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1 ÍNDICE

Apresentação …………………………………………………………………………………………………………

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Sumário …………………………………………………………………………………………………………………

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Capítulo I – PROJECTO ÂNCORA Diagnóstico dos problemas de partida ………………………………………………………………..

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Justificação do Projecto Âncora…………………………………………………………………………….

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Desenvolvimento da Autonomia ………………………………………………………………………….

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Cronograma de execução do Projecto …………………………………………………………………

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Capítulo II – LINHAS PROGRAMÁTICAS ……………………………………………………… Qualidade do ensino …………………………………………………………………………………………….

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Oferta educativa …………………………………………………………………………………………………..

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Intervenção na qualidade da ocupação dos tempos escolares …………………………..

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Infraestruturas ………………………………………………………………………………………………………

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Uma visão para o futuro – Educação para a Sustentabilidade ……………………………

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A Escola, o Desporto e a Promoção de Estilos de Vida Activa ……………………………

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Notas Finais …………………………………………………………………………………………………………..

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Fontes …………………………………………………………………………………………………………..

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Apresentação

Ao apresentar a minha candidatura a Directora, faço-o na convicção de que o meu percurso pessoal comporta todas as condições que o exercício de um órgão de gestão da Escola Secundária da Boa Nova-Leça da Palmeira exige. Tenho presente a aprendizagem que realizei como docente e a visão de conjunto que as funções de Presidente do Conselho Executivo me proporcionaram. Cumpri outros mandatos, contactei outras realidades, aprendi outros modelos de gestão, comparei procedimentos e desenhei um projecto consubstanciado nas linhas programáticas de acção que agora submeto à vossa apreciação. Neste Programa de Candidatura encontram-se as linhas mestras de uma actuação que me proponho desenvolver com a Escola, com todos os que dela fazem o seu centro de vida, de trabalho, de convicções e mesmo de afecto. O que determinará a importância das questões será a sua legitimidade, a mais valia – pessoal e institucional – que possam trazer para a “Escola da Boa Nova”. Porque o mundo não pára, este é um programa que implica um compromisso que pretendo aberto. Ao equacionar os problemas de hoje, quero deixar claro que o Director e os que com ele colaborarem terão uma atitude receptiva para as questões e interesses de docentes, de alunos e de não docentes, sem contudo abdicar de grande firmeza em relação a princípios de rigor e exigência, éticos e de justiça, pelos quais se deve pautar uma Escola Pública. Pretendo do exercício do mandato de Director uma projecção real da Escola, aferida por indicadores reconhecidos pela Comunidade. Encontrar para a Escola um sentido de corpo, de vontades congregadas, é uma tarefa difícil que implica envolvimento e participação, nomeadamente daqueles que colocaram como norma de conduta um elevado grau de exigência de si próprios, sejam docentes, alunos ou não docentes. É uma tarefa a que adiro com entusiasmo e que me habituei a desempenhar enquanto Presidente do Conselho Executivo, sempre que atendia a questões da docência, acolhia pretensões de alunos ou intervinha nos problemas de gestão de pessoal não docente. E foi da aceitação que recebi, que se formou em mim a convicção de que poderia fazer mais e melhor se, acompanhada por uma equipa de competência inquestionável, me propusesse ao exercício das funções de Directora.

Leça da Palmeira, de Abril de 2009

________________________________________________________________ Maria José Santos Cabral de Oliveira e Sousa Lopes Gomes (Professora Titular do grupo de Recrutamento 400)


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PROGRAMA DE CANDIDATURA


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“Eu quero uma escola eficaz, quero uma escola eficiente, quero uma escola de qualidade, mas é através de um padrão de aferição de uma escola democrática com determinados valores, com a recuperação de algumas utopias.” Michael Porter, 1995


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Sumário Este Programa de Candidatura mostra o que pretendo ver realizado na nossa Escola nos próximos quatro anos e os caminhos que deveremos percorrer. Concretizar-se-á através de diversas acções, aqui expostas em duas formas distintas: •

Capítulo I – Projecto Âncora: propostas específicas, espacializadas, pensadas para a resolução dos principais problemas diagnosticados.

Capítulo II – Linhas Programáticas: propostas não espacializadas, aplicáveis, a vários locais ou situações. Funcionam como ideias exemplificativas do exercício de algumas das competências cometidas ao Director.


6 Capítulo I – PROJECTO ÂNCORA Diagnóstico dos problemas de partida No âmbito da avaliação externa e da auto-avaliação foram recolhidos dados que permitiram constituir uma análise dos pontos fortes e as áreas de melhoria, das oportunidades e das ameaças, primeiro passo que constitui o elo entre a prática e o projecto para a melhoria. Os “principais problemas” são as questões fundamentais que precisam de ser resolvidas, não só pela escola, ou na escola, mas no âmbito da sociedade como um todo. Na síntese dos atributos da escola (pontos fortes e pontos fracos) a equipa de avaliação externa considerou: Pontos fortes • • • • •

A evolução positiva da taxa de conclusão do ensino secundário. A Biblioteca bem equipada e dinamizadora de actividades, constituindo-se num pólo de divulgação cultural. A estabilidade, o empenho e o espírito de equipa do corpo docente. As medidas de apoio educativo, social e de orientação vocacional aos alunos. O trabalho desenvolvido pela equipa de auto-avaliação.

Pontos fracos • • • • •

O insucesso verificado, especialmente no 7º ano de escolaridade. A indisciplina ao nível do 7º ano e dos Cursos de Educação formação. A falta de articulação horizontal e frágil sequencialidade entre o Ensino Básico e o Ensino Secundário. A pouca valorização da componente experimental no ensino das ciências. O reduzido acompanhamento dos pais/encarregados de educação no processo educativo dos seus educandos.

Feita a reflexão sobre o Relatório de Auto – Avaliação da Escola 1 concluiu-se que de entre várias áreas de melhoria emergiram duas que são suficientemente importantes para serem objecto de análise e sobretudo de tentativa de solução: 1

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Sucesso académico •

Taxas de transição do 7º ano de escolaridade.

Taxas de conclusão do 12ºano de escolaridade.

Comportamento e Disciplina •

Turmas do Ensino Básico regular e dos Cursos de Educação e Formação.

