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O PROJE TO

Praticamente tudo tem um projeto, até mesmo na hora de nos vestirmos, podemos não

perceber, mas no final fazemos um projeto do que vamos vestir devido a enúmeras situações, como: o clima, humor, disponibilidade de roupas, lugar que pretendemos ir, horário, etc. não importa a situação, sempre fazemos um projeto, mesmo se visarmos vestir algo que julguemos simples e prático, nós acabamos por nos projetar à não irmos a um lugar importante onde exige uma vestimenta mais formal.

As cores que uma pessoa está usando são de caráter único, assim como os tecidos e a

contribuição de peças avulsas. Essas construções encontram-se nas ruas de São Paulo por meio desse projeto de vestuário. Nessa publicação produzida por uma equipe de designers gráficos, achamos interessante abordar o simples ato de se vestir como um projeto consciente ou inconsciente, assim como fazemos nos nossos trabalhos gráficos, que passam por diversas etapas de projeto similares. Olhando mais atentamente, podemos notar também que esta noção de projeto é ainda maior em casos como as roupas de trabalho, que devido a necessidades da profissão, Designers criam vestimentas que buscam a melhor performance possível durante o trabalho.


A IN FORMA ÇÃo

O resultado final de todo este projeto acaba por transmitir algum significado ao olhar

de terceiros. Quem nunca julgou alguém pela roupa que estava usando? Quando vemos uma pessoa, a primeira coisa que observamos além do físico e comportamento são as roupas que as mesmas estão vestindo, portanto, o modo como nos apresentamos no nosso dia-a-dia acaba por dizer muito de nós. Assim vale levantar o pensamento de Malcolm Barnard no seu livro Moda e Comunicação, de que a roupa é um meio pelo qual as pessoas tentam mandar uma mensagem, todavia tudo depende da eficiência no processo de transmissão e do remetente, afinal a mensagem será aquilo que será percebido pelo receptor.

Mas é bom termos em mente que não são as roupas quem fazem uma pessoa, mas o olhar do receptor que cria um julgamento sobre ela. Pense nesse exemplo, imagine encontrar um homem de cabelo raspado, usando jeans curtos e largos, coturnos muito bem engraxados, suspensórios, camisas listradas, com essas características podemos concluir que é um skinhead, mas não quer dizer que essa pessoa seja um skinhead, porém o conjunto de itens que ele usa, acaba por dar a idéia ao receptor. E existe também aquela roupa que acaba por enviar uma mensagem mais objetiva sobre a pessoa, sem precisar completar um conjunto de itens. Como é o caso das camisetas que através de suas estampas, podemos tirar presumir muitos pensamentos e ideais de quem as veste.


CA POS OU AMB


MISETA : STER OU UTDOOR BULANTE

A moda é de fato extremamente efêmera, a cada temporada temos uma série de novos produtos que se renovam e anulam seus anteriores. Porém, podemos notar que independente da estação, apenas um item é comum em praticamente todas as coleções, desde as mais luxuosas até as mais populares, como as camisetas. Os primeiros indícios da camiseta surgiram no início do século XX,

durante a Primeira Guerra Mundial, aonde os soldados do exercito Americano as usavam como uniforme por serem confortáveis. Segundo Dimitri Phaile e Julien Potart, que na edição 36 da revista Francesa WAD, dizem que na década de 1920, artistas e Designers começaram a utilizar camisetas também, que por si só já era um ato chocante, afinal elas eram consideradas roupa íntima assim como são as cuecas e calcinhas hoje em dia. Já na década de 1950, as camisetas se tornaram mais populares através de Marlon Brando as utilizando em grandes clássicos de Hollywood. O avanço na tecnologia de estamparia também colaborou com esta popularização, em 1952, Dwight Eisenhower estampou centenas de camisetas com a frase “I Like Ike” na divulgação de sua campanha para a presidência. A partir daí a camiseta serviu de plataforma de para a mensagem e os ideais de inúmeros grupos e movimentos de contra-cultura como os hippies com frases como “Make Love Not War” e os punks com os desenhos do lendário quadrinista Robert Crumb.

Atualmente as camisetas ganharam um status mais importante na sociedade e não atuam mais somente como um símbolo da contra-cultura, grande parte das marcas ainda insistem em não fugir muito de seus logotipos e símbolos com medo de não renderem o lucro esperado, afinal, hoje em dia vender é muito mais importante do que informar. O resultado disso é uma enorme mesmice que transforma a camiseta em um outdoor ambulante transitando pelas ruas da cidade. Em contra partida, esta mesmice abre uma interessante brecha para aqueles que com um pouco mais de criatividade decidem informar através das camisetas, ganhem visibilidade e se destaquem no meio da multidão. O simples ato de vestir uma já é entendido com uma declaração de intenções que pode se converter até em um manifesto provocativo.


