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Joinville, julho de 2010.

ANO 1. N o #1 .

DISTRIBUIÇÃO GR ATUITA

Design de Interiores Saiba sobre a profissão, as especialidades, o código de ética e as etapas para um bom projeto Página 4

Sustentabilidade nas empresas Veja como a consciência ecológica tem sido incorporada pelas empresas

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Elder Ferrari

Ergonomia no design de interiores. Página 3

Engenharia de custos A realidade da engenharia de custos brasileira dentro das obras públicas

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Especial.

Joinville, julho de 2010. ANO 1. N o #1 .

A realidade da engenharia de custos Infelizmente hoje no Brasil não temos o uso perfeito da engenharia de custos dentro das obras públicas, ciência de fundamental importância para o desenvolvimento social e econômico do país. A engenharia de custos garante de forma técnica e estimada os custos diretos e indiretos de uma obra seja pública ou particular, dessa forma os órgãos públicos podem fazer uma estimativa de custos com um grau de risco menor e assim fazer um bom uso do dinheiro público. Antigamente os órgãos públicos não sabiam os custos de suas obras e o preço final era definido pelas empresas com uma margem de lucro enorme e com isso o dinheiro público era mal distribuído, aumentando a desigualdade social e a conta bancária da empresa. Hoje a situação é outra os órgãos públicos já possuem tabelas de preço unitário, composições, apropriações e fontes de pesquisa para fixar um preço de referência para as empresas que participam de licitações, mas o que acontece é que esse preço muitas vezes está fora da realidade de mercado e por motivos “desconhecidos” a empresa para ganhar a licitação baixa de forma desordenada o preço de sua proposta. Portanto é impossível uma obra já mal orçada pelo órgão público e reduzida pela a empresa ganhadora em até 50%, poder ser concluída dentro desse custo, o que acontece é que a empresa entra com o aditivo de até 25% e ainda corre o risco de não entregar a obra por falta de planejamento operacional e financeiro. Um aditivo de mais de 15% é a prova real

do mal elaboramento do orçamento, muitas vezes os quantitativos são levantados por pessoas não qualificadas e/ou em cima de projetos básicos de má qualidade técnica sem especificações e dados regionais.

Antigamente os órgãos públicos não sabiam os custos de suas obras e o preço final era definido pelas empresas com uma margem de lucro enorme e com isso o dinheiro público era mal distribuído Dependendo do tipo de obra, o que deve ter no mínimo um bom projeto básico: Projeto de topografia; Ensaios; Projetos executivos com um bom grau de detalhamento; Compatibilização dos projetos; Especificação técnica de serviços e materiais; Fatores regionais e climáticos; Logística local de materiais e equipamentos;

Comercial Marcio Belarmino marcio@jornalac.com.br

Estimativa no dimensionamento da mão-de-obra. A empresa dá um tiro no escuro, mas sempre acerta a sociedade brasileira e o resultado são obras inacabadas, corrupção e esquemas licitatórios. A LDO e a lei de licitação no Brasil precisam ser atualizadas dentro de técnicas da engenharia de custos, o engenheiro de custos deve assumir um posto importante dentro desse processo li-

citatório e acima de tudo possuir autonomia na definição do preço de referência e composição do BDI (Lucro + Despesas indiretas), em alguns estados brasileiros é exigido a ART desse profissional, isso garante mais segurança para a sociedade e os órgãos fiscalizadores terão mais informações e parâmetros sobre os custos estimados para obra.

fonte: http://www.ecivilnet.com/ar tigos/engenharia_de_custos_brasil_2.htm

Expediente. Diretor administrativo Geovane Stefanon Ferreira geovane@jornalac.com.br

Projeto de topografia. Um dos requisitos para se ter um bom projeto básico

Diagramação Lucas Gonçalves lg.design@ymail.com

Tiragem 5000 exemplares Periodicidade Mensal

Distribuição Joinville, Balneário Camboriu e Florianópolis. Impressão AN

Contato, sujestões e anuncios (47) 9113 0470 - (47) 9986 5083 (47) 9157 4717 comecial@jornalac.com.br www.jornalac.com.br


Educação.

