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A antologia poética ‘Nós que aqui estamos – Nordeste’, organizada pelo escritor e produtor cultural Thiago Medeiros, é uma antologia de literatura contemporâ nea brasileira, realizada por autoras e autores que residem no Nordeste. Este e-book é uma publicação da Editora Arrelique.


Copyright © 2021 by authors. Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográ fico da Língua Portuguesa de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 2009. ISBN 978-65-00-25890-5 Título Nó s que aqui estamos – Nordeste. Capa e projeto grá fico Silvano Barbosa. Ediçã o Thiago Medeiros. Revisã o Alyson Monteiro, Silvano Barbosa e Thiago Medeiros. Acompanhe as novidades da editora no Instagram @arreliqueeditora Fale conosco pelo e-mail arreliqueeditora@gmail.com [2021] Todos os direitos desta ediçã o reservados aos autores.


Sumário Pedaços de Brasil pesando sobre linhas e línguas..................................................................6 MARANHÃO Áurea Maria.......................................................................................................................................... 9 Franck Santos.................................................................................................................................... 11 Kátia Dias........................................................................................................................................... 12 Micaela Tavares................................................................................................................................ 13 PIAUÍ Frida Abraão Macyrajara............................................................................................................. 16 Ithalo Furtado................................................................................................................................... 21 Pohema Lima..................................................................................................................................... 23 Sabrinna Alento Mourão............................................................................................................... 26 CEARÁ Mailson Furtado............................................................................................................................... 30 Nina Rizzi............................................................................................................................................ 32 Talles Azigon...................................................................................................................................... 35 Yane Cordeiro.................................................................................................................................... 38 RIO GRANDE DO NORTE Adélia Danielli................................................................................................................................... 41 Iara Carvalho.................................................................................................................................... 44 Marina Rabelo................................................................................................................................... 46 Thiago Medeiros............................................................................................................................... 48 PARAÍBA Anna Apolinário............................................................................................................................... 50 Bruno Gaudêncio.............................................................................................................................. 51 Débora Gil Pantaleão...................................................................................................................... 55 Jairo Cézar.......................................................................................................................................... 56


PERNAMBUCO Bia Menezes....................................................................................................................................... 58 Fernanda Limão............................................................................................................................... 60 Luna Vitrolira.................................................................................................................................... 62 Mário Rodrigues............................................................................................................................... 64 ALAGOAS Ana Maria Vasconcelos.................................................................................................................. 69 Milton Rosendo................................................................................................................................. 70 Nilton Resende.................................................................................................................................. 71 Richard Plácido................................................................................................................................ 75 SERGIPE B Cajé.................................................................................................................................................... 77 Blenda Santos.................................................................................................................................... 78 Clara Dias........................................................................................................................................... 81 Thainá Carvalho............................................................................................................................... 82 BAHIA André Sacramento........................................................................................................................... 85 Clarissa Macedo................................................................................................................................ 86 Iolanda Costa..................................................................................................................................... 88 Lilian Almeida................................................................................................................................... 89 Lista de escritores e escritoras participantes........................................................................90


Pedaços de Brasil pesando sobre linhas e línguas Deve-se começar pelos começos, tradicionalmente. Comecemos por aquilo do que trata a literatura. Mais ainda, sobre o que ela é. E posso começar dizendo nã o saber. Tenho apenas a desconfiança de ser algo que trata sobre verdades incô modas. Trago uma, talvez incô moda para algumas pessoas. Esta nã o é uma antologia de literatura nordestina. Nã o é, nunca foi e jamais será . Esta é uma antologia de literatura brasileira contemporâ nea, realizada por autoras e autores que residem no Nordeste. O êxodo sempre pareceu ter uma narrativa mais forte. Está em livros tidos por sagrados, está em mú sicas, está na literatura. O partir, o adaptar-se a uma terra estranha, ser um estrangeiro carregando marcas da pró pria terra pesando sobre a língua, naquilo que convencionamos chamar por sotaque. Muitos sã o os motivos do partir, há sempre a idealizaçã o do arquétipo da Terra Prometida em algum lugar nã o alcançado por nossos olhos. Mas onde estã o as narrativas dos que ficaram? Nã o é fá cil sobreviver de arte no Brasil. Na realidade, em lugar nenhum, mas é do Brasil que falamos. Os motivos sã o bem conhecidos por quem escreve, por quem atua, por quem esculpe, por quem fotografa. Nã o nos cabe elencá -los aqui, você, que agora nos lê, também os conhece bem. Também sabemos que essas partidas da pró pria terra também se reproduzem dentro dos estados, nas idas à s capitais. Isso influenciou, também, a nossa seleçã o para este livro. Tentamos contemplar a produçã o literá ria nã o apenas das capitais, mas também de artistas dos interiores. Isso faz recordar meu mestre, Raimundo Carrero. Diz sempre, a matériaprima de toda obra de arte é a miséria da condiçã o humana. A certeza da finitude, os medos trazidos pelo tempo, o peso da histó ria, seus senhores e as influências sobre as individualidades. Isso também está em Varjota, em

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Garanhuns, em Currais Novos, em Sã o José do Egito e em tantos brasis espalhados neste mosaico cultural, ricamente disforme, chamado Brasil. Nó s Que Aqui Estamos é, sobretudo, sobre o Brasil. Vá rios deles. Cada linha aqui escrita é permeada por brasilidades e a universalidade da condiçã o humana. Você, que aqui nã o está , também se identificará . Uma ú ltima verdade incô moda, porque disso literatura é feita. E é momento de também me utilizar da minha pró pria pernambucanidade, em seus moldes linguísticos do agreste central. Afinal, há um termo que, hoje, na realidade é um grande estereó tipo sobre quem produz arte daqui do Nordeste. Por mais que alguém escreva, cante, sobre a pró pria terra, nã o sendo daqui, jamais receberá este ró tulo. Entã o, fique o recado: E quem falar regionalismo, é fí do cão... Thiago Medeiros Escritor e produtor cultural

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Áurea Maria Meta-Poética Sou uma poesia-errante partindo sem rumo como um bêbado trô pego buscando um leito. Sou dada aos olhos atentos à s letras meu sonho é ser uma poesia-poema escrita em versos decassílabos disposta em estrofes de rimas ricas uivada como um soneto perfeito na boca de um menestrel que em catarse delire em saraus. Sou uma poesia-valente apesar de nã o saber quase nada porque todo o meu conhecimento é só um pouco além do que eu experimentara. Broto das minhas loucas crenças me alimento das minhas taras bebo num cá lice reluzente o veneno de ser pá gina virada. Corto em picadinho papéis com vestígios de minha presença numa odisseia suicida em que o mal sempre me vença.

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Sou uma poesia-sinfô nica sem maestro nenhum a me guiar construindo obstá culos destruindo pontes julgando suspeito quem quer ser meu par. Desafinada em ritmo e tom tocando Vivaldi e dançando Cacuriá . Revirando em mã os que possam me escrever escorrendo em feridas que jamais irã o sarar deslizando em sarjetas para garantir que ali, o amor jamais vai me achar. Sou uma poesia-menina bebê que busca alento em teta quente com sonhos ora do tamanho de uma ervilha ora do tamanho de um ocidente com dú vidas que deixaram de ser perseguidas e agora me perseguem como um descrente. Adoeço nas minhas hipérboles afundo no poço dos meus pleonasmos arranco a minha pele para cobrir o poema-filhote que no meu ventre guardo. Quis e ainda quero vida mesmo sabendo de todo o estrago mesmo sabendo que para puta que pariu nã o há dia de resguardo.

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Franck Santos retrato em branco e preto: Há um ciborgue daltô nico chamado Neil Harbisson que vive em Barcelona Que cansado de ver tudo cinza Instalou uma antena na sua cabeça que funciona como um sensor de cores Um terceiro olho Para cada cor um som diferente. Fiquei pensando nele e em como ele veria as fotografias de Elliott Erwitt Quase todas em preto e branco cheias de ironia e situaçõ es bizarras do cotidiano como ele ouviria os sons que Elliott emite quando fotografa uivar igual a um cã o tocar uma buzina ou a cena de uma dança em Cuba quando ele fotografou Alicia Alonso mesmo cega e com mais de noventa anos coreografava e dirigia o balé nacional do país. Há um ciborgue daltô nico na Espanha Há um fotografo francês que mora em Nova York Havia uma bailarina cega que viveu e morreu em Cuba Há um pseudopoeta que se encontra num fim de tarde numa praia de uma cidade no nordeste brasileiro Qual o mais solitá rio dos quatro?

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Kátia Dias Lente do Desejo Vi o cemitério no olhar moribundo de soldados rasos, Na praça Filhos e Sujeitados de Zeros à Esquerda Segundo. Vi sem mistério, o chã o aterrar humanos-cintilantes No jogo sempre eterno, do significado com o significante. Vi noutros homens, chã o e Terra acidulantes, sem futuro e sem pretérito, Carbonizando a ressurreiçã o Germinando o verbo. Vi o presidente necró fago desabar o Brasil respirar, Abrir a janela por onde passará a consciência, a Justiça e a beleza do luar. Vi, com os olhos do povo que há de comer, o nativo fazer samba, ter saú de, ter prazer, sempre e logo, ao novo amanhecer.

