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2.7 A REVOLUÇÃO INGLESA: A REVOLTA RÉGEA

Primeiramente gostaríamos de esclarecer o porquê da escolha deste subtítulo “a revolta régea”28 aqui adotado. Ele propõe e sugere uma inversão de papéis sociais a partir da Revolução, ou seja, propõe considerar que a realeza é a parte revoltada - “ataca para a vida ou para a morte”29. Tendo consciência da responsabilidade dessa proposta e dos limites e alcances dessa monografia, vamos explicar brevemente o que orienta a pensarmos nessa “inversão de papéis” - que pode ser aceita e aprofundada em estudos futuros, não cabendo o seu aprofundamento, nesse momento. Essa consideração quanto ao papel real é fruto do seguinte raciocínio: A Inglaterra até o reinado de Carlos I, apesar de problemas, dinâmicas e mudanças em todos os campos das relações humanas, encontra-se relativamente em equilíbrio - as forças, atribuições e papéis são acordados e o jogo de forças se dá dentro e em função dos espaços políticos previstos. Ou seja, o campo político, a estrutura e espaço de atuação política e seus atores, podemos dizer, encontram-se estáveis, respondendo e se adaptando às expectativas do momento – essas dinâmicas e as divergências ocorrem num jogo de ajustes mútuos. Por outro lado, Carlos I, ao ser coroado, passa a governar de forma independente, desconhecendo a organização e as alianças existentes, desconhece os jogos e a arena política prévia, sendo, inclusive, indiferente à Constituição vigente. Essa é, em certa medida, a razão pela qual podemos sugerir “a revolta régea”, já que o rei é quem se revolta. As conseqüências e reações do Parlamento e sua contra-reação posterior (quando Carlos I invade Londres e declara Guerra Civil) são etapas da conhecida Revolução Inglesa. Ou seja, o poder absolutista

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Tendo como horizonte que, como diz Albert Cammus, “o movimento de revolta apóia-se ao mesmo tempo na recusa categórica de uma intromissão julgada intolerável e na certeza confusa de um direito efetivo, ou, mais exatamente, na impressão do revoltado de que ele “tem o direito de...”.

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...