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bordados e rendas para cama, mesa e banho ESTUDOS DE MERCADO SEBRAE/ESPM 2008 Relat贸rio Completo


2008, Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Adelmir Santana Presidente do Conselho Deliberativo Nacional Paulo Tarciso Okamotto Diretor-Presidente Luiz Carlos Barboza Diretor Técnico Carlos Alberto dos Santos Diretor de Administração e Finanças Luis Celso de Piratininga Figueiredo Presidente Escola Superior de Propaganda e Marketing Francisco Gracioso Conselheiro Associado ESPM Raissa Rossiter Gerente Unidade de Acesso a Mercados José Ricardo Mendes Guedes Gerente Unidade de Atendimento Coletivo - Comércio e Serviços Patrícia Mayana Coordenadora Técnica Laura Gallucci Coordenadora Geral de Estudos ESPM Durcelice  Cândida  Mascêne Coordenadora Carteira de Artesanato Patrícia Salamoni Bastos Coordenadora Carteira de Artesanato Denise Von Poser/Reynaldo Dannecker Cunha Pesquisadores ESPM Laura Gallucci Revisora Técnica ESPM


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bordados e rendas para cama, mesa e banho Relat贸rio Completo


Índice

I.

Panorama Atual do Mercado . de Artesanato: Bordados e Rendas para Cama, Mesa e Banho........................................................................................................ 7

1.

Introdução.............................................................................................................. 8

1.1.

Metodologia utilizada.............................................................................................. 9

2.

Panorama Histórico: Tecidos, Bordados e Rendas............................................ 10

2.1. 2.2. 2.3. 2.4. 2.4.1.

Introdução ao tema: Bordados.............................................................................. 10 História dos Tecidos............................................................................................... 11 História dos Bordados........................................................................................... 12 História das Rendas............................................................................................... 13 Classificação das Rendas...................................................................................... 16

3.

Histórico do Mercado de Bordados e Rendas .................................................... para Cama, Mesa e Banho no Brasil.................................................................. 18

3.1. 3.2. 3.3. 3.3.1.

Bordados em Ibitinga (SP);.................................................................................... 18 Bordados e Rendas na Região Nordeste do Brasil................................................ 19 Características Específicas dos Bordados e Rendas para Cama, Mesa e Banho.. 22 Definições sobre Artesanato e Tipologias;............................................................ 22

4.

Mercado Setorial de Bordados e Rendas para Cama, Mesa e Banho................... 26

4.1. 4.1.1. 4.1.2. 4.2. 4.2.1. 4.2.2.

Diagnóstico do Mercado Setorial.......................................................................... 26 Principais Aspectos do Mercado Externo (setor de tecnologia têxtil)................... 26 Barreiras Comerciais............................................................................................. 29 Principais Aspectos do Mercado Interno (Setor de Tecnologia Têxtil).................... 31 Cama, Mesa e Banho............................................................................................ 31 Setor de Tecnologia Têxtil...................................................................................... 32

5.

Mercado de Bordados e Rendas para Cama, . ..................................................... Mesa e Banho...................................................................................................... 36

5.1.

Origem da Produção........................................................................................... 36


5.2. Volume de Produção............................................................................................. 40 5.3. Balança Comercial................................................................................................. 44 5.3.1. Exportações do Setor Têxtil e Confecções............................................................ 44 5.3.2. Exportações de Bordados e Rendas..................................................................... 46 5.3.2.1. Dimensão dos Mercados de Destino.................................................................... 47 5.3.2.2. Potencial dos Mercados de Destino para Têxteis.................................................. 49 5.4. Importações.......................................................................................................... 50 6.

Cadeia Produtiva ................................................................................................ 51

6.1. 6.2. 6.3. 6.3.1. 6.3.2. 6.3.3. 6.3.4. 6.4. 6.5. 6.6. 6.6.1.

Cadeia Produtiva da Linha Lar............................................................................... 52 Estruturas de Apoio à Produção de Bordados e de Rendas.................................. 54 Projetos do Setor................................................................................................... 56 Projeto Bordados de Ibitinga-SP............................................................................ 57 Projeto voltado ao Bordado Artesanal no Paraná................................................... 58 Programas e Projetos Institucionais direcionados para o Artesanato Nordestino.58 Projetos SEBRAE.................................................................................................. 62 Casos de Sucesso................................................................................................. 62 Comparativo de Investimento Inicial e Recuperação de Capital............................ 63 Produtores............................................................................................................. 64 Principais Fabricantes............................................................................................ 66

7.

Produtos............................................................................................................... 68

7.1. 7.1.1.

Principais Produtos de Artesanato por Tipologia e por Estado.............................. 68 Principais Produtos de Artesanato – SEBRAE Top 100.......................................... 69

8.

Consumidor......................................................................................................... 74

9

Concorrência........................................................................................................ 75

9.1. 9.2. 9.3.

Produtos Substitutos............................................................................................. 75 Consumo............................................................................................................... 76 Consumo per Capita.............................................................................................. 77

10.

Política de Preços............................................................................................... 77

11.

Canais de Distribuição........................................................................................ 82

11.1.

Varejo Especializado de Luxo................................................................................ 83

12.

Comunicação: Análise sob a Perspectiva das Arenas da Comunicação......... 84

12.1. 12.2. 12.3. 12.4. 12.5. 12.6. 12.7.

As Arenas da Comunicação................................................................................... 85 Propaganda Tradicional.......................................................................................... 86 Varejo.................................................................................................................... 87 Entretenimento..................................................................................................... 88 Moda..................................................................................................................... 89 Marketing Esportivo.............................................................................................. 89 Eventos Promocionais........................................................................................... 89


12.8. Varejo Digital, Internet etc..................................................................................... 93 II.

Diagnóstico do Mercado de Artesanato: Bordados e Rendas para Cama, . Mesa e Banho...................................................................................................... 94

1.

Análise PFOA....................................................................................................... 95

2.

Fatores-chave de Sucesso (FCS)........................................................................ 98

2.1.

Fatores-chave de Sucesso para Exportação........................................................ 100

3.

Tendências para o Setor de Bordados e Rendas para Cama, Mesa e Banho 101

4.

Estratégia Competitiva...................................................................................... 104

5.

Conclusão e Recomendações Estratégicas .......................................................... para o Setor....................................................................................................... 105

5.1. 5.2. 5.3. 5.4.

Problemas Relativos à Comunicação................................................................... 105 Problemas Relativos à Comercialização.............................................................. 106 Problemas Relativos à Competitividade.............................................................. 106 Problemas Relativos à Produção......................................................................... 106

III.

Referências......................................................................................................... 107

1.

Bibliografia......................................................................................................... 108

2.

Associações, Ministérios, Entidades Setoriais etc........................................................110

3.

Fontes jornalísticas............................................................................................. 111

4.

Sites..................................................................................................................... 111


I. Panorama Atual do Mercado de Artesanato: Bordados e Rendas para Cama, Mesa e Banho


1. Introdução

É aceito como fato que o sucesso e o futuro de uma empresa dependem do nível de aceitação dos seus produtos e serviços pelos consumidores, da sua capacidade de tornar acessíveis esses produtos nos pontos de venda adequados ao mercado potencial - na quantidade e na qualidade desejadas e com preço competitivo - e do grau de diferenciação entre sua oferta de produtos e serviços frente à concorrência direta e indireta.

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A análise mercadológica insere-se nesse contexto como um instrumento fundamental para os empresários das micro e pequenas empresas. A dinâmica dos mercados modifica-se continuamente e as exigências dos consumidores alteram-se e se ampliam na mesma velocidade. A falta de um conhecimento abrangente sobre o ambiente de negócios, a cadeia produtiva do setor de atuação, os mercados atuais e potenciais e os avanços tecnológicos que impactam da produção à comercialização de produtos e serviços pode levar o empresário a perder oportunidades significativas de negócios, além de colocar em risco não só seu crescimento e sua lucratividade, como a própria sobrevivência da empresa. A maior parte dos empresários que gerem micro e pequenas empresas não tem uma compreensão ampla sobre características, desejos, necessidades e expectativas de seus consumidores e de seus clientes atuais (por exemplo, os inúmeros intermediários que participam da cadeia produtiva entre o produtor e os consumidores finais). Conseqüentemente, esses empresários tendem a desenvolver produtos, colocar preços e selecionar canais de distribuição a partir de critérios que atendem à sua própria percepção (às vezes, parcial e viesada) sobre como deve ser seu modelo de negócios. Uma identificação mais precisa do perfil dos clientes e consumidores atuais e potenciais, bem como dos meios e das ferramentas que podem ser utilizadas para atingir (fisicamente) e atender esses mercados ajudam o empresário a concentrar seus investimentos, suas ações e seus esforços de marketing e vendas nos produtos/serviços, mercados, canais e instrumentais que lhe garantam maior probabilidade de aceitação, compra e, principalmente, fidelização de consumidores. Esta é, indiscutivelmente, uma das principais razões do sucesso das empresas de qualquer porte. As tendências e as ações apresentadas neste conjunto de estudos fornecem elementos norteadores ao empresário com dois objetivos principais: • no curto prazo, apontar caminhos “quase prontos” para detectar, adaptar-se e atender às demandas de novos mercados, novos canais de distribuição e novos produtos, sempre visando agregar valor à sua oferta atual – valor este definido a partir dos critérios do mercado, e não do empresário. • no médio e longo prazo, pela sua familiarização com o uso dos instrumentos apresentados e com a avaliação dos resultados específicos dos vários tipos possíveis de ação, o


empresário estará habilitado a aumentar a sua própria capacidade de detecção e análise de novos mercados, novos canais de distribuição e novos produtos com maior valor agregado, acompanhando a evolução do ambiente de negócios (inclusive em termos tecnológicos), de forma a melhorar, cada vez mais, a qualidade de suas decisões com foco estratégico de médio e longo prazo. O empresário, tendo as informações destes estudos como suporte, será capaz de descortinar cenários futuros e de antecipar tendências que o auxiliarão a definir suas estratégias de atuação, tanto individuais quanto coletivas. Além de informações detalhadas sobre consumidores, é fundamental que o empresário tenha levante, sistematicamente, informações sobre os concorrentes e seus produtos, o ambiente econômico regional e nacional e as políticas governamentais que possam afetar o seu negócio. Assim, antes de estabelecer estratégias de marketing ou vendas, é preciso que o empresário busque acesso a informações confiáveis sobre o mercado em que atua, seja em nível nacional, regional e local. A informação consistente, objetiva e facilmente encontrada é uma necessidade estratégica dos empresários. A competitividade do mercado exige hoje o acesso imediato a informações relevantes que auxiliem a tomada de decisões empresariais. Com esse conjunto de estudos, o SEBRAE disponibiliza um relatório abrangente sobre diferentes setores, com forte foco na análise mercadológica e que visa suprir as carências do empreendedor em relação ao conhecimento atualizado do mercado em que atua, seus aspectos críticos, seus nichos não explorados, tendências e potencialidades.

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Esta Análise Setorial de Mercado é mais uma das ferramentas que o SEBRAE oferece aos empresários de micro e pequenas empresas para que possam se desenvolver, crescer e lucrar com maior segurança e tranqüilidade, apoiados em informações que possibilitam a melhoria na qualidade da tomada de decisões gerenciais.

• informações de qualidade sobre oferta, demanda, estrutura de mercados, cenários e tendências; • identificação de pontos fortes e fracos e das principais oportunidades e ameaças que se delineiam para cada setor; • proposições de ações estratégicas que visam ampliar a visão estratégica do empresário sobre seu negócio e, sobretudo, apontar caminhos para a agregação de valor aos produtos e serviços atualmente comercializados por essas empresas.

1.1. Metodologia utilizada De forma sintética, o estudo foi desenvolvido de acordo com o seguinte processo metodológico: • predominância de pesquisas documentais (ou seja, via dados secundários), coletados junto a diversas fontes públicas, privadas, de caráter nacional, regional ou local, sem-

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As informações contidas no conjunto de relatórios foram obtidas, primordialmente, por meio de dados secundários, em âmbito regional e nacional, com foco no mercado interno. Cada relatório disponibiliza para as MPEs atuantes no segmento estudado:


pre obtidas de maneira ética e legal; • para complemento, correção e confirmação dos dados obtidos por via secundária, e na medida da disponibilidade para colaborar por parte de acadêmicos, experts e profissionais dos respectivos setores, foram realizadas pesquisas qualitativas (por telefone e/ou e-mail). Para tornar transparente a origem das informações contidas nos relatórios, todas as fontes primárias e secundárias consultadas são adequadamente identificadas no capítulo Referências.

2. Panorama Histórico: Tecidos, Bordados e Rendas

2.1.

Introdução ao tema: Bordados1 O bordado

Autor desconhecido

“Quando era pequeno, minha mãe costurava muito. Eu sentava perto dela e  perguntava o que estava fazendo. Ela respondia que estava bordando. 

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Eu observava seu trabalho de uma posição mais baixa que ela e sempre perguntava o que estava fazendo, pois de onde eu estava, o que ela fazia parecia muito confuso. Ela sorria, olhava para baixo e gentilmente dizia:  “Filho, saia um pouco para brincar e quando terminar meu bordado chamo-te e sento-te ao meu colo, então poderás ver o bordado desde a minha posição”.  Perguntava-me porque ela usava alguns fios de cores escuras e porque, de onde eu estava, pareciam tão desordenados. Minutos mais tarde, escutava-a chamando-me:  “Filho, vem, senta-te em meu colo”. Era o que eu fazia de imediato. Surpreendia-me e emocionava-me ao ver uma linda flor ou um belo entardecer no bordado. Não podia crer! Lá de baixo parecia tão confuso. Então minha mãe me dizia:  “Filho, de baixo para cima vias tudo confuso e desordenado, porém, não te ocorria que havia um plano em cima. Havia um desenho, eu só o estava seguindo. Agora, olhando-o da minha posição saberás o que estava fazendo”. Muitas vezes na minha vida olhei para o céu e disse: 1 Fonte: LAZER ARTESANATO. Nova mania: bordado em fita – o bordado. In: USP (Universidade de São Paulo). CDCC (Centro de Divulgação Científica e Cultural). Programa Educ@r (Educação à distância usando a internet). São Carlos: CDCC-USP, 2001. Disponível em: <http://educar.sc.usp.br/licenciatura/2001/ artesanato/lazer_artesanal2.htm>. Acesso em: 20 maio 2007.


Pai, o que estais fazendo? Ele responde: Estou bordando tua vida. Mas está tudo tão confuso e em desordem - replico. Os fios parecem tão escuros, porque não são mais brilhantes? O Pai parece dizer-me: Meu filho, ocupa-te de teu trabalho... e Eu farei o meu. Um dia, trago-te ao céu e então, sentado em meu colo, verás o Plano - desde a minha posição.” (LAZER ARTESANATO, 2001, p.1-2)

2.2.

História dos Tecidos

A partir de informações obtidas em artigo disponível no site da Universidade Anhembi Morumbi,2 apresenta-se um breve panorama da história dos tecidos.

A segunda geração de sintéticos teve início em 1938 com o lançamento do nylon – termo genérico para uma fibra sintética em que a substância formadora é qualquer poliamida sintética de cadeia longa que possua grupos recorrentes de amidas. As primeiras meias finas de nylon foram lançadas em 1940. Alguns anos depois apareceu a fibra sintética acrílica, usada para substituir a lã. Lançada em 1947, só foi produzida em escala comercial na década de 50, quando surgiu no mercado a fibra de poliéster. Utilizada inicialmente na fabricação de tecidos para decoração, o poliéster foi usado com sucesso na fabricação de todos os tipos de roupa por ter como características o fato de não amarrotar, não deformar e secar rapidamente. Quem não se lembra do slogan lançado anos mais tarde que dizia: “Senta, levanta, senta, levanta e nunca amarrota?”. Apesar de a tecnologia ser a favor do aperfeiçoamento das fibras sintéticas, os anos 80 foram marcados por períodos de rejeição aos sintéticos. Quase um século após o aparecimento da primeira fibra sintética, a população mundial descobriu inúmeras desvantagens dos tecidos produzidos dessa forma. Preterida no mercado têxtil, a indústria iniciou uma série de pesquisas para o aprimoramento do tecido, tendo como objetivo principal a eliminação das propriedades de desconforto amplamente difundidas nesse período. Fonte: FERRAZ, Paula. História dos tecidos. In: UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI. Jornalismo Anhembi Morumbi. Parada obrigatória. São Paulo, 2003. Disponível em: <http://www2.anhembi.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start. htm?infoid=38822&sid=2083>. Acesso em: 21 maio 2007.

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No princípio do século XX os químicos suíços Camille e Henri Dreyfus deram continuidade ao desenvolvimento da fibra, sendo bruscamente interrompidos com a chegada da Primeira Guerra Mundial, quando o acetato foi usado na fabricação de encerados para revestir os aviões franceses e britânicos. Somente em 1920 o acetato voltou a ser produzido comercialmente, pela British Celanese Ltda, utilizando o método Dreyfus. A viscose, fibra sintética de celulose derivada da polpa de madeira, passou a ser produzida em 1905.

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Presentes desde que o homem criou sua primeira vestimenta, o algodão e o linho reinaram soberanos até meados do século XIX, quando surgiram as primeiras fibras sintéticas – acetato e viscose. O primeiro fio sintético de acetato de celulose foi criado na Alemanha em 1869.


2.3.

História dos Bordados

Um bordado é uma forma de criar à mão ou à máquina desenhos e figuras ornamentais em um tecido, utilizando para este fim diversos tipos de ferramentas como agulhas, fios de algodão, de seda, de lã, de linho, de metal, de maneira que os fios utilizados formem o desenho desejado. No que se refere especificamente à atividade artesanal, a maior concentração de tipos de bordados se encontra na região nordeste do Brasil. No Ceará, por exemplo, os bordados são provenientes de artesãos de todo o estado, e ficaram conhecidos por sua beleza e sua arte peculiar. Através dos tipos de bordados denotam-se traços característicos regionais de seus habitantes, aspectos inerentes à cultura e história. O bordado, executado sobre o tecido com agulha e linha, difere da renda porque esta não é aplicada sobre fundo já existente: ela mesma é um tecido de malhas abertas e com textura delicada, cujos fios se entrelaçam formando um desenho. Já as rendas mais famosas são as de bilros. Tanto com o bordado, quanto com as rendas, são confeccionados artigos de cama e mesa e peças de vestuário.

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No estado de São Paulo, a cidade de Ibitinga é conhecida por projetos e atividades comerciais baseadas em bordados. Todos os anos nesta cidade realiza-se tradicional Feira do Bordado, o que desperta a curiosidade de turistas vindos de diferentes regiões do país. De acordo com informações obtidas da revista Ponto Cruz Manequim3 os registros históricos do ponto cruz coincidem com a pré-história. No tempo em que os homens moravam em cavernas, o ponto cruz servia para costurar as vestimentas, feitas de pele de animal. Eles usavam agulha de osso e, no lugar de linhas, tripas de animais ou fibras vegetais. Fragmentos de linho datam de 5000 a.C.; retirados de túmulos egípcios em escavações arqueológicas, revelaram que o ponto cruz era usado para cerzir peças de tecido. Na Antigüidade, os romanos descreviam o bordado como a “pintura de uma agulha”, mas foram os babilônicos que batizaram esta técnica. Existem controvérsias sobre a origem do ponto cruz, da forma como é utilizado hoje. Há quem acredite que ele tenha surgido na China e depois levado para a Europa. No século XVIII diversas pessoas de diferentes posições sociais faziam o ponto cruz e nesta época surgiram os mostruários, a fim de facilitar a escolha dos motivos das cores. Em termos do que era criado em ponto cruz, são exemplos as letras do alfabeto, borboletas, flores, casas, bordas floridas e as famosas amostras. Nos motivos, aparecia ou a assinatura de quem realizava o trabalho, a data e, às vezes até mesmo, a idade da bordadeira. Desde a Idade Média até os dias atuais o prestígio do ponto cruz nunca diminuiu. Os motivos ganharam novas inspirações e muita vitalidade, levando os trabalhos às possibilidades de enriquecer a decoração, dar ares à criatividade e também valorizar a habilidade manual. A seguir, mencionam-se as principais técnicas de bordado: •

Hardanger: elaborado com pequenos vazados, quadrados e formas geométricas, o hardanger segue a trama do tecido. É trabalhado com quatro fios, tanto na vertical quanto

3 Fonte: REVISTA MANEQUIM PONTO CRUZ, São Paulo, n.58, novembro 1999. Disponível em: <http://www.irenes.com.br/de%20bordados/bordados.htm>. Acesso em: 19 maio 2007.


Ajour: a expressão francesa a jour significa “claridade” ou “aquilo que deixa passar a luz”. Por meio de pontos específicos, o bordado introduz aberturas e orifícios no tecido que criarão desenhos de diferentes tipos. Cada país ou região acabou por criar seus próprios desenhos surgindo, assim, o a jour americano, dinamarquês, norueguês e italiano. Alguns desenhos são tão complexos e sofisticados que acabam se aproximando da renda;

Pedrarias: técnica de bordado que faz uso de miçangas, vidrilhos, canutilhos, paetês, lantejoulas, pérolas e cristais. Registros arqueológicos mostram que as pessoas costumavam fazer uso das pedrarias há mais de cinco mil anos;

Assis: técnica que tem sua origem na cidade italiana de Assis. Muito utilizada na confecção de peças sacras, esta técnica é uma variação do ponto cruz. A diferença está no fundo do trabalho, que é preenchido e faz com que o desenho central apareça delineado pelos contornos;

Ponto cruz: conforme já mencionado anteriormente, primeiros trabalhos que mostram pontos semelhantes ao ponto cruz foram encontrados por pesquisadores na Ásia Central e datam de cerca de 850 a.C. Mas é no Renascimento que o ponto cruz toma a forma pela qual se tornou conhecido atualmente. A mouliné é uma das linhas mais utilizadas nesta técnica;

Blackwork: arte embasada em formas geométricas. Foi Catarina de Aragão, mulher de Henrique VIII, quem deu a este tipo de arte um caráter popular e não mais sacro como aconteceu até o século XVI. Originalmente, o bordado era feito sobre um linho branco com fios de seda pretos, entremeados com fios de ouro;

Pattern darning: culturas de todo o mundo costumavam usar esta técnica de bordado para decorar artigos de roupa e linho de família. O ponto é simples e é conhecido entre as bordadeiras por “ponto de correr”, que pode ser feito na horizontal, vertical e diagonal.

História das Rendas

Historicamente, a renda pode ser muito antiga, caso esta seja considerada exemplo de algumas espécies de tramas de fios produzidas ainda no período neolítico.4 Porém, na forma de sua configuração atual, este artesanato têxtil é relativamente recente. É apenas entre os séculos XV e XVI que a história começa a apontar indícios de sua origem, com Flandres e Itália reivindicando sua paternidade. Flandres intitulando-se inventora da renda de bilros e a Itália pedindo a patente da renda de agulhas, da qual nasce a renda renascença. Mesmo antes do século XV, em meados dos séculos XII e XIII, a história explora a possibilidade de a renda ter aparecido na Espanha e em Portugal, para onde os mouros a teriam levado. Mas, nesse caso, não se trata da renda como viemos a conhecer por volta dos anos 1500, e sim de alguns tipos especiais de bordados e tramas desenvolvidos com maestria pelos árabes.

4 Fonte: NÓBREGA, Christus. Renda renascença: uma memória de ofício paraibana. João Pessoa: SEBRAE, 2005. 224 p.

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2.4.

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na horizontal. Caseado, ponto de cetim, ponto de cabo, ilhós, enchimento com fios cruzados e barras tecidas são alguns dos pontos usados nesta técnica;


Conforme Nóbrega,5 avaliando os acontecimentos dos séculos XII e XIII, período marcado por grandes confrontos entre cristãos e árabes em decorrência das Invasões Bárbaras e das Cruzadas, pode-se levantar a hipótese de que tais momentos históricos de grandes embates e grandes trocas culturais suscitaram inúmeras conseqüências para ambas as regiões, entre as quais se destacam a influência da arte oriental para manifestações estéticas européias. Ao se analisar atentamente a arte árabe, encontra-se semelhanças tipológicas entre esta e a renda produzida na Europa a partir do século XV. Seu estilo artístico é fundamentado em princípios religiosos e desaconselha qualquer representação da figura humana. Dentro dessa aparente limitação criativa, seus artistas desenvolveram muito as formas abstratas como linguagem para sua expressão visual, adotando a geometria, a caligrafia e os motivos florais como principais elementos de sua estética. Essa forma de representação imagética ficou conhecida como arabesco e foi largamente usada na decoração de prédios e artefatos de uso cotidiano. Os arabescos árabes configuram tramas visuais complexas e rebuscadas, e essas tramas, quando comparadas morfologicamente com as tramas das rendas do século XV, apresentam vários aspectos semelhantes. Por isso, é provável a hipótese desta arte ter influenciado de algum modo a criação da renda européia.

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As pioneiras investigações foram no sentido de produzir bordados com linha branca sobre fundos claros e em tecidos leves e transparentes, como tule e musselina. Em seguida, criaram a técnica de cortar certos espaços vazios do tecido entre os motivos bordados, vazando-se áreas estratégicas ao redor deste. Os italianos batizaram essa invenção de punto tagliato, os franceses de point coupé, ou seja, ponto cortado. Estava, nesse momento, dado o primeiro passo à criação da renda, e nascia também o que tempos depois ficou conhecido como a técnica para a produção do richelieu. Após o ponto cortado, as experimentações dos artesãos continuaram e criaram o que foi chamado pelos italianos de fili tirani, e pelos franceses de fils tires, ou fios puxados. Esse processo consistia em retirar do tecido alguns fios, conservando apenas os necessários para estruturar e interligar os pontos e os motivos bordados. Esta técnica específica do desfio deu origem a um tipo especial de renda, conhecida no Brasil como crivo ou labirinto. A esse bordado cortado e agora feito sobre tecidos propositalmente desfiados, os artesãos acrescentaram pequenas barras serrilhadas ao seu redor, para dar-lhe acabamento lateral e mais sustentação. Sem o fundo de tecido e com a barra ao redor o bordado já poderia ser considerado, praticamente, uma peça de renda. Para estes novos pontos foram criados inúmeros desenhos de padrões para serem produzidos em diferentes modelos. Estes padrões popularizaram-se através dos livros de padrões, desenvolvidos e editados na Itália durante todo o século XVI. As pesquisas para a feitura de novos pontos continuaram especialmente na Itália. Entre todos os pontos cortados criados, aquele que se apresentava como inteiramente novo ficou conhecido como ponto no ar. O que o divergia dos demais era o fato de ele não precisar de um tecido de base para ser executado, diferentemente do ponto cortado, no qual, embora o tecido praticamente desaparecesse após o desfio, ainda assim, só era possível de ser produzido tendo um tecido como base.

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Fonte: NÓBREGA, 2005, op. cit.


O ponto no ar era feito de maneira livre do tecido; isso possibilitou uma ruptura completa entre o bordado e a renda, a qual acabava de nascer. Em decorrência desta descoberta, é possível reconhecer a Itália como a grande responsável pelo invento deste novo artesanato têxtil. Mesmo assim, dentro do país passou a existir uma disputa entre as cidades de Ragusa e Veneza pela paternidade da criação deste ponto. Porém, Veneza veio a se tornar um centro bem mais famoso e respeitado na produção de rendas de agulhas, exportando tanto seu artesanato como seu conhecimento para outros países europeus. O ponto no ar, após a fama de Veneza, também ficou conhecido como ponto de Veneza e começou a ser utilizado amplamente na França, juntamente com seus precursores artesanatos têxteis, como o ponto cortado e os fios tirados. Mais tarde, na França, entre 1754 e 1793, as artesãs trabalharam para aperfeiçoar o ponto de Veneza e criaram o point de France, ou ponto da França, que logo consolidou a supremacia daquele país na produção de rendas de agulhas em toda a Europa. Este novo ponto era mais fino e trazia em sua composição formas mais rebuscadas de folhagens e arabescos, diferentemente dos padrões mais geométricos das rendas italianas.

Porém, além da Itália e da França, é importante verificar que outras nações contribuíram profundamente para a disseminação e consolidação da renda de agulha pelo mundo, e neste contexto pode-se reconhecer Espanha, Inglaterra, Islândia e Portugal, como países fundamentais no processo de divulgação da renda. Contudo, a França continua sendo decisiva para a implantação da renda renascença no Brasil, especialmente no estado da Paraíba. Originalmente, a renda de agulha teve seu uso atrelado ao vestuário. Historicamente, a renda foi introduzida nas indumentárias entre os séculos XV e XVI como elemento decorativo que pudesse substituir o bordado. A diferença entre o bordado e a renda é bem clara. O primeiro é a aplicação de motivos sobre o tecido de forma que este se torne uno ao pano. O segundo, a renda, constitui-se em uma trama auto-estruturada independente de um suporte, no caso, o tecido. Assim, o bordado quando aplicado em uma peça de vestuário não pode ser retirado desta, diferentemente da renda. Com essa possibilidade de ser removível, este novo artesanato têxtil tornou-se uma das maneiras encontradas por homens e mulheres para diferenciar uma mesma peça de roupa nas diversas ocasiões de seu uso.

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Mesmo com o advento do ponto de Burano, a Itália não conseguiu reconquistar a antiga hegemonia na produção da renda de agulha, pois foi justamente o ponto da França que se propagou por toda a Europa. Com essa ampla disseminação, outros países se sentiram encorajados a também produzirem este novo e original artesanato têxtil, principalmente no espaço de tempo em que a França cessou provisoriamente a sua produção durante a Revolução Francesa.

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A Itália procurou reagir ao crescimento do artesanato têxtil francês e Veneza criou o punto di rosa, ou ponto de rosa. Embora tenha sido descoberto em Veneza, outra cidade italiana, Burano, acabou por se tornar a sua principal produtora, mudando o nome de ponto de rosa para ponto de Burano.


