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ARQUIDIOCESE EM MOVIMENTO | UMA DÉCADA NO TERCEIRO MILÊNIO

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ARQUIDIOCESE EM MOVIMENTO UMA DÉCADA NO TERCEIRO MILÊNIO

“Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi para irdes e produzirdes frutos, frutos que permaneçam” (Jo 15, 16)


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Expediente |

Assessoria de Comunicação e Marketing da Arquidiocese de BH Coordenação: Ana Maria Rezende Miranda Produção fotográfica: Aline Ferreira, Gilberto Alves, Gustavo Araújo, Iraci Laudares, Marcos Aurélio Jr, Marcos Figueiredo, Samir Jared Textos: Aline Ferreira, Edson Cruz, Gustavo Araújo, Henrique Ulhoa, Iraci Laudares, Marcos Aurélio Jr, Mônica Bussinger, Renato Crispiniano Edição: Ana Maria Rezende Miranda e Marcos Aurélio Jr. Projeto gráfico: Miriam Barreto Revisão: Edson Cruz Edição de arte e diagramação: Brava Design Contribuições para o capítulo sobre educação: Daniela Santos, Adriana Duarte e Prof.ª Maria Helena Menezes Carvalho (Colégio Santa Maria); Ana Paula Leal (CES/Juiz de Fora); Bruna Santos, Érica Dourado, Felipe Caixeta, Fernando Ávila, Leandro Felicíssimo, Lívia Alen, Lívia Arcanjo, Mariana Zocratto, Marisa Cardoso, Tereza Xavier, Prof. Mário Viggiano (PUC Minas)

ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE

A CAMINHO DO CENTENÁRIO


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ARQUIDIOCESE

EM MOVIMENTO UMA DÉCADA NO TERCEIRO MILÊNIO


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Marcos Figueiredo

Capítulos de uma história


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lhar para o caminho percorrido pela Arquidiocese de Belo Horizonte é um importante exercício. Trata-se de oportunidade singular para refletir o que já foi feito, relembrar momentos marcantes que fazem parte de uma rica história, construída graças ao empenho de homens e mulheres, em muitas frentes de trabalho, todos unidos a partir da missão primeira de anunciar a Palavra de Deus. Este olhar para a história não se justifica apenas para contabilizar o que já se fez. É tarefa fundamental para projetar o futuro e renovar as forças para seguir adiante. Ao completar dez anos no exercício da importante tarefa de ser o primeiro servidor de nossa amada Arquidiocese de Belo Horizonte, quero agradecer a cada fiel que se dedicou a edificar, passo a passo, a história desta Igreja Particular, especialmente nesta década. Certamente, os muitos avanços alcançados são fruto do incansável trabalho de leigos, religiosos e religiosas, padres, bispos, em comunhão. Durante as muitas visitas pastorais, reuniões, encontros de reflexão, celebrações, tenho testemunhado a força da fé cultivada no coração de cada um que integra essa grande comunidade arquidiocesana. Com toda convicção, afirmo que ser arcebispo na Arquidiocese de Belo Horizonte é uma importante responsabilidade, mas, sobretudo, um ver-

dadeiro dom de Deus, que procuro viver com humildade, alegria, esperança e gratidão. A Constituição Dogmática Lumen Gentium, fruto do Concílio Vaticano 2º, define bem o que é uma Igreja Particular, e traduz de modo fiel a Arquidiocese de Belo Horizonte: “redil cuja única porta necessária é Cristo (Jo 10,10). É o rebanho, do qual o próprio Deus anunciou que seria o Pastor (Is 40,11; Ez 34,11), e cujas ovelhas, embora governadas por pastores humanos, são incessantemente conduzidas às pastagens e alimentadas pelo próprio Cristo, Bom Pastor e Príncipe dos Pastores (Jo 10,11; I Pdr 5,4), que deu sua vida por suas ovelhas (Jo 10, 11-15)”. Dirigindo o olhar sobre o que vivemos nesta década, todos nós devemos agradecer ao Bom Pastor, Cristo Jesus. É o momento de renovarmos nosso compromisso de seguir em frente, avançar no serviço aos irmãos, sobretudo àqueles que mais necessitam, e anunciar sempre o Evangelho da Vida. Que possamos, juntos, escrever novos capítulos desta preciosa história. Agradeço a Deus, a cada um dos fiéis, os irmãos bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e leigas, que comprometidos, ajudam na tarefa de governar uma Arquidiocese tão importante - não apenas pelo tamanho e complexidade, mas, especialmente, pelo tesouro da religiosidade e suas raízes de fé profunda em Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte


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Arquivo Arquidiocese de BH

Arquivo Arquidiocese de BH

Chegamos… Eu te bendigo, ó Pai, Senhor de nossas vidas, porque nestes últimos 10 anos da Igreja de teu Filho Jesus, presente nas montanhas e vales metropolitanos de Belo Horizonte, Tu nos cumulaste de esperanças e fizeste caminhar o teu povo! Cada um, a seu modo, caminhou e aqui chegou: aqueles que renovaram as instituições vinculadas a esta Igreja, fazendo-as trilhar a exigente estrada da sustentabilidade, da fidelidade e do humanismo ensinado pelo amado Jesus! Chegaram aqui, ao final destes longos anos, meio afadigados, aqueles que animaram, coordenaram, lideraram… os que, dia e noite, obstinados, renunciaram a comodidade e na companhia de Jesus servidor, serviram, serviram. Em meio a tantas chegadas, ao final deste decênio, chegou à nossa memória – porque às vezes esquecemos – o projeto maior, o dom mais bonito, a missão mais bela: multiplicar comunidades eclesiais em todo canto! Fundá-las em Jesus. Diante de Ti, Pai-bondade, contudo, ainda é preciso curvar a cabeça, fincar os joelhos no chão, destituídos de vaidade, e sentir o perdão, pois o mestre Jesus nos ensinou a amar, mandou-nos bem-querer e mesmo assim, empedernidos, achamos que não precisamos mudar. Mas Tu, nosso Consolo, enviaste-nos homens e mulheres santos, canonizados pela vida, presentes nos altares móveis da existência; deste-nos, assim, de graça, a eucaristia, o outro, o pequenino, a palavra, o azeite, a amizade, Maria… presenteaste-nos com Francisco. Podemos seguir…

Ao longo desses três anos como bispo auxiliar, tive a oportunidade de aprender – e continuo aprendendo – a ser bispo, com um numeroso rebanho, ao lado de grandes colaboradores, no ministério exercido pelos padres, diáconos, religiosos e religiosas, em comunhão e harmonia com meus irmãos bispos auxiliares e o Arcebispo. Estou certo que se a bondade e a misericórdia de Deus me trouxeram para Belo Horizonte é porque tenho aqui uma reconhecida escola, que me ensina a ser melhor servidor, especialmente nestas agradáveis terras mineiras. Aqui mora um povo não apenas acolhedor, mas também desejoso de caminhar missionariamente, uma “Arquidiocese em movimento”. Agradeço, de coração sincero, a cada irmão e irmã que se dedica à Igreja, principalmente na simplicidade de gestos aparentemente pequenos, mas de enorme importância no dinamismo do amor do coração de Bom Pastor.

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Acolhi o ministério episcopal como dom e responsabilidade, e tenho procurado vivê-lo especialmente na perspectiva do serviço organizativo e da animação pastoral. Esta responsabilidade assumida conjuntamente com os outros irmãos Bispos desta Arquidiocese tem sido uma experiência excepcionalmente enriquecedora, que a bondade de Deus me proporcionou. Incumbido de acompanhar a Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição, por meio de visitas pastorais, tive oportunidade de conhecer as 80 paróquias, as Comunidades Religiosas e as Instituições Católicas existentes na Região. A partir da 4ª Assembleia do Povo de Deus e da definição das Diretrizes Pastorais da Arquidiocese e Projetos da Região, temos nos dedicado à sua concretização. Acompanho com especial atenção o aperfeiçoamento da catequese em suas diversas etapas, visando à formação cristã mais intensa. Com os desafios próprios de cada momento histórico, a Igreja vive atualmente um período muito fecundo com leigos e ministros ordenados redescobrindo e valorizando a dimensão missionária. O laicato assume sua missão, na Igreja e no mundo, concretizando-a por inúmeros ministérios. Isso faz com que vivamos uma experiência muito bela e significativa de Igreja viva sempre em missão. Deus seja louvado.

Iraci Laudares

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Resumo em uma palavra esses dois anos de ministério na Arquidiocese, em especial na Região Episcopal Nossa Senhora da Piedade: aprendizado. Sim, tenho aprendido muito a cada dia. Das comunidades, aprendo o jeito simples e fiel de viver a fé. Dos jovens, a espontaneidade e alegria na concretização dos sonhos. Dos padres e dos diáconos, a perseverança e zelo no pastoreio. Dos leigos e das leigas, o compromisso com a construção de uma Igreja participativa e acolhedora. Das religiosas e dos religiosos, a inserção em diferentes situações da vida. Escutando os muitos colaboradores das Instituições da Arquidiocese - Vicariatos, PUC Minas, Memorial, Rede Catedral, Colégio Santa Maria - incluindo a Assessoria de Comunicação, alargo meu entendimento para uma gestão participativa e partilhada. Participando de diversos Conselhos, aprendo a escutar e a discernir no espírito de comunhão. Com dom Walmor e com meus irmãos bispos auxiliares aprendo, no diálogo, sobre desafios e soluções, a servir a Igreja na colegialidade. Sou agradecido a Deus por todos que, na Arquidiocese de Belo Horizonte, me ensinam.

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ublicação anual da Igreja arquidiocesana, a primeira edição do Arquidiocese em Movimento apresentou conquistas alcançadas ao longo de 2012, no trabalho voltado para os mais necessitados. Nesta segunda edição, o objetivo é apresentar a vida da Igreja ao longo de dez anos, nas mais diversas áreas que contam com a presença dos cristãos. Ao assumir tamanho desafio, esta publicação registra marcantes acontecimentos na certeza de que várias outras revistas seriam possíveis, diante da riqueza, que surge do incansável trabalho de homens e mulheres, movidos pela fé. Ao apresentar esses avanços, a Arquidiocese de Belo Horizonte, de modo transparente, contribui para que todos conheçam melhor suas ações e os frutos de seus esforços, no compromisso de contribuir sempre para a construção de um mundo melhor, à luz do Evangelho. As reportagens foram agrupadas em capítulos, que traduzem a presença da Arquidiocese de Belo Horizonte em diversos campos da sociedade. Na primeira parte, o leitor reviverá o início desta década, voltando ao ano de 2004, quando a Arquidiocese de Belo Horizonte recebeu seu quarto arcebispo, dom Walmor Oliveira de Azevedo. No segundo capítulo, dedica-se atenção especial às ações pastorais, que buscam levar a Palavra de Deus ao coração das pessoas, cultivar no mundo a alegria de crer e contribuir para que todos se tornem discípulos de Cristo. Em seguida, no terceiro capítulo, são apresentadas iniciativas voltadas para nossos irmãos que pedem mais atenção, gestos de amor ao próximo que contribuem para a construção de um mundo mais fraterno. O quarto capítulo é dedicado à educação, com as importantes iniciativas voltadas para a formação humana integral, desenvolvimento da ciência, a preparação de jovens, crianças e adultos para a vida. Logo à frente, são apresentados os avanços da Arquidiocese de Belo Horizonte no campo da comunicação e cultura. A publicação é concluída com dois temas, que mostram bem o trabalho da Igreja arquidiocesana com a preservação da tradição e a construção do futuro. O sexto capítulo apresenta a revitalização do Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade. Já o sétimo, conta a trajetória da Arquidiocese de Belo Horizonte rumo à construção de um sonho: a edificação da Catedral Cristo Rei. Equipe da Assessoria de Comunicação e Marketing da Arquidiocese de BH


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Marcos Aurélio


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oi em uma tarde de março que dom Walmor Oliveira de Azevedo despediu-se das comunidades de fé da Arquidiocese de São Salvador da Bahia. Terminava seu ministério naquela Igreja particular, após seis anos de intenso trabalho. Como bispo auxiliar, entre outros feitos, empenhou-se para qualificar ainda mais a formação de padres e diáconos. “Foi um dos projetos a que mais me dediquei. Ainda há muito a fazer, mas os investimentos já feitos em estrutura pedagógica são sinal de muita esperança para levar bons pastores à Bahia", disse o então bispo auxiliar, em entrevista concedida momentos antes da cerimônia de despedida. O empenho no trabalho para despertar vocações e contribuir para a preparação do clero tem raízes em sua infância, na fé vivida com simplicidade, um jeito próprio de quem nasceu em Côcos, cidade que fica no extremo oeste baiano, na divisa com Minas Gerais. Filho de um casal católico, o pequeno Walmor aprendeu com os pais - João Augusto de Azevedo e Maria Conceição Oliveira Azevedo - os fundamentos da fé cristã. Participava de momentos de oração e, em ocasiões solenes, quando a cidade recebia um sacerdote, partilhava com todos uma grande alegria. Naquela época em Côcos, como em tantas outras cidades do interior do Brasil, não havia padre. E foi nesse ambiente de simplicidade e fé que dom Walmor viveu o despertar de sua vocação para o sacerdócio. Em seu coração, cresceu o desejo de servir à Igreja e trabalhar para que lugares como sua cidade natal pudessem contar com um sacerdote. Naquela tarde do dia 24 de março de 2004, os fiéis da Bahia homenageavam o bispo auxiliar que trabalhou como coordenadorgeral da Pastoral Arquidiocesana. O então presidente da CNBB e arcebispo de Salvador, dom Geraldo Majella Cardeal de Agnelo, durante entrevista ao jornal Estado de Minas, publicada na edição de 29 de janeiro de 2004, ressaltou “o preparo filosófico e teológico” de dom Walmor. “Ele é uma mistura de pastor e professor”, disse. O menino, que deixou Côcos aos 15 anos para ingressar no Seminário Santo Antônio, em Juiz de Fora, Minas Gerais, tornou-se, como afirma o Jornal, “um dos homens mais inteligentes da Igreja”. ARQUIDIOCESE EM MOVIMENTO | UMA DÉCADA NO TERCEIRO MILÊNIO

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Dom Walmor trilhou um denso e longo percurso até sua ordenação episcopal, pela imposição de mãos do cardeal dom frei Lucas Moreira Neves, em 1998. De 1972 a 1974, estudou filosofia no Seminário Santo Antônio, de Juiz de Fora, e de 1974 a 1975, na Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, de São João del- Rei. Voltou para o Seminário Santo Antônio, onde cursou Teologia. Em Juiz de Fora, foi ordenado sacerdote e incardinou-se naquela Arquidiocese. Um ano depois, em 1978, começou seu mestrado em Ciências Bíblicas, pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Também na Itália, na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, cursou doutorado em Teologia Bíblica. Permaneceu em Juiz de Fora de 1971, quando ingressou no Seminário Santo Antônio, até 1998, quando o Papa João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Salvador. O padre Walmor trabalhou por mais de 20 anos em comunidades de fé da cidade que fica na Zona da Mata Mineira. “Revolucionou as diretrizes da Arquidiocese. Homem dinâmico, ele levou a Igreja para as comunidades, promoveu parcerias e criou projetos para desenvolver a pastoral social do município, dando atenção especial ao trabalho com crianças. A Pastoral do Menor, por exemplo, foi criada por ele”, relata o jornal Estado de Minas, edição do dia 29 de janeiro de 2004.

Dom Walmor celebra no início do seu ministério presbiteral em Côcos (BA), sua terra natal

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A saudade sentida pelo povo de Juiz de Fora ao despedir-se do menino que viera de Côcos, tornara-se padre e foi nomeado bispo auxiliar de Salvador, também foi experimentada pelos fiéis soteropolitanos. Depois de ser nomeado arcebispo metropolitano de Belo Horizonte pelo Papa João Paulo II, no dia 28 de janeiro de 2004, dom Walmor retornaria para Minas Gerais, lugar que foi o seu berço para a vida consagrada. Muitos fiéis se emocionaram na Missa de despedida, realizada em uma tenda ao ar-livre no Santuário Mãe Rainha, em Salvador. Naquele dia, em entrevista ao jornal Correio da Bahia, a irmã Maria Áurea Dotto, religiosa que trabalha no Santuário, disse que a saída do Arcebispo era uma perda para a cidade, mas ressaltou que Belo Horizonte estava ganhando um arcebispo que “atrai pela eloquência, clareza, e que sabe cativar as pessoas”. O Jornal destacou as inúmeras homenagens durante a Missa, os aplausos e o carinho representado pelo simbólico título “pescador de homens”. Naquele santuário mariano, inaugurado por dom Walmor em 2001, o então recém-nomeado arcebispo metropolitano de Belo Horizonte concluía seu ministério na Bahia. O povo mineiro aguardava, com ansiedade, a chegada de seu novo arcebispo. Novos desafios, a liderança de uma Arquidiocese presente em 28 municípios, em áreas urbanas e rurais, no centro e na periferia, nas vilas e favelas, dom Walmor tornou-se oficialmente arcebispo metropolitano de Belo Horizonte no dia 26 de março de 2004. Milhares de fiéis, centenas de padres e bispos do Brasil compareceram

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à cerimônia realizada no Ginásio Mineirinho. Caravanas vieram de Salvador e Juiz de Fora para acompanhar o momento solene e histórico em que o cardeal dom Serafim Fernandes de Araújo passaria o báculo, símbolo do pastoreio, ao seu sucessor. Diante dos mais de 15 mil presentes, o cardeal dom Geraldo Agnelo, hoje arcebispo emérito de Salvador, destacou o legado de seu bispo auxiliar. “Ele deixou uma lembrança imorredoura de sua dedicação a mim e a todo o bom povo da minha querida Arquidiocese.” Momento de grande emoção foi a leitura da carta apostólica do Bem-Aventurado Papa João Paulo II, endereçada a dom Walmor com a orientação de que fosse levada ao conhecimento de todos. Diante de um completo silêncio daqueles que participaram da cerimônia, o chanceler da Arquidiocese de Belo Horizonte, monsenhor Geraldo dos Reis Calixto, apresentou a mensagem do Bem-Aventurado João Paulo II. “Procuramos escolher e nomear pastores idôneos para cada diocese vacante. Na circunstância atual, sendo necessário prover a sede metropolitana de Belo Horizonte, pareceu-nos muito bem, venerável irmão, possuidor de vários dotes, e ao mesmo tempo bastante devotado às coisas sagradas, entregar-te este cargo. Ordenamos que comuniques o teor desta carta ao clero e ao povo desta sede. A estes, exortamos que te acolham com docilidade e permaneçam unidos a ti”, orienta João Paulo II em um trecho da carta. Ao pronunciar-se pela primeira vez, o arcebispo metropolitano da Capital Mineira recordou-se de sua infância, das raízes de sua

Momento histórico em que o cardeal dom Serafim Fernandes de Araújo passa o báculo, símbolo do pastoreio, a dom Walmor

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fé, sementes cultivadas em seu coração pelo seu pai e sua mãe. A partir dessa lembrança, com humildade, assumiu o compromisso de ser o primeiro servidor da Arquidiocese de Belo Horizonte, e anunciou os primeiros passos de seu ministério como arcebispo. Três etapas, durante os nove meses seguintes, marcariam o início de sua caminhada. A primeira delas foi um exercício de “escuta e de encantamento”. Período dedicado a encontrar as pessoas nas comunidades de fé e nas instituições da Arquidiocese, aprender nomes, receber sacerdotes e fiéis. A segunda etapa seria o momento de compreender o caminho da igreja arquidiocesana, olhar para sua história e, assim, preparar-se para a vivência da terceira etapa: “Olhar o horizonte belo, deste Belo Horizonte, para fazermos um caminho juntos, construir um tempo novo, enquanto anunciamos a eternidade, razão da nossa esperança”. Acolhido na Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Walmor lembrou que Minas Gerais e todos os mineiros, historicamente, lutam pela liberdade, para argumentar que “a Igreja existe para mostrar que a fonte verdadeira dessa liberdade é Cristo, o Senhor da vida e da história”. Em seguida, baseando-se em seu lema episcopal, inspirado no livro do profeta Isaias, o Arcebispo firmou um compromisso com o povo mineiro: “Vim como primeiro servidor de todos para curar os feridos no coração, sobretudo as feridas pela distância de Cristo Jesus”.

Já como arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo foi nomeado para Congregações do Vaticano, em Roma (Itália). Em 2009, foi nomeado pelo Papa para a Congregação para a Doutrina da Fé. No ano seguinte, em 2010, tornou-se referencial para os fiéis do Rito Oriental residentes no Brasil e desprovidos de Ordinário do próprio rito. Em 2014, foi nomeado, pelo Papa Francisco, membro da Congregação para as Igrejas Orientais. Na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), presidiu a Comissão para a Doutrina da Fé, durante os exercícios de 2003 a 2007 e de 2007 a 2011. Também exerceu a presidência do Regional Leste II da CNBB.

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Logo no início do seu ministério, dom Walmor visitou todas as instituições. Alunos e professores das escolas da Arquidiocese de BH receberam com alegria o Arcebispo


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L'OSSERVATORE ROMANO - Servizio Fotografico

Em 2014, o Papa Francisco nomeou dom Walmor para a Congregação para as Igrejas Orientais, do Vaticano

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Somos o Corpo de Cristo os primeiros meses que sucederam ao início de seu ministério na Arquidiocese de Belo Horizonte, o Arcebispo visitou o povo das vilas, comunidades, bairros da capital e de cidades da região metropolitana, percorreu as instituições, encontrou-se com sacerdotes, leigos e religiosos, para conhecer necessidades, ouvir sugestões, sempre privilegiando a colegialidade e a participação de todos. Uma dinâmica que se mantém nos dias atuais, a exemplo do que ocorre na Sociedade Mineira de Cultura (SMC), entidade filantrópica, católica, que atua no segmento da educação. Para o diretor de Infraestrutura, Rômulo Albertini Rigueira, a Arquidiocese de Belo Horizonte é pioneira na

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adoção desse modelo. “Dom Walmor imprime novas dinâmicas à Arquidiocese de BH, com sua capacidade de escuta e busca permanente da integração entre as instituições. Pensa muito no futuro e nas soluções a longo prazo”, acrescenta. Nessa perspectiva, conforme explica Sérgio Silveira Martins, diretor de Recursos Humanos, busca-se o profissionalismo, a articulação entre vocação e compromisso social, avaliação de desempenho e dimensionamento das atividades. Sérgio Martins lembra que o trabalho desenvolvido pelas diretorias vem permitindo à Arquidiocese de Belo Horizonte uma evolução constante e investimentos em novos e grandes projetos, “o alcançar de um círculo virtuoso”, sintetiza. O diretor de Finanças e Controladoria, Paulo Sérgio Gontijo do Carmo, diz que as três diretorias integram um


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Comitê Gestor que possibilita a dom Walmor ter uma visão “macro” das instituições. Assim, conforme avalia o diretor, o Arcebispo pode conciliar seu trabalho pastoral e, ao mesmo tempo, participar da gestão corporativa da Arquidiocese de Belo Horizonte. Nesses dez anos à frente da Arquidiocese, o Arcebispo busca prioritariamente ser presença fraterna nas comunidades, visitando os humildes, idosos, as crianças, nas vilas e favelas, nos bairros de periferia e municípios mais distantes. Paulo Gontijo explica que, a partir da orientação e seguindo o exemplo do Arcebispo, as diretorias colocam-se a serviço das instituições da Arquidiocese. Trabalhando de modo articulado, juntamente com a Assessoria Jurídica e Secretarias, o Comitê Gestor da Presidência, que se reúne semanalmente com dom Walmor e, a cada encontro, dedica-se a uma instituição da Arquidiocese, analisando, avaliando resultados e planejando o futuro.

Dom Walmor está sempre presente nas instituições da Arquidiocese de Belo Horizonte

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Fiéis leigos, religiosos e religiosas, padres e bispos celebram a Missa da Unidade na Semana Santa

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Arquidiocese de Belo Horizonte investiu, nos últimos dez anos, na colegialidade, ampliando a participação de todos no planejamento das ações pastorais e na busca dos melhores caminhos para anunciar a Palavra de Deus. Na última década, o arcebispo dom Walmor convocou duas Assembleias do Povo de Deus, a fim de que cada comunidade de fé participe, em comunhão, da construção de diretrizes para a evangelização na Arquidiocese de Belo Horizonte. Para efetivar o Projeto de Evangelização, construído a partir da escuta do Povo de Deus, o Arcebispo criou o Vicariato Episcopal para a Ação Pastoral, em 2005. O Vicariato trabalha com as Regiões Episcopais e os outros Vicariatos Episcopais Especiais, em estreita comunhão. Na missão de anunciar a Palavra de Deus, a Arquidiocese de Belo Horizonte investe também na implantação de um novo modelo de paróquia, compreendida, a partir desta nova perspectiva, como rede de comunidades. A presença missionária de padres, religiosos e religiosas e a proximidade dos bispos auxiliares, têm contribuído para o crescimento desta rede que aproxima a Igreja das pessoas, sempre com orientação, acolhida, amparo e uma palavra de esperança e fé. Também com o objetivo de fortalecer a presença da Igreja nos 28 municípios que integram a Arquidiocese de Belo Horizonte e contribuir para a formação do clero, dom Walmor iniciou a caminhada para a construção da nova sede do Seminário Arquidiocesano Coração Eucarístico de Jesus. O novo espaço, além de qualificar ainda mais a formação de sacerdotes para a Igreja, oferecerá cursos para leigos.

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A Arquidiocese de Belo Horizonte amadureceu ao longo dos anos o processo de realização de suas Assembleias do Povo de Deus (APDs). Nesta década de ministério, foram realizadas duas Assembleias, a terceira e a quarta, em 2008 e 2012, respectivamente. Logo que chegou à Arquidiocese, dom Walmor recebeu os resultados da 2ª Assembleia do Povo de Deus, realizada em 2003, e que resultou no Projeto de Evangelização Igreja Viva, Povo de Deus em Comunhão. Assim, o Arcebispo, enquanto visitava e conhecia as várias instituições da Arquidiocese de Belo Horizonte, retomava o projeto de evangelização da 2ª APD, realizando as expectativas e necessidades apontadas como prioridades pelo Povo de Deus em cada Assembleia.

Os vicariatos especiais e a integração das instituições A partir das indicações e com a sensibilidade de pastor, dom Walmor instituiu os três Vicariatos Especiais da Arquidiocese de Belo Horizonte: Vicariato Episcopal para a Ação Pastoral, Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política e Vicariato Episcopal para a Comunicação e Cultura. De acordo com o padre Antônio Damásio, primeiro vigário episcopal para a Ação Pastoral, a criação dos vicariatos promoveu a aproximação das pastorais, “que passaram a trabalhar mais em conjunto, buscando atingir objetivos comuns”. Assim, foram fortalecidas a ação evangelizadora e o serviço social desenvolvido pela Arquidiocese. Com a instituição do Vicariato Episcopal para a Comunicação e Cultura, os veículos de comunicação da Arquidiocese passaram a trabalhar em sinergia, ampliando o alcance de suas produções. Neste Vicariato

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encontra-se o Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte, referência na salvaguarda do patrimônio cultural e religioso em Minas Gerais. A instituição, inaugurada em 2005, é formada por importantes setores: Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, Arquivo Arquidiocesano, Inventário do Patrimônio Cultural e Centro de Divulgação e Promoção Religiosa. O Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política torna-se fonte de integração das diversas ações e projetos de amparo aos mais necessitados, reunindo pastorais sociais, campanhas de solidariedade e de cidadania.

Projeto de Evangelização Igreja Viva, Sempre em Missão Na terceira Assembleia, a Arquidiocese de Belo Horizonte desenvolveu uma metodologia para melhor escutar os anseios do Povo de Deus. Dentro de uma colegialidade, incentivada pelo arcebispo dom Walmor, definiu-se que as APDs seriam realizadas de quatro em quatro anos. De acordo com Maria Leonor Vianna, leiga com grande participação na Assembleia, durante a 3ª APD foi avaliado o Projeto de Evangelização Igreja Viva, Povo de Deus em Comunhão, à luz das diretrizes da CNBB e da Conferência de Aparecida. Desse processo, foi construído o Projeto de Evangelização Igreja Viva, Sempre em Missão. Maria Leonor Vianna disse que importantes frutos nasceram da 3ª APD: “Uma prática maior da Leitura Orante da Bíblia e do uso do Ofício Divino das Comunidades, maior busca das pessoas pelo conhecimento da Palavra de Deus”, conta. O Projeto de Evangelização Igreja Viva, Sempre em Missão trouxe 12 programas de evangelização, contemplando as três dimensões: a espiritualidade encarnada, a renovação da vida comunitária e a inserção social.


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Gilberto Alves

Conselho Intergerencial Arquidiocesano (Consiga) reúne gestores de todas as instituições da Arquidiocese

A 3ª Assembleia do Povo de Deus foi importante também para redescobrir as riquezas da própria Igreja de BH, que conta com os Vicariatos Especiais e diversas instituições servidoras: a Sociedade Mineira de Cultura, entidade filantrópica que atua na área da educação, mantenedora da PUC Minas, Colégio Santa Maria, Faculdade Católica de Uberlândia, Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF) e TV Horizonte; a Sociedade Civil Espirito Santo (SCES), uma associação sem fins lucrativos que incentiva e promove projetos de caráter artístico-cultural, mantenedora do Memorial da Arquidiocese; a Fundação João Paulo II, responsável pela Rádio América e Rádio Cultura, veículos que, juntos com a TV Horizonte, formam a Rede Catedral de Comunicação Católica; a Providência Nossa Senhora da Conceição, entidade filantrópica que ampara os mais necessitados, a Fundação Obras Sociais Nossa Senhora da Boa Viagem (Fonsbem), que mantém a Casa Santa Zita (acolhida aos idosos), Centro Social Lar Frei Leopoldo (amparo às crianças em situação de risco social), Obra do Berço e Farmácia Nossa Senhora da Boa Viagem; Fundação Hospitalar Nossa Senhora de Lourdes, entidade filantrópica que, por meio do Hospital Nossa

Senhora de Lourdes, oferece atendimento médico aos mais necessitados. Também passaram a integrar a Arquidiocese de Belo Horizonte, em 2013 e 2014, respectivamente, a Fundação Dom Bosco de Comunicação de Ponte Nova - TV Educar e a Associação Projeto Providência, que ampara crianças e adolescentes em situação de risco social. Servindo todas essas instituições, no trabalho de evangelização e assistência aos mais necessitados, está a Fundação Mariana Resende Costa (Fumarc), com trabalhos de impressão e soluções gráficas. Além de contribuir com as atividades de ensino, pesquisa e extensão da PUC Minas, a Fumarc hoje “atende as paróquias e entidades vinculadas à Arquidiocese de Belo Horizonte”, conforme explica o gerente geral da Instituição, professor Tarcísio José dos Santos. Para fortalecer o sentido corporativo e estratégico entre suas entidades vinculadas, dom Walmor instituiu o Conselho Intergerencial Arquidiocesano (Consiga). Espaço para partilha e reflexões, o Consiga reúne representantes de cada instituição da Arquidiocese, o Comitê Gestor da Presidência, os bispos auxiliares e o Arcebispo Metropolitano.

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Abertura da 4ª Assembleia do Povo de Deus (APD), durante a 14ª Torcida de Deus, com a presença de milhares de fiéis

Publicações ajudam a promover a colegialidade na Igreja

Projeto de Evangelização Igreja Viva, Povo de Deus

Investir na colegialidade

A 4ª Assembleia do Povo de Deus, que ocorreu ao longo de 2012, foi um processo que começou com uma grande revisão dos 12 programas do projeto Igreja Viva Sempre em Missão, feita pelas paróquias e comunidades durante as Assembleias Paroquiais e Assembleias Forâneas. Em seguida, essas contribuições e avaliações foram analisadas e consolidadas pelo Vicariato Episcopal para a Ação Pastoral da Arquidiocese, que editou a síntese no Guia da 4ª Assembleia, Projeto de Evangelização da Arquidiocese de Belo Horizonte: Igreja Viva, Povo de Deus. No dia 8 de dezembro de 2012, foram promulgadas as Diretrizes da Ação Evangelizadora, que abrangem também os Planos de Ação Pastoral das Regiões Episcopais e dos Vicariatos Episcopais Especiais, período 2013 a 2016. Cada Região Episcopal, a partir das diversas realidades de suas paróquias e foranias, construiu seu Plano de Ação Pastoral. Os Planos orientam os trabalhos das comunidades de fé.

