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5 E O AGORA?

Que importa tudo o mais, se a morte nos espera em qualquer esquina? Convém não esquecer que o homem é, ao mesmo tempo, o seu próprio cadáver. Hora após hora, dia após dia, ele amadurece para morrer. [...]. Agora o aspecto da sordidez. Nas adjeções humanas, há ainda a marca da morte.Sim, o homem é sórdido porque morre. No seu ressentimento contra a morte, faz a própria vida com excremento e sangue. (RODRIGUES, )

5.1 A RUPTURA DA TRADIÇÃO

Ao buscarmos a gênese do uso da noção de patrimônio tal como fizemos em relação à sua construção nos contextos distintos revolucionários, tanto na França quanto na Inglaterra mostramos que o patrimônio reflete as relações dos homens num dado contexto social, econômico, cultural e político, onde os valores são determinantes a esses jogos entre os agentes sociais. O cenário era marcado pelo questionamento no universo das classes e a conseqüente dissolução das antigas estruturas sociais que já não respondiam em às expectativas, anseios e práticas das novas formas de produção. Ao esgotar-se a antiga ordem social tradicional e ao inaugurar-se um novo tempo, assiste-se, num primeiro momento, à completa destruição dos bens representantes do “passado” e do “sistema opressor”. Num segundo momento, as primeiras vozes em defesa desses “bens”, agora “coletivos”, passam a clamar pela preservação e a defender a importância do “patrimônio”, reconhecendo o seu papel relevante para a constituição e legitimação dos discursos e ideologias que reafirmam as identidade nacional e uma nova sociedade – consolidando a formação do Estado-nação. Assim, a palavra patrimônio recebe o mesmo sentido adotado atualmente pelo senso comum: representa os bens fundamentais à identidade de uma nação. 165

Revista ARQCHRONOS - Arquitetura em Patrimonio  

A criação da Revista ARQCHRONOS – arquitetura em patrimônio – é um pólo de troca e de ação crítica relacionado a área de Patrimônio Arquitet...