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vitória Ano IX

Nº 102

Fevereiro de 2014

Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

Momentos da

vida

Atualidade

Ideias

aspas

Fenômeno da migração

Aqui, em Paris ou na Noruega

Mensagem DMCS


vitória Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

Ano IX – Edição 102 – Fevereiro/2014 Publicação da Arquidiocese de Vitória

05

Pensar

06

Diálogos Vida religiosa: força viva e carismática da Igreja

08

atualidade O fenômeno migratório

17

Arte Sacra O repicar dos sinos

21

Espiritualidade Vai reclamar com o bispo!

22 30 31

Comunidade de comunidades Santa Luzia: luz que conduz ao Pai

34

IDEIAS Aqui, em Paris ou na Noruega

38

REFLEXÕES Fé e razão se ajudam mutuamente

41

ARQUIVO MEMÓRIA Congresso Eucarístico Diocesano

44

cULTURA CAPIXABA Então, o que é a casaca?

12

Micronotícias Volta ao mundo e Biblioteca Virtual

14

Aspas Especial Planejamento espiritual

18 Mundo Litúrgico 28 Caminhos da Bíblia 32 PROJETO 36 PRÁTICA DO SABER 42 ENSINAMENTOS 46 ACONTECE

Entrevista

Natiele Carolina, a atleta do goalball

24

reportagem

As faces do carnaval

Arcebispo Metropolitano: Dom Luiz Mancilha Vilela • Bispos Auxiliares: Dom Rubens Sevilha, Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias Editora: Maria da Luz Fernandes / 3098-ES • Repórter: Letícia Bazet / 3032-ES • Colaboradores: Alessandro Gomes, Dauri Batisti, Gilliard Zuque, Giovanna Valfré, Edebrande Cavalieri, Vander Silva • Revisão de texto: Yolanda Therezinha Bruzamolin • Publicidade e Propaganda: comercial@redeamericaes.com.br - (27) 3198-0850 • Fale com a revistavitória: mitra.noticias@aves.org.br • Projeto Gráfico e Editoração: Comunicação Impressa - (27) 3319-9062 • Ilustrador: Kiko • Designer: Albino Portella • Impressão: Gráfica 4 Irmãos - (27) 3326-1555


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w w w. a v e s . o r g . b r

fale com a gente

A vida é feita de momentos

E

sta edição traz dois temas que, para alguns, podem sugerir antagonismo: carnaval e cinzas. O primeiro é considerado o encerramento das festas de final e início de ano, “a vida começa mesmo após o carnaval” repete-se correntemente. O segundo abre um novo tempo no calendário litúrgico da Igreja Católica: a quaresma. Pois é, a vida faz-se de momentos que às vezes se sucedem, outros se intercalam e, outros ainda se misturam e criam assim a dinâmica de cada um e, também, os momentos coletivos. Festa e interiorização. Extravasão e intimidade. Cultura e tradição. Alegria e fé. Precisamos de momentos diferentes para dar equilíbrio às rotinas, e a alegria do carnaval unida à força da fé pode proporcionar momentos de relaxamento e descanso, necessário para enfrentar o novo ano que iniciamos ou vamos iniciar após o carnaval. Boa leitura! Maria da Luz Fernandes Editora


pensar

Maria da Luz Fernandes


diálogos

Força Viva e Carismática da Igreja

O

mês de fevereiro faz-me lembrar com muito carinho e gratidão da vida religiosa, especialmente dos religiosos que anunciam e dão testemunho do Evangelho em nossa Arquidiocese. Muitas Famílias Religiosas celebram o dia 2 de fevereiro dando-lhe um acento especial por ser um dia em que se recordam da oferta que cada consagrado fez e faz de sua vida a serviço do Reino. Faço questão de colocar em evidência estes e estas irmãs que servem a nossa Igreja com tanta abnegação, cujo serviço generoso salta aos olhos de todos os cristãos e de muitos não cristãos. Estas Famílias se destacam na educação da juventude, no serviço aos pobres e, também aos ricos, nos projetos sociais que promovem e incluem tanta gente na vida da sociedade. É a Igreja evangelizando através delas, pois, formamos, juntos, um só corpo, comprometido com o anúncio e testemunho da Boa Nova. Estas Famílias marcam pre-

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sença também nas paróquias, na formação de lideranças e animação de Círculos Bíblicos, etc. Graças a Deus é um conjunto de evangelizadores bem significativo. Acredito que possa haver quem se interrogue, considerando o contexto eclesial em que vivemos e anunciamos o evangelho, qual é o lugar da Vida Religiosa numa Comunidade Eclesial de Base? Não é difícil responder a esta pergunta. Nossa tradição de mais de quarenta anos no esforço de viver o evangelho e anunciá-lo através das Comunidades Eclesiais de Base inclui, neste meio, a animação da Família Religiosa, cada uma com o seu carisma específico. Ora, a Comunidade Eclesial, como estrutura de Igreja, comporta a Vida Religiosa. A Comunidade Eclesial de Base comporta todos os carismas que são presentes, dons de Deus à Igreja. A Igreja acolhe a todos. Não existe um carisma paralelo, um movimento paralelo ou uma Congregação Religiosa paralela à Igreja. A


Comunidade Paroquial é constituída por um conjunto de Comunidades Eclesiais de Base. Cada Comunidade Eclesial de Base é uma “piccola parroquia”, isto é, uma pequena ou mini-paróquia, como dizia Dom Aldo Gerna ao Bem-Aventurado Papa João Paulo II, que será canonizado em abril deste ano. Pois, dentro da Comunidade Eclesial de Base estão os Movimentos Eclesiais, como dons de Deus para esta Comunidade. Um Movimento Eclesial fora da Comunidade Eclesial não tem razão de existir, pois seria um Movimento sem pertença e paralelo à Igreja, mesmo que este Movimento Eclesial seja de origem internacional. A Família Religiosa, uma Congregação Religiosa, enquanto Carisma para a Igreja e da Igreja, é uma Comunidade Eclesial, porém, não é uma Estrutura de Igreja ou Comunidade Eclesial de Base. O seu lugar teológico está na ordem dos Carismas que Deus presenteia à Igreja. Ela testemunha e anuncia na Comunidade Eclesial de Base, na Paróquia e na Arquidiocese, como parceira, em ambientes específicos, ou na formação das lideranças na Base Eclesial. Ora, as Congregações Religiosas, as Ordens Religiosas, as Comu-

“Continuem firmes no testemunho e no anúncio do Evangelho no meio de nós. Vocês são um dom precioso à Igreja em todas as suas instâncias estruturais.”

nidades de Consagrados, situam-se na dimensão carismática da Igreja. A Família Religiosa é uma família evangelizadora, seja de vida contemplativa ou ativa, que tem como objetivo ser e servir a Comunidade Eclesial de Base, Paróquia, Arquidiocese, Igreja, sendo um Sinal do Reino, uma Comunidade Evangelizadora e transformadora da e na realidade onde concretiza a sua pertença e sua missão. A homenagem que eu gostaria de prestar à Vida Religiosa é uma homenagem de gratidão e uma palavra de estímulo para que continuem firmes no testemunho e no anúncio do Evangelho no meio de nós. Vocês são um dom precioso à Igreja em todas as suas instâncias estruturais. Sou-lhes grato pela parceria co-responsável na

evangelização, sou-lhes grato pelo testemunho e vida. Coragem. A Igreja e o Mundo precisam de testemunhos corajosos de pessoas que não têm medo de dar a vida, seja no silêncio contemplativo, seja na ação militante que Deus lhes destinar. O mundo é o nosso território de missão. Deus abençoe nossos irmãos religiosos e irmãs religiosas. Obrigado pelos sacrifícios e pelo profundo sentido de comunhão que todos têm nesta Igreja Particular para onde foram convocados a anunciar e dar testemunho de vida. Ofereçam, pois, com alegria, a vida como resposta ao carinho amoroso de Deus para com vocês. Vida Religiosa, força viva e carismática da Igreja e na Igreja! Dom Luiz Mancilha Vilela, ss.cc. Arcebispo Metropolitano de Vitória ES

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Atualidade

O Fluxo Migratório

A

ONU (Organização das Nações Unidas) avalia que há atualmente 232 milhões de migrantes no mundo, 59% deles vivendo em regiões desenvolvidas. Esse dado indica que 3,2% de pessoas estão assentadas longe de seu lugar de origem. Portanto, distante de sua história, de seus costumes, de seus familiares e dos amigos. A metade desses 232 milhões de imigrantes internacionais se concentra em dez países: EUA, Rússia, Alemanha, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, França, Canadá, Austrália e Espanha. Ainda de acordo com a ONU, quase a metade dos imigrantes internacionais são mulheres (48%) e a maioria