Para incentivar a participação de todos na vida da Igreja, a Arquidiocese de BH, por meio do Vicariato Episcopal para a Ação Pastoral, iniciou a publicação do Guia Arquidiocesano para Órgãos Colegiados. Conforme explica dom Walmor, “investir na formação de órgãos colegiados é um importante caminho para fortalecer os mecanismos de participação da Igreja”. O primeiro volume tratou dos conselhos pastorais e conselho administrativo paroquial. Ainda serão publicados os seguintes livros: Guia Arquidiocesano para os Órgãos Colegiados - Volume II: Conselhos e Órgãos de Várias Naturezas; Guia Arquidiocesano para os Órgãos Colegiados - Volume III: Órgãos de Natureza Administrativa; Guia Arquidiocesano para a Mitra e Instituições Vinculadas Capítulo 1: Diretrizes e Procedimentos da Mitra Arquidiocesana, Capítulo 2: Instituições Vinculadas à Arquidiocese; Diretório Litúrgico Sacramental; Diretório para a Vida Presbiteral; Diretório Catequético.

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Marco significativo no trabalho evangelizador da Arquidiocese de Belo Horizonte e na história da PUC Minas foi a volta do Instituto de Filosofia e Teologia Dom João Resende Costa à região central da Universidade, no campus Coração Eucarístico, em 2010, depois de 21 anos de funcionamento no bairro Dom Cabral. A mudança fez com que o Instituto ganhasse mais destaque na reflexão acadêmica e permitiu que novos campos do conhecimento se dedicassem ao serviço da fé. Para o diretor do Instituto, padre Antonio Francisco da Silva, a mudança vem contribuindo para o crescimento da Universidade em sua missão de trabalhar com pesquisa, ensino e extensão e ser sempre protagonista do humanismo na religião e na cultura. Com a mudança, foi possível a instituição, em 2011, do Anima PUC Minas. Vinculado ao Instituto de Filosofia e Teologia Dom João Resende Costa, o Anima tem como objetivo a promoção, articulação e intercâmbio de ideias, experiências e ações, visando à formação integral do ser humano nos campos religioso, social, político, cultural e ambiental. O Anima congrega cinco setores de trabalho: Centro de Formação de Agentes de Pastoral (Cefap); Centro de Geoprocessamento de Informações e Pesquisas Pastorais e Religiosas (Cegipar); Centro de Estudos Superiores Teológicos e Pastorais (Cestep); Núcleo de Estudos Sociopolíticos (Nesp) e Pastoral PUC Minas. Dinamizado pelo Cestep, o Observatório da Evangelização, o primeiro no Brasil e o segundo na América Latina, iniciou suas atividades em dezembro de 2013, com o objetivo de ser um centro de referência para atividades de pesquisa, partilha e intercâmbio

de dados; análise de projetos pastorais; e produção de conhecimentos a respeito da realidade social, econômica, política, cultural e religiosa sobre evangelização. Dom Walmor explica que a criação do Observatório atende ao pedido da Santa Sé, ao considerar a importância do caminho evangelizador e pastoral da Arquidiocese. “Será lugar de discussão e aprofundamento das questões pastorais importantes, como o ensaio que fizemos na Assembleia do Clero, refletindo e conversando sobre a evangelização nas vilas e nas favelas”, pontuou. Os setores vinculados ao Anima, ao desenvolverem seus trabalhos, contribuem para a pesquisa na Universidade e, consequentemente, para o desenvolvimento da ciência. Ao mesmo tempo, oferecem apoio fundamental às comunidades de fé no desenvolvimento dos trabalhos de evangelização. Recentemente, a Pastoral Hospitalar da Arquidiocese de Belo Horizonte - que foi criada pelo Arcebispo em 2012 apresentou um importante fruto desta aproximação entre a Universidade e a Ação Pastoral. A partir de um diagnóstico solicitado pela Pastoral ao Cegipar, foi constatado que, em 2011, apenas 25% dos hospitais da Capital e Região Metropolitana contavam com um capelão. Conforme explica o diácono permanente e um dos coordenadores da Pastoral Hospitalar, professor Paulo Taitson, a partir deste diagnóstico foi desenvolvido um trabalho para que cada hospital pudesse contar com, pelo menos, um capelão. Um novo levantamento, feito em março de 2013, mostra que o empenho da Pastoral, com o apoio do Cegipar, deu resultado. Cerca de 80% dos hospitais já contam com, pelo menos, um capelão.

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O Centro de Geoprocessamento de Informações Pastorais e Pesquisas Religiosas (Cegipar) foi criado pelo Conselho Universitário da PUC Minas, sob a orientação de dom Walmor, em 2004. O Cegipar mapeou todas as comunidades de fé da Arquidiocese de Belo Horizonte, em seus 28 municípios, identificando 1.436 comunidades, no ano de 2010. A partir desse trabalho, a Arquidiocese de Belo Horizonte consegue visualizar no mapa de seus 28 municípios as regiões que precisam de mais investimentos em ações pastorais. O Cegipar oferece também aos párocos a possibilidade de fazer um diagnóstico de suas áreas de atuação, mapeando todas as comunidades de fé que integram paróquias, identificando o perfil dos fiéis e outras informações a partir de geoprocessamento. Assim, é possível planejar melhor o crescimento e instituição de novas paróquias que, nos últimos dez anos, procuram adotar o modelo de rede de comunidades. Em abril de 2013, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em sua 51ª Assembleia Geral Ordinária, aprovou um estudo para reflexão e aprofundamento das comunidades que constituem a paróquia. O estudo de número 104 “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia” propõe uma profunda renovação da vida paroquial, adaptando-se à realidade atual do mundo, e também, retomando o princípio da Igreja, às pequenas comunidades, para transformar a estrutura da paróquia em comunidade de comunidades, em rede de comunidades.

Em 2008, dom Walmor renova a Pastoral das Vilas e Favelas

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Comunidades de fé crescem com o empenho dos sacerdotes, a presença pastoral dos bispos e o trabalho dos leigos


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De acordo com Vigário Episcopal para a Pastoral, padre Aureo Nogueira de Freitas, as diretrizes da Ação Evangelizadora da Arquidiocese já indicavam esse caminho. O projeto de evangelização, resultado da 3ª e, posteriormente, da 4ª Assembleia do Povo de Deus (APD), fez a opção de que a Igreja, cada vez mais, precisa trabalhar suas estruturas de vida comunitária, renovando as paróquias para atuarem como redes de comunidades. As diretrizes da 4ª APD propõem, entre outras ações, que as comunidades tenham como protagonismo o leigo, e que os sacerdotes contribuam para ajudar os fiéis a assumirem essas redes de comunidades nas suas diversas atividades, em grupos grandes e pequenos, bairros, ruas, condomínios e em setores da Igreja. “A Arquidiocese quer ser uma Igreja Rede de Comunidades. É claro que cada paróquia tem seu perfil, sua característica. Em uma paróquia onde existem várias comunidades, por exemplo, a rede será dos vários bairros e de várias capelas, mas em uma paróquia, como no centro da cidade, onde existe somente uma igreja, a tentativa de criar essa rede de comunidades é por meio de pequenos grupos de convivência, de pastorais e de movimentos, por exemplo, nos prédios, nos condomínios”, explica padre Aureo. Segundo o Vigário, são esses pequenos núcleos que formam essa rede ligada pela dimensão da eclesialidade, da palavra de Deus, dos serviços aos pobres, da celebração dos sacramentos e o compromisso da missão em todas as dimensões da vida. Padre Áureo explica que, nos últimos dez anos, a Arquidiocese deu um salto evangelizador muito qualitativo. Respeitando as diretrizes da Ação Evangelizadora, “dom Walmor e os bispos auxiliares deram novo fôlego à igreja de BH, especialmente com o fortalecimento do Conselho Pastoral Arquidiocesano”. Com-

posto por clérigos e leigos, o Conselho passou a ter voz ativa nas decisões da Igreja, o que tem proporcionado uma revolução na Arquidiocese. “Eu diria que é uma virada, é uma página nova que consolida a Igreja de BH como uma Igreja Povo de Deus. Creio que isso foi uma revolução. Faço votos e sonho que isso se solidifique e se concretize cada vez mais”. Na Arquidiocese de Belo Horizonte, algumas paróquias vivem intensamente essa experiência, sobretudo em igrejas localizadas nas periferias da cidade e na região metropolitana. Na Forania Nossa Senhora das Neves, em Ribeirão das Neves, por exemplo, as paróquias Nossa Senhora das Vitórias, Santo Antônio e Nossa Senhora do Rosário trabalham com o objetivo de construir uma rede de comunidades missionária e evangelizadora, em um território com aproximadamente 80 mil habitantes. Assim, todas as comunidades começaram a se sentir iguais entre si. “É preciso entender que não sou eu quem faço, somos nós que fazemos. O eu, neste caso, é tirado de circulação. Isso tudo para compreender o sentido coletivo do bem comum”, observa o padre José Geraldo de Souza, que se dedica às comunidades de Ribeirão das Neves. Outro importante exemplo é a Paróquia BemAventurada Dulce dos Pobres, no Aglomerado da Serra, Região Centro-Sul da Capital. O pároco, padre Wagner Calegário, revela que desde o inicio do processo de criação da Paróquia, ainda no ano de 2008, quando dom Walmor renovou a Pastoral de Vilas e Favelas na região, a Igreja trabalha para integrar todas as comunidades do Aglomerado. Com a instituição oficial da Paróquia, em 1º de setembro de 2013, esse caminho tornou-se ainda mais animador. Maria Bernadete de Deus Azevedo, da Comunidade Imaculada Conceição (Aglomerado da Serra), acredita

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que a rede de comunidades é o caminho para a Igreja se fazer presença no meio do povo e de quem mais necessita, uma vez que muitas pessoas que estavam afastadas da Palavra de Deus voltaram a participar da Igreja. “Caminhamos bastante nesses últimos anos. Houve época em que chegamos a ficar um mês sem Missa, mas a ideia de rede veio para reanimar as pessoas a participarem das comunidades. Neste período, conseguimos revigorar os conselhos, criamos as catequeses para adultos, cursos de reciclagem de ministros, além de estabelecermos encontros regulares”, comemora. O novo modelo de paróquia também é oportunidade para romper barreiras sociais e ampliar laços de solidariedade. A Paróquia Santíssima Trindade reúne moradores do bairro Gutierrez e aqueles que vivem no Morro das Pedras, aglomerado de vilas e favelas que fica na Região Oeste de Belo Horizonte. Graças à mobilização dos fiéis, foi construída a Capela Nossa Senhora Aparecida, no alto do Morro. Inaugurada por dom Walmor no dia 26 de outubro de 2010, a Capela tornou-se importante referência para os moradores da região. Também integra a Paróquia Santíssima Trindade a Associação Pequeno Cristo. Mantida por meio de doações e trabalho voluntário, a Associação atende 80 crianças do Morro das Pedras, beneficiando também suas famílias. Além das atividades lúdicas e

pedagógicas, a instituição desenvolve ações que promovem a convivência familiar. Para Edina Evangelista Cordova, animadora pastoral no bairro Rosa Neves, que integra a Paróquia Nossa Senhora das Vitórias e Santo Antônio, aos poucos as pessoas estão aprendendo a lidar com esse novo modelo de paróquia e a perceber a sua importância como batizado nesse processo de vida comunitária. Ela explica que a partir dessa nova concepção, criou-se um grande vínculo entre as pessoas do bairro, possibilitando o fortalecimento das comunidades e fazendo com que as pessoas passassem a ter mais oportunidade de atuar. “Hoje, como a Paróquia foi dividida em várias comunidades, ficou mais fácil se reunir e viver a Igreja de maneira plena.” Edina Evangelista conta que, antes da rede de comunidades, não se podia ficar nas ruas do bairro Rosa Neves, uma região com alto índice de violência, depois das 19 horas. Segundo ela, criminosos impunham toque de recolher e as pessoas tinham muito medo de desrespeitá-los. Com o trabalho da Paróquia Nossa Senhora das Vitórias e Santo Antônio, com suas sete comunidades, aos poucos a paz voltou a reinar no local. Aquelas pessoas que estavam no crime foram embora e outros aderiram ao trabalho da juventude, desenvolvido pela Igreja. “Hoje promovemos encontros, celebrações e reuniões. As pessoas dizem que, depois da criação das comunidades, passou a reinar a paz na região”, relata. Marcos Figueiredo

A Associação Pequeno Cristo, da Paróquia Santíssima Trindade, beneficia 80 crianças do Morro das Pedras e seus familiares

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Arquivo Arquidiocese de BH

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Dom Wilson já visitou todas as paróquias da Região Episcopal Nossa Senhora da Conceição

Com a nomeação de quatro bispos auxiliares para a Arquidiocese de Belo Horizonte, cada região episcopal passou a contar com um bispo referencial. A maior presença dos bispos, em celebrações e visitas pastorais, contribui para os trabalhos nas paróquias. A visita pastoral tem como objetivo animar, fortalecer e orientar as comunidades, bem como conhecer os trabalhos ali realizados. Na região Episcopal Nossa Senhora da Conceição (Rensc), por exemplo, o bispo auxiliar dom Wilson Luís Angotti Filho visitou 80 paróquias e mais de 450 comunidades nos últimos dois anos. Em uma dessas visitas, dom Wilson esteve no projeto Vila Fátima da Arquidiocese de BH – desenvolvido por meio da PUC Minas e Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política – no bairro Justinópolis, em Ribeirão das Neves, onde celebrou a Eucaristia com as Irmãs da Congregação São João Batista (Batistinas). Em outra ocasião,

dom Wilson visitou as sete comunidades da Paróquia São Marcos, do bairro Maria Goreti, onde conheceu as obras sociais da Ordem Religiosa das Escolas Pias – Escolápios, e seus Centros Educativo-Social, que oferecem qualificação profissional e atendimentos às comunidades, e ainda o Centro Catequético-Pastoral, que se destaca pelo trabalho musical com 140 crianças que formam o grupo Sonoro Despertar, em parceria com a PUC Minas, e também pela biblioteca pública com cinco mil exemplares disponíveis para toda a comunidade. Bispo referencial da Região Episcopal Nossa Senhora da Piedade (Rensp), dom João Justino de Medeiros Silva também realizou nesses últimos anos dezenas de visitas pastorais. Em uma delas, esteve na cidade de Sabará na Paróquia São Sebastião, onde ministrou o Sacramento da Unção dos Enfermos e realizou momentos de oração em várias casas.

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Iraci Laudares

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Dom João Justino visita enfermos das comunidades de fé que formam a Paróquia São Sebastião (Sabará)

Samir Jared

Após visitar os enfermos, o bispo auxiliar participou de um almoço com as religiosas da Congregação das Discípulas de Jesus Eucarístico e conheceu as atividades do Projeto Casa Azul, entidade que oferece oficinas profissionalizantes e cursos de capacitação para crianças e jovens há mais de oito anos. Bispo referencial da Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança (Rense), entre suas diversas visitas pastorais, dom Mol esteve na comunidade da Capela Cristo Rei, no bairro Jardim América, onde foi acolhido pelos moradores e pelas religiosas da Fraternidade Missionária Verbum Dei, que receberam o apoio e incentivo do bispo para a reativação do Centro Social. Em outra ocasião, o bispo auxiliar participou de um encontro com a juventude e acompanhou o trabalho dos grupos e movimentos da Paróquia São Francisco de Assis, além de celebrar a Crisma na Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz, do bairro Caiçara.

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Dom Joaquim Mol acompanha as paróquias da Rense


Iraci Laudares

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O bispo referencial da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida (Rensa), dom Luiz Gonzaga Fechio, esteve nas paróquias dos 14 municípios da região metropolitana, coordenando, orientando e acompanhando a ação evangelizadora e pastoral. Foi com muita música que os fiéis das seis comunidades da Paróquia Coração de Maria, Mãe dos Missionários, em Betim, receberam dom Luiz. Na comunidade Santa Edwiges, o Bispo celebrou a Primeira Eucaristia de 72 crianças, motivo de grande alegria para as famílias presentes na cerimônia. Já na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, dom Luiz reuniu-se com coordenadores das comunidades, Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística, Coroinhas, Infância Missionária, Apostolado Infantojuvenil. O arcebispo dom Walmor também realiza visitas pastorais, uma das atividades que mais alegria lhe proporciona. Praticamente todos os anos, ele celebra a Eucaristia no Aglomerado da Serra. Em 2011, dom Walmor esteve com os moradores da Vila Cafezal onde celebrou, na capela Nossa Senhora de Fátima, a

Missa de Natal. Na ocasião, o Arcebispo explicou que a Igreja, como rede de comunidades, leva o amor de Deus aos corações. Disse estar alegre, pois encontrou na Comunidade Nossa Senhora de Fátima “uma verdadeira escola de fé”. Para Lucilene Martins, participante da Comunidade Nossa Senhora Aparecida e moradora do Aglomerado, a presença dos bispos é muito marcante para os católicos da região e importante para a Igreja como um todo. “É fundamental porque anima o povo. É um sinal da Igreja no meio da gente.” Em 2012, fiéis das comunidades de fé da Paróquia Bem-Aventurada Dulce dos Pobres receberam com grande alegria o Arcebispo para a celebração do Natal. Naquele dia, dom Walmor presidiu Missa na comunidade São Miguel Arcanjo, quando foi abençoada a Capela do Santíssimo Sacramento. Durante a homilia, o Arcebispo disse ser motivo de alegria poder celebrar o Natal com as comunidades de fé do Aglomerado da Serra. “Sobretudo, quando percebemos as conquistas que são fruto da fé perseverante dessa comunidade”, destacou.

Visitas pastorais são momentos especiais para o arcebispo dom Walmor

Marcos Aurélio

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A ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE ABRANGENDO 28 MUNICÍPIOS, A ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE É COMPOSTA POR QUATRO REGIÕES EPISCOPAIS, QUE CONGREGAM UMA REDE DE 1.436 COMUNIDADES DE FÉ, REUNIDAS EM 273 PARÓQUIAS, SENDO 267 TERRITORIAIS, 3 PESSOAIS, 2 CURATOS E 1 ÁREA PASTORAL. SÃO MAIS DE 70.000 PESSOAS ATENDIDAS NOS 1.232 PROJETOS. NOSSA SENHORA APARECIDA 1 ESMERALDAS 2 BETIM 3 CONTAGEM 4 BELO HORIZONTE 5 IBIRITÉ

6 SARZEDO 7 MÁRIO CAMPOS 8 BRUMADINHO 9 RIO MANSO 10 BONFIM

11 MOEDA 12 BELO VALE 13 CRUCILÂNDIA 14 PIEDADE DOS GERAIS

18 PEDRO LEOPOLDO 19 SÃO JOSÉ DA LAPA 20 VESPASIANO

21 SANTA LUZIA 22 CONFINS 23 LAGOA SANTA

27 CAETÉ 28 BELO HORIZONTE 29 RAPOSOS

30 NOVA LIMA 31 RIO ACIMA

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO 15 ESMERALDA 16 RIBEIRÃO DAS NEVES 17 BELO HORIZONTE

NOSSA SENHORA DA PIEDADE 24 TAQUARAÇU DE MINAS 25 NOVA UNIÃO 26 SABARÁ

NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA 32 BELO HORIZONTE 33 CONTAGEM

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Organizadas em Regiões Episcopais, a partir do trabalho de padres, religiosos e fiéis, as paróquias transformam realidades com os ensinamentos do Evangelho. Ações sociais, voltadas para os mais diversos públicos, contribuem para a construção de um mundo melhor. Liderando estas iniciativas e projetos, em diferentes frentes, estão os sacerdotes que se dedicam ao anúncio do Evangelho e ao serviço à vida. Com o apoio dos fiéis, transformam realidades, melhorando a vida nas áreas urbanas e rurais, no centro e na periferia das cidades que integram a Arquidiocese de Belo Horizonte.

Rensp

Rensc

Rensa

Rense

67 80 78 46 PARÓQUIAS 352 378 266 242 OBRAS SOCIAIS 21.686 22.851 9.520 15.441 PESSOAS ATENDIDAS *Os números fundamentam-se no Sistema Integrado de Ações Paroquiais (Siasp). Os dados são de 2013.

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REGIÃO EPISCOPAL NOSSA SENHORA DA ESPERANÇA Gilberto Alves

❚ AÇÃO SOCIAL QUE EVANGELIZA PELA ARTE, AMIZADE E DOAÇÕES Ajudar os pobres, mesmo que com uma palavra amiga, é a missão da Ação Social da Paróquia São João Batista, no Bairro Salgado Filho (Belo Horizonte), que mantém por meio de doações, há 17 anos, um bazar permanente e uma farmácia que, mensalmente, atende aproximadamente 100 pessoas. Quando não tem remédios em estoque, a Paróquia faz a compra da medicação graças às doações recebidas. O bazar permanente é outra fonte de renda que ajuda nos atendimentos. Padre Walter de Cássia Messias conta: “Nossa região é de gente simples e de boa vontade, mas que tem pouco para oferecer. Mesmo assim, nunca faltaram doações. Dividimos o pouco que temos e oferecemos uma palavra amiga. A pessoa sai daqui agradecida. E nós também, pela oportunidade de servir”. A evangelização pela arte é outro importante trabalho social que tem o apoio da Paróquia. Há 30 anos, o Centro Cultural São João Batista (Cenarc), coordenado

Grupo cultural Cenarc realiza suas atividades com o apoio da Paróquia São João Batista por Antônio Diniz, apresenta espetáculos teatrais com temas religiosos que encantam o público. Entre eles a Paixão de Cristo, na Semana Santa; o nascimento de Jesus, no Natal; e a vida dos Santos, durante todo o ano.

❚ CONVIVER COM O CORAÇÃO O grupo Conviver com o Coração, da Paróquia Coração Eucarístico de Jesus, bairro Coração Eucarístico, em Belo Horizonte, foi criado para ajudar mulheres em situação de risco social a encontrarem novas fontes de renda por meio do artesanato. “O grupo nasceu de uma demanda espontânea de uma paroquiana, que nos procurou com a ideia, logo colocada em prática. Começamos com senhoras da Vila São Vicente, procurando alternativas para a geração de renda. Hoje, também participam muitas pessoas idosas, que encontram no grupo um apoio e uma maneira de vencer a solidão”, diz o monsenhor Éder Amantéa.

O grupo, formado exclusivamente por voluntários, é aberto a todos. Segundo Fátima Baião, coordenadora do Conviver com o Coração, a vivência do voluntariado também é um dos objetivos que levam pessoas a frequentarem o grupo. “Ser voluntária ajuda a enxergar o mundo de uma forma mais ampla”. A Paróquia também realiza atividades para as crianças. Voluntários ensinam artesanato, brincadeiras e participam de momentos de espiritualidade e convivência com meninos e meninas de todas as idades. “É muito importante que a Paróquia tenha presença ativa na vida de nossa comunidade”, completa monsenhor Éder.

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Cerca de 230 crianças são acolhidas na creche. Elas estudam, brincam e aprendem a rezar Gilberto Alves

REGIÃO EPISCOPAL NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO ❚ INVESTIR NO CUIDADO COM CRIANÇAS E FAMÍLIAS Cerca de 230 crianças estudam, brincam, aprendem a conviver e a rezar na Creche Manoel José do Carmo, mantida pela Paróquia Cristo Rei, em Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte. O diretor, padre Carlos Roberto do Carmo, participa ativamente do dia a dia da creche. O sacerdote está à frente do projeto desde o início, há cinco anos, e sentese grato por poder ajudar. “As famílias não contavam com lugares adequados para deixar seus filhos e, por este motivo, sentindo a demanda de nossa comunidade, decidimos criar a Creche com princípios cristãos do amor e da solidariedade. Hoje os pais nos procuram para agradecer o carinho e reconhecem o desenvolvimento das crianças. Na creche, o atendimento é especializado e o ambiente é de muito amor e cuidado.” São atendidas crianças do berçário até o segundo período com aulas em horário integral. Funcionários e voluntários cuidam das crianças no período escolar e

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Padre Carlos Roberto do Carmo é diretor da creche mantida pela Paróquia Cristo Rei, em Vespasiano também atuam por meio da escuta e do aconselhamento das famílias. O retorno que os professores recebem dos pais é que as crianças introduzem na família o que aprenderam na creche. “Antes das refeições, sempre rezamos com os meninos agradecendo a Deus. Em outros momentos, procuramos evangelizar”, afirma a secretária Cristiana Damascena.


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Gilberto Alves

❚ FARMÁCIA COMUNITÁRIA É MANTIDA COM A AJUDA DE FIÉIS A Paróquia Nossa Senhora da Piedade, do bairro Justinópolis, em Ribeirão das Neves, oferece um importante serviço: a Farmácia Comunitária. O projeto existe há 10 anos. De acordo com padre Antônio Moacir Rocha, esta iniciativa é uma resposta diferenciada de evangelização. “As pessoas participam colaborando generosamente”, destaca padre Antonio Moacir. A Farmácia Comunitária conta com o trabalho de duas voluntárias que realizam os atendimentos. Além dos moradores de Justinópolis, a farmácia também beneficia moradores de outros bairros do município. Padre Antônio Moacir destaca a generosidade dos paroquianos

Voluntários mantêm a farmácia da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, de Justinópolis (Ribeirão das Neves)

REGIÃO EPISCOPAL NOSSA SENHORA APARECIDA ❚ APOIO AOS GRUPOS E PASTORAIS APROXIMA FIÉIS A Paróquia Santa Maria, Rainha dos Apóstolos, em Contagem, desenvolve um trabalho especial com os idosos, mantém um grupo de Narcóticos Anônimos e a Pastoral da Sobriedade. Cerca de 40 pessoas são assistidos regularmente por uma fisioterapeuta: “O grupo que temos aqui na Igreja é recente, porém podemos ver o quanto o convívio e os exercícios físicos fazem bem às pessoas. Como sou paroquiana, observo que alguns senhores e senhoras que possuíam dificuldade para se relacionar estão se comunicando muito melhor. Está sendo muito bom para todos, principalmente para mim

que me sinto gratificada por estar realizando este trabalho”, afirma Paula Barbosa. A pedido da comunidade, o pároco, padre Oscar Aquino Baêta Andrade, incentivou a criação do grupo de Narcóticos Anônimos e a instituição da Pastoral da Sobriedade. O padre ressalta que as iniciativas da comunidade são importantes e trazem vida nova para a Igreja. “Tem sido uma experiência muito valiosa. Vejo que as pessoas estão ainda mais próximas, buscando a companhia de vizinhos e participando, de uma forma especial, da comunidade e da vida da Igreja.”

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Gilberto Alves

❚ A MISSÃO DE AJUDAR As comunidades da região do bairro Petrovale, em Betim, já sentem os benefícios das ações sociais da Paróquia Coração de Maria, Mãe dos Missionários. Um importante trabalho vem sendo desenvolvido por voluntários, com o apoio do padre Hélio Parreiras de Paula. O trabalho da Pastoral da Criança proporciona às famílias melhores condições para o desenvolvimento de seus filhos, oferecendo acompanhamento. Mais de 100 famílias são atendidas todos os meses. Para o padre Hélio Parreiras, a Igreja tem aliviado as dores das pessoas. Elas se sentem amparadas pela presença fraterna. “Vejo o quanto o nosso trabalho tem sido reconhecido. As pessoas veem a Igreja como um ponto de referência. Elas sabem que podem contar com o nosso apoio. Isso é muito gratificante.”

Conforme explica o padre Hélio Parreiras, a Igreja deve ser presença fraterna

REGIÃO EPISCOPAL NOSSA SENHORA DA PIEDADE Arquivo Arquidiocese de BH

❚ ENCONTRO DE ESPIRITUALIDADE DA GESTANTE O Encontro Espiritualidade da Gestante é uma das ações que movimentam as comunidades de fé da Paróquia São Mateus, no bairro Anchieta. O trabalho social atende moradores das Vilas Cafezal, Acaba Mundo e São Lucas, atuando por meio das pastorais sociais, movimentos e equipes. Há 10 anos, Zélia Amélia Loureiro Teixeira criou o Encontro de Espiritualidade da Gestante. A cada ano é formada uma turma que, durante quatro dias, recebe informações sobre o período da gestação para garantir a saúde física e psicológica da criança, e o cuidado com o bebê. “Oferecemos palestras sobre Batismo, reflexões sobre passagens do Evangelho e encenações cujas mensagens giram em torno da estruturação familiar”, explica. Ao final, as gestantes recebem um enxoval, com banheira, roupinhas e utensílios para o bebê. Todo o material é custeado com a renda de um chá colonial promovido pela Pastoral Familiar e organizado pelas madrinhas, voluntárias da Paróquia que ornamentam as mesas e vendem os ingressos. Mais de 600 gestantes já foram atendidas. Monsenhor Expedito Rodrigues de Ávila ressalta que, além da espiritualidade, o projeto oferece assistência pré-natal. “Queremos ajudar as fa-

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Monsenhor Expedito explica que, além da espiritualidade, a Paróquia São Mateus oferece assistência pré-natal às gestantes mílias a terem sensibilidade sobre este importante momento: a chegada de um novo filho.” A Paróquia São Mateus mantém ainda um ambulatório com dentistas, psicólogos e médicos especializados em ginecologia e clínica geral. O atendimento, totalmente gratuito, também inclui a distribuição de remédios. E ainda grupos da terceira idade e de costura, escola bíblica, Alcóolicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, e de formação para cuidadores de pessoas com Mal de Alzheimer.


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Marcos Figueiredo

❚ REFERÊNCIA EM ACOLHIDA E APOIO O Santuário São Judas Tadeu, tradicional centro de peregrinações em Belo Horizonte, é também referência de acolhimento e apoio aos mais necessitados. Com uma grande equipe de voluntários, oferece ajuda para famílias em situação de risco social e formação profissional para quem busca ingressar no mercado de trabalho. São mais de 200 alunos que participam diariamente de cursos de cuidadores de idosos, cuidadores de crianças e informática. A distribuição de cestas básicas para comunidades do bairro Ribeiro de Abreu, dos municípios de Sabará e Vespasiano e no entorno do Santuário, no bairro da Graça, é uma entre tantas ações de amor. O padre Joacir Alves, reitor do Santuário, destaca a importância do trabalho social e do apoio às famílias. “Não podemos esquecer que somos chamados também a ser presença na vida do outro. É preciso ter a clareza de que fomos criados para estarmos juntos, é urgente resgatarmos o sentido de que o distintivo da comunidade cristã é a glória de Deus.”