Conclusão – Em resultado de processos de avaliação institucional interna e externa, concluiu-se pela existência de duas áreas prioritárias de intervenção: O insucesso académico verificado, especialmente no 7º ano de escolaridade, mas também, na conclusão do 12º ano e a indisciplina ao nível do 7º ano e dos Cursos de Educação e Formação, face aos critérios de exigência internamente adoptados. 2 Reconhecendo que estas considerações são reveladoras da realidade da nossa escola e havendo uma necessária articulação entre avaliação/autonomia, é condição básica para melhorar os diferentes níveis de desempenho e aprendizagem, pôr em prática e celebrar um Contrato de Autonomia e Desenvolvimento, em consonância com a realidade e o contexto da escola, que permita minimizar as dificuldades e potenciar as nossas boas práticas. PROJECTO ÂNCORA

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Relatório sobre o ano lectivo de 2007/2008. Cf. o estabelecido no Projecto Educativo da escola.


7 Visão: Construção da autonomia da Escola Secundária Boa Nova Justificação do projecto âncora Este projecto tem como grande objectivo a construção da Autonomia envolvendo todos (ou quase todos) os intervenientes na educação da região – comunidade educativa – num esforço que promova a partilha de ideias conducentes à celebração de um contrato em que se assumam compromissos que permitam à escola a construção de um “Projecto Educativo” no contexto do referido contrato. O reforço da autonomia das escolas deve traduzir-se necessariamente num conjunto de competências e de meios, de que os órgãos de gestão devem dispor para decidirem sobre matérias relevantes, ligadas à definição de objectivos, às modalidades de organização, à programação de actividades e à gestão de recursos. Rege-se por cinco máximas principais: Colocar o aluno no centro das actividades da Escola; Descentralizar as responsabilidades até ao nível mais próximo do campo de acção garantindo uma melhor utilização dos recursos públicos; Responsabilizar a escola perante a comunidade; Melhorar a qualidade do ensino; Aumentar a eficiência da escola como serviço público; O Decreto-Lei n.º 43/89 (autonomia dos estabelecimentos de ensino) é o documento em que, pela primeira vez, se relaciona o Projecto Educativo com Autonomia da escola. Desde 89 que se fala de autonomia mas esta ainda não foi cumprida. As escolas ainda não têm capacidade de decisão própria. Tem sido feito o discurso de autonomia sem que esta tenha sido permitida deixando-se um rasto de culpabilização da escola, pela sua incapacidade organizativa para chegar até ela. Mais recentemente foi publicada a Lei n.º 31/2002, designada por “Lei do sistema de Avaliação da educação e do Ensino Não Superior”. Esta lei defende um sistema duplo: “avaliação externa” e “auto-avaliação”. Esta será obrigatória e deverá partir de um conjunto de “termos de análise” (art.º 6º). A Lei não estabelece normas relativamente aos procedimentos de avaliação, mas formula a exigência de que estes se devem submeter “a padrões de qualidade devidamente certificados” (art.º 7º). No art.º 9º, n.º 2, estipula 14 “indicadores” que concretizam um conjunto de “parâmetros de conhecimento científico, de carácter pedagógico, organizativo, funcional, de gestão, financeiro e socioeconómico”. Estabelece, ainda, em que sentido se devem orientar os resultados da auto-avaliação ao atribuir-lhes 7 objectivos específicos no art.º 15º. Esta Lei veio obrigar as escolas a prestar uma maior atenção à auto-avaliação apesar de suscitar algumas dúvidas nomeadamente em que consiste a conformidade a “padrões de qualidade devidamente certificados”. O Programa do XVII Governo Constitucional assume explicitamente uma relação estreita entre a avaliação e o processo de autonomia das escolas, cujo desenvolvimento pressupõe a responsabilização, a prestação regular de contas e a avaliação. Para a concretização desta prioridade foi publicado o Despacho Conjunto n.º 370/2006, de 3 de Maio, para a constituição de um grupo de trabalho com o objectivo de estudar e propor os modelos de auto-avaliação e de avaliação externa dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário. O Decreto-Lei n.º75/2008, de 22 de Abril, enfatiza os processos de avaliação, interna e externa, referindo-os como requisitos para a apresentação de propostas de contratos de autonomia. A nossa escola está dotada de todos os meios legalmente necessários para o percurso evolutivo – O relatório da Avaliação Externa aplicada à escola em Abril de 2008, refere sobre a capacidade de auto-regulação e melhoria da escola: “Os responsáveis da escola tendo tomado consciência da necessidade de avaliar de forma abrangente o seu funcionamento, criaram uma equipa de auto-avaliação que desenvolveu um processo bem estruturado e baseado em princípios de natureza teórica que o sustentam, aproveitando os conhecimentos adquiridos por alguns elementos da equipa que fizeram formação neste domínio. Na sequência deste processo, foram identificadas as áreas em que a escola apresenta melhores desempenhos, bem como as de intervenção prioritária e foram estabelecidas medidas para o seu melhoramento. Considerando o trabalho já desenvolvido pela equipa de auto-avaliação, a estabilidade, o empenho e a qualidade reconhecida do corpo docente, a capacidade dos órgãos de gestão e das estruturas de orientação educativa, aliada à disponibilidade e colaboração do pessoal não docente,


8 parecem estar reunidas as condições necessárias para garantir a consolidação e desenvolvimento dos progressos já alcançados, como também a afirmação progressiva da sua autonomia”. Estando, nós, a dar os primeiros passos no sentido da autonomia da escola a questão centra-se agora numa análise atenta das responsabilidades a transferir. Deverá ser dada uma maior atenção à autonomia pedagógica, que parece estar mais estreitamente ligada à melhoria dos resultados escolares. A autonomia que pretendemos não é a determinada ao nível central através de procedimentos legislativos. É necessário que a tomada de decisão sobre as áreas de responsabilidade atribuídas a este estabelecimento de ensino sejam resolvidas no seio da escola. A autonomia não se dá, conquista-se! Assim como não se muda uma sociedade por decreto, também não é possível à escola, reorganizar-se para a melhoria, impondo-lhe um modelo aplicado a partir do exterior. Qualidade da escola não significa ter mais do mesmo, mas conceber e realizar coisas melhores. Qualidade exige avanço e inovação, exige novos projectos, novas formas de fazer. É na dinâmica de cada escola que se encontra a chave do seu sucesso. Do nosso ponto de vista, as escolas públicas a partir das directrizes e metas formuladas pelo Estado têm a responsabilidade de planear as suas acções pedagógicas e administrativas. Porquê? Porque as escolas ficam situadas em espaços urbanos ou rurais, espaços geográficos com diferentes tipos de ocupação humana, que reflectem a história da região ou da cidade. A população escolar é heterogénea cultural e socialmente: população pobre urbana; classe média urbana; população rural, pequenos proprietários, etc. Assim, no quadro de uma autonomia que se deseja consagrada e sustentada deve ser ampliada a articulação entre a escola e a comunidade local com destaque para as autarquias. Concluindo: O objetivo da autonomia é a procura da qualidade com equidade enquanto meta e o fortalecimento da escola enquanto meio.


