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vitória Ano VIII

Nº 10

Outubro de 2013

Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

Adotar é um ato de

amor

PRÁTICA DO SABER

ENSINAMENTO

BÍBLIA

As imagens do Convento São Francisco

Como saber se uma aparição é verdadeira

Os discípulos e a Palavra


    Paramentos e Objetos LitĂşrgicos

52898 Casula 419 Cardeal Bergoglio

52897 Casula 319 Papa Francisco.BR

52900 Estola 341 Papa Francisco.BR

13810 Sobrepeliz 038 Renda Francesa 27314 TĂşnica 01 CerimoniĂĄrio 30243 Casula 426 Pergaminho Florentino

Paramentos e Objetos LitĂşrgicos

44720 TĂşnica 206 SĂŁo TomĂŠ

CORDIS - Diocese de Colatina Trav. Luiza Fachetti, 100 . Maria das Graças . Cep. 29.705-040 . Colatina-ES Tel.: 27 2102-5050 / Fax: 27 2102-5055 . comercial@cordis.com.br

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AT E N D E M O S

T O D O

B R A S I L

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Novas Liturgias Padre Zezinho Quando o dedo de Deus dedilha as cordas da Criação, lá do céu vem a maravilha do vasto universo em canção. É uma nova liturgia que o céu entoa feliz ao nascer do novo dia parece que o céu me diz: Louvado seja o Senhor e numa ciranda de amor os astros se dão as mãos celebrando a Criação. Há uma nova liturgia na terra, no céu e no mar. Tudo é novo todo dia, da terra ao espaço estelar. Deus preside a alegria do céu em celebração, tudo é novo todo dia e o céu se faz oração. É Santo, é Santo o Senhor! É Santo quem tem tanto amor e numa ciranda de Luz os astros em procissão vão buscar a comunhão!


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w w w. a v e s . o r g . b r

editorial

Obrigada!

U

m ano pode ser pouco ou muito tempo, depende de cada situação e do perfil de quem espera. Para a equipe da Revista Vitória, um ano foi o tempo suficiente para amadurecer e perceber que estava na hora de crescer. Crescemos, esta edição vem com 48 páginas. Tem mais editorias e mais colaboradores. A Edebrande Cavalieri, Alessandro Gomes, Gilliard Zuque, Albino Portella, Letícia Bazet, Dauri Batisti, Raquel Tonini e Giovanna Valfré, muito obrigada pela dedicação e partilha ao longo deste ano. A Dom Luiz Mancilha Vilela, padre Pedro Camilo e padre Jorge Campos, obrigada pela confiança e apoio para o crescimento da Revista. A Vander Silva, Marcus Tullius, padre Andherson Franklin e Vitor Nunes Rosa sejam bem-vindos à equipe de colaboradores. Que juntos possamos crescer e, principalmente, juntos façamos a Revista Vitória crescer como instrumento de comunicação da Igreja. Desde setembro deste ano a Revista está, também, no site da Arquidiocese, como vitória , confira em www.aves.org.br Revista

Maria da Luz Fernandes Editora


vitória Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

Ano VIII – Edição 10 – Outubro/2013 Publicação da Arquidiocese de Vitória

Arcebispo Metropolitano Dom Luiz Mancilha Vilela

diálogos

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ASPAS

30

ATUALIDADE

8

ESPECIAL

31

12

PROJETO

32

ENTREVISTA

14

IDEIAS

34

PENSAR

17

PRÁTICA DO SABER

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VIDA LITÚRGICA

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Os dois pulmões da Revista Vitória Médicos estrangeiros no Brasil

MICRONOTÍCIAS

Desperdício de alimentos e cursos cinco estrelas Fisiterapeuta por vocação Emoção em casamento A refeição é uma liturgia

ARTE SACRA

Arquitetura pós-Vaticano II

ESPIRITUALIDADE

Ser missionário e fazer missão

COMUNIDADE DE COMUNIDADES

Nossa Senhora Aparecida, padroeira de 63 comunidades na Arquidiocese

A vida no Orfanato Cristo Rei Somos experimentos de nós mesmos As imagens do Convento São Francisco

COMPORTAMENTO

38

ARQUIVO E MEMÓRIA

39

19 21

A história do Orfanato Cristo Rei

22

ENSINAMENTOS

40

CULTURA CAPIXABA

42

ACONTECE

44

Como saber se uma aparição é verdadeira Folia de Reis em Muqui

24

BÍBLIA

28

Discípulos da Palavra

Novas periferias existenciais

Não existe cristianismo sem cruz

REPORTAGEM

Histórias de adoção

Religião nas redes sociais

Festa de Frei Galvão e consagração do mundo a Nossa Senhora

Bispos Auxiliares Dom Rubens Sevilha Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias Editora Maria da Luz Fernandes / 3098-ES Repórter Letícia Bazet / 3032-ES Colaboradores Alessandro Gomes Dauri Batisti Gilliard Zuque Giovanna Valfré Edebrande Cavalieri Vitor Nunes Rosa Andherson Franklin Revisão de texto Yolanda Therezinha Bruzamolin Publicidade e Propaganda comercial@redeamericaes.com.br Telefone: (27) 3198-0850 Fale com a revista vitória: mitra.noticias@aves.org.br Projeto Gráfico e Editoração Comunicação Impressa (27) 3319-9062 Ilustradores

¶ Kiko, · Gabriel

Designer Albino Portella Jane Maria Gorza Impressão Gráfica 4 Irmãos (27) 3326-1555


diálogos

OS DOIS PULMÕES E A

NOVA CULTURA A

Revista Vitória ocupando o seu lugar. Fundada como alternativa ao jornal arquidiocesano, lembro-me que me foi solicitado que escrevesse sobre o que eu esperava da nova revista da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo. Minha preocupação era que este novo veículo de comunicação se justificasse, não como um informativo ou boletim paroquial ou um veículo de comunicação fechado dentro da Igreja. Eu pensava que a Revista Vitória poderia prestar um bom serviço evangelizador dentro e fora da Igreja. Poderia colaborar com a liderança da Igreja com um conteúdo reflexivo sobre temas da ação evangelizadora da Igreja, sobre alguns temas espirituais, enfim, um jeito diferente de pensar a Igreja e seu anúncio missionário. A caminhada da Igreja, Povo de Deus, precisa deste serviço como alimento na caminhada de todos os dias.

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Por outro lado, este veículo de comunicação deveria também abordar temas que refletissem o diálogo da Igreja com o mundo, através de temas atuais da sociedade, colaborando assim para uma nova cultura. Aliás, o Papa Francisco vem propondo que trabalhemos para uma cultura do encontro, da comunhão. Sua santidade tem se preocupado em promover essa nova cultura. Parece-me uma convocação para que a Igreja, no diálogo com o mundo, mostre esta face evangelizadora. As pessoas precisam encontrar-se no diálogo, os países precisam priorizar o diálogo no lugar dos conflitos, da espionagem e desconfiança desrespeitosa da qual a nossa presidente foi vítima por parte de um país parceiro e “amigo”. Jamais a guerra, dizia Paulo VI, e, agora, repete com a mesma firmeza o Papa Francisco, na eminência de tornar mais grave ainda este espírito belicoso de certos países em conflito, controlados ou


apoiados pelas grandes potências, também em conflitos de interesses. Para que a cultura do encontro se torne uma realidade no mundo atual, a Igreja, isto é, os jovens e as lideranças políticas cristãs precisam ter coragem de lutar contra a corrente, ir às ruas, trabalhando pela paz. Em outras palavras, vejo, no apelo do Santo Padre, um alerta para que não nos omitamos no exercício de um diálogo frutuoso nas diversas áreas dos encontros humanos, seja entre os intelectuais, seja entre os construtores da sociedade, como ensina o documento de Puebla, seja entre os jovens idealistas que buscam algo novo para os nossos tempos. A Revista Vitória pode contribuir bem para este diálogo, abrindo fronteiras, convocando pensadores cristãos para que utilizem este espaço e contribuam para o sonho de uma nova cultura. Neste espaço devem surgir artigos que tragam ao convívio social valores que colaborem para o cultivo desta nova cultura na busca do sonho de um mundo justo e fraterno. Teríamos, então, uma Revista que abordasse temas no interior da Igreja e temas que pudessem interessar intelectuais e líderes da sociedade como instrumento válido para um frutuoso diálogo da Igreja com o mundo. Sonho atrevido? Talvez,

mas, quem não sonha corre o risco de perder o sabor da vida e da missão. Lembro-me que usei a figura do funcionamento dos dois pulmões. Este novo veículo de comunicação da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo deveria funcionar como dois pulmões, agindo consonantemente. Vejo, com alegria, que a Revista Vitória vem progredindo nestes dois aspectos. Este último ano pareceu-me que os pulmões tornaram-se mais robustos, funcionando muito bem. Surgiram temas que mostraram a face interna da Igreja no seu dinamismo espiritual, como também artigos que levaram o leitor a refletir e pensar sobre o mundo. Todos os diretores e responsáveis por esse veículo merecem o nosso aplauso. A direção atual, sem dúvida alguma, já conseguiu neste primeiro ano de serviço, fazer com que os dois pulmões funcionassem de maneira robusta. Espero que ambos os pulmões continuem com muita saúde, cumprindo a missão eclesial ordenada por Jesus Cristo: “Ide e pregai a todas a nações”... Caminhemos, pois o horizonte é belo! O Papa nos convoca para o sonho de uma nova cultura! Dom Luiz Mancilha Vilela, sscc Arcebispo Metropolitano