Mais de 200 alunos frequentam as aulas dos cursos promovidos pelo Santuário, que fica no bairro da Graça, em Belo Horizonte Felipe Assunção

Padre Joacir é reitor do Santuário São Judas Tadeu, que oferece ajuda às famílias em situação de risco social

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Beato Padre Eustáquio Na última década, dom Walmor instituiu 13 novas paróquias, motivo de festa para diversos bairros da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Inclusive, no período em que este livro estava sendo produzido, a Arquidiocese de Belo Horizonte preparava-se para a criação de mais uma Paróquia, a Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro Confisco. A Paróquia Padre Eustáquio foi a primeira no Brasil a ter como padroeiro o Beato muito venerado pelos mineiros. “A homenagem era um desejo de dom Walmor e de toda a comunidade que com muita alegria acolheu o nome desse grande sacerdote tão conhecido dos brasileiros, sobretudo dos mineiros”, diz o padre Pedro Luiz de França. A comunidade que está no município de Esmeraldas, Forania São Gonçalo, diante da possibilidade de se tornar paróquia, vislumbrou a oportunidade de unir ainda mais os moradores. “Hoje somos uma comunidade que caminha para que todos os desafios sejam vencidos”, comemora Carlos Alberto de Matos, de 57 anos, coordenador da comunidade Retiro. “Agradecemos dom Walmor, nosso bom pastor, essa vitória. Ele ouviu os nossos apelos. As pessoas começaram a acreditar mais nos trabalhos realizados e estão vol-

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tando para nossa Igreja Católica. Hoje temos uma nova formação e evangelização que nos convida a participar”, disse. Carlos Alberto de Matos, que também é Ministro Extraordinário da Comunhão Eucaristíca ressalta que a caminhada ainda é longa, mas, com a força de Deus, do Pároco e de todos os paroquianos, a nova paróquia caminhará fortalecida pelo Evangelho de Cristo. “A atitude de dom Walmor foi o princípio de todo esse momento feliz que estamos vivendo em nossa comunidade. Estamos começando a caminhada. Renovados, acreditamos na união de todos para vencermos”, afirma. “A mudança na comunidade é visível a partir das Missas. Por meio dos cursos de formação, notamos que há uma transformação das lideranças. O povo cresce em espiritualidade neste novo espaço paroquial”, acrescenta o padre Pedro Luiz. Instituída no dia 26 de janeiro de 2013, a Paróquia congrega comunidades dos bairros Retiro, Novo Retiro, Topázio, Cidade Jardim, Tropeiros, Dumavile, Caio Martins, Bambu, Vista Alegre, Caracol de Cima e de Baixo e Padre João, uma população total de 20 mil pessoas.


Samir Jared

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Paróquia Bem-Aventurada Dulce dos Pobres “Para nós, esse novo modelo de paróquia, fundamentado nas comunidades de fé, foi muito bemvindo e se tornou uma benção porque temos uma sintonia muito maior com as outras comunidades. Estávamos tão distantes que essa nova metodologia nos aproximou”, comenta Reginaldo José Nascimento, motorista, 37 anos, morador da comunidade Nossa Senhora Aparecida, que integra a Paróquia Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, no Aglomerado da Serra. Apesar de todos os problemas enfrentados pela região, como a violência, Reginaldo fala que a Paróquia transformou a realidade do local. Segundo ele, pais que não tinham com quem conversar sobre as atitudes dos filhos agora têm “um local e um ombro amigo”, na Igreja e no Pároco. “As pessoas hoje respeitam os trabalhos realizados pela Paróquia e isso está influenciando a vida de cada um. Os pais e mães, que

Morador do Aglomerado da Serra, Reginaldo José Nascimento afirma que a criação da Paróquia Bem-Aventurada Dulce dos Pobres transformou a realidade da região

antes não tinham uma base de Igreja e nem apoio, hoje contam com uma conversa pastoral e amiga”, conta Reginaldo que também é membro da Pastoral da Catequese. “Nossa Paróquia caminha em busca de solidariedade, da amizade e da comunhão entre todos os seus membros, principalmente as famílias. A Paróquia foi uma benção que dom Walmor deu para a comunidade”, disse o padre Wagner Calegário, administrador da Paróquia, criada em 2 de setembro de 2012. O sacerdote explica que a Paróquia supera desafios diários e persevera. Para Reginaldo Nascimento, a Paróquia promoveu a aproximação da comunidade. “Para nossa realidade, foi um gesto concreto de renovação e amor. Toda a nossa comunidade se sente agradecida e louva pelas bênçãos e pela união que dom Walmor trouxe para nossa Vila.”

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Para Nilson Bueno, morador de Ibirité, a Paróquia Nossa Senhora das Mercês revela o amor pastoral de dom Walmor pelo município

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“A criação da Paróquia representou muito para nossa comunidade. Hoje podemos notar que ela voltou a crescer e muitas pessoas estão retornando para a nossa Igreja. Hoje temos conhecimento e acompanhamento espiritual de nosso sacerdote e isso provocou uma transformação em toda a nossa região”, diz o morador do bairro São Pedro, em Ibirité, Nilson Bueno. Para ele, que também é ministro e coordenador na Comunidade São Pedro, que integra a paróquia Nossa Senhora das Mercês, as mudanças já começam a ser sentidas e fazem com que as crianças, os jovens e os adultos procurem voltar à Igreja e participar ativamente das celebrações. “Nossa Paróquia caminha para a transformação. Hoje podemos notar que a instituição da Paróquia pelo nosso pastor, o arcebispo dom Walmor, foi uma grande graça alcançada por todos nós que lutamos pela sua implantação. Ele nos proporcionou uma benção imensa em forma de amor pastoral”, disse Nilson. A Paróquia Nossa Senhora das Mercês foi criada no dia 31 de março de 2012 e há dois anos está sob a responsabilidade do frei Giovanni Odair Moreira. A Paróquia se localiza em Ibirité e é formada pelas comunidades: Bom Pastor, São João Batista, São Francisco de Assis, Nossa Senhora dos Remédios, São Pedro e Nossa Senhora das Mercês. Com cerca de 70 mil pessoas, a “comunidade de comunidades” já conta com diversas pastorais, como a do Batismo, Catequese, Família, Dízimo, Noivos e Grupos de Reflexão. “Nossa Paróquia é uma benção. Nosso povo sempre prestigia nossas festas e momentos de oração”, diz frei Giovanni, ao revelar que, após a instituição da Paróquia, muitos fiéis que estavam afastados voltaram para a Igreja Católica. “Na Paróquia, iniciamos os trabalhos de evangelização alicerçados na formação dos leigos. Nossa missão é levar o Evangelho de Jesus a todos”, disse. Além da evangelização, também são realizados na Paróquia trabalhos sociais, por meio do Centro de Reforço Estudantil, que trabalha com as escolas e as crianças de 7 a 15 anos. Um trabalho de amor realizado por professores voluntários que auxiliam crianças com dificuldades de aprendizagem. “Ensinar com amor também é evangelizar”, afirma o frei.


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Fotos: Gilberto Alves

Fundada em 21 de dezembro de 2009, a Paróquia Espírito Santo Consolador integra a Forania Nossa Senhora de Lourdes, município de Vespasiano, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A “comunidade de comunidades” tem cerca de cinco mil pessoas e o padre Robson Mendes da Costa é o administrador paroquial. O sacerdote revela que muitas mudanças ocorreram após a instituição da Paróquia. Foram criadas as pastorais do Batismo, do Dízimo, Liturgia, Crisma e muitas outras. Cresceu também os novos movimentos, como o Terço dos Homens, considerado pelo presbítero como um grande diferencial na vida dos paroquianos, ao lado dos grupos de oração. “Nossa comunidade ajuda como pode. Todos, juntos, procuramos ajudar os mais necessitados”, afirma padre Robson. Compõem a Paróquia as seguintes comunidades: Nossa Senhora de Fátima, São Francisco de Assis, São Vicente de Paulo, Nossa Senhora Aparecida, Senhor do Bonfim, Santo Antônio Maria Claret e Santa Bárbara. Ministra Extraordinária da Comunhão Eucaristíca, com 30 anos de trabalhos dedicados à evangelização, a dona de casa Tereza Chieza de Freitas, que integra a Comunidade Nossa Senhora de Fátima, diz que a instituição da Paróquia foi um ato transformador. Para ela, uma bênção dos céus a iniciativa de dom Walmor: “Agradeço muito ao Arcebispo o presente que nos deu. Nossa região mudou muito, inclusive em questões sociais importantes”, disse Tereza Chieza de Freitas.

Thereza Chieza Freitas (que veste a camisa com imagem de Nossa Senhora) afirma que a Paróquia Espírito Santo Consolador deu novo ânimo à comunidade

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Fotos: Gilberto Alves

Levar a Palavra de Deus às escolas e à Colônia Santa Izabel são algumas das importantes tarefas dos que formam as comunidades da Paróquia São Judas Tadeu e Frei Galvão, localizada em Betim, na Região Metropolitana. A Paróquia, que desenvolve um trabalho voltado às famílias, procura realizar a vontade do Papa Francisco, que pediu para que as igrejas fossem às ruas. Instituída em 1º de janeiro de 2012, a Paróquia, da Forania Nossa Senhora do Carmo (Rensa), tem como pároco o padre Francisco Carlos Rodrigues da Silva. A “comunidade de comunidades” possui as seguintes pastorais: do Batismo, Catequese, Crisma, Dízimo e várias outras que buscam evangelizar e levar a palavra de Deus. “Com muito trabalho, estamos caminhando e levando a palavra de Deus a todos os moradores locais”, diz o sacerdote. Coordenadora de liturgia, a dona de casa Maria Juventina da Costa Pinto conta que a criação da Paróquia trouxe alegria a todos os moradores da comunidade. “Hoje podemos celebrar nossas Missas, acompanhar novenas e refletir o Evangelho”, disse emocionada. Para ela, a participação tem sido intensificada e as pessoas agora se comprometem mais com a fé que receberam no Batismo. “Ajudei a criar essa comunidade, havia

Há 25 anos morando em Ribeirão das Neves, a dona de casa Geni Terezinha de Jesus, da Comunidade Sagrada Família, conta que a instituição da Paróquia em seu bairro trouxe muitas transformações. Em seus 81 anos, a dona de casa recorda as dificuldades que tinha quando não podia ir às Missas. “Essa realidade agora mudou. Nossa comunidade está envolvida nos assuntos paroquiais e nosso pároco nos incentiva a participar”, disse, emocionada, a moradora. A Paróquia Sagrada Família, na Forania Nossa Senhora da Piedade, foi criada no dia 20 de novembro de 2005 e tem como pároco o padre Ademar de Toledo. “Devagar estamos conseguindo fazer com que a comunidade participe e se faça presente. Estamos evangelizando, inves-

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Para a dona de casa Maria Juventina, a Paróquia São Judas Tadeu e Frei Galvão é uma Igreja Viva cerca de 30 anos que todos compartilhávamos desse desejo (instituição da Paróquia). Hoje, notamos que as pessoas têm a firme identidade católica e sentem que é preciso comprometer-se com nossa Paróquia, que é Igreja viva”, ressalta Juventina.

tindo nas celebrações, na formação litúrgica, na catequese e em todos os momentos de fé”, revela padre Ademar. Pertence à Paróquia as comunidades de Santana, Nossa Senhora Aparecida, São Geraldo, São Vicente, Nossa Senhora de Lourdes, São Francisco e Sagrada Família. Muitas pastorais já estão em atividade, como as do Batismo, Catequese, Crisma, Dízimo, Música, além dos grupos de oração. “Os Vicentinos também fazem um belo trabalho e são fortes alicerces de caridade na Paróquia”, revela padre Ademar, ao ressaltar que a participação de todos é fundamental para que a Paróquia prospere. “Nossa missão é evangelizar e estamos conseguindo fazer com que a comunidade se sinta parte da Igreja”, disse.


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A professora Maria Helena Chagas diz que a participação popular tornou-se mais intensa com a Paróquia

Marcada pela tradição da festa de Nossa Senhora do Rosário e dos Santos Reis, a Paróquia São Paulo Missionário, localizada em Lagoa Santa, foi instituída no dia 25 de janeiro de 2009. “Nossa evangelização é marcada pela visita às casas, na preparação das Missas e celebrações, e na ajuda mútua”, conta o padre Alexandre Duarte de Araújo, que há cinco anos é responsável pela Paróquia. A Paróquia integra uma população de 20 mil habitantes e é composta pelas comunidades Nossa Senhora Aparecida, São Sebastião, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora de Fátima, Santana, Beato Padre Eustáquio e a Comunidade Jardim Imperial, que ainda não tem padroeiro. “Em nossa Paróquia, trabalhamos a evangelização das famílias e dos jovens, pois as famílias são células vivas e os jovens são o futuro. A criação de nossa Paróquia era um antigo anseio de toda nossa comunidade”, afirma o padre Alexandre Araújo. A professora Maria Helena Cardoso Chagas, da Comunidade Nossa Senhora Aparecida, que se localiza na Vila Maria, em Lagoa Santa, comemora a Paróquia São Paulo Missionário. Para ela, houve uma transformação positiva da população e a participação dos fiéis ocorre de forma mais expressiva. “Agradecemos a dom Walmor e pedimos que continue olhando por nossa comunidade”, disse Maria Chagas. Na Paróquia, já estão em atividade as pastorais do Batismo, Crisma, Dízimo, entre outras. A “Comunidade de Comunidades” também é formada pelos grupos de oração, Terço dos Homens e Ofício de Nossa Senhora. “Aos poucos, estamos vencendo os desafios. Agradecidos ao nosso pastor dom Walmor, continuamos a missão que ele nos deu de seguir à frente da comunidade revelando a todos a Palavra de Deus. Nossa comunidade é uma benção”, acrescenta o padre Alexandre Araújo.

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Às margens da Avenida Antônio Carlos, em uma pequena igreja, pode-se observar, lá do alto, uma grande imagem de Nossa Senhora de braços abertos, acolhendo e abençoando os fiéis que transitam pela via. A Paróquia Imaculado Coração de Maria, criada no dia 5 de novembro de 2011, é responsável por essa bela imagem. Integrando a Forania Nossa Senhora da Paz (Rensc), a Paróquia, entre as muitas atividades, destaca-se pelo trabalho social. O “Teatro de Bolso” é uma dessas atividades, um trabalho realizado com jovens de 15 a 25 anos, que envolve teatro, dança e música e que tem caráter preventivo contra o uso de drogas. Esses trabalhos resgatam muitas vidas para Deus. “Um belo trabalho de inclusão social e religiosa. Nessas ações, encontram-se o Evangelho e a graça de Deus”, declara o professor e articulador de pastorais da Paróquia, Flávio Correia Ribeiro, 25 anos, morador do bairro Aparecida. Muitas são as pastorais e grupos que compõem a Paróquia, entres eles se destaca o Encontro de Casais com Cristo (ECC), que está conquistando importante valor, e o Apostolado da Oração. “Nossa comunidade começou em uma pequena capela. Hoje, por meio deste gesto de dom Walmor, realizamos um sonho de quase 70 anos. A instituição da Paróquia nos fez crescer pastoral e administrativamente”, conta o professor Flávio Correia. Para ele, as obras estão se realizando e a Paróquia se tornou ponto de referência e vida para muitos. “Atualmente temos as obras sociais, ações comunitárias, trabalhos voluntários, que ocorrem e chamam a atenção de todos os paroquianos. Até de pessoas de outras religiões.” Um dos destaques da Paróquia é a celebração de uma Missa na área campal da comunidade que reúne semanalmente cerca de 4 mil fiéis. “Somos agora uma família que cresce na fé e no afeto. Uma família de todos”, comenta o pároco, padre Elias Gladstone Souza.

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Em um gesto de amor fraterno, a Paróquia Sagrada Família de Nazaré se propôs a viver uma grande missão: “Conhecer e estreitar os laços com os membros integrantes da grande família de fé”, conforme explica o pároco, padre Adilson Gomes Máximo. A proposta era visitar as famílias das sete comunidades que compõem a Paróquia. Dom Walmor criou a Paróquia no dia 30 de dezembro de 2012. Para o padre Adilson, a missão é articular os conselhos e todos os paroquianos na busca de benfeitorias para a coletividade. A Paróquia é composta por sete comunidades: São José, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora das Graças, Nossa Senhora Aparecida, Cristo Rei, Menino Jesus e Nossa Senhora do Carmo. Na área social, a Paróquia oferece a seus paroquianos solidariedade, por meio dos Vicentinos e cursos de formação. Coordenadora da Pastoral da Comunicação paroquial, Raquel Córdova, 27 anos, da Comunidade Sagrada Família, conta que aumentaram os vínculos das comunidades após a instituição da Paróquia. “Hoje nossas comunidades estão mais unidas, se ajudam e compreendem as necessidades dos coordenadores.”


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Vicentina Imaculada Resende é catequista e se emociona ao ver a concretização de um sonho: a Paróquia Nossa Senhora do Rosário

Instituída no dia 29 de abril de 2010, a Paróquia Nossa Senhora do Rosário integra a Forania São Gonçalo e está localizada no bairro Alvorada, em Contagem. “Podemos dizer que na instituição da Paróquia realizamos um sonho. A beleza deste ato está no povo que volta a participar, nas pastorais que voltam a funcionar e nos Batizados que podem ocorrer”, disse emocionada a catequista, Vicentina Imaculada Resende, 56 anos, moradora da região. Para ela, ver a Paróquia funcionando e as pessoas podendo participar é uma grande realização. Quem também participa desta emoção é o funcionário público e Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística, Jonas dos Santos, de 48 anos. “É bonito ver nossas comunidades se unindo e participando das celebrações. Hoje podemos dizer que estamos caminhando para a melhoria de todas as nossas ações

pastorais”, afirma. Pertence a Paróquia Nossa Senhora do Rosário as comunidades Santa Terezinha, Nossa Senhora de Fátima, Imaculada Conceição, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Nossa Senhora Aparecida. A Paróquia conta ainda com trabalhos sociais de assistência social e jurídica. “Os trabalhos consistem em benefícios para os paroquianos. São exemplos concretos de comunidades vivas”, analisa o pároco, padre Antônio Goveia. Na Paróquia, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais da área de saúde oferecem atendimento voluntário. A “comunidade de comunidades” também promove inúmeras campanhas. Destaque para o trabalho dos Vicentinos. São cerca de 1.800 pessoas atendidas por ano, entre crianças, jovens e idosos, homens e mulheres de todas as idades.

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Uma “comunidade de comunidades”, comprometida com o trabalho e a oração, a Paróquia Bem-Aventurada Tereza de Calcutá, do bairro Campos Elísios, em Betim, foi criada no dia 26 de novembro de 2006. “Seguindo os preceitos de Madre Tereza e o pedido do Papa Francisco, nossa comunidade tem como propósito a oração e a contemplação refletidas na ação”, diz padre Jucimar Pinto de Oliveira. Para o sacerdote, a instituição da Paróquia trouxe um novo sentido para a comunidade. “Antes a Paróquia era muito dispersa, os locais ficavam muito longe e não havia união. Hoje as pessoas se conhecem mais, se integram e criou-se uma nova identidade”, afirma, ao ressaltar que a comunidade se sente mais acolhida e irmanada. “Hoje todos se sentem mais próximos, acolhidos e envolvidos. As pessoas se conhecem e sentem que necessitam uma das outras.” Para a moradora da comunidade e integrante da Pastoral da Liturgia e Canto, Sílvia Graciele Reis, com a instituição da Paróquia, a comunidade conta agora com um

sacerdote presente e acolhedor. “Antes as celebrações ocorriam apenas duas vezes. Hoje temos a presença do padre, ele nos acolhe, recebe todos os paroquianos e nos ajuda em nossa caminhada de fé. Dom Walmor em sua visão pastoral nos abençoou e a ele agradecemos o tão generoso ato de amor a nossa comunidade. Como Bom Pastor, ele cuida de suas ovelhas”, acrescenta Sílvia. A Paróquia é composta pelas comunidades São José Operário, Santos Anjos da Guarda, Santo Antônio, São Sebastião, Senhor do Bonfim, Nossa Senhora Aparecida e a comunidade Vila Verde, que surgiu recentemente e ainda não tem padroeiro definido. Abrange uma população de 140 mil habitantes e oferece também diversos serviços, como as aulas de canto, em que crianças, jovens e adultos são convidadas a aprender música e tocar instrumentos. “A participação dos jovens em nossa comunidade deu frutos e, no acolhimento, conseguimos fazer com que eles se identificassem com a Paróquia, participassem na evangelização”, revela Sílvia.

Fotos: Gilberto Alves

“Como bom pastor, dom Walmor cuida bem de suas ovelhas”, diz Sílvia Reis, que comemora a Paróquia

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“Só temos de agradecer a dom Walmor a iniciativa de instituir a Paróquia, ter nos proporcionando essa graça”, comemora a psicopedagoga Dea da Conceição Camargo Guimarães, Ministra Extraordinária da Comunhão Eucaristíca da Paróquia Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, na Forania Nossa Senhora da Paz. Para Dea, celebrar esse momento de bênçãos é agradecer a Deus os anos de compromisso e luta em prol da comunidade. “A comunidade tem se envolvido mais nas ações da Igreja, ela tem buscado colaborar. Com a ajuda de nosso pároco, estamos conseguindo

fazer com que todos os paroquianos se aproximem e participem”, disse. As pastorais e grupos de oração também fazem parte da Paróquia que, neste início de caminhada, já conseguiu concretizar muitos sonhos. “Estamos preparando nossas pastorais, hoje contamos com a do Batismo, Liturgia, Criança, Eucaristia e outras, além dos movimentos: Terço dos Homens, Apostolado da Oração e grupos de reflexão. Queremos nossa paróquia cada vez mais unida e solidária”, comenta Dea Camargo.

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O Conselho Arquidiocesano das Associações, Movimentos e Novas Comunidades (Camenc) tem como objetivo congregar todos os movimentos leigos. Assim, contribui para promover e estimular a comunhão entre os mais diversos grupos. Compete ao Camenc acompanhar as atividades, estimular a continuidade e interação entre os movimentos, respeitando os seus carismas, e, sobretudo, incentivando suas ações pastorais e evangelizadoras. Criado no ano em que o Arcebispo iniciou seu ministério na Arquidiocese de Belo Horizonte, o Camenc mudou a forma de trabalho das associações, movimentos e novas comunidades, na Igreja local. Para o atual presidente do Camenc, João Batista Moreira dos Santos, ao

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criar o conselho arquidiocesano, dom Walmor deu oportunidade para que todos os movimentos e novas comunidades pudessem se aproximar e se organizar, tendo um conselho executivo ligado à Arquidiocese como referência. “Antes, as associações atuavam de maneira isolada, cada uma no seu carisma, mas, com a criação do Camenc, os diversos grupos passaram a ter uma referência, um norte, e consequentemente uma articulação maior dentro da Arquidiocese, o que contribui muito para os trabalhos de evangelização de cada comunidade.” Atualmente, estão cadastradas no Camenc 52 instituições, entre associações, movimentos e novas comunidades - com os mais variados perfis. Essas instituições atuam promovendo a unidade na pluralidade dos di-


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versos carismas e serviços dentro das paróquias, em obediência aos respectivos párocos. Entre as instituições, estão grupos da Renovação Carismática Católica, grupos de casais do ECC (Encontro de Casais com Cristo), os casais das Equipes de Nossa Senhora, que acompanham outras famílias, buscando solucionar os conflitos nos lares. Também integra o Camenc o Movimento dos Focolares, que vive o carisma do ecumenismo, com pessoas de diversas confissões religiosas, ressaltando, entre outros princípios, a unidade; a Comunidade Católica Nova Aliança, que busca ser evangelizadora, missionária e de espiritualidade aberta aos dons e carismas do Espírito Santo; o Movimento Apostólico de Schoenstatt, que segue a Virgem Maria, levando a devoção mariana aos lares; a Comunidade Missionária de Villaregia, com seus diversos serviços de formação e assistência aos necessitados, visando levar o Evangelho a todos os homens e a Comunidade Shalom, com a prioridade na evangelização dos jovens. Há ainda comunidades que cuidam dos mais necessitados, dando assistências às pessoas que enfrentam a

dependência química, vivendo as missões de ruas, por exemplo, a Comunidade Católica Reviver, com seus grupos de oração, a Família de Caná, com seu trabalho de atendimento aos dependentes químicos e, também, a Aliança de Misericórdia, com seu trabalho de acolhimento à população em situação de rua. Além desses movimentos, compõem o Camenc a Legião de Maria que pratica o apostolado, especialmente com pessoas mais afastadas da Igreja; Oficinas de Oração e Vida, e os Vicentinos que fazem um trabalho de caridade com os que vivem em situação de risco social, inspirados no exemplo de Frederico Ozanan, fundador da obra Sociedade de São Vicente de Paulo(SSVP), há mais de 170 anos. Para Bonifácio Rocha, um dos coordenadores do Camenc, apesar de todas as dificuldades do mundo moderno, os movimentos católicos e as novas comunidades promovem um trabalho bonito de evangelização, buscando “levar os jovens para a Igreja, proporcionando lazer sadio para que possam sentir a grandeza de viverem no Reino de Deus”.

Fotos: Iraci Laudares

As novas comunidades reúnem fiéis a partir de carismas

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Apostolado da Oração cresceu muito durante o ministério de dom Walmor


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Aline Ferreira

“Dom Walmor foi o Arcebispo que mais incentivou, deu força, acompanhou e acompanha a caminhada do Apostolado da Oração”, quem afirma é Elza Barbosa, vice-presidente da Associação Apostolado da Oração na Arquidiocese de Belo Horizonte. De acordo com a vice-presidente da Associação, nos últimos anos, o Apostolado foi muito valorizado pelo Arcebispo. “Fomos chamados a participar, ajudando nas Missas celebradas no Mineirão, Mineirinho, na Caminhada dos Jovens que se prepararam para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), nas peregrinações ao Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade e, agora, na construção da Catedral Cristo Rei. Agradecemos a Deus o trabalho que está sendo realizado por dom Walmor na Arquidiocese e estamos sempre juntos na missão evangelizadora da Igreja.” O Apostolado da Oração é uma organização composta por leigos católicos, cuja finalidade é a santificação pessoal e a evangelização. O movimento surgiu em um colégio da Companhia de Jesus (de padres Jesuítas) na França e hoje está presente no mundo . Na Arquidiocese de Belo Horizonte, o Apostolado da Oração foi fundado em 10 de novembro de 1951, na Basílica Nossa Senhora de Lourdes, e encontra-se em quase todas as paróquias da Arquidiocese. Sempre a serviço da Igreja, o Apostolado trabalha pela evangelização das famílias e tem uma devoção especial ao Sagrado Coração de Jesus, dedicando-se principalmente às celebrações do mês de junho, que é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus. Os associados do Apostolado da Oração devem reservar diariamente um tempo para oração individual, silenciosa, meditativa, em clima de adoração, em casa, na Igreja, e procurar “ouvir” a voz de Deus. A oração diária do Rosário deve merecer de cada um dos participantes um zelo especial. Além disso, os membros do Apostolado da Oração devem empenhar-se em promover visitas aos enfermos, em suas casas, nos hospitais, e proporcionarlhes conforto espiritual. Devem visitar os asilos, levando alegria aos idosos, amor e solidariedade, e também promover retiros espirituais, tardes de reflexão e formação, entre outras ações.

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Referência na formação de expressivos pastores para a Igreja de Minas Gerais e do Brasil, o Seminário Arquidiocesano Coração Eucarístico de Jesus, da Arquidiocese de Belo Horizonte, completou em 15 de março de 2013, 90 anos de trabalhos vocacionais. Instituído em 1923, o Seminário reúne uma rede de Casas de Formação, sacerdotal e leiga. Dividido em quatro comunidades, Coração Eucarístico, Padre Alberto Antoniazzi, Emaús e João Paulo II, o Seminário Arquidiocesano contempla, durante a preparação presbiterial, cinco dimensões: humana e afetiva, comunitária, intelectual, pastoral e espiritual. A vida dentro de uma Casa de Formação é dedicada à oração (espiritualidade), à reflexão e verificação da vocação, à vivência comunitária, acentuando a dimensão humanoafetiva em vista de uma maior maturidade e equilíbrio humano, ao convívio com as orientações e práticas pastorais (estágio em paróquias) e ao estudo individual. Durante a formação, os seminaristas fazem cursos acadêmicos no Instituto de Filosofia e Teologia Dom João Resende Costa, que fica na região central do campus Coração Eucarístico da PUC Minas, perfazendo um itinerário de pelo menos duas graduações, Filosofia e Teologia. Atualmente, o seminário possui 42 seminaristas que vivem em um ambiente que conta com quartos, salas de aula, refeitório, capela e local para atendimento espiritual, psicológico e também de entretenimento. No caso dos seminaristas iniciantes, ainda na fase do propedêutico, o número varia a cada ano. A turma que iniciou os estudos em 2014, por exemplo, começou a ser preparada há um ano, vivendo várias etapas, como os encontros de animação vocacional e o estágio vocacional. Caminho esse percorrido pelo seminarista Pedro Luiz de Oliveira Dosh que, desde os 17 anos vem tendo

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acompanhamento da Arquidiocese e discernindo sobre a sua vocação sacerdotal. Hoje, com 21 anos, Pedro acredita que tomou a decisão certa e definitiva. “Foi uma escolha tranquila, um caminho pensado, pois comecei meu discernimento bem novo. Espero que eu possa ser muito feliz e contribuir para o fortalecimento da Igreja.” Até novembro do ano passado, as instâncias do Seminário Arquidiocesano funcionavam em locais distintos, mas, em dezembro, por iniciativa do arcebispo, com o objetivo de proporcionar maior comunhão e unidade entre as comunidades, as residências passaram a funcionar em um mesmo espaço, na Paróquia Dom Bosco, localizada no bairro Dom Bosco, região noroeste de Belo Horizonte. O propósito é que esse modelo de unidade possa servir de preparação para um novo caminho, tendo em vista que o objetivo da Arquidiocese é construir uma ampla e moderna sede no bairro Coração Eucarístico. O novo espaço vai unificar todas as comunidades, contribuindo assim para a formação dos seminaristas. Com o nome de Vila Dom Cabral, a nova sede será formada pela Reitoria, a Comunidade João Paulo II – Propedêutico, a Comunidade Emaús - Filosofia (residência dos seminaristas), a Comunidade Coração Eucarístico - Teologia (residência dos seminaristas - 1º e 2º anos) e a Comunidade Padre Alberto Antoniazzi Teologia (residência dos seminaristas - 3º e 4º anos). De acordo com o coordenador da comunidade de teologia, padre Evandro Campos Maria, desde 2004, quando dom Walmor assumiu a Arquidiocese, já se projeta um seminário que possa ser um espaço comum entre formadores e seminaristas. “Mesmo sendo três comunidades, cada uma com sua especificidade, o Arcebispo quer reuni-las, criando fortes laços de fraternidade.”


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Marcos Figueiredo

Dom Walmor preside celebração durante a bênção da pedra fundamental da nova sede do Seminário Arquidiocesano Coração Eucarístico de Jesus


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Gilberto Alves

Nos últimos dez anos, dom Walmor vem realizando um trabalho importante de divulgação, incentivando para que todas as paróquias e comunidades da Arquidiocese possam realizar o serviço de articulação da pastoral vocacional, visando uma maior visibilidade na sociedade. “O nosso Seminário não era muito conhecido, eu nunca tinha ouvido falar sobre ele”, diz o padre Rafael do Carmo. Para padre Evandro Campos, com a chegada de dom Walmor à Arquidiocese, o Seminário abriu-se para que mais pessoas pudessem contribuir no processo formativo. “Além dos padres que tem a missão de formadores, hoje contamos com psicólogos, leigos, amigos e benfeitores do seminário, de modo que a instituição conta com uma família, um corpo muito grande de colaboradores, e quanto mais pessoas com olhares qualificados vão ajudando, mais essa caminhada fica frutuosa.” No entender do padre Rafael, o Seminário vem conseguindo reafirmar o seu papel e preparar os corações dos futuros padres, formando homens de fé para enfrentar os desafios que a evangelização nesses novos tempos pede. “Cada época tem as suas dificuldades específicas, mas creio que, atualmente, um dos maiores desafios seja evangelizar em espírito de comunhão, em espírito de fidelidade naquilo que Cristo nos disse, e com certeza o Seminário vem proporcionando isso”, constata. Na opinião do Seminarista Pedro Luiz de Oliveira Dosh, a comunhão de todos os processos do Seminário em um único espaço vai proporcionar maior integração entre seminaristas e formadores, e refletirá de maneira positiva na formação para o presbiterado. “Creio que é muito importante para o futuro da Arquidiocese, principalmente pelo convívio de comunidade e união fraterna que essa unidade proporciona. O fato de ter unido as casas de Teologia e Filosofia é fundamental para nos aproximarmos e conseguirmos dar o sentido de unidade que a Igreja de Belo Horizonte tanto busca”.

