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FLOR I A NÓPOLIS, nº 266

A BR IL DE 2020

Jornal da

ARQUIDIOCESE Semana Santa

Solidariedade

Programação e como acompanhar | 7

Campanhas ajudam necessitados | 10

Iniciação à Vida Cristã Itinerário é seguido em família | 12

Cristo vive! “Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória.” (Colossenses 3,1-4)


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Editorial

Jornal da Arquidiocese, ABRIL DE 2020

O vírus e as pragas do Egito

Quem comunica faz-se próximo As paróquias da Arquidiocese têm se superado na qualidade das transmissões das missas neste tempo em que a ameaça do coronavírus nos força ao isolamento e distanciamento social. Várias delas, com celebrações diárias e até uma programação devocional que inclui adoração ao Santíssimo, novenas e reflexões. Os padres têm percebido cada vez mais a importância da comunicação em nosso tempo e entendido que “quem comunica faz-se próximo”, como já disse o Papa Francisco (Mensagem ao Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2014). Em tempos de isolamento, a única maneira de permanecer próximo dos fiéis é através das novas tecnologias de comunicação, principalmente a digital. A grande prova para os agentes e voluntários da Pastoral da Comunicação será a Semana Santa, o momento mais importantes da fé católica. Como viver os mistérios e a grandiosidade desta semana sem o contato físico? Como envolver os corações dos fiéis para uma verdadeira participação? Como entregar um serviço de qualidade com tantas dificuldades técnicas que nossas paróquias enfrentam? Não sabemos as respostas, mas temos certeza que a maneira como viveremos os próximos dias podem influenciar para sempre a maneira como encaramos as nossas relações e a nossa vida em comunidade enquanto Igreja.

D O M W I L S ON T A DE U J ÖNC K , S C J Os israelitas saíram do Egito só depois que o país foi atingido por dez pragas. Não sei o que os egípcios aprenderam com o castigo. O que nós podemos aprender com a “praga” coronavírus encontramos em dez “transgressões” enumeradas por Pe. Deolino Baldissera em artigo escrito durante o período de quarentena. Aproveito para transcrevê-los livremente. 1) “Quebramos a aliança com Deus e elegemos o capital como centro de nossas vidas. 2) Agredimos a natureza de modo injustificável por causa da ganância, daí produzimos o efeito estufa e suas consequências. 3) Nos iludimos com nossas conquistas científicas que facilitam a nossa vida e traz tantos benefícios, mas nos viciamos em joguinhos de computador que consomem horas e anestesiam a capacidade de pensar. 4) Esquecemos das práticas de boas relações e vizinhança porque temos que dedicar o tempo para os

Nos caminhos de Francisco

nossos compromissos inadiáveis. 5) Nossa vocação ao trabalho tornou-se “metas a atingir”, com horas extras e luta por posição de chefia. “Tempo é dinheiro”, geramos assim os descartáveis, especialmente idosos, crianças e jovens – estão fora do mercado. 6) Os valores das tradições foram trocados por “modernismos” que os rejeitam e não os integram. 7) O sentido da nossa vida esvaziou-se, gerando um fenômeno alarmante de “depressão” com suas consequências: suicídios, drogas e outros vícios. 8) A explosão de agressividade verificada nos diferentes níveis de convivência: na vida familiar, na vida política, nas relações internacionais disseminam ódio, egocentrismo, individualismo, sem falar na produção de armas destrutivas. 9) A indiferença globalizada tornou-se marca registrada de nosso tempo – cada um cuide de si e o resto não quero saber. 10) Nossa espiritualidade virou

pneu furado, esvaziou-se, e a vida ficou ao léu, sem rumo, sem ponto de chegada”. O retiro compulsório provocado pela ameaça do “coronavírus” é uma oportunidade para tomar consciência de como estas “escolhas negativas” se tornam o centro de nossas vidas. É preciso aprender a viver sem elas. Não são elas que garantem o sentido das nossas vidas. É hora de “endireitar as veredas”. “Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva” (Ez 18,23).

Nas redes

“Precisamos imitar a misericórdia “Deixemo-nos amar por Deus para

do Senhor. A esmola não é só

amar. Deixemo-nos reerguer, para

material, mas também espiritual.”

caminhar rumo à meta, à Páscoa..”

18 de março, na homilia da missa

17 de março, no Twitter

na Casa Santa Mar ta

“Desejo expressar novamente “Nesta Quaresma, convido

minha proximidade aos doentes do

vocês a colocarem-se diante do

coronavirus e aos profissionais de

Papa concede Bênção Urbi et Orbi Extraordinária

Pom Wilson envia mensagem aos fiéis em quarentena

Crucifixo, ficar lá olhando-O

saúde que os tratam, bem como as

instagram.com/arquifloripa

twitter.com/arquifloripa

e repetindo: “Jesus, tu me

autoridades civis e todos aqueles

amas, transforma-me…”

que estão trabalhando para assistir

28 de março, na Bênção Urbi et Orbi

os pacientes e deter o contágio.”

“Rezemos juntos pelas tantas pessoas que se preocupam com os outros - famílias que não têm o suficiente para comer, idosos solitários, doentes no hospital - e rezam e procuram fazer com que chegue alguma ajuda. Agradeçamos a Deus por suscitar estes sentimentos nos corações”

Vídeo especial com reflexão do 4º Domingo da Quaresma

Transmissão da Missa de Dom Wilson, da Residência Arquiepiscopal

27 de março, no Twitter

youtube.com/arquidiocesedeflorianopolis

facebook.com/arquifloripa

6 de março, no Twitter

Rua Esteves Júnior, 447, Centro Florianópolis/SC

Telefone: (48) 3224-4799 / 99673-1266 Email: imprensa.arquifln@gmail.com Site: www.arquifln.org.br

Diretor: Pe. Vitor Galdino Feller

Diagramação: Fabíola Goulart

Conselho Editorial: Dom Wilson Tadeu Jönck, scj, Pe. Alcides Albony Amaral, Pe. Sedemir de Melo, Fabíola Goulart, Giovanna Dutra, Fernando Anísio Batista.