9 Desenvolvimento da Autonomia Objectivos Orientadores: • Pensar a escola como instituição educativa, no seu contexto local e regional. • Garantir a toda a comunidade escolar participação democrática nas decisões que envolvam questões da vida escolar deste estabelecimento. • Construir a autonomia com vista à definição de um projecto de desenvolvimento do currículo adequado ao contexto e integrado no Projecto Educativo da Escola. • Promover a melhoria da prestação da escola nas áreas de intervenção prioritária. 3 • •

Objectivos Estratégicos

• • • •

Modelo de Gestão

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Reconhecer aos alunos o direito de intervirem na organização do seu próprio trabalho, no respeito das suas competências próprias de um modo ajustado à sua idade. Associar os pais e os encarregados de educação na tomada de decisões sobre questões que se prendam com o modo como a escola define e realiza os seus objectivos, articulando as práticas escolares com as práticas educativas familiares. Potenciar “a estabilidade, o empenho e o espírito de equipa do corpo docente” 4 . Valorizar a dimensão educativa do trabalho do pessoal não docente. Co-responsabilizar os elementos da sociedade local no funcionamento da escola e na concretização dos seus objectivos. Potenciar a ligação entre a escola e as instituições económicas, financeiras, profissionais, associativas, sociais ou culturais, designadamente o tecido económico e social local.

As iniciativas a promover deverão ser definidas numa óptica de gestão participada. A cultura de participação aprende-se na vivência quotidiana. Os seus actores deverão sentir necessidade de construir metodologias de trabalho que permitam dar voz à palavra, induzir à circulação de informação e constituir equipas de trabalho lideradas de forma empreendedora. Caberá a estas equipas, porque partilharão com o órgão de gestão o poder de tomar decisões, envolver os afectos para mover as vontades da comunidade educativa, de forma a transformar a autonomia/participação num modo de vida, que permita resolver as tensões de maneira razoável. Só assim o trabalho de gerir uma escola poderá ser encarado como uma das dimensões do acto educativo. As outras dimensões dizem respeito a situações e intervenientes diferentes mas que são partes constituintes deste mesmo acto: os alunos, sujeitos de formação na escola; os professores, promotores de situações educativas; os encarregados de educação cuja participação, como membros da comunidade educativa, urge tornar efectiva; o pessoal não docente cujo trabalho possui uma dimensão educativa que é necessário reconhecer e optimizar. Como conseguir desenvolver um trabalho que tenha por base o conceito de participação? Preparar o espírito para ver. Mais do que os gestos e as palavras é necessário ver e sentir de forma interiorizada que o factor humano é determinante nas organizações e que o sucesso de um empreendimento, para além dos recursos logísticos, depende de factores afectivos e psicológicos. Ouvir para compreender. Pedir esclarecimentos, pensar, imaginar contraproposta, concordar. Negociar através da palavra, enquadrados pela lei, pelo costume e pelas diferentes sensibilidades. Estabelecer compromissos e cumpri-los. Avaliar procedimentos e resultados. É nossa intenção utilizar uma metodologia de trabalho clara e simples articulada com as escolhas da comunidade educativa que darão forma ao Projecto Educativo da Escola.

Áreas de intervenção referidas no ponto – “Diagnóstico dos problemas de partida”. Referido como ponto forte no relatório de avaliação externa.


10 Fase preparatória – Constituição de uma equipa de trabalho – “Grupo Coordenador” – encabeçada por um gestor de projecto. Para a construção deste projecto será necessário constituir uma equipa de trabalho cuja dimensão dependerá dos objectivos a longo prazo. Poderá ser apoiada pela equipa de AutoAvaliação e pela equipa do Plano Tecnológico da Escola. 1ª Fase – Aproximação ao processo que consiste na compreensão da sua orgânica. Nesta fase preparatória (início em Julho de 2009) pode ser necessário proporcionar formação/informação adequada a elementos da comunidade escolar interessados em participar neste processo. A implementação de planos de melhoria não pode descurar a previsão de processos de formação dos colaboradores, visando reforçar as capacidades e competências necessárias ao seu desenvolvimento. Seja para suprir eventuais carências ou fragilidades em áreas de mudança e inovação, seja para reforçar a autoconfiança daqueles a quem vão ser atribuídos novos desafios, seja para eliminar argumentos legitimadores da resistência à mudança. Assim, na sequência de um diagnóstico de necessidades, deve ser concebido e implementado um plano interno de formação, orientado para suportar o desenvolvimento do projecto de contrato de autonomia. Ainda nesta fase deve ser disponibilizada a plataforma tecnológica como meio de troca de informações. 2ª Fase – Diagnóstico Diagnóstico realizado especificamente para os tópicos prioritários, sintetizado no Relatório de Auto-avaliação da Escola, 2008-2009, o que permitirá verificar as debilidades da escola como organização e constituirá uma base sólida para a construção de um projecto de mudança para o futuro.