Divergindo dos dias atuais, em que prevalece a aplicação de renda em roupas femininas, inicialmente não foi exclusivamente nas vestimentas de mulheres que ela teve destaque, pois suntuosas peças desse artesanato foram produzidas para os trajes masculinos. Nesses séculos, durante o Renascimento, encontram-se vários personagens nobres usando renda em seus trajes, concedendo a esta um grau de sofisticação que ajudou em muito a difundila por toda a Europa. Com o passar dos anos, a renda ganhou ainda mais destaque nas indumentárias, sendo empregada com magnificência, além de seu predomínio em golas, mas também em punhos e em lingerie feminina e masculina. Além desses usos, também foram usadas na ornamentação dos canos das botas altas, surgindo a moda dos canhões (ornamentos de rendas que se prendiam ao longo das pernas). O uso das rendas foi de tal proporção que seu valor social em possuí-las era de elevado status, a ponto de a Igreja Católica proibir o uso excessivo desse artefato, embora também a Igreja a usasse em suas vestes eclesiásticas e na decoração dos altares.

2.4.1. Classificação das Rendas “Sobre a almofada, nos bilros, curtidas mãos exercitam líquida paciência. Os bilros têm sons de infância. As mãos avultam, tranqüilas, no alegre bater dos bilros. Mãos e bilros, mãos e bilros de um fundo a outro do abismo tecendo a renda do tempo.” (Anderson Braga Horta6)

As rendas, segundo Nóbrega,7 podem ser classificadas em duas categorias distintas, Almofada com bilros diferenciando-se pela forma como são produzidas, bem como pelas características materiais obtidas em cada processo produtivo, que confere a elas diferente lisura, delicadeza e fluidez. Na primeira classe de rendas encontram-se aquelas produzidas com o auxílio de bilros. O bilro é um pequeno instrumento constituído de uma curta haste que em uma das pontas apresenta uma terminação Fonte: HORTA, Anderson Braga. Artesanato. In: esférica. Na ponta oposta enrola-se uma quantidaGaratujando. 14 maio 2005. de de linha que é presa a um padrão que contém o desenho da renda a ser executada. Para se produzir uma renda desse tipo se faz necessário trabalhar com vários bilros simultaneamente, que vão sendo embaralhados em um dado sentido e com isso vão se cruzando os fios presos a eles, fazendo a renda surgir gradativamente. A quantidade de bilros empregados varia de acordo com a complexidade da renda a ser confeccionada.

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

16

Figura 1

6 Fonte: HORTA, Anderson Braga. Artesanato. In: Garatujando. 14 maio 2005. Disponível em: <http://garatujando.blogs.sapo.pt/arquivo/621873.html>. Acesso em: 14 maio 2007. 7 Fonte: NÓBREGA, 2005, op. cit., p. 35.


Com esse instrumento se produz um tipo de renda que leva o mesmo nome da ferramenta; no Brasil conhecida como renda de bilros. Na segunda classe estão aquelas confeccionadas com o uso de agulhas. As agulhas empregadas para a execução de algumas dessas peças artesanais são as mesmas utilizadas para a costura doméstica em geral, e são com elas produzidas a renda renascença, o filé e o labirinto. Em outros casos utilizam-se agulhas especiais, como para a produção do tricô e do crochê. Essas últimas são rendas extremamente populares e produzidas por um número muito maior de mulheres quando comparado ao número de artesãs que dominam o ofício de tecer uma renda renascença ou labirinto, por exemplo. Entre as rendas de agulhas e de bilros existem aquelas que são rendadas em cima de almofadas ou grades. Dessas rendas, aquelas feitas em grades são o labirinto e o filé. Tanto a renascença como a renda de bilro são produzidas em cima de almofadas. Para a primeira, a renascença, a almofada é menor e mais leve e fica repousada sobre o colo da artesã durante o trabalho. Para a segunda, o bilro, a almofada é grande e pesada e fica assentada em cima de um cavalete de madeira e a artesã tece geralmente sentada no chão de fronte a esta. A renda renascença é um tipo de renda de agulha, que mantém o mesmo princípio formal das outras rendas de sua classe, as quais são constituídas basicamente por desenhos concêntricos. Porém, dentre todas as de sua família, a renascença é tida como a de qualidade superior, haja vista seu árduo e complexo processo de produção, sua beleza e delicadeza, o que reflete diretamente em seu preço elevado no mercado.

O nome “irlandesa” está relacionado ao país, que muito colaborou para sua perduração durante a Revolução Industrial. Em meados de 1872, no momento histórico marcado pela acelerada caminhada da máquina para a substituição dos fazeres artesanais, Margarida Sávoa, na Irlanda, estimulou fortemente essa produção artesanal em conventos de todo o território irlandês. Sabe-se que as freiras irlandesas foram algumas das principais responsáveis pela educação de vários países colonizados, a exemplo do Brasil. E como em suas escolas era indispensável o ensino de trabalhos manuais femininos, as mulheres aprenderam com as religiosas a fazer essa renda, o que ajudou a criar uma correlação entre esse país e a renda, daí a sua designação.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

O termo “inglesa”, utilizado para designar este tipo de renda apenas em algumas regiões brasileiras (em especial, na Bahia) deve-se ao fato do estabelecimento de fortes laços comerciais entre este estado e a Inglaterra durante a colonização do Brasil. Nessa região concentrou-se o comércio de muitas manufaturas advindas deste país. Entre os diversos produtos importados encontrava-se a renda, o que fez com que esse artesanato têxtil fosse associado ao país inglês que a comercializava, recebendo então seu nome como referência.

17

Além de renascença, esta renda de agulha também é conhecida por outros nomes, tais como, inglesa ou irlandesa.


3. Histórico do Mercado de Bordados e Rendas

para Cama, Mesa e Banho no Brasil

Quando se pensa em bordados e rendas no país, duas regiões saltam aos olhos: Sudeste, mais especialmente Ibitinga pela sua tradição histórica, e o Nordeste (pela diversidade de tipos, cidades envolvidas e referência turística). A apresentação dessas duas regiões presta-se a exemplificar melhor características de um mercado extremamente diverso no país e sua escolha prende-se não apenas à importância no cenário nacional, dentre tantas outras, mas pela disponibilidade de dados organizados sobre o segmento, facilitando o processo de compreensão e análise deste estudo.

3.1.

Bordados em Ibitinga (SP)8;9

A indústria e o comércio de bordados têm sido os grandes responsáveis pelo desenvolvimento econômico de Ibitinga há várias décadas.

18

Nos anos 30, o bordado se propagou através das mãos mágicas de mulheres como dona Dioguina Martins Sampaio Pires, dona Maria Gonçalves Amorim Grilo, dona Marieta Macari Pires e dona Maria Braga. Elas ensinavam a arte do bordado em máquinas de costurar, conhecida como “maquininha”, para as moças e jovens senhoras de Ibitinga. O bordado representava um complemento na renda familiar.

Figura 2

ESTU DOS

DE

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

Bordado à máquina feito em Ibitinga (SP)

A evolução na forma de produção e nas matérias-primas utilizadas foi rápida e as máquinas elétricas chegaram através da Escola de Bordados Singer, que foi montada por Gottardo Juliani, revendedor da marca, que projetou a máquina elétrica especialmente para atender o mercado de Ibitinga.

Fonte: FEIRA DO BORDADO DE IBITINGA. Site institucional. Ibitinga (SP), 2008.

8 Fonte: FEIRA DO BORDADO DE IBITINGA. Bordado – história. Site Institucional. Ibitinga (SP), 2006. Disponível em: <http://www.feiradobordadodeibitinga.com.br/?page_ id=24>. Acesso em: 20 jan. 2008. 9 Fonte: FLORIAN, Fabiana. Arranjos produtivos locais: formação, desenvolvimento e vínculos nas indústrias de bordados de Ibitinga – SP. 2005. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente) – Centro Universitário de Araraquara (UNIARA). Araraquara (SP), 2005.


Neste momento, o bordado passava a se tornar fonte principal de renda. Atualmente, a tecnologia aprimorou as máquinas e os produtos utilizados na fabricação das confecções bordadas, mas o grande segredo do sucesso é a mão-de-obra, com acabamentos e processos artesanais, que se especializa a cada dia.

3.2.

Bordados e Rendas na Região Nordeste do Brasil10

Os principais aspectos envolvendo a produção e comercialização de artigos artesanais, dentre os quais bordados e rendas se incluem, adotam como referência o estudo denominado “Ações para o desenvolvimento do artesanato no Nordeste”,11 realizado com o apoio do Banco do Nordeste. O Estado de Pernambuco, assim como toda a região Nordeste, apresenta uma grande variedade de produtos artesanais. Além do tipo figurativo, composto por peças que são verdadeiras obras de arte, há uma enorme quantidade de produtos utilitários, indispensáveis no dia-a-dia da população. Pelos principais ramos, o artesanato pernambucano está assim dividido: cestaria e trançados; bordados e rendas; cerâmica; couro; tecelagem; madeira; metal; tapeçaria. Tabela 1 – Principais localidades produtoras de artigos artesanais no Estado Principais localidades produtoras de artigos artesanais no Estado Localidades

Ramos Bordados e Rendas

Poção, Pesqueira, Tacaimbó, Alagoinha, Bezerros, Caetés, Carpina, Fazenda Nova, Limoeiro, Jataúba, Paudalho, Paulista, Ribeirão, São Lourenço da Mata, Recife.

Fonte: ARTE E CULTURA: artesanato, Pernambuco de A/Z, Recife, sd. Disponível em: <http://www.pe-az.com.br/arte_cultura/artesanato.htm>. Acesso em: 20 jun. 2007. 11 Fonte: BNB (Banco do Nordeste do Brasil). Ações para o desenvolvimento do artesanato no Nordeste: relatório. Recife, 2000. 356 p. Disponível em: <www.bnb.gov.br/ content/aplicacao/cadeias_produtivas/artesanato/docs/caderno%20completo%20v2.doc>. Acesso em: 15 maio 2007. 10

12

Fonte: BNB, 2000, op. cit.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

A grande concentração de municípios com ocorrência em diversos tipos de artesanato está na região nordeste do Brasil, conforme dados ilustrados a seguir.

19

Fonte: BNB. Ações para o desenvolvimento do artesanato no Nordeste: relatório. Recife, 2000.12


Tabela 2 – Número de municípios com ocorrência de artesanato por estado do NE Estados

Ocorrências

Municípios

%

Alagoas

58

101

57,4

Bahia

127

415

30,6

Ceará

140

184

76,1

Maranhão

19

217

8,8

Paraíba

62

223

27,8

Pernambuco

72

185

38,9

Piauí

36

221

16,3

Rio Grande do Norte

35

166

21,1

Sergipe

65

75

86,7

TOTAL

614

1.787

34,4

Fonte: BNB, 2000.

Tabela 3 – Número de municípios com ocorrência de rendas e bordados por estado do NE

ESTU DOS

DE

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

20

Estados

Ocorrências

%

1. Ceará

104

38,5

2. Sergipe

59

21,8

3. Paraíba

35

13,0

4. Bahia

23

8,5

5. Pernambuco

21

7,8

6. Rio Grande do Norte

9

3,3

7. Alagoas

7

2,6

8. Piauí

7

2,6

9. Maranhão

5

1,9

270

100,0

TOTAL Fonte: BNB, 2000.


Tabela 4 – Número de municípios com ocorrência de artesanato com tecidos por estado do NE

Estados

Ocorrências

%

1. Alagoas

1

20,0

2. Bahia

1

20,0

3. Ceará

1

20,0

4. Paraíba

1

20,0

5. Pernambuco

1

20,0

6. Maranhão

0

0

7. Piauí

0

0

8. Rio Grande do Norte

0

0

9. Sergipe

0

0

Fonte: BNB, 2000.

Outro exemplo a ser mencionado refere-se a Tobias Barreto, no estado do Sergipe.13 Este município tem sua atividade econômica voltada para o setor de confecção e artesanato que, direta ou indiretamente, movimenta grande parte de sua economia. Trata-se de um local que reúne características únicas em relação a outros municípios sergipanos, no que diz respeito ao setor de confecção-artesanato, que é a sua experiência e vocação nessa atividade, com possibilidade de impactar outros municípios deste e de outros estados.

Os desenhos das peças são, em geral, definidos pelas próprias artesãs, ainda que, muitas vezes, elas recebam encomendas em que já ficam estabelecidos o tipo e o formato de bordado solicitado. Em termos de suprimento de insumos e componentes, as empresas médias e pequenas (com mais de 10 empregados) adquirem os principais insumos diretamente do fabricante, enquanto micro empresas, associações produtivas e artesãos que trabalham de forma individual, fazem-no junto ao comércio atacadista e varejista local. No que tange aos mercados mais relevantes, grande parte da produção local (90%) é escoada para o estado da Bahia. Os outros 10% restantes são repassados para os demais municípios de Sergipe e para os estados de Pernambuco, Alagoas, Piauí, Maranhão e Minas Gerais.

Fonte: MUNICÍPIO DE TOBIAS BARRETO. Site institucional. Disponível em: <http://www.tobiasbarreto.arranjoprodutivo.com.br/projetos_diagnostico.htm>. Acesso em: 14 maio 2007.

13

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Em relação à produção artesanal, o conhecimento predominante para formação dos recursos humanos ocorre de forma empírica, através do repasse de experiências de mãe para filha. Nos poucos cursos promovidos por instituições de desenvolvimento, houve uma boa absorção de tecnologia, constituindo-se esses novos conhecimentos em uma nova fonte de renda para a comunidade.

21

A produção artesanal de tecidos bordados para cama, mesa e banho é uma atividade tradicional em Tobias Barreto, desenvolvida, sobretudo, nos diversos povoados dos municípios por artesãs em suas próprias residências ou em associações.


Um dos principais estrangulamentos da produção de bordados tem sido a precariedade de capitalização das artesãs. De maneira geral, diante da necessidade de subsistência imediata, elas não dispõem de reservas para o giro da produção. Essa insuficiência faz com que percam diversas oportunidades de mercado, tendo muitas vezes de rejeitar encomendas de produtos por escassez de capital de giro ou vender suas peças a preço abaixo dos custos. Disseminou-se em Tobias Barreto um grande número de pequenas fábricas de confecção de shorts, bermudas, mosquiteiros e produtos de cama, mesa e banho. A produção, em parte, é feita nessas pequenas fábricas ou são repassadas para a produção doméstica de costureiras das zonas rural e urbana dos municípios. Outras informações mais detalhadas sobre bordados e rendas em outras localidades brasileiras serão apresentadas no decorrer deste relatório.

3.3.

Características Específicas dos Bordados e Rendas para Cama,

Mesa,

Banho e Casa

3.3.1. Definições sobre Artesanato e Tipologias14 ;15

Conforme consta na pesquisa Ações para o desenvolvimento do artesanato do Nordeste,17 a fragilidade econômica do setor artesanal, causada fundamentalmente pela falta de estrutura deste setor, somada às formas simplificadas de abordagem das manifestações de cunho popular, determinam visões múltiplas do artesanato, evidenciadas nas inúmeras definições existentes para o termo. Vale ressaltar que bordados e rendas para Cama, Mesa e Banho estão diretamente relacionados a questões normativas específicas para os artesanatos no Brasil, daí a importância de se avaliar a natureza e a regulamentação da atividade artesanal no país.

ESTU DOS

DE

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

22

Para se chegar a uma definição realista, pragmática e útil a este relatório, recorreu-se a vários estudos disponibilizados no site da ONG Candeeiro Aceso,16 que visa melhorar as condições do artesão no Nordeste brasileiro.

Fonte: ARAÚJO, A. M. M. et al. Estudos fundamentais: subsídios para uma política de artesanato no estado do Ceará. In: CANDEEIRO ACESO. Artesanato. Site institucional. Arapiraca (AL), sd. Disponível em: <http://www.candeeiroaceso.org.br/ artesanato.htm>. Acesso em: 14 abr. 2007. 14

15 16

Fonte: BNB, 2000, op. cit. Fonte: CANDEEIRO ACESO. Site Institucional. Arapiraca, 2007. Disponível em: <http://www. candeeiroaceso.org.br>. Acesso em: 14 abr. 2007. 17 Fonte: BNB, 2000, op. cit.


Figura 3 – Definições de artesanato e artesão • Artesanato: É a forma de ocupação ou trabalho, geradora de bens materiais, produzidos por meios técnicos, geralmente tradicionais, com a utilização de instrumentos rudimentares. Fonte: ROCHA, José Maria Tenório. Arte/Artesanato de Alagoas, sem paginação, APUD SUDENE. • Artesanato: (É) o fruto gerado da cultura popular, a feitura de objetos relacionados à temática folclórica dos países, com emprego de técnicas primitivas de fabricação. Fonte: SILVA FILHO, Francisco Pereira. Perfil e Problemática do Artesanato do Litoral Piauiense, p. 16. • Artesanato: Resultado de uma habilidade bem treinada e de uma sabedoria própria do mitier. Constitui-se expressão espontânea de criatividade de um povo. Fonte: Perfil do Artesanato Cearense: Tipologias Selecionadas, sem paginação. • Artesanato: Toda e qualquer atividade do tipo industrial predominantemente manufatureira, executada com a finalidade de comercialização imediata, em oficinas de equipamentos rudimentares (domésticos ou não), em que os produtores se encarregam, individualmente ou mediante auxiliares, de todas ou quase todas as fases de produção. Fonte: SILVA FILHO, Francisco Pereira. Perfil e Problemática do Artesanato do Litoral Piauiense, p. 17, apud PEREIRA, Carlos José da Costa In Recursos e Necessidades do Nordeste, BANCO DO NORDESTE, 1964. • Arte Folclórica: Todo trabalho é feito normalmente, sem auxílio de máquinas industriais; a matériaprima é a mais simples possível; o trabalho é realizado com técnicas rudimentares, sem auxílio de técnicas eruditas aprendidas em escolas superiores; A temática usada na obra é popular; Porque feita sem o sentido de concepção em mostras de arte, a obra possui liberdade de expressão e espontaneidade; e a ausência de assinaturas nas peças. Fonte: ROCHA, José Maria Tenório. Arte/Artesanato de Alagoas, sem paginação. • Artesão: Aquele que, por criatividade, habilidade própria ou adquirida, exerce uma atividade predominantemente manual, sem elementos repetidores industriais, transformando determinada matériaprima na produção de bens artísticos ou de consumo e realiza todas as etapas do processo produtivo. Fonte: ROCHA, José Maria Tenório. Arte/Artesanato de Alagoas, sem paginação, APUD SUDENE

“Artesanato é a atividade predominantemente manual de produção de bens, exercida em ambiente doméstico ou em pequenas oficinas, postos de trabalho ou centros associativos, no qual se admite a utilização de máquinas ou ferramentas, desde que não dispensem a criatividade ou a habilidade individual e de que o agente produtor participe, diretamente, de todas ou quase todas as etapas da elaboração do produto”.19 Para uso neste relatório, devem ser excluídos do conceito de artesanato trabalhos manuais que não possuam uma dimensão cultural popular, historicamente transmitida por tradição oral e/ou aprendizado direto dos chamados mestres-artesãos. Quanto ao artesão, “este sequer existe como categoria ocupacional nos registros oficiais do país, o que torna ainda mais difícil situá-lo, conceituá-lo e obter uma visão coerente de sua história presente ou passada, para não mencionar a quase impossibilidade de antever suas perspectivas futuras”.20 O Relatório e a Proposta da Comissão Consultiva de Artesanato sobre Conceituação do Artesanato para efeito do PNDA (Programa Nacional de Desenvolvimento do Artesanato e Caracterização do Artesão) apenas inferem que “artesão é aquele que faz artesanato nas condi18 19 20

Fonte: CANDEEIRO ACESO, sd, op. cit.

Fonte: CANDEEIRO ACESO, sd, op. cit. Fonte: CANDEEIRO ACESO, sd, op. cit.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Cada uma das definições acima apresenta uma visão conceitual diferente, privilegiando determinados aspectos componentes da atividade artesanal ou mesmo excluindo outros tantos. Já a definição abaixo estabelece critérios de identificação para produtos considerados artesanais, visando excluir atividades manuais que não sejam artesanais:

23

Fontes: BNB 2000; CANDEEIRO ACESO. Artesanato. Site institucional. Arapiraca (AL), sd.18


ções acima descritas” (ou seja, segundo a definição anteriormente apontada para artesanato). E prosseguem: “os centros credenciados atestarão o exercício da atividade artesanal. Tal atestado, será documento hábil para a identificação trabalhista que se dará inicialmente sob a categoria geral de ‘artesão’. Com o desenvolvimento do PNDA, será aplicada a classificação dos diferentes níveis da qualificação profissional, tais como aprendiz, mestre-artesão e outras, bem como as especificações aplicáveis à atividade artesanal”.21 Para a caracterização profissional do artesão, em alguns estados, a exemplo de Pernambuco e da Bahia, são exigidos alguns pré-requisitos para que seja reconhecido e cadastrado como tal. Da mesma forma, no Ceará adotam-se normas para inscrição e emissão de identidade de artesão. Este deverá ter habilidade para exercício da atividade, comprovada através de teste prático de capacitação supervisionado por comissão especializada. O candidato também deverá ter no mínimo 16 anos de idade, apresentar documento de identidade e comprovante de residência. Este procedimento assegura a exclusão de pessoas não qualificadas e garante algumas vantagens como a isenção do ICMS quando da venda dos produtos artesanais no estado. No Estado do Piauí, aos artesãos mais qualificados, de reconhecido saber e que já tenham repassado este saber a aprendizes, é conferido o status de mestre-artesão, simbolizando uma hierarquia de conhecimento importante e o reconhecimento do valor do artesão e do artesanato de um modo geral.

Assim, propõe-se para este relatório uma classificação tipológica fundamentada a partir da análise das diversas classificações anteriormente apresentadas. Esta classificação, indicada no quadro seguinte, tem por finalidade identificar, segundo categorias unificadas, segmentos artesanais diversamente ordenados nos Estados nordestinos. Vale ressaltar que se trata de uma classificação esquemática, não se detalhando possíveis subclassificações, a exemplo da tipologia rendas e bordados, em que o segmento labirinto ainda é subclassificado segundo a origem (cearense ou alagoano), ou entre as cerâmicas trabalhadas em Cascavel, Ipu ou Viçosa (três municípios do Ceará). Esta classificação exclui alguns segmentos artesanais de pouca relevância no contexto do artesanato nordestino, seja por apresentarem ocorrências não significativas (como a foguetearia), seja por não se enquadrarem na definição estabelecida para artesanato (como marcenaria e funilaria). Os produtos apresentados estão ordenados de forma genérica, destacando-se a existência de inúmeros produtos para cada uma das segmentações apresentadas.

ESTU DOS

DE

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

24

Outro conceito apresentado considera o artesão como “um produtor tipicamente não assalariado (sem vínculo empregatício), que produz em condições de baixa capitalização, dispondo-se e utilizando-se de sua própria força de trabalho e dos seus meios de produção para produzir artesanato”.22

21 22

Fonte: CANDEEIRO ACESO, sd, op. cit. Fonte: CANDEEIRO ACESO, sd, op. cit.


Tabela 5 – Tipologias para o artesanato nordestino Produtos

Alimentos

• Doces • Bebidas

• Doces de frutas regionais típicas • Bebidas de frutas regionais típicas

Cerâmica

• • • • •

• • • • • •

Vasos, jarros, panelas e similares Imagens sacras e populares Miniaturas diversas Luminárias e arandelas Placas decorativas Utilitários para o lar

• • • • • •

Mobiliário Tapetes Acessórios do vestuário Sacolas diversas Artigos para copa e cozinha Painéis divisórios

Cestarias e Trançados

Couro

Madeira

Barro Argila Terra cota Porcelana Gesso • • • • • •

Fibra de sisal Palha de carnaúba Folha de bananeira Junco Taboa Vime

Fibra de catolé Fibra de ouricuri Fibra de buriti Folha de piaçava Palha da costa

• Bovino • Caprino

• Acessórios do vestuário • Calçados • Arreios para montarias

• Ipê • Massaranduba

• • • • • • •

Mobiliário Imagens sacras e populares Miniaturas diversas Molduras para espelho Produtos para copa e cozinha Brinquedos populares Instrumentos musicais

• • • •

Peças sacras Utilitários para o lar Artigos para copa e cozinha Instrumentos musicais

Metal

• • • • •

Pedras

• • • • •

Reciclados

• Papel • Vidros

Rendas e Bordados

• • • • •

• • • • • •

Aço Ferro Bronze Alumínio Latão

• • • •

Cobre Níquel Estanho Prata

Preciosas Semipreciosas Granitos Pedra sabão Mármore

Labirinto Vagonite Frivolite Richielieu Rendendê Ponto de cruz

Tecelagem

• • • •

Fio de algodão cru Linha Linho Lã

Tecidos

• Algodão • Retalhos diversos • Linho

• Imagens sacras e populares • Utilitários para o lar • Artigos para decoração

• • • • • •

Ponto-cheio Bilro Crochê Irlandesa Renascença Filé

• • • •

Utilitários para o lar Brinquedos populares Sacolas Mobiliário

• • • •

Produtos de cama, mesa e banho Artigos para copa e cozinha Trajes típicos Bonecas

• • • • •

Redes Mantas Tapetes Almofadas Artigos para copa e cozinha

• Vestuário popular • Artigos de cama, mesa e banho • Artigos de copa e cozinha

Fonte: Elaboração da autora, a partir de fontes diversas utilizadas ao longo deste relatório.

25

Segmentação

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Tipologias


A existência dessas tipologias é observada em todos estados nordestinos, ainda que não de maneira homogênea, destacando-se rendas e bordados, cerâmica e cestarias e trançados, tanto pelo volume produzido como pela recorrência nos principais pólos e pelo valor histórico e comercial dos produtos. O artesanato, em sua forma mais tradicional (aquele em que o artesão utiliza essa atividade apenas para prover seu sustento e o de seus familiares, não utilizando formas mais elaboradas para otimizar a administração, a produção e a comercialização do produto artesanal), foi considerado neste relatório como artesanato de subsistência. A necessidade de desenvolvimento de uma atividade segundo modelos mais adequados ao mercado, que a torne competitiva, rentável e produtiva, gerenciada por indivíduos profissionalizados, sem perder suas características singulares de expressão da arte popular, será chamada de artesanato de mercado. Os aspectos demarcatórios entre artesanato de subsistência e o artesanato de mercado são difíceis de serem operacionalizados, implicando em radicais transformações que envolvem não só o artesão e sua atividade laborial, como também visões políticas e sociais arraigadas ao longo da formação histórica e cultural do artesanato no Brasil.

ESTU DOS

DE

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

26

Com relação à forma habitual do artesanato - o regime familiar de produção e comercialização - percebem-se os impasses na organização da atividade, visto que inexistem relações profissionais definidas entre os membros componentes da família e, conseqüentemente, claros direitos e deveres de empregadores e empregados. A fim de evidenciar alguns destes problemas no âmbito da produção e da comercialização, foi realizada uma pesquisa direta com artesãos durante a Feira Nacional de Negócios do Artesanato de Recife, em julho de 2000. Nessa feira (escolhida como referência para o estudo por ser de âmbito nacional e congregar especialistas e artesãos de várias localidades) procurou-se enfocar alguns aspectos administrativos do artesanato.23 Os resultados apontam fragilidade dos modos de administração, produção e comercialização do artesanato a partir do levantamento das dificuldades encontradas pelos artesãos em cada uma das etapas do processo.

4. Mercado Setorial de Bordados e Rendas para

Cama, Mesa e Banho

4.1.

Diagnóstico do Mercado Setorial

4.1.1.

Principais Aspectos do Mercado Externo (setor de tecnologia têxtil)

O setor de tecnologia têxtil é um dos segmentos de maior tradição dentro da indústria mundial; em 2005, o PIB têxtil mundial era de US$350 bilhões, com previsão de expansão 23

Fonte: BNB, 2000, op. cit.


pelo menos até 2010. Assumem posições de destaque na economia de países desenvolvidos (por exemplo, Estados Unidos da América e Itália) e também constitui o carro-chefe do desenvolvimento de países emergentes como China e Índia. O setor têxtil mundial vem registrando significativa expansão, tanto que no que se refere aos montantes produzidos como ao comércio em geral (em função do aumento de consumidores e aberturas no mercado internacional).24 O gráfico seguinte apresenta as maiores cadeias produtoras de setor têxtil no mundo. Gráfico 1 – Maiores Cadeias Produtivas do Setor Têxtil em 2004 (em ton./mil)

18.000,0 16.000,0

15.737 13.265

14.000,0 12.000,0

12.637

10.000,0

8.849

8.000,0

5.301

6.000,0 4.000,0

4.633

2.000,0 Índia

Taiwan

Córeia do Sul

Brasil

Fonte: Reproduzido de Reunião APIMEC, 2005. 25

Outro estudo apresenta dados sobre a União Européia, Estados Unidos e China.26 A União Européia (antiga Comunidade Econômica Européia) é constituída por 25 países, dos quais dez foram admitidos em 2004. Com relação aos padrões de consumo dos artigos têxteis para o lar há diferenças significativas nos países europeus, em virtude da diversidade dos níveis de renda, hábitos culturais e condições climáticas. Assim, por exemplo, verifica-se que o consumo de alguns desses produtos é maior no norte do que no sul da Europa, por causa do clima mais rigoroso. A produção de têxteis para o lar na Europa tem sido declinante nos últimos anos, a exemplo do sucedido com o setor têxtil em geral, cujo faturamento sofreu redução de 12,5% entre 2000 e 2003. A razão principal para esta evolução desfavorável é a perda de competitividade em face de novos países produtores, que caracterizam por custos muito inferiores aos dos europeus, em particular no que se refere à mão-de-obra. Cabe observar que o custo do trabalho é especialmente importante em indústrias tecnologicamente modernas, como é o caso do setor têxtil. Fonte: Reunião APIMEC. 15 mar. 2005. Disponível em: <http://www.cedro.ind. br/investidores>. Acesso em: 15 jun. 2007. 25 Fonte: Reunião APIMEC, 2005. op. cit. 24

26 Fonte: ROSA, Sergio Eduardo. Silveira da; COSENZA, José Paulo. Linha lar. BNDES Setorial. Rio de Janeiro, n. 24, 2006. Disponível em <bndes.gov.br/conhecimento/bnset/set2407.pdf>. Acesso em: 20 maio 2007.