Capa: Fabíola Goulart

Jornalista Responsável: Fabíola Goulart (MTB 06647/SC) e Giovanna Dutra (MTB 06675/SC) Projeto Gráfico: Lui Holleben/Gustavo Huguenin

Coord. Publicidade: Pe. Tarcísio Pedro Vieira e Erlon Costa Edição especial - distribuição somente online O Jornal da Arquidiocese é uma publicação mensal , de distribuição gratuita, da Arquidiocese de Florianópolis.


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Jornal da Arquidiocese, ABRIL DE 2020

Penitenciaria Apostólica emite decreto sobre indulgência plenária

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Retalhos do Cotidiano P R OF E S S OR C A R L O S M A R T E N DA L

Foto: Vatican Media

Necessidade

A autossuficiência nos torna orgulhosos, a necessidade nos faz humildes.

Sou

Sou orgulhoso: devo prestar mais atenção ao meu Senhor e meu Deus, que é Humildade; a impaciência tantas vezes me domina: preciso estar atento Àquele que é Paciente, porque é Amor, e “o amor é paciente” (1Cor 13,4); o cansaço me abate: mire minha alma Quem me convida para ir até Ele, que é Descanso (cf. Mt 11,28). Temos um Pai tão alto que se abaixa tanto e vem morar em nós...

Pedido

Ajuda-me, Senhor, a calar o que devo e a falar o que preciso.

Um Decreto da Penitenciaria Apostólica, publicado no último dia 20 de março, declara que, diante da emergência do coronavírus, a Igreja oferece a possibilidade de obter a indulgência plenária para os fiéis enfermos com COVID-19, para os profissionais de saúde, familiares e todos aqueles que cuidam deles, até mesmo com a oração. A indulgência plenária também pode ser obtida pelos fiéis que, no momento de morte, não tiveram a possibilidade de receber o sacramento da Unção dos Enfermos e do Viático: neste caso, recomenda-se o uso do crucifixo ou da cruz. Também os fiéis que não estão afetados pelo coronavírus, nem estão voltados aos cuidados deles, mas que estão, de qualquer modo, afetados pela situação de calamidade por causa desse mal, poderão alcançar indulgência plenária. O que é indulgência? A indulgência é a remissão da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa. Por ex., quando um assassino se confessa sinceramente arrependido ele é perdoado de sua culpa. Mas seu crime tem consequências negativas pra ele mesmo, para os familiares da vítima e para toda a sociedade. A Igreja, que é a comunhão dos santos, como rezamos no Credo, administra os bens da salvação, adquiridos por Cristo e ampliados pela santidade dos fiéis, e os distribui em favor de

todos, sobretudo dos mais necessitados. Todos os fiéis, seguindo as determinações específicas dadas pela autoridade da Igreja, podem adquirir indulgências para si mesmos ou aplicá-las aos fiéis defuntos (ver Catecismo da Igreja Católica, n.14711472). Como obter? Normalmente para se alcançar a indulgência plenária é preciso participar da Missa e celebrar o sacramento da Reconciliação por meio da confissão dos pecados junto a um sacerdote. Desta vez, por causa da dificuldade e às vezes até mesmo a impossibilidade de participar da Missa e de encontrar um padre para confessar-se, a Santa Sé, por meio da Penitenciaria Apostólica, favorece que o fiel possa alcançar a indulgência assistindo, ao vivo, à Missa pela TV ou rede social e fazendo sua comunhão espiritual e, no caso da confissão, servindo-se do recurso da contrição perfeita. Já os doentes de coronavírus, os que estão em quarentena, os profissionais de saúde e familiares que se expõem ao risco de contágio para ajudar quem foi afetado pelo Covid-19, também poderão simplesmente recitar o Credo, o Pai-Nosso e uma oração a Maria. Para saber mais detalhes sobre a indulgência plenária ou sobre como se confessar durante o período de isolamento social, acesse o nosso site: www.arquifln.

Idoso

Que sempre venha alguém ao encontro de quem já viveu muitos dias: para pintar-lhe os cinzentos da vida e colorir o seu pequeno mundo!

Transformações

Se a lagarta pudesse ver-se na borboleta que será, se a semente pudesse enxergar-se na flor em que se transformará, se eu pudesse vislumbrar-me no corpo glorioso que terei... Ah, se! Mas o dia chegará!

Congresso Eucarístico Nacional é adiado

Em decorrência da pandemia do COVID-19 e pelas incertezas deste momento, o Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Antônio Fernando Saburido, anunciou o adiamento do 18º Congresso Eucarístico Nacional. O evento foi transferido para novembro de 2021; o local e a programação estabelecidos serão mantidos. A decisão foi tomada após consulta aos bispos do Regional Nordeste 2 e à Presidência da CNBB. A Presidência da CNBB manifestou, por unanimidade, a concordância quanto ao adiamento do 18º Congresso Eucarístico Nacional para 2021. Em comunicado, o Bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da entidade, dom Joel Portella Amado, elogiou a decisão: “Trata-se de atitude de profundo bom senso diante de um quadro imprevisível, não apenas quanto ao

tempo de duração da pandemia causada pelo coronavírus quanto em relação às sequelas econômicas que poderão advir”. O 18º Congresso Eucarístico Nacional já havia iniciado algumas atividades em 2019, como a instituição do Ano Eucarístico. Na Arquidiocese de Olinda e Recife, sede do evento, na ocasião foi trabalhado o tema “Pão em Todas as Mesas” e o lema “Repartiam o Pão com alegria e não havia necessitados entre eles”. O propósito, de acordo com Dom Fernando Saburido, é “promover a comunhão das Igrejas em torno da Eucaristia, no desejo de que esse evento, que reúne o Brasil em terras do Nordeste, nos leve a entender que o ‘Pão da Vida’ move a Igreja a sair de si, das zonas de conforto, para alcançar as periferias existenciais bem lembradas pelo Papa Francisco”.


