua (esporte oficialmente embalado pelo rap); literatura (onde os jovens expressam sua arte e suas vivências através da escrita e obtêm conhecimentos relativos às obras ou aos escritores literários) e projetos sociais (conjunto de ações que busca por uma transformação social a partir das comunidades). Além disso, promove, produz, distribui e veicula a cultura hip hop através de publicações, discos, vídeos, programas de rádio, shows, concursos, festivais de música, cinema, oficinas de arte, exposições, debates, seminários e outros meios. A CUFA, ao longo destes anos, tornou-se um referencial para as comunidades e possui hoje bases de trabalho nos 27 estados brasileiros. (cufa rs)

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iV

LUGAR o sítio de implantação (p.46) análise técnica do entorno (p.48) >uso do solo (p.50) >hierarquia viária (p.52) >clima, insolação e ventos dominantes (p.54) >fotografias do lugar (p.58)


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figura 21: as dimensĂľes do terreno

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4.lugar

o sítio de implantação O terreno, então, localiza-se no bairro São Gonçalo, mais especificamente na microrregião Village, muito próximo às microrregiões Fátima e Navegantes. Suas maiores dimensões estão voltadas para o Nordeste e Sudoeste sendo que na fachada nordeste está o único acesso, dado através da Rua Dona Darcy Vargas. O terreno é atendido pelo sistema de abastecimento de água, energia elétrica e iluminação, e, também, pela coleta de lixo, sendo que a Coleta Seletiva, até o presente momento, contempla apenas a microrregião Fátima. Segundo o plano diretor, a maior dimensão do terreno está paralela à via pública de acesso, com 154,18 metros; e sua profundidade máxima de 88,50 metros. O sítio, como será apresentado posteriormente, fica acercado por grandes vias arteriais da cidade, muito próximo de diversas paradas de ônibus (única forma de transporte público oferecido pela cidade), ao mesmo tempo que se mantém central e entranhado na região em que se situa. Próximo, também, das duas praças presentes na área de estudo, Cercado por muros, o terreno fica envolvido por um aglomerado de condomínios fechados. Encontra-se sem uso, com vegetação rasteira densa e presença de algumas árvores de porte médio. Tornou-se um vazio de transição entre classes e culturas, reafirmando o vácuo que, cada vez mais, intensifica-se.

A rua, em que está localizado o lote, traduz o ambiente em que se situa. Uma área com grande potencial desconsiderada e prejudicada pelas barreiras privadas, que, como consequência, interferem na estrutura pública da região. Colocando a microrregião Navegantes como foco, evidencia-se ainda mais a barreira existente. Os condomínios quebram a conexão destas microrregiões com as principais vias da cidade. É uma área negligenciada, sem nenhum atrativo, alvo das assimetrias sociais. Sendo um ponto de interseção de raças, classes e gêneros, a potencialidade do lote, quanto ao tema, é extremamente valorizada. A pluralidade de experiências e vivências presentes no entorno, transformam um espaço residual em um lugar latente, com capacidade iminente de converter o que era rejeitado em parte vital da sociedade, introduzindo um sentir responsável perante todos os passantes, que por ali terão novas oportunidades, que como De Certeau (1994) coloca: ultrapassar os limites que as determinações do objetivo fixavam para seu uso. Para implementação da proposta no terreno em questão, é considerado que a Rua Dona Darcy Vargas sofra, por consequência, o devido tratamento viário e urbano, assim como previsto pelo III Plano Diretor de Pelotas, para que possa atender de forma plena toda comunidade.

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4.lugar

análise técnica do entorno O entorno, como será apresentado posteriormente, é predominantemente residencial, com presença de pequenos comércios ou atividades mistas. Ainda que sem paradas de ônibus na rua em que se situa o terreno, o mesmo encontra-se inserido em um cinturão atendido pelo transporte público da cidade. São duas linhas que percorrem o entorno, Linha NavegantesCOHABPEL/Anglo (em amarelo na figura 22), e Linha Navegantes-Assis Brasil (em azul, na mesma figura).

social, como o projeto da prefeitura municipal Vida Ativa, e a Central Única das Favelas, já mencionada neste trabalho. Segundo os dados levantados, foi encontrado apenas uma Academia dentro da zona em questão, evidenciando a falta de incentivo dentro dessa região. Tendo em vista que se trata de uma zona residencial, é fundamental a existência de espaços de lazer, seja ativo ou passivo, que envolva os habitantes do entorno. Conhecendo a realidade local e analisando

É possível perceber que grande parte dos estabelecimentos relacionados ao esporte ficam foram da área em estudo, como se as vias Arteriais já mencionadas, que envolvem essa região estudada (cinturão viário que circunda as microrregiões em destaque), servissem de barreira para com estas comunidades. Adjacente à esse cinturão, localiza-se o Estádio Bento Mendes de Freitas, também chamado de Baixada, do Grêmio Esportivo Brasil, é referência à toda região e mantém grande ligação com os habitantes do entorno. Ainda fora da região, existem dois ginásios esportivos. O primeiro, o Ginásio Municipal, ainda em construção, mais ao norte da figura 22, que será construído na rua Álvaro Chaves, ao lado da praça Palestina, terá 2.350,80m metros quadrados de área construída e contará com um composto de quadra poliesportiva para futebol de salão, espera para voleibol e basquete e até um palco para apresentações artísticas na área externa do ginásio. Já o segundo, privado, é de menor porte e conta com quadras poliesportivas para aluguel, localizado ao sul da mesma figura. Como pode ser visto, dentro da região em análise, podemos ver que existem três praças públicas, sendo que a inserida na microrregião Navegantes, hoje, mantém-se como um grande vazio verde, sem nenhuma infraestrutura, apenas com uma pista de Skate (muito utilizada pela comunidade, como pôde ser reparado em uma das visitas ao local), inserida recentemente pela Prefeitura de Pelotas. A segunda e a terceira, pertencente à microrregião Fátima, apresenta estrutura superior à primeira, com mobiliário urbano e infantil e iluminação pública em condições regulares. Unidades de Saúde e Educação também estão presentes no local, assim como instituições que visam a inclusão

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a figura 22, podemos ver o quão carente é a região quando trata-se de espaços de qualidade, e propícios à localidade.

traçado das quadras, evidenciando a assimetria social presente ali. Desta forma, justifica-se a inserção da proposta no centro de um espaço residual e não atrativo como esse, onde a localização do terreno, juntamente com o programa do projeto em questão, tendem a denunciar um espaço negligenciado, tornando-se foco de apropriação perante aos que ali circulam, atraindo a população e sendo ponto fundamental na intersecção de raça, classe e gênero.

Sendo assim, podemos notar a ausência de espaços que visam a integração das comunidades, de forma inclusiva, e que contemple esporte e cultura, proporcionando Lazer aos que ali residem. Possível notar, ainda, a barreira física que é gerada pelos condomínios fechados, onde notamos a diferença no

figura 22: O ENTORNO do terreno

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4.lugar

análise técnica do entorno uso do solo

Como pode ser visto, a área em estudo é, predominantemente, residencial. Mesmo com a dominância dos condomínios que circundam o lote proposto, fica claro o caráter da região. Nota-se, também, a predominância de pequenos comércios e serviços, que variam de mercados locais à oficinas mecânicas. Por tratar-se de uma comunidade extremamente aglomerada, existem ainda locais de culto religioso, e um número considerável de edificações com uso misto. Normalmente, essas edificações unem residência com trabalho. São salões de beleza, bares, pequenos mercados, oficinas elétricas, que atendem, especialmente, a comunidade em questão, gerando sua própria renda e dividindo o espaço. Se formos analisar juntamente com a hierarquia viária, é possível reparar que, a área ociosa, sem nenhuma edificação, está relacionada com a falta de infraestrutura urbana no local. Podemos notar, na análise a seguir, que, nesta mesma área, existe apenas propostas de prolongamento das vias já existentes. Legenda: Residencial

Ocioso

Serviço

Religioso

Misto

Intitucional

Comércio

Praça

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figura 23: uso do solo NO ENOTRNO DO TERRENO

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4.lugar

análise técnica do entorno hierarquia viária

O sistema das vias na cidade de Pelotas, de acordo com o III Plano Diretor de 2008, é classificado em: Vias Coletoras Regionais, Vias Arteriais, Vias Coletoras e Vias Locais, conformo o mapa U-03, anexo à Lei 5.502. Na região em estudo, a grande maioria das vias é considerada Via Local, mantendo uma média no gabarito da rua de doze metros, com algumas exceções que atingem apenas oito metros. As Vias Coletoras, segundo o III P.D., devem apresentar gabarito de dezesseis metros, que seria o caso da Rua Dona Darcy Vargas. As Vias Arteriais existentes, presentes na figura 24, são: Av. Bento Gonçalves (canto superior direito) e Rua Dr. Mário Meneghetti (canto inferior esquerdo). A Rua Dona Darcy Vargas, onde está localizado o terreno, é considerada uma Via Coletora, tendo a proposta de continuidade (devido a situação atual) no trecho no qual está implantado o sítio. A Av. Artur de Souza Costa (apresentada no canto inferior direito), é Via Coletora e conecta as duas Vias Arteriais presentes no mapa.

