Page 1

Jornal da

Comunidade

arquidioceselondrina.com.br

Ano 29

nº 337

MAIO de 2018

JORNAL DA ARQUIDIOCESE DE LONDRINA

desde 1989

DIA DAS MÃES

Do alto da cruz, Jesus dá-nos uma mãe. Maria, mãe de Deus e mãe dos homens. Pág. 11

SMP

Decanatos Sertanópolis, Porecatu e Centro realizaram as Semanas Missionárias. Pág. 6

REDE

Grupo de jovens de Londrina assume a missão de ser “pescadores de homens”. Pág 15

CATEQUESE

Iniciação à Vida Cristã: caminho de levar e de conduzir as pessoas a um contato vivo e pessoal com Jesus Cristo. Pág. 14

ENTREVISTA

Neste mês do trabalho, irmã Inês Facioli analisa a situação do mercado de trabalho para imigrantes em Londrina. Pág. 5

FAKE NEWS E

COMUNICAÇÃO DA VERDADE Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais remete à reflexão sobre o perigo de disseminar as notícias falsas. PÁGs. 8 e 9

Concentração paroquial da Festa da Santíssima Trindade encerra o ano missionário no dia 27 de maio. Pág. 7

Rádio Alvorada completa 54 anos de evangelização por meio das ondas sonoras. PÁG. 9

Catedral de Londrina, reformula ferramentas de comunicação para aperfeiçoar o contato com os paroquianos, a arquidiocese e com a cidade. PÁG. 10


Opinião

Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

EDITORIAL

Comunicar a paz e a verdade O Jornal da Comunidade edição de maio apresenta matérias, testemunhos e mensagens que alimentam a esperança de todos os leitores da Arquidiocese de Londrina. Neste mês celebramos com gratidão e afeto o dia das Mães, por isso destacamos a Maternidade de Maria. Ela soube “transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura” (EG 286). Por isso, pedimos a sua intercessão para que possamos transformar a indiferença na cultura do encontro, da paz e da generosidade. Esse também é um dos objetivos da nova comunicação da Catedral Metropolitana de Londrina, que está sendo aprimorada para fazer com que a Catedral do Coração esteja sempre aberta a tantas pessoas que acompanham pelas redes sociais e internet o seu trabalho de evangelização. Um passo importante na cultura do encontro e da acolhida. Dom Geremias, nosso arcebispo, também destaca o caráter maternal de Maria e de forma específica o da Igreja, Mãe e Mestra. A Igreja que é mãe também é continu-

adora da obra salvífica de Cristo, por isso apresentamos uma bonita reflexão sobre a missão da Igreja neste mundo. Neste mês de maio também celebramos o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais e, como de costume, o papa envia sua mensagem para essa comemoração. Na mensagem deste ano, o Papa Francisco é corajoso e atual ao refletir sobre “fake news e jornalismo da paz”.

Fé na grande solenidade de Pentecostes, confiantes de que o Espírito Santo sustenta e fortalece a comunicação da Arquidiocese de Londrina como grande instrumento na cultura da paz e da verdade O JC apresenta em detalhes essa bonita mensagem do bispo de Roma. O papa indica que o melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum

diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem. O Jornal da Comunidade em harmonia com o Ano Nacional do Laicato apresenta mais um bonito testemunho de leigos que perseveram no seguimento a Jesus, assim como a juventude que celebra o surgimento da REDE na arquidiocese, uma forma criativa de pescar jovens para a Igreja, para Deus. As Santas Missões Populares em nossa arquidiocese continuam gerando frutos e movimentações missionárias nas famílias, pastorais e comunidades. A exemplo da comunidade perfeita, a Santíssima Trindade, neste jornal queremos pedir que nossas comunidades, pastorais e movimentos sejam conduzidos pela sabedoria e força vindas da Trindade Santa. Receba com alegria mais esta edição do JC, cheia de criatividade, testemunho e muita fé. Fé na grande solenidade de Pentecostes, confiantes de que o Espírito Santo sustenta e fortalece a comunicação da Arquidiocese de Londrina como grande instrumento na cultura da paz e da verdade. Boa leitura.

E-MAIL DO LEITOR

Participe do Jornal da Comunidade enviando-nos seu comentário a respeito de nossas matérias ou acontecimentos da Igreja. Sua opinião é muito importante para nós. Para participar, é só encaminhar seu texto, de até 700 caracteres para o e-mail: jcarquidiocese@gmail.com.

ANIVERSÁRIOS NATALÍCIO MÊS DE MAIO 01/05 Pe. Francisco José Navarro SAC; 03/05 Pe. Jorge Pereira de Melo; 05/05 Frei Davi Nogueira Barboza OFMCap; 06/05 Pe. Wendel Perre dos Santos; 10/05 Pe. Isaac Aguiar Luz; 11/05 Pe. Júlio Afonso Rodrigues ISPS; 12/05 Pe. Marcelo Gomes dos Santos; 12/05 Pe. Mauro Batista Pedrinelli; 13/05 Pe. Carlos Shimura ISPS; 13/05 Pe. Guido Valli SJ; 15/05 Pe. Antonio Carlos Golfetti; 20/05 Pe. Josias Romero; 26/05 Pe. Renato Colbert Bertin; 27/05 Pe. Claudinei Ricardo Rosa; 30/05 Pe. Bennelson Silva Barbosa OSJ; ORDENAÇÃO SACERDOTAL 07/05 Pe. Jaime Alonso Botero Gallo; 08/05 Pe. Rayapu Reddy Lingareddy PIME; 14/05 Pe. Dirceu Luiz Fumagalli; 18/05 Pe. Rodrigo Riveira; 22/05 Pe. Caio Márcio Pena Chaves (Opus Dei); 24/05 Pe. Valter Diniz dos Santos; 29/05 Pe. Cláudio Bícego SX;

FOTOS DA COMUNIDADE

ARQUIVO PESSOAL

Retiro do Movimento Equipes de Nossa Senhora, de 20 a 22 de abril na Casa de Encontros Emaús

Quer compartilhar um momento importante da vida em comunidade? Envie-nos sua foto com seu nome e onde ela foi tirada para o e-mail: jcarquidiocese@gmail.com

CENTRO DE COMUNICAÇÃO ARQUIDIOCESANO Arcebispo: Dom Geremias Steinmetz Jornalista Responsável: Pe. Evandro Delfino: MTB 9746 Edição: Juliana Mastelini: MTB 10063 e Aline Machado Parodi,

PUBLICAÇÃO MENSAL DA ARQUIDIOCESE DE LONDRINA

DESDE 1989

Equipe Central do JC: Carol Umezu, Célia Guerra, Juliana Mastelini, Pedro Marconi, Waurides Alves, Luciana Maia Hessel e seminarista Caio Matheus Caldeira da Silva Projeto Gráfico: Mazz Propaganda Fotografia: Carol Umezu

PASTORAL DA COMUNICAÇÃO | PASCOM Assessor Eclesiástico: Padre Dirceu Júnior dos Reis Coordenadora: Patrícia Caldana Secretário: Tiago Queiroz Email: pascom@arquidicoeselondrina.com.br Telefone: (43) 3371-3141 Site: www.arquidioceselondrina.com.br Facebook: @arqlondrina Foto da capa: Osservatore Romano

Tiragem: 8.500 mil unidades Colaboradores: PASCOMs Paroquiais


Jornal da Arquidiocese de Londrina

Desde muito tempo que o mês de maio é conhecido e considerado como o mês de Maria, mês de Nossa Senhora. É um mês temático mas importante para podermos refletir sobre Maria e a Evangelização. Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium o Papa Francisco dedica vários parágrafos a este tema. O sentido que a Exortação Evangelii Gaudium explora da palavra evangelizar ou evangelização, de forma direta, é o de comunicar, isto é, o de fazer saber a todas as pessoas aquilo que foi revelado e que leva a tornar comum a Novidade anunciada, para que ela seja difundida na relação que se torna convívio, que cria vínculo entre as pessoas. A pessoa que evangeliza e aquela que acolhe o anúncio é enriquecida com a força e a eficácia do Evangelho. Evangelizar comunicando é, portanto, estabelecer entendimento, troca de valores e experiências, manter o diálogo, ligar o que está desligado, unir o que está dividido. A iconografia cristã apresenta o jeito que Maria tem de evangelizar. Ela é apresentada no centro da reunião dos Apóstolos, aguardando o Espírito Santo no dia de Pentecostes. A exortação chega a dizer que era Maria quem os reunia para a oração, o que tornou possível a explosão missionária que criou a Igreja de Jesus Cristo. Sem a atuação de Maria nessa explosão missionária, não se pode compreender o espírito da nova evangelização. No documento Marialis Cultus, Paulo VI diz que: por isso ela é a mulher evangelizadora que atinge o ponto alto da Nova Evangelização ao pé da cruz, quando sua participação ao Mistério Pascal adquire uma dimensão universal (cf. MC 37). Ela é transformadora de situações complexas. Em Belém, Maria consegue fazer de um curral doméstico de animais uma casa acolhedora para o seu filho. Na Evangelii Gaudium, o Papa Francisco diz que, com uns pobres