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Sustentabilidade na agenda das empresas Doações de recursos a entidades do terceiro setor, redução do uso de recursos naturais no processo produtivo, políticas de saúde e segurança para os funcionários e publicação de relatórios de sustentabilidade são alguns exemplos de mecanismos de sustentabilidade atualmente adotados pelas empresas, segundo pesquisa sobre o tema realizada pelo escritório L.O. Baptista Advogados Associados. A constatação: a sustentabilidade tem sido incorporada pelas empresas de modo cada vez mais constante e consistente. A pesquisa foi adaptada do “Método de Avaliação da Sustentabilidade” – desenvolvido pela equipe de sustentabilidade do escritório – que visa a auxiliar a incorporação de práticas sustentáveis pelas empresas e confirmou a tendência à adoção de medidas que valorizam o desenvolvimento social e o respeito ao meio ambiente. No levantamento, concluído em abril, foram ouvidas 40 empresas nde diversos portes e áreas de atuação. No campo ambiental, a redução do uso de recursos naturais mostrou-se como a prática

mais adotada pelas empresas participantes da pesquisa: 75% delas possuem ações para diminuir o impacto ambiental causado por suas atividades, valendo-se da economia de água, energia, matérias primas, etc. Na área social, 52,5% das empresas fazem doações a projetos desenvolvidos por entidades sem fins lucrativos e utilizam leis de incentivo fiscal, enquanto 37,5% atuam diretamente no terceiro setor, com institutos, associações e fundações próprios. Nas relações de trabalho e no uso de ferramentas de gestão de sustentabilidade, os resultados da pesquisa também revelam a preocupação com a responsabilidade social nas práticas empresariais. Das entrevistadas, 85% promovem políticas voltadas à saúde e à segurança de seus trabalhadores e 35% publicam relatórios de sustentabilidade. Ainda em relação às ferramentas de gestão, 27,5% das empresas pretendem adotar a ISO 26000 – norma internacional de responsabilidade social, com lançamento previsto para o final deste ano, que propõe diretrizes sobre responsabilidade social para todos os tipos de organizações, com ou sem fins lucrativos.

Nova cultura empresarial A sustentabilidade tem cada vez mais sido incorporada pelas empresas, mas, com o levantamento, também foi possível identificar medidas que podem e devem ser mais utilizadas pelas empresas, de maneira a consolidar a sustentabilidade como nova cultura empresarial. Percebeu-se que, nas relações de trabalho, a responsabilidade social ainda se vincula ao cumprimento de exigências legais. Apenas 30% das empresas permitem aos seus funcionários o acesso a informações da administração e sua participação em alguns tipos de deliberação da empresa – prática não exigida legalmente, mas que contribui para a responsabilidade social na governança da companhia. Em relação ao meio ambiente, também foi possível constatar que assuntos relativamente novos, como a realização de inventário de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) e a exigência de práticas sustentáveis na cadeia de produção, ainda são pouco utilizados pelas empresas: 25% e 32,5% adotam essas medidas, respectivamente. O uso de importantes ferramentas de gestão da sustentabilidade também pode ser otimizado: so-