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Jornal da Arquidiocese, ABRIL DE 2020

Dom Wilson acolhe religiosos recém-chegados na Arquidiocese Como de costume a cada o ano, o Arcebispo de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck, scj, e o Conselho de Pastoral realizaram um encontro para acolhida dos religiosos e consagrados recém-chegados na Arquidiocese. O encontro deste ano aconteceu no dia 17 de março, na sede da Cúria Metropolitana, e estiveram presentes 24 consagrados, entre presbíteros, religiosas, religiosos e membros de novas comunidades. O objetivo deste momento é apresentar aos religiosos a estrutura da Arquidiocese com suas foranias, aspectos administrativo-pastorais e culturais. “A cada ano, a Arquidiocese de Florianópolis se enriquece com a chegada de novos presbíteros, religiosos e religiosas. São novas forças que, unidas às já existentes, dinamizam nossa ação evangelizadora”, afirma Dom Wilson. O encontro foi iniciado com as boas-vindas do Arcebispo, que falou da alegria em receber cada religioso e a disponibilidade da Cúria Metropolitana para ajudá-los na missão.

Foto: Giovanna Dutra/ArquiFloripa

Também estiveram presentes: o Vigário Geral da Arquidiocese, Pe. Vitor Galdino Feller, que falou a todos sobre os dois processos de beatificação abertos recentemente; o ecônomo da Arquidiocese, Pe. Tarcísio Pedro Vieira, que explicou os aspectos jurídicos e da corresponsabilidade na administração da Arquidiocese; e o coordenador de Pastoral, Pe. Alcides Albony Amaral, que falou da história da Arquidiocese, da realidade das 13 foranias, do eixo transversal da pastoral que é a família, das perspectivas pastorais e enfatizou o processo que a Arquidiocese vive na Iniciação à Vida Cristã, Catequese Matrimonial e Catequese

Batismal, através do Plano de Pastoral e as Orientações Canônico-Pastorais para os Sacramentos. Além do encontro com o Arcebispo da Arquidiocese e a possibilidade de conhecer o novo campo de missão em que estão inseridos, os religiosos têm a oportunidade de confraternizar uns com outros. Segundo Irmã Maria Tihandra de Jesus, do Instituto Nossa Senhora do Bom Conselho, este tipo de momento é muito rico, pois os diversos carismas que estão presentes na Arquidiocese mostram o quão a Igreja é viva e atuante. “É sempre bom nos encontrar com pessoas que buscam o mesmo ideal de consagração, com o mesmo estilo de vida que o nosso. Estar com outros consagrados é frutuoso para que os laços de amizade possam se estreitar. Ter amizades com outros religiosos faz com que o nosso chamado seja reafirmado e nos motiva a ver em outros também a doação que queremos dar a Deus através da nossa vocação”, explica Irmã Tihandra.

COMIDI realiza Formação Missionária Arquidiocesana No início do mês de março, a Comissão Missionária Diocesana da Arquidiocese de Florianópolis (COMIDI) realizou um encontro de formação missionária em nível arquidiocesano. O encontro aconteceu na Paróquia São Francisco de Assis, no bairro Aririu, em Palhoça e contou com mais de 100 participantes entre leigos e leigas, religiosas e religiosos, seminaristas e padres da arquidiocese. A formação teve como direcionamento a temática das diretrizes da ação evangelizadora 2019-2023 no Brasil, sobre o Programa Missionário Nacional e outros documentos que englobam a vida missionária na Igreja. Durante a abertura, que foi conduzida pelo Pe. Iseldo Scherer, coordenador do COMIDI, salientou-se a importância de seguir as diretrizes para estar em comunhão com toda Igreja da Brasil. O primeiro documento abordado durante o encontro foi o Documento de Aparecida e suas diretivas. Nele se encontra a essência de estar em missão e a preferência pelos mais pobres de nossa sociedade. Na ocasião Domingos Francisco Pereira, integrante

da equipe do COMIDI, realizou uma partilha de como colocar as ações propostas em prática, a exemplo das missões que estão sendo realizadas na Bahia. Ainda no primeiro dia, dando seguimento à formação, a secretária da Animação Missionária da Arquidiocese, Zenir Gelsleichter, fez uma introdução sobre as diretrizes da Ação Evangelizadora no Brasil e em seguida dividiu os presentes em grupos para a realização de debates e partilhas. No segundo dia de formação as atividades tiveram início com celebra-

ção da missa, que foi presidida por Pe. Almir José de Ramos, coordenador da Pastoral Carcerária da Arquidiocese. Para finalizar o final de semana de formação, foi apresentado aos participantes a Exortação Papal “Querida Amazônia”. A secretária da Animação Missionária da Arquidiocese enfatizou que as orientações dadas pelo Papa Francisco no documento são muito importantes e não devem ser esquecidas por nenhum dos missionários.


Nossa fé

Jornal da Arquidiocese, ABRIL DE 2020

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Carregar a crise

Rede Católica de Solidariedade

PA DR E V I T OR G A L DI NO F E L L E R

F E R N A N D O A N Í S IO B A T I S T A Foto: Vatican Media

Um dos objetivos da Quaresma é recolocar-nos no caminho de Jesus, assumir a cruz de cada dia e segui-lo até a morte, para poder experimentar com Ele a glória da ressurreição. Este ano a cruz colocada em nossas costas é de proporções enormes e assustadoras. Uma cruz que mete medo: a crise da saúde pública, por causa do novo coronavírus. Uma crise a ser assumida e carregada em conjunto, em comunhão de fé e amor. A cruz da quarentena Nunca tivemos que viver tanto tempo sozinhos, isolados em nossas casas ou apartamentos. Angústia e medo, chateação e náusea! Mas essa crise é uma graça que a história nos concede para sairmos da Quaresma mais enriquecidos em nossa humanidade. É um tempo bom para recolhimento e interiorização, tempo de jejum de nossas preocupações, para cultivo da serenidade, tempo de buscar o encontro com o Senhor. A quarentena é um tempo bom para aprender a saber perder o que não é essencial, o que é entulho, atrapalho, empecilho na nossa vida de fé. Uma nova Quaresma Nossa geração tem uma bela história pra contar. Nunca havíamos tido a graça de uma Quaresma tão rica de novas atitudes, de abertura de nossas mentes para questões sérias: o

