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Número 226 // Ano XVIII // € 3,50 Continente

Edição Especial Energias Renováveis 2009


EDITORIAL

APOSTAR NAS RENOVÁVEIS À medida que o presente avança parece cada vez mais inevitável o recurso às energias renováveis. Nesse contexto, seria de esperar um crescente investimento da parte dos portugueses nas novas tecnologias que, dia após dia, tornam mais eficientes a recolha e distribuição de energia mais amiga do ambiente. Esse comportamento, no entanto, é ainda embrionário. Na entrevista que concede à Arte & Construção, Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Energia Solar e da Endesa Portugal, apresenta duas fortes razões que justificam este comportamento: o preço e os “sinais contraditórios” que as decisões do Governo enviam para a sociedade e o tecido empresarial. Por outro lado, há uma tarefa muito importante a realizar: é preciso informar, sensibilizar e mobilizar os portugueses. Só desta forma, as empresas que, cada vez mais apostam nesta área de negócio, poderão encontrar o volume de negócio que esperado. Apesar deste retrato pouco animador, Portugal revela, através da investigação que realiza, um lado mais inovador. Sistemas de aproveitamento das correntes eólicas nos mares, energy harvesting, pilhas de combustível a altas temperaturas, potencial energético das marés e aproveitamento do calor interno da Terra são alguns exemplos de projectos alvos de estudo nas universidades portuguesas. Convidamo-lo a conhecer melhor esta realidade nesta edição especial da Arte & Construção.

Directora: Chantal Florentino chantal.florentino@arteconstrucao.com; Redacção: Raquel Rio raquel.rio@arteconstrucao.com; Sofia Dutra sofia.dutra@arteconstrucao.com; Colaboradores Permanentes: Michele Branco michele.branco@arteconstrucao.com; Publicidade: Duarte Mourato duarte.mourato@arteconstrucao.com; Marketing: Pedro Nunes pedro.nunes@mtg.pt; Fotografia: Paulo Porfírio paulo.porfirio@arteconstrucao.com; Assinaturas: assinaturas@arteconstrucao.com; Paginação: mtg - Edição e Publicidade, Lda. geral@mtg.pt; Website: www.arteconstrucao.com; Fundador da revista: António Esteves; Propriedade e Edição: mtg - Edição e Publicidade, Lda. Praça da Concórdia, 114 • 2870-471 Montijo • Tel. 212431592 • Fax. 212323069 • Email: geral@mtg.pt • Cap. Social: € 5.000,00 • NIPC: 507 958 373; Orgãos Sociais: Duarte Mourato - 50%; Chantal Florentino - 25%; Pedro Nunes - 25%; Execução Gráfica: Offsetmais - Artes Gráficas, S.A. • Rua Latino Coelho, 6 - 2700-516 AMADORA • Tel.: 214 998 716 • Fax: 214 998 717 • Email: dc.offsetmais@netcabo.pt; Publicação Mensal: Tiragem: 10 500 exemplares; Distribuição: VASP; Venda por assinaturas (IVA incluído 5%): Portugal: € 45,50/ano; Os artigos assinados, apenas veiculam as posições dos seus autores; ICS Nº 114748/90; Número Depósito Legal 41713/90; ISSN 0873-5271.

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Chantal Florentino Directora


SUMÁRIO

sumário 03

EDITORIAL

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SUMÁRIO

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ENTREVISTA Nuno Ribeiro da Silva

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ACTUAL Energias renováveis

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CONSTRUÇÃO Sustentabilidade

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EFICIÊNCIA ENERGÉTICA APCMC debate energia

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ACTUAL Reabilitação e certificação energética de edifícios

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EMPRESAS

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EMPRESAS Siza Vieira cria colecção de banho

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IMOBILIÁRIO

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AGENDA

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NAVEGAR

ENERGIA PPEC 2009/2010 poupa 204 milhões de euros

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NO PAÍS

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ARTES & LEITURAS

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NO MUNDO

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PRODUTOS

INOVAÇÃO Investigação em Portugal

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FEIRAS TECNOFIL

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EM FOCO Ordem dos Arquitectos

14 Actual Energias renováveis

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Entrevista

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Nuno Ribeiro da Silva NUNO RIBEIRO DA SILVA, PRESIDENTE DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE ENERGIA SOLAR E DA ENDESA PORTUGAL, DEFENDE QUE SÓ UM QUADRO DE MEDIDAS COERENTES MOBILIZARÁ EMPRESAS E CIDADÃOS PARA A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA E PROCURA DE ENERGIAS ALTERNATIVAS. A SUBIDA DO IVA PARA A ELECTRICIDADE E A DESCIDA DESTE IMPOSTO PARA OS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO QUE COMPROVEM O SEU BOM DESEMPENHO TÉRMICO SÃO ALGUMAS PROPOSTAS.

ATINGINDO UMA POTÊNCIA RENOVÁVEL INSTALADA DE 8500 MW NO PASSADO MÊS DE MARÇO, PORTUGAL APROXIMOU-SE DAS METAS DEFINIDAS PELO GOVERNO (45% DO CONSUMO EM 2010) COM QUASE METADE DA ELECTRICIDADE PRODUZIDA A PARTIR DE FONTES RENOVÁVEIS.


SUMÁRIO

# 226

Edição Especial

Energias Renováveis

20 Inovação “Investigação em Portugal

28 Actual Reabilitação e certificação energética de edifícios

46

Em foco Ordem dos Arquitectos

Pedra

QUE FONTES DE ENERGIAS SURGIRÃO NO FUTURO? A INTERROGAÇÃO NÃO VAI SER RESPONDIDA TÃO CEDO, JÁ QUE A INVESTIGAÇÃO É CONTÍNUA E AVANÇA EM VÁRIAS DIRECÇÕES. MAS DEIXAMOS ALGUMAS PISTAS SOBRE OS PROJECTOS QUE AS PRINCIPAIS UNIVERSIDADES E INSTITUIÇÕES CIENTÍFICAS ESTÃO A FAZER EM PORTUGAL.

PORTUGAL APRESENTA UM GRANDE POTENCIAL PARA MELHORAR A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DOS EDIFÍCIOS, REDUZINDO EM 30% O DESPERDÍCIO DE ENERGIA QUE ATINGE 1 000 MILHÕES DE EUROS/ANO. A INICIATIVA SIM – PORTO É UM EXEMPLO DE COMO SE TEM INVESTIDO NA PROMOÇÃO DA REABILITAÇÃO URBANA E NA CONSEQUENTE MELHORIA DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DOS EDIFÍCIOS.

COM O PROPÓSITO DE “IMPLEMENTAR UMA POLÍTICA PÚBLICA DE ARQUITECTURA EM PORTUGAL”, A ORDEM DOS ARQUITECTO (OA) PROMOVEU, NO DIA 27 DE MAIO EM LISBOA, O 1º FÓRUM PORTUGUÊS DE POLÍTICAS DE ARQUITECTURA.

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Texturas e cores variadas


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ENTREVISTA NUNO RIBEIRO DA SILVA


ENTREVISTA

SISTEMA FISCAL OFUSCA CUSTO REAL DA ENERGIA TEXTO DE RAQUEL RIO

/// Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Sociedade Portuguesa de Energia Solar e da Endesa Portugal, defende que só um quadro de medidas coerentes mobilizará empresas e cidadãos para a eficiência energética e procura de energias alternativas. A subida do IVA para a electricidade e a descida deste imposto para os materiais de construção que comprovem o

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seu bom desempenho térmico são algumas propostas.


ENTREVISTA

NUNO RIBEIRO DA SILVA

Arte&Construção - Portugal tem subido no “ranking” europeu dos produtores verdes de energia, mas o solar continua a ter um peso muito reduzido na produção de electricidade. O que pode ser feito para alterar esta situação? Nuno Ribeiro da Silva - Existem actualmente quatro fontes renováveis com alguma expressão.

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A hídrica, resultado da importância histórica de um processo que tem 60 anos, quando começaram a ser construídas as primeiras grande barragens em Portugal, a que se juntaram, a partir da década de 90, as mini-hídricas. Quanto às eólicas, um processo lançado no governo de António Guterres, estamos agora a colher os furtos com 3 000 MW instalados no país, um contributo bastante significativo No solar temos um leque de tecnologias, algumas mais maduras e outras que começam agora a aparecer, e duas grandes utilizações: térmica e produção de electricidade. Houve um primeiro esforço de uso generalizado do solar nos anos 80, mas não entrou

nos hábitos dos portugueses porque houve problemas a nível dos instaladores. Alguns dos painéis não eram suficientemente testados e fiáveis, mas julgo que a maior frustração para quem adoptou essas tecnologias se deveu a erros de instalação. Ainda por cima, como a energia era barata, as pessoas esqueceram esta alternativa. Recentemente voltou a haver interesse devido ao aumento dos preços. O uso do solar térmico é perfeitamente justificável, com tecnologia já banalizada, mas implica ter cuidado com a selecção de equipamentos certificados e recurso a instaladores e empresas de instalação qualificadas. Algo que esquecemos e que continua a ter uma expressão importante no balanço energético do país é a chamada biomassa, com usos que não são directamente orientados para a produção de electricidade, mas sim para a produção de calor.

O governo anunciou a construção das centrais de biomassas, mas o processo está muito atrasado… Está muito enredado e empastado devido a um conjunto de condições, entre as quais a tarifa para produção nessas centrais que é pouco competitiva mesmo comparada com centrais equivalentes em Espanha, o que implica um menor interesse das empresas em investir nesta área em Portugal. Há também questões relativas às regras que não foram bem equacionadas pelo anterior director-geral de energia.


É UMA QUESTÃO DE PREÇOS, AS PESSOAS SÓ PASSAM A SER AGENTES ACTIVOS SE SENTIREM NO BOLSO O ÓNUS OU O BENEFÍCIO DE SE PREOCUPAREM COM A QUANTIDADE E DE ENERGIA QUE CONSOMEM E A FORMA COMO O FAZEM.

Um dos problemas é ter sido fundamentalista, no sentido de definir que estas centrais têm de funcionar a 100% com uma energia primária renovável. As centrais com base de biomassa devem poder ser combinadas com algum contributo de fontes de energia convencional, quando necessário. Se não houver quantidade suficiente de biomassa ou o material não tiver o valor calorífico desejável em determinadas épocas do ano, não viria mal nenhum ao mundo se se permitisse juntar 10 ou 15% de um combustível convencional para complementar o funcionamento das centrais.

O facto desta situação não estar prevista cria um risco adicional para quem investe neste segmento e “mata” a viabilidade destas centrais.

tivo porque mostrou que havia uma atenção por parte de entidades competentes, independentemente do deslumbramento que o governo teve.

Uma questão que os consumidores provavelmente se colocam quando querem investir no solar é como fazer a selecção das tecnologias. Ainda recentemente, houve uma polémica com a empresa Energie…

Esse deslumbramento mereceu críticas muito negativas por parte do ex-presidente da SPES e ex-secretário de Estado da Energia, Oliveira Fernandes, que atribuiu este lapso político à falta de competência técnica no governo. Isto descredibiliza as acções que têm sido tomadas para promover as renováveis?

As pessoas devem pedir a certificação das empresas. A Energie tinha recebido uma certificação de um laboratório internacional reputado e isso não impediu que houvesse uma reacção por parte de entidades idóneas e especialistas nacionais, nomeadamente da SPES, que chamaram a atenção para o facto do equipamento não ser de base solar. Isso acabou por ser reconhecido e o próprio laboratório recuou. Havia uma distorção de informação para os consumidores e, por isso, interviemos para defender a idoneidade e transparência deste mercado. Sendo um episódio triste, o desfecho foi posi-

Há aspectos em que o governo tem mérito, a nível de iniciativas que desenvolveu para as energias renováveis e eficiência energética, mas muitas vezes acontece que o governo da ocasião se apropria de coisas que não são méritos próprios e também há disparates que se cometem. Isto é assim em qualquer domínio da vida política. A nível de eficiência energética, estamos muito longe do desejável, apesar de ter sido já aprovado o Plano Nacional. O que tem sido feito de positivo neste domínio?

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ENTREVISTA


ENTREVISTA

NUNO RIBEIRO DA SILVA

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Há uma agência que está a monitorizar o Plano Nacional de Eficiência Energética que foi aprovado no ano passado e que estabeleceu determinados objectivos.

É preciso um quadro de estímulos coerente, mas os sinais são contraditórios

A ADENE tem feito um trabalho esforçado no sentido da promoção da eficiência energética, mas não podemos esquecer-nos que isto é algo que implica todos os consumidores, nas suas múltiplas facetas.

Quando se aceita que o custo de produção de electricidade não se repercuta nos consumidores, como aconteceu em 2007 e 2008, em que se acumulou um défice tarifário de dois mil milhões de euros, não estamos a transmitir que a electricidade é cara e valiosa e tem de ser usada com parcimónia e inteligência.

Ao contrário do lado da oferta de energia, o lado da procura de energia implica mobilizar todos os cidadãos, instituições e empresas como consumidores. E, para tal, não basta uma intervenção determinística como um decreto-lei.

Há um sistema fiscal que sabota e ofusca a percepção do que é o custo real da energia e não mobiliza os cidadãos para se tornarem mais racionais e procurarem alternativas para melhorar a eficiência energética.

É preciso uma acção informativa e educativa, mas, sobretudo, ter instrumentos que levem os agentes económicos e os cidadãos a caminharem no sentido desejado. É uma questão de preços, as pessoas só passam a ser agentes activos se sentirem no bolso o ónus ou o benefício de se preocuparem com a quantidade e de energia que consomem e a forma como o fazem.

Por exemplo, o IVA sob o consumo de energia é um IVA bonificado de 5%, mas quem investe numa caixilharia termicamente mais eficiente paga 20%. É preciso haver um ajuste do sistema de preços – taxas e benefícios – que seja coerente e perceptível pelos agentes económicos. Temos de saber o que queremos premiar e o que queremos penalizar.

O que se exige é uma leitura mais abrangente dos vários instrumentos que existem na orquestra para que toquem a mesma melodia. Defende um aumento do IVA para a electricidade? Claro, independentemente do facto de se tratar de um serviço universal. O que não é normal é pagar 5% de IVA para aquecer uma piscina com resistências eléctricas. Para o ano vai entrar em vigor mais um imposto específico sobre o consumo de electricidade. Para quê? Porque não se acerta o IVA e depois se discrimina favoravelmente, por razões sociais ou outras, o que se entenda que deve ser discriminado? Qual a sua opinião sobre medidas como o desconto de 50% na aquisição de painéis solares e os concursos para microgeração? As medidas são positivas e vão no bom sentido, mas continua a existir uma cultura demasiado paternalista e balizadora na elaboração


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ENTREVISTA NUNO RIBEIRO DA SILVA


ENTREVISTA

HÁ UM SISTEMA FISCAL QUE SABOTA E OFUSCA A PERCEPÇÃO DO QUE É O CUSTO REAL DA ENERGIA

lada é adequada, mas se queremos mais, é baixa.

Os programas têm de ter alguma universalidade. Só quem não conhece o meio é que não sabe que os actores são muito variados do ponto de vista do seu perfil técnico, dos meios que têm e da própria motivação.

Os 3000 MW já instalados, supostamente, estão nos locais onde há mais recursos, onde há mais vento.