mente 15% das empresas possuem certificações sociais e 17,5% utilizam indicadores de sustentabilidade. Foi possível, portanto, identificar práticas que já se firmaram na agenda das empresas e outras que, sendo cada vez mais difundidas e incorporadas por elas, certamente consolidarão a sustentabilidade como nova forma de se fazer negócios. As empresas que antes aderirem a essa inevitável tendência colherão, sem dúvida, os benefícios dessa decisão. Eduardo Felipe Pérez Matias é doutor em Direito Internacional pela USP, mestre pela Universidade de Paris II, sócio do L.O.Baptista Advogados e autor do livro “A Humanidade e suas Fronteiras – do Estado Soberano à Sociedade Global”. E-mail: efpm@baptista.com.br O artigo foi escrito em parceria com Diogo de Mello Paiva Ferreira (dpf@baptista.com.br), especialista em Direito Ambiental pela PUC de São Paulo e advogado de L.O Baptista Advogados, e Ana Carolina Bittencourt Morais (acm@baptista.com.br), pósgraduanda em Gestão de Projetos Sociais em Organizações do Terceiro Setor pela PUC de São Paulo e advogada de L.O. Baptista Advogados.

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Design de interiores Elder Ferrari

Professor e Coordenador de cursos Anhanguera Educacional

Ergonomia: pilar essencial do design de interiores. A ergonomia estuda uma situação de riores o conhecimento dos diversos tipos trabalho, visando adaptá-la ao homem a de materiais aplicados nos ambientes e partir da análise das condições técnicas, sua usabilidade nos projetos. Propicia uma ambientais e organizacionais, buscando relação real entre projeto e sua execução revelar as diferenças entre tarefa e ativida- através de estudos de problemáticas dos de. As tarefas e afazeres do dia-a-dia das materiais nos ambientes e projetos. Os obpessoas que vivem em um ambiente de- jetivos deste estudo são: proporcionar uma vem ser bem analisadas pelo designer de experiência com os diversos materiais de interiores, pois este é um item muito im- construção e acabamentos voltados ao portante para que o resultado final de um design de interiores; ter conhecimento das projeto de design de interiores exceda as texturas dos materiais, como: Madeiras: expectativas do usuário. aglomerado, compensado, madeira maciO designer deve entender primeira- ça, MDF, OSB; laminados, vidro: temperamente que a tarefa e/ou afazeres do usuá- do, curvo, comum, duplo, forros: madeira, rio de um ambiente residencial, nada mais PVC, acrílico, gesso, tintas e revestimentos é do que um “trabalho” que se há-de con- de parede (papel de parede, texturas,...); cluir num certo tempo, como por exemplo: Tecidos e materiais sintéticos; Pisos: cerâassistir TV, prepamica, porcelanato, perar as refeições, dras, granito, mármoler o jornal, dorre, pastilhas e o uso de A ergonomia está mir, se banhar e materiais alternativos. outros e que nesDentro do estudo ganhando importância te contexto estão ergonômico pode-se como ferramenta inseridos as conainda citar a necessifundamental para o dições ambiendade de estar atualitais de lay-out, zado com os números designer de interiores. do mobiliário, de que envolvem habiruído, de ilumitação, construções e nação e temperatura. Este entendimento o mercado da construção civil em geral. deve-se ao fato do designer poder aplicar Joinville, por exemplo, possui 129.700 doseus conhecimentos de metodologia ergo- micílios, segundo o site www.ippuj.sc.gov. nômica, suas etapas e demandas a fim de br, estes domicílios, divididos por 497.331 proporcionar ao usuário uma melhor con- habitantes nos dão uma média de 3,8 modição de usabilidade do ambiente. radores por domicílio; e assim o designer Pode-se dizer, que o designer de inte- de interiores, começa a estudar a utilização riores planeja e executa todo tipo de criação do ambiente pela quantidade de pessoas, e alteração nos espaços internos constru- pelo tipo de moradia (pois cada moradia ídos e de qualquer natureza, podendo ser tem uma característica de construção), peuma área de lazer, comercial ou industrial. las condições de moradia e outros. Para isso é preciso seguir algumas etapas, A ergonomia está ganhando importâncomo: diagnóstico, planejamento, desen- cia como ferramenta fundamental para o volvimento do projeto, apresentação para designer de interiores, que pode trabalhar o cliente e execução da obra. Em todas as desde a formalização das idéias preliminaetapas a ergonomia deve ser um pilar consi- res até o produto final, ou seja, a entrega derável na construção execução do projeto. do projeto de interior. Enfim, a ergonomia Outro fator importante para uma acer- é um campo de atuação em amplo crescitividade ergonômica no design de inte- mento e engloba diversos ramos de ativiriores é o uso dos materiais. O estudo dos dades, com objetivo comum que é o “conmateriais proporciona ao designer de inte- forto” dos usuários.