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Micaela Tavares Flor de Asfalto eu nã o quero que eles parem de fortalecer o ego de quem diz ficar quero poder ouvir o rosnar de uma agulha no deserto conectar mantras descobrir o incerto navegar nas tuas marés ocidentais digo teu nome alto grito com fala mansa recupero fô lego & mergulho de novo na impiedosa chama silenciosa, caso contrá rio, morta sabendo o que sei nego sobre ti feito flor de asfalto me ergo e malho bruta a fauna esperta perante um muro de concreto sobrevivo e brilho 13


no teu desconhecimento de mim te faço tropeçar onde pisas me recupero transcendo o sol claro e crio semente na sola da tua bota coturno espalho milhõ es iguais a mim

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Frida Abraão Macyrajara Teresina faz frio Em Teresina hoje faz frio E o agasalho é uma caixa de Rivotril Engole o choro Quem acha que engana? Quando a crise te pega Mal dá pra sair da cama Tudo bem mesmo acabando o Rivotril Lá fora chove Tá bonito Tem um rio Em Teresina hoje faz frio Em Teresina hoje faz frio E quando a chuva chega alaga a Zona Leste Transborda o ó bito e se espalha que nem peste Acendo uma vеla Faço uma prece E se еu pular daqui… O que me acontece? 50 graus e ainda assim tá frio Eu tô queimando Eu tô pelando Eu tô com fogo no pavio 16


Em Teresina hoje faz frio Em Teresina hoje faz Frio

Merda! A temperatura aqui é diferente: entro, faz frio, saio e tá quente. O ambiente também tem essa coisa má gica de que, uma vez dentro, o tempo pirraça, horas se arrastam, segundos desperdiçados despercebidos. E vira mundo. E vira reino. E vira império. Corporaçã o, empresa grande, sonegaçã o. Sobre a fonte verifico meu reflexo, meu sexo. Nã o tã o longe o trono espera pra reinar absoluto sobre nada, sobre alguma merda despejada sem pensar. Nunca escurece, nunca anoitece. Aranhas tecem, rã s crescem como se soubessem que amanhã outro sol vai raiar e adentrar a janela, bater no espelho, refletir sobre a merda que nã o desceu, que entalou na garganta e agonia, agoniza e apodrece fresca. Ninguém fala sobre isso aqui. O que aqui se faz, aqui se paga.

Sem título e com pouca esperança Pá ssaros por sobre as á rvores passeiam quase como se nã o fossem como nó s Carros passam nas estradas calmos e apressados como se nã o fossem como nó s Gases causam efeito estufa aquecem icebergs como se nã o fossem como nó s Horas correm maratonas quando nã o se arrastam como se nã o fossem como nó s Á gua tartaruga plá stico oceano ó leo como se nã o fosse culpa nossa 17


Á gua sempre mais escassa nuvem de fumaça como se nã o fosse culpa nossa Carros nã o sã o como pá ssaros nã o voam matam como se nã o fosse culpa nossa Ah se a chuva á cida acidentalmente assumisse e corroesse todos nó s Fossem os sentenciados exilados lá pros lados dos que nã o foram por nó s Nas ruínas das escolas cofres com esmolas como se nã o fossem para nó s Cravo com ciú me mata a Rosa à bala quase como se nã o fosse como nó s Nã o somos iguais à s aves que de espaçonave passam pelos astros sobre nó s Já que estamos neste á tomo façamos algo começando quase que por nó s Num Se Pode outro É den sem pecado claro porque somos todos como nó s Guerra nã o nem bomba atô mica roubo de dados rios represados sobre nó s Ritmos batuques sérios mú sicas sinceras nã o esperam berram como nó s

Éden O verde da placa mã e Difere do verde das folhas Seus fios penetram o solo Silícios florescem em circuitos de cobre Montanhas de informaçõ es Circulam a plana face Da terra Ovelhas negras Sem sono Pulam a cerca E acertam pedras 18


Em pastores pú tridos Pastando grana Passando a perna Pensando que enganam H. sapiens obsoletus Vê tudo deitado Adormeceu Continua calado Parece até que foi envenenado O que aconteceu? Virou mais um dado

Até breve Queria meio que pedir perdã o Por esse tom que eu uso Meio desesperado Do sentido que nã o espera E que sente dilacerar as asas rasgando as costas Sugerindo um ritmo apocalíptico Onde os zumbis somos nó s mesmos É que sabe cê sabe bem As coisas nã o sã o bem como sã o Mas tã o um pouco piores 19


Mas passa É cíclico Ande de bicicleta Compre uma elétrica se for o caso Vá pela penumbra pra nã o se queimar Respira fundo e vai soltando devagar Eu realmente acho que vai passar entã o se aquieta um pouco Se cuida Daqui um tempo vai dar certo Enquanto isso fique bem

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Ithalo Furtado se o piauí sumisse, nada mudaria nos ventos do sul; a mesma cara inchada de paulista a mesma indiferença café no guaíba breja na lapa; talvez uma notícia de rodapé no jb nada que altere a rotina masp ibirapuera sã o salvador; se o piauí sumisse se por acaso explodisse seria devastado na frequência de um segredo íntimo molhando o ouvido indisposto dos sudestes destes pra ficar agora enfeitando -se de espanto enquanto atento como se danificado o mapa, mas confessa confessa se teus olhos nã o se contentaram com a largura da bahia ocupando algum sertã o confessa que por vezes se perguntou por que existe este sergipe? esganados os piauienses no metrô entre as ferragens seguiriam em lutos invisíveis mas nada que altere a rotina dos cartó rios dos bares e agora há tanta busca presa tantos soluços abafados pela liturgia dos calmantes sã o tantos pró digos fugidos que sã o paulo acordou mais cedo pra esconder os explosivos me beija, entã o, a boca gasta pela culpa eu também fui embora como todos vã o embora como tudo salta à pena da boca paulista

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eu também fui embora ter a boca paulista o café no guaíba a breja na lapa e viver com uma scherer rech num terraço holandês e só lembrar de vocês quando algum santo chorar

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Pohema Lima O que me disseram amor Me disseram que a vida só valia se tinha amor, e me ensinaram a amar com o mesmo vigor com qual me ensinaram da realidade em que este jamais me seria recíproco; Que mesmo sabendo do puro desagrado que seria; eu tentaria, e choraria por. Me disseram que a insistência valeria a pena se no espaço entre uma cena e outra do drama solitá rio que eu viveria estivesse o outro a completar qualquer vã o vazio. Disseram que eu entenderia as manias Participaria das alegrias Que eu na minha capacidade ú nica de do outro ser o amor o salvaria de suas agonias... Disseram que eu me serviria de afeto E me lambuzaria de toda impressã o manchada em mim; que depois me limpariam, como quem quer se livrar de louça suja depois da festa... E assim grosseiramente Eu seria usada e posta na dispensa novamente. Eu nã o sei ser amor pensei, E pensei estar bem Desde que tudo se mostrou tã o dolorosamente inalcançável 23


Pensei nã o necessitar ser amável. Pois eu jamais seria a primeira nos pensamentos de alguém, Eu atrapalharia a vida trans(eun)te de outrem Que me doeria cada beijo dado, nã o importava se apaixonado ou nã o; porque tudo viraria mera lembrança Na qual em desesperança eu praguejaria cedo ou tarde. E repetiram... Que eu ao contrá rio do eu que queria, e apesar de tudo, Esta que vos fala ainda seria a devota do amor o procurando nas esquinas e em qualquer um. Que marcaria na minha pele escura o desejo de ser bela como outra moça perfeita Que mudaria minha fala O cabelo A postura Que eu procuraria de mim mesma a cura... Pra que pudesse ser “bela” Porque de todo amor que me diziam que deveria ter Me apontavam como vilã o o ú nico que tive vontade de desenvolver, de todos os amores proibidos... de todos os versos reprimidos e gritos contidos... o pró prio. Porque me amando eu nã o me deitaria com quem nã o me amasse igual Me amando eu nã o me mataria pra salvar a mente afogada de amor nenhum 24


Nã o lutaria batalhas perdidas e jamais faria apostas falidas num futuro alienado Nã o aceitaria mentiras, ofensa ou a traiçã o Nã o me entregaria a qualquer amor marginal Eu seria “Eu inteira” Sem sonhar ser de outro serviçal. E caindo na piada clichê, o proibido é mais gostoso Repito a quem aprende sobre amar Que nã o existe amor glorioso que nã o tivesse primeiro parado pra se observar Para que um dia no amor de quem ama Nã o se encontre ou realize Mas que possa transbordar.

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Sabrinna Alento Mourão todo mundo gosta de uma escritora morta todos os dias, antes de dormir, levo a mã o para o lado esquerdo do peito: pressiono, massageio. sempre sinto dores leves e penso que devo mudar minha alimentaçã o que devo parar de deitar de bruços pra ler na cama que devo parar de abusar do á lcool que devo usar palmilha porque tenho uma perna dois milímetros maior que a outra e que devo muito dinheiro. todos os dias, antes de dormir, penso que se eu morresse, dormindo ou acordada, gostaria de poder me arrepender: nã o antes de morrer, nã o para entrar no reino dos céus, mas depois: enterrar o arrependimento da palavra nã o dita para decompor com minha carne.

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todos os dias, antes de dormir, quando penso na morte, me alegro: afinal, todo mundo gosta de uma escritora morta: nã o pela obra, isso é o de menos, mas pela satisfaçã o de abrir a boca e dizer: - eu li antes de morrer - eu conhecia antes de ganhar esse prêmio pó stumo - uma pena que só é reconhecida agora ou ainda - nunca saberemos o que ela quis dizer. todo mundo gosta de uma escritora morta para ter o benefício da dú vida para ter assunto nos bares nas livrarias nos cafés nos lugares aonde vã o as pessoas que gostam de escritoras mortas para falarem ú nica e exclusivamente dessas escritoras mortas - que pena - tã o jovem - tã o pouco reconhecida - nunca saberemos o que ela quis dizer. todos os dias, antes de dormir, lembro que um dia serei uma escritora morta e que todo mundo gosta de uma escritora morta, nã o pela obra, isso é o de menos, mas porque ela era reclusa, ou fumante, ou falava com espíritos através de rádios, 27


porque doou todos os livros da estante e colocou vasos de plantas, ou catava papéis, ou porque se jogou pela janela do sétimo andar. todos os dias, antes de dormir, lembro que um dia serei uma escritora morta, e que alguém que nunca tentou entender o que escrevo vai dizer nunca saberemos o que ela quis dizer.