Réplica com visual vintage da clássica camiseta do grupo de Hip Hop dos anos 80 RUN DMC, criada pela Korova

Cultura Popular

Saímos as ruas de São Paulo para analisar até que ponto as

pessoas utilizam a camiseta como meios de transmissão de informação e apontar os principais responsáveis pela criação destas camisetas.

Exceto alguns casos, em grande parte da região urbana, a maioria das pessoas usam as camisetas “outdoor”, que já citamos acima, em busca de adquirir o status social conquistado pela marca. Notamos alguns casos também, de pessoas que usam camisetas que transmitem informação, porém por falta de repertório não fazem nem idéia da mensagem que elas passam e as usam simplesmente por simpatizar visualmente com os grafismos estampados nela. A maior concentração, tanto de criadores como também de pessoas que usam este tipo de camisetas conscientemente, estão localizadas nos lugares que de fato sempre foram marcantes na história dos movimentos de contra-cultura em São Paulo, como a Galeria do Rock e a Rua Augusta.


Camiseta “Má Companhia”, criada pelo artista urbano Dimas Forchetti, como parte da coleção El Cabriton Convida.

Contra Cultura

Na Galeria, observamos que os criadores não tem uma grande preocupação em fixar uma marca, apesar de estarem um tanto quanto estagnados criativamente, a grande maioria das camisetas apresentam estampas com idéias e padrões visuais que já estão sendo utilizados a anos, como por exemplo a mistura dos rostos de Che Guevara com Seu Madruga do Chaves ou Hommer dos Simpsons, camisetas de bandas e frases ou palavras de ordem com as mesmas características visuais dos logotipos de grandes marcas multinacionais, o famoso logomania que se popularizou no Brasil com a Cavalera durante a década de 1990 enquanto Ricardo “Tatoo” era o diretor criativo da marca. Já na Augusta pode ser considerada o berço de uma nova

geração de marcas que vão conquistando espaço e o status das grandes boutiques da região dos Jardins, porém sem perder a sua alma urbana e contestadora, como é o caso da El Cabriton e a Hotel Tees que investem em camisetas que homegeiam ícones da cultura popular e de massa como a pizza Paulista e os bonecos Playmobil ou apostam em parcerias com clássicos artistas urbanos da cidade.


O IMPROVIS NA VERDADE ROUPA DE R QUI QUI FOI? De baixo de um sol de 30˚C, a senhora (ao lado) subia a Brigadeiro Luis Antonio com uma saia de cobertor! Talvez pelo calor, ela estava meio brava e não foi nada simpática conosco.


O ÔNIBU JÁ PASSÔ

SO EIRA RUA

A criatividade desse senhor (ao lado) transformou um simples saco de lixo, em uma interessante bolsa. Ao tentarmos falar com ele, se demonstrou ocupado como os empresários que recusam entrevistas na Paulista.


Sr. José pode não ser o personagem mais estiloso da matéria, mas sem dúvidas é o mais simpático! Conversamos com ele enquanto pegava latinhas nas lixeiras da Av. Paulista

A CAMISA É BOA


O senhor (foto abaixo) dormia tranquilamente enquanto centenas de pessoas sequer o notavam.

ZZZZZ...


LO VI EN LA TV Al andar por la calle son muchas las estampas de ropas que vemos con

imágenes de grupos musicales, artistas de películas y novelas, series, dibujos animados etc. Estos íconos transmitidos por medios de comunicación -como la televisión, la radio, las revistas, etc.- involucran tanto a las personas que hacen que estas adoren sus personajes, buscando saber siempre un poco más sobre la vida de esos artistas o simplemente imitando sus estilos de vestir. Así, identificamos la afición que tiene la sociedad por las imágenes transmitidas por los medios de comunicación, lo que lleva a las personas a un consumismo que hace que se vistan igual o parecido a algún icono famoso o ídolo.

En São Paulo observamos que algunas novelas, como la famosa novela de las “ocho” –como se le es conocida popularmente– transmitida a las ocho de la noche en el canal Rede Globo, influencia la manera de vestir de algunas personas. Podemos encontrar accesorios en tiendas tanto de centros comerciales como en el centro de la ciudad, que remeten a esas novelas y a los accesorios usados en ellas, haciendo que muchas personas adapten su manera de vestir con lo que ven en la televisión.

