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~ de EGO #0 - uma questao


Editorial

Numa era de massificação da arte, em que qualquer um é artista e em que existe uma enorme facilidade de concertizar e realizar ideias, a artaffair surgiu de uma vontade comum que alguns jovens partilharam em analisar este novo estado da arte e filtrar um pouco este boom de liberdade, mostrando ao mundo aquilo que, na nossa opinião, vale mesmo a pena ver, projectando uma nova perspectiva sobre a arte visual nas suas várias formas. Criada de e para fotógrafos, ilustradores, pintores, escultores, artistas, apreciadores de arte, amantes de arte, críticos de arte, turistas, amantes das suas raízes, pessoas que querem fugir, jovens, adultos, estudantes, profissionais e amadores, a artaffair quer dar aos seus leitores, seguidores, amigos e amantes, algo por que esperar, fazendo uma mostra do trabalho de artistas mundo fora sem olhar a idades, formação ou background. Nesta primeira edição exploramos o nosso próprio “EGO”, apresentando-nos através de alguns trabalhos relacionados com o tema, para que saibam quem são as pessoas à frente de cada categoria e a quem podem enviar os vossos trabalhos para apreciação. Espero que goste tanto da artaffair quanto nós. Boas leituras!

Ana Pastoria

para mais informações sobre os artistas e saber mais sobre esta edição visite www.artaffairmag.blogspot.com


Indice

Tema 3

Galerias Fotografia Multimédia Ilustração Artes Plásticas

Sugestões Música Cinema Literatura Viagens

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Revista artaffair Edição #0 - EGO 1 de Outubro de 2009 Difusão digital em www.artaffairmag.com Versão impressa disponível por encomenda Contribuiram para esta edição: Ana Pastoria (direcção) Andrew Jones (fotografia) Catarina Bizarro (literatura) Daniela Rodrigues (fotografia) Diana Aleixo (viagens) Fábio Fernandes (música) Fernando Morte (cinema) Joana Ferreira (artes plásticas) José Carlos Pereira (multimédia) Maria Matilde Marques (revisão editorial) Tiago Nunes (ilustração)


Tema do latim ego = eu

O Ego é a parte do ID (inconsciente) que foi modificada por influência directa do mundo externo... O Ego representa algo que pode ser chamado razão e senso comum, em contraste ao ID, que contém as paixões. (...) na sua relação com o ID é como um homem sentado na sela de um cavalo, que tem de manter controlada a parte superior da força do cavalo; com a diferença de que esse homem tenta fazê-lo com a sua força, enquanto o Ego usa forças emprestadas.

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Freud, O Ego e o Inconsciente 1923


Fotografia

por Daniela Rodrigues -4-


Fotografia

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Fotografia

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Fotografia

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Fotografia

www.danielasrodrigues.deviantart.com -8-


Musica Thomas Dybdal o quebra-gelo da vida Artista quase desconhecido aos ouvidos da música mainstream, não deixa indiferente quem o escutar. Nascido em 1979, em Sandnes, Noruega, Thomas Dybdahl surge-nos actualmente como um cantor a solo que, com as suas canções, quebra o gelo da sua terra mãe. Antigo guitarrista dos Quadraphonics, inicia a sua intervenção a solo com o lançamento do EP Bird em 2000 e o EP John Wayne, em 2001, no entanto sem sucesso aparente. É em 2002 com o lançamento do seu álbum That Great October Sound, que Thomas é catapultado para a grande classe de artistas a solo, vendo o seu reconhecimento por toda a Noruega, mas apenas em 2004 chega ao resto da Europa. Já nesta altura atingiu um disco de platina e começa assim uma grande e promissora carreira com sucessos consecutivos. Após o reconhecimento europeu que lhe valeu comparações como outros grandes artistas como Nick Cave ou Jeff Buckley, vieram também mais dois álbuns, Stray Dogs, e One Day You’ll Dance for Me, New York City, ambos lançados em 2005 na Europa garantindo mais dois discos de platina com os títulos. Já em 2009 lança o single Damn Heart produzido pela Copenhagen Records, para o filme En Soap, cimentando o seu estatuto de cantor/ compositor a solo.

por Fabio Fernandes -9-

Desta forma é, além do reconhecimento pelas vendas dos seus álbuns, também por diversos prémios que descobrimos a importância deste pequeno grande desconhecido. Entre os prémios, destacam-se o “Spellemannprisen” em 2002 (grammy norueguês) de melhor artista Pop, o “Alarmprisen” (grammy alternativo) para melhor álbum e também o “Edvardprisen” para melhor música no mesmo ano. Conquistou ainda mais dois “Spellemannprisen” em 2004 como melhor actuação Pop, acompanhado pela banda The National Bank e em 2006 como melhor artista masculino com o álbum Science. Intimista e com uma escrita criativa associada a sonoridades ambíguas, sempre com base na sua guitarra, este norueguês demarca-se do resto da massa dos cantores a solo, elevando a sua figura para o plano de referência no panorama musical.