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Mailson Furtado naquele tempo a tia me disse que na enciclopédia de tudo havia - o mundo todo lá está . e eu me acabando de véspera o veria de perto de cabo a rabo varjota lá nã o 'tava nem o açude nem o gol que fiz na rua muito menos o pé-de-seriguela no quintal ou seu antô nio no balanço à calçada do mundo já nã o sabia bem nem a tal enciclopédia teimamos. por birra a trouxe pra casa e na poeira da estante a engavetei por cinco dias

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sobre outros dias pai carregava o sol toda manhã de tanto e tanto frestas rasgavam o trançado do chapéu e tudo já era dormente e tudo era ir e ir e ir com a promessa do dia seguinte pagar a vida inteira

das aulas sobre diagramação no roçado meu pai fazia aceiros ao pé do terreno com margens sempre deslocadas à esquerda do nascente –o vento ali estanca – dizia com espaçamentos maiores que 2.0 pt achava retas para enfileirar pés-de-milho e brechas pra inventar pés-de-feijã o entre outros silêncios em cento e tantas fileiras sabia se longe ou perto da porteira e quantos versos faltariam para fechar o livro

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Nina Rizzi na minha quebrada ninguém leu a ú ltima lista de poetas que marcaram época sinto diante de tudo que: minha histó ria individual nã o importa a histó ria coletiva é a histó ria do menino de catorze anos um corpo negro um corpo à margem baleado pelas costas tiros certeiros na cabeça dados pela polícia e seu estado sã o todos assassinos eu olho para a minha histó ria plantaçõ es de café que plantei museu do café onde trabalhei terras improdutivas pelas quais lutei eu olho para a histó ria que estudei para o curso de histó ria onde nã o tinham as disciplinas histó ria da á sia histó ria da á frica histó ria indígena histó ria do povo

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eu olho pra estes prédios padres, faraó , sapa inca, cortéz, jfk, fhc, nguema eu olho os quatro cantos de um planeta redondo tiros tirania barbá rie tiros eu queria ser uma poema-bomba e incendiar este auditó rio nesta noite com cada um de vocês que gritam lula-livre e cruzam a calçada omissos demais cú mplices demais na minha quebrada ninguém leu a ú ltima lista de poetas que marcaram época estavam ocupados coitados sendo mais pobres que eu mais pobres que continuam sendo meus irmã os - preso por trá fico - foragido por receptaçã o estavam ocupadas as mã es lendo no obituá rio que hoje nã o hoje nã o foi mais um filho meu 33


tentando nã o ser bicho tentando conseguir algum pra comer fomos obrigadues a descer no seco goela abaixo escritores brancos proprietá rios héteros da parte baixa do país nã o lembramos de nenhum estamos fazendo nossa pró pria época escrita a bila escrita a sangue ‘querendo vocês ou nã o isto é literatura’ voando livre como um curió um carcará incendiando tudo cuspindo fogo no tú mulo de vocês

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Talles Azigon Sol ganhar do sol toda luz e calor que derretem o tédio do dias a tristeza aguda ganhar do sol o banho despreocupado de gatos e cachorros esparramados na calçada ganhar do sol o intervalo do caos em praias nortistas em praias doiradas de meninos quase nus que desenfadam a vida ganhar do sol a revelaçã o arquitetô nica da feiú ra de prédios em fotográ ficas inó spitas nas redes sociais ganhar do sol 35


a brancura da roupa a supressã o do fedor a secagem do cimento a extinçã o das espécimes ganhar do sol a astrologia antiga a navegaçã o explorató ria o cozimento da comida do sol ganhar a vida a morte e o intervalo

bairro antes das seis quando o sol indeciso nã o mostra luz nem trevas paradas de ô nibus enchem-se de pessoas sonolentas bocejos e bons dias tímidos dinheiro trocado para nã o atrapalhar o trá fego de pessoas nas catracas portõ es de enrolar, janelas, grades de ferro 36


deslizam para abrir cheiro de café, cheiro de pã o a vida está assando no forno industriais das padarias a rua nã o fica limpa num passe de má gica sã o senhoras gordas, pretas, magras, brancas que sacam piaçabas, varrem calçadas enquanto os homens do caminhã o do lixo rebolam no mei da rua os tambores para raivas e resmungo das senhoras logo tudo parado se move carros, bicicletas, adolescentes raivosos indo para escola as principais notícias vencidas de ontem cruzam à s esquinas de sacolas nas mã os todo dia é ú nico

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Yane Cordeiro É tarde! Tudo o que sei é isso E que nã o durmo Vago pela casa como que vestida para uma festa que nã o fui convidada. Confiro a porta já fechada como quem tem toc como nã o o tenho, desconheço a razã o Nã o sinto nada! Nem fome, nem sede, nem sono apesar da boca seca, do estô mago a roncar e dos olhos como que cheio de areia. Na verdade, tenho fome sim, uma fome estranha de cuspir palavras que me sacode da cama me arrasta na escuridã o e me obriga a riscar de forma feia e desigual o papel com uma boa caneta. Além de fome tenho medo e nã o gosto de pensar nele, choro de graça e estou exausta de chorar. Quero nã o sentir o que sinto mas esqueci como e onde guardar. A folha termina, as palavras nã o. Ainda sinto fome de cuspir palavras para depois quem sabe engoli-las.

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Há tantas coisas por serem ditas. Subia rumo à boca uma palavra mas sem motivo qualquer embargou na garganta selou as cordas vocais entulhou todo o caminho de outras palavras paradas sem mais razã o pra sair. O silêncio encharcou o chã o e nada disse. Algumas palavras mais impetuosas arriscaram-se a buscar outros caminhos umas chegaram ao pensamento e lá disseram-se em altos brados num ensaio de discussã o mas que ninguém ouviu ou notou outras encerraram pelos olhos e escaparam como lá grimas que silenciosas foram também ignoradas. Há aqui dentro muito por se dizer mas nem no pensa coube. Quem sabe eu preciso escrever um livro? * Desejo Tenho fome Mas o amanhecer lotado de vazios e distâ ncias me enfastia

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Adélia Danielli quando desejava casulo /palco quando desejava flutuar /chã o quando desejava samba /está tico quando desejava respirar /af o gav a.

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das nuvens à queda destino de chã o esse meu sou terra que só sonha enquanto flutua. * falta um pô r do sol silencioso um prenú ncio para as palavras que aguardam lhe serem ditas falta ouvir tuas respostas em voz mansa desse jeito que você fala esse jeito melodia falta encontrar coragem para fixar olhar sem medo de amedrontá -lo com a força da minha correnteza quebra represas falta uma noite 42


uma manhã com Caetano uns filmes compartilhados comida boa no prato e fazer parte de algum de seus planos.

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Iara Carvalho Bachianas O meu vizinho tinha discos lindos, eram de vinil, e nos anos 90 isso era normal, depois sumiram e agora voltaram, mas sem um arranhã o. Nos anos 90, toquei o vinil de Villa Lobos, ouvi Bachianas (a nú mero cinco). Eu quis morrer: foi a primeira vez que eu quis morrer. Depois disso, já teve vá rias outras, mas sem trilha sonora. Eu queria morrer aos 15 anos só pra que tocassem Bachianas no meu enterro. Eu achava que era um bom motivo (era a nú mero cinco!) e eu já tinha o há bito de chorar com cançõ es: chorei sobre a cisterna, na cama, ao vento, chorei em silêncio, até quando gozei pela primeira vez! – chorei chovendo uma chuva de girassó is. Eu aprendi foi com minha mã e 44


a me emocionar, mesmo ela daquele jeito: tã o silenciosa e elegante, sentada no sofá , fumando e vendo um dramalhã o. Ela me deu esse vizinho, que me deu o disco, que me deu Villa Lobos, que me deu Bachianas, que me deu a morte, e as lá grimas quem me deu foi minha mã e, e que estranho é isso, mamã e que me fez viva! Que estranho viver as cançõ es mortas. Que estranho enterrar alguém em silêncio.

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Marina Rabelo pensar em alguém que nã o te conhece que te viu em uma festa meio bêbada talvez risonha demais ou muito séria pensar no que seria se de outro jeito fosse um cigarro compartilhado mais uma cerveja e um segundo a mais de troca de olhar pensar no abismo desconhecido do teu sorriso visto de longe intenso & fugaz & desejá -lo com todas as forças

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eu quero fazer amor com você nã o quero transar com você nem trepar nem foder com você eu quero fazer amor nã o entendo porque nã o usamos mais o amor como nosso sentimento primordial intenso e quente nã o importa se uma noite ou mil se depois nem ligo ou você nã o atende agora neste momento eu quero ser etérea fêmea louca no cio o que eu quiser com você amor amor palavra derruída pulsa ainda forte dentro: eu quero fazer amor com você

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Thiago Medeiros Quantas vidas guarda uma ponte? na bravura do encontro a dor é estuá rio salgado para quem sentiu espatifar a dor na queda nomes encantados como quem parte ossos se entregando a correnteza quantos nomes unem ponte e queda? olhos marejados para a cidade suicida coragem para mudar o prumo ser ná ufrago pá ssaro sem asas ensaiando voos sem medo da queda.

