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ÍNDICE Março / Abril - 2019 | 1ª Edição | Ano 1

06 | Identidade DO REINO DIVINO AO REINO HUMANO

22 | Em busca da verdade O ENGANO DA MAÇONARIA - PARTE 1

24 | Homens Públicos ÊXODO 18:21

26 | Resenha O que podemos afirmar com

QUE FALEM OS PRIMEIROS CRISTÃOS.

certeza é que, o que se considerava

16 27 | Oração 24 horas ALVOS DE ORAÇÃO

apenas como uma seita judaica se ampliou de tal forma que alcançou as

CAPA

áreas urbanizadas do Império: a despeito de sua origem simples, a nova fé ganhava cada vez mais adeptos das classes sociais mais altas.

EXPEDIENTE Presidente José Rodrigues Edição e Revisão Equipe Arrependimento Nacional Projeto Gráfico Fernanda Marques Publicidade comunicação@arrependimentonacional.com.br Fale a redação comunicação@arrependimentonacional.com.br www.arrependimentonacional.com.br

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IDENTIDADE Constantino e a História Cristã

DO REINO DIVINO AO REINO HUMANO A história nos conta que um homem, um

Cadê o famoso Tutancâmon? Onde está

carpinteiro de família pobre, transformou

o poderoso Alexandre, ou o grande Napo-

o mundo, dividindo as eras. Dois mil anos

leão? Mesmo tendo alcançado o ápice do

depois de Cristo pisar na terra, os ensinos e

poder em suas respectivas épocas, nenhum

verdades desse jovem rabi confrontaram,

desses grandes nomes impactaram tanto

emanciparam e revolucionaram de tal forma

como o de Jesus.

a humanidade que, ainda após a sua morte

Apesar dos grandes esforços para erradi-

e ressurreição, continuam ecoando em mi-

car o cristianismo, ele avançou, multiplicou-

lhões de mentes e corações! Por isso, gos-

-se e sobreviveu, estabelecendo comunida-

taria que me acompanhasse nesta viagem

des em todas as grandes cidades do império

histórica.

romano, inclusive nas mais longínquas como

As suas Palavras, como um trovão no

Bretanha, Espanha e Gália. De forma extra-

meio da escuridão, penetraram em esferas

ordinária, a religião antes perseguida pelos

da sociedade nunca antes imaginadas, trans-

romanos, se tornou a oficial de Roma. Toda-

pondo fronteiras geográficas, linguísticas, re-

via, para surpresa de muitos, nem tudo o que

ligiosas e culturais. Sem um grande império,

se entende hoje como “religião Cristã” fazia

seguidores preparados e influentes ou gran-

parte do ensino deixado por Jesus aos seus

des recursos financeiros, Ele conquistou um

discípulos. Mas, onde começou a descaracte-

lugar na memória da humanidade.

rização do verdadeiro ensino de Cristo?

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Lâmpada | ARREPENDIMENTO NACIONAL


A ascensão de Constantino A relação de Constantino com o cristianismo, segundo historiadores, começou de forma nada comum, enquanto ele se dirigia a Roma para conquistar o trono por via militar. No trajeto, ao olhar para o céu, ele afirmou ter enxergado uma visão como de um sol, uma imagem que atribuiu à superposição das letras X e P, que eram as iniciais do nome Cristo em grego (ΧΡΙΣΤΌΣ). Junto à visão, ele escutou a seguinte frase: “In hoc signo Vinces”, que significa “com esse sinal vencerás”. Considerando esse episódio como

bora não se submetesse aos ensinamentos

uma visitação divina, Constantino mandou

cristãos, nem abandonasse o paganismo.

que o sinal fosse inscrito nos escudos de to-

Posteriormente, de acordo com o arqueó-

dos os seus soldados, tornando-o símbolo da

logo Rodrigo Silva, como parte de uma bri-

sua vitoriosa campanha militar.

lhante estratégia de unificação do império, Constantino propôs a fusão do cristianismo católico ortodoxo apostólico, com o estado imperial romano; o que deu origem à Igreja Católica Apostólica Romana, a religião oficial do império. O imperador compensava as suas “pequenas” falhas doutrinárias, com significativos “presentes” ou benefícios para a comunidade cristã, tais como: liberdade de culto, isenção de impostos, salário e poder para os bispos e, claro, a construção de templos e basílicas por todo o império. Será que assim como muitos “cristãos” da atualidade, Constantino decidira seguir Jesus do seu jeito, ali-

Constantino afirmava que o Cristo tinha

viando a sua consciência com favores e reli-

lhe dado a vitória naquela grande batalha e

giosidade, em vez de um coração rendido ao

se considerava adepto ao cristianismo, em-

Senhor?