Se temos uma receita impositiva e detalhada ao ínfimo pormenor, criamos um colete-de-forças que não vai servir a muita gente. A microgeração devia ter um enquadramento mais flexível. Porque é que é preciso definir a potência máxima instalada no telhado e o que se pode entregar à rede? Com esta legislação intervencionista e excessivamente enquadradora, cria-se uma entropia tremenda na implementação destas boas intenções, fruto do excesso de zelo. No lançamento do processo de aquisição de painéis solares também houve uma falha ao classificar fabricantes e fornecedores. Era-lhes exigida uma escala de produção que não era atingido por praticamente nenhuma empresa no mercado. O governo deve ter o cuidado de monitorizar a implementação destas medidas para poder fazer alguns ajustes que sejam necessários, nomeadamente a nível da simplificação da legislação. O regulamento tarifário está a dificultar o avanço do sector das energias renováveis? No caso da produção de electricidade proveniente das diferentes fontes que estão cobertas pelas tarifas reguladas há situações diversas. No caso das eólicas, por exemplo, se queremos que o país tenha 4000 MW de potência insta-

Por isso, se quisermos uma maior penetração da eólica no sistema eléctrico nacional, temos de considerar que quem hoje está a investir em parques eólicos terá sítios de segunda ou terceira qualidade em termos de potencial e, por isso, o investimento é menos interessante. Manifestamente, a tarifa da biomassa é desadequada. A da fotovoltaica é mais alta, mas julgo que a opção de ter o apoio concentrado em um ou dois grandes parques no país foi uma opção errada. Devia ter sido canalizado para uma disseminação de sistemas fotovoltaicos, em diferentes ambientes e perfis de utilização. Partilha então da opinião do engenheiro Mira Amaral que considerou que a construção da central da Amareleja foi um erro. Exactamente, porque uma das vantagens das energias renováveis é serem disseminadas e poderem estar junto ao local de consumo. Nesse sentido, não é razoável ir plantar uma mega-central fotovoltaica longe do local de consumo, a produzir quilowatts que são caros e que depois têm de ser levados para o consumidor através de uma rede em que há perdas. Era muito mais didáctico fazer essa sementeira espalhada por diferentes realidades do que fazer um campo de concentração fotovoltaico algures num monte alentejano.

ambientes diversos: podia ser edifícios municipais, empresas, escolas, instalações agrícolas, etc. Isso mobilizava muito mais as pessoas. O debate sobre o nuclear tem sido relançado nos últimos tempos. Considera que esta pode ser uma alternativa? Não tenho nenhum preconceito quanto à energia nuclear. Se alguém quer fazer um projecto nuclear que se apresente na parada. Prefiro que países que estão em grande explosão de consumo eléctrico, como a China e a Índia façam centrais nucleares em vez de centrais a carvão, e países como a Espanha ou a França, que têm grupos electronucleares a funcionar, devem conservá-los e geri-los bem. Mas para um país como Portugal, entrar num programa nuclear é inviável do ponto de vista económico e do sistema eléctrico. Gostava de saber se as pessoas que acham que há espaço para o nuclear o conseguiriam fazer dentro das regras que estão estabelecidas, ou seja, fazer centrais competitivas para o mercado, com um grupo electronuclear em funcionamento que tenha um custo médio de produção de electricidade de 40 euros MW/ hora. Isso do nuclear ser baratíssimo é uma mistificação, porque o problema é o custo de investimento.

Como deveria ser feita essa disseminação?

Se alguém conseguir chegar à banca e pedir um empréstimo de 300 milhões de euros para estudar a viabilidade da possível hipótese de um dia poder vir a pedir mais 4 mil milhões de euros para fazer um grupo electronuclear, que o faça.

Era preciso fazer este tipo de instalações, em

Eu não me meto nisso.

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das regras que enquadram estes programas.


ACTUAL

ENERGIAS RENOVÁVEIS

ENTRE AVANÇOS E RECUOS TEXTO DE RAQUEL RIO

/// Atingindo uma potência renovável instalada de 8 500 MW no passado mês de Março, Portugal aproximou-se das metas definidas pelo Governo (45% do consumo em 2010) com quase metade da electricidade produzida a partir de fontes renováveis.

M

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as apesar do forte impulso dos últimos anos, algumas nuvens teimam em assombrar o optimismo governamental, como o atraso no lançamento dos concursos das centrais de biomassa, a ameaça de recuo nos investimentos das eólicas, a paragem do pioneiro parque das ondas ou a polémica em torno das barragens. Embora apresentem custos elevados e restrições geográficas e ambientais importantes, as fontes de energia renovável apresentam vantagens inegáveis pelo facto de estarem disponíveis localmente, serem menos poluentes e reduzirem as emissões de dióxido de carbono (CO2) e aumentar a segurança e estabilidade no fornecimento de energia, reduzindo as importações e dependência externa. Segundo o último boletim da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a produção total de energia eléctrica, a partir de Fontes de Energia Renováveis (FER), registou, no primeiro trimestre de 2009, um acréscimo de 64% relativamente a igual período do ano anterior, devido à componente hídrica. Verificou-se uma subida menos acentuada que a registada nos

dois primeiros meses do ano, atendendo a que, em Março, a produção hídrica foi substancialmente inferior. Quanto à produção eólica, no primeiro trimestre de 2009, cresceu 14% relativamente a igual período de 2008. Em Março, a produção foi 4% inferior à verificada no mês homólogo do ano anterior, mas verificou-se um reforço muito significativo de potência (176 MW) nos parques eólicos já existentes. No final de Março de 2009, Portugal tinha 8 502 MW de capacidade instalada para produção de energia eléctrica a partir de FER.

Viseu, Coimbra, Vila Real, Braga e Castelo Branco. Excluindo a grande hídrica, Viseu, Coimbra, Castelo Branco, Viana do Castelo, Lisboa, Vila Real, Guarda, Leiria, Braga e Santarém são os principais distritos em termos de potência instalada, correspondendo a potência destes dez distritos a 85% do total. A incorporação de FER no consumo bruto de energia eléctrica foi de 43% em 2008, aproximando-se das metas do Governo que pretende que a produção de electricidade a partir de FER seja de 45% em 2010.

O acréscimo de potência instalada verificado no final do mês de Março, relativamente a Fevereiro, deveu-se segundo a DGEG à entrada em funcionamento de quatro novas centrais eólicas e uma fotovoltaica e a um reforço de potência em doze das centrais eólicas já existentes.

No entanto, a Quercus interpreta os dados de maneira diferente. Num comunicado datado de Janeiro deste ano, a associação ambientalista questionou a metodologia usada, considerando que a produção de energia hidroeléctrica é corrigida para o ano base de 1997 (um ano húmido onde a produção de electricidade pelas barragens portuguesas atingiu mais 22% que o considerado ano médio).

A produção de energia eléctrica a partir de FER está concentrada no Norte, principalmente nos distritos de Viana do Castelo, Bragança,

“Tal faz com que em anos secos (como 2007 e 2008), onde a produção hidroeléctrica foi reduzida, o valor final de produção para efeitos


ACTUAL

Apesar das “ameaças”, o ministro da Economia já fez saber que não tenciona rever as tarifas para os projectos das energias eólicas. INCENTIVOS POUCO SOLARES O programa de incentivo à utilização de energias renováveis, possibilitando mais de 50% de desconto na aquisição de sistemas de painéis solares, “escorregou” na denúncia da alegada fraude da Energie. A polémica instalou-se quando a empresa de painéis solares que recebeu a visita do primeiro-ministro, José Sócrates, e do ministro da Economia, Manuel Pinho, no âmbito da promoção da compra de painéis solares térmicos perdeu a certificação solar atribuída pelo laboratório alemão Dincercto aos seus produtos. Em causa estava o facto de os painéis fabricados pela Energie alegadamente recorrerem como fonte principal, e não subsidiária, à energia eléctrica, contrariamente ao que acontece com os colectores solares térmicos.

Para a Quercus, as renováveis não representam mais de 40% energia eléctrica consumida. “De acordo com os dados mais actuais da DGEG relativos ao período entre Novembro de 2007 e Outubro de 2008, o valor real é de apenas 26,7%, sendo o valor corrigido de acordo com a metodologia questionável descrita anteriormente, de 43% (mais de 16% acima do real)”, salienta o comunicado. A Quercus alertava para o facto da produção de energia hidroeléctrica ter baixado 30% em relação a 2007, contribuindo em 14% para o total de electricidade consumida, embora a energia eólica tivesse ganho peso, contribuindo para 38% da produção renovável em 2008. Já o peso da energia fotovoltaica continuava a ser irrelevante: no ano passado, representava apenas 0,25% da produção total de energia renovável.

EÓLICAS CONTESTAM TARIFAS As empresas de energia EDP Renováveis e Iberdrola pediram mudanças no regulamento tarifário, queixando-se de que este torna o investimento pouco atractivo e “ameaçam” voltar-se para outros países. Também o presidente da Associação das Energias Renováveis (APREN) critica a não alteração das tarifas, bem como a manutenção de um mercado regulado, alertando para as dificuldades de financiamento e o elevado custo do mesmo para os promotores de energias renováveis. Na maioria dos países da UE pratica-se um sistema de tarifas bonificadas para promover as energias renováveis, sendo igualmente garantida a venda de toda a energia eléctrica produzida. As tarifas são estabelecidas por um prazo garantido, normalmente de 15 a 20 anos, e os valores, sempre elevados, dependem da tecnologia utilizada (hídrica, eólica, fotovoltaica, biomassa, etc.), favorecendo mais umas do que outras.

Oliveira Fernandes, professor da Faculdade de Engenharia do Porto, presidente da Agência de Energia do Porto e ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Energia Solar (SPES) foi um dos críticos mais contundentes considerando que utilizar as verbas anunciadas para a energia solar como incentivos para a compra de painéis térmicos “é uma fraude". Já os responsáveis da Energie manifestaram-se surpreendidos pela “insólita” decisão do laboratório alemão, queixando-se de terem sido notificados depois da comunicação social denunciar o caso e não terem tido qualquer possibilidade de contestação. O programa governamental de incentivo à energia solar prevês que o consumidor possa adquirir um produto “chave-na-mão”, que inclui um sistema completo de painéis solares e equipamento acessório, a sua instalação, uma garantia de seis anos e um serviço de ma-

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de cálculo da percentagem de renováveis seja muito mais elevado”, explicam os ambientalistas.

A perda da certificação da empresa implicou também que esta saísse da lista de entidades autorizadas para a campanha governamental de apoio à compra de painéis solares térmicos.


ACTUAL

ENERGIAS RENOVÁVEIS

nutenção com uma visita anual durante seis anos, com 50% de desconto até 31 de Dezembro de 2009, ou até se esgotar o plafond da comparticipação prevista pelo Estado (100 milhões de euros).

a análise da construção de um novo troço ferroviário.

O sector solar térmico registou uma evolução muito positiva em 2008.

O Governo pretendia criar até 2010 uma rede descentralizada de centrais de biomassa, com potência total de 250 megawatts (MW), num investimento previsto de 500 milhões de euros, mas o atraso no lançamento dos concursos compromete este objectivo.

O último relatório da Agência para a Energia refere que o ritmo da área instalada do Solar Térmico triplicou em dois anos e teve uma taxa de crescimento superior a 70% em 2008. Novas necessidades regulamentares (RCCTE) e a crescente exposição mediático foram, de acordo com a ADENE, os factores que mais potenciaram a evolução do mercado. Estima-se que actualmente estejam operacionais cerca de 390 mil metros quadrados de Solar Térmico. HÍDRICA AMEAÇA PAISAGENS O governo quer atingir uma capacidade instalada hidroeléctrica nacional superior a 7 000 MW em 2020, mas a construção das dez novas barragens será tudo menos pacífica. Em Maio, o estudo da Barragem do Tua mereceu uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável, mas fortemente condicionada.

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De acordo com o documento, a barragem vai alagar o fundo do vale do Tua considerado de elevado valor ecológico e paisagístico, a linha ferroviária do Tua, e áreas onde a actividade vitivinícola é responsável pela presença de uma comunidade jovem. Afecta ainda a paisagem da região do Douro Vinhateiro – Património da Humanidade, entre outro património local, nomeadamente acessibilidades rodoviárias. O conjunto de medidas minimizadoras, compensatórias e programas de monitorização, apostam sobretudo na "nova paisagem" que a albufeira vai criar e num "novo" turismo. A DIA impõe uma cota mínima de 170 metros à barragem e obriga a que seja assegurada uma alternativa à linha do Tua, incluindo

BIOMASSA SEM CENTRAIS

Além do contributo energético, com as centrais de biomassa esperava-se reduzir os níveis de emissão de dióxido de carbono (C02) em 700 mil toneladas e minimizar o risco de incêndio devido a uma articulação entre a localização das centrais de biomassa e as políticas florestais. No entanto, as 15 novas centrais vão ter de esperar devido ao atraso de dois anos nos processos de concurso e construção. Os investidores já alertaram para a tarifa pouco competitiva, que ficou ainda mais desvalorizada com o adiamento da adjudicação definitiva dos concursos, e para a complexidade burocrática, pedindo alterações às regras. ONDAS PARADAS Depois da inauguração com pompa e circunstância, em Setembro de 2008, as máquinas Pelamis do parque de ondas da Aguçadoura, foram retiradas do mar por problemas técnicos e aguardam melhores dias. Na cerimónia inaugural o ministro da Economia, Manuel Pinho, classificou o projecto como "uma bandeira" da liderança portuguesa nas energias renováveis e "o primeiro projecto no mundo de exploração comercial a energia das ondas para produzir energia eléctrica". Os responsáveis do parque esperam que, antes do Verão, as três máquinas estejam novamente prontas para a produção comercial, mas nada está garantido, já que a crise afectou os líderes do projecto, os australianos da Babcock & Brown. O Parque de Ondas da Aguçadoura iria, nu-

ma primeira fase, produzir electricidade a partir de três conversores Pelamis Wave Energy, fornecendo cerca de 15 mil famílias e evitando a emissão de mais de 60 000 toneladas/ano de emissões de dióxido de carbono. O projecto, cujo investimento total ronda os 8,8 milhões de euros, faz parte de uma consórcio de empresas, sendo que 77% pertencem à EDP, à Efacec e à Babcock&Brown, que detém a Enersis. Os outros 23% são da Pelamis Wave Power Limited. GEOTERMIA CONQUISTA AÇORES A produção de electricidade geotérmica nos Açores representou mais de um quinto da produção total da Electricidade dos Açores (EDA) nos primeiros três meses de 2008. Neste período a produção de energia geotérmica teve um crescimento de 0,3% em comparação com igual período do ano anterior, representando 21,2% da produção total da EDA, e 39,8% da ilha de São Miguel, a única ilha da região onde esta existe. No período em análise, verificou-se um decréscimo de 12,9% de produção hídrica e um crescimento de 132,9% de produção eólica, face ao período homólogo. Estes dois tipos de energia passam a representar, neste período, 8,1% da produção total. O decréscimo verificado na produção de energia hídrica deveu-se à falta de pluviosidade verificada. Por outro lado, registou-se um crescimento acentuado na produção de energia eólica, em resultado da entrada em funcionamento em Julho de 2008 do Parque Eólico da Serra do Cume na ilha da Terceira. Já a Madeira ambiciona vir a produzir cerca de um quinto da energia a partir de fontes renováveis, até 2017, por via da utilização das energias hidráulica e eólica. O plano de acção da Política Energética Regional prevê a ampliação do sistema hidroeléctrico da Calheta, até 2012, num investimento em energia hídrica e eólica, na ordem dos 72 milhões de euros. Está também em estudo, a remodelação do sistema hidroeléctrico da Serra de Água, até 2017, que deverá custar 52 milhões de euros.


O brilho da marca reflecte-se nos negócios.

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ENERGIA

EFICIÊNCIA NO CONSUMO

PPEC 2009/2010 POUPA

204 MILHÕES DE EUROS TEXTO DE SOFIA DUTRA

/// Será cerca de um milhão o número de famílias que pode beneficiar com a poupança de mais de 204 milhões de euros em electricidade, neste ano e no próximo. Esta é uma das medidas que fazem parte do Plano de Promoção da Eficiência no Consumo de Energia Eléctrica (PPEC) 2009-2010.