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Anna Apolinário Centelha Sou a mulher que veio do sonho Nascida de incêndios Iniciados por outras mulheres Eu venho do cerne das vertigens Trago o verbete má gico E meu rastro selvagem se espalha Por livros sem fim.

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Bruno Gaudêncio Tatuagens Entre a â ncora e o pá ssaro entre a cruz e o barco escrevo na pele a rosa indecifrável ou a maldita serpente vejo uma borboleta que flutua entre as coxas tendo um arpã o nas suas asas floridas e ró seas coraçõ es e peixes ocupam a chave entre meias-luas e arabescos

Redescoberto Para Fernanda Arêas Peixoto

O passado se reflete no instante

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no ruído das colheres no gosto da madeleine no contato com a gema dos guardanapos um real captado em estado puro de abalo efetivo a dimensã o interna na travessia da tran-si-to-ri-e-da-de tempo perdido tempo redescoberto

Uma noite de guerra Para Walter Benjamin

Viver significa deixar ruínas cacos guardados na memó ria um projeto de luz nos escombros de uma noite de guerra

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o futuro é o recomeço que os olhos enceram um mapa na altura da terra um corpo que encara uma guerra guerra de sonhos guerra de dores guerra de guerras o passado escondido na tela o cérebro a pisar na esfera o libido a lutar contra a fera a foice no instante na sela

Terra quente, olhos cegos Nã o sinta pena do galo cego que canta à s manhã s pois seu canto encanta em cada canto por sua sina 53


de ser cego repassa o canto triste para outros galos vistos suas esporas imploram ao destino que é preciso rasgar poeiras nas manhã s ensolaradas como sina de ser cego como gló ria de ser galo a penar nas manhã s das manhã s nas manhã s das manhã s irmã s

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Débora Gil Pantaleão Vida de Puta minha vida está uma bagunça há três pedaços de sabonete na saboneteira me pergunto como isso é possível na pia tem uma gó rda preta bem no ralo há pó de incenso caído no chã o perto da lixeira é uma vida merda há uma calcinha suja em cima da descarga meus livros e apostilas estã o empilhados como se esperassem caixa há dias nã o lavo os ó culos como ensinou minha falecida avó alguns seres humanos querem trepar comigo mas estou cansada sou péssima em fazer sala se paro de trabalhar quero a morte a solidã o dos motores que passam na pista ao lado do meu prédio é insuportável me pergunto como isso é possível desejo morte para todos por pena desejo vida para todos por pena uma amiga me fala sobre compaixã o digo que sentimentos assim destroem um eu lírico na frente do palco todos me aplaudem de pé uso salto 11,5 ninguém conhece meus segredos 55


Jairo Cézar Poema para Pedro Muda, a pedra mergulha na voz do indizível. No silêncio incerto dos descaminhos, a pedra reparte-se em labirintos. E nas paredes vagas da solidã o, se refaz, avulsa, como um sol que sangra sozinho. A poesia, pequeno Pedro, é antes e depois, é o tecer e a teia, é nunca ter certeza. A poesia, Pedro, é o vã o entre a pedra e a queda, é o olho que se veda, é a chama que te vela, é o tudo e o nada, é o traje e a nudez, a poesia é, sem mais, nem menos, a infâ ncia que embranquece teus cabelos. 56


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Bia Menezes noite escrita em palavra. e palavra de noite é manto cintilante de lua. palavra de lua é brilho de cheia. palavra de cheia é maré de ondas fortes. ondas sã o oscilaçõ es de sentidos. sentidos se traduzem em alma. alma é extensã o de ser. ser é chama em essência. essência é luz pura e translú cida. luz é guia de caminho. ...trilha de terra, pra mim, é preferível. ir descalça, sentir meu pé no chã o, sentir espinho, pedra, folha, graveto, raiz... será que já sonho? ...pauso. respiro. palavra de sonho é nuvem. palavra de nuvem é leveza. leveza é embalo de sono. sono em dias cheios traz insô nia. palavra de insô nia é carretilha. ...rodilha de pensamentos, que correm em linhas retas e cortantes. à s vezes se cruzam. à s vezes nã o. mas sempre rasgam a mente. ou aceleram o coraçã o.

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coraçã o. chegar ao coraçã o talvez seja um chamado, pra te fazer sentir alma aberta. sentir é expandir. expandir te fará ser universo. .alma una ao verso. universo é fluxo, movimento constante... como veia, pulso, vida, conexã o, vibraçã o, todo.

Aqui agora.

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Fernanda Limão Prece nã o decore minhas liturgias nem se ajoelhe em meu chã o sagrado nã o me venha com ladainhas nem promessas de redençã o ou pecado nã o ache que conhece meus mistérios dores, gozos, gló rias, luminosidades nã o me faça oferendas nem me oferte um décimo do seu nada nã o sou corpo e sangue nã o estou ao seu alcance ou cuidados lave as mã os e nã o me toque nã o me imponha seus flagelos e açoites nã o me ponha em via Crucis 60


nã o carregarei tuas cruzes eu me livro

ausências Há quem nã o suporte silêncios Talvez por medo dos seus ecos Ou pavor de tantas ausências Quiçá nã o possam ouvir As pró prias vozes Por temer seu interior Há um vazio de escuta E o que a boca expulsa É tudo o que lhes falta Há quem nã o mergulhe Em suas íntimas presenças E ignore ressonâ ncias Sã o traumatismos Na existência Comas irreversíveis Esse barulho forjado Nã o passa do cansaço De si 61


Luna Vitrolira águas espessas as mã os calejadas dizem do corte da cana carregam entulhos e cinco litros d’á gua pra sustentar a fome nas depressõ es inundadas os passos afundam como se afundasse um navio negreiro com ele muitas vidas viraram obras de museu: um homem sem rosto um rosto sem nome um nome sem gente e sua terra incinerada minha família veio num desses que nã o afundou com a tempestade dispersa 62


nossa histó ria enterrou-se difícil encontrar os ossos e as pedras que dirã o de nó s memó ria tem á guas espessas

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Mário Rodrigues Dois ensaios sobre o desdém

1. FÁBIO (E SUA FAMÍLIA)

A família de Fá bio era muito rica. Era a família mais rica da cidade. Na sua casa, havia uma grande cristaleira cheia de pratos pintados, taças e chávenas com bordas douradas – a gente dizia que era ouro 18 quilates.

Vi essa cristaleira porque Fá bio me convidou – afinal a gente batia bola juntos – para sua casa. Seu pai havia trazido do estrangeiro um videogame. Nele, rodava o Street Fighter II. Fá bio queria se exibir ao amigo pobre, já que no futebol de salã o o exibicionista era eu.

Trazer coisas do estrangeiro nã o era novidade para a família de Fá bio. No final do século XIX, um de seus ancestrais fez vir um piano desde a França. Saiu da rue du Faubourg Saint-Honoré, no 8º arrondissement, desceu até Marselha, fez escala em Gibraltar. Atravessou o Atlâ ntico, chegou à Bacia Portuá ria, no Recife Antigo. A partir da Estaçã o das Cinco Pontas, seguiu de trem para Garanhuns – ponta da linha férrea que vinha da Capital. O piano era um Pleyel.

Sei disso porque quando me sentei no tapete felpudo e peguei o joystick e, ao meu lado, Fá bio pegou o dele, minha vista ficou no mesmo nível da lateral do piano. Antes de olhar para a tela colorida da tv, olhei para o piano em uma das

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quinas daquela sala gigantesca: dava para ler em letras arabescas a marca Pleyel, Paris. Eu sempre gostei muito de ler.

O Street Fighter II era uma novidade tanto para mim como para Fá bio. Por isso, mesmo ele sendo mais versado em tecnologia do que eu (lá em casa, o auge era o aparelho 3-em-1, velho), fomos pá reos um para o outro. Eu, nacionalista, escolhi a besta-fera, o Blanka. Ele escolheu o major da força aérea estadunidense, o Guile.

A família de Fá bio era tã o rica que na nossa cidade nã o havia colégio à altura de sua plutocracia. Logo cedo, todos os dias, o motorista o levava à cidade vizinha, maior. Fá bio estudava no colégio dos protestantes, presbiterianos. Salas e professores com nomes esquisitos Thompson, Russell, Taylor. O meu colégio, nas fímbrias da cidadezinha, se chamava (apelido) “A Lasqueira”.

Naquele cená rio de miseráveis palafitas sobre o Amazonas, quando a barrinha de vida do Guile tinha um ú ltimo restinho de amarelo, um “Blanka Ball” acabaria a brincadeira. Fá bio, entã o, se levantou e tirou o videogame da tomada. Fim da partida antes de sua derrota.

A família de Fá bio criava gado desde o tempo em que esses bichos foram necessá rios para encher de charque os engenhos de cana-de-açú car na Mata Sul. Quando o pequeno criador rivalizava, a família de Fá bio o matava (século XIX) ou o expulsava (século XX).

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Em 1998, apenas 25 alunos, de cada 100, nas universidades brasileiras eram pobres como eu. Os outros 75 eram ricos como Fá bio. Por isso, sua família ficou surpresa quando eu passei em 9º lugar e Fá bio ficou no remanejamento. O curso era concorrido. Ninguém desistiu. Fá bio nã o entrou na universidade. A família de Fá bio ficou decepcionada.

Em 2016, a equaçã o havia mudado. De cada 100 alunos na universidade, 60 eram pobres como eu e, “apenas”, 40 eram ricos como Fá bio. Entã o, a família de Fá bio, decepcionada, resolveu tirar o País da tomada.

