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vitória

Ano VIII

Nº 03

Março de 2013

Revista da Arquidiocese de Vitória - ES

Fica

o legado de Bento XVI

MicroNotícias

Entrevista

Atualidade

Conclave, Bote Fé e a posição de Vitória no Firjan

A missão episcopal e o cotidiano do cardeal Dom João Braz

Legado do Papa, o motivo da renúncia


Editora Maria da Luz Fernandes / 0003098-ES Repórter Lisandra Melo / 0003041-ES Colaboradores Thales Delaia Alessandro Gomes Dauri Batisti Raquel Tonini Alexandre Lemos Gilliard Zuque Giovanna Valfré Revisão de texto Yolanda Therezinha Bruzamolin Publicidade e Propaganda comercial@redeamericaes.com.br Telefone: (27) 3198-0850 Fale com a revista vitória: mitra.noticias@aves.org.br Projeto Gráfico e Editoração Comunicação Impressa (27) 3319-9062 Ilustradores

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Designers Albino Portella Ricardo Coffler Impressão Gráfica 4 irmãos (27) 3326-1555

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Ano VIII – Edição 03 – Março/2013 Publicação da Arquidiocese de Vitória

facebook.com/arquivix

Bispos Auxiliares Dom Rubens Sevilha Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias

w w w. a v e s . o r g . b r

Arcebispo Metropolitano Dom Luiz Mancilha Vilela

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MicroNotícias

Conclave, Bote fé e controle de obesidade

Entrevista

10

arte sacra

15

O Cardeal Dom João Braz fala sobre sua missão episcopal e cotidiano no Vaticano

O significado do altar na liturgia (parte III)

poster do papa

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Arquivo e memória 21 O Palácio Domingos Martins

Especial

22

saúde

23

Comportamento

26

O Tempo da Quaresma

A homeopatia

Desejo e amor

= Contrários Palácio Anchieta e Domingos Martins

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sumário

atualidade

O legado do Papa Bento XVI

18 editorial

Equilíbrio Diálogos

Dom Luiz reflete sobre a renúncia do Papa

A

4

Ideias e Sugestões 24 A renúncia do Papa é um acontecimento

pensar

A aplicação do código florestal

7

ACONTECE

29

Notícias em destaque e programação da Festa da Penha

s editorias desta edição da Revista Vitória foram modificadas e algumas suprimidas em vista do acontecimento que nos surpreendeu: a renuncia de Bento XVI. Desde o dia 11 de fevereiro a Sede Apostólica da Igreja Católica ‘está na mídia’. Informações constantes e até especulações acontecem em todos os jornais e a todas as horas e, cabe às edições diárias e instantâneas, o papel de atualizar o cidadão sobre os detalhes do acontecimento. Às Revistas mensais cabe focar em alguns aspectos como fizemos neste número. Os cardeais preparam-se para o conclave, período caracterizado pelo recolhimento e oração. Cabe aos cardeais refletir e avaliar as características humanas e espirituais dos papáveis. Cabe a todos os católicos rezar em comunhão com os cardeais e, particularmente com Bento XVI, o bispo emérito de Roma, pelo novo Papa e o novo pontificado. Maria da Luz Fernandes Editora


diálogos

Refletindo

sobre a renúncia do Papa

O

mundo católico sente-se órfão com a renúncia do Papa. A figura maior dos cristãos católicos no mundo visível está em foco. O Papa anunciou sua renúncia por motivos de saúde e idade avançada, sentindo-se impossibilitado de prestar o serviço à Igreja que um Pontífice precisa prestar. Este gesto do Papa abalou muitos fiéis cristãos católicos. Ficaram confusos porque têm dificuldade em separar neste fato o que é puramente racional em nossa vida do que é afetivo. Fomos educados no amor e reverência para com a pessoa do Sumo Pontífice, Vigário de Cristo

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na terra. Agora, de repente, somos tomados de surpresa: O Santo Padre, o Papa Bento XVI anuncia sua renúncia. O coração de nossa gente tem dificuldade para assimilar tal notícia. Coração e razão estão distantes nesta primeira hora. O coração não acolhe esta notícia. Surgem reações e reflexões de conteúdo espiritual. Onde fica a cruz na vida do cristão e do Papa? Não devemos carregá-la até ao fim? Por que não imolar-se com Cristo, Cordeiro Pascal? É evidente que o mistério da cruz acontece na imolação até ao fim da vida como, também, na imolação de alguém

que conhecendo profundamente suas limitações físicas e em idade avançada opta pela oração reclusa e o silêncio obsequioso como oferta do que resta de si mesmo. No campo do afeto, porém, não há argumentos racionais que possam convencer. Por outro lado, a razão, que nem sempre está de acordo com o coração, ajuda o ser humano a conhecer a si mesmo sobre o que pode fazer ou não fazer, a decidir com clareza sobre questões objetivas. O Santo Padre procurou usar o coração orante, sem se descuidar da razão, e conseguiu uma unidade do coração e da


inteligência para chegar à sua conclusão. E agora? Como ficamos? O Mundo não católico se posiciona de várias maneiras. Uma delas é o respeito à dignidade de um ancião que, responsavelmente, opta pela verdade sobre sua vida cheia de limitações físicas e de idade avançada, além dos problemas administrativos inerentes à sua missão. Olha o Papa Bento XVI com admiração e respeito, e, até o considera como exemplo para muitos políticos que se apegam demasiadamente ao poder sem qualquer acanhamento. Outros religiosos que se comportam como inimigos da Igreja aproveitam-se para criticarem a Igreja católica. Outros analistas, católicos afastados e não cristãos aproveitam-se para comentar maldosamente a má gestão do Vaticano, julgando e condenando a Igreja Católica. E nós católicos? Como ficamos? Sentimos certa deso-

lação, mas sabemos respeitar a decisão do Santo Padre. Ele foi digno e nos ensina várias atitudes no caminho da santidade. Ele mostrou-se homem maduro e conhecedor de si e homem de fé na Vontade de Deus a seu respeito. Teve coragem de decidir. Somos estimulados a aprendermos a decidir à luz da fé e a aprendermos que a oração e o silêncio obsequioso, como oferta da vida, é algo precioso no Caminho da santidade. Nossa atitude, portanto, é de respeito à decisão madura do Santo Padre, mesmo que sintamos pesar porque aprendemos a amá-lo e gostamos de seus ensinamentos. Aprendemos com ele algo sobre a transitoriedade da vida e o despojamento diante do poder. Caminhamos, como Igreja santa e pecadora para a terra prometida, a felicidade eterna e não absolutisamos os serviços que prestamos. Por, fim acima de tudo ele

nos deixa um precioso ensinamento com essa opção: O Papa é um ser humano e não o centro de nossa fé. Ele aponta para Cristo Jesus que é o Centro de nossa fé. A figura do Papa continua importante como Vigário de Cristo aqui na terra, Pedro, o sucessor dos apóstolos venerado e respeitado por todos nós, muito presente no nosso imaginário religioso, mas o Sumo Pontífice ensina-nos que, acima dele e através do seu sinal, precisamos ver antes de tudo o Cristo Jesus, Bom Pastor, o Centro de nossa vida: Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre! Por último, esperemos com toda esperança e amor o novo Sumo Pontífice. Desejamos que ele seja livre nas suas decisões, independente de seu antecessor. Abramos, pois, o nosso coração e continuemos a amar o Papa como Vigário de Cristo aqui na terra. Dom Luiz Mancilha Vilela, sscc Arcebispo Metropolitano

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diálogos

Todos nós cometemos erros e, contra-

É preciso ensinar o coração a ter paci-

ditoriamente, temos certa dificuldade de

ência e tolerância com os defeitos alheios.

conviver com o erro próprio ou dos outros.