Design de interiores.

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O que é design de Interiores? Muitas variáveis influenciam um projeto de interiores na busca de soluções criativas e técnicas que proporcionem qualidade de vida e cultura para os seus usuários e que sejam esteticamente atraentes. A mais importante refere-se à natureza da utilização do espaço: trabalho, lazer, tratamento, estudo, morar etc. Considera-se, em especial, a atmosfera que se pretende seja a marca desse espaço: alegria, jovialidade, força, segurança, sabedoria, divertimento, tranquilidade, sobriedade, harmonia etc. Existem, ainda, fatores práticos a serem observados como acessibilidade, iluminação, acústica, conforto térmico, armazenamento de coisas, entre outros. Fundamentais são as questões associadas à saúde, conforto, segurança, durabilidade e certas necessidades especiais inerentes a cada Cliente. Um projeto de interiores deve considerar a estrutura do edifício, sua localização, o contexto social e legal do uso e o respeito ao meio ambiente. A criação exige uma metodologia sistemática e coordenada que inclui pesquisa e levantamento das necessidades do Cliente e sua adequação às soluções estruturais e de sistemas e produtos. Para exercer a profissão, o Designer de Interiores qualifica-se em Curso Técnico ou Faculdade de Design de Interiores, ministrados por entidades de ensino reconhecidas pelo MEC - Ministério da Educação ou formando-se em Arquitetura, tendo cursado a cadeira de Arquitetura de Interiores.

Código de Ética A ABD congrega Designers de Interiores em todo o Brasil que para se associarem à entidade apresentam documentação de formação e dados pessoais. Os profissionais associados à ABD devem exercer sua atividade conforme um Código de Ética que estabelece princípios no relacionamento com os Clientes, fornecedores e seus colegas de profissão. A ABD está aberta para receber do público em geral notificações de conduta antiética de seus associados de forma a apurar responsabilidades e punir o infrator nos termos do Código de Ética da entidade.

O Projeto de Interiores Algumas etapas são fundamentais no processo de criação e execução de um projeto de interiores: Pesquisa e análise dos objetivos e desejos do Cliente materializados em documentos e estudos preliminares que fundem essas necessidades com o conhecimento técnico do profissional, garantindo ao projeto funcionalidade, conforto, segurança e qualidade estética. Confirmação dos estudos preliminares e adequação das soluções propostas ao orçamento do Cliente. Seleção de cores, materiais, revestimentos e acabamentos coerentes com os conceitos estabelecidos na criação e que estejam em consonância com as características sócio-psicológicas, funcionais, de vida útil, de durabilidade e de proteção ao meio ambiente. Especificação de mobiliário, equipamentos, sistemas, produtos e outros elementos, bem como, providenciando os respectivos orçamentos e instruções de instalação e planificação de cronogramas de execução.

Especialidades

• Saúde

Elaboração de plantas, elevações, detalhamento de elementos construtivos não estruturais - paredes, divisórias, forros, pisos (alterações na estrutura construtiva exige a contratação de um Arquiteto ou Engenheiro), layouts de distribuição, pontos de hidráulica, energia elétrica, iluminação e de comunicação e design de móveis e definição de paisagismo e outros elementos.

Designers de Interiores podem ser especializados em um ou mais segmentos de atuação, sejam eles residencial ou comercial.

Ambientes desenvolvidos sob rígidas condições de operação que abrigam hospitais, clínicas, ambulatórios, consultórios médicos e dentários entre outros.