Famílias como as de Fá bio, decepcionadas, resolveram acabar com país.

2. HARPIAS

A mais pesada ave de rapina do mundo habita a regiã o amazô nica. É a á guia brasileira. Cientificamente, recebe a nomenclatura de Harpia harpyja. Um dos bichos mais impressionantes do planeta, é chamada pelos povos originá rios de “uiraçu” e “canoho”: a senhora dos ares.

O índio Kwaxipuru Kaapor, de 32 anos, é encontrado cravejado de balas à margem de uma estrada pró xima à terra indígena Alto Turiaçu. Alto Turiaçu abriga as tribos Ka’apor e Awá -guajá . Há vá rios casos anteriores de invasõ es por traficantes, madeireiros e caçadores. No Maranhã o.

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A harpia é de uma imponência ú nica. Possui um disco facial de penas e um cocar – que lhe confere majestade. A envergadura de suas asas pode atingir mais de dois metros. Sua altura, um metro e cinco centímetros. Sobretudo, suas garras espantam: podem fazer sobre a caça uma pressã o de até 50 quilos – o que esmaga seus ossos.

Galdino, um pataxó , tem 44 anos. Está na Capital Federal para a festa do “Dia do Índio”. Ele se perde na noite de Brasília e, ao chegar tarde à pensã o onde está hospedado, é impedido de entrar. Dorme num ponto de ô nibus. (Os rapazes brancos de classe média disseram “achar que se tratava de um mendigo” e alegaram que fizeram “apenas uma brincadeira”). Galdino é queimado vivo. No Distrito Federal.

Por suas dimensõ es, a harpia se alimenta de macacos, porcos-espinhos, bichospreguiças, quatis, cobras, lagartos. Há relatos de que harpias atacaram crianças indígenas – mas isso nunca foi comprovado. Os especialistas consultados garantem que é apenas folclore.

Um canto a Nhanderú , a deidade solar, foi entoado pelos Guarani em honra à alma do curumim. Na sua prédica, o pá roco pediu aos fiéis que superassem as diferenças, disse: “Basta de perseguiçã o!” Nesse momento, alguém grafitou no chã o: “Vitor Kaingang vive em nó s”. Vitor, menino indígena de dois anos de idade, diante de sua mã e, foi degolado por um rapaz branco. Em Santa Catarina.

Sim – de norte a sul, o Brasil entende muito de aves de rapina.

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Ana Maria Vasconcelos

do lago do tempo, nas impressõ es, ao meio-dia, quando a vida é impossível, espraia a fonte o ofício num livro recolhido já velho, com manchas irrastreáveis cifrando a dedicató ria num vivo estudo para o amarelo. lendo mais as bordas que o texto: nas nó doas, formas com histó rias como nas nuvens. (como nas horas)

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Milton Rosendo Sísifo De novo e de novo, jamais se estanca da rosa a rosa. Assim como a rocha desliza aonde nã o sou. Os olhos o sabem: a palavra – feito roda – é sobre si mesma que rola; como rotaçã o de horas, como onda a pensar outra onda. Ausência assim como estrela, a brilhar depois de morta. Acha a comunicar seu cautério: esta palavra que me falta. A palavra sempre nos salta. Como um tapete de gramíneas, como um corte de faca: o que, por delicadeza, destruo; o que, por perfeiçã o, me mata.

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Nilton Resende Resumo Mas antes do dourado da abó bada há a escuridã o. E ainda, antes desta, a abó bada.

Elogio do Belo Monte Vaca palustre. Agrada-me isso de vaca palustre... Ventruda, os olhos fitos na cria lassa: Eurico, Estela, Jacinto, Amá lia... Põ e-se a gritar, cravando as patas no charco. Andam trô pegos, sonambú licos, os corpos imersos no lodaçal. Onde está nossa mã e? Cá estou. Onde está nosso leite? Cá está . 71


E tornam-se fortes, trincando os dentes; baba viscosa a lhes escorrer. Tomam os seios da mã e, generosa; puxam-lhe as carnes, sugando-lhe a seiva. Ressequida paira a mã e, fincada quadrú pede; os filhos correndo em derredor: Onde está nosso leite? Cá está . Cá está vossa mã e. Ressequida, angulosa. Os flancos inertes. Tú rgidos os seios. Os cornos antenas ao alto. Cá está vossa mã e. Onde está s? Cá está vosso leite. Vinde tomar. E vêm prestos, ricos, ferindo-lhe nas mordeduras. Com o leite que bebeis, que pensais vó s? Nã o somos de pensares. Somos de beberes. Mas... com o que recebeis, que pensais vó s? Somos de receberes. Nã o vai algo de mim aí junto de vó s? Nã o lembrais de mim ao vos saciardes? Ah fortuna atroz. 72


Cercam a mã e seca de seios inchados. Cospem-lhe a face. Desferem-lhe escarros. Pulam ao alto e caem em seu dorso. Patadas febris afundam-na ao fosso. Enterra-te. Vai, presença penosa. Por que nã o o leite sem tuas lembranças? Por que tu te grudas em nossa memó ria? Vai tu e teu leite. Vai embora, nefanda. Soltam risos argênteos; mutantes saltando em cirandas. Cá está vosso leite... vinde tomar... Minha cria amada, onde está s? Cá está vossa mã e. Vetusta, perene. Vaca palustre.

Nem Repouso e Nem Consolo Nem repouso, nem consolo, nem nuvens e nem dosséis. Só o grito entumulado,

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e tumores, e ilhados pensamentos de azinhavre e feno e fel. E suspiros de enxofre exalados — eis meu céu: ferro, chumbo, cinza, osso, tíbias diagonais. Extremado, ruidoso, um cair d’anjos e tais. E o grito entremeado. O meu outro é o Nunca Mais.

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Richard Plácido Galo do meio-dia acordei triste feito um camaleã o cinza a poeira da calçada rosa esburacada pelo tempo dos carros a louça trincada a beira o nada fingir o bocejo cair na armadilha fracassar e implorar a todos que se façam de surdos para ouvir o galo do meio-dia

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B Cajé Todas as cicatrizes do mundo Existir tem tanto sentido quando masturbar um pá ssaro morto sinto que nossa idade pode ser medida em sofrimento em quantas pessoas vemos morrer em quantos anos demoramos para ouvir uma borboleta falando as batidas dos cílios durante um desabamento o percurso de um pá ssaro antes de ser esmagado ou em quantas lá grimas um corpo pode derramar durante um naufrá gio nã o há nada que me faça chorar lá grimas sã o como areia fina custam a sair do corpo nã o sei quantos anos cabem nos meus mas tenho este tremor nas mã os verifico o gosto de amytril no céu da boca encontro uma rachadura um feixe de luz entre o mar de areia e o abismo enterro os meus pés.

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Blenda Santos Quando procuro e não encontro, eu escrevo uma poesia onde nã o se escreva palavras como celas e pessoas é o mesmo que coragem e talvez alguém já tenha sido mais esperto que nó s diante disso estou à beira do meu maior medo e te espero como quem se espera á gua as baratas para pessoas como nó s significam outras coisas mas eles nã o entenderiam, nã o é à toa que já se passaram tantos anos e continuamos aqui roubando as mesmas palavras, insistindo em organizaçõ es de versos eu te falei, amor nã o espere de mim o silêncio porque isso me lembra o passado e eu já nã o sei contar o tempo quando se aproxima a data do aluguel você disse todas as coisas que me faz querer lançar livros de capas amarelas você disse todas as coisas que me faz renunciar papéis pó len bold e eu permaneço na mesma porta, com um braço entre o outro, aguardando à s 19 quando procuro e nã o encontro, eu escrevo meu coraçã o, coloco na mesa porque lugar de cabeça é na cabeça mas ainda assim eu nã o entendo, a jogo nos pés

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feito bolas de copa américa num país onde se reside um vírus que já matou mais de 500 mil pessoas você parece imune e ainda nã o há vacinas para toda a populaçã o

Crio tecnologias com a boca uma mulher carregando no ventre um caixã o de 1 tonelada levantou voo nesta madrugada um menino correndo na rua, atrá s de uma bola também desafiou as leis da física ela, que nã o aprendeu a ler, me ensinou a escrever poesia e se eu esquecer, eu nem sei mais o que fazer eles nã o queriam que eu viesse, mã e eu sou poeta crio tecnologias com a boca pois preciso lembrar de cada animal em extinçã o nesse pais em que todo mundo sonha em ter um pai nó s nã o somos iguais e graças a deus um movimento contínuo para queimada de sutiã s nunca me disse tantas coisas assim desde entã o, eu era amordaça com folhas de flandres de onde eu vim, á guas passadas movem moinhos nã o esqueço das que vieram e abriram caminhos ketu, nagô , gege, banto nã o quero sua cor, sua cultura, sua lida nã o quero seu espaço, sua crença, sua língua nó s nã o somos iguais e graças a deus os reconheço pelo cheiro de quem desde o primeiro banho nunca mais parou de feder 79


quem tem cerrado o punho que erga eu escrevo para todas aquelas que virã o depois de mim