Plano de Trabalho

3ª Fase – Definição de metodologias e angariação de parceiros Depois de realizado o diagnóstico o Grupo Coordenador deve analisar a informação previamente sistematizada e identificar os aspectos em que pretende intervir (Áreas de Intervenção). Com base nesta informação espera-se que possam identificar causas e propor acções, muitas já em curso, ideias a desenvolver individualmente ou em cooperação e parceiros a chamar ao processo. Deve alargar-se a discussão além do grupo coordenador, o que enriquecerá o processo. Os elementos do grupo de trabalho organizarão visitas regulares a espaços e equipamentos, para levantamento dos recursos necessários. 4ª Fase – Elaboração da Proposta de Contrato Com base nos dados das reuniões anteriores, partir-se-á para a elaboração de planos de acção a levar a cabo para atingir certos objectivos e públicos-alvo determinados. Depois de definidas as acções, as ideias serão debatidas com alguns destinatários. Deve ser elaborado um Plano de Comunicação. 5ª Fase – Validação do projecto: Neste momento, os materiais têm a estrutura e os conteúdos organizados e o design gráfico definido, encontrando-se em suporte digital e em papel. O Grupo Coordenador verificará se o trabalho final carece de revisão e ajustes gráficos finais. Em reunião do Conselho Geral deve ser apresentado o projecto para validação. Em Setembro de 2010, com a abertura do ano escolar será disponibilizado, a toda a comunidade, o teor do Projecto. 6ª Fase – Negociação: Nesta fase devem estar reunidas as condições de negociação dos níveis de competência e de responsabilidade entre a escola, o Ministério de Educação, a Câmara Municipal e outros parceiros da comunidade. Fase final – Celebração do contrato de autonomia (ideal início de Setembro de 2010/Até final de 2010)


11 Implementação – Deverá ser realizado um acompanhamento permanente, de forma a garantir a concretização dos objectivos definidos, bem como prever e realizar as alterações de planeamento necessárias. Numa lógica de desenvolvimento incremental, suportada por sucessivos ciclos de melhoria, no início de cada ano lectivo deverão ser seleccionados e monitorizados indicadores de desenvolvimento, com edição periódica de relatórios interpretativos, que permitam medir e comunicar a evolução do projecto implementado. Neste tipo de projectos, entendemos a conceptualização como um processo contínuo que, mesmo quando antecede completamente a acção, não termina com o seu início, mas antes acompanha o seu desenvolvimento, em ciclos sucessivos de conceptualização»»acção/implementação»»avaliação»»reonceptualização»»acção/ /implementação » A maior parte do financiamento deste projecto está concentrado em: • • • •

Financiamento

Recursos humanos para a formação de professores. Produção gráfica de materiais. Telecomunicações. Materiais de divulgação.

Possível financiamento: • • •

Entidades governamentais. Privado (possibilidade de constituição de parcerias que incluam esta vertente). Autarquia.

Cronograma de execução do Projecto

Ano Civil Trimestre Fase preparatória 1ª Fase 2ª Fase 3ª Fase 4ª Fase 5ª Fase 6ª Fase Fase Final Implementação e Acompanhamento

2009 3º 4º

2010 2º 3º

2011 2º 3º

2012 2º 3º

2013 1º 2º

Oportunidades: • Capacidade de trabalho de cooperação que tem sido demonstrada pelas equipas promotoras de vários projectos da escola; • Existência da Equipa do Plano Tecnológico; • Existência de Conselhos Municipais de Educação; • Previsão (com requalificação física da escola) de diversidade de “espaços” pedagógicos para os alunos que necessitam de apoio: disciplinas, áreas curriculares não disciplinares e ocupação de tempos livres, etc.; • Abertura da escola para receber desafios de entidades (exteriores) promotoras.


12 Benefícios: • • • • • • • •

Permite a identificação e articulação de uma visão; Dá-se mais atenção às lideranças repartidas através de vários papéis e funções; Constroem-se processos colaborativos; Permite aos estabelecimentos de ensino maior flexibilidade na definição da formação que oferecem, nos currículos e nos horários; Fortalece as culturas educativas familiares promovendo a confiança e a comunicação entre as famílias e a escola; A existência de mais sociedade na educação a apr? das melhorias a realizar no interior da Escola (organização pedagógica, liderança, participação dos pais, …) são elementos de esperança em relação ao futuro; Os professores/escola serem reconhecidos na sociedade pelo seu trabalho; Abertura da escola para um trabalho de proximidade e de criação de laços de confiança.

Riscos e Dificuldades: • • • •

Visão fragmentada entre os diversos sectores da comunidade escolar; Exigência de dinamização constante para que se crie e se mantenha uma rede “viva”; Na sociedade actual em que todos estão assoberbados de trabalho e de responsabilidades é difícil criar novas comunidades excepto se as pessoas virem nelas vantagens imediatas; Tempo necessário para o processo de construção do projecto que prolonga a celebração da autonomia.


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LINHAS PROGRAMÁTICAS


14 Capítulo II – LINHAS PROGRAMÁTICAS A Linhas Programáticas tem por objectivo demonstrar as acções a serem desenvolvidas pela direcção da Escola Secundária da Boa Nova-Leça da Palmeira no período de 2009/2013. No campo da educação a administração escolar refere-se à acção de planear o trabalho da escola, racionalizar o uso de recursos, coordenar e orientar o trabalho das pessoas. O centro da organização e da gestão escolar baseia-se na tomada de decisão. Todas as demais funções da organização estão referidas ao processo eficaz de tomada de decisão. Em outras palavras, a gestão é a actividade pela qual são mobilizados meios e procedimentos para se atingir os objectivos da organização, envolvendo os aspectos gerênciais e técnicos administrativos da organização. A direcção é um princípio e atributo da gestão, mediante a qual é canalizado o trabalho conjunto de pessoas, orientando-as e integrando-as no rumo dos objectivos. A direcção põe em acção o processo de tomada de decisão na organização, e coordena os trabalhos, de modo que sejam executados da melhor maneira possível. Dentro deste contexto, a participação é o meio de assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisão e no funcionamento da organização escolar (LIBÂNEO, 2004,p.102). A implementação de práticas alternativas de organização e gestão da escola, depende bastante da actuação da direcção e da coordenação pedagógica. O Director da escola é o responsável pelo funcionamento administrativo e pedagógico, portanto necessita de conhecimentos tanto administrativos como pedagógicos. Entretanto, na escola, ele desempenha predominantemente a gestão geral da escola e, especificamente as funções administrativas (relacionadas com pessoal, com parte financeira, com o edifício e os recursos materiais, com a supervisão geral das obrigações de rotina de pessoal, relações com a comunidade), delegando a parte pedagógica aos coordenadores pedagógicos. Afirmar o valor político-pedagógico da função do Director significa reconhecê-lo como dirigente do Projecto Político -Pedagógico da Escola Pública 5 , enquanto documento conceptual – prático de luta pela construção da qualidade do ensino e aprendizagem. A busca da concretização desse projecto tem como compromisso os interesses e as necessidades dos alunos da escola pública. O processo de organização da escola articula autonomia colegiada e participativa de todos os seus segmentos. A participação institui uma prática política essencialmente democrática. Precisa de conjugar as decisões colectivas e a unidade de acção do projecto de escola, na perspectiva de conciliar as exigências burocrático-administrativas da função do director com a finalidade educativa da escola. É preciso eliminar a exclusão, o corporativismo, o autoritarismo de modelos em que não há lugar para a autonomia individual e colectiva, nem espaços para a liberdade e a diversidade. Não é possível defender uma gestão fundamentada em processos de decisão colectiva, na socialização do conhecimento, na construção da cidadania, sem combater práticas dos educandos, cujo direito se resume ao dever de estudar sem indagar, sem duvidar; dos auxiliares, das cozinheiras, dos vigilantes que, trabalhando na escola são também educadores e precisam de ter voz; dos pais, das mães, que muitas vezes são convidados a vir à escola só para receber informações sobre os seus filhos. A gestão democrática é o canal para superar a ideia de ser bem sucedido sozinho, é a defesa da escola pública. Deixar de aprender, na escola pública, significa negar o acesso ao património cultural/intelectual da cidadania sobre a qual toda a população tem direito de apropriação. Candidatar-se a dirigir uma escola pública exige conhecimento profundo sobre o contexto social da realidade envolvente além da capacidade de instrumentalizar a organização da escola comprometida com o seu redimensionamento administrativo, na perspectiva da sua especificidade pedagógica. Naturalmente, isto exige do director de escola a capacidade de saber ouvir, ter ideias, questionar, intervir, traduzir posições e sintetizar uma política de acção com o propósito de coordenar efectivamente o processo educativo. Leia-se Charlot, (2004. pág. 26) Não será por milagre que se mudará a escola, por um toque de varinha mágica, mas por um trabalho paciente, difícil, honesto (pois as contradições que é preciso enfrentar são as nossas). Se o que se pretende é verdadeiramente construir uma escola democrática, para um mundo mais justo e mais solidário, será preciso enfrentar essas contradições. Será difícil, mas é o que vale a pena. E é isso que define o militante: a consciência dos seus valores e a capacidade de defendê-los nos seus discursos, bem como a capacidade de