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Contemp

(74%) tem entre 20 e 64 anos. No Brasil, segundo o último levantamento produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há, oficialmente, 286.468 imigrantes – contudo, são milhares os indocumentados, a maioria latino-americana. Em contraponto, havia, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, 3.122.813 brasileiros residindo no exterior em 2011. Mas, ao pensarmos especificamente sobre o Espírito Santo, há necessidade de colocarmos esta análise em perspectiva histórica. No Estado, o fenômeno migratório em massa tem início a partir do século XIX por meio do ingresso de mineiros, nordestinos e fluminenses,


no âmbito da migração interna, e de estrangeiros: uma leva de sírio-libaneses, mas sobretudo europeus – italianos, alemães, pomeranos, suíços, austríacos e poloneses. De acordo com os Censos realizados pelo IBGE, nos anos de 1872, 1890, 1900, 1920, 1940, o Estado registrou os maiores índices anuais de crescimento médio da população brasileira dentre os estados cafeeiros. O levantamento de 1940 revela que mais de 14% da população havia nascido em outros estados da federação. Nesse período, a maioria absoluta dos habitantes do estado

concentrava-se na área rural. Presentemente, a maior parte dos migrantes assentados no Espírito Santo está localizada na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) – composta pelos municípios de Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória. Cabe observar que em 2010 o Espírito Santo, com 3,5 milhões de habitantes, registrou

orâneo

um crescimento populacional de 13,4% (415 mil). Migrantes nacionais e estrangeiros são responsáveis por 11,62% desse percentual na RMGV, configurando um total de 364.044 em 2010. Da totalidade de migrantes que se fixou no Espírito Santo nesta última década, 151.905 são mineiros e 83.631 baianos, como se observa no gráfico:

1600000 RMGV

1400000

Naturais

1200000

Migrantes Mineiros

1000000

Baianos

800000 600000 400000 200000 0 2000

2010

Habitantes da RMGV por local de nascimento, no ano de 2000 e de 2010. Fonte: IBGE, 2013

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Atualidade

Entretanto, há a necessidade de se olhar e de se entender o fenômeno migratório, tanto inter-regional como internacionalmente, tanto emocional quanto racionalmente. Isto porque ele se configura a partir de particularidades sociais, econômicas, culturais, psíquicas e históricas singulares. Assim, pensar neste fenômeno nos remete a uma dupla dimensão: qual seja, à sociedade de origem, quanto àquela de destino do imigrante. E isto no que se refere à questão demográfica, econômica, política, psicológica, sociológica, dentre outras, conforme explicita o sociólogo franco-argelino Abdelmalek Sayad. Para Sayad, deve-se considerar que o fenômeno migratório está fundamentalmente associado a uma necessidade-ausência: trabalho. É pela falta dele, acredita este pesquisador, que milhares de pessoas abandonam o lugar no qual está construído seu sentido de ser e de pertencer ao mundo. Contudo, é necessário registrar

232 59% 3,2%

10

milhões

de migrantes

vive em regiões desenvolvidas estão assentadas longe de seu lugar de origem

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que há também pessoas que migram por motivos outros: laços familiares e afetivos, desejo de aventura, busca de refúgio provocado por guerras, conflitos étnicos ou religiosos, questões ambientais, entre outros. Enfim, seres humanos que partem em busca de uma oportunidade, da realização de um roteiro de esperança cujos princípios foram acalentados ao longo do tempo. Tornam-se, assim, e/imigrantes, documentados ou indocumentados, vivendo histórias particulares e coletivas que, em algum contorno, a todos afeta. Assim, uma vez tendo partido, o sujeito torna-se um emigrado para parentes e amigos que ficaram na terra de origem, e, tendo chegado ao espaço desejado, vira um imigrante. Num novo espaço de assentamento, qualificado pela experimentação de antigos mas renovados sentimentos de esperança, medo, paz, temor, certeza, dúvida. Antíteses que expressam a afirmação e a negação que compõem o movimento dialético do processo migratório. Emoções que o migrante carrega nas expressões corporais, nos gestos, no vestuário e nos baús de guardados – estas são as mais autênticas marcas que carimbam o passaporte, real ou virtual, dos milhares de homens e de mulheres que cruzam as fronteiras do cotidiano território do conforto da terra, do lar,

da própria história ao longo da trajetória da humanidade. Configura-se, desse modo, um enredo de narrativas emblemáticas de uma realidade tão próxima e tão distante do contexto da cotidianidade contemporânea, caracterizada por uma mobilidade humana intensa, cujas vinculações sociais, culturais e emocionais compõem o painel da humanidade no presente: vinculado a memórias e sonhos permanentes de uma vida melhor. É importante, entrementes, registrar o que o painel sobre o fluxo imigratório na contemporaneidade produzido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em 2009 nos revela: apesar das incertezas do processo migratório, há uma quantidade de migrantes que consegue prosperar, aliando os seus próprios talentos aos recursos existentes nos países de origem. Conseguem, assim, obter benefícios para si próprios e para familiares próximos, que os acompanham na aventura ou que ficam na cidade ou país de origem. Realizando, em grande medida e em grande parte, o roteiro de esperança ao qual se destinaram quando decidiram deixar sua memória e seus afetos para tentar construir uma nova vida. Maria Cristina Dadalto Professora da Universidade Federal do Espírito Santo. Coordenadora do Laboratório de Estudos do Movimento Migratório (LEMM) da Ufes.


micronotícias

Representatividade O Brasil passou a ser o 3º país com o maior número de religiosos aptos a votar em uma eleição para um novo pontífice. Após a escolha do arcebispo da arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, o país passou a ter cinco representantes. O número

representa metade dos cardeais brasileiros, já que os outros cinco têm mais de 80 anos e não podem mais participar de um Conclave. Somente Itália, com 30 cardeais, e Estados Unidos, com 11, têm mais representantes. Assim como o Brasil, Alemanha, Espanha e Índia também possuem cinco cardeais eleitores.

Volta ao mundo Um casal de aposentados capixabas resolveu ganhar o mundo de carro. A proposta é percorrer 160 mil

quilômetros em três anos, visitando os cinco continentes em uma caminhonete, acoplada com um camper - a carroceria irá funcionar como uma casa. No primeiro ano, passarão

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pela América do Norte, do Sul e Central; no segundo ano do passeio, viajam pela Europa e Ásia; e no terceiro e último ano, chegam a Oceania e África. No site www.eduardoprata. com.br será possível acompanhar o casal em sua viagem, com registros fotográficos e o diário de bordo.


Biblioteca Virtual Nos Estados Unidos, surgiu um novo conceito de biblioteca pública: a Bibliotech, primeira biblioteca de e-books do mundo. A biblioteca não conta com nenhum livro impresso e trabalha apenas com o empréstimo de

Perto da natureza Pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra constataram que passar a morar em um local com áreas verdes gera um efeito positivo duradouro, tendo um impacto no bem-estar mental dos habitantes de cidades.

leitores de livros digitais. Enquanto isso, aumentos de salários ou promoções no trabalho, por exemplo, fornecem apenas efeitos positivos de curto prazo. O estudo se baseia nas descobertas de um outro levantamento, que mostrou que as pessoas vivendo em áreas urbanas mais verdes tinham menos sinais de depressão e ansiedade.

Os visitantes da Biblio-

Tech podem levar um e-reader para ler os livros em casa. Ou, se preferirem, é possível checar o conteúdo pela internet mesmo, já que os livros estão todos armazenados na nuvem. São 45 iPads , 40 laptops e 48 desktops para consultar ou navegar por um catálogo de 10.000 e-books .

Reciclando Em São Paulo, o tíquete utilizado no metrô se transforma em papel higiênico. Por mês, são

enviadas cerca de cinco toneladas de tíquetes usados para a reciclagem. O procedimento inicia com a fragmentação e empacotamento do papel do bilhete com outros tipos de papel. A mistura é feita pois, a tarja magnética utilizada para armazenar dados e evitar falsificações contém elementos metálicos que podem interferir na qualidade do papel a ser fabricado. Após essa etapa, o conteúdo é triturado em um tipo de liquidificador gigante, misturado com água e outros produtos, entra em uma esteira, passa por secagem e transforma-se em papel novo.

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entrevista Maria da Luz Fernandes

CONQUISTAs DIÁRIAS DE QUEM NASCEU SEM VISÃO

Natiele Carolina Ferreira tem 19 anos, é cega e jogadora de goalball há 4 anos. No final de dezembro ela conversou com a Revista Vitória sobre a vida antes e depois da prática do esporte.

vitória - O que mudou na sua

vida depois que começou a jogar goalball? Natiele - Tudo, mudou tudo. Comecei a andar sozinha, fiz novos amigos, conheci outras pessoas não só dentro do estado, mas também fora. As viagens são coisas inesquecíveis. Só de estar lá já é muito gratificante. A minha vida é outra, com certeza. vitória - O que é o goalball?

É um esporte que foi feito para deficientes visuais. É Natiele -

jogado com três jogadoras em quadra e três no banco, a marcação é com fita no chão, as travas ficam na linha de fundo e tem 9m de largura e 1,5m de altura. Basicamente a gente tem que deslizar no chão pra defender a bola. O jogo é todo no chão, geralmente em quadra de futsal, pois o piso tem que ser liso senão a gente não consegue deslizar. As linhas são marcadas com fita e barbante por baixo para a gente ir e vir sem se perder. Pra jogar goalball todo o mundo tem que ter visão zero.

Nós jogamos com óculos tipo motocross só que ele é vedado e coloca tampão por baixo para todo o mundo ficar com visão zero. Por isso podem participar atletas que tenham um pouco de visão. vitória - Como você descobriu

esse esporte? Natiele - Eu cantava num coral e tinha um colega que jogava, ele me convidou. Eu fui, conheci, gostei e tô lá até hoje.

vitória - A sua deficiência é

de nascença?

Natiele - É, eu tenho glaucoma e

catarata desde que nasci.

vitória - Você joga na seleção?

Sim, joguei na seleção este ano, participei do mundial de jogos nos Estados Unidos e nós fomos prata lá.