Identidade

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IDENTIDADE Constantino e a História Cristã Com essas novas medidas, Constantino

Católica Apostólica Romana (mesmo con-

começou a garantir o favor dos bispos, ho-

tradizendo grandes verdades e fundamen-

mens de grande influência e respeito nas co-

tos defendidos até a morte pelos primeiros

munidades e povoados da república. Nessa

cristãos: adoração ao único Deus e o amor ao

situação, o Bispo da grande cidade de Roma

próximo como a si mesmo). Qualquer desa-

se viu muito favorecido, não tardando em

cato à instituição católica Romana, era con-

pleitear maior posição sobre os outros bispos

siderado uma heresia e podia ser motivo de

da igreja.

excomunhão.

Se os cristãos da época queriam gozar

Esse foi um dos passos que afastaram a

da paz que Constantino oferecia em Roma,

humanidade dos ensinos de Cristo. É respon-

além do protagonismo administrativo no im-

sabilidade da Igreja trazer luz à verdade que

pério, precisavam aceitar a mescla de sua fé

liberta. É tempo de quebrarmos o domínio

com religiões pagãs. Apesar daqueles que re-

humano sobre a Igreja e voltarmos a ser go-

sistiram, o sincretismo aconteceu. Então, da

vernados pelo único e verdadeiro Senhor.

mistura dos rituais pagãos de Constantino com as doutrinas dos católicos apostólicos, nasceu a Igreja

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Lâmpada | ARREPENDIMENTO NACIONAL

MARIA ANTONIA RIVERA JURADO


ASSIMILAÇÃO E IDOLATRIA: REFLEXOS DE UMA “CONVERSÃO” Ao olharmos dois mil anos no passado, facilmente percebemos como o culto cristão de hoje – e a liberdade ocidental, no que diz respeito ao cristianismo – parece distante daquela realidade de reuniões caseiras e pessoas simples, descrita principalmente no livro de Atos dos Apóstolos. Nesse contexto, a tranquilidade experimentada hoje também não condiz muito com os antigos relatos de perseguições que levaram até à ressignificação da palavra “testemunha” (que deriva do grego μαρτυρία - martyría) para a ideia de “alguém que morre por não negar sua fé”. Quando essas duas realidades – primitiva e contemporânea – são contrastadas não parecem se tratar da mesma igreja, não é verdade? Por essa causa, muitos fazem diferenciação entre “igreja primitiva” e “igreja moderna” como se fossem duas “igrejas” diferentes. Afinal, é inegável que a “glamorosa” de hoje tem se distanciado cada vez mais da “pobretona” de antigamente. De modo geral, o cristianismo ocidental tem moldes e práticas bem peculiares, sobremaneira, se comparado ao cristianismo do oriente. Ao que parece, a dissonância percebida é uma espécie de eco da “conversão” do Imperador Constantino, no século IV, que, na luta pelo reerguimento da antiga Roma, acabou ficando com a parte ocidental do im-

Identidade

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IDENTIDADE Constantino e a História Cristã pério. Esse fato influenciou - e muito - a histó-

ciar a veracidade sua conversão1. Na verdade,

ria da igreja ocidental, criando o catolicismo

apesar de que o oportunismo religioso pare-

romano, em sua forma primitiva. Em vista

ce uma prática comum nos nossos dias, não

dos eventos posteriores no cristianismo, até

era tão comum entre os romanos daquela

hoje não se sabe se a “conversão” do impera-

época. Além disso, um imperador também

dor foi um triunfo para a fé cristã ou apenas o

não precisaria recorrer à simpatia de um gru-

inicio de novos desafios.

po que compunha uma religião ilícita e não

Para compreender o presente, refletindo

tinha força política nenhuma. Logo, o mais

sobre o que aconteceu no passado, será feita

certo é que, no mínimo, Constantino cria no

aqui uma breve exposição acerca da conver-

poder de Jesus e era um simpatizante da fé

são do imperador Constantino e das impli-

cristã, uma vez que seu pai foi adorador do

cações da mesma para o cristianismo. Além

Sol Invictus, uma divindade romana prove-

disso, são destacadas algumas característi-

niente de mitos Persas, patrona dos soldados

cas que chegaram até a igreja atual, como

das legiões. Apesar das controvérsias, encon-

se fossem uma herança legítima da religião

tra alguns vários paralelos com a narrativa

primitiva.