Residencial

• Hospitality

Adequação de toda a intervenção às leis e regulamentos municipais que se fizer necessária.

Projetos de Interiores para casas e apartamentos, novos ou reforma, localizados no campo, na cidade ou na praia, com intervenção em cozinhas, banheiros, dormitórios, salas e outras áreas.

Espaços destinados a prestar serviços ao público como restaurantes, hotéis, auditórios, centros de convenções, night clubs etc.

Coordenação de todos os profissionais que vão atuar na execução do projeto, tais como: engenheiros, eletricistas, marceneiros entre outros, harmonizando o trabalho conforme cronograma estabelecido.

Comercial Muitos Designers de Interiores são especializados em diversos campos do Design Comercial:

• Escritórios (ou Espaços Corporativos) Instalações para acomodar colaboradores, dentro de exigências de conforto e saúde, em empresas de qualquer porte ou ramos de atuação.

• Entretenimento

• Varejo

Emprego de avançadas tecnologias na concepção de espaços tais como: salas de cinema, teatros, casas de espetáculo, museus, galerias de artes, clubes de música e jogos etc.

Planificação de lojas, supermercados, shoppings centers, showroons, padarias e outros espaços destinados à comercialização de produtos e serviços.

Compra de todos os produtos, sistemas e equipamentos após cotação e aprovação do Cliente. Acompanhamento de toda a obra mantendo o orçamento dentro dos valores previstos ou submetendo ao Cliente qualquer alteração para prévia aprovação. Emissão de relatórios regulares detalhando o andamento (estágio) da obra registrando as ocorrências tais como: alterações, substituições e adequações técnicas e orçamentárias. Elaboração de check-list final de entrega de obra com pesquisa de satisfação a ser respondida pelo Cliente.


Educação.

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Estrutura ruim prejudica estudantes? “Quem faz a faculdade é o aluno”. A frase chega a ser um clichê na boca de alguns estudantes. Frequentemente usada por alunos matriculados em instituições menos prestigiadas, a alegação é vista por muitos quase como uma justificativa para o fracasso na tentativa de ingresso numa universidade renomada, que tenha bons professores e além disso, infraestrutura de ponta. Mas até que ponto a boa estrutura pode dar vantagem aos estudantes universitários e de que forma um bom aluno pode ficar para trás se não tiver a sua disposição boas instalações? De fato é somente o aluno quem faz a faculdade ou as instalações fazem toda a diferença no processo de aprendizado? Para Laeda Machado, coordenadora do curso de pedagogia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), a infraestrutura de aprendizado é um conjunto entre espaço físico e capacidade do professor com seu envolvimento no tripé educacional universitário de ensino, extensão e pesquisa. “O professor deve criar mecanismos que incentivem o aprendizado dos alunos”, diz ela. Segundo a coordenadora, além das atividades fora dos horários de aula, é preciso aproveitar da melhor maneira possível a sala de aula, lugar onde alunos e professores passam boa parte de seu tempo. Por esse ponto de vista, Leda afirma que deficiências estruturais podem afetar o rendimento dos alunos e dificultar o trabalho dos professores. “Por exemplo, passamos por uma onda de calor que atrapalha a permanência dentro das salas”, explica a coordenadora sobre a dificuldade de lidar com um grupo de alunos das 8h às 12h numa sala sem ar-condicionado. De acordo com o pró-reitor de ações afirmativas e assistência estudantil da UFBA (Uni-

A infraestrutura de aprendizado é um conjunto entre espaço físico e capacidade do professor com seu envolvimento no tripé educacional universitário de ensino, extensão e pesquisa. “O professor deve criar mecanismos que incentivem o aprendizado dos alunos” Laeda Machado, coordenadora do curso de pedagogia da UFPE