Natiele -

vitória - Quem é que a acom-

panha nessas viagens, nessas ocasiões? Natiele - Os técnicos. A família não pode ir, a não ser que ela pague a sua estadia, hotel, alimentação, mas quem acompanha


são os técnicos e os auxiliares. vitória - E você aprendeu a

ser independente depois disso? Aprendi muito bem.

Natiele -

vitória - E em casa, você também se tornou mais independente? Natiele - Em casa, fora de casa, não totalmente independente, mas muitas coisas eu faço sozinha, tipo um almoço, uma janta, lavo alguma coisa se precisar. vitória - Depois do goalball

como você pensa o seu futuro? Natiele - Sempre atingir os objetivos, não só no goalball, mas na minha vida pessoal e profissional também. Pretendo estar nas paraolimpíadas de 2016, cursar uma faculdade, enfim tenho muitos sonhos a realizar. vitória - Como você se desloca? O que a guia quando sai sozinha? Natiele - A minha bengala e as pessoas quando eu peço ajuda. Mesmo em locais conhecidos eu peço para alguém me ajudar quando tem obstáculos. Então sempre gera aquela dependência não só dos familiares, mas das pessoas na rua pra te ajudar. Às vezes aquelas pessoas que nem sabem ajudar, mas querem.... vitória - Alguma experiência a marcou mais, ao você pedir ajuda? Natiele - Ah, muitas vezes... muitas pessoas legais, muitas

pessoas enjoadas....algumas que você pede, moço você pode me ajudar e ele diz: é só você ir pro lado de lá... e aí eu digo, moço, mas lado de lá de cego é aonde? E aí ele repete: você tem que ir ali e depois vira ali...e eu digo: tá, muito obrigada pela sua ajuda e bom dia.... vitória - Você já está estu-

dando pro vestibular? Como você faz? Natiele - Uso o computador. Antigamente a gente só tinha o braille, (sistema de leitura pelo tato para cegos) mas agora uso bastante o computador. Nós temos leitores de tela que nos ajudam bastante. vitória - Você tem computa-

dor em casa?

Natiele - Tenho. Tá lá no quarto e

eu fico ligada no Facebook direto.

vitória - Nas novas tecnologias o que mais te ajudou? Natiele - A informática. Para ler uma história no ensino médio era mais de 30 volumes em braille, agora você vai, baixa na internet, a voz lê pra você, você acha o capítulo que precisa, tudo rapidinho. vitória - Você sempre estudou em escola pública? Natiele - Sim, até porque o estado não tem uma escola específica para deficientes. vitória - O que você acha que

a escola deveria ter e não tem para atender pessoas com de-

“Sempre atingir os objetivos, não só no goalball, mas na minha vida pessoal e profissional também. ficiência? Acessibilidade e mais boa vontade dos professores. A escola pública deixa muito a desejar pelo lado do pessoal deficiente. Química e Matemática eu não aprendi nada nestes dois anos do ensino médio.

Natiele -

vitória - Você fala isso com

os professores? Natiele - Falo que eu não entendi, mas não adianta, eles dizem que depois explicam, mas não rola só a falta de tempo dos professores, rola a falta de colaboração dos alunos, também. vitória - Que nota você se dá

como aluna?

Natiele - Pra mim, cinco, porque

às vezes eu entrava na bagunça, então cinco. Mas eu não era uma aluna 100% bagunceira, era 50%.

vitória - E como atleta, qual é a nota? Natiele - Como atleta eu me daria uns 8 ou 9 por aí. Eu não sou uma atleta totalmente disciplinada, dedicada. Eu tenho às vezes uma preguicinha de treinar, de ir na academia. vitória - Quais os propósitos

para se preparar para as Olimpíadas de 2016? Natiele - Agora eu pretendo me

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entrevista

vitória - A família apoia você?

Natiele - Apoiam sempre. Minha

mãe, minha avó, meus irmãos e a minha treinadora. Ficam felizes, independente da conquista de medalha. Eles me apoiam bastante.

vitória - Como você percebe e como se sente diante de suas limitações? Natiele - Ah, eu não tô nem aí. Sou bem tranquila. Tipo, eu não consigo...beleza, depois eu tento de novo.

Ah, o meu mundo é cor de rosa, colorido, sempre alegre e feliz. O meu mundo é maravilhoso. Eu sei como é o mundo, essas questões de violência eu sei, mas o meu mundo é o meu mundo, sempre tá tudo na paz, tudo tranquilo.” disciplinar, treinar bastante, mas eu não tenho vício pelo treino, porque isso faz mal pra você. Você tem que deixar o seu corpo descansar pelo menos três dias na semana.

vitória - É assim pra tudo?

Sim, até mesmo no esporte. Se eu não consigo peço ajuda, se não der fico tranquila, depois eu tento, se eu ver que tá difícil mas tá indo eu continuo tentando, mas se eu ver que aquela coisa é impossível eu deixo pra lá, outro dia eu tento de novo.

Natiele -

vitória - Isso não a incomoda?

Natiele - Não, não me incomoda.

vitória - Você foi sempre

assim ou em algum momento você teve vontade de não ter os limites da cegueira? Natiele - Sempre fui assim, porque para as pessoas que já nascem cegas é mais fácil. Se perder a visão é mais difícil. Eu tenho uma amiga que perdeu a visão há sete anos e eu não sei se ela já se conformou. Às vezes ela é meio revoltada, mas a gente leva

na brincadeira a revolta dela e daí a pouco ela ri com a gente. Mas eu tenho outra amiga que perdeu a visão há 4 anos e ela terminou o ensino médio, faz faculdade, tá trabalhando, pretende fazer outra faculdade quando terminar essa. Já anda sozinha, confrontou os pais e a família nas limitações e é uma pessoa bem forte. Para uma pessoa que perdeu a visão recentemente eu acho que ela é uma pessoa simplesmente sensacional, vitoriosa. vitória - Como você imagina

o mundo?

Natiele - Ah, o meu mundo é cor

de rosa, colorido, sempre alegre e feliz. O meu mundo é maravilhoso. Eu sei como é o mundo, essas questões de violência eu sei, mas o meu mundo é o meu mundo, sempre tá tudo na paz, tudo tranquilo.

vitória - O que você gostaria

que acontecesse no mundo?

Natiele - Eu gostaria que o mundo

vivesse mais em paz, que as pessoas fossem mais felizes e com menos violência, menos crimes

vitória - O que é felicidade

para você? Se sentir bem, estar de bem com a vida, estar de bem com todo o mundo. A felicidade se resume nisso pra mim. Natiele -

vitória - Você é feliz? Natiele -

Muito.


arte sacra

OS SINOS “...Os sinos estão, de certo modo, ligados à vida do povo de Deus; o seu som marca os tempos da oração, reúne o povo para realizar ações litúrgicas, avisa os fiéis sobre acontecimentos mais sérios, que podem significar aflição ou alegria para essa porção da Igreja ou para cada um dos fiéis. Vamos, portanto, participar com devoção destes ritos, renovando a intenção de prestar ouvidos à voz dos sinos, em nossa vida, pois ela nos lembra que somos uma só família e de prestar obediência a ela, pois, ao reunir-nos numa só assembleia, estamos manifestando a nossa união em Cristo”. (cf. Ritual de Bênçãos, ‘RITOS INICIAIS’ pág. 380 – Ed. Paulus, 8ª edição 2011).

Q

uem não se emociona ao ouvir o repicar dos sinos da igreja? Nas pequenas cidades ou nos grandes centros urbanos, ainda que escondidos entre os edifícios, o som dos sinos impõe-se tanto para quebrar o silêncio dos campos quanto os rumores urbanos. Convocar o povo cristão para uma reunião litúrgica através de um sinal sonoro é um costume muito antigo. Moisés, em gesto de obediência a Deus, mandou construir trombetas de prata para reunir o povo. Os sinos são dispositivos muito simples, cujo objetivo é produzir som. Com forma aproximada de um cone oco, fundidos em bronze, ressoam ao ser golpeados por um badalo ou um

martelo. Sua origem remonta à antiguidade. Foram usados nos mosteiros para convocar o povo aos rituais litúrgicos e, no século VI, o Imperador Romano Carlos Magno, incluiu as torres sineiras no programa das igrejas com função de defesa e comunicação. No Brasil, os sinos foram trazidos pelos portugueses. A modernidade e as novas tecnologias fizeram com que os toques dos sinos fossem suprimidos ou tivessem seu uso sensivelmente reduzido, principalmente nas cidades, mas também no meio rural. Hoje, tenta-se o resgate das torres sineiras no programa dos projetos das igrejas que estão sendo construídas ou reformadas,

adequando-os às formas arquitetônicas e aos materiais atuais. O toque dos sinos é um alerta no meio de tantos barulhos exteriores e interiores para o encontro com Deus e com os irmãos. A voz dos sinos nos convida a caminhar em nossa fé. Eles nos comovem, nos alegram, nos recordam quem somos e convidam-nos amorosamente a seguir a voz do Senhor: “Eis meu Filho amado, escutai-O”.

Raquel Tonini, membro da Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese de Vitória e Grupo de Reflexão do Setor Espaço Celebrativo da Comissão Litúrgica da CNBB

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Mundo litúrgico

CINZAS:

PONTO FINAL OU INICIAL?