MultimĂŠdia

por Jose Carlos Pereira - 10 -


MultimĂŠdia

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MultimĂŠdia

www.youtube.com/watch?v=ShNfYo3yr5Y - 11 -


Cinema Apocalipse Now um filme de Francis Ford Coppola A primeira vez que vi este filme, em miúdo, esperava ver um novo Lee Marvin, no Vietname, reunir um bando de sujeitos de mau carácter bem ao estilo de Os sete samurais, de Akira Kurosawa, com ordens para ir além das linhas inimigas. O resto pouco me interessava desde que as trocas de tiros fossem frequentes e que ficassem uns quantos pelo caminho. Como eu me enganei! Na altura não poderia compreender realmente um filme desta natureza, portanto não pensei muito naquilo que vira e resolvi limitar-me a Doze Indomáveis patifes – parte 2 e filmes do género. Apocalypse Now é muito mais profundo. Ao longo de uma viagem que toca quase de raspão aquilo que estamos habituados a ver em filmes de guerra, os nossos sentidos (e talvez o cordelinho que mantêm a nossa sanidade suspensa no sítio certo) são brutalmente atingidos, múltiplas vezes, á medida que somos sugados até ao interior da selva, rumo ao coração das trevas. A história é simples, mas o significado do que nela se esconde não o é. Willard tem como missão subir o rio em direcção ao Cambodja e eliminar o Coronel Kurtz, um militar brilhante que enlouqueceu, voltou costas ao exército e começou a conduzir operações sem respeitar ordens e protocolos. À medida que Willard se aproxima do seu objectivo, aprende cada vez mais sobre o historial de Kurtz, começando a criar um certo fascínio pelo homem que foi encarregado de matar. Apocalypse Now foi inspirado no livro “O Coração das Trevas” de Joseph Conrad. Ao contrário do que acontece no filme, o livro passa-se no Congo (notese que o livro foi escrito em 1899) onde o protagonista (que na obra se chama Marlow) tem como missão encontrar e trazer de volta para a civilização um comerciante de marfim que passou demasiado tempo no interior da selva africana… (Kurtz). A transposição da história de um cenário para o outro foi feita de forma genial pelo guionista John Milius. Francis Ford Coppola foi igualmente genial ao materializá-la. Apesar das diferenças, tanto o filme como o livro no qual foi inspirado, baseiam-

por Fernando Morte - 13 -

se nos mesmos temas. De uma forma simbólica, Apocalypse Now, é uma viagem levada a cabo pelo Homem ao interior de si mesmo. O conflito entre luz e trevas (e por trevas entenda-se a ausência de civilização) coloca-nos num cenário primordial, onde o instinto toma o lugar da razão. Contando com um elenco de qualidade, Entre os quais Marlon Brando (no papel de Kurtz), Robert Duvall (como Tenente Coronel Kilgore) e Martin Sheen (como Willard) e com cenas que ficarão para sempre na história do cinema, como o ataque aéreo a uma aldeia Vietcong ao som de Wagner, Apocalypse Now é certamente um dos melhores filmes de guerra alguma vez feitos. Aconselho o leitor a ver a versão Apocalypse Now Redux, que adiciona mais 49 minutos ao filme original e que contribui positivamente para a profundidade da experiência com cenas magníficas, como a da plantação francesa. Segundo palavras do próprio Coppola: “Este filme não é sobre o Vietname. Este filme é o Vietname”.


Ilustração

por Tiago Nunes - 14 -


Ilustração

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Ilustração

www.tiagonunesportfolio.blogspot.com/ - 16 -


Literatura A Sombra do Vento uma obra de Carlos Ruiz Zafon Tive medo de pegar neste livro outra vez. Tive medo de desfolhar outra vez as páginas do livro que durante uma semana me agarram como se dois braços se tratassem. “A Sombra do Vento” não é só o best-seller que está bonitinho nas páginas dos jornais e nas montras das livrarias. É, de facto, para além de um best-seller, considerado por jornais como o Le Figaro o melhor livro do ano, muito mais que isso. É um livro que reúne em si componentes que à partida não se deviam misturar e que, afinal, até resultam. Amor, desejo, aventura e principalmente um humor ímpar são alguns dos trunfos de Carlos Ruiz Zafón. O autor trata a rotina por tu e torna natural qualquer aventura que os protagonistas da história vivam. Sentimentos de amor, revolta, raiva são retratados com fidelidade tal, que o leitor se identifica plenamente. No entanto, o que este livro tem de melhor é, sem dúvida alguma, Barcelona. Pode ser até um livro de aventura, um livro de mistério, com uma personagem principal que, apesar da sua juventude é fascinante, mas não seria o mesmo livro se a sua história se passasse em qualquer outra cidade do mundo. Este livro fala-nos da dinâmica de uma cidade

