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vitória

Ano VIII

Nº 06

Junho de 2013

Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

Uma lei que não faz crescer

Foto: Albino Portella

maioridade penal

PENSAR

REPORTAGEM

ESPECIAL

O Ministério Público e o poder de investigar

As vantagens do intercâmbio e o crescimento

A credibilidade nas instituições religiosas


Ano VIII – Edição 06 – Junho/2013 Publicação da Arquidiocese de Vitória Editora Maria da Luz Fernandes / 3098-ES Repórter Letícia Bazet / 3032-ES Colaboradores Alessandro Gomes Dauri Batisti Gilliard Zuque Giovanna Valfré Edebrande Cavalieri Revisão de texto Yolanda Therezinha Bruzamolin Publicidade e Propaganda comercial@redeamericaes.com.br Telefone: (27) 3198-0850 Fale com a revista vitória: mitra.noticias@aves.org.br Projeto Gráfico e Editoração Comunicação Impressa (27) 3319-9062 Ilustradores

¶ Kiko, · Gabriel

Designer Albino Portella Jane Maria Gorza Impressão Gráfica 4 Irmãos (27) 3326-1555

youtube.com/mitraaves @arquivix

vitória

facebook.com/arquivix

Bispos Auxiliares Dom Rubens Sevilha Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias

w w w. a v e s . o r g . b r

Arcebispo Metropolitano Dom Luiz Mancilha Vilela

diálogos

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PENSAR

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O coração de Jesus, a fé e a juventude

O Ministério Público e o poder de investigar

MICRONOTÍCIAS

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reportagem

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especial

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Aquecimento global, protesto verde e escola em casa

As vantagens do intercâmbio e o crescimento

A credibilidade nas instituições religiosas

ARQUIVO E MEMÓRIA 23

Os Concilinhos na Arquidiocese de Vitória

PROJETO

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IDEIAS E SUGESTÕES

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ACONTECE

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Universidade para todos

A vida salvará as comunidades do endurecimento

A Festa do Beato José de Anchieta


sumário

editorial

ARTE SACRA

O significado do fogo nas Festas Populares

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C

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Atualidade

Porque dizer não à redução da maioridade penal

PARÓQUIA

Sagrado Coração de Jesus

ENTREVISTA

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A convivência com o mar influencia a vida e a fé

SAÚDE

Audição e ruídos

Buscar para viver

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om os movimentos da vida as pessoas às vezes se buscam e às vezes se ignoram e desprezam. Os “`as vezes” podem ter durações variadas ou até surgirem esporadicamente. O tempo não importa. O perigo é quando se solidificam e não são saudáveis aos relacionamentos, ao crescimento das pessoas e dos grupos ou prejudicam o amadurecimento social. Menores e maiores, nos lugares conhecidos e desconhecidos, no exercício pleno das próprias funções e atividades, nas descobertas e serviços de utilidade social, no resgate histórico do simbolismo e da tradição, o importante é a busca que encontra sentidos para a vida ser e existir. Convictos, credíveis, cuidadosos... e a vida será de tolerância, aceitação e, principalmente, de leveza porque a busca pelo outro e por Deus é o que nos move na fé-vida.

Maria da Luz Fernandes Editora


diálogos

COMO ESTÁ A SUA FÉ?

O CRUCIFICADO E

Ao perguntarmos como está a

sua fé estamos, de fato, perguntando: Como está a sua vida, como está o

O mês de junho além das festas da piedade popular, Santo Antônio, São João Batista e São Pedro, também é tradicionalmente considerado como o mês do Coração de Jesus.

seu coração? Na linguagem popular ao perguntarmos “como vai fulano?”, se a resposta for: Ele está indo bem! Significa que ele está ganhando dinheiro e subindo profissionalmente. Caso contrário se responderá: Ele não está indo bem! Conclusão: As pessoas são medidas e avaliadas pela conta bancária. O ser humano está sendo avaliado não por aquilo que é, mas, por aquilo que tem.

Quando perguntamos como está

a sua fé, estamos, na realidade, perguntando: Como você está como pessoa, como gente, como ser humano?

Quanto maior for a fé de alguém,

maior será a sua humanidade. A falta de fé desumaniza a pessoa. Sem Deus o homem será um ser humano pela metade, incompleto. Na Igreja Católica, o ser humano verdadeiro, a pessoa que chegou no topo e excelência da sua humanidade recebe o nome de santo. O santo é aquele que atingiu, de algum modo, a estatura de Cristo: o verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Dom Rubens Sevilha, ocd Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Vitória

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Devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma prática religiosa, ou melhor, uma atitude pedagógica da Igreja para que os fiéis conheçam melhor e mais profundamente a Pessoa de Jesus Cristo. A Pessoa de Jesus Cristo é retratada, amada sob o sinal e símbolo do Coração de Jesus. Um quadro humano, simples que nos aproxima de Deus. Diante deste quadro, profundamente humano, o fiel cristão é convidado, contemplando e interiorizando o que vê, a mergulhar no Mistério Pascal de Jesus Cristo. São Paulo, em sua carta aos Romanos, escreve que pelo Batismo fomos mergulhados no Mistério da Cruz e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 6, 4). Ora, acredito que seria bom dedicarmos um pouco de nosso tempo a um pequeno exercício de nossa mente e coração, neste mês em que costumamos

meditar no Amor do Pai, revelado na Pessoa de Jesus Cristo Crucificado, com o seu Coração traspassado pela lança do soldado. Coloquemo-nos diante do Coração Traspassado e, ao mesmo tempo, diante do Crucificado. Um grande sinal, que no momento, poderíamos ver ou contemplar como diante de dois grandes sinais específicos: O Coração que ao jorrar sangue e água gera a Igreja de Cristo e seus Sacramentos, amor derramado por nós para que tenhamos vida e o Sinal da Cruz, Jesus Crucificado que esgota o seu Sangue e nos lava de nossas misérias! Ambos os sinais significam e expressam o mistério da nossa salvação, a Nova e Eterna Aliança no Sangue do Cordeiro Imaculado, Cordeiro Pascal! Contemplo as mãos e os pés do Crucificado, o Sangue esgotado, o seu lado aberto pela lança como gesto extremo de Amor. Só Deus consegue chegar a este


O CORAÇÃO DE JESUS ponto do limite humano como sinal do amor sem limites! Ele assume sobre si as consequências do pecado e de todo o pecado. Jesus, verdadeiramente Homem vive humanamente a rejeição; assume com toda liberdade a humilhação da Cruz chegando ao ponto alto do Amor oblativo quando diz: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”. Aqui revela-se para nós claramente o “Homem” e o “Divino” na mesma Pessoa... Jesus é verdadeiramente Homem e verdadeiramente Deus! O Crucificado, pois, é sinal expressivo do Amor de Deus para com a humanidade! Contemplando, pois, a Cruz e o crucificado, contemplamos o Amor de Deus! O Sinal do Coração traspassado nos conduz ao interior da Pessoa de Jesus. Interiorizamos de modo contemplativo os sentimentos do Homem Obediente, Jesus e, Deus Misericordioso, Jesus, que ama na sua totalidade o ser humano, reparando e restaurando a falha da humanidade, convocando-a para o convívio eterno e feliz. O coração traspassado expressa o derramar do Sangue do Crucificado como Amor derramado sobre a humanidade. A espiritualidade do Sagrado Co-

ração de Jesus tem como centro a Pessoa Amorosa de Jesus, obediente aos desígnios do Pai, fiel e sinal Revelador da Misericórdia Divina. O Coração traspassado expressa a Vitória do Amor Redentor, Fonte de Vida Nova das Novas criaturas! O Coração de Jesus, expressão interior do Amor doado do Crucificado, revela-nos a ternura de Deus através do perdão, apesar de nossa ingratidão. Portanto, ao contemplarmos o Coração de Jesus com olhar contemplativo, deteremo-nos no Coração, Fonte de Ternura e Gerador de Vida, nascedouro da Igreja chamada a ser sinal deste Amor doado no meio da humanidade, chamada a servir, esgotando-se na ternura do perdão como o Mestre e Senhor da Cruz Redentora e Misericordiosa. Olho o Crucificado e vejo o seu Coração traspassado. Vejo a Pessoa de Jesus Cristo e digo com fé: Eu creio no Amor! Eu creio no Amor que vem do Alto! Contemplo e olho o Crucificado e o Coração Traspassado pela lança do soldado! Amor doado! Por isso dizemos: Sagrado Coração de Jesus fazei que o nosso coração seja semelhante ao vosso Coração! Dom Luiz Mancilha Vilela, sscc Arcebispo Metropolitano

Em pleno ano da Fé

A partir das orientações da Cons-

tituição Apostólica ¨Porta Fidei¨, as comemorações do Ano da Fé (20 anos da publicação do Catecismo da Igreja e 50 anos do Concílio Vaticano II) se estenderão até 2015, devendo cada Igreja particular, fazer sua programação, através da coordenação da Ação Evangelizadora.