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

Palavra do Pastor

Maio - mês de NOSSA SENHORA DIVULGAÇÃO

paninhos e uma montanha de ternura, Maria transborda de alegria no louvor. O nascimento que a mulher de Nazaré nos traz dá forma humana à ação do Espírito de Deus. Aqui está a revelação plena do Deus de Israel. Jesus não nasce do querer da carne, nem do querer humano (cf. Jo 1,13). Nasce do querer de Deus, de um Deus Comunidade de amor. Maria também evangeliza pela atenção às necessidades humanas. Apresenta-se como evangelizadora que se aproxima de nós, para nos acompanhar ao longo da vida, abrindo os corações à fé com seu afeto materno. Como verdadeira mãe, caminha conosco e aproxima-nos, incessantemente, de todas as necessidades humanas e espirituais de cada pessoa. O evangelista João nos relata que, em Caná da Galileia, Maria prepara uma festa de casamento e participa dessa festa, que ficou conhecida como “as bodas de Caná”. Nela Maria vai não só para divertir-se, mas para ajudar as outras mulheres a preparar a festa. O Evangelho de João assim relata: “... houve um casamento em Caná da Galileia e a Mãe de Jesus estava lá”. O Papa Francisco afirma que “há um estilo mariano de evangelizar dentro e fora da Igreja. Sim, porque sempre que olhamos para Maria voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. Nela, vemos que a humildade e aternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam maltratar os outros para se sentirem importantes (EG 288). Que ela nos ajude a sermos evangelizadores segundo o seu coração e a sua pedagogia.

DOM GEREMIAS STEINMETZ Arcebispo de Londrina


Artigos

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

COLUNA

Jornal da Arquidiocese de Londrina

ANO DO LAICATO

O trabalho do homem como continuação da obra salvífica de Deus PADRE PAULO BRINCAT PARÓQUIA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS, DECANATO CENTRO A América Latina está evidentemente sob o signo da transformação e do desenvolvimento. Transformação que, além de produzir-se com uma rapidez extraordinária, atinge todos os níveis do homem, desde o econômico até o religioso. Nesta transformação, por trás da qual se anuncia o desejo de passar de condições menos humanas para condições plenamente humanas e de integrar toda a escala de valores temporais na visão global da fé cristã, tomamos consciência da vocação original do nosso continente: de unir em uma síntese nova e genial o antigo e o moderno, o espiritual e o temporal, o que outros nos legaram e a nossa própria originalidade. O mesmo Deus que criou o homem à sua imagem e semelhança criou a Terra e tudo o que nela existe para uso de todos os homens e de todos os povos, de modo que os bens criados possam bastar a todos da maneira mais justa e do poder do homem para que solidariamente transforme e aperfeiçoe o mundo. É o mesmo Deus que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para que, feito carne, venha libertar todos os homens das escravidões a que o pecado os sujeita. Para nossa verdadeira libertação, todos os homens necessitam de uma profunda conversão, para que chegue a nós o Reino de justiça, de amor e de paz. A originalidade da mensagem cristã não consiste tanto na afirmação da necessidade de uma mudança de estruturas quanto na insistência que devemos pôr na conversão do homem. Não teremos um continente novo sem novas e renovadas estruturas, mas, sobretudo, não haverá continente novo sem homens novos que à luz do Evangelho saibam ser verdadeiramente livres e responsáveis. Somente à luz de Cristo se esclarece o mistério do homem. Sem essa luz,

toda obra divina na história da salvação é uma ação de promoção e de libertação humana que tem como único objeto o amor. O homem é criado em Cristo Jesus, feito nEle criatura nova. Pela fé e pelo batismo, o homem é transformado, cheio do dom do Espírito, com um dinamismo novo, não de egoísmo, mas de amor que o leva a buscar uma nova relação mais profunda com Deus, com os homens seus irmãos e com as coisas. Assim é que a Igreja quer servir ao mundo, irradiando sobre ele uma luz e uma vida que cura e eleva a dignidade da pessoa humana, consolida a unidade da sociedade e dá um sentido mais profundo de toda a atividade dos homens. Certamente, para a Igreja, a plenitude e a perfeição da vocação humana se alcança com a inserção definitiva de cada homem na Páscoa ou triunfo de Cristo. Porém, a esperança de tal realização definitiva, antes de adormecer, deve avivar a preocupação de aperfeiçoar esta terra onde cresce o corpo da nova família humana. Não confundimos progresso temporal com Reino de Cristo; entretanto, o primeiro enquanto pode contribuir a ordenar melhor a sociedade humana, interessa em grande medida ao Reino de Deus. A busca cristã da justiça é uma exigência do ensinamento bíblico. Todos os homens são apenas humildes administradores dos bens. Na busca da salvação devemos evitar o dualismo que separa as tarefas temporais da santificação. A salvação é oferecida a todos os homens, como dom da graça e da misericórdia do mesmo Deus, por causa de Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado. Não é uma salvação limitada às necessidades materiais, que se exauriu no âmbito da existência temporal e se identifica com as aspirações, as esperanças, as diligências e os combates temporais. Mas é uma salvação que ultrapassa todos estes limites, para vir a ter a sua plena realização numa comunhão com o único Absoluto, que é Deus.

Apostolado do leigo no Movimento de Schoenstatt EDSON E ROSANGELA PIERALISI INSTITUTO DE FAMÍLIAS DE SCHOENSTATT No encontro pessoal com Jesus se decide a vida de uma pessoa. Todo apostolado quer partilhar a alegria deste encontro, este um só coração. Assim é o apostolado dos leigos no Movimento de Schoenstatt. Querem forjar história em Aliança com Maria, levando este Amor de Deus em seu ser e em seu atuar, em todo tempo e em qualquer espaço. Este amor... é como um “fogo escondido” que é despertado e alimentado na vida dos diferentes grupos dos diferentes ramos: famílias, jovens – adolescentes - crianças, homens e mulheres solteiros, peregrinos (além das comunidades religiosas como os padres e irmãs). Este amor... pode ser descoberto no “ser” de cada leigo schoenstattiano, que se empenha por ser uma personalidade firme, livre, apostólica, e assim ser “um homem/ mulher novo para uma nova comunidade”. Este amor... pode ser encontrado nas muitas “atividades” apostólicas, como na participação das pastorais em nossas paróquias, nas mães que são verdadeiros anjos para muitos doentes, nos jovens que se doam no Projeto Sabão, nas Missões Familiares, no acolhimento aos peregrinos no Santuário da Mãe e Rainha, na formação e educação de pessoas e famílias, entre outros. Este amor... pode ser visto no leigo schoenstattiano “João Luiz Pozzobom”, pai de família, esposo dedicado, comerciante honesto, homem simples e íntegro, grande coração, que disse sim à missão da Campanha da Mãe Peregrina. Este mesmo amor que hoje move os missionários da Mãe Peregrina em todo o mundo. Este amor... é presente e está presente em cada família schoenstattiana, que com as graças de seu Santuário-Lar e no exemplo da Família de Nazaré, está renovando a sociedade e o mundo ao se empenhar com todas suas forças para ser uma família santa, sadia e que cresce fortemente. Este amor... Maria nos presenteia em seu Santuário de Graças, de forma muito especial, acolhendo-nos, transformando-nos e fazendo fecundo nosso apostolado!


Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

Entrevista

Os desafios dos migrantes que chegam ao Brasil LUCIANA MAIA HESSEL PASCOM ARQUIDIOCESANA A questão é complexa e em todo o mundo exige políticas públicas, assistência pastoral, sociojurídica e humanitária para favorecer a integração social e o respeito à dignidade humana de migrantes e refugiados. De acordo com o Instituto Migrações e Direitos Humanos (www.migrante.org.br), o Paraná recebeu nos últimos anos uma nova onda de migrantes em busca de melhores oportunidades. São grupos formados por latino-americanos, haitianos e também de países como Guiné-Bissau e Nigéria. No Brasil, estima-se que sejam mais de 40 mil haitianos e, destes, aproximadamente 10% encontram-se em território paranaense. A Irmã Inês Facioli, missionária scalabriniana e assessora junto à Arquidiocese de Londrina da Pastoral do Migrante, fala da questão da migração local. Desde 1977, ela realiza o trabalho de acolher, orientar, acompanhar e dar suporte aos estrangeiros que chegam ao país, e, há um ano e oito meses, na Arquidiocese de Londrina. O trabalho é realizado em parceria com a Cáritas, que auxilia na preparação dos documentos dos imigrantes para encaminhamento junto à Polícia Federal. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2016, Paraná era o terceiro Estado com maior número de migrantes, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. Em alusão ao Dia do Trabalho, que tem passado por inúmeras reformas e mudanças nas leis e condições trabalhistas, a missionária conta um pouco dessa ação pastoral e os muitos desafios dessa população que cada vez mais desembarca no Brasil e mundo afora. JC: De que países e quem são os imigrantes que chegam hoje à região de Londrina? Irmã Inês: Em Londrina há uma mistura entre Senegal, Moçambique, Angola, Haiti, Colômbia, Venezuela, Bolívia e Paraguai. Em Cambé, sobretudo do Haiti e, em Rolândia, Benga-