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Expressas na Lei de Bases do Sistema Educativo.


15 enfrentar as contradições para inserir os seus valores na realidade social. (...) é justamente para transformar a escola, à luz de nossos valores. (CHARLOT, 2004, p. 26)

É nessa perspectiva teórico-prática que se configura a proposta e apresentação de Linhas Programáticas para os quatro anos de mandato (2009-2013).

1.Qualidade do Ensino Os novos paradigmas educacionais, centrados nas competências, específicas e horizontais, a adquirir pelos alunos, através de uma aprendizagem que contemple a flexibilidade do processo formativo, com a consequente redefinição dos papéis dos alunos, dos professores, do pessoal não docente e da própria sala de aula, deverão ser considerados como uma oportunidade de alteração de atitudes, métodos e procedimentos e, também, de afirmação da escola no panorama de ensino não superior, a exigir uma atenção permanente do seu Director. É necessário que tenhamos sempre presente que a formação que se adquire durante o percurso escolar representa muito mais do que a aprendizagem de uma profissão ou a preparação para a vida activa. Pressupõe que o aluno tenha adquirido um conjunto de competências, de valores e de formas de ser, estar e actuar que lhe permitam a plenitude do exercício da cidadania. Assim, a escola deverá centrar os seus esforços no sentido de criar mecanismos próactivos de intervenção, que tenham um impacto positivo no público a que se destinam, os alunos, nomeadamente através de: • • • •

Promoção de novas atitudes relativamente aos processos de transmissão de conhecimento/aprendizagem, mais centradas no aluno e nas competências que deve adquirir, chamando a um maior envolvimento os docentes e os discentes; Estímulo ao desenvolvimento da capacidade de auto-aprendizagem e de uma formação que valorize as dimensões culturais e humanísticas, para além da vertente científica; Incentivo à implementação de um número crescente de cursos ministrados, de forma a aumentar o potencial de atracção de estudantes do ensino secundário; Incentivo à formação complementar do pessoal não docente, de forma a acompanhar as novas exigências que se põem à Escola Pública.

Além disso, deverão ser criadas melhores condições de acolhimento aos novos alunos, de modo a permitir a sua inserção na comunidade escolar, nomeadamente, através do: • •

Estabelecimento de acordos com a Associação de Estudantes, conferindo-lhes um papel mais interventivo nestas questões respeitantes aos alunos; Reuniões periódicas com os representantes dos alunos, de modo a haver uma actualização e um acompanhamento permanente das questões por eles suscitadas.

As expectativas dos estudantes que acedem ao Ensino Secundário não podem nem devem ser goradas, quer pelas implicações que estas têm a nível pessoal quer pelo elevado investimento que a sua formação representa para as famílias e para o País. Nesta perspectiva é também imperativo que as Escolas assegurem um apertado controlo da qualidade do ensino e que se garanta uma adequada eficiência nesse ensino, tendo como objectivo o sucesso dos alunos que se encontram nos vários níveis de formação. Entre as iniciativas a desenvolver ou a apoiar, contam-se: • • •

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Acções de formação pedagógica dos docentes; Promoção de programas com vista à redução do insucesso escolar; 6 Criação sala de recursos para alunos que apresentem dificuldade na aprendizagem;

Implementados através do Contrato de Autonomia e Desenvolvimento.


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Utilização das tecnologias de informação no sentido de despertar e promover uma aprendizagem efectiva ao longo da vida; Criação de um Gabinete responsável pelo apoio ao empreendedorismo, em estreita ligação com gabinetes congéneres; Promoção e criação de um Gabinete de Estágio que sirva de interface entre os alunos do último ano dos Cursos Profissionais e empresas com quem a escola irá celebrar acordos para aceitação de estágios profissionais que serão potenciais empregadores.

