Ricardo Labastier - Assucar

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15 de Novembro a 23 de Dezembro


JosÉ Afonso

Assucar é uma sentença. Doce para uns, amargo para muitos. É chave de interpretação das relações construídas e dos imaginários, do poder e da descendência. Fosso onde cabem os traços vivos, vermelhos, das identidades nascidas da desigualdade. O eixo criativo de Ricardo Labastier gira sobre o ambíguo. Mescla a experiência plástica com a fotografia. O terreno e o espiritual. A carne e o dinheiro. O poder e a submissão. O vermelho. O sangue. A vida e a morte. Assucar nos sugere que toda riqueza tem seu preço. De onde saíram toneladas de mercadorias gerando a pujança econômica que foi capaz de sustentar séculos de sobrados e sobrenomes, também saíram as tragédias ecológicas, sociais, políticas, econômicas. E ainda nossas singularidades, sincretismos, mestiçagem. A técnica utilizada para produção das imagens alude a essa permanência cíclica, que realimenta a nossa ambiguidade civilizatória. Elaborar o visual através de vestígios, relicários, fotografias. Depositar sobre o vidro, cimentar com a cera vermelha. Fotografar. Raspar o vidro, elaborar de novo. Outra imagem. Outra sentença. Um ritual ao seu modo.

A pesquisa e o experimento jogam com o contrato da fotografia com a memória. O que se foi? O que podemos reter? A fotografia se presta para isso? De certa forma, as imagens de Assucar não deixam de ser retratos das sobras nascidas e existentes dos processos e dos sujeitos envolvidos. É uma amostra do sensível elaborado como um oráculo de profecias sombrias, nativo de genocídios. Esse movimento cria imagens como cicatrizes. São signos de vidas e rastros que avançam sem abandonar. Que não podemos decifrar de modo completo, mas que acusam outras estratégias: a exclusão, o preconceito de cor e social, a desigualdade de oportunidades, a permanência imperativa do violento que perdura da colônia até hoje. Que se repete, que se apaga, que volta, que se mostra de novo. Que carrega junto e o tempo todo: o bom e o ruim, o claro e o escuro, o gozo e a tragédia. Ricardo Labastier sugere os vestígios dessas repetições e seus ciclos. Amargo para muitos. Doce para uns. Assucar é uma sentença. José Afonso Jr. Professor e Pesquisador.


Baquaqua RL06_APG102017 2017 Fotografia 66 x 100 cm


Flor de Santo RL15_APG102017 2016 Fotografia 100 x 66 cm


ÃŒndios RL14_APG102017 2015 Fotografia 100 x 66 cm


Capela RL01_APG102017 2015 Fotografia 100 x 150 cm


Casa Senzala Grande RL04_APG102017 2015 Fotografia 40 x 60 cm


Cinta RL16APG102017 2016 Fotografia 100 x 66 cm


Ciranda LampiĂŁo RL10_APG102017 2015 Fotografia 100 x 66 cm


Festa de São João RL02_APG102017 2015 Fotografia 145 x 250 cm


Mascates RL07_APG102017 2015 Fotografia 100 x 66 cm


Música RL11_APG102017 2015 Fotografia 100 x 66 cm


Noturno 1

Segundo Poder

MCN16_APG072017 2016 Pintura sobre papel 29,7 x 21 cm

RL03_APG102017 2015 Fotografia 100 x 66 cm


“Bojo Reto I” TA20_ APG032017 2015 Cerâmica esmaltada 36c32cm.diam.

Nossos Pais RL05_APG102017 2015 Fotografia 40 x 60 cm


Sino de Ouro RL12_APG102017 2015 Fotografia 100 x 66 cm


Rio Brasilis RL17_APG102017 2016 Fotografia 100 x 66 cm


Ordem RL08_APG102017 2015 Fotografia 40 x 60 cm


Zumbi RL13_APG102017 2015 Fotografia 100 x 66 cm


Progresso RL09_APG102017 2015 Fotografia 40 x 60 cm


Artista

Ricardo Labastier

Curadoria

JosÉ Afonso

Projeto Gráfico e Diagramação

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Apoio



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