Via Arterial Existente Via Arterial Proposta Via Coletora Existente Via Coletora Proposta

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figura 24: hierarquia viĂĄria no entorno do Terreno

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4.lugar

análise técnica do entorno

clima, insolação e ventos dominantes Localizada na latitude de 31º 46’19” e longitude 52º 20’33’’, a cidade de Pelotas é caracterizada com clima subtropical úmido e apresenta umidade relativa, em média no ano, de, aproximadamente, 80%. De acordo com a Estação Agroclimatológica de Pelotas, Convênio EMBPRAPA/UFPel, e considerando as coordenadas geográficas da estação de medição (latitude: 31° 52’ 00’’ S; longitude: 52° 21’ 24’’ W.GRW.; altitude: 13,24 m), é possível coletar algumas Normais Climatológicas da região. Tais dados são baseados no período de 1971/2000, e apresentam uma temperatura média anual de 17,8ºC na região. A temperatura máxima anual fica próxima dos 23ºC, podendo alcançar os 28ºC no mês de Janeiro. Já a temperatura mínima anual, em média, está entre 13 e 14ºC, podendo chegar aos 8ºC nos meses de Junho e Julho. A cidade de Pelotas apresenta, segundo a Estação Agroclimatológica de Pelotas, velocidade de ventos média anual de 30,0 m.s-1, predominantemente no sentido Leste. Já nos meses de Janeiro, Julho, Agosto e Setembro, eles são provenientes do Nordeste, com velocidades médias de, respectivamente, 23,0 m.s-1, 23,0 m.s-1, 28,0 m.s-1 e 30,0 m.s-1. Nos meses de Abril, Maio e Junho, os ventos vêm, predominantemente, do Sudoeste, com velocidades médias de, respectivamente, 25,5 m.s-1, 23,5 m.s-1 e 26,0 m.s-1. Nos demais meses do ano (Fevereiro, Março, Novembro e Dezembro), os ventos ocorrem, predominantemente, no sentido Leste, com a média podendo varias entre 25,0 m.s-1 e 28,0 m.s-1. É importante salientar, também, que nos períodos frios, a presença dos ventos vindos do Sul e Sudoeste são muito comuns, vindos do continente em direção ao oceano Atlântico. Da mesma forma, nos períodos de calor, são os ventos do Nordeste, Norte e Leste que ocorrem com maior frequência, muitas vezes vindos do oceano Atlântico, em direção ao continente.

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figura 25: PERCURSO DO SOL E VENTOS DOMINANTES

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21 de Junho

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09:00

12:00

21 de Dezembro

Estudo realizado através do software Sketch Up utilizando a modelagem feita do entorno, considerando as alturas das edificações. A análise do percurso do sol e das sombras incidentes no terreno foi realizado considerando o solstício de inverno e o solstício de verão, nos mesmos horários (9hrs, 12hrs, 15hrs e 18hrs). O terreno em análise está marcado em vermelho, as vias públicas em cinza escuro e as demais edificações em branco.

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15:00

18:00

figura 26-33: IMPACTO DO entorno NO SOMBREAMENTO DO TERRENO

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4.lugar

análise técnica do entorno fotografias do lugar

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As fotografias foram realizadas em fevereiro de 2017. Elas reforçam as condições precárias da estrutura viária do local, sem levar em consideração sua importância no sistema viário local, pois trata-se de uma via coletora que conecta o centro das microrregiões ao restante da cidade. Pode ser visto, também, o abandono do sítio de implantação, uma vez que se pode notar o grande acúmulo de lixo e a crescente vegetação “rasteira”.

2

Mapa do local das fotos:

3 Figura 40: Mapa com a localização das fotos

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Figura 34-39: Imagens do terreno e seu entorno imediato

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V

PROJETOS DE REFERĂŠNCIA streetmekka viborg (p.60) streetmekka esbjerg (p.68) escola gavina (p.72) the city school (p.74) lemvig skatepark (p.78) referenciais pontuais (p. 80)


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Figura 41: Projeto Streetmekka Viborg

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5.projetos de referência

streetmekka viborg Streetmekka Viborg, como é chamado, é um projeto realizado pelo escritório dinamarquês EFFEKT para um concurso desenvolvido pela prefeitura do município de Viborg, na Dinamarca. Primeiro lugar no concurso, realizado no início do ano de 2017, o projeto ainda está em progresso. A ideia do concurso é dar uma nova vida às diversas estruturas fabris abandonadas na região. O edifício em questão serviu como uma fábrica de moinho de vento, com estrutura pré-fabricada em concreto. A proposta do escritório é transformar o espaço em uma continuação da paisagem da rua, que, mesmo que coberta, se abre para o exterior. Vale ressaltar que o governo da Dinamarca promove um projeto social visando a criação de espaços como esse, introduzindo a cultura de rua dentro da sociedade. O programa foi organizado em quatro zonas que se inspiram na cultura de rua, a paisagem urbana e a rotina dentro dela. A primeira das zonas é chamada de O Edifício (The Building), onde estão localizados as áreas de oficinas (oficina de madeira, metal), os depósitos, café, convivência e etc. A segunda (The Urban Elements), juntamente com a terceira (The Street), representa os elementos urbanos e a rua, incluindo espaços destinados à prática do skate, basquete, futebol, parkour, juntamente com espaço de convivência. A quarta zona, é chama da The Ditch, que se trata de um espaço de transição entre o edificado e a rua, a ponte entre os dois. Essa última é dotada de uma área pública e aberta, durante todo o tempo, com espaço fluido, e englobando diversas atividades.

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Figura 42: Projeto Streetmekka Viborg - área externa O projeto referencial representa, em muitos aspectos, a intenção final desta proposta. A forma como a edificação é apropriada pelo uso, onde suas funções principais são partilhadas e não compartimentadas, proporciona ao usuário liberdade na utilização do espaço. O programa de atividades amplo é organizado, dentro da pré-existência, de modo fluido e inter-relacionado. São pequenas barreiras que não impedem que os ambientes estejam ligados, de forma a unificar os espaços. O volume final é uma grande caixa, que se abre ao exterior. A solução estrutural é de extrema relevância ao trabalho em desenvolvimento. É uma estrutura pré moldada em concreto armado, na pré existência, legado da da fábrica que já existiu no local. Porém, nas novas areas construídas, foi adotada uma estrutura

metálica. Ambas vencem grandes vãos, permitindo que as funções sejam flexíveis e, também, suas próprias delimitadoras. O caráter fabril da edificação colabora para que função e estrutura estejam de acordo esteticamente. Assim como este, o terreno proposto para o projeto Entre Muros é envolvido por paredes cegas, muros de concreto, que, neste caso, ganharam vida ao serem apropriados pelo grafite e outras formas de exposição da cultura de rua. Parte da edificação utiliza um revestimento de painéis de poli-carbonato, aparente na figura 42, que, translúcidos, transformam o edifício durante o dia e a noite, servindo como tela dos artistas locais, que, quando iluminado no período noturno, permite que suas obras sejam vistas e coexistam com o restante da edificação, interagindo em contradição (figura 45-48).