É necessário reeducar o olhar da alma para

No Evangelho temos a solução prática que

enxergar mais as virtudes e qualidades do

Paciência e perdão

Cristo nos ensinou: Perdoai-vos uns aos ou-

que os defeitos e erros do próximo.

tros e, quanto aos próprios erros, temos a

certeza do infinito amor misericordioso de

começam com pequenos sentimentos de

“É preciso que na vida cotidiana e nas pequenas (e grandes!) situações da vida, evitemos o revide, a pirraça, o “pagar com a mesma moeda...

Deus que nos perdoa tudo e sempre.

pirraça. As pirraças são os filhotes da vingança.

Os grandes sentimentos de vingança

Todavia, nem sempre conseguimos

É preciso que na vida cotidiana e nas peque-

ter paciência com os erros dos outros. A

nas (e grandes!) situações da vida, evitemos

constante impaciência gera intolerância.

o revide, a pirraça, o “pagar com a mesma

O costume de não perdoar gera mágoa,

moeda...” Enfim, seguir Jesus que perdoou

ressentimento, azedume na alma. É preciso

e nos exortou a amar até o inimigo.

reeducar o coração e ensiná-lo a perdoar, ensiná-lo a amar. Quem ama perdoa!

Dom Rubens Sevilha, ocd Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Vitória

Por que círculo bíblico?

Muitas vezes durante a ação evangelizadora

O círculo bíblico é uma inspiração de Deus no

na Igreja, nos perguntamos: por que existe o círculo

meio das comunidades, reunindo os fiéis e as pessoas

bíblico na Paróquia? O que é um círculo bíblico?

de boa vontade, para uma experiência profunda

da Palavra de Deus e uma reflexão sobre como ser

A missão cristã nasce da leitura das Escrituras,

onde se percebe o testemunho de Jesus (vida-

discípulo missionário.

-morte-ressurreição) como seu centro e significado.

Essa missão continua no anúncio de Jesus a todos

basta procurar seu pároco. As reuniões são dinâmi-

os povos, e provoca a transformação da história a

cas, num clima de acolhida fraterna, de oração, de

partir da atividade missionária de Jesus, voltada para

partilha, onde ninguém é dono da verdade e cada

os pobres, doentes e para todos que procuram a

um é convidado a partilhar as suas experiências.

Deus de coração sincero. A Igreja de Jesus é essen-

cialmente uma comunidade missionária.

círculo bíblico, quando Deus entra na sua família, ela

é abençoada e evangelizadora.

A missão que, em última análise, recebe a

É muito fácil participar de um círculo bíblico,

Abra sua casa para formar ou participar de um

Igreja, é a de continuar para sempre a obra de Cristo:

Na Arquidiocese de Vitória, mais de 20.000

ensinar aos homens as verdades acerca de Deus

irmãs e irmãos, participam semanalmente de um

e a exigência de que se identifiquem com essas

círculo bíblico, venha participar também; já estamos

verdades, ajudando-os sem cessar com a graça

esperando pela sua família.

dos sacramentos. Uma missão que durará até ao fim dos tempos em que, o próprio Cristo promete acompanhar a Sua Igreja e não a abandonar.

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Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Vitória

“O círculo bíblico é uma inspiração de Deus no meio das comunidades, reunindo os fiéis e as pessoas de boa vontade.


pensar

Aplicação do Novo Código

Florestal O

Código Florestal Brasileiro, que vigorava até recentemente, constituía-se de uma colcha de retalhos, que vinha sendo remendado pelos mais diferentes recursos desde 1965, demandou dez anos de discussões, com audiências públicas em todo o país e o protagonismo de todos os potenciais partícipes. Construíram-se as regras ambientais mais rigorosas do mundo, instituindo-se as áreas de Reserva Legal e as de Preservação Permanente, de responsabilidade exclusiva dos proprietários rurais, com expressa proibição de desmatamento. O novo Código mereceu marcante participação e discussão do Congresso Brasileiro e do Poder Executivo. Sem similar em qualquer lugar do planeta, o Novo Código Florestal é questionado pela Procuradora Geral da Justiça, em total afronta ao Congresso Nacional e ao Poder Executivo Federal, promovendo uma discussão descabida que pretere o mérito de preservação ambiental construído de forma legal,

competente e democrática, em lugar de portarias, resoluções e decretos feitos ao arrepio dos principais protagonistas. Após a inserção dos imóveis rurais no CAR - Cadastro Ambiental Rural, haverá procedimento administrativo, a nível Estadual no âmbito do Programa de Regularização Ambiental – PRA, que tem prazo de um ano após promulgação da lei 12.651/2012, que pode ser prorrogado por mais um ano, por ato do Poder Executivo, para ser consolidado, permitindo, então, medidas de mitigação e compensação exigidas, as multas serão convertidas em serviços de preservação, melhoria e conservação da qualidade do meio ambiente. A lei 12.651/25/05/2012 abrange toda a regularização

ambiental e não simplesmente florestal, demanda diálogos das fontes, sobre o Novo Código, as Constituições Federal e Estadual, na área administrativa; constitui despropósito pretender que o Poder Judiciário substitua a autoridade ambiental, a quem compete avaliar, fiscalizar e analisar as questões técnicas suscitadas, em lugar do Juiz de demanda em curso. Os eventuais benefícios previstos na lei não têm caráter de anistia e indicarão os procedimentos compensatórios, favoráveis ao Meio Ambiente, quando da consolidação do Plano de Regularização Ambiental – PRA, a nível Estadual. Júlio da Silva Rocha Júnior Presidente da Faes – Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo


micronotícias

Bote Fé Vitória Tradição da Jornada Mundial da Juventude, a peregrinação da Cruz e do Ícone de Nossa Senhora, símbolos da JMJ, estão chegando à Arquidiocese de Vitória. A expectativa é grande e a

ansiedade dos jovens é um misto de fé e alegria. Deidilaura Teixeira, coordenadora do Bote Fé Vitória, afirma que a acolhida dos símbolos será uma ótima oportunidade para que o jovem já possa vivenciar o espírito da Jornada. “Em 2008 subimos o convento com uma réplica da Cruz Peregrina, em preparação à JMJ de Sidney, e poder viver novamente essa experiência, agora com a real, que peregrina há mais de 20 anos será muito emocionante”. Membro da Pastoral da Juventude na Paróquia São Francisco de Assis, em Porto de Santana, Menara Gama, 18, não consegue esconder a empolgação. “A juventude arquidiocesana estava esperando esse evento há muito tempo pela chegada dos símbolos. Não temos dúvida que será um momento inesquecível.” A programação do Bote Fé Vitória tem início às 6h, com a acolhida no município de Fundão, e se estende durante todo o dia, prometendo atravessar a madrugada até a entrega dos símbolos para a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, marcada para às 03h, do dia 14 de março.