cristã, Gonzáles afirma:

Muito já se discutiu sobre a conversão de Constantino. As dúvidas pairam sobre especulações de ela ter sido apenas uma estratégia política (habilidoso nessa área que

Constantino interpretava a fé em

era, é normal levantar essas suspeitas), para

Jesus Cristo de uma maneira que

conquistar os cristãos que cresciam cada vez

não o impedia de adorar a outros

mais, ou de ele realmente ter se tornado um

deuses. Por essa razão Constantino

cristão e sua conversão ter sido uma intervenção divina na história da cristandade. Bem, como disse o historiador argentino

podia consultar o oráculo de Apolo, aceitar o título de sumo sacerdote

Justo González, se analisarmos bem o con-

dos deuses tradicionalmente con-

texto da época, veremos que as duas inter-

ferido aos imperadores e partici-

pretações são exageradas, pois a conversão

par de cerimônias pagãs de todos

desse imperador não condiz com a conversão comum de um cristão, a saber: ele não

os tipos, sem pensar com isso estar

foi batizado senão em seu leito de morte (o

traindo ou abandonando o Deus

que era uma espécie de rito inicial da fé cris-

que lhe tinha dado vitória e poder

tã); além de ser obrigatoriamente batizado,

(GONZÁLEZ , 2011: 132).

todo pagão que se convertia recebia também uma séria disciplina e os ensinamentos de um bispo que o seguia, a fim de eviden-

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Lâmpada | ARREPENDIMENTO NACIONAL


Isso serve de prelúdio para entender as assimilações sincréticas que foram acontecendo no decorrer da história, mais especi-

Depois da conversão de Constanti-

ficamente no século IV. Quanto ao problema

no, o culto cristão começou a sentir

de uma “má” conversão, a lógica é simples:

a influencia do protocolo imperial.

se a vida e práticas do Imperador são agora o exemplo de alguém convertido ao cristia-

O incenso, que até então tinha sido

nismo, é plausível esperar que muitos dos

sinal de culto ao imperador, apare-

que seriam agregados seguiriam pelo mes-

ceu nas igrejas cristãs. Os ministros

mo caminho, misturando elementos de sua

que of iciavam no culto começaram

“antiga” religião à sua nova “fé” em Cristo. Consequentemente, por causa da pluralida-

a usar vestimentas ricamente or-

de cultural e religiosa do império romano, al-

namentadas

guns elementos que outrora eram estranhos

em sinal de respeito pela reunião.

aos cultos cristãos, com a ilustre presença do

durante

a

ocasião,

Pela mesma razão, vários gestos de

Imperador, foram se tornando cada vez mais

respeito normalmente feitos diante

aceitos. Justo González acrescenta que:

do imperador começaram a surgir também no culto. (GONZÁLEZ, 2011: 134)

Não era de se esperar por menos. Agora o cristianismo tornara-se uma religião nobre, e o que fez dela assim não foi o fato de ter sido reconhecida como verdade absoluta pela sociedade (ou apenas pelo impacto de seu testemunho). Nesse ponto, as conversões se davam também por conveniência, pois a própria pessoa do imperador estava ligada ao cristianismo e dava benefícios a todos os que se reconhecessem cristãos. Caro leitor, se isso te parece familiar você está correto, não é uma coincidência.

Em vista da quantidade dos novos

“convertidos”, a construção de templos oficiais para a realização dos cultos também

Identidade

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IDENTIDADE Constantino e a História Cristã não demorou, sendo levantados sobre cemi-

vidas de que esse seja o caso hoje. A figura

térios ou nos lugares onde cristãos tinham

poderosa de nossos dias (que a igreja parece

sido martirizados na época das perseguições.

temer tanto confrontar) é o “politicamente

Com a conversão em massa dos pagãos e a

correto”, a qual amordaça os seus profetas

falta de tempo para o devido discipulado,

diante de erros gritantes. É essa a que impe-

também não tardou muito para que esses

de a denúncia, a correção e, por vezes, cala

começassem a “ver” aqueles que morreram

àqueles que ainda não tiveram seu entendi-

martirizados como se fossem intercessores

mento cegado pelo deus deste século2. Tan-

diante de Deus, operadores de milagres, e

to as assimilações sincréticas decorrentes

assim por diante.

das conversões em massa de pagãos, quanto

Mas esse não foi o único fator que

contribuiu negativamente para a impureza

a mordaça da conveniência desembocam na idolatria institucionalizada.

