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Na sala de aula a professora me acompanha, passo uma lista de presença que eu fiz para ter um controle comigo, já que não fico com a chamada. A professora titular, discretamente, começou a vender trufas de chocolate para os alunos, quando percebo ela esconde os chocolates. Acredito que esta postura, bem como a de dizer a eles não para se importarem com os meus trabalhos, que ela é quem iria avaliá-los, tira a minha autoridade diante dos alunos. Assim enquanto eu peço atenção para começar a aula, ela vende trufas, enquanto eu solicito para que eles realizem os trabalhos, ela estimula os alunos a não participarem, pois quem os avalia é ela. Deste jeito a situação fica complicada. Quando consigo ter a atenção da turma, peço para que todos se reúnam em frente a uma mesa com o meu notebook para que assistam a uma apresentação de slides sobre Avani Stein e Célia Jaguaribe. Os alunos sentam em frente ao computador e observam as imagens. Comento sobre a vida das artistas, sobre o trabalho delas, os alunos observam atentamente. Um aluno pergunta quando elas faziam aqueles trabalhos. Respondo que as artistas são contemporâneas. Célia Jaguaribe, por exemplo, começou seus trabalhos com fotopintura em tecido em 2006. Percebo o interesse dos alunos ao observarem as imagens. Nos primeiros slides sobre Avani Stein, apresento imagens de retratos que ela interferiu com pintura. Ao lado do trabalho final apresento a imagem que deu origem à fotopintura. Os alunos perguntam: “Mas é tudo riscado por cima da foto professora?” Respondo que são interferências que a artista realiza usando diferentes materiais, ora riscando, pintando, ora manchando, a fim de chegar a um resultado que represente a imagem, bem como um pouco da personalidade do artista retratado. Comparei o trabalho da artista a uma proposta semelhante que realizamos em sala de aula, quando distribui a turma as fotografias realizadas na aula sobre Cindy Sherman para que eles continuassem a fotografia desenhando o fundo e fizessem interferências sobre a fotografia. Alguns alunos tiverem dificuldade de entender o processo de construção do trabalho da artista. Por este motivo, para me aproximar mais da realidade deles, comparei com a proposta realizada anteriormente salientando, que a interferência da artista é realizada sobre a fotografia. Em reportagem publicada no endereço eletrônico da USP em 18 de fevereiro de 2010, podemos perceber o quanto o trabalho da artista é relevante: “Interferências sobre a fotografia, em que o gestual, pictórico e onírico, sobrepostos ao fotográfico, potencializam a

Fotografia e arte na educação  

Trabalho de Curso apresentado por Nátia Pereira Vargas em dezembro de 2010

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