Pastoral do Migrante assessora e encaminha os estrangeiros para o mercado de trabalho TIAGO QUEIROZ

Desde 1977, irmã Inês Facioli realiza o trabalho de acolher, orientar, acompanhar e dar suporte aos estrangeiros que chegam ao país

la e Haiti. Desde 2011, a estimativa é de que recebemos cerca de 3 mil imigrantes, em sua maioria homens entre 21 e 55 anos, evangélicos (os bengaleses são muçulmanos), com média ou baixa escolaridade. E alguns bem qualificados com diploma superior que necessita de validação para atuar aqui, mas custa caro. Os haitianos, que tem visto humanitário, começaram a chegar fugindo da guerra civil e após o terremoto de 2010. A partir de 2016, já estabelecidos, trouxeram mulheres e filhos. Os imigrantes do Mercosul se valem de acordo para a América do Sul

e os demais são refugiados. JC: Como é feita a acolhida dessas pessoas? Qual o trabalho inicial? Irmã Inês: Os imigrantes se agrupam por parentesco ou região do país de origem e nos procuram por meio do boca a boca. A Pastoral do Migrante também está presente em algumas paróquias que colaboram com o trabalho, assim como os Vicentinos que atuam principalmente no Jardim Ana Rosa e Tupi, em Cambé. Fazemos uma lista dos recém-chegados e identificamos lideranças para serem

PASTORAL DO MIGRANTE A Pastoral do Migrante funciona no Centro de Pastoral Jesus Bom Pastor, na rua Dom Bosco, 145 - Dom Bosco, em Londrina. No site do Departamento de Recursos Humanos e Cidadania – DEDIHC, do governo do Paraná, há dados e informações sobre a política migratória, inclusive um guia de contatos para migrantes e refugiados no Estado do Paraná. O CEIM (Centro Estadual de Informação para Migrantes, Refugiados e Apátridas do Estado do Paraná) também publicou um relatório de atividades 20162017 que traz informações sobre os serviços prestados e dados analíticos da migração no Estado que está disponível no site http://www.dedihc.pr.gov.br

ponte e canal de comunicação, providenciamos aulas de português e conversas periódicas para informação e orientação de grupos que se concentram em Cambé, por exemplo, no Centro e Ana Rosa. É uma questão de intercâmbio, não é assistencialismo, mas a pastoral assiste nas emergências, como uma vez que atendi uma mãe necessitada de um botijão de gás para cozinhar. Às vezes, temos de tirar do bolso. A Prefeitura de Londrina também mantém um cadastro no CRAS (Centro de Referência e Assistência Social) por onde os imigrantes recebem alimentos e cesta básica. JC: Como tem sido o mercado de trabalho para essa população? Quais áreas empregam? Irmã Inês: Passada a maior dificuldade inicial, as empresas se interessam pouco a pouco. Alguns se queixam quando vão entregar currículo e são informados que aquela empresa não contrata estrangeiros. Há de cuidar também com a exploração e más condições de trabalho as quais podem ser expostos. Muitos acabam migrando para outros estados, como São Paulo e

Santa Catarina, após seis meses sem trabalho. Outros, que há dois anos estavam empregados, com a crise agora estão desocupados aguardando se firmar para trazer a família. Os setores que mais têm absorvido essa mão de obra são frigoríficos, construção civil, serviços gerais e operacional. A indústria frigorífica, que é forte na região, tem absorvido boa parte dos haitianos que são bem elogiados por sua dedicação e responsabilidade no trabalho. Pela satisfação com esses funcionários, já houve casos de nos contatarem pedindo mais indicações. No ramo da construção, o Instituto de Construção de Londrina recentemente realizou palestra sobre as atividades de pedreiro, servente, eletricista e promoverá a partir de maio curso de capacitação para um grupo apadrinhado pelas paróquias. Para as mulheres têm sido mais difícil encontrar trabalho. De modo geral, estão aptas a realizar serviços gerais, auxiliar de cozinha e enfermagem, limpeza, costura, vendedora em feira (atividade do país de origem dificultada aqui pela língua) e cabeleireiras de penteados afro. JC: Como as empresas interessadas em empregar imigrantes podem fazer? Que mensagem a senhora deixa sobre a migração? Irmã Inês: Nós oferecemos indicação às empresas interessadas através de um modesto banco de currículos. Cabe à empresa o processo de seleção. Penso que seria importante, a exemplo do que já ocorre com Pessoas com Deficiência (PCD), que as empresas reservassem uma vaga para os estrangeiros. Já ajudaria porque essa é uma realidade sem volta em nossa sociedade e tende a crescer. Eles amam o Brasil, querem trazer a família. São motivados, querem estudar, fazer curso técnico, faculdade. O Paraná é a região de acolhida e certamente devemos dar chance para que essas pessoas melhorem de vida, mesmo porque nós brasileiros também somos estrangeiros em outros países e gostamos de ser bem recebidos.


SMP

Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

Três Decanatos saem em missão TIAGO QUEIROZ

Sertanópolis, Porecatu e Centro realizaram, em abril, as Semanas Missionárias ALINE MACHADO PARODI PASCOM ARQUIDIOCESANA Abril ficou marcado na história dos Decanatos Centro, Sertanópolis e Porecatu em função das Semanas Missionárias (SM) em suas paróquias. A abertura da SM em Porecatu ocorreu no dia 8 de abril, com uma missa de envio celebrada pelo arcebispo, dom Geremias Steinmetz, na Paróquia Nossa Senhora das Graças. A programação foi intensa com destaque para as visitas missionárias. No Decanato Centro, a Semana Missionária foi realizada de 15 a 21 de abril. Além da intensa agenda de ativi-

dades organizadas pelas paróquias, houve duas atividades em conjuntos: debate sobre a violência e a celebração de encerramento. O dia 18 de abril foi dedicado à Paz. A Catedral Metropolitana de Londrina promoveu um grande abraço à Catedral em clima de oração, esperança e alegria. Um ato de grande significado, pedindo a Paz para os ambientes que rodeiam a Catedral entre eles o Bosque e a Praça das Bandeiras. Um pedido a São Francisco de Assis para que nos ajude na missão de superar a violência em nossa cidade e nos torne responsáveis pela construção de ambientes pacíficos.

Abertura da Semana Missionária do Decanato Porecatu ocorreu na Paróquia Nossa Senhora das Graças

A elevação do Cruzeiro foi o ponto alto do encerramento da Semana Missionária, na Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos. A cruz foi carregada pelos jovens e adolescentes da comunidade e colocada na praça São Vicente Palotti, que fica ao lado

GUTO HONJO

A Catedral Metropolitana de Londrina promoveu um grande abraço à Catedral em clima de oração, esperança e alegria

da igreja. Durante a semana, a comunidade saiu em missão, visitando os enfermos, os moradores dos setores missionários, o comércio, pastoreando as pessoas que estavam mais afastadas. Sendo bons pastores, conduzindo as ovelhas que ainda ALINE MACHADO PARODI

Os jovens da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos carregaram o cruzeiro

ENCONTRO ARQUIDIOCESANO DEFINE PRIORIDADES DAS SMP

Foi realizado no dia 4 de abril, o Encontro arquidiocesano dos três objetivos das SMPs (Santas Missões Populares). Participaram os coordenadores paroquiais dos três objetivos, com o intuito de clarear e definir as prioridades em vista das missões permanentes. Os objetivos são: pessoal, dar sentido verdadeiro à vida; eclesial, paróquia Rede Unida de Comunidades Missionárias; e ecológico, vida e cidadania para todos.

não fazem parte do rebanho. “Temos muita gente que precisa ser bom pastor”, disse o vigário da paróquia, padre Pedro Ramos de Faria, SAC. “Ficamos muito dentro da paróquia e não saímos muito para fora, não conhecemos muito a realidade da igreja. Com a Semana Missionária e as visitas pudemos conhecer a realidade do pessoal mais velho, que não vive a nossa realidade”, comentou Gabriel Ângelo Dal Pozzo Ferreira, do Grupo de Oração de Adolescentes Raio de Luz. Isabela Torquato, do Grupo de Jovens Arcanjos de Maria, afirmou que as visitas foram momentos para plantar uma semente no coração de quem está afastado do amor de Deus.

COMIDI PARTICIPA DE FORMAÇÃO

A Comissão Missionária Diocesana (Comidi) da Arquidiocese de Londrina participou, no dia 15 de abril, de uma formação realizada pelo Comissão Missionária Provincial. A formação foi assessorada pelo coordenador regional das missões, Odaril José da Rosa. Pela primeira vez, após anos de dificuldades, a Comissão Missionária da Arquidiocese consegue se estabelecer como uma força viva e atuante dentro do processo de evangelização.