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Figura 43: Projeto Streetmekka Viborg - The Ditch

Figura 44: Projeto Streetmekka Viborg - interior

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Figura 45

Figura 46 A proposta define com muita qualidade a disposição dos espaços, levando em consideração os horários de funcionamento dentro da edificação, criando grupos de funções que facilitam, assim, o controle e a segurança de todos os envolvidos. Além disso, em sua implantação, cuida da relação com seu entorno imediato, considerando as questões de ruído e utilizando as manchas verdes e vegetações como ferramenta de

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prevenção, assim como a boa localização das funções que causariam maior distúrbio e impacto na vizinhança. A área externa conta com diversos espaços (quadras de basquete e futebol de rua, parkour, pista de skate e áreas de convivência), é a zona de transição entre o construído e o aberto, a ponte entre o edifício e a rua. Como poderá ser visto na próxima pagina, nas figuras 52, 53 e 54, a solução funcional foi resolvida em três grandes


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Figura 47 Figura 45-48: Projeto Streetmekka Viborg - transformação da fachada

Figura 48 fitas, facilitando a divisão e compreensão das zonas e atividades. O foco do projeto é evidenciado pelo espaço e centralidade dentro da estrutura, uma vez que as principais atividades situam-se na pré existência, que é envolvida pela nova estrutura e abriga as atividades de apoio ao programa e a zona de transição. As três zonas foram organizadas considerando o horário de funcionamento e a temperatura ambiente.

Figura 49: Organização espacial por temperatura

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Figura 50: Projeto Streetmekka Viborg - implantação

Figura 51: Projeto Streetmekka Viborg - café

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Figura 52-54: planta baixa e cortes do projeto

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5.projetos de referência

streetmekka esbjerg Projetado pelo mesmo escritório dinamarquês, EFFEKT, o Streetmekka Esbjerg tem os mesmos princípios programáticos, porém apresenta organização espacial diferenciada. A base para implantação foi a pré-existência, e a reconstrução da sua história. A edificação, que no século 20 foi uma estação de trem, passou por diversas fases, começando por uma implantação em meia circunferência que cresceu e evoluiu até chegar a uma circunferência completa. Após um certo período antecedente à execução do projeto, já se havia perdido mais de 60% de sua estrutura, retornando à uma forma similar à inicial. Ao invés de apagar a história, a proposta recupera a estrutura de modo à inserir um novo sistema e uma nova função, sem perder o valor da obra.

Figura 56

Figura 55: projeto streetmekka esbjerg - imagem externa O projeto apresenta, então, um desenvolvimento radial, implantando-se em uma meia circunferência, tendo um grande pátio central que articula todas as funções. Por tratar-se de um semi-circulo, o acesso à edificação é dado de uma única forma, através do pátio central, que, de forma acolhedora, recebe todos os usuários. Todas as atividades para ele convergem, de modo que é possível, quando nele, visualizar todos os ambientes do programa, e, quando em algum dos ambientes, estar atento aos movimentos na área central.

Figura 60-61: imagens aéreas do projeto - esquema estrutural

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Figura 58


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Figura 57

Figura 56-59: projeto streetmekka esbjerg - imagens do projeto O grande pátio torna-se, assim, palco de todos os movimentos, perfomances e exposições que podem ali serem desenvolvidas. É um grande espaço de convivência à céu aberto, potencializando as interações sociais e conduzindo, todos, ao mesmo espaço externo. Do mesmo modo que o Streetmekka Viborg foi resolvido estruturalmente, o Streetmekka Esbjerg conta com à estrutura original das áreas de pré existência, nesse caso em madeira, e introduz a estrutura metálica nas novas instalações. Também formada por pórticos estruturais, a edificação é marcada por essa solução, trazendo unidade ao conjunto, uma vez que tratam-se de seis bloco “independentes” unidos pelo jardim interno. Figura 62: Organização espacial por temperatura

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Figura 63

Figura 67 Figura 63-67: planta baixa, fachadas e cortes do projeto

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Figura 64

Podemos notar, através das imagens e desenhos, que existe alto grau de unidade na composição final. Dentro dessa unidade, existe certa intensidade entre os blocos, dada pela variação da proporção entre eles. Cada bloco é trabalhado de forma semelhantes, porém são facilmente diferenciados, tanto pelas proporções externas, quanto pelos acabamentos, que variam entres os blocos. Podemos, ainda, diferenciar a pré-existência das novas instalações. Acredito que não se trata de uma edificação com algum grau de complexidade, uma vez que a obra é implantada de forma regular, dentro da radialidade da forma pura. O contraste entre os diferentes blocos acarreta em um certo equilíbrio dentro dos pesos que cada um gera no todo, , retomando a unidade já mencionada. Desse projeto, vale considerar a implantação diferenciada, focalizando na área de convívio que unifica os prédios e o programa. Outro ponto relevante ao estudo, é a oportunidade de avaliar e comparar dois projetos muito semelhantes no programa e que se opõe na implantação e configuração espacial, o Streetmekka Viborg, já apresentado, e o Streetmekka Esbjerg, estudado aqui.

Figura 65

Figura 66

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5.projetos de referência

escola gavina Projetado em 2015 pelos arquitetos Arturo Sanz e Carmel Gradolí, a edificação, por eles projetada, trata-se da ampliação das instalações docentes da Escola Gavina, que fica em Valência, na Espanha. O pavilhão em questão abriga diversas atividades, como assembleias, festas, atuações teatrais e musicais, além de pista desportiva, que é seu uso ordinário. Um prisma quadrangular, tem sua composição marcada pela estrutura metálica em pórticos. Um balanço grande projeta-se no acesso principal, que pode ser aberto ao exterior de forma ampla. Essa estrutura metálica possui grande valor arquitetônico, especialmente a solução dada à cobertura, onde aberturas foram feitas, dentro de um grid estrutural, possibilitando a entrada natural da luz, uma abertura zenital formada juntamente com o suporte de um brise-soleil, formadas dentro da própria treliça espacial. Outro ponto relevante, levando em consideração a zona climática em que a proposta em desenvolvimento será inserida, é a utilização dos cobogós como fechamento. Esse tipo de fechamento não impede a inserção nas aberturas verticais, sendo um bom referencial para soluções onde ventilação e iluminação sejam requeridas. Além disso, pode-se notar, na figura 70 e 71, que o balanço serve como proteção para a edificação contra os raios solares, e esse espaço possibilita a ausência de vedação nas aberturas presentes acima do acesso à edificação, onde a estrutura funciona como uma segunda camada de brise.

Figura 70-71: balanço da estrutura e abertura dos portões

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Figura 68-69: quadra poliesportiva da escola gavina - perĂ­odos do dia diferentes

Figura 72: fachada da quadra da escola gavina

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5.projetos de referência

the city school O projeto The City School, realizado pelos escritórios de arquitetura EFFEKT e Rubow, combina espaços educacionais com desenvolvimento urbano. Localizado na cidade de Helsignør, na Dinamarca, integra diversos projetos de pequena escala em um único espaço integrado. O terreno foi fragmentado em ambientes diversos, criando praças, parques e jardins, integrando os diferentes espaços. O projeto referenciado é apenas uma parcela do complexo. Trata-se da Praça dos Esportes, que intersecciona quatro blocos, conectados por uma escadaria que leva a uma grande área verde que liga aos demais espaços do projeto. Embaixo dessa escadaria, fica a área de convivência que transforma os quatro blocos em um grande ambiente, que podem ser usados separadamente ou como um grande bloco. A estética da proposta é diferenciada pela sobreposição dos blocos, que é acentuada pelo contraste. Mesmo tratando-se de blocos quadrangulares, a volumetria foge do convencional ao adotar a sobreposição, apresentando, mesmo que dentro de sua pequena complexidade, uma unidade que se coloca em evidência. A escadaria, que unifica a edificação, intensifica o valor complexo da obra, e, ao mesmo tempo, dá sentido à sua sobreposição, transformando o vazio em caminho.

Figura 73-74 : diagramas das áreas centrais do projeto

Figura 75: Imagem do projeto THE CITY SCHOOL

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Figura 76: volumetria do projeto

Figura 77: corte do projeto

Figura 78: planta baixa do projeto

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Figura 79-80: Imagens internas do projeto THE CITY SCHOOL

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Pretende-se buscar na implementação dos espaços do projeto, integração, mesmo que apenas visual, entre as diversas atividades. Conectar esses ambientes, promoverá maior sensibilidade entre os envolvidos, conectará pessoas, potencializando, assim, as interações sociais, de modo a colaborar com a inserção e envolvimento dentro da comunidade local.

