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A titular mais uma vez me interrompe pedindo o conteúdo que trabalhei na última aula, pois ela não participou. Levo até ela a cópia do meu planejamento que tem os conteúdos e continua as explicações. Como alguns alunos estão chegando pela primeira vez na minha aula, perguntam que exposição é esta da qual estou falando, quando vou responder à titular me chama novamente dizendo que não entendeu o que estava escrito no plano, que é para eu tomar nota em um papel os conteúdos e entregar para ela. Retomo a pergunta dos alunos sobre a exposição e respondo explicando um pouco do projeto. Para começar o assunto que tinha planejado para esta aula apresento livros com imagens de autorretratos de artistas consagrados como Pablo Picasso, Vicente Van Gogh, Michelangelo e Leonardo Da Vinci. Pergunto sobre o que eles percebem de semelhança entre as imagens, como eles imaginam que foram realizadas, o que era necessário para conseguir retratar uma pessoa sem o auxílio de uma máquina fotográfica, mesmo com todas estas perguntas poucos alunos respondem, comentam que todas as imagens parecem ser pinturas e geralmente só aparece o rosto das pessoas. Comento o quanto a arte tinha a função de representação fiel da realidade antes da fotografia. Uma pessoa, para conseguir um retrato, precisava posar para um pintor durante horas até que ele estivesse concluído a obra, os pintores tinham o oficio de realizar retratos e vistas de paisagens. Questiono se eles precisassem realizar um retrato de alguém e não tivéssemos máquinas fotográficas nem no celular o que eles fariam? A maioria responde que faria um desenho. Continuo comentando que com a chegada da fotografia muitos críticos chegaram a pensar que seria o fim da Arte, já que com a fotografia simplificava a forma de realizar retratos deixando-os prontos bem mais rápido do que na pintura, como afirma Charles Baudelaire no livro de Cecilda Teixeira Costa (2004) Arte no Brasil 1950-2000: “Essa indústria, ao invadir os territórios da arte, tornou-se sua inimiga mortal (p.52)”. Mas na verdade os artistas buscaram alternativas, e a fotografia acabou por se unir a arte manifestando uma nova linguagem. Como comenta Costa (2004, p.52):

Quando ocorreu a invenção da fotografia foi vista pelos artistas (principalmente os pintores) como a descoberta de um instrumento que facilitaria seu trabalho, libertando-os da necessidade de retratar pessoas, cenas ou paisagens. As possibilidades de obter imagens não construídas por um processo de síntese como a pintura e, sim, tomada, surpreendidas de repente por um artefato mecânico.

Fotografia e arte na educação  

Trabalho de Curso apresentado por Nátia Pereira Vargas em dezembro de 2010

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