27

EUA

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

China


No que se refere aos Estados Unidos, a produção de têxteis para o lar atingiu 803.900 t em 2001. Considerando-se que a produção total da indústria têxtil dos EUA foi de 3,8 milhões de toneladas naquele ano, a linha lar foi cerca de 12,3%. Diferentemente do que ocorre em outros países, quase a metade dos produtos têxteis para o lar norte-americano era fabricada com base em fibras sintéticas e artificiais. Quanto ao comércio exterior, as exportações são insignificantes; as importações alcançaram US$ 8,9 bilhões em 2003, o que equivale a 11,5% em valor de bens finais têxteis. Os principais países de origem desses produtos são China, Índia e Paquistão, sendo desprezível – com exceção parcial do Brasil – a participação da América Latina. Isso configura um padrão bastante diverso do que se verifica nas importações de artigos de vestuário, nas quais a América Central tem papel preponderante e se deve, provavelmente, à menor intensidade da mão-de-obra da linha lar, se comparada à linha de confecção para vestuário. Sobre a China, a produção de artigos têxteis para o lar foi, em 2002, equivalente a quatro milhões de toneladas, em termos de consumo industrial de fibras, o que representa um valor de produção da ordem de US$ 36 bilhões. Esse montante correspondeu a 16,2% do valor da produção da cadeia têxtil chinesa e representou um crescimento de 25% comparativamente ao ano de 2001. O setor de têxteis para o lar foi o que apresentou o maior crescimento industrial na China (algo em torno de 7,8% do PIB chinês de 2002).

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

28

Embora a indústria têxtil para o lar chinesa tenha sido tradicionalmente composta por grandes empresas estatais, nos últimos anos tem havido um crescimento no número de empresas coletivas e privadas de pequeno e médio porte que atuam nesse setor. Além disso, houve ainda um processo de entrada de empresas chinesas tradicionais para o ramo de cama, mesa, banho e decoração. Tal fato acabou por expandir o setor e conferiu grande vitalidade ao mercado de artigos têxteis para o lar na China. A produção chinesa de artigos têxteis para o lar tem sido crescente nos últimos anos, basicamente em razão do surgimento de um mercado interno novo e fortalecido, com grande potencial para absorver a produção desse país. Atualmente, cerca de 81% do total produzido para a linha lar na China é consumido internamente pela população. No entanto, o consumo de têxteis para o lar na China ainda é relativamente baixo, frente aos padrões mundiais. Em parte por causa dos hábitos tradicionais do consumidor chinês que considera esses tipos de produtos (toalhas, lençóis, cortinas etc.) artigos independentes. No que se refere ao comércio exterior, a China importou em 2002 US$ 1,9 bilhão de produtos têxteis para o lar, visando atender suas necessidades internas de consumo, sobretudo aquelas associadas à demanda por artigos de qualidade superior. Isso equivaleu a 30,6% do total de importações de bens finais têxteis, superando a importação de confeccionados têxteis e de produtos têxteis industriais que, respectivamente, foi de 27,2% e 33,2%. No que concerne às exportações chinesas de artigos da linha lar, observa-se um incremento de 14% no ano de 2002, comparado ao ano anterior. No período de 1990 a 2001, houve um crescimento de 40% nas exportações chinesas nesse setor. Todavia, a competitividade internacional dos produtos da linha lar chinesa é ainda inferior, quando comparada com os artigos de confecção para vestuário, exportados por esse país. Em 2002, a exportação chinesa de produtos da linha lar alcançou US$ 7,1 bilhões, equivalentes a 14,2% do total de produtos finais têxteis confeccionados (representou cerca de 82%).


Os produtos têxteis para o lar da China que têm maior penetração no mercado internacional são as roupas de cama e as toalhas de banho, correspondendo a 39% e 31%, respectivamente, do valor exportado em 2001. No entanto, esse país exporta também outras categorias de produtos têxteis para o lar como a linha copa e cozinha, cortinas e cobertores, sendo os países asiáticos os principais destinos das exportações chinesas, em especial o Japão, seguidos da União Européia e dos Estados Unidos, conforme consta nos dados abaixo:

Tabela 6 – Dez maiores importadores mundiais de produtos têxteis para o lar da China – 2003

Países

1

IMPORTAÇÕES US$ Bilhões

%

Estados Unidos

1.779

57,0

2

Japão

1.342

43,0

3

Hong Kong

0,303

0,010

4

Reino Unido

0,236

0,008

5

Alemanha

0,211

0,007

6

Austrália

0,210

0,007

7

Rússia

0,195

0,006

8

Canadá

0,159

0,005

9

Emirados Árabes Unidos

0,134

0,004

10

Coréia do Sul

0,115

0,004

TOTAL

3.123

100,0

Fonte: Reproduzido de ROSA, Sergio Eduardo. Silveira da; COSENZA, José Paulo. Linha lar. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 24,

29

p. 211-240, set. 2006

4.1.2. Barreiras Comerciais

A proteção à CTC é proporcionalmente maior nos países desenvolvidos onde, curiosamente, a participação da CTC na produção e comércio é menor. Também se observa que a proteção ao setor vestuário é geralmente maior do que a proteção ao setor têxtil. Este é um indicador de escalada tarifária. De fato, as tarifas à importação cobradas pelos países desenvolvidos aumentam com o nível de processamento do produto. Isto introduz um viés na estrutura produtiva dos países em desenvolvimento, pois favorece, relativamente mais, a produção de bens menos refinados.

Fonte: PROCHNIK, Vitor. A cadeia têxtil/confecções perante os desafios da Alca e do acordo comercial com a União Européia. Rio de Janeiro, 2002. Disponível em: <www.ie.ufrj.br/cadeiasprodutivas/pdfs/a_cadeia_textil_confeccoes_frente_aos_desafios_ da_alca.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2007. 27

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Praticamente em todos os países desenvolvidos a Cadeia Têxtil e de Confecção (CTC) contam com maior proteção tarifária do que o conjunto da indústria.27


Tabela 7 – Tarifas médias de países selecionados, ponderadas pelas importações PAÍS

Manufaturas

Têxteis

Vestuário

PAÍSES DESENVOLVIDOS

3.1

8.1

12.2

Canadá

3.2

10.0

18.3

União Européia

3.5

8.2

11.7

EUA

3.0

8.1

12.0

AMÉRICA LATINA

14.1

19.0

28.3

Argentina

15.3

20.1

22.8

Brasil

15.9

18.9

22.4

Chile

9.0

9.0

9.0

Colombia

10.5

17.1

19.5

Costa Rica

3.9

7.6

13.9

Republica Dominicana

17.8

21.1

27.1

México

14.8

20.3

34.7

Fonte: Reproduzido de PROCHNIK, Vitor. A cadeia têxtil/confecções perante os desafios da Alca e do acordo comercial com a União Européia. Rio de Janeiro, 2002.

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

30

Nota-se, principalmente nos EUA e Canadá, a existência de picos tarifários, que prejudicam, sensivelmente, as exportações dos produtos mais intensivos em valor. De fato, nos EUA, 13% das tarifas para têxteis e vestuário estão acima do nível de 15% que as categoriza como altos picos tarifários. Entre os países e acordos regionais aos quais os EUA concedem preferência tarifária, no comércio da CTC, destacam-se seguintes: •

Países da Área de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), Canadá e México;

Israel (acordo de livre comércio) e Jordânia (lado oeste do Rio Jordão);

Países africanos indicados pela AGOA (Lei de Crescimento e Oportunidades para a África);

Países andinos da Lei de Preferência Comercial para a Região Andina (ATPA);28

Países indicados na Lei de Recuperação Econômica da Bacia do Caribe (CBERA); 29

4.2.

Principais Aspectos do Mercado Interno (Setor de Tecnologia

28 Para maiores informações sobre NAFTA, AGOA, ATPA e demais acordos comerciais dos EUA, acesse o site do Departamento de Estado dos Estados Unidos – Programas Internacionais de Informação: <http://livrecomercio.embaixadaamericana.org.br>. 29 Para maiores informações sobre CBERA, consultar: <www.brasilemb.org/trade_investment/

Barreiras_2005.pdf>


Têxtil)30 No que se refere ao setor têxtil no Brasil, atualmente é formado por mais de 30 mil empresas em toda a cadeia produtiva (tecelagens, malharias, estamparias, tinturarias e confecções), que geram 1,6 milhões de empregos formais e informais. Em termos de faturamento, em 2006, resultou no total de US$ 33 bilhões, sendo que as exportações do setor foram de 2, 08 bilhões e as importações de US$ 2,14 bilhões. O Brasil é o sexto maior produtor têxtil mundial, ocupando o segundo lugar na produção de denim. O setor têxtil de confecções é um dos que mais emprega no País, sendo o segundo maior empregador da indústria de transformação da qual representa 18,6% do produto interno bruto. O parque têxtil nacional consome, anualmente, mais de 1.400.000 t de diversas matériasprimas, dentre elas: pluma de algodão, lã, fio de seda, juta, poliéster, sisal e outras, sendo liderado pela fibra de algodão, cujo consumo na safra 2005/2006 foi de 890.000 t.

A partir do ano 2000, o País, voltou a ser auto-suficiente em algodão, abastecendo a indústria têxtil interna e exportando o excedente; por exemplo, na safra 2006/2007 foram exportadas 437.000 t de pluma de excelente qualidade. O Estado de Mato Grosso lidera a produção nacional de algodão, tendo produzido 1,5 milhões de toneladas de algodão em caroço no ano agrícola 2005/2006, com produtividade de 3.660 kg/ha, considerada a maior produtividade do planeta em condições de chuvas naturais.

31

É importante frisar que o Brasil foi, por muito tempo, um tradicional produtor de algodão, produzindo o que necessitava e exportando o excedente. Na década de noventa, com a queda acentuada da área cultivada e da produção, passou à condição de segundo maior importador de algodão do mundo, chegando a importar cerca de 400.000 t/ano de pluma, além de outros subprodutos do algodão, ao custo de US$ 1.2 bilhões.

O segmento para o lar, um dos muitos que compõem o setor nacional de confecções têxteis, também é representado por vestuário, artigos de decoração e artigos não-tecidos, entre outros. Contudo, os produtos mais comumente classificados dentro da linha lar são os artigos têxteis para cama, mesa, banho e decoração. Cada empresa procura criar uma marca própria para seus produtos, para com isso obter maior participação no mercado. Em geral, as empresas atuam sob um regime de concorrência em que a principal característica é a criação de produtos diferenciados, com desenhos e padrões sempre renovados, acompanhando ou ditando a moda. Dessa forma, por meio da diferenciação de produtos, procuram conquistar uma vantagem competitiva que lhes permita manter a participação de mercado e a rentabilidade das vendas.

30 Fontes: ABIT (Associação da Indústria Têxtil e de Confecção). São Paulo, 2007; CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), 2006; EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), 2000.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

4.2.1. Cama, Mesa e Banho


O Brasil é reconhecido internacionalmente pela qualidade de suas confecções – e o setor de cama, mesa e banho, nos últimos anos, tem ganhado merecido destaque (por conta, principalmente, dos investimentos feitos em sofisticação – como será visto posteriormente). Para se ter uma idéia da representatividade expressiva desse segmento no setor de confecções, os artigos de cama, mesa e banho encerraram o ano de 2006 com cerca de US$ 4,54 bilhões em faturamento – o que representa um crescimento de 10% nos negócios em relação a 2004 e algo em torno de 8,5% do total previsto como receita da indústria têxtil para 2005.31 Historicamente, os produtos para banho têm tido a maior participação de mercado dentro da linha lar no Brasil. No entanto, de acordo com o IEMI (Instituto de Estudos e Marketing Industrial), no período compreendido entre 1990 e 2004, observou-se um aumento significativo na participação de produtos têxteis para decoração, que apresentaram uma variação de cerca de 136% no volume em peças e 112% no valor em dólares. Por outro lado, existe a expectativa de que os artigos de cama venham a ter maior perspectiva de crescimento, já que além desse segmento ser visto como potencialmente superior, apresenta melhor rentabilidade em razão da facilidade para a criação de produtos mais sofisticados e de preços mais altos e também por não enfrentar tão fortemente a concorrência, como nos demais segmentos. O segmento de produtos de banho, que tradicionalmente tem sido o mais importante dentro da linha lar, tem sofrido grande pressão no mercado interno nos últimos anos, por conta da importação de produtos asiáticos já prontos.

32

4.2.2. Setor de Tecnologia Têxtil32 Com base em estudos realizados pelo IEMI, foi possível identificar as principais mudanças ocorridas ao longo dos anos no setor têxtil brasileiro. A partir das estatísticas, análises e comentários, foram destacados alguns resultados relevantes ilustrar essa evolução.

Tabela 8 – Unidades fabris

Segmento

1995

2005

2006

Evolução % 1990/2006

Fiação

661

370

383

-42,1%

Tecelagem

984

493

593

-39,7%

Malharia

3.019

2.582

2.421

-19,8%

Confecção

17.066

20.853

21.808

-28,3%

Fonte: IEMI. Brasil Têxtil 2007: relatório setorial da indústria têxtil brasileira.

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

Unidades Fabris

Fontes: IEMI (Instituto de Estudos e Marketing Industrial). Brasil Têxtil 2007: relatório setorial da indústria têxtil brasileira. 32 Fonte: IEMI, Brasil Têxtil 2007, op. cit. 31


“Comentários: na produção de fios e tecidos o setor registrou uma grande redução no número de unidades fabris, entre 1995 e 2006, resultado de fusões e aquisições, especialização (menos verticalização) e ganhos de escala, combinado com o fechamento de unidades pouco eficientes. Na produção de confeccionados, a terceirização de partes do processo produtivo, criou espaço para entrada de um grande número de novos pequenos produtores.”

Empregos Diretos na Indústria

Tabela 9 – Empregos diretos gerados pela indústria

Segmento

1995

2005

2006

Evolução % 1990/2005

Fiação

132.497

80.132

79.422

-40,1%

Tecelagem

162.269

100.507

102.216

-37,0%

Malharia

114.973

116.349

118.292

+2,9%

Confecção

1.468.127

1.196.311

1.193.918

-18,7%

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.

“Comentários: a modernização dos processos de produção e do parque de máquinas, e a busca incessante por ganhos de eficiência e competitividade, tiveram efeitos significativos na redução dos empregos gerados pelo segmento na década de 90.”

Produção (em toneladas)

Segmento

1995

2005

2006

Evolução % 1990/2005

Fiação

1.066.914

1.294.159

1.345.408

+26,1%

Tecelagem

875.153

1.314.312

1.369.382

+56,5%

Malharia

350.760

554.229

609.485

+73,8%

Confecção

1.325.738

1.662.029

1.732.451

+30,7%

1.325.738

1.662.029

1.732.451

+30,7%

Geral

(1)

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit. Nota: (1) produção de fios + filamentos.

“Comentários: o traumático processo de modernização do setor, ao contrário do que se imagina, não resultou em perda de produção, que ao todo cresceu 30,7%, com destaque para os produtos mais elaborados, como os tecidos e os confeccionados.”

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

33

Tabela 10 – Produção por segmento (em toneladas)


Produtividade

Tabela 11 – Produtividade do setor Ano

Prod./funcionário/ano

1995

691,4 kg

2005

1.091,3 Kg

2006

1.136,8Kg

Crescimento 1995/2006

+64,4%

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.

“Comentários: a utilização de tecnologia mais moderna, pode ser medido pelo crescimento da produtividade média do segmento, que aumentou 64,4% no período.”

Produção e Consumo per capita

Tabela 12 – Produção e consumo per capita Ano

Prod./habitante/ano

Consumo/habitante/ano

1995

8,3 kg

8,7 kg

2005

9,2 kg

9,8 Kg

2006

9,3 Kg

10,7 kg

Crescimento 1990/2005

+12,0%

+23,0%

“Comentários: os esforços consumidos na modernização do parque fabril, nos ganhos de escala e nos movimentos de fusão e aquisição de empresas, não permitiram que o crescimento dos volumes de produção, acompanhassem o crescimento do mercado, que ampliou em 28 milhões o número de pessoas residentes. Parte desta demanda, então, foi suprida pelas importações.”

Investimentos em Máquinas

Tabela 13 – Investimentos em máquinas (em US$ milhões) Ano

Nacionais

Importadas

Total

316

737

1.053

1995

185

453

638

2003

208

211

419

2004

266

293

559

ESTUDOS

M ERC ADO

1990

D E

SEB RAE/ ESPM

34

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.

2001

200

410

610

2002

214

297

511

2005

230

320

550

2006

202

461

663

Total 1990 a 2006

4.050

7.020

11.070

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.


‘Comentários: De 1990 a 2006 a cadeia têxtil investiu mais de 10 bilhões de dólares na modernização do seu parque de máquinas. As máquinas nacionais representaram 37% desse montante, ficando as estrangeiras com 63%.”

Importância na Economia Nacional

Tabela 14 – Importância econômica do setor têxtil Receita Bruta 2006 (US$ bi)

Pessoal Ocupado 2006 (mi func.)

Têxteis básicos

21,8

Têxteis básicos

330,0

Confeccionados

30,2

Confeccionados

1.193,0

Total da cadeia

33,0

Total da cadeia

1.523,9

PIB Ind. Transformação (2)

196,3

Emprego Ind. Transformação (2)

8.833,4

Participação %

16,8

Participação %

17,3

PIB Geral

1.066,9

População Econ. Ativa

93.831,3

Participação %

3,1

Participação %

1,6

(1)

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit. Nota: (1) Valor consolidado da produção nacional; (2) Não inclui indústria extrativa mineral e construção civil.

“Comentários: Participando com 3,1% do PIB total brasileiro e 16,8% no PIB da Indústria de Transformação, bem como empregando 1,6% da PEA – População Economicamente Ativa, ou 17,3% dos empregos ofertados pela Indústria de Transformação, este é um setor de grande importância econômica e forte impacto social.”

35

Comércio Exterior

Ano

Exportações

Importações

Saldos

1995

1.441.490

2.291.857

-850.367

2000

1.222.071

1.606.081

-384.010

2005

2.201.854

1.517.966

683.888

2006

2.081.846

2.142.059

-60.213

Crescimento 1995/2006

+44,4%

-6,5%

-

Importações

Saldos

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.

Tabela 16 – Balança comercial (em toneladas) Ano

Exportações

1995

364.172

661.042

-296.870

2000

338.758

739.902

-401.144

2005

832.032

560.592

271.440

2006

735.732

748.578

-12.846

Crescimento 1995/2006

+102,0%

+13,2%

-

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Tabela 15 – Balança comercial (em US$/milhões)


“Comentários: as exportações que haviam sofrido um duro golpe com o Plano Real (e o fortalecimento exagerado da moeda brasileira), voltaram a se recuperar no final da década, atingindo o seu recorde histórico em 2005, mas voltaram a cair em 2006. As importações, embora estejam crescendo, ainda não atingiram os valores de 1995.”

5. Mercado de Bordados e Rendas para Cama,

Mesa, Banho e Casa

5.1.

Origem da Produção

O bordado é a atividade artesanal mais presente nos municípios brasileiros (75,4% deles), seguida pelas atividades com madeira (39,7%), artesanato com barro (21,5%) e artesanato com material reciclável (19,5%). O artesanato de material reciclável teve o maior crescimento entre os dois anos (17,0%), seguido pelo artesanato com fibras vegetais (13,0%), enquanto o bordado manteve estabilidade no período. A maioria das atividades sofreu decréscimo entre 2005 e 2006; as principais quedas ocorreram no artesanato de renda (-29%), metal (-16,4%), pedras preciosas (-14,9%), tapeçaria (-14,5%) e pedras (-13,7%). Em relação aos bordados detectou-se que, dos 4.198 municípios que indicaram atividades em bordado, 32% são do NE, 31,7% do SE e 22,2% da região Sul. No que se refere às UF, 709 municípios de MG realizam essa atividade, seguido por SP (493), RS (373), PR (311) e BA (305).

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

36

Com o objetivo de suprir informações que apresentem o volume de produção nacional e regional de bordados e rendas para cama, mesa e banho, serão utilizados dados de uma pesquisa do IBGE33 que levantou ações, projetos e atividades que ocorrem nos municípios brasileiros, dentre elas, as que contaram com manutenção, patrocínio ou financiamento do poder público local.

33 Fonte: IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Suplemento de cultura da pesquisa de informações básicas municipais – Munic 2006. Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: <http:// www.cultura.gov.br/site/?p=7111>; e também em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/ perfilmunic/cultura2006/default.shtm>. Acesso em: 20 jun. 2007.


Tabela 17 – Municípios, total, por tipo e número de meios de comunicação existentes, segundo Grandes Regiões e classes de tamanho da população dos municípios – 2006 Municípios Com atividades artesanais desenvolvidas no próprio município, por tipo de atividade Barro

Couro

Fios e Fibras

Fibras vegetais

Frutas e Madeira sementes

Material reciclável

Brasil

5.564

4.198

1.195

523

800

918

545

2208

1087

Norte

449

239

104

28

64

125

165

239

85

52

40

8

-

1

8

26

33

10

Rondônia Acre

22

8

1

1

3

8

14

11

4

Amazonas

62

21

8

1

6

17

28

40

17

Roraima

15

4

5

1

4

6

5

8

4

143

62

56

14

20

31

46

95

27

Amapá

16

6

3

1

4

6

7

12

3

Tocantins

139

98

23

10

28

48

39

40

20

Nordeste

1739

1345

611

248

210

368

105

547

245

Maranhão

217

153

59

28

18

49

19

56

24

Píaui

223

193

81

49

18

50

9

33

13

Ceará

184

152

63

40

27

35

9

57

15

Rio Grande do Norte

167

111

56

7

35

48

13

41

33

Paraíba

223

158

78

27

52

38

16

53

36

Pernambuco

185

125

58

28

13

31

7

83

36

Alagoas

102

78

41

9

9

24

3

30

21

Sergipe

75

70

15

10

2

4

5

18

9

Bahia

417

305

160

50

38

89

24

178

58

Sudeste

1668

1330

294

138

225

247

135

721

318

Minas Gerais

853

709

165

80

127

131

61

358

130

Espírito Santo

78

59

15

7

5

17

8

39

13

Pará

Rio de Janeiro

92

69

21

6

9

29

6

45

30

São Paulo

645

493

93

45

84

70

60

279

145

Sul

1188

931

68

77

260

130

54

495

368

Paraná

399

311

28

18

62

45

23

155

127

Santa Catarina

293

247

20

17

76

43

13

140

74

Rio Grande do Sul

498

373

20

42

122

42

18

200

167

Centro - Oeste

466

353

118

32

41

48

86

206

71

78

52

32

15

9

12

8

30

18

Mato Grosso do Sul Mato Grosso

141

112

29

5

19

14

57

90

29

Goiás

246

183

57

12

13

21

20

86

28

1

-

-

-

-

1

1

-

-

Distrito Federal

Fonte: Reproduzido de IBGE. Suplemento de cultura da pesquisa de informações básicas municipais – Munic 2006. Rio de Janeiro, 2006.

37

Bordado

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Grandes Regiões e Unidades Total Federação


Quanto às rendas, apenas 7,5% dos municípios apontaram realização de atividades artesanais ligadas a esse produto; destes, 53,7% encontram-se na região NE, seguida pela SE (21,9%) e S (16,6%). Já a maior concentração de municípios ligados à atividade foi MG (46), seguida por SP (37), CE (35) e PI (33).

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

38

Vale destacar que, apesar da referência em termos de indicação da origem da produção, esses dados não necessariamente refletem a participação de mercado em termos de produção e/ou vendas. Além disso, nem a pesquisa nem as demais fontes de dados secundários identificadas (metodologia de levantamento de informações escolhida para este relatório) contemplavam a divisão dos produtos quanto à sua utilização final (cama, mesa, banho e lar).


Tabela 18 – Municípios, total, por tipo e número de meios de comunicação existentes, segundo Grandes Regiões e classes de tamanho da população dos municípios - 2006 Municípios Com atividades artesanais desenvolvidas no próprio município, por tipo de atividade Vidro Conchas

Culinária Outros típica

Pedras

Brasil

93

221

71

527

704

415

66

100

1005

425

Norte

2

16

4

33

57

12

3

5

67

23

Rondônia

-

-

1

1

5

2

-

-

3

4

Acre

-

1

-

3

1

-

-

-

7

-

Amazonas

-

1

-

11

1

1

-

-

16

5

Roraima

1

2

1

-

2

-

-

-

1

1

Pará

1

6

1

7

11

3

-

5

9

4

Amapá

-

-

-

-

-

-

-

-

2

4

Tocantis

-

6

1

11

37

6

3

-

29

5

Nodeste

26

86

22

122

165

223

14

49

337

160

Maranhão

3

3

1

17

32

22

2

7

36

23

Piauí

1

4

2

16

22

33

1

1

36

23

Ceará

5

9

3

17

9

35

2

4

34

17

Rio Grande do Norte

2

17

3

12

24

18

2

10

29

11

Paraíba

2

11

4

17

28

26

3

2

33

25

Pernambuco

6

10

-

13

20

25

2

4

40

16

Alagoas

1

3

-

3

3

21

1

6

15

10

Sergipe

-

2

1

5

4

15

-

1

27

11

Bahia

6

27

8

22

23

28

1

14

87

30

Sudeste

38

77

18

174

235

91

15

16

324

98

Minas Gerais

14

50

12

120

134

46

6

1

188

24

Espírito Santo

1

4

1

4

8

7

2

5

28

3

Rio de Janeiro

6

3

3

9

10

1

-

7

12

5

São Paulo

17

20

2

41

83

37

7

3

96

66

Sul

20

28

18

135

156

69

27

29

219

120

Paraná

9

11

-

51

52

17

6

4

35

37

Santa Catarina

2

3

-

51

52

17

6

4

35

37

Rio Grande do Sul

9

14

9

63

91

20

7

1

58

24

Centro-Oeste

7

14

9

63

91

20

7

1

58

24

Mato Grosso do Sul

1

-

1

5

6

1

2

-

7

5

Mato Grosso

1

2

2

9

13

2

1

-

22

2

Goiás

5

12

5

49

72

17

3

1

29

17

Distrito Federal

-

-

1

-

-

-

-

-

-

-

Fonte: Reproduzido de IBGE. Munic 2006, op. cit.

39

Pedras Tecelagem Tapeçaria Renda Preciosas

Metal

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Grandes Regiões e Unidades Federação


5.2.

Volume de Produção

Não foram encontrados, em fontes secundárias, dados específicos sobre a produção de artefatos artesanais de bordados e rendas para Cama, Mesa e Banho. Dessa forma, para que se possa construir um raciocínio sobre materiais inerentes à atividade e ao setor, serão apresentados outros dados relevantes sobre produção de algodão, do setor têxtil e de confecções no Brasil.

Algodão

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

40

Conforme dados identificados sobre o desempenho entre 2001 e 2007, o algodão, uma das mais importantes matérias-primas utilizadas na produção de tecidos e linhas para Cama, Mesa e Banho, apresentou maior representatividade no Centro Oeste brasileiro.34

34 Fonte: ALGODÃO BRASILEIRO. Site Institucional, 2007. Disponível em: <http://www.algodao. agr.br>. Acesso em: dez. 2007.


Tabela 19 – Produção de Algodão em Pluma no Brasil x região e estado: 2001 a 2008 (em 1.000 toneladas)

2003/04

0,3

2,0

4,4

1,8

-

1,0

-

RR

-

-

-

-

-

-

-

RO

-

-

-

-

-

-

-

AC

-

-

-

-

-

-

-

AM

-

-

-

-

-

-

-

AP

-

-

-

-

-

-

-

PA

-

-

-

-

-

-

-

TO

0,3

2,0

4,4

1,8

-

1,0

-

NORDESTE

88,8

135,2

295,0

340,8

335,0

478,6

MA

3,1

4,3

8,3

8,1

7,8

10,5

528,8 17,7

PI

1,0

1,5

3,2

3,3

14,0

9,0

22,1

CE

5,4

4,0

4,4

2,1

2,8

1,3

1,8

RN

3,9

4,0

4,3

3,4

3,4

3,0

2,3

PB

2,9

4,1

7,3

5,1

2,4

0,7

1,1

PE

1,4

1,0

0,8

0,6

0,7

0,5

0,6

AL

3,0

2,4

1,3

1,0

1,4

1,5

1,4

SE

-

-

BA

68,1

113,9

265,4

-

-

CENTRO-OESTE

557,3

592,2

860,2

816,3

620,4

960,2

974,6

MT

391,3

412,6

613,3

582,3

503,3

783,2

799,5

317,1

302,5

452,1

482,0

MS

62,4

62,4

74,0

68,8

41,0

69,0

71,2

GO

101,4

114,2

169,2

159,7

72,7

105,9

103,9

2,2

3,0

3,7

5,5

3,3

2,1

-

SUDESTE

DF

88,8

93,6

117,3

112,1

71,9

73,9

48,6

MG

30,7

32,1

47,8

53,0

32,5

37,8

28,1

ES

-

-

-

-

-

-

-

RJ

-

-

-

-

-

-

-

SP

58,1

61,5

69,5

59,1

39,4

36,1

20,5

SUL

31,0

24,5

32,5

27,7

10,6

10,3

6,3

PR

31,0

24,5

32,5

27,7

10,6

10,3

6,3

SC

-

-

-

-

-

-

-

RS

-

-

-

-

-

-

89,1

137,2

342,5

335,0

479,6

NORTE/NORDESTE CENTRO-SUL

BRASIL

677,1

766,2

710,3

847,5

299,4 1.010,0

1.309,4

956,1

1.298,7

702,8

1.037,9

1.044,4

1.524,0

528,8 1.029,5

1.558,3

Fonte: ALGODÃO BRASILEIRO. Estatísticas: tabela 7. Site Institucional, 2007. 35 Nota: (1) Dados preliminares: sujeitos a mudanças; (2) Dados estimados: referentes à média dos limites inferior e superior; sujeitos a mudanças

O Mato Grosso, que sustenta a posição de maior produtor nacional de algodão desde a década passada, tem produção esperada para a safra 2006/07 de 1,9 milhões de toneladas de algodão em caroço, o que significa um aumento de 31,3% em relação à safra anterior. A área plantada e a produtividade tiveram um incremento de 28,9% e 1,8%, respectivamente. 35 Fonte: ALGODÃO BRASILEIRO. Estatísticas: tabela 7. Site Institucional, 2007. Disponível em: <http://www.algodao.agr.br/zip/estatisticas/tabela07n.htm>. Acesso em: dez. 2007

41

2005/06

2007/08 (2) Previsão

2002/03

NORTE

2004/05

2006/07 (1) Previsão

2001/02

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

REGIÃO/UF


Em pluma, o volume esperado é de 810 mil toneladas. A Bahia, atualmente o segundo maior produtor, prevê uma produção de 939,1 mil toneladas de algodão em caroço na safra atual, 20,1% superior à safra 2005/06, que totalizou uma produção de 781,7 mil toneladas (em plumas, o volume é de 511 mil toneladas).36

Produção de Têxteis Quando avaliada a produção regional de têxteis por tipo de produto (fios, tecidos, malhas e confecções), identificou-se que, em 2006, o setor de fiação nacional produziu mais de 1,3 milhões de toneladas, obtendo faturamento de US$ 5,5 bilhões. As tecelagens contribuíram com quase 1,4 milhões de toneladas, e faturaram US$ 10,8 bilhões. As malharias produziram pouco mais de 609 mil toneladas, com retorno de US$ 5,5 bilhões. Já as confecções atingiram mais de 8,7 bilhões de peças, com um faturamento de US$ 30 bilhões.37

Tabela 20 – Evolução da participação das regiões na produção de têxteis em % (1995/2006)

Setores/elos da cadeia produtiva Fios

Região Norte

Região Nordeste

Região Sudeste

Região Sul

Região Centro Oeste

Total

1995

2006

1995

2006

1995

2006

1995

2006

1995

2006

1,5

1,2

30.4

33,4

48,7

38,6

19,2

26,1

0,2

0,7

100,0

Tecidos

3,7

2,2

16,8

18,1

67,6

63,6

11,3

15,2

0,6

0,9

100,0

Malhas

0,2

0,2

4,7

7,3

38,1

34,9

55,9

56,4

1,1

1,2

100,0

Confecções

5,8

2,4

8,2

18,2

65,1

45,1

18,5

30,1

2,4

4,2

100,0

Média

2,8

1,5

15,0

19,3

54,9

45,5

26,2

32,0

1,1

1,7

100,0

42

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.