do cristianismo do século IV. Com a expan-

É um erro crasso reduzir idolatria à pre-

são do território, o imperador Constantino

sença de imagens em casa, templo ou qual-

queria construir um muro que cercasse todo

quer lugar. Idolatria é atribuir a qualquer

seu império, contudo, já que o tempo e o ma-

criatura uma prerrogativa do criador, seja

terial necessários para isso eram escassos, o

converter corações, realizar curas milagrosas,

imperador trouxe estátuas, colunas e outros

mediação para petição ou interseção, provi-

objetos de templos de cidades que foram

são e segurança, etc.

conquistadas. Assim, o efeito de ver o seu muro de proteção composto por imagens de escultura, em um povo que não se converteu verdadeiramente, não seria outro do a não ser pensar que aquelas imagens forneciam algum tipo de proteção para sua cidade e casas.

Por fim, é fato que a comunidade

cristã aceitava esse sincretismo e a pergunta é: por quê? Seria acaso medo de perder o prestígio conquistado ou diminuir seu número de seguidores? Ou apenas rejeitar o desgaste prenunciado pelo seu Cristo de que o mundo odiaria seus fieis, de que haveria divisão ente familiares e que surgiriam falsos mestres no meio da igreja?

Não é possível afirmar se esse era o

caso da época, porém, restam poucas dú-

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Lâmpada | ARREPENDIMENTO NACIONAL


Não existe outra palavra bíblica para o

fé que considera, sobretudo, que as raízes do

principio da idolatria, a não ser: incredulida-

cristianismo e os princípios desta vida não

de. Participar de qualquer rito religioso que

estão no que é apresentado hoje. Uma fé que

não recorra direto a Deus e tenha nele sua

não tem medo de olhar pra trás e perceber

única e exclusiva fonte para as necessidades

que, por estar composta por homens peca-

da vida, é idolatria. Por mais que tal prática

dores, se “desviou” em alguns aspectos que

esteja travestida de crença e até pareça estar

precisam de uma reforma; fé essa que não se

ligada à fé, é, em essência, incredulidade. Na

conforma ao tradicionalismo morto dos que

verdade, a suficiência de Deus somente em

vivem. Como alguém já disse:

Cristo sempre foi a marca registrada do cristianismo desde seus primórdios. Podemos notar que a história sempre foi vista como fonte de sabedoria. Olhar pra trás é, ao mesmo tempo, se inteirar das raízes verdadeiras e, com isso, se firmar para enfrentar os desafios presentes e futuros. Portanto, a proposta aqui é a vivência de um cristianis-

“UMA DÚVIDA SINCERA ESTÁ MAIS PERTO DA VERDADE DO QUE UMA FÉ SUPERFICIAL”. Mas você, conhece as raízes da sua fé?

mo radical, mas radical no sentido etimológico da palavra, um cristianismo de raiz. Uma

LUCAS DE MIRANDA FERREIRA

Identidade

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CAPA História da Igreja

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Lâmpada | ARREPENDIMENTO NACIONAL


E TAMBÉM POR CIMA DELE ESTAVA UM TÍTULO, ESCRITO EM LETRAS GREGAS, ROMANAS, E HEBRAICAS: ESTE É O REI DOS JUDEUS (EVANGELHO DE LUCAS, 23:38, GRIFO DA AUTORA).

A forma como a história da Igreja cristã evoluiu na terra é muito conturbada desde o início. Podemos dizer que a Igreja cristã da Antiguidade nasceu de forma despretensiosa e sem representatividade, mas na Idade Média tornou-se uma força política que serviu bem para legitimação do poder governamental, no contexto de um Império Romano já em declínio. Assim, a Igreja cristã se desenvolveu como um sistema fundido com o Estado, crescendo principalmente nas cidades e tornando-se uma agregadora das pessoas mais ricas e proeminentes da sociedade. Mas essa Igreja não foi assim desde o princípio. Ela reunia principalmente pessoas simples e despreparadas do ponto de vista intelectual, e sua doutrina se baseava nos ensinos de certo judeu reconhecido como Chrestus (Cristo). Em seus primeiros séculos, a nova fé alcançou uma projeção em número e poder político que lhe tornou substancialmente diferente daquela comunidade primitiva que realizava o seu culto a Jesus em espírito e em verdade.