2. Oferta Educativa No actual contexto da sociedade o conhecimento tornou-se, mais do que nunca, na chave do seu progresso. Assim, a inovação da oferta educativa das escolas assumiu um maior protagonismo dado que a mesma é fundamental para o enriquecimento contínuo dos saberes, capazes de sustentar níveis acrescidos de produtividade, competitividade e qualidade de vida. Na perspectiva mais ampla de inovação que depende fortemente do nível de competências da generalidade dos trabalhadores, o papel da formação para os processos de inovação não se limita ao desenvolvimento das competências “avançadas”, mas também à aposta numa elevação mais geral das qualificações da nossa população. A “Educação” e a “Cultura” surgem aqui como elementos fundamentais de uma estratégia de desenvolvimento. Por um lado, porque a “Educação”, seja ela formal ou não formal, académica ou técnico-profissional, é a base do indivíduo que, apenas devidamente esclarecido e com capacidade de reflexão, poderá ponderar quais as suas necessidades, bem como as suas limitações e potencialidades e, desta forma, envolver-se nos processos de tomada de decisão relativamente à sua própria pessoa/comunidade. Esta preocupação com a “Educação” faz com que estejamos atentos às condições que existem para a promover, e que procuremos garantir no que concerne à escola, oferta educativa o mais abrangente possível quer do ensino regular quer do ensino profissional. Atenta ao resultado da Avaliação Externa e procurando que o mesmo sirva de diagnóstico para as tomadas de decisão sobre este ponto transcrevo a opinião colhida pela equipa avaliativa (28 e 29 de Abril de 2009). “Algumas famílias, particularmente as inseridas em contexto socioeconómico mais desfavorecido valorizam pouco as aprendizagens dando alguma importância à formação proporcionada pelos CEF, que na perspectiva dos alunos, podem ajudar a integração no mercado de trabalho. No entanto a escola também proporciona aprendizagens que permitem a um número significativo de alunos a entrada em cursos superiores, mesmo naqueles que exigem classificações mais elevadas”. In Valorização e impacto das aprendizagens. “A Escola, na sua oferta educativa, integra, no ensino básico os cursos gerais e CEF, e no ensino secundário, para além dos cursos gerais, tem a funcionar cursos tecnológicos, em final de ciclo, e cursos profissionais. Os cursos de natureza profissional proporcionam aos alunos formação que lhes facilita a entrada no mercado de trabalho, sem descurar a possibilidade de também prosseguirem os seus estudos noutro nível de ensino.” In Abrangência do currículo e valorização dos saberes e da aprendizagem. “A ESBN aderiu aos CEF, em anos anteriores, em áreas entendidas como adequadas ao mercado de trabalho, mas alguns elementos da comunidade questionam se a escola reuniria as melhores condições técnicas para a criação e dinamização dos mesmos. a implementação destes cursos terá ajudado a combater o abandono escolar precoce, trouxe recursos extra para a escola mas originou o aumento do problemas de indisciplina… a escola ambiciona retomar o seu carácter de “Secundária”, apostando cada vez menos nos CEF e procurando alargar a oferta de cursos profissionais”. In Visão e estratégia Tendo em consideração o que parece ser a vontade da maior parte da comunidade escolar e aproveitando a “Oportunidade” apontada pela mesma equipa de avaliação externa : “A aposta em cursos profissionais em detrimento dos Cursos de Educação e Formação poderá possibilitar redireccionar a oferta formativa da escola”, irei propor aos órgãos competentes da escola a seguinte Oferta Educativa para 2009/2010 7 . 7

“2009/2010, visto que a candidatura aos cursos é anual e varia conforme a vontade dos alunos e o mercado de trabalho.


17 Ensino Secundário: • • •

Todos os Cursos da modalidade de Formação Científico Humanística; Cursos Profissionais: Animador Sócio Cultural, Técnico de Gestão do Ambiente, Técnico de Comércio, Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos e Técnicos de Serviço Jurídico. Cursos de Educação Formação: Técnicas Comerciais T6.

Ensino Básico: •

Cursos de Educação e Formação: uma turma de T3 – práticas Comerciais, para dar resposta à formação dos alunos do ensino básico regular que frequentam a nossa escola.

Como inovação e acompanhando as considerações por mim tecidas no início deste ponto proponho que a escola se candidate a Cursos de Educação e Formação de Adultos. Os Cursos EFA irão dar resposta às necessidades de qualificação da população adulta, e em especial da população empregada. Esta Oferta Educativa pressupõe a diminuição do número de alunos do ensino básico, a frequentar a nossa escola, nos próximos anos lectivos. 3.Intervenção na qualidade da ocupação dos tempos escolares Considerando o tempo um recurso, provavelmente, o mais importante recurso a gerir nas escolas (o tempo dos alunos, dos professores, dos restantes funcionários, das famílias, …), procurarei intervir de forma inovadora na criação de condições organizacionais (ou contextuais) orientadas para o combate ao desperdício desse recurso e para o estímulo de uma cultura de eficiência orientada para a melhoria da qualidade dos processos e para o incremento da qualidade dos resultados. No ano lectivo de 2005/06, foi concebido e implementado um plano destinado a garantir a ocupação plena dos tempos escolares dos alunos do 3º ciclo, nos casos de supressão das aulas por ausência ou impedimento dos docentes titulares dessas turmas. A avaliação desse plano, foi geradora de um conjunto de dados que permitiu lançar, no ano lectivo seguinte, um plano mais vasto e estruturado, convergindo com solicitações normativo – legais para o alargamento daquele tipo de respostas aos alunos do ensino secundário que, na escola, representam cerca de 80% do total de alunos. A partir de 2006/07, remeteu-se a ocupação plena dos tempos escolares, para o conceito de opção, para a possibilidade de escolha individual a partir de várias opções proporcionadas pela escola. Para uma noção de liberdade associada à responsabilidade individual pelas consequências das decisões pessoais, das escolhas dos professores, das escolhas dos alunos e das escolhas das famílias. 3.1Aulas Previstas & Dadas As aulas não podem deixar de ser encaradas como o recurso central no processo educativo socialmente construído com base na Escola., A generalidade das Escolas organiza-se, primeiro que tudo, para proporcionar aprendizagens em contexto de aulas ao conjunto de crianças e jovens que as frequentam. Nesse sentido, quando esse recurso não está disponível, o impacto é significativo., A ausência do professor é imediatamente geradora de um gasto, potencialmente inútil, do tempo previsto para a aula. A monitorização das aulas prevista e dadas permitiu concluir que uma parte significativa das aulas perdidas era imputável à ausência de um muito pequeno número de docentes e ofereceu uma base mais consistente para o dimensionamento das respostas de compensação dessas situações. Com base nesses dados, no lançamento do ano lectivo 2009/10, será proposto pelo Director ao Conselho Pedagógico o estabelecimento de metas objectivas para as taxas de execução das aulas previstas no plano anual de actividades, contemplando um incremento de melhoria por referência ao resultado obtido no ano anterior (2008/09), com uma amostra de professores e turmas.