A

substituição das lâmpadas incandescentes por tecnologia LED em todos os semáforos do concelho de Cascais e da Baixa Pombalina são outras das medidas aprovadas, em Abril, no âmbito do PPEC 2009-2010.

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As 50 medidas serão implementadas por 21 promotores que se candidataram ao programa e, segundo cálculos da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), "permitirão poupar cerca de 3 004 GigaWatts/hora e um milhão de toneladas de CO2, com um benefício social de 204 milhões de euros". Esta “poupança equivale ao consumo anual de um milhão de famílias”, de acordo com o comunicado da ERSE. No total, o custo das 50 medidas escolhidas é de 16,2 milhões de euros. O PPEC, que está na sua terceira edição, visa apoiar financeiramente medidas que procurem melhorar a eficiência no consumo de energia eléctrica, através de acções empreendidas por promotores elegíveis (comercializadores, operadores de redes, agências de energia, associações de consumidores, associações municipais, associações empresariais, instituições de ensino superior e centros de investigação, entre outros), destinadas aos consumidores dos diferentes sectores.

As 50 acções aprovadas resultam de medidas específicas propostas (135), que foram sujeitas a um concurso de selecção, cujos critérios estão definidos nas regras do plano de promoção da eficiência no consumo. Estas regras permitem seleccionar as melhores medidas a implementar, de forma transparente e objectiva, tendo sido aprovadas num processo de discussão pública com todos os interessados no sector eléctrico. De acordo com o regulador, “a presente edição do PPEC reflecte uma maior diversidade de promotores com medidas aprovadas, envolvendo uma forte presença de promotores de carácter regional, nomeadamente agências regionais de energia, com 30% das medidas aprovadas, assim como de associações de consumidores e de associações empresariais, com 10% das medidas aprovadas. Desta forma, o Programa promove, uma maior descentralização, diversidade e proximidade dos consumidores”. MAIS LÂMPADAS LED A substituição das lâmpadas incandescentes por lâmpadas LED (de menor consumo) em todos os semáforos do Concelho de Cascais foi

uma medida proposta pela ENERGIC - Agência Municipal de Energia de Cascais, enquanto na Baixa Pombalina foi proposta pela Lisboa E-Nova Agência Municipal de Energia e Ambiente de Lisboa. Nesta zona da capital prevê-se a substituição de 751 lâmpadas em 295 semáforos, passando, assim, a cidade a totalizar 353 semáforos LED. Em termos tangíveis, serão instalados 63 mil LEDS e colocadas em circulação 3,7 milhões de lâmpadas fluorescentes compactas (de menor consumo que as tradicionais incandescentes) e 270 lâmpadas fluorescentes tubulares. Serão comparticipados 500 painéis solares. No campo das medidas intangíveis, a Agência de Energia do Porto propôs a realização de um inquérito a 2 500 consumidores de energia da cidade para "obter dados referentes aos hábitos de consumo" para que melhor se possa "desenvolver uma campanha de sensibilização" para um melhor comportamento energético. Foram consideradas elegíveis ao concurso do PPEC 2009-2010 125 medidas apresentadas por 29 promotores, no valor total de 58 milhões de euros. Estes custos representam cerca do triplo da dotação orçamental em 2009-2010.


ENERGIA

“Os promotores e consumidores de energia eléctrica assumem um papel muito relevante no Plano de Promoção da Eficiência no Consumo, desde a fase de consulta pública até à apresentação de candidaturas e posterior implementação. A qualidade das medidas apresentadas e o forte carácter competitivo do processo de selecção perspectivam um ano de 2009-2010 mais eficiente na óptica do consumo de energia eléctrica”, adianta a ERSE. Segundo o comunicado, “a presente edição do PPEC reflecte uma maior diversidade de promotores com medidas aprovadas, envolvendo uma forte presença de promotores de carácter regional, nomeadamente agências regionais

Entre os promotores escolhidos para esta edição do PPEC contam-se a Agência para a Energia (ADENE), a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), a DECO - Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor, a EDP Comercial, Distribuição e Serviço Universal, a Iberdrola Portugal e a Union Fenosa Comercial Portugal. MENOR CUSTO UNITÁRIO Com uma dotação orçamental anual de 11,5 milhões de euros, 78% foi para medidas tangíveis (que visam a instalação de equipamento com um nível de eficiência superior ao standard de mercado, com reduções de consumo mensuráveis) e o restante para medidas intangíveis (que visam a disseminação de informação acerca de boas práticas no uso eficiente de energia eléctrica, com o objectivo de promover mudanças de comportamentos).

Do orçamento para as medidas tangíveis, 32% foi atribuído ao segmento residencial, 38% ao segmento do comércio e serviços e os restantes 30% ao segmento da indústria e agricultura. Nas medidas tangíveis, as iniciativas relacionadas com a iluminação eficiente são as que absorvem a maioria dos incentivos dedicados (cerca de 70%), derivado das poupanças que permitem obter. “No segmento das medidas intangíveis, as iniciativas relacionadas com a divulgação são as que absorvem a maioria dos incentivos (34%), concurso educativos (23%) e auditorias energéticas (21%), entre outras iniciativas”, lê-se no comunicado. A ERSE conclui que “a qualidade das medidas candidatas e o carácter competitivo do PPEC têm permitido que os custos unitários de implementação das medidas sejam cada vez mais reduzidos, entre o PPEC 2008 e o PPEC 2009-2010 este valor reduziu-se de 0,0092 euros/kWh para 0,0054 euros/kWh”.

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Segundo a ERSE, “esta situação conduziu a que o concurso tivesse um forte carácter competitivo”, sendo “os benefícios sociais alcançados com a implementação das medidas aprovadas muito superiores aos custos”. “Os efeitos benéficos das medidas agora implementadas permanecerão até 2030, representando os cerca de 30 004 GWh de consumo evitado acumulado, o consumo anual de cerca de um milhão de famílias”, afirma o regulador.

de energia, com 30% das medidas aprovadas, assim como de associações de consumidores e de associações empresariais, com 10% das medidas aprovadas. Desta forma, o Programa promove, uma maior descentralização, diversidade e proximidade dos consumidores”.


INOVAÇÃO

INVESTIGAÇÃO EM PORTUGAL

O FUTURO DA ENERGIA PASSA POR AQUI TEXTO DE RAQUEL RIO

/// Que fontes de energia surgirão no futuro? A interrogação não vai ser respondida tão cedo, já que a investigação é contínua e avança em várias direcções. Mas deixamos algumas pistas sobre os projectos que as principais universidades e instituições científicas estão a fazer em Portugal.

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a Universidade da Beira Interior investiga-se a electricidade a partir de uma fonte de colheita de energia (energy harvesting), ou seja, através da captação da energia disponível no ambiente de utilização (por exemplo, gerar a electricidade necessária numa discoteca a partir da energia gerada pelo movimento dos seus frequentadores). As fontes de energia onde é possível aplicar o conceito encontram-se essencialmente em quatro formas diferentes: radiação electromagnética na gama do visível e da radiofrequência, gradientes térmicos e de movimento, onde se incluem o escoamento de fluidos e as vibrações. A libertação de calor, seja por animais ou equipamentos, pode ser captada fazendo uso de transdutores termoeléctricos ou termoquímicos. O movimento proporciona energia cinética que se transforma em energia eléctrica através de um transdutor, que pode ser piezoeléctrico, electromagnético ou electrostático. O sistema de colheita de energia faz uso das propriedades dos materiais piezoeléctricos através de um dispositivo capaz de captar

a energia gerada pelas pessoas quando se deslocam num pavimento. O projecto está a ser desenvolvido por um grupo de investigadores do Departamento de Engenharia Electromecânica. Ainda na UBI, dois docentes (do Departamento de Informática e do Departamento de Engenharia Electromecânica) patentearam, no final do ano passado, um sistema que faz o aproveitamento das correntes eólicas nos mares, armazenado ar dentro de depósitos submersos, para o utilizar posteriormente na produção de energia eléctrica.

zar o processo de fabrico do hidrogénio necessário para abastecer as pilhas de combustível, através da rentabilização dos combustíveis fósseis. As pilhas de combustível são apontadas como uma das mais promissoras tecnologias de energia limpa capaz de enfrentar a ameaça das alterações climáticas e do esgotamento dos combustíveis fósseis.

Trata-se de uma espécie de central subaquática que armazena a energia sob a forma de ar comprimido. Os reservatórios depositados em pleno oceano, podem acumular energia produzida directamente a partir de parques eólicos flutuantes.

A UA tem vindo a desenvolver investigação na área das pilhas de combustível a altas temperaturas, um processo mais rápido e eficiente. A vantagem da realização dos processos a altas temperaturas é que se tornam mais eficientes e mais rápidos. O objectivo passa por integrar processos de produção de hidrogénio para alimentar a pilha e optimizá-la para que se possa utilizar em aplicações móveis ou sem ligação à rede eléctrica.

Uma equipa de investigadores do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO), da Universidade de Aveiro (UA) está a estudar um novo método de obter hidrogénio a partir do gás natural para optimi-

O hidrogénio surge como uma alternativa, não como combustível propriamente dito, mas como fonte de energia para pilhas de combustível, utilizáveis no carro eléctrico, e que apenas libertam vapor de água.


INOVAÇÃO

POTENCIAL ENERGÉTICO DAS MARÉS A UA está, igualmente, a estudar o potencial energético das marés na barra do Porto de Aveiro. Trata-se de um projecto que simulou as correntes de maré, identificando os locais mais adequados à implementação de turbinas, de acordo com a capacidade de produção das mesmas, a partir de um estudo hidrodinâmico, que recorreu a um modelo computacional de mecânica dos fluidos. O objectivo da investigação era avaliar tecnicamente a possibilidade de produzir elec-

tricidade usando como fonte de energia primária as correntes de maré na zona da Barra do Porto de Aveiro. A tecnologia usada actualmente na obtenção de energia eléctrica, a partir de correntes marítimas, encontra-se ainda em fase embrionária. As soluções mais consolidadas baseiam-se na tecnologia das centrais hidroeléctricas, devidamente adaptadas ao ambiente salino, mas a necessidade de um dique limita a utilização do estuário, nomeadamente no que se refere à navegação colocando-se ainda sérios problemas relacionados com o assoreamento. A tendência actual centra-se na utilização de turbinas abertas (free-flow) de forma a minimizar o impacto ambiental, interferência com outras utilizações do estuário e custo da manutenção. ILHAS VERDES E SISTEMAS SUSTENTÁVEIS O Massachussets Institute of Technoloy (MIT) apoia o desenvolvimento de dois projectos de sistemas de energia sustentáveis: Ilhas Verdes e Sistemas Urbanos de Energia Sus-

tentáveis (SUES). O projecto Ilhas Verdes, a decorrer 2007 e 2011, envolve quarenta investigadores de cinco universidades portuguesas e dez investigadores do MIT, usando os Açores como laboratório real desta experiência-piloto. Os principais objectivos são maximizar o volume de energias renováveis utilizado na produção de energia eléctrica, criar uma rede eléc-trica inteligente onde o consumidor é também gestor da procura e da oferta de energia e expandir o uso dos transportes eléctricos. Edifícios com microgeradores que produzam energia e aqueçam os interiores (utilizando pequenas turbinas eólicas, painéis fotovoltaicos e biomassas), aproveitamento das energias renováveis através de parques eólicos, centrais geotérmicas e centrais de aproveitamento de biomassas e introdução de veículos eléctricos devem concretizar a expectativa de garantir um elevado grau de autonomia energética às ilhas de São Miguel e Flores, em 2018.

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Os investigadores têm estado a desenvolver o conceito de produção de hidrogénio a altas temperaturas com integração de outros combustíveis nesse processo, rentabilizando, desta forma, os combustíveis fósseis existentes e o biogás enquanto energia renovável. Alternativamente, é necessário proceder à electrólise. Os estudos pretendem a produção eficiente de hidrogénio com maior incorporação de calor, através da electrólise de alta temperatura.


INOVAÇÃO

INVESTIGAÇÃO EM PORTUGAL

O projecto SUES visa desenvolver modelos de negócio inovadores para fornecimento de serviços de energia a nível urbano, testados na construção de um edifício-protótipo e deve estar concluído em Junho de 2011. Por outro lado, o INETI (actual Laboratório Nacional de Energia e Geologia) desenvolveu uma metodologia muito simplificada para obtenção da Classe Energética de um Edifício existente para o sector residencial (moradias e apartamentos), com o objectivo de ajudar o processo de Certificação Energética de Edifícios, usando cinco parâmetros.

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No ano passado, esta instituição apresentou também publicamente o projecto T.Urban, um protótipo de turbina de eixo horizontal, que deve chegar em breve ao mercado. O desenvolvimento do mini-aerogerador português, que já está instalado nos jardins de São Bento, custou 850 mil euros. Na Universidade do Minho avança-se no projecto Solar Tiles (Desenvolvimento de Sistemas Solares Fotovoltaicos em Coberturas e Revestimentos Cerâmicos). O sistema funciona como os tradicionais painéis solares: através de uma fina película que é depositada nos revestimentos cerâmicos, consegue-se captar

a energia emitida pelo sol, armazená-la e transformá-la em energia eléctrica. A mesma universidade revelou, no ano passado, o projecto SINUS que tem como base a eficiência energética e a melhoria do desempenho de instalações eléctricas. O objectivo era desenvolver protótipos de equipamentos com a função de monitorizar os consumos e a Qualidade da Energia Eléctrica, de compensar dinamicamente harmónicos e desequilíbrios de corrente, e corrigir o factor de potência. Estes equipamentos poderão ainda, e simultaneamente, funcionar como interface de fontes de energia renovável com a rede eléctrica. APROVEITAR O CALOR DA TERRA A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e a empresa Geovita, do grupo Patris Capital, associaram-se para desenvolver um projecto pioneiro de aproveitamento do calor interno da Terra com vista à produção de energia eléctrica, através da implementação de uma forma inovadora de Geotermia – os Sistemas Geotérmicos Estimulados (SGE). Trata-se de uma energia renovável e ambientalmente limpa, com capacidade de pro-

dução contínua e não dependente de factores meteorológicos, que apresenta um elevado potencial no território nacional. Na sequência de um estudo de realizado por uma equipa do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a Geovita solicitou Direcção Geral de Energia e Geologia uma área de exclusivo de prospecção e pesquisa, com cerca de 500 quilómetros quadrados. Na Universidade de Évora aposta-se nos sistemas de gaseificação de biomassa em leito fixo. A proposta deste projecto encontra-se nos objectivos estratégicos da Universidade de Évora, onde será construído um parque experimental de Energias Renováveis e nele um gaseificador de biomassa. Refira-se, por último, que na cimeira luso-espanhola, que decorreu em Janeiro, em Zamora, assumiu-se a necessidade de concretizar um Centro Transfronteiriço de Investigação sobre Energias Renováveis, que nascerá em Badajoz. Além de permitir investigação de ponta nos temas das energias renováveis, o centro potenciará empresas dos dois países e investimentos tanto na Península Ibérica como noutras regiões do globo.


CONSTRUÇÃO

SUSTENTABILIDADE

DEBATER NOVAS ATITUDES TEXTO DE CHANTAL FLORENTINO

/// Património, reabilitação, sustentabilidade, valorização foram conceitos abordados durante o seminário ‘Construção e Reabilitação Urbana – Novas soluções e Sustentabilidade’ promovido pela a Associação Portuguesa de Empresas de Tecnologias Ambientais (APEMETA), que decorreu no dia 20 de Maio, em Lisboa.

