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das responsabilidades individuais, fruto do esfacelamento do Estado vão impulsionar a invasão das questões privadas no espaço público. Assim, continuando o pensamento do autor, o mercado surge como o “regulador” ou gestor das urgências e desejos individuais, quando o homem deixa o papel de produtor e cidadão, passando ao papel de “consumidor” e neste plano no exercício de legitimar seus “direitos” e não ser mais um “fora do jogo”. O crédito, o consumo e os bens são vistos como atributos determinantes à sua inserção no mundo - a perda dessas “capacidades” de consumidor representa sua expulsão ou sua inadequação “social”, construindo o excedente humano dispensável – o expurgo humano que é “depositado” em áreas “fora”, como campos de refugiados. Considera que estamos vivenciando, ainda, a modernidade que se distingue da era anterior, fundamentalmente, pelos avanços tecnológicos que permitem a libertação do tempo e espaço, pelo descrédito e até o pessimismo quanto ao futuro e a desregulamentação das relações. Ou seja, o tempo atual não muda, enquanto baseado num projeto de modernização contínuo. A sociedade que entra no século XXI não é menos “moderna” que a que entrou no século XX; o máximo que se pode dizer é que ela é moderna de um jeito diferente. O que a faz tão moderna como era mais ou menos há um século é o que distingue a modernidade de todas as outras formas do convívio humano: a compulsiva e obsessiva, contínua, irrefreável e sempre incompleta modernização; a opressiva e inerradicável, insaciável sede de destruição criativa (ou de criatividade destrutiva, se for o caso: de “limpar o lugar” em nome de um “novo e aperfeiçoado” projeto; de “desmantelar”, “cortar”, “defasar”, “reunir” ou “reduzir”, tudo isso em nome da maior capacidade de fazer o mesmo no futuro – em nome da produtividade ou da competitividade). (BAUMAN, 2001, p.36)

Para esse autor, os indivíduos contemporâneos são fundamentalmente resultados das transformações sócioeconômicas. Todas as análises propostas no entendimento do cotidiano e da vida atual, líquida, inserem-se num campo disciplinar mais amplo. No entanto, apesar de enfatizar as transformações “gerais ou comuns”, que impulsionam à fragmentação e à 170

Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...

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