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O Mundo acima do peso Controlar a obesidade é algo urgente, é o que afirma a respeitada revista britânica The Lancet. De acordo

com a publicação, a obesidade é, atualmente, uma crise de saúde maior do que a fome. O relatório, que contou com cerca de 500 pesquisadores, comparou dados de 50 países entre 1990 e 2010 e constatou um aumento global de 82% no número de obesos nas duas últimas décadas. No Brasil, os dados também são alarmantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 50,1% dos homens brasileiros com mais de 20 anos estão acima do peso; entre as mulheres, o número é de 48%.


Bem posicionada Vitória é a terceira capital mais desenvolvida do Brasil, é o que aponta um relatório divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Levando em conta dados como: renda e indicadores de saúde, nível de emprego e educação,

a cidade capixaba fica atrás, apenas, de Curitiba e São Paulo, respectivamente. Belo Horizonte e Florianópolis completam o Top 5 do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM). Nas últimas colocações estão as cidades do Norte e Nordeste, com destaque para Manaus, que pela segunda vez ocupa a última posição no ranking .

Um novo Papa A fumaça branca indicando que a Igreja tem um novo líder saiu pela última vez do teto da Capela Sistina, no Vaticano, no dia 19 de abril de 2005. Oito

anos depois, com a renúncia de Bento XVI, a cena voltará a ser vista em breve. De acordo com o Porta-Voz da Santa Sé, Federico Lombardi, o conclave, reunião em que os cardeais escolhem o novo Papa, deve ter início nos próximos dias. Atualmente, a Igreja conta com 209 cardeais, dos quais 118 têm direito a voto, pois ainda não completaram 80 anos. Para a eleição de um novo Papa, são necessários dois terços dos votos dos cardeais, ou seja, 78. Cinco cardeais brasileiros participam do Conclave, são eles: dom Cláudio Hummes, ex-arcebispo de São Paulo e atual prefeito emérito da Congregação para o Clero, dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo emérito

de Salvador, dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e dom João Braz de Aviz, presidente da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. A expectativa do Vaticano é que a Igreja já possua um novo Papa até a Páscoa.

Perigo para a Imprensa O Brasil está cada vez mais perigoso para os jornalistas, foi o que constatou o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ). De acordo

com um relatório divulgado pelo órgão, o país está entre os cinco onde aumentou o risco para os jornalistas exercerem a profissão. E a insegurança é maior no interior, as estatísticas do CPJ apontaram que seis dos sete jornalistas mortos desde 2011 trabalhavam no interior do país e haviam publicado matérias sobre política ou corrupção.

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entrevista

A

proveitando a passagem do cardeal Dom João Braz de Aviz a descanso, a Revista Vitória conversou com ele sobre sua trajetória de serviço à Igreja e a nova experiência no Vaticano.

Vitória­ - Dom João o que faz um cardeal? Dom João - Bom, o cardinalato é um título que pode ser recebido por um bispo, um padre, e até um leigo, porque um cardinalato não é um sacramento, é uma espécie de senado que o

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Papa tem em volta dele. Alguns estão em Roma, outros estão espalhados pelo mundo inteiro. Nós levamos todo o contributo pessoal que temos, mas há algo que é importantíssimo: o que o Papa quer? o que o Santo Padre precisa? Na prática, acho que a

figura do cardeal terá que ainda caminhar. A começar pelo nome que nos dão, de príncipes. Numa sociedade que já tem pouco príncipes, a Igreja ter príncipes, é chato. A Igreja não pode ser feita de castas, ela não pode ser feita de lugares diferentes, de dignidades


diferentes, e menos ainda para nós que somos sucessores dos apóstolos. Porque, o Ícone que nos foi deixado é o do ‘lava pés’, e o lava pés não é de príncipe, o lava pés é de escravos. Então, a gente tem que lembrar sempre, o escravo que se fez escravo por amor, porque ama Cristo e porque quer amar a Igreja. Vitória­ - O senhor foi pároco,

bispo auxiliar, bispo, arcebispo, cardeal. Qual foi a passagem mais difícil? O que foi mais complexo? Dom João - Talvez a passagem de padre para bispo. Porque quando houve esse chamado eu me lembro que veio dentro de mim assim, ‘mas quem é você para agora estar como um que é Mestre de uma Igreja, porque o bispo é mestre, mas quem é você? Você não é ninguém’. O sacerdócio é bonito e um pouco difícil porque ali você entrega sua vida, mas para mim, o sacerdócio não significava uma posição, foi um momento mais interior. Já no cardinalato é diferente, porque ele vem numa época em que a gente está mais maduro. Eu entrei numa congregação onde nós tínhamos tido dificuldades reais, então, foi mais complicado. Além disso, o nosso grupo é internacional, desde polaco, alemão, italiano, espanhol, mexicano. A gente tem

que saber compor com todos, desde aquele que trabalha na entrada, o porteiro, e o secretário que é o arcebispo que trabalha junto comigo, ao meu lado. Para mim era importante tratar todos realmente com amor, servir. E desde o início isso começou a provocar um efeito muito bom. Eu não esperava meu secretário trazer ou buscar documentos, eu mesmo ia buscar e levar, isso para mostrar o desejo que a gente tinha de contribuir. Vitória­ -

Depois de sagrado bispo o senhor foi Auxiliar de Vitória, Bispo em Ponta Grossa, Arcebispo em Maringá e Brasília, cardeal em Roma. A cabeça muda? Não só pelo serviço, mas também pelo lugar geográfico? Dom João - Vitória para mim foi uma escola extraordinária. Morei na mesma casa com Dom Silvestre, trabalhamos juntos, discutimos juntos, ele me deu muitas missões para realizar, e foram quatro anos assim, de um crescimento na comunhão com Dom Silvestre, que para mim foram essenciais.

outro lado entrava a Renovação Carismática Católica, os movimentos. E isso não era cálculo, era uma realidade que existia, os pobres existiam, a necessidade de entrar mais no mistério de Deus, e não perder o sentido da fé, existia também e Dom Silvestre foi sempre um homem capaz de tocar nessa ferida. Ele nunca saiu disso, ele soube acolher os dois lados, talvez por isso também perdeu a saúde mais cedo - e nós devemos amá-lo muito hoje, também por isso - e eu então percebi que tinha que ser, também, um ponto de comunhão. Depois foi Ponta Grossa, uma Igreja mais tradicional, mais hierarquizada, uma Igreja de cunho muito religioso, onde tivemos que criar um movimento popular de combate à corrupção, e eu fui durante dois

“A Igreja não pode ser feita de castas, ela não pode ser feita de lugares diferentes, de dignidades diferentes, e menos ainda para nós que somos sucessores dos apóstolos.