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J

oão Appleton, um dos primeiros intervenientes, afirmou acreditar no “papel crescente” da reabilitação dada a sua importância “na conservação dos valores culturais, na protecção ambiental” e nas “vantagens económicas que daí podem resultar”.

Reabilitar edifícios antigos significa, numa óptica ambiental, “preservar uma parte dos elementos construídos, reduzindo a quantidade de demolições necessárias”. Acrescente-se que também implica, “tanto quanto possível, o uso de materiais tradicionais naturais”.

“Até à primeira metade do séc. XX, o conceito de património estava restringido a monumentos e outros edifícios e construções especiais”, disse o engenheiro civil. Este conceito acabou, no entanto, por “alargar-se substancialmente”. Presentemente, “os conjuntos de edifícios correntes são muito importantes para a história das cidades e dos seus habitantes, pois mostram como foi a evolução recente da humanidade e como os edifícios se foram adaptando às novas formas de viver”.

Numa vertente económica, a reabilitação de edifícios reduz os custos da demolição; reduz os custos em licenças e taxas; facilita a aprovação de projectos; reduz os custos do estaleiro; reduz as perturbações no tráfego urbano; facilita a colocação de produtos da construção; e reduz a quantidade de novos materiais, enunciou o engenheiro civil. É este balanço que permite concluir que, “mesmo que os preços unitários dos trabalhos

A valorização de resíduos destinadas a obras geotécnica traz, na opinião do engenheiro, “uma grande vantagem: a pouca necessi-

João Appleton

Hipólito Ponde de Leão

Rui Pedroto

de reabilitação sejam mais elevados dos que os de novos e correspondentes trabalhos, o custo total da intervenção de reabilitação pode ser menor do que o da construção de um edifício novo”. RESÍDUOS VALORIZÁVEIS ‘A incorporação de materiais recicláveis em obras geotécnicas’ foi a apresentação trazida por António José Roque, investigador principal do Departamento de Geotecnia do Laboratório nacional de Engenharia Civil (LNEC).


CONSTRUÇÃO

O processo de valorização de resíduos tem de obedecer a três requisitos: ambiental, engenharia e económico. No caso do requisito ambiental é preciso assegurar a “substituição de materiais naturais (solos e rochas), a redução da exploração de fontes não renováveis (pedreiras), e a verificação das características químicas e ambientais”. Da lista de resíduos valorizáveis em obras geotécnicas fazem parte as escórias de aciaria; escombros e finos de pedreiras; cinzas volantes e cinzas de fundo da combustão do carvão; escórias da combustão dos resíduos sólidos urbanos; resíduos de construção e demolição; pneus usados; lamas de estações de tratamento de água para abastecimento; e areias de fundição. Estes resíduos são, de acordo com António José Roque, apropriados para aplicar em obras geotécnica como os aterros estruturais de infra-estruturas de transporte; aterros leves; recobrimento de taludes; melhoramento de terreno; estabilização de solos; modelação de terrenos, entre outros. O LNEC tem desenvolvido vários projectos para promover a valorização de resíduos em geotecnia.

No caso particular da valorização de escórias de aciaria, o objectivo é “contribuir para a criação de uma metodologia mecanicista e ambiental que promova a reutilização dos resíduos” e de “implementar os princípios do desenvolvimento sustentável na engenharia geotécnica”. Em 2005 as duas siderurgias portuguesas (SN Seixal e SN maia) produziram 1 500 000 toneladas de aço, o que implica a produção de 400 000 toneladas de escória de aciaria. BARREIRAS CULTURAIS E EMPRESARIAS Na opinião de João Alcântara, da Edifer Reabilitação, a eficiência energética deve “estar presente em toda a cadeia de valor da reabilitação de edifícios”, uma vez que existem “soluções técnicas viáveis, quer em termos passivos (redução de consumos e perdas), quer em termos activos (produção de energia)”. De entre as soluções técnicas passivas, o responsável salientou a minimização de perdas pela envolvente, controlo de ganhos pela envolvente e a conservação de calor. No caso das activas, o destaque foi para a utilização de equipamento e soluções eficientes. São as “barreiras culturais e empresarias” que estão a conter a adopção a esta tecnologia em Portugal, uma vez que o “mercado está preparado na parte da oferta, mas não há dinamismo da parte da procura”.

Na sua perspectiva, “as políticas definidas pelo governo são importantes como factores de dinamização e enfoque no âmbito da reabilitação”, mas apenas “numa fase inicial”. “A reabilitação vai ter muito a ver com a vontade de cada um de nós enquanto sociedade”, reforçou o responsável. O enquadramento legal da demolição em Portugal foi o tema da apresentação feita por João Caixinhas, sócio-gerente da Ceifa Ambiente. Na sua visão “a clarificação e compreensão do conceito de demolição selectiva e, numa abordagem mais abrangente, o de desconstrução e o de gestão integrada de recursos e resíduos, surgem como cruciais para a procura de soluções eficientes de gestão”. Por outras palavras, “a repescagem das metodologias das construções desmontáveis em que a demolição não era um estado final, mas sim transitório”. Conceitos como desmonte, desconstrução ou demolição selectiva são conceitos que, apesar de serem “incontornáveis”, foram “negligenciados não só pelas empresas de construção, mas também pela investigação e formação universitárias, não havendo ainda conhecimentos aprofundados em Portugal que permitam, na fase de projecto, prever e equacionar com exactidão os problemas e planear uma gestão de obra em pleno acordo com o «estado da arte», a sua viabilidade económica e os requisitos legais”, sublinhou.

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dade de processar o resíduo”, já que este tipo de obra exige pouca homogeneidade. A desvantagem reside no facto das obras geotécnicas terem uma “durabilidade reduzida”.


EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

APCMC DEBATE ENERGIA

E

m 2015, todos os edifícios do Estado deverão ter certificado energético. Esta é uma das medidas que fazem parte do Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética, referido por Alexandre Fernandes, director-geral da ADENE – Agência para a Energia. Este responsável indicou também que dentro de seis anos pretende-se ter: “em cada 15 edifícios com boa eficiência energética; 75 mil lares electroprodutores; um em cada 15 edifícios com água quente solar; e substituição de cinco milhões de lâmpadas por CFL”, entre outras medidas”.

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NA TEKTÓNICA TEXTO DE SOFIA DUTRA

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/// “Eficiência Energética em Edifícios – soluções para a construção e reabilitação” esteve em debate num seminário organizado pela APCMC – Associação Portuguesa de Comerciantes de Materiais de Construção, integrado na Tektónica’09, a 22 de Maio.

Segundo Afonso Caldeira, presidente da Direcção da APCMC – Associação Portuguesa de Comerciantes de Materiais de Construção, o Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética foi “aprovado há pouco mais de um ano”, tendo as “primeiras metas apontadas para 2010”, mas “até hoje na nossa área, apenas duas medidas arrancaram: a requalificação energética dos edifícios públicos e a medida solar térmico”. “As medidas relativas ao isolamento eficiente, à janela eficiente, ao calor verde – substituição de equipamentos domésticos de aquecimento e refrigeração de água e ar –, entre outros, continuam na gaveta”, especificou. Este responsável considera que a medida solar térmico “começou mal”. “São já centenas as empresas que estão a sofrer perda de vendas e prejuízos, causados por um processo pouco transparente, burocratizado que lhes veda o acesso ao mercado em condições de igualdade e que confunde os clientes”, disse. E referiu-se ao subsídio directo para a instalação de painéis solares como “100 milhões de euros que pertencem a todos nós e que estão a ser mal empregues”. RACIONALIZAR USO DA ÁGUA Para Armando Silva Afonso, presidente da ANQIP - Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais, “o uso eficiente da água é um imperativo ambiental em qualquer país do mundo”, com particular urgência nos países mediterrânicos, uma vez que “as disponibilidades do recurso poderão estar significativamente afectadas a curto/médio prazo”. Na sua opinião, a iniciativa de rotulagem da ANQIP vem “ao encontro da necessidade crucial e urgente de intervenção que se detecta em Portugal, no sentido de racionalizar o uso da água e contribuir para a garantia, em relação a este recurso vital, das desejadas e indispensáveis condições de sustentabilidade”. Armando Afonso salientou que “o sucesso destas iniciativas de racionalização do uso da água dependerá muito do envolvimento e do empenho dos intervenientes do sector”. Por seu turno, João Barrento da Costa, do ISEL (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa), acentuou que “não é pela via da regulamentação que conseguimos a melhoria energética, porque devemos melhorar muito a envolvente.


ACTUAL

REABILITAÇÃO E CERTIFICAÇÃO ENERGÉTICA DE EDIFÍCIOS

DESPERDÍCIO PODE DESCER 300 MILHÕES DE EUROS/ANO TEXTO DE CHANTAL FLORENTINO

/// Portugal apresenta um grande potencial para melhorar a eficiência energética dos edifícios, reduzindo em 30% o desperdício de energia que atinge 1 000 milhões de euros/ano. A iniciativa SIM – Porto é um exemplo de como se tem investido na promoção da reabilitação urbana e na consequente melhoria de eficiência energética dos edifícios.

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eabilitação e certificação energética de edifícios’ foi o tema do seminário promovido pela ADENE – Agência para a Energia e AIP – Associação Industrial Portuguesa que decorreu no âmbito da Tektónica – Feira Internacional de Construção e Obras Pública, dia 21 de Maio em Lisboa. “Na Europa, o sector da conservação e reabilitação é a componente mais dinâmica e a que tem registado maiores crescimentos nos últimos 20 anos, assumindo grande importância no peso da estrutura produtiva do sector da construção”, afirmou Manuela Almeida, professora na Universidade do Minho. Em Portugal, a reabilitação de edifícios não apresenta o mesmo dinamismo, mesmo tendo em conta o “parque edificado envelhecido” existente no país, apesar do “elevado ritmo de construção nova nos anos 90”. Na sua opinião, “este parque edificado encontra-se bastante degradado devido às difi-

culdades no cumprimento da legislação que regula a conservação de edifícios”. Os edifícios apresentam, na maioria dos casos, baixo desempenho térmico das coberturas e paredes exteriores; baixo desempenho térmico das janelas; problemas de humidade; baixo nível de isolamento a sons exteriores; pontes térmicas, envolventes pouco herméticas. A segurança no abastecimento, a protecção do ambiente e as opções limitadas na oferta, foi o que, segundo a professora, levou a União Europeia a tornar a eficiência energética é “uma das suas prioridades”. Em Portugal, por exemplo, “há um desperdício de energia de 1 000 milhões de euros/ ano”, valor que poderia ser reduzida “em cerca de 30%”, aplicando “medidas simples”. É preciso ter em conta que “2,5 milhões de edifícios foram construídos antes de 1990, antes da entrada em vigor da legislação, os quais representam 81% do parque de edifícios português”.


A reabilitação energética de edifícios constitui, na visão de Manuela Almeida, “uma das vias mais promissoras para a correcção de situações de inadequação funcional e para a melhoria da qualidade técnica”. No futuro, o certificado energético “constituirá um factor de decisão na escolha do imóvel, quer na sua compra quer no seu arrendamento”, acredita. Para António Gil Machado, do Confidencial Imobiliário, há uma diferença entre o arrendamento e a aquisição de imóveis, pois está convicto que, “onde existe maior vocação para o arrendamento, mais interessante será ao nível da reabilitação”. Na opinião deste responsável, “o problema da reabilitação não é um problema de mercado”. O centro de Lisboa, onde se inclui a Lapa, a Baixa, o Chiado e o Marquês de Pombal, “está bem valorizado” e é uma das áreas “mais aptas à reabilitação”, acrescenta.

PAINÉIS SOLARES NA ZONA HISTÓRICA DO PORTO A Agência de Energia do Porto tem como missão “promover a inovação, o exercício de boas práticas e de exemplos a seguir, junto de todos os agentes do mercado e dos cidadãos em geral, contribuindo para o desenvolvimento sustentável através da utilização inteligente da energia e do seu interface com o ambiente”. Na sua representação, Eduardo de Oliveira Fernandes, presidente do Conselho de Administração, falou como a “sustentabilidade é o nosso objectivo, inatingível, mas não deixa de ser o nosso objectivo”. Abordando da sua actuação no Porto, o presidente revelou que a AdEPorto “elaborou um guia de termos de referência para a reabilitação da zona de intervenção prioritária”, onde se poderão encontrar várias linhas orientadoras para se conseguir um melhor resultado. As medidas de promoção à reabilitação fo-

ram, entretanto, estendidas, com a criação do SIM – Porto, um sistema multicritério de informação e análise de operações urbanísticas que visa assegurar o cumprimento dos objectivos programáticos do Plano Director Municipal do Porto (PDMP). Este regulamento municipal pretende promover as condições de reabilitação do centro urbano degradado através de um sistema de incentivos que atribui, a cada obra de restauro, conservação ou reabilitação dos edifícios situados na Área Crítica de Recuperação e Reconversão Urbanística, um prémio expresso em metros quadrados de direitos concretos de construção em áreas definidas no PDMP. Oliveira Fernandes está “convencido que o IGESPAR [Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico] deixe colocar painéis solares nos telhados da zona histórica do Porto”. “Há um rigor de regulamento que necessita de uma certa flexibilidade: em vez de colocarmos um metro quadrado, podemos colocar meio metro quadrado, também podemos mudar a inclinação dos painéis”, sugeriu o responsável.

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ENTREVISTA ACTUAL


NOTÍCIAS

NO PAÍS

PRÉMIO ARQUITECTAR 2009 CENTRADO NAS RENOVÁVEIS As energias renováveis ocupam um lugar de destaque na 2ª edição do prémio Arquitectar, uma iniciativa da Square Imobiliária que conta com a assessoria técnica da Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos. Nesta edição é pedido um projecto de uma “moradia unifamiliar de tipologia T3 com vista para o rio ou o mar, orientada para um segmento médio-alto do mercado imobiliário, de formalismo contemporâneo”, que revele “inovação e arrojo”, esclarecem os organizadores. O júri, é de salientar, irá apreciar a “utilização de recursos/ energias renováveis e/ou outras sustentabilidades aplicadas à arquitectura” num lote de terreno existente no “território nacional com vista de rio ou de mar”. Acrescentem-se ainda os factores de “exequibilidade” e da “melhor razão entre arquitectura inovadora, o custo da obra e o uso de sistemas bio-climáticos”, assim como a “audácia no desenvolvimento” do projecto. O prazo de inscrições acaba de 31 de Agosto e as propostas devem ser entregues até 15 de Setembro.

EDP E ESTRADAS DE PORTUGAL ESTUDAM IMPLEMENTAÇÃO DE RENOVÁVEIS NAS AUTO-ESTRADAS A Estradas de Portugal e a EDP Inovação assinaram um protocolo para a análise de viabilidade e implementação de um projecto piloto de sistemas de produção renovável do tipo fotovoltaico, microeólico ou híbrido, nos terrenos próximos das estradas e auto-estradas, avança um comunicado emitido pelas Estradas de Portugal. Numa primeira fase será realizado, ainda em local a definir, um piloto com uma potência entre os 10 e 50 KW. O objectivo final é estender a iniciativa a outros espaços geridos pelas Estradas de Portugal.

AUMENTO DA TAXA DE DESEMPREGO DO ALGARVE É “VERTIGINOSO” “Vertiginoso” é como a AECOPS – Associação das Empresas de Construção e Obras Públicas classifica o aumento da taxa de desemprego no sector da construção que atingiu 161,2% no primeiro trimestre de 2009. “Este valor corresponde a quase duas vezes e meia a média nacional deste indicador, que apresenta, para o total do País, um crescimento dramático e historicamente nunca antes atingido de 67,9%”, pode ler-se no documento. Na região, o pessimismo dos empresários da construção cresce, pois “a forte quebra no lançamento de obras públicas na região (-83,1% em valor) compromete o andamento, a médio prazo, dos trabalhos de construção de iniciativa pública”. A performance do segmento da habitação regista, no Alentejo, “um dos comportamentos menos maus”, com o número de fogos licenciados a registar, no mesmo período, uma descida de “apenas” 8,9%.