18 "As metas de Escola para as taxas finais de aulas previstas e ministradas são, por ordem decrescente: a média geral deverá ser superior a 95% 8 , as disciplinas com exame nacional deverão apresentar uma média superior a 98% e em nenhum caso a média deverá ser inferior a 90%" Em todos os indicadores as taxas de execução serão acompanhadas dos valores absolutos de aulas previstas e dadas, bem como de um indicador acessório, relativo às aulas perdidas por motivos não imputáveis ao docente, que apenas responsabiliza a Escola e a Administração Educativa. 3.2. Instituição de esquemas de recuperação de aulas No âmbito do plano de ocupação plena dos tempos escolares foram instituídos 9 três tipos de opções a que os docentes podem recorrer para a evitar a perda de aulas ou para recuperar as aulas perdidas, a saber, a permuta de aulas 10 , a antecipação e a reposição de aulas e leccionação de aulas extra. Em qualquer caso, trata-se de uma possibilidade que cabe ao docente accionar. No primeiro caso, dois ou mais docentes da mesma turma acordam entre a troca pontual de horários previstos paras as respectivas disciplinas, sem alterar a mancha horária da turma. No segundo caso, um docente propõe a transferência para um outro momento de uma aula que não vai poder leccionar, ou de uma aula a que teve de faltar por circunstância imprevista. No último caso, o docente propõe a leccionação de aulas suplementares, seja para aproveitar a oportunidade de acautelar previamente qualquer perda de aula imprevista, seja para compensar algum outro tipo de atraso no desenvolvimento do plano de formação. Em todas as situações, à Direcção Executiva, cabe apenas controlar a existência de salas disponíveis, certificar-se que os alunos foram informados e que as propostas não conflituam com outras já existentes, bem como supervisionar o cumprimento dos deveres de assiduidade dos docentes de forma mais flexível. O accionamento deste tipo de mecanismos possibilita aos docentes, em muitas situações, o diferimento do cumprimento desse dever, pelo que se instituíram rotinas de registo temporário e de controlo diferido da assiduidade dos docentes. 11 Uma das medidas a propor para o Projecto de Construção de Autonomia, no âmbito da ocupação plena dos tempos escolares, será fixar no horário semanal de cada turma do Ensino Secundário Regular um bloco reservado para a reposição de aulas perdidas ou transferidas, designado por bloco de reposição. O ideal seria iniciar já no próximo ano lectivo se aprovado pelos órgãos próprios e após consensualização com os representantes dos pais e encarregados de educação e dos alunos. 4.Infraestruturas É sabido que as condições físicas e ambientais onde se desenvolve a actividade profissional são de crucial importância, uma vez que influenciando directamente o bem estar individual, condicionam largamente a produtividade e a eficácia das pessoas e das organizações, sobretudo nas actividades que, como é o caso do ensino, exigem um grande esforço de concentração mental e de interactividade intelectual. 4.1 Instalações A gritante necessidade de expansão e remodelação das instalações da escola é um exemplo do muito que há a fazer neste domínio. Preocupa-nos que deficiências de construção nunca tenham sido sanadas, mesmo em instalações novas como é o caso do Pavilhão Gimnodesportivo, conduzindo a danos crescentes das estruturas devido a infiltrações permanentes e crescentes. Entretanto, a Escola faz parte do número de estabelecimentos de ensino a serem requalificados, prevendo-se o início das obras para final de 2009, princípio de 2010. O Programa de Modernização do Parque Escolar Destinado ao Ensino Secundário, associa a vertente construção à vertente reequipamento. Até ao final deste ano lectivo teremos propostas para a modernização do nosso recinto escolar e das respectivas instalações, conforme as necessidades da comunidade escolar para o que necessitamos de envolver os diversos departamentos curriculares assim como todos os sectores da vida da escola. 8 Cf. o n.º 5 do artigo 46º do ECD, que coloca o patamar de referência para a taxa de execução das aulas previstas em 95%. 9 É minha intenção propor a manutenção das opções aqui apresentadas. 10 Esta medida produziu efeitos de solidariedade e de auto-regulação entre pares. 11 O suporte normativo-legal deverá ser obtido através do Contrato de Autonomia.


19 4.2 Sistemas de informação e comunicação A existência de um sistema de informação adequado e abrangente, cobrindo as áreas de computação, armazenamento e comunicação, é actualmente reconhecida como condição fundamental para o funcionamento eficaz das instituições. Na Escola, pretende-se melhorar globalmente o sistema de informação e aumentar a sua utilização, nomeadamente nas vertentes de comunicação e armazenamento de informação, de modo a permitir um funcionamento mais eficaz e eficiente e uma inserção plena na moderna sociedade de informação e conhecimento. O suporte que o sistema de informação poderá oferecer tem implicações no ensino e na administração da Escola, assim como na sua ligação à sociedade. Em todas estas vertentes já há importante trabalho efectuado, que importa potenciar e congregar, de modo a que o valor acrescentado resultante seja superior à simples soma dos vários sistemas existentes. A comunicação da escola com a sociedade é, também, uma vertente importante, nomeadamente o contacto com os candidatos a alunos e os seus encarregados de educação. Para tal, a existência de bases de dados actualizadas e funcionais constitui um instrumento imprescindível. Tendo em conta a avaliação das escolas, dos seus docentes e não docentes, e com vista a uma cultura de excelência, é também primordial que seja possível obter toda a informação relativa ao trabalho desenvolvido na escola, tanto de uma forma agregada como de uma forma individualizada. Com efeito, esta informação é um instrumento fundamental para o sistema de gestão de qualidade da escola, com ênfase nos seus recursos humanos. Deste modo destacam-se as seguintes propostas de acção:

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Fomentar a criação de conteúdos de formação e a sua disponibilização na Internet, acompanhando a prática que se tem vindo a generalizar internacionalmente. Esta evolução contribuirá para que os alunos possam estudar de forma mais produtiva e independente; Construir o repositório das boas práticas e disponibilizá-las na Internet, na Internet, permitindo a sua rápida e fácil consulta por, docentes, não docentes, alunos e pais e encarregados de educação; Apoiar e incentivar o acesso a recursos bibliográficos on-line, nomeadamente os recursos para acesso a revistas relevantes para as actividades de ensino/investigação; Promover a utilização mais generalizada de sistemas de informação que suportem os processos administrativos ligados às actividades lectivas (por exemplo, inscrições, classificações, etc.), de modo a que a interacção entre os alunos e os serviços administrativos possa ser feita também de forma célere e recorrendo às tecnologias da informação;

