Page 120

128

Não sei se fiz certo em ter esta conversa com este aluno, até porque senti um tom de ameaça enquanto ele falava, mas não consegui evitar. Em seguida falei para toda a turma, que o projeto poderia receber sugestões dos alunos, se eles achavam que não estavam gostando das atividades a gente poderia conversar e tentar adaptar os conteúdos em atividades diferentes, que eles podiam me falar o que estavam pensando. Uma aluna levanta a mão e responde: “Ah professora, eu só não gosto de ser fotografada, o resto eu gosto das aulas da senhora.” Outro aluno disse: “Não tem galho sora a gente tá curtindo!” Outro menino responde: “Não liga não professora, não dá bola pro Marivan.” Continuei acompanhando os alunos durante o término do trabalho, o sinal para o recreio anuncia o final da aula e todos saem. Alguns alunos ainda não terminaram e pedem para terminar na próxima aula. Recolho as pinturas e as levo para a sala da coordenação até secarem para poder levar embora. Ao chegar na sala da coordenação encontro a coordenadora que me pergunta como foi a aula. Conto o que aconteceu e ela me tranqüiliza que o aluno é viciado em drogas e não tem participado em nenhuma aula. Os outros professores não tentam conversar com ele, apenas passam o conteúdo e fazem provas, quando os alunos não passam na prova eles desistem de estudar naquele ano. Mas que eu ficasse calma que isto é assim mesmo, quando uma professora chega com um projeto diferente custa a conseguir a aceitação de todos os alunos. Se a maioria está participando já estava bom. Salienta ainda para eu não contrariar este tipo de aluno, pois ele pode representar uma ameaça mais tarde se me encontrar na rua. Não sei se sai da escola mais calma ou mais nervosa ainda com todas estas explicações da coordenadora. Sinto que ela quer me ajudar, mas ao mesmo tempo pede para não confrontá-los para não ter mais problemas. Percebo, no ponto a que chegamos, que a educação está falida moralmente. Os professores não podem confrontar os alunos, eles trabalham se quiserem, a gente tem que aprender a conviver com a violência e o consumo de drogas em meio ao ambiente escolar. Fico pensando o que vai ser destes alunos? Se a gente não pode ajudar com educação e cultura, o que podemos fazer? Ainda acredito que a Arte pode mudar o rumo da vida destes alunos, que é possível, mas já não sei que atitude tomar diante destas circunstâncias. Como comenta Carla Maria Fernandes Corral e Cristina Rodrigues de Amorim: “A arte sensibiliza, amplia e aprofunda o olhar que temos do homem, da vida, do outro. É um olhar para além das letras das palavras, frases, textos, números, mapas. O olhar da sensibilidade do saber sentir a beleza

Fotografia e arte na educação  

Trabalho de Curso apresentado por Nátia Pereira Vargas em dezembro de 2010