Sabemos que a Fé tem necessi-

dade de ser sustentada por meio da Palavra de Deus, e de uma doutrina capaz de iluminar a mente e o coração dos fiéis, alimentada pela oração e pela participação na comunidade.

Torna-se cada vez mais urgente

o aprofundamento da Fé, através da prática da Leitura Orante, do conhecimento da Palavra de Deus, do estudo do Catecismo da Igreja e da releitura das constituições, decretos e declarações do Concílio Vaticano II.

Que em pleno ano da Fé, possa-

mos decidir estar mais com o Senhor, viver com Ele e fortalecer nossa caminhada eclesial na Arquidiocese de Vitória. Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Vitória

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Atualidade

Redução da Maioridade Penal. Por quais motivos devemos dizer não!

H

á em trâmite no Congresso Nacional dezenas de proposições acerca da redução da maioridade penal. São propostas de alteração do texto da Constituição Federal, que fixou em 18 anos a idade a partir da qual o jovem passa a responder integralmente pelos seus atos perante à Justiça Criminal. O debate em torno desse tema, muito embora não seja novo, sempre se

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acirra em ocasiões em que adolescentes se envolvem em atos infracionais de grande repercussão midiática. Nesses momentos, como agora, a chamada “grande mídia” impulsiona a opinião pública e pressiona o Estado a responder com o endurecimento penal, o que no caso dos adolescentes significa prendê-los cada vez mais cedo e deixá-los encarcerados por cada vez mais tempo. Infelizmente, a cultura política bra-


mentais à infância? E como tem sido o papel da família? E o que nós, enquanto sociedade, temos feito para evitar esse quadro? O fato é que para não enfrentar a verdade, foram construídos diversos mitos em torno da adolescência em conflito com a lei. Diz-se, por exemplo, que a violência urbana tem no adolescente o seu maior algoz. A realidade desmente.

550 mil Maiores de 18 anos presos ou aguardando condenação.

30 mil Jovens menores de 18 anos em unidades de internação cumprindo penas restritivas.

Repete-se por aí o mito de que os atos praticados pelos adolescentes são os mais bárbaros e terríveis. Que seriam eles os responsáveis pela escalada no índice de homicídios. Mais uma vez, os dados desmentem.

Crimes cometidos pelos Internos da Fundação Casa, São Paulo em 2012 Roubo Tráfico de drogas Latrocínio Homicídio

Então, como bem indicou a CNBB, em pronunciamento sobre o tema, é imoral querer induzir a sociedade a pensar que o adolescente seja o principal responsável pela onda de violência no país. No Brasil, até o início do século passado, a maioridade penal estava fixada em 9 anos de idade

44% 41,8% 0,9% 0,6% Foto: Albino Portella

sileira, ainda dominada pelo casuísmo, não permite que assuntos tão sérios e complexos como o da violência urbana recebam o tratamento adequado. Na maioria das vezes, para satisfação da opinião pública, são dadas respostas rápidas, fáceis e simples a questões históricas, difíceis e complexas. Reduzir a idade penal não é solução para a tragédia da violência que se abate sobre nós. Ao contrário, encarcerar adolescentes de 16 anos, que deveriam estar na escola, em presídios-masmorras é condená-los à faculdade do crime e vê-los de lá saírem profissionais da violência. O debate da redução da maioridade penal fica assim na superfície da questão, naquilo que é a consequência e não a verdadeira causa do problema. Mais do que tentar resolver o dilema, a medida efetivamente agravará a situação da violência. Por que, ao invés da busca desenfreada na punição a qualquer custo dos adolescentes – consequência do problema –, não nos preocupamos em debater e enfrentar as reais causas que têm levado esses jovens cada vez mais cedo para a situação de criminalidade? Por que não discutir qual tem sido o papel do Estado na promoção dos direitos funda-


Atualidade

e uma criança de 10 anos poderia ir para a prisão dependendo do ato praticado. Com o Estatuto da Criança e do Adolescente foi possível construir o conceito de que até os 18 anos o ser humano está em peculiar estágio de desenvolvimento. Isso significa que um ato antissocial praticado por um adolescente deve, antes de tudo, merecer uma resposta de caráter pedagógico, que o responsabilize na medida em que seja capaz de educá-lo para a vida. Reduzir a maioridade penal significa alterar o paradigma Perfil do adolescente em conflito com a lei (dados do Conselho Nacional de Justiça) Ensino Médio 5ª Série Primária Criados apenas pela mãe Criados pelos avós Usuários de entorpecentes antes de cometer crimes

11% 40% 47% 17% 75%

ético-civilizatório que construímos em torno da infância e da adolescência, segundo o qual são fases da vida na qual a pessoa ainda está em formação, e isso requer da família, da sociedade e do Estado, a adoção de medidas de caráter pedagógico, não de vingança punitiva. A verdade é que agora se reduz para 16 anos, amanhã para 14 e em seguida acaba-se definitivamente com o conceito de infância! A realidade revela que o Estatuto da Criança e seu espírito de garantir proteção integral a todas as crianças brasileiras, tornando-as prioridade absoluta, fazendo com que seu desenvolvimento físico-psíquico seja o mais saudável possível, nunca foi respeitado e integralmente cumprido. Querem mudar uma Lei antes mesmo de aplicá-la verdadeiramente. O perfil dos adolescentes em conflito com a lei que superlotam as degradantes unidades de internação brasileiras mostra que, longe de terem sido prioridade, foram crianças esquecidas pelo Estado, abandonadas por suas famílias e rejeitadas pela sociedade.

Antes de se pensar em reduzir a idade penal, seria preciso pensar em garantir a vida em abundância de nossas crianças e adolescentes. Vida para as cerca de 2,5 milhões de crianças em condição de trabalho infantil. Vida para as crianças exploradas sexualmente, obrigadas a vender o corpo em troca de pão. Vida para as crianças fora da escola, sem oportunidades de cultura, esporte e lazer. Vida para as 16 crianças e adolescentes que morrem, por diversas causas, diariamente no Brasil, segundo dados do IBGE. Como povo de Deus, detentores da fé que liberta, da esperança que ilumina e da caridade que ama, é preciso negar qualquer tipo de sentimento de vingança e criminalização contra nossas crianças e adolescentes, especialmente os empobrecidos. Ao contrário, somos chamados a buscar neles a presença do Deus misericordioso. Só assim conseguiremos construir um caminho cristão na promoção da cultura da vida e da paz e no cuidado que temos que dispensar às futuras gerações do nosso país.