Um dos principais desafios das universidades depois do ingresso dos alunos é mantêlos na instituição. E é aí que a infraestrutura tem papel importante, “A universidade deve transcender a sala de aula. É preciso organizar festivais de música, teatro e amostras de cinema, por exemplo” Álamo Pimentel, pró-reitor de ações afirmativas e assistência estudantil da UFBA versidade Federal da Bahia) Álamo Pimentel, um dos principais desafios das universidades depois do ingresso dos alunos é mantê-los na instituição. E é aí que a infraestrutura tem papel importante, já que Pimentel destaca a importância das atividades extraclasse. “A universidade deve transcender a sala de aula. É preciso organizar festivais de música, teatro e amostras de cinema, por exemplo”, explica ele, que chama atenção para que haja constante comunicação entre alunos, professores e reitoria para manutenção do ambiente em ordem e melhora das possíveis falhas de estrutura. “Público ou privado, o espaço é sempre de todos, por isso é preciso respeitar e manter a reitoria informada sobre o que se deve fazer para melhorar o ambiente”, acrescenta Pimentel. Há educadores que defendem que a infraestrutura é fundamental em determinadas áreas. Helena Côrtes, professora da faculdade de educação e pró-reitora de ensino de graduação da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), usa como exemplo os cursos de Comunicação Social, Química e Engenharia, em que, segundo ela, o aprendizado prático é de extrema importância para os conteúdos procedimentais. “Não é possível aprender a nadar sem entrar numa piscina, por isso esse tipo de laboratório é tão necessário”, exemplifica Helena. De acordo com ela, a necessidade de uma boa infraestrutura não termina apenas nos objetos específicos de cada área, ela cerca toda a universidade, desde a entrada até a saída e passa por áreas de lazer, alimentação e até sustentabilidade. É esse conjunto de fatores que Helena acredita serem capazes de potencializar o maior objetivo de uma instituição de ensino, o compartilhamento de conhecimento.

Em sala de aula Dentro da sala de aula aspectos que podem parecer simples são os que fazem maior diferença na hora do aluno assistir as aulas. “A iluminação deve vir da esquerda, agir em parceria com a luz natural e a lousa possuir anti-reflexo”, diz Helena, que explica que dessa maneira, além de consumir menos energia, também mantém o foco do aluno que não terá dificuldade na hora de buscar os pontos apontados pelo professor no quadro. Naquelas salas de aula onde o número de alunos é muito grande, o uso de microfones é outro ponto que facilita a comunicação entre professores e estudantes. Helena também acha importante o uso do ventilador, sejam eles de teto, ou ar-condicionado, além das carteiras ergonômicas. “No calor é imprescindível que haja ventilação na sala e carteiras que não prejudiquem a postura dos alunos”, continua a professora. Nas áreas comuns da universidade a educadora acredita que banheiros limpos, jardins, paisagismo e centros de coleta para resíduo reciclável também agem no lado social do indivíduo. “Sob o ponto de vista didático existe o favorecimento da aprendizagem pelo ambiente que permeia a sala de aula”, afirma Helena. Esses aspectos, em parceria de um grupo de docentes Fonte: Universia - Rober to Machado

capazes, pode parecer o suficiente para o aproveitamento de qualquer curso, mas a professora vai além. “Os professores devem ser capacitados para aproveitar da melhor maneira possível essa infraestrutura, mas isso não é tudo. Eles devem estar sempre centrados no lado humano da relação com os alunos. Estudar seus problemas para ajudar em seu aprendizado”, declara ela. Um exemplo que a professora usa para ilustrar como boas instalações deve ser aliadas a boas práticas são as visitas a bibliotecas. Ainda que sejam bem equipadas e de importância evidente, Helena adverte. “O professor não pode apenas direcionar o aluno à biblioteca, ele deve frequentar o ambiente com sua turma e trocar dicas de leitura para fazer parte do contexto”, sugere ela, que destaca também o papel da alimentação e como o fácil acesso a áreas para esse fim podem contribuir para a boa performance estudantil. Segundo ela, a alimentação saudável também deve ser encarada com atenção pelas instituições. “As refeições devem ter o acompanhamento de um nutricionista para que sejam balanceadas, baratas e nutritivas. É uma boa opção para aqueles que se alimentam mal entre as aulas”.