Depois, trabalhar numa Igreja onde, naquele momento, estavam havendo vários conflitos. De um lado, todo o caminho das CEBs e da Teologia da Libertação, de

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entrevista

por outro lado dizer uma palavra firme quando precisa. Vitória­ - O senhor é uma pessoa

Acreditar que a koinonia, a comunhão, é a grande nota da Igreja.”. anos inteirinhos, criticado por causa disso em duas rádios da cidade. Dali fui para Maringá. Lá foi muito mais suave. Comecei logo a visita pastoral por uma das paróquias mais perdidas, com um padre que tinha pouca relação com o resto do clero, depois visitei toda aquela região, mas fiquei só um ano e dois meses, então foi muito rápido. Brasília foi um desafio, ali eu encontrei a relação com o Poder Público a nível nacional, o relacionamento com a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com a Nunciatura Apostólica e, ainda, com o Distrito Federal e seu governador. Foi uma época que os horizontes se alargaram muito, em que a gente sentia que uma palavra tinha peso. Agora, essa missão em Roma, eu só tenho papel, cada papel é um caso, então eu procuro ver a dor que tem atrás daquele caso. Nos problemas mais difíceis, procurar olhar com os olhos de quem os traz para a gente tentar ajudar e

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próxima, amiga, os cargos não o tornaram uma pessoa distante. Sendo cardeal e morando em Roma como são os relacionamentos do senhor? Além do “papel”, tem vida fraterna? tem comunidade? Como é a vida dos cardeais no Vaticano? Dom João - Cada um dos cardeais mora em um apartamento.

mas às vezes o diálogo é feito mais com base na Teologia, no direito, e questões de moral. Já o conhecimento pessoal, de oração em conjunto não existe. Apenas aquelas que são comuns com o Santo Padre, as grandes missas, as grandes celebrações. É uma forma de vida bastante individual, uma vida de tipo monástica. Eu moro no mesmo prédio que trabalho, e tenho passado muito sábado e domingo vendo papel. Entre nós, cardeais, poderíamos crescer muito mais no diálogo e na confiança. A experiência da eclesiologia de comunhão, da espiritualidade de comunhão está crescendo, mas tem que dar passos mais significativos, porque a união com Deus sem a união com o próximo, com o outro, com as estruturas da sociedade, é falsa, ela é uma espécie de refúgio e aí não presta. Vitória­ -

Temos um salário e, naturalmente, temos que pagar empregada para a cozinha, fazer as compras e pagar contas de calefação, luz, água... Neste momento em que tudo o que se acentua é a comunhão, talvez algumas formas mais vivenciais de comunhão entre nós cardeais seria melhor. Nós temos uma comunhão no campo jurídico, porque todos os documentos saem com uma linha comum,

Em Roma, fora do Vaticano, o senhor tem contato com as pessoas comuns da sociedade. Sai sozinho, encontra pessoas, tem amigos? Dom João - Eu guio meu carro sozinho, gosto de sair sem motorista. Procuro fazer minha caminhada diária, então eu saio a pé e ando no entorno do Vaticano para poder garantir um pouco a saúde. Tenho as irmãs comigo com quem a gente tem uma


vida verdadeiramente fraterna, eu tenho uma relação muito boa com o embaixador do Brasil e a embaixada do Brasil em Roma, junto à Santa Sé e, também, um pouco, com a embaixada junto ao governo italiano. Minha amizade maior é com os religiosos. Vitória­ - E o Papa? Dom João - João Paulo II recebia

mais seguido os cardeais. Bento XVI, talvez também pela idade e pelo estilo de vida dele que é muito mais monástico, mais teólogo, ele é mais da pesquisa, de estar sozinho, de ler. De fato, é um grandíssimo homem de pensamento. Na minha congregação temos pouco contato direto para conversar, em dois anos foram só dois encontros. Mas temos momentos em que vamos saudá-lo, ou ele quer que estejamos lá, ou almoçamos com ele, mas são 150 cardeais e você é um pingo de água no meio. O contato é através de documentos que ele manda, ou que ele pede. Vitória­ - Com a experiência e

a visão de Igreja e de mundo que o senhor tem hoje e tendo começado sua missão episcopal em Vitória, o que o senhor deseja para esta Igreja Particular? Dom João - Que se mantenha firme sobre as quatro notas que a Igreja tem que ter. Primeiro,

fiel à doutrina dos apóstolos, não sair da Palavra de Deus, ou nós vivemos na fé, a Palavra de Deus e ela é o critério de tudo ou seria melhor viver de outro modo. Então, essa fidelidade de buscar - não só a gente, mas junto com os outros - e transformar a Palavra não em estudo, também em estudo, mas muito mais experiência de vida que a gente conta aos outros, aí você vive e conta o que você viveu com simplicidade, isso é fundamental. Segunda coisa, é acreditar que a koinonia, a comunhão, é a grande nota da Igreja. Na Igreja, nós não podemos trabalhar para ser um grãozinho a mais, para ser mais importante que os outros, isso precisa ser superado. Padre não é maior que os outros, bispo não é maior que os outros, leigo nenhum é maior que o outro, consagrado não é maior do que casado, casado não é maior que consagrado, mas o espírito de querer-se bem somando todas essas diversidade na comunhão, esse é um desafio que, segundo João Paulo II, nós temos que construir no novo milênio. E depois, o terceiro lugar é a eucaristia, é a fração do pão. Nós precisamos, realmente, de apoiar solidamente o nosso caminho nessa presença humano-divina extraordinária. Se a gente quiser ser grande, tem que ser peque-

no, é a Eucaristia que nos ensina isso. Então, se a gente aprender a adorar, ajoelhar, abrir o coração, entregar-se dentro da Eucaristia, que é também o sacramento da unidade, aí você constrói, se não você não constrói, sem a Eucaristia não há Igreja. E o último é a experiência da Fé que vem no “norte” dos apóstolos que seriam as grandes orações em todas as circunstâncias. Os apóstolos estavam presos, a comunidade rezava, os apóstolos faziam milagres, a comunidade rezava... Isso nós não podemos perder, porque se perdermos isso, cadê a experiência da fé?! A gente tem que viver acreditando que, hoje, a presença de Deus se constrói no relacionamento com o outro. Se o outro for cancelado ou colocado de lado, ali o testemunho de Deus fica muito escondido, e a religião se torna um pouco um devocionismo, um coisa estranha que não movimenta a história.

“Transformar a Palavra não em estudo, também em estudo, mas muito mais experiência de vida.

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arte sacra

ALTAR, O LUGAR DO SACRIFÍCIO E DO BANQUETE (parte III) “Tomai e bebei todos [...], tomai e comei todos [...]. Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19).