Produtividade do Setor Têxtil

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

Em relação à produtividade, em 2007 o setor têxtil, embora em recuperação, ainda mostrava índices muito inferiores aos setores de transformação e vestuário, sendo que, em 2004, apresentava o maior índice entre os três setores.38

Tabela 21 – Variação da produtividade – setores selecionados (2004 a 2007) PRODUTIVIDADE (Var % da Produção Física - Var % Horas Pagas por Trabalhador) Divisões

2004

2005

2006

Ind. Transformação

8,27

2,94

2,19

2007* 6,23

Ind. Têxtil

10,84

-2,48

1,8

3,43

Ind. Vestuário

2,02

-5,55

-4,65

5,79

Fonte: Reproduzido de ABIT. Boletim ABIT, São Paulo, a.II, n.7, dez. 2007. 39

36 Fonte: ALGODÃO BRASILEIRO. Estatísticas: tabela 6. Site Institucional, 2007. Disponível em: <http://www.algodao.agr.br/zip/estatisticas/tabela06n.htm>. Acesso em: 10 dez. 2007. 37 Fonte: IEMI, 2007, op. cit. 38 Fonte: ABIT. Boletim ABIT, São Paulo, a.II, n.7, dez. 2007. Disponível em: <http://

www.abit.org.br/site/navegacao.asp?id_menu=19&IDIOMA=PT>. Acesso em: 12 dez. 2007.

39

Fonte: ABIT, 2007, op. cit.


Nota: (*) acumulado até out. 2007

Unidades Fabris

2005

2006

376

383

Empregos

80.132

79.422

Produção

1.294.159 toneladas

1.345.408 toneladas

US$ 4,6 bi

US$ 5,55 bi

Tecelagem

2005

2006

Unidades Fabris

493

593

Empregos

100.507

102.216

Produção

1.314.312 toneladas

1.369.382 toneladas

Faturamento

Faturamento

US$ 9,7 bi

US$ 10,8 bi

Malharias

2005

2006

Unidades Fabris

2.582

2421

Empregos

116.349

118.292

Produção

554229

609485

US$ 4,6 bi

US$ 5,5 bi

Faturamento Confecções

2005

2006

Unidades Fabris

20853

21898

Empregos

1.196.311

1.193.918

Produção

8.612.63.3 mil peças

8.761.780 mil peças

US$ 25 bi

US$ 30 bi

Faturamento Produção Vestuário (em mil peças

2005

2006

Roupas de tecidos de malhas

2960208

3042841

Roupa de tecidos planos

1.530.549

1.513.731

Roupa de outras matérias

62319

60676

183797

188943

Roupa profissional Roupa de Segurança Total

Meias e acessórios Linha Lar

232.477

244.439

4.969.350

5.050.630

629.478

643.327

973.732

1.017.550

Artigos Técnicos

2.040.073

2.050.273

Total

8.612.633

8.761.780

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.

Gráfico 2 – Participação dos produtos por segmento – 2004 (em mil peças)

16% 5%

27%

Cama Mesa Banho

34%

18%

Cozinha Decoração

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Fiação

43

Tabela 22 – Indicadores quantitativos da cadeia produtiva têxtil brasileira – 2005/2006


Fonte: Reproduzido de ROSA, COSENZA, 2006.

Gráfico 3 – Participação dos artigos por segmento – 2004 (em US$ mil)

Cama

26%

Mesa

43%

Banho Cozinha

12% 1%

Decoração

18%

Fonte: Reproduzido de ROSA, COSENZA, 2006.

5.3.

Balança Comercial

Após um período de crescimento entre 1995 e 2005, o saldo da balança comercial do setor têxtil como um todo voltou a apresentar resultados negativos em 2006. O fato marcante é que, independentemente desse saldo, a rentabilidade das exportações tem sido reduzida, por um lado, pela política cambial, com a tendência decrescente da moeda norte-americana e, por outro, pelo aumento das matérias-primas básicas e insumos em geral - como energia elétrica e combustíveis. Estes e outros custos estão sendo, em sua maior parte, absorvidos pelas próprias empresas, devido à impossibilidade de repassá-los aos preços finais, sob pena de perda de competitividade e, conseqüentemente, de acesso ao mercado externo.

44

Tabela 23 – Importação, exportação e saldo da balança comercial do setor têxtil brasileiro – 1995/2006 (em mil toneladas e milhões US$) 1995

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

Setor Têxtil

Mil Ton.

2000

2004

2005

2006

Milhões Milhões Milhões Milhões Milhões Mil Ton. Mil Ton. Mil Ton. Mil Ton. US$ US$ US$ US$ US$

Total exportação

364,1

1.441,5

338,8

1.222,1

786,7

2.079,4

832,0

2.201,9

735,7

2.081,8

Total importação

661,0

2.291,9

739,9

1.606,1

641,9

1.422,2

560,6

1.518,0

748,6

2.142,0

(296,9)

(850,4)

(401,1)

(384,0)

144,8

657,2

271,4

683,9

(12,0)

(60,2)

Saldo da Balança Comercial

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.

5.3.1. Exportações do Setor Têxtil e Confecções As empresas da linha lar vêm seguindo, como estratégia, o estímulo às vendas para o mercado externo. Portanto, têm sofrido a mesma perda de rentabilidade apontada acima para o setor têxtil como um todo. A evolução dos preços médios reflete essa realidade: entre 1995 e 2006 houve uma queda de 33%, acima da queda média de 28,5% do setor como um todo. Contudo, uma análise dos últimos três anos disponíveis (2004 a 2006) mostra uma tendência de recuperação do nível de preços. O preço médio praticado nas exportações de produtos têxteis para o lar em 2006


foi de US$ 5,73 por kg, correspondendo a acréscimo de 7% em relação a 2005 e de 5% em relação a 2004. O movimento geral da balança comercial da linha lar está fortemente relacionado ao comportamento das exportações dos têxteis em geral, embora apresente resultados mais positivos. No período 2004-2006, o comércio exterior de produtos têxteis para o lar apresentou superávit acumulado de mais de US$ 985 milhões. Os últimos anos mostram um saldo da balança comercial com tendência ascendente entre 1995 e 2005, alcançando um patamar de US$ 370 milhões em 2005 (o equivalente a um crescimento 73% comparativamente ao ano de 2000); em 2006 a curva de crescimento foi interrompida, com um recuo de 22% em relação ao ano anterior. Em volume, as exportações do segmento atingiram, em 2006, um volume físico de 57,8 mil t o que corresponde à mesma redução de 22% ocorrida no faturamento; isso indica uma estabilidade nos preços praticados no período.

Tabela 24 – Importação, exportação e saldo da balança comercial da linha lar – 1995/2006 (em mil US$) 1995

2000

2004

2005

2006

Mil US$

Mil US$

Mil US$

Mil US$

Mil US$

Total exportação

227.447

247.376

348.276

395.962

331.492

Total importação

53.797

33.400

18.962

26.558

44.349

Saldo da Balança Comercial da Linha Lar

173.650

213.976

329.314

369.404

287.143

Setor Têxtil

Como exemplo, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, responderam em conjunto, em 2004, 2005 e 2006, respectivamente, por 64,7%, 72,3% e 73,3% do total de exportações brasileiras de produtos têxteis para o lar, mostrando um aumento da tendência de concentração. Historicamente, os produtos com maior participação neste saldo positivo têm sido os artigos da categoria cama e mesa. Em 2005, esses produtos apresentaram saldos de US$ 90.1 milhões e US$ 270.7 milhões. Observa-se que, no referido ano, houve um déficit comercial nos artigos de banho e decoração, que apresentaram respectivamente, saldos negativos de US$ 17.8 milhões e US$ 1.3 milhões.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Uma das características marcantes das exportações brasileiras de produtos têxteis para o lar é o alto grau de concentração em relação a países de destino, estados exportadores, número de empresas exportadoras e linhas de produtos.

45

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.


Gráfico 4 – Exportação brasileira da linha lar têxtil – 1998-2005 (US$ mil)

300.000 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000 0 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Cama

Banho

Decoração

Mesa

Fonte: Reproduzido de ROSA, COSENZA, 2006.

Tabela 25 – Principais destaques nas exportações de têxteis – segmentos com maior crescimento e maior queda (jan-set/2005 x jan-set/2006)

Segmento

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

46

TOTAL

Jan-Set / 2005

Jan-Set / 2006

Variação % 2006/2005

US$ milhões 1000 ton US$ milhões 1000 ton US$ milhões

Kgs Líq

1.539,8

514,7

1.483,6

492,6

(3,65)

(4,29)

Fibras de Algodão

223,2

191,5

194,1

176,0

(13,0)

(8,1)

Outras Fibras exceto Algodão

88,4

69,3

86,6

66,3

(2,0)

(4,3)

Fios e Filamentos

165,4

49,4

167,0

45,7

1,0

(7,5)

Tecidos Artificiais e Sintéticos

68,6

12,0

73,9

12,7

7,7

5,8

Tecidos de Algodão

210,7

48,0

219,3

46,4

4,1

(3,3)

Vestuário

258,2

13,7

206,3

9,4

(20,1)

(31,2)

Roupas de cama, mesa e banho

283,4

50,0

237,3

39,7

(16,3)

(20,7)

Pastas, feltros, falsos tecidos, etc

93,2

50,5

129,7

63,0

39,1

24,8

Tecidos especiais, rendas, bordados, fitas, etc.

23,4

3,6

40,5

7,5

72,8

107,3

Fonte: Reproduzido de ABIT. Boletim ABIT, São Paulo, a.I, n.4, 2006.

40

5.3.2. Exportações de Bordados e Rendas A representatividade da exportação de bordados e rendas manuais foi praticamente nula frente às exportações totais do país e ao potencial do mercado. Em 2005 não houve movimento de exportação registrado para “rendas de fabricação manual”; as exportações de “outros bordados de algodão, em peça, em tiras ou em motivos” foram de US$ 123 mil (FOB) e as de “bordados de outras matérias têxteis, em peça, em tiras ou em motivos”, US$ 28 mil (FOB). 40

Fonte: ABIT. Boletim ABIT, ano I, número 4, 2006.


Contudo, há indicadores que apontam o crescimento anual das exportações. Por exemplo, a Feira Nacional de Artesanato, maior evento do setor artesanal (onde se enquadram os produtos-alvo deste relatório) registrou vendas para o mercado externo no valor de US$500 mil em sua edição de 2005, US$ 800 mil em 2006 e US$ 1 milhão em 2007.41

Tabela 26 – Exportação efetiva e expectativa de exportação das edições XVI, XVII e XVIII da Feira Nacional de Artesanato

Exportação

US$ 500 mil durante a Feira. US$ 800 mil durante a Feira. US$ 1 milhão durante o Expectativa de vendas Expectativa de vendas evento e previsão de 3 futuras de US$ 1,5 milhão futuras de US$ 2,4 milhões milhões nos meses seguintes

Fonte: Reproduzido de FEIRA DO ARTESANATO. Site Institucional42.

5.3.2.1. Dimensão dos Mercados de Destino Não foi possível identificar o mercado de destino de bordados e rendas para Cama, Mesa e Banho, nem para o artesanato em geral. Dessa forma, serão utilizados dados do final da década de noventa, especificamente do mercado nordestino.

Fonte: FEIRA DO ARTESANATO. Histórico. Site Institucional. Disponível em: <http://www.feiranacionaldeartesanato.com.br/historico.aspx>. Acesso em: 20 jan. 2008

41

42 Fonte: FEIRA DO ARTESANATO. Histórico. Site Institucional. Disponível em: <http://www.feiranacionaldeartesanato.com.br/historico.aspx>. Acesso em: 20 jan. 2008

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Como as exportações de artesanato foram pouco expressivas e esporádicas, tornar-se-ia arriscado prever o destino das vendas externas, visto que a venda isolada para determinado país, sem perspectiva de continuidade, poderia distorcer completamente os resultados. Entretanto, no cômputo geral, foi possível afirmar que havia uma concentração de vendas nos países mais desenvolvidos, notadamente, Estados Unidos e países europeus, além do destaque para a Argentina, a maior parceira do Brasil no MERCOSUL.

47

Os Estados Unidos foram os principais receptores formais do artesanato nordestino com mais de 50% do valor exportado, seguido do Reino Unido, Argentina, Bélgica, França, Alemanha e outros. Para os países desenvolvidos se destinam principalmente os produtos ornamentais de cerâmica e madeira, enquanto as redes e tapetes de fibras vegetais vão para países latino-americanos.


Tabela 27 – Destino das exportações de artesanato da região Nordeste – produtos selecionados em US$ FOB

PRODUTOS

1997

1999

Valor

%

Valor

%

Valor

%

59.515

54,0

164.263

51,2

157.711

54,0

-

-

2.772

0,9

35.714

12,2

39.049

35,4

44.529

13,9

33.511

11,5

BÉLGICA

140

0,1

49.159

15,3

32.369

11,1

FRANÇA

3.243

3,0

7.673

2,4

13.412

4,6

ALEMANHA

2.038

1,8

4.864

1,5

8.266

2,8

CHILE

-

-

-

-

2.995

1,0

GUIANA FRANCESA

-

-

3.275

1,0

2.800

1,0

EQUADOR

-

-

-

-

1.997

0,7

PORTUGAL

2.906

2,6

2.308

0,7

1.704

0,6

JAPÃO

-

-

-

-

632

0,2

ESPANHA

-

-

28.445

8,9

512

0,2

ISRAEL

2.970

2,7

402

0,1

511

0,1

SUÍÇA

-

5.436

1,7

-

-

EUA REINO UNIDO ARGENTINA

48

1998

AUSTRÁLIA

440

0,4

4.000

1,2

-

-

MARTINICA

-

-

3.500

1,1

-

-

GUADALUPE

-

-

135

0,1

-

-

110.301

100,0

320.761

100,0

292.134

100,0

TOTAL

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

Os países da Comunidade Econômica Européia - CEE absorveram mais de 30% do total das exportações de artesanato da Região.

Tabela 28 – Destino das exportações de artesanato por blocos econômicos – produtos selecionados em US$ FOB – 1999 Blocos

Nordeste

%

Brasil

%

NAFTA

157.711

54,0

558.834

56,5

CEE

91.977

31,5

187.999

19,0

MERCOSUL

33.511

11,5

159.480

16,1

OUTROS

8.935

3,0

82.867

8,4

TOTAL

292.134

100

989.180

100

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.


5.3.2.2. Potencial dos Mercados de Destino para Têxteis Considerando todos os produtos da cadeia têxtil em 2004, especialmente aqueles de interesse do consumidor final, verifica-se a relação existente entre o PIB per capita e o consumo de têxteis. O consumo mostra-se mais freqüente em torno de 20 kg per capita ano. A partir de US$ 5.000 de PIB per capita/ano o consumo aproxima-se 15 kg, atinge a faixa entre 15 e 20 kg para valores entre US$ 10 mil e US$ 25 mil, mudando o patamar para faixa de 20 a 30 kg a partir de cerca de US$ 27,5 mil. Os países que apresentaram maior potencial de consumo foram EUA, seguido por Singapura, Canadá e Coréia, e por um grupo formado por Suíça, Reino Unido e Austrália. Gráfico 5 – Correlação entre PIB per capita e consumo de têxteis 35

Singapura

Canadá

Coréia

25

Austrália

Reino Unido Alemanha

França

20

Hungria Turquia

Portugual

Holanda

Rep. Tcheca

10

Suécia Bélgica Hong Kong

Eslovênia

Brasil

Japão

Finlândia

Espanha

Paquistão

15

Itália

Suíça

5

49

México Rússia China Índia Tailândia

PIB corrente em US$ per capita

Egito Bangladesh

0

5,000

10,000

15,000

20,000

25,000

30,000

35,000

40,000

45,000

Fonte: CERVONE, Rafael. A CADEIA TÊXTIL E DE CONFECÇÃO: Brasil – Índia, 2007. Disponível em: <http://www.fiesp.com.br/ derex/promocao_comercial/pdf/rafael%20cervone.pdf>.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Consumo em Kg per capita

30


Tabela 29 – Importação de mundial de têxteis por país Jan-Abr/2005

Jan-Abr/2006

Variação % 2006/2005

País

US$ milhões

1000 ton

US$ milhões

1000 ton

US$ milhões

Kgs Liq

Total

1.539,8

514,7

1.483,6

492,6

(3,65)

(4,29)

ARGENTINA

326,0

92,5

361,6

101,3

10,9

9,5

ESTADOS UNIDOS

381,9

90,2

330,2

87,9

(13,6)

(2,5)

UNIÃO EUROPÉIA

217,8

61,7

167,6

40,9

(23,0)

(33,8)

CHILE

55,8

14,2

55,4

13,0

27,1

(8,5)

MÉXICO

38,9

13,7

49,4

13,0

27,1

(5,06)

COLÔMBIA

40,9

8,5

47,4

10,9

15,9

28,6

VENEZUELA

32,4

7,3

44,4

10,0

37,2

35,7

CHINA

43,3

42,9

41,0

42,0

(5,2)

(2,1) (23,0)

JAPÃO

39,0

18,4

40,6

14,2

4,2

URUGUAI

35,6

8,3

37,1

9,2

4,2

10,9

PAQUISTÃO

45,0

39,2

36,3

32,9

(19,3)

(16,0)

Fonte: Reproduzido de ABIT. Boletim ABIT, a.I, n.4, 2006.

5.4.

Importações

A análise das importações brasileiras de produtos têxteis para o lar mostra quedas sucessivas e expressivas desde 1999, passando a haver uma reversão a partir de 2004. Em 2005, foram importados US$ 46,7 milhões, equivalentes a um volume de 15,5 mil t.43

A valorização do real em relação ao dólar tem contribuído para esta tendência de incremento das importações, uma vez que as empresas, além de não estarem conseguindo manter os preços praticados nas exportações, passaram a sofrer a concorrência daqueles originários da China. O ano de 2005 se encerrou com forte valorização do real em relação ao dólar e, de acordo com todos os indicadores, uma perda significativa para os exportadores e um aumento na participação dos importados. Gráfico 6 – Importação brasileira da linha têxtil (US$ mil)

40.000 30.000 20.000

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

50

De acordo com o IEMI, o preço médio das importações de produtos têxteis para o lar em 2004 foi de US$ 3.6 por kg, correspondendo a um aumento de 13,7% em relação ao ano de 2000.

10.000 0

ESTUDOS

D E

1998 1999 Cama

2000 2001 Banho

Fonte: Reproduzido de ROSA, COSENZA, 2006.

43

Fonte: Reunião APIMEC, 2005. op. cit.

2002 Mesa

2003 2004 Decoração

2005


Dados mais recentes, publicados pela ABIT, indicam que, de janeiro a agosto de 2007, o maior valor de importação foi para Vestuário, seguido por Fios Artificiais e Sintéticos e por Tecidos de Malha. O segmento de Roupas de Cama, Mesa e Banho representou pouco mais de US$ 25.7 milhões, ou quase 5 mil toneladas, apresentando crescimento acima de 127%, tanto em valor como em volume.

Tabela 30 – Principais destaques nas importações de têxteis pelo Brasil – segmentos com maior crescimento e maior queda (jan-ago/2006 x jan-ago/2007) Jan-Ago/2006

Jan-Ago/2007

%Variação 2007/2006

Segmento

US$ milhões

1000 ton

US$ milhões

1000 ton

1000 FOB

Ton

Total geral

1.381,22

507,91

1.906,41

624,99

38,02

23,05

Fibra de Viscose

11,59

6,56

23,19

11,83

99,95

80,35

Fibra de Algodão

83,65

68,45

121,52

96,66

45,27

41,15

Fios Artificiais e Sintéticos

133,13

58,07

236,91

91,29

77,95

57,21

Filamento de Poliamida

57,28

11,44

80,80

15,84

41,06

38,52

Tecido de Malha

41,58

11,49

141,65

33,77

240,66

193,88

206,31

23,63

306,94

27,68

48,77

17,12

11,29

2,17

25,74

4,95

127,86

127,51

Vestuário Roupas de cama, mesa e banho

O segmento de Roupas de cama, mesa e banho não apareceram como destaques no período anterior (2005/2006).

51

Fonte: Reproduzido de ABIT. Boletim ABIT, a.II, n. 6, set. 2006.

A cadeia produtiva da indústria têxtil é formada pelos seguintes elos ou etapas de produção: fiação, tecelagem (plana ou de malha), acabamento e confecção. O setor correspondente ao elo de confecção, que elabora os bens de consumo final, divide-se em dois segmentos principais: o de vestuário, que compreende roupas de uso pessoal, e a chamada linha lar, que engloba os demais artigos têxteis. Os produtos que constituem a linha lar podem ser classificados, de acordo com sua utilização, como artigos de cama (lençóis, fronhas, cobertores e edredons), mesa (toalhas, guardanapos etc.), banho (toalhas de diversos tipos) e decoração (cortinas, tapetes e artigos de copa). Além das famílias de produtos referidos, devem ser mencionados os têxteis destinados a estofamentos e usos similares, que são às vezes incluídos na linha lar. Para melhor compreender a cadeia de têxtil (confecções), será apresentado a seguir o esquema proposto pelo IEMI.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

6. Cadeia Produtiva


Figura 4 – Processo produtivo na cadeia têxtil (confecções) Matéria Prima

algodão linho ramí

raiom viscose

Natural

Vegetal

raiom acetato Animal

Tosquia

Colheita

modal

seda

Artificial

Sintética

Extração

Formulação

liocel

Coleta

Extração

Química

poliester poliamida acrilico poliuretana

Dissolução Extrusão Filamento

Fio

FIAÇÃO

Cardado

Penteado Abertura Cardagem Penteagem Fiação

Extração Enrolamento

TECELAGEM

MALHARIA

Tecelagem

Malharia

Preparação à Tecelagem

Tecido Crú BENEFICIAMENTO

Preparação à Tinturaria Tituraria/Estamparia

52

Acabamento CONFECÇÃO

Recebimento de Materiais Corte Costura

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

Acabamento Roupa Pronta

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2006, op. cit.

6.1.

Cadeia Produtiva da Linha Lar

A cadeia produtiva da linha lar no Brasil é competitiva e apresenta vantagens comparativas quanto à estratégia empresarial. As matérias-primas usadas na elaboração dos produtos da linha lar são as fibras naturais e as fibras sintéticas. Geralmente, é feita uma composição de ambas na produção. O algodão tem sido a fibra natural tradicionalmente utilizada na fabricação dos produtos. Entretanto, novas fibras naturais estão sendo empregadas como substitutas parciais, como é o caso do bambu, do milho, da soja e da mamona. Essas fibras estão sendo utilizadas por técnicos das indústrias brasileiras, ainda de forma experimental, como matéria-prima complementar ao algodão. Fibras naturais desse tipo permitem um aperfeiçoamento no processo de produção com a obtenção de melhor desempenho e conformação dos produtos, como por exemplo, o aspecto da absorção da água nos felpudos. O uso da fibra de bambu, por


exemplo, representa um custo de produção por causa de sua menor resistência. Contudo, dependendo do tipo de artigo, é possível que os produtos acabados com bambu alcancem preços internacionais superiores aos dos produtos elaborados com algodão. Apesar de serem os locais de origem da matéria-prima, os países asiáticos ainda não participam plenamente do mercado. Em parte porque a incorporação da fibra de bambu resulta em custos de produção mais elevados, comparativamente ao algodão. Como a maioria dos fabricantes asiáticos produz em larga escala, competem por preço, sendo o custo um componente fundamental para o processo dessa estratégia. Nesse sentido, essa inovação (introdução de fibras naturais na composição do produto) contribui para minimizar a concorrência contra os fabricantes cuja produção está mais direcionada no algodão como matéria-prima, como é o caso do Paquistão, permitindo às empresas exportarem este tipo de fibra.

A consolidação de marcas próprias e a instalação de redes próprias de comercialização são as principais estratégias neste sentido. A valorização do algodão no mercado internacional – associada ao aumento de preços das fibras sintéticas e à elevação do custo da tarifa de energia elétrica, além dos naturais efeitos colaterais da política cambial – refletiu-se na queda da margem de lucro das indústrias deste segmento. Há uma tendência para que os custos de produção ainda permaneçam pressionados, principalmente os relativos às fibras sintéticas, que refletem o aumento dos insumos petroquímicos (alta do petróleo). Com relação ao custo do algodão, ainda que passível de suprimento pela produção brasileira, estão previstos aumentos de preço, principalmente por causa do aumento da demanda mundial, alavancada pelos países asiáticos. Uma característica marcante das indústrias de linha lar é a concentração de fornecedores nacionais de algodão e fios, o que dificulta a negociação quanto ao tipo e à qualidade do produto. No entanto, a indústria da linha lar não apresenta barreiras significativas à entrada quanto aos métodos e processos de produção, uma vez que a tecnologia empregada é de domínio universal, ainda que haja a necessidade de importação de boa parte dos equipamentos.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

A composição dos custos industriais das empresas fabricantes de produtos têxteis para o lar é dependente de uma série de variáveis, sendo as mais relevantes o grau de automação, o custo das matérias-primas e o tipo de produto a ser fabricado. De modo geral, não existem diferenciações significativas quanto aos principais produtores, a não ser no que se refere aos equipamentos utilizados. Como forma de proteger-se dos efeitos da política cambial, as empresas passaram a referenciar seus custos de produção ao dólar. Os contratos de fornecimento de insumos relativos aos custos, quando não resultantes de compras externas, são firmados em correspondência com a variação cambial. Além disso, há um movimento localizado para obter certo grau de diferenciação de produto.

53

Outra vantagem do bambu é que ele está menos sujeito às intempéries climáticas, além de não apresentar ciclicamente momentos bons e ruins, como é o caso do algodão. Atualmente, o fio de bambu é importado da Ásia, continente que tem tradição de fazer artigos de bambu em geral. Mesmo assim, esse tipo de fibra ainda apresenta preços competitivos, se comparados com os do algodão. Uma opção para não ficar refém da importação e de possíveis oscilações de câmbio seria a possibilidade de uma produção nacional de fios de bambu. No entanto, essa hipótese precisa ser amadurecida, dado que as empresas se sentem desconfortáveis para investir em um mercado ainda incipiente e que poderia apenas estar sujeito à moda.


O comércio de confeccionados têxteis tem revelado maior dinamismo internacional do que o de tecidos. Isso se deve, principalmente, ao deslocamento da produção para países nos quais o baixo custo de mão-de-obra assegura a competitividade na atividade de confecção. Dado que o setor é tecnologicamente maduro e não apresenta barreiras significativas à entrada de concorrentes, a estratégia competitiva dessas empresas, especialmente aquelas localizadas em países mais desenvolvidos, tem sido adequar sua produção para atender mercados de produtos mais sofisticados. Para o sucesso desse ajuste, nota-se uma tendência mundial de migração de indústrias tradicionais dos países desenvolvidos para a área de varejo, seja por meio da parceria entre fabricantes ou da integração vertical com o varejo. Além da modernização do processo produtivo a concorrência se dá, cada vez mais, por meio da diferenciação, para aqueles que não têm volume, e por meio de preço, para aqueles que apresentam escala industrial adequada. Com isso, adquirem importantes aspectos como conhecimento em design de produtos, capacitação nas etapas de acabamento, marketing e distribuição, além do domínio do fluxo de produção em termos de flexibilidade e produtividade. Pela baixa necessidade de importações, existe disponibilidade interna de recursos (insumos e mão-de-obra), o que confere certa vantagem comparativa à indústria nacional. Esse aspecto positivo da indústria nacional, no entanto, não se reproduz no mercado mundial, quando exposta à concorrência com outros países em busca de novos mercados. O real apreciado dificulta a manutenção de preços competitivos no setor.

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A fim de compensar a perda do mercado externo, as empresas tentam redirecionar essas vendas para o mercado brasileiro. Todavia, considerando-se que o crescimento do mercado interno é condicionado pelo baixo nível de consumo, pela instabilidade da demanda e pelas oscilações da economia nacional, o mercado nacional é relativamente pequeno para absorver a capacidade de produção total dessa indústria. Este fato está dificultando, internamente, a compensação do recuo das vendas no exterior.

6.2.