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5.projetos de referência

lemvig skatepark O Lemvig Skatepark é um espaço aberto e público, desenvolvido pelo escritório EFFEKT, em Lemvig, na Dinamarca, com uma área total de 2.200 m2. Finalizado em 2013, o projeto desenvolve-se através dos caminhos criados, que são transformados em uma grande pista de skate. Esses caminhos acabam por gerar espaços, definindo seus usos através dos mobiliários e dos pisos. A ideia do escritório foi transformar um espaço mono-funcional, um skatepark, em uma área recreacional que fosse capaz de envolver múltiplas funções dentro da sociedade, aproveitando o potencial da área e transformando em o dia-a-dia da comunidade local. Vale considerar o caráter cultural multifuncional do projeto, acolhendo diversas atividades em um mesmo espaço, conectando pessoas de todas as idades com um mesmo propósito, lazer. Esse tipo de espaço acaba por tornar-se palco de encontros, performances e exposições, uma vez que reune e acolhe todas as classes e gêneros.

Figura 82: Iimagem do parque

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Figura 81: Iimagem aĂŠrea do parque

Figura 85-86: diagramas funcionais

Figura 83: Iimagem do parque

Figura 84: Iimagem do parque

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5.projetos de referĂŞncia

referenciais pontuais

Figura 87: Oslo skatehall

Figura 88: Sports hall

Figura 89: pigalle basketball court

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Figura 90: golden hall Figura 91: la taule sports center

Figura 92: sugar factr

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VI

PROPOSTA conceito (p.84) programa de necessidades (p.88) organização espacial (p.92) diagrama funcional (p.94) processo projetual (p.96) estudo preliminar (p.100) intervenção urbana (p.114)


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INTEGRAÇÃO

COMUNIDADE EXPRESSÃO fluidez oportunidade liberdade

esporte cultura de rua MOVI INTERAÇÃO bem-estar

convívio 86


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6.proposta

conceito Além dos muros, indica que existe um espaço além do que os muros nos permitem ver/sentir. Além dos muros, um espaço que pretende transpor essas barreiras. Transpor é deixar para trás, ultrapassar. Ultrapassar ou deixar para trás, no contexto em que estamos lidando, é libertar-se. Literalmente. Quebrar com qualquer tipo de obstrução, sentir-se livre para agir ou mover-se. Além dos muros é a capacidade de atingir equilíbrio para além daquilo que antes era resistência. E, para sentimo-nos livres, nossa capacidade de ação deve ser ampliada, jamais reduzir nossos desejos ou imaginações. Por isso, é necessário um lugar que possa ser apropriado pela paixão, pela liberdade e pela expressão. Tendo a rua como maior plataforma de expressão, podemos dizer que para além dos muros é onde nos encontramos, nela, com ela. Além dos muros, a experiência e a relação com a cidade são transformadas e transformam. As ruas quebram, rasgam as barreiras, não devem ser barreiras. Por isso, o projeto pretende resgatar a rua. O projeto é rua, é extensão de tudo aquilo que ela representa. É liberdade, é expressão, é sentimento, é sensação. É também experiência, experimento. A rua é corpo, e corpo, assim como a rua, precisa de movimento. A base fundamental, então, é a cultura estabelecida na rua. O esporte, na rua, é fluído. A dança, na rua, é líquida. A raiz do projeto é a relação dinâmica entre as diversas atividades. Um reflexo do que acontece no cotidiano. É a convivência entre pluralidades, é ter um espaço pra chamar de nosso. Além dos muros é ponte, diálogo entre vivências e errâncias. Além dos muros é objeto fundamental na reintegração e comunicação entre as diferenças, pois é na “rua”, ou em um espaço que permita a diversidade, que as adversidades acabam.

IMENTO 87


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6.proposta

programa de necessidades

apoio

convivência

aDMNISTRATIVA

zona AMBIENTE

PERÍODO DE FUNC.

PÚBLICO FIXO PÚBLICO VARIÁVEL

recepção

manhã/tarde/noite

02 pessoas

06 pessoas

sala de reuniões

manhã/tarde

12 pessoas

administração

manhã/tarde

01 pessoa

03 pessoas

sala dos funcionários

manhã/tarde/noite

12 pessoas

sanitário/vest.

manhã/tarde/noite

04 pessoas

depósito

manhã/tarde/noite

01 pessoa

convivência

manhã/tarde/noite

40 pessoas

café

manhã/tarde/noite

03 pessoas

20 pessoas

depósito

manhã/tarde/noite

01 pessoas

oficinas

manhã/tarde/noite

01pessoas

06 pessoas

sanitário/vest.

manhã/tarde/noite

10 pessoas

Área Técnica

-

-

limpeza

manhã/tarde

03 pessoas

lixo

02 pessoas

88


A L É M D OS M UR O S:

ÁREA MÍN. qt.

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

equipamentos

observações

25 m2

01

balcão, 04 poltronas, 02 cadeiras,armários

18 m2

01

mesa, 12 cadeiras

_

18 m2

12 m2

01

mesa, 03 cadeiras, armários

_

12 m2

25 m2

01

sofá, copa

cadeiras,

fácil acesso às zonas de convivência e ativa

25 m2

20 m2

02 01

próximo da sala dos funcionários –

40 m2

04 m2

sanitários, lavatórios, bancos,chuveiros, armários armários

mesas,

próxima principal

do

acesso

ÁREA total 25 m2

05 m2

ÁREA TOTAL ZONA ADM.: 125 M2 200 m2

01

bancos, mesas, mobiliário móvel, estantes

centralizado na edificação, fácil visualização

200 m2

30 m2

01

cadeiras, mesas, cozinha

30 m2

10 m2

01

estantes e armários

proximidade do espaço de convivência apoio às oficinas

30 m2

03

bancadas, maquinário, estantes, bancos, espaço para armazenagem

oficinas de madeira, metal e geral (oficinas para aprendizado, produção e manutenção)

10 m2 90 m2

ÁREA TOTAL ZONA serv.: 330 M2 40 m2

02

50 m2

02

sanitários, lavatórios, bancos,chuveiros, armários -

10 m2

01

estantes e armários

10 m2

01

coleta de lixo

fácil acesso geral e acessíveis instalações hidrosanitárias e elétricas próximo aos serviços próximo ao acesso de serviço

80 m2 50 m2 10 m2 10 m2

ÁREA TOTAL ZONA apoio.: 150 M2 89


A L É M D OS M U R OS :

externa

ativa

zona AMBIENTE

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

PERÍODO DE FUNC.

PÚBLICO FIXO PÚBLICO VARIÁVEL

quadras esportivas

manhã/tarde/noite

14 pessoas

pista de bike

manhã/tarde/noite

08 pessoas

pista de skate

manhã/tarde/noite

16 pessoas

parkour

manhã/tarde/noite

12 pessoas

palco (sarau)

manhã/tarde/noite

04 pessoas

dança

manhã/tarde/noite

20 pessoas

ginástica

manhã/tarde/noite

01 pessoa

10 pessoas

lutas

manhã/tarde/noite

01 pessoa

10 pessoas

escalada

manhã/tarde/noite

04 pessoas

leitura

manhã/tarde/noite

06 pessoas

quadras esportivas

pista externa

convivência

90


A L É M D OS M UR O S:

ÁREA MÍN. qt.