que a história quer nos ensinar? Como estão a viver essa crise os mais pobres? Como posso sair do meu isolamento existencial para engajar-me em gestos de solidariedade? Talvez a grande pergunta a se fazer será: é preciso gastar tanto tempo com o deus-dinheiro, na correria de gastos, no desperdício de comida, no excesso de trabalho, em vez de mais tempo para a família e o próximo? Uma boa hora para se perguntar: a que deus estamos adorando? A Deus ou ao dinheiro? A luz da Páscoa Não sabemos quanto tempo vai durar essa crise. Tudo indica que vai ser longa, pesada, com sérias consequências para o sistema da saúde pública, para o emprego, para a economia das pessoas e do país. Mas nós, cristãos, temos uma certeza: depois da morte vem a luz da ressurreição, depois da Quaresma vem a Páscoa! Será uma Páscoa diferente, sem as emocionantes celebrações da ceia pascal, do lava-pés, da adoração da cruz, das encenações da paixão, da vigília pascal, da renovação das promessas batismais. Será uma Páscoa em tom menor, mas não triste. Pois, como nos ensinou o papa Francisco, na memorável celebração de clamor diante do Crucificado: “Tu estás conosco, Senhor, durante a tempestade!”.

Você também pode conferir este e os demais artigos no site da Arquidiocese:

www.arquifln.org.br.

Em meio à pandemia, isolamento social e quarentena, milhares de pessoas se juntam em oração. Multiplicam-se os terços, intenções, santas missas que propagam o Evangelho e fortalecem a fé da população pelos mais variados meios de comunicação social. Multiplica-se também a preocupação com a vida, com diversas formas de evitar a contaminação em massa, principalmente das pessoas mais frágeis. Numa atitude solidária, milhares de pessoas também se colocam à disposição para ajudar de alguma forma aqueles que pouco tinham e agora nada têm, os moradores de rua, moradores de comunidades de periferia, trabalhadores informais. Rapidamente organizam-se campanhas de solidariedade, voluntários se juntam ao poder público e criam formas de atender os mais necessitados sem colocar em risco sua própria vida. Disse o Papa Francisco na benção Urbi et Orbi: “O Senhor in-

terpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar”. Muitos atendem a esse chamado e colocam-se a serviço, formando uma verdadeira Rede Católica de Solidariedade. A existência desta rede minimiza o sofrimento humano em momentos como este. Por outro lado, auxilia os envolvidos a encontrar Jesus no irmão, pois “todas as vezes que fizestes isso a um dos mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que fizestes” (Mt 25, 41). Neste momento de aflição, o apoio e o envolvimento de todos junto às redes de solidariedade que se constituem nas paróquias e entidades sociais tornam-se necessários e imprescindíveis, para que o Reino de Deus se propague e a paz volte a reinar nos corações dos que mais sofrem este flagelo. Foto: Pascom/Paróquia São João Bosco - Itajaí


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Especial

Jornal da Arquidiocese, ABRIL DE 2020

Comunicação a serviço da Igreja, o povo de Deus Diante da realidade do isolamento social, por conta da pandemia do COVID-19, as redes sociais, canais de TV e rádios de inspiração católica têm se tornado um instrumento de unidade e ponto de encontro entre o povo de Deus e a vivência concreta da fé.

Estamos vivendo uma realidade nunca imaginada na história da humanidade, por conta da pandemia do COVID-19, causado pelo Coronavírus. As autoridades públicas aconselham que a população permaneça em casa, em quarentena, como forma de auxiliar na prevenção da doença. Escolas, igrejas, o comércio em geral, qualquer estabelecimento que possa ocasionar aglomeração tiveram suas atividades suspensas. Nem em tempos de guerra foi vivenciada tal situação. Atento a essas determinações, vindas das autoridades sanitárias, o Arcebispo de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck, scj, dispensou os fiéis “da obrigação de participar das missas dominicais e dos demais dias de preceito”, conforme o decreto emitido no dia 17 de março. Os fiéis da Arquidiocese receberam este anúncio no meio da Quaresma, tempo litúrgico importante para a vida espiritual dos cristãos. Muitas dúvidas surgiram: Como continuar a viver o tempo quaresmal sem poder participar da missa? Como não se afastar de Deus se não posso comungar? Como praticar a caridade, como nos pede a Campanha da Fraternidade 2020, se não posso sair de casa? Como forma de auxiliar os fiéis a continuarem a viver a espiritualidade da Quaresma, em tempo de isolamento social, Dom Wilson os incentivou a acompanharem as celebrações litúrgicas e devocionais através dos meios de comunicação, fazendo da comunhão espiritual um importante instrumento de união eclesial e santificação pessoal. Sendo assim, os meios de comunicação passaram a ter um papel fundamental na vivência da fé em tempos de pandemia do coronavírus, tornando-se instrumentos de unidade e encontro. Com a impossibilidade das pessoas de estarem em comunidade, as redes so-

ciais, os canais de TV e rádios se tornaram a principal forma de acompanhar as celebrações litúrgicas. Como resposta ao incentivo do Arcebispo, diversas paróquias da Arquidiocese de Florianópolis se mobilizaram para iniciar transmissões de missas e momentos de oração através das redes sociais. Muitas delas montaram uma programação que permite a seus paroquianos ter um encontro diário com seus párocos e vigários e assim estar unidos a eles pela oração. Ao proporcionar estes momentos de espiritualidade as paróquias também levam a esperança e conforto em meio ao medo e insegurança, que são gerados por conta da pandemia do COVID-19. Os meios de comunicação católicos, sejam em nível paroquial ou institucional, são a via para que boas histórias alcancem o povo de Deus. A todo instante há um bombardeio de más notícias que cultivam incertezas em nosso meio e os comunicadores católicos a todo instante lutam para ir contra esta corrente. “Para não nos perdermos, precisamos respirar a verdade das histórias boas: histórias que edifiquem, e não as que destroem. Histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a força para prosseguirmos juntos” exortou o Papa Francisco em sua Mensagem para o 54º Dia Mundial das Comunicações. Há vários exemplos dessas histórias, como o testemunho dos milhares de profissionais da área da saúde que corajosamente colocam suas vidas ao cuidado dos infectados; leigos que estão nas ruas indo ao encontro daqueles que não têm para onde ir e fugir da doença; padres que atendem a confissões no estilo drive-thru para não deixar o povo de Deus desamparado. Essas histórias só têm notoriedade porque há comunicadores dispostos a contá-las. Certamente este tempo que está sendo vivenciado é um marco na história da humanidade, em espe-