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vitória Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

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Atualidade

Mais médicos e a perspectiva de

mais saúde

Q

uando o governo brasileiro anunciou o programa Mais Médicos, em julho deste ano, proponha-se com clareza a: 1) Conseguir médicos para atuarem nas periferias com prioridade para médicos brasileiros; 2) Acolher médicos estrangeiros para preencher vagas existentes; 3) Juntamente com essa medida haveria mais investimentos em infraestrutura nos hospitais e unidades de saúde. O motivo era atender com presteza os municípios do interior e periferias das grandes cidades que carecem de infraestrutura e de médicos. A medida foi entendida como uma resposta do governo aos protestos ocorridos em junho, também deste ano, quando a saúde foi fortemente criticada em todos os cantos do país. Os jornais diários das di-

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versas mídias divulgaram as reações da classe médica, as medidas que foram sendo adotadas para concretização dos projetos, os impasses que se criaram e as divergências entre os conselhos regionais de medicina e o governo federal. Enquanto se discutem os entraves institucionais, a promessa que trouxe esperança e alívio para quem precisa não avança, e os necessitados continuam sem respostas. O grande destaque desse

programa foi a quantidade de médicos cubanos que se inscreveram, 400. Com eles o processo foi diferente dos demais, por isso se falou de médicos estrangeiros e médicos cubanos. Estes foram disponibilizados através da Opas, Organização Pan-americana de Saúde, acordo que os coloca em situação semelhante à de médicos residentes. Mas, por que contratar médicos estrangeiros? Se comparado a outros países

PAÍSES

Médico por 1.000 hab.

PAÍSES

Médico por 1.000 hab.

Peru Chile Paraguai Bolívia Colômbia Equador Brasil Venezuela México Canadá

0,9 1 1,1 1,2 1,4 1,7 1,8 1,9 2 2

Estados Unidos Reino Unido Austrália Argentina Itália Alemanha Uruguai Portugal Espanha Cuba

2,4 2,7 3 3,2 3,5 3,6 3,7 3,9 4 6,7


1,21

0,76

1,06

0,77

0,58

1,23

1,05

1,17

0,92

da América Latina, o Brasil tem mais médicos por 1.000 habitantes que o Peru, Chile, Paraguai, Bolívia, Colômbia e Equador. Mas, tem menos que Venezuela, Argentina, Uruguai e Cuba. Se comparado a outros países perde para todos: Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Itália, Alemanha, Portugal e Espanha, conforme tabela. Desta tabela comparativa, Cuba é o único país que dispõe

1,39 1,08

0,94

1,12

1,02

de aproximadamente 7 médicos para cada 1.000 habitantes. Outro dado a ser acentuado é que embora o Brasil tenha média nacional de 1,8 médicos para cada 1.000 habitantes, 22 dos 26 estados brasileiros estão abaixo da média nacional, como é possível verificar no mapa. A média mínima calculada pela OMS, Organização Mundial da Saúde, é de 2,5 médicos para 1.000 habitantes.

1,3

1,09

1,1 3,46 1,45 1,54

1,97 2,49 3,44

1,68 1,69 2,23

Destas constatações surgem perguntas que podem nortear o diálogo entre Conselhos de saúde, população e governo.

w Por que os médicos estão concentrados nas regiões centrais do Sul e Sudeste? w Por que 22 estados estão abaixo da média nacional? w Por que os Estados do Acre, Amapá, Maranhão, Pará e Piauí têm menos de 1 médico para 1.000 habitantes? w Porque os médicos concentrados nos centros das capitais não aderiram ao programa Mais Médicos, apesar dos incentivos?

w É justo que a população mais necessitada espere investimentos na formação de médicos e estruturas para depois ser atendida? w Por que as regiões que não atraem os médicos brasileiros atraíram os estrangeiros? w Segundo o Ministério da Saúde, o déficit no Brasil é de 54 mil médicos. Quanto tempo é necessário para cobrir esse déficit e como oferecer à população o direito de ser cuidada?

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Atualidade

“Estamos empenhados no Saúde +10, um movimento nacional em defesa da saúde pública, para que a União destine 10% da receita pública para a saúde”. Perante a constatação das reais necessidades e do sofrimento de quem precisa de assistência médica, a Igreja Católica posiciona-se através de representações. O coordenador nacional da pastoral da saúde, Sebastião Venâncio, confirma o apoio da pastoral à vinda de médicos estrangeiros: “a média de espera para uma consulta, no Brasil, é de seis a sete meses. Inúmeros municípios não têm um médico residente e várias periferias também não possuem um médico clínico para uma consulta básica”. Na opinião de padre Luiz Carlos Dias, Secretário Executivo da Campanha da Fraternidade, a CNBB vê com bons olhos o Programa Mais Médicos, “mas sem descuidar de tantas outras questões que envolvem a saúde pública”. Coordenador da Cam-

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panha da Fraternidade de 2012, padre Luiz apontou outras preocupações da Igreja: “é preciso refletir sobre a estrutura para que os profissionais desempenhem seu trabalho, e preocupamo-nos também com a gestão, que muitas vezes é politizada. Nós somos sabedores da imensa quantidade de municípios no Brasil que não possuem um médico sequer. Estamos empenhados no Saúde +10, um movimento nacional em defesa da saúde pública, para que a União destine 10% da receita pública para a saúde. Recolhemos assinaturas, mais de um milhão, e apresentamos ao Congresso Nacional um Projeto de Lei de iniciativa popular para que seja avaliado. Estamos acompanhando para que possa avançar, e pedindo para que haja transparência e instrumentos que coíbam a corrupção”. Já o Arcebispo de Vitória, Dom Luiz Mancilha Vilela, concordou com os Conselhos Regionais quando pedem uma boa estrutura e disse: “eu vejo com bons olhos e de bom grado a vinda de médicos de Cuba. Vou falar especialmente de Cuba porque conheço e sei que eles têm um trabalho bonito a respeito da saúde. É uma mentalidade diferente, o médico da família,

o médico da prevenção. Então, quando eles aceitam ir para o interior e para as periferias, lugares onde os médicos do Brasil não se disponibilizam a ir, e têm lá os seus motivos, vejo a possibilidade de levarem a cultura preventiva e criarem uma mentalidade nova na comunidade da saúde. A saúde preventiva é muito mais que um encontro pessoal do doutor com o enfermo. A vinda desses médicos cubanos para as periferias das cidades e para o interior é uma bênção, mesmo que não tenham instrumentos e estruturas, são pessoas com mentalidade diferente e um jeito novo de perceber a questão da saúde na sociedade. Isso pode ser uma atitude revolucionária positiva. Esses médicos de outros países que vêm para cá, vêm para prestar um serviço que o país precisa, e não para tirar o lugar dos bons médicos que temos aqui. Os bons merecem todo nosso respeito, mas eles vêm para prestar o serviço onde não há quem preste”. Mais saúde, mais cuidado com as pessoas, mais troca de conhecimentos e experiências, mais humanização nos hospitais e nas unidades de saúde, mais qualidade de vida é o que se espera do Mais Médicos.


micronotícias

Moda inclusiva Para facilitar o dia a dia de pessoas com deficiência física, estilistas lançaram grifes exclusivas, com coleções específicas para esse público. Os trajes possuem tecidos

Gestantes em movimento Um estudo realizado pela Universidade de Western Ontario, no Canadá, re-

velou que as atividades físicas melhoram o humor das gestantes, reduzindo os momentos de irritabilidade, oscilação de humor e cansaço. Os exercícios periódicos deixam o corpo mais relaxado, e proporcionam um sono mais tranquilo. Caminhada, natação, danças, movimentos rítmicos, ioga e alongamentos são algumas das atividades que fazem bem ao coração, ajudam a manter a flexibilidade do corpo, controlam o aumento de peso, e fortalecem a musculatura das futuras mamães.

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mais confortáveis e opções de abertura e fechamento mais práticas, por causa da limitação de movimento. Calças que se transformam em saia e calça jeans com elástico e velcro são algumas das peças criadas pelas duas grifes paulistas, que comercializam os produtos em lojas virtuais.

Desperdício x aquecimento De acordo com um relatório divulgado pela ONU, a comida desperdiçada no mundo é um dos principais fatores de emissão de gases causadores do efeito estufa. Essa

causa só perde para a emissão provocada pelos Estados Unidos e China. Todos os anos, cerca de um terço de todos os alimentos para consumo humano, aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas, é desperdiçado, juntamente com toda a energia, água e produtos químicos necessários para produzi-la e descartá-la. O uso mais eficiente dos alimentos poderia contribuir, substancialmente, para os esforços globais na redução das emissões de gases do efeito estufa e diminuir o aquecimento global. A organização sugere que se melhore a comunicação entre produtores e consumidores para gerenciar a cadeia de suprimentos de forma mais eficiente, bem como investir mais na colheita, resfriamento e métodos de embalagem.


Cursos cinco estrelas Os cursos de Educação Física e Serviço Social do Campus Goiabeiras, da Ufes, receberam cinco estrelas na avaliação do Guia do Estudante, da Editora Abril, pu-

blicação voltada para o ensino superior. O objetivo da premiação é identificar as melhores faculdades e universidades do país. Outros 36 cursos, dos Campus de Vitória, Alegre e São Mateus, receberam três ou quatro estrelas. Os critérios de avaliação utilizados foram: a titulação do corpo docente, aspectos didáticos e pedagógicos, atuação dos professores na prática docente do curso e fora da Instituição, atuação do docente em projetos de pesquisa e extensão, entre outros parâmetros.