Arquitetura.

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arquitetura e urbanismo Murad Jorge Mussi Vaz. Professor de Arquitetura e Urbanismo, UFSC

Vivendo no “liquidificador cultural” Uma pintura de Klee chamada Angelos Novus mostra um anjo olhando como que a ponto de distanciar-se de alguma coisa que está contemplando fixamente. Seus olhos estão arregalados, sua boca, aberta, suas asas, despregadas. É assim que se retrata o anjo da história. Seu rosto está virado para o passado. Onde percebemos um encadeamento dos fatos, ele vê uma só catástrofe, que acumula ruínas sobre ruínas e as atira seus pés. O anjo gostaria de ficar, de despertar os mortos e restaurar o que foi destruído. Mas uma tormenta está soprando do Paraíso, ela fustiga suas asas com tamanha violência que o anjo não consegue mais fechá-las. Essa tormenta impele-o para o futuro, para o qual suas costas estão voltadas, enquanto o monte de destroços diante dele cresce até o céu .Essa tormenta é o que chamamos de progresso.

Walter Benajmin – Década de 40 Sob qual ótica devemos encarar nossas cidades hoje? E nossa produção arquitetônica? As certezas em um urbanismo ortodoxo, modernista, cujo bem comum e bem estar social, seriam as metas a serem alcançadas através de um racionalismo progressista? O século XX explorou ao máximo as premissas do menos é mais, preconizadas por Mies van der Rohe, do Homem Ideal de Le Corbusier, e infelizmente foram concebidas grandes fa-

Paul Klee – Angelos Novus década 20 lácias em conjuntos arquitetônicos, desprovidos de urbanidade e de um imaginário coletivo capaz de suscitar encontros e surpresas. Erro dos arquitetos e urbanistas ou de quem financiou estas obras e deturpou suas idéias sociais iniciais? Ao menos os modernistas vestiram a camisa por uma arquitetura igualitária, social, industrial. Nesse sentido questiona-se: foi o progresso, o grande responsável pela perda da cidade

tradicional? Da arquitetura vernacular? Do romantismo preconizado na visão bucólica de uma cidade que já não existe mais? Haveria espaço para um flaneur em Chandigarh, em Brasília, no Pedregulho? Como caminharia Walter Benjamin em meio a esses belos conjuntos de arquitetura impecável, mas desprovidos da vitalidade inerente à cidade tradicional? Se o less is more, foi trocado por less is a bore, de Robert Venturi, percebe-se que apenas a alteração retórica não foi capaz de suprir as demandas do século em desenvolvimento. Da racionalidade e das certezas modernistas, recaiu-se no discurso pòsmodernista, deturpado em sua interessante proposta de resgate historicista e fragmentos e recordações. Se o modernismo mal interpretado foi efetivado, o pós modernismo recaiu em um novo mecenato, sucumbindo ao mercado imobiliário e propiciando o surgimento de frontões neoclássicos norte americanos em balneários famosos nas praias brasileiras. Sob a égide de um resgate histórico, muitas vezes desconexos da realidade local, foram criados condomínios que infelizmente surgiram como fuga para uma pretensa segurança, que em sua matriz auto-segregacionista, acabaram causando uma fragmentação maior no tecido urbano e conseqüentemente maior separação, maior conflito, e menor interação na cena pública. As cidades estão cada vez mais polifônicas, híbridas em formas e referências, conforme o antropólogo italiano Massimo Canevacci, então é hora de buscar compreender seus signos e contra-signos nesse grande “liquidificador cultural” em que se vive. Novos materiais, novas soluções, arqui-