A

celebração de Quarta Feira de Cinzas deve sair de suas cinzas e impregná-la de vida, e não só de morte, o rito e a palavra. Jamais ser mero ponto final, mas abertura ao dinâmico e maravilhoso processo de morte-ressurreição. Deixar de ser mera celebração ante “desejos de se purgar por excessos cometidos no carnaval”, ou na procura de purificação que não traga em seu bojo a conversão. Não permitir ainda, que a quase macabra cadência do “lembra-te, ó homem que és pó e ao pó tornarás”, só insista na finitude do ser humano, empobrecendo a riqueza da celebração. Não asfixiar o seu aspecto positivo: a abertura à vida nova, e nem que a fecundidade do rito se concretize na “cinza” como puro elemento, carente de significado. Diferentemente, o mistério da celebração se movimentará do nada a lugar nenhum, com inevitável asfixia espiritual. Falar em cinzas é pensar na ação múltipla e dinâmica do fogo. Ao lado da terra, do ar e da água, foi considerado como um dos quatro elementos constitutivos no mundo. Pelo seu poder devastador e pelos benefícios ela se vinculou à evolução humana. Ela não coloca lápide tumular sobre a nossa esperança, mas indica o novo que sempre está presente na história, na capacidade de conversão. Em seu silêncio é capaz de falar mistérios aos corações sensíveis. É desejável que a celebração de Cinzas não se feche em

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si mesma, mas se deixe impregnar pela dinamicidade pascal, pela espiritualidade batismal nas quais, morte e ressurreição se vinculam num todo vital. Essa primeira celebração quaresmal é carregada de vida. Para ilustrar o nosso raciocínio evocamos a sabedoria do mito a ser encarado sem preconceito. Nele se vislumbra a vida anterior incinerada que emerge de suas cinzas aparentemente estéreis e esterilizantes. Sim! Referimo-nos ao “Fênix”, o pássaro mitológico que morria em combustão; todavia, a seguir, ressurgia pujante de suas cinzas. Insistimos na força do exemplo que, mesmo em suas limitações, pode ilustrar a realidade do Crucificado-Ressuscitado a ser, com a graça divina, por nós vivenciado em tão bela liturgia quaresmal. Mas, vamos além. Na liturgia judaica as cinzas não são sinal de abatimento, de estagnação, de morte. Nelas há como que certa potencialidade restauradora, revitalizadora. Assentar-se nas cinzas era sinal de conversão: renegar a

vida pregressa e abraçar o bem. Jonas é um grito contra a doutrina da exclusividade dos judeus no plano salvífico. Mostra que também os pagãos são chamados a participar do banquete. Tanto que o rei da odiada Nínive que tanto oprimiu os judeus se senta nas cinzas, a significar o abandono do mal e a abertura ao bem, à verdadeira vida (Jn 3,5-10). Compreende-se, então, o uso da cinza da vaca vermelha no rito de purificação (Nm 19,122), imagem da operada pelo sangue de Cristo (Hb 9,12-14) no qual todos os povos alvejam suas vestes (Ap 7,13-14). De per si, a cinza nada purifica. Mas, externa e alimenta, liturgicamente, o propósito de conversão: o coração de carne substituindo o de pedra (Ez 11,19). Jesus, também, ilustra como a cinza é sinal de abertura à vida plena, à grande comunhão. (Mt 11,21). Urge, na precariedade da imagem “cinza”, chegar ao Crucificado-Ressuscitado, o verdadeiro “Fênix”, o que da “cinza” de sua morte propicia a morte e a ressurreição a todos.

É desejável que a celebração de Cinzas não se feche em si mesma, mas se deixe impregnar pela dinamicidade pascal, pela espiritualidade batismal nas quais, morte e ressurreição se vinculam num todo vital.

Pe. Mauro Odoríssio, CP Missionário Passionista São Carlos/SP

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espiritualidade

VAI RECLAMAR COM O BISPO!

O

ato de queixar-se é próprio das crianças. Um adulto jamais deve queixar-se. Quem se lamenta está pedindo o colo da mãe. O adulto é obrigado a viver caminhando com as próprias pernas, enfrentar a realidade da vida e tomar contínuas decisões com as devidas consequências, sem queixar-se. O adulto pode, sim, pedir conselhos e deve procurar ajuda em situações limites, quando percebe que não possui as forças necessárias para enfrentar determinada circunstância da vida.

O cristão adulto recorre a Deus em primeiro lugar. Damos o nome de oração ao fato de abrir a boca e a alma diante de Deus. Oração é também pedir socorro, desabafar, pedir o colo do Pai e da Mãe Maria Santíssima. O cristão adulto não reclama com as pessoas e não “desabafa” indiscriminadamente. O seu amor ao próximo deve ser maior do que os seus problemas. Todo cristão adulto deve gerar vida ao seu redor, sendo apoio e sustento para toda pessoa que cruzar o seu caminho. O cristão transpira esperança. Toda pessoa acostumada a lamentar-se e muito queixar-se, é egoísta, é infantil. Temos que olhar mais para Jesus e aprender com Ele a amar. Com Jesus aprendemos que a dor do outro é mais importante que a nossa. Não importa saber ou medir qual dor é maior: se a nossa dor ou a do outro. Mesmo se a

nossa dor for maior do que a dor do irmão, a dele sempre será mais importante do que a nossa. “Não há maior amor do que dar a vida pelos irmãos” (Jo 15,13). Jesus também nos ensinou a fazermos para os outros, aquilo que queremos que o façam para nós (Cfr. Mt 7,12). Queremos ao nosso lado pessoas boas e fortes, que irradiem vida e esperança. Sejamos nós, portanto, essas pessoas cheias de vida e esperança para aqueles que nos rodeiam. Caso seja inevitável conviver com pessoas negativas e pessimistas, nos esforçaremos para criar ao nosso redor um ambiente de paz, serenidade e alegria, sem perder a verdade e a transparência. Afinal, é melhor a verdade que dói, do que a mentira que agrada. “A verdade vos libertará” (Jo 8, 32). Dom Rubens Sevilha, ocd Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Vitória

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vitória Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

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comunidade de comunidades

Santa Luzia N

esta edição vamos falar da santa que dá nome a mais de 35 comunidades de nossa Arquidiocese de Vitória: Santa Luzia. Celebrada no dia 13 de dezembro, é lembrada por todos nós por ser, segundo tradição popular, a

protetora da visão. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas de grande devoção, pelos que a invocam nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira. Luzia deriva de ‘luz’ e a devoção à santa vem desde o século V. Diz a antiga tradição oral que essa proteção se deve ao fato de que ela arrancou os próprios olhos no momento de seu martírio, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. Luzia pertencia a uma rica família de Siracusa. Sua mãe ao ficar viúva, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local. Mas a moça havia feito voto de virgindade eterna e pediu que o matrimônio fosse adiado após uma terrível doença que acometeu sua mãe.

Com a cura da mãe após peregrinação até o túmulo de santa Águeda ou Ágata, foi permitido a Luzia que mantivesse sua castidade e que dividisse com os pobres o dote ofertado a sua família pelo jovem. O noivo, inconformado com o cancelamento do casamento, denunciou Luzia por ser cristã. A jovem foi levada a julgamento e carregada à um prostíbulo. Ali foi condenada a morte. O ano era 304. Passado mais de um século, o ato heróico de Luzia fez com que o papa Gregório Magno a incluísse nos cânones da missa e em 1894 seu martírio foi confirmado. Seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a Igreja de Siracusa, onde é venerada e celebrada no mês de maio. Gilliard Zuque

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Santa Luzia em nossas comunidades

Área Benevente Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Santa Luzia Ipê (Alfredo Chaves) Paróquia Nossa Senhora da Assunção – Boa Vista de Iriri Paróquia de São Pedro - Amarelos Paróquia São José – Muquiçaba Área Cariacica-Viana Paróquia de Santa Maria Goretti – Vista Mar Paróquia Santa Clara de Assis – Caxias do Sul, Eldorado e Industrial Paróquia de São João Batista – Santa Luzia Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Alto Boa Vista Paróquia São Francisco de Assis – Retiro Saudoso Paróquia Nossa Senhora da Conceição – São Rafael (Viana) Paróquia Bom Jesus – Flor de Piranema Paróquia Sagrada Família Jesus Maria e José – Nova Rosa da Penha 1 Paróquia de Sant’ana – Santana Paróquia São Francisco de Assis – Santa Luzia Área Serra Paróquia São Paulo Apóstolo – Serra Dourada 2 Paróquia São José Operário – Jardim Carapina Paróquia de São Pedro – Jacaraipe Paróquia de São José de Calasanz – Feu Rosa Paróquia Sagrados Corações de Jesus e de Maria – Taquara 2 Paróquia São Benedito - Seringal Área Serrana Paróquia de São Sebastião – Firme e Rio do Peixe Paróquia do Divino Espírito Santo – Pedra Branca (Sta. Leopoldina) Paróquia Sagrado Coração de Jesus – São Domingos Paróquia de Nossa Senhora de Fátima – Ribeirao (Pedra Azul) Paróquia de Sant’ana – Alto Baia Nova

Área Vila Velha Paróquia Santa Mãe de Deus – Santa Ines Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Vale Encantado Paróquia da Santíssima Trindade – Cavalieri Paróquia Nossa Senhora da Glória – Jaburuna Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes – Ponta da Fruta Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Praia do Ribeiro Área Vitoria Paróquia de Santa Rita de Cássia – Jaburu Paróquia da Sagrada Família – Jardim Camburi Paróquia de São José – Santos Dumont Paróquia de São Camilo de Lelis – Mata da Praia Paróquia de Santa Luzia – Santa Luzia (paróquia e matriz)

Ó Santa Luzia, que preferistes que vossos olhos fossem vazados e arrancados antes de renegar a sua fé e compuscar vossa alma; e Deus com um milagre extraordinário, vos devolveu dois olhos perfeitos para recompensar vossa virtude e vossa fé, e vos constituiu protetora contra as doenças dos olhos. Eu recorro a vós para que protejais minhas vistas e cureis a doença de meus olhos. Ó Santa Luzia conservai a luz dos meus olhos para que possa ver as belezas da criação, o brilho do sol, o colorido das florestas e o sorriso das crianças. Conservai também os olhos de minha alma, a fé , pela qual eu possa compreender seus ensinamentos, reconhecer o seu amor para comigo e nunca errar o caminho que me conduzirá onde vós Santa Luzia, vos encontrais , em companhia dos Anjos e Santos. Santa Luzia, protegei meus olhos e conservai minha fé. Amém.