O carro é o vilão Um estudo realizado pela Universidade de Illinois nos EUA revelou que o crescimento da obesidade é

proporcional à venda de veículos no país. Segundo a pesquisa, o crescimento da frota, a partir da década de 1940, contribuiu para que as pessoas se tornassem mais sedentárias, passando horas por dia dentro do carro, contribuindo assim, para o aumento da obesidade no país. Quem anda de transporte coletivo gasta em média 350 calorias por dia a mais do que quem faz o mesmo percurso de carro. Segundo os estudos, estas 350 calorias gastas por dia a mais poderiam fazer muita diferença no ano. De acordo com a OMS, a mobilidade alternativa ao carro, poderia ajudar muito no combate a problemas como sedentarismo e obesidade, que custam milhões de vidas por ano.

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entrevista

Fisioterapeuta por vocação, nervos e a musculatura se comportavam. Fui aplicando isso no tratamento dentro da piscina e nos exercícios que eram feitos no solo antes de ir para a água e foi muito interessante. Uma garota de 12 anos que teve traumatismo craniano, andava balançando o corpo e tinha a língua muito enrolada, fiquei um mês aplicando três exercícios daquele método e a menina melhorou 90%. Isso desencadeou todo o trabalho que eu faço hoje, porque daquilo lá surgiu um universo totalmente diferente que a faculdade não ensinou.

vitória - Como você entrou nessa área? Audinei - Eu me formei em Fisioterapia, saí da faculdade e durante cinco anos trabalhei em várias lugares. Depois, no sexto e sétimo ano fiz vários cursos com técnicas que não eram muito conhecidas no Brasil. Conheci uma equipe de Londrina que trouxe fisioterapeutas dos Estados Unidos e da Europa, e com isso tive oportunidade de conhecer novas técnicas de terapia manual. Aliviar a compressão do nervo, exercícios de consciência corporal, fazer movimentos para aliviar tensões, mas percebendo como os

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vitória - Como você conseguiu desenvolver o método? Audinei - Saí da cidade onde moravam meus pais e fui para Foz do Iguaçu e cheguei a pedir adiantamento aos pacientes para poder pagar os cursos. Assim fui me aperfeiçoando. Comecei também a pesquisar, ler livros, fazer mais cursos, e fui melhorando. Por um bom tempo, praticamente tudo que eu ganhava investia em cursos para aprender mais. Depois fiz um curso de terapias holísticas para fisioterapeutas, o shiatsu indiano. É uma terapia que, com o movimento circular do dedo, alivia a dor. A circulação e a velocidade mais a pressão provocam diferentes tipos de estímulos, e isso substitui o TNS,

aparelho que provoca estímulos ao nervo. O que o TNS leva 40 minutos para fazer efeito, você consegue com 30 segundos estimulando com o dedo. vitória - Isso te empolga, te

fascina?

Audinei - Fascina porque eu estou encontrando meios de cura. O nosso sistema nervoso é como se fosse uma central geradora de energia, de estímulos que passam pelo corpo e vão descendo, por dentro e por fora da coluna, irradiando por todo o corpo, vai se ramificando para os olhos, ouvidos, para tudo. A cada paciente, a cada melhora e a cada piora, eu aprendo e entendo mais. A cada sintoma, cada reação, eu quero saber o porquê. Eu tenho curiosidade, tenho interesse. Hoje eu sei que quando a coluna aperta o nervo, na maioria das vezes bloqueia. Quando você libera o nervo no seu trajeto, ele relaxa, e com isso os ossos se afastam e o movimento volta.

vitória - Como você lida com a ansiedade da pessoa em melhorar de uma dor? Audinei - Eu vou explicar para a pessoa que à medida que a gente vai estimulando, nervos que estavam bloqueados, sem fazer a comunicação do corpo até o cérebro, estão voltando a


audinei ensina a viver sem dor Audinei Carlos das Neves

atividade, ele vai voltar a transmitir a sensibilidade. vitória - Alguma vez algum paciente se aborreceu com você? Audinei - Várias vezes. E por isso tento explicar de uma maneira mais prática, para que a pessoa entenda e seja convincente. vitória - Você não cansa de ex-

plicar?

Não, porque somente no momento que a pessoa entende isso é que vai se convencer da necessidade de fazer o exercício, de mexer no corpo, e principalmente que ela não pode ficar dependente daqui, de um remédio, ou dependente de alguma coisa, que ela é a única pessoa capaz de resolver o problema dela.

Audinei -

vitória - Não é um contra senso

você ter essa atividade como trabalho e ensinar a pessoa a se virar sozinha? Audinei - Mas é que tem muita gente doente. Se eu quiser manter a pessoa aqui por muito tempo, como ficam os outros que estão precisando? Quanto menos tempo a pessoa precisar ficar aqui, depender disso aqui, dessa clínica, da minha intervenção direta, quanto mais a pessoa assimilar essa informação e começar a colocar isso na sua rotina, melhor. vitória - Essa sensação de estar

tornando as pessoas independentes,

“Quanto menos tempo a pessoa precisar ficar aqui, quanto mais a pessoa assimilar essa informação e começar a colocar isso na sua rotina, melhor

o que provoca em você? Audinei - Satisfação. É o resultado de todo o meu trabalho que está sendo colocado em prática. A ideia é que as pessoas saibam como o corpo realmente funciona. Sabendo como ele funciona, essa pessoa entendeu, passou a colocar na sua rotina diária essa forma de entender o corpo e praticar o exercício, então a minha função está dando resultado de tudo aquilo que eu venho estudando, pesquisando. A minha proposta é que as pessoas melhorem a sua qualidade de vida. vitória - Isso aqui é o que você que-

ria fazer da vida? Não, eu fui chegando a isso. Eu sou muito perfeccionista, então eu quero ir além daquilo que outros já foram. Eu quero o melhor, e para ser o melhor, como Freud, Einstein e outros têm o nome deles para a eternidade, o meu objetivo é chegar a esse patamar, a ganhar o Nobel. Se eu vou ganhar eu não sei, mas eu estou fazendo para que isso aconteça. Então eu vou ter que ser bom para isso.

Audinei -

vitória - Você já teve conflitos com

outras áreas da saúde? Audinei - Isso é constante. E é uma forma de me impulsionar a pesquisar mais, para mostrar que eu estou certo. vitória - Quem procura mais esse

tipo de tratamento?

Audinei - A maior parte das pessoas que

procuram são aquelas que têm dor, que

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entrevista

têm algum problema, na faixa dos 40 anos, acima, porque abaixo disso as pessoas estão produzindo lesões sem perceber, porque a dor não se apresentou ainda. Mas eu já atendi recém-nascidos, adolescentes. Mas o que está faltando mesmo é a gente conseguir fazer chegar nas pessoas a informação de como o corpo funciona. vitória - Nos 15 anos de trabalho você conseguiu adeptos? Pessoas que pensam como você? Audinei - Sim, os fisioterapeutas que trabalharam comigo, que vieram e aprenderam a técnica. Mas quem realmente assimilou, trabalha pensando dessa forma, foi um. vitória - Você confia no trabalho dele ou supervisiona durante o atendimento? Audinei - Eu não fico observando ele trabalhando. No caso do Walmer que é o que está comigo, ele assimilou realmente e a gente faz um aperfeiçoamento. Tudo aquilo que eu vou vendo de novidade, que eu aprendo no dia a dia, nós fazemos treinamento, uma semana eu atendo ele e em outra semana ele me atende. vitória - Você tem algum plano em formar mais pessoas? Audinei - Tenho. Inclusive o ano passado eu dei um curso, mas não houve interesse pelos fisioterapeutas. Houve interesse de pessoas que não são fisioterapeutas, e quando eu falei que elas poderiam fazer o curso, eu fui chamado pelo meu Conselho, dizendo que eu não poderia ensinar a técnica para quem não era fisioterapeuta. Então agora eu estou vendo outra maneira de novamente conseguir dar o curso e aí

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para fisioterapeutas, respeitando o que o meu Conselho falou. vitória - Você tem uma espiritu-

“A minha proposta é que as pessoas melhorem a sua qualidade de vida

alidade, uma relação com alguma Igreja? Audinei - Eu sou católico, mas aqui dentro do trabalho eu não coloco religiosidade. Eu quero o bem das pessoas. Quero promover uma ideia, um conceito. Quero que associado a esse conceito, esteja o meu nome. Quero que haja o interesse de outros profissionais, outros fisioterapeutas, que estejam envolvidos com a saúde, inclusive na produção de remédios, instrumentos, tênis, de palmilhas ortopédicas, de tudo que existe envolvendo a saúde, mas entendendo dessa maneira como eu entendo, eu sei que muita coisa vai se aperfeiçoar. Muitas coisas eu vejo que são feitas de forma desnecessária, ou que poderiam ser modificadas, e assim seriam muito mais eficientes. vitória - Qual é o seu desejo maior com essa técnica de fisioterapia? Audinei - A cada dia eu tenho mais certeza porque todos os dias eu vejo pessoas melhorando. O que eu quero realmente é entrar em uma universidade, ter espaço para pesquisar, para desenvolver estudos, só que os meios para chegar lá é desenvolver artigos, conseguir ser professor, e eu vou levar 20, 30 anos. Mas eu quero colocar essa informação a público, a princípio em língua portuguesa, depois que alguém possa contribuir e fazer isso em espanhol, inglês, alemão, italiano, francês, russo, chinês, e disseminar essa visão que eu tenho do corpo humano no planeta. Desejo encontrar alguém interessado na pesquisa e me dê espaço para isso.