Bruno Alves de Souza Toledo – advogado, mestre em política social. Ex-presidente do Conselho de Direitos Humanos e atual conselheiro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória


pensar

DIGA NÃO À PEC 37

QUEREM AMORDAÇAR O MINISTÉRIO PÚBLICO

B

rasil! República Federativa formada pela união indissolúvel dos Estados, Municípios e do Distrito Federal. Estado Democrático de Direito erige os Poderes e especifica suas competências: o Legislativo incumbe de elaborar leis, o Executivo, de administrar os bens públicos, destinando-os, na forma da lei. Cabe ao Poder Judiciário examinar conflitos mediante processo e proferir decisão imparcial. Como fim de tudo, visa efetivar seus Princípios Fundamentais e Constitucionais: soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho, a livre iniciativa e o pluralismo político. (Art. 1º). O Poder não é de quem o detém, seu exercício é um mandato, requer reputação ilibada, competência e amor ao outro. Todos os dias, vêm à tona, descobertas das mais diferentes mazelas, desvio de verbas de obras inadiáveis, escolas, hospitais e outros serviços, sem explicação que se aceite. Soa a hora de definir responsabilidades. Para tanto, uma Instituição se tem revelado coerente com sua destinação constitucional, é o Ministério Público: instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado,

incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (Art. 127). Tarefa de tal relevância importa em promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos (Inc. III, art. 129). O MP leva a sério tal tarefa. À exaustão, investiga e, mediante ações penais e/ou de improbidade administrativa, tem levado agentes públicos a julgamento perante os tribunais. Maus parlamentares, como diz o ditado, vendo a barba do vizinho arder, apressaram-se em dar jeito de pôr as suas de molho. Encontraram saída no poder de legislar que detêm: vamos tirar do Ministério Público o poder de investigação, só as Polícias poderão fazer isto. Subterfúgio desprezível, marcha-ré nos ainda frágeis, mas permanentes passos que o Brasil vem dando em favor da moralização e do fazer valer o Direito, punindo também malfeitores do “colarinho branco”. Para tanto, tramita no Congresso Nacional a proposta de emenda à constituição – PEC 37

“Todos os dias, vêm à tona, descobertas das mais diferentes mazelas, desvio de verbas de obras inadiáveis, escolas, hospitais e outros serviços, sem explicação que se aceite. – verdadeiro tapa na cara da Democracia, jogar no lixo uma das maiores conquistas da Nação, que tem o Ministério Público na mais alta conta e a ele recorre sempre, até, quando este Órgão por não ser de sua atribuição, não dispõe do analgésico que precisa para lhe aplacar a dor. Marlusse Pestana Daher - Mestre em Direito e Garantias Fundamentais e escritora

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micronotícias

Escola em casa Um casal de brasileiros, moradores da Nova Zelândia há dois anos, recebeu do Governo local a autorização para retirar os filhos da escola e ensinar em casa. Pais

de quatro filhos, dois em idade escolar, os brasileiros vão adotar o conceito de unschooling (desescolarização), cujo objetivo é ensinar por meio da vivência e não através de aulas tradicionais. As habilidades serão desenvolvidas por meio de visitas a parques, museus, observação da natureza, entre outras atividades. Para conseguir a autorização, o casal teve de apresentar um projeto detalhado, apontando como educariam as crianças em casa. Eles listaram quais atividades seriam trabalhadas para desenvolver competências em cada área, discriminando uma série de ações, como desenhar mapas em geografia, por exemplo, cozinhar e observar a alteração das matérias em ciências, e fazer origami e montar quebra-cabeça para ajudar na alfabetização em matemática.

Alerta vermelho A Secretaria Executiva para o clima das Nações Unidas acendeu o alerta vermelho. A liberação de gás carbônico

superou pela primeira vez a marca de 400 partes por milhão (ppm), um número simbólico que marca uma tendência inquietante do planeta para o aquecimento.

Protesto verde

Cansado de se deparar com a má conservação das calçadas, um inglês decidiu plantar mini jar-

Melhor emprego do mundo Um capixaba foi classificado entre os 18 finalistas do Concurso Melhores Empregos do Mundo, que irá selecionar seis pessoas para ir à

Austrália desempenhar funções como cuidar de cangurus, provar comidas e bebidas, ir a eventos como convidado vip e patrulhar praias. Para a atividade, os felizardos ganhadores receberão um salário de 100 mil dólares australianos, o equi-

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valente a cerca de R$ 200 mil. A campanha faz parte de uma estratégia de marketing do órgão de promoção turística da Austrália para promover o destino entre viajantes jovens de outros países. Para conquistar a vaga, os candidatos enfrentarão vários desafios, incluindo criar conteúdo para vídeos inspiradores de turismo, escrever em blogs sobre suas experiências na Austrália e participar de uma coletiva de imprensa.


O objetivo fixado pela comunidade internacional em 2009 é manter o aquecimento global a uma elevação máxima da temperatura de 2 ºC em relação aos níveis registrados antes da era industrial, o equivalente a cerca de 300 ppm. Caso esse número seja superado, os cientistas consideram que o planeta

entrará em um sistema climático marcado pelos fenômenos extremos. No fim do ano terá início a rodada de negociação climática entre os países, com o foco para a construção de um novo plano global, substituindo o Protocolo de Kyoto, para conter as altas taxas de gás carbônico na atmosfera.

dins em cada buraco na rua. Ele utiliza plantas e

chamar a atenção dos cidadãos para a situação das calçadas e também tornar mais verde e poética as paisagens urbanas. A ideia do inglês deu tão certo que passou a ser reproduzida pelos buracos das calçadas mundo afora. O movimento já rendeu até um livro, chamado ‘The Little Book of Little Gardens’.

espécies de cores diferentes e ainda acrescenta miniaturas de bancos, bicicletas e orelhões, sugerindo a maior integração entre a natureza e os centros urbanos. O projeto chamado ‘The Pothole Gardens ’ pretende

Festas dos Santos Populares Tradicionalmente, o mês de junho é marcado pelas festas juninas ou festas dos santos populares. Nessa época celebra-se Santo

Antônio, São Pedro e São João. De acordo com os historiadores, a tradição veio de Portugal e, chegando ao Brasil, foi facilmente incorporada aos costumes dos povos indígenas e negros. As características dos festejos vêm de diversas partes do mundo: da França veio a quadrilha, passos e marcações das danças; da China, os fogos de artifício; a dança de fitas é originária de Portugal e da Espanha; já a alimentação, marcada por alimentos como milho, mandioca e leite de coco é influência brasileira. No Nordeste, onde a tradição das festas juninas é mais marcante, festeiros vão às ruas e visitam todas as casas, levando música e dança. Os donos da casa, em contrapartida, oferecem uma mesa farta de bebidas e comidas típicas para servir os grupos. O costume é uma maneira de integrar as pessoas da cidade.

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entrevista

“O pescador busca o que Rafael Madeira conversa com a Revista Vitória sobre o que aprendeu na convivência com o mar, com a família e a comunidade. Vitória­ - Quem é o Rafael? Rafael - Sou um jovem que cresci

à beira da praia, aqui em Vitória, no Bairro Jesus de Nazaré, aonde conheci a paróquia S. Pedro que é a minha segunda casa, aliás a terceira, a primeira é onde eu moro, a segunda é o cais e depois a Igreja. Sempre trabalhei neste ramo porque a profissão de pescador, para mim é uma das profissões mais lindas, mais maravilhosas. Meu pai é pescador, meus tios pescadores então eu tenho bastante convivência e estou bastante influenciado por esse meio. Já passei mais de 20 dias no mar.

