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3 SOBRE OS VALORES E A VALORAÇÃO DOS BENS

O olhar humano tem o poder de conferir valor às coisas; mas também faz que elas se tornem mais caras. (WITTGENSTEIN, 1980)

3.1 OS VALORES COMO EXISTÊNCIA

O que faz ou garante a existência e a permanência de um bem, de uma obra de arte ou do patrimônio cultural ou artístico? Em resposta a essa questão, considera-se que a existência de um bem, do patrimônio cultural ou artístico, deve-se ao seu valor, entendendo por valor a importância que se dá a uma coisa, à nossa própria existência ou condição. Na realidade, os valores que norteiam as relações entre sociedade ou grupos sociais e seus bens culturais são os valores do presente, já que um valor é aquilo que é imprescindível a uma existência e dessa forma, o seu tempo é obrigatoriamente o agora, o presente, pois existimos no hoje. A valoração de um bem cultural é uma relação complexa e mutante na medida em que varia no tempo e a partir de quem valora (duas variantes variáveis). Com isso, um mesmo bem pode receber infinitos “valores” em um dado momento e em sua existência e o seu próprio existir depende da capacidade de ter valor nos presentes da sua existência. Considerando que a existência de um bem está relacionada ao seu valor no presente, consideramos que as permanências e transformações (simbólicas, de valor, de representação e da própria “coisa” na sua materialidade) dos bens culturais aconteceriam e são intrínsecas ao processo da existência e que, sob essa perspectiva, não caberia qualquer intervenção no sentido de preservá-los já que seria uma das dimensões das dinâmicas sociais, fazendo parte de um processo. 97

Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  
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A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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