pensar

Warllem e Cris Fotojornalismo

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Vida litúrgica

Celebrar para viver, viver para celebrar

O

ser humano é celebrativo por natureza. Do nascer ao morrer, inclusive, mesmo marcado por um ambiente de tristeza, cada momento vivido reveste-se de celebração. Criação e celebração são dimensões que nos colocam diante da liturgia que pode ser vivida de vários e diferentes pontos de vista. Liturgia não é um termo exclusivo da Igreja. Significa, a partir do grego, serviço feito para

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o povo, ação prestada para o bem comum. Mas, a Igreja passou a fazer uso do termo para se referir ao culto. Quando nos reunimos em comunidade para celebrar o mistério Pascal, sem dúvida, exercitamos a liturgia das liturgias, o ponto máximo da nossa fé. Esta ação, contudo, não é fechada em si, pois ela nos projeta para a missão e nos faz contemplar, por antecipação, aquilo que a vida

eterna nos garante. Muitas vezes, nas atribulações do dia a dia, vamos nos esquecendo de ações litúrgicas simples, como a oração antes das refeições. Quando as famílias ainda se reuniam para tomarem juntas as refeições, estas eram sempre precedidas de uma prece de agradecimento. A refeição é uma liturgia. Hoje, mesmo quando estamos sozinhos, muitas coisas desviam nossa atenção deste gesto. Seria bom resgatar, por mais breve que seja, o momento de oração antes da refeição, ela faz com que a mesma seja mais completa. A melhor liturgia é aquela que faz da nossa vida um reflexo da nossa oração. Quando agradecemos pelo alimento, não pedimos só por nós que o temos, mas por todos aqueles que fizeram com que ele chegasse até à mesa e também por aqueles não o tem. Se você anda um pouco desligado da sua oração antes da refeição, que tal voltar a esta prática? “Senhor, dai pão a quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão!” Marcus Tullius Equipe Litúrgica da Arquidiocese


arte sacra

O

Concílio Vaticano II, 21º na história da Igreja, como um concílio pastoral, surgiu para responder às necessidades do nosso tempo. As mudanças decorridas desse evento acontecem de forma gradativa. A Igreja insiste em ensinar que não tem estilo arquitetônico e artístico próprio e suas edificações devem refletir o momento histórico em que se situam. Por isso, também, não se aplicam modelos padronizados ou repetição de estilos passados, mas pelo simbolismo tradicional cristão, revelam ao homem a entrada de Deus no mundo e sua relação com a Trindade. Devem exprimir contemporaneidade e autenticidade a partir da função a que se destinam, seguindo orientações e legislações específicas. Algumas das mudanças mais

significativas, ocorridas na organização dos espaços sagrados são: centralidade do altar, com desuso do altar mor e dos altares laterais; uso da língua vernácula e celebração versus populum; valorização da mesa da Palavra; retirada da mesa da comunhão, separando a Igreja em presbitério e nave; retirada do sacrário do retábulo e criação da capela do Santíssimo Sacramento, para guardar com dignidade a reserva eucarística; participação ativa dos fiéis. Ao longo desses 50 anos pós-conciliares, há uma retomada de elementos fundamentais. A arquitetura e as artes têm a função de nos remeter ao sagrado e criar um ambiente de encontro. As novas tecnologias e materiais permitem formas mais livres e arrojadas para o edifício igreja, mas tudo está relacionado com

Foto: Sérgio Ceron

PROJETOS ARQUITETÔNICOS PÓS-CONCÍLIO VATICANO II

Paróquia Sagrados Corações - Londrina

a liturgia celebrada. Há uma valorização das peças do conjunto litúrgico: altar, mesa da Palavra e cadeira da presidência, lembrando-nos o Cristo sacerdote, profeta e mestre, Rei e Senhor. O mesmo para o lugar do Batismo e também da Reconciliação. A arte em pinturas, muitas vezes com base na iconografia, as esculturas e os vitrais são largamente utilizados. Arquitetura e artes estão unidas por um projeto iconográfico, onde cada detalhe está a serviço da comunidade reunida para celebrar bem os Mistérios de sua Fé, onde “a verdade do amor de Deus em Cristo nos alcança, fascina e arrebata” (SCa 35). Raquel Tonini, membro da Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese de Vitória e Grupo de Reflexão do Setor Espaço Celebrativo da Comissão Litúrgica da CNBB

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Igreja Santo Aloísio - Estados Unidos

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espiritualidade

A PADROEIRA DAS MISSÕES

O

mesmo Papa Pio XI que canonizou Santa Teresinha do Menino Jesus em 1925, a proclamou Padroeira Universal das Missões dois anos depois, junto com o grande missionário jesuíta São Francisco Xavier. Pode-nos causar estranheza o fato de uma monja enclausurada aos 15 anos e morta aos 24 anos no mosteiro das Carmelitas Descalças ser declarada a padroeira das Missões. Para a Igreja primeiro se é missionário, depois, como consequência, se faz a missão. Ser missionário é florescer onde Deus o plantou. O cristão realiza sua missão fazendo a vontade de Deus aqui e agora. Assim sendo, tanto São Francisco Xavier como Santa Teresinha, ambos deixaram-se conduzir pelo Senhor na obediência à Sua vontade. A vontade de Deus essencialmente é que sejamos bons e que façamos

o bem. Os dois padroeiros das missões são exemplos de pessoas boas e que passaram a vida fazendo o bem, a exemplo do Mestre Jesus: “Ele passou fazendo o bem” (At 10,36). O modo concreto, onde e quando o bem será realizado, depende das circunstâncias por onde Deus nos conduz. As circunstâncias da vida não são frutos do acaso, mas da conjunção entre o misterioso e amoroso Plano de Deus e o exercício da nossa complexa vontade livre. Havendo amor no coração, a missão acontece. Havendo verdadeiro amor a Deus,

necessariamente haverá concreto amor ao próximo. Missão é amar o próximo concretamente aqui e agora. Obviamente a pessoa mais frágil terá prioridade em ser amada, ou seja, em ser ajudada a sair da sua situação de fragilidade. Simples assim! Infelizmente nem sempre a simplicidade reina em nossos corações, mas o seu contrário, isto é, a complicação. A padroeira das missões também é a santinha da simplicidade. O missionário busca com amor afetivo e efetivo simplificar e descomplicar a realidade. O egoísmo, a ambição, o orgulho, complicam a vida. Concluindo, observamos que a missão cristã não consiste em muito fazer, mas, em muito amar; consiste em sermos bons sempre e para com todos, como o Pai Celeste. Dom Rubens Sevilha, ocd Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Vitória

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comunidade de comunidades

Nossa Senhora Aparecida

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Abençoai, defendei e salvai o vosso Brasil Na Arquidiocese de Vitória existem 63 comunidades que têm como padroeira Nossa Senhora Aparecida, o que demonstra o tamanho da devoção de nosso povo. Por município temos a seguinte distribuição: Vitória (5) • Cariacica (14) • Serra (12) • Vila Velha (4) • Viana (1) • Santa Leopoldina (6) • Alfredo Chaves (1) • Anchieta (5) • Guarapari (6) • Brejetuba (1) • Domingos Martins (1) • Santa Maria de Jetibá (1) • Marechal Floriano (1) • Afonso Cláudio (5)

P

roclamada padroeira do país em 1930 pelo Papa Pio XI, a crença à Virgem Maria, simbolizada na pequena imagem negra de 38 cm, só faz crescer. O mês de outubro reserva aos católicos, a oportunidade de expressar a devoção a Nossa Senhora Aparecida, uma das mais belas histórias de devoção mariana no Brasil. A história fala em três pescadores, Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves que saíram para pescar nas águas do Rio Paraíba. Ao lançar a rede, um deles apanhou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a cabeça. Lançou novamente a rede e apanhou a cabeça da mesma imagem. Daí em diante os peixes chegaram em abundância para os três hu-

mildes pescadores. Quase 300 anos depois, que serão completados em 2017, espalhadas por todo o país, centenas de paróquias e comunidades têm entregues a Nossa Senhora Aparecida os desafios da caminhada diária de evangelização. Só na Arquidiocese de Vitória, além da paróquia de Cobilândia, em Vila Velha, 63 comunidades têm o título da padroeira do Brasil, em outras 41 paróquias. São pequenas igrejas, assim como a primeira capela dedicada à Mãe Rainha, inaugurada em 1745, onde devotos se reúnem para rezar, pedir e agradecer. Uma delas fica em Vila Palestina, Cariacica. Anatalia Lorenzon Sartori é uma das responsáveis pela criação da comunidade, em 1974. Ela conta

que tudo começou a partir de quatro famílias e as primeiras reuniões aconteciam na garagem de uma residência. “No início era chamada de comunidade Nova Jerusalém, mas com o tempo, moradores foram doando imagens de santas e santos depois de terem graças alcançadas. E a primeira doada, foi a de Nossa Senhora Aparecida. Uma assembleia dos moradores definiu o nome”, contou. Que à exemplo daqueles três pescadores, sigamos o exemplo de Maria, como modelo de simplicidade e solidariedade ao próximo, sempre protegidos sob o manto de Nossa Senhora Aparecida. Que mantenha vivas nossas atitudes de atenção, de serviço, de entrega e de gratuidade ao próximo.