SISTEMA SOLAR TESTADO NA ILUMINAÇÃO PÚBLICA DE ALMEIRIM A Câmara Municipal de Almeirim vai testar, durante o mês de Junho, um sistema de energia solar para alimentação iluminação pública no parque infantil da urbanização da Quinta de S. Miguel, avança O Mirante. Através de um investimento de 1 794 euros, a autarquia vai substituir todas as lâmpadas dos candeeiros exteriores da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos de Fazendas de Almeirim, pela tecnologia led. Pedro Ribeiro, vereador do Ambiente, terá dito, segundo a mesma fonte, que “esta situação vai permitir reduzir o consumo de electricidade em 85%”, o correspondente a “uma poupança de 1 561 euros anuais na factura da electricidade”.

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IHRU CELEBRA ACORDO COM MAIS DE 100 MUNICÍPIOS O Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) e mais de 100 municípios estabeleceram, no dia 29 de Maio, 51 acordos de colaboração e 26 contratos de financiamento no âmbito do PROHABITA e para construção e reabilitação de Habitação a Custos Controlados, com diversas entidades locais e regionais. Avaliados em 700 milhões de euros, os acordos vão possibilitar melhorar as condições de habitabilidade de 19 470 famílias e requalificar alguns bairros sociais, segundo avança notícia veiculada pela AECOPS – Associação das Empresas de Construção e Obras Públicas. Na cerimónia de assinatura, que decorreu no Centro Cultural de Belém, João Ferrão, secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades, disse, segundo a mesma fonte, que esta iniciativa resultaria “8 000 postos de trabalho no sector da construção civil ao longo dos próximos três anos”.


NO PAÍS

EDP RENOVÁVEIS ASSINA CONTRATO COM VESTAS A EDP Renováveis, empresa para as energias renováveis do Grupo EDP, anunciou a celebração de um contrato com a Vespa para a aquisição de 76 aerogeragores para os seus projectos eólicos na Roménia. O contrato envolve o fornecimento e a instalação das turbinas V90-3.0 MW, a solução VestasOnline Business SCADA, assim como um acordo de prestação de serviços de cinco anos. Com a assinatura deste contrato a EDP Renováveis pode “avançar com a execução do seu pipelinena Roménia, em linha com a decisão de entrada neste mercado no passado mês de Outubro de 2008”, esclarecem em comunicado os responsáveis da empresa. A serem instalados já a partir deste ano, os projectos romenos vão servir cerca de 97 mil casas e evitar a emissão de mais de 392 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.

NOTÍCIAS

ANTÓNIO FLORES DE ANDRADE É O NOVO PRESIDENTE DO INCI O Instituto da Construção e do Imobiliário (InCI) é agora liderado por António Flores de Andrade que, desde 1 de Junho, ocupa a posição de presidente do Conselho Directivo. O despacho conjunto do primeiro-ministro e do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações que nomeia António Flores de Andrade para este cargo refere a “necessidade de um significativo esforço de reestruturação” do InCI, pelo que a sua gestão “deverá ser liderada por alguém que, para além de reconhecida experiência de gestão, detenha capacidades próprias em matéria de reorganização”. António Flores de Andrade, acrescenta o documento, “demonstrou possuir as características acima assinaladas na profunda reestruturação que levou a cabo na Inspecção-Geral do MOPTC, da qual tem sido Inspector-Geral nos últimos nove anos, com excelentes resultados, indiscutivelmente reconhecidos”. Para vogal do Conselho Directivo do InCI foi nomeado Fernando José Oliveira da Silva, subinspector-geral da Inspecção-Geral das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.

PROCURA DE PETRÓLEO DEVERÁ CAIR 3% ENCOMENDAS NA CONSTRUÇÃO E OBRAS PÚBLICAS EM QUEDA AGRAVADA No 1º trimestre de 2009, as novas encomendas na construção e obras públicas registaram uma variação homóloga de -48,4%, reflectindo, segundo o Instituto Nacional de Estatística, “um agravamento da evolução face ao trimestre anterior, de ambos os segmentos considerados”. Entre estes dois períodos verificou-se uma queda nas encomendas de 8,1%. Enquanto o segmento de Obras de Engenharia exibiu uma variação homóloga de -67,2%, o segmento de Construção de Edifícios registou uma variação homóloga de -36,6%.

Ao longo de 2009, a procura global de petróleo deverá sofrer uma redução de 3%, estima a Agência Internacional de Energia (AIE). Esta será, de acordo com o jornal Económico, a “queda mais acentuada desde 1981” e vai traduzir-se numa descida das necessidades mundiais de petróleo em 2,56 milhões de barris diários para um total de 83,2 milhões de barris diários. O aumento do preço do crude teve origem no optimismo dos mercados, mas que não se traduz “em sinais de recuperação da procura no mercado petrolífero e que os fundamentais do sector continuam fracos", escreve o jornal citando a AIE. A OPEP – Organização de Países Exportadores de Petróleo subiu, em Abriol último, a produção em 270 mil barris diários, invertendo o período de queda que persistia desde Novembro de 2008.

O reforço das actividades em Portugal, a entrada no mercado brasileiro e conclusão de projectos solares em Espanha, permitiu à Martifer Renewables atingir uma capacidade instalada de 104,6 MW. Neste total estão contabilizadas a capacidade instalada de 96,7 MW em parques eólicos em operação na Alemanha, Brasil, Polónia e Portugal, e a capacidade instalada em projectos solares fotovoltaicos localizados em Espanha, que atingem os 7,6 MW. Em Portugal, a Martifer Renewables “tem vindo a colocar progressivamente em operação os 18,9 MW licenciados respeitantes a dois parques eólicos - Vila Franca de Xira e Baião - nos quais a empresa detém uma participação de 50%”, esclarecem os responsáveis em comunicado. Na Alemanha, a Martifer Renewables detém dois parques eólicos com 53,4 MW de capacidade instalada que facturaram 9,1 milhões de euros durante 2008. No Brasil, através da sua participada na empresa Ventania, a empresa inaugurou dois parques com 14,7 MW no final de 2008, no nordeste do país, “uma das zonas do mundo com melhor recurso eólico”, sublinham. Os primeiros 10 MW polacos estão operacionais, estando a inauguração oficial agendada para o próximo dia 16 de Junho.

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MARTIFER RENEWABLES ULTRAPASSA OS 100 MW DE CAPACIDADE INSTALADA


NOTÍCIAS

NO MUNDO

DBF APONTA PARA O MERCADO EXTERNO PRÉDIO MAIS INCLINADO DO MUNDO EM CONSTRUÇÃO EM ABU DHABI A capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, vai receber o prédio mais inclinado do mundo. A construção do Capital Gate já está na metade. Com 35 pisos, 160 metros de altura, e uma inclinação de 18º, o edifício será a sede de um hotel de cinco estrelas. Irá apresentar uma inclinação de 18º para Oeste, superior à inclinação da Torre de Pisa. O projecto elaborado pelo gabinete RMJM arquitectos, de Nova Iorque, não prevê que os andares se inclinem junto com a edificação. Para isso, o edifício terá um exoesqueleto de aço e 490 pilares enterrados a 100 metros de profundidade, que compensarão a gravidade, vento e actividade sísmica, causadoras da pressão e danificação de estruturas deste tipo.

A Diamantino Brás Franco (DBF), fabricante de argamassas industriais sob a marca Lena Argamassas, tem como objectivos para 2009 o incremento da exportação, a continuação do crescimento no mercado interno e a consolidação da marca “produto certificado” junto de projectistas e engenheiros. África e Europa de Leste são os destinos prioritários para os produtos da empresa no estrangeiro e são considerados com grande potencial nesta época de crise. A DBF fabrica e comercializa cimentos-cola certificados, sendo que a entidade certificadora é a Certif – Associação para a Certificação. COLÉGIO DE ARQUITECTOS DE CHILE TEM NOVO PRESIDENTE

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O arquitecto Patricio Gross Fuentes foi nomeado como novo presidente Nacional do Colégio de Arquitectos do Chile para o período 2009 - 2011, na primeira sessão do novo Directório Nacional da entidade recentemente eleita. Arquitecto titulado em 1964 da Pontifícia Universidade Católica de Chile, Gross obteve a primeira maioria nacional – 425 votos - nas eleições realizadas pela Ordem entre 20 e 24 de Abril deste ano, para a designação de Directório Nacional, Directórios Regionais e Tribunais de Ética Nacional e Regionais. Este profissional já tinha ocupado o cargo anteriormente, tendo sido presidente do Colégio entre 1998 e 2000 e Past presidente de 2000 a 2002. O novo Directório ficou integrado por Patricio Gross Fuentes, como Presidente Nacional; Luis Eduardo Bresciani Prieto, como vice-presidente de Assuntos Internos; Marcos Araya Rodríguez, vice-presidente de Assuntos Externos; Ivannia Goles Barrientos, secretária-geral; Francesca Clandestino González, directora tesoureira; Alberto Montealegre Klenner, como Past presidente, e os directores nacionales Sotero Apablaza Minchel, Alberto Arenas Pizarro, Víctor Gálvez Astudillo, Hugo Pereira Gigogne e Santiago Raby Pinto. NORMAN FOSTER GANHA PRÉMIO PRÍNCIPE ASTÚRIAS

ADNEC / RMJM

Norman Foster foi o vencedor do Prémio Príncipe das Astúrias em Artes 2009, anunciou em Oviedo o júri do prémio a 20 de Maio. "Estou emocionado com o prémio”, afirmou o arquitecto britânico. Segundo um comunicado, “é uma enorme honra e um reconhecimento maravilhoso da importância do desenho como catalisador da melhoria de qualidade de vida". A distinção será entregue em Outubro, em Oviedo.


NO MUNDO

NOTÍCIAS

GASTOS NA CONSTRUÇÃO NOS EUA A SUBIR CRISE ECONÓMICA AFECTA ARQUITECTURA O Conselho de Arquitectos de Europa realizou uma sondagem de opinião em Abril, junto de arquitectos, a fim de obter um indicador do efeito que a actual crise económica e financeira está a ter na profissão da arquitectura na Europa. 46% dos inquiridos considerou que a situação no seu país é "má" ou "muito má", enquanto apenas 14,9% considerou que a situação era "boa" ou "muito boa". Desde Setembro de 2008, houve uma diminuição de 14,6% no número de arquitectos empregados, o que significa que um entre cada seis arquitectos que estavam empregados em Setembro de 2008 está agora desempregado. Para o próximo trimestre, os inquiridos acreditam que o volume geral de trabalho descerá 28,3%. O sector comercial é o que se espera que seja mais gravemente afectado, com uma previsão de redução da carga de trabalho de 61,5% nos três meses até finais de Junho. A sondagem contou com 2 047 respostas individuais de 27 dos 32 países do Conselho de Arquitectos de Europa. HABITAÇÃO SOCIAL É OPORTUNIDADE EM ANGOLA Os gastos em novos projectos de construção nos Estados Unidos subiram em Março pela primeira vez em seis meses, em virtude dos esforços do governo. O Departamento do Comércio norte-americano revelou, a 4 de Maio, que os gastos com os projectos para novas construções no país cresceram 0,3% em Março, após terem descido 1% em Fevereiro. A causa desta subida são os projectos públicos e comerciais, que anularam a quebra registada no sector imobiliário. Esta evolução foi melhor que a esperado pelos economistas consultados pela Bloomberg, que tinham previsto uma quebra de 1,6% no período em análise.

EDP ENERGIAS DO BRASIL INICIA OPERAÇÃO DE CENTRAL HIDRELÉTRICA NO BRASIL A primeira máquina da Pequena Central Hidrelétrica Santa Fé, pertencente à EDP Energias do Brasil, empresa do Grupo EDP Energias de Portugal, entrou em operação comercial a 27 de Maio. Localizado no município de Alegre, no estado de Espírito Santo, o empreendimento possui 29 megawatts de capacidade instalada e energia assegurada de 16,4 MW médios, suficientes para abastecer uma cidade de 100 mil habitantes. A PCH Santa Fé começou a ser construída em novembro de 2007 e recebeu a licença de operação, emitida pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), em Abril deste ano. A partir da obtenção da licença, teve início o enchimento dos reservatórios. O empreendimento teve um investimento total de aproximadamente 57 milhões de euros. Do total do investimento, 27 milhões de euros foram concedidos pelo BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social, e 17 milhões de euros vieram de empréstimo obtido junto ao Banco do Brasil.

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Os promotores imobiliários em Angola estão a redireccionar a oferta de habitação para os segmentos de mercado mais baixos, que, além de uma necessidade social, tornou-se uma oportunidade de negócio. Segundo o estudo Imobiliário Luanda 2009 - Habitação e Escritórios, produzido pela Proprime, Consultadoria e Avaliação Imobiliária, "a par da estratégia governamental de apoio ao investimento, surge o programa estatal de construção de um milhão de fogos habitacionais até 2012". De acordo com o relatório, o programa deve restabelecer "o equilíbrio de mercado de baixa e média renda", uma medida que ajudará a regular o mercado e a ser um “pólo dinamizador do sector da construção".


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FEIRAS

TECNOFIL ‘09

UM NOVO MODELO DE FEIRA TEXTO DE CHANTAL FLORENTINO


FEIRAS

/// A exposição e as conferências do programa Eureka, assim como as 4ª Jornadas da Inovação são os destaques da 1ª edição da TECNOFIL, uma feira que engloba salões das áreas do ambiente, da inovação e do sector eléctrico e electrónico. Miguel Comporta, director da Área Feiras, considera a feira, por para o país em termos económicos, sócias e políticos.