Estruturas de Apoio à Produção de Bordados e de Rendas

Serão apresentados alguns exemplos de estruturas de apoio à produção de bordados e rendas e ao próprio setor têxtil, devido ao grande número de instituições existentes em todo o Brasil. Algumas, com foco regional, permitem que a referência possa remeter à realidade de cada produtor, buscando entidades na respectiva localidade. Entre as estruturas de apoio estão: •

Instituições de pesquisa:

CTV-SENAI/Blumenau;

Instituto de Pesquisas Tecnológicas de Blumenau

Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil

ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção


SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial;

SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial;

SESI – Serviço Social da Indústria;

Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Departamento de Engenharia de Produção;

Grupo de Estudos em Economia Industrial (GEEIN) da Universidade Estadual de São Paulo;

Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro;

Associações, Confederações, Federações e Sindicatos:

ACIB – Associação Comercial e Industrial de Blumenau;

CNI – Confederação Nacional das Indústrias;

FIESC – Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina;

FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo;

SEBRAE/SC – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Santa Catarina;

• SINDITÊXTIL – Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em geral; de tinturaria, estamparia e beneficiamento; de linhas; de artigos de cama, mesa e banho; de não-tecidos e de fibras artificiais e sintéticas do estado de São Paulo. •

55

Instituições de ensino:

Entidades de Fomento ao Setor:

Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (AD-DIPER);

Banco do Nordeste;

ICCAPE;

Instituto de Desenvolvimento do Artesanato/IDAM;

Instituto Mauá (BA);

Fundação Nacional de Arte (Funarte);

Núcleo de Desenvolvimento da Produção Artesanal (CE);

SEBRAE (Nacional e Regionais);

Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE)

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa


6.3.

Projetos do Setor

O Programa do Artesanato Brasileiro,44 criado no final da década de 1960, desenvolveu ações que visavam à valorização do artesanato, do artesão brasileiro e, por conseguinte, de sua realidade cultural e a promoção do artesanato no País e no exterior. Esse Programa deu ensejo à criação do Programa Nacional de Desenvolvimento do Artesanato, instituído pelo Decreto no 80.098, de 8 de agosto de 1977. O Decreto no 83.290, de 13 de março de 1979, regulou a classificação de produtos artesanais e a identificação profissional do artesão. É importante citar que esse programa estava veiculado, desde 1995, ao então Ministério da Indústria e Comércio e do Turismo que foi sucedido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, fato que deu maior incremento à venda de artesanato, principalmente no exterior. Nesse período, estruturam-se, para o segmento artesanal, algumas políticas voltadas para a organização e o fortalecimento de núcleos de produção (associações e cooperativas de artesãos), e para a promoção e o incentivo à comercialização dos produtos artesanais. Assim, definiram-se algumas diretrizes para o aumento da produção, tais como: a) geração de emprego, ocupação e renda; b) estímulo à exportação; c) desenvolvimento e aproveitamento das vocações regionais e locais; d) fortalecimento dos arranjos produtivos locais;

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e) integração regional, nacional e internacional desses arranjos; f) implementação de diretrizes que estabeleceriam parcerias entre todos os órgãos dos governos e entidades privadas envolvidas com o artesanato.

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Com isso, alguns Estados estabeleceram seus arranjos produtivos e criaram programas de incentivo ao artesanato, abrindo espaços para produção, armazenamento e comercialização. No governo do professor Fernando Henrique Cardoso, com a criação da Comunidade Solidária, o estudo e a divulgação do artesanato tomou outra dimensão. Juntamente com outras instituições – como a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), a Fundação Nacional de Arte (Funarte), mediadas pela Coordenação de Folclore e Cultura Popular (CFCP) do Museu do Folclore Edison Carneiro e de algumas ONGs, desenvolveu-se o Projeto de Apoio às Comunidades Artesanais para Geração de Renda. Nesse projeto, a preocupação primordial foi desenvolver ações nas comunidades tradicionais que produziam e produzem artesanato em que o fazer artesanal é quotidiano, a fim de resgatar o profundo conhecimento das técnicas artesanais, recuperando as mais variadas identidades culturais e, assim, conhecer ou reconhecer as mais diferentes vertentes do patrimônio cultural brasileiro.

44 Fonte: Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior. Programa do Artesanato Brasileiro (PAB). Disponível em: < http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna. php?area=2&menu=1027>. Acesso em: nov. 2007


6.3.1. Projeto Bordados de Ibitinga-SP45 A partir de dados obtidos por diferentes artigos pesquisados, em Ibitinga, no ano de 2005, realizou-se a segunda etapa do Arranjo Produtivo Local (APL) na cidade. Ao longo da primeira fase do projeto os empresários do Arranjo obtiveram uma série de conquistas, dentre as quais, o resgate do principal produto do pólo, os Bordados de Ibitinga. Graças ao retorno à produção de bordados, com maior valor percebido pelo consumidor, houve um ganho de produtividade de 30,6%, medido em Valor Adicionado por Pessoal Ocupado. Além disso, foi a primeira vez que o setor teve contato com profissionais da área de criação de moda, inclusive participantes da SP Fashion Week, que puderam expor o processo de planejamento de coleções. Por algum tempo, a marca “Bordados de Ibitinga” deixou de representar os artigos de cama, mesa, banho e enxovais para bebês fabricados na cidade. Embora vendessem para todo o Brasil, os produtores locais não haviam registrado a marca em cartório e ela acabou sendo usada por um empresário de outra cidade, que se aproveitou da tradição em peças bordadas que aquele nome carregava para finalmente registrá-lo.

Das 586 empresas do pólo, 19 integram o APL. Como o programa tem efeito multiplicador, a idéia  é que os avanços obtidos pelas participantes sejam disseminados entre as demais indústrias do pólo. As integrantes do Arranjo receberam treinamentos e assessorias, atividades que fazem parte do plano de ação estratégico traçado. Consultores do SENAI e do SEBRAE aproveitam o bom nível educacional dos profissionais da região para melhorar a gestão da produtividade e aumentá-la em 15% nas empresas. O resultado dessas ações veio rápido e os empresários comemoraram o aumento da demanda de seus produtos. Desde que o projeto começou, eles resgataram clientes que estavam inativos, melhoraram a qualidade de suas mercadorias, conquistando, assim, um público mais exigente (das classes C, B e A) e intensificaram a participação nas feiras nacionais e internacionais do setor. 45 Fonte: FLORIAN, Fabiana. Arranjos produtivos locais: formação, desenvolvimento e vínculos nas indústrias de bordados de Ibitinga – SP. 2005. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente) – Centro Universitário de Araraquara (UNIARA). Araraquara (SP), 2005.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

A recuperação da marca era apenas um dos desafios a ser enfrentado para o desenvolvimento do Arranjo. Também era necessário aplicar ferramentas de gestão melhores e mais eficazes, direcionar para um mercado específico e definir metas de produção. Foi o que detectou um estudo de campo feito pelos técnicos da FIESP antes do lançamento oficial do programa.

57

Quando o programa de Arranjos Produtivos Locais da FIESP instalou-se no pólo, técnicos e consultores alertaram as empresas para a necessidade de agregar a seus produtos a forte marca que elas próprias construíram. Por meio da representação do Sindicato das Indústrias e Comércio do Bordado de Ibitinga, no fim de 2003 os produtores conseguiram resgatar na justiça a patente Bordados de Ibitinga.


6.3.2. Projeto voltado ao Bordado Artesanal no Paraná46 A Revista Crescer informa a existência, em Jundiaí do Sul/PR, o Projeto de Bordados - iniciativa do Fórum de Desenvolvimento, cujas atividades tiveram início em 2000, com apoio do SEBRAE-PR. A partir da parceria entre o Fórum de Desenvolvimento/SEBRAE-PR e as bordadeiras, houve a transformação do município em pólo de bordado artesanal. O SEBRAE-PR disponibilizou um consultor para dar assessoria ao grupo que logo se transformou em uma associação, junto com a Agência de Desenvolvimento passaram a elaborar um projeto, definindo metas e ações. Entre as primeiras ações do grupo estava a criação da Escola de Bordados (parceria bordadeiras/Município/APMI), criação de uma Logomarca identificando o Município como Capital do Bordado Artesanal e criação de Feira Anual de Bordados, realizada sempre nos meses de dezembro.

6.3.3. Programas e Projetos Institucionais direcionados para o Artesanato Nordestino

58

As informações a seguir foram obtidas de uma pesquisa detalhada sobre Ações para o desenvolvimento do artesanato do Nordeste, 47 que contou com o apoio do Banco do Nordeste, realizada entre os anos de 2000 e 2001. Os programas e projetos institucionais que visam fomentar o artesanato nordestino, segundo levantamento realizado entre as instituições, são levados a efeito, em sua maioria, pelo Banco do Nordeste, com projetos diversos de desenvolvimento sustentado, alguns em parceria com o SEBRAE, através do Programa SEBRAE de Artesanato, de âmbito nacional. Também vale citar o Conselho da Comunidade Solidária, com projetos de apoio ao artesanato para geração de renda, todos em nível regional.

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Destacam-se ainda pelo porte de suas ações, em nível estadual, o Instituto Mauá (BA), a Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (AD-DIPER), o Programa de Desenvolvimento do Artesanato Piauiense (Prodart) e o Núcleo de Desenvolvimento da Produção Artesanal (CE). As informações obtidas sobre projetos e programas desenvolvidos nos estados nordestinos, em linhas gerais são: •

Alagoas: a Prefeitura Municipal de Maceió promove no município, através do Projeto Cidadão para geração de emprego e renda, o Projeto Cidadão Expoart, visando promover a produção coletiva e a comercialização do artesanato local. Participam deste Projeto onze grupos do município de Maceió, envolvendo aproximadamente 150 artesãos.48

Bahia: Na Bahia, as ações de fomento do artesanato estão concentradas quase que exclusivamente no Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, autarquia vinculada à Secretaria do Trabalho e Ação Social que desenvolve a maioria dos projetos e programas para o setor no Estado. Destacam-se o Programa de Organização e Apoio a Núcleos

46 Fonte: Revista Crescer. Editora Globo. Site Institucional. Disponível em: <http://revistacrescer. globo.com>. Acesso em nov. 2007 47 Fonte: BNB, 2000, op. cit. 48 Fonte: Portal da Cidade de Maceió. Portal Institucional. Disponível em: <http://

www.maceio.al.gov.br>. Acesso em: fev. 2008.


de Produção, cujo objetivo é apoiar organizações informais de artesãos na compra de matéria-prima a baixo custo, obter assistência técnica do Instituto Mauá nas áreas de qualificação profissional e comercializar o produto artesanal; o Programa Oficina/Empresa, com objetivo de reciclar instrutores e de criar infra-estrutura para produção em larga escala; o Programa Oficinas Artesanais em Salvador; o Programa de Apoio à Comercialização e à Divulgação do Artesanato.49 Além do Instituto Mauá, a Secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia desenvolve o Programa Estadual de Desenvolvimento Local – Faz Cidadão, que atuando em diversas áreas, apóia a atividade artesanal nos municípios de Banzaê, Bom Jesus da Serra, Buritirama, Caetanos, Cordeiros, Jussiape, Lagoa Real, Lamarão, Maetinga, Matina, Marcionílio Souza, Presidente Jânio Quadros, São Félix do Coribe, São José do Jacuípe, Souto Soares, Tremendal e Umburanas.

Ceará: O principal fomentador do artesanato local é a Central do Artesanato do Ceará – CEART, que desenvolve o Programa Estadual de Artesanato do Ceará, cobrindo as 23 regiões produtoras: Sertão do Cariri, Cariri, Chapada do Araripe, Serrana de Cariaruçu, Serra do Salgado, Iguatu, Sertão dos Inhamuns, Serra do Pereiro, Médio Juguaribe, Sertões de Senador Pompeu, Baixo Jaguaribe, Sertões de Crateús, Sertões de Quixeramobim, Serra de Buturité, Sertões de Canindé, Ibiapaba Meridional, Ibiapaba, Sobral, Uruburetema, Litoral de Camocim e Acaraú, Baixo-médio Acaraú, Fortaleza e Litoral de Pacajús. O Núcleo de Desenvolvimento da Produção Artesanal desenvolve o Projeto de Capacitação do Artesão, através de cursos e consultorias para aperfeiçoamento de produtos e gerenciamento de atividades afins.50

59

O SEBRAE/BA tem um programa próprio, atuando nos municípios de Saubara, Barra do Rio Grande, Jequié, Rio de Contas, Nova Viçosa, Porto Seguro, Malhada Grande, Ipirá, Aratuípe e Juazeiro através da capacitação técnica e empresarial de artesãos, desenvolvendo a comercialização e preparando aprendizes na atividade artesanal.

A Secretaria de Cultura do Estado, através do Centro de Design do Ceará,51 implantou o Projeto Cariri, com o objetivo de melhorar e renovar os produtos artesanais, e o Programa Básico de Produção Artesanal, criando o Centro de Aperfeiçoamento para o Artesanato. O Banco do Nordeste desenvolve, no estado, o Programa de Melhoria da Qualidade do Produto Artesanal do Estado do Ceará, com objetivo de promover a competitividade do artesanato através da qualificação, organização, promoção, informação, canais de comercialização, estudos de tendências de mercado e crédito.

49 Fonte: Instituto de Artesanato Visconde de Mauá. Site Institucional. Disponível em: <http://www.maua.ba.gov.br/main/default.jsp>. Acesso em: 14 fev. 2008 50 Fonte: Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo. CEART – Central de Artesanato do Ceará. Site Institucional. Disponível em: <http://www.ceart.ce.gov.br>. Acesso em: 14 fev. 2008. 51 Fonte: Rede Design Brasil. Site Institucional. <http://www.designbrasil.org.br/portal/via/nucleos_ exibir.jhtml?id=109>. Acesso em: 14 fev. 2008.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

O SEBRAE/CE desenvolveu, em parceria com a Ceart, no período de 1998/99, o Projeto Apoio à Produtividade e Comercialização do Artesanato, com objetivo de capacitar o artesão cearense.


• Banco do Nordeste – De acordo com o Banco, a diretriz básica do Programa de Desenvolvimento do Artesanato do Nordeste - CrediArtesão é “suprir o setor artesanal do Nordeste de capacitação e recursos financeiros, através de financiamentos rápidos e de fácil acesso, com linhas de crédito compatíveis com a atividade e garantias adequadas”. São parceiros do Banco do Nordeste, os governos estaduais (região Nordeste, Norte de Minas e Norte do Espírito Santo), através de seus órgãos afins (Secretarias Estaduais), as prefeituras municipais dos pólos de produção, instituições de fomento, a exemplo do SEBRAE, Ceart (CE), Instituto Mauá (BA), Prodart (PI), Ad-Diper (PE), artesãos e suas associações. Estruturado de forma bastante simplificada, são exigidos apenas como documentação a carteira de identidade, CPF e comprovante de residência – para o setor informal - e CGC, documentos de constituição da empresa e informações de balanço para o setor formal, associações e cooperativas.52 •

Maranhão: O que se conhece sobre o número de artesãos e associações existentes, e sobre volume de produção artesanal, deve-se às pesquisas apresentadas na bibliografia secundária.

Um problema indicado pelo Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama), instituição governamental responsável pelo fomento ao artesanato local, foi a entrada, em larga escala, de produtos de outros estados, principalmente do Piauí e do Ceará, comercializados como se fossem do Maranhão, competindo com os produtos genuinamente locais.53

60

Atuando em parceria, o Governo do Estado e SEBRAE criaram o Projeto Arte nas Mãos com o objetivo de organizar o setor. O principal resultado deste projeto foi a formação do Instituto de Desenvolvimento do Artesanato/IDAM, organização não-governamental vinculada ao SEBRAE, constituída por uma sociedade de microcrédito – o Banco do Empreendedor – um centro de treinamento e capacitação gerencial, uma central de exportação e uma loja para comercialização, com central de compras de matéria-prima para o artesão.54

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Paraíba: A Secretaria da Indústria, Comércio, Turismo, Ciência e Tecnologia, através do Programa Paraibano de Tecnologias Apropriadas, realiza no Estado da Paraíba ações de desenvolvimento do artesanato local, principalmente nos municípios de Zabelê e São João do Tigre. São trabalhos de assessoria técnica para criação, legalização e acompanhamento de atividades em associações de artesãos nos município citados, bem como assessoria técnica às assembléias gerais da Federação das Associações e Cooperativas de Artesãos da Paraíba (Fasart), atualmente com 423 associados. 55

A Fundação Casa de José Américo,56 instituição de pesquisa, ensino e extensão, visando a divulgar a cultura paraibana, por sua vez, realizou o mapeamento cultural do Estado, identificando centros produtores de artesanato e as tipologias dominantes, dentre outras questões. Nota do revisor técnico: as últimas informações sobre o CrediArtesão datam de 2002, o que não desqualifica sua contribuição ao fomento do artesanato até então. 52

53 Fonte: Cidades Históricas Brasileiras. Site Institucional. Disponível em: <http://www. cidadeshistoricas.art.br/saoluis/sl_art_p.php>. Acesso em: 14 fev. 2008. 54 Fonte: Banco do Nordeste. Site Institucional. Disponível em: <www.bnb.gov.br/content/

aplicacao/cadeias_produtivas/artesanato/docs/caderno%>. Acesso: em fev. 2008 Fonte: Companhia de Processamento de Dados da Paraíba. Site Institucional. Disponível em: <http://www.codata.pb.gov.br/apps/aparaibaemsuasmaos/programa. htm>. Acesso: em fev. 2008

55

56 Fonte: Fundação Casa de José Américo. Site Institucional. Disponível em: http://www.fcja.pb.gov. br>. Acesso: em fev. 2008


Pernambuco: No Estado de Pernambuco foi observada a predominância de atuação por parte da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado de Pernambuco (Ad-DIPER) no que diz respeito ao fomento do artesanato. Outra característica interessante dos programas desenvolvidos por essa instituição está no tratamento específico que oferece a cada município, tendo como base a segmentação desses por tipologia e pólos de produção. Como exemplo dessa abordagem que faz parte da linha de atuação da AD-DIPER, tem-se: o Projeto de Desenvolvimento do Pólo de Produção de Cerâmica de Caruaru, o Projeto de Desenvolvimento do Pólo de Produção de Tapeçaria de Lagoa do Carro, o Projeto de Desenvolvimento do Pólo de Produção de Bordados de Passira, e um programa de abrangência estadual, o Programa de Valorização do Artesanato Pernambucano.57

O SEBRAE, com o Projeto Artesão e Artesanato, faz o levantamento do artesanato em 19 municípios pernambucanos. São eles: Bezerros, Cabo de Santo Agostinho, Cachoeirinha, Camaragibe, Caruaru, Goiana, Gravatá, Ibimirim, Lagoa do Carro, Orobó, Passira, Pesqueira, Petrolina, Poção, Riacho das Almas, Salgadinho, Tacaratu, Timbaúba e Tracunhaém. •

Piauí: O artesanato no Piauí é apoiado principalmente pelo Programa Estadual de Apoio aos Artesãos (Prodart), vinculado à Secretaria de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia. Da mesma forma, o SEBRAE/PI desenvolve o Programa SEBRAE de Artesanato, implantando a Central de Informações, Divulgação e Promoção Comercial, além de realizar trabalho de capacitação e aperfeiçoamento do artesão.58

Rio Grande do Norte: O Programa de Artesanato (Proart), vinculado à Secretaria de Estado do Trabalho, da Justiça e Cidadania tem como objetivos coordenar, formular e implementar a Política Estadual de Desenvolvimento do Artesanato.59

61

O SEBRAE também desenvolveu, em parceria com o Prodart, o cadastramento dos artesãos da Região Sul do Estado, englobando os municípios de Água Branca, Amarante, Bom Jesus, Canto do Buriti, Elesbão Veloso, Floriano, Ipiranga, Oeiras, Picos, São João do Piauí, São Raimundo Nonato e Simplício Mendes.

Sergipe: No Estado de Sergipe, os programas de fomento ao artesanato são desenvolvidos, em sua maioria, pela Secretaria Estadual de Ação Social e do Trabalho - SEAST. Os programas dessa instituição têm como característica tratar de subáreas específicas do mercado de artesanato no Estado, a exemplo do Projeto de Organização das Unidades Produtivas, e do Projeto de Implantação de Canais de Divulgação do artesanato, além do Programa de Artesanato para Geração de Renda. Mesmo com a iniciativa positiva dessa instituição, esses projetos e programas são do período de março a dezembro de 1999 e ainda não foram implantados no Estado.

57 Fonte: Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado de Pernambuco (ADDIPER). Site Institucional. Disponível em: <http://www.addiper.pe.gov.br/quemsomos/index.php>. Acesso: em fev.

2008

58 Fonte: Governo do Estado do Piauí. Site institucional. Disponível em: <http://www.seaab.pi.gov. br/materia.php?id=27589&pes=prodart>. Acesso em: 14 fev. 2008 59 Fonte: Assecom – Assessoria de Comunicação do Governo do Rio Grande do Norte. Site institucional. Disponível em: <http://www.assecom.rn.gov.br/pg_projetos.asp?PRJ_ID=24>. Acesso em: fev. 2008.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

O Programa SEBRAE de Artesanato atua no Rio Grande do Norte nas Regiões do Seridó, Oeste e Litoral de Touros, desenvolvendo trabalhos diversos para melhoria da qualidade dos produtos artesanais na tipologia rendas e bordados.


O Núcleo de Trabalho Comunitário de Sergipe – NUTRAC, desenvolve atualmente o Programa Pró-Sertão, de apoio às famílias de baixa renda em 17 municípios da região do semi-árido sergipano – Frei Paulo, Simão Dias, Tobias Barreto, Carira, Itabi, Aquidabã, Ribeirópolis, Nossa Senhora Aparecida, São Miguel do Aleixo, Nossa Senhora de Lourdes, Pinhão, Graccho Cardoso, Feira Nova, Cumbe, Canhoba, Poço Verde e Pedra Mole. Esses municípios, além de fornecerem matéria-prima, capacitam o artesão e comercializam o produto através de sistema de consignação.60

6.3.4. Projetos SEBRAE Os principais projetos relacionados ao tema desse estudo identificados no SEBRAE podem ser obtidos diretamente no site <http://www.sigeor.sebrae.com.br>.

6.4.

Casos de Sucesso

A seguir, reproduzem-se dois casos de sucesso de diferentes estados.

• Mãos de Minas61

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O Projeto Mãos de Minas iniciou suas atividades em 1983, no Conselho Estadual da Mulher, como um projeto do governo que visava apoiar o artesão e produtor informal mineiro em relação à comercialização e à legalização das vendas. Em 1988, por sugestão do próprio governo de Minas Gerais, transformou-se em uma associação sem fins lucrativos. A partir de então, seus associados foram assumindo gradativamente todas as responsabilidades administrativas e financeiras, transformando-a em uma entidade auto-suficiente. Para atender aos dispositivos da Lei Micro Gerais (1998), com o apoio do ICCAPE - Instituto Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor, passou a atuar também como órgão operacional de sustentação e apoio das seguintes cooperativas e associações: Centro Cape: O Instituto Centro CAPE utiliza, em todos os projetos, a metodologia CEFE – Competência Econômica baseada na Formação de Empreendedores – e tornou-se o Centro de Referência desta metodologia, no Brasil e nos países de língua portuguesa.62 OBRART: Em 2007 foi criada a OBRART - ORGANIZAÇÃO BRASILEIRA DE ARTESANATO. O objetivo da instituição é a criação de um grupo de artesãos que têm interesse em trabalhar em comum, visando o fortalecimento de todos. Criar uma instituição com força nacional num país do tamanho do Brasil é um grande desafio. As realidades são muito diferentes, assim, as expectativas seguem pelo mesmo caminho. Cada um enxerga a instituição de uma forma, com um interesse, com uma necessidade. É oportuno frisar que este conjunto dos projetos e programas minimiza as inúmeras difiFonte: RECICLOTECA (Centro de Informações Sobre Reciclagem e Meio Ambiente). Cultivando idéias: projeto tudo encaixa. Aracaju (SE), sd. Disponível em: <http://www.recicloteca.org.br/cultivando.asp>. Acesso em: 14 fev. 2008. 60

61 62

Para maiores detalhes, acessar <http://www.maosdeminas.org.br>. Para maiores detalhes, acessar <http://www.centrocape.org.br>.


culdades que fragilizam o artesanato nordestino em termos de produção, comercialização e qualificação de mão-de-obra, dentre outros. Por sua vez, uma avaliação mais apurada das propostas de projetos e programas implementados e principalmente dos resultados obtidos, mostra que o setor artesanal ainda necessita de intervenções de longo prazo em maior número, com vistas a uma profissionalização da atividade.63

• Mão Gaúcha Sua história começou em 1996, quando a COOPARIGS buscou capacitação em gestão e comercialização de produtos e estendeu-se, em 1997, com o início em todo país do Programa SEBRAE do Artesanato; nascia o Programa SEBRAE/RS do Artesanato, desenvolvendo ações nos segmentos do couro, da cerâmica, da fibra e têxtil. Em setembro de 1998, foi criada a marca Mão Gaúcha para valorizar e dar visibilidade ao artesanato rio-grandense.64

6.5.

Comparativo de Investimento Inicial e Recuperação de Capital65

A pesquisa realizada confirmou que, dos artesãos sondados, foi relevante o percentual daqueles que mencionaram o financiamento como solução para os problemas encontrados na produção, sem base em controles que referendassem tal necessidade. Apenas 19,9% já recorreram a empréstimos. A maioria dos entrevistados, 80,1%, nunca recorreu a financiamentos. O elevado número de respostas negativas quanto à busca de empréstimos e financiamentos deve-se possivelmente à falta de informação e ao aspecto de informalidade que caracteriza o artesanato em geral. A visão não-profissional da atividade influencia na sua pequena produtividade e, conseqüentemente, na possibilidade de expansão das atividades. Desta forma, percebe-se que a exigência de empréstimos é mais mera praxe do que uma necessidade planejada estrategicamente. A necessidade de recursos é sempre vista como uma alternativa para resolver problemas administrativos, produtivos e comerciais, sem, no entanto, se avaliar como tais recursos serão geridos. 63

Para maiores detalhes, acessar <http://www.obrart.org.br>.

64 65

Para maiores detalhes, acessar <http://www.maogaucha.com.br>. Fonte: BNB, 2000, op. cit.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Este quadro determina entraves no planejamento do setor nos aspectos da produção e da comercialização, visto que não são determinados parâmetros para avaliação do desempenho financeiro no período. Conseqüentemente, o planejamento estratégico de médio e longo prazo torna-se problemático e a atividade permanece incapaz de operar mudanças significativas. A falta de controles administrativos e financeiros articulados demonstra que a necessidade de financiamento para a produção e comercialização do artesanato não está atrelada a nenhum tipo de planejamento financeiro.

63

Inexiste, de modo geral, um planejamento financeiro por parte dos artesãos, principalmente quando atuam sem vínculos com associações ou cooperativas. Estas, por sua vez, realizam demonstrativos de contas, não significando, contudo, que tenha havido um planejamento financeiro ao longo do ano fiscal em questão.


A redução de custos operacionais dentro de qualquer organização está intimamente ligada ao planejamento e ao controle orçamentário. O setor artesanal exclui de sua rotina diária a elaboração e o desenvolvimento de controles orçamentários. Estratégias de ampliar o investimento de uma instituição associada, cooperativada ou societária passam pela política gerencial de reinvestimento, ou seja, pela capitalização do empreendimento com seus próprios recursos. Dessa forma, torna-se fundamental a implantação de controles que possam previamente antecipar as necessidades de recursos e os desembolsos financeiros, a curto, médio e longo prazos. Considerando a necessidade de ampliar ou mesmo implantar novos empreendimentos de produção artesanal, a partir de recursos obtidos de instituições financeiras, 75,9% dos artesãos, segundo a pesquisa direta, demonstraram interesse em obter tal recurso. Em contrapartida, 24,1% não demonstraram interesse. As linhas de crédito atendem a finalidades diversas, tais como capital de giro, máquinas/equipamentos e imóveis (investimento misto – 42,6%), somente para capital de giro (39,6%) e aquisição de máquinas e equipamentos (17,8%) As necessidades de investimentos aqui apresentadas não apontam quais são as finalidades destes recursos, se para investimento fixo, se para capital de giro ou se para investimento misto. Tais investimentos representam necessidades de organizações coletivas formais, a exemplo de associações e/ ou cooperativas, com escalas de produção que já atendem aos mercados locais e regionais.

6.6.

Produtores

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SEB RAE/ ESPM

64

De modo geral, o mercado brasileiro de produtos têxteis para o lar pode ser classificado em três tipos de estratégias competitivas dominantes. No primeiro grupo, formado pelas companhias que atuam no mercado nacional e internacional mediante a produção em larga escala, encontram-se empresas como a Coteminas e a Teka, que produzem em grandes volumes e têm um esquema de distribuição e de propaganda já consolidado. Seus produtos são voltados basicamente para o público das classes C e D, que é motivado principalmente pelo aspecto preço. Cabe salientar que a Coteminas, principal empresa da linha lar, também comercializa linha de produtos que atendem às demais camadas sociais. O segundo grupo é formado por empresas que atuam em âmbito nacional e internacional mediante a diferenciação do produto. Neste grupo encontram-se empresas como a Karsten, Buddemeyer, Buettner e Tecelagem São Carlos, que reforçam o processo de diferenciação para tentar alcançar margens melhores. O público-alvo dos produtos destas companhias são as classes A e B, motivadas principalmente pelo aspecto da inovação, da fixação da marca e da agregação de valor ao produto. Por último, tem-se o grupo de empresas com atuação concentrada no mercado nacional e que visam a produção e a distribuição de produtos em âmbito regional. Em sua maioria, corresponde a empresas de pequeno porte, tanto integradas quanto não-integradas, e que atuam basicamente na confecção. Essas companhias têm dificuldade para competir com os principais clientes. Como atuam em um mercado super abastecido, enfrentam uma concorrência mais acirrada e normalmente competem por meio de preços. Algumas apresentam também um grau maior de informalidade na gestão.


Apesar de existir competição entre esses três grupos, ela é mais intensa dentro de cada segmento. Hoje, a maioria dos fabricantes está trabalhando com capacidade ociosa, principalmente as companhias que têm perfil exportador. Os dados mais recentemente publicados sobre a distribuição das empresas atuantes na linha lar (2004), revelaram que a grande maioria dessas empresas (mais de 77%) é de pequeno porte, ficando as médias em segundo lugar (quase 21%). Tabela 31 – Distribuição de empresas da linha lar por porte (2004)

Distribuição das Empresas da Linha Lar por Porte: 2004 TAMANHO DAS EMPRESAS

% DE CRESCIMENTO NO PERÍODO DE 1990-2004

% QUANTO AO PORTE

% DA CAPACIDADE PRODUTIVA

Pequenas Empresas

25

77,6

12,0

Médias Empresas

2,2

20,6

46,6

Grandes Empresas

-33,9

1,7

41,4

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Apesar de o mercado nacional apresentar uma demanda relativamente pequena, quando comparada ao consumo das nações mais desenvolvidas, a intenção do setor é que os produtos da linha lar sejam identificados dentro de um contexto da decoração da casa como um todo. Em função disto, as principais empresas que constituem esta indústria costumam atuar em quase todos os segmentos que compõem a linha lar (cama, mesa, banho e decoração), de maneira a ofertar aos clientes um pacote de produtos completo e harmonicamente integrado, em termos de qualidade, design e acabamento.66

65

É importante ressaltar que os atributos dos produtos da linha lar, com grande freqüência, estão associados às tendências da moda, constituindo-se numa expressão relativa aos hábitos de decoração doméstica.