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Reportagem

Histórias de

adoção

Ingrid, quando conheceu Valdemir, foi logo avisando: “se a gente casar quero adotar”. Ele concordou, afinal ainda teriam o namoro e noivado para pensar melhor sobre isso. Só não sabia que aquele não era, apenas, um desejo. Desde menina, Ingrid pedia à mãe que levasse as crianças que viviam na rua para casa e, perante a resistência dela dizendo que não podia, insistia “então a gente leva, cuida e depois devolve”. Ângela, desde bem nova, tinha o desejo de adotar um filho. Quando perdeu o segundo filho convenceu o marido e adotaram um menino. Paulo acabou adotando, naturalmente, uma menina que se tornou amiga de seus filhos e os conquistou aos poucos. Hoje, juntos em segunda união, Paulo e Ângela adotaram os gêmeos Marcos e Mateus e as gêmeas Paula e Pietra, todos com seis anos. Valdemir e Ingrid, hoje casados, adotaram Júlia Maria e Luísa Ester, com dez e oito anos respectivamente. Histórias de pais e filhos e as experiências nos processos de adoção.

N

o caso de Ingrid e Valdemir, após o casamento ela exigiu o cumprimento da promessa feita no namoro e renovada no noivado. Antes do primeiro aniversário prepararam todos os documentos para “dar entrada” no processo. Antes de entregar os documentos, Ingrid recebeu um telefonema de uma instituição que cuidava de crianças soropositivas, cujas famílias não tinham condições de proporcionar-lhes o tratamento correto. Pelo telefone a responsável disse que pensaram nela porque tinham uma menina que havia sido considerada pelo juiz, em condições de adoção. Era a primeira criança que seria colocada para adoção naquela casa. Por razões de saúde, Ingrid comprometeu-se a fazer uma visita no final daquela semana, mas Valdemir não soube esperar. Sozinho, procurou a instituição e visitou a menina. Na saída ligou para a esposa e disse: “ela é nossa. É nossa filha”. Quando Júlia completava três anos e pedia uma irmã veio o segundo telefonema. Sem hesitar os dois entraram em nova gestação para conseguir a guarda de Luísa.

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“Somos pais e elas são nossas filhas”, dizem. Conversam, educam, corrigem, não escondem a situação e tratam a história delas com a mesma naturalidade que tratariam se fossem filhas naturais. Do outro lado, Ângela e Paulo dizem que quando se juntaram numa segunda união veio-lhes a vontade de ter um filho dos dois, mas biologicamente não era possível. “Nós já tínhamos experiência, então para nós um filho adotivo era natural”. Quando souberam que gêmeos estavam na lista de espera, decidiram iniciar o processo de adoção. Enquanto esperavam pela guarda conheceram outras crianças, entre elas duas gêmeas e quase as adotaram. Porém, o medo de não dar conta de quatro crianças da mesma idade levou-os a optar pelos meninos que já acompanhavam há mais tempo e cujo processo judicial já estava mais encaminhado. Três anos depois, as mesmas meninas foram oferecidas para adoção pela segunda vez e eles adotaram. Hoje, pode-se dizer que são pais de quatro gêmeos. Educam com os mesmos critérios e princípios que educaram os filhos biológicos e adotivos anteriormente e, repetem que os filhos são uma bênção. “Eles nos ensinam muito, como todos os filhos ensinam. Não importa se saíram da minha barriga ou se saíram

“Se os filhos vão bem ou mal não é pela genética, é porque estamos cuidando ou não cuidando bem deles

do meu coração. O processo de adoção é uma gestação. No nosso caso tivemos uma gestação em conjunto. Esperar pela guarda, pela decisão do juiz, visitar, preparar documentos, comprar o enxoval foi a certeza de que eu não tive essa gestação sozinha. Teve esse ganho, se fosse filho biológico o Paulo ia participar de uma parte do processo, mas não 100%”, diz Ângela, enquanto Paulo complementa “numa gestação biológica tem uma certa ansiedade sobre a saúde do bebê e se a gravidez irá bem até o fim, já na adoção a ansiedade é outra, a do processo. Em alguns momentos a gente sentiu mais ansiedade de que numa gravidez biológica”. Valdemir também não poderia ter filhos biológicos, tal como Ângela. Ingrid poderia tentar a inseminação

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Reportagem

artificial, mas descartou essa possibilidade. Não quis fazer tratamento, nem ficar brigando com genética. “isso nunca passou pela minha cabeça, nunca tive esse desejo. Para quê fazer inseminação se as crianças que eu ia adotar já estavam geradas no meu coração”, diz convicta de suas opções. A morosidade e dificuldades do processo de adoção foram vividas pelos dois casais de forma diferente e semelhante. Na primeira adoção, para Ingrid e Valdemir, a guarda e a adoção foram muito rápidas, já na segunda, após preparar a documentação, veio a surpresa na hora da habilitação quando a assistente social comunicou que haviam 300 casais em espera para adotar na frente deles. A menina já os chamava de pai e mãe, passava os finais de semana com eles e, como diz Ingrid “já era nossa filha”. O sentimento dos dois era de perda de um filho. Já existia afeto e ficaram inconformados diante da notícia. Foi um dia de desespero e aflição até o juiz perceber que se esquecera de marcar a opção que filtrava os pais que aceitavam criança com doença incurável. Liberado esse filtro os dois pularam para o primeiro lugar da lista. Paulo e

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Ângela também esperaram muito pela guarda e adoção dos primeiros gêmeos, quase um ano! Já na segunda adoção tudo foi rápido e fácil. Os fatores doença incurável e idade aceleraram uma das adoções dos dois casais, mas a morosidade é a queixa da maioria de pessoas que entram com processos de adoção. Os dois casais concordam que a justiça deve preocupar-se com a maturidade e condições de quem adota, mas é necessário, também, olhar a situação das crianças pois, por mais que a casa de acolhimento se esforce, é muito diferente da

vida em família. Para promover a celeridade dos processos, o Conselho Nacional de Justiça tem tomado algumas medidas conforme palavras da promotora da justiça de Serra, Patrícia Rangel: “Audiências semestrais, concentradas dentro das entidades de acolhimento e visitas trimestrais do promotor para traçar o perfil das crianças e o cadastro nacional também favorecerá maior rapidez para quem busca a adoção”. “Adotar não é pegar uma mercadoria no supermercado, é um ato de amor”, diz Ângela. Quando os pais estão abertos a


receber qualquer criança, independente da idade, da cor, se tem ou não doença, os processos serão mais rápidos. Acompanhando as brincadeiras das crianças durante a entrevista, os pais falam de seus sonhos para os filhos: “Que eles possam servir a Deus com dignidade, seja no matrimônio, seja na profissão que escolherem, sejam pessoas amadas e estejam a serviço do próximo, diz Ângela. “Eu adotei já com 55 anos e às vezes as pessoas perguntam se eu estou começando do zero, se já fiz as contas, mas, na verdade seja qual for o tempo que eu

tiver para estar com eles, para mim vai ser gratificante e, no caso deles, a gente pensa que eles estariam sendo edificados como pessoas. O sonho não é que eles sejam médicos, mas se o forem que sejam bons”, afirma Paulo. “Que elas sejam de Deus, que sejam pessoas do bem e sigam os caminhos de Deus”, disse Ingrid. “Que elas tenham um trabalho para se manter na dignidade e honestidade, sejam felizes e, se casarem, que encontrem uma pessoa boa, gerem filhos ou adotem....” expressou Valdemir com um sorriso. E para quem tem medo de adotar, os quatro concordam que

“Que elas sejam felizes e, se casarem, que encontrem uma pessoa boa, gerem filhos ou adotem... a genética não faz diferença. Cada um tem a sua genética, os filhos biológicos e os adotivos e cada um tem a sua história de vida e, a história de vida é formada pelas experiências. Se os filhos vão bem ou mal não é pela genética, afirma Paulo sintetizando o pensamento de todos eles “é porque estamos cuidando ou não cuidando bem deles”.

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Bíblia

Discípulos Missionários gerados pela

Palavra de deus

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N

o mês de outubro a Igreja dedica atenção especial à missão, algo que está no coração da comunidade cristã e a constitui como uma base fundamental. Todavia, não se pode esperar que surjam missionários dispostos para a missão, sem que estes sejam antes gerados como discípulos. O caminho do discipulado é fruto do “Estar com o Senhor”, algo que se realiza dentro da comunidade eclesial, espaço onde o discípulo é formado e educado na fé, como uma escola do discipulado missionário. O texto do evangelho de Mateus 28,16-20 é significativo no que diz respeito ao encontro com Cristo Ressuscitado e o fruto deste encontro - a Missão. A ressurreição de Cristo completa a sua missão e a sua revelação. A fé, então baseada na Palavra e na promessa, agora se baseia também sobre os fatos que corroboram a fé proclamada. No texto de Mateus, os discípulos se reúnem ao redor do Senhor sobre um monte na Galileia, lá reconhecem o Senhor e recebem dele o seu mandato missionário: “Ide, portanto, e fazei com que

todas as nações se tornem meus discípulos”. Nas palavras finais do Evangelho de Mateus está a indicação clara que a missão da Igreja é fazer com que todos se tornem discípulos, na certeza de que quem a acompanha é o próprio Senhor. A Galileia indica o lugar do ministério de Jesus, lugar do chamado dos discípulos, lugar da profissão de fé de Pedro e, agora, lugar do envio para a missão. A montanha é o lugar da manifestação de Deus, espaço que evoca a subida de Moisés ao monte Sinai. Lá, diante deles, Jesus se manifesta e comunica a sua autoridade e lhes confia a sua missão. Os discípulos se prostram com o rosto em terra, sinal de reconhecimento da divindade de Jesus, pois sabem estar diante do Senhor Ressuscitado. Apesar de todo o caminho feito com os discípulos, entre eles alguns duvidavam − algo que reflete a necessidade constante de sempre se aprofundar a fé e amadurecer como discípulos. Jesus menciona a autoridade que lhe foi conferida – “Toda autoridade...” (Lc 28,18). Essa é expressão da potência cria-