Fuimos a la región de Liberdade donde encontramos varios adolescentes que usan ropas para parecerse a los personajes de animé, que son animaciones japonesas que están popularizándose en el mercado, conquistando a los jóvenes brasileiros. Así como estos “disfraces”, encontramos también algunas tiendas con ropas y/o accesorios de filmes taquilleros como la trilogía del Señor de los Anillos, Harry Potter, Matrix, Crepúsculo o High School Musical; o artistas musicales como RBD (Rebelde), Madonna, Jonas Brothers o Britney Spears. El bombardeo de los medios de comunicación es impresionante, nos conduce a un consumismo tan grande que pareciera que fuésemos robots con mentes manipuladas, donde queremos cosas –que en este caso serian ropas– que ni siquiera necesitamos y de igual manera las compramos, solo para tener lo que el otro tiene, para estar “a la moda”, para ser aceptados en la sociedad, o simplemente para parecernos a nuestros ídolos.


Nas ruas da Liberdade, desfilam estilos inspirados nos cuadrinhos japoneses.


O jovem Marcelo, mais conhecido entre os amigos como “Foguinho”, é Gari desde os 19 anos de idade. Graças a todo o folêgo que seus 21 anos de vida permitem, mantém as ruas da capital paulistana limpas com a ajuda de seu uniforme que além das cores chamativas, conta também com listras reflectivas para tornar o trabalho noturno muito mais seguro.

UNIFORM DE TRABA


MES ALHO


Como podemos analisar no detalhe

acima, o soldado Garcia utiliza dois acessórios de extrema importância em sua profissão, o colete a prova de balas e o cinto repleto de bolsos e estojos que deixam todos seus instrumentos de trabalho em local de rápido acesso.


Uniforme de auxiliar de limpeza Uniforme de copeira

EN TRE VIS TA:

Uma equipe de Designers projetou os novos uniformes das subprefeituras de São Paulo em parceria com a ABRAVEST (associação brasileira do vestuário) na gestão do prefeito José Serra e o vice-prefeito Gilberto Kassab. Foi entrevistado um dos designers que encabeçou o projeto Renato Bolanho.

Rena to Bo lanho


Quais as especificações que devem ser seguidas na criação de uniformes profissionais?

Tivemos o cuidado de fazê-las serem funcionais, utilitárias e confortáveis. A matéria prima deve ser escolhida analisando o ambiente físico onde o profissional atua, por exemplo, o caso de profissionais que trabalham ao sol, devem usar tecidos com bases naturais, como algodão ou sarja. Deve-se evitar tecidos sintéticos para pessoas que trabalham expostas ao sol. Tecidos sintéticos, por exemplo, são adequados para trabalhos internos, em ambientes com ar condicionado, e esses tecidos têm uma praticidade maior por terem uma secagem rápida e por não amassarem, possibilitando a lavagem dos uniformes diariamente.

Quais foram os cuidados tomados em relação as particularidades técnicas de cada profissão?

O uniforme deve ser funcional, privilegiando os movimentos de acordo com cada tipo de trabalho exercido, como exemplo os uniformes de copa que sempre devem acompanhar de avental com bolsos utilitários para facilitar o atendimento das pessoas. Guardas de transito devem ter bolsos utilitários para guardar documentos, blocos, canetas e até mesmo ferramentas junto ao corpo com maior conforto possível. Muitos uniformes precisam ter alertas de sinalização, com faixas que brilham no escuro para trabalhos noturnos em vias de obras, e tem a questão do profissional entrar em temperatura altas e para isso temos que usar tecidos e sapatos adequados para isso.

Houve algum tipo de preocupação com o visual estético das roupas durante o projeto?

É muito importante o uniforme ter todas essas especificações técnicas, mas não podemos deixar de lado o design e a estética, pois o funcionário tem que sentir com a estima alta, por isso é um erro deixar a estética em último lugar.

Aproveitando que estamos falando do visual estético, como foi o processo de definição da paleta de cores utilizada? Houve algum cuidado em particular? As cores foram baseadas na gestão José Serra da prefeitura de São Paulo, a base era de azul com detalhes laranja. As cores na minha opinião eram horríveis e não combinavam e foi um sacrifício fazer as coisas azul e laranja sem que as pessoas ficassem caricatas.

Pra finalizar, tem algum comentário sobre o projeto que você acredita ser interessante?

A pessoa nunca pode ficar ridícula, a pessoa não pode se achar mal com o uniforme, não pode ter nenhum detalhe que a deixe engraçada, ou gere algum tipo de polêmica. Exemplo, nesse trabalho tinha uma calça laranja e bolsos azuis, e percebemos que a calça ficou engraçada, pois os bolsos eram largos demais. E acabou deixando em questão o bom gosto da peça. Uma pessoa com o corpo menos desfavorecido fica sempre caricata com ela.

Uniforme de gari Uniforme de ajudante geral.


CRÉ DI TOS

Direção de Arte: Arthur Bortolin e Cristina Tavares Fotografia: Pedro Vitale e Rodolfo Oseki. Redatora: Erika Bolanho Colaboradores: Renato Bolanho Renan Aguiar de Castro Sargento Garcia Sr. do Pastel Don Omar Don Dinero E Claro, Claudio Ferlauto!


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