O padre Rafael do Carmo, que hoje contribui para a evangelização no Aglomerado da Serra, diz que o Seminário tornou-se mais conhecido a partir do empenho de dom Walmor

Gilberto Alves

O seminarista Pedro Luiz Dosh destaca o empenho da Arquidiocese em promover maior integração entre seminaristas e formadores

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4 Ordens religiosas de vida contemplativa(Carmelitas Descalças, No território da Arquidiocese de Belo Horizonte está um verdadeiro tesouro de instituições, onde brilham o trabalho de religiosos e religiosas que, a partir de carismas específicos, dedicam suas vidas à Igreja e à edificação do Reino de Deus. As muitas congregações religiosas, comunidades, sociedades, institutos e associações contribuem para a evangelização nos municípios que integram a Arquidiocese. São presença missionária, transformadora, cultivando a fé no coração das pessoas, o gosto de ajudar e fazer o bem.

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Clarissas, Beneditinas e Monjas Concepcionistas) Congregações de vida apostólica femininas Congregações de vida apostólica masculinas Institutos Religiosos Laicos Sociedades de Vida Apostólica Associações Públicas de Fiéis Comunidades de Vida Apostólica Institutos Seculares Associações Movimentos Eclesiais e Nova Comunidades

Monjas Beneditinas - Mosteiro de Nossa Senhora das Graças As monjas beneditinas seguem a regra de São Bento, que é fundador da Ordem. Sob o lema Ora et Labora (oração e trabalho), buscam a presença do Senhor Ressuscitado em todos os afazeres: na escuta da Palavra de Deus, na acolhida aos hóspedes, no cuidado dos doentes, no atendimento aos pobres, trabalhos domésticos, artísticos ou culturais, cultivando uma vida de profunda intimidade com Cristo. A Irmã Agnes Alves Garcia Santos Silva, 27 anos de vida monástica, explica que a partir do Ofício Divino, as beneditinas encontram sua participação na Igreja. “Rezamos para a Igreja e com a Igreja. Estamos em uma comunhão plena com a comunidade, para que a humanidade se eleve até Deus. Ao mesmo tempo esta oração nos envolve diretamente, nos transforma. Acompanhamos o constante incentivo da Arquidiocese de Belo Horizonte às vocações, seja por meio das peregrinações ao Santuário Nossa Senhora da Piedade, das romarias e também dos meios de comunicação”, explica.

Gustavo Drumond

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Arquivo Carmelo Nossa Senhora Aparecida – BH/MG

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Carmelo Nossa Senhora Aparecida A Irmã Márcia Cristina da Assunção, monja carmelita descalça, explica a origem do carisma de todas as religiosas da Ordem:“Iniciou a partir da experiência de nossa fundadora, Santa Teresa, em uma vida de oração. Basicamente são três pilares: a vida de oração, a vida de silêncio e a vida de fraternidade. Santa Teresa, quando fundou o Carmelo Descalço, no século XV, na Espanha, desejou esse estilo de fraternidade, como um pequeno colégio de Cristo. Mesmo em uma vida de

clausura, Santa Teresa desejou que todas fossem amigas, que todas se ajudassem”. A religiosa destaca o trabalho desenvolvido na Arquidiocese de BH no que se refere à animação vocacional. “Quando dom Walmor iniciou seu ministério na Arquidiocese, pediu que todas as comunidades, todos os fiéis, realizassem orações pelas vocações todas as quintas-feiras, na parte da tarde. E a promoção vocacional tem que ser assim, por meio da oração”, destacou.

Congregação dos Filhos de Maria Imaculada (Pavonianos) Gilberto Alves

O padre Claudinei Ramos Pereira, dez anos de vida religiosa nesta Congregação, quatro como sacerdote, explica que o carisma dos Pavonianos é ser família para aqueles que não têm família. “Trabalhamos com crianças e jovens menos favorecidos, no sentido de cultivar em cada um os valores cristãos, preparando-os para o mundo do trabalho”. Para o sacerdote, a vida religiosa “é uma resposta ao grito da juventude por atenção, por acompanhamento. A maneira de ser dos Pavonianos é uma resposta às necessidades da realidade que nos cerca. Eu me encontro neste estilo próprio de vida e sou feliz por estar nele. A vida consagrada se torna um sinal profético, uma indicação de que é possível construir uma sociedade mais aberta para a convivência, para a partilha”. Conforme explica o padre Claudinei, é possível perceber o carinho e o incentivo dedicados pelo arcebispo dom Walmor aos vocacionados. “A Arquidiocese de BH é aberta para acolher todas as iniciativas. Também é muito rica pela presença de casas religiosas, na diversidade da vida consagrada.”

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Irmãs Franciscanas Alcantarinas O carisma das Irmãs Alcantarinas, conforme explica a Irmã Beatriz de Freitas Teixeira, 14 anos de vida religiosa, “é viver e proclamar o mistério de Cristo Crucificado na alegria da ressurreição”. Os trabalhos da congregação concentram-se na área da educação, com escolas. “Acompanhamos os jovens para ajudálos a descobrir a própria vocação, atuamos também na catequese, no acolhimento de pessoas idosas e em atividades missionárias. Temos também uma casa de acolhida, para retiros e encontros. Procuramos ser, no mundo, sinal de Deus em todas as nossas atividades”. Ela destaca o trabalho de dom Walmor em estar próximo e ouvir os religiosos. “O Arcebispo é sempre presente e incentiva as vocações.” Fotos: Gilberto Alves

Comunidade Missionária de Villaregia A Associação Pública Internacional de Fiéis de Direito Pontifício - a Comunidade Missionária de Villaregia, tem 32 anos de trabalho e está presente em sete países. De acordo com o padre Federico Santin, o carisma da comunidade é a comunhão e missão. “Atuamos em vários âmbitos. Aqui em Belo Horizonte, por exemplo, além de responsáveis pela Paróquia São Sebastião (bairro Betânia), realizamos atividades de animação missionária na Arquidiocese de BH. Em nosso centro missionário, oferecemos cursos de formação, retiros para jovens e casais. Também desenvolvemos obras sociais, entre elas o Centro de Acolhida Betânia, onde acompanhamos 250 crianças, oferecendo trabalhos psicopedagógicos, atividades escolares e artísticas.” Outra obra social é o Centro Esportivo e Cultural Betânia. Nele, são realizados cursos pré-vestibular, de língua estrangeira, música, teatro e dança. O sacerdote afirma que “a Arquidiocese de Belo Horizonte está atenta às vocações. É uma igreja que escuta os sinais dos tempos. Sempre tivemos um contato muito fraterno e atencioso com dom Walmor. Como comunidade, sempre agradecemos a acolhida que o Arcebispo nos deu”.

Padre Federico Santin, da Comunidade Missionária de Villaregia

Aliança de Misericórdia Para a Irmã Samilly Amarante, a efetiva participação no setor de cultura da Semana Missionária em 2013 foi uma prova da confiança e acolhimento de dom Walmor para com Associação Privada de Fiéis Aliança de Misericórdia. A religiosa afirma que esse período foi fundamental para que a Arquidiocese de BH conhecesse melhor o trabalho do Movimento. Enviada em missão para Belo Horizonte em 2012, após dois anos de formação em São Paulo, Irmã Samilly completa seu quinto ano como missionária. A religiosa explica que o carisma e a espiritualidade da Aliança de Misericórdia “brotam do coração misericordioso de Jesus e impulsionam todos os membros do Movimento ao encontro do coração de cada pobre, materialmente ou espiritualmente”.

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Vincula-se também ao Seminário Arquidiocesano Coração Eucarístico de Jesus o Serviço de Animação Vocacional (SAV), que tem o objetivo de orientar e acompanhar candidatos à vida religiosa, animando e celebrando a caminhada vocacional da Igreja. Padre Márcio Ribeiro de Sousa, um dos coordenadores da equipe do SAV, explica que o serviço busca despertar e examinar a consciência vocacional, em uma Igreja toda

ministerial, proporcionando uma compreensão do quadro de ministérios e serviços para alimentar e fortalecer a ação evangelizadora na rede de comunidades. Nos últimos dois anos, com empenho de dom Walmor, para que mais pessoas fossem sensibilizadas para uma vida vocacional, cada uma das quatro regiões episcopais de Belo Horizonte passou a contar com um coordenador como referência no trabalho vocacional.

Criada pela Arquidiocese de Belo Horizonte, em 10 de agosto de 2009, mesma data em que a Igreja celebra o dia de São Lourenço, padroeiro dos diáconos, a Escola Diaconal São Lourenço, que integra o Seminário Arquidiocesano Coração Eucarístico de Jesus, segue as “Normas Fundamentais para a Formação dos Diáconos Permanentes” e “O Diretório do Ministério e da Vida dos Diáconos Permanentes”, da Congregação para a Educação Católica e a Congregação para o Clero, diretriz publicada em 1998. A primeira turma, formada por sete diáconos, foi ordenada em 1º de outubro de 2011, e de lá para cá mais 16 pessoas se tornaram diáconos permanentes da Arquidiocese de Belo Horizonte. Para exercer esse ministério, é necessário cumprir algumas recomendações da Comissão Nacional dos Diáconos (CND). A formação deve durar pelo menos três anos e conter obrigatoriamente Teologia Bíblica, Dogmática, Litúrgica e Pastoral. O candidato precisa ter, no mínimo, 35 anos de idade e estar casado há, pelo menos, cinco anos. Deve ter ainda vida matrimonial e eclesial exemplares, e possuir autorização verbal da esposa,

no momento da ordenação, e por escrito, para ser arquivada no processo. De maneira geral, o candidato ao diaconato é escolhido entre aqueles que que sobressaem na comunidade por seu engajamento e vivência espiritual. A missão do diácono e a sua atuação pastoral, segundo as normas, é exercida à luz do serviço da caridade, da Palavra e da Liturgia, de maneira diversificada, tornando-se uma força missionária para a vida da Igreja. Os diáconos podem exercer sua missão nas vilas e favelas, comunidades rurais, condomínios, edifícios, cortiços, lugares de trabalho ou de lazer. Nas celebrações, o diácono permanente pode atuar propondo as orações, servindo ao altar, proclamando o Evangelho, purificando os vasos sagrados, fazendo a despedida, além de incentivar a assembleia para uma participação correta e efetiva na Liturgia. Também pode ministrar o Batismo e celebrar Casamentos. Formado na primeira turma diaconal, o analista de sistemas Márcio Lopes de Melo, de 52 anos, conta que o chamado para a ordenação ocorreu de forma natural. Segundo ele, tanto sua esposa quanto suas duas

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Arquivo Arquidiocese de BH

filhas o apoiaram desde o inicio. Desde sua ordenação em 2011, ele vem contribuindo com os trabalhos pastorais do Santuário São Judas Tadeu. Segundo ele, por se tratar de um Santuário, onde o volume de pessoas é muito grande, seu trabalho é bem intenso e ao mesmo tempo gratificante. “Sinto-me extremamente feliz com esse trabalho e espero continuar ajudando bastante na missão evangelizadora da Arquidiocese de Belo Horizonte.”

A primeira turma de diáconos permanentes da Arquidiocese de Belo Horizonte foi ordenada em outubro de 2011

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O Estádio Mineirão ficou repleto de fiéis em 2006 para a celebração da 12ª Torcida de Deus e a beatificação de Padre Eustáquio. Cerca de 80 mil fiéis se emocionaram durante a homilia do arcebispo dom Walmor, que destacou o exemplo de amor e fé de padre Eustáquio e ainda ressaltou que o novo beato reforça a devoção dos fiéis. “Ele era o missionário da saúde e da paz, exemplo de solidariedade e esperança”, disse. O rito de beatificação contou com a presença do cardeal José Saraiva Martins, então prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. “Padre Eustáquio foi um homem que se preocupou com os pobres, os aflitos, os doentes e as crianças”, disse o padre Marcus Vinícius, postulador da causa de canonização do padre Eustáquio. Segundo o sacerdote, a vida simples do Bem-aventurado e sua conduta voltada a ajudar os mais pobres representam um estímulo

aos fiéis e uma referência de humildade. “Padre Eustáquio foi modelo de sacrifício e um pastor que conhecia as necessidades do povo. Ele foi fiel à Igreja e amou o próximo como nos ensinou Jesus.” Padre Marcus Vinicius ressalta a importante participação da Arquidiocese de Belo Horizonte no processo de beatificação de Padre Eustáquio: “A Arquidiocese liderada por dom Walmor sempre nos apoiou e por isso pudemos levar adiante o processo de beatificação de Padre Eustáquio. Sentimos que sua representatividade é tão grande para dom Walmor que o Arcebispo leva consigo, e divulga, em todos os lugares aonde vai, o lema de padre Eustáquio, ‘saúde e paz’, ressalta padre Marcus Vinicius, ao contar que “a abertura pastoral, a boa vontade e a dedicação de dom Wamor foram fundamentais para que os trabalhos de levantamento dos dados caminhassem e chegássemos à beatificação”.

No caminho já trilhado por Padre Eustáquio, Ir. Benigna caminha para ser reconhecida como bem-aventurada. Em outra cerimônia que também emocionou os fiéis, mais de duas mil pessoas participaram na igreja de Santa Teresa e Santa Teresinha, em Belo Horizonte, em outubro de 2011, da celebração que marcou o início do processo de beatificação da Irmã Maria da Conceição Santos, a Irmã Benigna, como era conhecida. O processo de beatificação de Irmã Benigna está no Vaticano e como conta a presidente da Associação dos Amigos de Irmã Benigna (Amaiben), Maria do Carmo de Souza Figueiredo Mariano, que conheceu a religiosa, não há uma regra de tempo para que o estudo da vida e obra da religiosa seja concluído. “Cada caso é um caso, mas nós estamos firmes fazendo nossa parte de reconhecer

as graças de Irmã Benigna”, disse. Segundo Maria do Carmo, a Arquidiocese de Belo Horizonte, liderada por dom Walmor, foi um dos pilares dessa conquista. “Agradecemos de coração ao nosso Arcebispo o incessante trabalho de construção do nosso sonho e da abertura que nos deu ao incentivar a busca pelos documentos da rica história de nossa Irmã Benigna. Sem dom Walmor, com certeza não teríamos chegado tão longe”, diz a presidente da Amaiben. Diretora da Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade, a qual Irmã Benigna fez parte, Ir. Márcia Almeida Santiago também destacou o empenho da Arquidiocese de Belo Horizonte e a liderança de dom Walmor, “chaves para a continuação do processo de beatificação de Irmã Benigna”.

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Mary Lane Vaz

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Padre Eustáquio, missionário da saúde e da paz, foi beatificado durante a Torcida de Deus

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Marcos Fiqueiredo

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Todos os anos, a Jornada Arquidiocesana da Juventude congrega milhares de jovens em oração

Nas últimas décadas, uma das prioridades da ação evangelizadora da Igreja no Brasil tem sido o trabalho com a juventude, tônica constante desde a decisiva "opção preferencial pelos jovens", assumida na Conferência Episcopal de Puebla, em 1979. Em repetidas assembleias, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com a publicação do Documento 85, em 2007, "Evangelização da Juventude: Desafios e Perspectivas Pastorais", tratou o tema como o grande norte para o trabalho com as juventudes no País. Em comunhão com as diretrizes pastorais e evangelizadoras da Igreja no Brasil, a Arquidiocese de Belo Horizonte sempre assumiu seu compromisso em investir na juventude. Entre 2006 e 2007, o Vicariato Episcopal para a Ação Pastoral instituiu e organizou o Secretariado Arquidiocesano da Juventude (SAJ), com o objetivo de apoiar

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e congregar todas as iniciativas ligadas aos jovens. O SAJ orienta-se pelo Documento 85 da CNBB e pelas "Diretrizes do Secretariado Arquidiocesano da Juventude", publicado em 2008. Vem desenvolvendo um importante trabalho de evangelização e de congregação dos jovens. O SAJ proporciona formações pensando no desenvolvimento e no fortalecimento da juventude, respeitando os diferentes carismas e congregando as diferentes realidades juvenis em quatro grandes encontros arquidiocesanos: a Jornada Arquidiocesana da Juventude, celebrada aos moldes da Jornada Mundial da Juventude sempre no Domingo de Ramos; a Peregrinação ao Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade, em 15 de agosto, o Fórum Arquidiocesano das Juventudes e o Dia Nacional da Juventude (DNJ), normalmente no último domingo de outubro.


Gustavo Drumond

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Milhares de peregrinos viveram a Semana Missionária e o Congresso Mundial de Universidades Católicas (Cmuc)

A ideia é que esses grandes eventos formem uma unidade e funcionem como elo, um encadeado ao outro, de acordo com a temática da Campanha da Fraternidade proposta para cada ano. Outro desafio é a formação dos jovens. O SAJ apoia iniciativas que objetivem amadurecer os jovens na vivência da fé. Mesmo sendo organizada pelo Secretariado Arquidiocesano da Juventude, a Jornada Arquidiocesana da Juventude (JAJ) nasceu de uma iniciativa popular, em 2005, quando alguns grupos de jovens de Belo Horizonte e Região Metropolitana se articularam e realizaram o primeiro encontro. Em 2009, o movimento ganhou o apoio e a organização da Arquidiocese e passou a se chamar Jornada Arquidiocesana da Juventude. Esse apoio foi fundamental para impulsionar o evento. Desde então, a Jornada Arquidiocesana se tornou o segundo maior encontro de jovens da Igreja de Belo Horizonte, marcada sempre pela presença dos diferentes carismas e expressões juvenis. De acordo com Guilherme Oliveira Siqueira, jovem que integrou o SAJ, graças à organização da Arquidiocese o evento cresceu bastante. “A edição realizada em 2005 não reuniu mais do que 500 jovens. Já em 2010, tivemos a participação de mais de três mil jovens”, conta Guilherme Siqueira, ressaltando a importância do apoio recebido pela Arquidiocese.

Para Wendel José dos Santos, a Jornada de 2010 foi um marco na caminhada da juventude na Igreja de BH. O encontro, que começou a ser preparado durante a Torcida de Deus no estádio Mineirão, em 2009, quando dom Walmor entregou a réplica da Cruz da JMJ aos jovens, foi significativo para celebrar festivamente a primeira edição do evento. “Quando celebramos pela primeira vez a JAJ, foi emocionante ver o grande número de jovens presentes. Antes era um movimento tímido, mas após o arcebispo dom Walmor acolher o evento e transformá-lo em Jornada Arquidiocesana, fez com que se frutificasse e multiplicasse a presença e a beleza das expressões juvenis na Arquidiocese”. Em 2013, a juventude católica local encheu a Praça do Papa em Belo Horizonte, para celebrar a 4ª JAJ. Na ocasião, dom Walmor disse: "Desejo que esta praça um dia seja chamada de Praça do Papa e dos Jovens. É bonito ver tantos jovens abrindo seu coração para Jesus. Estar aqui hoje é uma escolha de vida. Vida que é um dom de Deus e precisa ser bem cuidada. Encher nossos corações desse amor de Deus nos dá força para superar as dificuldades. Livrando-nos das muitas alternativas erradas, de tropeço e de prejuízo para nossas vidas".

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Vagner Costa

Todos os anos, no dia 15 de agosto, data em que é celebrada a Assunção de Nossa Senhora, ocorre o maior encontro com os jovens da Arquidiocese. Promovido pelo Secretariado Arquidiocesano de Juventude, a Peregrinação da Juventude ao Santuário Nossa Senhora da Piedade completou, no ano passado, 18 anos de história, e chega a concentrar, diante da Ermida da Padroeira, 12 mil pessoas. A Via-Sacra, com os 15 passos da Paixão de Cristo, pode ser vivenciada pelos jovens ao percorrem o caminho de dois quilômetros de subida até chegarem à Ermida e ao Calvário, no alto da Serra da Piedade. Além de ser um momento de contemplação das belezas naturais da Serra, a caminhada é uma oportunidade para os jovens recarregarem suas energias e buscarem forças para a missão de evangelizar os jovens. Na opinião do bispo auxiliar dom João Justino de Medeiros Silva, que esteve à frente do último encontro, a peregrinação de 2013 foi ainda mais especial, principalmente porque os jovens continuavam tocados e traziam viva a lembrança das experiências vividas durante a Semana Missionária de BH e o encontro com o Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, em julho. Para o arcebispo dom Walmor, que também caminhou com os jovens, ir ao Santuário Nossa Senhora da Piedade é uma experiência marcante para todo cristão. "Experimentar o silêncio e a aragem das montanhas, rezar, meditar, renova a expressão do nosso rosto, limpa nossa mente e nos traz uma paz imensa. Precisamos resgatar e fortalecer, cada vez mais, a nossa fé e a nossa esperança."

Jovens vão ao Santuário da Padroeira de Minas cultivar, no coração, a devoção a Nossa Senhora da Piedade

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Marcos Figueiredo

Mais de 20 mil jovens participaram da abertura da Semana Missionária de Belo Horizonte

A Semana Missionária da Arquidiocese de Belo Horizonte foi realizada de 16 a 21 de julho, uma semana antes da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2013 no Rio de Janeiro, como forma de preparação para o encontro dos jovens com o Papa. Na abertura da Semana Missionária, milhares de peregrinos se uniram à juventude da Arquidiocese, na Praça da Pampulha, e celebraram com grande alegria o momento histórico, que contou com apresentações musicais, artísticas e Celebração Eucarística. Mais de 20 mil fiéis participaram do evento. A Semana, na Arquidiocese de Belo Horizonte, proporcionou aos jovens peregrinos a possibilidade de conhecer os trabalhos sociais, culturais, trocar experiências e enriquecer sua vivencia de fé, conhecendo

os costumes locais em uma região considerada um tesouro no coração católico do Brasil. O clima de entusiasmo e expectativa para a JMJ marcou também a Caminhada da Juventude durante a Semana Missionária. Mais de oito mil pessoas, entre peregrinos, estrangeiros e jovens fiéis mineiros, acompanhados pelo arcebispo dom Walmor e dos bispos dom João Justino e dom Luiz Fechio, percorreram as principais ruas da capital. Na ocasião, dom João Justino disse que o tema escolhido “A juventude quer viver” é um chamado para a valorização da vida. “Precisamos despertar a atenção dos jovens em uma perspectiva de fé e ajudá-los para que encontrem a medida justa para vivenciar a juventude.”

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Gualter Naves

Gualter Naves

O CMUC reuniu estudantes, professores, colaboradores e pesquisadores de instituições católicas de 28 países

No contexto da Semana Missionária de Belo Horizonte, a PUC Minas realizou o Congresso Mundial de Universidades Católicas (CMUC), em julho de 2013, no campus Coração Eucarístico, com o tema Novos Tempos, Novos Sentidos. Palestrantes de destaque no cenário internacional debateram diversos temas ligados à fé e crise de sentido, espiritualidade e comunicação, entre outros temas relevantes. O Congresso reuniu 1,5 mil pessoas, de 28 países, entre professores e alunos de instituições católicas de ensino. O evento contou também com a participação de entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Associação Nacional de Educação Católica

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(Anec), a Conferência dos Religiosos do Brasil, e de palestrantes com destaque internacional. Para o arcebispo dom Walmor, as universidades católicas precisam ser uma escola com a qual a Igreja necessita contar, que tenha compromisso com a educação integral. O coordenador executivo do Congresso e professor de Ciências da Religião da PUC Minas, Carlos Frederico Barboza de Souza, explica que o CMUC atingiu o objetivo de se constituir em espaço aberto às instituições de ensino superior católicas do mundo e às diversas pastorais universitárias para discutirem o seu papel diante da atual realidade, marcada por grandes mudanças.


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Ícaro Silva

O Dia Nacional da Juventude (DNJ) surgiu em 1985, durante o Ano Internacional da Juventude, promovido pela Organização das Nações Unidas. O DNJ é o principal evento da Pastoral da Juventude e ocorre em todo o País, em todos os estados. Foi pensado como um dia em mutirão, planejado antecipadamente, com a divisão de tarefas mais bem definida e uma boa avaliação ao final. A realização do DNJ acontece no último domingo do mês de outubro, exceto em ano eleitoral. O último DNJ celebrado na Arquidiocese, em 2013, reuniu centenas de jovens no Ginásio do Colégio Pio XII. O encontro teve como tema "Juventude e Missão" e o lema “Jovem: levante-se, seja fermento!”.

Em janeiro deste ano, a Arquidiocese de Belo Horizonte foi a sede também da Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude, evento que celebrou os 40 anos da Pastoral no Brasil e que teve como tema “Somos Igreja jovem: 40 anos construindo a civilização do amor” e o lema “Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (Atos 4,10). A Ampliada Nacional, realizada a cada três anos, contou com a participação de milhares de jovens de todo o País, além da participação de delegados diocesanos escolhidos pelas organizações regionais. A Ampliada é a instância em que ocorrem as deliberações, escolhas das diretrizes para a ação e caminhada das juventudes. É nela que também se reflete a representação na coordenação nacional da Pastoral da Juventude, além de apontar rumos para a escolha de assessores e secretarias nacionais.

Dom Eduardo Pinheiro da Silva, presidente da Comissão Episcopal para a Juventude da CNBB, participa da Ampliada Nacional da Juventude, realizada na Arquidiocese de BH em 2014

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Marcos Aurelio

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s iniciativas, projetos e serviços envolvendo o cuidado social com os mais necessitados têm registrado um crescimento importante nesta última década. Com a participação de leigos, religiosos e sacerdotes, a Arquidiocese de Belo Horizonte contribuiu decisivamente para a realização de campanhas cidadãs com a participação crescente dos fiéis nas políticas públicas no âmbito da educação, segurança, moradia; em defesa da vida, da juventude, da dignidade humana. Além disso, desenvolveu ações de solidariedade para amparar vítimas de desastres naturais e de guerras. Todas essas iniciativas encontram grande força no Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política. O Vicariato permitiu a apro-

ximação das instituições que buscam a inclusão social, a promoção da caridade e da cidadania. Consequentemente, viabilizou o planejamento de ações ampliadas, com a participação de todas as pastorais sociais. A Fundação Hospitalar Nossa Senhora de Lourdes e a Fundação Obras Sociais da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem também contribuíram para o crescimento da ação social da Igreja na Arquidiocese de Belo Horizonte. Ao longo dos últimos dez anos, estas instituições, vencendo dificuldades, mantêm o serviço aos enfermos, aos idosos, às crianças e aos jovens em situação de risco social. Com o modelo de gestão corporativa, a Arquidiocese de Belo Horizonte conseguiu ampliar ainda mais o serviço aos pobres. Inaugurou em 2012 o Projeto Vila Fátima, em Ribeirão das Neves, e assumiu o Projeto Providência, em 2014.

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Dom Walmor trouxe para Belo Horizonte uma experiência bem-sucedida instituída na Arquidiocese de Salvador, na Bahia. Trata-se da Central de Acolhida, referência para os que buscam alguma forma de amparo. “O objetivo da Central de Acolhida é prestar assistência aos vulneráveis e excluídos que vivem à margem da sociedade”, diz a coordenadora de projetos, Cirlene Pereira Lima. Diariamente são realizados, em média, 40 atendimentos. Coração do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política, a Central de Acolhida recebe um amplo público, dependentes químicos, moradores de rua, vítimas de violência doméstica e pessoas em situação de vulnerabilidade social. “As pessoas que nos procuram estão debilitadas psicologicamente. Nossa missão é atender às demandas urgentes desses necessitados”, explica Cirlene Lima, que acrescenta: “Sempre trabalhamos para resgatar a dignidade dessas pessoas”. As demandas são múltiplas e são várias as ações desenvolvidas pela Central de Acolhida. Um exemplo é o trabalho na prevenção de tragédias em vilas e favelas, que correm risco de deslizamentos de terra e desaba-

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mentos. São realizados mutirões de limpeza e atividades de esclarecimento e educação sobre a situação. Outra iniciativa de destaque é o amparo aos moradores de rua que, ao procurarem a Central de Acolhida, recebem roupas, cobertores, remédios e, quando necessário, são encaminhados para atendimento médico. A Central de Acolhida ainda cuida das pessoas que estão perdidas na Capital, sem condições, por limitações financeiras ou orientações, de retornar para o interior. Pessoas com necessidades especiais que se encontram em casa, acamadas, também são contemplados com ações da Central de Acolhida. Visitas são realizadas e fornecidos medicamentos, produtos de higiene. Famílias de presos também são assistidas pela Central, visando especialmente à ressocialização daqueles que formam a população carcerária. Há ainda um acompanhamento e suporte para refugiados estrangeiros, como os haitianos. Estima-se que existam hoje no Brasil em torno de 18 mil haitianos sobreviventes do terremoto que assolou o país em 2010. “Todas essas inciativas contemplam o cuidado com ossofredores”, ressalta Cirlene Lima.


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Gilberto Alves

Muitas pessoas que procuram a Central de Acolhida sofrem com a dependência química e são encaminhadas para a Pastoral da Sobriedade. Com o trabalho pontual para combater a dependência, cultiva-se a espiritualidade cristã. Os agentes desta Pastoral realizam semanalmente reuniões com dependentes químicos e seus familiares para monitorar a evolução, momentos também de reflexão e troca de experiências. A Pastoral da Sobriedade atua em comunhão com outras pastorais, acolhendo um público diversificado, de diversas idades e classes sociais. Participante de um dos grupos de ajuda, e agente da Pastoral da Sobriedade há quatro anos, Maria Theotônio de Lima, 73 anos, afirma que a dimensão espiritual do trabalho contribui efetivamente para transformar a vida de muitas famílias. “Enfatizamos a presença do Deus transformador, que é capaz de mudar o rumo da vida de todos nós.” Para a agente, o mais gratificante é quando o resultado do trabalho é comprovado pelo depoimento dos participantes dos grupos. “Na partilha das experiências, os participantes conseguem identificar parte da história deles, com o sofrimento e anseio do outro. Dessa forma, percebem melhor os problemas que os afligem e buscam superá-los”, diz a irmã Ivelina Tavares, integrante da Pastoral da Sobriedade. Em dez anos, nos 25 grupos da Pastoral, foram realizados 72.000 atendimentos, com média de 9,7 pessoas em cada reunião semanal. As ações da Pastoral ainda se concentram na prevenção (para quem não experimentou as drogas), na intervenção (para quem faz uso esporádico de drogas), na recuperação (do dependente), reinserção familiar e social (do dependente em sobriedade) e atuação política (criar redes de diálogo e articulação).

Maria Theotônio participa de um dos grupos de autoajuda e hoje já contribui para a recuperação daqueles que procuram a Pastoral da Sobriedade.