Vitória­ - O que significa ficar esperando o peixe chegar ou não chegar, como é essa espera? Rafael - A vida da pesca é muito sofrida. Hoje eu não estou mais pescando, mas os pescadores vão buscar o que não deixaram, diferente de quem está no campo que planta e colhe, ou o gado que está no pasto e você está ali observando e sabe que vai colher. O peixe você não deixou lá fora, então, a expectativa é um jogo e isso é bom. O pescador conhece o peixe que bate lá no fundo a 30, 40 mil metros de fundura e dentro de casa às vezes ele erra

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a porta do quarto. O pescador às vezes roda em cima do mar dois ou três dias, onde só tem água e água e ele sabe onde tem uma pedra e que em cima dessa pedra pode tirar peixe. Então, o pescador tem muita fé, ele conta com a fé. Se não tiver fé ele vai no barco vazio e volta no barco vazio. Algo que me emociona muito é quando os pescadores vão saindo da baía de Vitória, eles se viram para o Convento, tiram o boné, inclinam a cabeça, fazem um gesto da cruz, fazem a sua oração e vão saindo, isso é maravilhoso! Vitória­ - O

que você aprendeu no mar influencia a sua vida,

o seu dia a dia? Rafael - Sim, ajuda muito. Às vezes em momentos conturbados aqui no dia a dia em terra, com tantas coisas que a gente vê, a gente fecha os olhos e lembra daqueles momentos lá no mar, aquela brisa leve, suave, o barulho só do vento e do mar e a gente por alguns instantes se sente lá, e isso conforta muito, traz muita paz para a gente. Vitória­ - Como é a convivência

da comunidade fora do cais, lá em cima nas casas? Rafael - É até engraçado porque hoje surgiram muitas oportunidades como petróleo, gás e tirou um pouco esse foco da pesca, mas


não deixou” a relação é boa. Ao amanhecer, pelas 5, 6 horas da manhã já se começa a falar: tá formando uma nuvem, como vai ficar o tempo, fulano de tal tá no mar, e a pescaria de fulano como é que foi? É um modo da falar um do outro de uma forma boa. E o barco de fulano? Ah, tá lá no Rio, entrou na Bahia, entrou em Santos e aí vem a esposa e diz: você viu meu marido lá fora? Você viu papai lá fora, o filho pergunta. Tô com saudade de papai. Isso tudo é gostoso e aproxima bastante as pessoas. Vitória­ -

Hoje a comunidade desceu porque tem um barco que precisa de ajuda. É sempre assim, todo o mundo ajuda quando precisa? Rafael - Todo o mundo tenta ajudar, se precisar pular na água, pula. Vai lá amarra uma corda,

puxa e tenta fazer. Quando não tinha tanta modernidade a comunidade descia toda e empurrava ou pegava o barco no colo, igual uma criança, e botava dentro da água, era assim que funcionava. Quando não se consegue, fica o pensamento positivo, torcendo para que consiga. Você falou no início da sua relação na comunidade religiosa. O que o Rafael faz na Igreja? Rafael - Graças a Deus e à minha família eu sou batizado e crismado. Há dois anos atrás padre Pedro Camilo, um grande amigo, me convidou a ser ministro da comunhão. A princípio me perguntava quem era eu para ser um ministro, mas depois nas minhas orações e até analisando a vida no mar, eu vi que me assemelho muito a São Pedro, sou muito bravo, muito nervoso. E eu pensei bem assim, Pedro que cortou a orelha do soldado foi um dos discípulos mais amado por Jesus, então acho que posso encarar também. E hoje, antes de fazer muitas coisas, eu penso no meu compromisso com Deus, com a Igreja. Eu sou ministro, a gente tá ali e tem que ser exemplo. Eu digo: eis o corpo de Cristo, então, tenho que ser modelo, querendo ou não querendo. Vitória­ - A comunidade te cobrou mais depois que você se tornou ministro?

“... quando estou na capela do Santíssimo eu vejo o mar e ali Cristo naquela barca com os discípulos. Rafael - Não, não cobrou até porque eu sempre fui bastante tranquilo, até que pise no meu calo. Sou meio pavio curto e antes da comunidade cobrar eu já me policio. Vitória­ - O que o contato com o mar mais marcou a sua vida? Rafael - O grande exemplo da minha vida vem do mar. E eu nunca fui de mordomia, sempre quis conquistar o que era meu. Quando tinha as festinhas no bairro, mamãe e papai me davam dinheiro, mas eu não me contentava, eu tinha que ter o meu dinheiro. Então eu vinha para a beira do cais quando tinha uma embarcação descarregando, pedia para lavar as tábuas, lavava o barco para ganhar uma caixa de peixe. Botava a caixa nas costas e subia o morro vendendo aquele pescado e fazia o meu dinheirinho. Um dia falei para meu pai que queria ir no mar e ele falou: não, você não vai, vai fazer o quê no mar? O mar não é lugar para você, vai estudar, vai trabalhar em terra. E eu insisti, eu quero ir, eu quero ir, até que um dia fui. Fiquei 23

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entrevista

dias e essa foi a maior experiência da minha vida. Ali eu vi como era a experiência do pescador, a vida que meu pai e meus tios levavam no mar. É acordar 5 da manhã e ir até 2, 3 horas da manhã, às vezes duas a três horas de sono num dia. Quando chegava no final do dia os braços já estavam pedindo socorro e a gente ali tendo que pescar. E, um dia chuvoso e debaixo de um temporal eu olhei assim para meu pai, ele com um casaco, aquele chapeuzinho de palha e eu me vi lá em casa deitado no sofá, todo bonitinho, tudo do bom e do melhor sem imaginar que ele passava por tudo aquilo para poder botar tudo que eu tinha dentro de casa. Ali eu aprendi a dar valor às coisas. O temporal, o vento, a chuva, buscar o que não deixou, aquele perigo

dentro daquele barquinho que mais parece uma caixa de fósforo no meio daquele “marzão” me ensinou que tudo que a gente adquire com suor, com luta, a gente aprende a dar valor, a gente ama, a gente se apaixona. Vitória­ - Você falou de S. Pedro, ele é o seu santo protetor? Rafael - S. Pedro e S. Francisco e no meio Nossa Senhora. Vitória­ -

Quando você está em terra, o que você pensa que no mar é melhor? Rafael - A paz, a paz do espírito. Um dia que eu estava pra baixo no mar, triste, e peguei um baldinho de água do mar e joguei sobre mim. Eu me renovei em fração de segundos. Vitória­ - A sensação é a mesma perto do cais ou no alto mar? Rafael - Quanto mais longe melhor, quando você passa a ponte já começa a sentir a diferença. Ah, mas 20 dias, 30 dias no mar, longe da família, como? Tudo é costume. O pescador dez dias em terra já fica louco, já quer sair... ele fala que terra é só para passeio, em terra só se gasta, não se ganha nada, o que se ganha é lá no mar. Um fato importante é que eu não sei levantar de manhã sem me debruçar lá na lage da minha casa e ficar nem que seja 20, 30 segundinhos olhando para o mar, parado, refletindo, orando e aí depois eu vou em paz. Preciso dessa proximidade. Vitória­ - Você precisa do mar? Rafael - Sim, muito. Precisamos dele. Vitória­ -

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“...eles se viram para o Convento, tiram o boné, inclinam a cabeça, fazem um gesto da cruz, fazem a sua oração e vão saindo, isso é maravilhoso!

E o que você diz para

quem passa aqui perto e nem vê que tem um cais, os barcos, a comunidade? Rafael - Olha que todos tirem esses 20, 30 segundinhos que eu tiro por dia e dê uma quebradinha aqui para o lado da Praia do Suá para conhecer a realidade do pescador, venham pela manhã cedinho para ver os barcos chegando, as gaivotas acompanhando, esse ar puro, eu tenho certeza que vão querer voltar mais vezes, isso é maravilhoso. Vitória­ - Esses 30 segundinhos olhando para o mar é a mesma coisa que entrar numa capela diante do Santíssimo? Rafael - Ah é, porque quem tem Cristo no coração leva ele para onde for. Se você está em paz, Ele está ali, assim como na capela do Santíssimo. Vou falar diferente, quando estou na capela do Santíssimo eu vejo o mar e ali Cristo naquela barca com os discípulos.


arte sacra

Fogo: sentido bíblico e o significado das fogueiras Sentido do fogo na Bíblia O fogo representa a transcendência e a santidade de Deus: Criação da luz (Gn1); sarça ardente no Horeb e no Sinai (Êx3; 19); coluna de fogo na caminhada do Êxodo (Êx13); brasa ardente para purificar os lábios de Isaias (Is6); o carro de fogo que levou Elias (2Rs 6); o batismo no Espírito Santo e no fogo, anunciado por João Batista (Mc 1); línguas de fogo em Pentecostes (At2).