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

equipamentos

observações

ÁREA total

800 m2 /200m2

02

quadra poliesp. reduzida, meia-quadra de basquete

1200 m2

60 m2

01

rampas, mobiliário urbano fixo

adjacente aos espaços parkour, skate

60 m2

80 m2

01

rampas, mobiliário urbano fixo

adjacente aos espaços parkour, bike

80 m2

60 m2

01

mobiliário muros

adjacente aos espaços skate, bike

60 m2

20 m2

02

bancos, microfone, som

20 m2

200 m2

01

armários, espelhos

centralidade e proximidade do café e convivência –

200 m2

160 m2

01

armários, espelhos, mobiliário, bolas, tecido (ginástica circense)

160 m2

160 m2

01

tatâme, armários

160 m2

30 m2

01

piso adequado

30 m2

40 m2

01

estantes, sofás, mesas

proximidade do acesso externo –

urbano

fixo,

40 m2

ÁREA TOTAL ZONA ativa: 2.010 M2 500 m2

03

quadras informais de futebol, basquete, vôlei

algumas das quadras podem ser reduzidas (meia quadra)

140 m2

01

rampas, mobiliário urbano fixo

skate, bike, etc

mobiliário urbano

espaços de convivência, apresentação

1.500 m2

140 m2 –

ÁREA TOTAL ZONA externa: 1.640 M2 ÁREA TOTAL ambientes (4.255 M ) + 30% paredes e circulações (1.277M ) = ÁREA TOTAL geral: 5.532M2 2

2

91


A L É M D OS M U R OS :

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6.proposta

organização espacial Na compatibilização entre o programa de necessidades e a organização espacial, fundamentado pelas análises apresentadas por Ching (2008), em seu livro Arquitetura: forma, espaço e ordem; foi possível compreender a melhor maneira de correlacionar forma e função na distribuição dos espaços. A organização aglomerada seria adequada pelas questões de características funcionais, uma vez que as zonas do programa de necessidades são bem definidas, porém é entendido que deve haver certa fluidez e conexão entre certas atividades, que seriam segregadas dentro dessa organização. Já dentro da organização radial, existe um ambiente comum dominante, que gera organizações lineares que se estendem. Vale considerar essa relação radial do ambiente central com a linearidade das demais funções, ocorrência que é de intenção projetual, para que o espaço de convivência seja relacionado de forma fluída com os demais ambientes. Com a organização linear, encontra-se uma maior conexão junto ao programa, onde espaços repetitivos (funcionalmente semelhantes) são colocados ao longo de um eixo. Esses espaços ao longo da sequência se tornam suscetíveis à exposição direta com o exterior. Essa exposição direta beneficia o projeto, onde atividades com o skate, estende-se ao exterior, dessa forma, é mais fácil relacionar as atividades interna e externamente de forma direta.

Org. aglomerada

DIVISÃO FUNCIONAL qubra na fluidez entre as funções

fluxos nem sempre convergem para o mesmo ponto Áreas externas segregadas

Org. radial qubra na fluidez entre as funções

eSPAÇO CENTRAL reunindo e ORGANIZANDO FLUXOS

Org. linear

fluidez em ambos os sentidos *** Cores meramente ilustrativas !

Áreas externas unificadas

92


A L É M D OS M UR O S:

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Procura-se, então, mesclar as organizações radial e linear, de forma a criar um espaço central, destacado, que organize os fluxos sem interromper na fluidez linear das atividades. A ideia principal do projeto é a integração entre as atividades e entre a edificação e a área externa, por isso a linearidade da proposta não pode ser perdida, tendo em vista a característica dessa organização descrita por Ching (2008).. Outros fatores, como as edificações do entorno, as questões visuais e sensoriais do terreno e a situação da via de acesso, levam a acreditar que essa organização linear é a mais adequada ao sítio de implantação juntamente ao programa.

Cria um acesso (ou “ponto focal”) quebra do volume

espaço central de acesso(?) não atrapalha as funções dentro da linearidade organiza sem desorganizar centraliza desentralizando

fluidez em todos os sentidos área externa mais integrada

*** Cores meramente ilustrativas !

Figura 93-96: exemplos de organização espacial

93


A L É M D OS M U R OS :

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6.proposta

diagrama funcional A partir do programa de necessidades, criou-se um diagrama de bolhas para representar a interação entre algumas atividades. Fica explicito, assim, as atividades mais predominantes e/ou importantes dentro do programa. Depois, foi estabelecido um eixo central, onde foram colocadas as atividades com maior peso nas extremidades, a área de convivência no centro e as atividades externas fora desse eixo. As demais atividades foram dispostas ao longo do eixo, e agrupadas por semelhança. Dessa forma, o diagrama aproxima-se da realidade de uma organização espacial linear, apresentando um ponto de convergência radial (convivência), como previamente falado.

94


A L É M D OS M UR O S:

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Figura 97-98: diagramas funcionais

95


A L É M D OS M U R OS :

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6.proposta

processo projetual O primeiro passo na concepção da proposta foi criar uma trama. Essa trama foi proposta a partir do entorno imediato e levando em consideração a área de estudo em geral, de forma a inserir o projeto da forma mais contextualizada possível, e possibilitando uma relação direta nas diferentes escalas. O entorno do terreno é formado por condomínios implantados em diversos blocos, o que acaba gerando um padrão muito marcado, um ritmo visual claro. A análise foi baseada através dos mapas da cidade e imagens aéreas. Foram gerados duas malhas, a principal, mais retilínea em relação ao terreno, servindo de base fundamental, e a secundária, que corta o terreno diagonalmente. O primeiro grid leva em conta e da continuidade ao tecido que está em contato direto com o terreno, os fundos e as laterais do lote. Essa trama será importante na concepção do projeto, especialmente no relacionamento das fachadas e do volume com esses prédios que o cercam. Já o grid secundário leva em consideração as edificações que estão em frente ao terreno, o que colaborará na proposta paisagística e na organização das atividade externas, pois ocasiona uma quebra da malha principal. Vale considerar, também, que essa quebra pode colaborar ao produzir a volumetria, particularmente nas questões da fachada de acesso. O padrão encontrado, então, gerou malhas de dez metros por dez metros, e, para o desenvolvimento do projeto, especialmente em planta, essa malha foi subdividida em um grid de cinco metros por cinco metros.

Figura 99: Trama principal

96


A L ร‰ M D OS M UR O S:

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Trama geradora primรกria

Trama geradora secundรกria

R. Dona Darcy Vargas

R. Dona Darcy Vargas

Figura 100: Trama secundรกria

97


A L É M D OS M U R OS :

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Além disso, pensando no programa de necessidades, sobretudo na aspiração de que o espaço de convivência seja centralizado, espacialmente especial e conectado dentro do projeto, buscou-se outra relação com o área de estudo. A partir desse desejo, criou-se uma relação da área de lazer e convivência que será proposta com as áreas de lazer e convivência pré-existentes dentro da área de estudo. Auxiliado pelos grids gerados, foi possível que se encontrasse um ponto convergente entre todas essas áreas dentro do terreno, partindo sempre de uma das extremidades mais conectadas dessas praças. As linhas traçadas ainda encontramse coerentes com a composição da trama. Acredita-se que essa relação, mesmo que não seja observada explicitamente dentro do projeto, torna-se ponto de partida para o lançamento de maneira concordante dentro do ambiente geral. Vale adicionar que a trama secundária, associada ao ponto focal, ocasiona uma visual dentro do terreno. A ideia é, considerando a visual fechada da rua em estudo, que o terreno se abra para as pessoas de forma convidativa e contrária à situação local, portanto, a trama secundária conduz das vértices do terreno ao ponto destaque da proposta.

R. Dona Darcy Vargas

Trama principal Trama secundária Linha do terreno

98


A L É M D OS M UR O S:

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Figura 101: relação terreno - áreas de lazer

99


A L É M D OS M U R OS :

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6.proposta

proposta

estudo preliminar

1

As condições do entorno são fundamentais na predeterminação de algumas funções, o que servirá de pontapé inicial ao estudo preliminar. Primeiro, visando as questões de acessibilidade e da via de acesso, entendese que a edificação deve ser implantada no fundo do lote, apresentando um recuo frontal considerável para que, dessa forma, crie sensação e identidade de lazer/ praça ao pedestre, contrapondo todo o seu entorno murado. Além, também, de servir de fuga visual/sensorial, um local de contemplação, tornando-se um alívio no caminho fechado que os muros proporcionam. Segundo, acredita-se que, implantando a edificação predominantemente na região sudoeste do terreno, evitar-se-á a propagação de ruídos das áreas de atividades externas diretamente nas residências limítrofes ao lote. Com isso, foi feito um primeiro estudo:

R. Dona Darcy Vargas

Térreo 10

0

10

20

30

40

50

Escala Gráfica

100


A L ร‰ M D OS M UR O S:

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

2ยบ Pavimento 10

0

10

20

30

40

50

Escala Grรกfica

101


proposta

A L É M D OS M U R OS :

2

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

Desse primeiro estudo, acredita-se que a localização da área administrativa afrente de toda a edificação cria uma espécie de barreira, sendo uma atividade “fixa”, visualmente dura e restrita. Portanto, para um segundo estudo, apresentado a seguir, fica decidido que atividades com maior conexão com o exterior e com a comunidade, que sejam mutáveis e versáteis, devem ser priorizadas na fachada de acesso. Essa decisão favorece na problemática dos ruídos, uma vez que a zona ativa não ficaria tão próxima dos limites do terreno. A zona administrativa, nessa disposição, fica no segundo pavimento, com maior privacidade, porém, mantém contato, mesmo que visualmente, com grande parte da edificação.