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Iraci Laudares

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A Pastoral de Rua do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte é formada por uma equipe de cerca de 30 agentes, entre leigos e religiosos, que são sensibilizados e comprometidos com a situação de quem mora nas ruas. “A missão é ser presença de Deus e resgatar a história de cada um, desenvolvendo ações que possam transformar a vida dessas pessoas”, diz Claudenice Rodrigues Lopes, da Pastoral de Rua. Em recente levantamento, desenvolvido por meio de parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foram identificados 280 locais onde há a concentração de moradores de rua na Capital Mineira. Uma população que vive à margem da sociedade, sem acesso aos bens e serviços básicos da cidade, com pouca ou nenhuma qualificação profissional, que faz das ruas, praças e vãos de viadutos suas moradias. Anita Gomes dos Santos, 54 anos, hoje é voluntária da Pastoral, mas por mais de 30 anos vivenciou a realidade dos moradores de rua. Certa noite, durante sua juventude, na década de 1970, ela chegou tarde à sua casa após ter saído com amigos. “Não houve diálogo, a minha mala já estava pronta, meu pai me expulsou de casa e, aos 17 anos, fui morar na rua.” Nesse período, Anita dos Santos se tornou alcoólatra, consumiu drogas e conviveu com a violência e com toda a degradação social possível. Orientada por um agente, ela procurou a Pastoral de Rua, fez cursos profissionalizantes, como os de informática e de agente de políticas sociais. Hoje, ela é voluntária da Pastoral. Constituiu família - tem quatro filhos e dez netos. “A mensagem que eu tento passar para os meus amigos é que, com fé e perseverança, é possível mudar o rumo de nossas vidas.” O catador de materiais reaproveitáveis Claudinei Pereira da Silva, por cinco anos, viveu nas ruas de Belo Horizonte. Nesse período, contraiu o vírus HIV. “A madrugada é fria e a situação do morador piora com as chuvas, porque os cobertores e as roupas ficam molhados. Essa realidade destrói a vida de quem passa por isso. A Pastoral de Rua me ajudou a resgatar a dignidade”, diz Claudinei Silva, 40 anos, que hoje reside em um espaço alugado. Ele participa de todas as atividades da Pastoral de Rua. Histórias semelhantes também marcaram a vida de Rosilene Peixoto, 57 anos, e Lázaro Severiano Batista, 55 anos. “As ações da Pastoral nos apresentam a possibilidade de viver com mais integridade”, diz Lázaro. ARQUIDIOCESE EM MOVIMENTO | UMA DÉCADA NO TERCEIRO MILÊNIO

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Arquivo Faรงo Parte

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Amparar os pequeninos, as crianças e adolescentes, é prioridade da Igreja, um dever de toda a sociedade. As Pastorais do Menor e da Criança, além das Obras Sociais da Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem e o Projeto Vila Fátima são importantes referências no cuidado daqueles que são o futuro e o presente de nossa sociedade. A Pastoral do Menor do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte tem como missão promover e defender a vida das crianças e dos adolescentes empobrecidos e em situação de risco, desrespeitados em seus direitos fundamentais. A Pastoral do Menor de Belo Horizonte desenvolve diversos programas:

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O Serviço Famílias Acolhedoras organiza o acolhimento, em residências de famílias acolhedoras cadastradas, de crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva, adotada em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente. O afastamento ocorre em função de abandono ou porque os responsáveis pelas crianças encontram-se, temporariamente, impossibilitados de cumprir sua função de cuidado e proteção. Essa medida pode ser provisória, até que seja viabilizado o retorno da criança ao convívio com a família de origem, ou definitiva. Neste caso, a criança é encaminhada para a adoção. O acolhimento provisório, via programa Famílias Acolhedoras, propicia o atendimento em ambiente familiar, garantindo atenção individualizada e convivência comunitária, o que favorece a socialização de crianças e adolescentes. Participante do projeto há dois anos, a aposentada Lourdes Conceição Lopes, atualmente acolhe um garoto de dois anos. Ficou sabendo do serviço por meio da programação da Rádio América (AM 750). “É uma experiência gratificante e enriquecedora. Mesmo que seja temporário, o convívio da criança com os membros da família acolhedora ajuda na sua formação, pois ela encontra muito carinho, um ambiente familiar”, diz Lourdes Lopes.

Programa Enlaçando Vidas promove atividades que busquem o restabelecimento dos vínculos familiares e comunitários das famílias que possuem crianças e adolescentes em situação de risco. A prioridade é o atendimento às famílias com criança e adolescente em medida de acolhimento institucional. É uma parceria com a Congregação Filhas de Jesus.

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Programa de Acolhimento Institucional Casa das Meninas acolhe crianças com trajetória de vida na rua, vítimas de violência, uso de drogas, situação de abandono e outras circunstâncias de ameaça ou violação dos direitos. Acolhe 15 meninas em regime de abrigo, acolhimento institucional, na faixa etária de 9 a 16 anos. Atualmente, a casa tem um público composto, em sua maior parte, por adolescentes e pré-adolescentes, que tem baixa possibilidade de serem adotadas ou retornarem para as famílias de origem. Assim, a Instituição desenvolve atividades para a promoção da autonomia das adolescentes. As ações buscam incluí-las em programas de qualificação profissional, de inserção no mercado de trabalho, como aprendiz ou trabalhador, observadas as devidas determinações legais. Objetivase, com isso, a preparação gradativa para a autonomia das meninas assistidas quando atingida a maioridade.

Programa de Fortalecimento da Política de Atendimento à Criança e ao Adolescente visa promover e defender os direitos das crianças e dos adolescentes em situação de risco social e pessoal, desrespeitados em seus direitos fundamentais, por meio da participação e presença nos espaços de articulação de entidades do poder público e sociedade civil, onde são discutidas e definidas as questões relacionadas às crianças e aos adolescentes, bem como atuar na formulação e fiscalização das politicas públicas.

Programa Estive Preso e Fostes me Visitar é presença pastoral junto aos adolescentes em cumprimento à Medida Socioeducativa nos Centros de Internação. A ação da pastoral visa levar aos adolescentes a formação cristã voltada para a cidadania, a sensibilização de que o período de cumprimento da medida socioeducativa é momento fundamental para que se responsabilize pelo ato praticado e também para que tenha oportunidade de construir um novo projeto de vida. O projeto Famílias Acolhedoras contribui para a socialização de crianças e adolescentes ARQUIDIOCESE EM MOVIMENTO | UMA DÉCADA NO TERCEIRO MILÊNIO

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Ícaro Silva

Com a Pastoral do Menor, a Pastoral da Criança trabalha em benefício dos pequeninos e pequeninas, com ações que visam a promoção da vida. As iniciativas desta instituição são destinadas principalmente às crianças com até seis anos, além de suas famílias. Em dez anos, a Pastoral da Criança da Arquidiocese de Belo Horizonte acompanhou 182.500 crianças e suas famílias. Para desenvolver este acompanhamento, conta com 1.843 líderes treinados e capacitados pela própria Pastoral. As ações englobam a capital e municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A metodologia conta com três grandes momentos de interação. Os líderes fazem visitas mensais às gestantes e às famílias acompanhadas, há um momento de celebração da vida e, por fim, há uma reunião de avaliação em que os líderes de comunidade se reúnem para refletir sobre as ações e avaliar o trabalho realizado. O acompanhamento de gestantes e famílias é realizado mensalmente. Durante as visitas, os líderes compartilham conhecimentos sobre nutrição, higiene, cidadania, gestação, prevenção e educação infantil, entre outros. “Quando se verifica que as crianças estão com baixo peso, as visitas são intensificadas”, explica Rita Jardim Carnevalli, que integra a coordenação da Pastoral da Criança. Também integrante da Pastoral, Luiz Gustavo Honório conta que recentemente a Pastoral iniciou um novo trabalho: o acompanhamento das crianças que estão com sobrepeso. “Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que no nordeste há mais crianças com sobrepeso do que desnutridas. E no sudeste este número é ainda maior”, explica o coordenador. Todas as visitas são catalogadas em um formulário padrão e os dados são encaminhados para o Ministério da Saúde. De posse das estatísticas, o Governo Federal pode adotar outras medidas para melhorar a saúde de crianças, de gestantes e de suas famílias. A Pastoral da Criança da Arquidiocese de Belo Horizonte comemorou 25 anos em novembro de 2013. Nos

Agentes da Pastoral da Criança, durante visita às famílias

últimos dez anos, expandiu sua área de atuação, de acordo com o coordenador Luiz Gustavo, que trabalha na Pastoral desde 1997. “Crescemos na qualidade do trabalho, na capacitação de líderes. Conquistamos, assim, mais credibilidade junto às famílias”, conta. Luiz Gustavo lembra que no início a Pastoral acompanhava apenas o peso das crianças. “Hoje avaliamos também o Índice de Massa Corporal (IMC) e outros aspectos nutricionais”, diz. O coordenador destaca o carinho dedicado pelo arcebispo dom Walmor à Pastoral da Criança. “É nos oferecida toda a estrutura do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política. Todas as assembleias da Pastoral da Criança, nos níveis estadual ou nacional, reafirmam a importância da participação dos sacerdotes. Na Arquidiocese de Belo Horizonte, esta participação é efetiva. Dom Walmor é sempre presente com uma atenção determinante para o desenvolvimento das nossas atividades.” Um relatório divulgado em setembro de 2012 pelo Fundo Nacional das Nações Unidas para a infância (Unicef) mostrou que o Brasil conseguiu, com quatro anos de antecedência, atingir as metas estipuladas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a redução de índices de mortalidade infantil. Desde 1990, o Brasil reduziu em 73% a mortalidade entre as crianças até seis anos de idade. O trabalho da Pastoral contribui para essa melhoria.

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Arquivo Vila Fátima

Projeto Vila Fátima contribui para a formação de jovens de Ribeirão das Neves

Inaugurado em 2012, o Projeto Vila Fátima promove ações para jovens com o propósito de assegurar o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, visando prevenir situações de vulnerabilidade pessoal e social. São oferecidas diversas oficinas para jovens e adolescentes, de 15 a 17 anos, com foco na inclusão digital – como informática e montagem e manutenção de computadores – e na formação humana integral – como comunicação, dança, cultura, identidade, família, sociedade, sexualidade e afetividade, direitos da juventude, mercado de trabalho. O Projeto Vila Fátima considera a juventude como uma fase em que o indivíduo trilha novos caminhos em busca de reconhecimento, construção e afirmação da própria identidade, de inserção plena na vida social. Por isso, o trabalho é desenvolvido considerando o potencial do jovem em se reinventar e tornar-se protagonista de sua vida, e a capacidade de sonhar e transformar sua própria realidade. As oficinas contribuem para a ampliação do universo informacional, artístico e cul-

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tural dos jovens, bem como estimulam o desenvolvimento de potencialidades, habilidades, talentos e propicia sua formação cidadã. As atividades priorizam dinâmicas de grupo, pois elas possibilitam considerar integralmente o contexto social e relacional dos participantes, e ainda trabalhar questões informativas e reflexivas. Os jovens e outros membros da comunidade que participam das oficinas e das rodas de conversa têm a possibilidade de aprender mais. Além disso, os familiares dos jovens e a comunidade local também são acolhidos no Projeto para atividades que estimulam o fortalecimento de vínculos, a geração de renda e os hábitos saudáveis. Eles podem participar das oficinas de culinária, construção e cidadania, capoeira, grupos de convivência, rodas de conversa, momentos de espiritualidade. Para a jovem Larissa Natály Lopes de Oliveira Gabriele, de 16 anos, que participa das oficinas promovidas pelo Vila Fátima, a iniciativa oferece algo muito além de uma formação técnica. “Ajuda a entender o próximo, quem somos , o que queremos e como queremos, ensina que devemos, sim, correr atrás dos nossos objetivos e amplia nossos horizontes para um mundo que podemos transformar para melhor”, avalia a jovem. Também assistido pelo Projeto Vila Fátima, o jovem Lincoln dos Santos Nascimento, 17 anos, diz que se surpreende, a cada dia, com a iniciativa. “Atualmente, o ser humano encontra problemas para se relacionar, se comunicar, acreditar em si mesmo. Aí entra o Vila Fátima, trazendo a solução para esses problemas, dando assistência para nós, jovens, nos preparando para o mercado de trabalho e principalmente para a vida. Falando assim, parece até que estou falando de Jesus, mas na verdade estou externando o que Jesus ensinou e o Projeto Vila Fátima cumpre: amar o próximo como a si mesmo”, comenta Lincoln Nascimento. O jovem conta que aprendeu no Projeto Vila Fátima a ter uma boa comunicação, a compreender alguns assuntos e temas importantes para um adolescente. “As aulas me ensinaram a falar de maneira adequada, de acordo com o ambiente no qual me encontro, a ouvir e emitir minha opinião e meu ponto de vista de forma clara.” A Arquidiocese de Belo Horizonte inaugurou o Projeto Vila Fátima no dia 24 de agosto de 2012, na região de Justinópolis, distrito do município de Ribeirão das Neves. Antes de completar dois anos de serviço à comunidade, o Projeto beneficiou cerca de 1.780 pessoas, realizou 340 atendimentos a jovens, 346 atendimentos a familiares e pessoas da comunidade.

Fotos: Projeto Vila Fátima

A jovem Larissa Lopes diz que o Vila Fátima ampliou seus horizontes

Para Lincoln dos Santos, o Vila Fátima prepara a juventude para a vida

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O serviço da Arquidiocese de Belo Horizonte na promoção à infância e adolescência cresce ainda mais em 2014 com a integração do Projeto Providência no conjunto de suas obras sociais. O Projeto Providência atende crianças, adolescentes e jovens entre 3 e 23 anos, há mais de 25 anos, em áreas de alto índice de exclusão social. Atualmente, o projeto tem três unidades: Vila Maria (na região de Sabará), Bairro Taquaril e Aglomerado da Serra. O objetivo do projeto é fazer um atendimento integral (físico, emocional, espiritual, profissional e político), envolvendo toda a família na construção de uma vida melhor para todos. Nas unidades, as crianças, adolescentes e os jovens têm duas refeições diárias, apoio escolar, formação social, política, ambiental, religiosa e assistência odontológica. Participam de momentos de recreação, canto, teatro e de oficinas de arte e culinária, além de cursos profissionalizantes. Atualmente, o projeto passa por uma grande reestruturação. “A perspectiva é que ofereçamos mais serviços e possamos fazer um atendimento para mais pessoas. Uma população que necessita de melhor qualidade de vida”, diz o padre Ademir Ragazzi, que assumiu a presidência do Projeto. As ações do Projeto Providência têm transformado a vida de crianças, jovens e adolescentes. Aos 14 anos, em 2010, a então adolescente Raíssa Martins Moreira participou de um curso de corte e costura na Unidade

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Vila Maria do Projeto Providência. Foi o início de um carreira de sucesso. Depois de aprender os fundamentos do corte e costura, Raíssa decidiu se profissionalizar. Para isso, tornouse aluna do Senai (Serviço Nacional de Aprendizado Industrial) no curso técnico de vestuário, com ênfase na tecnologia da moda, que visa à confecção de peças de vestuário mais elaboradas. Três anos depois, em novembro de 2013, Raíssa ganhou a medalha de bronze


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Marcos Figueiredo

na Olimpíada do Conhecimento promovida pelo Senai e se destacou entre todos os alunos. Hoje, ela possui a perspectiva de desenvolver uma brilhante carreira. “O Projeto Providência me proporcionou o conhecimento básico e me abriu as portas. Por meio das oficinas, descobri a minha vocação e consegui definir o caminho profissional”, diz Raíssa. Nas três unidades, o Projeto Providência atende a 2.431 crianças, jovens e adolescentes.

Crianças e adolescentes de Sabará, bairro Taquaril e Aglomerado da Serra são beneficiados pelo Projeto Providência

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A Fundação das Obras Sociais Nossa Senhora Boa Viagem (Fonsbem) reúne importantes iniciativas que beneficiam crianças e adolescentes, desenvolvidas no Centro Social Lar Frei Leopoldo e na Obra do Berço. Fundado em 1981, o Lar Frei Leopoldo faz o acolhimento institucional de 15 meninas desligadas do convívio dos pais por determinação judicial. A unidade presta atendimento integral a meninas a partir de 7 anos de idade. A missão do Lar Frei Leopoldo é contribuir para o desenvolvimento físico e mental, psicológico, intelectual e social, oferecendo alimentação, acompanhamento educacional, moradia, saúde e cultura para as internas. Já a Obra do Berço zela pelas crianças ainda em gestação, oferecendo para as futuras mães, que moram em vilas e aglomerados, enxovais produzidos a partir do trabalho voluntário de fiéis. Além das crianças e suas mães, das jovens em situação de risco social, a Fonsbem cuida daqueles que são mais idosos. A Casa Santa Zita, instituída em 1954, oferece moradia, assistência espiritual, médica, social e humana a 26 idosos. A expectativa é a ampliação, já neste ano, do número de assistidos. Até o final de 2014, a Casa deve acolher 35 idosas. O objetivo é contribuir para a proteção daqueles que já che-

garam à terceira idade, garantindo o respeito de direitos, a dignidade e qualidade de vida. Cristina Antônia de Jesus, 83 anos, é moradora da Casa Santa Zita desde os 12 anos, época em que ficou órfã. Há dois anos, por meio de uma voluntária, está sendo alfabetizada. É bem aplicada durante as aulas. Na casa, Cristina ainda faz atividades de costura, tricô e crochê, participa de momentos de oração e auxilia os outros moradores em tarefas do dia a dia. “A Casa Santa Zita possibilita aos idosos viver com grande qualidade de vida e muita dignidade”, diz, sorridente. A Fonsbem conta ainda com uma farmácia que ajuda pessoas em tratamento médico, mas sem recursos para comprar os remédios. Com a receita, o paciente pode procurar a farmácia para conseguir, gratuitamente, o medicamento. Todas essas ações revelam o empenho da Fonsbem no serviço social aos mais necessitados. Um compromisso que a instituição leva em seu próprio nome. Além de uma sigla que sintetiza a expressão “Fundação Obras Sociais Nossa Senhora da Boa Viagem”, a palavra Fonsbem apresenta o propósito da instituição. “Fons” significa “fonte”, em Latim. Portanto, a Fundação, permanentemente, busca ser “fonte do bem”.

No Brasil, existem 14,9 milhões de idosos acima de 60 anos. Eles representam 7,4% da população de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Muitas dessas pessoas possuem dificuldade de locomoção e problemas de saúde. A Pastoral da Pessoa Idosa, do Vicariato para Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte, tem contribuído para assegurar a dignidade desses idosos. A Pastoral identifica líderes nas comunidades de fé e os capacita para o acompanhamento de idosos. Mensalmente, os líderes realizam visitas e orientam as famílias sobre a importância de cuidar da saúde, fornecem dicas sobre como evitar acidentes domésticos, acompanham os resultados de exames e proporcionam momentos de oração e reflexão. Os líderes ainda identificam possíveis doenças físicas e emo-

cionais. “As pessoas idosas são mais fragilizadas emocionalmente e o nosso contato possibilita soluções para esses conflitos”, diz a líder Angélica das Graças Firmo da Silveira Mata, que atua na Pastoral da Pessoa Idosa há dois anos. Angélica Mata faz visitas mensais à senhora Antônia da Conceição Brochado de Souza, 69 anos. “Fiz uma cirurgia cardíaca há pouco tempo e ainda tenho dificuldade para desenvolver minhas atividades diárias. As visitas periódicas proporcionadas pela Pastoral dos Idosos têm contribuído para a minha recuperação. Além do conforto espiritual, é bom saber que existem pessoas maravilhosas que se dedicam voluntariamente a nos ajudar”, diz Antônia de Souza, que começou a receber as visitas da líder Angélica há dois anos e meio.

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Marcos Figueiredo

Cristina Antônia de Jesus encontrou amparo na Fundação Obras Sociais Nossa Senhora da Boa Viagem

Que os idosos não sejam exilados” (Papa Francisco)

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O Hospital Nossa Senhora de Lourdes é uma instituição sem fins lucrativos vinculada à Arquidiocese de Belo Horizonte. A Instituição oferece atendimento a uma população de aproximadamente 120 mil habitantes, dos municípios de Nova Lima, Raposos e Rio Acima, todos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Referência na assistência médica e hospitalar, a instituição, que fica em Nova Lima, dispõe de 101 leitos e atende a 22 especialidades médicas, entre as quais: cardiologia, cirurgia geral, cirurgia plástica, obstetrícia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, pediatria, pneumologia, proctologia, psiquiatria, radioterapia e urologia. O hospital foi criado em janeiro de 1937 e se tornou Fundação Hospital Nossa Senhora de Lourdes em 1980. Entre os serviços oferecidos destaca-se o pronto-aten-

dimento adulto e infantil, a maternidade, o bloco cirúrgico, o Centro de Tratamento Intensivo, hemodiálise, fisioterapia, ultrassonografia, serviços de tomografia e ecocardiograma. Ao longo de 2012 e 2013, a instituição passou por importantes reformas estruturais. Houve um investimento na humanização do atendimento, melhoria do espaço físico e aquisição de modernos equipamentos. Em 2013, a equipe do hospital atendeu 193.745 pessoas, realizou 5.877 internações, 25.591 sessões de fisioterapia, 3.959 cirurgias e 12.484 sessões de hemodiálise. Gustavo Araújo

Hospital Nossa Senhora de Lourdes recebe visita do Núncio Apostólico no Brasil, dom Giovanni D'Aniello. Instituição beneficia uma população de, aproximadamente, 120.000 habitantes Iraci Laudares

Padre Márcio Nicolau da Silva é diretor e capelão do Hospital Nossa Senhora de Lourdes

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Gilberto Alves

A Casa de Apoio à Saúde Nossa Senhora da Conceição, que integra o Vicariato para a Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte, abriga 40 pessoas diagnosticadas com o vírus HIV, causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). O atendimento é preferencial para pessoas em condições de vulnerabilidade socioeconômica. Instituída em 2008, a casa desenvolve atividades complementares e promoção à saúde. Na residência, há salas de fisioterapia, para atendimento médico e psicológico. No refeitório, os internos passam por uma reeducação alimentar que possibilita uma nutrição mais adequada à saúde deles. A casa oferece atividades socioterapêuticas, que estimulam a valorização espiritual. Desde a sua inauguração, a Casa de Apoio já atendeu mais de 3.500 pessoas, entre residentes e a população que frequenta a instituição em busca de orientação psicológica e fisioterápica. Neste período, a Instituição praticamente dobrou sua capacidade de atendimentos. Hoje, são 40 vagas destinadas aos soropositivos. Além disso, a Casa de Apoio iniciou um novo projeto para receber moradores de rua que, após internação hospitalar para cirurgias ou outros tipos de tratamento, ainda necessitam de um acompanhamento terapêutico. A Instituição oferece esse acompanhamento e, depois da completa recuperação do paciente, o encaminha para a rede de serviços voltados para a população em situação de rua. Para Vivaldo Ferreira Ramos Júnior, supervisor de projetos da Casa de Apoio, a Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política, tem papel determinante na expansão dos serviços oferecidos. “A expansão de nossas atividades deve-se muito ao empenho da Arquidiocese de Belo Horizonte”, explica Vivaldo. Morador da casa há cinco anos, Francisco Romuardo, 45 anos, diz que a Casa de Apoio Nossa Senhora da Conceição resgatou a sua dignidade. Ex-morador de rua e abandonado pela família, Francisco Romuardo encontrou o apoio necessário para sua reabilitação. “Estava desorientado, totalmente sem rumo quando conheci este recanto. Hoje vislumbro um horizonte belo. Consigo conviver com esta doença com muita fé e sinceri-

Ex-morador de rua, Francisco Romuardo afirma que a Casa de Apoio à Saúde Nossa Senhora da Conceição o ajudou a reconquistar a dignidade

dade. Moradores, funcionários e voluntários formam uma grande família”, diz o residente. Ele descobriu que estava com o vírus há oito anos quando realizou alguns exames médicos. De acordo com o Ministério da Saúde, o País registrou 39.185 novos casos de Aids em 2012. Houve um aumento de 12% em relação a 2005 com 34.828 casos registrados. A epidemia continua e instituições como a Casa de Apoio à Saúde Nossa Senhora da Conceição contribuem para melhorar a vida dos portadores de HIV.

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O Conselho Arquidiocesano, formado em 2008, auxilia a Arquidiocese de Belo Horizonte a atuar em cenários em que a vida é desafiada e precisa ser defendida de maneira integral e efetiva. O grupo é constituído por especialistas de diversos ramos do saber, comprometidos em compartilhar com a sociedade os valores cristãos que dizem respeito à dignidade da vida desde a sua concepção. “A iniciativa de criação do Conselho surgiu da visão avançada do arcebispo dom Walmor. Foi formado um grupo de leigos e membros do clero com o objetivo de fortalecer e amparar demandas relacionadas à ética da vida. São situações delicadas, que precisam de argumentos sólidos e alicerces fundamentados em conhecimentos científicos”, disse o diácono Paulo Franco Taitson, coordenador do Conselho Arquidiocesano Pró-Vida. O principal objetivo é o de estudar e compartilhar informações sobre as questões relacionadas com a dignidade da vida, suscitadas pelo avanço das ciências e pela implementação de políticas governamentais, e que requerem o esclarecimento da teologia e da doutrina cristã católica; bem como opinar e propor sobre matérias bioéticas controversas que dizem respeito à preservação da dignidade do ser humano. Arquidiocese de Belo Horizonte promove a inclusão a partir da Pastoral dos Surdos

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Gustavo Drumond

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 28 milhões de brasileiros, o equivalente a 14,8% da população, possuem algum problema auditivo. A surdez pode causar graves problemas psicológicos, como alteração do aprendizado e da fala, dificuldade em se relacionar no trabalho e tendência ao isolamento. Instituída em 1992, a Pastoral dos Surdos da Arquidiocese de Belo Horizonte trabalha para diminuir o estigma da deficiência auditiva. Nos últimos anos, a Pastoral viveu um período de grande crescimento, conforme afirma Cláudia Márcia Soares, que integra a equipe. De acordo com Cláudia, a instituição do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política foi decisiva para essa expansão. “Antes não tínhamos um lugar. Agora, o Vicariato é referência para aqueles que procuram nossos serviços. Somos agradecidos a dom Walmor, por tudo que a Arquidiocese de Belo Horizonte faz pela Pastoral do Surdo”. Conforme explica Cláudia Soares, o Vicariato permitiu maior integração entre as Pastorais, o que também possibilitou a expansão da Pastoral. “Recebemos pessoas em situação de rua, encaminhadas pela Pastoral de Rua, que querem aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libra). Também amparamos familiares de presos, que são surdos, encaminhados pela Pastoral Carcerária”, conta a agente, para exemplificar. Em Belo Horizonte, a Pastoral do Surdo promove Cursos de Libras e incentiva os surdos a participarem de Missas, de catequese e de encontros com tradutores e intérpretes. O professor Marcelo Dias Santana, 29 anos, durante dois anos participou semanalmente do curso de Libras oferecido pela Pastoral do Surdo. Hoje, é um dos 17 tradutores e intérpretes voluntários da Pastoral do Surdo que contribuem para a celebração de Batizados, Missas, Casamentos e palestras com a presença de pessoas surdas. “Com a nossa ajuda, as pessoas surdas se sentem incluídas na sociedade e têm participação ativa em todos os sacramentos”, diz Marcelo. A Pastoral do Surdo também oferece cursos de formação de Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística. Há ainda a oferta de cursos de Artesanato. Em dez anos, foram atendidas mais de 6.300 pessoas surdas.

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Gilberto Alves

Agente da Pastoral dos Negros, Sarah Santos explica que nos últimos 10 anos houve uma expansão dos trabalhos na Arquidiocese de Belo Horizonte

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Os Agentes de Pastoral Negros (APNs) comemoraram 30 anos de existência em 2013. O grupo foi criado em 1983 por meio de reuniões entre intelectuais negros e religiosos da Igreja Católica. Com a Campanha da Fraternidade de 1988, cujo tema foi “Ouvir o Clamor de Deus”, o movimento revigorou. Naquele ano, a campanha ampliou a discussão sobre a participação do negro na sociedade com o centenário da abolição da escravatura. Por meio da fé, os agentes incentivam outros negros ao exercício da cidadania, ao resgate da identidade do povo negro. Ainda propõem aos governos políticas públicas e ações afirmativas que garantam à população negra o acesso aos direitos e à cidadania. Os APNs tiveram participação destacada no processo de discussão que resultou no Estatuto da Igualdade Racial. Os agentes realizam ainda ações para a educação de crianças entre 4 e 8 anos e adolescentes de 10 a 18 anos com atividades lúdicas e palestras que cultivam a cultura e a memória dos negros. Há ainda ações para incentivar as mulheres negras à vida participativa. De acordo com Sarah Santos, que atua nos APNs há 13 anos, a luta para preservação dos direitos da população negra é diária. Ela afirma que nos últimos dez anos, com o apoio recebido de dom Walmor, houve uma expansão dos trabalhos na Arquidiocese de Belo Horizonte. “Defendemos sempre a inclusão social dos negros. Essa parcela da população é sempre aviltada em seus direitos fundamentais. Os APNs contribuem para fiscalizar e intervir nos casos em que os negros sofram discriminação racial ou tenham seus direitos violados”, diz Sarah Santos, que é coordenadora estadual dos APNs.


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Os direitos humanos, conforme define a Organização das Ações Unidas (ONU), são aqueles que devem ser partilhados por todas as pessoas, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, idioma, religião ou qualquer outra condição. Os direitos humanos incluem o direito à vida, à liberdade, ao trabalho, à liberdade de expressão e de opinião, entre outros. A Comissão Pastoral de Direitos Humanos da Arquidiocese de Belo Horizonte, instituída há 34 anos, tem o objetivo de reforçar a proteção, reparação, defesa e promoção dos direitos humanos. As ações da Pastoral dos Direitos Humanos incluem atendimento de vítimas de violência e a familiares de presos. A Pastoral instituiu e cuidou da Gestão dos primeiros anos do Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita). A iniciativa que nasceu com grande participação da Igreja Católica, posteriormente, tornou-se programa do Governo Federal. Periodicamente, a Pastoral também realiza o curso de Educação Popular em Direitos Humanos que objetiva a capacitação e o aperfeiçoamento de lideranças de movimentos sociais, agentes de pastorais, agentes comunitários, estudantes e promotores de direitos humanos. A Pastoral dos Direitos Humanos atua em colaboração com outras instituições de direitos humanos de âmbito estadual, como a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e o Movimento Nacional de Direitos Humanos, regional de Minas Gerais. Levantamento de 2012 do Ministério da Justiça mostra que a população carcerária brasileira é de meio milhão de presos. A Pastoral Carcerária do Vicariato para a Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte tem como objetivo evangelizar as pessoas privadas de liberdade, bem como zelar pelos direitos humanos e pela dignidade da pessoa humana no sistema prisional.

Além da evangelização dos presos, as ações da pastoral incluem um diálogo intenso com a sociedade na promoção da cidadania e educação para a justiça. O diálogo com a sociedade visa à formação de uma consciência comprometida com a defesa da vida, com o incentivo à denúncia de tratamento desumano e degradante. Por meio da promoção da cidadania, os presos se informam sobre direitos e deveres. A educação pela justiça passa pela recuperação e o exercício dos valores morais, pessoais, coletivos e sociais. O trabalho da Pastoral Carcerária é exercido no Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp), penitenciárias, cadeias e casas de albergados. Os agentes da Pastoral Carcerária ainda atuam em parceria com governos e órgãos dos poderes legislativo e judiciário em busca de políticas específicas para a inclusão social de pessoas encarceradas. Com a ação efetiva dos agentes da Pastoral da Carcerária, foram criados o Programa de Reintegração Social ao Egresso e os Núcleos de Atendimento a Familiares (NAF). Atualmente, a Pastoral Carcerária acompanha cerca de 10 mil encarcerados e realiza 100 atendimentos jurídicos por mês.

A Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) de Santa Luzia tem o apoio da Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio da PUC Minas e do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política. Trata-se de um modelo prisional onde os próprios presos, chamados de recuperandos, possuem as chaves dos portões. Além de frequentarem cursos supletivos e profissionalizantes, os recuperandos vivenciam momentos de espiritualidade. Busca-se o estabelecimento de uma disciplina rígida, marcada pelo respeito, ordem e trabalho, que conta com o apoio da família do sentenciado. A prioridade é a valorização do ser humano e da sua capacidade de recuperação.

