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A Voz do Pastor | A ORDEM

Dom Jaime Vieira Rocha Arcebispo Metropolitano de Natal

Natal, festa da ternura e da alegria sem fim

Queridos irmãos e irmãs! Aproxima-se o Natal do Senhor. Temos todo o tempo do Advento para preparar os nossos corações. A Festa do Natal nos alegra e nos enche de esperança. Comemoramos a vinda do Filho de Deus, enviado pelo Pai para nos salvar (cf. Jo 3,16). Ele, “unigênito Filho de Deus, nascido do pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai” (Concílio de Constantinopla I – 381. Símbolo Niceno-constantinopolitano), o mesmo se torna “consubstancial a nós, segundo a humanidade, semelhante em tudo a nós, menos no pecado (cf. Hb 4,15)..., nestes últimos dias, em prol de nós e de nossa salvação, [gerado] de Maria, a virgem, a Deípara, segundo a humanidade” (Concílio de Calcedônia – 451. Definição de fé). No Natal, nós podemos perceber que a nossa fé nos coloca diante de eventos que manifestam a ternura divina, a ação salvífica de nosso Deus, o Senhor, Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel, que conserva a misericórdia por mil gerações (Ex 34,6). O nascimento do Filho de Deus é o cume da ação de revelação, definida na Teologia como “automanifestação para a autocomunicação de Deus”, isto é, Deus, antes da “fundação do mundo” (Ef 1,4), no seu infinito amor e bondade, desejou dar-se para fora de si mesmo, fazendo dom do que é e vive em si mesmo, na unidade amorosa de Pai e Filho e Espírito Santo. Quando Ele assume e realiza isso, surge o ser para recebê-lo. que grandeza é a nossa: fomos criados para receber Deus. É o sentido inesgotável e ines-

timável da festa do Natal: quando o anjo proclama – “nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,11), estamos diante do dom da manifestação e comunicação de Deus para nós. Por isso, a celebração do Natal, nunca dissociada da Páscoa, pois nela essa manifestação e comunicação se completa, com o dom do Espírito para nós, é celebração que enche nossos corações de alegria, de paz, de confraternização, de festa entre amigos e irmãos. O Natal é a festa da concórdia, momento de reforçar os laços de amizade. O Criador se faz criança. Essa atitude de Deus deveria trazer, para os nossos corações, a força para que, olhando o rosto de cada criança, contemplemos a ternura de Deus, fazendo-se o que somos, a fim de que seja possível nos tornarmos o que Ele é: ternura, compaixão, misericórdia e paz. Natal também deve fazer-nos refletir sobre como estamos vivendo neste mundo. Deus já mostrou que quer a nossa vida semelhante à dele. Isto quer dizer, também necessitamos ser para os outros. Também é urgente quebrar as amarras das trevas e deixar-se iluminar pela luz do mistério de Belém. Também é preciso que nós manifestemos a ternura de Deus, através do perdão, da compaixão. Não esqueçamos: “nasceu-nos, hoje, um menino, um filho que nos foi dado. É grande e tão pequenino, Deus forte é Ele chamado”. Um Deus que nasceu assim, espera de todos os que o acolhem, que sejam humildes, simples e mansos como ele. Celebremos o Natal com confiança. A fragilidade do Menino de Belém, que chega ao cume nas mãos e pés cravados por pregos e o lado aberto pela lança, é o Senhor exaltado à direita de Deus, o mesmo que espera por todos nós, para que onde Ele estiver estejamos nós também (cf. Jo 14,3).

Dezembro de 2018 |7

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Revista A Ordem - Dezembro/2018  

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