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Reportagem Letícia Bazet

As faces d E

m seu livro, ‘O que faz do Brasil, Brasil’, o antropólogo Roberto DaMatta discursa sobre os efeitos do carnaval na sociedade brasileira, afirmando que esta é a festa da igualdade, da liberdade, da inversão do mundo em direção à alegria. Segundo ele, “o diverso, o diferente — o universo da individualidade —, que é tão temido na vida diária, é moeda corrente no carnaval, onde todos podem surgir como indivíduos e como singularidade, exercendo o direito de interpretar o mundo do seu ‘jeito’ e a seu modo”. Essa é a verdadeira característica do carnaval brasileiro: uma data em que os problemas são esquecidos, a felicidade contagia, e todos podem assumir o papel que quiserem sem se preocupar com as opiniões e rótulos ganhos durante a folia. Marina Zanchetta é professora de educação infantil e compositora da escola de samba Jucutuquara, localizada em Vitória. O carnaval entrou em sua vida quando, ainda criança, participava junto com os pais de blocos de rua no interior do Estado. “Para mim o carnaval tem a cara da alegria, é o momento em que as pessoas esquecem seus problemas, curtem e aproveitam. Para mim o carnaval vai muito além da sensualidade e exibição do corpo, ele faz parte da cultura do estado e do país e, por isso, precisa ser valorizado e incen-

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o carnaval tivado. A própria comunidade, ao se envolver, ganha, pois nesse período ela tem a oportunidade de garantir uma renda extra e também de aprendizado, já que para cada enredo uma história precisa ser pesquisada, estudada e bem contada”, afirmou. Em Caratoíra, o carnavalesco da escola de samba Novo Império, Chico Spala, também viu seu sentimento pelo carnaval crescer por intermédio do pai, que costurava para as escolas de samba e inseriu o filho nas atividades carnavalescas. “Fui nascido e criado dentro de um barracão. Tem pessoas que gostam de viajar, de ler, de praia, eu gosto do carnaval. Desde cedo aprendi a costurar e desenhar, então escola de samba para mim não se

torna obrigação e sim diversão”, contou. “Só tenho uma palavra para o carnaval: felicidade. Sou muito feliz com o que eu faço. Na escola de samba agregamos amigos, lembramos das pessoas que lutaram e trabalharam para a escola sair. Cada pessoa que está aqui dentro, está por amor, suam, sangram, e podemos ver a satisfação no rosto delas”.

“O brasileiro só não é diferenciado em classes sociais em duas ocasiões: no carnaval e nas eleições. Nesses momentos não importa se é pobre ou rico, todos participam.” Chico Spala

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Reportagem

Ainda em sua obra, DaMatta explica que o carnaval é um período percebido como algo que vem de fora, e está ali, sistematicamente, acontecendo todos os anos. Período este, que liberta o corpo do castigo do trabalho, para usá-lo como instrumento de prazer e beleza. “O carnaval, com suas regras de inversão, fica como que deslocado da realidade cotidiana, podendo ser vivido como algo de fora e, daí, como algo que surge como uma regra ou lei natural que teria validade para todos, independentemente de sua posição na estrutura social. Ou apesar dela... Ou por causa dela…”. Assim também pensa Chico Spala: “O brasileiro só não é diferenciado em classes sociais em duas ocasiões: no carnaval, quando não importa o dinheiro, pois o rico e o pobre estão ali na avenida, juntos, sem ninguém conseguir distingui-los; e nas eleições, o voto de um vale tanto quanto o de outro. Carnaval é a época que a pessoa tem para extravasar, se divertir e se livrar de tudo aquilo que o prende durante o ano, pois a labuta não é fácil”. O carnaval social Para Chico, a escola de samba precisa desenvolver seu lado social envolvendo a comunidade, transmitindo valores para crianças e jovens, saúde para a terceira idade e formação. “O carnaval precisa ser responsável também por cumprir esse papel social, e não apenas garantir a diversão naquele momento, naqueles dias de excessos, felicidade e

liberdade. Fizemos uma festa em nossa quadra em que conseguimos arrecadar 200 quilos de alimentos para as vítimas das enchentes. Por que isso não é feito durante todo o ano?”, questiona. Marina se aproveita de sua profissão e desenvolve com seus alunos projetos e apresentações ligados a história do carnaval mostrando a beleza


O outro lado Wilson Nunes foi carnavalesco no ano 2000 da escola de samba Andaraí e, após essa experiência, desiludiu-se com a falta de estrutura oferecida para o desenvolvimento do trabalho nos barracões. “Faltava gente para ajudar, o dinheiro para comprar os materiais chegava em cima da hora, tudo atrasou e no final eu não consegui nem entrar na avenida”. Wilson ainda tece críticas à forma como as pessoas vivenciam o período do carnaval: “muita gente acaba se omitindo de coisas que o cercam por causa da festa. No carnaval as pessoas parecem esquecer dos problemas existentes, para viver alguns dias nessa fantasia, nessa maquiagem da realidade”. Em sua análise, Roberto DaMatta ressalta que a fantasia permite que possamos ser tudo o que queríamos, mas não foi permitido pela vida. Com ela é possível conseguir o compromisso entre o que realmente somos e aquilo que gostaríamos de ser. “Se no mundo diário

da festa popular. “A própria Jucutuquara também promove iniciativas junto às escolas da região, mostrando que o carnaval está muito mais presente em suas vidas do que se pode imaginar. Os ritmistas comparecem, ensinam, transmitem às crianças o que eles sabem, e, é por essa troca que o aprendizado acontece”, disse.

O carnaval é a festa da alegria e do entusiasmo. A data pode ir muito além da folia dos quatro dias, se encarada como uma manifestação cultural e popular que pode transmitir bons exemplos para a nossa sociedade politicamente diferenciada. Geração de renda, trabalho de valorização da comunidade, programas de reciclagem, resgate da

estamos todos limitados pelo dinheiro que se ganha (ou não se ganha...), pelas leis da sociedade, do mercado, da casa e da família, no carnaval e na fantasia temos a possibilidade do disfarce e da liberação”. E para ele, essa liberação mostra-se salutar, tendo em vista a rotina hierárquica de obrigações e a invisibilidade das pessoas, que no carnaval, podem ser notadas. Para Wilson, é nesse sentimento de alegria e festejos que mora o perigo. “Enquanto acontece o carnaval, muita coisa é varrida para debaixo do tapete e os foliões nem tomam conhecimento. Algumas pessoas vivem o carnaval como se o mundo fosse acabar em quatro dias e acabam fechando os olhos para tudo o que está a sua volta. Eu adoro carnaval, curto, aproveito, mas não consigo me alienar e achar que tudo está perfeito, por que é carnaval. Precisamos saber os nossos direitos, deveres e cumprir o nosso papel de cidadãos”.

história e inclusão são algumas das iniciativas que, de acordo com as pessoas ouvidas nesta reportagem, podem ser desenvolvidas durante o restante do ano, enquanto a maioria volta à sua rotina de tarefas e obrigações, aguardando a chegada do próximo carnaval. É a união das pessoas no carnaval se estendendo nas práticas cotidianas.

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Caminhos da Bíblia

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A

texto das bem-aventuranças de Mateus 5,1-11, é muito conhecido e importante quando se quer indicar o caminho do discipulado e o modo de vida dos discípulos do Senhor. No desejo de aprofundá-lo e oferecê-lo como caminho de vivência quaresmal, irei apresentá-lo em duas partes, para os meses de fevereiro e março. Que a meditação deste texto nos ajude a trilhar o caminho do Evangelho, que apresenta como felizes todos aqueles que estão abertos a acolher e receber o Reino dos Céus, isto é, os pobres e os perseguidos.