DAIANE PEREIRA FRANCISCO

ARQUIVO PESSOAL

REUNIÃO COM OS FORMADORES

Ocorreu no dia 7 de abril, no Centro Pastoral, o Encontro Arquidiocesano dos Formadores das Santas Missões Populares (SMP.) Participaram os formadores paroquiais, de espiritualidade e de Bíblia, em vista da preparação para a Festa da Santíssima Trindade que, neste ano, refletirá sobre o encerramento do Ano Missionário, o qual lança as luzes às missões permanentes.

Membros do Comidi reunidos


Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

Celebração

Em perfeita unidade Festa da Santíssima Trindade celebra a conclusão do Ano Missionário e ressalta protagonismo do leigo no processo evangelizador: ‘Sal da Terra e luz do mundo’ WAURIDES ALVES PASCOM ARQUIDIOCESANA No domingo depois do Pentecostes, 27 de maio, a Igreja celebra a Santíssima Trindade, unidade perfeita entre Pai, Filho e Espírito Santo que nos mostra como devemos viver em comunidade. Por isso, esta é uma grande celebração para os Grupos Bíblicos de Reflexão na arquidiocese. Neste ano a festa será em nível paroquial e vai lançar luzes sobre a Missão Permanente. A festa visa promover, animar e fortalecer os Grupos Bíblicos de Reflexão (GBRs) e os ministérios e carismas da arquidiocese. A festa da Santíssima Trindade faz parte do ano litúrgico e ocorre sempre no domingo após Pentecostes. Deus se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo, o mistério central da fé e da vida cristã revelado por Jesus. “A

Santíssima Trindade é a perfeita comunidade, o grande mistério de comunhão e amor, do qual as comunidades devem ser um reflexo”, explica o coordenador da Ação Evangelizadora, padre Evandro Delfino. Por isso, todos os anos, no domingo da Santíssima Trindade, os fiéis se reúnem para celebrar a unidade. O padre destaca que é costume realizar a concentração alternando-se: em nível paroquial, decanal e arquidiocesano, este último chamado de Festa do Povo de Deus. Em 2017, a festa foi em nível decanal, o que indicaria que em 2018 a festa seria arquidiocesana. Porém, “considerando que estamos vivendo o Ano do Laicato, decidiu-se por se realizar uma grande concentração arquidiocesana para celebrar o encerramento do Ano do Leigo, na Soleni-

dade de Cristo Rei, em novembro”, explica. “Achou-se melhor também não realizar grandes encontros um próximo do outro. Afinal, inicialmente estavam marcadas a Festa do Povo de Deus em maio e o quarto retiro arquidiocesano das Santas Missões Populares, em julho”, explica.

A Santíssima Trindade é a perfeita comunidade, o grande mistério de comunhão e amor, do qual as comunidades devem ser um reflexo”

Dogma da Santíssima Trindade O Dogma da Santíssima Trindade foi definido em duas etapas: no primeiro Concílio de Niceia (ano 325) e no primeiro Concílio de Constantinopla (ano 381). O dogma é descrito no Credo Niceno-Constantinopolitano, que rezamos na missa em certas ocasiões. O Concílio de Niceia definiu a divindade do Filho e se escreveu a parte do Credo que fala dEle: “Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de

Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstancial ao Pai…” O Concílio de Constantinopla definiu a divindade do Espírito Santo: “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas.” (Com informações: acidigital.com)

VOCAÇÃO MISSIONÁRIA Neste ano a Festa da Santíssima Trindade tem como tema “Somos todos missionários e missionárias, sujeitos numa Igreja em saída a serviço do Reino”. A mística que orienta a celebração é o texto bíblico do Ano do Laicato: “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5, 13-16). “Sabemos que a existência cristã é uma existência trinitária. A Igreja que brota da trindade é ministerial, ecumênica, solidária e transformadora. Como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica”, explica a coordenadora arquidiocesana dos GBRs, irmã Daiane Pereira Francisco ICP. A característica de missionários é de todo cristão, independente do movimento que participe, destaca a irmã.. “Embora exista diversidade de serviços, todos os cristãos leigos e leigas compartilham da Missão de Jesus na Igreja e no mundo”.

SOLENIDADE

n 27 de maio n Concentração Paroquial n Ação de Graças pelo Ano Missionário e Grupos Bíblicos de Reflexão

TEMA: Somos todos missionários e missionárias, sujeitos numa Igreja em Saída a serviço do Reino. MÍSTICA: Sal da Terra e Luz do mundo (mt 5, 13-16).

Av. Presidente Eurico Gaspar Dutra, 1290 – Conj. Cafezal – Tel (43) 3342-8786 – Londrina Rod. Celso Garcia Cid, 3460 – Jd. Novo Bandeirantes – Tel (43) 3251-3986 – Cambé Av. Joaquim Alves Lima, 389 – Centro – Tel (43) 3661-2995 – Alvorada do Sul

Conforto e qualidade pertinho de você

Av. Nove, 709 – Centro – Tel (43) 3235-1234 – Primeiro de Maio Av. Rio de Janeiro, 1151 – Centro – Tel (43) 3262-3252 – Assaí Av. Independência, 739 – Centro – Bela Vista do Paraíso – Tel (43) 3242-3535


Destaque

Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

O Papa considera os jornalistas guardiões das notícias. Ele ensina sobre a necessidade do cuidado das fontes e veracidade dos fatos, pois informar é também formar e lidar com a vida das pessoas

A verdade vos tornará livres DIVULGAÇÃO CNBB

Dia Mundial das Comunicações Sociais celebrado este mês propõe uma reflexão sobre as fake news ALINE MACHADO PARODI PASCOM ARQUIDIOCESANA Maio é o mês dedicado às comunicações sociais. É o mês de comemorar mais um ano de atividade da Rádio Alvorada. Maio também chega com novidades na forma da Catedral Metropolitana de Londrina se comunicar com os fiéis. Mas, principalmente, é um mês para reflexão sobre o enfrentamento das fakes news – notícias falsas. Como fogo que se espalha em campo seco, elas são disseminadas pelas redes sociais com a velocidade de 4G. Informações inverídicas e frases fora de contexto atribuídas às pessoas públicas ganham ares de verdades absolutas nestes tempos de informação instantânea e superficial.

A comunicação humana recorda o Papa - é uma modalidade essencial de viver a comunhão. Mas se nossos relacionamentos são envenenados, de que comunhão poderíamos viver?”

As fakes news são o tema do 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado no dia 13 de maio: “A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32). Fake news e jornalismo de paz.” Papa Francisco, em sua mensagem pela data, apresenta o perigo e as consequências das fofocas e mentiras, por meio das passagens bíblicas. O Papa diz que a primeira fake news pode ser atribuída à serpente ao ludibriar Eva para comer do fruto proibido (Gn 3,115). O artifício da serpente levou ao pecado original, à morte de Abel (Gn 4, 8) e “outras formas de mal contra Deus, o próximo, a sociedade e a criação”. “A estratégia deste habilidoso “pai da mentira” (Jo 8, 44) é precisamente a mimese, uma rastejante e perigosa sedução que abre caminho no coração do homem com argumentações falsas e aliciantes”, escreveu o pontífice. Em reflexão para o Vatican News sobre a mensagem do Papa, o então prefeito da Secretaria para Comunicação do Vaticano, monsenhor Dario Edoardo Viganó, afirmou que as citações do Santo Padre aos episódios de Caim e Abel têm a intenção de explicar que quando “o homem segue o seu próprio orgulhoso

Dom Devair Araújo da Fonseca, membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação Social da CNBB: É preciso fazer uma reflexão da origem da notícia recebida

egoísmo, também pode fazer um uso distorcido da faculdade de comunicar”. “A comunicação humana - recorda o Papa - é uma modalidade essencial de viver a comunhão. Mas se nossos relacionamentos são envenenados, de que comunhão poderíamos viver?”, questionou o monsenhor. Viganó lembrou que as notí-

São notícias com sabor de verdade, mas de fato infundadas, parciais, ou até mesmo falsas. Nas fake news o problema não é a não veracidade, que é muito evidente, mas a verossimilhança.”