Simbolismo da fogueira O fogo é um elemento de muitos significados, mas nas festas juninas, é responsável por reunir as pessoas à sua volta, purificando, confortando e protegendo. A história conta que, na Europa, o fogo era aceso nas festas que antecipavam as colheitas a fim de homenagear o espírito da floresta e garantir a fertilidade das mulheres, das árvores e dos animais. O formato da fogueira está ligado ao santo homenageado: quadrada para Santo Antônio, cônica para São João, triangular para São Pedro. Quanto mais alta, maior é o prestígio de quem a armou. A fogueira é sinal da luz, da fé em Deus. A madeira levada por todos gratuitamente, os galhos

empilhados geram tamanha luz e grande clarão, as vozes, as rezas, geram um testemunho de união e de amor.

Assim como o fogo queima e ilumina a noite envolta em trevas, a fé ilumina a vida, espalha alegria e esperança a todos.

A origem da fogueira de São João Além de primas, Isabel e Nossa Senhora eram muito amigas e costumavam se visitar. Uma tarde, Isabel foi à casa da prima e aproveitou para lhe contar que, dentro de algum tempo, seu filho nasceria e que seu nome seria João. Nossa Senhora, então, perguntou: - Como poderei saber o nascimento do garoto? - Acenderei uma fogueira bem grande. Assim você poderá vê-la de

longe e saberá que Joãozinho nasceu. Mandarei também erguer um mastro, com uma boneca sobre ele - respondeu Isabel. Um dia, Maria viu, ao longe uma fumaça seguida de chamas vermelhas. Dirigiu-se, então, para a casa de Isabel, encontrando o recém nascido João. Isso ocorreu em 24 de Junho e é por isso que a festa de São João passou a ser festejada com mastro, fogueira, foguetes, balões e danças.

Padre Antonio Luiz Pandolfi, Paróquia Santíssima Trindade Linhares – ES – Pós-graduado em Comunicação e Liturgia

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Paróquia

Sagrado coração de Jesus

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devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma das expressões mais difundidas da piedade eclesial, tal como refere recentemente o “Directório sobre a Piedade Popular e a Liturgia” da Congregação para o Culto Divino. Os Pontífices romanos têm salientado constantemente o sólido fundamento na Sagrada Escritura desta maravilhosa devoção. Como conseqüência das aparições de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque no mosteiro de Paray-le-Monial a partir de 1673, este culto teve um incremento notável e adquiriu a sua feição hoje conhecida. Nenhuma outra comunicação divina, fora as da Sagrada Escritura, receberam tantas aprovações e estímulos da parte do Magistério da Igreja como esta. Entre os documentos mestres nesta matéria encontramos a encíclica de Pio XII, Haurietis aquas, de 15 de Maio de 1956. Pio XII salienta que é o próprio Jesus que toma a iniciativa de nos apresentar o Seu Coração como fonte de restauração e de paz: “Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e oprimidos, que Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt. 11, 28-30).

Paróquia Sagrado Coração de Jesus Itaquari - Cariacica w A Paróquia tem 08 comunidades w Criada em 1969, pelo Arcebispo Dom João Batista da Mota e Albuquerque w Pároco: Padre Anderson Gomes da Silva

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Reportagem

Viajar C

onhecer outra cultura, aprender uma nova língua e, por alguns meses, experimentar a sensação de independência e o aumento da responsabilidade, aprendendo a lidar sozinhos com problemas cotidianos surgidos, longe dos pais. Esses são alguns fatores que movem jovens em diversas épocas do ano a realizarem um intercâmbio, seja para estudo ou trabalho. Mas os resultados vão além disso. Conhecer outros costumes e tradições torna as pessoas mais tolerantes e atentas aos outros, ensina a lidar com as diferenças e predispõe os participantes a uma convivência mais pacífica, solidária e fraterna. Para cientistas alemães, explorar o mundo com novas expe-

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é preciso!

riências ajuda na formação do cérebro, sendo capaz de formar novos neurônios no hipocampo, área responsável pela memória e pelo aprendizado. Na busca por novas experiências que promovessem o crescimento pessoal, a jovem Mariana Anselmo decidiu, junto com algumas amigas, fazer um intercâmbio para Las Vegas, nos Estados Unidos. A escolha do destino partiu da indicação de uma das funcionárias da agência, sendo um dos motivos, a facilidade de encontrar emprego. E isso Mariana pôde comprovar: “eu trabalhei em uma empresa que vende saias indianas horrorosas. Como eu não era muito boa com o produto, acabei sendo demitida. No mesmo dia já estava empre-

gada em uma loja que vendia extensões e acessórios para cabelos. A cobrança por venda também era grande, mas o trabalho era mais gostoso, o produto era de qualidade e as colegas de trabalho eram ótimas“, contou. Para a jovem, a viagem representou a realização de um sonho, que com planejamento real, mesmo o que parecia distante, foi possível e deu certo. “Às vezes, tudo acontece de uma forma completamente diferente do que a gente planejou, mas é incrível! Aprendi a conviver melhor com a cultura do outro e a ser mais tolerante com as diferenças. Aprendi também a me interessar mais pelas pessoas, a ser menos turista e mais curiosa - e isso é bem gostoso, porque te leva além


do basicão, que está em todo guia turístico”. Aos 16 anos, Clara Schneider decidiu ir para a Alemanha, após boas indicações sobre a experiência de um intercâmbio, vindas de um casal de alemães, amigos dos seus pais. Durante um ano ela estudou, participou dos eventos da escola, jogou no time de vôlei e cresceu, em um período de muito aprendizado e autoconhecimento. “É uma oportunidade única, que tem que ser aproveitada ao máximo para crescer e amadurecer como pessoa. Se eu tivesse que fazer essa viagem de novo, eu não faria nada diferente, pois cada dia é uma aula, e cada coisa que eu errei uma vez, da segunda vez eu fiz certo”. Clara afirma ainda, que para fazer um intercâmbio é preciso estar aberto às diferenças, saber respeitar e reconhecer as carac-

terísticas das diversas pessoas com quem estará em contato, ser tolerante e entender o novo contexto em que se está inserido. “Não dá para esperar que as coisas venham até você. Se quer fazer amigos, corra atrás; se quer viajar e conhecer outros lugares, não perca as oportunidades; e acima de tudo, se ficar em casa de família, não se isole. Criar laços é muito bom, especialmente com as pessoas que estão fazendo o papel da sua família de verdade”. A jovem Letícia Rezende, formada em Comunicação Social, carrega a experiência de dois intercâmbios: o primeiro para os Estados Unidos, escolhido por ser o destino mais fácil para ter uma experiência internacional, sem ter que investir muito tempo e dinheiro; e o segundo para a Alemanha, quando foi aprovada para trabalhar por seis meses

na comunicação interna de uma empresa multinacional. Após o período, Letícia retornou ao Brasil, onde ficou um ano, e voltou para a Alemanha, ingressando no mestrado e trabalhando sua tese em um projeto da primeira empresa em que ela trabalhou no país. Desde 2009 ela reside na Alemanha junto com o marido, conhecido durante o intercâmbio. Para Letícia, a viagem mudou sua vida por completo. “Tive a oportunidade de conhecer e entender a cultura europeia; fiz amigos e viagens inesquecíveis; serviu também para valorizar mais o Brasil e ver que problemas existem em todo o lugar; além de ter o contato com a minha profissão em outro país”. Além das experiências de trabalho e estudo no exterior vividas por alguns jovens, a assistente