66

Fonte: ROSA, COSENZA, 2006, op. cit.


6.6.1. Principais Fabricantes Em estudo67 realizado em 2006 foram apresentadas as principais empresas do setor têxtil, com produção de produtos para o Lar, como se pode observar na figura a seguir.

Figura 5 – Composição da linha lar, por empresas selecionadas (2004)

Empresa Alfitex Ind. Com. e Representação Ltda. Alterburg Ind. Têxtil Ltda. Aris Razuk Ind. Com. Ltda.* Indústria Appel Ltda.

Nº Empregados

Segmentos de Atuação

Alfitex

Joinville-SC

01

139

C,M,B

Alterburg

Blumenau-SC

02

700

C,B

Zêlo

São Paulo-SP

01

650

C,M,B C,M,B

Brusque-SC

01

200

São Bento do Sul-SC

02

914

C,B

Buettner S.A. Ind. e Com.

Buettner

Brusque - SC

01

1.721

C,M,B

Camesa Ind. Têxtil Ltda.

Carmesa

Guarulhos-SP

03

185

C,M,B

Santista, Artex, Calfat e Garoia

Montes Claros/MG, Blumenau/SC, João Pessoa/PB, Maoaiba/RN

04

4.000

C,M,B

Döhler S.A. Estamparia S.A. Etruria Ind. Fibras e Fios Sintéticos Ltda. Fademso Cia. Fiação Tecelagem Guaratinguetá

66

Nº Unidades

Appel

Cia. Tecidos Norte de Minas Coteminas

Döhler

Joinville-SC

01

2.000

C,M,B

Encanto

Contagem-MG

03

1.000

C,M,D

Etruria

Mairinque-SP

02

505

C,D

Fademso

Jacareí-SP

01

258

D

Guaratinguetá

Guaratinguetá-SP

05

1.050

C,M,B

Goiatêxtil Ind. Com. Ltda.

Goiatêxtil

Itumbiara-GO

01

259

B

Inylbra Tapetes e Veludos

Inylbra

Diadema-SP

03

700

D

Indústria e Comércio Jolitex Ltda.

Jolitex

São Bernardo-SP

04

975

C,D

Jovitextil Ind. e Com. Ltda.

Jovitextil

Brusque-SC

01

350

C,B,D

Karsten S.A.

Karsten

Blumenau-SC

01

2.790

C,M,B,D

Cia Fabril Lepper

Lepper

Joinville-SC

01

630

C,M,B

Ciber

Nova Odessa-SP

02

1.700

C,M,D

Trussardi

São Paulo-SP

01

207

C,M,B

Sisa

Aracaju-SE

02

870

C,M,B

Sultan

Itaquaquecetuba - SP

02

500

C,M,B

Ciber S.A. Indústria e Comércio Ltda. SEB RAE/ ESPM

Localização

Buddemeyer

Buddemeyer S.A.

Romana Empreendimentos Ltda* Sergipe Industrial S.A.* Sultan Ind. e Com. Artefatos Têxteis Tecelagem São Carlos S.A. Teka - Tecelagem Kuehnrich S.A. Têxtil Tabacow

São Carlos

São Carlos-SP

01

814

B

Teka

Blumenau - SC

04

4.700

C,M,B

Tabacow

Americana - SP

01

380

D

Fonte: Reproduzido de: ROSA, COSENZA, 2006, op. cit. Legenda: C = cama; M = mesa, B = banho; D = decoração

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

Marca Fantasia

67

Fonte: ROSA, COSENZA, 2006, op. cit.


Para complementar essas informações, foi consultado o anuário Maiores e Melhores de 2006, publicado pela Revista Exame; 68 baseando-se nas vendas realizadas observou-se que a principal empresa do setor em 2005 foi a São Paulo Alpargatas, com US$ 734 milhões. No que tange àquelas atuantes diretamente na linha Lar, como apontado na figura anterior, a melhor participação foi da Santista (347,7 milhões), seguida pela Teka (US$ 164 milhões) e pela Karsten (US$ 137,7 milhões).

Figura 6 – As maiores empresas têxteis e confecções – vendas (US$ milhões)

Empresa/Setor

Vendas

Lucro líquido

(US$ milhões) (US$ milhões)

Patrimônio líquido (US$ milhões)

Exportações

Posição

(US$ milhões)

no ranking

43,2

211

Funcionários

Segmentos

12.850

esportivos e têxteis

Vestuários Alpargatas

734,0

59,2

354,3

industriais Tecidos (mistos e tecnológicos) Vicunha Têxtil

723,6

-187,3

261,5

150,8

216

11.784

Malhas (sintéticas e naturais), Fibras e filamentos

147,7

-10,8

180,4

80,9

420

3.435

Linha Lar Confeccionados/

Guararapes

236,6

-

-

-

333

10.296

Vulcabrás

228,7

-

-

32,1

579

8.507

Vestuário Esportivo

Hering

193,3

17,1

39,4

33,7

658

4.224

Vestuário

Teka

164,0

-

-

33,8

746

4.974

Linha Lar

Pettenati

153,7

-

-

8,3

789

1.491

Tecidos

151,0

2,3

95,8

44,7

804

2.895

Malharia

140,3

-

-

-

840

-

Paramount Têxteis Santanese Lupo

131,1

-

-

4,3

881

2.433

M. Officer

121,8

-

-

1,2

933

1.842

Vestuário

Vestuários e tecidos téoricos

67

Santista Brasil

Confeccionados e vestuário Vestuário Tecidos

113,3

-

-

-

975

918

industriais) e confeccionados

Capricórnio

112,7

-

-

-

978

-

Drastosa

110.1

-

-

1,4

991

-

Tecidos e confeccionados Tecido esportivo

Fonte: Reproduzido de REVISTA EXAME. Anuário melhores e maiores: as maiores empresas têxteis e de confecções. São Paulo, 2006.

68 Fonte: REVISTA EXAME. Anuário melhores e maiores: as maiores empresas têxteis e de confecções. São Paulo, 2006.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Aunde

(automotivos e


7. Produtos

68

Para identificação dos produtos-chave é importante, inicialmente, considerar os itens incluídos no segmento Lar. Os produtos-chave classificados dentro desse segmento incluem: •

Edredons;

Colchas de cama;

Colchas de cobertura;

Fronhas e lençóis;

Centros e toalhas de mesa;

Guardanapos e jogos americanos;

Tapetes;

Toalhas de banho e de rosto.

As principais marcas desse segmento podem ser identificadas na figura 6, oportunamente apresentada. Por outro lado, é importante cruzar essa categoria com a de produtos oriundos do artesanato e que juntos compõem o foco principal desse estudo. Em função de não existirem marcas notórias representativas desse segmento, serão apresentadas empresas que, a partir de um de seus produtos, foram ganhadoras de premiação do SEBRAE (Top 100).

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

7.1.

Principais Produtos de Artesanato por Tipologia e por Estado

Com base no Programa SEBRAE de Artesanato,69 serão apresentadas as tipologias ali indicadas como referência, bem como os produtos caracterizados como produtos-chave do artesanato por estado, com foco em renda e bordados para cama, mesa, banho e lar. • Tipologia: Bordado de Labirinto Produtos-chave: Toalha de Lavabo (CE); Toalha de Mesa (PI); Toalha de Bandeja (CE); Caminho-de-mesa (CE) e Jogo Americano (CE). • Tipologia: Bordado de Ponto-Cheio Produtos-chave: Colcha Cerrado Vivo (DF); Almofada Flor do Cerrado (DF); Tolha Redonda Caicó (RN); Toalha Caicó (RN); Conjunto de Lençol (RN); Conjunto Americano (PB) e Jogo Americano Arroz (RS). 69 Fonte: SEBRAE. Programa Sebrae de artesanato. Brasília, sd. Disponível em: <www.artesanatobrasil.com.br>. Acesso em: 12 fev. 2008.


• Tipologia: Bordado Ponto Cruz Produtos-chave: Toalha de Mão (PB); Caminho-de-mesa (PI); Caminho-de-mesa (PI); Toalha para Banquete (SE); Caminho-de-mesa (SE); Caminho-de-mesa (SE) e Toalha para Lavabo (SE). • Tipologia: Bordado Ponto Arjours Produtos-chave: Toalha de Bandeja com Poá (CE) e Toalha de Bandeja (CE) • Tipologia: Bordado Redendê Produtos-chave: Toalha de Lavabo (AL); Pano de Bandeja (AL); Caminho-de-mesa (SE); Caminho-de-mesa (SE); Pano de Bandeja (SE); Estola de Mesa (BA) e Pano de Pão (BA). • Tipologia: Bordado Richilieu Produtos-chave: Toalha de Bandeja (CE) e Porta-talher Leque (RN) • Tipologia: Renda de Bilro Produtos-chave: Toalha de Lavabo (CE); Toalha de Bandeja (CE); Toalha de Lavabo (BA); Jogo Americano (BA) e Toalha de Bandeja (SE). • Tipologia: Renda de Filé

• Tipologia: Renda Irlandesa

69

Produtos-chave: Toalha Tradicional Bege (AL); Manta para Sofá (AL); Xale Colorido (AL) e Barras para Toalhas de Banho e Rosto (AL)

Produto-chave: Espelho para Almofada (SE).

Produto-chave: Toalha de Bandeja (SP).

7.1.1.

Principais Produtos de Artesanato – SEBRAE Top 100

Antes da apresentação das empresas/produtos, vale caracterizar o prêmio SEBRAE Top 100, bem como sua importância. A partir daí serão apresentados produtores/peças premiadas que são pertencentes à linha voltada ao lar e à de bordados e rendas: “O Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato é uma ação inédita no Brasil. Tem como objetivo identificar e selecionar as 100 unidades produtivas mais competitivas do País, avaliando seus processos de trabalho com foco em mercado. A metodologia do TOP 100 é diferente da maioria dos prêmios, que valorizam apenas a estética, a arte ou a cultura. Sua proposta visa implementar um mecanismo inovador de estruturação e segmentação mercadológicas do artesanato.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

• Tipologia: Renda Nhanduti


As 100 unidades produtivas mais competitivas do Brasil foram selecionadas de acordo com 10 critérios: o grau de inovação e diferenciação mercadológica dos produtos; adequação econômica dos produtos ao seu público-alvo; adequação ergonômica e funcional nas unidades de produção; adequação ao meio ambiente; capacidade produtiva; adequação cultural; adequação logística; qualidade percebida nos produtos/valor agregado; práticas comerciais justas; e responsabilidade social. Estar entre as 100 selecionadas é um grande privilégio. Todas ganham exposição na mídia e maior promoção comercial.” (SEBRAE)

Almofada

Matéria-prima principal: Fio de algodão Técnica: Tear manual – tingimento natural com plantas da região Dimensão: 40 cm x 40 cm Produção mensal: 150 peças Flor do Ipê Cidade: Taguatinga – DF •

Almofada de renda de Bilro

70

Matéria-prima principal: Fios de algodão Técnica: Tear manual – sem tingimento

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

Dimensão: 42 cm x 30 cm Produção mensal: 20 peças Associação de Artesãs de Saubara Cidade: Saubara – BA •

Almofada Neide

Matéria-prima principal: Linha de algodão mercerizada Técnica: Crochê Dimensão: 45 cm x 45 cm Produção mensal: 100 peças Associação das Crocheteiras de Areial


Cidade: Areial – PB •

Bico de renda renascença

Matéria-prima principal: Linha e lacê Técnica: Tear manual Dimensão: 4 m x 0,6 m Produção mensal: 500 metros Associação Comunitária das Mulheres Produtoras de Camalaú Cidade: Camalaú – PB •

Guardanapo de bandeja

Matéria-prima principal: Linho cru e linha de algodão Técnica: Bordado em ponto cruz Dimensão: 48 cm x 35 cm Produção mensal: 400 peças

Cidade: Buriti dos Lopes – PI •

71

Lili Escórcio

Jogo americano – Coleção Rota da Natureza

Técnica: Bordado feito à mão – costura em máquina semi-industrial Dimensão: 45 cm x 35 cm Produção mensal: 500 peças Grupo Libertar Cidade: Redenção – CE •

Jogo americano de bambu

Matéria-prima principal: Fibra de algodão e bambu Técnica: Tear manual – tingimento industrial Dimensão: 48 cm x 36 cm

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Matéria-prima principal: Tecido brim


Produção mensal: 150 peças Assota – Associação Ouro Têxtil Artesanal Cidade: Córrego do Ouro – GO •

Jogo americano de tear manual

Matéria-prima principal: Algodão natural colorido Técnica: Feito manualmente de resíduos sólidos de malha de algodão colorido Dimensão: 48 cm x 35 cm Produção mensal: 5.000 peças Natural Fashion Cidade: Campina Grande – PB •

Jogo americano porta e janela

Matéria-prima principal: Fio de algodão Técnica: Tear manual – tingimento natural com plantas da região Dimensão: 45 cm x 35 cm 72

Produção mensal: 220 peças Grupo de Bordado Ponto e Nó

Técnica: Tear manual Dimensão: 2,3 m x 1,8 m Produção mensal: 300 peças Associação Comunitária de Artesanato de Malhada Grande

D E ESTUDOS

Manta casal

Matéria-prima principal: Fibra de algodão cru ou tingido

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

Cidade: Tauá – CE

Cidade: Paulo Afonso – BA •

Passadeira colorida

Matéria-prima principal: Linho (linhão)


Técnica: Labirinto Dimensão: 2,2 m x 45 cm Produção mensal: 60 peças Desfiar Cidade: Ingá – PB •

Passadeira em renda irlandesa

Matéria-prima principal: Tecido (cambraia de linho), linha e lacê Técnica: Bordado – renda irlandesa Dimensão: 1,9 m x 43 cm Produção mensal: 10 peças ASDEREN – Associação para o Desenvolvimento da Renda Irlandesa de Divina Pastora Cidade: Divina Pastora – SE •

Tapete

Técnica: Tecelagem com tingimento

73

Matéria-prima principal: Resíduos de indústrias de sacaria e cordão de algodão

Dimensão: 80 cm x 50 cm

Associação Cultural Artística de Anápolis Cidade: Anápolis – GO •

Toalha de bandeja

Matéria-prima principal: Linha e tecido de algodão Técnica: Bordado (desfiando o tecido e compondo nas tramas as formas de flor típica da região) Dimensão: 50 cm x 40 cm Produção mensal: 100 peças Art Ilha

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Produção mensal: 300 peças


Cidade: Pão de Açúcar – AL •

Toalha de banquete

Matéria-prima principal: Tecido de algodão Técnica: Bordado Rechilieu Dimensão: 3 m x 1,8 m Produção mensal: 10 peças Bordados do Seridó Cidade: Caicó – RN

8. Consumidor

Em geral, a renovação dos produtos é lenta, em função da durabilidade média dos itens, que é de um a três anos (artigos de mesa, em geral, apresentam maior durabilidade - em torno de 3 a 4 anos; os de banho têm entre 7 a 12 meses e os de cama entre 1 a 2 anos). A recompra se dá em função de fatores como desgaste, manchas, perda de maciez e rasgos. Em relação aos consumidores, um estudo de mercado, realizado pela área de Marketing da Rede Bahia de Televisão (2006) identificou grande concentração das compras pelo público feminino. Localizadas na faixa-etária entre 23 e 55 anos, as consumidoras do segmento eram, em grande parte, provenientes das classes A, B e C (a partir de 5 SM) – sendo esta última mais presente desde a estabilização inflacionária.70 Outra pesquisa realizada pelo IEMI junto a 2.600 consumidores brasileiros, denominada “Comportamento de Compra do Consumidor de Roupas para Cama, Mesa e Banho”, identificou que as mulheres com mais de 40 anos investiram 24% a mais que a média – R$ 500,00 por ano - com a compra de enxovais e a preferência pelos produtos de fibras naturais. O levantamento revelou também uma alta fidelização com determinadas marcas, pelo público comprador feminino que representa 96% do universo de clientes.71

ESTU DOS

D E

M ERC A DO

SEB R AE/ESPM

74

Antes da apresentação do perfil dos consumidores mais freqüentes da linha lar, é preciso caracterizar traços do comportamento médio de compra.

70

Fonte: TV Bahia. Site institucional. Disponível em: <http:// ibahia.globo.com/tvbahia/

comercial/pdf/intercambio_cultural.pdf>. Acesso em jan. 2008.

71 Fonte: IEMI. Site Institucional. Disponível em: <http://www.iemi.com.br/novo/boletin-jan-07. htm>. Acesso em jan. 2008.


9. Concorrência

A concorrência aos produtos de bordados e rendas para cama, mesa, banho e decoração leva em consideração fatores intrínsecos (material utilizado, acabamento, durabilidade e qualidade percebida, entre outros) e extrínsecos (marca, preço, embalagem e até mesmo os conceitos de moda associados aos produtos). Dessa forma, com o objetivo de identificar a concorrência existente serão levados em consideração alguns dos principais fatores que podem direcionar a escolha do consumidor. Para tanto, a tabela a seguir considera orientação de compra pelo processo produtivo, pela necessidade atendida e pelos atributos (aplicações ao tecido). A partir daí, pode-se identificar os tipos de produtos que se comportam como concorrentes.

Tabela 32 – Fatores de direcionamento de consumo x concorrência

Por necessidade atendida

Por atributos (aplicações aos tecidos)

Artesanal

Industrial

Todos os produtores, independentemente do porte ou forma de organização, desde que a produção seja artesanal

Produtores industriais que desenvolvem produtos para linha lar, com escala produtiva e preço mais competitivo.

Fatores racionais

Fatores emocionais

Quando a escolha é baseada em A definição dos itens que comporão fatores como status, marca e o enxoval passa por análise de associados ao benefício final preço, qualidade, acabamento e gerado (presente, auto-indulgência, adequação à decoração (ou estilo do sofisticação) os itens são escolhidos consumidor). de forma alternativa, onde o preço tem menor peso na decisão Rendas e bordados

Outras aplicações

Quando a escolha de um produto passa pela necessária presença de bordados e, ou rendas, o consumidor tende a valorizar o aspecto final, sem necessariamente pesar exclusivamente se a renda e/ou bordado são oriundos de produção artesanal.

Quando se trata de aplicação de algum detalhe a um item da linha lar, há múltiplas opções, desde barrados até monogramas aplicados à máquina ou à mão.

Fonte: Elaboração do revisor técnico.

9.1.

Produtos Substitutos

• Cama Não foram identificados potenciais produtos substitutos para itens de cama, como edredons, colchas, lençóis e fronhas;

• Mesa Para a linha mesa, vários itens de moda, principalmente no que se refere a jogos america-

75

Por processo produtivo

Fatores

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Orientação


nos, podem ser encontrados nos mais diferentes materiais, desde vidro, passando por acrílico, plástico etc. O próprio estilo da mesa e o material de elaboração podem determinar o uso de itens substitutos, como no caso de CDs antigos utilizados como descanso de copo. Em relação a guardanapos, os de papel têm presença constante no mercado brasileiro (doméstico e institucional) pela praticidade, diferentes faixas de preço e adequação à decoração em função de temas variados, facilmente substituíveis a cada data, evento ou refeição.

• Banho Ainda é muito forte a presença de toalhas de banho, mas os roupões têm sido substituídos pelos consumidores que preferem se secar naturalmente. Para o rosto, toalhas de não tecido e lenços de papel fazem às vezes de toalhas de rosto. • Decoração Tapetes, centros de mesa e toalhas de mesa de canto têm muitos produtos substitutos, quando se trata de decoração. O próprio material utilizado no chão (madeira, piso frio etc.) pode ser visto como substituto ao tapete, pelo fato de, em si ou pela composição utilizada, minimizar a necessidade de uso do mesmo. Por sua vez, jogos de centro podem ser substituídos por vasos, pratos ou até mesmo por iluminação que cria o efeito desejado de compor o ambiente.

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

76

9.2.

Consumo

Em 2005, como citado anteriormente, o mercado interno para a linha lar, estimado com base no consumo aparente, representou cerca de 8,5% do mercado têxtil e equivaleu a aproximadamente R$3,5 bilhões por ano. Em termos de produtos consumidos, se for adotada a mesma relação disponível em 2004, a maior parte do consumo se deu na forma de peças para Banho (34%), seguido por itens de Cama (27%) e por peças para Mesa (18%). Gráfico 7 – Participação dos produtos por segmento – 2004 (Em mil peças)

16% 5%

27%

Cama Mesa Banho

34%

18%

Cozinha Decoração

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2006, op. cit.


9.3.

Consumo per Capita

O consumo per capita de peças por habitante (2006), de todo o setor têxtil foi de 10,7kg, na forma de consumo aparente, já que a produção interna indicou 9,3kg.

Tabela 33 – Produção e consumo per capita Ano

Produção/habitante/ano

Consumo/habitante/ano

1995

8,3 kg

8,7 kg

2005

9,2 kg

9,8 kg

2006

9,3 kg

10,7 kg

Crescimento 1990/2005

+12,0%

+23,0%

Fonte: Reproduzido de IEMI, 2007, op. cit.

Em relação ao consumo per capita da linha Lar, não há dados divulgados. Entretanto, se for considerado que o faturamento em 2005 representou R$3,5 bilhões, pode-se concluir que o consumo per capita foi de aproximadamente R$19,00.72

Política de Preços

Não foi possível identificar uma política de preços clara para o segmento de bordados e rendas para Cama, Mesa e Banho. Entretanto, deve-se levar em consideração que os preços médios são estabelecidos inicialmente pelos grandes produtores industriais, em função de sua escala produtiva.

77

10.

Também deve ser levada em consideração a atuação das redes varejistas que, em função de seu poder de barganha, lutam por preços competitivos junto aos fabricantes e por melhores margens junto ao consumidor final. Com o objetivo de oferecer alguns exemplos de preços praticados no mercado, será utilizada como fonte uma importante Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) conhecida como Artesanato Solidário ou ArteSol,73 presidida pela ex-primeira dama Dra. Ruth Cardoso. Vale destacar que os preços apresentados referem-se aos da categoria de produtos-chave estabelecida pelo SEBRAE, conforme apresentado no capítulo 7, mas que podem ou não ser elaborados com rendas e bordados (cruzamento não disponível como dado secundário).

Baseado em estimativas para população em 2005 de 184.184.264 habitantes (IBGE) – POP-2005-DOU. 73 Para maiores informações, acesse: <http:// www.artesol.org.br>. 72

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

O segundo fator de regulação dos preços no mercado nacional é o próprio mercado externo, especialmente produtos oriundos da China, que ofertam produtos bastante competitivos no mercado brasileiro.


Sendo assim, pode-se perceber uma gama de preço bastante ampla, conforme o produto: • almofada: de R$ 19,00 a R$ 174,00; • caminho-de-mesa: de R$ 4,00 a R$ 377,00; • colcha: de R$ 86,00 a R$ 236,00; • jogo americano: R$ 8,00 a R$168,00; • lençol: R$ 174,00 a R$ 436,00; • manta de sofá: de R$ 32,00 a R$ 75,00; • toalha de lavabo: de R$ 6,00 a R$ 131,00; • toalha de mesa: de R$ 5,00 a R$ 596,00

Tabela 34 – Tabela de Preços Artesol Núcleo

ESTU DOS

D E

M ERC A DO

SEB R AE/ESPM

78

Alagoa Nova

UF PB

Produto

Preço Final de Venda Almofada

47,00

Delmiro Golveia

AL

Almofada

100,00

São Sebastião

AL

Almofada

174,00

Entre Rios

BA

Almofada 50 cm

20,00

Entre Rios

BA

Almofada 80 cm

37,00

Alagoa Nova

PB

Almofada c/ Zíper

70,00

Pólo Veredas

MG

Almofada Cochonilo

63,00

Poço Verde

SE

Almofada crua 0,50 x 0,50

19,00

Alcaçuz-Nísia Floresta

RN

Almofada de renda 50 x 50

48,00

Alcaçuz-Nísia Floresta

RN

Almofada de renda 50 x 75

62,00

Berilo

MG

Almofada G

39,00

Berilo

MG

Almofada G

43,00

Berilo

MG

Almofada M

30,00

Berilo

MG

Almofada M 60 x 60

39,00

Berilo

MG

Almofada P

26,00

Berilo

MG

Almofada P 40 x 40

22,00

Santana do Araçuaí

PE

Almofada quadrada

46,00

Santana do Araçuaí

PE

Almofada retangular

46,00

Alagoa Nova

PB

Almofada rococó

59,00

Alagoa Nova

PB

Almofada s/miçanga -

47,00

Entre Rios

BA

Caminho-de-mesa

4,00

Pedro II

PI

Caminho-de-mesa

34,00

Pólo Veredas Pedro II Pedro II Berilo

MG

Caminho-de-mesa

42,00

PI

Caminho-de-mesa

56,00

PI

Caminho-de-mesa

56,00

MG

Caminho-de-mesa

59,00


Produto

Preço Final de Venda

Pólo Veredas

MG

Caminho-de-mesa

63,00

Entremontes

AL

Caminho-de-mesa

70,00

Pólo Veredas

MG

Caminho-de-mesa

72,00

Pólo Veredas

MG

Caminho-de-mesa

91,00

Alagoa Nova

PB

Caminho-de-mesa

101,00

Pão de Açúcar

AL

Caminho-de-mesa

174,00

Entremontes

AL

Caminho-de-mesa

296,00

Jataúba

PE

Caminho-de-mesa

377,00

Jataúba

PE

Caminho-de-mesa vazado

377,00

Delmiro Golveia

AL

Colcha de casal

86,00

Poço Verde

SE

Colcha de casal

94,00

Poço Verde

SE

Colcha de casal

113,00

Berilo

MG

Colcha de casal

236,00

Delmiro Golveia

AL

Colcha de solteiro

96,00

Berilo

MG

Colcha de solteiro

177,00

Porto da Folha

SE

Jogo Americano

20,00

Urucuia

MG

Jogo Americano

11,00

Porto da Folha

SE

Jogo Americano

40,00

Porto da Folha

SE

Jogo Americano

55,00

São Raimundo Nonato

PI

Jogo Americano oval

31,00

Santana do Araçuaí

PE

Jogo Americano

14,00

Entremontes

AL

Jogo Americano

33,00

Divina Pastora

SE

Jogo Americano

8,00

Entremontes

AL

Jogo Americano

8,00

Pedro II

PI

Jogo Americano

10,00

Massaranduba

RN

Jogo Americano

14,00

Marechal Deodoro

AL

Jogo Americano

15,00

Massaranduba

RN

Jogo Americano

15,00

Buriti dos Lopes

PI

Jogo Americano

17,00

Buriti dos Lopes

PI

Jogo Americano

17,00

Poço Redondo

SE

Jogo Americano

19,00

Poço Redondo

SE

Jogo Americano

19,00

Buriti dos Lopes

PI

Jogo Americano

20,00

Buriti dos Lopes

PI

Jogo Americano

20,00

Poço Redondo

SE

Jogo americano

21,00

Marechal Deodoro

AL

Jogo americano

22,00

Goianinha

RN

Jogo americano

23,00

Santo Antonio

RN

Jogo americano

23,00

Santo Antonio

RN

Jogo americano

25,00

Campo Santana - Nísia Floresta

RN

Jogo americano

27,00

Marechal Deodoro

AL

Jogo americano

27,00

Entremontes

AL

Jogo americano

28,00

Santo Antonio

RN

Jogo americano

28,00

Entremontes

AL

Jogo americano

31,00

Santo Antonio

RN

Jogo americano

32,00

Entremontes

AL

Jogo americano

35,00

79

UF

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Núcleo


ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

80

Núcleo

UF

Produto

Preço Final de Venda

Entremontes

AL

Jogo americano

35,00

Pão de Açúcar

AL

Jogo americano

40,00

Pão de Açúcar

AL

Jogo americano

40,00

Entre Rios

BA

Jogo americano

41,00

Campo Santana - Nísia Floresta

RN

Jogo americano

45,00

Campo Santana - Nísia Floresta

RN

Jogo americano

45,00

Campo Santana - Nísia Floresta

RN

Jogo americano

45,00

Campo Santana - Nísia Floresta

RN

Jogo americano

45,00

Pão de Açúcar

AL

Jogo americano

45,00

Campo Santana - Nísia Floresta

RN

Jogo americano

49,00

Pedro II

PI

Jogo americano

56,00

Pedro II

PI

Jogo americano

56,00

Entremontes

AL

Jogo americano

65,00

Delmiro Golveia

AL

Jogo americano

128,00

Jataúba

PE

Jogo americano

168,00

Alagoa Nova

PB

Jogo americano - organdi

25,00

Alagoa Nova

PB

Jogo Americano (Frutas)

70,00

Luis Correia

PI

Jogo americano 35x45cm

16,00

Pão de Açúcar

AL

Jogo americano 45x35

28,00

Araci/Valente

BA

Jogo americano 4x6 rodas

21,00

Araci/Valente

BA

Jogo americano 5x7 rodas

25,00

Pedro II

PI

Jogo americano antigo

7,00

Buriti dos Lopes

PI

Jogo americano ave

17,00

Alagoa Nova

PB

Jogo americano bordado

44,00

Alagoa Nova

PB

Jogo americano c/guardanapo

28,00

Pão de Açúcar

AL

Jogo americano c/guardanapo

40,00

Alagoa Nova

PB

Jogo americano c/matames

23,00

Pão de Açúcar

AL

Jogo americano cambraia - bg.