R. Dona Darcy Vargas

TÉRREO 10

0

10

20

30

40

50

Escala Gráfica

102


A L ร‰ M D OS M UR O S:

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

2ยบ PAVIMENTO 10

0

10

20

30

40

50

Escala Grรกfica

103


A L É M D OS M U R OS :

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

A partir dessa proposta, foi lançada uma disposição das funções, pré- -dimensionadas. Além disso, como previsto no programa de necessidades, a seguir serão

apresentadas plantas baixas com a representação das questões de acesso e de período de funcionamento dentro da edificação.

R. Dona Darcy Vargas

LEGENDA: RECEPÇÃO 1 CEFÉ 2 QUADRA 3 STREETBALL (CESTO) 4 LEITURA 5 ESCALADA & PARKOUR 6 VESTIÁRIO & SANITÁRIO 7 LIMPEZA 8 LIXO 9 ESCADA ENCLAUSURADA 10 ÁREA TÉCNICA 11 OFICINA 12 PALCO 13 BIKE 14 SKATE 15 ATIV. EXTERNAS (SKATE & BIKE) 16 CONVIVÊNCIA 17 DEPÓSITO OFICINAS 18 CIRCULAÇÃO VERTICAL 19 LUTAS 20 GINÁSTICA 21 DANÇA 22 ADMINISTRAÇÃO 23 SALA DE REUNIÕES 24 sALA DOS FUNCIONÁRIOS 25 VESTIÁRIO & SANITÁRIO (FUNC.) 26 TERRAÇO 27 DEPÓSITO ADMINISTRATIVO 28

TÉRREO

2º PAVIMENTO

10

0

10

20

30

40

50

Escala Gráfica

104


A L É M D OS M UR O S:

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

FUNCIONAMENTO:

R. Dona Darcy Vargas

ABERTO MANHÃ E TARDE aberto manhã, tarde e noite ABERTO 24 HRS E TODOS OS DIAS

TÉRREO

2º PAVIMENTO R. Dona Darcy Vargas

ACESSO: ACESSO RESTRITO ACESSO LIVRE E CONTROLADO

TÉRREO

2º PAVIMENTO

10

0

10 20 30 40

50

Escala Gráfica

105


A L É M D OS M U R OS :

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

Abaixo, dois desenhos apresentam os estudos de proporção que foram realizados para que fossem gerados as plantas e as fachadas. Foram encontradas, nas plantas, três proporções retangulares, √5 e √3 no volume principal, sendo outro √5 na área central do volume principal. Já os dois blocos torcidos que avançam em relação ao bloco principal, são √2. Na fachada, foi feita a repetição dos retângulos √5. Para que não se percam essas proporções, na próxima etapa, ao trabalhar no tratamento das fachadas, o estudo será continuado. Na página ao lado, as imagens representam três cortes esquemáticos da edificação, ainda em estudo. A proposta entende a edificação total com nove metros de altura.

LEGENDA: √2 √3 √5

R. Dona Darcy Vargas

10

10

0

20

30

40

50

Escala Gráfica

10

0

10

10

20

0

30

10

40

20

50

Escala Gráfica

106

30

40

50

Escala Gráfica


A L ร‰ M D OS M UR O S:

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

corte aa

corte bb

corte cc 10

0

10

20

30

40

50

Escala Grรกfica

10

0

10

20

107

30

40

50 Escala Grรกfica


A L É M D OS M U R OS :

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

R. Dona Darcy Vargas

Térreo 10

0

10

20

30

40

50

Escala Gráfica

108


A L É M D OS M UR O S:

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

2º Pavimento Proposta final, ainda em fase de pré-dimensionamento. A proposta da área externa ainda está em estudo, a intenção é que a edificação esteja conectada com a comunidade através dessa área externa. As aberturas ainda estão sendo analisadas, assim como as disposições internas. As disposições da zona ativa é meramente ilustrativa, não representa, ainda, o produto final esperado. É de intenção projetual que, especialmente na zona ativa, as aberturas em contato com a área externa possam estar abertas sempre que possível, permitindo acesso da comunidade de forma mais livre, e, quando necessário, elas sejam fechadas.

109


A L É M D OS M U R OS :

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

Solstício de inverno: 09:00, 13:00 e 17:00.

Solstício de verão: 09:00, 13:00 e 17:00.

110


A L É M D OS M UR O S:

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

O estudo apresentado reafirma a escolha de implantação. A edificação gera o mínimo possível de sombra nos prédios vizinhos, e apresenta sombra nas futuras áreas externas apenas no fim da tarde.Esse estudo será norteador para o desenvolvimento do paisagismo e a organização das atividades externas. Estudo realizado através do software Sketch Up utilizando a modelagem feita do entorno, considerando as alturas das edificações. O terreno em análise está marcado em vermelho, as vias públicas em cinza escuro e as demais edificações em branco.

Figura 102-107: impacto da edificação no sombreamento do terreno

111


A L É M D OS M U R OS :

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

Algumas imagens da volumetria proposta (em vermelho) no seu contexto imediato. Ainda pensa-se na possibilidade de introduzir recortes no volume superior, complementando a característica morfológica do entorno e potencializando a entrada indireta da iluminação natural. Abaixo, em uma vista frontal, a demonstração da compatibilidade do volume com as edificações do entorno.

112


A L É M D OS M UR O S:

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113


A L É M D OS M U R OS :

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

6.proposta

intervenção urbana

Figura 108: colagem da proposta de intervenção urbana

Figura 109: situação atual da rua adjacente ao terreno

114


A L É M D OS M UR O S:

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

Visto as condições atuais da via de acesso ao projeto, via Coletora da cidade de Pelotas, fundamental na estruturação viária das microrregiões em estudo, será prevista uma reabilitação da faixa abrangente e que encontra-se em condições precárias, de forma a permitir que seja estendida em todo seu percurso. Trata-se de um trecho da rua que encontra-se sem uso algum, tomado por uma vegetação rasteira e lixo. Portanto, o projeto visa reestabelecer sua função original e fundamental. Da mesma forma que o projeto arquitetônico, a intervenção na rua visa maior fluidez. Espera-se que a via possa ser apropriada por toda população, e que os muros sirvam de caminho de entrada às comunidades, um grande mural de representação regional, que conduzirá, também, ao local da proposta. Um portal verde e de expressão comunitário que leva ao coração da comunidade. O perfil da rua manterá os dois leitos carroçáveis, introduzindo uma ciclofaixa. Pretende, também, ampliar e qualificar as calçadas e introduzir canteiros ao longo do percurso. Considera-se, talvez, a retirada das faixas de estacionamento, uma vez que as principais formas de transporte dentro da comunidade sejam as bicicletas e o transporte público, e a faixa de intervenção seja quase toda murada. A colagem ao lado apresenta as intenções, mas não significa o produto final, que será desenvolvido nas próximas etapas do projeto. O perfil mais adequado ainda será estudo com mais cuidado e qualidade, verificando a aplicabilidade ao local de estudo. A única certeza é a necessidade de devolver a rua às pessoas e permitir que sua função seja restabelecida, complementando e sendo complementada pela proposta arquitetônica em desenvolvimento.