Como na maioria das actividades, não basta ser-se. É preciso que os outros conheçam o que nós somos. É nossa obrigação divulgar para o exterior o que somos e o que fazemos. Assim, há que dinamizar a Equipa do PTE e investir numa comunicação eficaz da imagem da Escola Secundária da Boa Nova como instituição cimeira e incontornável do panorama do Ensino Secundário por todos os meios que se considerarem adequados, nomeadamente através da optimização da plataforma Moodle, que contenha as informações actualizadas e relevantes da nossa Escola. Por fim, é fundamental que existam os financiamentos necessários à prossecução das acções indicadas, destacando-se os aspectos infra-estruturais (equipamentos) e de recursos humanos e a sua formação que são, obviamente, fundamentais para o sucesso de qualquer iniciativa. Procurar-se-á assegurar os financiamentos adequados, através de vias dedicadas a este fim, assim como a procura e criação de oportunidades de formação avançada de recursos humanos nas áreas das tecnologias de informação.

5. Uma visão para o futuro – a Educação para a Sustentabilidade “No processo de mudança como é a sustentabilidade a comunidade escolar pode e deve desempenhar um papel exemplar, contribuindo para formar cidadãos cada vez mais conscientes, capazes de interiorizar conceitos como a sustentabilidade, ética, humanismo e colaboração para o bem comum”. In Agenda 21 na escola, 2004. Acreditamos que a educação não deve apenas capacitar as pessoas para a sua inserção no campo de trabalho, mas também deve servir para que sejam capazes de gerir as suas próprias vidas almejando uma boa qualidade de vida democrática e que esta seja, além disso, respeitadora do ambiente e solidária. A mudança de atitudes e comportamentos face à realidade do dia-a-dia será promovida através das seguintes acções.


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Apoio a projectos de Educação para a sustentabilidade (alguns já existentes na escola como “A Escola Amiga do Ambiente”, “Educação para a Saúde”) e reforço da sua qualidade; Edição de materiais pedagógicos para integração curricular das questões ambientais; Promoção da participação activa e da formação de adultos na área do ambiente; Promoção da autonomia e da consciência cívica dos alunos e nos termos do Regulamento Interno, progressivo envolvimento dos mesmos nas tarefas e responsabilidades de gestão das instalações e dos recursos afectos à escola; Elaboração de um “Código de Conduta”, apresentado como instrumento para abrir um processo de transformação social, a partir do qual possam ser oferecidas condições necessárias para que a educação seja o valor principal para a mudança e o progresso da escola; Instituição do “Prémio Cidadania” aos estudantes que se distingam pela dádiva do seu tempo e do seu esforço ao serviço dos colegas, da Associação de Estudantes, dos Projectos da Escola ou da comunidade em geral.

6. A Escola, o Desporto e a Promoção de Estilos de Vida Activa A Escola não deve representar apenas um espaço de trabalho e formação académica para aqueles que nela se integram. Tem de configurar igualmente um espaço de cultura, desporto e lazer que promova a cidadania. A adopção de estilos de vida saudáveis, que incluam as actividades físicas e desportivas, que possam ser mantidos ao longo da vida, constitui uma preocupação nossa. É neste contexto que serão promovidas e apoiadas actividades desta índole recorrendo, quer a iniciativas de Grupos Disciplinares, quer a estruturas já existentes na Escola, dando uma atenção particular às iniciativas do Conselho de Delegados de Turma e à Associação de Estudantes. A actividade física, o desporto e o lazer serão fomentados através das seguintes acções:

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Implementação, em diálogo com a comunidade escolar e particularmente com os representantes dos estudantes, de uma política de promoção das actividades físicas e desportivas; Optimização da utilização das infra-estruturas desportivas da Escola, não só melhorando e reapetrechando esses espaços, 12 mas também, adequando a oferta das actividades à procura e estruturando horários mais adaptados aos actuais e potenciais utentes; Apoio da prática desportiva federada dos alunos da Escola, estabelecendo acordos específicos com a estrutura do associativismo desportivo e fomentando iniciativas que promovam o reconhecimento dos alunos, actuais e antigos, que se destaquem no panorama desportivo nacional ou internacional; Incentivo à participação dos alunos nos jogos escolares e demais actividades educativas como: Olimpíadas de diferentes disciplinam, Clube de Xadrez, concursos promovidos pela BE/CRE, etc. Apoio a iniciativas culturais como a dança, o teatro, a música, as exposições e outras, fazendo a articulação com equipas de projectos já existentes nas Escolas (Exp.: Grupo de Danças Sociais, projecto (En)Cantar a Boa Nova, etc.….).

Obtidos através do projecto de requalificação ou de financiamento obtido com o Contrato de Autonomia.


21 NOTAS FINAIS Consciente que a aplicação do novo regime de autonomia constitui um desafio para os estabelecimentos de ensino, desafio que desde já assumo, mesmo sabendo que nem todos os elementos da comunidade escolar estarão obrigados a fazê-lo, quero ir mais longe do que o dever dando a todos a oportunidade de realizar experiências de valorização de capacidades, enriquecidas pela solidariedade de todos que nos implicamos nela. Por outro lado, a experiência diz-nos que todos os percursos de criatividade, solidariedade e participação terão de primeiro ser feitos por nós para que a acção educativa se realize plenamente junto de todos com quem trabalhamos. Mudar é sempre um risco que se corre no meio de angústias e perguntas sobre o sentido da mudança. O contacto diário com todos os que dão vida a esta Escola demonstrou-me que temos elementos preparados, capazes, criativos, generosos e sobretudo com vontade de inovar, se forem criadas condições para tal. Acredito ser capaz de criar condições para melhorar e inovar.

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22 FONTES

Azevedo, João, O que é liderança de uma escola?, In Correio da Educação n.º 301, CRIAP-ASA Guerra, Miguel Ângel santos (2003), Tornas Visível o Quotidiano, ASA Editores, SA Relatório de Auto-Avaliação da Escola (concluído em Fevereiro de 2009) Relatório da Avaliação Externa (Abril de 2008)

Agradeço a todas os que cederam informação essencial ao longo da fase de diagnóstico.

Pojecto  

Experiu^^encia