cial na história da Igreja, e os meios de comunicação têm participação especial. A transmissão da bênção papal Urbi et Orbi é um testemunho concreto de como a comunicação é essencial. Aparentemente a Praça São Pedro estava vazia durante a bênção do Papa Francisco, mas milhões de católicos, espalhados pelos cinco continentes, se fizeram aí presentes espiritualmente e isto só foi possível porque os meios de comunicação estavam a serviço da Igreja. Em uma missa celebrada na Casa Santa Marta, no dia 1 de abril, o Papa Francisco fez uma prece especial para que toda a Igreja rezasse pelos profissionais de comunicação. “Hoje, gostaria que rezássemos por todos aqueles que trabalham na mídia, que trabalham para comunicar para que as pessoas não se encontrem tão isoladas” pediu o Papa. Ao realizar este pedido o Pontífice reforça a importância da comunicação em tempos de crise. O trabalho desenvolvido pelos comunicadores católicos não se limita a beneficiar somente os cristãos, mas também todos que são alcançados por suas histórias. O Papa Paulo VI já afirmava isso em sua Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi publicada em dezembro 1975. Ele nos diz: “O empenho em anunciar o Evangelho aos homens do nosso tempo, animados pela esperança mas ao mesmo tempo torturados muitas vezes pelo medo e pela angústia, é sem dúvida alguma um serviço prestado à comunidade dos cristãos, bem como a toda a humanidade”. Ainda não se tem certeza de quando as coisas voltarão à sua normalidade. Pode levar mais algumas semanas ou meses. Contudo os meios de comunicação continuarão a servir o povo de Deus para testemunhar o amor e partilhar histórias que edificam a humanidade.


Especial

Jornal da Arquidiocese, ABRIL DE 2020

Semana Santa 2020 Ainda sob o decreto do Arcebispo de Florianópolis, as celebrações realizadas na Arquidiocese acontecerão sem a presença dos seus fiéis. Todavia as missas continuarão sendo celebradas em favor de todo povo de Deus e na intenção de que a pandemia do COVID-19 seja controlada. Durante a Semana Santa a assessoria de comunicação da Arquidiocese transmitirá as celebrações presididas por Dom Wilson Tadeu Jönck, scj, através do seu perfil oficial: facebook.com/arquifloripa. Programe-se e reze conosco nesta Semana Santa.

5 de abril (Domingo) – Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor A memória da entrada do Senhor em Jerusalém será comemorada na Catedral Metropolitana presidida pelo arcebispo, Dom Wilson Tadeu Jönck, scj, e alguns padres. A tradicional coleta da Campanha da Fraternidade em favor das obras sociais da Igreja foi transferida para o mês de novembro, na celebração do Dia Mundial dos Pobres. Horário da Transmissão: 9h

7 de abril (Terça-Feira Santa) – Missa do Crisma Nesta celebração se consagra o Óleo Crismal e se abençoam os óleos do Batismo e da Unção dos Enfermos. A missa acontecerá na Catedral Metropolitana presidida pelo arcebispo, Dom Wilson Tadeu Jönck, scj. Alguns padres representarão os presbíteros da Arquidiocese no momento da renovação das promessas sacerdotais. Horário da Transmissão: 9h

9 de abril (Quinta-feira Santa) – Missa da Ceia do Senhor Neste ano, por conta da pandemia do COVID-19, não será realizado o tradicional gesto em que o arcebispo lava os pés de alguns presentes. Porém a celebração seguirá o restante do rito adequado para este dia, que recorda a instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e do Mandamento Novo. A missa acontecerá na Catedral Metropolitana presidida pelo arcebispo, Dom Wilson Tadeu Jönck. Horário da Transmissão: 19h30

10 de abril (Sexta-feira Santa) – Paixão do Senhor Durante a celebração da Paixão do Senhor, o ato de Adoração da Cruz através do beijo é limitado apenas ao celebrante. No mais, o rito segue normalmente. A celebração acontecerá na Catedral Metropolitana presidida pelo arcebispo, Dom Wilson Tadeu Jönck, scj. Horário da Transmissão: 15h

11 de abril (Sábado Santo) – Vigília Pascal Nesta celebração será omitida a aspersão da água, porém haverá a renovação das promessas batismais através da profissão de fé conduzida pelo celebrante. A missa acontecerá na Catedral Metropolitana presidida pelo arcebispo, Dom Wilson Tadeu Jönck, scj. Horário da Transmissão: 15h

12 de abril (Domingo) – Páscoa do Senhor A celebração da Páscoa do Senhor seguirá o rito normalmente. Mesmo sem a presença dos fiéis a celebração será de muita alegria, pois a Ressurreição do Senhor é o verdadeiro sentido da nossa fé. A missa acontecerá na Catedral Metropolitana, presidida pelo arcebispo, Dom Wilson Tadeu Jönck, scj. Horário da Transmissão: 9h