cias falsas “são um dos elementos que envenenam as relações. São notícias com sabor de verdade, mas de fato infundados, parciais, ou até mesmo falsas. Nas fake news o problema não é a não veracidade, que é muito evidente, mas a verossimilhança.” “É difícil reconhecer as fake news porque têm uma fisionomia mimética: é a dinâmica do mal que sempre se apresenta como um bem facilmente alcançável”, disse Viganó. Ele ressaltou o papel das redes sociais na iniciação e propagação, que, unidos a um uso manipulador, acabam levando a formas de intolerância e ódio. ENFRENTAMENTO A comunicação sempre foi um instrumento evangelizador, mas que neste de tempo de in-

formação instantânea enfrenta o desafio de desmistificar as opiniões subjetivas apresentadas como ‘verdades absolutas’. “Hoje em dia se tem grande acesso a informação, praticamente para qualquer tema ou assunto se encontram informações e opiniões. Mas a questão é saber se essas informações são verdadeiras e como podem ajudar na formação da opinião e nas decisões das pessoas. Esse é um grande desafio”, disse dom Devair Araújo da Fonseca, bispo auxiliar de São Paulo e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação Social da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O enfrentamento das fakes news, na avaliação do bispo, passa por uma reflexão sobre a origem das informações recebidas. “É preciso desconfiar de notícias que vêm com as exigências para serem amplamente divulgadas, que apelam para a autoridade de alguém, dizendo que tal pessoa falou isso ou aquilo, notícias que trazem conteúdo “miraculoso” ou estranho. É preciso sempre checar e conhecer a fonte da notícia”, alertou o bispo. Para marcar o Dia Mundial das Comunicações Sociais a CNBB propõe o estudo e a reflexão da mensagem do Papa Francisco como forma de incentivar o trabalho dos agentes da Pastoral da Comunicação. (Com informações do Vatican News)


Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018 FOTOS: ARQUIVO RÁDIO ALVORADA

Mensagem do Papa Francisco para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais Queridos irmãos e irmãs! No projeto de Deus, a comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão. Imagem e semelhança do Criador, o ser humano é capaz de expressar e compartilhar o verdadeiro, o bom e o belo. É capaz de narrar a sua própria experiência e o mundo, construindo assim a memória e a compreensão dos acontecimentos. Mas, se orgulhosamente seguir o seu egoísmo, o homem pode usar de modo distorcido a própria faculdade de comunicar, como atestam, já nos primórdios, os episódios bíblicos dos irmãos Caim e Abel e da Torre de Babel (cf. Gn 4, 1-16; 11, 1-9). Sintoma típico de tal distorção é a alteração da verdade, tanto no plano individual como no coletivo. Se, pelo contrário, se mantiver fiel ao projeto de Deus, a comunicação torna-se lugar para exprimir a própria responsabilidade na busca da verdade e na construção do bem. Hoje, no contexto de uma comunicação cada vez mais rápida e dentro de um sistema digital, assistimos ao fenômeno das “notícias fals a s ”, a s c h a m a d a s f a ke news: isto convida-nos a refletir, sugerindo-me dedicar esta Mensagem ao tema da verdade, como, aliás, já mais vezes o fizeram os meus predecessores a começar por Paulo VI (cf. Mensagem de 1972: “Os instrumentos de comunicação social ao serviço da Verdade”). Gostaria, assim, de contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade. Leia a mensagem completa acessando o QRcode

Destaque

A rádio da família A propagação das fakes news é a nova forma de desrespeitar o mandamento de Deus: “Não levantais falso testemunho”. Para o padre Romão Antonio Martini Martins, diretor administrativo da Rádio Alvorada, é anticristão a distribuição de vídeos e áudios com conteúdos duvidosos. “Há muita coisa, por exemplo, ligada ao Papa. Algumas boas, mas outras ruins”, lembrou o padre. A qualidade da informação é uma das preocupações diárias da Rádio Alvorada, que no dia 1 de maio, completou 54 anos no ar. A emissora foi inaugurada oficialmente no dia 18 de abril de 1964, mas a programação entrou no ar no dia 1 de maio. A rádio da família, slogan da emissora, foi idealizada pelo primeiro arcebispo de Londrina, dom Geraldo Fernandes. Ao longo destas cinco décadas, a rádio vem ampliando o alcance da mensagem de Jesus Cristo. “Dom Albano (arcebispo emérito de Londrina, dom Albano Cavallin) dizia que a rádio era a ‘catedral no ar’. Ela chega aonde não chegamos pela igreja. Atinge as pessoas que não podem ir à missa. Conheço evangélicos que ouvem a Alvorada”, contou Pe. Romão. A programação conta com noticiário e programas locais e da Rede Católica de Rádio. “Temos ouvintes de longe, mas o nosso objetivo é refletir o rosto do londrinense”, afirmou. A emissora dialoga com as Pascom (Pastoral da Comunicação) Arquidiocesana e paroquiais para a divulgação dos eventos e também faz a cobertura de grandes celebrações como a Semana Santa, festa do Padroeiro, Dia de Nossa Senhora Aparecida. A Alvorada faz parte da história de Londrina e, ao lon-

ALINE MACHADO PARODI

Antonio Godoy comanda o programa “Um novo dia em sua vida” das 8h30 às 12h

go destes 54 anos, desempenha um papel social e evangelizador. “Rádio mudou muito com a evolução da tecnologia. No começo a programação era eclética. Agora, temos segmentos com programação dirigida às famílias. Ela traz entretenimento, evangelização e oração”, disse Antonio Godoy, 67 anos, o locutor mais antigo da Alvorada. Com 50 anos de profissão, Godoy está na sua segunda passagem pelos estúdios da rádio da família. Ficou de 1972 a 1992 e retornou em 2008. Diariamente, ele chega aos lares londrinenses com o programa “Um novo dia em sua vida”. Godoy recorda do papel da emissora como porta-voz e ferramenta de educação da comunidade rural. Ela foi responsável pela alfabetização de adultos e adolescen-

tes, por meio das Escolas Radiofônicas, que chegavam ao meio rural pelas Ondas Tropicais. Também era um canal de comunicação entre os moradores da zona rural. “Recebíamos umas 200, 300 cartas por dia. Servíamos como porta-voz da comunidade”, lembra o locutor. ANTENADOS A emissora acompanha a evolução tecnológica para ampliar o seu trabalho evangelizador. Há cinco anos, o aplicativo da Alvorada permite a sintonia da programação em qualquer lugar. O próximo passo é a migração para a faixa FM. “O governo retomou a liberação da migração de AM para FM. Estamos esperando chegar a nossa vez”, contou Pe. Romão. (A.M.P)


Comunicação

Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

A Catedral do Coração Com uma nova identidade visual, reformulação do site e novas ferramentas de comunicação a Catedral de Londrina quer levar a Palavra de Deus a muitas outras pessoas FOTOS: AD3COM/DIVULGAÇÃO

CELIA GUERRA PASCOM ARQUIDIOCESANA Aperfeiçoar a comunicação da Catedral de Londrina com seus paroquianos, com a Arquidiocese, com a cidade, com quem vem a Londrina e, assim, reforçar a missão da Igreja de levar a Palavra de Deus a todas as pessoas. Em resumo, essa ideia norteou a reestruturação que está sendo implantada nos meios de comunicação utilizados pela igreja, que tem agora uma nova identidade visual: A Catedral do Coração. A necessidade de melhorias na comunicação, segundo padre Dirceu Júnior dos Reis, vigário e responsável pela comunicação na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, foi identificada assim que assumiu a função juntamente com o novo pároco, padre José Rafael Solano Durán. “A comunicação é o principal meio de evangelização e a realidade virtual, as novas tecnologias são importantes instrumentos para esse trabalho”, diz o padre Dirceu. Entre as ações estão a reformulação do site e das redes sociais (Facebook, YouTube, Instagran) e o lançamento de um aplicativo. “O site está mais dinâmico, atrativo, permitindo mais interação entre os pa-

BAIXE JÁ O NOVO

APLICATIVO!

CATEDRAL DO CORAÇÃO

dres e os paroquianos”, diz padre Dirceu. Além das informações básicas de horários de missas e atendimentos, quem entrar no site poderá fazer uma visita virtual à Catedral de Londrina (acesse o site: www.catedrallondrina.com.br). Mas a principal novidade é o logotipo da paróquia, que coloca a Catedral no centro de um coração, sendo abraçada pelo pulsante Sagrado Coração de Jesus, e com ele o slogan “A Catedral do Coração”. “A Catedral é a referência de Londrina, está no coração da cidade, o patrono da paróquia é o Sagrado Coração de Jesus, também o padroeiro da cidade de Londrina”, explica. O novo símbolo, continua o padre, “represen-

ta ainda a igreja como um lugar de acolhida, um ambiente de fé e de esperança”. “Quando você chega em grandes cidades como Milão, Paris, como católico quer saber como se interatuar com toda as igrejas. E a Catedral do Coração quer ser isso. As pessoas que chegam a Londrina podem saber nossos horários, não só missas, atendimentos, mas de todas as atividades que estão aí. Então, que o nosso site seja um veículo de comunicação imediata, que tenham acesso imediato, interagindo conosco e com toda a Arquidiocese de Londrina”, diz o pároco padre Rafael, no vídeo lançado por meio do YouTube, no qual explica as inovações na comunicação da Catedral.

