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O primeiro estágio da crise foi mais um conflito no interior das elites do que em desafio à ordem social existente. Esta foi uma revolução política com potenciais conseqüências sociais que abortaram, ao passo que a Revolução Francesa foi uma revolução política com conseqüências sociais parcialmente realizadas. Como disseram cruamente os niveladores à Câmara dos Comuns em 1647: “o terreno da recente guerra entre o Reio e vós foi uma disputa para decidir se ele ou vós deveria exercer o poder supremo sobre nós”. Em outras palavras, a guerra começou como uma luta pelo poder entre elementos rivais constitutivos da estrutura do poder vigente. (STONE, [1972], 2000, p.113)

No ano de 1645, sob a responsabilidade do New Model Army40, o exército real é definitivamente derrotado. Em 1649 o Rei é executado, dando fim ao poder absolutista, na Inglaterra. A execução do Rei é realizada após seu julgamento “pelo povo” – quando ele é considerado culpado pelo ato de traição e violação da Constituição. Com a decapitação do Rei Calos I dá-se fim à Revolução na Inglaterra A natureza revolucionária da Revolução Inglesa pode ser demonstrada tanto por suas ações quanto por suas palavras. Suas realizações incluem não apenas a execução de um rei (os ingleses tinham uma longa tradição de assassinatos de reis odiosos, de William Rufus a Eduardo II, a Ricardo II), mas seu julgamento em nome do “povo da Inglaterra”, acusado de traição por ter violado a “a Constituição fundamental deste reino”. Isso era algo que nunca fora feito antes. A Revolução implicou não apenas a substituição de um rei por outro, mas a abolição da instituição monárquica; não apenas a execução de pessoas eno confisco da propriedade de uns poucos nobres, mas na abolição da Câmara dos Lordes; não apenas num protesto contra os “curas desagradáveis” de Hobbes, o clero e os bispos, mas na eliminação da Igreja estabelecida e no confisco das propriedades episcopais; não apenas num ataque aos funcionários impopulares, mas na abolição de toda série de instituições administrativas e legais de crucial importância para o governo. (STONE, [1972], 2000, p.102)

2.8 A IDÉIA DE PATRIMÔNIO NA INGLATERRA

As primeiras atitudes de “preservação” de prédios e/ou monumentos na Inglaterra, não se dão exclusivamente na idade moderna. O interesse e a preservação de alguns edifícios datam do século XIV. Os edifícios que são “preservados” e as razões pelas quais o são, segundo Nikolaus Boulting (1976), na grande maioria das vezes, resultam de associações

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É o novo exército democrático e revolucionário liderado pelo deputado Oliver Cronwell e “patrocinado” pelos “parlamentares”.

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...