A oportunidade de praticar atividades criativas e culturais também será reforçada quando a “cidade cotidiana” for melhor para a atividade e a permanência humanas. (GeHL, 2015) 115


A L É M D OS M U R OS :

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116


VII

CONSIDERAÇÕES FINAIS considerações finais (p.118) encaminhamentos (p.120)


A L É M D OS M U R OS :

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118


A L É M D OS M UR O S:

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7.considerações finais

considerações finais No término desta etapa, é possível afirmar que existe um demanda social motivada pela necessidade de integração entre as comunidades. Acabar com as barreiras físicas e imaginárias, limitantes sócioculturais que impedem o acesso à uma vida digna, é extremamente necessário para que exista coexistência entre as múltiplas realidades. Acredita-se que a inserção da proposta no lugar em estudo é essencial, uma vez que é alarmante as condições do entorno e das comunidades, e como a relação com o restante da cidade é fechada pelos muros dos condomínios. Imagina-se que com a reestruturação urbana da rua adjacente ao terreno, juntamente com a promoção de um espaço suscetível à apropriação cultural e ao desenvolvimento da cultura do esporte, os muros, antes intensificando barreiras, conduzirão à novas oportunidades. As atividades que são propostas aqui, são baseadas na realidade da público alvo, e só assim para que esse espaço seja, de fato, apropriado. Com apoio de uma proposta arquitetônica e paisagística que enfatize a sensação de pertencimento dessas pessoas, acreditase que será atingido o potencial real do projeto. Por isso, conclui-se, e acredita-se, na pertinência da temática juntamente com o lugar de implantação, especialmente por tratar-se de um local residual e esquecido que distancia cidadãos e isola comunidades.

119


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120


A L É M D OS M UR O S:

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7.considerações finais

encaminhamentos Algumas questões, como as de conforto termoacústico que não foram discutidos nessa etapa do trabalho, serão trabalhadas na sequência desse projeto, para que possam ser analisadas as melhores opções de solução de acordo com a temática. Fica encaminhado, então, para a próxima etapa, um maior estudo das disposições internas, para que, a partir delas, sejam identificadas as problemáticas das questões térmicas, acústicas e de insolação. Dessa maneira, os materiais que serão usados possam condizer com as necessidades específicas da edificação. No âmbito da volumetria, como já mencionado neste trabalho, ainda busca-se uma maior relação com o entorno, assim como a quebra da rigidez do bloco principal. As alturas pré-definidas nessa fase ainda estão sendo trabalhadas, pois a informalidade das propostas esportivas não exigem uma altura à nível de competição. É de intenção projetual o uso da estrutura metálica e do revestimento de policarbonato translúcido, porém, uma verificação técnica ainda é necessária. A intenção do uso do policarbonato translúcido se dá pela difusidade do material e sua capacidade de interação com os usuários. O paisagismo precisa ser estudado com cuidado. É fundamental para o projeto que a relação interior x exterior esteja bem definida. Para isso, ainda é preciso definir com maior clareza as disposições das atividades exteriores, sem ignorar as questões do entorno. O tratamento externo é porta de entrada à proposta, e por isso deve ser tratada de acordo com sua importância. Um estudo de desenho urbano é necessário para o tratamento adequado da via adjacente ao terreno.

121


A L É M D OS M U R OS :

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122


VIII

LISTA DE FIGURAS E REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS lista de figuras (p.125) referências (p.129)


A L É M D OS M U R OS :

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124


A L É M D OS M UR O S:

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

8.lista de figuras e bibliografia

lista de figuras Figura 1: O Muro. (2017) – Disponível em: <http://saopaulofc.com.br/2017/01/coluna-do-fajopa-o-muro/> Acesso em: 2017. (pg.: 1, 2 e 128) Figura 2: Michael Jordan Playground Poster. (1989) – Disponível em: < http://theshoegame.com/articles/michael-jordan-playground-poster. html> Acesso em: 2016. (pg.: 10)

Figura 3: Campeonato de skate. SYCLD by Marius Landwehr (2015) – Disponível em: <http://www.flowprovider.com> Acesso em: 2017. (pg.: 13)

Figura 4: Gráfico da população - Pelotas x área de estudo. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte dos dados: Censo 2010, IBGE. (pg.: 14) Figura 5: Gráfico da população masculina e feminina na área de estudo. (2016).– Elaborado pelo autor. Fonte dos dados: Censo 2010, IBGE. (pg.: 14)

Figura 6: Gráfico da população por idade na área de estudo. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte dos dados: Censo 2010, IBGE. (pg.: 14) Figura 7: Gráfico do local de prática esportiva na região sul do Brasil. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte dos dados: Diagnósitico Nacional do Esporte, 2015, Ministério do Esporte. (pg.: 15)

Figura 8: Gráfico da presença de orientação em espaços públicos para prática de esportes na região Sul do Brasil. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte dos dados: Diagnósitico Nacional do Esporte, 2015, Ministério do Esporte. (pg.: 15) Figura 9-13: Localização - do Brasil à região em estudol. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte dos mapas: google maps. Disponível em: <https://www.google.com.br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 18 e 19)

Figura 14: As microrregiões. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte dos mapas: google maps. Disponível em: <https://www.google.com.br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 21)

Figura 15: Densidade demográfica. (2016) – Fonte dos dados: Censo 2010, IBGE. Disponível em: <http://www.censo2010.ibge.gov.br/painel/> Acesso em: 2016. (pg.: 25)

Figura 16: Recorte da área em estudo. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte do mapa: google maps. Disponível em: <https://www.google. com.br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 27)

Figura 17: Recorte do entorno imediato do terreno. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte do mapa: google maps. Disponível em: <https:// www.google.com.br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 28)

Figura 18: Oficina de Graffiti para Prevenção da Dengue e Promoção da Saúde. (2011) – Foto: Carolina Carvalho. Disponível em: <https://elosdasaude.wordpress.com/2011/05/24/arte-cores-e-saude/> Acesso em: 2016. (pg.: 37)

Figura 19: Corrida no ambiente externo. (2014) – Foto: Dudarev Mikhail/Shutterstock. Disponível em: <http://www.mnn.com/health/fitness-wellbeing/blogs/where-runners-go-running> Acesso em: 2016. (pg.: 39)

Figura 20: Grafite nas ruas de Pelotas. (2014) – Foto e autoria da obra: Gordo17- Fernando Muswieck (Gordo17 - RNEM - Zion - GUINR). Disponível em: <https://www.facebook.com/gordoo17/> Acesso em: 2017. (pg.: 40-41)

Figura 21: As dimensões do terreno. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte do mapa: google maps. Disponível em: <https://www.google.com. br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 46)

Figura 22: O entorno do terreno. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte do mapa: google maps. Disponível em: <https://www.google.com.br/ maps> Acesso em: 2016. (pg.: 48-49)

Figura 23: Uso do solo no entorno do terreno. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte do mapa: google maps. Disponível em: <https://www. google.com.br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 50-51)

Figura 24: Hierarquia viária no entorno do terreno. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte do mapa: google maps. Disponível em: <https://www. google.com.br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 52-53)

Figura 25: Percurso do sol e ventos dominantes. (2016) – Elaborado pelo autor. Fonte do mapa: google maps. Disponível em: <https://www. google.com.br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 55-55)

Figura 26-33: Impacto do entorno no sombreamento do terreno. (2017) – Elaborado pelo autor. (pg.: 56-57) Figura 34-39: Imagens do terreno e seu entorno imediato. (2017) – Elaborado pelo autor. Fotos: Arthur Albuquerque e Renan Yokemura. (pg.: 58-59)

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A L É M D OS M U R OS :

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Figura 40: Mapa com a localização das fotos. (2017) – Elaborado pelo autor. Fonte do mapa: google maps. Disponível em: <https://www. google.com.br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 59)

Figura 41: Projeto Streetmekka Viborg. (2017) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017. (pg.: 62-63)

Figura 42: Projeto Streetmekka Viborg - área externa. (2017) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/ work> Acesso em: 2017. (pg.: 64)

Figura 43: Projeto Streetmekka Viborg - The Ditch. (2017) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017. (pg.: 65)

Figura 44: Projeto Streetmekka Viborg - interior. (2017) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017. (pg.: 65)

Figura 45-48: Projeto Streetmekka Viborg - transformação da fachada. (2017) – Foto e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http:// www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017. (pg.: 66-67)

Figura 49: Organização espacial por temperatura. (2017) – Imagem: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017. (pg.: 67)

Figura 50: Implantação da obra. (2017) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017. (pg.: 68)

Figura 51: Projeto Streetmekka Viborg - café. (2017) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017. (pg.: 68)

Figura 52-54: Planta baixa e cortes do projeto. (2017) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017. (pg.: 69)

Figura 55: Projeto Streetmekka Esjberg - imagem externa. (2015) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt. dk/work> Acesso em: 2016 (pg.: 70)