Capa

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CAPA História da Igreja

A forma como os homens concebiam o culto antigo e o culto cristão é uma distinção importante para entender como os ensinos

tanto uma religião, mas

de Jesus se difundiram e como

uma amálgama vaga-

esse contexto histórico e cultural

mente unida de cultos,

foi decisivo nas transformações

mitos

às quais a Igreja foi submetida. Isso porque, tais transformações,

sóf icas

e

crenças de

f ilo-

diferentes

foram responsáveis por um cons-

origens e níveis ainda

tante distanciamento dos ensinos

mais variados de cultu-

primitivos, baseados na mensa-

ra” (JONES , 1864:940).

gem de Jesus, dos quais os apóstolos ficaram responsáveis por difundir. A questão da prática do culto cristão é crucial na separação entre a comunidade do início do primeiro século e a religião romana. Os historiadores concordam em dizer que a religião tradicional do mundo onde o cristianismo cresceu era uma questão de culto, e não de credo. Afirma-se que o que realmente importava era a execução dos sacrifícios e de outros ritos sagrados, em conformidade ao que se acreditava ser a tradição imemorial. Segundo o historiador Martin Hugh Jones:

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“O paganismo não era

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No contexto da religiosidade

conquistas. Assim, sucesso e fra-

romana, os rituais faziam parte,

casso éram explicados pela corre-

até mesmo, da vida pública e esta-

ta observação dos rituais antigos e

vam presentes na interação entre

da conduta moral (WOOLF, 2017:

deuses e homens, pois eram feitos

157). Os romanos acreditavam que

votos públicos de forma específica

sua história e povo possuíam uma

a deuses nomeados. Visto que os

predileção dos deuses, contudo,

senadores romanos eram consi-

os infortúnios poderiam vir se os

derados sacerdotes, a política e as

governantes não apresentassem

práticas religiosas eram indissoci-

qualidades morais na conduta pú-

áveis no império. Desse modo, as

blica, além da correta realização

esferas do sagrado e do profano

dos cultos ritualísticos.

se entrelaçavam no discurso dos

Apesar de cada comunidade

romanos sobre as suas próprias

provincial possuir seus próprios cultos, a atitude romana em relação aos deuses de outros povos parecia bastante condescendente, uma vez que era comum introduzir deuses novos nos cultos rituais antigos. No entanto, por ocasião do fortalecimento do culto cristão no seio do Império Romano, desde o séc. III, não há certeza no que diz respeito à consolidação do cristianismo como religião oficial ou como tendência religiosa. Já o século IV foi marcado pelo fortalecimento do culto cristão, que se desenvolveu mesmo em meio às perseguições e mar-

Capa

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CAPA História da Igreja

tírios dos séculos anteriores, quando em sua fase ilícita. A consideração desse cenário cultural permite indicar que o Império Romano proporcionou um ambiente político, econômico e cultural favorável para a propagação do cristia-

AFIRMAR COM CERTEZA

nismo, nos primórdios de sua existên-

É QUE, O QUE SE

cia. Porém, séculos depois, a Igreja da

CONSIDERAVA APENAS

Idade Média não conseguiu se desfazer

COMO UMA SEITA

da glória da Roma Imperial, acabando

JUDAICA SE AMPLIOU

por perpetuar seus ideais num sistema

DE TAL FORMA QUE

eclesiástico. Concordamos com o historiador

ALCANÇOU AS ÁREAS

Arnaldo Momigliano, quando esse de-

URBANIZADAS DO

fende que o século IV foi o momento

IMPÉRIO: A DESPEITO

emblemático da institucionalização da

DE SUA ORIGEM

Igreja cristã, numa precedente e contí-

SIMPLES, A NOVA FÉ

nua rivalidade com o poder estatal, de

GANHAVA CADA VEZ

forma que atraiam para sua liderança pessoas influentes e abastadas. Nas pa-

MAIS ADEPTOS DAS

lavras de Momigliano, “combinavam a

CLASSES SOCIAIS MAIS

teologia cristã com a filosofia pagã, e a

ALTAS.

habilidade política mundana com uma fé segura nos valores imortais” (MOMIGLIANO, 1989:23).

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O QUE PODEMOS

Lâmpada | ARREPENDIMENTO NACIONAL


Nesse contexto, o cristianismo se

clusivista, lhe gerou a maioria de seus

expandiu no Império Romano, manten-

inimigos, sendo perseguido como reli-

do o caráter exclusivista de suas vene-

gio illicita (STE. CROIX, 1971, p. 348).

rações. Mesmo assim, a sua mescla de

Num momento, marcado então

orientações filosóficas tornavam muito

por mudanças políticas, reorganização

difícil encontrar uma unidade entre os

econômica e pela tentativa de man-

próprios crentes. Nota-se então que,

ter as fronteiras do Império Romano

desde antes de sua institucionalização,

(contexto, delineado por grandes pro-

a Igreja cristã não manteve uma forma

blemas e hostilidades), o século III d. C.