Descarte de escravos no mar mudou o hábito dos tubarões escrevo para criar outras imagens de você deitado para fazer com as pró prias mã os justiça e lembrar que aqui nã o se pode temer, nem se pode esquecer descarte de escravos no mar mudou o há bito dos tubarõ es meu amor, nã o esqueça de nã o acordar com uma bala perdida nas costas eu tenho pressa de voltar, de percorrer na cabeça o caminho de casa se a periferia é extensã o de quilombo, o futuro só pode ser ancestral estamos à beira do precipício que é sonhar mas ter medo de acordar, nunca foi uma opçã o para olhos como os nossos minha boca aberta é arma é reparaçã o histó rica é contar a verdadeira histó ria por eles mal contada como o amor para quem teve seus filhos arrancados dos braços para quem presenciou seus companheiros apanhando sem razã o branco até aguenta preto resistindo mas nunca revidando é inadmissível que todas as dores do mundo seja a ú nica coisa que eu possa falar

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Clara Dias Pele Pele elá stica aguenta pancada forte sem ser ferida, supõ em E cada golpe de teste é uma hemorragia tecida por dentro Espaços feitos para passagem se estreitam Até se tornarem rolos compressores Enquanto os passantes pisoteiam Pensando em amaciar Passo de sola grossa é rasgo irreparável Pele elá stica cambaleia até com vento, supõ em E nã o veem que o nó dos cantos é mais seguro Ali nã o há soltura, mas também nã o há saída Paredes se formam ao redor Mais altas a cada sol Enquanto desconstruçã o acumula escombros E desconstrutor nã o vê na sombra Elá stico esticado é invisível Pele elá stica comprimida é mais bonita, supõ em E nã o percebem que o molde esculpido nã o é humano Quando lugar feito pra gente nã o cabe gente A crença instalada é a do nã o ser Certezas desafiam ordens Enquanto escolhas pontiagudas atingem expectativas E suas testas desprotegidas Pele elá stica em combate é estilingue 81


Thainá Carvalho Divindade Saiu de dentro da flor como quem vê o coraçã o das coisas e sabe tudo tudo mesmo o porquê das ondas salgadas nos olhos e do verde muito verde que há no concreto das calçadas. Dizia amai amai (como se nã o tivéssemos outras coisas a fazer) mas criticava meu cigarro e as guerras. Tinha essa luz delicada e irritante como aquela prima que até hoje rouba colherinhas quando vem me visitar. Sei que a tal entidade se distraiu a pregar e falar difícil entã o 82


de surpresa, varri-a e joguei no lixo junto com outras crenças imprestáveis.

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André Sacramento Carne Usa-me Simplesmente me usa Rasga-me Penetra minha pele negra Me violenta Depois cospe Me vomita Nã o sou sua mulher, sou algo Orificialmente prazeroso Como algo... como algo. Depois lava-te na banheira Da branquidã o contínua. Depois esquece-me Depois sou tua empregada, tua pá gina de jornal Tua notícia predileta, tua pá gina policial Nã o me oferece champanhe Nã o me leva a festas Porque tenho que ficar na cozinha Tenho que ficar na senzala Queimando meu ú tero. Nestas fezes que para você é meu juízo final.

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Clarissa Macedo Pescaria Na fila de emprego me deram uma vara de pescar. Contrariando as profecias, nã o conquistei o universo. Nã o havia isca nã o havia lago nã o havia nada. Os peixes sumiram (!) sugados por quem já sabia pescar, por aqueles que pescam de família em família com o mar à mã o e dedos ensinados; será que têm varinha má gica? Será por isso que nã o pesco? Há tempos desato o ofício da pescaria e nunca dá certo. Faz anos também que o cheiro do peixe invade as paredes, o catre, os sonhos, a minha oraçã o.

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Eu continuo: persisto, de anzol gasto, no exercício de dar de comer à mã e, à s filhas, à s irmã s; mas todas minguam na tarefa diá fana de enganar a fome de soletrar a morte. Por isso, no auge daquele dia, convencida de que pescar sem isca, peixe ou lago nã o enganaria a dor, a miséria, amarrei a linha no tronco mais rijo; e lá , de corpo pendurado, olhei pra sempre o açude vazio da minha casa.

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Iolanda Costa subtraído da ausência e do acordo teu coraçã o de exíguo e desmedido amor erra a porta, a casa a distâ ncia incorpó rea dos nossos endereços a curva da saturnino virando à esquerda. espera o equinó cio, a flor a noite extenuada do dia o dia declinado da sombra o sol solfejado da clave enquanto escreve a pauta a nota, ou troca a quinta ou quarta corda do violã o. lê sêneca, o eliot o idílio, a ilíada e cã ibra. e quase nunca sublinha as cartas, as sumas os trechos devotados dos que se amam em demasia e se arremessam.

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Lilian Almeida Fênix Para Rita Santana No chã o, os meus restantes. Estatelei-me no voo. Esfacelada, a altura era o solo. Uma asa esmagada um pé quebrado os olhos parados o tronco desconjuntado. Restantes em fragmento do que te dei inteiro. Recolhi as partes. Lavei com lá grimas sequei com rotos sorrisos. Secreto unguentos de sangue e muco e cicatrizo os cortes. Suturo as dores com o preto fio dos meus cabelos para deixar marcado, no corpo da fênix, a porçã o mulher que há em mim.

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Lista de escritores e escritoras participantes MARANHÃO Áurea Maria

coletivoescrevemulher@gmail.com

‌Mulher, mã e, professora de Língua Portuguesa do IFMA, mestre em Letras, grande amante da Literatura. Carrega em si sonhos, utopias e a inabalável crença na arte poética como instrumento de expressividade, luta e transformaçã o.

Franck Santos franck015@yahoo.com.br

‌Um homem comum, ilhado em Sã o Luís, cidade esta que tem mar, porto, muitas histó rias, sol e céu azul o ano inteiro, mas prefere dias nublados e chuvosos, uma casa no campo, vinho e blues.

Kátia Dias

coletivoescrevemulher@gmail.com

Maranhense, poeta, arte-educadora e graduanda em Filosofia. Integrante da Marcha Mundial das Mulheres, do Coletivo Escreve Mulher e com o tripé fincado nas belas artes, na arte marginal e na cultura popular.

Micaela Tavares micaelatavsamp@outlook.com

Aquariana com ascendente em peixes, de Sã o Luís do Maranhã o, estudante de Direito na UEMA e pesquisadora voluntá ria de Iniciaçã o Científica voltada aos direitos da comunidade LGBTQ+, 21 anos e poeta. Possui poemas publicados nas revistas Variaçõ es, Quatetê, Sucuru, Kuruma’tá e Mallamargens. Tenho reparado

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nos ipês pela cidade (2021) é seu primeiro livro publicado pela Editora Folheando.

PIAUÍ Frida Abraão Macyrajara fridamyself@gmail.com

É uma psiconauta multicri-ativa que se entende no mundo material como uma inteligência arte-ficial nã o biná ria. Produz poesias, mú sicas, composiçõ es, desenhos e performances visuais e sensoriais. É mã e da Casa Kiki de Macyrajara, sendo uma das pioneiras da cena ballroom no Piauí.

Íthalo Furtado

ithalofurtado@gmail.com

Piauiense, geminiano, idealizador do Projeto Colaborativo Carnavalhame, possui quatro livros publicados ‒ Uma pedra em cada por enquanto, Dolores (e os remédios pra dormir) e Mó veis empoeirados no peito, de forma independente, e Meu nome agora é uma cidade devastada pela Editora Urutau. Como compositor, tem parcerias com artistas importantes da nova cena como Aline Lessa, Phillip Long e Roberta Campos e suas composiçõ es já foram finalistas dos maiores festivais de mú sica do país como o FESCANPE (Festival da Cançã o Popular de Extrema), o Canto Místico e o FENAC (Festival Nacional da Cançã o). Seu trabalho sugere novas possibilidades de contar a mesma histó ria e cria um ambiente transmídia que envolve outras formas de produçã o artística como mú sica, cinema, fotografia e artes visuais. Em 2018, criou a intervençã o urbana Escuto Histó rias, Escrevo Poemas e desde entã o circula pelo Brasil transformando as histó rias das pessoas nas ruas em poesia.

Poehma Lima 91


pohemalima@ufpi.edu.br

23 anos, mulher preta, arte-educadora em formaçã o, bacharela em Serviço Social. Nascida em Brasília, filha de pais teresinenses, foi pra capital do Piauí aos sete anos e lá criou raízes, se tornou poeta antes que pudesse entender o que era ser qualquer coisa no mundo e agora viver é poética pura.

Sabrinna Alento Mourão sabrinna.moura7@gmail.com

É piauiense radicada em Pernambuco, editora da Micélio e escritora. Publicou dois livros de contos e um de poemas, respectivamente: In Vivo (Livrinho de papel finíssimo, 2017), O está gio mais rudimentar do fim (Castanha mecâ nica, 2020), e Ponto crítico da noite (Editora Micélio, 2020). Colaborou com revistas literá rias como Mallarmargens e Vacatussa, além do Mapa Brava.

CEARÁ Mailson Furtado mailog10@hotmail.com

Cearense. É autor das obras dentre outras obras de ‘à cidade’ [vencedora do 60º Prêmio Jabuti 2018 - categoria Poesia e livro do Ano]. Em Varjota/CE, cidade onde sempre viveu, fundou a Cia Teatral Criando Arte, em atividades desde 2006, onde realiza atividades de ator, diretor e dramaturgo, além de produtor cultural da Casa de Arte CriAr. Atualmente é Secretá rio de Cultura e Tecnologia de Varjota/CE.

