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inglês, representado pela figura de Carlos I, adota um posicionamento de ataque e “revolta” por sua situação política e a limitação na política econômica do país. Assim, tomamos a ousadia de propor que a Revolução Inglesa é uma revolta régea. Didaticamente, é possível distinguirmos três momentos dessa Revolução: a Grande Rebelião (1640-42) – que é a revolta do Parlamento contra a Monarquia Absolutista; a Revolução Puritana – que são os conflitos religiosos e a Guerra Civil (1642-48) – confronto armado entre o Parlamento e a Monarquia por “divergências religiosas”. Vale notar que a monarquia Inglesa, neste período, apesar de ter um Estado absolutista, não conta com três instrumentos básicos à sua efetivação: um exército estruturado e permanente30; a autonomia financeira; e a burocracia (corpo de funcionários dependentes e fiéis ao Estado)31. Além disso, o Parlamento32 encontra-se fortalecido politicamente e com número ampliado e a Igreja Reformada é incapaz de controlar e unificar “os fieis”33. Em função da participação em disputas na Itália, durante o reinado de Henrique VIII (1509-1547), a Coroa inglesa encontra-se falida. Como solução a esse déficit econômico, o Rei ele recorre a empréstimos ao Parlamento, a desvalorização da moeda (que a longo prazo é responsável pela redução de ganhos da realeza) e, por fim, coloca à venda os bens confiscados da Igreja, durante a Reforma. Com isso, a oportunidade de estabelecer uma base economia

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Diferentemente da França, onde a realeza toma a postura de defesa e em certos momento recua frente à confrontação direta com as forças populares. Na França, o Rei chega a se “retratar” e buscar alianças junto aos líderes populares. 30 Por sua localização geográfica e por restrições financeiras, o exército inglês fixa-se basicamente na realização de objetivos delimitados e de caráter defensivo, desde o reinado da Rainha Elisabeth (1558-1603). 31 Além de um corpo administrativo reduzido, os salários são, por conta da alta dos preços, irrisórios. Como mostra o livro de Hill(1972): Os funcionários eram assim, de boa ou má vontade, forçados à corrupção, com o inevitável resultado da deterioração do serviço público – o estado da marinha no reinado de Jaime é um exemplo clássico – e da crescente indignação da opinião. A última volta nesse parafuso foi dada pelo duque Buckinghanm, nos anos 1620, ao colocar, franca e alegremente, tudo em leilão, dos bisbados aos títulos de nobreza, passando pelos juízes. 32 Diferentemente de outros países, o Parlamento Inglês é único, não havendo a divisão terciária. É constituído de duas Câmaras: a dos Lordes (os pares do reino) e dos Comuns (burgueses e gentry) - a distinção se dava no sei da própria nobreza. É capacitado ao veto, ou seja, desde Eduardo I (1239-1307) nenhum monarca pode decretar novas leis sem seu consentimento. 33 A Igreja Anglicana não é forte o suficiente para abraçar a direita católica e a esquerda puritana.

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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