única, o que pode ser percebido nos

acabou sendo o momento de afirma-

debates doutrinários registrados nos

ção do cristianismo.

escritos apologéticos cristãos, durante

O IV século, representará uma gran-

o período da antiguidade tardia. Escri-

de virada na história da religião cristã.

tores como Tertuliano, Cipriano e Arnó-

De forma impensada, Augusto, ao se

bio, tornaram-se vigorosos defensores

tornar imperador, imediatamente con-

da pureza do cristianismo.

cedeu aos cristãos a liberdade de culto,

Entretanto, antes de sua oficiali-

inserindo políticas que privilegiaram a

zação (ocorrida de forma gradual com

nova relação entre império e cristianis-

as políticas favoráveis de Constantino

mo, sendo assim, a força motriz para a

e depois quando declarado religio offi-

consolidação dessa religião. Inúmeros

cial por Teodósio II), o cristianismo viveu

historiadores apoiam, ainda, a ideia de

intensas perseguições, levando muitos

que Constantino tenha se convertido

cristãos a viverem o martírio. Isso nos

ao cristianismo e que sua política favo-

faz voltar ao período de proibição da

rável seja resultado disso. Desse modo,

prática de culto cristão, cujo caráter ex-

foi durante o governo de Constantino

Capa

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CAPA História da Igreja

que o cristianismo ganhou força, uma

20

forma administrativa dos patriarcados.

vez que esse imperador, além de decla-

Com isso, propomos uma reflexão

rar a licitude de culto, agregou os cris-

sobre questões pertinentes à identi-

tãos a cargos administrativos.

dade cristã. Apesar de a igreja ter se

Voltando ao contexto do desenvol-

expandido por toda a Idade Média de

vimento do cristianismo, já reconheci-

forma extremamente distante da pri-

do como religio licita, com as políticas

mitiva comunidade cristã (aquela evan-

favoráveis de Constantino, os cultos

gelizada, batizada e ensinada pelos

cristãos rapidamente se popularizaram.

apóstolos), e mesmo tendo vivido as re-

Esse fomento dos cultos levou a maior

formas do século XVI, podemos obser-

organização das comunidades em pa-

var o aumento de indivíduos que, em

triarcados que logo colaboraram com a

suas comunidades, têm poderes seme-

construção de basílicas.

lhantes aos dos Bispos da Antiguidade

A Igreja se desenvolveu, nesse pe-

Tardia. Tristemente, podemos, inclusive,

ríodo, em bases administrativas pare-

traçar um paralelo entre os grandes ho-

cidas com as das cidades. Passou a ser

mens das igrejas monumentais e as de-

dividida em dioceses instituídas nas

nominações da atualidade, com os das

províncias, as quais, conforme o seu ta-

lideranças episcopais que conduziram

manho, poderiam exercer poder sobre

a Igreja cristã a uma gradativa fusão

outras menores, havendo então, uma

com o poder político da época.

Lâmpada | ARREPENDIMENTO NACIONAL


Refletir sobre a história da igreja do passado é importante porque a história ainda pode ser mestra para a vida. Percebemos, então, que estamos em um contexto (que não pode se definir nem

O QUE DIZER DO EVANGELHO NA ERA DOS SMARTPHONES? POR QUE NOSSAS

como pós-moderno dado a sua com-

COMODIDADES NOS

plexidade) em que o presente se impõe

LEVAM A UM LUGAR

pela sua multiplicidade e singularidade,

IGUAL OU PIOR DO QUE

já que a mundialização e massificação

A IGREJA ANTIGA E

trazida pela avalanche de informações e pela facilidade no acesso a tecnologias são de uma força estranguladora.