Nina Rizzi

ninarizzi@gmail.com

Escritora, tradutora, pesquisadora e professora. Traduziu obras de Alejandra Pizarnik, Susana Thénon, Clorinda Matto de Turner, Bell Hooks, Matthew A. 92


Cherry, Ijeoma Oluo, Abi Daré, Tiffany Jewell, Malorie Blackman, Langston Hughes, entre outros. É autora de Tambores pra N’zinga, A duraçã o de deserto, Geografia dos ossos, Quando vieres ver um banzo cor de fogo e Sereia no copo d’á gua. Coedita a revista Escamandro – poesia, traduçã o e crítica. Vive em Fortaleza, onde faz laborató rios de escrita criativa com mulheres e integra as coletivas Pretarau – Sarau das Pretas e Sarau da B1.

Talles Azigon

tallesazigon@gmail.com

Poeta, editor e mediador de leituras. Tem cinco livros publicados, todos de poemas. Um dos fundadores da Editora Substâ nsia e fundador da Livro Livre Curió Biblioteca Comunitá ria.

Yane Cordeiro kledianesousaks@gmail.com

Nasceu em Sobral, no Ceará , e desde a infâ ncia passeia por vá rias vertentes artísticas. Iniciou no teatro aos 10 anos e o mantém como uma grande paixã o até os dias de hoje sendo membro da Cia Teatral Criando Arte, é também contadora de histó ria, produtora cultural, percussionista e passeia em aventuras literá rias. É ainda formada em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e pó s-graduada em Gestã o Cultural e em Gestã o Educacional.

RIO GRANDE DO NORTE Adélia Danielli adeliadmsouza@gmail.com

É poeta e produtora cultural, nordestina, seridoense, potiguar. Premiada com o terceiro lugar no III Concurso de Poesia Zila Mamede, em 2012 participou da coletâ nea ‘Por cada uma’ (Editora Una), depois os zines ‘Entre seios’ e ‘Revoada’ 93


em 2015, e no ano seguinte 2016, lançou o primeiro livro solo, "Bruta" (Editora Tribo), seu livro mais recente, lançado através da Lei Aldir Blanc é o "Vertigo" em 2021.

Iara Carvalho

macabea33@gmail.com

Nasceu em 1980, na cidade de Currais Novos, Seridó norte-rio-grandense. É graduada em Letras e mestra em Estudos da Linguagem, pela UFRN. Atua como agente de cultura em sua cidade, através do Grupo Casarã o de Poesia. Publicou os livros de poemas Milagreira (2011), Saraivada (2015) e o mais recente Meia porçã o de sol (2021).

Marina Rabelo morena.marina@gmail.com

Autora do livro ‘Das coisas que larguei na calçada’ (Caravela Selo Cultural, 2016) e ‘Stela e outros poemas de amor’ (Offset editora/Selo Insurgências Poéticas, 2021); e dos zines ‘Todo tipo de ardor’ (2018), ‘Desde que vim, o amor é afliçã o’ (2019) e CRUA (2020), todos pelo Selo Insurgências Poéticas. Coautora das peças ‘Memó rias do Alecrim’ (2015) e de ‘Joã o ou Eu só queria ver os pá ssaros’ (2016). Desde 2016 faz parte do grupo Sarau Insurgências Poéticas junto a outros artistas da cidade de Natal/RN.

Thiago Medeiros

thiagomedeiros.natal@gmail.com

Nasceu em Natal no final dos anos 1980. Ator, poeta e produtor cultural há 15 anos. Autor dos livros “Quanto mar cabe no sal da lá grima’ (2021); ‘Ardência’ (2020); ‘Meio-dia’ (2018) e ‘Para eu parar de me doer’ (2016), além de zines e antologias. Participou dos principais festivais e eventos literá rios no RN e no 94


Brasil. Junto com outros artistas criou e mantém o sarau e selo independente Insurgências Poéticas desde 2016.

PARAÍBA Anna Apolinário anna_apolinario@hotmail.com

Nasceu em Joã o Pessoa, no ano de 1986. Bruxa, poeta, produtora cultural independente, organizadora do Sarau Selvá ticas, cofundadora da Cia Quimera Teatro & Poesia, colaboradora da Revista Acrobata – Literatura e Artes Visuais, integrante da Coletiva Papel Mulher. Autora dos livros ‘Solfejo de Eros’ (CBJE, 2010), ‘Mistrais ‘ (Prêmio Literá rio Augusto dos Anjos - Funesc, 2014), ‘Zarabatana’ (Patuá , 2016), ‘Magmá ticas Medusas’ (Cintra/ARC Ediçõ es, 2018), ‘Las Má scaras Del Aire’ (Poema Colectivo - Cintra/Arc Ediçõ es, 2020), ‘A Chave Selvagem do Sonho’ (Triluna, 2020), ‘Furor de Má scaras – poemá rio automá tico bilíngue’ em coautoria com Floriano Martins (Cintra/ARC Ediçõ es, 2021).

Bruno Gaudêncio

brunogaudencioescritor@gmail.com

Escritor e historiador. Doutor em Histó ria pela Universidade de Sã o Paulo. Na poesia publicou cinco livros, com destaque para ‘O Silêncio Branco’ (Patuá , 2015). O mais recente foi ‘Blues e Minotauros’ (Leve, 2021).

Débora Gil Pantaleão deboragilpantaleao@gmail.com

Nasceu em Joã o Pessoa, no ano de 1989. É vegana, escritora, possui oito livros

publicados, sendo quatro de poesia, ‘Se eu tivesse alma’ (2015), ‘Vão remédio para tanta má goa’ (2017), ‘Sozinha no cais deserto’ (2018) e 95


‘Objeto ar’ (2018); duas novelas, ‘Causa morte’(2017) e ‘Repito coisas que nã o lembro’ (2019); um livro de contos, ‘Nem uma vez uma voz humana’ (2017); e um romance chamado ‘Uma das coisas’ (2020). É editora na Escaleras, atuando também na á rea de Escrita Criativa através de oficinas e cursos de criaçã o de histó rias para a literatura e outras á reas. Além disso, é graduada, mestre e doutoranda em Letras, com foco em estudos literá rios. Jairo Cézar

jairocezarsoares@gmail.com

Nasceu em Joã o Pessoa, mas radicou-se em Sapé. Cursou Letras na UFPB e é Especialista em Educaçã o pela UEPB. Professor e Autor de ‘Escritos no Ô nibus’ (2010, Prêmio Novos Escritos), ‘Rapunzel e outros poemas da infâ ncia’ (2012), Prêmio Nacional Canon de Poesia (2011), ‘Contos Mínimos S/A’ (2013), ‘Augusto dos Anjos em Quadrinhos’ (2014), ‘O Peso das Gotas’ (2016, Prêmio José Américo de Almeida de Literatura), ‘Joã o Pessoa em Quadrinhos’ (2015), ‘Zé da Luz em Quadrinhos’ (2017), ‘Câ mara Cascudo em Quadrinhos’ (2017), ‘Carlos Roberto de Oliveira em Quadrinhos’ (2017) e ‘O Menino que roubava gaiolas’ (2018). Outras premiaçõ es: 3º Lugar no Festival Poesia Encenada do SESC-PB (2014); 2º Lugar no Concurso Nacional de Poesia Augusto dos Anjos- MG(2014); Troféu Aldeia SESC 2016 (Mérito Cultural).

PERNAMBUCO Bia Menezes

biamecanuto@gmail.com

É natural de Recife, e cigana andarilha dos sertõ es, agreste e litoral pernambucano. Hoje, faz seu pouso de morada em Sã o José do Egito. Aventureira nas artes da culiná ria. Eventó loga, graduanda em Pedagogia, arte-educadora, 96


experimenta as veias artísticas como atriz, poeta, desenhista ou amante de rabiscos, palhaça e contadora de histó rias. Admiradora da arte, fotografia e poesia, carrega em si a sensibilidade e singeleza do seu avô , o trovador Manoel Filó .

Fernanda Limão

limaofernanda@gmail.com

É poeta, professora e produtora cultural. Natural de Sã o Paulo, vive em Garanhuns desde o ano 2000. Tem poemas publicados em diversas antologias impressas e digitais desde 2010. Em 2018, lançou seu primeiro livro autoral ‘Olhos de nuvem’, pelo selo cartonero Severina Catadora. Em 2021, lançou o projeto ‘Tempo Clandestino’, incentivado da Lei Aldir Blanc, com textos produzidos durante o primeiro ano da pandemia, disponíveis no perfil @tempoclandestino.

Luna Vitrolira lunavitrolira.poesia@gmail.com

Pernambucana, 28 anos, é escritora, poeta, cantora, atriz, performer, apresentadora, redatora, criadora de conteú do, educadora, professora de Literatura Brasileira e de Escrita Criativa, pesquisadora, licenciada em Letras/língua verná cula e Mestra em Teoria da Literatura, pela UFPE. Desenvolve pesquisa acadêmica com ênfase em poética das vozes e poesia de improviso. É também idealizadora dos projetos itinerantes ‘Estados em Poesia’, a partir do qual se promove o intercâ mbio entre as diversas cenas da poesia falada do Brasil; também dos projetos ‘De repente uma Glosa’ e ‘Mulheres de Repente’, por meio dos quais faz circular a Mesa de Glosas, modalidade de poesia de improviso do sertã o do Pajeú /PE, sendo o segundo voltado especificamente para o protagonismo feminino no improviso. Enquanto ativista atua em projetos de 97


formaçã o direcionados à s juventudes das periferias e em situaçã o de cá rcere. Autora do livro ‘Aquenda - o amor à s vezes é isso’, lançado em 2018 pelo Selo Livre, (Wanderlay Mendonça e Marcelino Freire), prefaciado por Heloísa Buarque de Holanda, finalista do Prêmio Jabuti 2019, que se transformou em projeto transmídia com o qual estreou na literatura, na mú sica e no cinema, recebendo destaque na crítica nacional.