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Gilberto Alves

Ruth de Oliveira Souza organizou um grupo de economia solidária com a ajuda da Pastoral

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A Pastoral do Mundo do Trabalho do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte tem como objetivo a inserção social da classe trabalhadora. Em parcerias com outras entidades, movimentos, administração pública, empresas e empreendimentos econômicos solidários, a Pastoral do Mundo do Trabalho desenvolve ações que visam incentivar o cooperativismo e melhorar a qualificação dos trabalhadores. A Pastoral e o Núcleo de Geração de Trabalho e Renda e Economia Solidária trabalham em parceria. Promovem a educação para a economia solidária por meio da formação política e capacitação técnica; apoia a comercialização de produtos com a promoção de feiras e parcerias com lojas, além de promover análise da viabilidade econômica de pequenos projetos empresariais. Em parceria com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), mantém um fundo rotativo para a Economia Solidária. A expectativa é que em 2014 a Pastoral auxilie mais de 1.500 pessoas, nos diversos projetos. As ações seguem os princípios da economia solidária. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, economia solidária é um jeito diferente de produzir, comercializar, comprar ou trocar bens. A prioridade não é, exclusivamente, o lucro, mas a cooperação entre as pessoas, pensando no bem de todos e no próprio bem. Por meio da Pastoral, Ruth de Oliveira Souza conseguiu organizar o grupo de economia solidária Arte Nós que confecciona peças artesanais para a copa, cozinha e banho usando técnicas manuais de bordado, crochê e fuxico. Os trabalhos produzidos são comercializados em feiras e outros espaços públicos oferecidos pela Pastoral do Mundo do Trabalho. O resultado econômico é dividido entre os participantes. Desde que instituiu o Grupo, com o apoio da Pastoral do Mundo do Trabalho, houve um aumento das vendas do Arte Nós. “O segredo do êxito é que não se trata de um grupo que visa ao lucro, com mentalidade capitalista. Trabalhamos juntos para melhorar a renda de todos”, diz Ruth. O grupo segue com fidelidade os princípios da economia solidária: cooperação, autogestão, solidariedade e preocupação com sustentabilidade e o meio ambiente. De acordo com Maria Amélia de Jesus, do Núcleo de Geração e Renda do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte, nos últimos dez anos, houve um avanço nos serviços oferecidos. “Ao instituir o Vicariato, dom Walmor induziu a uma organização melhor das ações. Antes, os grupos estavam espalhados e enfraquecidos. Com o Vicariato, os grupos de economia solidária e todas as ações de geração de trabalho e renda ganharam força.”


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Fotos: Arquivo Arquidiocese de BH

Ajuda humanitária da Arquidiocese de Belo Horizonte ameniza o sofrimento dos haitianos

Juntos pela Síria | Para amenizar a situação dramática das vítimas do confronto na Síria, a Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio do Vicariato para Ação Social e Política, promove a campanha “Juntos Pela Síria”. As doações recebidas são destinadas à Igreja Católica da Síria para iniciativas de assistência aos desabrigados e combate à fome.

Aqueça seu coração |

As temperaturas baixas nas madrugadas de toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte são motivo de sofrimento para o Povo da Rua, a população dos aglomerados, favelas e vilas. A maior parte dessas pessoas dorme sobre colchões frios e finos, com pouco agasalho e cobertor. Desde 2012, a Arquidiocese de Belo Horizonte promove a campanha “Aqueça seu Coração”. Os agasalhos e cobertores arrecadados são distribuídos aos necessitados.

Pró-Haiti | O Haiti é considerado o país mais pobre das Américas, assolado pela cólera e por outras epidemias. Situações que só ratificaram a condição de país mais miserável de todo o hemisfério ocidental. Se não bastassem tantas mazelas, em janeiro de 2010, o país foi abalado por um terremoto que matou 200 mil pessoas e deixou 1,5 milhão de desabrigados. Sensibilizada com o sofrimento do povo haitiano, a Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política, arrecada recursos e os envia para a Organização Humanitária da Igreja Católica do Haiti. Nos últimos quatro anos, os recursos recebidos foram destinados para ações no campo (produção de alimentos e criação de animais); captação de água potável e construção de um centro de alfabetização e evangelização. Também foram contemplados projetos de melhoria do saneamento básico, apoio à formação para a agroecologia e para as rádios comunitárias.

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Marta Carneiro

Dom Mol em importante campanha do Nesp que coletou assinaturas para a aprovação da Lei da Ficha Limpa

A política é um importante instrumento para a prática de ações transformadoras, que resultem em benefício para a sociedade. Esta premissa inspirou a criação em 2005 do Núcleo de Estudos Sociopolíticos (Nesp) da Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio da PUC Minas. O Nesp dedica-se à educação política de agentes e grupos que, engajados em movimentos sociais, pastorais e em variadas atividades da sociedade civil or-

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ganizada, têm buscado “cooperar na solução das principais questões do seu tempo”, tal como postula a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, que lembra aos cristãos a importância de sua ação no mundo, visando à promoção da justiça e da paz. Na interface entre ensino, pesquisa e extensão, o Nesp tem direcionado suas ações à formação, à capacitação, à pesquisa e à produção de conhecimentos que possam auxiliar tais grupos em sua atuação social


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Arquivo Vicariato para a Ação Social

Circuito Sociocultural apresenta iniciativas da Arquidiocese e de suas comunidades de fé

e política, tendo como horizonte o advento de práticas transformadoras, como pontua o coordenador do Núcleo, professor Robson Sávio Reis Souza. Uma das principais ações de mobilização sociopolítica realizada pela entidade, segundo ele, foi a coordenação, no âmbito da Arquidiocese de Belo Horizonte, da campanha que coletou assinaturas para a aprovação da Lei da Ficha Limpa. Trabalhando de modo amplo e diversificado, com a finalidade de promover a circulação de conhecimentos e a reflexão sobre questões relevantes do mundo contemporâneo, o Núcleo realiza eventos de formação tais como cursos, seminários e encontros, destinados a lideranças comunitárias, agentes sociais, universitários e ao público em geral. Produz e publica cartilhas, livros, vídeos e textos digitais. Entre os vários trabalhos realizados pelo Nesp, destaca-se o projeto Acompanhamento do Legislativo, que resultou na criação e ampla difusão de um instrumental metodológico que, segundo Robson Sávio, “ofertado à sociedade civil, pode fomentar o desenvolvimento da participação política ativa dos cidadãos nos parlamentos, estadual e municipal, visando ao incremento de ações voltadas para o monitoramento social dos poderes”. Outra atuação importante na área política, a partir de coordenação de dom Mol - que preside a Comissão da Reforma Política da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) - diz respeito à elaboração de um projeto de lei de iniciativa popular. Juntamente com 12 entidades de classe, entre elas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a CNBB articulou, em 2013, uma proposta de projeto de lei de iniciativa popular com pontos essenciais para uma profunda reforma política no País. A proposta foi entregue por dom Mol e representantes das demais entidades envolvidas ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Henrique Eduardo Alves, em setembro de 2013.

Desde 2010, o Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política realiza o Circuito Sociocultural Arquidiocesano, uma iniciativa que tem o objetivo de partilhar as conquistas alcançadas a partir dos gestos concretos de amor ao próximo. A cada ano, cresce o número de participantes deste evento, que apresenta as realizações das pastorais sociais, das comunidades de fé. Em 2013, o Circuito foi realizado na PUC Minas, com o Congresso Mundial de Universidades Católicas, evento que contou com a presença de professores e alunos de todo o mundo. No ano anterior, o Circuito foi realizado no Parque das Mangabeiras, com um público superior a 8 mil pessoas. O Circuito Sociocultural é oportunidade para que todos conheçam o alcance das ações sociais desenvolvidas pela Igreja, com a mobilização de suas instituições, comunidades de fé e agentes das pastorais. É também momento especial para que cada instituição ou pessoa que contribui para essas ações conheça os preciosos frutos que nascem a partir de seu gesto de solidariedade.

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Arquivo Arquidiocese de BH

EDUCAR PARA A VIDA

os últimos dez anos, a Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio da Sociedade Mineira de Cultura (SMC), entidade filantrópica, confessional e católica, ampliou ainda mais os seus investimentos na área educacional, com a inauguração de novas unidades da PUC Minas e do Colégio Santa Maria, a incorporação de outras instituições de ensino - o Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/Juiz de Fora) e a Faculdade Católica de Uberlândia - além de investimentos em pesquisa, extensão universitária, serviços à comunidade, formação de crianças, jovens e adultos. Conciliando excelência a uma infraestrutura com modernos equipamentos, e iluminadas pelos valores do Evangelho de Jesus Cristo, as instituições da Arqui-

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diocese de Belo Horizonte dedicadas à educação primam pela formação integral de seus alunos, preparando-os para a vida. Mantenedora da PUC Minas, do Colégio Santa Maria, do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora e da Faculdade Católica de Uberlândia, a Sociedade Mineira de Cultura tem o compromisso de promover uma formação integral do ser humano, de incentivar o desenvolvimento da ciência e cultivar a cidadania, sempre à luz do Evangelho. A SMC objetiva contribuir para a formação cristã, educativa e cultural e promover o desenvolvimento da solidariedade, incentivando o diálogo entre os campos da religião, da cultura e da assistência social, a partir do reconhecimento da dignidade do homem como filho de Deus.


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Ludmila Tavares

PUC Minas: compromisso com a sociedade A Universidade acolhe cerca de 55 mil alunos em dezenas de cursos de graduação e pós-graduação

Considerada a melhor universidade privada do Brasil pelo Guia do Estudante – reconhecida publicação da Editora Abril – nos anos 2006, 2010, 2011, 2012 e 2013, e reconhecida em 2010 pela Congregação para a Educação Católica, do Vaticano, como a maior universidade católica do mundo, a PUC Minas tem cerca de 55 mil alunos em seus mais de 450 cursos de graduação e pós-graduação. Trabalham na Universidade quase dois mil professores e mais de dois mil funcionários. “A Universidade tem números que impressionam, uma qualidade incontestável, mas, o mais importante, é a grandeza dos desafios traduzidos pela sua missão, que é essencialmente humanista. É, portanto, uma grande Universidade comprometida com o conhecimento que transforma vidas e a própria sociedade”, afirma o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e reitor da PUC Minas, dom Joaquim Mol. Com 55 anos de atuação e cinco campi localizados nas cidades de Belo Horizonte, Arcos, Poços de Caldas, Guanhães e Serro, além de quatro núcleos universitários Barreiro, Betim, Contagem e São Gabriel - a PUC Minas registrou um grande crescimento na última década, resultado de ações que deram direcionamento para a Instituição. Como destaca a vice-reitora, professora Patrícia Bernardes, o planejamento e normas estabelecidas são fatores primordiais para a atual gestão. “Atualmente, a Universidade tem mais controles e rumos mais bem definidos. Temos uma direção a seguir”, pontua. Ela assinala que a Universidade está se modernizando, sempre preservando os valores cristãos, como a solidariedade, o respeito à pluralidade, igualdade e justiça.

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Minas Gerais

BA 365

<BRAVA DESIGN>

135

365

461

GO

367 040

259

259

SERRO

365

GUANHÃES 120 354

SP

ARCOS 381

POÇOS DE CALDAS 267

116

BELO HORIZONTE Barreiro Betim Contagem 040 Coração Eucarístico São GabrieL

459

CERCA DE 55 MIL ALUNOS MAIS DE 450 CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO 54.616 ALUNOS MATRICULADOS 26.887 RECEBEM BOLSAS DE ESTUDOS 104

RJ

ES


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Um dos resultados desta trajetória de crescimento pode ser observado nos 114 cursos de graduação ofertados, entre presenciais e na modalidade a distância. Nesses últimos dez anos, novas opções vieram completar e qualificar ainda mais a extensa variedade de ofertas na graduação, como os cursos de Teologia, Engenharia de Energia, Engenharia de Produção, Engenharia Química, Engenharia Metalúrgica, Engenharia de Computação, Cinema e Audiovisual, Nutrição, Biomedicina e Medicina. Na linha de formação integral da Universidade, o curso de Medicina, implantado em 2010 no núcleo universitário de Betim, busca suprir uma demanda urgente da sociedade brasileira: o atendimento humanizado. Já no primeiro período do curso de Medicina, um dos espaços de formação do estudante é a Rede de Atenção à Saúde do SUS em Betim e microrregião, a partir de convênio assinado com a Prefeitura Municipal de Betim. A presença dos alunos nas unidades de saúde e nas comunidades possibilita o relacionamento com o paciente em seu contexto de origem, isto é, o estudante tem o conhecimento da realidade da comunidade em que o paciente vive.

Essa proposta atraiu a aluna Lívia Zadra, 19 anos, da primeira turma do Curso de Medicina. Para a estudante, o maior diferencial da Instituição são as aulas práticas na rede pública do Município. “Mesmo sendo um curso novo, o que me motivou a estudar na PUC Minas foi saber que desde o início teríamos aulas práticas nas unidades públicas de saúde, orientados pelos professores e observando profissionais que já atuam nos diferentes níveis de atenção à saúde. É importante para minha formação que a humanização e o cuidado com o próximo façam parte do currículo do curso”, afirma Lívia, que foi aluna do Colégio Santa Maria, que também faz parte da Arquidiocese de Belo Horizonte.

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Marcos Figueiredo

Na trilha da diversificação, foram também instituídos, em 2006, os primeiros cursos de graduação tecnológica. Atualmente, são ofertados os cursos de Gestão de Turismo e Comunicação Assistiva: libras e braile, no Coração Eucarístico; Gestão Financeira e Logística, no Barreiro; e Jogos Digitais e Produção Multimídia, no São Gabriel. Com duração de dois anos e meio a três anos, esses cursos têm grades curriculares formadas por disciplinas voltadas para a prática e para a formação de profissionais focados em áreas de atuação específica. Os cursos também são uma opção para os profissionais que buscam qualificação nas áreas em que já atuam. É o caso do aluno do curso de Jogos Digitais Álvaro Augusto Rocha, que já trabalhava na área de webdesign, mas não tinha formação acadêmica. “Após avaliar o currículo, percebi que é um curso forte, que oferece formação em computação e design. Além disso, a área de jogos é nova e está em ascensão no País, oferecendo interessantes oportunidades de trabalho”, explica Álvaro.

Um aspecto importante para a consolidação da formação do aluno, destacado pela pró-reitora de Graduação, professora Maria Inês Martins, são os programas de estágio, responsáveis por introduzir o estudante na sua área de atuação profissional. Para qualificar ainda mais essa prática, a Universidade vem aprimorando, desde 2005, sua política na área. Cerca de 20 mil alunos da graduação fazem estágio por semestre e, para isso, a Universidade tem convênios com cerca de 9 mil instituições públicas, particulares e profissionais liberais, com termos que estabelecem uma relação de parceria em suas respectivas áreas de trabalho. Mas o grande diferencial apontado pela pró-reitora é a qualidade com que se dá essa aproximação do aluno da PUC Minas com o mercado de trabalho. Para isso, a Universidade conta com uma sólida Coordenação de Estágio Integrado (CEI), que faz o atendimento aos estudantes e professores, às empresas concedentes de

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Álvaro Augusto Rocha fez opção pelo curso de graduação tecnológica de Jogos Digitais por ser uma área nova e em ascensão no País

estágio, análise dos termos de compromisso, das oportunidades de estágio recebidas, acompanhamento dos processos de estágio obrigatórios e não obrigatórios e das monitorias. Em reconhecimento à qualidade desse trabalho, a Universidade recebeu por cinco vezes, a partir de 2007, menção honrosa no Prêmio IEL Melhores Práticas de Estágio, promovido pelo Instituto Euvaldo Lodi, que faz parte do Sistema Indústria, com a Confederação Nacional da Indústria, o Senai e o Sesi. A PUC Minas também se posicionou, nos anos de 2012 e 2013, entre as dez universidades brasileiras na preferência das empresas ao contratar egressos, de acordo com o Ranking Universitário Folha (RUF), do jornal Folha de S. Paulo. Participaram da pesquisa 1.681 executivos da área de recursos humanos de empresas de todo o Brasil, que foram indagados a respeito de quais universidades eram os formandos que as organizações mais contratavam.


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A opção dos jovens pelas licenciaturas e pelo magistério na educação básica tem registrado quedas tão drásticas que já faltam professores em inúmeras escolas em todo o País. Diante disso, a PUC Minas, confirmando sua tradição histórica de apoio à formação de professores, adotou nos últimos semestres uma série de medidas, procurando manter vivas todas as suas áreas de licenciaturas. Entre elas, a concentração das ofertas da formação de professores no Coração Eucarístico e a adoção da convergência de projetos pedagógicos, que permite a formação de uma identidade do docente formado na Universidade.

A necessidade de superar as barreiras de tempo e espaço fez com que a Universidade investisse na educação a distância (EaD), ampliando o acesso de milhares de alunos à formação de qualidade. Instituída em 1999, a PUC Minas Virtual é a unidade responsável pela concepção, estruturação e oferta de cursos de graduação, especialização, atualização e de disciplinas a distância. Se em 2003 havia 288 alunos matriculados em cinco disciplinas ofertadas a distância, em 2013 esse número saltou para mais de 13.395 alunos, cursando 155 disciplinas.

Em 2003 havia 288 alunos matriculados em cinco disciplinas ofertadas a distância, em 2013 esse número saltou para mais de 13.395 alunos, cursando 155 disciplinas.

A PUC Minas investe de modo sólido e constante no avanço de sua pesquisa e pós-graduação. E colhe frutos importantes tanto em relação da expansão dos números de seus programas em todas as áreas do conhecimento quanto em relação ao avanço da qualidade, reconhecida em avaliações oficiais do Ministério da Educação. No final de 2013, com a Avaliação Trienal da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão do Ministério da Educação, seis programas de pós-graduação stricto sensu tiveram a nota elevada em relação à avaliação anterior. O Programa de Pós-graduação em Direito é o primeiro da PUC Minas a obter nota 6, em uma escala que vai de 1 a 7, atingindo nível de excelência e reconhecimento internacional. O programa integra um seleto grupo no País que atingiu a nota máxima neste triênio. Os programas de pós-graduação em Ciências Sociais e em Relações Internacionais passaram de nota 4 para 5; e os

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de Ensino de Ciências e Matemática (Mestrado Profissional), o de Ciências da Religião e o de Informática elevaram a nota 3 para 4. Mantiveram a nota 5 os programas de pós-graduação em Geografia – Tratamento da Informação Espacial, Letras e em Administração (Mestrado Profissional). No caso do mestrado profissional, a escala é de 1 a 5, o que significa que esse curso na PUC Minas obteve a nota máxima na avaliação trienal da Capes, juntamente com apenas outros dois, de universidades públicas em todo o País. A pesquisa e a pós-graduação na PUC Minas cresceram de forma significativa nos últimos dez anos. E não somente em termos de investimentos, mas também em número de projetos de pesquisa, de parcerias com a iniciativa privada e agências governamentais de fomento. Também houve crescimento em número de cursos, seja lato sensu, seja stricto sensu. O investimento em pesquisa, que em 2004 era de R$ 2,2 milhões, atualmente é em torno de R$ 23 milhões por ano. A captação de recursos pela Universidade, de acordo com o pró-reitor de Pesquisa e de Pós-graduação, professor Sérgio de Morais Hanriot, apesar de difícil, já que se concorre com instituições de todo o País, mostra um amadurecimento institucional da PUC Minas, “que tem tradição muito grande em parcerias com empresas”. Esses valores beneficiam o desenvolvimento de projetos de pesquisa de iniciação científica, financiam bolsas de pesquisa na graduação, na pós-graduação, proporcionam a aquisição de equipamentos em laboratórios, entre outras atividades. Financiados pela própria PUC Minas e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), são quase 300 projetos de pesquisa em andamento, com a participação do corpo docente. Uma das pesquisas premiadas foi o dicionário temático de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras), vencedor na categoria Estudante do Ensino Superior do 22º Prêmio Jovem Cientista. O trabalho de Terezinha Rocha, durante a graduação em Filosofia, foi desenvolvido com estudantes surdos da Universidade. Com o objetivo de zelar pela proteção do conheci-

Entre 2004 e 2013, o IEC PUC Minas passou de 1.518 alunos e 58 turmas para 3.418 alunos e 182 turmas de pós-graduação lato sensu presencial. 108

mento produzido na PUC Minas e promovê-lo, principalmente nas atividades de pesquisa, foi instituído, em 2013, na Pró-reitoria de Pesquisa e de Pós-graduação, o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT). “A pós-graduação conta atualmente com 18 programas stricto sensu – mestrado e doutorado – em diversas áreas. No início de 2004, eles eram 11 programas.”

A pós-graduação lato sensu também acumulou avanços. Nos últimos três anos, o IEC PUC Minas ampliou sua atuação na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Em 2011, foi implantada a segunda unidade, próxima à sede, localizada no Edifício Dom Cabral, na Praça da Liberdade. A terceira unidade foi inaugurada em 2013. Entre 2004 e 2013, o IEC PUC Minas passou de 1.518 alunos e 58 turmas para 3.418 alunos e 182 turmas de pós-graduação lato sensu presencial. Nesse tempo, também foram inauguradas 11 unidades, em Belo Horizonte, Região Metropolitana e no interior de Minas Gerais, em espaços próprios ou por meio de parcerias. Além dos cursos presenciais, o IEC começou a oferecer pós-graduação lato sensu na modalidade semipresencial, em 2013. Com aulas desde janeiro de 2013, os cursos semipresenciais atualmente oferecidos têm foco na formação de professores, dentro de uma política da Universidade de formação e valorização desses importantes profissionais. A modalidade se diferencia pela união da educação presencial e a distância. A pós-graduação semipresencial é uma atualização do Programa Regional de Especialização de Professores de Ensino Superior (Prepes) que, em mais de 35 anos de história, formou milhares de professores em todo o País. E neste ano, a Universidade lança o PUC Master, com ofertas previstas para o 1º semestre de 2014. “A ideia do PUC Master é reunir cursos de excelência em todas as áreas da Universidade”, explica o professor Miguel Valle, diretor de Educação Continuada. Os masters são cursos de pós-graduação lato sensu voltados para executivos, empreendedores e gerentes corporativos, que buscam ampliar seus conhecimentos visando a inovação e à alta performance organizacional e pessoal.


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Um diálogo entre comunidade acadêmica e sociedade a fim de compreender a realidade e superar desafios, promovendo a democratização do conhecimento. Assim é possível explicar, brevemente, o que é a extensão universitária na PUC Minas. Decisiva para as conquistas alcançadas pelos trabalhos de extensão universitária, promovidos pela PUC Minas, foi a aprovação, pelo Conselho Universitário, da Política de Extensão Universitária, em 2006. “A Política de Extensão veio para reafirmar uma extensão de caráter transformador e emancipatório, por meio de ações fundadas em práticas dialógicas para o desenvolvimento da autonomia dos grupos sociais”, afirma o pró-reitor de Extensão, professor Wanderley Chieppe Felippe. A extensão universitária na PUC Minas teve outras conquistas nos últimos dez anos, como a instituição do Edital de Projetos de Extensão, em 2004, para fomento de novos projetos de extensão; a representação clara da extensão nos documentos oficiais da Universidade, como o Projeto Político Pedagógico Institucional, Estatuto da Universidade, Regimento Geral, Plano de Desenvolvimento Institucional, entre outros; a reformulação da estrutura organizacional da Pró-reitoria de Extensão com a instituição das Coordenações de Extensão nas Unidades, assim como nos cursos de graduação e institutos e faculdades.

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O auditório do Museu de Ciências Naturais possui amplo espaço e é dotado de alta tecnologia

Os avanços da ciência, motor que impulsiona a pesquisa, demandam investimentos cada vez maiores no aperfeiçoamento do ensino. Dessa forma, nos últimos dez anos, a maior parte dos laboratórios foi reformada e outros foram instituídos, em toda a Universidade, atendendo, principalmente, à demanda da implantação de novos cursos. Além disso, houve obras na área de tecnologia da informação, com expressivo investimento em equipamentos modernos. Acompanhando o salto na produção do conhecimento, foi construído, em 2012, o auditório do Museu de Ciências Naturais, um espaço amplo e dotado de alta tecnologia. Nesses dez anos, também foram construídos auditórios nas unidades Barreiro, São Gabriel e na Unidade Coração Eucarístico, capazes de acolher grandes eventos. Outros ambientes também foram reformados, como o Teatro João Paulo II, no Coração Eucarístico. O investimento sistemático na infraestrutura da Universidade continuou intenso nesse período. Podem ser citadas a ampliação da Unidade Barreiro; a inauguração do Complexo Esportivo, com uma das mais modernas pistas de atletismo do Brasil; a instituição do Centro de Climatologia; da nova sede da PUC TV, proporcionando maior interação entre a emissora e o ambiente universitário; e da Casa do Professor, local dedicado aos docentes. Mantendo o compromisso da Universidade com a inclusão social e a promoção da cidadania por meio da educação, nos últimos dez anos houve substancial investimento na acessibilidade na PUC Minas, segundo o pró-reitor de Logística e Infraestrutura, professor Rômulo Albertini Rigueira. Foram instalados 70 elevadores em toda a PUC Minas, além da construção de rampas, rotas acessíveis, adequação dos banheiros, dos espaços de uso comum e mobiliários, e instalação de sinalização.


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A PUC Minas sempre teve um forte compromisso com a inclusão, condição imprescindível para conviver de forma plena neste contexto contemporâneo repleto de pluralidades. Para atender aos desafios relacionados à inclusão dos alunos, a Instituição, por meio da Secretaria de Cultura e Assuntos Comunitários (Secac), instituída em 2008, planeja sua atuação orientada para a assistência comunitária, no seu sentido amplo, exercido pelo Apoio Comunitário, pelo Núcleo de Apoio à Inclusão (NAI) e pela parceria com a Pastoral Universitária. Busca-se também promover a inclusão dos alunos a partir da cultura, envolvendo segmentos como PUC TV, Escola de Teatro, Museu de Ciências Naturais, Coral, exposições, seminários, videoconferências, publicações. “Um dos grandes garantidores de que a Universidade cumpra princípios e valores da sua missão, que tem a inclusão como um de seus pilares, é justamente o trabalho conjunto da Secac com outros setores da Universidade”, ressalta a secretária de Cultura e Assuntos Comunitários, professora Maria Beatriz Rocha Cardoso. A secretária defende a importância da inclusão da cultura na vida dos estudantes. “Muitos alunos que estão hoje dentro da Universidade por causa das políticas inclusivas do ponto de vista socioeconômico, possivelmente, fora da Universidade não teriam acesso às iniciativas culturais que encontram aqui. Dessa forma, garantimos a formação integral dos nossos alunos”, destaca a professora Maria Beatriz. Na linha da valorização da arte e cultura, foi instituída, em 2006, a Escola de Teatro, vinculada à Secre-

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Grupo de teatro é uma das atividades que garantem a inclusão da cultura na vida dos estudantes

taria de Cultura e Assuntos Comunitários (Secac). Desde 2013, com o novo prédio no campus Coração Eucarístico, a escola passou a ter um local espaçoso, com modernas instalações. Ao pensar na cultura e na fé como dois elementos cada vez mais interligados, em 2012 foi inaugurado, no jardim central do campus Coração Eucarístico, o Espaço Cultura e Fé, que conta com ambientes para orações, sala de reuniões e convivência. Entre os programas culturais instituídos nos últimos anos estão o MPB Quarta, Sexta de Música Erudita e Conexão Ciência e Cultura, que promove palestras de pessoas de destaque do mundo das ciências e da cultura, com o objetivo de suscitar reflexões sobre temas relevantes para a sociedade. Arquivo Arquidiocese de BH

Novo prédio da Escola de Teatro, que se transferiu para o campus Coração Eucarístico


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O trabalho do NAI se divide em três eixos: deficiência visual, auditiva e locomotora

que já estudam ou pretendam estudar na Instituição. Desde a sua implantação até o primeiro semestre de 2013, foram contabilizados 25.941 estudantes beneficiados com bolsas integrais e parciais na Universidade por meio do programa. Dos 54.616 alunos matriculados no segundo semestre de 2013, nos cursos de graduação e pós-graduação, 26.887 possuem bolsas de estudos.

Com a criação do Núcleo de Apoio à Inclusão do Aluno com Necessidades Educacionais Especiais (NAI), em 2004, a PUC Minas inicia mais uma experiência de vanguarda ao concretizar o seu compromisso com a inclusão. O trabalho do núcleo se divide em três eixos: deficiência visual, auditiva e locomotora. Além do suporte ao aluno, o NAI proporciona um assessoramento técnico-pedagógico aos professores e coordenadores da Universidade, para a elaboração de um atendimento adequado às necessidades individuais dos estudantes. O núcleo produz material pedagógico adaptado para atender a todas as necessidades.

Marcos Figueiredo

O compromisso com a inclusão social e promoção da cidadania por meio da educação fez da PUC Minas uma das pioneiras na implantação do programa de concessão de bolsas de estudos do governo federal, o ProUni. O programa, implantado em 2005, foi imediatamente aceito pela Universidade, tornando-se desde então a principal forma de obtenção de bolsas de estudos pelos alunos,

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Marcos Figueiredo

Implantada em 2006 para focalizar o horizonte permanente da Universidade, que é o Evangelho de Jesus Cristo e a possibilidade de oferecer aos estudantes uma formação integral, a Pastoral da PUC Minas é um serviço à comunidade universitária que, de forma dialogal, pretende contribuir criativamente para a missão da Universidade. Atua em comunhão com demais projetos, articulando pessoas, Instituição e sociedade. Um dos voluntários é o estudante do 6º período de Psicologia Magno Junio Soares Coura, de 25 anos. Ele ajuda na organização das Celebrações Eucarísticas, integrando a equipe de canto. “O trabalho na Pastoral me permitiu levar a palavra de Deus para outras pessoas”, conta. De acordo com ele, a espiritualidade ocupa lugar central em sua vida. “Se não fosse Deus, eu não seria nada. É o sentido que eu dou para minha vida”, diz.

O aluno voluntário Magno Coura ajuda na organização das Missas, onde toca violão e canta

Nos últimos dois anos, duas importantes instituições, de grandes cidades mineiras, passaram a integrar o sistema de ensino da Arquidiocese de Belo Horizonte: o Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF) e a Faculdade Católica de Uberlândia. Instituído em 1972, o Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF) oferece, atualmente, nove cursos de graduação e três cursos de graduação tecnológica. Além disso, a Instituição oferece cursos de pós-graduação lato sensu e stricto sensu. Em 2011, a gestão do CES/JF passou a ser exercida pela Sociedade Mineira de Cultura (SMC), vinculada à Arquidiocese de Belo Horizonte. A Instituição, que reúne quatro campi, atende a mais de 2.300 estudantes. Mantém um importante serviço à comunidade, a

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Clínica Escola, que oferece sessões de psicoterapia a pacientes encaminhados pelo SUS. As atividades são desenvolvidas pelos alunos com o acompanhamento de professores. No ano passado, a Clínica realizou 1.054 atendimentos. Já a Faculdade Católica de Uberlândia conta com oito cursos de graduação nas áreas de Direito, Ciências Gerenciais, Filosofia, Pedagogia e Serviço Social, além de 27 cursos de pós-graduação lato sensu, sendo cinco MBAs. Instituída em 2001, a Faculdade busca produzir, sistematizar e socializar o conhecimento a partir de valores ético-cristãos, tendo como perspectiva o desenvolvimento de uma sociedade justa, democrática e solidária. A SMC tornou-se mantenedora da Faculdade Católica de Uberlândia em 2013.