dora de Deus, manifestada no gesto de recriar a humanidade na ressurreição de Cristo, fazendo surgir homens e mulheres novas para um novo tempo. Os que foram chamados pelo Senhor, que no convívio com Ele foram formados como discípulos, hoje recebem a missão de estender a todos os povos e nações o mesmo convite que receberam. A missão da comunidade dos discípulos é a de fazer novos discípulos, por meio da instrução e do batismo. Os discípulos são enviados à missão pelo próprio Ressuscitado, eles se tornam missionários com o compromisso de fazer com que cada pessoa receba o anúncio do Evangelho e, respondendo positivamente a esse apelo, passem a “Estar com o Senhor” no caminho do discipulado. Este é o caminho que os conduzirá a um convívio com o Senhor e com a sua Palavra, capaz de formar novos discípulos, e, por conseguinte, novos missionários. Pe. Andherson Franklin, professor de Sagrada Escritura no IFTAV e doutor em Sagrada Escritura pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma


aspas

“AMANHÃ SEGUIREI O PAPA. Não podendo jejuar por conta do AVC e do diabetes, serei solidário com os sírios jejuando de internet até dia 14!” Padre Zezinho Twitter (@padrezezinhoscj)

“Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem o colesterol ou açúcar altos. Devem curar-se as suas feridas. Depois podemos falar de todo o resto. É necessário começar de baixo.” Papa Francisco

“Palavras erradas costumam machucar para o resto da vida, já o silêncio certo pode ser a resposta de muitas perguntas.” Padre Fábio de Melo

Não dá mais pra voltar, o mar é Deus e o barco sou eu; e o vento forte que me leva pra longe é o amor de Deus! Juliana Amaral no Twitter (@sajjujuba)

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especial

NOVAS PERIFERIAS EXISTENCIAIS

N

a Revista Vitória de setembro deste ano, fizemos uma apresentação desta questão que é objeto de convocação da Igreja por parte do Papa Francisco. Perguntávamos a que periferias existenciais a missão da Igreja deve se dirigir. A constituição de qualquer periferia acontece quando se estrutura um centro que não reconhece o mundo a seu redor, considerando-o estranho. O mundo contemporâneo tem sido muito eficiente na produção de multidões de pessoas estranhas, que não se encontram. Daí solidão e depressão. Como cresce este mal entre nós atingindo inclusive adolescentes! A indústria farmacêutica tem se enriquecido produzindo medicamentos receitados por médicos para a “cura”(?). Será que o caminho é a ingestão de tantos antidepressivos? Cada vez mais remédios “tarja preta” na vida das pessoas – cada vez menos sentido à existência concreta!

Não é preciso percorrer longas vias para encontrar periferias bem pertinho de nós, de nossa casa, escola, ambiente de trabalho. Estas periferias não se reduzem à realidade da pobreza, mas atingem qualquer pessoa. São multidões de pessoas que vivem na solidão, no desalento, no sentimento de impotência diante dos próprios problemas. São existências que perambulam pelos cantos escondidos da vida cotidiana. Sentimos esta questão quando aqui em Vitória foi realizado o I Sínodo Arquidiocesano. Uma das maiores reclamações das pessoas é que elas deixaram a Igreja porque não se sentiam acolhidas. Sentiam-se estranhas, solitárias, chorando num mar de angústias. E procuram solução deste mal em outros ambientes religiosos; daí o fenômeno conhecido como “trânsito religioso”, em que a pessoa vai passando de uma Igreja para outra em pouco tempo. Muitos agentes pastorais pensam resolver este desafio re-

estruturando os ritos litúrgicos. Uma liturgia que não implica em sair do centro, da zona de conforto, pouco contribui para a missão nas periferias existenciais. Muitos grupos religiosos estão cheios de pessoas que pensam as mesmas coisas e fazem sempre tudo igual, reduzindo o encontro apenas aos que se conhecem. E ali adoecem de si mesmas. Ir às periferias existenciais é desenvolver uma cultura do encontro, da comunicação, para além dos limites do centro. As pontes a serem construídas são de ternura, de carinho, de proximidade, de diálogo. O acolhimento é esta ponte a ser construída em nossas comunidades, paróquias, ambientes familiares, escolares e profissionais, pois o Cristianismo é a religião da ternura de Deus em que o Filho, que saiu do seio da Trindade, se encarnou entre os homens. Edebrande Cavalieri Doutor em Filosofia

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Projeto

Orfanato C A união engrandece e mantém viva uma história de solidariedade e acolhimento de crianças em risco social

A

colhimento, cuidado, atenção e um lar de oportunidades para crianças e adolescentes, com idade entre 4 e 14 anos, fazem parte da trajetória do Orfanato Cristo Rei, em Cariacica, que já completou 90 anos. Durante essa longa caminhada, a instituição viveu momentos difíceis e contou com a dedicação e empenho de pessoas que tinham a solidariedade na alma para se reerguer. A principal delas foi a Irmã Marcelina, que, entre tantos esforços dedicados ao projeto,

adquiriu uma área de 110 mil metros quadrados para construir a atual estrutura, e dedicou parte da sua vida aos cuidados com as crianças em risco social. Desde a fundação do Orfanato, o objetivo principal é acolher as crianças em risco social e pessoal, que não possuem uma boa estrutura familiar, evitando que elas estejam nas ruas, realizando


risto Rei atividades que não condizem com a realidade infantil. Acima de tudo, o Orfanato visa formar cidadãos com valores como dignidade, honestidade e respeito, princípios que permeiam todas as ações realizadas. Para manter os 30 funcionários, a manutenção do espaço e a compra de alimentos, o projeto conta com o auxílio de doações e, principalmente, com o apoio de pessoas que contribuem por meio do carnê. Atualmente, 160 crianças fazem parte do Orfanato. Aquelas em idade escolar permanecem no local durante o contra turno da escola, e as demais passam o dia todo. Ambas realizam atividades como artes,

informática, dança, esportes e reforço escolar durante o período que lá permanecem. O Orfanato Cristo Rei é presidido por um leigo, indicado pelo arcebispo, em parceria com a Congregação das Irmãs de Jesus na Eucaristia, hoje representada pela vice-presidente, irmã Dalila (foto). Para contribuir com o projeto, basta entrar em contato pelo

telefone (27) 3336-1440. O boleto para a doação será enviado para o seu endereço e o pagamento poderá ser realizado em qualquer agência bancária.


ideias

Somos experimentos de

S

omos experimentos de nós mesmos, diz Nietzsche, sejamos de bom grado, ele continua. E é neste pensamento que vou, pela escrita, me reexperimentando numa pequena jornada, me reinventando por ela. Mire, veja: o mais importante e bonito do mundo é isto, diz Guimarães Rosa, que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas. E se não estamos terminados, e se é de bom grado que vamos nos experimentando a cada dia, é em inventos e artes que temos a chance de seguir. Bem que vale a tentativa, fazer da vida uma obra, mas de arte. Tentar é o verbo certo, descarregado de orgulhos, de certezas, de verdades. Tentativas é o que se faz no presente, no tempo que se tem agora. Então tento. Carrego-me de desejos de fazer arte com meus pensamentos, com minhas indagações, com meus sofrimentos, com meus dias. Bem orienta Foucault: transformar a

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“Carrego-me de desejos de fazer arte com meus pensamentos, com minhas indagações, com meus sofrimentos, com meus dias

nós

existência cotidiana em experimentos que necessariamente resultarão no embelezamento da existência. Era domingo, destes dias mais brilhantes de luz que não machuca os olhos, luz de setembro, manhã, por volta das 7h, uns minutos a mais. Eu ia à missa, ali no alto do morro Jesus de Nazaré. Quer nome mais bonito para um bairro? Eu ia à missa numa igrejinha, grande que só ela no prazer de estar nela, uma igreja dedicada a Nossa Senhora, ali no alto, pertinho daquelas duas torres que à noite se alumiam em tons de azul, verde e lilás. Duas torres, Jesus e Maria, penso. Penso e me experimento: padre vai à missa? Que de costume é dizer: vou celebrar. Mas... Eu ia à missa. Bom é ir. Religião serve pra desendoidecer, diria Guimarães Rosa. Pode ajudar, concordo, desde que não esqueçamos jamais que amor, primeiro mandamento, tem que virar bondade, senão vira discurso, pregação, som sem eco, coração sem espaço, sino que retine, e só. Então religião endoidece mais. Procuro não esquecer,


mesmos bondade, bondade, mas bondade com gentileza, delicadeza, leveza, inteligência e desejo de aprender, pois que esta, a bondade traduzida em inteligência e muito estudo, também não dá pra dispensar na religião, e é outro modo de dizer sabedoria. Inteligência todo mundo tem, estudar é decisão. Faz-se assim sabido quem lê os cadernos em que a vida escreve, lições tão bonitas. Mas a vida também deixa garranchos e alguns, muitos, incompreensíveis verbetes. O que não dá pra entender agora, quem sabe depois. O que não dá pra entender sozinho, quem sabe aos olhos de alguém que vem ler com a gente os garranchos se revelem belas páginas. Faz-se assim, sábio, sabido e saudável, pelo menos mais saudável, ou menos doente, quem lê ainda aqueles outros cadernos, livros, muitos, que muitos escreveram. Dá trabalho. Poesia nem dá trabalho, é só seguir na leitura, como cheiro que entra na gente. E leitura boa, poesia antes de dormir é melhor do que rivotril - o Brasil é o maior consumi-

dor – clonazepam, diazepam e etc. e tal. Ai Meu Deus, as farmácias são tão cheias de luzes, convidativas... Não nos deixeis cair em tentação. A medicalização da vida não pode ser solução. Eu seguia por ali, pelo cais dos pescadores, na Praia do Suá, para pegar as escadarias e becos que serpenteiam por entre as casas e as gentes boas. Coisa de gente em qualquer lugar é ser bom. Do mais é desencontro com o destino. No muro, no pé da escadaria uma frase: galinha que anda com pato morre afogada. Lembrei da águia, aquela, que de viver com as galinhas desaprendeu das próprias e inatas competências de voar. Mas ali, na pichação no muro, já estava um sentido a experimentar: quem tomo por amigos? Quem escolho como companheiros? Em que lista incluo o meu nome? Com quem ando? Com quem aprendo a voar? A lista grande, uma genealogia, o Evangelho da festa daquele dia de setembro, já criava ecos em meus mundos. Toda

As pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas” aquela lista, de Abraão até Maria, vereda grande, não pedia outra coisa senão outro nome, o meu, o seu, o de quem vive agora. Decerto outros nomes precisam ser colocados ali, na sequência, numa afirmação de pertença e de incumbências. Pertença a uma estirpe que atravessa milênios, linhagem da qual faço parte, nela me inscrevo. Incumbências que me são pedidas, que me são delegadas, em urgências: fazer da vida uma obra, mas de arte. Inacabo-me neste texto, depois me experimento em continuações. Dauri Batisti

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prÁtica do saber

Onde estão as imagens do Convento São Francisco?

O

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mês de outubro se inicia

conjunto, que havia sido inaugu-

própria história franciscana e da

com a Festa Franciscana.

rado em 1594, desapareceu nas

história da Arte Sacra no Brasil. É

E a cidade de Vitória tem

primeiras décadas do século XX,

sempre bom lembrar, por exemplo,

motivos de sobra para comemorar

com exceção da capela de Nos-

que aquele foi o primeiro convento

esta data junto aos demais católi-

sa Senhora das Neves. O último

da região norte da Província Fran-

cos do mundo, em comunhão com

frei franciscano morreu em 1909,

ciscana da Imaculada Conceição, e

o Papa Francisco, pela importância

e as dependências conventuais,

que, durante seus mais de 335 anos

que tiveram os franciscanos em

incluindo a igreja da Ordem, fo-

de existência, o convento desem-

nossa história. No entanto, apesar

ram inteiramente destruídas em

penhou importantes papéis, não só

disso, muito se perdeu dessa rica

1924; da capela da Ordem Terceira

no domínio da religiosidade, mas

memória. Por isso mesmo, em nos-

restam apenas as paredes. Os retá-

também para a cultura e a socieda-

sa pesquisa de mestrado, buscamos

bulos e nichos originais da igreja

de local, oferecendo aulas, servindo

estudar parte dessa história: parti-

conventual e o altar da capela da

de enfermaria, fornecendo água

cularmente, as imagens sacras que

Ordem Terceira desapareceram

de sua fonte e cedendo espaço de

estavam presentes na antiga igreja

naquela época, e todo o conjunto

seus terrenos para um cemitério.

da Ordem Terceira, no Convento

de imagens se dispersou. Com eles,

Em 1818, quando Auguste de Saint-

Franciscano de Vitória e na capela

foi-se um importante registro da

-Hilaire visitou Vitória e o convento,

de Nossa Senhora das Neves. Este

história capixaba, e também da

o seu comentário foi que este “nada

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tem de notável, salvo sua localiza-

ainda se encontram na casa de

ção”. Certamente, Saint-Hilaire não

algum devoto. Mas, das 36 imagens

sabia da importância do Convento

entronizadas no convento de São

ao longo da história.

Francisco até 1919, conseguimos

Nossa pesquisa se desen-

localizar 16, em diversos lugares,

volveu a partir de um verdadeiro

como museus e a Mitra Diocesana.

trabalho de detetive: seguimos

pequenas pistas, em antigos li-

damental papel de preservação de

vros manuscritos do convento, em

devotos e moradores, como Amalio

matérias de jornais da época e em

Grijó, que publicamente saiu em

relatos de viajantes. A partir daí,

defesa da imagem da Sant’Ana

conseguimos saber com certeza

Mestra, ou o secretário da Irman-

centro do altar-mor, em madeira

quantas imagens havia nos dife-

dade de Santo Antônio dos Pobres,

e com quase um metro de altura,

rentes lugares conventuais e em

Horácio Machado, que a entregou,

mostra o santo com uma riqueza

diferentes momentos históricos, e

nos anos 40, ao Museu de Arte Sa-

de detalhes e uma forte expres-

pudemos mesmo desenhar esque-

cra, que funcionava na Capela de

são de dor. Restaurada em 2005,

mas reconstituindo os altares. Em

Santa Luzia, como também o fez

encontra-se em ótimo estado de

seguida, passamos a buscar essas

com a imagem de São Francisco

conservação, e hoje faz parte da

imagens, conhecer seu paradeiro.

de Assis. De todas, esta é uma das

reserva do IPHAN.

Infelizmente, muitas delas estão

peças mais importantes: com mais

desaparecidas, provavelmente

de 284 anos de existência, a ima-

foram destruídas ou quem sabe

gem do Patriarca, que ocupava o

É importante lembrar o fun-

Andrea Della Valentina, professora de Arte da PMV, tutora do Curso Artes Visuais UAB/UFES e mestre em Patrimônio e Cultura pelo PPGA/UFES

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Comportamento

A CRUZ DE CADA DIA

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ancei no início do mês de setembro, mais precisamente no dia 7, dia em que comemorávamos a Independência do Brasil, a seguinte pergunta, em minha página do Facebook, “Qual é a sua cruz de cada dia?”. As respostas foram as mais variadas possíveis, como: É viver no Brasil ou ser brasileiro. A intenção da pergunta estava diretamente ligada as palavras do Senhor que expressam uma condição imprescindível do discípulo missionário, pois, para seguirmos o Senhor, devemos carregar a nossa própria cruz. Também, Jesus dizia a todos: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia e siga-me”. (Lc 9, 23) O Senhor dirige-se a todos e fala da cruz de cada dia. Estas palavras de Cristo conservam hoje o seu pleno valor, pois não

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existe um cristianismo sem cruz; com certeza, estaria esvaziado de sentido, sem redenção, sem salvação. A cruz do Senhor, que temos que carregar todos os dias, não é a que produz o nosso egoísmo, individualismo, consumismo, etc, não são os conflitos causados pelo ¨homem velho¨ e pelo nosso amor desordenado. Isso não é do Senhor e, portanto, não santifica. A cruz, pequena ou grande, quando é acolhida de coração, produz paz e esperança no meio da dor e está repleta de eternidade. Não obstante, encontraremos a

cruz de cada dia nas pequenas contrariedades, que surgem no decorrer do trabalho e na convivência. Carregar a cruz significa enfrentar a vida com coragem e com os valores do evangelho; significa compreender a dor humana, e, por último, assumir as consequências dessa fidelidade na fé. O batizado que caminha pela vida fugindo sistematicamente do sacrifício não encontrará a Deus, não encontrará a santidade. Fugirá, em última análise, da felicidade e da missão que Deus o chamou. Digamos ao Senhor, que somos seus discípulos missionários, que estamos dispostos a segui-lo carregando a cruz, nas pequenas e grandes coisas, que somos brasileiros, que estamos dispostos a edificar nossa Pátria com os valores do Reino. Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Vitória


ARQUIVO E MEMÓRIA

Orfanato cristo rei Dom João Batista da Mota e Albuquerque com as crianças, benfeitores do Orfanato e Ir. Marcelina de São Luiz, que dedicou 44 anos de sua vida às crianças do Cristo Rei

Construção da nova sede do Orfanato Cristo Rei em Cariacica (onde funciona até os dias atuais). Em 1960, o Orfanato deixou o Convento São Francisco, que passou a abrigar a residência episcopal e a Cúria Metropolitana de Vitória, mudando-se provisoriamente para Campo Grande, depois para o Seminário de Santa Helena, em Vitória e finalmente, na década de 70, para sua sede definitiva, no bairro Cristo Rei, em Cariacica

Dom Luiz Scortegagna, internos do orfanato e as irmãs de Jesus na Santíssima Eucaristia, que chegaram ao Espírito Santo em 1935 e foram trabalhar no Cristo Rei

Giovanna Valfré Coordenação do Cedoc

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ensinamentos

Aparições e revelações

particulares

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m setembro deste ano, presumíveis “aparições” e “revelações” de Nossa Senhora em eventos realizados no Bairro Bento Ferreira, em Vitória-ES, ocuparam alguns espaços na imprensa local. A Arquidiocese de Vitória esclareceu, em nota oficial divulgada em seu site, que a entidade patrocionadora dos eventos não pertence à Igreja Católica nem mantém com ela qualquer tipo de relacionamento institucional.