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Bíblia

Jornal da Arquidiocese, ABRIL DE 2020

A misericórdia de Deus é maior que nossos pecados Não tem muito que celebramos o Ano Santo da Misericórdia, proclamado em dezembro de 2015 pelo Papa Francisco através da bula Misericordiae vultus e encerrado em novembro de 2016. Tudo na vida é fruto da misericórdia que Deus gratuitamente exerce sobre nós. Felizes são os que estão conscientes disso e se tornam um canal, pelo qual essa misericórdia do Pai alcança o próximo. A grande realidade e maravilha da misericórdia divina é o perdão que Ele oferece para os nossos pecados. A misericórdia de Deus é sempre maior do que o pecado! Ninguém como Ele tem esta sensibilidade pelas misérias e infelicidades dos seres humanos. Em Lucas 6, 36 nos deparamos com um pedido de Jesus: “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso”. Como exercer esta misericórdia? Seguir os passos de Cristo é o melhor caminho. Jesus é o rosto da misericórdia do Pai e esta misericórdia divina é “o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro”. Na bula que proclamou o jubileu extraordinário da misericórdia, o papa Francisco afirma que, “em suma, a misericórdia de Deus não é uma ideia abstrata, mas uma realidade concreta, pela qual Ele revela o seu amor como o de um pai e de uma mãe pelo próprio filho”. Desta forma, é oportuno rememorar que a Igreja pede que exerçamos obras concretas de misericórdia, não só no ano extraordinário que fora proclamado, mas a todo momento de nossas vidas, e isso porque as obras de miseri-

córdia fazem com que encontremos e penetremos plenamente no coração do Evangelho. As obras de misericórdia são 14. Estas podem ser exercidas em nível corporal e espiritual. São obras de misericórdia corporais: 1) Dar de comer a quem tem fome; 2) Dar de beber a quem tem sede; 3) Vestir os nus; 4) Dar pousada aos peregrinos; 5) Visitar os enfermos; 6) Visitar os presos; 7) Enterrar os mortos. As obras de misericórdia espirituais são: 1) Dar bons conselhos; 2) Ensinar os ignorantes; 3) Corrigir os que erram; 4) Consolar os tristes; 5) Perdoar as injúrias; 6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 7) Rezar a Deus pelos vivos e defuntos. O segundo domingo da Páscoa é o Domingo da Misericórdia. Este foi proclamado por São João Paulo II, que outrora em sua encíclica Dives in Misericordia afirmou: “A Igreja vive uma vida autêntica quando professa e proclama misericórdia, o mais admirável tributo do Criador e do Redentor, e que aproxima os homens das fontes da misericórdia do Salvador, das quais ela é depositária e dispensadora”. Peçamos à Virgem Maria, mãe de Jesus e mãe da Misericórdia, que nos alcance tão precioso dom. Que ela nos ajude a ser dignos de contemplar o rosto da misericórdia do seu filho Jesus. Salve Rainha, MÃE DA MISERICÓRDIA... Pe. Jair José Pereira Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo - Coqueiros/Florianópolis

CONHECENDO AS CARTAS DE SÃO PAULO

Lectio Divina PA DR E PAU L O S T I P P E S C H M I T T Lectio (leitura): Cl 3,1-4 2ª leitura no Domingo da Páscoa do Senhor

Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto e não às da terra. Porque vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a vossa vida, Se manifestar, também vós vos haveis de manifestar com Ele na glória.

Meditatio (meditação) A Páscoa de Jesus me pede uma postura ressuscitada. Ressuscitei com Cristo: devo olhar para o alto, caminhar nesta direção. Medito minha comunhão com Cristo, eu, membro de seu Corpo, ressuscitado com Ele. Oratio (oração) Senhor Jesus, pela graça de tua ressurreição, dá-me elevar o olhar, elevar minha vida inteira, viver como ressuscitado. A tua ressurreição garante a mim a alegria e me enche de esperança de partilhar a tua glória. É tua Páscoa: obrigado, Senhor, pela vida nova que recebo de ti.

Contemplatio (contemplação) Contempla com atenção esta frase de São Paulo: “Porque vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus”. Morrer e ressuscitar com Cristo, estar com a vida nele. Contempla esta profunda comunhão. Medita a graça do teu batismo, que é morte e vida nova com Cristo Missio (missão) Viver a vida nova, sendo testemunha da ressurreição, é a missão de cada um que ressuscita com Jesus. Ser testemunha das coisas do alto é minha missão.

P OR PA DR E G I L S ON M E U R E R

2 Tessalonicenses: atuantes, até a vinda do Senhor A primeira carta de São Paulo aos tessalonicenses, enviada em meados dos anos 51 (cf. comentário nas duas últimas edições desse jornal), repercutiu bem na comunidade, conquistando a tranquilidade almejada naqueles que estavam preocupados com a sorte dos mortos (1Ts 4,13-18). A carta serviu tão bem ao seu propósito que Paulo lhes enviará uma segunda, bem como adotará esse meio com outras comunidades no futuro. Uma carta, porém, não tem a vantagem de correções de interpretações que uma conversa presencial permite. Infelizmente a primeira carta levantou outras dúvidas e suscitou interpretações que exigiram uma segunda carta esclarecedora. Ao que tudo indica, o olhar para o além, a esperança na vinda do Senhor, o convite à vigilância, atenção e sobriedade, enunciados pelo apóstolo na primeira missiva, suscitaram inquietações na comunidade sobre uma “iminente vinda do Senhor” (2Ts 2,3). O alarmismo

de um “fim do mundo” próximo alastrou-se ainda mais em razão do aumento das perseguições que os cristãos estavam sofrendo “da parte de quem não conhece a Deus nem obedece ao Evangelho de Jesus Cristo” (1,8). Em consequência, surgiram fanáticos semeando caos na comunidade (2,2-3), e outros abandonaram seus trabalhos e responsabilidades, levando “vida à-toa, muito ocupados em não fazer nada” (3,11). São Paulo busca corrigir os desvios por meio de uma segunda carta, pela primavera de 52. Após render graças a Deus pela perseverança na fé e no amor da comunidade, servindo de exemplo para todas as “Igrejas de Deus” (1,3-5), o apóstolo afirma que a vinda do Senhor não está próxima (2,2). Antes, de fato, deve acontecer a “apostasia” e aparecer “o ímpio”, “o adversário que se levanta contra tudo que se chama Deus”, que vai seduzir, “com toda sorte de portentos, milagres e prodígios mentirosos”, e “pela injustiça”,

levando muitos a crer na mentira e não na verdade (2,1-12). Esses sinais não são indicativos temporais, pois já se viam no tempo de Paulo (2,7) e, portanto, não atentam a dizer “quando” virá o Senhor, mas eles são espirituais, a fim de orientar “como” devemos esperá-lo: “salvos mediante a santificação do Espírito e a fé na verdade... participando da glória do Senhor por meio do Evangelho... firmes, guardando as tradições ensinadas oralmente e por escrito” (2,13-17). Portanto, seguindo as diretrizes do apóstolo (3,4), o melhor a fazer é viver a vida ordenadamente, “trabalhando na tranquilidade, para ganhar o pão com o próprio esforço” (3,12), “não se cansando em fazer o bem” (3,13). Nessa carta, São Paulo nos ensina que a esperança cristã não é passiva, parada, braços cruzados “esperando” sem fazer nada, mas ativa, no trabalho e no bem, e atenta, contra toda sorte de maldade e injustiça.