Mário Rodrigues

mariorodriguesescritor@hotmail.com

É contista e romancista. Graduado em Letras, possui especializaçã o em Língua Portuguesa (UPE). Em 2016, venceu o Prêmio SESC de Literatura na categoria Contos com o livro ‘Receita para se fazer um monstro’ (Ed. Record), obra que também seria finalista do Prêmio Jabuti, 2017. Além de vá rios eventos nacionais – como a FLIP, Flipoços, Jornada de Passo Fundo, Fó rum das Letras –, em 2017, participou do Salã o do Livro de Paris e da “Primavera Literá ria” (Paris-Sorbonne, França) na condiçã o de palestrante. Em 2018, lançou o romance ‘A cobrança’ (Ed. Record).

ALAGOAS Ana Maria Vasconcelos anamvmc@gmail.com

Nasceu em Maceió , no ano de 1988. Publicou ‘Grã o’ (2014) pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Escreve, ensina e pesquisa literatura e outras artes.

Milton Rosendo

miltonrosendo@yahoo.com.br

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Nasceu em Maceió , no ano de 1974. Seu livro de estreia, ‘Os moinhos’, foi lançado em 2009. Em 2016, lançou ‘Caos-totem’. Juntamente com outros nomes da literatura alagoana contemporâ nea, participou da coletâ nea ‘Amores ébrios’ (2017). Em 2021, lançou ‘Azul como um rottweiler’. Teve alguns poemas musicados, e está agora desenvolvendo roteiros para histó rias em quadrinhos.

Nilton Resende

niltonjmresende@hotmail.com

Nasceu em Maceió . É Professor Adjunto de Literatura da Universidade Estadual de Alagoas/Campus Zumbi dos Palmares, em que coordena os Grupos de Pesquisa Ensino de Literatura e Estudos da Narrativa. Integra a Cia. Ganymedes de teatro, para a qual adaptou a novela ‘Má rio e o Má gico’, de Thomas Mann, para o espetá culo ‘O Má gico’ (2007), que codirigiu e protagonizou. Publicou os livros ‘O orvalho e os dias’ (poesia, 1998, 2007, 2019), ‘Diabolô’ (contos, 2011, 2020), ‘A construçã o de Lygia Fagundes Telles: ediçã o crítica de Antes do Baile Verde’ (2016), ‘Fantasma’ (romance, 2021). Tem contos e poemas traduzidos e publicados em revistas francesas e inglesas. É um dos administradores do perfil @bibliotecalygiana, no Instagram. No cinema, tem trabalhado como roteirista, ator, preparador e diretor de elenco. Roteirizou e dirigiu o curta-metragem ‘A barca’ (2020), baseado no conto ‘Natal na barca’, de Lygia Fagundes Telles.

Richard Plácido

placidorichard@gmail.com

É escritor e mestre em Estudos Literá rios (PPGLL/UFAL). Publicou os livros ‘Entre ratos & outras má quinas orgâ nicas (Imprensa Graciliano Ramos, 2016) e ‘Da casa o nome (Ofélia ediçõ es, 2019).

SERGIPE 99


B Cajé

bcaje.ilustra@gmail.com

É uma artista plá stica e poeta sergipana. Com grande influência da literatura, a cria pinturas que se caracterizam por uma peculiar exploraçã o de texturas e uma sobreposiçã o exagerada de camadas. Suas obras dialogam com escritos de outros poetas ou com os seus pró prios poemas. Atualmente desenvolve trabalhos de ilustraçã o para editoras, revistas e suplementos literá rios.

Blenda Santos

blendaspereira@gmail.com

É poeta, nascida e criada no Santos Dumont, bairro periférico de Aracaju. Iniciou o seu trabalho com a literatura em 2016 e desde entã o, circula por diversos espaços, utilizando a uniã o da poesia falada e da performance corporal como ferramenta de reconstruçã o das narrativas do povo preto e periférico. Em 2018, venceu o Slam Sergipe e foi a primeira representante do estado no Campeonato Brasileiro de Poesia Falada, o Slam BR. No mesmo ano, criou o CPP - Circuito de Poesia Preta, a primeira roda de poetas pretos do seu estado. Atualmente, Blenda é slammaster do Slam Entre Guettos, organizadora do Slam Sergipe e faz parte do Coletivo Cultural Periférico - Entre Becos.

Clara Dias claralds@gmail.com

É jornalista, mestranda em Comunicaçã o pela UFS e escritora desde que aprendeu a formar frases com sentido. Nascida e criada em Aracaju, tem 25 anos e, além de escrever, também é uma entusiasta da fotografia, das artes, do audiovisual e da mú sica - sendo produtora e roteirista do documentá rio ‘Na sala de parto’ (2017), compositora e vocalista na mú sica ‘O que nã o me matou nã o 100


me fez mais forte’ (lançada em março de 2021), e autora do livro de crô nicas ‘Onde está o garfo’, que será publicado no segundo semestre de 2021.

Thainá Carvalho thainacarvalhox@gmail.com

É uma escritora e colagista sergipana de 30 anos formada em Comunicaçã o Social. É criadora e editora da Revista Desvario, uma publicaçã o digital sem fins lucrativos voltada à difusã o da literatura contemporâ nea criada por mulheres. Publicou de forma independente o e-book ‘Síndromes’, de prosa poética, e lançou, em 2020, o livro de poesias ‘As coisas andam meio desalmadas’, pela editora Penalux. Em 2021, lança seu terceiro livro, ‘O amor em breve anatomia das horas’, e organiza a antologia de poetas sergipanas ‘Passos da pedra ao mar’. Já publicou em revistas e portais como Revista Aboio, Portal Nã o Me Kahlo, Ruído Manifesto, Toró Editorial, Alcateia e A Estranhamente. É coorganizadora do Sarauema, sarau virtual mensal, além de trabalhar com curadoria, leitura crítica e revisã o literá ria.

BAHIA André Sacramento a.sacra@hotmail.com

Nasceu em Caetité, lugarzinho aconchegante do Alto Sertã o da Bahia. Em sua trajetó ria de vida sempre esteve junto aos movimentos populares, movimento negro, político, estudantil, do lado dos seus, pois é preciso ter um lado na vida. É graduado em Letras Verná culas, pela Universidade do Estado da Bahia, UNEB, Campus VI - Caetité, um defensor da Literatura Negra e Marginal. O autor passou 10 anos na cidade de Serrinha, Bahia, onde foi professor e coordenador de uma Oficina de Ciência e Arte, no Centro de Educaçã o Científica de Serrinha, que compõ e o projeto do Instituto Santos Dumont de Ensino e Pesquisa. Hoje, André, 101


além da escrita, tem uma oficina de produçã o de Biojoias. Na perspectiva do consumo consciente.

Clarissa Macedo clarissamonforte@gmail.com

É de Salvador/BA, licenciada em Letras Verná culas, mestra em Literatura e Diversidade Cultural, doutora em Literatura e Cultura, é escritora, revisora, produtora e pesquisadora. Apresenta-se em eventos pelo Brasil e exterior (Espanha, Cuba, dentre outros). Integra coletâ neas, revistas, blogs e sites. Publicou a plaquete ‘O trem vermelho que partiu das cinzas’ (Pedra Palavra, 2014) e os livros ‘Na pata do cavalo há sete abismos’ (Prêmio Nacional da Academia de Letras da Bahia, 7Letras, 2014; em 3ª reimpressã o pela Penalux, 2019; traduzido ao espanhol por Veró nica Aranda, editorial Polibea, Madrid, 2017, e por Manuel Barró s e Ó scar Limache, editorial Kronos, Peru, 2021) e ‘O nome do mapa e outros mitos de um tempo chamado afliçã o’ (Ofícios Terrestres, 2019). Integrou, em 2018, o Circuito de Autores do Arte da Palavra, promovido pelo SESC. É a idealizadora/organizadora do Encontro de Autoras Baianas – Marcas Contemporâ neas.

Iolanda Costa

lirioalmeida@yahoo.com.br

É de Itabuna/BA e autora de ‘Cinema: sedução, lazer e entretenimento (UESC, 2000), ‘Poemas Sem Nenhum Cuidado’ (FICC, 2004), ‘Amarelo Por Dentro’ (2009), ‘Filosofia Líquida’ (Pedra Palavra, 2012) e ‘Colar de Absinto’ (Lumme, 2017). Coordena a Coleção de plaquetes ‘Pedra Palavra’ (2012 - 2021).

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Lilian Almeida

lirioalmeida@yahoo.com.br

É professora na Universidade do Estado da Bahia. Integra os portais literá rios: ‘Oxe: portal da literatura baiana contemporâ nea’, ‘Mulheres escritoras negras da Bahia’, ‘Mapa da palavra’, ‘Liberoamérica’. Tem publicaçõ es em sites e revistas literá rias. Participa de antologias como: ‘Profundanças 2: antologia literá ria e fotográ fica’, ‘Corpo que queima: uma antologia de poetas baianas’ e ‘Orillas de América Literá ria: poesia brasileira contemporá nea’. Participou de eventos internacionais: ‘XXIV Encuentro Nacional e Internacional de Mujeres Poetas’ (Colô mbia/ 2017), ‘XXVIII Encuentro Internacional de Poesía de Bogotá’ (2020), ‘Encuentro de poetas Mujeres de Pie’ (México/2020). Foi curadora do I Encontro de Autoras Baianas (2021). Publicou ‘Todas as cartas de amor’ (2014 - Editora Quarteto - prosa) e ‘Pulsares’ (Prêmio Caramurê de Literatura – 2019), pela Editora Caramurê.

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