MEDIEVAL? SERÁ QUE NÃO SOMOS UMA

Esse é um tempo substancialmente

IGREJA MISTURADA

diferente do que viviam os cristãos an-

COM OS CULTOS DA

tigos, pois não usufruíam das comodi-

ATUALIDADE? COMO

dades atuais usadas na propagação do

PODERÍAMOS VOLTAR

evangelho. Diante de tudo isso, nos restam as seguintes reflexões:

AOS ENSINOS DO TAL CHRESTOS QUE VIVEU NA JUDÉIA? AZENATHE PEREIRA BRAZ

Capa

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EM BUSCA DA VERDADE O engano da Maçonaria - Parte I

ORIGEM E CONCEITO DA MAÇONARIA Não é uma tarefa simples indicar o momento de fundação da maçonaria. Envolta em mistérios, a história se torna imprecisa e de difícil pesquisa. Mas é seguro afirmar que por volta do século XVIII já haviam lojas maçônicas na maioria dos países da Europa ocidental. A realidade no Brasil da época não é diferente. Segundo Celia M. Marinho de Azevedo, professora do Departamento de História da Unicamp: No Brasil há notícias da existência de maçons desde fins do século XVIII, com envolvimento na Inconfidência Mineira e depois na Conjuração Baiana de 1798. Mas o que se tem por certo é que a primeira loja brasileira, Reunião, foi criada em 1801 no Rio de Janeiro vinculada ao Oriente da Ilha de França. No ano seguinte fundou-se uma segunda loja na Bahia, Virtude e Razão. Em 1804 foi a vez do ingresso da maçonaria portuguesa no Rio

hoje. Mas o que exatamente guiaria esses

de Janeiro, constituindo-se duas lojas, Cons-

homens que tomaram tantas decisões, co-

tância e Filantropia, sob a égide do Grande

bertos de segredos?

Oriente da Lusitânia.

Pois posso afirmar que a filosofia da Ma-

Ainda segundo a professora, é difícil en-

çonaria está engajada na contemplação do

contrar em narrativas dos primeiros historia-

caráter divino e humano; de DEUS como um

dores do Brasil, a descrição de algum político

ser eterno, auto-suficiente, (...) do HOMEM

do primeiro e segundo Reinado e dos anos

como um ser imortal, preparando-se em

iniciais da República, que não tivesse asso-

vida para um futuro eterno, em contradição

ciação com a organização.

semelhante à filosofia antiga, que restringiu

Nesse contexto, podemos afirmar que a

a existência do homem à vida presente. Es-

maçonaria foi parte de muitos eventos histó-

sas duas doutrinas da unidade de Deus e da

ricos que moldaram a realidade que vivemos

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Lâmpada | ARREPENDIMENTO NACIONAL


çom de 32º grau, em seu livro Maçonaria – Do Outro Lado da Luz, eles se promovem “como uma organização religiosa, uma sociedade que ‘aprimora homens piedosos’. A maçonaria professa ser religiosa sem ser uma religião.” Ainda segundo ele: Os maçons estão numa busca por luz. Mas parece que fazem tudo quanto podem para desviar-se de Jesus, que disse: “Eu sou a Luz do mundo.” Essas citações podem pasmar a pessoa que pensa que os maçons são uma ordem simpática de homens que ajudam crianças inválidas. Foi amplamente demonstrado a partir de fontes com autoridade, os livros de ritual, que a franco-maçonaria não adora o Deus da Bíblia. Francamente, resta apenas um outro ser que podem adorar – quer eles o chamem de Grande Arquiteto ou Jabulon. Ainda é Satanás, residindo por trás das máscaras desses outros nomes.

O PAPEL DA IGREJA É CLAMAR PARA QUE, DE imortalidade da alma constituem a filosofia maçônica. Quando se deseja defini-la sucin-

FATO, A LUZ TRAGA A VERDADE. É INACEITÁVEL

tamente, dizemos que se trata de um antigo

QUE UMA ORGANIZAÇÃO

sistema filosófico que ensina esses dois dog-

OBSCURA CONTINUE

mas.

INFLUENCIANDO DECISÕES

Isso é o que afirma Albert G. Mackey em seu livro O simbolismo da Maçonaria. A afirmação de que a maçonaria não é uma religião é comum em nossos dias. Mas qual seria

EM NOSSA NAÇÃO. JESUS É A LUZ DO MUNDO E É ELE QUE DEVE GUIAR O BRAZIL.

o verdadeiro objetivo por trás de tantos ensinos filosóficos e dogmas? Segundo William Schnoebelen, ex-ma-

EQUIPE ARREPENDIMENTO NACIONAL

Em busca da Verda de

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HOMENS PÚBLICOS Êxodo 18:21

ESCOLA DE HOMENS PÚBLICOS

ESTAVAM DE UM LADO, EM UM OUTRO MOMENTO ESTAVAM DE OUTRO LADO.

Todos nós sabemos que a educação bra-

Se o cristão sentiu dificuldades de se po-

sileira passou por momentos difíceis nos úl-

sicionar como cidadão, como imaginar que

timos anos. E durante a corrida presidencial

ele pode ocupar um lugar de representação

de 2018, ainda mais. Professores desvaloriza-

de um povo? Mas, e se houvesse uma coluna

dos, alunos desinteressados, pais indiferen-

do meio? E se fosse possível juntar os princí-

tes, igreja distraída.

pios em um lado só?