por Catarina Bizarro - 17 -

no início do século XX, ainda a recuperar de uma guerra. Mas não é uma qualquer cidade, é Barcelona. Zafón leva-nos num romance cultural por uma Barcelona cheia de segredos e de passado, onde cada história se funde noutra e noutra e noutra, sem nunca perder o sentido lógico, sem nunca perder a relevância e onde cada história é mais deliciosa que a anterior. O leitor vê-se constantemente a correr as ruas de Barcelona com o protagonista, a descer as Ramblas ao fim da tarde, a apanhar o eléctrico até ao Park Güell e nada disso parece falso, nada disso desaparece quando fechamos o livro. Durante algum tempo ainda arranhamos catalão e ainda sentimos o calor mediterrânico de Barcelona na pele. Este livro já percorreu o mundo, já vendeu mais de oito milhões de cópias e está traduzido em mais de trinta línguas. Ao “A Sombra do Vento” seguiu-se “O Jogo do Anjo” e esperamos agora ansiosamente o próximo livro do autor. Aquele livro que, tal como “A sombra do Vento”, nos levará a viver uma história incrível, a experienciar uma nova realidade, que nos levará ao ego, não de uma personagem, mas de uma cidade.


Artes Plรกsticas

por Joana Ferreira - 18 -


Artes Plรกsticas

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Artes Plรกsticas

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Viagens Parque Nacional da Peneda Geres Minho, Portugal fotografias de Andrew Jones

Como amante do meu país, tinha que estrear este espaço a falar um bocadinho daquilo que nos pertence, pelo que decidi levar-vos até ao Norte descobrir um pouco da sua beleza. Acompanhando o nosso tema e todo este ambiente intimista, concluí que o melhor lugar a visitar seria o Parque Nacional da Peneda - Gerês, no extremo nordeste do Minho, e suas zonas envolventes, onde é possível fazer de tudo um pouco mas, sobretudo, viajar ao interior de nós próprios e, aproveitando as idilicas paisagens, reflectir. Deste Parque fazem parte locais magníficos como as Serras do Gerês, Peneda e Amarela. Na Lagoa do Marinho, podem-se desfrutar vistas fantásticas tendo como únicos sons de fundo as ribeiras, o vento, os pássaros… enfim, os sons da natureza. Existem ainda zonas onde o carácter natural se funde com o humano como é o exemplo do miradouro da Pedra Bela de onde se avista toda a vila. Por todo o Parque se encontram miradouros, ribeiras e albufeiras de beleza inimaginável. E no coração deste

por Diana Aleixo - 21 -

podem-se conhecer, entre outros, Castro Laboreiro (famoso pelo seu Castelo Medieval) ou Pitões da Júnias (ruínas de Santa Maria das Júnias). A melhor maneira de chegar ao Parque Nacional da Peneda - Gerês é sem dúvida de carro, e esta é também a melhor maneira de se movimentar por dentro do Parque. E se realmente quer conhecer o país, nada melhor do que ir pelas estradas secundárias. Pode demorar mais tempo até ao destino final, mas pode vir a encontrar tesouros! Daqui, tanto poderá ir para a zona litoral do país onde se encontram locais como Terras de Bouro, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Monção, Melgaço (entre outras localidades), ou para a zona interior do país onde pode contar com a Vieira do Minho ou Viade de Baixo, onde se localiza uma esplêndida albufeira, e ainda Montalegre. Dito isto, que tal uma aventura pelo campo já este fim-de-semana?


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Se é designer gráfico, director de arte, ilustrador, artista plástico, músico, blogger, estudante, profissional, amador ou algum género de artista e sente que tem de partilhar a sua arte, o seu website ou a sua empresa com o mundo, podemos ajudá-lo (provavelmente não conseguiremos chegar ao mundo inteiro mas esperamos chegar a uma grande parte). Contacte-nos para saber mais sobre as nossas muito acessíveis opções de publicidade, tanto no nosso website como na nossa revista, através do e-mail: advertise@artaffairmag.com

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Assinaturas


O tema da próxima edição é “AFTER HOURS”. Participem!

submissão de trabalhos até 20 de Novembro.

ego  

uma questão de EGO

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