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presença na relação imediata, tão logo esta tenha deixado de atuar ou tenha sido impregnada por meios, o Tu se torna um objeto entre objetos, talvez o mais nobre, mais ainda um deles, submentido à medida e à limitação. (BUBER, 2004 p.63)

Seguindo esses princípios, as obras de arte podem facilmente ilustrar essas possibilidade relacionais. Se tomarmos a idéia das relações entre os homens e objetos e pensarmos sobre as obras de arte nesse sentido, mais uma vez é possível reconhecermos as suas diversidades de dimensões e relações. Dessa forma, e retomando a dimensão de ser um bem cultural, de estar no mundo, de ser um Isso, as obras de arte e o patrimônio artístico como tal, por seu valor de arte distingue-se dos demais bens culturais. Podemos afirmar, assim, que uma obra de arte ou o patrimônio artístico, pode ser entendido como “uma coisa” (um isso), única, singular e exclusiva no mundo, mas que é reconhecida coletivamente como capaz de suscitar relações “eus-tus”16, ou seja, uma coisa com reconhecimento coletivo por suscitar ou emanar relações individuais eus-tus. Na medida em que, constatamos as diversas dimensões relacionais do patrimônio artístico, percebemos a complexidade do seu entendimento. No entanto, não se pode deixar de perceber por essas duas dimensões de relações de uma obra de arte e no caso desse trabalho, do patrimônio artístico, que pensar e atuar junto a esses bens é significa sempre a tentativa de conciliar relações aparentemente paradoxais, visando manter a autenticidade da obra de arte dimensão ontológica e a ôntica; ou ética e prática; ou arte e instrumentalidade; ou eu-tu e euisso; matéria e imaterialidade, eminência e transcendência, etc.

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Sugerimos eus-tus, nesse caso, por serem inúmeros indivíduos ou observadores de um objeto artístico (uma fonte mutante sempre) e, pra cada um desses que contemplam o objeto de arte é sempre distinto. Além disso, a obra de arte por ser um acontecimento, consituti-se, assim em “infinitas obras de arte”.

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...