Altar e mesa da Palavra Catedral Santiago, Chile

N

o Brasil, em vista da colonização a partir de 1500, é forte a marca do período barroco. As construções religiosas seguindo modelos europeus foram adaptadas à realidade local, dando origem ao estilo colonial brasileiro que perdura no nosso imaginário religioso. Entre as duas guerras mundiais, sobretudo a partir do Movimento Litúrgico, a Igreja busca resgatar o

significado e dignidade próprios do altar. Surgem propostas para uma nova organização do espaço celebrativo litúrgico e seus componentes constitutivos. Gatti nos recorda que o altar não pode ser apenas objeto útil à celebração, mas sinal desta. E Brouard, que “os fiéis se reúnem em torno de um espaço que é vazio, para lembrar o mistério da Presença divina, cujo lugar central por excelência é o altar. Este deve, pois, ser modesto e colocado com justeza para mostrar o respeito à alteridade de Deus e à comunhão fraterna dos fiéis preparados para a celebração eucarística”. O Concílio Vaticano II retoma a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja. O altar é o centro da celebração e, ao mesmo tempo, memorial, presença e anúncio. A Igreja nos orienta que este seja fixo, significando de modo mais claro e permanente o próprio Jesus Cristo, Pedra viva. Seja de material digno e sólido, como a pedra natural ou a madeira. Os castiçais sejam colocados sobre ele ou nas suas laterais. A ornamentação com flores seja moderada, não sobre,

Igreja Nossa Senhora das Necessidades

mas junto a ele. Sobre a mesa do altar pode ser colocado somente o que se requer para a celebração da Missa. Só a Deus ele é dedicado, pois só a Deus é oferecido o Sacrifício Eucarístico, por isso deve ocupar lugar que seja o centro convergente de todas as atenções. “Olhai, pois, Senhor, para este altar que preparamos para celebrar vossos mistérios; que ele seja o centro de nosso louvor e ação de graças [...] e, aproximando-nos de Cristo, a pedra viva, nele cresçamos qual templo santo, [...] em louvor de vossa glória”. Raquel Tonini, membro da Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese de Vitória

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Atualidade

O legado do papa Por trás de especulações, interpretações de cunho religioso e político, existem esforços para entender as razões verdadeiras sinalizadas por Bento XVI.

Desde o anúncio da renúncia do Papa Bento XVI até à renúncia no dia 28 de fevereiro diversas interpretações e especulações foram veiculadas pela imprensa em todo o mundo. Entre elas, a Revista Vitória considerou o editorial da Civiltà Cattolica, Revista centenária sobre assuntos da Igreja, do dia 16 de fevereiro de 2013. Publicamos aqui parte desse editorial, escrito pelo diretor da Revista, padre Antônio Spadaro, sacerdote jesuíta.

S

eria errado ler o gesto do Papa como um simples gesto de renúncia motivado pelas debilidades físicas devido à idade, ao cansaço e outros motivos semelhantes. A sua decisão não está relacionada consigo mesmo e às suas condições psico-físicas, mas à missão da Igreja.

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De fato, o Pontífice disse durante o seu comunicado aos Cardeais no dia 11 de fevereiro: “Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer


do corpo quer de ânimo (estiam vigor quicam corporais et animar necessários est)”. De nosso ponto de vista, a frase acima citada é decisiva e central, o coração da comunicação do Papa sobre a sua decisão. De fato, nestas poucas linhas estão as motivações profundas de seu gesto. O Papa renuncia ao ministério petrino, não porque está debilitado, mas porque percebe que estão em jogo desafios cruciais que exigem energias vigorosas. O Papa portanto, também com este gesto, pretende instigar a Igreja. Imagina-a “vigorosa”, portanto corajosa no enfrentamento aos desafios das rápidas mudanças e aos desafios das questões de grande relevância para a vida da fé. O gesto do Papa não é uma renúncia. É um gesto de humildade e de liberdade. Ele sabe que viveu profundamente seu ministério. Agora percebe que a situação que o mundo e a Igreja vivem é completamente diferente de alguns anos atrás. Renunciando ao Pontificado Bento XVI está, portanto, dizendo alguma coisa à Igreja de hoje: convida-a a não temer, a colocar as forças para abrir-se aos desafios e às questões, a não temer a rapidez e o peso das mudanças. O Papa sabe que é necessário muita energia para tudo isto e, diante de Deus e de sua consciência, reconhece não possuí-la. Por isso, deixa-nos o testemunho retirando-se em oração e em silêncio. Mas, não sem nos dizer que a motivação do seu gesto não é a renúncia, mas uma visão aberta do mundo e a certeza

interior da vocação da Igreja. Bento XVI enfrentou tantos desafios, agora dá testemunho para que a missão esteja sempre no centro. É um gesto que não precisa fazer esforço para percebê-lo no coração do seu Magistério. Padre Federico Lombardi, falando com os jornalista no dia em que o Papa anunciou a renúncia disse: “... uma grande admiração, porque isto significa grande coragem, grande liberdade de espírito, grande consciência de sua responsabilidade e de seu desejo que o ministério de governar a Igreja seja exercido do melhor modo e, com isso, parece-me dá um grande testemunho de liberdade espiritual. Tenho enorme admiração por este ato que, como todos os que acontecem pela primeira vez, depois de centenas de anos, requer evidentemente coragem e uma grande determinação. Ao mesmo tempo é claro que não é uma situação improvisada”. Pe. Antônio Spadaro (tradução livre)

Até à eleição do novo Papa, a sede de São Pedro está vacante. Bento XVI, o bispo emérito de Roma ficará em Castel Gandolfo até seu retorno ao mosteiro de clausura no Vaticano onde viverá recolhido em oração.

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Atualidade

Não obstante a minha retirada, estarei sempre próximo a vocês com a oração e tenho certeza de que também vocês estarão próximos a mim, mesmo que para o mundo eu permaneça escondido.

Bento XVI

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ARQUIVO E MEMÓRIA

O palácio Domingos Martins

O

prédio da antiga Assembleia Legislativa, o Palácio Domingos Martins, que encontra-se atualmente abandonado, já foi palco de grandes eventos e decisões no Estado do Espírito Santo. Em 1908, o então governador do Estado Jerônimo Monteiro, encomendou projeto arquitetônico a André Carloni e desapropriou, demoliu a antiga igreja de Nossa Senhora da Misericórdia, construída no século XVII, que existia no lugar. Na demolição foram conservadas a laje, os alicerces e algumas paredes da igreja, aproveitados na obra do Palácio Domingos Martins, construído em estilo eclético e inaugurado em 1912. A construção do prédio,

com a demolição da igreja da Misericórdia, faz parte de um processo de embelezamento da Cidade de Vitória iniciado em 1907. A praça João Clímaco foi o local que primeiro recebeu essa intervenção. Entre 1910 e 1912, foram reformados a escola Maria Ortiz e também o Palácio do Governo. Desde sua inauguração até o ano 2000, quando a ALES

mudou para outro prédio na Enseada do Suá, o Palácio foi palco de grandes embates políticos do Estado. A Assembleia Legislativa cedeu o prédio ao governo do Estado, que pensando em novo uso para aquele espaço projeta instalar ali a sede da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo. Giovanna Valfré Coordenadora do CEDOC

Evento em frente a antiga Sede da Assembleia Legislativa do Espírito Santo

Fonte: ACHIAMÉ, F. A de Moraes; BETARELLO, F.A. De Barros; SANCHOTENE, F. Lima (Org.). Catálogos de bens culturais tombados no Espírito Santo. Vitória, Conselho estadual de Cultura/Secretaria Estadual de Cultura/ Secretaria de Estado de Educação e Cultura/ Universidade Federal do Espírito Santo: Massao Ohno, 1991.

