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Podemos sugerir que as intervenções do tipo ritualisticas, comumente adotadas pelas estratégias comunicativas, podem significar na prática a perda dos bens que supostamente buscam preservar. Essa perspectiva permite associarmos às intervenções de ritualização “antes X depois” a ameaça real à integridade patrimonial, o que vai além da espetacularização. Isso se agrava na medida em que o governo também adota essas lógicas publicitárias. Assim, as intervenções são subordinadas a essas estratégias de comunicação e seus interesses econômicos, simbólicos, culturais e políticos, podem gerar um acervo patrimonial ilusório e de simulacros, onde a quantidade, “profundidade” e visibilidade das intervenções contabilizam mais do que o comprometimento à obra, ao bem comum, a autenticidade, visto que em primeiro lugar à essa lógica não interessa

as ações de

“manutenção dos bens” – assim, podemos constatar o desinteresse em apoiar o “restauro preventivo” o que favorece, assim, a “depreciação” desses bens. Em segundo lugar porque, quando essas intervenções são subordinadas aos discursos legitimadores que exploram as idéias de “renovação”, “revitalização”, “regeneração” e tantas outras, corre-se o risco da construção de um “falso histórico”. É sobre o risco da perda patrimonial, quer pela omissão na manutenção quer por ações ritualizadas segundo as estratégias de mercado e, mais precisamente, das estratégias de comunicação, que esse trabalho se propõe discutir. Na busca em estabelecermos os nexos entre os bens patrimoniais e as estratégias comunicacionais, desenvolvemos a noção de “cidade-mídia”, visando avançar uma dimensão da cidade, entendida como um meio de comunicação e como mensagem múltipla e em construção. Ou seja, acreditamos, também, que é em função da dupla dimensão midiática da cidade e do patrimônio cultural que podemos estabelecer os nexos associativos das estratégias de comunicação governamentais e empresariais. Do mesmo modo, a dimensão midiática da cidade, inserida nas transformações e estratégias comunicacionais contemporâneas oferece 22

Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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