Paróquias

Jornal da Arquidiocese, ABRIL DE 2020

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A Paróquia e Santuário Sagrado Coração de Jesus, no bairro Ingleses, em Florianópolis, foi fundada há apenas 17 anos, em 6 de Julho de 1998. Antes de se tornar uma paróquia independente a igreja pertenceu às Paróquias de São João Batista do Rio Vermelho (atualmente desativada), de Nossa Senhora das Necessidades (em Santo Antônio de Lisboa), entre outras. No início do mês de março deste ano, o Santuário recebeu os restos mortais do jovem Marcelo Câmara, na ocasião da abertura do seu processo de beatificação em nível arquidiocesano. Para conhecer mais sobre a paróquia, acesse: www.pscj.com.br.

Foto: Google Street View

Nossas paróquias:

A Paróquia São José e Santa Rita de Cássia, no bairro Jardim Atlântico, em Florianópolis, foi fundada em 25 de julho de 1980, através de um Decreto da Cúria Metropolitana. No mesmo documento aconteceu a nomeação do primeiro pároco da Paróquia, o Pe. Augustinho Petry. A construção da atual Igreja Matriz se iniciou dois anos após a fundação da paróquia, que recebeu a ordenação presbiteral do Pe. Luiz Prim no ano seguinte, em 19 de novembro. Conheça mais sobre a paróquia, acessando: www.facebook.com/paroquiajardimatlantico/.

Foto: Divulgação

Giro de notícias:

Foto: Vilmar Azevedo Júnior/ Santuário de Azambuja - Brusque

Foto: PASCOM/ Paróquia Nossa Senhora de Nazaré Palhoça

A Pastoral da Comunicação (Pascom) de várias paróquias da Arquidiocese se empenham na transmissão de Missas pela internet durante o período de isolamento social, em medida preventiva à pandemia de COVID-19, causado pelo coronavírus. Confira algumas fotos: Foto: Larissa Mânica/Paróquia São Cristóvão - Itajaí

Foto: Guilherme Colombi e Naomi Cardoso/Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro - Guabiruba

Foto: PASCOM/ Paróquia São Joaquim - Garopaba

Foto: Marcinha Ferreira/Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Bombinhas

Foto: João Augusto de Farias/Paróquia de Santo Amaro

Foto: Paulo César da Silva/Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem Florianópolis

Foto: PASCOM/ Paróquia São João Bosco - Itajaí


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Evangelização

Jornal da Arquidiocese, ABRIL DE 2020

CARIDADE SOCIAL

Solidariedade em tempos de isolamento social Pastorais sociais e instituições organizam campanhas para ajudar pessoas em vulnerabilidade. Foto: Instituto Pe. Vilson Groh

Neste ano em que somos convidados a refletir sobre a vida e o legado de Santa Dulce dos Pobres, que se entregou totalmente a Deus através da sua doação aos mais necessitados, somos convocados a seguir seu exemplo durante a pandemia do COVID-19. É preciso termos a mesma atitude do Bom Samaritano, que “viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34), e ir ao encontro daqueles que não têm como se proteger em meio à pandemia por estarem em vulnerabilidade social. Diversas pastorais, movimentos, institutos e entidades, presentes na Arquidiocese de Florianópolis, estão se mobilizando para ajudar essas pessoas durante o isolamento social. A recomendação é ficar em casa como forma de prevenção, mas pessoas de coragem estão se doando para que ninguém passe necessidade. É o caso dos membros do Movimento Anjos da Rua, da Paróquia São João Bosco, de Itajaí, que prepararam e distribuíram marmitas a pessoas em situação de rua. A ação foi uma parceria entre a Paróquia e a Secretaria de Assistência Social do município. O Instituto Pe. Vilson Groh, em Florianópolis, está realizando uma campanha para arrecadar fundos

para comprar cestas básicas para comunidades carentes, bem como materiais de higiene e limpeza, entre outros. As doações arrecadadas são distribuídas a famílias das comunidades em que o instituto atua. Qualquer pessoa pode fazer uma doação. As informações de como ajudar estão disponíveis no site: www.redeivg.org.br. Membros da Ação Social da Paróquia São Virgílio, de Nova Trento, estão realizando atendimento a pessoas em situação de rua, através da doação de colchões e alimentos. As ações estão sendo realizadas nas comunidades pertencentes à paróquia e também em cidades vizinhas. Para o Diácono Mauro Alves da Costa, o trabalho é parte do ser cristão: é preciso se deixar impulsionar pela serenidade e misericórdia e ir ao encontro dessas pessoas. “Este trabalho é desafiador, mas não podemos nos omitir. Afinal de contas fomos chamados por Deus para dar a vida uns pelos outros, a exemplo de Jesus na cruz”, completa o diácono. Toda e qualquer ação de solidariedade é bem-vinda neste momento de isolamento social, seja através de doações ou voluntariado. Se você deseja ajudar, entre em contato com a Ação Social da sua paróquia ou as entidades presentes na sua cidade. Foto: Ação Social/Paróquia São Virgílio

Ação Social da Paróquia São Virgílio, em Nova Trento, doa colchões a pessoas em situação de rua.

Instituto Pe. Vilson Groh, em Florianópolis está realizando uma campanha para distribuir alimentos em comunidades carentes.


Evangelização

Jornal da Arquidiocese, ABRIL DE 2020

Seminaristas lançam roteiro de oração para Semana Santa Foto: Fabíola Goulart/ArquiFloripa

É possível fazer o download do roteiro no site da Arquidiocese, junto com outros materiais.