Figura 56-59: Projeto Streetmekka Esjberg - Imagens do projeto. (2015) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http:// www.effekt.dk/work> Acesso em: 2016. (pg.: 70-71)

Figura 60-61: Imagens aéreas do projeto - esquema estrutural. (2015) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www. effekt.dk/work> Acesso em: 2016 (pg.: 70-71)

Figura 62: Organização espacial por temperatura. (2015) – Imagem: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2016. (pg.: 71)

Figura 63-67: Planta baixa, fachadas e cortes do projeto. (2015) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt. dk/work> Acesso em: 2016. (pg.: 72-73)

Figura 68-69: Quadra poliesportiva da escola Gavina - períodos diferentes do dia. (2015) – Foto: Mariela Apollonio. Arquitetos: Gradolí & Sanz. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/770634/escola-gavina-gradoli-and-sanz> Acesso em: 2016. (pg.: 74-75)

Figura 70-71: Balanço da estrutura e abertura dos portões. (2015) – Foto: Mariela Apollonio. Arquitetos: Gradolí & Sanz. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/770634/escola-gavina-gradoli-and-sanz> Acesso em: 2016. (pg.: 74-75)

Figura 72: Fachada da quadra da escola Gavina. (2015) – Foto: Mariela Apollonio. Arquitetos: Gradolí & Sanz. Disponível em: <http://www. archdaily.com.br/br/770634/escola-gavina-gradoli-and-sanz> Acesso em: 2016. (pg.: 74-75)

Figura 73-74: Diagramas das áreas centrais do projeto. (2012) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/ work> Acesso em: 2017 (pg.: 76-77)

Figura 75: Imagem do projeto The City School. (2012) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017 (pg.: 76-77)

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A L É M D OS M UR O S:

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Figura 76: Volumetria do projeto. (2012) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017 (pg.: 76-77)

Figura 77-78: Planta baixa e corte do projeto. (2012) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017 (pg.: 76-77)

Figura 79-80: Imagens internas do projeto The City School. (2012) – Imagem e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www. effekt.dk/work> Acesso em: 2017 (pg.: 78-79)

Figura 81: Imagem aérea do parque. (2013) – Foto e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017 (pg.: 81)

Figura 82-84: Imagens do parque. (2013) – Foto e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017 (pg.: 80-81)

Figura 85-86: Diagramas funcionais. (2013) – Foto e autoria da obra: EFFEKT. Disponível em: <http://www.effekt.dk/work> Acesso em: 2017 (pg.: 81)

Figura 87: Oslo skatehall. (2017) – Foto: Finn Ståle Felberg/Kultur- og idrettsbygg Oslo KF, Lars Gartå. Arquitetos: Dark Arkitekter. Disponível em: <http://www.archdaily.com/804337/oslo-skatehall-dark-arkitekter> Acesso em: 2017. (pg.: 82)

Figura 88: Sports hall. (2013) – Foto: Idis Turato. Arquitetos: Idis Turato Architects. Disponível em: <http://www.designboom.com/architecture/idisturato-overlaps-old-and-new-with-krk-sports-hall-square-12-24-2013/> Acesso em: 2017. (pg.: 82)

Figura 89: Pigalle basketball court. (2015) – Foto: Sebastien Michelini. Autoria: Ill-Studio + Pigalle. Disponível em: <hhttps://www.dezeen. com/2015/08/12/pigalle-duperre-ill-studio-paris-basketball-court-multicoloured-installation/> Acesso em: 2017. (pg.: 83)

Figura 90: Golden hall. (2012) – Foto: A4 Studio. Arquitetos: A4 Studio. Disponível em: <http://www.archdaily.com/460562/golden-hall-a4-studio> Acesso em: 2017. (pg.: 82)

Figura 91: La Taule sports center. (2015) – Foto: Adrien Williams. Arquitetos: Microclimat. Disponível em: <http://design-chronicle.com/la-taulesports-center-wins-grands-prix-du-design-2015/> Acesso em: 2017. (pg.: 83)

Figura 92: Domino sugar refinery. (2015) – Imagem e autoria: Shop. Disponível em: <http://www.shoparc.com/projects/domino-sugar-refinery/> Acesso em: 2017. (pg.: 83)

Figura 93-96: Exemplos de organização espacial. (2017) – Elaborado pelo autor. (pg.: 92-93) Figura 97-98: Diagramas funcionais. (2017) – Elaborado pelo autor. (pg.: 94-95) Figura 99: Trama principal. (2017) – Elaborado pelo autor. Fonte do mapa: google maps. Disponível em: <https://www.google.com.br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 96)

Figura 100: Trama secundária. (2017) – Elaborado pelo autor. Fonte do mapa: google maps. Disponível em: <https://www.google.com.br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 97)

Figura 101: Relação terreno - áreas de lazer. (2017) – Elaborado pelo autor. Fonte do mapa: google maps. Disponível em: <https://www. google.com.br/maps> Acesso em: 2016. (pg.: 99)

Figura 102-107: Impacto da edificação no sombreamento do terreno. (2017) – Elaborado pelo autor. (pg.: 110-111) Figura 108: Colagem da proposta de intervenção urbana. (2017) – Elaborado pelo autor. Foto base: Arthur albuquerque. (pg.: 114) Figura 109: Situação atual da rua adjacente ao terreno. (2017) – Elaborado pelo autor. Foto: Arthur albuquerque. (pg.: 114)

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A L É M D OS M UR O S:

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8.lista de figuras e bibliografia

referências

JACQUES, Paola Berenstein; prefácio de Stelaa Bersciani. Elogio aos errantes. 2. ed. Salvador: EDUFBA, 2014. 339 p. LEFEBVRE, Henri. O direito à cidade. 5. ed. São Paulo: Centauro, 2008. 144 p. Tradução: Rubens Eduardo Farias. GEHL, Jan. Cidade para pessoas. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2015. 262 p. Tradução: Anita Di Marco. BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda, 2001. 278 p. Tradução: Plínio Dentzien. CHING, Francis D. K.. Arquitetura: Forma, Espaço e Ordem. 2. ed. São Paulo: Martins Editora Livraria Ltda, 2008. Tradução: Alvamar Helena Lamparelli. FILGUEIRAS, Tiago Mendes. Sentidos do muro: barreira, lugar e objeto estético. BrasÍlia: UNB - PPGFAUNB, 2016. 123 p. Dissertação de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo. RAMOS, Shana Monte Pereira. Estrutura urbana histórica: a importância dos primeiros caminhos e sua permanência na estrutura urbana de Pelotas, RS. Rio Grande: FURG - PPGEO, 2013. 99 p. Dissertação de Mestrado em Geografia. DA SILVA LEÃO, Márcia Aparecida. Cultura de rua: construção da identidade do negro e o movimento hip hop. 39 p. NOVACK, Paula Neumann; JANSEN, Gilciane Soares; VIEIRA, Sidney Gonçalves. Crescimento Urbano: o vetor leste e o novo bairro São Gonçalo em Pelotas, RS. Anais do Seminário de Estudos Urbanos e Regionais, 2015. 10 p. MARQUES, Renato Francisco Rodrigues; DE ALMEIDA, Marco Antonio Bettine; GUTIERREZ, Gustavo Luis. Esporte: um fenômeno heterogêneo: estudo sobre o esporte e suas manifestações na sociedade contemporânea. Movimento, v. 13, n. 3, p. 225, 2007. SILVA, Marcelo Cozzensa da; SILVA, Ânderson Barbosa da; AMORIM, Tales Emilio Costa. Condições de espaços públicos destinados a prática de atividades Físicas na cidade de Pelotas/RS/Brasil. Rev. bras. ativ. fís. saúde, v. 17, n. 1, 2012. SANTOS, Angela Maria Medeiros Martins et al. Esportes no Brasil: situação atual e propostas para desenvolvimento. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 6, p. 155-168, 1997.

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A L Ã&#x2030; M D OS M U R OS :

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A L Ã&#x2030; M D OS M UR O S:

e sp o r te e c u l tu r a tr an sp o n d o b ar r e i r as.

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Além dos Muros: esporte e cultura transpondo barreiras.  

Seminário de diplomação, FAUrb - UFPel.

Além dos Muros: esporte e cultura transpondo barreiras.  

Seminário de diplomação, FAUrb - UFPel.

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