“É

uma feira de inovação com um conceito inovador”. É com esta frase que Miguel Comporta, director da Área Feiras, caracteriza a TECNOFIL – Feira Internacional das Indústrias, Tecnologia e Inovação, cuja 1ª edição vai acontecer entre 17 e 20 de Junho, na FIL – Feira Internacional de Lisboa. A TECNOFIL é, define o responsável, uma “feira umbrella” que reúne três salões: o AMBIURBE – Salão Internacional do Ambiente e da Sustentabilidade, o SINOTEC – Salão Internacional de Inovação e Tecnologias para a Indústria, e o ENDIEL– 16º Encontro para o Desenvolvimento do Sector Eléctrico e Electrónico. Já na sua 3ª edição, o AMBIURBE é um salão que “assenta em quatro pilares fundamentais: a Água, os Resíduos, a Energia e o Ordenamento e conservação da natureza”. Esperase, neste certame, a presença de entidades públicas e privadas, associações sectoriais, socioprofissionais e científicas cujo intuito seja prevenir, minimizar e corrigir os efeitos da poluição no meio ambiente, nomeadamente a atmosfera, os solos os rios e os oceanos. Com o propósito de envolver instituições pública e privadas ligadas à área industrial cuja ambição é acrescentar valor às empresas através da sua modernização e aumento de competitividade surge, por outro lado, o SINOTEC. Na génese deste salão, a FIL “desafiou o presidente da Agência da Inovação para participar na comissão organizadora da SINOTEC”, o que culminou na realização da sua 1ª edição em 2007, conjuntamente com o AMBIURBE, que já ia na sua 2ª edição. Ao juntar estes dois eventos, a FIL reuniu num só espaço “dois eixos fundamentais na

economia actual: a inovação e a sustentabilidade”. ACTIVIDADES PARALELAS ENGRANDECEM SINOTEC Este ano, “a proximidade com a Agência da Inovação acabou por materializar-se numa grande oportunidade para a FIL que será a de receber uma grande exposição e um conjunto de conferências relativas ao Programa Eureka, cuja presidência Portugal assume presentemente”, revela Miguel Comporta. Criado como uma iniciativa intergovernamental em 1985, O Programa Eureka tem como objectivo realçar competitividade europeia apoiando negócios, centros de pesquisa e universidades que executam projectos pan-europeus de desenvolvimento de produtos, processos e/ou serviços inovadores. Presentemente, o programa envolve 39 países. A este acontecimento juntam-se as Jornadas da Inovação, uma iniciativa paralela da responsabilidade da Agência da Inovação com o objectivo de “promover os resultados de projectos I&D de sucesso orientados para o mercado, encorajando o seu aproveitamento económico e promovendo novas parcerias entre investigadores, empresas e investidores”, referem os organizadores. Para além do peso que as actividades paralelas a realizar no SINOTEC têm na TECNOFIL, o salão também “potencia as sinergias com os mercados emergentes das tecnologias ambientais e com o sector eléctrico e electrónico”, pode ler-se num comunicado da FIL. ENDIEL ESPERA BENEFICIAR “No meio de todas esta dinâmica, surgiu a

possibilidade de articularmos, com a ANIMEE [Associação Portuguesa das Empresas do Sector Eléctrico e Electrónico] a realização, na mesma data, da 16ª edição do Endiel – Encontro para o Desenvolvimento do Sector Eléctrico e Electrónico”, relata Miguel Comporta. A ANIMEE espera, com estas novidades, “conseguir para o ENDIEL uma muito maior dimensão e proporcionar aos seus expositores um significativo abaixamento nos custos de participação e a possibilidade de beneficiarem das sinergias resultantes da ocorrência, em simultâneo, de outros eventos, designadamente o SINOTEC e o AMBIURBE – Salão Internacional do Ambiente”, comunicam os responsáveis no site. “Assim e de todos estes acontecimentos nasceu uma grande feira, a qual designámos TECNOFIL”, conclui o director da Área Feiras. NOVO MODELA DE FEIRA Apesar do esforço que a TECNOFIL exigiu da FIL, “a notoriedade e o valor acrescentado das iniciativas Eureka e das Jornadas da Inovação são, do nosso ponto de vista, muito importantes para o país e para a economia nacional”, sublinha o director. “Vislumbramos o modelo futuro das feiras muito diferente daquele que conhecemos. As feiras que começaram por ser, essencialmente, eventos com importância de mercado, hoje têm de ter importância económica, social e política. E é isso que torna a TECNOFIL numa feira inovadora.” No dia 18 de Maio, estavam confirmadas as presenças de 150 expositores directos e esperava-se a apresentação de 500 projectos do Programa Eureka. Dentro dos três pavilhões que a FIL espera ocupar com a TECNOFIL vão ser construídas três novas infra-estruturas que funcionarão como auditórios para albergar as inúmeras actividades paralelas programadas.

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si só inovadora, já que, para além da sua importância no mercado, é relevante


EMPRESAS

NOVAS SOLUÇÕES AUTODESK Autodesk Ecotect Analysis 2010 e o Autodesk Guide to Sustainable Design são os

mais recentes lançamentos da Autodesk. Enquanto o primeiro consiste numa ferramenta para análise da performance do edifício, o Guide to Sustainable Design define-se como “um novo recurso gratuito online para projecto que ilustra os princípios, decisões e tecnologias para todas as fases do ciclo de vida do projecto sustentável”, referem os responsáveis em comunicado. De acordo com Phil Bernstein, vice-presidente da Indústria de AEC da Autodesk, "a aceleração das mudanças climáticas e o decréscimo da eficiência energética estão a levar a um crescente número de iniciativas voluntárias e regulares para melhorar a performance de novos e existentes edifícios e reduzir a emissão de carbono.” A solução Autodesk Ecotect Analysis 2010 permite que arquitectos e engenheiros utilizem “um vasto leque de funcionalidades que ajudam os utilizadores a melhor compreender numa fase inicial do projecto como os efeitos dos factores climáticos, como o sol, temperaturas, sombras, luminosidade, ventilação irão afectar a performance dos edifícios” O software Autodesk Guide to Sustainable Design, por seu lado, auxilia na tomada de decisões a nível da sustentabilidade do projecto numa fase inicial do ciclo de vida deste. BETAFENCE NA CONSTRUÇÃO DE PASSEIO RIBEIRINHO

A Betafence participou na construção do Passeio Ribeirinho entre Alhandra e Vila Franca de Xira ao fornecer e implementar, através da Vedicerca, cerca de 1800 metros do sistema de vedação Nylofor 3D. O projecto, que representa um investimento de 2,5 milhões de euros e três quilómetros de extensão, tem como principal função “a criação de espaços para lazer e actividades físicas”, explica a empresa. A obra contou com o apoio da REFER que investiu seis milhões de euros no alargamento e estabilização da plataforma ferroviária contígua ao rio Tejo.

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FINUPE FORNECE O MAIOR CENTRO TECNOLÓGICO DO SUL DE ESPANHA A Finupe, empresa nacional dedicada ao fabrico, comercialização, instalação e manutenção de Access Solutions, foi seleccionada para a colocação de cerca de 20 mil metros quadrados de pavimento sobreelevado, o Centro Tecnológico de Palmas Altas (CTPA), o maior complexo tecnológico empresarial de iniciativa privada, no Sul de Espanha. Este empreendimento, avaliado em 1,7 milhões de euros, reflecte como “as vantagens inerentes à utilização de Pavimento Sobreelevado, têm contribuído para a sua instalação numa diversidade cada vez maior de aplicações”, opinou Pedro Cunha, administrador da Finupe.

RAMOS CATARINO FINALIZA RECONSTRUÇÃO DA CÂMARA DE VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO No dia 13 de Maio foi inaugurada a Casa da Câmara de Vila Real de Santo António, cujo projecto de reconstrução foi da responsabilidade da Ramos Catarino, empresa de engenharia e construção do Grupo Catarino. O projecto, da responsabilidade do arquitecto Walter Rossa, “manteve a fachada histórica, procurando torná-lo moderno, funcional, adaptado às exigências da actualidade”, caracterizam os responsáveis da Ramos Catarino. “O toque contemporâneo é conseguido através da utilização de linhas rectas, uma cobertura de zinco e diversos materiais recentes como o betão branco”, acrescentam. Tendo durado 23 meses, a obra acabou por revelar alguns “detalhes inovadores” em termos de engenharia: as coberturas em metal e madeira, a introdução de águas furtadas, uma escadaria central em pedra e o reaproveitamento do frontão e varanda, elementos classificados pelo IPPAR.

SUNERGETIC INSTALA 1º JARDIM DE COBERTURA ULTRALEVE EM PORTUGAL A Empresa de Manutenção de Equipamentos Ferroviários foi a primeira companhia a apostar num jardim de cobertura ultraleve, uma solução disponibilizada pela Sunergetic, uma empresa dedicada à área das energias renováveis e aproveitamento dos recursos naturais. Os jardins de cobertura apresentam, de acordo com os responsáveis da Sunergetic, a forma de uma tecnologia que se “diferencia sobretudo pela sua estrutura bastante leve”. Esta solução apresenta outras particularidades, uma vez que “necessita de ser regado nos primeiros 20 dias de vida e a partir dessa data torna-se autosustentável, dispensando qualquer tipo de manutenção”. “Agora qualquer cobertura de um edifício pode ser preenchida por um belo jardim que, para além de toda a sua envolvente estética, possui vantagens como a conservação das coberturas, o isolamento térmico e acústico, o controlo das águas da chuva, o aumento da qualidade do ar e da biodiversidade”, anuncia a empresa barreirense.


LINHA ROCA PARA CLASSE MÉDIA

EMPRESAS

SIZA VIEIRA CRIA COLECÇÃO DE BANHO TEXTO DE SOFIA DUTRA

/// Siza Vieira desenhou a sua primeira colecção de loiça sanitária para a Roca. Simples, confortável e flexível é como o autor descreve esta série para a casa de banho, composta por seis peças de louça sanitária e seis móveis em madeira.

“S

implesmente Siza” é o nome da colecção de loiça sanitária da Roca desenhada pelo arquitecto portuense. Desenhar loiça sanitária "que se parecesse com loiça sanitária" foi a intenção do autor neste projecto, não porque o desafio tenha sido particularmente complicado, mas porque quis ter em aten-ção a comodidade e a funcionalidade. “Há um aspecto comum entre as peças de louça e os móveis: uma sanita parece uma sanita e um armário parece um armário”. A simplicidade e o conforto estendem-se aos móveis, que têm a mesma flexibilidade. Com este pensamento, Siza Vieira desenhou-os “no sentido de servir para vários fins, inclusivamente como móvel, em vários espaços da casa”, podendo, assim, serem utilizados não só no quarto de banho, mas também na sala comum, na cozinha ou nos quartos. “Queria acentuar a sua autonomia”, afirmou o arquitecto na conferência de imprensa de apresentação da nova linha, a 5 de Maio, no Porto. O arquitecto revelou a sua vontade de “desenhar uma colecção de louça sanitária que parecesse louça sanitária”, uma vez que uma casa de banho tem de ser funcional em primeiro lugar. “Queria criar uma imagem, sem dúvida nova, mas que tivesse uma ligação muito grande com a história das peças sanitárias”, realça.

Para Siza Vieira, “desenhar objectos é um hobby”. “Não me dedico muito a isto. É mais como prolongamento do trabalho de arquitectura. Se tenho tempo, se não há uma urgência que me obrigue a parar algum trabalho, e se o ambiente é bom, faço”, disse. O arquitecto vê o desenho destes objectos também com uma componente “pedagógica”, de poder ver as obras ganhar forma num curto espaço de tempo. Com esta colecção de banho a Roca quer atingir a classe média, com uma linha de "simplicidade e funcionalidade", adiantou a directora-geral da Roca, Petra Fisher. Assim, as seis peças de louça sanitária e os seis móveis em madeira estarão brevemente no mercado nacional, a um preço mínimo do conjunto de três peças (lavatório, sanita e bidé) de cerca de 350 euros, revelam os responsáveis da Roca. De futuro, a linha será lançada “no Brasil e provavelmente em alguns mercados europeus”.

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“DESENHAR OBJECTOS É UM HOBBY”


IMOBILIÁRIO

PALÁCIO ESTORIL RESIDÊNCIAS TEM 33% VENDIDO CRISE ECONÓMICA OBRIGA A RACIONALIZAR OCUPAÇÃO DE ESPAÇO

Cerca de um mês após o seu lançamento, o Palácio Estoril Residências tinha um terço dos seus apartamentos vendidos. Com um preço por metro quadrado que ronda os 8 500 euros, o condomínio apresentava, em meados de Abril, uma percentagem de vendas de 33% e uma taxa de reserva de 40%. Este projecto imobiliário de luxo promovido pela Estoril Plage e pela Opway Imobiliária está a ser procurado, sobretudo, por portugueses e estrangeiros residentes em Portugal. Segundo o comunicado de imprensa, “as fracções mais vendidas até ao momento são as maiores e as mais caras, que rondam os quatro milhões de euros”. A comercialização do empreendimento arrancou em Março e as previsões dos promotores apontam para que as vendas estejam concluídas no decorrer do primeiro semestre de 2010, data em que estará também pronto a habitar. Edificado num terreno com 6 000 metros quadrados, 2 500 dos quais destinados a jardim, o condomínio disponibiliza apenas 27 apartamentos, em tipologias T2, T3 e T4, alguns deles duplex, com áreas que variam entre os 187 m2 e os 603 m2. O projecto é assinado pelo arquitecto Gil Graça.

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BELAS CLUBE DE CAMPO INVESTE EM ENERGIAS RENOVÁVEIS A PlanBelas, Sociedade Imobiliária, promotora e gestora do Belas Clube de Campo, implementou o Programa “BCC a caminho de Kyoto”. Foram instalados 122 metros quadrados de painéis solares térmicos da Self Energy, no Clube de Golfe, Escritórios e Clube de Lazer do Belas Clube de Campo. Esta solução permite cobrir cerca de 60% das necessidades energéticas de aquecimento de água, para piscina e sanitários. Além deste sistema de painéis solares, foram instalados pela mesma empresa 57 metros quadrados de painéis fotovoltaicos no Clubhouse do campo de golfe e no edifício de escritórios da PlanBelas, para microgeração. Este programa será alargado a todas as moradias e edifícios do empreendimento, reforçando a política de sensibilização permanente dos residentes do Belas Clube de Campo, para aumentar a utilização de energias renováveis nas habitações construídas e a construir no empreendimento. Actualmente, a soma de painéis térmicos e fotovoltaicos em moradias particulares equivale a 208 metros quadrados, sendo que cerca de 25% das moradias do Belas Clube de Campo dispõe, principalmente, de energia solar e geotérmica. “Neste momento, com uma capacidade instalada de produção local de 200 mil kwh/ano de energia de fonte renovável vai permitir evitar a emissão de 115 toneladas/ ano de CO2.”, lêse no comunicado de imprensa.

A consolidação das operações de algumas empresas e os cortes nos recursos humanos serão os factores mais importantes a afectar a procura de escritórios nos próximos 12 meses, segundo o novo estudo da Cushman & Wakefield (C&W). Os resultados da última edição do European Landlord & Tenant Survey 2009 revelam que mais de metade dos inquilinos entrevistados mudaram a forma de ocupação de espaço para hot desking e implementaram políticas de trabalho flexível. 60% dos inquiridos antecipam também que irão mudar a utilização de espaço nos próximos 12 meses, considerando para isso espaços em open space e também práticas de trabalho flexível. Nos últimos 12 meses, 40% dos ocupantes intensificaram a utilização do seu espaço de escritórios, e um terço antevê que a sua ocupação será ainda mais intensa durante este ano. A média de espaço ocupado por trabalhador na Europa caiu de 12,8 m2 para 12,4 m2. As empresas de serviços financeiros lideraram esta tendência, sendo que mais de metade destas já reduziu espaço no último ano. Segundo Carlos Oliveira, partner e director de Escritórios da C&W em Portugal, “estamos a passar, sem dúvida, uma fase difícil tanto para ocupantes como proprietários. No entanto, a oferta limitada de espaços de primeira qualidade nas principais cidades, e a actual retracção na promoção imobiliária de novos projectos, deverá assegurar que os mercados de escritórios estarão equilibrados e bem posicionados para quando a situação económica global voltar a melhorar”. “Os proprietários que construam edifícios de qualidade, eficientes e com valores ajustados ao mercado continuarão a ver os seus escritórios ocupados, especialmente por empresas que sabem o impacto que pode ter o edifício certo no seu negócio. À medida que a procura por escritórios abranda, os proprietários beneficiados serão os que conseguirem perceber e antecipar as principais necessidades dos ocupantes”, conclui Carlos Oliveira. HABITÂMEGA TEM EMPREENDIMENTO AMIGO DO AMBIENTE Pátio das Camélias é um empreendimento amigo do ambiente do Grupo Habitâmega, em Penafiel. Segundo o comunicado de imprensa, “o condomínio privado reúne num mesmo espaço as soluções tecnológicas mais avançadas, a eficiência energética e as energias renováveis”. A domótica permite o controlo e a administração do lar em qualquer lugar, recorrendo apenas a um telemóvel ou telefone fixo. Permite a detecção de fugas de água ou gás e a criação de diferentes ambientes, através do controlo de iluminação interna e externa, da climatização e dos blackouts e cortinas eléctricas. A domótica contém ainda um sistema anti-intrusão. Constituído por apartamentos de tipologia T2, T3 e T4, o empreendimento está equipado com um sistema de energia solar térmica que permite satisfazer grande parte das necessidades energéticas do lar. “Cada habitação possui um sistema independente, incorporando vários painéis solares, um reservatório e uma bomba de calor. A singularidade desta combinação de equipamentos permite atingir uma maior eficiência energética, com uma redução de cerca de 70% no consumo energético”.