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especial

Os grandes temas da

Quaresma Já no século II havia o costume de longa preparação para a morte e Ressurreição do Senhor. A tradição de que a preparação tivesse quarenta dias começou no início do século IV. O número “40 dias” recorda os 40 dias que Jesus jejuou e rezou no deserto (Mt 4,3), antes de começar a vida pública. Lembra, também, os 40 dias que Moisés permaneceu no monte em conversa com Deus (Ex 24,18) antes de receber as tábuas da Lei. E lembra, ainda, os 40 anos que o povo perambulou pelo deserto rumo à Terra Prometida (At 7,36) e os 40 dias em que os ninivitas fizeram penitência de seus pecados (Jn 3,4), sem esquecer o sentido purificador dos 40 dias que durou o dilúvio (Gn 7,4) e os 40 dias que Jesus permaneceu na terra depois de ressuscitado, confirmando os Apóstolos na continuidade de sua missão salvadora. Já nessas lembranças estão presentes os grandes temas da Quaresma: oração e jejum, saudades do céu, fidelidade à

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aliança com Deus, preparação para uma missão, purificação dos pecados e a consequente penitência, numa palavra: conversão, isto é, retorno a Deus, que implica um voltar-se também para as necessidades do próximo. A frase que o celebrante diz ao nos impor as cinzas é um programa de meditação para toda a Quaresma: Lembra-te que és pó e ao pó tornarás! Esta frase nos liga ao início da Bíblia. Viemos do barro e voltamos ao pó. Mas sobre o barro que somos, Deus soprou sua vida divina (Gn 2,7) e nele plantou sementes incorruptíveis (1Pd 1,23). Nosso destino não é o pó, mas a vida eterna. A ressurreição de Jesus é a garan-

tia da sobreviência. As cinzas, portanto, no início da preparação da Páscoa, recordam nossa origem e morte corporal, nossa origem divina e destino eterno. São Francisco de Assis costumava dizer que a “cinza é casta e pura”. O fogo, que purifica os metais, purifica também as cinzas. Assim, quando o homem queima no fogo da penitência seus apetites mundanos e seus ídolos, o que sobra são cinzas castas, um coração puro, inteiramente pronto para, da morte, passar à vida eterna. São Francisco quis morrer deitado sobre cinza e coberto de cinza. Francisco havia entendido a caducidade das coisas terrenas, havia queimado suas paixões desordenadas e penitenciado seu corpo. Agora, agonizante, compreendia o mistério divino da morte e estava pronto a apresentar-se ao Juiz dos vivos e mortos e com ele celebrar sua Páscoa, porque “é morrendo que se vive para a vida eterna”. Frei Clarêncio Neotti Santuário, Vila Velha


saúde

O que pode fazer por nós a

homeopatia S

erá que você poderia se imaginar refletido em um espelho trincado em vários pedaços, e depois em um espelho novo? Fazendo uma analogia, quando você estiver diante de um médico homeopata, ele vai ver em você aquela imagem refletida no espelho novo, ou seja, você por inteiro. E essa percepção é importante, porque o nosso organismo sempre reage em conjunto, mesmo que os sintomas pareçam se manifestar em partes do nosso corpo, por exemplo, somente na cabeça, no braço, no coração, etc. Com certeza você já notou que, em um grupo de pessoas, cada um reage, de uma forma específica. Certamente, você também já experimentou um simples resfriado nas mudanças de estação com alterações bruscas de temperatura, e nem teve de modificar sua rotina. Mas em outra ocasião, nessas mesmas circunstâncias, você

teve de ir para a cama e precisou receber alguns cuidados. Isso acontece porque cada organismo pode ter e tem a capacidade de manifestar uma determinada resposta (sintoma), em um determinado momento, podendo essa resposta (sintoma) ser diferente em outro momento da vida, mesmo que a circunstância seja a mesma. A isso chamamos individualidade, que nada mais é que a capacidade biológica de reagir. A Homeopatia é a ciência que visa ao reequilíbrio do organismo como um todo, e tem como objetivo estimular o organismo a reagir diante de qualquer agente agressor interno ou externo, tratando o homem na doença e não a doença no homem. Por isso, faz também parte do tratamento médico homeopata uma orientação global da saúde, que leve a pessoa a respeitar as reações orgânicas, cuidar mais da alimentação e praticar atividades físicas mais adequadas. Em

síntese, uma nova visão da própria vida. A Homeopatia está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, no: Centro de Referência em Homeopatia e Acupuntura, com os seguintes telefones: (27) 3636-2698 e (27) 3636-2699. Hoje estão cadastrados nesse Serviço 17.600 usuários do SUS. Drª Norma Persio, Médica especialista em Homeopatia e Pediatria

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ideias e sugestões

O Papa renunciou. O acont

A

h, sim, o Papa renunciou: um acontecimento inusitado, inesperado, surpreendente. Sim, aconteceu... e somos testemunhas. Diante dele podemos seguir pelo caminho da negação, como se ele não nos dissesse respeito, ou pelo da mera aceitação, com resignações de descomprometimento com o que se vai pela vida e pelo mundo afora. Também não optaremos por fáceis avaliações binárias, ser contra ou a favor, achar bom ou ruim. Não. Podemos até transitar por estes pontos, mas antes, o que se nos apresenta como bonita alternativa e boa chance é a possibilidade de afirmar o acontecimento. Sim, sou chamado à afirmação do acontecimento. E afirmá-lo é desejar algo nele, algo que ainda não sei, que não senti, que não experimentei. Talvez algo que me faça outro, que me faça ainda mais ético, estético, humano. Há algo no acontecimento que necessito. Algo que está

“Se sigo com a marcha de um soldado não posso negar que os pés são capazes de inventar muitos passos de dança.

nele, que não é da ordem “cronológica”, mas que pode ser da ordem “kairológica”. Pela neblina de um acontecimento - se se dá a ele um olhar cuidadoso - podemos ser tocados pelo facho de luz de um farol. A própria palavra acontecimento - que vem de “contingere” e de “tangere” - diz de algo que resulta de, que me toca, que se me encosta, que me afeta. Não existo sem os acontecimentos, não sou nada sem os acontecimentos. As coisas existem e os acontecimentos insistem. Sim, insistem em mim, não me deixam quieto, me pedem ações, me impelem a ações, me temperam de cicatrizes e poesias. Eles me atualizam. Sem eles fico estagnado, parado, corroído pelo tempo “cronos”, impedido de eternidades. O acontecimento me atualiza num hoje de possibilidades, num agora de responsabilidades, de respostas que posso ser e descobrir com aqueles que comigo se indagam sobre a existência, sobre as dores, sobre as lutas, sobre o mundo. Impossível se dar com acontecimentos sem exigir de si, eticamente, a dignidade de estar nele. Há algo que passa pelo acontecimento, ou que me faz atravessado de mundo por aquele acontecimento. E atravessado de mundo preciso pensar, porque atravessado de suas maravilhas e