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O que a Igreja ensina sobre tais fenômenos? A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Subsídios Doutrinais 1: Aparições e revelações particulares) esclarece que aparições e revelações só têm sentido em sua ligação com o plano de salvação de Deus, do qual Jesus Cristo é a Revelação plena. A Igreja reconhece a existência de revelações “privadas”, mas elas não pertencem ao depósito da fé. Elas não têm a fun-

ção de melhorar ou completar a Revelação de Cristo, mas ajudar a viver dela com mais plenitude (Catecismo da Igreja Católica, n. 66-67). Tudo isso pode parecer difícil para entender fatos concretos como os mencionados no início deste texto. Mas, a Congregação para a Doutrina da Fé (Normas para proceder no discernimento de presumíveis aparições e revelações) estabelece critérios para ajudar a discernir e avaliar quan-


do surgem novos fenômenos. Entre eles lembramos alguns: w observar as qualidades pessoais dos videntes (equilíbrio psíquico, honestidade e retidão moral, respeito à Igreja, predisposição para uma vida de fé); w se a revelação contém doutrina teológica e espiritual verdadeira e isenta de erro; w se existem erros doutrinais atribuídos a Deus, ou à Virgem Maria, ou a algum santo;

w considerar a possibilidade de que a pessoa tenha acrescentado, também inconscientemente, elementos puramente humanos a uma autêntica revelação sobrenatural, ou algum erro de ordem natural; w se a pessoa ou o grupo procura algum lucro ligado estritamente ao fato; w se existem atos gravemente imorais realizados no momento ou por ocasião do fato pela pessoa ou pelos seus seguidores;

w se o vidente tem doenças psíquicas ou tendências psicóticas ou então psicose, histeria coletiva ou outros elementos desta natureza. Cabe à Igreja fazer a avaliação dos fenômenos e orientar os fiéis sobre eles. Quando a Igreja reconhece as aparições e revelações, as manifestações públicas de culto e de devoção passam a ser permitidas. Vitor Nunes Rosa Professor de Filosofia na Faesa

CRM/ES 1075

É possível cuidar de alguém de várias maneiras. Desde que foi fundado, em 2002, o Neon trabalha com o conceito de que tratar as pessoas envolve atitudes muito mais abrangentes do que fazer diagnóstico e aplicar remédios. O sucesso desse modelo de ação permite imagens como esta.

Neon. Novas formas de cuidar das pessoas.

www.neon.med.br


cultura CAPIXABA

FOLIA DE REIS – CANTANDO A VINDA DE CRISTO SALVADOR

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Foto: Flávio de Almeida Santos

m Muqui, no mês de agosto, há mais de 60 anos, esses foliões vestem suas roupas mais bonitas e decoradas para cantarem o nascimento de Jesus Menino. O Mestre da Folia (cantando o poema do nascimento), seguido pelos músicos, o bandeireiro e o palhaço animam o cortejo que reúne aproxima-

damente cem grupos, vindos de todo o Estado, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Um a um os grupos desfilam pela cidade, portando bandeiras ou estandartes que trazem (no topo) sua estrela guia. A rua principal leva à Igreja Matriz de São João de Muqui, onde os peregrinos recebem a bênção e

partem de volta às suas casas, para anunciar com alegria a vinda de Cristo Jesus. Esta festa é uma extensão da Folia de Reis, uma tradição portuguesa, introduzida durante a colonização. Originalmente, a celebração da Folia começa no dia de Natal e segue até o dia 6 de janeiro, Dia de Reis. Quando, um grupo de 12 pessoas visitam as casas, que lhes abrem as portas para cantar em versos e prosas (acompanhados de sanfona, viola, triângulo, pandeiro...) a história dos Reis Magos, que deixaram suas terras, conduzidos pela Estrela Guia, para presentearem com ouro, incenso e mirra o Rei dos Reis, recém-nascido.

Diovani Favoretto Historiadora

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vitória Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

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Periodicidade: mensal


acontece

Semana Nacional da Vida No dia 8 de outubro é celebrado o Dia do Nascituro, data em que se recorda o direito à proteção da vida e saúde, à alimentação, ao respeito e a um nascimento

sadio. Portanto, a Igreja realiza do dia 1º ao dia 7, a Semana Nacional da Vida, na qual as paróquias e comunidades são convidadas a refletir sobre o assunto junto com seus fiéis.

O objetivo da semana é suscitar a consciência nas famílias e na sociedade, para o reconhecimento do sentido e valor da vida humana em todos os seus momentos.

Festa de Frei Galvão Para celebrar o seu padroeiro, a paróquia Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, em Vila Velha, preparou uma programação com missa e novena. Confira: 19 de outubro 18h - Início da Novena de Frei Galvão, na comunidade Santa Tereza D’Avila, em Darly Santos; 20 de outubro 18h40 - Novena seguida de missa, na comunidade Cristo Rei, em Jóquei de Itaparica; 21 de outubro 19h40 - Novena seguida de missa, na comunidade Nossa Senhora de Fátima, em Vila Guaranhuns; 22 de outubro 19h40 - Novena seguida de missa, na comunidade Jesus Libertador, em

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Jardim Guaranhuns; 23 de outubro 19h40 - Novena seguida de missa, na comunidade Santíssima Trindade, em Guaranhuns; 24 de outubro 19h40 - Novena seguida de missa, na comunidade Sagrada Família,em Nova Itaparica; 25 de outubro 19h40 - Novena seguida de missa, na comunidade São Francisco de Assis, em Araçás; 26 de outubro 18h40 - Novena seguida de missa, na comunidade São Francisco de Assis, em Araçás. Após a missa haverá uma confraternização, com barraquinhas de comidas.


Mundo consagrado a Nossa Senhora Inserida na programação do ano da fé, a Jornada Mariana acontece nos dias 12 e 13 de outubro. Atendendo ao pedido do Papa Francisco, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, venerada na Capelinha das Aparições, em Portugal, será levada para Roma. O pontífice fará a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria. A programação da Jornada tem início no sába-

do, 12, com a peregrinação ao túmulo de Pedro e adoração e celebração do Sacramento da Penitência nas igrejas próximas à Basílica de São Pedro. Às 17 horas, a imagem de Nossa Senhora de Fátima será acolhida na Praça São Pedro, na presença do Papa Francisco. No domingo, dia 13, o Papa Francisco presidirá uma missa na Praça São Pedro, por ocasião do encontro.

ss o para transformar seus projetos em realidade. Nós estamos a postos para contribuir.

Dia Mundial das Missões Para comemorar a data, 20 de outubro, a Arquidiocese de Vitória celebra missa, às 8h na Catedral Metropolitana. Na mensagem para o dia, o Papa Francisco pede que a Igreja anuncie o Evangelho com coragem.

U e eu temp

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(27) 3319-9062 (27) 3229-0299


acontece

Mini Congresso da IAM Durante os dias 19 e 20 de outubro, a Infância e Adolescência Missionária (IAM) reúne-se em Santa Isabel, no Mini Congresso Arquidiocesano, que tem como tema “Pequenos e Alegres Missionários, acendendo em Vitória há 20 anos a chama do amor”. O momento será de partilha de experiências, avaliação

da caminhada da IAM nos seus 20 anos de existência, e ainda de incentivo para o espírito missionário e serviço da missão nas crianças e adolescentes. A paróquia deve confirmar o número de participantes com a ficha de inscrição até o dia 10 de outubro, pelos emails mpgsousa@hotmail. com ou mitra.secretariapastoral@aves.org.br

Dia Nacional da Juventude Com o tema “Juventude e Missão”, as paróquias e comunidades da Arquidiocese irão preparar o Dia Nacional da Juventude (DNJ), comemorado em 27 de outubro. Reafirmando as propostas da Campanha da Fraternidade 2013 e a JMJ, o DNJ propõe um caminho missionário para os jovens da Igreja do Brasil. Os temas escolhidos para os encontros seguem três eixos: pessoa, comunidade e sociedade. O subsídio para a preparação pode ser acessado no site www.jovensconectados.org.br

Encontro de espiritualidade Para fortalecer e renovar a espiritualidade dos grupos da Pastoral do Menor, será realizado no dia 5 o Encontro de Espiritualidade, voltado para os agentes e demais interessados no trabalho da Pastoral. Com a assessoria de um grupo de educadores da própria Pastoral, será trabalhado no encontro a espiritualidade do educador. Para inscrições ou outras informações, deve ser enviado email para mitra.pastoraldomenor@ aves.org.br

Vitrais da Catedral No dia 8 de setembro, dia de Nossa Senhora da Vitória, padroeira da capital capixaba, foram inaugurados os vitrais da Catedral Metropolitana. Colocados ao fundo do presbitério, os vitrais trazem no centro Jesus Cristo e, na mesma linha, dos dois lados de Cristo, os apóstolos São Pedro e São Paulo. De acordo com o autor, Dom Ruberval Monteiro da Silva, “a arte tem função de tornar visível o mistério invisível do que se celebra”.

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O que vem em primeiro lugar na sua vida? A resposta certa é aquilo que faz você se sentir bem. Estamos aqui para lembrar que tudo que traz felicidade não pode ficar para depois. Assim como você colocou a Lorenge em primeiro lugar, queremos pedir que faça o mesmo com tudo que você valoriza. Para que um dia você possa dizer o mesmo que nós: muito obrigado.

Lorenge. Pela 8ª vez, primeiro lugar na categoria Construtora de Imóveis no Recall de Marcas.

Revista Vitória outubro 2013  

Revista Vitória, publicação oficial da Arquidiocese de Vitória/ES.