Felicidade

dos bem-aventurados parte I

A felicidade dos pobres em espírito. Para se entender bem esta passagem, é preciso olhar para o que a Sagrada Escritura diz sobre a riqueza e sobre a pobreza. Em todo o Antigo Testamento a riqueza é apresentada como benção de Deus, ou seja, o rico é abençoado por Deus e a sua riqueza é sinal do favor divino, como no caso de Jó. Como então entender a

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pobreza proposta nas bem-aventuranças? Para isso, é necessário também, partir do Antigo Testamento e da maneira como os pobres são tratados pelo próprio Deus. A palavra pobre em hebraico é anawin, que possui não somente uma dimensão sociológica, ou seja, de descrever os pobres, mas também uma dimensão religioso-teológica, indicando os preferidos


de Deus, aqueles para os quais o Senhor olha com uma atenção redobrada e amor infinito. Assim, o pobre, mesmo vivendo sob a dominação e exploração por parte dos ricos, não perde a confiança no Deus que poderá salvá-lo, sua riqueza é a presença de Deus. Seu olhar está voltado para o Senhor e a sua confiança está colocada Naquele que selou aliança com o seu povo e que jamais lhe deixará faltar coisa alguma. Isso não significa que a Sagrada Escritura fecha os olhos para a exploração injusta do pobre e defende a sua situação de pobreza, muito pelo contrário, por meio dos profetas Deus chama a atenção dos governantes que deveriam promover e defender a vida, mas preferem procurar e defender seus próprios interesses. A felicidade dos mansos e a posse da terra. Não é simples definir a quem a passagem se refere, mas pode-se perceber uma certa proximidade com os pobres descritos anteriormente. Algo que pode ajudar na compreensão é o fato de que o evangelista Mateus descreve Jesus como manso e humilde de coração, indicando aos discípulos o caminho percorrido

“Na vivência desta alegria presente na pobreza, na força encontrada na humildade, na consolação entre as lágrimas e na proclamação firme da justiça, o testemunho de fé da comunidade dos discípulos se concretiza no dia a dia da vida.” pelo Mestre. Tal bem-aventurança está unida diretamente à perseguição sofrida pelos discípulos que deveriam reagir diante desta com a bondade, a humildade e a mansidão. A felicidade dos que choram. Tal expressão deve ser entendida partindo do que a segue, que é a consolação. A recompensa apresentada é a garantia da presença do Messias ao lado dos que sofrem as mais variadas injustiças, dos que padecem pela opressão. O Deus de Israel está presente ao lado de todo sofredor, consolando suas dores e guiando-o em seus caminhos. Tal consolação ganha o seu sentido pleno na vitória de Cristo sobre a morte, em sua ressurreição, quando todas as lágrimas são enxugadas e todo mal é cancelado. A felicidade dos famintos. Aqueles que têm fome e sede de justiça são os que têm a esperança de serem saciados plenamente; a

sua fome e a sua sede vão para além de algo material, pois a sua esperança está colocada na renovação profunda do mundo em que vivem. A justiça está sempre unida à misericórdia divina, Deus age com justiça quando é fiel às suas promessas e liberta o seu povo integralmente. A busca dos discípulos deve ser incessante pela justiça e pelo direito, na defesa dos pequenos e pobres, como o faz sempre o Deus da Aliança. Nos passos destes bem-aventurados a comunidade dos discípulos de Cristo encontra seu caminho. Na vivência desta alegria presente na pobreza, na força encontrada na humildade, na consolação entre as lágrimas e na proclamação firme da justiça, o testemunho de fé da comunidade dos discípulos se concretiza no dia a dia da vida. Pe. Andherson Franklin, professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura

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aspas

Trechos da mensagem do Papa francisco para o dia mundial das ComunicaÇões sociais Uma boa comunicação ajuda-nos a estar mais perto e a conhecer-nos melhor entre nós, a ser mais unidos. Os muros que nos dividem só podem ser superados, se estivermos prontos a ouvir e a aprender uns dos outros. Precisamos de harmonizar as diferenças por meio de formas de diálogo, que nos permitam crescer na compreensão e no respeito. A cultura do encontro requer que estejamos dispostos não só a dar, mas também a receber de outros. Os mass-media podem ajudar-nos nisso, especialmente nos nossos dias em que as redes da comunicação humana atingiram progressos sem precedentes. Como pode a comunicação estar ao serviço de uma autêntica cultura do encontro? E – para nós, discípulos do Senhor – que significa, segundo o Evangelho, encontrar uma pessoa? Como é possível, apesar de todas as nossas limitações e pecados, ser verdadeiramente próximo aos outros? Estas perguntas resumem-se naquela que, um dia, um escriba – isto é, um comunicador – pôs a Jesus: “E quem é o meu próximo?” (Lc 10, 29 ). Esta pergunta ajuda-nos a compreender a comunicação em termos de proximidade. Poderíamos traduzi-la assim: Como se manifesta a “proximidade” no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais? Encontro resposta na parábola do bom samaritano, que

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é também uma parábola do comunicador. Na realidade, quem comunica faz-se próximo. E o bom samaritano não só se faz próximo. Hoje, corremos o risco de que alguns massmedia nos condicionem até ao ponto de fazer-nos ignorar o nosso próximo real. Não basta circular pelas “estradas” digitais, isto é, simplesmente estar conectados: é necessário que a conexão seja acompanhada pelo encontro verdadeiro. Não podemos viver sozinhos, fechados em nós mesmos. Precisamos de amar e ser amados. Precisamos de ternura. Não são as estratégias comunicativas que garantem a beleza, a bondade e a verdade da comunicação. O próprio mundo dos mass-media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas. A neutralidade dos mass-media é só aparente: só pode constituir um ponto de referimento quem comunica colocando-se a si mesmo em jogo. O envolvimento pessoal é a própria raiz da fiabilidade dum comunicador. É por isso mesmo que o testemunho cristão pode, graças à rede, alcançar as periferias existenciais. Tenho-o repetido já diversas vezes: entre uma Igreja acidentada que sai pela estrada e uma Igreja doente de auto-referencialidade, não hesito em preferir a primeira. http://www.cnbb.org.br/imprensa/ internacional/13524-2014-01-23-14-02-09


especial

Planejamento Espiritual

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Papa Francisco, com sua espiritualidade, está resgatando princípios fundamentais do Evangelho. O cristão é chamado a assumir o compromisso de ser nova criatura, em Cristo. Assim deve se comprometer a ser Igreja, planejar sua Vida Espiritual. O Planejamento Espiritual é necessário e benéfico ao cristão. Você já pensou nisso? Muitos naufragam em seus planos no início do novo ano. Planejam muita coisa e esquecem que precisam cuidar de si mesmos. Proponho a você um planejamento espiritual. Sugiro que siga algumas tarefas: Leitura Bíblica Como cristãos devemos ter um plano diário de comunhão com Deus através da leitura bíblica. Uma ótima ideia é seguir a liturgia diária. Pode ler seguidamente um livro ou por trechos ou temas. Às vezes, deixamos de ler a Bíblia, por que Deus nos põe em xeque. É preciso superar isso. Deus fala a cada um de nós através da sua Palavra.

Oração A oração é um fortificante para a alma. Nos liga profundamente a Deus e nos prepara para aguentarmos os ‘trancos’ da vida. Ela esteve presente na vida de grandes cristãos que chegaram à santidade. Assim, faça seu plano de oração diária. “A oração é o primeiro alimento do espírito, como o pão é o alimento do corpo.” (Dom Bosco)

Jejum O jejum parece estar em desuso. É uma pena! Pois ele é bíblico e é uma poderosa ferramenta para o fortalecimento espiritual. Prepara-nos para o exercício das boas obras. Existem tantos tipos de jejuns: da língua, do pensamento, das mãos, dos pés, como também do cigarro, da bebida, da comida... Tantos fazem dietas fortíssimas, se preocupam com o corpo, mas esquecem da alma...

Há de se planejar a espiritualidade para com o outro. Assim, pensar sua vida na rotina do seu dia a dia. A vida do cristão deve ser de oração e missão. Em todo lugar, devemos dar testemunho da alegria que encontramos em Cristo e da beleza que nos surpreende ao escolher a Ele como

Senhor de nossa vida. Podemos pensar alguns exemplos: se colocar à disposição para visitar irmãos afastados, enfermos, idosos, pessoas que precisam ouvir o Evangelho; se dispor a servir a comunidade naquilo que tenha o dom; marcar presença e colaborar nas atividades da Igreja; se comprometer em partilhar o dízimo; se organizar e se engajar em algum projeto para o crescimento do Reino de Deus, entre outros. Busque em Deus o que Ele possa lhe indicar, prepare-se e disponha-se para isso! Com simplicidade e, sobretudo, disposição é possível fazer um bom Planejamento Espiritual e cumprí-lo. Antes de pensar em planejar, tenha os pés no chão e lembre-se que é preciso contemplar sua pessoa, seu cotidiano, não pode ficar fora a família, a Igreja... Mas como disse Jesus ‘busque primeiro o Reino de Deus e tudo mais será acresecentado’. Pe. João Norberto Pinto, SDB

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Projeto Letícia Bazet

compras Muito além das

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o bairro Feu Rosa, na Serra, uma iniciativa que promove a solidariedade e a dinamização do voluntariado atrai e envolve a comunidade em uma rede de relacionamento que beneficia a todos. O Bazar do Centro integra as ações do Centro Social São José de Calasanz, uma entidade que atende cerca de 280 crianças e adolescentes dos bairros Feu Rosa e Vila Nova de Colares, promovendo a inclusão através da educação, da cultura e potencializando seus valores

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na sociedade. Além de se dedicar ao atendimento formativo, o Centro Social também busca se relacionar com as famílias e com a comunidade onde está inserido, oferecendo serviços que os beneficiem de alguma maneira. Assim se explica o surgimento do Bazar do Centro. No local, é possível encontrar peças do vestuário masculino, feminino e infantil, calçados, e também eletrodomésticos em bom estado - itens recebidos por meio de doações vindas de diversos lugares - com preços que variam de R$ 1 a R$ 15, exceto os eletros. Tudo o que é doado passa por uma triagem, é separado por tamanho, idade e estilo de roupas,

e depois colocado à venda. Às quartas e sextas feiras, os clientes têm a oportunidade de adquirir bons produtos a um preço acessível. Com a iniciativa, uma família foi formada: as voluntárias que se dedicam ao atendimento no bazar, a comunidade local, que ganhou uma “loja” com possibilidade de consumo, e os padres da paróquia São José de Calasanz, que cuidam de toda a logística com atenção, dedicação, amor e vontade de fazer o bem. Toda a renda arrecadada é revertida para auxiliar nas ações desenvolvidas pelo Centro Social, na alimentação, e na compra de material pedagógico e didático.