ecimento me atualiza mazelas, de suas permanências e suas transitoriedades. Estou no mundo, sou daqui, tenho vida aqui. Ou seja, sou remetido, indiscutivelmente, à análise. E o acontecimento é o que vai, salutarmente, pôr-me nesse processo. E este pôr-se em análise não é uma atitude reflexiva apenas, ou contemplativa, ou meramente uma atitude pessoal. Não se dá por umas “reuniõezinhas” de onde saio com a mesma marcação dos passos que tinha antes delas. É mais, é uma atitude de natureza criadora e rompedora de paradigmas. Ou seja, dizendo de outro modo, este pôr-se em análise nos possibilita seguir pelos passos do pensamento de outro modo. Se sigo com a marcha de um soldado não posso negar que os pés são capazes de inventar muitos passos de dança. E é bom que se diga, importa que se inventem danças como diferentes coreografias do pensamento. Há coisas simples que surgem aos olhos a partir da renúncia do Papa e que coloco aqui como ilustração do que venho dizendo. E o exemplo não é para explicar o acontecimento, mas para dizer que ele pode nos tocar de diferentes modos. Por exemplo, o que pode ser mudado pode ser mudado. Tão simples. O que pode ser mudado pode ser mudado. O que pede para ser mudado merece nossa atenção e não nossa negação.

Agarramos-nos a muitos costumes, estruturas pastorais, modelos de ação e damos a eles uma imutabilidade que eles não têm. Reclamamos da monotonia da marcha, do desgaste do caminho, da falta de novos caminhantes, da perda dos fiéis, mas não queremos inventar novos passos, não nos permitimos nem tentar. Repete-se sempre a mesma coisa, as mesmas ações. A organização pastoral está esgotada e esgotando a todos, mas não permitimos outra. Como se nossa ação endurecida fosse a última ação bem intencionada de salvaguardar a verdadeira ação evangelizadora. Ah, convenhamos! Precisamos da renúncia de um Papa? Claro que precisamos. Para pensar. Outro exemplo. Há uma necessidade no mudo hoje, uma necessidade de fazer a vida ser vivida em outros moldes. A vida exige isso. Todos, católicos e protestantes, teístas e ateus, brasileiros e europeus e etc., de um modo ou outro, somos movidos e interpelados, por dentro e por fora, a mudanças nos nossos modos de ver e viver a vida, de ver e viver o mundo, de ver e viver os relacionamentos, de ver e viver a igreja. A exigência ressoa forte. Bem nos recorda Gilles Deleuze, é preciso ser digno do acontecimento. Dauri Batisti

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comportamento

*Desejo e amor O

s desejos estão sempre presentes em nós. O ser humano é um ser pleno de desejos, projetos e propósitos. Antes de tudo o desejo assinala uma ausência, algo que não possuímos, algo que não existe ainda na nossa vida. Cada ação humana busca alcançar “algo”. Santo Agostinho definia o desejo como a sede da

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alma. O desejo é um drama em nossa vida. Para compreender a dramaticidade do desejo é necessário fazer a seguinte pergunta: O que está na raiz do agir humano? Isto significa entrar na realidade dos nossos desejos não como meros observadores, mas inserindo-se no fluir dos próprios desejos que move a

construção das nossas ações e compreender como é possível encontrar a verdade1 contida nos desejos. Não se trata de uma dedução do fim a partir de uma consideração metafísica da natureza, mas segundo o dinamismo da própria ação no qual se manifesta. Na Suma Teológica I – II, 1-5 São Tomas de Aquino fala do movimento originado

de uma pergunta: “Qual é o bem que sacia plenamente isto que a vontade quer com o desejo natural”? Isto é, o que sacia verdadeiramente o desejo do homem? Isto nos mostra que existe um critério nesta busca, ou seja, que é aquele da verdade prática. Então, podemos dizer que há uma concordância entre a ação com o apetite reto. Há


uma relação entre “os desejos” (objetos desejados) e “o desejo” (dinâmica fundamental do desejo)2. O homem deseja sempre mais do que acredita desejar. Existe uma desproporção entre a vontade que deseja e o objeto determinante da vontade. Isto move nossa ação a querer sempre algo a mais. Na realidade o desejo é como o motor de nossas ações. O desejo está sempre presente nas nossas ações3. Se deixarmos de desejar perde-se o movimento dinâmico da ação humana. Por exemplo, quando uma relação com uma pessoa esfria, a ação morre, isto é, não me movo na direção do outro, me fecho em mim mesmo e deixo de construir o bem. O que fazer com o desejo?

O caminho não é a negação ou a extinção do desejo, como solução a este drama intrínseco ao homem. A tentativa de harmonia absoluta do homem com o mundo, como uma espécie de Nirvana, não depende da negação dos desejos, mas de uma educação do desejo. É o caminho para purificar-se. Deve-se apren-

der a desejar de modo justo. Saber saborear as alegrias autênticas. Numa frase de São Tomás de Aquino encontramos uma luz, “amor praecedit desiderium” (o amor precede o desejo). Não podemos desejar se não amamos. “O desejo é de consequência a manifestação da existência de um amor anterior; deste modo o amor transforma a dinâmica do desejo em esperança, e é esta que salva o desejo” . É o amor que libera o desejo de sua tendência dominadora. O amor é a salvação do desejo, porque ajuda a liberar-se da sua inquietude, às vezes cega em relação ao seu destino. “A resposta à questão acerca do sentido da experiência do amor passa através da purificação e da cura do querer, exigida pelo próprio bem que se quer ao outro” . Para ser realizado de um modo humano, o desejo deve ser incluído na sua verdade em relação ao amor antes de proceder ao seu dinamismo em direção à felicidade, ou a plenitude de uma vida. Devemos levar sempre em conta a finalidade dos desejos, isto é, se tal ação nos conduz a uma

vida humana realizada, vale dizer de um ideal de vida. Não é a intencionalidade dos desejos que revelam a sua própria verdade, mas dependem de tal modo no qual o amor atrai o homem a agir, convertendo-se assim no fim da ação. O amor passa ser a medida dos nossos desejos. A experiência de fé cristã, isto é, o encontro com Cristo não bloqueia o desejo e não impede que ajamos, ou melhor, o encontro com Cristo orienta nossos desejos. Cristo é a fonte da virtude como Cabeça do Corpo Místico que é a Igreja. Cristo unindo-se a sua Igreja, a purifica e a santifica. “A ação humana encontra a sua fonte mais pura no amor que Deus doa ao homem em Cristo. Porém, este amor doado não cancela em nenhum modo o elemento humano do agir: o transforma, o mantém, porque o amor não suprime nada do amado” . A amizade com Cristo penetra todo o nosso modo de agir, nos seus dinamismos e impulsos. A amizade com Cristo torna-se uma realidade estruturante do nosso ser. O encontro com Cristo permite-nos fixar os desejos no que

realmente é bom e ele próprio concede a graça para consegui-lo. O consenso humano e divino alarga e enriquece a nossa vida chegando ao que verdadeiramente desejamos seja bom sem jamais perder a inquietação do nosso coração e se contentar com aquilo que se alcançou. 1 Este caminho é denominado “método da imanência”, “mediante o qual nos introduz na dinâmica da ação para encontrar a verdade que a sustenta. Quem deu início a este método é Mauricio Blondel, que atua na virada copernicana no conhecimento da ação” (L. MELINA – J. NORIEGA – J.J. PÉREZ-SOBA, Camminare nella luce dell’amore. I fondamenti della morale cristiana, Cantagalli, Siena 2008, 1360). Tradução própria. 2 Como explica M. Blondel, “O querer é na verdade sinal de uma realidade maior que o próprio ato. Blondel o exprime através da diferenza entre ‘volonté voulante’ (vontade que quer) e ‘volonté voulue’ (vontade querida), e sobre isso baseia-se o método de imanência”. L’Action. Essai d’une critique de la vie et d’une science de la pratique, Presses Universitarires de France, Paris 1950, trad. it. L’azione. Saggio di una critica della vita e di una scienza della prassi, Edizioni Paoline, Cinisello Balsamo 1993. (Tradução própria).