28,00

Pedro II

PI

Jogo americano crú

10,00

São Vicente de Paula

PI

Jogo americano de rodas

24,00

Salgado de São Felix

PB

Jogo americano filé

15,00

Jataúba

PE

Jogo americano JJA01

103,00

Jataúba

PE

Jogo americano JJA18

133,00

Jataúba

PE

Jogo americano JJA26

74,00

Salgado de São Felix

PB

Jogo americano labirinto

22,00

Poço Redondo

SE

Jogo americano linha

31,00

Alagoa Nova

PB

Jogo americano linho

27,00

Marechal Deodoro

AL

Jogo americano linho

27,00

Araci/Valente

BA

Jogo americano oval

17,00

Itaobim

MG

Jogo americano retangular

11,00

Porto da Folha

SE

Jogo americano torre

15,00

Porto da Folha

SE

Jogo americano torre

31,00

Jataúba

PE

Jogo americano vasado

72,00

Ribeira do Amparo

BA

Jogo americanom

16,00

Pão de Açúcar

AL

Lençol casal 4 peças

436,00

Pão de Açúcar

AL

Lençol para berço 4

174,00


Produto

Preço Final de Venda

Delmiro Golveia

AL

Manta de sofa

32,00

Poço Verde

SE

Manta de sofá 1,50m x 1,60m

75,00

Entremontes

AL

Pano de pão

23,00

Entremontes

AL

Pano de pão

26,00

Jataúba

PE

Pano de pão

64,00

Jataúba

PE

Pano de pão

64,00

Pão de Açúcar

AL

Pano de pão 50x50

21,00

Pedro II

PI

Toalha de lavabo

6,00

Campo Santana - Nísia Floresta

RN

Toalha de lavabo

12,00

Buriti dos Lopes

PI

Toalha de lavabo

20,00

Porto da Folha

SE

Toalha de Lavabo

20,00

Buriti dos Lopes

PI

Toalha de lavabo

23,00

Buriti dos Lopes

PI

Toalha de lavabo

30,00

Buriti dos Lopes

PI

Toalha de lavabo

32,00

Buriti dos Lopes

PI

Toalha de lavabo

39,00

Entremontes

AL

Toalha de lavabo

41,00

Pão de Açúcar

AL

Toalha de lavabo

42,00

Delmiro Golveia

AL

Toalha de lavabo

60,00

Entremontes

AL

Toalha de lavabo

131,00

Pão de Açúcar

AL

Toalha de lavabo 70x45

42,00

Marechal Deodoro

AL

Toalha de lavabo bainha

22,00

Marechal Deodoro

AL

Toalha de lavabo linho

26,00

Marechal Deodoro

AL

Toalha de lavabo ponto

18,00

Entremontes

AL

Toalha de mesa

30,00

Pão de Açúcar

AL

Toalha de mesa 2,50m x 1,50m linho

471,00

Pão de Açúcar

AL

Toalha de mesa 3m x 1,50m

523,00

Poço Redondo

SE

Toalha de mesa bordado

153,00

Pão de Açúcar

AL

Toalha de mesa c/8 guardanapos

596,00

Pão de Açúcar

AL

Toalha de mesa quadrada

262,00

Poço Redondo

SE

Toalha de mesa teia de aranha

128,00

Fonte: Adaptado pelo Revisor de Projeto de Graduação ESPM - D’AMICO, Lia Manhaes et al. ArteSol: artesanato solidário. São Paulo, 2007. 191 p.

Do ponto de vista da ArteSol, os preços estabelecidos visam cobrir os seguintes itens: •

Custos

de compra dos produtos;

Custos

de logística das mercadorias;

Custos

de manutenção do braço comercial, que não é incluído no investimento feito pelos financiadores do projeto.

Outro fator importante na composição do preço liga-se ao conceito de economia de escala: “Ao contrário do que acontece com a maioria das indústrias, com o artesanato não é possível diminuir os custos de acordo com o aumento de escala, isso porque para se produzir um artesanato é usada a mesma quantidade de matéria-prima e mão de obra do que o usado para produzir cada um dos outros 50 que serão produzidos para uma venda. Por isso, caso a ArteSol compre 10 arte-

81

UF

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Núcleo


sanatos de um mesmo modelo ou compre 50 dos mesmos, o valor pago à comunidade por cada um deles será o mesmo.”

11. Canais de Distribuição

Quanto à distribuição de bordados e rendas, além de outros produtos artesanais comercializados, em 44,5% a ocorrência da venda acontece em feiras, em 12,7% a venda é diretamente a intermediários e em 11,4% a venda ocorre em ponto próprio. O restante das vendas é feito por canais fragmentados.

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

82

Gráfico 8 – Vendas por canal

Fonte: Reproduzido de: ROSA, COSENZA, 2006.

Figura 7- Principais Canais de Distribuição da Linha Lar Têxtil, 2004 Atacado

30

Hipermercado e Lojas de Departamento

25

Lojas Especializadas

20

Cadeia de Varejo

15

Varejo Independente

10

Cooperativas e Governo

5

Industrial

0

Outros

Canais de Distribuição Fonte: Reproduzido de: ROSA, COSENZA, 2006.


No que se refere à comercialização da linha Lar, entre 1990 e 2004, observou-se uma tendência de aumento das vendas por meio de lojas especializadas (com incremento de 126,4% no período) e do varejo independente, com aumento de 16,8%. Sobressaíram também outras formas de comercialização, como vendas por internet e telemarketing (evolução de 214,3% no período citado). 74 Quanto aos itens especificamente de cama, os artigos de mesa e banho se destacam pelo crescimento das vendas no auto-serviço. Esse é um segmento que está se mostrando tão importante para o varejo que já existem supermercados que não apenas criam seções específicas para esses artigos como, também, incentivam a presença de promotores da indústria em seus estabelecimentos para melhor exposição do produto e atendimento ao cliente. Entretanto, o pequeno varejo ainda representa participação relevante nas vendas do setor (cerca de 34%); na seqüência estão lojas de departamento, com 24%, hiper e supermercados (18%), lojas especializadas (10%) e o atacado (9%).75

11.1. Varejo Especializado de Luxo O mercado de produtos de luxo, em 2006, movimentou cerca de US$2,2 bilhões no Brasil (e cerca de US$200 bilhões/ano no mundo). Com taxa de crescimento da ordem de 35% ao ano, mostra-se um segmento que oferece ótimas oportunidades de atuação.

Além disso, o varejo especializado já dispõe de diversos itens posicionados como de maior valor agregado, em função do material de qualidade utilizado (tecidos e linhas), bem como do acabamento e apresentação final (embalagem).

74 75

Fonte: IEMI, 2006, op. cit. Fonte: ABIT, 2006, op. cit.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

São exatamente essas características que favorecem a venda de produtos desenvolvidos de forma customizada, como bordados com linhas especiais e rendas típicas. Associada aos atributos nacionais e principalmente regionais, esse produto tem destaque principalmente no comércio para turistas que reconhecem o valor do “artesanal”.

83

Nesse cenário, onde o Brasil desponta como grande emergente deve-se considerar as possibilidades de associação das marcas à imagem do país, em função de sua diversidade social, cultural e natural.


Trussardi76

Linha Premiata Plus Figura 8 Linha Premiata Plus

“Esta coleção foi criada resgatando um século de história da família no setor têxtil e acrescentando um estilo atualizado e absolutamente moderno. O resultado é uma roupa de cama sofisticada em 100% algodão, que combina harmoniosamente bordados suíços de última geração com artesanato brasileiro. Cama feita, o cenário de beleza e aconchego está montado para escrever outras histórias e criar a sua própria tradição”

Fonte: TRUSSARDI, 2008, op. cit.

Trousseau77

Figura 9

84

Linha para casa

“A Trousseau desenvolve uma parte de suas coleções na Itália, onde os bordados feitos a mão e as estampas nascem da tradição dos artesãos e da tecnologia com que o mundo se move. As técnicas milenares de bordar a mão são trazidas em diversas combinações de cores e aplicações. As estamparias tradicionais da Itália combinam cores, desenhos e a precisão da arte de deixar gravado em tecidos nobres toda sua história.”

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

Fonte: TROUSSEAU.

12. Comunicação: Análise sob a Perspectiva das

Arenas da Comunicação

O artesanato caracteriza-se, em relação ao produto final, pela sua unicidade. O tratamento personalizado, existente na relação produto versus cliente é, geralmente, observado nesse tipo de produção, sendo minimizado apenas quando sofre processos de produção em série, a partir da divisão do trabalho. Fonte: Trussardi. Site Institucional. Disponível em: <http://www.trussardi.com. br>. Acesso em fev. 2008.

76

Fonte: Trousseau. Site Institucional. Disponível em: <http://www.trousseau. com.br>. Acesso em fev. 2008.

77


Os conceitos relacionados às atividades de promoção e propaganda, tais como marca, embalagem e instrumentos de comunicação dirigida (folders, eventos, vídeos institucionais), são pouco utilizados nesse segmento pela própria característica do produto final, apesar de algumas instituições de fomento ao artesanato já utilizarem alguns instrumentos de promoção, como vídeos institucionais. Isso não significa, porém, que ações desse tipo não possam ser desenvolvidas e adequadas às características do produto artesanal. Para o artesanato, conforme foi observado anteriormente, as estratégias de promoção devem ser repensadas em função das próprias características do produto artesanal. Por sua vez, a necessidade de implantação de um certificado de origem seria pertinente como forma de resguardar a identidade cultural de cada estado. Explicitar nas vendas a origem dos produtos vendidos, ao mesmo tempo em que viabilizará uma propaganda interestadual da produção artesanal da região, diminuirá a possibilidade de engano do consumidor quando este adquirir o artesanato comercializado como local, sendo o produto, na verdade, produzido em outros Estados e regiões.

12.1. As Arenas da Comunicação Há muito se percebe a angústia dos clientes de agências de propaganda em obter destas uma nova opção de mídia ou de comunicação inovadora. O que se verifica é uma busca de alternativas capazes de oferecer eficiência e eficácia em termos de acesso ao consumidor e de retorno sobre o investimento.

(...) gostaríamos de introduzir um novo conceito: da mesma forma que no passado os homens de mídia montavam as suas estratégias em combinações de veículos, deverão agora – e com a mesma desenvoltura – montar estas estratégias com base naquilo que chamamos de arenas da comunicação com o mercado. (GRACIOSO. 2005, p. 30)

De certa forma, todas as arenas têm na mídia seu canal de expressão popular, o que sugere sua participação em todos os conglomerados que vierem a surgir para coordenar a utilização dessas formas de comunicação tão diversas. Conforme o conceito apresentado considera-se a existência de pelo menos sete arenas: • propaganda tradicional; • grandes cadeias varejistas; • mundo do entretenimento; • mundo da moda; 78 Fonte: GRACIOSO, Francisco (coord.). Desculpe-nos, mas estamos colocando três pulgas na sua camisola. Marketing, fev. 2005, p.29-32. (Estudos ESPM)

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

85

Baseado nessa e em outras constatações foi cunhado recentemente o conceito de arenas de comunicação, conforme Prof. Francisco Gracioso:78


• marketing esportivo; • grandes eventos promocionais; • varejo digital, internet etc. Com o objetivo de avaliar práticas de players do mercado da linha Lar (Cama, Mesa e Banho), atrelados à renda e bordados, serão apresentados exemplos de ações desenvolvidas à luz dos conceitos das arenas da comunicação com o mercado.

12.2. Propaganda Tradicional Reconhecida pelos benefícios que essa ferramenta pode trazer, ora criando atenção a respeito de uma idéia, conceito ou mesmo produto, ora gerando interesse por uma oferta, criando desejo de consumo e estimulando o processo de aquisição, um dos grandes entraves para sua adoção reside nos investimentos. Vale lembrar que a propaganda pode assumir os mais diferentes formatos, tais como: anúncios impressos e eletrônicos (rádio e televisão – aqui não será tratada comunicação online pelo destaque que será dado em tópico que se segue), embalagens, encartes, anúncios em projeções cinematográficas, catálogos, folhetos, anuários, audiovisuais, logotipos, outdoors, entre outros amplamente difundidos e mesmo aqueles que ainda estão por ser descobertos. A seguir, serão apresentados exemplos de ações realizadas no mercado:79

86

Karsten terá filmes para TV pela primeira vez em sua comunicação: Marca de cama, mesa e banho tem sua primeira campanha criada pela Gas Multiagência

Figura 10

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

Comercial Karsten

Fonte: MEIO&MENSAGEM.

“Em sua primeira campanha para Karsten, marca catarinense de cama, mesa e banho, a Gas Multiagência optou por grandes mudanças na comunicação. Sem usar celebridade alguma e sem focar em características de moda de seus produtos, como a Karsten havia feito em sua última ação protagonizada pela atriz Maria Fernanda Cândido, a marca optou por uma ação forte na mídia. Prova disto é que farão parte do plano de mídia quatro filmes para televisão, artifício usado pela empresa pela primeira vez.

“Com a forte entrada de produtos importados no Brasil, o setor têxtil tem sofrido muito, por isso concluímos que agora é a hora de reforçar a marca da empresa”, pontua Luciana Fonzar Andrade, gerente de marketing da Karsten.

79 Fonte. Meio&Mensagem. Site Institucional. Disponível em: <http://www.meioemensagem. com.br>. Acesso em fev. 2008.


Para esta virada na comunicação, foi criada uma campanha institucional que enfatiza a marca e a aproxima de seu público ao utilizar imagens pessoas comuns ao lado de produtos da Karsten. O resultado, que está na mídia a partir desta segundafeira, dia 14, inclui quatro filmes para televisão, peças de mídia impressa, outdoors e patrocínio a programas de televisão, que serão veiculados até o final de junho.”

• 'Mais vida para seu bordado' em ação da Döhler: Anúncio da linha de tecidos para bordar tem criação da D/AraújoLoducca “A Döhler lança campanha por sua linha de tecidos para bordar. O anúncio, criado pela D/AraújoLoducca, mostra uma cena de ação, feita em bordado. A imagem da peça traz um pára-quedista que acaba de saltar de um avião e, à sua espera, uma dupla faminta de jacarés. A assinatura: “Mais vida para seu bordado”, complementa a idéia. A peça integra a campanha anual da linha de bordados que divulga toalhas de banho, roupões, toalhas de mesa, panos de copa, roupas de cama e almofadas. A criação é de Luiz Dias, Ricardo Pisani e Jaisson Pepes, com direção de Marco Togo.”

12.3. Varejo O varejo oferece grandes oportunidades não apenas em relação à oferta de produto ao mercado final, mas pela potencialização da divulgação e exposição de marca.

Entretanto, a atuação dos fabricantes não se restringe a esse tipo de varejo, nem às ações promocionais tradicionais, como se pode verificar nos exemplos a seguir: 80 Cooper: Free prepara campanhas de Natal

Figura 11 Campanha Cooper

“A agência Free, de Blumenau, cria campanha de Natal para a rede Cooper e para a rede de lojas de cama, mesa e banho, Flamingo.

A Turminha da Cooper ganhou asas e auréolas, deixando a mensagem de que os anjos existem desde que acreditemos neles. O plano de mídia engloba comerFonte: MEIO&MENSAGEM. cial para TV, outdoor e material para ponto-de-venda. A criação é de Fernando Pasa, Jaqueline Kormann, Maria Fernanda Vieira e Sandro Wosniach, que também assina a direção de criação. A produtora é a Lince Vídeo. 80 br>.

Fonte. Meio&Mensagem. Site Institucional. Disponível em: <http://www.meioemensagem.com.

Acesso em fev. 2008

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

87

Essa realidade pode ser verificada nas grandes cadeias de varejo que, se por um lado há vários anos gerenciam a categoria de produtos em setores/corredores com gôndolas dedicadas, por outro encontram disposição de vários fabricantes na elaboração de material de exposição em PDV, promotores para cuidar da adequada disposição de produtos.


Já para a Flamingo, o tema da comunicação é “presentes para todos os que estão presentes”. A estratégia envolve VT, jingle, panfletos e mala direta. A criação é de Maria Fernanda Vieira e Fernando Pasa, com direção de criação de Allyson Correia e Cyntia Wehmuth Hugo. A produtora é a Lince Vídeo”. • Carrefour inaugura sua mais moderna loja em Brasília “Um dos líderes no segmento de supermercados e hipermercados no país, o Carrefour investiu cerca R$ 600 milhões neste ano na sua rede de lojas. Entre os novos empreendimentos está a mais moderna loja do grupo, inaugurada nesta quinta-feira, dia 6, em Brasília. Segundo informou a assessoria do Carrefour, esse hipermercado será diferenciado dos demais, com largos corredores e mais de 60 mil itens em uma área de vendas de 10 mil metros quadrados. Para a nova loja, o Carrefour diz ter adotado uma comunicação visual moderna que reúne qualidade no atendimento e nos serviços. A idéia é oferecer produtos diferenciados, como carnes selecionadas de grupos como Wessel, Montana, Maturatta, Garantia de Origem, etc. Além disso, segundo a empresa, o consumidor de Brasília terá acesso a produtos de cama, mesa e banho e eletrodomésticos e eletrônicos de alto padrão a preços competitivos.”

12.4. Entretenimento As atividades ligadas à indústria do entretenimento têm atraído cada vez mais interessados, seja na forma de audiência, seja na forma de patrocinadores que vislumbram oportunidades de exposição de sua marca e de seus produtos.

88

Nos últimos anos têm sido freqüentes os megashows, feiras/eventos temáticos (Rodeios) e festas populares (Carnaval, Micaretas, Festival de Parintins), entre outros que atraem milhares de jovens, potenciais consumidores dos mais diferentes produtos. Além disso, as próprias celebridades ou produtores de programas utilizam-se de extensão de marca para criar produtos com a marca dos atores consagrados pela mídia.

ESTUDOS

D E

M ERC ADO

SEB RAE/ ESPM

Chiquititas

“A criançada vai vibrar, os pais talvez não. Na segunda quinzena de março chega ao mercado brasileiro o segundo volume do CD das Chiquititas. Certamente vai bater recorde, já que o primeiro vendeu, nada mais nada menos, do que um milhão de cópias. O novo produto vai ser divulgado tanto na novela, onde as crianças vão mostrar coreografias diferentes, como nos programas de televisão. Elas já estão agendando uma vinda para o programa do Gugu, mas ainda sem data definida.  E não para por aí. Em meados de junho, uma extensa linha de produtos com a marca da novelinha infantil vai rechear as prateleiras das lojas. Tem de tudo: artigos de higiene, perfumaria, roupas de cama, mesa e banho, doces, alimentos, bebidas, material didático e até eletrodomésticos. O rostinho das pequenas meninas do SBT vai servir até para uma linha de bonecas. São 12 bonequinhas diferentes, uma para cada gosto. O chato é se a garotada resolver fazer a coleção. Haja bolso.”81

81

Fonte: Jornal O Povo. Site Institucional. Disponível em: <http:// www.opovo.com.br>.


12.5. Moda O mercado da moda movimentou em 2006 mais de US$16 bilhões, na forma de consumo aparente. Esse volume demonstra a importância dessa atividade no país, acompanhando tendências mundiais. A seguir pode-se verificar um exemplo de uma ação realizada em importante templo da moda premium no Brasil, na loja Daslu de São Paulo/SP: •

12ª Craft Design será realizado no Terraço Daslu82

“Daniela Cecchini e Elaine Landulfo levam a 12ª edição da Craft Design para o Terraço Daslu, em São Paulo. A feira de decoração e design que lança, semestralmente, criações de designers de todo o Brasil, apresentará as últimas tendências em mobiliário, objetos de decoração, presentes, artesanato contemporâneo, luminárias, design têxtil, papelaria especial, joalheria e acessórios de moda e para a casa - de 130 expositores. Nesta edição, o “Craft Design Apóia” - projeto de longo alcance social apoiado pela feira será o Projeto Café Igaraí, que conta com trabalhos, em porcelana e tecido, de artesãs rurais da cidade de Mococa - subdistrito de Igaraí - no interior do Estado de São Paulo.”

Figura 12 Toalha Buettner São Paulo Futebol Clube

Nos últimos anos o Brasil e o mundo têm acompanhado o crescimento dos investimentos no marketing esportivo. O licenciamento de marcas (clubes), a venda de artigos, a utilização da imagem de atletas e os vários eventos, desde regionais até mundiais, movimentam cifras bilionárias.

89

12.6. Marketing Esportivo

Fonte: TRADEPAR SHOPPING. Site Institucional. <http://www.tradepar.com.br>.

Por mais que os itens sejam marcadamente de produção industrial, nada impede que sejam desenvolvidas linhas de lençóis bordados com o “time do coração”.

12.7. Eventos Promocionais Há vários eventos que anualmente acontecem nas mais diversas regiões do país. Com o objetivo de apresentar alguns deles, será utilizado o calendário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), disponível no respectivo portal.83

82 Fonte: CraftDesign. Site Institucional. Disponível em: <http://www.craftdesign.com.br>. Acesso em: jan. 2008 83 Fonte: MDIC. Portal Institucional. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/sitio/sistema/ expofeira/calFeirasExposicoes/feiExposicoes_P.php>. Acesso em: jan. 2008.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

É bastante comum a existência de itens de cama e banho com motivos ligados a esporte, com destaque para futebol.


Vale destacar que, para o empresário/produtor de micro e pequeno porte, deve-se levar em consideração a agenda regional de cada estado, a fim de identificar as melhores oportunidades de participação em relação ao investimento disponível e aos resultados esperados. •

MERCOSUPER 2008

27ª Feira Paranaense de Supermercados XXVII Convenção Paranaense de Supermercados 30 de março a 1 de abril de 2008 Feira Setorial / Nacional / Anual Linhas de Produtos e/ou Serviços: perecíveis, mercearia, laticínios, padaria, açougue, higiene, saúde, beleza, utilidades, multiuso, bebidas em geral, limpeza, resfriados, serviços financeiros e automotivos, pet shop, candies, etc. Com cerca de 160 expositores será aberto (a) a empresários das 14h às 22h. Promoção: Associação Paranaense de Supermercados - APRAS Local: Expotrade - Pinhais - PR Site do Evento: www.apras.org.br •

FENATEC

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56ª Feira Internacional de Tecelagem 11 a 14 de março de 2008 Feira Setorial / Internacional / Anual

SEB RAE/ ESPM

Linhas de Produtos e/ou Serviços: aviamentos, fiação, cama, mesa e banho, tecelagem, malharia, beneficiamento, estamparia, tecidos importados, tecidos para decoração, publicações técnicas e serviços. Com cerca de 120 expositores, será aberto (a) a empresários das 10h às 19h.

ESTUDOS

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M ERC ADO

Promoção: Alcântara Machado Feiras de Negócios Ltda. Reed Exhibitions Brasil Ltda. Local: Pavilhão de Exposições do Parque do Anhembi - São Paulo - SP Site do Evento: www.fenatec.com.br •

FINNAR

2ª Feira Internacional de Negócios do Artesanato I Fórum Nacional do Negócio do Artesanato


18 a 27 de abril de 2008 Feira Setorial / Internacional / Quadrienal Linhas de Produtos e/ou Serviços: reciclagem, cerâmica, sementes, barro, resina, madeira, gastronomia, arte, cultura e turismo e mostra do artesanato produzido no mundo. Com cerca de 350 expositores, será aberto (a) ao público, com bilheteria, das 16h às 22h nos dias úteis e das 11h às 22h no sábado, domingo e feriado. Promoção: Charph Promoções e Eventos Ltda. Local: Centro de Convenções Ulysses Guimarães - Brasília - DF Site do Evento: www.finnar.com.br •

TEXFAIR DO BRASIL

9ª Feira Internacional da Indústria Têxtil e da Confecção TEXFASHION - III Desfile Oficial da Texfair do Brasil 27 a 30 de maio de 2008 Feira Setorial / Internacional / Anual

Promoção: Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau - SINTEX

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Linhas de Produtos e/ou Serviços: cama, mesa, banho, malharia, decoração e vestuário. Com cerca de 250 expositores será aberto (a) a empresários das 10h às 19h.

Local: Parque Vila Germânica - Blumenau - SC

BRASIL MOSTRA BRASIL

14ª Feira Multisetorial Brasil Mostra Brasil 4 a 13 de julho de 2008 Feira Geral / Nacional / Anual Linhas de Produtos e/ou Serviços: confecção, calçados, acessórios, cosméticos, decoração, móveis, eletrodomésticos, eletrônicos, utilidades domésticas, informática, automóveis, brinquedos, artesanato, serviços, etc. Com cerca de 300 expositores será aberto(a) ao público, com bilheteria, das 16h às 23h. Promoção: Rocha & Martinez Ltda. Local: Espaço Cultural José Lins do Rego - João Pessoa - PB

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Site do Evento: www.texfair.com.br


Site do Evento: www.brasilmostrabrasil.com.br FENEARTE

9ª Feira Nacional de Negócios do Artesanato 4 a 13 de julho de 2008 Feira Setorial / Internacional / Anual Linhas de Produtos e/ou Serviços: artesanato, rodada de negócios, shows culturais, gastronomia, etc. Com cerca de 3000 expositores será aberto (a) ao público, com bilheteria, das 14h às 22h nos dias 4 a 10 e das 10h às 22h nos dias 11 a 13. Promoção: Instituto 12 de Março Convention e Visitors Bureau Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco - ADDIPER Local: Centro de Convenções de Pernambuco - Olinda - PE Site do Evento: www.fenearte.pe.gov.br •

12ª Feira de Pedras Semi-Preciosas e Artesanato

Regional 5 a 7 de setembro de 2008

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Feira Setorial / Nacional / Anual

ESTUDOS

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Linhas de Produtos e/ou Serviços: artigos com pedras semipreciosas, esculturas e brinquedos em madeira, tear mineiro, tapetes arraiolos, bordados da região, cachaça artesanal, licores artesanais, doces e comidas típicas, plantas e flores ornamentais. Com cerca de 50 expositores será aberto (a) ao público, sem bilheteria, das 10h às 20h nos dias 5 e 6 e das 10h às 17h no dia 7. Promoção: Associação dos Fabricantes de Artigos com Pedras Semi-Preciosas de Minas Gerais - AFAPE Local: Salão Social do SESC, Laces e Pousada Bom Despacho - Bom Despacho - MG E-mail do Evento: afape@zap.10.com.br •

NOVA EQUIPOTEL 2008

46ª Feira Internacional de Equipamentos, Produtos e Serviços para Hotéis, Motéis, Restaurantes, Bares e Similares 15 a 18 de setembro de 2008 Feira Setorial / Internacional / Anual


Linhas de Produtos e/ou Serviços: alimentos e bebidas, cama, mesa e banho, tecidos para revestimentos e forração, decoração, equipamentos e produtos para higiene e limpeza, equipamentos leves e utensílios para copa e cozinha, equipamentos pesados e máquinas para cozinha industrial, refrigeração, aquecimento, etc. Com cerca de 1200 expositores será aberto(a) a empresários das 13h às 21h. Promoção: Equipotel Feiras, Edições e Promoções Ltda. Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi - São Paulo - SP Site do Evento: www.novaequipotel.com.br •

19ª Feira Nacional de Artesanato

25 a 30 de novembro de 2008 Feira Setorial / Nacional / Anual Linhas de Produtos e/ou Serviços: artesanato em geral. Com cerca de 800 expositores será aberto(a) ao público, com bilheteria, das 12h às 22h dia 25, das 14h às 22h nos dias 26, 27 e 28 e das 10h às 22h nos dias 29 e 30. Promoção: Instituto Centro Cape Local: Expominas - Belo Horizonte - MG

12.8. Varejo Digital, Internet etc.

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Site do Evento: www.feiranacionaldeartesanato.com.br

Catálogo e loja virtual abrem novos mercados para artesãos por Cláudia Moreira

“Em Brasília (DF), terça-feira, 20/11, aconteceu a cerimônia de lançamento do catálogo ‘Artesanato, Design e Mercado’, obra que reúne peças desenvolvidas por 100 cooperativas de artesãos brasileiros. O catálogo, voltado para decoradores, arquitetos e designers, apresenta a criação de artesãos que foram identificados pelo Prêmio Top 100 do SEBRAE de Artesanato de 2006. No processo criativo, esses criadores consideram fatores culturais, sociais e ambientais para realizar suas obras. Durante o evento de lançamento do catálogo foram lançadas, também, na página dos Correios Net Shopping, lojas virtuais para a divulgação e comercialização dos produtos. Cerca de mil produtores participam diretamente desta iniciativa, que objetiva o fortalecimento do segmento do artesanato no país. A ação é fruto da parceria entre Fundação Banco do Brasil, SEBRAE, Caixa Econômica Federal, Confederação Nacional da Indústria, Correios e Instituto Libenter de Integração Social, Educação, Cultura e Desenvolvimento Humano”. 84 84

Fonte: Portal da Propaganda. Site Institucional. Disponível em: <http:// www.portaldapropaganda.

com>. Acesso em: fev. 2008

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Em 2006, as vendas via marketing direto representaram R$4 bilhões, utilizando como canais de vendas e-mail, fax, tele mensagens a celulares etc. Nesse mesmo ritmo, o e-commerce foi responsável, em 2006, por cerca de R$4,4 bilhões em vendas.


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II. Diagn贸stico do Mercado de Artesanato: Bordados e Rendas para Cama, Mesa e Banho


1. Análise PFOA

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

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De acordo com informações obtidas em artigos pesquisados sobre artesanato em geral, dentre os quais, conforme já mencionado anteriormente, se incluem bordados e rendas, nos últimos anos começaram a surgir intervenções cada vez mais freqüentes e sistemáticas na produção artesanal. Tais intervenções foram geralmente promovidas por instituições da esfera pública e privada, em quase todos os países da América Latina; sua principal motivação e justificativa tem sido a necessidade de integrar à vida econômica destes países uma atividade que durante muito tempo foi marginalizada e tratada apenas dentro da ótica da assistência social. Diante deste contexto, analisam-se as potencialidades, fragilidades, oportunidades e ameaças para bordados e rendas para Cama, Mesa e Banho.