tetura inteligente, retorno aos materiais vernaculares, às técnicas retrospectivas, tudo vale e é até salutar nesse processo de efervescência presente. Nesse sentido podem surgir pontes entre referências históricas e novos materiais, ou o tradicional - em colagem e patchwork com a inovação, talvez essa seja a “cara” da arquitetura e das cidades para o século que se inicia. Uma identidade verdadeiramente híbrida. Sem rótulos, diversas bandeiras podem ser levantadas, e já o foram: a sustentabilidade, a globalização, o universal x o local, a arquitetura verde, as cidades metabolistas,..., enfim todos estes temas já se tornaram personagens – reificados, e tomaram café em entrevistas com famosos apresentadores e teóricos. A intenção do presente ensaio não é a de dar respostas, mas sim a de provocar, e fazer pensar, de negar um saudosismo historicista nocivo e a-dialético e ao mesmo tempo, refutar uma crença desmesurada na tecnologia esterilizante. Urge treinar o olhar e fazer-se olhar na cidade, urge caminhar mais entre os fragmentos urbanos, urge aproximar-se mais da realidade urbana, ao invés de planejar a partir de um gabinete ou de modelos importados de outras realidades. Alguém gostaria de se pronunciar?

As cidades estão cada vez mais polifônicas, então é hora de buscar compreender seus signos e contra-signos nesse grande “liquidificador cultural” em que se vive.


Sustentabilidade.

Joinville, julho de 2010. ANO 1. N o #1 .

Condôminos verdes A questão da sustentabilidade está cada vez mais inserida no dia a dia das empresas do setor imobiliário e dos condomínios. Nem poderia ser diferente. Afinal, a preocupação com o futuro das próximas gerações impõe que sejam adotadas, no presente, ações garantidoras desse futuro. Entidades de classe, como o Secovi-SP, estão cada vez mais empenhadas em discutir o tema, instituindo espaços para alinhar as ações de suas várias áreas nesse campo, com objetivo de pesquisar, sistematizar, promover, divulgar, apoiar e reconhecer ações de sustentabilidade, conscientizando e incentivando suas práticas pelas categorias econômicas representadas pela entidade. Por essa razão, no caso do Secovi-SP, estudos estão sendo desenvolvidos de maneira integrada com a área de Administração Imobiliária e Condomínios, no sentido de identificar formas de incrementar os trabalhos que já vêm sendo realizados, como os manuais sobre uso racional de água e energia, coleta seletiva de lixo, etc. Aliás, há uma preocupação adicional em relação aos empreendimentos já ocupados. Até porque, segundo estimativas, mais de 80% do impacto ambiental não se dá na produção dos condomínios, mas sim na sua utilização. É certo que o mercado incorporador e construtor deve consultar as administradoras para

produzir empreendimentos que, desde o projeto, contemplem aspectos relativos à questão ambiental. Prever espaços para coleta seletiva, captação e reuso da água da chuva, energia solar (quando e onde isso for possível), o máximo em ventilação e iluminação naturais e individualização do consumo de água são exemplos de providências que devem ser contempladas. Igualmente, os condomínios já instalados e ocupados podem e devem estudar, em conjunto com as respectivas administradoras, a adoção de práticas sustentáveis. Onde for possível e economicamente viável (sim, porque sustentabilidade é formada pelo tripé meio ambiente, responsabilidade social e economia), é recomendável a instalação de hidrômetros por unidade. E há uma série de outras medidas que podem ser analisadas caso a caso, considerando-se as características do condomínio e a capacidade de pagamento de seus moradores. Uma coisa, porém, é certa: de nada adianta projetar ou adaptar empreendimentos às premissas da sustentabilidade se seus usuários não tiverem consciência de seu papel. Mais que condomínios verdes, o que precisamos é de condôminos verdes, devidamente comprometidos com a questão da sustentabilidade. Consciência e atitude. Isto é o que o planeta precisa para se manter vivo.

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Jornal Arquitetando & Construindo