Cfr. L. MELINA – J. NORIEGA – J.J. PÉREZSOBA, Camminare nella luce dell’amore, cit., 137.

3

Ibdem., 138.

4

BENTO XVI, Audiência geral, Praça São Pedro (7.11.2012). 5

6 L. MELINA – J. NORIEGA – J.J. PÉREZ-SOBA, Camminare nella luce dell’amore, cit., 138

* Texto enviado por Pe. Renato Criste Covre, Mestrando em Roma, no Pontifício Instituo João Paulo II para estudos sobre matrimônio e família. Pontifícia Universidade Lateranense.

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acontece

Campanha da fraternidade

C

antando com entusiasmo e alegria, o canto “Eis-me aqui, envia-me, Senhor”, centenas de fiéis, em sua maioria, membros do Setor Juventude da Igreja reuniram-se no dia 17 de fevereiro para celebrar a abertura da Campanha da Fraternidade (CF) 2013, na Arquidiocese de Vitória. Seguindo em Via Sacra, aproximadamente, quatro mil pessoas caminharam pelas ruas do Centro de Vitória por quase três horas, demonstrando publicamente sua fé, cidadania e devoção. Na ocasião, o Arcebispo Metropolitan,

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Dom Luiz Mancilha Vilela falou especialmente ao jovem. “Você traz consigo uma coisa importante que é a fé. Deus está em seu coração. Cabe a você abrir o seu coração para anunciar Jesus a outros jovens. Precisamos viver nosso encontro com Jesus e tornarmo-nos missionários. A juventude é esperança e alegria”. Uma cruz com 22 metros, construída especialmente para o evento, foi carregada durante toda a Via Sacra, pelos jovens, uma referência aos 1.612 capixabas, com menos de 30 anos, que morreram assassinados no ano passado no Espírito Santo. A Cruz foi erguida em

frente ao palácio Anchieta, simbolizando o protagonismo juvenil e a necessidade de dar mais atenção aos jovens no Estado. Com o tema “Fraternidade e Juventude”, a Campanha tem o objetivo de aproximar os jovens da Igreja, bem como incentivar o crescimento espiritual e o engajamento na vida missionária. A CF está inserida no contexto da Semana Missionária que acontece na Arquidiocese de Vitória de 18 a 21 de julho e da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que será realizada entre os dias 23 e 28 de julho, no Rio de Janeiro.


Com Maria dizer: sim, eu creio Realizada todos os anos durante nove dias com iníncio no Domingo de Páscoa, a tradicional Festa da Penha, que celebra Nossa Senhora das Alegrias acontece entre os dias 31 de março e oito de abril. Missas, romarias, shows musicais aconteceram no Campinho do Convento e na Prainha com a presença de peregrinos vindos de todo o Estado e outras regiões. Fique por dentro da programação.

DOMINGO - 31 DE MARÇO Romaria dos Cavaleiros Saída de Cobilândia às 8h30 Chegada à Prainha às 11h Oitavário e missa às 14h30 no Campinho (Área Pastoral Vila Velha) SEGUNDA FEIRA - 1º DE ABRIL Oitavário e missa às 14h30 no Campinho (Área Pastoral Serrana) TERÇA FEIRA - 2 DE ABRIL Oitavário e missa às 14h30 no Campinho (Área Pastoral Cariacica/ Viana) QUARTA FEIRA - 3 DE ABRIL Oitavário e missa às 14h30 no Campinho (Área Pastoral Benevente) QUINTA FEIRA - 4 DE ABRIL Oitavário e missa às 14h30 no Campinho (Área Pastoral Serra) SEXTA FEIRA, 5 DE ABRIL Oitavário e missa às 14h30 no Campinho (Área Pastoral Vitória) Romaria dos militares – saída do portão do Convento às 14h

SÁBADO - 6 DE ABRIL Romaria de São Mateus – Missa no Campinho às 8h

SEGUNDA FEIRA, 8 DE ABRIL Missa da CRB e Seminário às 7h no Campinho

Romaria das Pessoas com deficiência – saída da Praça Duque de Caxias às 8h – missa na chegada à Prainha

Romaria dos Ciclistas – saída de Cobilândia e do Ibes às 8h30 – chegada à Prainha 11h

Romaria de Cachoeiro de Itapemirim – saída do portão do Convento às 14h Oitavário e missa às 14h30 no Campinho

Bandas de Congo – apresentação das Bandas de Congo e homenagens no Campinho às 9h

Romaria dos Homens – saída da Catedral às 19h Missa às 23h30 na Prainha DOMINGO, 7 DE ABRIL Romaria de Colatina – saída do portão do Convento às 8h e missa às 9h no Campinho Romaria Marítima – saída de São Pedro (Ilha das Caieiras) às 8h chegada no píer da Marinha na Prainha 11h Romaria dos Motociclistas – saída da Av. Jerônimo Monteiro em Vitória às 10h Romaria das Mulheres – Saída da Av. Jerônimo Monteiro em Vila Velha às 14h30

Missa das Pastorais às 10h no Campinho Missa de Encerramento às 16h na Prainha Show com Cantores de Deus após a missa Atendimento de Confissão De 01 a 08 de abril de 8h às 11h e de 14h às 16h30 na Capela da Penitência Horários das missas na capela do convento Dia 31 de março – 5h, 7h, 9h e 11h De 01 a 05 de abril – 6h, 7h, 8h e 9h30 Dia 05 de abril – Missa das 9h30 com a participação dos advogados Dia 06 de abril – 6h, 7h30 e 11h Dia 07 de abril – 5h, 7h, 11h e 14h Dia 08 de abril – 0h, 2h, 6h, 9h e 12h


= Contrários

Palácio Anchieta

O cuidado e o desleixo com o patrimônio público

Palácio Domingos Martins

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ABBA PAI

ARTIGOS RELIGIOSOS CATÓLICOS Livros, Cd’s, Bíblias, Imagens, Crucifixos, Lembranças para: Batismo, 1ª Eucaristia, Crisma e outros. Rua Eugênio Ramos, 656 Jardim da Penha - Vitória - ES Telefax (27) 3235-2344 (próximo a igreja São francisco de assis)


Revista Vitória - Março 2013  

Revista Vitória, publicação oficial da Arquidiocese de Vitória/ES.

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