Suporte diário para uma comunicação eficiente “O trabalho da AD3COM Comunicação frente à Catedral de Londrina se dá por meio de um suporte diário em todos os setores de comunicação. A ideia é levar a Palavra, a Boa Nova, notícias, eventos a todas as pessoas sem exceção, nos ambientes on-line e off-line”, diz Anderson Queiroz, diretor da AD3COM, agência responsável pela comunicação da catedral. Pelo site, segundo ele, é possível ainda ao usuário fazer uma doação on-line, participar de uma campanha ou enviar uma mensagem direta aos padres da Catedral. “Algo inédito, ainda não feito em nossa arquidiocese”, garante. “O aplicativo, que também é inédito aqui, tem o mesmo con-

ceito, expor as notícias do dia e dia e também possibilitar toda essa interação.” A ferramenta, por enquanto, está disponível apenas para o sistema Android. Queiroz informa ainda que será iniciado mais uma ação para melhorar a qualidade das transmissões on-line tanto pelo Facebook como pelo YouTube e site. “O investimento será em duas novas câmeras, com qualidade full HD e zoom de até 20x, para a cada dia aumentar ainda mais nossa audiência. Para o próximo ano, já estamos planejando um grande evento que será a 1ª Caminhada e Corrida do Sagrado Coração de Jesus, para marcar o calendário da cidade”, avisa. (C.G.)


Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

Eis aí tua mãe

Maria

FILME PAIXÃO DE CRISTO

Jornal da Arquidiocese de Londrina

Aos pés da cruz, o discípulo João, representando toda a humanidade, acolhe Maria como sua mãe. Ali começa a relação que a mãe de Deus tem com cada cristão: a maternidade espiritual JULIANA MASTELINI PASCOM ARQUIDIOCESANA A mãe amorosa é uma referência importante na vida das pessoas. É com ela que se aprende quase todas as coisas. É a ela que se recorre quando algo não vai bem. Quando se precisa de colo, de conselho. É a mãe que sempre tem as portas da casa e do coração abertas às necessidades do filho, não importa a hora do dia. É assim também com Maria. A Mãe que acolhe, que aconselha, que dá colo, que abre as portas. O papel da Mãe de Deus na vida de cada cristão tem uma característica muito es-pecífica. Ela exerce uma maternidade espiritual. Maria tem uma relação maternal com cada cristão, pois foi o próprio Jesus que entregan-do-a a João, aos pés da cruz, a entrega à toda a Igreja: “Eis aí tua mãe”, (Jo 19, 25-27). “A partir do momento que João a leva para casa começa a ser exercido esse aspecto da ma-ternidade de Maria, não que já não existisse antes, mas agora como um mandato do

pró-prio Cristo. Os santos padres da Igreja, partindo deste texto de João, sempre se referiam a Maria como Mãe e reconheciam nesta relação entre ela e a Igreja uma Maternidade Espi-ritual. O Papa Paulo VI, na apresentação do documento Lumen Gentiun, que dedica o ca-pítulo VIII todo a Maria, durante o Concílio Vaticano II, concede a ela o título de ‘Maria, Mãe da Igreja’, retomando o ensinamento dos santos padres da Igreja”, explica padre Valdomiro Rodrigues da Silva, mestrando em Mariologia e pároco da Paróquia Nossa Senhora da Luz. Ao assumir toda a Igreja representada por João, ela assume a cada um de nós que somos Igreja. Maria nos assume como filhos espirituais. Ao exercer sua maternidade espiritual ela não abandona aqueles que a ela foram confiados. Caminha com seus filhos, acompanha, protege, auxilia. Assim, sua maternidade espiritual tem a finalidade de conduzir seus filhos espirituais ao seu Filho Jesus. “Uma mãe que sus-

tenta na fé, que acompanha na fé, que orienta na fé. Por isso, os cristãos, ao longo do tempo, passaram a olhar para Maria com essa confiança, sabendo que podem contar sempre com ela.” FIDELIDADE Segundo o padre Valdomiro, aos pés da cruz, João representava todos os discípulos que se mantiveram fiéis a Cristo até o fim. “Essa fidelidade do discípulo em relação a Cristo é que faz com que ele também receba aos pés da cruz Maria como mãe. Jesus não quer que seus fiéis e discípulos se sintam só. A partir desse momento, quando João acolhe Ma-ria na sua casa, é a Igreja que acolhe Maria, ao mesmo tempo que Maria acolhe a Igreja. Maria é Mãe de Deus e é também mãe da Igreja”, completa. Por isso, desde a Igreja primi-tiva, os cristãos sempre se voltaram para Maria. “A igreja sempre teve ao longo da sua história essa relação afetiva com a mãe, que começou lá aos pés da cruz”, diz padre Val-domiro.

ORAÇÃO

A primeira oração direcionada a Maria que se tem conhecimento data do século III, chama-se Sub tuum praesidio, À vossa proteção recorremos, ó Santa Mãe de Deus. “Os cristãos sempre usaram dessa certeza de contar com o auxílio de Maria”, conta padre Valdomiro. À VOSSA PROTEÇÃO RECORREMOS

À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrainos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém. MÃE E FILHO Assim que Jesus volta para o Pai, depois de sua morte, ressurreição e ascensão, os após-tolos tomam Maria consigo. “Ao voltar para o Pai, Jesus deixa ela aos

cuidados da Igreja e, ao mesmo tempo, cuidando da Igreja”. Por isso, padre Valdomiro explica que é uma dupla relação: a maternidade espiritual exercida por Maria com relação aos fiéis, e a filiação es-piritual, exercida pelos fiéis com relação a Maria. “A Igreja sempre teve ao longo da sua história essa relação afetiva com a mãe. Se nós olharmos de modo geral toda vida da Igreja, vamos ver que os cristãos sempre recorreram a ela, assim como um filho recorre à mãe, na sua necessidade, quando precisa de colo, quando precisa de uma orientação. Os cristãos vão sempre buscar esse consolo no colo da mãe. Isso não diminui o papel de Deus, ao contrário. A certeza que existe uma mãe no céu, que intercede e que cuida de nós se torna para o cristão um sinal de esperança, forta-leza. O povo sabe que Maria, no céu, intercede por seus filhos no mundo. Sabem que ela não é deusa, mas está junto de Deus e pode recorrer a Ele por nós. Recorre ao seu Filho como fez nas Bodas de Caná (Jo 2).”


Cotidiano

Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

Ser ícone de Cristo Servidor Diáconos permanentes fazem curso na CNBB ARQUIVO PESSOAL

DIÁCONOS MOACYR DORETTO, OSVALDO PECHIM Pela primeira vez a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) organizou uma formação específica direcionada a diáconos permanentes. Entre os dias 2 a 6 de abril foi realizada a “1ª Semana de Formação para Diáconos Permanentes”, no Centro Cultural Missionário, da CNBB, em Brasília (DF). A formação girou em torno da reflexão sobre o significado da pessoa do diácono permanente em vista da missão que lhe foi confiada de “ser ícone de Cristo-Servidor”, identidade profunda do diácono (Doc. 74 CNBB, nº 39), em uma Igreja missionária. No total, 27 diáconos de 20 dioceses diferentes participaram da formação. A Arquidiocese de Londrina foi representada pelos diáconos

A formação refletiu o significado da missão do diácono de ser ícone de Cristo-Servidor em uma Igreja missionária

Osvaldo Pechim (Coordenador da Comissão Arquidiocesana dos Diáconos), e Moacyr Doretto (Diretor Presidente da Escola Diaconal Santo Estevão).

CONTEÚDO A formação abrangeu os fundamentos teológicos da diaconia ao longo da história. Também ofereceu elementos para que os diáconos

possam exercer bem a sua missão de servir com alegria o anúncio do evangelho nas periferias geográficas, sociais e existenciais. Os participantes puderam identificar

como a Missão se organiza na Igreja do Brasil e também como os diáconos podem ser colaboradores no crescimento de uma verdadeira cultura da Missão.

Formação dos aspirantes ao diaconato na Escola Diaconal Santo Estevão A Escola Diaconal Santo Estevão da Arquidiocese de Londrina está dando continuidade à formação dos 22 aspirantes ao diaconado permanente, oriundos de 15 paróquias localizadas nos decanatos Centro, Sul, Leste, Oeste, Norte, Cambé, Ibiporã e Serta-

nópolis. A turma iniciou a formação em fevereiro de 2016 com o Ano Propedêutico que priorizou aspectos de formação que pudessem ajudá-los no discernimento vocacional. O Concílio Ecumênico Vaticano II restaurou o diaconado como grau próprio e permanente

da hierarquia da Igreja e estabeleceu condições teológico-pastorais favoráveis para que esse ministério pudesse se desenvolver plenamente (Constituição Lumen Gentium, n. 29). ESCOLA A formação adotada na Es-

cola Diaconal segue as orientações do Magistério latino-americano e caribenho para o diaconato. Segundo a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), ao longo dos anos foi se confirmando a importância do papel do diácono na Igreja “Em Medellin, ARQUIVO PESSOAL