A igreja, sem se preocupar com ensino

É neste contexto que surge a Escola de

difundido em nossas escolas, quer funda-

Homens Públicos. Não pretendemos a neu-

mentais quer superiores, viu as ideologias

tralidade ou mesmo a harmonia dos pontos

políticas invadirem as salas de aula e subs-

positivos.

tituírem o que de fato deveria ser ensinado. Nas universidades a separação entre exatas, humanas, línguas, não existiu mais e as discussões em sala tinham viés político, como a luta de classes, a ideologia de gênero,

PRETENDEMOS UM POSICIONAMENTO. UM POSICIONAMENTO CRISTÃO!

o Liberal e o Conservador, e principalmente, Esquerda e Direita.

Em tempos de urgência e clamor da

No meio disso tudo estava o aluno cris-

sociedade pela manifestação dos Filhos de

tão que, às vezes sem entender muito sobre

Deus, pretendemos ouvir o conselho de Je-

o assunto debatido e precisando escolher

tro e preparar

um lado, viveu um dilema. Tremores por fora, temores por dentro.

“HOMENS CAPAZES, TEMENTES A DEUS, HOMENS

POR FORA, DEBATES,

DE VERDADE, QUE

EMBATES, DISCUSSÕES,

ABORREÇAM A AVAREZA”

ESTUDOS E DEFESAS DE SEU

(ÊX. 18:21), PARA ABENÇOAR

PONTO DE VISTA. POR

NOSSA NAÇÃO!

DENTRO A INCERTEZA DE ESTAR DEFENDENDO O QUE

Venha fazer parte deste projeto!

É CERTO, PORQUE NUM MOMENTO SEUS PRINCÍPIOS

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Lâmpada | ARREPENDIMENTO NACIONAL

GUILHERME LITTER


Conecte-se

ao arrependimento arrependimentonacionaloficial (62) 99276-8474 | (62) 99819-1025 contato@arrependimentonacional.com.br w w w. a r re p e n d i m e nto n a c i o n a l. co m . b r Homens PĂşblicos

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RESENHA Que Falem os Primeiros Cristãos

QUE FALEM OS PRIMEIROS CRISTÃOS

profunda certeza de que o sistema teológico atual está contaminado por estas ideias, que antes eram rejeitadas. Bercort ainda conta sobre a resistência dos primeiros cristãos à dominação romana, mostrando o que pregavam a respeito de te-

“UMA ANÁLISE DA IGREJA

mas que ainda são relevantes na atualidade.

MODERNA SOB A LUZ DO

O autor concluí narrado a triste realidade:

CRISTIANISMO PRIMITIVO”. Que falem os primeiros cristãos: uma análise da Igreja moderna sob a luz do cristianismo primitivo é um livro de David W. Bercot, publicado em 2013, pela editora Literatura Monte Sião Brasil. A obra nos direciona a uma viajem histórica na qual as doutrinas e costumes atuais são confrontados com o modo de vida dos primeiros cristãos. No livro, Bercot nos conta a forma como os cristãos do primeiro século enfrentavam batalhas contra a avareza, imoralidade sexual, problemas relacionais e vícios. Muitos poderiam argumentar que esses são conflitos de nossos tempos, mas no contexto daquela época, no qual Roma dominava, a santificação já era um desafio. O livro também retrata a lenta transformação que os ensinos dos apóstolos sofreram pelos séculos. “Na verdade, quanto mais longe voltarmos na história do cristianismo, menos dogmas definidos iremos encontrar”, afirma o autor. Muitos dos costumes vistos hoje na igreja, segundo Bercot, eram vistos como heresias pelos cristãos que, muitas vezes, morreram para defender o verdadeiro evangelho. Após a leitura, permanece a

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Lâmpada | ARREPENDIMENTO NACIONAL

“Mas por fim, não conseguiram converter o mundo todo. O mundo é que converteu a igreja.” É importante buscarmos a verdadeira raiz do evangelho que é a Palavra. O livro é de extrema importância para entendermos mais sobre a história da Igreja e como ela se corrompeu ao se aliar com as práticas do mundo. Precisamos conhecer a Verdade para vivermos na luz.


Oração 24 horas

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Revista Lâmpada - 01  

Revista Lâmpada | Edição 01 | Ano 01 | Abril 2019

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