280

crianças e adolescentes

São acolhidas no projeto Funcionamento O bazar funciona na quartafeira, de 13h às 16h30 e na sexta-feira, de 14h às 17h. O Bazar do Centro recebe todos os tipos de doações. Caso queira ajudar e fazer parte dessa família, entre em contato pelo telefone (27) 3243-5065.

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ideias

paris ou na noruega

aqui, em

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udo estava combinado para me encontrarem ali, entre a rua Saint-Dennis e a rua des Innocents, em Paris. Fui recebido por um engenheiro da Normandia, Jean-Baptiste Barate, que me levou a ver a obra e me fazer conhecer sua empreitada. Não que me fosse do interesse saber da desativação daquele cemitério e da Igreja dos Saints-Innocents que lhe era contígua, mas não vou negar certa curiosidade em saber como se procedia para acabar com um cemitério, ainda mais em Paris. Se o que eu construíra na minha mente era uma cidade de cheiros e sabores, ali naquele bairro eu me decepcionava com o odor insuportável. O “quer ir a Paris siga seu nariz” parecia perder sua força afirmativa naquele lugar. Mas segui adiante, tanto quanto possível tentando me adaptar à situação e ao mau cheiro. Barate, o engenheiro, tinha sido incumbido de resolver a situação. Estava auxiliado naquela estranha tarefa por uns pobres trabalhadores da Normandia que encaravam com valentia o trabalho, acostumados que eram com as dificuldades, pois que vinham das minas de carvão, onde foram recrutados. Seguindo seu trabalho fui percebendo que aquele jovem engenheiro transitava, ora mais animado, ora menos, pelas ideias que seriam, segundo suas convicções, próprias de um homem do futuro, um homem moderno, conduzido pela razão. Também por isso tinha aceitado desativar o cemitério, demolir a velha igreja, limpar a cidade do seu passado, dos seus cadáveres, do mau cheiro. Impossível não se dar a certos pensamentos ao ver a empreitada que ele conduzia. Limpar o velho, cultivar o novo. Impossível não se por em reflexão a respeito do passado, de como lidamos com ele. Não são poucas

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as vezes em que fatos, situações e acontecimentos são simplesmente higienizados em nossos livros de história. Retiram-se, escondem-se as podridões. (Fiquei pensando na “comissão da verdade” no Brasil e no seu árduo trabalho). Bem, depois daqueles estranhos dias em Paris que me possibilitaram algumas novas compreensões da vida e da história segui para a Noruega, mais precisamente para o interior daquele país. Trond Sander, um contido mas afetuoso senhor de 67 anos, me acompanhou e me apresentou uma linda e remota região. Mas o que me valeu mesmo a viagem foi a história que ele me foi contando. Lembranças de sua infância, o amor pelo pai e o relato de um verão especial na sua história. Mais do que a beleza do cenário que ainda me povoa a mente com cores e cheiro de madeira cerrada, de cavalos que meninos brincavam de roubar, o que fica bem presente pelas conversas com Trond Sander é a certeza de que cada um, mais cedo ou mais tarde, se deparará com a leitura da própria vida onde se evidenciarão as perdas, os erros,

“De dores, perdas, sombras e coisas malcheirosas a vida e a história se fazem, seja aqui, em Paris ou na Noruega, mas o que deve se erguer como importante é a dignidade com que fazemos frente a elas, o que escolhemos ser, mesmo e apesar do que nos aconteceu.

os acertos e as descobertas nem sempre agradáveis. E ouvindo-o por uns dias naquela cabana descuidada onde ele me recebeu nos campos gelados da Noruega fui me firmando em velhas e boas convicções. Do que o simpático Trond Sander me relatou ficou uma palavra que de certa forma já tinha me sido dita pela vida, mas que, pelo seu relato meditativo e lírico, ficou ecoando por muitos dias em meu coração enquanto que eu já viajava pela Itália: ... e afinal somos nós que decidimos quando vai doer. De dores, perdas, sombras e coisas malcheirosas a vida e a história se fazem, seja aqui, em Paris ou na Noruega, mas o que deve se erguer como importante é a dignidade com que fazemos frente a elas, o que escolhemos ser, mesmo e apesar do que nos aconteceu. Afinal somos nós que decidimos. Bem, é claro que você já se deu conta que estou falando de livros. O primeiro de Andrew Miller, Puro, que se passa em 1876 em Paris. O segundo, Cavalos roubados, do norueguês Per Petterson que se passa em 1999 e se recorda um verão de 1948. Dauri Batisti

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prÁtica do saber Letícia Bazet

Programa presta assistência online a profissionais de saúde

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oltado para os profissionais da área da Saúde, o Telessaúde é uma iniciativa do Ministério da Saúde, trazido ao Estado e executado por uma parceria entre o Ifes, a Ufes, e a Secretaria de Estado da Saúde. O programa objetiva prestar assistência às equipes da atenção básica, por meio da capacitação online. Médicos, dentistas, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e agentes comunitários das Unidades de Saúde da Família são cadastrados no programa através da adesão do município e, em um sistema online, podem tirar dúvidas de situações vividas no

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atendimento cotidiano, participar de palestras e de cursos de capacitação. As perguntas são respondidas por especialistas de cada área em até 48 horas. Para o professor coordenador do programa, Rodrigo Varejão, o Telessaúde tem recebido um retorno positivo dos usuários, e justifica: “cerca de 90% dos profissionais informaram que a resposta dada evitou o encaminhamento de pacientes para Vitória. A grande necessidade dos profissionais da ponta é ter um suporte para que ele consiga resolver o máximo possível dos problemas lá, próximo da

residência dos usuários do sistema de saúde, evitando a superlotação nos grandes centros. Essa é a maior contribuição da teleconsultoria”. O professor Marcelo Queiroz Schimidt completa: “no interior, principalmente, a grande dificuldade dos profissionais é a falta de um par, de um parceiro para ouvir, discutir e formar uma segunda opinião. E aí o Telessaúde o ajuda no sentido de ter mais segurança para diagnosticar um paciente e evitar o encaminhamento”. O ponto de partida do programa foi o atendimento às Unidades de Saúde, mas a


Requisitos

intenção dos coordenadores do Telessaúde é começar a fazer o caminho inverso, e também atuar na urgência e emergência. “Precisamos sempre nos renovar para novos desafios e continuar ampliando, pois o impacto do programa precisa ser notado não só nas Unidades de Saúde, mas também nos centros de especialidade e outros meios de atendimento primário. Nós temos uma estrutura atuante, que traz resultados, e colocamos como desafio atuar junto a Central de Regulação. Estudos comprovam que é possível reduzir uma fila de espera em até

70% com esse atendimento bem realizado lá na ponta”, afirmou Rodrigo. Outra facilidade do programa é o envio de fotos para auxiliar no diagnóstico e tratamento do problema encontrado pelo profissional. Toda a tecnologia do ambiente virtual foi desenvolvida pelo Ifes e a identificação do profissional especializado para tirar as dúvidas é realizada pela Ufes e pela Secretaria de Saúde. O programa está implantado em 55 municípios do Estado, e a meta para 2014 é atingi-lo em sua totalidade.

Para aderir ao programa, a Unidade de Saúde precisa ter acesso à internet, e é necessário que haja estímulo de estudo ao profissional para utilizar a ferramenta e ainda para que permaneça atualizado, realizando os cursos de capacitação e participando das palestras disponibilizadas. O equipamento é concedido pelo Ifes, que entrega o Kit Telessaúde para cada unidade, contendo o computador, caixas de som, máquina fotográfica e webcam. O material deve estar disponível em local adequado para que todos os profissionais o utilizem. Além do computador da Unidade, o acesso ao ambiente pode ser feito de qualquer computador, e ainda tablet e celular, através aplicativos também desenvolvidos pelo Instituto.

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reflexões

Fé e razão se ajudam mutuamente A fé não acaba com a autonomia da razão, nem reduz seu espaço, mas faz compreender que em determinados acontecimentos se torna visível e atua o próprio Deus.”

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onversando algum tempo atrás com os jovens do Ministério Universidades Renovadas, um dos serviços de evangelização da Renovação Carismática Católica do Brasil, destacávamos a importância entre Fé e Razão e a necessidade do estudo da carta Encíclica Fides et Ratio, de João Paulo II, sobre as relações entre fé e razão, lançada no dia 14 de setembro de 1998. A carta começa destacando que a fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Com uma reflexão de grande densidade filosófica e teológica, o Papa procura dar mais confiança ao homem contemporâneo. A fé não acaba com a autonomia da razão, nem reduz seu espaço, mas faz compreender que em determinados acontecimentos

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se torna visível. A fé aperfeiçoa o olhar interior, abre a mente. “A razão é valorizada, mas não superexaltada. O que ela alcança pode ser verdade, mas só adquire pleno significado se o seu conteúdo for situado num horizonte mais amplo, o da fé” (nº 20). A Carta Encíclica foi e continua sendo bem vinda num mundo marcado por tanta desigualdade. De um lado, avanços fantásticos nas áreas da técnica e da ciência. De outro, o fracasso da razão, que não conseguiu vencer algo tão elementar quanto a fome e vive uma das piores crises na arte de produzir a vida. A Encíclica denuncia que, distante dos valores da fé cristã, a razão se tornou um instrumento a serviço do prazer e do poder, gerando a morte. O Papa apela energicamente para a busca da verdade integral, da verdade unitária, em íntima relação com o sentido da vida.