Enquanto os aspirantes a diácono participam das formações, suas famílias interagem entre si

se expressa a necessidade de formar diáconos que sejam capazes de criar novas comunidades cristãs e ativar as já existentes. Em Puebla, reconhece-se que o carisma do diácono tem grande eficácia para a realização de uma Igreja servidora e pobre. Em Santo Domingo, enfatiza-se que o ministério dos diáconos é de muita importância para o serviço da comunhão na América Latina... A V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (2007), realizada em Aparecida, recorda a presença dos diáconos permanentes como discípulos missionários de Jesus servidor, ordenados para o serviço da Palavra, da liturgia e da caridade”, (Coleção Ministérios nº 1 - Itinerário Formativo do Propedêutico para Diáconos Permanentes). (DIÁCONOS MOACYR DORETTO E OSVALDO PECHIM)


Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

Cotidiano

Em comunhão fraternal

ARQUIVO PESSOAL

Padres do Regional Sul 2 participam de torneio de futebol e baralho em Ponta Grossa PASCOM ARQUIDIOCESANA No início de abril, os padres da Arquidiocese de Londrina participaram do Torneio de Presbíteros do Regional Sul II, na Diocese de Ponta Grossa. O clero de Londrina foi representado pelos padres Daniel Alves Castro, Paróquia São Martinho, Gabriel Aung Than Win, Paróquia São Rafael, Emanuel José de Paula, Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Luis Carlos Greco da Silva, Paróquias São José Bento Cotolengo e São João Batista, José Primão, rei-

tor do Seminário de Filosofia, Claudinei Ricardo Rosa, Paróquia São Sebastião, Frei Lucas de São José, Carmelita Descalço, Evandro Delfino, Coordenador da Ação Evangelizadora, e Justin Francis, Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus. O torneio de futebol foi na cidade de Carambeí e o de truco e canastra em Ponta Grossa. Participaram as dioceses de São José dos Pinhais, Foz do Iguaçú, Palmas Francisco Beltrão, Toledo, Jacarezinho, Campo Mourão, Guarapuava, Maringá, União da Vitória e a

Além de Londrina, participaram outras 10 dioceses do Paraná

anfitriã Ponta Grossa. “Em nome de todos os padres que participaram do torneio, deixo aqui meu

ARQUIVO PESSOAL

agradecimento por todo apoio e torcida vinda dos paroquianos de nossa arquidiocese, pois a verdadeira vitó-

ria é poder estar unidos em Cristo e crescer nessa comunhão fraternal”, disse padre Claudinei Ricardo Rosa.

ENCONTRO DOS GBRs DO DECANATO OESTE

Os Grupos Bíblicos de Reflexão do Decanato Oeste realizaram no domingo 15 de abril, na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, mais um encontro formativo para os animadores e coordenadores. O Encontro foi assessorado pela Irmã Daiane Pereira Francisco, coordenadora arquidiocesana dos GBRs. Os padres Bennelson Silva Barbosa e Miguel Angel Zerate Macias, da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, também participaram da reunião. O Encontro foi articulado pelo coordenador decanal dos GBRs, Márcio Martinez e demais coordenadores paroquias dos GBRs.

O encontro formativo foi na Paróquia Nossa Senhora do Carmo

ARQUIVO PESSOAL

O estágio vocacional de abril da arquidiocese reuniu 15 vocacionados no Seminário Paulo VI. O estágio foi conduzido pelo reitor do Seminário Propedêutico, Padre Paulo Henrique Alencar, e pela psicóloga Mirian Azeredo Fechio. O encerramento foi na catedral com a missa da misericórdia, presidida pelo arcebispo dom Geremias Steinmetz e concelebrada pelos padres Paulo Alencar e Paulo Rorato, reitor do Seminário Propedêutico para adultos.

ARQUIVO PESSOAL

A Paróquia Nossa Senhora Aparecida , Km 9, promoveu uma Formação de Coordenadores de Coroinhas do Decanato Sul no dia 14 de abril. A formação foi ministrada pelo pároco padre Cristiano e pela coordenadora arquidiocesana de coroinhas, Carol Umezu. Também estiveram na reunião a coordenadora geral dos coroinhas Meire Petrassi, e o padre Evandro Delfino, assessor geral dos coroinhas da Arquidiocese de Londrina.


Catequese

Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

Os cristãos não nascem, se fazem Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para formar discípulos missionários IR. ANGELA SOLDERA, SJBP COORDENADORA ARQUIDIOCESANA DA CATEQUESE A Iniciação à Vida Cristã constitui, hoje, um dos grandes desafios da evangelização. É o caminho de levar e de conduzir as pessoas a um contato vivo e pessoal com Jesus Cristo e fazê-las mergulhar nas riquezas do Evangelho. Este desafio de iniciar uma vida cristã, uma vida de seguimento de Jesus, deve interpelar toda a comunidade cristã, todas as pastorais e serviços eclesiais, os pastores da Igreja, seus ministros e catequistas. Portanto, não é um trabalho especializado de alguns, mas toda a comunidade eclesial deve ser conscientizada a se engajar neste processo. O Papa Francisco diz que nos encontramos numa nova etapa evangelizadora, que deve estar marcada pela ale-

gria e deve indicar rumos novos para a caminhada da Igreja e acrescenta: “É urgente a revisão de nosso processo de transmissão da fé. É um desafio que interpela a todos”. (Dc 107.1). A Iniciação à vida cristã consiste na comunicação e na transmissão de uma fé que não se reduz à intimidade com Jesus Cristo, mas que tenha reflexos e influências vitais na própria existência, le-

vando à participação na comunidade, que no seu conjunto, deve dar Testemunho do Evangelho. (Cf. livro Pe. Lelo, nota 21) . Mesmo sabendo dos muitos esforços e iniciativas, nos diferentes níveis da Igreja para que aconteça Iniciação à Vida Cristã, com inspiração catecumenal, constatamos, no entanto, que a mesma continua pobre e fragmentada (Cf. DAp 287). Ainda temos forte em nós a mentalidade de uma catequese que visa apenas a preparação dos sacramentos. Os desafios e as interpelações que são apresentadas para a formação cristã e sua iniciação é o de “oferecer uma catequese que leve o catequizando a conhecer, acolher, celebrar e vivenciar o mistério de Deus, manifestado na pessoa de Jesus, que nos revela o Pai, nos envia o Espírito Santo e nos faz participar de sua missão. (Cf. DGC n. 80-81). Por Iniciação à Vida Cristã compreendemos um processo prolongado, gradativo, no tempo que introduz a pessoa no Mistério de Cristo, da Igreja e dos Sacramentos. Este processo acontece por meio do anúncio de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, que suscita a conversão e conduz a pessoa à instrução da fé e ao

Crianças encontram Jesus na Eucaristia Trinta catequizando da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos (Decanato Centro) participaram pela primeira vez da Ceia do Senhor. A missa da Primeira Eucaristia foi realizada no dia 15 de abril e celebrada pelo pároco Pe. Bruno Áthila, SAC. Ele disse às crianças que a Eucaristia é o alimento que vai fortalecê-las durante o caminho da construção de suas vidas e da realização de seus sonhos. “Todos os dias, todos os domingos, em todas as missas, vocês poderão encontrar

em Jesus a força para continuar sonhando e não permitirem serem iludidos pelas coisas do mundo”, disse Pe. Bruno. O padre acrescentou que, mesmo aquele que é seduzido pelas coisas mundo, em algum momento se dará conta que não pode abandonar o caminho de Deus. Assim como os dois discípulos se alegraram ao encontra Jesus Cristo ressuscitado ( Lc 24, 35-48) , nossos catequizandos poderão, a partir de agora, sentir a felicidade de estar em comunhão com

Deus. “A vida de vocês será de superação e de etapas de vitórias. Vão aparecer os percalços que podem aparentar derrota, mas quem está com Jesus não se sente derrotado e sim vitorioso, porque Jesus é um Deus vitorioso”, afirmou Pe. Bruno. O padre lembrou aos pais, que garantir que os filhos cresçam em um ambiente sagrado e temente a Deus é o melhor investimentos que eles fazem às crianças. (Aline Machado Parodi/ Pascom Arquidiocesana)

DIVULGAÇÃO

exercício pessoal para conformar sua vida com o Evangelho. É preciso lembrar que ser iniciado à vida cristã é, acima de tudo, obra do amor de Deus, pois é ele que toma a iniciativa de chamar a pessoa à experiência do seu mistério (Cf. 2 Pd 1,3-4). Mensalmente, apresentaremos nesta página uma reflexão sobre este processo da Iniciação à Vida Cristã, com inspiração catecumenal, conforme está sendo apresentado e pedido pela Igreja no Brasil, através de seus documentos. É um apelo para que toda a Igreja se empenhe para fazer o itinerário, que não é um trabalho somente da catequese de crianças e adolescentes em preparação aos sacramentos da Iniciação Cristã, mas de todo batizado e não suficientemente evangelizado e iniciado nos mistérios de Deus. O processo proposto pelo Itinerário Catequético, nos

apresenta algumas urgências pastorais que deverão ser levadas em conta como: formação continuada para a comunidade, clero e catequistas; compreensão da importância da catequese na ação evangelizadora da Igreja; valorização da dimensão celebrativa no processo catequético; promoção da inter-relação entre o grupo catequético e a comunidade eclesial e da unidade dos sacramentos de Iniciação à Vida Cristã; e a articulação entre o processo catequético e a participação na missão da comunidade eclesial. A Iniciação à Vida Cristã é lugar privilegiado de animação bíblica da vida e da pastoral. Este processo se fundamenta na Sagrada Escritura e na Liturgia, educa para a escuta da Palavra e a oração pessoal, mediante a leitura orante, evidenciando uma estreita relação entre Bíblia, catequese e liturgia. (Doc. 107 n. 66) ALINE MACHADO PARODI

