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singularidade, autenticidade e especificidade, isto supõe a necessidade de revisão das atuais práticas e políticas adotadas. De qualquer forma, é válido ressaltar que, independente de novas possibilidades na gestão desses bens, urge às suas existências, o seu entendimento como um processo de construção contínuo e fundamental à constituição e reconhecimento de grupos culturais e sociais. E, sob esse visar, cabe gerir o “devir”, a “transformação”, a “mudança”, a “vida” do valor do bem cultural, não cabendo qualquer perspectiva ou intenção utópica de “congelamento”, de “manter tal qual”, de “retorno estilístico” e outras posturas irreais. Finalizando, é determinante a tomada de consciência do tempo presente, quando nos referimos a patrimônio cultural e ás políticas de gestão dos seus bens, considerando a gestão de valores e interesses diversos, nos jogos das relações sociais. O espaço do “conflito” ou da apropriação do Patrimônio pelos jogos do mercado (quer dos setores empresariais quer seja de governos ou políticos) é proporcional às práticas e formas como, historicamente, se constitui a relação entre os interesses privados e a ordem institucional e legal do Estado. Ou seja, o conflito se insitui fundamentalmente pelo ato da desvalorização, do desconhecimento ou do descompasso das instâncias legais, do direito e do campo político, num processo de constituição do espaço público em construção. A revisão nas políticas e na gestão desses bens é deveria ser ponto urgente da agenda atual, na medida em que o patrimônio e as suas intervenções refletem os embates travados no campo político e ético entre os diversos agentes sociais e inserem-se numa arena mais ampla de interesses permeada pelos campos econômicos, políticos, cultural etc. determinantes às políticas públicas contemporâneas construídas no espaço público.

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Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...