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Reportagem

social Danielle Machado teve a oportunidade de viver um intercâmbio religioso, contribuindo em projetos sociais na Arquidiocese de Paderborn, na Alemanha, durante um ano. Entre tantos projetos que auxiliou, Danielle destaca o desenvolvido junto a crianças, jovens, adultos e suas famílias, oferecendo informação, acompanhamento terapêutico, assistência social e tratamento na área de drogas. “A dependência química é uma realidade também no Brasil, porém nosso país ainda não conta com políticas públicas de qualidade, estruturadas e eficientes na prevenção, tratamento e acompanhamento”. Podendo acompanhar de perto projetos sociais realizados em um país desenvolvido, a assistente social se surpreendeu com a realidade encontrada: “nestes 12 meses de experiência pude perceber que a realidade social da

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Alemanha apresenta problemas que eu nunca havia imaginado que pudessem existir num país rico: moradores de rua; muitos desempregados que dependem da solidariedade de projetos sociais para receber uma alimentação matinal; ainda uma grande dificuldade de integração entre alemães e migrantes; dificuldade de inserção de estrangeiros no mercado de trabalho; prostituição de alemãs e estrangeiras, como alternativa de sustento para suas famílias; etc. Porém, algo que me sensibilizou muito foi a solidariedade do povo. As pessoas empobrecidas que conheci tanto no Brasil quanto na Alemanha, apesar da falta de recursos financeiros, têm uma riqueza espiritual fantástica, de esperança, acolhida e respeito”, declarou. Neste e nos próximos anos, é o Brasil que estará em evidência

no cenário mundial, recepcionando pessoas vindas de todos os continentes. A Jornada Mundial da Juventude, que acontece no próximo mês no Rio de Janeiro; as Olimpíadas de 2014 e a Copa do Mundo, em 2016, colocarão em destaque nossa cultura, costumes e tradições, a culinária e os pontos turísticos, levando o país a uma verdadeira transformação sócio-econômica-cultural. Somos um país acolhedor, festivo, que congrega diversas etnias. Temos agora a oportunidade de “ir além” das expectativas dos visitantes. O desafio é caprichar nos quesitos amizade, respeito, tolerância, organização e tantos outros necessários para uma convivência harmônica entre os povos.


especial

QUEDA DA CREDIBILIDADE nas INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS

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esde 2009 o Instituto Futura tem realizado pesquisas na Grande Vitória sobre o grau de confiança das pessoas em diversos profissionais, entre eles lideranças religiosas, padres e pastores. Em quatro anos a credibilidade nas lideranças religiosas tem mostrado uma queda crescente passando de 45% (2009) para 35,2% (2013). Na referida pesquisa também chama a atenção o descrédito em relação às lideranças políticas (apenas 6,2% confia muito ou confia), e o elevado grau de credibilidade de bombeiros militares e professores. É preciso registrar ainda que até 2009 havia tendência crescente de confiança nas instituições religiosas. O que está acontecendo? Como explicar estes dados das pesquisas? A credibilidade das instituições, expressa na figura de suas lideranças, é um fator essencial para a estabilidade da sociedade como um todo. Quando as instituições começam a ficar corroídas internamente, a situação social perde a segurança da vida democrática e abre seu horizonte para um futuro imprevisível. Parece-nos que o envolvi-

mento de lideranças religiosas (padres e pastores) em escândalos morais e financeiros atinge profundamente a relação dos fiéis com as lideranças. Pode não perturbar a vida da fé, mas a relação da pessoa com a Instituição Religiosa fica abalada. A integridade moral e ética torna-se assim o elemento central da credibilidade. Um caso apenas de desvio do dinheiro do dízimo ou de assédio sexual que atinge o grau máximo com a pedofilia produz um estrago enorme na atitude de credibilidade institucional. As palavras de Jesus Cristo são severas: “Caso alguém escandalize um desses pequeninos que creem em mim, melhor será que amarre ao pescoço uma pedra pesada e seja precipitado nas profundezas do mar” (Mt 18, 6). A mentira, o falso testemunho, a falta de transparência, ações contrárias à disciplina e à moral das instituições e, no caso dos cristãos, contrários ao Evangelho de Jesus Cristo, fragilizam as organizações religiosas em seu núcleo vital. A escolha e a formação das lideranças religiosas nem sempre se pautam por critérios rigorosos no sentido ético e moral. Mui-

tas vezes, o simples falar bem e convencer plateias tornam-se o critério básico das escolhas e ordenações (quando houver). O cuidado com as vocações religiosas nos tempos atuais tem perdido o lugar para a urgência de cooptação de fiéis para a própria Igreja. Muitas instituições religiosas transformaram-se em negócio empresarial. O livre mercado pautado por uma vida sem ética tem sido visto em muitas atitudes de líderes e instituições religiosas. Muitos se colocam numa postura autoritária e acham que não devem prestar contas a ninguém. Assim, não publicizam balancetes de dízimos e gastos com o culto. É preciso dizer que também os leigos, muitas vezes, estão implicados em atos contrários à integridade ética e moral na sua ação pastoral. A credibilidade só aumenta na medida de nossa vigilância, eliminando possibilidades de desvios de conduta de quem ocupa lugar representativo nas organizações religiosas. Edebrande Cavalieri Doutor em Filosofia

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ARQUIVO E MEMÓRIA

ASSEMBLEIA ARQUIDIOCESANA, ESPAÇO DEMOCRÁTICO E DE UNIDADE DENTRO DA IGREJA DE VITÓRIA

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m sopro renovador tomou conta da Igreja de Vitória após o Concílio Vaticano II. Dom João Batista da Motta e Albuquerque e Dom Luiz Gonzaga Fernandes realizaram, pelo interior inicialmente e depois na Grande Vitória, os Concilinhos, discussões que ajudavam o povo a mentalizar a renovação proposta em Roma. A partir de então o Secretariado de Pastoral foi organizado e os Assembleia Arquidiocesana - 1986

Participantes da Assembleia votando para eleger o novo coordenador de pastoral

leigos começaram a participar mais ativamente da vida litúrgica da Igreja e entenderam o valor de suas opiniões. Com o objetivo de ouvir a voz do povo organizado em comunidades, foi criado o COPAV (Conselho Pastoral da Igreja de Vitória) e realizou-se no início dos anos 70 a primeira Assembleia Arquidiocesana da Igreja de Vitória. Representantes das Ceb´s, organizados em áreas pastorais passaram a se reunir a cada dois anos para discutir e opinar sobre as

linhas de ação da Arquidiocese. Dessa forma, homens e mulheres atuantes nas comunidades passaram a reconhecer que são sujeitos da história e da Igreja. Era um novo jeito de ser Igreja, pois nas várias organizações eclesiais e, consequentemente, nas Assembleias Arquidiocesanas, todos começaram a ter direito a voz e a votar as prioridades pastorais. Giovanna Valfré Coordenação do Cedoc

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projeto

Universidade para

Todos Oferecer oportunidades aos alunos da rede pública de ensino e reduzir as desigualdades sociais presentes no ensino superior foram os alicerces de uma ideia exitosa, pioneira no país.