Catequizandos comungam pela primeira vez


Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

Setor Juvenil

REDE, uma forma de pescar a juventude no seguimento a Jesus FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

“Pescadores de Jovens” esta é a missão de um pequeno grupo de jovens de Londrina PE DIRCEU JÚNIOR DOS REIS PASCOM ARQUIDIOCESANA

A REDE nasceu em janeiro de 2018 e os primeiros pescadores foram consagrados e enviaInspirados no Evangelho dos à missão. Os membros da de Mateus (4, 19) em que Je- REDE se reúnem para estudar sus chama Pedro e André pa- documentos da Igreja, temas e ra deixarem a pescaria e par- livros sobre a fé. Através das retirem para uma nova missão: des sociais eles transmitem enpescar. Assim também nasce sinamentos e mensagens dos a missão principal da REDE. Santos e Santas da Igreja Católica. “O diferenCom o objeticial da rede é vo de pescar levar a palavra todo mês jode Nossa Sevens para os nhora a sério grupos da arquando Ela quidiocese, diz “Fazei tusete pescadodo que Ele vos res e mais oidisser” (Jo 2, to intercesso5). É crer e ter res de diverfé nas coisas sos grupos se que Jesus fala, reúnem, estuem se arriscar dam, rezam e no novo e fapraticam o zer de tudo paIDE através ra alcançar alda pescaria mas para o reimensal. Os joA evangelização é por meio de pregações, danças, teatros, no de Deus, vens são dos momentos de oração e, principalmente, mesmo que grupos Maracom a Verdade de Jesus ninguém tenatha (Paróquia Coração de Maria), Jesus nha o feito dessa maneira ane Cia (Paróquia Sagrados Co- tes,” afirma Beatriz Costanzi, rações), Adonay e GaveC (Pa- intercessora da REDE. Em seu depoimento, o joróquia Nossa Senhora de Nazaré), Sedecias ( Paróquia São vem Gustavo afirma: “essa Vicente de Paulo) e Messias experiência é bem diferenda Paz (Capela Nossa Senho- te do que eu já tinha vivido dentro da igreja, o propósira Rainha da Paz).

Cada jovem da REDE é ligado a um grupo da arquidiocese

to da rede e a forma como as coisas acontecem, como é demonstrado o amor e a importância que é dada a cada pessoa, é isso que mais me chama atenção e me faz ver que algo é diferente nessa missão”. Todo mês, a REDE realiza nas casas dos membros, a A.G.U.A.S. (Ação guiadora

de uma alma à santidade). É nesta ação que os pescadores levam seus “peixes” para viverem uma experiência mais profunda com Deus. Através de pregações, danças, teatros, momentos de oração e, principalmente, com a Verdade de Jesus. Os membros tentam cativar os jovens pescados, para as-

A REDE nasceu em janeiro e os primeiros pescadores foram consagrados e enviados à missão

sim, encaminhá-los aos grupos de jovens da Arquidiocese de Londrina, à catequese e ao serviço na comunidade. Os pais de todos os membros estão juntos apoiando e acompanhando a missão. CONVITE Coordenadores e jovens dos grupos que quiserem podem entrar em contato com algum pescador através da página no Facebook (facebook.com/aredecat) ou através do blog arecat.blogspot. com. A missão ganha novos pescadores duas vezes ao ano. Se você sente este chamado, entre em contato com eles, um dos pescadores fará seu acompanhamento neste serviço. É importante saber que a missão da REDE precisa caminhar junto com o seu serviço dentro de um grupo. Antes jogavam as redes e nada pescavam, agora porém jogam as redes na direção onde Jesus manda e muitos são atingidos!


Espírito Santo

Jornal da Arquidiocese de Londrina

Jornal da Comunidade MAIO DE 2018

Despertar PARA AGIR

ARQUIVO PESSOAL

Pentecostes convida cristãos a terem o mesmo ardor missionário dos apóstolos para anunciar Cristo a todos os povos PEDRO MARCONI PASCOM ARQUIDIOCESANA No dia 20 de maio, a Igreja celebra o Pentecostes. Comemorado 50 dias após a Páscoa, a data tem referência no Antigo Testamento pela festa dos judeus em memória ao dia em que Moisés recebeu de Deus as Tábuas da Lei. No Novo Testamento, foi a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, fato que deu uma nova

significação para ao Pentecostes e para a vida de todos os cristãos. Parte da Santíssima Trindade, o Espírito Santo continua presente no dia a dia da Igreja, se manifestando de diversas formas. Padre Rafael Solano, pároco da Catedral Metropolitana de Londrina, destaca o evangelho de São João como aquele que traz grandes ações do Espírito Santo na comunidade. A primeira aparece no ba-

O mesmo Espírito que soprou no cenáculo é aquele que sopra sobre nós. Não podemos esperar que Deus mude com o passar do tempo” DIVULGAÇÃO

tismo, seguida de outras passagens bíblicas durante as narrações do apóstolo que Jesus amava. “Percebemos que a Igreja teve sustentação nos corações dos fiéis pelo Espírito Santo. É com Ele que conseguimos caminhar, pois nada acontece sem a participação do Espírito, que nos move a ser testemunhas de Cristo”, aponta. “Ele promove os carismas e suscita as vocações. Só haverá vocações nas comunidades se elas evocarem o Espírito Santos”, disse, lembrando da campanha “Cada Comunidade uma Nova Vocação”, lançada recentemente pela Arquidiocese de Londrina com o objetivo de fomentar o ardor vocacional entre fiéis. Padre Rafael ainda faz menção do Ano do Laicato, pois o leigo precisa do Espírito para seguir sua missão. PAZ Diferentemente dos relatos da Bíblia, quando o Espírito Santo desceu sobre a Igreja formada pelos apóstolos reunidos no cenáculo, hoje Ele se difunde em toda a Igreja do mundo. “O mesmo Espírito que soprou no cenáculo é aquele que sopra sobre nós. Não podemos esperar que Deus mude com o passar do tempo”, explica. Um dos símbolos que nos remete à terceira pessoa da Santíssima Trindade é a pomba, que também representa a paz. Em períodos em que a sociedade é assolada pela violência, padre Rafael chama atenção para a última exortação do Papa Francisco, que fala sobre a necessidade de promover a paz. “A paz é fruto do Espírito Santo e o Papa diz que não podemos ficar indiferentes, pois nossa paz precisa ser testemunhada. Não podemos deixar a graça parar de agir”.

Catequista Rosângela e adolescentes do 5º tempo da Paróquia Nossa Senhora das Graças: o Crisma convida à ação e compromisso de ser testemunhas de Jesus no mundo

Tempo DO ESPÍRITO

O Catecismo da Igreja Católica diz que “no dia de Pentecostes, a Páscoa de Cristo completou-se com a efusão do Espírito Santo, que se manifestou, se deu e se comunicou como Pessoa divina: da Sua plenitude, Cristo Senhor derrama em profusão o Espírito” (CIC, n. 731). Neste momento, uma nova fase na vida dos apóstolos e seguidores de Jesus é inaugurada, pois todos foram convidados a enviados para professar ao mundo a presença do Espírito e do Salvador que venceu a morte. Na catequese, o 5º tempo, que é a crisma, representa bem o período de despertar. Catequista há 21 anos, sendo 11 na crisma, Rosangela Tamaoki busca fomentar o sentimento da ação em seus catequizandos. Na paróquia Nossa Senhora das Graças, de Londrina, onde exerce sua missão, ela conta com duas turmas, que reúnem 22 adolescentes. “Este tempo os con-

vida para uma nova fase na vida cristã, em que precisam ser muito mais atentos e testemunhas de Jesus no mundo. Eles param de escutar e devem agir”, acredita. Muito por conta da idade, a catequista elenca que a crisma também carrega muitos desafios. “Eles contestam valores. Por isso, precisam ser chamados e conseguir espaço dentro da Igreja, engajando dentro de um grupo de jovens, por exemplo”, pontua. “No caso da nossa paróquia, os adolescentes começam a participar do grupo de jovens antes de terminar a catequese”, conta. De acordo com Rosangela Tamaoki, a crisma não é sinônimo de “sacramento do tchau” e sim de missão. “Eles veem que sem o Espírito Santo nos deixamos agir mais pela vontade humana. Quando estamos com Ele, o Espírito coloca o ardor em nós para proclamar Cristo como Salvador” (P.M.)

Jornal da Comunidade Edição Maio 2018  
Jornal da Comunidade Edição Maio 2018  
Advertisement