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Ao longo destes dez anos, o Colégio Santa Maria, primeira escola de Belo Horizonte, passou por uma profunda mudança administrativa e inaugurou novas unidades. Logo no início de seu ministério na Arquidiocese de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo constituiu uma Direção Geral, colegiada, formada por três diretorias: Administrativa, Religiosa e Pedagógica. Em 2005, o então chamado Sistema de Ensino Arquidiocesano passa a adotar, em todas as suas unidades, um único nome: Colégio Santa Maria. Assim, a Arquidiocese de Belo Horizonte consolida e cultiva viva na memória de toda a sociedade a história do primeiro Colégio da Capital Mineira. No decorrer desta década, houve uma forte expansão do Colégio Santa Maria. O percentual de bolsistas

também subiu, de 7%, em 2004, para 11%, totalizando 1.309 alunos em 2013. Todos os estudantes foram incentivados a exercer gestos de caridade, a partir de campanhas desenvolvidas pelo Colégio. No ano passado, eles se mobilizaram para arrecadar leite. O alimento foi doado ao Projeto Providência. Graças aos esforços dos alunos, pais, professores e funcionários, foram doados 5.901 litros de leite. Também foi a partir desta década que a Instituição passou a organizar peregrinações de alunos, de seus familiares, professores e funcionários ao Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade - Padroeira de Minas Gerais. Estes momentos especiais, que contam com a presença do Arcebispo, são oportunidade para que as famílias vivam momentos de integração, reflexão e conheçam mais a Arquidiocese. Arquivo Colégio Santa Maria

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Colégio Santa Maria Floresta

Colégio Santa Maria Cidade Nova

Colégio Santa Maria Betim O COLÉGIO AINDA NÃO HAVIA SIDO INSTITUÍDO

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Colégio Santa Maria Contagem O COLÉGIO AINDA NÃO HAVIA SIDO INSTITUÍDO

Colégio Santa Maria Coração Eucarístico

Reginaldo Mesquita

Colégio Santa Maria Medianeira

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Colégio Santa Maria Nova Suíça

Colégio Santa Maria Pampulha

Colégio Liceu Santa Maria Imaculada (Nova Lima)

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Gilberto Alves

Representantes das instituições de ensino católicas de Belo Horizonte e de grupos pastorais formam a Caec

Em 2013, o Colégio Santa Maria inaugurou nova Unidade em Betim, dentro do campus da PUC Minas que fica na cidade. A infraestrutura é especialmente adaptada para receber turmas do 6º ao 9º Ano do Ensino Fundamental e 2º Ano do Ensino Médio. A implantação de novas turmas ocorrerá de forma gradativa. Para 2014, o Colégio Santa Maria inaugurou uma nova unidade, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte. A Escola Santa Luzia, instituída pelas Obras Sociais Nossa Senhora Medianeira, em 1982, passará a integrar a rede de ensino da Arquidiocese de Belo Horizonte e receberá o nome de Colégio Santa Maria Medianeira, com atendimento a alunos do Maternal 2 ao 5º Ano do Ensino Fundamental, nos turnos manhã e tarde.

Para estabelecer critérios e normas comuns às escolas católicas presentes na Arquidiocese de Belo Horizonte, além de promover a integração, reflexões, partilha de experiências e viabilizar parcerias, foi criada em 2009 a Comissão Arquidiocesana de Escolas Católicas (Caec). Composta por leigos e religiosos representantes das instituições de ensino, e também de representantes de grupos pastorais, a Comissão Arquidiocesana de Escolas Católicas promove encontros temáticos, promoção de palestras, oficinas, workshops. Nesses quatro anos de trabalho da Caec, as Escolas Católicas na área pastoral da Arquidiocese de Belo Horizonte, ao todo 60 instituições de ensino, foram divididas em quatro regiões para articular, dinamizar e promover a comunhão e a partilha entre educadores, alunos e comunidades. ARQUIDIOCESE EM MOVIMENTO | UMA DÉCADA NO TERCEIRO MILÊNIO

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Arquivo Arquidiocese de BH

missão da Igreja é evangelizar, levar a boa nova de Jesus Cristo a todos os confins da terra. Para viver esta missão na contemporaneidade, fortemente marcada pela presença dos meios de comunicação, a Igreja investe nestes veículos para aproximar os fiéis da Palavra de Deus, contribuir para a cultura e formação cidadã. Um passo decisivo para o fortalecimento desta presença no campo das mídias foi a instituição da Rede Catedral de Comunicação Católica, em 2006. Com a instituição da Rede Catedral, os meios de comunicação da Arquidiocese de Belo Horizonte passaram a trabalhar de modo mais integrado, acompanhando uma tendência global de convergência dos diversos tipos de mídia e de incentivo ao desenvolvimento de produções para múltiplos veículos. Para o diretor geral da Rede Catedral de Comunicação Católica, padre Fernando Lopes, a integração dos veículos da Arquidiocese foi fruto de “uma visão profética do arcebispo dom Walmor”, a partir dos anseios de evangelização das comunidades de fé, movimentos e pastorais, expressos pela Assembleia do Povo de Deus. “Fomos todos envolvidos por esta nova realidade, passando a trabalhar numa sinergia que aperfeiçoou talentos e fortaleceu cada veículo. Hoje temos um sentimento de pertença à Rede e nos ajudamos mutuamente.”

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O sacerdote acrescenta que o desenvolvimento tecnológico da Rede Catedral está sendo bastante significativo durante todo esse período, com investimentos na digitalização dos sinais de transmissão, ampliação do alcance das rádios e da TV Horizonte, com o propósito de levar a evangelização a toda Arquidiocese de BH e a outros municípios de Minas. “A gestão de dom Walmor tem sido ainda determinante para a profissionalização de nosso trabalho. O investimento humano merece destaque com a contratação de gestores com formação técnica de qualidade e sensibilidade evangélica, comprometidos com os três pilares que fundamentam nosso trabalho: Educação, Cultura e Evangelização”, explica padre Fernando Lopes. A partir do compromisso de priorizar o Evangelho e a Cultura, a Rede Catedral de Comunicação Católica da Arquidiocese de Belo Horizonte busca alcançar um público diversificado. Integrados, os veículos de comunicação da Arquidiocese trabalham em conformidade com as Diretrizes Pastorais para a Comunicação da Igreja Católica no Brasil e com as orientações do Projeto de Evangelização da Arquidiocese Igreja Viva, Povo de Deus. Integram a Rede Catedral as rádios América e Cultura que, além da identidade evangelizadora, também são reconhecidas como “a voz da comunidade”; além da TV Horizonte, que se ocupa com a valorização da vida e a promoção da cidadania. “Nossa produção ultrapassa os caminhos do entretenimento e vai além, contribuindo para a formação cidadã. Nossa meta é a união e a integração de todos os veículos ligados à Arquidiocese, para que busquem promover a fé, alicerçada na cultura e na formação cidadã, baseados em valores éticos e cristãos”, afirma Eduardo Bandeira, diretor executivo da Rede Catedral. Arquivo Arquidiocese de BH

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Nos últimos anos, a Arquidiocese modernizou os equipamentos da TV Horizonte, que agora conta com câmeras digitais

Telespectadora da TV Horizonte, moradora do bairro Monte Castelo, em Contagem, a auxiliar de serviços gerais Eliza Almeida Martins Marques elogia as produções da emissora. “Os programas da TV Horizonte me ajudam a encontrar caminhos para exercer a solidariedade, a ajudar pessoas.” Para a telespectadora, desfrutar dos programas da TV é uma bênção. “Fico atenta às informações divulgadas, não perco nada”, disse. A programação da TV Horizonte é diversificada, reúne produções dedicadas à fé, educação, inclusão social, promoção da cultura e cidadania. “Gosto muito do programa “Para mudar o Mundo”. Ele traz paz e nos leva a pensar na mudança de comportamento, na solidariedade pregada por Jesus”, explica Eliza. Produção de grande audiência, o Programa “Dedo de Prosa” é voltado para a terceira idade e traz uma visão atual e alegre dessa fase da vida. Apresentado por Juarez Elisiário, é uma opção de debate sobre o envelhecimento ativo da população. Devido ao sucesso do programa, ele é reprisado na TV Aparecida, uma das maiores emissoras católicas do país.


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Para os jovens, a TV Horizonte transmite, diariamente, o programa Caleidoscópio. Sempre com a presença de uma grande plateia, cada edição do programa dedica-se a refletir sobre um tema da atualidade. Também na linha dos debates, do pensamento atual e inteligente, o programa “Horizonte Debate”, apresentado pelo padre Márcio Paiva, oferece uma visão aprofundada sobre assuntos da atualidade. Na missão de evangelizar, a TV Horizonte mantém importantes produções. O programa Mãe Maria, apresentado diariamente pelo arcebispo dom Walmor, ajuda os católicos a compreenderem o Evangelho, inspira a devoção mariana, especialmente a Nossa Senhora da Piedade - Padroeira de Minas Gerais. A produção é retransmitida por meio das emissoras de TV Aparecida, Canção Nova, Rede Vida, 3º Milênio, Nazaré, Globo Minas e Rede Minas de Televisão. Nos últimos anos, a TV Horizonte expandiu seu alcance. Passou a ser retransmitida em Ponte Nova, Poços de Caldas, Ibirité, Formiga, Caeté. Também modernizou seus equipamentos, passando a transmitir e a gravar seus programas com câmeras digitais. Outra conquista da emissora, celebrada em 2012, foi a aquisição de uma nova unidade móvel, veículo que permite transmissões

ao vivo, de diferentes pontos da cidade. A emissora, veiculada no canal 19 UHF, canal 22 NET e 24 OI TV, trabalha para consolidar-se como uma emissora mineira conhecida nacionalmente. Já existem novos projetos de expansão, que estão sendo formulados com o Ministério das Comunicações, por meio de pedidos de concessão para Juiz de Fora, Uberlândia e Varginha. O projeto de expansão consiste na concessão de mais de 30 canais. Outro projeto em andamento é o de migração do satélite D4 para o C2, onde estão 95% das concessões, e a meta é chegar à casa dos telespectadores em forma de TV Digital, o que exigirá investimento no parque de antenas. A substituição de equipamentos já está ocorrendo e será feita em etapas: a primeira, por meio de um estudo técnico, realizado em 2012. Em 2013, foram comprados os equipamentos: três câmeras de estúdio digitais, duas câmeras de externas e toda a parte de mesa de transmissão, que é chamada de controle de estúdio, e a digitalização do controle mestre. “Dom Walmor, nesses anos, realizou de forma consciente, inteligente e estratégica, a unificação de todos os veículos em uma rede, em que todos se integram. Hoje há uma sinergia entre todos esses meios e isso é o que constrói uma rede sólida e consciente de seu papel evangelizador”, disse Bandeira.

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Arquivo Arquidiocese de BH

Em 2013, foi apresentado o livro Arquidiocese de Belo Horizonte e a Contemporaneidade. Trata-se do primeiro volume de uma coleção que reunirá dez publicações. O livro, organizado pelos professores da PUC Minas frei Luiz Antonio Pinheiro, OSA, e Caio César Boschi, reúne importantes reflexões dos professores João Batista Libanio (1934-1914), Roberlei Panasiewicz, Mauro Passos, Flávio Augusto Senra Ribeiro, Pedro Ribeiro de Oliveira, Carlos Frederico Barboza de Souza e Paulo Agostinho Nogueira Baptista. Dom Walmor e dom Joaquim Mol assinam os textos de apresentação. A cada ano, até 2021, quando será celebrado o centenário da Arquidiocese, serão publicados os outros volumes da coleção: Arquidiocese de Belo Horizonte e a evangelização, Arquidiocese de Belo Horizonte e o laicato, Arquidiocese de Belo Horizonte e a Vida Consagrada, Arquidiocese de Belo Horizonte e as instituições vinculadas, Arquidiocese de Belo Horizonte e sua presença pública, social e política, Arquidiocese de Belo Horizonte e o mundo da cultura e da educação, Arquidiocese de Belo Horizonte e os presbíteros, Arquidiocese de Belo Horizonte e seus bispos e arcebispos, Livro do Centenário (que contará com fotos históricas). “A Rádio América é minha amiga de todas as horas. Às vezes, estou na solidão, triste, mas, quando ligo o rádio e escuto palavras de fé e esperança, volto a sorrir”, conta emocionada a dona de casa, Matilde Aguiar Amaro, de 64 anos. Ela, que é moradora do bairro Vera Cruz há 35 anos, diz que há 15 anos ouve a programação da emissora. Com a instituição da Rede Catedral de Comunicação Católica, a Rádio passou por mudanças estratégicas e tornou-se mais evangelizadora, próxima das pessoas. Tanto a Rádio América quanto a Rádio Cultura, nos próximos anos, devem começar a transmitir na frequência FM. As emissoras da Rede Catedral estão se preparando para este momento. A Arquidiocese de Belo Horizonte já planeja a aquisição de novos transmissores e antenas receptoras para as Rádios América e Cultura. Em 2013, a Arquidiocese de Belo Horizonte investiu em novos equipamentos no parque de transmissores da Rádio América, melhorando a qualidade do som que é recebido pelos ouvintes.

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Autores preparam coletânea com história da Arquidiocese de Belo Horizonte


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Samir Jared

"O desenvolvimento da internet nos últimos anos oferece uma oportunidade sem precedentes para ampliar as obras missionárias da Igreja, já que se tornou a principal fonte de informação e de comunicação", dizia o beato João Paulo II. Nesta década, a Arquidiocese de Belo Horizonte entrou definitivamente no ambiente digital. Conectado, diariamente, às redes sociais e acompanhando tudo o que acontece na Arquidiocese, o seminarista Aroldo Júnior Pereira Gomes Neves, 22 anos, diz que aprendeu com os pais os valores da fé. Há três anos na Congregação Sagrado Coração, Aroldo é seminarista no Seminário Arquidiocesano Coração Eucarístico de Jesus e diz acompanhar “todos os dias as notícias da Arquidiocese, além dos esclarecedores artigos de dom Walmor”. O seminarista acredita que “levar a Palavra por meio desses meios de comunicação é uma dádiva e uma alegria para aqueles que seguem Cristo. Fazendo parte dessas redes, fazemos também parte da Igreja Viva”, destaca Aroldo. Recentemente, o Papa Francisco, em uma de suas homilias em Roma, ressaltou a representatividade e importância da presença da Igreja nesses meios, evangelizando os fiéis como presença cristã, no anúncio da Palavra de Deus. Na Arquidiocese de Belo Horizonte, as “atualizações” dos veículos digitais, com novas notícias e conteúdos, são permanentes. No ambiente virtual, a Arquidiocese divulga informações que, com muita frequência, são reproduzidas integralmente pelos veículos de comunicação ligados à grande indústria da mídia, como grandes jornais, portais, emissoras de rádio e TV. Também são repercutidos em outros sites e redes sociais especializados na divulgação de notícias da Igreja, como o Portal da CNBB e Rádio Vaticano. A proposta é partilhar as notícias da Arquidiocese de Belo Horizonte, ressaltando a relevância de cada acontecimento, a partir da linguagem própria de cada veículo. O site, integrado às redes sociais, também divulga importantes publicações, como guias e subsídios para campanhas. Atualmente, quem visita o site da Arquidiocese consegue visualizar ícones que servem como uma espécie de mapa, indicando o caminho para acompanhar os acontecimentos da Igreja local nas redes sociais.

O jovem seminarista Aroldo Neves busca informações sobre a Arquidiocese de Belo Horizonte no site e nas redes sociais

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Integrado à rede de comunicação da Arquidiocese, o jornal digital “Opinião e Notícias” tem o objetivo de informar, contribuir para a catequese, celebrações e evangelização. A publicação, que começou a circular no dia 1º de fevereiro de 2013, reúne artigos e notícias. É recebida por todos que se cadastram no site da Arquidiocese. Atualmente, o Opinião e Notícias, sucessor do centenário Jornal de Opinião, é lido por cerca de 20 mil pessoas. Além das notícias, o jornal digital apresenta textos de sacerdotes, teólogos e especialistas empenhados em partilhar o conhecimento sobre questões da atualidade e ensinamentos do Evangelho. Publicado semanalmente, o Opinião e Notícias apresenta também a síntese litúrgica, com comentários do Evangelho se-

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manal e as sugestões litúrgicas, contribuindo, assim, com as equipes de liturgia das paróquias. Oferece também subsídios e sugestões para organização das celebrações. O conteúdo deste veículo de comunicação da Arquidiocese também oferece contribuições para os catequistas. A publicação conta com colunistas fixos e convidados. Destaca-se a coluna “A voz do sacerdote”, que semanalmente apresenta o texto de um padre convidado, as obras sociais das comunidades de fé, o artigo semanal do arcebispo dom Walmor. Há também importantes colaborações de jornalistas. Especialistas em diversas áreas, escritores, professores e artistas que escrevem sobre as questões que afetam a sociedade contemporânea.

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Marcos Fiqueiredo

Em permanente diálogo com a imprensa, Arquidiocese consegue mobilizar os meios de comunicação para seus importantes eventos

A gestão do site e das redes sociais faz parte das atribuições da Assessoria de Comunicação e Marketing da Arquidiocese de Belo Horizonte, que se dedica também ao acompanhamento de todos os projetos relacionados ao campo da comunicação das instituições e paróquias que integram a Igreja arquidiocesana. Abrange também a área de atuação da Assessoria o permanente relacionamento com jornalistas, veículos de comunicação e todo o segmento da comunicação, incluindo profissionais e empresas de propaganda, de marketing, do setor digital, para divulgar os acontecimentos que marcam a vida da Igreja. Deste trabalho, que envolve a produção de textos para o envio às redações, a mediação e organização de entrevistas, entre outros procedimentos, nascem amplas coberturas jornalísticas, com significativa presença de repórteres nos principais eventos vividos pelas comunidades de fé. Arquivo Pascom

O arcebispo dom Walmor é um grande incentivador do desenvolvimento da Pastoral da Comunicação na Arquidiocese de Belo Horizonte. Em 2013, a Pascom foi o tema da Assembleia Geral do Clero. Uma das propostas refletidas é a de que cada região episcopal tenha um especialista no campo da comunicação, para incentivar a formação de grupos e contribuir para as pastorais da comunicação nas paróquias. Na formação de agentes para a Pastoral da Comunicação, em oficinas e durante o encontro anual da Pastoral, o E-Pascom, a Arquidiocese busca tornar comum os processos da comunicação, promovendo a comunhão entre todas as pastorais. Tendo como missão formar e manter redes comunicadoras nas paróquias, para sensibilizar e gerar processos de comunicação nas comunidades, a Pascom funciona como uma "ponte" entre as comunidades e o Vicariato Episcopal para a Comunicação e Cultura e, particularmente, a Rede Catedral de Comunicação.

Desde 2011, a Arquidiocese de Belo Horizonte realiza o E-Pascom

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MEMORIAL DA ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE: um dos primeiros no Brasil A Igreja Nossa Senhora do Ó, de Sabará, edificada em 1717, é uma referência para a história de Minas Gerais

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Gustavo Drumond

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Samir Jared

O Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte foi instituído pelo arcebispo dom Walmor em 2005, com o objetivo de realizar um trabalho de proteção, pesquisa, promoção e divulgação dos bens culturais arquidiocesanos. Presidido por um conselho-diretor, é composto por quatro áreas que se articulam: o Arquivo Arquidiocesano, o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, o Centro de Promoção e Divulgação Cultural e Religosa e o Inventário do Patrimônio Cultural.

O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Belo Horizonte atua em comunhão com os demais setores na tarefa de resguardar a memória histórica, afetiva, religiosa e cultural da Arquidiocese. Possui raridades em seu acervo, como paramentos utilizados no Congresso Eucarístico de Belo Horizonte, em 1936, hoje fora de uso e com valor histórico; imagens importantes como a de Nossa Senhora do Montserrat, uma das mais antigas de Minas. A casula e o cálice da Missa celebrada em Belo Horizonte pelo Papa João Paulo II, além de paramentos e casulas de dom Antônio dos Santos Cabral, primeiro arcebispo de Belo Horizonte. “As peças que estão no Memorial contam a memória histórica e cultural e, ao mesmo tempo, pastoral”, afirma o coordenador do Museu Arquidiocesano, padre José Geraldo Sobreira.

Memorial organiza exposições que contam a história da Igreja

“O Memorial é fundamental porque é a presentificação de toda a memória, do percurso da Igreja de Belo Horizonte”, afirma a coordenadora do Inventário do Patrimônio Cultural, professora Mônica Eustáquio Fonseca. O setor realiza o levantamento de todos os bens culturais da Igreja arquidiocesana. Esse trabalho já alcança cerca de 70% das igrejas, capelas e casas religiosas. “Já temos uma produção de conhecimento

que será referência para os trabalhos na assessoria às reformas e restaurações. O processo é longo e requer tempo. Os trabalhos só ocorrem porque dom Walmor sabe da importância e relevância do levantamento apresentado e deu condições para que ele fosse realizado e ampliado. Dom Walmor tem uma sensibilidade muito grande para a área cultural”, destaca a coordenadora Mônica Fonseca.

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Coordenado pelo padre Marcelo do Carmo, o Arquivo Arquidiocesano é atualizado com informações de toda a Arquidiocese, reunindo desde os dados administrativos, como registro de pessoal e contabilidade; passando pelos documentos do governo pastoral, com decretos do Arcebispo, provisões e eventos importantes de evangelização; arquivo de documentos pontifícios, entre eles a bula de criação da Arquidiocese, até o de registros paroquiais - Batizado, Crisma e Matrimônio. O acervo artístico não está neste setor, mas ele guarda as referências sobre as obras de arte e bens culturais como imagens sacras, igrejas tombadas e a docu-

mentação pertinente. O material contido nos arquivos, segundo padre Marcelo do Carmo, tem sido utilizado em trabalhos acadêmicos e usados para instruir processos de beatificação. O sacerdote destaca o salto de qualidade - e também de quantidade - nos últimos dez anos, no que diz respeito à memória da Arquidiocese. “Dom Walmor viabilizou nosso trabalho melhorando a infraestrutura e contemplando novos aspectos. Assim, o Arcebispo deixa a marca de sua administração no Memorial, que é a integração e articulação dos setores para tornar o trabalho mais eficiente e eficaz.”

Arquivo Arquidiocese de BH

Equipe do Memorial dedica-se à preservação da história, patrimônio cultural e religioso da Arquidiocese

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Zarley Starling

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O Centro de Promoção e Divulgação Cultural e Religiosa promove projetos diversos de caráter histórico, cultural e artístico, além de trabalhar em programas, com as paróquias. Divulga o patrimônio cultural e material da Arquidiocese, sensibilizando as comunidades dos 28 municípios que a integram para a necessidade de sua conservação, proteção e preservação. A proposta para 2014, segundo Maria Goretti Gabrich Ramos, coordenadora deste setor, é mapear dois eventos tradicionais na Arquidiocese: a Festa de Nossa Senhora do Rosário, Sabará, e a Festa de Nossa Senhora de Nazaré, Cavalhada de Caeté. Após o trabalho acurado de pesquisa, elas passam a integrar o acervo do Memorial. “Todos esses bens projetam Minas Gerais em todo o País. Essa valorização incentiva os jovens a prosseguirem com a tradição. Não queremos apenas catalogar as manifestações e tê-las no Memorial, mas colaborar para que continuem vivas”.

A coordenadora do Centro de Promoção e Divulgação Cultural e Religiosa observa que o conhecimento sobre a história e os costumes de cada comunidade é fundamental para a interação com as pessoas e a evangelização que é o objetivo maior da Igreja. Por isso, o setor trabalha em comunhão com a Pastoral da Cultura, iniciativa pioneira da Arquidiocese de Belo Horizonte e do Regional Leste 2 da CNBB, a partir de dois cursos de capacitação de agentes realizados por iniciativa da PUC Minas, Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Memorial Arquidiocesano e do Colegiado de Leigos da Arquidiocese de Belo Horizonte. Além do curso que forma estudantes no nível técnico, haverá também pós-graduação à distância. O grupo de agentes formado na Arquidiocese de Belo Horizonte irá colaborar, também, com outras dioceses e com a CNBB, elaborando programação de atividades, como roteiros de turismo religioso, com possíveis rotas que levem em conta todo o significado evangelizador que o peregrino possa desenvolver.

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Rogério Borges

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Arquidiocese de Belo Horizonte vem liderando, na última década, um grande movimento, que reúne instituições diversas, autoridades, cidadãos e fiéis, para revitalizar e preservar um grande patrimônio de Minas Gerais: o Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade. Com ações integradas, em diferentes frentes de trabalho, busca-se o desenvolvimento econômico sustentável do Santuário e seu entorno, a partir da preservação ambiental, resgate de sua importância histórica e cultural. Acima de tudo, objetiva-se, especialmente, que cada mineiro possa redescobrir esse território sagrado, lugar de encontro com Deus, definido por dom João Resende Costa, o segundo arcebispo de Belo Horizonte, como “magnífica arquitetura divina”. Aqueles que frequentam o Santuário há muitos anos falam, com alegria, da grande transformação pela qual passou o Santuário a partir da liderança do arcebispo dom Walmor. Moradora de Caeté, a comerciante Irdalha Linhares Pinto frequenta o Santuário há mais de 20 anos. Recorda-se, com saudade, do frei Rosário Joffily (1913-2000) que, por muitos anos, “com quase nenhum apoio”, cuidava daquele território sagrado, casa da Padroeira de Minas. Ao ver as melhorias empreendidas no Santuário, a comerciante lembra-se de um passado em que “faltava tudo e que poucas pessoas subiam a Serra da Piedade, inclusive no período de maior movimento, de julho a setembro”. Irdalha Linhares sublinha que o Santuário é um patrimônio de Minas e que dom Walmor resgatou a importância desse tesouro. “O Santuário, agora, fica sempre cheio, não importa o mês. Nos fins de semana, as Missas contam com a participação de muitas pessoas. Ouvimos, sempre, vários depoimentos emocionados sobre Nossa Senhora da Piedade e seu Santuário”, conta a comerciante. Irdalha Linhares diz que se emociona ao imaginar como frei Rosário e padre Virgílio Resi (1951-2002), que também foi reitor, reagiriam ao ver como está, hoje, o Santuário da Padroeira de Minas. “Certamente eles estão muito felizes, junto a Deus, intercedendo para que dom Walmor continue seu trabalho, no Santuário e na Arquidiocese”, acredita a comerciante.

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Rogério Borges

Ermida da Padroeira, construída no século 18, é restaurada

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A paisagem fascinante emoldura o Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade, localizado no município de Caeté, a 48 km de Belo Horizonte. Por sua magnitude, e graças ao amplo processo de revitalização que vem sendo desenvolvido pela Arquidiocese de Belo Horizonte, o Santuário foi reconhecido, em 2012, como Atrativo Turístico de Especial Relevância pelo Governo de Minas Gerais. Nesse ano, o Santuário também foi considerado hors-concours na eleição das sete maravilhas da Estrada Real, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O complexo arquitetônico, histórico, paisagístico e cultural do Santuário compreende, entre outros atrativos, a Ermida da Padroeira, a Igreja Nova das Romarias, a Casa dos Peregrinos Dom Silvério, o Espaço Dom João Resende Costa - Restaurante, o Espaço Padre Virgílio Resi - Cafeteria e Lanchonete, a biblioteca, a Via- Sacra, o Calvário e a Cripta São José. Nos últimos cinco anos, todo esse complexo passou por um importante processo de revitalização. Nesse período, foram reestruturados e restaurados o Espaço Dom João Resende Costa - Restaurante, a Casa dos Peregrinos Dom Silvério e a Igreja Nova das Romarias. Houve ainda a instituição do Espaço Padre Virgílio Resi - Cafeteria e o Espaço Boas Lembranças. As vias de acesso ao Santuário também

foram contempladas neste conjunto de iniciativas que integram o processo de revitalização, com a instalação do portal dos peregrinos e recapeamento das estradas. Em 2014, a Ermida começará a ser restaurada. Construída em 1765, a Capela passará por restauração das esquadrias em madeira, piso e forro, com a manutenção de suas características originais. Todo o guarda-corpo da Praça Cardeal Mota, localizada em frente à Ermida, será renovado. Ainda serão construídas rampas de acesso para a Ermida e o Espaço Dom João Resende Costa - Restaurante. Corrimãos serão instalados no entorno do alto do Santuário. No projeto, estão incluídas a iluminação externa e interna, a instalação de redes hidráulica e elétrica, além de melhorias e modernização no sistema de sonorização. O restauro também será realizado no antigo espaço dos eremitas (Eremitério Monsenhor Domingos). Essas obras são justificadas pela importância do Santuário. Em 2013, mais de 200 mil peregrinos o visitaram. Uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostra que o turismo religioso é o que mais cresce no mundo e motiva anualmente cerca de 8 milhões de viagens turísticas ao Brasil. Minas Gerais é o destino preferido de grande parte desses peregrinos.

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No segundo semestre de 2014, o Santuário ganhará um novo atrativo. Inspirado no caminho de Santiago de Compostela feito por peregrinos entre cidades da França e Espanha, na Europa, será instituído pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur) o Caminho Religioso da Estrada Real (Crer). As trilhas vão unir o Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade, que é a Padroeira de Minas Gerais, ao Santuário Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, em São Paulo. De acordo com os organizadores, o Brasil é o 3º país a enviar turistas ao Caminho de Santiago, ficando atrás somente de Espanha e França.

O Crer abrange 86 municípios, sendo 37 localidades na rota principal e 49 na área de abrangência. O trajeto sai de Aparecida (SP) com destino à Serra da Piedade (MG). O peregrino poderá percorrer as trilhas a pé, a cavalo ou de bicicleta. A ideia do projeto prevê que o peregrino receba uma credencial, uma espécie de passaporte, que será carimbada em pontos preestabelecidos nas diversas secretarias das paróquias de cidades que integram o Crer. Ao final do percurso, será expedido um certificado de conclusão do Caminho Religioso. O trajeto estimado é de 800 km de extensão.

Rogério Borges

Conta a tradição que, entre 1765 e 1767, uma menina muda de nascimento teria sido abençoada com a aparição de Nossa Senhora com o menino Jesus nos braços. A menina muda, cuja família vivia no vilarejo da Penha, a 6 km do Santuário, começou a falar depois da aparição que teria acontecido no alto da Serra. Essa história cativou o fidalgo português Antônio da Silva Bracarena que, com o Irmão Lourenço, fundador do Santuário do Caraça, ergueu um rústico eremitério e uma capela em homenagem à Virgem Maria no topo da Serra. No templo, há a imagem de Nossa Senhora da Piedade, atribuída ao artista plástico Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho). A 1.745 metros acima do nível do mar, o Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade permite aos peregrinos uma visão panorâmica de 360 graus. O Santuário é cercado por uma natureza generosa na Serra do Espinhaço. Do alto da montanha, em dias claros, é

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Miguel Ângelo

Magnífica arquitetura divina, o Santuário da Padroeira de Minas é cenário de belezas naturais

possível ter uma das mais belas paisagens das montanhas de Minas. Nesses dias, pode-se vislumbrar a Serra do Caraça, o Espelho d´água de Lagoa Santa, a cidade de Caeté com o pontilhão ferroviário e outros municípios da Grande Belo Horizonte. A Serra da Piedade é uma Área de Proteção Ambiental (APA), tem tombamento federal, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e estadual, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). Chefe do Departamento de Ciências Biológicas da PUC Minas, o professor Miguel Andrade diz que a Serra do Espinhaço, cadeia de montanhas que abrange a Serra da Piedade, possui um complexo socioambiental único que reúne três grandes biomas: o cerrado, a mata atlântica e a caatinga.

Devido à riqueza de paisagens e alta diversidade de espécies da flora, foi declarada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) como Reserva de Biosfera. Conforme explica o professor Miguel Andrade, as reservas de biosfera são ambientes de aprendizagem e locais ideais para demonstrar abordagens inovadoras para o desenvolvimento sustentável. A proposta de elevar a Serra do Espinhaço à categoria de reserva da biosfera foi referenciada por trabalhos científicos que a indicaram como área prioritária para conservação, motivada pela importância histórica e cultural no Brasil. “O Santuário é um recanto místico que reúne paisagem maravilhosa, cultura e espiritualidade”, afirma o professor Miguel Andrade.