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Projeto Universidade para Todos (PUPT) nasceu em 1996, idealizado por estudantes universitários que conheciam a realidade de jovens oriundos do ensino público, com a proposta de tornar real o sonho dessas pessoas, que não competiam em igualdade com alunos das escolas particulares, mas tinham vontade, determinação, aptidões

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naturais e eram potencialmente inteligentes para ingressarem na Universidade Federal do Espírito Santo. Além disso, o Projeto buscava democratizar o acesso ao ensino superior, oferecendo uma boa preparação para a prova do vestibular. Com a ideia na cabeça, os estudantes buscaram o apoio da Universidade e de empresas para


auxiliarem na questão logística e financeira. Conseguiram, e no primeiro ano de implantação, o Projeto formou sua primeira turma, composta por 60 alunos recrutados da rede pública de ensino. Em quatro meses de estudo, o índice de aprovação na Ufes foi de 32%, sendo que o 1º lugar no curso de Letras foi conquistado por uma aluna que havia concluído o 2º grau há 20 anos. O 2º lugar em Biblioteconomia e o 3º em Educação Artística também foram do PUPT. A partir daí, o número de alunos matriculados e aprovações foi crescente. O cursinho ganhou a confiança de outras instituições e apoio das prefeituras e do Governo do Estado, ampliando sua atuação para diversos municípios do Espírito Santo. A Fundação Ceciliano Abel de Almeida (FCAA) é responsável por intermediar todas as parcerias, que são firmadas a cada ano.

Em 16 anos de história, o Projeto Universidade para Todos garantiu o ingresso e a aprovação de quase 4 mil alunos ao ensino superior, representando uma média de 27%, respectivamente. Os estudantes ainda têm a oportunidade de cursar uma faculdade particular, através das parcerias diretas das instituições de ensino, que oferecem bolsas de estudo, com o PUPT; ou pelos programas sociais dos Governos Federal e Estadual, como o Prouni e Nossa Bolsa. Muito além de um cursinho pré-vestibular, o Projeto ajuda a construir nos seus alunos a cons-

ciência de cidadania, promove a auto-estima e os prepara para o mercado de trabalho, com o auxílio de toda uma equipe que conta com professores empenhados, coordenadores, monitores, estagiários e alunos participativos e interessados em alcançar algo mais.

Como funciona Todos os anos, o PUPT, por meio da Fundação Ceciliano Abel de Almeida, busca as instituições para fechar parcerias. Após essas definições, é aberto o edital para a realização do processo seletivo e, em seguida, inicia-se as matrículas dos alunos aprovados. São requisitos para ingressar no PUPT que o aluno tenha estudado em escola pública, e sua renda familiar seja de até 6 salários mínimos. Informações em: www.pupt.pro.br

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ideias e sugestões

Esperanças daqueles que este mundo

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uscamos uns aos outros. O mundo humano se faz e se constitui porque buscamos uns aos outros. E é essa busca convulsiva de uns pelos outros que ainda sustenta com esperanças aqueles que este mundo faz nascer. É esta busca que nos propõe - ou deveria nos propor - sermos audaciosos na ação e arteiros e urgentes em outros modos de pensar para que a vida seja cada vez mais potente e o viver juntos cada vez mais agradável. Buscamo-nos constantemente e sabemos que a comunidade que erguemos desta busca ganhará consistência exatamente pela reunião de diferentes elementos, os mais disparatados e surpreendentes. E estes elementos, é certo, continuarão

A vida salvará as comunidades do endurecimento. A vida com suas forças e belezas, mazelas e encantamentos, ciclos e surpresas.”

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sempre a aparecer, e precisarão ser sempre bem-vindos, desafiando-nos ao entendimento da comunidade como fluxo, como movimento, como composição, e também como desejos de ser outra coisa. A comunidade traz sempre dentro de si um desassossego, uma incompletude, um grito por novos membros, uma sede de novos acontecimentos, de novos encontros e o desejo de ser outra comunidade. O amálgama de uma comunidade é a surpresa, a novidade, o inesperado. Desse modo quase poderíamos afirmar, não existe uma comunidade a ser preservada, só existe uma comunidade a ser construída. Como as pessoas são constituídas em sua subjetividade num processo belamente incessante, assim também nossas comunidades eclesiais. Como somos diferentes a cada fato e acontecimento, mudados e afetados pelos acontecimentos, acasos e dificuldades, assim as comunidades eclesiais. As comunidades eclesiais na Arquidiocese de Vitória se balizaram historicamente por

dois referenciais importantíssimos, a fé e a vida. No que diz respeito à fé as comunidades bem se estruturaram, e como em todo processo de institucionalização também se deu nelas, um processo de endurecimento. E por conta disso enfrentam dificuldades para se reinventarem. As comunidades chegaram - e que bom que chegaram - a um estágio bem desenvolvido no que tange às celebrações, à liturgia, aos sacramentos, ao estudo da palavra, dos documentos e formações em geral, e etc. Mas, no que se refere ao seu outro polo referencial, a vida, as coisas não seguiram o mesmo ritmo. Mapas existenciais são preteridos em função dos burocráticos. Os encontros e intercursos de vida se dão, mas não recebem investimentos. Somos bons investidores no planejamento, na organização, etc., mas dispensamos os possíveis e até necessários des-regramentos. Sim, a comunidade se endureceu de muitas regras. Estaria a acolhida fraterna exigindo um desregramento que crie espaço


ainda faz nascer para novos elementos, para a surpresa, para o inusitado, para a descontração? De que falo? Falo sem intenções de certezas, falo para evocar outros pensamentos, para provocar outras conversas. A mim parece que nossas comunidades precisam voltar a investir na Fé-Vida, e não predominantemente na fé. A vida salvará as comunidades do endurecimento. A vida com suas forças e belezas, mazelas e encantamentos, ciclos e surpresas. Mas, não tem sido assim. É como se prevalecesse um pensamento, “da vida as pessoas mesmas dão conta”. Todavia, cada dia mais as pessoas trazem com suas queixas, em longas filas nos atendimentos, o apelo para a atenção à vida, à vida nua, à vida que está por um triz, à vida. É hora de interromper o que em nós e através de nós destitui os encontros e paisagens humanas de mais beleza, suavidades, flexibilidades. É hora de nos experimentar como sendo outro, um outro renovado, ressurrecto. É hora de interromper os processos de

endurecimentos que nos fazem próximos da inclemência e do desamor. É hora de fazer do estar juntos a clínica do revigoramento e da alegria. Toda comunidade deve ser terapêutica, toda comunidade pode ser clínica, cuidadora da vida e suscitadora de outras e mais belas expressões de vida. É hora de rompermos a ferrugem das dobradiças e escancarar as janelas para que renove nosso espírito o ar benfazejo do desregramento libertador, da ressurgência do amor.

Outro dia, como de costume, andei por entre as estantes de literatura da Biblioteca Pública na Praia do Suá para me possibilitar um encontro, sim, um encontro com outra voz, outro pensamento, outra história. Lá estavam os clássicos, sempre um apelo, sempre é bom ler os clássicos. Dei-lhes um olhar, mas minhas mãos tomaram um livro que se tornou uma grata surpresa, “Chegadas e partidas” de Annie Proulx, autora americana que já conhecia de outro livro. Um jornalista com uma autoestima pequeníssima, depois do suicídio dos pais e da morte da esposa, é levado por uma velha tia para a terra inóspita e gelada dos seus ancestrais no litoral do Canadá. Ali ele terá que aprender a enfrentar não apenas as forças surpreendentes da natureza, mas também aquelas que dentro dele impedem a construção de um sentido novo para a vida. Os encontros te esperam, boas leituras! Dauri Batisti

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acontece

Formação para agentes da Pastoral da Saúde Durante os dias 22 e 23 de junho, será realizado o Encontro de Formação da Pastoral da Saúde, na Casa de Retiro São Francisco Xavier, em Santa Isabel, para preparar e orientar os agentes sobre o serviço e a missão da pastoral. Nas palestras serão abordados temas como Bioética, cuidados paliativos, autoconhecimento para uma vida melhor e a psicologia do enfermo e do agente da Pastoral da Saúde. Médicos e especialistas de cada área foram convidados para apresentarem os assuntos. Cada paróquia pode enviar até cinco agentes de pastoral, e as inscrições podem ser feitas no Secretariado de Pastoral da Arquidiocese ou pelos telefones (27) 3396-9205/9954-2791/9932-0082.