As filosofias atuais perderam-se numa visão fragmentada da realidade, deixando de lado as questões fundamentais da existência sem resposta. Por que vivemos? Por que existe o mal? Qual o sentido da história humana? Que futuro nos aguarda? Em consequência, produz-se tal distorção da realidade, na qual o homem nunca foi tão rico e poderoso e tanto menos sabe o que fazer com sua riqueza e seu poderio: não há certezas, os padrões morais e intelectuais desabaram e não surgem lideranças. A Encíclica propõe uma mudança de percurso para o pensamento humano, pois, sem a presença do Absoluto, a humanidade caminha para o absurdo. Encerramos nosso diálogo, relembrando um belo pensamento de Frei Beto, “Sem sonhos e utopias, o ser humano recorre às drogas ou às pseudofilosofias justificadoras de nossa progressiva desumanização, numa sociedade que faz a mercadoria valer mais do que as pessoas”. Com certeza, Fé e Razão se ajudam mutuamente. Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Vitória


vitória Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

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Periodicidade: mensal


ARQUIVO E MEMÓRIA

SÃO PASCOAL DE BAYLÃO PATRONO DOS CONGRESSOS EUCARÍSTICOS

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m setembro de 1945, comemorando o cinquentenário da fundação da Diocese do Espírito Santo, Dom Luiz Scortegagna realizou um Congresso Eucarístico Diocesano. O bispo convocou todo o povo católico em 08 de dezembro de 1943, a se empenhar nos preparativos do evento. Foi um grande acontecimento em que os diversos segmentos da Igreja do

Espírito Santo, atuantes naquele tempo, não mediram esforços para a sua realização. Várias autoridades participaram das solenes celebrações eucarísticas que aconteceram durante quatro dias. Bispos, arcebispos, o Cardeal do Rio de Janeiro, Dom Jayme Câmara e o Núncio Apóstólico, Dom Aloisio Masella, também participaram de vários momentos do Congresso em Vitória.

Santinho com imagem de São Pascoal Baylão - Padroeiro das Associações Eucarísticas. No verso a oração pelo êxito do Congresso Eucarístico Diocesano

Congresso Eucarístico Diocesano, realizado em Vitória em setembro de 1945

Giovanna Valfré Coordenação do Cedoc

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ensinamentos

VALORES

DE TODOS OS

TEMPOS N

a sociedade líquido-moderna, expressão cunhada por Zygmunt Bauman para designar a sociedade contemporânea, predomina a fluidez dos valores. Princípios e valores são adotados conforme a conveniência. Prevalecem a relativização, a superficialidade, o imediatismo, o pragmatismo, o hedonismo, o materialismo, o hiperconsumismo, o ecletismo e a “compromissofobia”. João Paulo II e Bento XVI classificam essa realidade como “ditadura do relativismo moral”. Os dois pontífices realçam os riscos dessa ditadura, que priva as pessoas de um ponto seguro de referência moral e da própria verdade. Conduz, por exemplo, à corrupção em todos os níveis, à aceitação natural de leis que aprovam o aborto, ao abandono de valores universais norteadores da vida humana.

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Esperança Esperança Esperança Esperança

Justiça Justiça Justiça Temperança Temperança Temperança Fé fortaleza fortaleza Fé fortaleza Temperança

Caridade Caridade Caridade

Temperança

fortaleza fortaleza

Fé Prudência

Prudência Prudência

Contrapondo-se à ditadura do relativismo moral, a Igreja propõe as virtudes humanas – que são uma disposição habitual e firme da pessoa para fazer o bem, praticando atos bons, dando o melhor de si – agrupadas em torno de quatro virtudes cardeais: prudência, justiça, fortaleza e temperança. A prudência consiste no discernimento do nosso verdadeiro bem e na escolha dos meios adequados para realizá-lo. A justiça consiste na vontade firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. Ela nos leva a respeitar os direitos de cada um e a promover a justiça em favor das pessoas e do bem comum. A fortaleza dá segurança nas dificuldades,

firmeza e constância na procura do bem, a fim de suportar as provações e o medo. A temperança procura o equilíbrio no uso dos bens criados, a fim de garantir o domínio da vontade sobre o instinto e mantém os desejos nos limites da honestidade. As virtudes humanas são purificadas e elevadas pela graça divina, fundando-se nas virtudes teologais, que se referem diretamente a Deus e nos dispõem a viver em comunhão com Ele. As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral de todos nós como cristãos. São elas: fé, esperança e caridade. Por meio da fé, cremos em Deus e em tudo o que Ele nos

disse e revelou , e que a Igreja nos propõe como verdade. Pela esperança, desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, colocando nossa confiança nas promessas de Cristo. Pela caridade, amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e ao próximo como a nós mesmos, por causa do amor de Deus. Essas virtudes são verdadeiros pilares para sustentar a vida digna em nosso mundo, ajudando-nos a adotar posturas cidadãs e responsáveis, a fim de superar o relativismo moral que corrói o caráter do ser humano. Vitor Nunes Rosa Professor de Filosofia na Faesa

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cultura CAPIXABA

Então, o que é a

P

ara o Aurélio... Veste de Cerimônia. Para Michaellis... Reco-reco com cabeça. Mas a casaca é para o povo capixaba um instrumento musical que, unido ao tambor, apito, cuíca, caixa e chocalho, produz as músicas de roda que ouvimos nas festas de São Pedro, São Sebastião, Santos Reis e, principalmente, São Benedito. É usado desde tempos imemoriais pelos músicos, mestres e brincantes nas toadas das Bandas de Congo e festas de Jongo de norte a sul do Estado.

casaca?

Trazida da África pelos negros cativos e usada nas festas populares, a casaca foi retratada pelo Imperador Dom Pedro II em seu caderno de visita ao Espírito Santo, em 1860, e descrita pelo grande folclorista, Guilherme Santos Neves, como um instrumento musical com uma haste de bambu denteado de cima abaixo, e arranhado durante a música por uma vareta de madeira. Mas o que faz da casaca um bem cultural único para o povo capixaba é o enfeite que os artesãos acrescentaram à extremidade do instrumento musical: uma cabeça esculpida a canivete e pintada com cores alegres que imitam o rosto humano. Dessa forma, tornou-se uma peça representante da arte popular do Espírito Santo e festejada pelo folclore local.

Seu artesão mais famoso, Mestre Vitalino, morador da Barra do Jucu, em Vila Velha, constrói suas peças de arte a partir de pedaços de madeira leve, que encontramos na região de Mata Atlântica capixaba. Para ele, o melhor desse trabalho é o momento de inspiração que transforma um pedaço de madeira no instrumento que tomará a forma de um morador local ou personagem famoso. Hoje o som da casaca se juntou ao das guitarras e hoje é tocada pela juventude capixaba, que misturou o ritmo do congo com o rock e o reggae formando um movimento que leva milhares de pessoas a dançar o “Rockongo”, desde a década de 90. Diovani Favoreto Historiadora


acontece

Missão e gestão Cerca de 15 líderes da Pastoral da Criança estarão aptos a se tornar coordenadores paroquiais ou de área da pastoral, após a capacitação de missão e gestão que acontece nos dias 22 e 23 de fevereiro. O encontro para o estudo do material acontece no Centro de Formação Martina Toloni, em Vila Velha.

Romaria da Pastoral da Saúde Os agentes da Pastoral da Saúde de todo o país se reúnem no dia 8 de fevereiro para participar de uma Romaria à Aparecida do Norte, em São Paulo. Da Arquidiocese de Vitória, saem ônibus das áreas Benevente, Vila Velha e Cariacica/Viana. Em Aparecida acontece uma missa e a Assembleia de formação para os participantes, sendo esta de cunho informativo sobre as atividades da pastoral.

Simpósio de Missiologia Entre os dias 24 e 28 de fevereiro, acontece em Brasília o 3º Simpósio de Missiologia, reunindo docentes, especialistas, teólogos e representantes de instituições e organismos missionários. O tema do evento é ‘Palavra de Deus e Missão: identidade, alteridade, universalidade na Bíblia’. O objetivo do encontro é incentivar a formação missiológica e sustentar a rede de missionários engajados com a temática. O COMIDI e a Infância e Adolescência Missionária da Arquidiocese de Vitória estarão representados na atividade por Maria da Penha Gomes.

Encontro de Formação Os brinquedistas e articuladores de saúde da Pastoral da Criança passam por uma capacitação nos dias 15 e 16 de fevereiro. Cerca de 45 pessoas participam do encontro, que tem por objetivo ampliar o grupo para atuação nas atividades da

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pastoral. Os articuladores de saúde são responsáveis por realizar o acompanhamento dos atendimentos às famílias nas Unidades de Saúde; já os brinquedistas ficam por conta de proporcionar momentos de interação e lazer para as crianças.


Caminhada penitencial e missa dia 9 de março às 14h

Abertura da Campanha da Fraternidade 2014 Saída da Igreja do Rosário, na Prainha em Vila Velha, em direção ao Campinho do Convento da Penha

Fraternidade e Tráfico Humano Coleta Nacional da Solidariedade - dia 13 de abril


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