Os seminaristas da etapa da Configuração/Teologia da Arquidiocese de Florianópolis e da Diocese de Tubarão, do Seminário Convívio Emaús, lançaram uma campanha de oração para auxiliar os fiéis que estão em quarentena a viver intensamente o Tempo Quaresmal e a Semana Santa. Foram lançados três vídeos que contemplam orações simples e profundas, além de um roteiro de oração para ser realizado no Domingo de Ramos e durante a Semana Santa. No primeiro vídeo lançado, os seminaristas gravaram junto a suas famílias trechos da oração “Eu fico em casa, Senhor”, escrita pelo bispo da diocese italiana de Nocera, Dom José Giudice. A oração quer levar os fiéis a refletirem sobre a importância de permanecer em casa neste tempo de reclusão. Cada estrofe da oração contempla a beleza e a importância de pequenos jeitos do dia-a-dia e como eles podem salvar vidas. A segunda etapa da campanha de oração aconteceu no dia da Solenidade da Anunciação do Senhor, quando os seminaristas lançaram o vídeo com a oração do ngelus. Esta oração quer honrar a Encarnação de Jesus e reconhecer a importância do sim da

Virgem Maria. E no quinto domingo da Quaresma foi lançado o último vídeo da campanha, com a oração “A única coisa necessária”, do Cardeal José Tolentino Mendonça. A oração reflete o conselho dado por Jesus a Marta, quando esteve em Bethânia. Ele lhe disse: “uma só coisa é necessária”, fazendo com que ela percebesse que a presença de Deus basta para que tudo vá bem. Com o intuito de levar para os fiéis momentos de intensa oração, foi lançado junto com os vídeos o roteiro de oração e meditação para o Domingo de Ramos e a Semana Santa. O Reitor do Seminário Convívio Emaús, Pe. Vanio da Silva, explica que “a quarentena que estamos vivendo reforça o chamado da Quaresma para orarmos com mais intensidade. Nosso seminário preparou este roteiro de oração e meditação com muito amor. Todo esse material é muito simples, mas queremos ajudar na oração de tantos que neste momento estão em isolamento social”. Todo o material da campanha de oração, vídeos e roteiro de oração e meditação para o Domingo de Ramos e Semana Santa, estão disponíveis no site da Arquidiocese de Florianópolis, através do site www.arquifl n.org.br.

Seminaristas envolveram suas famílias na gravação dos vídeos e agora se preparam para a Semana Santa.

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Geral

Jornal da Arquidiocese, ABRIL DE 2020

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Encontros do processo de Iniciação à Vida Cristã prosseguem junto às famílias

Fotos: Paróquia S^^

ao João Bosco

Suspensão dos encontros não desanimou catequizandos em seu caminho no seguimento de Jesus.

Os encontros de catequese da Iniciação à Vida Cristã na Arquidiocese de Florianópolis foram suspensos por conta da pandemia do coronavírus. Para preservar os catequizandos e suas famílias do contágio do vírus, a Coordenação de Catequese da Arquidiocese, juntamente com os catequistas das paróquias, assumiram a atitude de prosseguir com os encontros, agora feitos através dos meios de comunicação digitais. Em quase todas as paróquias, é possível perceber o esforço em manter a continuidade dos encontros e não deixar esmorecer a compreensão e a prática do seguimento de Jesus Cristo. Um exemplo é a Paróquia São João Bosco, de Itajaí, que durante a quarentena aderiu ao mundo digital para a evangelização dos seus grupos de IVC. Os catequizandos recebem orientações dos catequistas via whatsApp, para que façam os encontros, chamando atenção, sobretudo, à leitura da Palavra de Deus e ao que é solicitado para a sua reflexão junto com seus pais ou responsáveis. Criatividade e proximidade Alguns catequistas também estimulam a fazer as atividades previstas no itinerário, tendo pre-

sentes os símbolos, sobretudo os que acompanham o ano litúrgico. Os itinerários, neste momento, chamam atenção ao tempo quaresmal e, logo após, à celebração da Páscoa. Ir. Florinda, da Paróquia de Santo Amaro fala com entusiasmo sobre como os catequistas têm ajudado os seus catequizandos com suas famílias neste processo. Mesmo aos que têm dificuldades de internet, um recado é passado via telefone. O Pe. Enri Clemente, sdb, pároco da Paróquia São João Bosco, comenta: “Apesar do momento de isolamento social devido ao coronavírus, não podemos perder nossos momentos de fé e de evangelização. Esse trabalho a distância também dá mais esperança a todos para superar essa situação”. Segundo a coordenadora do Serviço de Animação Bíblico-Catequético da Arquidiocese de Florianópolis, Ir. Marlene Bertoldi, a Iniciação à Vida Cristã propõe um caminho de fé feito de maneira processual que necessita de esforço e perseverança. Para isso, este processo precisa ser alimentado pela oração, leitura da Palavra, celebrações. “Não é um caminho que acaba com o sacramento, isto é, apenas ocasional. Chamamos

de itinerário porque visa uma continuidade permanente. A Iniciação à Vida Cristã vivida e acompanhada em família nos dá a certeza de que a fé tem bons alicerces”, acrescenta. As famílias, que são igrejas domésticas, têm um papel importante neste processo do despertar da fé, não por mera tradição, mas por livre escolha. “A convicção e adesão a Jesus se dá através do testemunho, e neste tempo de reclusão os pais e responsáveis são convocados a estar junto das crianças, adolescentes e jovens para mostrar-lhes o verdadeiro sentido da fé através da realização dos encontros de catequese”, completa Ir. Marlene. Os encontros retornarão à normalidade quando houver a autorização dos órgãos responsáveis, contudo o testemunho que as famílias dão as suas crianças, adolescentes e jovens será inesquecível. Há também a preocupação com o adiamento das celebrações de Primeira Comunhão e da Confirmação que seriam realizadas no período pascal. Neste ponto, Irmã Marlene tranquiliza as famílias, pois assim que a situação estiver normalizada novas datas serão marcadas.


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