IMOBILIÁRIO

No 4º trimestre de 2008, cerca de 50% dos fogos em promoção (num total de 1797 unidades), contabilizados pelo número de declarações provisórias de certificação energética (DCR) emitidas pela ADENE, classificam-se na categoria máxima da eficiência energética (A+). Os dados são da Ci Obras&Negócios relativos à Área Metropolitana de Lisboa (AML). Os restantes distribuem-se entre as categorias A (10%), B (14%) e B- (11%). Do total de DCR’s emitidos, 96% dizem respeito à promoção de fogos novos, enquanto que, em termos de tipologias, os T2 e os T3 são dominantes, com 36% e 30%, respectivamente. O concelho de Lisboa foi o mais representativo nas novas promoções habitacionais no 4º trimestre do ano, concentrando 23% dos DCR’s emitidos, contra os 17% do concelho do Seixal, que assume a posição imediatamente a seguir. Em Lisboa, 40% dos fogos foram classificados de A e 13% de A+. Dos DCR’s atribuídos para este concelho, 83% dizem respeito a promoções novas e os restantes 17% a remodelações, reconstruções e ampliações. No concelho do Seixal, a classificação energética é ainda mais eficiente, com 93% dos fogos integrados na classe A e 5% na classe A+. Quanto à promoção de imobiliário não residencial, foram emitidos DCR’s para um total de 165,4 mil metros quadrados na Área Metropolitana de Lisboa. O segmento de equipamentos sociais e outros lidera a promoção, com 114,3 mil metros quadrados do total contabilizado pelos DCR’s, seguido, de muito longe, pelos escritórios (19,3 mil m²) e pelo retalho (16,6 mil m²). O imobiliário industrial/logística contribuiu com 7,7 mil m² e o turístico com 7,5 mil m². CBRE E INNOVAGENCY GANHAM CONCURSO PARA TERREIRO DO PAÇO

O consórcio CB Richard Ellis/Innovagency ganhou o concurso para desenhar a solução de urbanismo comercial para a Praça do Comércio (Terreiro do Paço). Este projecto promovido pela Sociedade Frente Tejo enquadra duas vertentes fundamentais: a de desenho da estratégia comercial e a de definição do modelo de gestão e exploração da oferta e do espaço urbano sob um conceito e uma marca integradores. A área de intervenção do projecto integra o piso térreo dos edifícios que constituem o conjunto monumental do Terreiro do Paço, incluindo os torreões Nascente e Poente, num total de 18 000 metros quadrados de área coberta, bem como o espaço público do Terreiro do Paço, nomeadamente a praça e os claustros interiores dos edifícios.

MARTINHAL RESORT CUSTA 82 MILHÕES DE EUROS

Realizou-se a 28 de Maio, em Lisboa, a apresentação do Complexo Turístico Martinhal Resort - o primeiro Resort de Luxo em Portugal essencialmente vocacionado para as famílias, que representa um investimento global de 82 milhões de euros. A primeira fase do projecto, composta por vivendas de luxo e casas geminadas que se encontram disponíveis para alugar, já está finalizada, e o projecto do hotel de cinco estrelas estará concluído em Abril de 2010. O presidente do Instituto de Turismo de Portugal, Luís Patrão, afirmou que o “Martinhal Resort vem dar resposta aos tempos de crise fortalecendo a capacidade empregadora do nosso país. Com a inauguração deste resort de luxo que contemplará um hotel de cinco estrelas, o Martinhal Resort estará a contribuir para o aumento da qualidade hoteleira da região do Algarve”. O responsável manifestou ainda “o orgulho pelo facto de Portugal ser reconhecido por investidores estrangeiros como um bom local para desenvolverem os seus negócios”. Chitra Stern, uma das investidoras do projecto, apontou o empreendimento como “não apenas mais um resort no Algarve, mas sim, um novo conceito de luxo, de integração, de respeito pela natureza, de aproveitamento da gastronomia rica em produtos frescos e não menos importante, das suas gentes tão genuínas.” Localizado na praia do Martinhal em Sagres, o projecto inclui um hotel, um aldeamento turístico, apartamentos turísticos, moradias individuais e casas geminadas, assim como várias infra-estruturas de apoio: restaurantes, spa, piscinas interiores e exteriores, lojas, um clube infantil, e um sports club com courts de ténis e de paddle, entre outros.

INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO EUROPEU VOLTA À TRADIÇÃO A tendência futura do mercado imobiliário europeu será caracterizada por uma abordagem muito mais tradicionalista face à que se verificou nos últimos anos, revela o último relatório do Departamento de Research da consultora imobiliária CB Richard Ellis. Segundo o documento, “daqui para a frente, os investidores estarão muito mais inclinados para rendibilidades de longo prazo e para meios mais convencionais de geração de lucros, nomeadamente na compra de edifícios de qualidade, que beneficiem de elevada procura e onde se perspective um bom crescimento de rendas; e também acrescentar valor ao investimento realizado através de uma boa gestão dos activos imobiliários, assim como dos seus inquilinos”.

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CLASSE ENERGÉTICA A+ EM 50% DOS FOGOS EM PROMOÇÃO


AGENDA

NACIONAL

FINANCIAMENTO DE PROJECTOS DE ENERGIAS RENOVÁVEIS Análise jurídica e financeira Lisboa; 29 e 30 de Junho IFE - International Faculty for Executives; www.ife.pt

20 29

AUDITORIAS ENERGÉTICAS Porto

10 23 28 30

INFORMÁTICA Lisboa

FINANCIAMENTO DE PROJECTOS DE ENERGIAS RENOVÁVEIS Lisboa

JULHO

A APEMETA – Associação de Empresas Portuguesas de Tecnologias Ambientais promove uma formação em Auditorias Energética, a realizar no ISEP – Instituto Superior de Engenharia do Porto, nos dias 20, 27 de Junho e 4 de Julho. Coordenada pelo engenheiro João Garrido, esta iniciativa tem como propósito reduzir o consumo de energia das organizações; aplicar a nova legislação dos consumos intensivos de energia (SGCIE) e identificar os benefícios de aplicação das energias renováveis. A formação dirige-se, sobretudo, a quadros médios superiores de empresas, empresários e técnicos ambientais responsáveis pelo sistema de gestão energética (Nível 4).

JUNHO

AUDITORIAS ENERGÉTICAS

INCENTIVOS À EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NO MEIO EDIFICADO workshop Amadora; 23 de Setembro Agência Portuguesa do Ambiente E Iniciativa Construção Sustentável; www.construcaosustentavel.pt

AGOSTO

INFORMÁTICA 1.º Fórum Nacional Lisboa; 10 e 11 de Setembro Ordem dos Engenheiros; www.ordemengenheiros.pt

EXPROPRIAÇÕES POR UTILIDADE PÚBLICA 3º workshop Lisboa; 30 de Setembro IIR Portugal; www.iirportugal.com

SETEMBRO

VALORIZAÇÃO DE RESÍDUOS EM OBRAS GEOTÉCNICAS Seminário Aveiro; 28 e 29 de Setembro Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro; www.vrog.web.ua.pt

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Organizado por professores da área da engenharia do Instituto Politécnico de Portalegre (Portugal) e da Escola de Engenharias Industriais da Universidade da Extremadura (Espanha), o III Congresso Internacional de Engenharia e Gestão da Energia e do Meio Ambiente (CIIEM) tem, segundo os responsáveis, o objectivo de “juntar académicos, científicos, engenheiros, consultores e empresas dos sectores energético e ambiental, com a finalidade de trocar experiências, apresentar avanços e novas propostas na utilização racional e eficiente da energia e dos sistemas de conversão energética, assim como analisar as diversas soluções na redução do impacto dos sistemas energéticos sobre o meio ambiente e na preservação do ambiente relativamente a outros sectores de actividade e à sociedade em geral, de modo a que se contribua para um desenvolvimento sustentável nos nossos países”. As comunicações feitas durante o congresso terão como base seis áreas científicas: instalações eléctricas, energias renováveis, meio ambiente (engenharia do Ambiente), electromecânica, materiais e engenharia de projectos.

NOVEMBRO

CIIEM - III CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENGENHARIA E GESTÃO DA ENERGIA E DO MEIO AMBIENTE

DEZEMBRO

Nos dias 1 e 2 de Outubro, a Universidade do Algarve, em Faro, recebe a 10ª edição do Congresso Nacional de Engenharia do Ambiente, um evento promovido pela Associação portuguesa de Engenharia Portuguesa (APEA). Subordinado ao tema ‘As Tecnologias da Informação aplicadas à Engenharia do Ambiente’, o evento pretende “trazer para a discussão um conjunto de temáticas emergentes ao nível da política de ambiente nacional, comunitária e internacional, as quais cremos ser o futuro da actuação em Engenharia do Ambiente e, simultaneamente, fulcrais para o desenvolvimento económico do país”, esclarecem a organização. A destacar que, paralelamente, será realizado do I Congresso Lusófono de Engenharia do Ambiente, que dará a conhecer “os projectos estruturantes e inovadores em desenvolvimento nos países de língua oficial portuguesa e identificar oportunidades de investimento para as empresas portuguesas do sector”.

VALORIZAÇÃO DE RESÍDUOS EM OBRAS GEOTÉCNICAS Aveiro EXPROPRIAÇÕES POR UTILIDADE PÚBLICA Lisboa

01

X CONGRESSO NACIONAL DE ENGENHARIA DO AMBIENTE Faro

25

CIIEM - III CONGRESSO INTERNACIONAL DE ENGENHARIA E GESTÃO DA ENERGIA E DO MEIO AMBIENTE Portalegre

OUTUBRO

X CONGRESSO NACIONAL DE ENGENHARIA DO AMBIENTE

INCENTIVOS À EFICIÊNCIA ENERGÉTICA NO MEIO EDIFICADO Amadora


AGENDA

JUNHO

INTERNACIONAL

WIND POWER ASIA Feira Internacional da Energia Eólica Pequim, China; 8 a 10 de Julho Koelnmesse; www.windpowerasia.com

08

GEO SUMMIT LATIN AMERICA 2009 JULHO

21

BEX ÁSIA 2009 Singapura

EGÉTICA Valência, Espanha

ENERGAÏA Montpellier, França

24ª CONFERÊNCIA ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA Entre 21 e 25 de Setembro, o Centro Internacional de Congressos e Feiras de Hamburgo, Alemanha, recebe a 24ª Conferência Energia Solar Fotovoltaica, um evento especializado que se caracteriza por uma vertente business-to-business e business-to-science. Durante estes dias, os visitantes terão a oportunidade de conhecer as novidades trazidas por mais de 780 expositores, assim como debater os mais recentes desenvolvimentos na indústria da energia solar fotovoltaica em mais de mil sessões plenárias, workshops e apresentações. Simultaneamente, terá lugar a VI EPIA European PV Industry Fórum.

28

25 09

ENERGIA E AMBIENTE 5º Seminário internacional San Ġiljan, Malta; 21 e 22 de Setembro Europa Media PSC e GEONARDO Ltd; www.eutrainingsite.com

SETEMBRO

24ª CONFERÊNCIA ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA Hamburgo, Alemanha

BEX ÁSIA 2009

NOVEMBRO

ENERGIA E AMBIENTE San Ġiljan, Malta

14 21 21

DEZEMBRO

GREAT EXPO Washington, EUA

GREAT EXPO Feira internacional das Energias Renováveis e Eficiência Energética Washington, EUA; 14 a 18 de Setembro GREAT EXPO; www.greatexpo.org

OUTUBRO

AGOSTO

GEO SUMMIT LATIN AMERICA 2009 São Paulo, Brasil

A cidade brasileira de São Paulo recebe, entre 21 e 23 de Julho, mais uma edição do GEO Summit Latin América 2009, uma feira de soluções geoespaciais para infra-estruturas e sustentabilidade. Equipamentos (Receptores e acessórios GNSS, Estações topográficas e fotogramétricas, Sensores terrestres e aerotransportados, Scanners e impressoras de grande formato e precisão); Dados (magens de satélite, Fotos áreas; Mapas e modelos digitais de terreno); Software (GIS, Processamento e compressão de imagens, Navegação, roteirização, monitoramento e rastreamento, Modelagem de dados, Produção cartográfica; e Processamento de dados topográficos e GNSS), são alguns dos sectores presentes na feira.

BEX Ásia é uma feira dirigida ao segmento da construção de edifícios que foca, sobretudo, a sustentabilidade ambiental desta indústria e do mundo. A decorrer em Singapura entre 28 e 30 de Outubro, este certame reúne expositores, profissionais e investidores interessados em apostar nas economias emergentes do sudeste asiático, explicam os organizadores. A Conferência Internacional Green Building é o evento paralelo de maior relevância e pretende, durante os três dias de duração, fomentar o debate na indústria da construção de edifícios, dando especial enfoque ás tecnologias e designs amigos do ambiente. EGÉTICA Feira Internacional da Eficiência Energética e Novas Soluções e Energias Renováveis Valência, Espanha; 25 a 27 de Novembro Feria Valência ; www.egetica-expoenergetica.com ENERGAÏA Salão internacional das Energias Renováveis Montpellier, França; 9 a 12 de Dezembro ENJOY Montpellier ; www.energaia-expo.com

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WIND POWER ASIA Pequim, China


NAVEGAR

WWW.CIDADESSOLARES.ORG.BR

|

EM PORTUGUÊS

Cidades Solares é uma iniciativa feita pela parceria entre a ONG sócio-ambiental Vitae Civilis e a Diretoria Solar da Associação Brasileira dos Fabricantes de Equipamentos de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (DASOL/ ABRAVA). Esta iniciativa tem como objectivo mobilizar a sociedade brasileira para que tome partido das vantagens ambientais e sociais da geração descentralizada de energia, principalmente do aquecimento solar. O site tem diversas informações sobre boas práticas, legislação e incentivos, além de notícias relacionadas com o tema.

WWW.P3E-PORTUGAL.COM |

EM PORTUGUÊS

“O Programa para a Eficiência Energética em Edifícios - P3E promovido pela DGE e apoiado pelo POE, tem como objectivo final a melhoria da eficiência energética dos edifícios em Portugal. Este Programa definiu um conjunto de actividades estratégicas a desenvolver no muito curto prazo (…) por forma a moderar a actual tendência de crescimento dos consumos energéticos nos edifícios e, consequentemente, o nível das emissões dos Gases de Efeito de Estufa (GEE) que lhes são inerentes”. “É fundamental, para além do desenvolvimento de um novo quadro legislativo coerente, levar a cabo um conjunto de acções de formação e informação capazes de sensibilizar aqueles actores para os novos desafios deste Programa, e insere-se na linha das actuais decisões Comunitárias para a política energética e ambiental da EU, nomeadamente no que respeita à Directiva sobre Eficiência Energética em Edifícios”.

WWW.AP2H2.PT |

EM PORTUGUÊS

42 | Arte & Construção_especial_energias renováveis

“A Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio – AP2H2 –, fundada em 2003, surge num contexto em que o enorme potencial do hidrogénio, enquanto fonte de energia compatível com os desígnios de um desenvolvimento sustentável, afirmase como o vector energético alternativo aos combustíveis convencionais”. O site contém informação sobre hidrogénio, a associação, relatórios, notícias e eventos, entre outros.