Retiro dos Presbíteros Entre os dias 01 e 05 de julho, os presbíteros da Arquidiocese de Vitória estarão reunidos para o retiro anual em Santa Isabel, Domingos Martins. O pregador será o bispo de Diamantina (MG), Dom João Bosco. Serão dias, de recolhimento, oração, escuta da Palavra, adoração ao Santíssimo, intercalados por orações individuais e comunitárias que fortalecem a comunhão com Deus e entre os presbíteros.

Semana do Migrante A 28ª Semana do Migrante, que acontece de 16 a 23 de junho, tem como tema ‘Juventude e Migração’, abordando a realidade vivida pelos jovens migrantes, suas buscas, dificuldades, conquistas e expectativas. Na programação, momentos

especiais como missa com os migrantes na paróquia Sáo José Operário, em Carapina, círculo bíblico em alojamentos e repúblicas, Celebração no albergue de Vitória e palestra na Aldeia de Pescadores, com o tema ‘Políticas Públicas- Direito de ir e vir’.

Retiro da Pastoral Familiar A Pastoral Familiar da Arquidiocese está planejando um momento de recolhimento e reflexão para os casais, durante os dias 08 e 09 de junho. O retiro será realizado no Orfanato Cristo Rei em Cariacica.

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No encontro, os casais serão levados a refletir sobre o seu serviço a Deus. Para inscrições e outras informações, os interessados devem procurar os coordenadores da Pastoral Familiar das paróquias.


Festa Nacional do Beato José de Anchieta O município de Anchieta, no sul do Espírito Santo, originado de uma aldeia indígena catequizada pelos padres jesuítas, tem uma forte relação com o padre José de Anchieta, que por sua dedicação à catequese e à missão de evangelizar, passou a ser conhecido como o mais notável jesuíta no país, sendo chamado de Apóstolo do Brasil. Comemorada no dia 09 de junho, a Festa do Beato José de Anchieta é uma tradicional manifestação religiosa e cultural, que mobiliza todo o município em lembrança ao legado histórico deixado pelo jesuíta. Todos os anos, é planejada uma extensa programação com início no final

do mês de maio, incluindo shows católicos e seculares, tríduos e missas na Igreja Matriz, apresentações culturais e atividades esportivas e ecológicas. Primeiro roteiro cristão das Américas, a caminhada ‘Os Passos de Anchieta’ também é realizada todos os anos, com o objetivo de resgatar o caminho percorrido pelo primeiro mestre do Brasil nos seus últimos anos de vida. Neste ano, a chegada dos andarilhos em Anchieta acontece no dia 02 de junho às 11h, com a celebração da bênção ao meio dia, na Igreja Matriz. Na programação religiosa está o Tríduo, nos dias 06, 07 e 08, às 19h30 na Igreja Matriz, com

os temas: ‘Anchieta, Apóstolo do Brasil’, ‘Anchieta e o seguimento de Cristo’ e ‘Anchieta e a Devoção à Nossa Senhora’. No dia 09, será realizada a Missa Solene, às 16h na Praça do Santuário, com o tema ‘Anchieta e a Juventude’. Após, às 18h, o cantor católico Padre João Carlos lança seu CD ‘Quem me Tocou’, no mesmo local. Durante todos os dias de festa, acontece na Praça de Eventos programações culturais e apresentações, contando ainda com a Biblioteca Itinerante e o Espaço Cultural. Entre as atrações nacionais que se apresentarão estão Jota Quest, João Bosco e Vinicius, Fábio Jr. e Revelação.

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saúde

Saúde Auditiva

O

ouvido é uma estrutura muito delicada. Responsável pela percepção, identificação e compreensão dos sons, suas estruturas merecem todo cuidado e atenção, pois além da função auditiva, ele também interfere no equilíbrio. É muito importante prestarmos atenção em determinadas atitudes: w O ouvido não deve ser limpo com nenhum instrumento. O cerúmen, ao contrário do que muitos pensam, não é sujeira e sim proteção! w Cuidado com sons altos: quanto mais alto for o som que você ouvir, maior será o risco de prejudicar sua audição. Nossos ouvidos são delicados e têm estruturas complexas que podem ser facilmente prejudicados. Somos expostos constantemente a ruídos no trabalho, no tráfego, quando ouvimos música alta, ao sair-

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mos à noite para concertos ou locais em que o som é muito alto. Como exemplo, o som de um concerto de rock chega a atingir um nível de 110-120 decibéis. Ressaltamos que esses níveis sonoros podem ser facilmente produzidos por um headphone, quando se está escutando música alta. w Dores no ouvido, secreções e “coceiras” devem sempre ser avaliados por um Otorrinolaringologista. w O zumbido também é muito comum. Pode ser como grilo, chiado, enfim,de vários tipos! Ele é sinal que algo não está sendo muito bem processado no Sistema Auditivo e tem várias causas associadas. w Existe, ainda, a queixa de “ouvir e não entender”, isso é, não compreender o que lhe foi dito. Esses sintomas devem ser avaliados também pelo médico especialista.

Exames específicos podem ser feitos para avaliar a audição desde o nascimento. O exame do bebe é chamado Otoemissão Acústica, e é também conhecido como Teste da Orelhinha. Após, durante o crescimento e vida adulta, periodicamente devem ser feitos exames conhecidos como Audiometria e Impedanciometria que irão determinar os limiares auditivos da pessoa. Caso haja necessidade existem exames mais específicos que poderão ser indicados pelo seu médico. Enfim, a nossa audição é um bem precioso e que, assim como o coração e o pulmão, deve estar sempre sendo olhada e cuidada. Cuide da sua audição para estar sempre ouvindo mais e melhor! Drª Christiane Saliba Helmer Otorrinolaringologista Mestre em Ciências – Patologia das doenças Infecciosas CRMES: 4460


e 0. o - Jac araíp cilha, às 19h3 r n a d e M P iz Lu o ã m S o po D Festa de a pelo Arcebis ores Missa presidid ila dos Pescad

9h, na V 27 de junho ipal. Missa às ic n u M o d a ri Fe de lhas. 29 de junho ival de Quadri rado Coração st g a Fe S o ja d re io Ig íc a In 18h Saída d de Jacaraípe. atriz. s a ru s la e p o M s. Procissã 9h, e chegada na Igreja l de Quadrilha a 30 de junho iv st Fe o m Jesus, às ades co nto das festivid e m a rr ce En 18h

Festa

De 01 a de Santo Trezena 13 de junho Antônio – Santo 18h30 – de Santo Antô Antôn n O io r a – ç ã A io 19h – M o n issa da da Trezena o da Fé, Temp Trezena o de Re encontr 09 de j o e de E u n speranç Procissã ho a chegad o Luminosa d e a à Bas ílica. Ap Santo Antônio ós a cam .S 13 de ju inhada, aída da Cated n h ra haverá Dia de S o a missa l de Vitória, às , às 19h 17h30 e Missa c anto Antônio 30. 15h - M om bênção do Santuár issa para enfe s pães – 06h3 rmos e 19h – Pr io-Basílica idosos c0 na Igreja Ma o tr om Sac c is são Santuár ramentoiz; 08h e 10h, n io-Basíl de Translado oS da Unçã ica e m o dos Enantuário-Basíl issa de da Relíquia de ica fermos S encerra no mento danto Antônio, d as festiv a idades. Igreja Matriz ao

FESTA DE SÃO JOÃO BATISTA - Cariacica Sede 16 a 24 de junho Novena e missa nas comunidades e na paróquia 22, 23 e 24 de junho Shows com as bandas Ciros (Bom Pastor de Campo Grande), Amor e Vida (Canção Nova) e DDD (Doidinhos de Cristo). 23 de junho Missa com procissão na Igreja matriz às 7h30 24 de junho Missa solene de São João Batista, às 17h, presidida por Dom Sevilha e concelebrada pelos padres da área pastoral Cariacica/Viana


Revista Vitória junho 2013