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A Gestão Integrada do Território Gabriela Jacques

Para preservar todo esse patrimônio, a Arquidiocese de Belo Horizonte, em 2011, firmou parceria com o Instituto BioAtlântica (IBio) para implementar, em toda a região do Santuário, a Gestão Integrada do Território (GIT). Trata-se de uma metodologia, desenvolvida por pesquisadores brasileiros e europeus, que se vale dos princípios do desenvolvimento sustentável. O convênio objetiva a proteção do meio ambiente, além da promoção dos aspectos históricos, culturais e religiosos do Santuário e sua região. A metodologia prevê que, ao longo dos próximos 10 anos, serão desenvolvidas ações integradas, envolvendo técnicos e moradores da região. Com esse modelo de gestão, objetiva-se, entre outros pontos, consolidar o patrimônio cultural e religioso do Santuário e sua permanente revitalização, restaurar ecossistemas e gerar renda para comunidades rurais. Morador de Caeté, o engenheiro Antônio Márcio de Freitas, 55 anos, frequenta o Santuário desde criança e deseja ver sempre preservado este patrimônio de todos os mineiros. Nos fins de semana, pela manhã, aos domingos, costuma participar da Missa, ao lado da esposa, Lorena. “Além da beleza, tudo que existe no Santuário é envolto de uma extrema espiritualidade. No alto da montanha, costumo recobrar as forças para a luta do dia a dia”, diz Antônio Márcio. O técnico mecânico Jorge Oliveira Soares, 83 anos, frequenta o Santuário desde os 19 anos. Ele partici-

A Gestão Integrada do Território objetiva o desenvolvimento sustentável do Santuário da Padroeira de Minas e de comunidades vizinhas pou da construção da Igreja Nova das Romarias e da Casa dos Romeiros. Conviveu muitos anos com o antigo reitor, o frei Rosário Joffily. “Ele possuía um sonho. Queria que o Santuário se transformasse em uma fábrica de orações. Deve estar bem satisfeito lá no céu. Desde que dom Walmor Oliveira de Azevedo assumiu a Arquidiocese, há dez anos, o número de visitantes do Santuário tem crescido extraordinariamente”, afirma Jorge Oliveira. Atualmente, ele integra o grupo “Amigos da Serra”, com José Maria Urias Pinto,


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Gilberto Alves

Raimundo Sérgio, Antônio Urias e José Gregório. Relacionada à história local, encontra-se uma gastronomia diversificada e saborosa, que vem sendo resgatada dentro das iniciativas que objetivam o desenvolvimento econômico sustentável do Santuário e de sua região. O Espaço Dom João Resende Costa - Restaurante oferece iguarias deliciosas. O café colonial do tempo das fazendas de café, por volta do início do século 19, é servido com fartura. A mesa inclui quitandas como o pão de queijo, biscoitos da serra, tortas diversas, bolos, roscas e pães. Doce de leite e marmelada produzidos no Santuário são um complemento apetitoso. Destacam-se ainda o pão do frei Rosário Joffily, feito com presunto e muçarela, e a Rosca da Rainha, que possui entre os ingredientes leite condensado, goiabada e creme de manteiga. No Santuário, ainda é comercializado um queijo especial. Frei Rosário Joffily, depois de uma viagem à França, trouxe na bagagem a receita saborosa. Trata-se de um queijo produzido com fungo azul, o mesmo usado na fabricação de vacinas. Guardados em um quarto, em forma de caverna, o queijo fica entre 60 e 90 dias exposto às condições climáticas do alto da Serra. Nesse período de cura, é amaciado e ganha uma tonalidade acinzentada. O resultado proporciona um queijo de sabor diferenciado.

Haroldo Luiz

A revitalização do Santuário resultou em um grande crescimento do número de peregrinações

Com o processo de revitalização e o consequente aumento na procura pelo Santuário, cresceu também a busca por informações sobre o território sagrado da Padroeira de Minas. Para orientar peregrinos e partilhar informações, a Arquidiocese de Belo Horizonte desenvolveu na internet o Portal do Santuário (www.santuarionsdapiedade.org.br). A publicação apresenta a história do Santuário, os principais espaços, fotos e notícias sobre celebrações especiais e grandes peregrinações. No portal, o internauta poderá também fazer um passeio virtual pelo Santuário, com uma vista de 360 graus de diversos pontos. Outra ferramenta do Portal que faz muito sucesso é a Fonte Virtual, que permite ao internauta enviar mensagens de fé para amigos e familiares, com imagens de Nossa Senhora da Piedade e de seu Santuário. Ao enviar a mensagem, o internauta ajuda a divulgar o Santuário e a própria ferramenta virtual, contribuindo para que se torne ainda mais conhecida a Casa da Padroeira de Minas. No site, também é possível acompanhar as notícias do Santuário, divulgadas nos principais veículos de comunicação. Com a revitalização dos espaços, o incentivo às peregrinações e um intenso trabalho de divulgação, cada vez mais equipes de TV, jornais e revistas pautam suas coberturas a partir dos acontecimentos realizados no Santuário da Padroeira de Minas.

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O Jubileu de Ouro, em comemoração dos 50 anos da proclamação de Nossa Senhora da Piedade como padroeira do Estado de Minas Gerais, em 2010, foi um marco para o Santuário. A grande mobilização promovida pelo arcebispo dom Walmor, que convidou cardeais, bispos e autoridades para as solenidades que marcariam o momento especial, projetaram o Santuário para todo o Brasil. Durante as comemorações, o Governo de Minas reconheceu o Santuário como principal atração do turismo religioso do Estado. A proclamação de Nossa Senhora da Piedade como padroeira de Minas Gerais ocorreu no dia 20 de novembro de 1958. Naquela data, o Papa João XXIII (18811963) atendeu aos pedidos do então governador de Minas Gerais, José Francisco Bias Fortes (1891-1971), do então arcebispo de Belo Horizonte, dom Antônio dos Santos Cabral (1884-1967), e de seu então arcebispo coadjutor e administrador apostólico, dom João Resende Costa (1910-2007), e concedeu à Santíssima Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora da Piedade, as prerrogativas litúrgicas de Padroeira do Estado de Minas Gerais. Para oficializar a proclamação, com a participação do então governador Bias Fortes, houve uma grande festa na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, no dia 31 de julho de 1960. Nesta data, passou a ser comemorado o aniversário de proclamação. Naquele dia, o Santuário foi elevado à condição de Santuário Estadual de Minas Gerais. Cinquenta anos depois, entre os dias 24 e 31 de julho de 2010, foram realizados importantes eventos no Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade, localizado em Caeté, para celebrar o Jubileu dessa proclamação. A Semana Missionária Jubilar reuniu três cardeais, 35 bispos, dezenas de padres, autoridades e milhares de peregrinos. Durante o evento, houve a ordenação de nove padres e foram celebradas Missas diariamente. Durante os eventos do Jubileu, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São

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Paulo, lembrou-se de um importante fato que aconteceu durante os dias do Jubileu de Ouro. Conta que em uma manhã, ao abrir a janela do quarto em que se encontrava hospedado, por volta das 6h30, olhou em direção a Belo Horizonte. Naquele dia, o sol começava a nascer, mas estava baixo, iluminando as montanhas da região. Dom Odilo Scherer viu então uma sombra em forma de pirâmide que chegaria aos pés da Serra do Curral. Ele conta que percebeu que era uma sombra da Serra da Piedade, com o seu Santuário, que se projetava sobre Belo Horizonte. Ao mostrar este fenômeno a dom Walmor, ouviu o Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte dizer que não seria uma sombra, mas sim o manto de Nossa Senhora da Piedade, que se estenderia do alto da Serra sobre a Capital e todo o Estado de Minas Gerais. Dessa forma, a Virgem Maria protegeria todo o povo mineiro. Recém-eleito cardeal, dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, recordou-se da grandiosidade e beleza do Santuário. “Se a paisagem nos leva perto de Deus, o mesmo se pode sentir e, com mais intensidade, no interior do Santuário, diante da imagem barroca da padroeira. Ali, Minas Gerais revela suas maravilhosas tradições religiosas em meio ao relevo sinuoso da Serra da Piedade.” Entre os eventos do Jubileu de Ouro, houve a exposição de fotografias “O Santuário Estadual e sua História”, que apresenta registros históricos feitos por antigos reitores, como o frei Rosário Joffily e o padre Virgílio Resi. Os corpos de frei Rosário Joffily e do padre Virgílio Resi encontram-se sepultados na Cripta São José, que está interligada à Casa dos Peregrinos. Outra exposição registrou a contribuição de artistas para o complexo do Santuário, com referência às obras dos artistas Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho), Cláudio Pastro, Léo Santana, Vlad Eugen Poenaru, Maria Helena Andrés e Gianfranco Cavedone Cerri, da arquiteta Ana Schimidt e do arquiteto Alci-


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Rogério Borges

Imagem de Nossa Senhora da Piedade, do século 18, trabalho do artista Aleijadinho

des Rocha Miranda. Aleijadinho é responsável pela imagem de Nossa Senhora da Piedade que foi esculpida no século 18 e se encontra no altar da Ermida. O artista Vlad Eugen Puenaru é responsável pelas esculturas do Calvário que se encontram diante da Fachada Frontal da Ermida. A artista plástica Maria Helena Andrés, em 1996, realizou a pintura dos painéis azulejares, que foram produzidos em argila por Gianfranco Cavedone Cerri e se encontram na Capela do Sagrado Coração de Jesus e na Capela do Santíssimo Sacramento ou de São José, localizadas nos corredores ao lado da Ermida. Já a arquiteta Ana Schimidt concebeu o conjunto de 15 painéis azulejares que representam os passos da Paixão de Cristo. O arquiteto Alcides da Rocha Miranda (1909-2001) projetou o conjunto das construções do Santuário. A escultura de Nossa Senhora da Piedade, feita em bronze, que fica na entrada desse território sagrado, é de Alfredo Ceschiatti (1918-1989). Na manhã do dia 31 de julho de 2010, houve o descerramento da placa comemorativa do Jubileu de Ouro. Essa cerimônia foi presidida por dom Walmor e contou com a presença de cardeais, bispos, padres, autoridades e fiéis. Houve ainda o descerramento de placas em homenagem à memória dos pioneiros do Santuário. Antônio da Silva Bracarena chegou à Serra da Piedade em 1758 e faleceu em 8 de janeiro de 1784. Com recursos próprios, ele construiu a Ermida da Padroeira de Nossa Senhora da Piedade. O monsenhor Domingos Evangelista Pinheiro (1843-1924) foi o fundador da Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade. O padre Virgílio Resi foi pároco da Paróquia Nossa Senhora da Piedade entre 1991 e 2000 e reitor do Santuário entre 2000 e 2002. O frei Rosário Joffily dedicou 50 anos de sua vida ao Santuário. Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota (18901982) foi um apaixonado capelão do Santuário Estadual da Nossa Senhora da Piedade, entre 1919 e 1926 e teve grande empenho para que Nossa Senhora da Piedade fosse proclamada a Padroeira de Minas Gerais. O Cardeal Mota dá nome à praça em frente à Ermida. Também foi homenageado o arquiteto Alcides Rocha Miranda. Naquele dia 31 de agosto de 2010, em seguida ao descerramento das placas, houve a Celebração Eucarística do Jubileu de Ouro, presidida pelo arcebispo dom Walmor. ARQUIDIOCESE EM MOVIMENTO | UMA DÉCADA NO TERCEIRO MILÊNIO

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CATEDRAL CRISTO REI IGREJA-MÃE, A CASA DO POVO DE DEUS O início da caminhada rumo à construção

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esta década que antecede a celebração de seu centenário, a Arquidiocese de Belo Horizonte mobiliza-se para construir sua igreja-mãe: a Catedral Cristo Rei. As obras já começaram e as comunidades de fé, em comunhão, trabalham para tornar realidade este antigo sonho, que faz parte da história da Capital Mineira e de sua região metropolitana. Pensada pelo primeiro arcebispo, dom Antônio dos Santos Cabral, a Catedral Cristo Rei foi um sonho adiado por décadas. O projeto é retomado pelo arcebispo dom Walmor, logo no início de seu ministério na Arquidiocese de Belo Horizonte, para responder às expectativas e necessidades do Povo de Deus e aos desafios próprios deste terceiro milênio. Diante do crescimento da Arquidiocese de Belo Horizonte, que hoje abrange 28 municípios, definiu-se, em comunhão com o clero, fiéis, e demais segmentos da sociedade, que a melhor referência para construir essa Igreja-Mãe seria o Vetor Norte da Capital. O local escolhido é o epicentro da Arquidiocese e, sobretudo, uma região que está na periferia da Cidade, com os mais pobres. Essa localização permitirá à Catedral Cristo Rei servir, igualmente, todas as comunidades, consolidando-se como espaço para a vivência da fé e comunhão, lugar de encontro dos fiéis de diferentes regiões, para grandes celebrações. A Igreja-Mãe da Arquidiocese também será referência para o serviço aos mais necessitados, com espaços dedicados às pastorais sociais, aos projetos de inclusão e promoção da cidadania, realização de cursos e oficinas, cuidado, atendimento e assistência social.

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Logo quando chegou à Capital Mineira, durante visitas pastorais e às diversas instituições da Arquidiocese, dom Walmor começou a ouvir manifestações sobre a edificação de uma catedral definitiva. A ideia de construir a Catedral foi acolhida pelo Arcebispo, que imprimiu ao projeto uma concepção arrojada, própria da contemporaneidade e, sobretudo, especial atenção ao serviço de amparo e promoção dos mais necessitados. Uma decisão tomada após longo período de reflexão que tem início em 2004 e envolveu todos os setores da Igreja e da sociedade. Em 2005, dom Walmor foi ao Rio de Janeiro e pediu, pessoalmente, ao arquiteto Oscar Niemeyer que concebesse o projeto da Catedral Cristo Rei. Diante do significado e importância da obra, o projeto foi apresentado a

avaliações e ponderações, que envolveu segmentos internos da Igreja, clero, evangelizadores e formadores de opinião. Quatro anos depois, em 2010, dom Walmor reúne-se com Oscar Niemeyer, no Rio de Janeiro, para a assinatura do contrato referente aos projetos do Conjunto Arquitetônico da Catedral Cristo Rei. No encontro, o Arquiteto e o Arcebispo trocaram observações sobre o conjunto estrutural do projeto e as soluções pretendidas para a realização da obra. Todas as ponderações partiram do princípio de que a Catedral deve ser lugar da espiritualidade, que alimenta o sentido da vida e que tece a unidade, aliando tudo a uma sensibilidade social e política no compromisso com os mais pobres e sofredores.

Gilberto Alves

Em 2011, a Arquidiocese de Belo Horizonte apresentou para os fiéis o projeto de construção da Catedral Cristo Rei Em julho de 2011, um momento de espiritualidade, que reuniu aproximadamente dez mil pessoas no Ginásio do Mineirinho, em Belo Horizonte, marca a apresentação do Projeto da Catedral Cristo Rei e o lançamento de novas frentes da Campanha Faço Parte, que passa a arrecadar recursos para a construção desta Igreja-Mãe. Instituída pelo arcebispo dom Walmor, inicialmente para ajudar na manutenção dos meios de comunicação, a Campanha Faço Parte cresceu. Passou a contribuir com o projeto de revitalização do Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade e tornou-se um importante caminho para os que desejam ajudar a Arquidiocese no trabalho de construção da Catedral Cristo Rei. Dom Walmor convidou toda a população, principalmente os católicos, a colaborarem com a construção da Catedral, lembrando que o êxito do empreendimento dependerá da colaboração de todos. Nesse sentido, o Arcebispo presidiu, com os bispos e sacerdotes, diferentes eventos para apresentar esse sonho aos diversos segmentos.

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A pedra fundamental da Catedral Cristo Rei é abençoada e, sua cruz, iluminada, durante dia especial

Jackson Romanelli - Jornal Estado de Minas

Uma grande festa com a presença dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) - a Cruz Peregrina e o Ícone de Nossa Senhora - marcou a bênção da pedra fundamental e a iluminação da Cruz da Catedral Cristo Rei, em 19 de novembro de 2011. No terreno da Catedral, dirigindo-se aos mais de 5 mil fiéis presentes, o Arcebispo destacou que a pedra fundamental veio do Santuário Estadual Nossa Senhora da Piedade - Padroeira de Minas. A partir dessa celebração, o local tornou-se referência para as comunidades de fé. Na Solenidade de Cristo Rei, no dia 25 de novembro de 2011, a Arquidiocese de Belo Horizonte inaugurou um presépio de Natal no terreno, reunindo centenas de fiéis para um breve momento de oração. Era o início das peregrinações de grupos ao terreno da Catedral.

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Em março de 2012, o Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de Minas Gerais (Sinapro-MG) e mais de 20 representantes da indústria da comunicação reuniram-se com dom Walmor para manifestarem apoio à construção da Catedral Cristo Rei. Como gesto de amor e doação, profissionais da publicidade, de renomadas agências de comunicação, começaram a desenvolver filmes e anúncios, para mostrar a importância e o significado da Catedral. Também foi desenvolvida a marca da Igreja-Mãe da Arquidiocese. As principais emissoras de TV e rádio de Belo Horizonte, veículos impressos de grande alcance, decidiram também oferecer um gesto concreto de doação,

Gilberto Alves

Foto de dona Luíza, nos bastidores da gravação do VT da Catedral Cristo Rei

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divulgando os filmes e anúncios. Entre os veículos que decidiram ajudar estão a TV Globo Minas, TV Alterosa, Band, Rede Minas, Rede TV, NET TV, BH News, TV e jornal Balcão, Estado de Minas, Rádio Itatiaia, Rádio CBN, Rádio Globo, Rádio Alvorada, Rádio BandNews, Rádio Inconfidência, além de vários jornais de bairro e da Associação dos Jornais de Bairros de Belo Horizonte (Ajorb-BH). A partir dessa ampla divulgação, cresce a participação dos fiéis na construção do sonho que nasceu com a Arquidiocese de Belo Horizonte. Tornam-se conhecidas histórias, como a de dona Luíza, que decidiu vender ovos caipiras para ajudar nas obras da Catedral Cristo Rei.


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Mary Lane Vaz

Dom Walmor e representantes da Mendes Júnior assinam documento para início das obras. Empresa mineira tem experiência na execução dos projetos de Oscar Niemeyer

Passo a passo, vencendo cada etapa, a Arquidiocese de Belo Horizonte, graças ao apoio de todos, avança no trabalho de construção de sua Igreja-Mãe. A assinatura do protocolo de intenções para o início das obras, no dia 30 de agosto de 2012, foi um momento muito importante. Na oportunidade, dom Walmor explicou que, para a execução da obra, serão privilegiados a competência e o talento das empresas de Minas Gerais. Todos os trabalhos serão supervisionados por uma equipe de técnicos da Arquidiocese de Belo Horizonte, que conta com engenheiros e arquitetos. O Arcebispo aproveitou o momento para lembrar, a cada fiel, que a construção da Catedral Cristo Rei é uma obra que está nas mãos de todos.

As obras da Catedral Cristo Rei foram consagradas a São José no dia 19 de março de 2013. Fiéis de comunidades de fé da Arquidiocese se reuniram no terreno da Catedral, para celebrar o dia dedicado ao santo em um momento de oração presidido por dom Walmor. A procissão com a imagem de São José foi recebida por fiéis acompanhados por dom Walmor e pelos bispos auxiliares dom João Justino e dom Wilson Angotti que agradeceram a presença de todos, lembrando que São José “foi escolhido por Deus para guardar a Sagrada Família”. O Arcebispo também citou a homilia do Papa Francisco que, naquele dia, iniciou seu ministério como sucessor do apóstolo Pedro, para dizer que todos devem seguir o exemplo de São José. “A homilia do Papa Francisco, densa e simples, nos interpela a seguir o modelo de São José, cuidando de nós mesmos, dos outros e da natureza.”

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Beto Novaes

Marcos Figueiredo

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Dom Wilson e dom João, com as imagens de São José e Nossa Senhora da Piedade, no terreno da Catedral Cristo Rei

As celebrações da Assunção de Nossa Senhora e Dia de Nossa Senhora da Boa Viagem, Padroeira de Belo Horizonte, intensificaram as peregrinações ao terreno da Catedral em 2013. No dia 15 de agosto, uma procissão partiu de Confins, município da região metropolitana, em direção ao terreno da Catedral. Lá, o bispo auxiliar dom Wilson Angotti, acompanhado por centenas de fiéis, presidiu a oração do Terço. Logo em seguida, a imagem de Nossa Senhora foi levada em carreata até o centro de Belo Horizonte, em um caminhão do Corpo de Bombeiros. No centro da Capital, foi realizada a tradicional procissão luminosa até o Santuário de Adoração Perpétua - Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem.

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Dom Walmor abençoa operários e máquinas durante início das obras da Catedral Cristo Rei


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Graças aos gestos concretos de solidariedade e doação, um momento histórico foi vivido no dia 7 de abril de 2013 - Domingo da Misericórdia: o início das obras de edificação da Catedral Cristo Rei. A solenidade começou com Missa campal, presidida pelo Núncio Apostólico no Brasil, dom Giovanni D’Aniello, e concelebrada pelo Arcebispo, bispos auxiliares e sacerdotes da Arquidiocese de Belo Horizonte. A festa foi celebrada durante todo o domingo, com momentos de oração e ações voltadas

para as famílias, como atividades para as crianças, serviços de saúde, bem-estar, cultura, educação e arte. Durante a solenidade, o Arcebispo abençoou os operários e seus equipamentos. Dom Walmor disse que a Catedral Cristo Rei “será a casa de homens e mulheres de Deus” e se lembrou especialmente daqueles que estão ajudando a Arquidiocese nesta caminhada rumo à Catedral. “São muitos nomes que estão no coração de Deus, da nossa Arquidiocese e no nosso coração.”

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O cuidado com a natureza, outra importante preocupação na concepção do projeto, é demonstrado no dia 5 de junho de 2013, Dia Mundial do Meio Ambiente, quando dom Walmor cuida, pessoalmente, do plantio de algumas espécies de árvores na região onde está sendo construída a Catedral. Foi a primeira iniciativa do Projeto Verde, conjunto de ações que objetivam garantir a integração da Catedral Cristo Rei aos parâmetros de sustentabilidade. As mudas plantadas são de paineiras, oitis e quaresmeiras. No mesmo mês, a grande vocação da Catedral Cristo

Rei para a arte, a cultura e o cuidado social se manifesta também por meio da criatividade dos jovens. Em junho de 2013, estudantes de Design de duas universidades de Belo Horizonte homenageiam a Catedral Cristo Rei. O grupo de jovens, que inclui ex-pichadores, realiza um trabalho de arte com grafites nos tapumes que cercam a obra da Catedral Cristo Rei, na Avenida Cristiano Machado. Um desses jovens, a estudante Isabel Guedes, de 19 anos, inspira-se em sua participação na Jornada Mundial da Juventude, e cria um belo trabalho homenageando o Papa Francisco.

Isabel Guedes homenageou o Papa Francisco e demonstrou seu apoio à Catedral

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Marcos Figueiredo


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Sob a proteção de Nossa Senhora e de São José, em novembro de 2013, começaram as obras de terraplanagem e contenção de terra, uma das grandes fases que integram os trabalhos de edificação da Catedral Cristo Rei. Para realizar essa primeira grande fase, a Arquidiocese de Belo Horizonte promoveu a Campanha do Cimento. Foi arrecadado um valor equivalente a mais de 70 mil sacos deste material. No mês seguinte, operários que trabalham na construção receberam uma singela homenagem de dom Walmor: uma Bíblia e um cartão, com mensagem de Natal. No texto, o Arcebispo agradece a cada operário o empenho e lembrou que “celebrar o Natal é, especialmente, momento para cultivar o gosto pela humildade e simplicidade”.

GilbertoAlves

Em singela homenagem, dom Walmor presenteia com uma Bíblia os operários que trabalham na obra

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Com o avançar das obras, começa-se a sonhar com o primeiro espaço da Catedral Cristo Rei a ser inaugurado: a Praça das Famílias. Trata-se de uma ampla esplanada, ideal para grandes celebrações, apresentações artísticas e culturais, lugar de encontro e convivência. A Igreja Católica reconhece e reafirma sempre a centralidade da família na organização de toda a sociedade. Em outubro deste ano, a família será tema central do Sínodo dos Bispos, no Vaticano. Em comunhão com a Igreja em todo o mundo, reconhecendo a importância da família, a Arquidiocese de Belo Horizonte busca caminhos para que os católicos trabalhem juntos pela Igreja, no contexto de suas famílias. Assim, a Ação Praça das Famílias será oportunidade para que sejam eternizados os gestos de solidariedade. Cada fiel poderá convidar parentes para, juntos, contribuírem com as obras da Catedral Cristo Rei. O gesto de amor ficará registrado, para sempre, em um painel que fará parte da Praça das Famílias, apresentando o nome, sobrenome e a cidade daqueles que efetivamente contribuíram com a construção deste sonho. As famílias, representadas pelos nomes e sobrenomes, também estarão no altar da Catedral, recebendo, diariamente, orações em suas intenções e necessidades.

A sua ajuda vai eternizar o nome de seus familiares na Praça da Catedral Cristo Rei. Os nomes também estarão no altar da Catedral para, diariamente, receber orações

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ABRIL

JUNHO

1922-1936 2005-2010 2011 2013 2014 2016 2021 A Catedral Cristo Rei é um sonho de quase 100 anos, iniciado pelo primeiro arcebispo de BH, dom Antônio dos Santos Cabral, que está se tornando realidade

Dom Walmor pede ao arquiteto Oscar Niemeyer que desenvolva o projeto da Catedral Cristo Rei

Bênção da pedra fundamental e iluminação da cruz

Início das obras e da fundação

INÍCIO TÉRMINO PRAÇA DAS FAMÍLIAS

Conclusão da Catedral Cristo Rei

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Projeto Pós-Morar

68.500 atendimentos

Campanha da Fraternidade Central de Acolhida Fundo Rotativo Solidário Projeto Pós-Morar Centro de Apoio aos Sem-casas Casa do Brincar Coleta de assinaturas durante mobilizações para campanhas cidadãs

Agente Pastoral Negros Pastoral Carcerária Pastoral da AIDS Pastoral da Criança Pastoral da Mulher Pastoral da Pessoa Idosa Pastoral da Criança acompanhou Pastoral da Saúde Pastoral da Sobriedade Pastoral dos Direitos Humanos crianças Pastoral de Rua Pastoral do Menor Pastoral do Surdo

182.500

Atendimentos

179.518 152

Hospital Nossa Senhora de Lourdes Atendimentos Internações Sessões de fisioterapia Cirurgias Sessões de hemodiálise Casa de Apoio Nossa Senhora da Conceição, Atendimentos

100.000 participantes 33.590 atendimentos 3.415 pessoas atendidas 68.500 atendimentos 30.000 atendimentos 9.000 atendimentos 222.200 participantes

8.440 atendimentos acompanhou 52.200 detentos 17.500 atendimentos acompanhou 182.500 crianças 20.700 atendimentos 6.200 atendimentos 25.300 atendimentos 72.000 atendimentos 23.500 atendimentos 28.500 atendimentos 25.600 atendimentos 6.300 atendimentos

179.518 5.356 24.157 2.969 11.434 3.540


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Dos 54.616 alunos da PUC Minas, 26.887 são bolsistas. Em 2004, a Universidade investia R$2,2 milhões em pesquisa. Hoje, são R$23 milhões. Alunos

54.616 26.887

A PUC contava com 11 programas de mestrado e doutorado em 2004. Atualmente, são 18.

Bolsistas

O Instituto de Educação Continuada (IEC) da Universidade tinha 1.518 alunos em 2004. Em 2013, o IEC alcançou a marca de 3.418 alunos matriculados. Em 2004, os Colégios Santa Maria tinham 520 bolsistas. Em 2013, foram beneficiados 1.309 estudantes.

Projeto Vila Fátima beneficiou cerca de

Projeto Providência:

1.780 pessoas

Campanha em defesa de políticas públicas

222.200 assinaturas

atende atualmente a 2.431 crianças, jovens e adolescentes

Projeto Vila Fátima:

beneficiou cerca de 1.780 pessoas, realizou 340 atendimentos a jovens, 346 atendimentos a familiares e moradores de Ribeirão das Neves.

Campanha “Aqueça seu coração e doe agasalhos”

11.000kg de agasalhos, cobertores e outras peças

Campanha “Atendimentos Emergenciais”

78.200kg de doações de alimentos e materiais de higiene pessoal Campanha em defesa de políticas públicas 222.200 assinaturas Campanha Pró-Haiti 30.000 pessoas atendidas

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MITRA ARQUIDIOCESANA Organização religiosa, a Mitra tem por objetivo a administração e execução dos interesses da Arquidiocese. Entre suas atribuições, está a coordenação administrativo-financeira das paróquias. REDE CATEDRAL DE COMUNICAÇÃO CATÓLICA É formada pelos veículos de comunicação da Arquidiocese de Belo Horizonte: Rádio América e Rádio Cultura (Fundação João Paulo II), TV Horizonte (Sociedade Mineira de Cultura) e TV Educar (Fundação Dom Bosco de Comunicação de Ponte Nova). CANAL CANAL 1 11 1

SOCIEDADE CIVIL ESPÍRITO SANTO Associação sem fins lucrativos, que incentiva e promove projetos de caráter artístico-cultural, buscando o desenvolvimento humano. É a mantenedora do Memorial da Arquidiocese de Belo Horizonte. SOCIEDADE MINEIRA DE CULTURA Instituição filantrópica, confessional e católica que atua na área da educação. Abrange desde o ensino infantil à pós-graduação strictu senso. É mantenedora da PUC Minas, CES/JF, Faculdade Católica de Uberlândia, Colégios Santa Maria e TV Horizonte. FUNDAÇÃO MARIANA RESENDE COSTA Instituída em 1978, é uma entidade sem fins lucrativos que contribui com as atividades de ensino, pesquisa e extensão da PUC Minas. A Fumarc promove a divulgação científica, produzindo materiais didáticos, livros, periódicos, artigos religiosos e culturais. A Instituição também organiza concursos públicos e promove soluções gráficas. FUNDAÇÃO HOSPITALAR NOSSA SENHORA DE LOURDES Entidade sem fins lucrativos, filantrópica, mantenedora do Hospital Nossa Senhora de Lourdes, oferece atendimento médico-hospitalar à população, especialmente aos mais necessitados. FUNDAÇÃO OBRAS SOCIAIS NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM Mantenedora de iniciativas sociais - a Casa Santa Zita (acolhida aos idosos), Centro Social Lar Frei Leopoldo (amparo às crianças em situação de risco social), Obra do Berço e Farmácia Nossa Senhora da Boa Viagem. PROVIDÊNCIA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO Instituída em 1952, é uma entidade filantrópica que promove iniciativas voltadas para pessoas e famílias em situação de risco social. Busca incentivar a colaboração de diversas instituições sociais no trabalho dedicado aos mais necessitados. ASSOCIAÇÃO PROJETO PROVIDÊNCIA Criada em 1988, a Associação Projeto Providência atende crianças e adolescentes em situação de risco social com atividades que visam promover o desenvolvimento integral em três unidades: Vila Santa Maria, Taquaril e Fazendinha. A Arquidiocese de Belo Horizonte, que sempre contribuiu com os projetos, assumiu integralmente a Instituição em 2014.


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Expediente |

Assessoria de Comunicação e Marketing da Arquidiocese de BH Coordenação: Ana Maria Rezende Miranda Produção fotográfica: Aline Ferreira, Gilberto Alves, Gustavo Araújo, Iraci Laudares, Marcos Aurélio Jr, Marcos Figueiredo, Samir Jared Textos: Aline Ferreira, Edson Cruz, Gustavo Araújo, Henrique Ulhoa, Iraci Laudares, Marcos Aurélio Jr, Mônica Bussinger, Renato Crispiniano Edição: Ana Maria Rezende Miranda e Marcos Aurélio Jr. Projeto gráfico: Miriam Barreto Revisão: Edson Cruz Edição de arte e diagramação: Brava Design Contribuições para o capítulo sobre educação: Daniela Santos, Adriana Duarte e Prof.ª Maria Helena Menezes Carvalho (Colégio Santa Maria); Ana Paula Leal (CES/Juiz de Fora); Bruna Santos, Érica Dourado, Felipe Caixeta, Fernando Ávila, Leandro Felicíssimo, Lívia Alen, Lívia Arcanjo, Mariana Zocratto, Marisa Cardoso, Tereza Xavier, Prof. Mário Viggiano (PUC Minas)

ARQUIDIOCESE DE BELO HORIZONTE

A CAMINHO DO CENTENÁRIO


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ARQUIDIOCESE EM MOVIMENTO UMA DÉCADA NO TERCEIRO MILÊNIO

“Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi para irdes e produzirdes frutos, frutos que permaneçam” (Jo 15, 16)


Arquidiocese em Movimento