Figura 13 – Matriz PFOA POTENCIALIDADES

FRAGILIDADES

• Imagem dos produtos latinos não é ainda suficientemente positiva no exterior para que os produtos possam ter um aumento em seu valor no mercado; • Escala de produção; • Na região Nordeste • Não há ainda uma ação sistêmica que envolva toda a cadeia de há muitos artesãos produção de bordados e rendas para Cama, Mesa e Banho a que produzem arponto de atribuir características competitivas dos produtos artigos de bordados tesanais no mercado internacional; e rendas em estilos variados; • Produtos artesanais, grosso modo, não são identificados facilmente por sua região de origem; • Bordados e rendas encantam emocional- • Baixa qualificação em gestão; mente por sua elaboração, requinte e de- • Falta de recurso financeiro para capital de giro, gerando vendas abaidicação artística; xo do preço de custo e recusa de encomendas de grande volume;

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• Prática de certificação • Infra-estrutura nem sempre adequada; por origem com sucesso, como em Bordados • Comunicação não organizada/liderada por setor ou associade Ibitinga; ção/cooperativa; • Rápida adaptação a • Embalagens não favorecem imagem do produto; novas tendências e matérias-primas; • Custo do produto artesanal x industrializado; • Mudança de posicio- • Falta de acesso ao mercado externo; namento de artesanato de subsistência • Dependência de atravessadores; para de mercado; • Resistência à mudança no processo produtivo para melhorar • Casos de sucesso em qualidade, sem perda do caráter artístico; RS e MG; • Foco no artesanato como atividade principal leva a irregu• Importância do setor laridade na produção; têxtil (linha lar) na economia nacional. • Falta de posicionamento baseado nos atributos inerentes à produção artesanal; • Pouco uso de ferramenta de e-commerce; • Comercialização ainda muito dependente de feiras de artesanato, regionalizadas.


OPORTUNIDADES

AMEAÇAS

• A divulgação de rendas e bordados é uma • Sugestões em práticas de design ou outras visando agregar valor aos bordados maneira de atrair novos consumidores, prine rendas de Cama, Mesa e Banho podem cipalmente do mercado externo, pelo aspecto desvirtuar a essência do trabalho origicultural e emocional sugerido pela delicadeza, nal, fabricado artesanalmente, deformancriatividade e beleza desses produtos; do valores e tradições e deturpando a percepção da cultura; • Os esforços para promover o artesanato, empreendidos por um extenso elenco de instituições e até mesmo com a criação de Programas Gover- • Consumidor não avalia produto de forma adequada (em função da origem, matérianamentais com o envolvimento de Ministérios prima e técnica) por desconhecimento e e organismos internacionais, têm se intensificado consideravelmente nos últimos tempos; preconceito; • Consumidor não valoriza o produto artesanal em função de seus atributos específicos, mas em comparação com o industrial; Uso de novas matérias-primas (fibras alternativas); • Poder de compra do consumidor; Correios como canal de exportação de produtos; • Baixa taxa de recompra em função da durabilidade e dos fatores que estimulam a Imagem do país ligada à natureza, biodiversidade potencializando produto de matéria-prireposição; ma com exploração sustentável; • Burocracia no processo de exportação; Associação à moda gerando maior consumo, principalmente por parte de consumidores • Mercado externo exige maior qualidade e fluxo constante de produto. com maior poder aquisitivo.

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• Aumento da consciência no Brasil de que assim • Remuneração totalmente inadequada dos artesãos alegando política de redução de como outros países da América Latina é precicustos; so que seus produtos alcancem melhor padrão competitivo; • Concentração do lucro da comercialização de produtos artesanais nas mãos de interme• Artesanato de um modo geral constitui uma diários; opção estratégica para reduzir a pressão social causada pelo desemprego; • Acirramento de disputas comerciais no mercado global; • Trabalhos manuais tendem a ser muito apreciados em países desenvolvidos; • Intermediários optam por produtor que ofereça mais escala e melhores preços • O incremento à comercialização de bordados e rendas de Cama, Mesa e Banho no exterior auxilia na divulgação da identidade cultural • Produtos asiáticos têm qualidade aceitável e são comercializados em preços muito mais brasileira, reforçando uma melhor imagem do baixos; país globalmente;

• •

Fonte: Autores.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

• Mercado mundial em expansão;


2. Fatores-chave de Sucesso (FCS)

É fato que o artesanato está atualmente configurado como atividade econômica alternativa para uma massa significativa de trabalhadores do mercado de trabalho formal. A produção artesanal é geralmente ligada a temáticas populares, tornando-se, assim, importante patrimônio cultural do País. Esta característica pode implicar tanto a inserção do artesanato no mercado, enquanto produto utilitário ou cultural personalizado, quanto o seu desaparecimento, por ser um produto fora dos padrões consumidos pelo mercado. A prevalência de um ou outro aspecto depende das feições mercadológicas que se consiga dar ao artesanato, isto é, a possibilidade de sanar os obstáculos de produção e comercialização, tornando-o competitivo; bem como das estratégias de marketing a serem adotadas. Para tal, alguns aspectos relacionados à competitividade devem ser analisados no âmbito do setor artesanal, incluindo-se também o marketing e a propaganda:

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Índice de comercialização do bem final produzido por artesão ocupado: indica a produtividade de cada trabalhador exercendo a atividade artesanal, individualmente ou em grupos produtivos, frente à quantidade vendida. Em relação ao produto de elaboração industrial, com uma produção muito superior ao artesanato, por trabalhar em escala, esta taxa é pequena. Entretanto, por se constituir uma atividade predominantemente manual, deve-se evitar uma comparação puramente quantitativa com modelos industriais, recomendando-se parâmetros mais flexíveis, compatíveis com práticas artesanais. A produtividade é variável para cada tipologia, sendo relativamente baixa para a tecelagem – principalmente na produção de redes de dormir – por exigir alto grau de especialização em cada etapa de sua manufatura, se comparada a outras tipologias, como as de alimentos ou de cerâmica. Da mesma forma, algumas tipologias com possibilidade de alto índice de produtividade, podem tornar-se um atrativo na escolha de investimentos para o setor.

Este índice, por sua vez, aponta a necessidade de maior ou menor intervenção na cadeia produtiva, visto que a baixa produtividade vai influenciar na formação de preços e na comercialização do bem final produzido. •

Qualificação e requalificação da mão-de-obra: a formação do artesão dá-se fundamentalmente no ambiente familiar, sendo necessários, em algumas tipologias, vários anos de aprendizado empírico e aprimoramento por experiência adquirida. Desta maneira, a formação de novos artesãos, através de cursos formais ministrados por consultores ou designers, é problemático, como já analisado anteriormente, quando não inseridos no contexto tradicional de aprendizado do ofício. Por outro lado, o aprimoramento técnico, imprescindível na profissionalização do trabalhador, pode ser realizado a qualquer momento pelo artesão menos experiente, através de mestres-artesãos ou mesmo consultores e designers, mas sempre de acordo com uma pedagogia e uma didática adequada à formação intelectual do artesão. O repasse do saber, através da relação consultor/ designer e o mestre-artesão, e deste para o artesão-aprendiz, mostra-se mais apropriado do que a relação direta consultor/designer e o artesão aprendiz, como vem sendo realizado. Nesta última, o aprendizado torna-se menos eficiente em virtude das linguagens utilizadas não serem compatíveis entre si, isto é, o artesão-aprendiz normalmente não compreende o que o consultor pretende com sua proposta pedagógica. A bibliografia


Potencial de comercialização: feitas diretamente ao consumidor ou por meio de intermediários – atravessadores, comerciantes, empresas e instituições de fomento ao artesanato – a venda do produto artesanal está condicionada à existência de mercado consumidor, sendo que, com relação ao turismo, este ainda está por ser estudado. Um dos principais problemas enfrentados pelo artesão para realizar a venda de seus produtos é a distância dos mercados consumidores. Em vários estados nordestinos, algumas instituições viabilizaram mecanismos de comercialização de artesanato criando centros de produção e vendas, mas que só atingem um universo limitado de artesãos e entidades associativas. A situação mais comum é a venda a intermediários ou a venda direta ao consumidor pelo próprio artesão, em sua residência ou oficina.

Relação Artesão x Consumidor: a informalidade dos serviços e do atendimento ao cliente prevalece no setor artesanal, como conseqüência do perfil do próprio artesão e de sua atividade. Este aspecto da informalidade no atendimento ao cliente, se obedecidos os limites das relações socialmente aceitáveis, pode ser um fator diferencial positivo para o setor, visto que propicia a formação de uma atmosfera amigável, diferente das regras de condutas impessoais estabelecidas e praticadas pelo comércio e serviços da economia formal.

Marketing e propaganda: muitas vezes, estratégias de marketing que envolvem “um compromisso em ‘assumir’ e desencadear processos administrativos que assegurem a imagem e o posicionamento da empresa e de seus produtos e/ou serviços, em meio à concorrência pela efetiva e crescente satisfação do consumidor para atingir os resultados almejados”85, são confundidas com a simples propaganda, isto é, com a necessidade de catálogos e folders de produtos. O estabelecimento de estratégias de marketing apropriadas para cada tipologia, segundo as características de cada pólo produtor, além da confecção de catálogos e folders, é a postura mais adequada para o setor.

• Fornecedores de matéria-prima: a figura do intermediário ou atravessador é vista com ressalvas pelas instituições de apoio e desenvolvimento do artesanato. Segundo estas, o intermediário explora a mão-de-obra artesanal, tornando-se um impeditivo para o crescimento do setor. Contudo, somente parte desta afirmação é correta, visto que, exercendo também o papel de fornecedor, o intermediário – ou atravessador – representa o principal elemento de sustentação da atividade artesanal, pois, além de aprovisionar o artesão com matéria-prima, exerce controle de volume, preços e design, favorecendo o artesanato como atividade de subsistência. Contudo, sob outra perspectiva, é ele que garante a manutenção da atividade artesanal na maioria das localidades nordestinas, particularmente naquelas não atendidas por algum tipo de projeto ou programa institucional. • Controles gerenciais: de um modo geral, e ainda que de forma incipiente, o item é mais observado nas entidades associativas, grupos de produção e cooperativas de artesãos. O artesão individual, predominante em todas as tipologias estudadas, normalmente desconhece a existência desses mecanismos e instrumentos de gerenciamento de produção e comercialização. 85 Fonte: PEREIRA, Heitor José. Criando seu próprio negócio: como desenvolver o potencial empreendedor. Brasília: SEBRAE, 1995, p. 121.

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secundária e a pesquisa direta indicaram a necessidade de intervenção na qualificação da mão-de-obra em todas as tipologias, especialmente no item design, por atingir especificamente a questão do gosto e tendências do mercado, determinando, assim, sua maior ou menor comercialização.


• Por fim, um aspecto a ser abordado é a visão do artesão com relação ao seu próprio produto. No artesanato de subsistência a competitividade é pesquisada no contexto do artesanato versus produto industrializado, não se levando em conta a competitividade entre os próprios artesãos, característica própria do artesanato de mercado. Desta forma, é de se esperar conflitos, comuns nas disputas de mercados por empresas competitivas, também para o artesanato de mercado. As conseqüências mais imediatas, além da provável redução do mercado para o artesanato de subsistência, são a exclusão de muitos artesãos do mercado competitivo, por força das características da própria competitividade. Estes aspectos, responsáveis por um possível agravamento dos problemas sociais verificados, devem ser analisados e avaliados pelos projetos e programas de transformação do artesanato de subsistência em artesanato de mercado.

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2.1.

Fatores-chave de Sucesso para Exportação

• Limitada capacidade de produção: é comum o comprometimento de artesãos com importadores contatados em rodas de negócios ou exposições de que participam, com encomendas além de sua capacidade de produção, para depois recuarem ante a impossibilidade de cumprir a negociação feita. Apesar de mais precária na exportação, situações como essas também ocorrem em negociações no mercado interno. Essa constatação é citada com relevância por representantes de cooperativas, presentes em feiras, exposições e rodas de negócios que envolvem potenciais compradores estrangeiros. Mais uma vez, as analogias feitas com as dificuldades enfrentadas pelas pequenas empresas se confirmam aqui. Como a confecção de peças artesanais, na maioria das vezes, não é a atividade econômica principal do artesão, não há condições de atender a grandes demandas. Além disso, a associação com outros artesãos para atender a um pedido único, ainda não é uma prática comum. As associações têm sido bastante úteis para somar esforços e ratear custos nas atividades comerciais como participação em feiras ou rodadas, mas ainda não funcionam em vendas e negociações conjuntas. Isso foi observado em quase todas as entrevistas. Por exemplo, é comum uma pessoa representar outros artesãos de uma mesma associação nessas feiras, mas a negociação é feita individualmente, mesmo que através de outro. O que se configura aqui é que os esforços e recursos envolvidos para trazer compradores estrangeiros para essas feiras e rodas se tornaram infrutíferos, uma vez que não houve preparação adequada dos artesãos participantes. Essas experiências negativas geram descrédito junto aos potenciais compradores e podem dificultar esforços futuros. Além disso, há de se considerar que se os Estados Unidos são o principal mercado para a maioria desses produtos, o volume de produção toma nova dimensão, dada as proporções daquele mercado e as grandes quantidades de suas encomendas. •

Qualidade do produto: a exigência de um padrão de qualidade bem mais elevado do que aquele aceito pelo mercado interno dificulta e, muitas vezes, inviabiliza as exportações. Como essa particularidade já é do conhecimento de muitos artesãos, alguns deles não se arriscam no mercado internacional por temer prejuízos com a devolução de mercadorias. Essa experiência já ocorreu com alguns artesãos e essa informação está relativamente bem disseminada entre eles. A padronização de produtos, em geral, tem sido uma exigência do mercado comprador. Alguns artesãos se recusam a padronizá-los por considerá-los artísticos. Outros não conseguem padronizar por falta de orientação. Além da padronização, outro aspecto importante demonstrado na pesquisa é a qualidade da matéria-prima. Bordados bem elaborados em tecidos de má qualidade perdem oportunidade de negócio e são desvalorizadas no produto final.


Custo e burocratização da exportação: o elevado custo da exportação e os trâmites burocráticos envolvidos são outros entraves apontados, mas esse tipo de dificuldade pode ser contornado pela utilização de serviços de despachantes ou por meio de venda indireta através de comercial-exportadora ou trading companies. A exportação simplificada via Correio é uma alternativa, que poderá amenizar essa situação.

Falta de contatos comerciais no exterior: Esse aspecto ocorre particularmente com os artesãos que só exportaram esporadicamente ou nunca realizaram uma venda externa. Os artesãos que já estão exportando e, por conseguinte, já evoluíram na gestão empresarial, e obtiveram substancial melhoria em seus produtos, sabem, por experiência, que os produtos de qualidade têm mercado garantido e que a dificuldade maior é atender às encomendas. A dificuldade de contatos no exterior, na verdade, pode ser amenizada através de feiras internacionais no país ou de apoio de instituições nacionais ou estrangeiras que facilitam esses contatos, como é o caso dos setores comerciais das embaixadas brasileiras no exterior e outros organismos internacionais.

3. Tendências para o Setor de Bordados e

Além de todas as perspectivas para o setor de bordados e rendas para Cama, Mesa e Banho, apresentadas anteriormente, é importante ressaltar que essa produção artesanal depende também de questões envolvendo o setor têxtil e de confecção. Sendo assim, as tendências a serem discutidas englobam aspectos inerentes ao setor têxtil; os elementos referentes a bordados e rendas enquanto tipologias de artesanato estão descritos nos anexos deste relatório. Uma grande parte da literatura em mudança tecnológica ignorou ou continua ignorando os ativos imateriais (intangíveis) como fundamentais para a competitividade da indústria têxtil-vestuário. Esta literatura preferiu ou ainda prefere enfatizar as características tecnológicas incorporadas, especialmente aquelas associadas às mudanças no processo de produção ou na função de produção. Neste item parte-se dos ativos materiais fundamentais para a competitividade e no decorrer do item tenta-se mostrar a crescente importância adquirida pelos ativos imateriais. Um aspecto central e que merece ser frisado é que a indústria têxtil-vestuário depende de outros setores em termos de avanços tecnológicos, como do setor de bens de capital (máquinas e equipamentos) e o setor químico (fibras, corantes, tintas). Graças aos expressivos avanços nas máquinas e equipamentos (com controle microeletrônico) e às novas fibras o segmento têxtil conseguiu significativos avanços tecnológicos. O aumento da velocidade das máquinas e equipamentos foi possível diante da utilização crescente de fibras químicas e das melhorias das fibras naturais (cada vez mais os tecidos são constituídos pela mistura de fibras químicas com naturais). Ainda que estes ativos materiais permaneçam relevantes, cada vez mais se mostra insuficiente apenas a modernização da indústria têxtil-vestuário via ativos materiais, fortemente representados por aquisição de máquinas e equipamentos têxteis e melhoria das matériasprimas (fibras, por exemplo). Os ativos materiais são apenas uma dimensão para ganhos

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Rendas para Cama, Mesa e Banho

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa


efetivos e sustentáveis de competitividade da indústria têxtil-vestuário. Essa insuficiência agrava-se quando se busca maior competitividade da cadeia têxtil-vestuário como um todo, e não apenas em algumas empresas ou elos da cadeia. A indústria têxtil-vestuário tem cada vez mais como elemento importante não só a concorrência, a competitividade isolada da empresa, mas também a eficiência de todas as empresas e os elos pertencentes à cadeia produtiva têxtil-vestuário.

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Os ativos imateriais (intangíveis) são cada vez mais essenciais na competitividade da indústria têxtil-vestuário. Nesta indústria os ativos intangíveis, em grande medida, incluem ativos anteriores e posteriores à produção, como: •

design;

desenvolvimento de produto;

engenharia;

marketing;

canais de comercialização;

marcas (preferivelmente globais);

logística;

manutenção e assistência aos fornecedores;

capacidade de administração e coordenação da cadeia.

Frente ao acirramento da concorrência já há muito tempo, as empresas do setor têxtil/vestuário têm buscado deslocar as partes mais intensivas em mão-de-obra (no caso, a confecção), que continuam sendo responsáveis por parcela significativa nos custos dos produtos, para regiões/países de menor custo mão de obra. Essas empresas também vêm buscando incorporar, ao máximo, máquinas e equipamentos (que contêm componentes de base microeletrônica) aos segmentos mais intensivos em capital (quais sejam, os elos têxteis). Diante deste quadro, mostra-se imperativo para a competitividade da indústria têxtil-vestuário que as empresas tenham capacidade de coordenação e integração com seus fornecedores dispersos regionalmente e/ou globalmente, já que nos segmentos mais voltados à moda (segmento este com crescente participação na cadeia têxtil-vestuário) por sua natureza versátil, são exigidas cada vez mais respostas rápidas dos fornecedores; ao mesmo tempo as empresas focam seus esforços em fortalecer suas marcas (por meio de ativos programas de marketing), no desenvolvimento de design e de canais de comercialização que são as funções de maior valor na cadeia. Ademais, pelo fato da concorrência cada vez mais se dar em termos de produtos diferenciados e de maior qualidade, ou seja, produtos que incorporam os conceitos de moda e estilo, em detrimento do padrão de concorrência pretérita que estava ancorado em produtos de baixo preço, massificados e padronizados, a competitividade da indústria têxtil-vestuário depende crescentemente das melhorias, ainda que incrementais, das matérias-primas e das máquinas e equipamentos, assim como da integração e coordenação dos vários elos cadeia têxtil-vestuário, dos segmentos mais a montante aos mais a jusante.


O Brasil possui praticamente todos os elos da indústria têxtil-vestuário, fato raro entre os países em desenvolvimento. A cadeia integra atividades desde a produção de fibras/ filamentos até o segmento de confecção, assim como os diversos tipos de produtos. É possível ampliar este campo para incluir a produção de fibras naturais e a pesquisa agrícola que a sustenta. A indústria têxtil foi a mais importante do setor de transformação no Brasil até o ano de 1939. Esta indústria (constituída de produtos de algodão, juta, lã, seda e linho) empregava, em 1907, 34,2% dos trabalhadores na indústria de transformação, continha 40,2% do total da força motriz instalada e 40,4% do total do capital investido. A participação da indústria têxtil no total do valor adicionado na indústria de transformação foi, em 1919 e 1939, respectivamente, de 25,2 e 20,6%, colocando-se logo após a indústria de processamento de alimentos. Atualmente, a indústria têxtil-vestuário apresenta participação bem mais modesta, mas ainda permanece como grande geradora de emprego e renda no país. Em 2001 representou apenas 1% do valor adicionado (a preços básicos) da indústria de transformação (em 1991 representava 2%), mas era responsável por 22,98% dos ocupados na indústria de transformação (15,12% do total da indústria). A indústria têxtil-vestuário brasileira teve significativas transformações desde a década de 90, sendo que o cenário macroeconômico – marcado pela abertura combinada com a valorização cambial do Plano Real – foi muito relevante para estas mudanças.

Destaca-se que perante a crise do algodão, num primeiro momento, as empresas de fiação e tecelagem se beneficiaram pela importação de algodão a baixos preços (decorrentes da expressiva oferta mundial), juntamente com a queda nas alíquotas brasileiras do produto. No entanto, num segundo momento, com a redução acentuada da safra do Paquistão (em 1995), entre os maiores produtores de algodão, os preços internacionais subiram rapidamente, prejudicando a cadeia têxtil diante da impossibilidade de suprir o fornecimento de algodão domesticamente. Neste contexto, de forte crescimento das importações, a indústria têxtil-vestuário a partir de 1995 apresenta déficits comerciais. Nos anos mais recentes, de uma forma sintética, apesar do complexo têxtil ter sido uns dos mais afetados pela abertura comercial, houve uma modernização na indústria têxtil-vestuário brasileira, evidenciada tanto pela melhora nas máquinas e equipamentos (quantidade de máquinas instaladas e suas idades médias), em grande medida decorrente das significativas importações feitas, como pelo seu recente desempenho comercial.

bordados e rendas para cama, mesa, banho e casa

Observou-se um forte crescimento das importações de fibras de algodão em meados dos 1990 em função da praga do bicudo que atingiu a produção nacional de algodão, assim como um notório crescimento das importações de tecidos de fios artificiais e sintéticos, em que os países do sudeste asiático são muito competitivos, sendo que o segmento de tecidos planos sintéticos foi o mais afetado, especialmente a região de Americana, onde ocorreu uma redução drástica do número de empresas e de postos de trabalho.

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Na dimensão da indústria têxtil-vestuário, as alíquotas de importação dos produtos deste setor foram significativamente reduzidas e sem qualquer plano de reestruturação industrial. Isso castigou o setor, especialmente em suas vendas no Brasil e em sua competição no exterior. Dois elementos são constitutivos deste quadro: a taxa de câmbio sobrevalorizada e baixos preços aos quais são vendidos os produtos chineses e asiáticos de uma forma geral.


4. Estratégia Competitiva

Em mercados altamente competitivos, como se revela o da linha Lar, a capacidade de agregar atributos de diferenciação é fundamental para obter um posicionamento competitivo vantajoso, desde que essa diferenciação seja perceptível e valorizada pelo consumidor. À luz do modelo de Xavier Gilbert,86 identifica-se que as empresas que atuam sem diferenciação de produto nem vantagem de preço final ao consumidor encontram-se em uma situação de “vala comum”. Nesse quadro, uma empresa é incapaz de conquistar participação de mercado de forma consistente, pois está freqüentemente exposta às ações da concorrência. Nesse sentido, sugere-se que as mesmas busquem posições mais favoráveis, tanto pela inovação como pela produtividade. Desse modo, a situação de uma empresa percebida como de “Baixo Custo” pode ser adequada tanto na abordagem de consumidores de baixa renda, como fornecedora para varejo que tem no público C, D e E seu alvo.

Outra forma de atuar com diferenciação pode ser identificada junto ao mercado de luxo. Nesse, várias lojas especializadas apresentam produtos diferenciados e cujo apelo de venda está na produção artesanal. A atuação focada em nichos de mercado também pode ser bastante favorável, como no caso de rendas do NE, bordados de Ibitinga etc. que, com posicionamento apoiado à identificação com a origem atingem públicos que valorizam essas características.

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Se por um lado os produtores artesanais devem buscar associação de atributos para que sejam mais valorizados, tais como referencial de origem e uso de materiais típicos da fauna brasileira, de outro oferece ao mercado industrial a oportunidade de desenvolver linhas premium em seu portfólio, a partir de materiais artesanais, como bordados e rendas.

86 Fonte: GRACIOSO, Francisco. Planejamento estratégico orientado para o mercado: como planejar o crescimento da empresa conciliando recursos e “cultura” com as oportunidades do ambiente externo. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996.


Figura 14 – Quadro de Xavier Gilbert

INOVAÇÃO Diferenciação “nicho”

Vantagens de mercado

Diferenciação e vantagem de custo

Valor comum Baixo custo (situação indesejada) PRODUTIVIDADE Vantagens de produção

Fonte: Elaboração do revisor, adaptado de figura original de Xavier Gilbert.

5. Conclusão e Recomendações Estratégicas

O setor de bordados e rendas para Cama, Mesa, Banho e Decoração enfrenta forte competição do setor externo. Aliado a isso, a forte correlação com a renda disponível leva a um consumo principalmente dirigido pelo preço, a exceção das classes com maior poder aquisitivo. No mercado, a concorrência dos grandes players e o poder de barganha junto a grandes fornecedores ou intermediários dificultam a trajetória e conquista dos resultados desejados, o que sugere que a competição seja um caminho indicado para produtores que, por meio de cooperativas ou associações, podem ter seu poder de barganha aumentado. Dessa forma, considerando-se os principais entraves existentes, são sugeridos caminhos para minimizar essa situação de mercado.

5.1.

Problemas Relativos à Comunicação

• Utilizar meios criativos e alternativos de comunicação, com destaque ao uso da internet como meio mais rápido e amplo de acesso; • Desenvolver ações cooperadas, em conjunto com prefeituras e entidades que visam o desenvolvimento local; • Criar ação para fortalecer a certificação por origem, permitindo atrelar valores da cultura local e matérias-primas e técnicas de produção ao produto final.

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para o Setor

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5.2.

Problemas Relativos à Comercialização

• Buscar relacionamento direto com compradores, principalmente junto ao pequeno varejo e lojas especializadas, minimizando o número de intermediários; • Utilizar-se de feiras de produtos regionais, não apenas em seu estado de origem, para fortalecer posicionamento regional; • Implantar canal de e-commerce, em ação conjunta e coordenada, para melhorar poder de barganha e minimizar investimentos.

5.3.

Problemas Relativos à Competitividade

• Identificar um nicho de mercado para atuação apoiada em diferenciais perceptíveis; • Desenvolver produtos que possam atender às diferenças de cultura, clima, raça e grupos etários, bem como suas necessidades intrínsecas; • Buscar atuação com linhas de produtos que não tenham forte competição de produtos importados da China; • Adotar o conceito de moda e sazonalidade para oferta de produtos diferentes e adequados a cada tema da atualidade.

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5.4.

Problemas Relativos à Produção

• Buscar apoio de entidades, cooperativas e associações no sentido de aumentar poder de barganha junto a fornecedores, aumentar capacidade produtiva e incrementar economia de escala; •

Perseguir constantemente uma maior capacitação para compreensão e uso de novas tecnologias disponíveis;

Implantar um controle constante de qualidade sobre peças, acabamento e apresentação (embalagens).


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III. ReferĂŞncias


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EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) IEMI (Instituto de Estudos e Marketing Industrial) MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) SINDITÊXTIL (Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em geral; de tinturaria, estamparia e beneficiamento; de linhas; de artigos de cama, mesa e banho; de não-tecidos e de fibras artificiais e sintéticas do Estado de São Paulo)

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CORREIO POPULAR <http://www.cpopular.com.br> EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária): <http://www.embrapa.br> ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing): <http://espm.br> EURATEX (The European Apparel and Textile Organisation): <http://www.euratex.org>

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FEIRA DO ARTESANATO: <http://www.feiranacionaldeartesanato.com.br> FEIRA DO BORDADO DE IBITINGA: <http://www.feiradobordadodeibitinga.com.br> FIBER ECONOMICS BUREAU: <http://www.fibersource.com/feb> FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo): <http://www.fiesp.com.br> GARATUJANDO: <http://garatujando.blogs.sapo.pt> GUIA JEANSWEAR: <http://www.guiajeanswear.com.br> IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). <http://www.ibge.gov.br> IEMI (Instituto de Estudos e Marketing Industrial): <http://www.iemi.com.br> INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial): <http://www.inpi.gov.br>


INSTITUTE OF DEVELOPMENT STUDIES (at the University of Sussex): <http://www.ids. ac.uk> INTERJORNAL: <http://asn.interjornal.com.br> ITCB (International Textiles and Clothing Bureau): <http://www.itcb.org> ITFM (International Textile Manufacturers Federation): <http://www.itmf.org> JORNAL DA USP: <http://www.usp.br/jorusp> MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior): <http://www. mdic.gov.br> OFFICE OF TEXTILES AND APPAREL (U.S. Dept. of Commerce): <www.otexa.ita.doc.gov> PERNAMBUCO DE A/Z: <http://www.pe-az.com.br> PONTO CRUZ NET: <http://www.pontocruz.net> PROGRAMA EDUC@R (Educação à distância usando a internet): <http://educar.sc.usp.br> RECICLOTECA (Centro de Informações Sobre Reciclagem e Meio Ambiente): <http:// www.recicloteca.org.br> REVISTA TÊXTIL: <http://www.revistatextil.com.br> SAFRAS & MERCADO (Fórum do algodão): <http://netpro.safras.com.br/forum/viewtopic.php?t=19&start=105&postdays=0&postorder=asc&highlight=&sid=c3c6532c7c579708 8cd6ebfd006b2a3a> SEBRAE: <http://www.sebrae.com.br/revistasebrae/06/temadecapa_07.htm> SEBRAE:<http://www.sebraesp.com.br//principal/notícias/materias/2007/janeiro/5/ntc1.wspx> SEBRAE-SP: <http://www.sebraesp.com.br> SINDITÊXTIL (Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em geral; de tinturaria, estamparia e beneficiamento; de linhas; de artigos de cama, mesa e banho; de não-tecidos e de fibras artificiais e sintéticas do Estado de São Paulo): <http://www.sinditextilsp.org.br> SISTEMA DE EMPREGO DE RENDA: <http://www.sine.rn.gov.br> TOBIAS BARRETO: <http://www.tobiasbarreto.arranjoprodutivo.com.br/artesanato.htm> TOBIAS BARRETO: <http://www.tobiasbarreto.arranjoprodutivo.com.br/coop.htm> TOBIAS BARRETO: <http://www.tobiasbarreto.arranjoprodutivo.com.br/coruja.htm>


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Supernova Design Projeto grรกfico Ribamar Fonseca Foto de capa Clausem Bonifรกcio marรงo de 2008


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Bordados e Rendas para cama, mesa e banho - ESTUDOS DE MERCADO SEBRAE/ ESPM 2008