BANDA LARGA MÓVEL A CRESCER

MOTORES DE BUSCA TÊM NOVAS FUNCIONALIDADES

TWITTER COM 19,4 MILHÕES DE VISITANTES

No primeiro trimestre do ano, a banda larga móvel “apresentou um ritmo intenso de crescimento”, revela a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM). Já a banda larga fixa cresceu 3,6%, em comparação com semestre anterior, e 7,6 face a 2008. Segundo os dados da ANACOM, a banda larga móvel reúne 2,69 milhões de utilizadores, mais 13% em comparação com o trimestre passado. Em termos homólogos foi registada uma subida de 57%. A Autoridade referiu ainda que “a maioria dos clientes do serviço fixo de acesso à Internet em local fixo utiliza banda larga”, total que representa cerca de 98% dos clientes destes serviços.

Os motores de busca na internet estão a competir com novas funcionalidades. Segundo os profissionais da web, é urgente fornecer aos utilizadores motores de pesquisa mais eficientes. No espaço de duas semanas, o Google apresentou novas funcionalidades, o Yahoo! lançou um novo conceito e a Microsoft anunciou o seu novo motor de busca, ao mesmo tempo que surgiu o novo motor WolframAlpha. De acordo com especialistas das novas tecnologias, no futuro os cibernautas poderão encontrar rapidamente as respostas que procuram, em vez de serem confrontados com ligações que remetem para uma determinada página.

O Twitter divulgou que, em Abril, o site superou o número de visitantes únicos diários do jornal norte-americano New York Times. Foram 19,4 milhões no Twitter contra 15,6 milhões do NYTimes.com, segundo comparação da consultora Compete. A ascensão do Twitter pode ser justificada pela corrida entre o actor Ashton Kutcher e do canal de notícias CNN para superar 1 milhão de seguidores. A entrada da apresentadora de TV Oprah Winfrey também mobilizou uma grande quantidade de pessoas. Em Março, o Twitter registou 14 milhões de visitantes únicos diários. Na comparação com Abril do ano passado, o serviço cresceu quase 1 300%.


ARTES & LEITURAS

A ENERGIA NAS CIDADES DO FUTURO “Esta nova série de publicações da DGOTDU, especificamente dedicada às áreas temáticas referenciais para a implementação do instrumento da Política de Cidades POLIS XXI, «Acções Inovadoras para o Desenvolvimento Urbano», visa evidenciar questões que se pretende privilegiar e fornecer elementos de apoio à preparação de bons projectos para candidatura. Pretende-se também que estas publicações constituam uma base geral de informação e divulgação, tendo como principais destinatários as autarquias locais e os técnicos particulares. As questões abordadas são amplamente reconhecidas como fazendo parte dos grandes desafios que hoje se colocam ao desenvolvimento urbano e territorial europeu, pelo que é da maior importância que sejam incluídas nas agendas municipais e nas nossas práticas de urbanismo e de ordenamento do território. O objectivo destes documentos não é apontar soluções técnicas ou metodologias para a acção concreta, mas sim chamar a atenção para os temas e as questões com eles relacionadas, sensibilizar os diferentes intervenientes nos processos de desenvolvimento urbano e territorial para a necessidade da sua consideração e fornecer bases para um aprofundamento de conhecimentos. Vitor Campos Director-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano Editor: Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano Design e produção gráfica: Vítor Higgs Impressão e acabamento: Europress, Editores e Distribuidores de Publicações, Lda. Tiragem: 500 exemplares ISBN: 978-972-8569-41-9

“Este Guia é elaborado na sequência de duas iniciativas legislativas: a publicação do Decreto-Lei nº 232/2007, de 15 de Junho, que transpôs para a ordem jurídica interna as Directivas 2001/42/CE, de 27 de Junho, e 2003/35/CE, de 26 de Maio, ambas do Parlamento Europeu e do Conselho, relativas à avaliação ambiental de planos e programas e à participação do público na elaboração dos planos ou programas relativos ao ambiente e a publicação do Decreto-Lei n.º 316/2007, de 19 de Setembro, que alterou o Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial (RJIGT), aprovado pelo Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro, estabelecendo, nesse quadro, regras específicas para a avaliação ambiente dos instrumentos de gestão territorial. A publicação do Guia dá continuidade ao princípio de fazer acompanhar as iniciativas legislativas relevantes, nos domínios do ordenamento do território e do urbanismo, pela publicação de documentos de orientação doutrinária ou metodológica que contribuam para um entendimento uniforme e uma aplicação esclarecida dos textos legais e constituam um apoio a uma referência para as intervenções no terreno. Entidade responsável pela edição: Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano Design gráfico: Vítor Higgs Paginação, impressão e acabamento: DPI Cromotipo Tiragem: 1 000 exemplares ISBN: 978-972-8569-44-0 Depósito Legal: 286817/08

43 | Arte & Construção_especial_energias renováveis

GUIA DA AVALIAÇÃO AMBIENTAL DOS PLANOS MUNICIPAIS DE ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO


PRODUTOS

3M LANÇA NOVO ABRASIVO

ARISTON EM PRETO TOTAL A nova BlackLine HotpointAriston funde o preto com formas “fortes, robustas, mas, simultaneamente, elegantes”. A linha inclui máquina de lavar roupa, máquina de lavar louça e frigorífico. “A nova máquina de lavar roupa BlackLine foi pensada e concebida para responder a qualquer exigência de lavagem, devido aos seus ciclos especiais Baby, Sedas e Woolmark”, lê-se no comunicado de imprensa. Com capacidade de 8Kg, velocidade de centrifugação até 1400 rotações por minuto e display LCD, este modelo garante “um silêncio absoluto mesmo na fase de centrifugação, através do sistema exclusivo de insonorização”. O novo secador de roupa de condensação electrónica BlackLine tem três níveis de secagem, que “respeitam todos os tecidos, tornando-os suaves e evitando a formação de rugas e pregas, mesmo com as lãs”.

44 | Arte & Construção_especial_energias renováveis

BAYER DESENVOLVE SOLUÇÃO PARA MÓDULOS FOTOVOLTAICOS

Os módulos fotovoltaicos para telhado Solon Black 160/05 resultam da colaboração entre a BaySystems (marca global da Bayer MaterialScience para sistemas de poliuretano) e a Solon, fabricante alemã de painéis solares. Os módulos foram recentemente distinguidos com o Prémio Inovação no “Simpósio sobre Energia Solar Fotovoltaica" que decorreu em Bad Staffelstein, na Alemanha. Baseados em sistemas de poliuretano Bayflex - utilizados na aplicação dos vidros nos automóveis - estes módulos podem ser adaptados num telhado sem necessidade de sistemas de instalação convencionais. “Graças aos elementos de instalação integrados no plástico, estes módulos podem ser colocados directamente na cofragem dos telhados através de painéis de instalação, prescindindo, dessa forma, das dispendiosas subestruturas”, afirma Alberto Goldstein, Sales Manager da BMS Portugal. A rede de módulos solares com estruturas de poliuretano permite a aparência de uma superfície contínua.

A Sandblaster é a nova geração de abrasivos da 3M para decapagens e lixagens em madeira e ferro, entre camadas ou apenas para acabamentos finais. Estes abrasivos “são flexíveis e resistentes ao calor, laváveis com água ou solventes e mantêm todas as propriedades”, indica o comunicado de imprensa. Este produto está disponível em duas variedades de lixas: forte e para acabamentos. As duas formas dividem-se em diversas espessuras ajustando-se ao tipo de trabalho a ser efectuado. Para uma utilização mais cómoda, existem duas ferramentas: a lixadora grande e a pequena, para pormenores e cantos. Os punhos permitem girar para várias posições e a forma ocupa espaços onde outras ferramentas não chegam. Sandblaster é uma lixa com design familiar, cores vivas e formatos ergonómicos, que “dura até sete vezes mais tempo que as outras, mesmo sendo utilizada em superfícies difíceis ou tendo de ser constantemente dobrada devido a um tipo de acabamento específico”, adianta o comunicado.

BAXI TEM NOVAS CALDEIRAS DE CONDENSAÇÃO A Baxi Aquecimento alargou a sua gama de produtos de condensação com o lançamento da gama Platinum de caldeiras murais. O sistema de combustão permite alcançar um rácio de modulação 1:6, o que “implica poder trabalhar de modo mais eficiente e silencioso”, lê-se no comunicado. O controlo remoto é fornecido de série com todos os modelos, podendo ser montado na própria caldeira ou, por intermédio de dois cabos condutores, levar-se a onde convenha como uma extensão do próprio aparelho. Segundo o comunicado, “este dispositivo é capaz, entre outros, de controlar a temperatura ambiente seguindo uma programação previamente configurada, controlar sistemas de aquecimento de alta e baixa temperatura, de controlar a temperatura programada no sistema de aquecimento e visualizar códigos de anomalia”.


PRODUTOS

A Cin acaba de lançar dois novos produtos, de base espessa e aquosa, indicados para o revestimento de fachadas: Cin Carso e Cin Eralit. Segundo o comunicado de imprensa, “estes dois produtos destacam-se pelas suas qualidades comuns, ou seja, pela elevada flexibilidade, resistência aos raios UV, capacidade hidrorepelentes e uma boa permeabilidade ao vapor de água”. Após a aplicação, porém, estes dois produtos revelam resultados distintos. Cin Carso confere ao suporte um acabamento decorativo mate. Cin Eralit, por sua vez, resulta num efeito decorativo semelhante ao dos antigos rebocos coloridos. Na sua composição os dois produtos contêm partículas seleccionadas de mármore, sendo que Cin Carso contém ainda sílica.

LUZ ECONOMIZADORA E LED NOCTURNA NUMA SÓ LÂMPADA A nova lâmpada Duled, da Osram, está disponível em 8W e 12W enquanto lâmpada economizadora (o que equivale à luz das lâmpadas incandescentes de 40W e 60W, respectivamente) e como luz LED com uma potência de 0.3W. “Como lâmpada economizadora proporciona uma luz quente, brilhante e agradável, idêntica à da lâmpada incandescente”, informa o comunicado de imprensa. A mudança para luz LED é feita de forma simples através do interruptor. Para além disso, o seu casquilho E27 permite a sua utilização em todos os casquilhos standard desta medida. Esta lâmpada contabiliza, em média, seis mil horas de utilização. “Para já, esta lâmpada está disponível apenas na forma de tubo mas, daqui a uns meses, terá dois novos formatos (espiral e globo), de forma a adaptar-se melhor, em termos estéticos, a todos os lares”, revela Antonieta Loureiro, directora-geral da Osram Portugal.

ENERGIA FOTOVOLTAICA A telha solar Solesia, da Umbelino Monteiro, destina-se à produção de energia fotovoltaica a partir da cobertura. Assim, além da sua função de protecção dos edifícios dos agentes climatéricos, a cobertura passa a ser também um centro de produção de energia. A telha cerâmica está totalmente integrada no telhado. Segundo o comunicado de imprensa, “a facilidade da solução e da aplicação” são características do produto.

REHAU APRESENTA SISTEMA INTELIGENTE RAUPIANO PLUS A Rehau aposta na tranquilidade com o sistema inteligente Raupiano Plus. Composto por tubos e instalado através de acessórios e uma técnica de fixação patenteada, o sistema reduz, não só o ruído aéreo, como o ruído de impacto produzido nos sistemas de evacuação de águas domésticas. Apresentados numa cor branca, e aplicáveis tanto a casas unifamiliares como a grandes projectos de construção, obras novas ou em casos de reabilitação, estes tubos também podem ser utilizados como conduto de aspiração em sistemas de aspiração central. “Entre outras especificações, o sistema cumpre todos os requisitos de protecção acústica (DIN 4109 e directriz VDI 4100). Em todas suas as dimensões (DN 40, 50, 75, 90, 110, 125 e 160), os tubos que integram o Raupiano cumprem com as condições legais de protecção contra incêndios e são compatíveis com os sistemas convencionais HT, não sendo necessárias uniões adaptadoras específicas”, lê-se no comunicado de imprensa. As uniões de tubos são estanques até uma sobrepressão interna da água de 0,5 bar (coluna de água de 5 m). Os tubos, acessórios e elementos estanqueizantes suportam temperaturas até 95°C por um breve período de tempo e são adequados para a evacuação de águas residuais quimicamente agressivas (valores de pH de 2 até 12). O comportamento ao fogo corresponde à classe de materiais de construção B2 segundo DIN 4102-1.

45 | Arte & Construção_especial_energias renováveis

CIN LANÇA DOIS NOVOS PRODUTOS PARA REVESTIMENTO DE FACHADA


EM FOCO

ORDEM DOS ARQUITECTOS

POLÍTICA PÚBLICA DE ARQUITECTURA NÃO DEVE SER “CORPORATIVA” TEXTO DE CHANTAL FLORENTINO

/// Com o propósito de “implementar uma política pública de arquitectura em Portugal”, a Ordem dos Arquitecto (OA) promoveu, no dia 27 de Maio em Lisboa, o 1º Fórum Português de Políticas de Arquitectura.

N

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as palavras de João Belo Rodeia, presidente da OA, o 1º Fórum Português de Políticas de Arquitectura decorreu de um dos “principais objectivos do presente mandato” da OA: “ajudar a implementar política pública de arquitectura em Portugal”. “Com este evento pretende-se dar sequência ao já previsto Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território aprovado em Setembro de 2007, que vem pondo algumas resoluções e iniciativas que vinculam a OA a este processo, designadamente o XXI Congresso dos Arquitectos Portugueses e o Fórum Europeu para as Políticas de Arquitectura”, explicou. É também propósito da OA, procurar um “crescente envolvimento das partes interessadas” na definição de uma política pública de arquitectura em Portugal, pois esta “não deve ser uma qualquer política corporativa para os arquitectos, mas antes uma política do Estado para os cidadãos”. Vítor Campos, director-geral da DirecçãoGeral do Ordenamento do Território e Desen-

volvimento Urbano também marcou presença afirmando que o “reconhecimento da arquitectura na qualidade de vida não necessita de ser sublinhada em fóruns como este, necessita de ser embutida e explicada aos cidadãos”, disse Vítor Campos, director-geral da DirecçãoGeral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano. ESTABELECER PRINCÍPIOS DE ACTUAÇÃO O fórum consistiu de dois painéis onde foram expostas e debatidas as políticas de arquitectura vigentes em seis países europeus: Holanda, Alemanha, França, Irlanda, Eslovénia e Dinamarca.

a lei afirmando que “quando falamos em lei, não a entendemos como um documento que defende princípios, entendemos que é um documento que impõe obrigações ou que cria privilégios”. Quanto à política pública de arquitectura, Fernando Gonçalves defendeu a necessidade de “uma lei que estabeleça princípios de actuação, discutida de um ponto de vista democrático para ser aceite por todos”. Uma “tarefa geral e não apenas do governo”, concluiu. A Irlanda, a Eslovénia e a Dinamarca foram os países em debate no segundo e último painel moderado pelo arquitecto João Bento, secretário da direcção da Ad Urbem.

O arquitecto Fernando Gonçalves foi moderador do primeiro painel que reuniu os testemunhos de três países: Países Baixos, Alemanha e França.

Na sua opinião, “a Comissão Internacional de Arquitectura é fundamental para dar uma maior visibilidade à importância da arquitectura e urbanismo, edifícios e espaços públicos das nossas sociedades”.

No seu comentário final, o também vice-presidente da Direcção da Ad Urbem não deixou de caracterizar a relação dos portugueses com

“A arquitectura é um factor determinante na qualidade de vida dos cidadãos, um direito de todos”, sublinhou no fim do seu comentário.


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Revista Arte & Construção 226  

Edição Especial Energias Alternativas

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