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A proposta pedagógica que vem sendo aplicada nesta turma é extremamente tradicional, percebo pela produção da turma que estão acostumados a desenhos para pintar, sem a construção do conhecimento através da interação com novas atividades, através da participação dos alunos na formação de um conhecimento significativo. Para Gallo a escola pode ser representada como máquina de guerra, através de propostas de trabalho como estas que implicam na repetição de atividades que não formam conceitos que não provocam os alunos a pensar. Percebo que nesta escola a coordenação não é contra um trabalho diferenciado, mas a professora não encontrar motivos para buscar atividades diferenciadas, é mais cômodo, exige menos esforço. Todos estão tão impregnados pelo tradicional, pela repetição, e pela violência do bairro que estão retraídos, acoados, com medo de praticar a diferença, de buscar novas alternativas para problemas antigos. A coordenadora pediu para que eu ministrasse duas horas aulas nesta semana devido a professora de Português precisar faltar neste dia. Nesta situação eu não iria recusar, e ao chegar à escola ela me recebeu dizendo que pediu para que a titular não vendesse mais trufas durante as aulas, e que eu ficasse tranqüila que ela entende que o meu planejamento é na intenção de inovar, mas que com uma turma de EJA estas atividades diferenciadas demoram para serem aceitas. Entro na sala e a professora titular já estava vendendo trufas, ela me entrega a chamada e diz que não vai mais assistir as aulas. Peço para que ela fique, que a aula vai ser divertida hoje, que eu gostaria que ela observasse, no intuito de mudar a minha imagem de criar atividades que os alunos não gostam. Ela fica, mas em seguida é chamada por outra professora na porta e sai da aula. Peço para que os alunos formem duplas e solicito para cada uma das duplas pegar um dos livros que deixei sobre uma mesa no centro da sala. Os livros eram: O que é fotografia, de Claudio Araujo Kubrusly, Sobre fotografia, de Susan Sontag, A câmera, de Ansel Adams, Tudo sobre fotografia, de Michel Bussalle, Arte comentada, de Carol Strickland, Fotografia com bom senso, de Leonard Gaunt e Historia Geral da arte, o mundo moderno. Muitos alunos haviam faltado, estavam presentes apenas 13. No quadro escrevo cinco perguntas sobre a descoberta da fotografia, tais como: Quem descobriu a fotografia?

Fotografia e arte na educação  

Trabalho de Curso apresentado por Nátia Pereira Vargas em dezembro de 2010

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